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Grips Editora – Ano 16 – Nº 112 – maio de 2015         LEIA NESTA O cliente é o centro das atenções EDIÇÃO: A recuperação da economia brasileira

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A Revista de Negócios do Aço 3 ÍNDICE brasil 10 AÇOS ESPECIAIS Compostos com uma combinação de metais nobres ou ligas especiais, os aços ferramenta são desenvolvidos para atender a fabricação de moldes, matrizes e ferramentas de alta performance. Foto: Salete Santos / Aços Labatut Foto: www.freeimages.com 4 EDITORIAL Qual o cenário que devemos assumir? 5 OPINIÃO Reforma de iniciativa popular 6 TECNOLOGIA 14 DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA 20 VISÃO ESTRATÉGICA O cliente é o centro das atenções 24 ENTIDADES 16 ECONOMIA Os desafios da recuperação t0BKVTUFmTDBMWBJEBSDFSUP t4FSÍPGFJUPTPTDPSUFTOBTDPOUBTQÞCMJDBT MAIO/2015 28 ARTIGO TÉCNICO Revestimento de aço carbono com aço inoxidável austenítico 32 EVENTOS 34 ESTATÍSTICAS 40 EMPRESAS & NEGÓCIOS 42 ANUNCIANTES SIDERURGIA BRASIL NO 112 3

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EDITORIAL HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL inda de forma muito tímida, nas três últimas se- órgãos de imprensa de grande circulação no Brasil, que nos apre- manas conseguimos ouvir de alguns empresá- sentaram, sob o seu ponto de vista, o que podemos esperar para rios que o primeiro sinal de vida para a indústria o curto e médio prazos diante dos cenários que estamos viven- brasileira neste ano de 2015 talvez tenha come- do. É uma visão fria dos fatos mas que por certo ajudarão nossos çado a acontecer em alguns setores. leitores a montar suas estratégias e seu planejamento. Provavelmente seja reflexo da adequação do Falando em estratégia, nada mais importante para uma em- dólar em relação ao real, pois, segundo especialistas, com esse presa que o seu cliente. Ele é a razão da existência e sem ele valor já é possível competir com os produtos importados, pelo a empresa não existiria. Buscamos um especialista em estra- menos aqui dentro do Brasil. Passados cinco meses do ano, tégia em encantar o cliente e usar as ferramentas modernas o grande problema que todos temos percebido é principal- disponíveis e ele nos deu algumas dicas de como é possível mente a falta de confiança, que passar pela turbulência, acres- naturalmente leva à falta de es- Qual o cenáriopírito empreendedor, absoluta- centando conteúdo em nossos produtos. mente necessário ao empresário em todos os níveis. A pergunta feita é: estamos no que devemos Já na área técnica apresentamos uma bem elaborada listagem das propriedades dos caminho certo? O ajuste fiscal que vem sem sendo alarde- assumir? aços ferramenta e suas especificações técnicas. ado como o grande salvador Em outra entrevista exclusiva ex- da pátria, ainda que dito por alguém que não tem nenhuma plicamos por que o uso da tecnologia a laser vem ganhando des- credibilidade, fará a diferença para se ter um crescimento mi- taque quando se trata de corte de metais. E ainda alguns proces- nimamente sustentado neste ano? Ouvimos falar que algu- sos de soldagem muito utilizados na indústria metal mecânica. mas projeções de consultorias internacionais indicam que a Por fim a mais ampla cobertura estatística de tudo quanto se volta do crescimento no Brasil só ocorrerá em 2017. Não sei relaciona com a siderurgia, os eventos e os demais aconte- baseado em quê ou se é um simples exercício de adivinha- cimentos que movimentaram o setor. Queremos destacar a ção, mas a pergunta é se haverá alguém vivo ou em mínimas procura marcante com um excelente nível de visitação que condições de sobrevivência até lá. temos tido em nosso site, o que nos coloca certamente entre Cumprindo o nosso papel de bem informar, buscamos entre- os sites da cadeia siderúrgica com maior visitação. vistar dois especialistas, professores e articulistas famosos em Boa leitura! EXPEDIENTE Edição 112 - ano 16 - Maio 2015 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823755339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria/Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker/TI: Vicente Bernardo/ Administrativo: Supervisora: Maria Rosangela de Carvalho/ Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria MTb-SP 37.567/Entrevistas e Reportagens: Marcus Frediani - MTb:13.953 e Ricardo Torrico/ Projeto Editorial: Grips Editora/ Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem fotográfica com fotos de André Siqueira/ Salete Santos/ Shutterstok Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 111 – São Paulo-SP – CEP 05407002 – Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. 4 SIDERURGIA BRASIL NO 112 MAIO/2015

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OPINIÃO www.siderurgiabrasil.com.br MAIO/2015 Reforma de iniciativa popular Vindo de um projeto da sociedade organizada, a reforma política poderia ser uma saída para o país ser respeitado mundialmente, uma alternativa que deveria ser levada a sério, já que se depender do Congresso e do atual governo a esculhambação vai seguir adiante. Marcos Cintra* m meio ao maior escândalo de corrupção da história brasileira, configurado pelos desvios de dinheiro na Petrobrás, voltamos a falar na tão esperada reforma política. Pressionada pelo elevadíssimo índice de rejeição popular, a presidente Dilma diz que a medida requer um “grande pacto”da sociedade. Já o Congresso, na figura do presidente do Senado, Renan Calheiros, afirma que há muita dificuldade em levá-la adiante porque não há consenso entre os partidos no tocante ao modo como deve ser seu encaminhamento. Em Brasília um grande movimento popular está sendo organizado em defesa de mudanças na política, mas seu foco é o financiamento das campanhas. Primeiramente cabe afirmar que o Brasil vive um momento de turbulência que deveria ser aproveitado para avançarmos em termos de uma ampla e profunda reforma política. A população está extremamente insatisfeita com os rumos que o país tomou no âmbito da gestão pública e da ética. Medidas de grande envergadura com o objetivo efetivo de combater a corrupção e modernizar a administração teriam enorme aceitação das entidades organizadas e das pessoas em geral. Ocorre que é difícil imaginar uma reforma nessa linha partindo do Executivo, uma vez que o atual governo está desmoralizado, foi o disseminador da roubalheira na Petrobrás e jamais se interessou em avançar em relação a mudanças capazes de combater vícios deletérios que ao longo dos anos seguiram destruindo as historicamente frágeis instituições nacionais. A presidente Dilma fala em “grande pacto”, mas o que isso significa objetivamente e qual é a reforma política que o PT defende? No Congresso também é difícil surgir algo positivamente impactante. O argumento do presidente do Senado é, em parte, compreensível. Em qualquer lugar do mundo há divergências políticas. No entanto, um líder político deve ser capaz de encaminhar propostas que estejam de acordo com as demandas da sociedade. O brasileiro deseja mudanças efetivas na política e o Congresso deveria encaminhá-las. Não é esse o papel daquela Casa? Com base no argumento de Renan Calheiros, devemos nos conformar? Já que não há consenso entre os parlamentares, o jeito é deixar tudo como está? Em relação aos movimentos que clamam pela reforma política, com ênfase no financiamento de campanha, cabe chamar a atenção para o fato de que esse é apenas um aspecto. O país precisa de um projeto amplo que envolva também o voto distrital, a limitação da remuneração dos ocupantes de cargos eletivos, a abertura automática dos sigilos fiscal e bancário de candidatos, a proibição de indicações políticas para cargos no governo e em estatais e a vedação de reeleição no Executivo e no Legislativo. Uma sugestão plausível para o encaminhamento de uma reforma política de grande envergadura poderia ser o seu encaminhamento através de um projeto de iniciativa popular, tal como foi feito na Lei da Ficha Limpa, que foi um avanço para o processo de moralização da política nacional e que jamais seria apresentada pelos políticos. Vindo de um projeto da sociedade organizada, a reforma política poderia ser uma saída para termos um país respeitado mundialmente, mais eficiente e eficaz no tocante à gestão governamental e descente em termos éticos. É uma alternativa que deveria ser levada a sério, já que se depender do Congresso e do atual governo a esculhambação vai seguir adiante. *Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA) e professor titular de Economia na FGV (Fundação Getulio Vargas). Foi deputado federal (1999-2003) e autor do projeto do Imposto Único. www.facebook.com/marcoscintraalbuquerque Foto: Divulgação www.freeimages.com SIDERURGIA BRASIL NO 112 5

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TECNOLOGIA Fotos: Divulgação Eficiência que rima com produtividade A tecnologia de corte a laser na indústria começa a ser mais bem difundida no Brasil. E vários fatores, não apenas de fundo técnico, vêm contribuindo para que assim seja. Marcus Frediani em todo mundo sabe, mas a história do laser – abreviação de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, ou “Luz amplificada pela emissão estimulada da radiação” – tem sua origem ligada ao ano de 1916, quando Albert Einstein, ao estudar as características da luz, concluiu que ela podia ser amplificada. Mas foi só em 1960, portanto 54 anos depois, que o físico norte-americano Theodore Maiman construiu o primeiro laser, a partir de um ressonador, que era um cristal de rubi, excitado com lâmpada de flash. Na época, a sociedade científica, cética como sempre, recebeu a máquina com certo desdém, cunhando-a com o irônico slogan de “um invento em busca de uma utilização”. Contudo, à medida que a pesquisa foi avançando, o laser mostrou o seu valor – e que valor! –, em múltiplas aplicações que vão desde o entretenimento até a medicina e a computação, passando no meio desse trajeto ainda pela pesquisa, pelas telecomunicações e pela in- dústria. E é exatamente nesta última que, de modo muito particular, sua utilização vem ganhando cada vez mais importância quando o assunto é produtividade. E a explicação para essa dinâmica tem tudo a ver com a forma que o laser atua. Esse sistema produz um feixe de luz coerente e concentrado por meio de estimulações eletrônicas ou transmissões moleculares para níveis mais baixos de energia em um meio ativo sólido, líquido ou gasoso, que, quando aplicada no processamento de materiais, 6 SIDERURGIA BRASIL Nº 112 MAIO/2015

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7 www.siderurgiabrasil.com.br produz um feixe de energia de alta densidade, que promove a fusão e evaporação destes, em regiões muito localizadas em função do elevado gradiente térmico gerado. Custo x Benefício Grosso modo, é assim que as máquinas de corte a laser funcionam. E é em função das características dessa operação que, na indústria, ele vem ganhando mais espaço também sobre a utilização de métodos convencionais de corte, como é o caso do plasma. “O laser é uma tecnologia muito fina. Eu poderia listar uma série enorme de vantagens do uso do laser sobre os outros sistemas de corte, mas, em síntese, ela se traduz em cortes mais rápidos, com maior precisão e acabamento muito superior. Isso sem falar em níveis mínimos de deformação, emissão de ruídos e fumos – na hora do corte, você não vê o óxido no ar –, além de extrema versatilidade no processamento de uma imensa variedade de materiais e sistemas automatizados que permitem máquinas trabalhando 3 turnos com um mínimo de operadores. Também já possibilita o corte de chapas de mais de seis metros, além de figuras geométricas complexas com 2D ou 3D”, explica João Carlos Visetti, presidente da Trumpf no Brasil, líder mundial em tecnologia e de mercado no fornecimento de máquinas para o processamento de chapas metálicas e no uso do laser para aplicações industriais. Ainda segundo Visetti, somada a essas características, a crescente evo- lução tecnológica tem possibilitado, nos últimos anos, gradativamente espantar um “fantasma” recorrente – o preço –, citado sempre pelos detratores da utilização do laser, em benefício dos métodos convencionais de corte: a redução do custo do investimento inicial em equipamentos, bem como o aumento da potência destes, vem credenciando o processo do corte a laser como excelente opção não somente por uma avaliação exclusivamente técnica, como também por uma simples análise de custo x benefício para o corte de metais. “Por exemplo, quando se utiliza outras tecnologias de corte, muitas vezes é necessário retrabalhar as peças, repassando furos e tirando rebarbas, fazer várias soldas e ajustes decorrentes da baixa precisão

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TECNOLOGIA do processo, quando comparado ao corte laser, o que acaba encarecendo a peça ou conjunto. Assim, o menor custo de investimento na máquina de plasma acaba se tornando duvidoso, uma vez que o processo final, na ponta do lápis, acaba ficando mais caro em função da baixa produtividade, elevado custo de energia e consumíveis além do retrabalho e complexidade na concepção da peça quando comparado ao de uma máquina a laser. Em outras palavras, a comparação – inclusive a financeira –, se resume a uma simples equação de produtividade”, pontua o presidente da Trumpf Brasil. Por conta disso, embora no estrito senso não possa ser considerado um hard-consumer, o mercado brasileiro – hoje detentor de um acervo de perto de 1.500 máquinas de corte a laser em uso industrial – o que o coloca em destacada e confortável posição de liderança entre nossos vizinhos sul-americanos –, já é considerado pelos players internacionais, um solo fértil e de perspectivas bastante auspiciosas. Contudo se a compra e importação desses equipamentos pelas indústrias nacionais já atinge, em média, o montante de 100 máquinas ao ano nos últimos 5 anos, isso é parte de um trabalho diligente e ininterrupto desses fornecedores, que, como é o caso da alemã Trumpf, vem apostando no Brasil há mais de 30 anos. “Levamos cerca de 25 anos para vender as nossas primeiras 500 máquinas no país, depois vendemos outras 500 unidades em 5 e mais 500 em 3 anos, neste número estão incluídas máquinas de corte a laser 2D e 3D, puncionadeiras, dobradeiras e unidades laser stand alone. A partir do ano 2000, o mercado tornou-se mais responsivo”, pontua Visetti, acrescentando que tudo, entretanto, aconteceu dentro das previsões do planejamento germânico da empresa. Aplicações Existem muitas ofertas de sistemas laser no mercado e uma avaliação de todas as variáveis que influenciam nos complexos fenômenos envolvidos nesse processo é fundamental para obtenção dos resultados desejados. Entre elas, destacam-se o tipo de material a ser processado, sua composição química e espessura; o padrão de qualidade requerido ao corte e sua geometria; e, por fim, a escala de produção. Uma das principais vantagens deste processo é a sua extrema versatilidade em processar diferentes 8 SIDERURGIA BRASIL Nº 112 materiais. Os mais comumente usados são os aços carbono, galvanizados e inoxidáveis, o alumínio e suas ligas e o titânio. Em função dessas características, no Brasil, os principais segmentos demandantes de equipamentos de corte a laser são os fabricantes de maquinários agrícolas, tratores, máquinas de construção, eletroeletrônicos, painéis, caixas e acessórios, frigoríficos e refrigeração, e não podemos esquecer que prestadores de serviço voltados a estes mercados representam mais de 50% do consumo destas máquinas. Na indústria automobilística, a participação do laser é bastante difundida no processo de solda da carroceria entretanto, a participação do laser no corte é ainda bastante tímida no país, cenário que, segundo João Carlos Visetti, tende a mudar nos próximos anos:“No Brasil este mercado é ainda pequeno, e possui apenas dez máquinas em operação. Mas, nossos carros estão se aproximando dos veículos de outros países, ou seja, o mercado está ficando mais exigente e buscando uma carroceria mais leve, e segura para tanto é necessário o uso de aços especiais e processo de estampagem a quente, chamado de hot forming. E isto exige que as peças sejam cortadas e furadas com mais precisão. Então, acredito firmemente que, à medida que a tecnologia embarcada de ponta avança e migra dos carros nacionais mais top para os populares, a tendência é que a demanda pelo maquinário a laser também vá aumentar. E o Inovar Auto, com certeza, vai ajudar muito no aquecimento dessa procura”, anima-se o executivo da Trumpf. Novidades E como exemplo de que a empresa está atenta a essa movimentação MAIO/2015

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9 www.siderurgiabrasil.com.br e totalmente envolvida na dinâmica de desenvolvimento da indústria nacional, Visetti cita o exemplo do mais novo lançamento da Trumpf, a TruLaser 5030 Fiber com BrightLine, e que, segundo ele, veio para revolucionar o mercado de corte a laser. Lançada mundialmente durante a Blechexpo/Stuttgart, em novembro de 2013 , e apresentada ao mercado brasileiro, durante a Feira da Mecânica em maio de 2014, ela ostenta em seu material de divulgação o fato de que nenhuma outra fabricante desse tipo de equipamento conseguiu reunir as vantagens do laser de CO², ideal para cortar chapas de espessuras grossas, com o refinamento e a qualidade de acabamento e do laser de estado sólido, também conhecido por laser guiado por fibra com sua alta performance no corte de chapas finas com altas velocidades e economia de energia. “Essa barreira foi novamente rompida pela Trumpf com a nova TruLaser 5030 Fiber com BrightLine Fiber e Coolline Fiber com 8 kW de potência laser. Esta máquina combina alta produtividade, com flexibilidade nunca vistas antes no mercado. Do aço carbono ao aço inoxidável, passando por materiais altamente reflexíveis, como cobre latão e alumínio, com espessuras de 1 mm até 40 mm – a nova TruLaser 5030 Fiber com BrightLine e CoolLine Fiber corta toda esta gama de espessuras e materiais, usando o mesmo ressonador, a mesma máquina, com economia de energia e de consumíveis, disponíveis com área de trabalho no tamanho 3 m x 1,5 m e 4 m x 2 m. Foto: Divulgação “É possível fazer furos de 2 mm em uma chapa de aço inox de 20mm, por exemplo, cortamos 25 mm de aço carbono com qualidade nunca vista antes no corte a laser graças a combinação do BrighLine Fiber e CoolLine Fiber. É uma tecnologia que só a Trumpf tem”, finaliza João Carlos Visetti, deixando o seu recado para o mercado. João Carlos Visetti DGH-XOKRGH 7UDQVDPHULFD([SR&HQWHU_6¾R3DXOR ,QVFULÂÐHVFRP GHGHVFRQWR DWÄ (QWUHRV 3DOHVWUDQWHV &RQILUPDGRV 0DÈOVRQGD1ÎEUHJD (FRQRPLVWD 3$752&¨1,2 ',$0$17( 35$7$ 4HYSSEN+RUPP#3! %521=( 08,72$/e0'2$d2 )$5%(<21'67((/ +DL\DQ:DQJ 6ÐFLDGLUHWRUDGR &KLQD,QGLD,QVWLWXWH $32,2 -RVÄ6DQWRV 3URIHVVRUGH3U¾WLFDVGH *HVWÀR*OREDOGD,16($' 5HDOL]DÄÀR HYHQWRV#DFREUDVLORUJEU_   ZZZDFREUDVLORUJEUFRQJUHVVR

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AÇOS ESPECIAIS Fotos: Salete Santos / Aços Labatut Uma composição para cada aplicação Compostos com uma combinação de metais nobres ou ligas especiais, os aços ferramenta são desenvolvidos para atender a cada necessidade. Ricardo Torrico endo como principais características a elevada dureza, resistência à abrasão, boa tenacidade e resistência mecânica, mesmo sob elevadas temperaturas, os aços ferramenta são utilizados na fabricação de matrizes, moldes, ferramentas de corte intermitente e contínuo, ferramentas para conformação de chapas, corte a frio e componentes de máquinas. Suas características resultam da adição de altos teores de carbono e ligas como tungstênio, molibdênio, vanádio, manganês e cromo. A classificação de aços ferramenta mais utilizada pela indústria de ferramentaria é a do American Iron and Steel Institute (AISI). A seguir, apresentamos as dez principais 10 SIDERURGIA BRASIL Nº 112 classificações de aços ferramenta segundo os critérios estabelecidos por essa entidade: Aço AISI P20 Características – Aço ferramenta de baixa liga, com boa usinabilidade e fornecido na condição beneficiado. Apresenta alta polibilidade, sendo possível obter-se superfícies espelhadas, o que o torna apropriado para a fabricação de moldes de injeção de plásticos. Quando se desejar maior resistência ao desgaste, pode-se submetê-lo à tratamentos termoquímicos tipo cementação ou nitretação. Aplicações – Este aço é especialmente destinado à fabricação de moldes de injeção de plástico e MAIO/2015

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matrizes para a fundição sob pressão de ligas leves. Aço AISI D16 Características – Aço para trabalho a frio, de elevada temperabilidade, alta resistência mecânica, alta resistência ao desgaste, alto grau de indeformabilidade e boa tenacidade. A dureza superficial, na condição temperada e revenida, pode alcançar 62,0 HRc. Aplicações – Este aço é amplamente utilizado na fabricação de ferramentas de corte (matrizes e punções), ferramentas para forjamento a frio, cilindros para a laminação a frio, rolos para perfiladoras de tubos, cocinetes, lâminas para cortadores de plástico, madeira e chapas finas etc. Aço AISI H13 Características – Aço para trabalho a quente, ligado ao cromo-molibdênio-vanádio, temperável em óleo ou ar, de excelente tenacidade, alta resistência mecânica e boa resistência ao desgaste em temperaturas elevadas. Apresenta boa resistência à fadiga térmica, ótima resistência ao choque térmico e ao amolecimento pelo calor. Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de matrizes para forjamento a quente em prensas, 11 www.siderurgiabrasil.com.br fabricação de moldes para a injeção de plásticos e zamak, ferramentas para corte a quente, matrizes para a fundição de ligas de alumínio, chumbo, estanho ou zinco, ferramentas para a extrusão de ligas leves etc. Aço AISI O1 Características – Aço para trabalho a frio, ligado ao manganês-cromo-tungstênio, temperável em óleo, de elevada dureza, alta resistência ao desgaste e média tenacidade. A dureza superficial, na condição temperada e revenida, pode alcançar 64,0 HRc.

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AÇOS ESPECIAIS Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de ferramentas de corte, ferramentas para trabalho em madeiras, ferramentas para conformação de aços e metais não ferrosos, etc. É utilizado também na fabricação de instrumentos de medição onde há necessidade de estabilidade dimensional, tais como réguas, calibres, padrões etc. Aço AISI S1 Características – Aço para trabalho a frio, ligado ao tungstênio-cromo-vanádio, temperável em óleo, de elevada tenacidade, alta resistência mecânica e boa resistência ao desgaste. A dureza superficial, na condição temperada e revenida, pode alcançar 54,0 HRc. Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de ferramentas de corte e punções, nos quais se exigem alta tenacidade e boa resistência ao desgaste. Por ser um aço de extraordinária tenacidade, é amplamente utilizado em facas para corte de aço, talhadeiras, matrizes para estampagem a frio, ponteiras de marteletes pneumáticos, etc. Em função de sua elevada resistência ao impacto e à fadiga, tanto a quente quanto a frio, pode também ser utilizado 12 SIDERURGIA BRASIL Nº 112 em facas para a rebarbação a quente, em moldes de injeção de plásticos etc. Aço AISI D2 Características – Aço indeformável, com altos teores de carbono e cromo, temperável ao ar ou em óleo, de alta tenacidade, alta temperabilidade, alta resistência mecânica e alta resistência ao desgaste. O alto teor de molibdênio (Mo) confere a este aço uma boa resistência ao amolecimento pelo calor. Em função da composição química, este aço apresenta um ótimo balanceamento entre a resistência ao desgaste e a tenacidade. A dureza superficial, na condição temperada, pode alcançar 65,0 HRc. Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de matrizes de estampos de grande porte, matrizes de extrusão a frio, ferramentas de furação, cunhagem, corte e puncionamento, rolos laminadores de rosca, calibradores, entrepontos para tornos, moldes para cerâmica etc. Aço AISI D3 Características – Aço para trabalho a frio, de elevada tempera- MAIO/2015

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bilidade, alta resistência mecânica, alta tenacidade, boa resistência ao desgaste e boa estabilidade dimensional. A dureza superficial, na condição temperada e revenida, pode alcançar 62,0 HRc Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de ferramentas de corte e puncionamento sequencial de alta solicitação. Em função de sua elevada tenacidade, é amplamente utilizado na indústria de latas de conservas, lâminas para cortadores de couro, plástico, madeira, chapas finas etc. Aço WRN 1.2714 Características – Aço para trabalho a quente, ligado ao cromo-níquel-molibdênio, temperável em óleo, de excelente tenacidade, boa resistência mecânica, média resistência ao desgaste, boa resistência à fadiga térmica e ótima resistência ao choque. Aplicações – Este aço é destinado à fabricação de matrizes para forjamento a quente em martelos, suportes para matrizes de forjamento em geral, fabricação de moldes para a injeção de plásticos, su- CORTE TRANSVERSAL / MULTI- BLANKS DECAPAGEM 13 www.siderurgiabrasil.com.br portes para ferramentas de usinagem, lâminas para tesouras a quente etc. Aço WRN 1.2721 Características – Aço ferramenta que em função de sua elevada tenacidade e boa resistência ao calor pode ser utilizado tanto para trabalho a frio quanto a quente. Aplicações – Matrizes para estamparia a frio em cutelarias e matrizes de forjamento a quente, matrizes para injeção de plástico. Aço Rápido M2 Características – Aço rápido ligado ao molibdênio, vanádio e tungstênio, que apresenta alta temperabilidade, alta tenacidade, alta resistência ao desgaste e excelente propriedade de corte. Aplicações – Machos, brocas, espirais, brochas, alargadores, escariadores, fresas, serras para metais e ferramentas para abertura de roscas e para conformação a frio. Matéria elaborada a partir do site www.favorit.com.br CORTE LONGITUDINAL NIVELAMENTO POR ESTIRAMENTO LINHAS DE CORTE TRANSVERSAL / MULTI - BLANKS sTOLERÂNCIAS DE ± 0,127MM NO COMPRIMENTO / LARGURA sCARREGAMENTO DA LINHA E SET UP SUPER-RÁPIDOS EPS – DECAPAGEM ECOLÓGICA sDECAPAGEM SEM O USO DE ÁCIDOS sPRODUZ SUPERFÍCIE UNIFORME E RESISTENTE À CORROSÃO sPERMITE PINTURA COM MELHOR ANCORAGEM DA TINTA A marca EPS é de propriedade de The Material Works, Ltd. e está registrada junto ao US Patent and Trademark Office e é usada pela Red Bud Industries, Inc. sob licença. LINHAS DE CORTE LONGITUDINAL (SLITTER) sALIMENTAÇÃO DA LINHA TOTALMENTE AUTOMATIZADA sAJUSTES DAS FACAS ROTATIVAS SUPER-RÁPIDOS NIVELADOR POR ESTIRAMENTO sPRODUZ MATERIAIS EXTREMAMENTE PLANOS sELIMINA A “MEMÓRIA DO MATERIAL” CAUSADA PELAS TENSÕES INTERNAS SOLUÇÕES COMPLETAS PARA PROCESSAMENTO DE BOBINAS redbudindustries.com 001-618-282-3801 5 ANOS DE GARANTIA Ou contate nosso representante comercial independente no Brasil: VPE Consultoria 11 -999860586 / 45003805 mader@vpeconsultoria.com.br

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DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA A brincadeira da desoneração Ao aumentar as alíquotas, praticamente eliminando os benefícios e aceitando a opção por um ou outro regime, o governo faz caridade com o bolso alheio. www.freeimages.com Sérgio Approbato Machado Júnior* ajuste fiscal anunciado para recuperar as contas públicas do País impõe pesadas perdas ao setor produtivo, põe por terra todo um trabalho de adaptação de empresas e entidades ao sistema de desonerações, distorce a realidade e, por fim, joga no palco das discussões paradoxos que as autoridades não conseguem explicar. O programa de desoneração começou a ser implantado em 2011 com o objetivo de desenvolver a economia e manter baixas as taxas de desemprego, alterando a forma pela qual tributava as empresas para o financiamento da Previdência Social. Como é sabido, as despesas previdenciárias historicamente são financiadas por contribuições de empregados e empregadores. No regime tradicional, os empregadores pagam contribuições equivalentes a 20% da folha de pagamento das empresas. A desoneração da folha de pagamentos substituiu essa contribuição patronal por outro tributo incidente sobre o faturamento da empresa, e não mais sobre a folha de pagamentos, com alíquotas entre 1% e 2%, dependendo do setor da economia. Na visão do governo, houve uma redução parcial do imposto pago, pois, de modo 14 SIDERURGIA BRASIL Nº 112 geral, a receita gerada por essas alíquotas não compensava a perda advinda da menor tributação sobre a folha. Isso significaria menos receita para o Erário e alívio financeiro para o contribuinte. O Tesouro Nacional se comprometeu a ressarcir a Previdência Social pela receita perdida. Com o ajuste, as desonerações praticamente desaparecem, pois as alíquotas passam de 1% para 2% e de 2% para 4,5%. Enfim, uma elevação de até 150%. Emerge daí o paradoxo entre o que o governo anuncia pela mídia e o que ocorre na vida das empresas. A mudança para o regime de desoneração prejudica consideravelmente determinados setores e empresas, pois, a depender do ramo e do número de funcionários, o novo sistema aumentou substancialmente a contribuição para a Previdência. Até o recente pacote econômico, a desoneração era obrigatória. Agora passa a ser optativa. A empresa pode continuar na desoneração, pagando mais que o dobro em alguns casos, ou pode voltar ao cálculo anterior da folha. Isso causa surpresa. Quando se implantou o sistema de desoneração da folha, um fato se tornava evidente para quem trabalha na área contábil e mexe diretamente com a folha de pagamento de todos os setores da economia: a desoneração não era benéfica em muitos casos. Encarecia a tributação porque substituía o pagamento sobre a folha pelo pagamento sobre o faturamento. Ao fazer o cálculo, a empresa descobria que pagava mais. Para o patrão, essa situação aumentou, sim, o peso da carga. Um dos exemplos é o setor moveleiro: na época do enquadramento obrigatório comprovou que pagava mais tributo, enquanto outros setores também reclamavam. Empresas obrigadas a se modernizar em matéria de estrutura tecnológica sofreram com o enquadramento obrigatório. Por exemplo, as do setor produtivo; quem tinha muitos funcionários e comprou máquinas mais modernas, passou a reduzir o quadro de funcionários para algo em torno de 70%. Com isso a empresa melhorou a produção e a eficiência, aumentando o faturamento. Ao reduzir o quadro de funcionários, também passou a pagar mais imposto. O esperado era reduzir impostos, mas o efeito foi inverso, já que a incidência não era mais sobre a folha. Ora, se uma grande parcela de empresas brasileiras passou a recolher mais tributos, como a União anuncia que perdeu mais de R$ 25 bilhões com o programa? MAIO/2015

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www.siderurgiabrasil.com.br Desde o início, representantes do empreendedorismo batalharam para que as empresas pudessem optar ou não pela desoneração, por uma questão de justiça tributária. Mas o governo foi inflexível e manteve a obrigatoriedade. Os profissionais contábeis perceberam tal desequilíbrio. Alguns animais passaram a ser mais iguais do que os outros, como em “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Em suma, o governo não seria inflexível se estivesse perdendo tanta receita, como ensina a história. Agora que aumenta as alíquotas e praticamente elimina os benefícios, aceita a opção por um ou outro regime. É fazer caridade com o bolso alheio. Por isso, não causa surpresa a saída encontrada de aumentar a alíquota e deixar a escolha livre, esperando que as empresas voltem ao regime antigo. Foi imenso o trabalho para se chegar a um consenso sobre a desoneração da folha, uma vez que é sobre produtos – nesse caso o cálculo é mais burocrático. Mas foram criados mecanismos para fazer este ajuste, pois é pre- ciso saber do mix de produtos da empresa, aqueles desonerados e o total da folha para, então, aplicar o percentual correto. No início da vigência deu muito trabalho, gerou muitas dúvidas, guias e demonstrativos tiveram de ser retificados até que o sistema fosse completamente absorvido. Agora, quando a situação parece mais normalizada, as regras mudam novamente. E uma alíquota absurda desestimula as empresas a permanecerem nesse regime. Para setores que não tiveram benefício com a desoneração, a volta ao sistema original não será ruim. O setor moveleiro, claro, não quer mais esse regime. Para muitos será até benéfico. Para empresas de tecnologia e de contabilidade, que tiveram de adaptar suas bases, sistemas e profissionais, foi um trabalho desnecessário. A tendência é a de que, senão 100% das empresas, perto disso voltem ao regime antigo. A opção é positiva. De toda forma, as empresas precisam analisar as contas para ver o que é mais vantajoso para atividade. Foto: Paulo Pampolin-Hype Com esta medida, de certa forma o governo atendeu ao nosso pedido. Ao anunciar seu pacote, o ministro Joaquim Levy afirmou que a desoneração havia sido “grosseira”, uma “brincadeira”. Grosseiro é o governo brincar com a Nação. Concedendo um benefício que não é tão benéfico e punindo as empresas com a majoração de tributos para pagar um rombo construído por ele, governo. *Sérgio Approbato Machado Júnior é empresário contábil e presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP) e da Associação das Empresas de Serviços Contábeis (Aescon-SP).

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