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Grips Editora – Ano 16 – Nº 115 – agosto/setembro 2015                  

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A Revista de Negócios do Aço 3 ÍNDICE brasil 6 ESPECIAL TUBOS Além da discussão sobre o setor de tubos, nossa reportagem extrapola e coloca em discussão o futuro da indústria no Brasil, principalmente as empresas integrantes da cadeia siderúrgica. Foto: Shutterstock 4 EDITORIAL O momento das escolhas 20 ESTRATÉGIA As oportunidades em um mercado em retração 24 ECONOMIA Sinuca de bico 28 INOVAÇÃO A revolução da inovação 32 EMPRESAS t Nacional Gás t Zinkpower 38 EVENTOS AGOSTO  SETEMBRO/2015 18 CORTE DE METAIS Claudio Flor, presidente da Divimec, que acredita em breve retomada dos negócios, aponta alguns pontos decisivos para quem vai empreender. 40 ENTIDADES 42 VISÃO 45 OPINIÃO O risco da reindexação da economia brasileira 46 ESTATÍSTICAS 48 EMPRESAS & NEGÓCIOS 50 ANUNCIANTES Foto: Divulgação Divimec SIDERURGIA BRASIL NO 115 3

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EDITORIAL HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL ivemos um momento das escolhas. Todos os politicamente domina a nação há mais de dez anos. Os núme- empresários brasileiros, notadamente os ligados ros são alarmantes, pois temos a maior taxa de juros do mun- à indústria e, mais particularmente ainda, os da do, uma inflação incontrolável, taxa de desemprego beirando cadeia siderúrgica, estão sendo chamados neste as alturas e, como consequência, a quase impossibilidade de momento para uma triste escolha. O que fazer “arranjar um novo emprego”, e por fim uma absurda campa- com sua empresa? Para muitos, a única alternati- nha para aumentar mais impostos. Somem-se a isto os desca- va é fechar as portas. Para outros, nem esta oportunidade existe labros da corrupção e favorecimentos, que povoam todos os mais, pois seu passivo, tanto trabalhista como fiscal ou opera- nossos veículos de informação todos os dias, que na verdade cional, é tão grande que ele não tem como parar. Felizmente, só fazem o papel de divulgar o que acontece na vida real. existem os empreendedores que acreditam no fim deste ciclo o Nesta edição que estará nas feiras Tubotech e Corte e mais rapidamente possível e enxer- Conformação de Metais, apre- gam que sempre haverá um novo O momento dascaminho a ser percorrido, com no- sentamos entrevistas exclusivas abordando novos aspectos destes vas alternativas de negócios e oportunidades que não podem deixar de ser aproveitadas. escolhas importantes setores da cadeia siderúrgica. Caprichamos também na coleção de artigos sobre ges- Já tivemos o rebaixamento da tão empresarial, com análises por nota do Brasil pela S&P, agência internacional de risco, e difi- ângulos diferentes do momento atual e as recomendações cilmente será diferente na avaliação de outras agências, pois mais importantes dos especialistas. Complementamos com o quadro não mudou e se mudou foi para pior. Na esteira as estatísticas, coberturas de eventos e acontecimentos que do rebaixamento do país, várias outras empresas brasileiras movimentaram o setor siderúrgico. também tiveram a mesma avaliação e foram rebaixadas. Isto Nos restou as alternativas de termos fé e confiança. Con- representa que investimentos programados para o Brasil, se- forme aquelas duas lendas:“toda uma comunidade foi à praça rão suspensos pois os fundos internacionais de investimen- central da cidade para fazer orações e pedir que viesse chuva to, não colocam seus recursos em países cuja avaliação seja para a região que padecia com a seca. Entre todos havia um com determinado grau de risco e também os empréstimos garotinho que levou um guarda chuva: Isto é ter fé”. E a outra: internacionais serão mais caros, pois haverá um determinado “a cada noite, quando nos deitamos, não temos garantia ne- percentual de juros, representando o aumento do risco. nhuma de que vamos estar vivos amanhã cedo, mas coloca- O Brasil vive um momento de recessão e ficou provado mos o relógio para despertar: Isto é ter confiança”. que não é só uma campanha insidiosa contra o partido que Boa leitura! EXPEDIENTE Edição 115 - ano 16 - Agosto/Setembro 2015 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823755339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria/Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker/TI: Vicente Bernardo/ Administrativo: Supervisora: Maria Rosangela de Carvalho/ Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria MTb-SP 37.567/Entrevistas e Reportagens: Marcus Frediani - MTb:13.953 e Ricardo Torrico/ Projeto Editorial: Grips Editora/ Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem feita com fotos da Divimec e Shutterstock Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 111 – São Paulo-SP – CEP 05407002 – Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. 4 SIDERURGIA BRASIL NO 115 AGOSTO  SETEMBRO/2015

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ESPECIAL TUBOS Foto: Comega/André Siqueira Reagir é preciso Se o ajuste fiscal é “remédio amargo”, gosto pior ainda deve ter o veneno da rendição à “sinistrose” da crise. No setor siderúrgico, o segmento de tubos metálicos busca o melhor jeito de engolir o primeiro, sem capitular ou sucumbir ao segundo. Marcus Frediani ais nociva do que a instalação de uma crise costuma ser o efeito deletério da “sinistrose” sistêmica que ela é capaz de instalar em um país. Os últimos acontecimentos nas esferas política e econômica – cujos “macro” e “micro” efeitos têm se feito sentir de maneira trágica pelos quatro cantos da Nação – são um exemplo claro disso. As bobagens e estripulias lançadas como bumerangues pelos governos passados – e definitivamente não, não apenas às recentes gestões petistas – volta- 6 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 ram com força total para acertar a cabeça de todos os brasileiros, com força descomunal. Como resultado direto disso, nossa indústria parou. Os negócios arrefeceram envoltos numa névoa de imobilismo, criada para o bem de absolutamente ninguém. O mercado siderúrgico no Brasil, já bastante combalido pelos reflexos do excesso da oferta de aço no mundo – que já ultrapassou a gigantesca marca das 800 milhões de toneladas/ano –, estagnou-se na esteira dos impasses e das decisões erradas no curso de nossa política econômica. E a única esperança é que isso mude, e rápido, por intermédio do encaminhamento de soluções que precisam mesclar, em proporções exatas, doses de realismo e tangibilidade. Nesta edição da revista Siderurgia Brasil, trazemos até nossos leitores a discussão em torno do futuro de um dos mais representativos segmentos da siderurgia nacional: o mercado de tubos metálicos. E o fazemos por meio de duas entrevistas, com fontes eloquentes a eles relacionados: o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira; e o AGOSTO  SETEMBRO/2015

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www.siderurgiabrasil.com.br diretor comercial do Grupo Cipa Fiera Milano, empresa que organiza a Tubotech – Feira Internacional de Tubos, Válvulas, Bombas, Conexões e Componentes, que acontece agora no começo de outubro, em São Paulo, Rimantas Sipas. Da conversa com José Adolfo, defluimos a necessidade emergencial e absoluta da mudança no paradigma de governabilidade do Brasil, para que a crise que se abate sobre o segmento de tubos, assim como na maciça maioria dos outros no país, não destrua o que foi duramente conquistado pelo empresariado ao longo de décadas de luta. Ou pior. Hoje, segundo o presidente da Abitam, a queda generalizada no setor já beira os 25%. E deve chegar a 30% até o final de 2015, sem perspectivas espontâneas ou orgânicas de melhora em 2016. Ou seja, se nada for feito, só se pode esperar o agravamento desse quadro. Já a entrevista com Rimantas, traz um vento, digamos, mais suave no rol das expectativas. Sem questionar a intensa gravidade do atual momento para o setor siderúrgico e para os segmentos que sua feira atende, o executivo da Tubotech procura, em seu discurso, instilar racionalmente a ideia de que este evento poderá significar, senão um divisor de águas, pelo menos um ponto de partida para geração de novos negócios para a cadeia, seja por meio da difusão de informações e conhecimento, seja por intermédio da apresen- tação de lançamentos, soluções e tendências, ou ainda pelo fortalecimento de relacionamentos. Ao contrário do que um leitor mais apressado possa concluir ao ler os títulos de ambos os textos, José Adolfo e Rimantas não têm, absolutamente, pontos de vista antagônicos. Longe disso, ambos falam da necessidade urgente da mudança de paradigma e, em última análise, da esperança no futuro. Dizem que ela é a “última que morre”. Por isso é preciso agarrarmo-nos firmemente a ela, para não morrer antes. Porém, mais do que isso, precisamos fazer as coisas acontecerem. A mescla de tudo isso é o que queremos deixar para sua reflexão. Portanto, aproveite a leitura! SOLUÇÕES COMPLETAS PARA PROCESSAMENTO DE BOBINAS CORTE TRANSVERSAL / MULTI - BLANKS NIVELAMENTO POR ESTIRAMENTO DECAPAGEM redbudindustries.com 001-618-282-3801 5 ANOS DE GARANTIA CORTE LONGITUDINAL Ou contate nosso representante comercial independente no Brasil VPE Consultoria 11 -999860586 / 45003805 mader@vpeconsultoria.com.br

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ESPECIAL TUBOS Feira promete alavancar negócios Com expectativa de gerar muitos negócios e atrair 15 mil visitantes, Tubotech acontece no início de outubro, em São Paulo. Marcus Frediani specialistas de mercado costumam dizer que nada mais anima um setor do que a promoção de uma feira nele especializada. Sem entrar no mérito da assertividade da questão, verdade é que – como reza outro corolário bastante conhecido – “quem não se mostra, não é visto”. Então, para os “tímidos” de plantão, que normalmente optam por se esconder nos momentos de crise, evitando despender (a palavra certa seria 8 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 “investir”) recursos em divulgação e marketing, costuma sobrar apenas fazer uma oração para que não sejam esquecidos por seus clientes e subjugados pela concorrência no atendimento destes. Por essa razão, mais do que um ato de coragem e resistência, participar de feiras em momentos de crise é uma forma inteligente de se diferenciar e de criar novas oportunidades de negócio. Que o diga, Rimantas Sipas, diretor comercial do Grupo Cipa Fiera Milano, empresa que organiza a Tubotech – Feira Internacional de Tubos, Válvulas, Bombas, Conexões e Componentes, que acontece agora no começo de outubro, em São Paulo. “Quando há imprevisibilidade na economia, é essencial traçar estratégias competentes para alavancar negócios e expandir mercados”, ensina ele logo no início desta entrevista exclusiva que ele concedeu à revista Siderurgia Brasil. Mas, tem muito mais: confira! Siderurgia Brasil: O Brasil vive um momento delicado de transição política e econômica, enquanto o empresariado anda preocupado e desanimado. Como você avalia esse quadro e com que espírito a Tubotech será realizada este ano? Rimantas Sipas: O Brasil passa por um cenário adverso, mas o país deve superá-lo no longo prazo. Quando há imprevisibilidade na economia, é essencial traçar estratégias competentes. E a busca por soluções criativas tem sido a pauta da indústria nesses últimos meses. As feiras são oportunidades reais de alavancar negócios, expandir mercados e realizar contatos com profissionais e empresas de forma focada. Mais que um ambiente de exposição e contatos, elas se tornaram uma grande plataforma de marketing e mídia para diversos setores, na qual não há apenas um estímulo para ativação de negócios, mas também a consolidação das marcas e o lançamento de novos produtos e serviços. Quem participar da 8ª edição da Tubotech, Feira Internacional de Tubos, Válvulas, Bombas, Conexões e Componentes, irá aproveitar as oportunidades de uma feira comprometida com o desenvolvimento da cadeia: seja com a geração de negócios para os expositores, seja com a difusão de informações e conhe- AGOSTO  SETEMBRO/2015 Foto: Comega/André Siqueira

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cimento, seja com a apresentação de lançamentos, soluções e tendências, visando ao fortalecimento de relacionamentos. E é com esse espírito que chegamos à 8ª edição da Tubotech. Como você avalia os impactos dos ajustes implementados pelo governo, estão exercendo e ainda vão exercer nos segmentos abrangidos pela Tubotech? Os segmentos de tubos, válvulas, bombas e conexões são produtos amplamente utilizados em diversos setores industriais como automotivo, construção metálica, óleo e gás e de infraestrutura, entre inúmeros outros, e o desempenho dessas indústrias está atrelado ao cenário da eco- www.siderurgiabrasil.com.br nomia nacional. O atual contexto econômico definitivamente trouxe novos desafios para a indústria. O Brasil tem uma grande agenda pela frente, mas é importante reforçar que uma crise não significa a estagnação de um mercado ou mesmo da atividade econômica. Mesmo que ocorram retrações, a indústria continua girando e existem oportunidades de crescimento. Quais são os destaques desta 8ª edição da Tubotech? A Tubotech acontece de 6 a 8 de outubro de 2015, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na cidade de São Paulo, com realização da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam) e organização e promoção do Grupo Cipa Fiera Milano, em parceria com a Tarcom Promoções. A Tubotech é considerada o principal evento do segmento da América Latina e para 2015 reforça o seu protagonismo trazendo soluções para os mais diversos setores industriais como automotivo, linha branca, construção metálica, óleo e gás, alimentício, móveis, mineração, tintas e de infraestrutura, entre outros. A feira apresentará fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços das áreas de tubos, válvulas industriais, bombas e motobombas, conexões, máquinas e equipamentos, componentes e acessórios.

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ESPECIAL TUBOS I Congresso Brasileiro do Setor de Tubos Programação 06/10/2015 – BLOCO REGULATÓRIO Temas propostos: t Política de conteúdo local: A visão do governo t Nova regulamentação de dutos submarinos t Política de conteúdo local: A visão do IBP t Política de conteúdo local: A visão da Petrobras 07/10/2015 – BLOCO COMERCIAL E MERCADO Temas propostos: t O mercado de distribuição de tubos e acessórios t As demandas do mercado automotivo: A visão da Anfavea t As demandas do mercado naval: A visão do Sinval t Demandas e perspectivas do mercado de máquinas e equipamentos no Brasil: A visão da Abimaq 08/10/2015 – BLOCO TÉCNICO Temas propostos: t Certificação compulsória – Inmetro t Corrosão em aços aplicados na indústria do pré-sal. t Novas tecnologias em materiais para tubos de alta resistência para uso offshore em serviço ácido t Estruturas tubulares metálicas t Tubos de aço de alta resistência e processo para fabricação com resistência pra ambientes em H2S. 10 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 Que mudanças importantes vocês implementaram em relação à edição anterior, para atrair mais visitantes e contemplar o público? Esta edição da Tubotech trará duas grandes novidades. A primeira delas é a realização do I Congresso Brasileiro do Setor de Tubos, que incorpora à feira um espaço de debate e atualização profissional, no qual serão discutidos e analisados o mercado atual e futuro, inovações tecnológicas, além de fomentar a troca de informações e conhecimentos entre os profissionais do setor. (NE: Veja a programação do Congresso no quadro ao lado) Serão três dias com ampla programação, com destaque para os temas como a situação dos principais setores consumidores, demanda e o cenário futuro, as novas regulamentações e a certificação compulsória do Inmetro. Outro ponto forte da feira serão as ações focadas em fomentar a geração de negócios, por meio de reuniões entre empresas que tenham interesses complementares, com o Matchmaking e a Rodada de Negócios. A principal vantagem é a empresa ter acesso a novos clientes e mercados construindo uma grande rede de network profissional no ambiente da feira, através de uma agenda de reuniões e encontros eficaz e produtiva. onde recebemos a maioria dos nossos visitantes internacionais. Na última edição iniciamos uma parceria de sucesso incorporando à feira, a Wire South America, em parceria com a Messe Düsseldorf, que organiza a Wire and Tube em Düsseldorf, na Alemanha, evento visto como fonte de referência para o setor de tubos, fios e cabos, que nos permite chegar às empresas de vários mercados. Em 2015, entre os destaques, contaremos com os Pavilhões Internacionais da Alemanha (com 21 empresas) e Itália (com 12 empresas), países reconhecidos mundialmente nas áreas de inovação e tecnologia de ponta. Quais são as perspectivas de vocês em termos de número de visitação e de início/fechamento de negócios no evento? A Tubotech é um evento consagrado no cenário internacional e está entre as plataformas de negócio de maior destaque no setor. Seus resultados vão além dos três dias de realização do evento, com geração de negócios ao longo do ano todo. Para esta edição nossa expectativa é recebermos 15 mil profissionais do setor. Em 2013, a feira reuniu 750 expositores nacionais e internacionais, em área expositiva de 32 mil m². Qual a participação dos expositores estrangeiros na feira? Criada em 2003 a Tubotech acompanhou a evolução da indústria de tubos, bombas, válvulas e conexões, consolidandose como o principal evento do segmento da América Latina, de Foto: Divulgação AGOSTO  SETEMBRO/2015

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ESPECIAL TUBOS Pior do que está, pode ficar Se a tão necessária “mudança drástica” na política do país não for realizada com urgência, a extensão da crise será inevitável. Foto: Comega/André Siqueira Marcus Frediani ara um governo, recuperar a confiança de uma nação pode ser uma tarefa tão ou mais complicada quanto resolver o cálculo de um algoritmo para mandar um foguete a Marte, principalmente se você não é um matemático ou um físico espacial. Contudo, essa alternativa titânica será a única para a atual Turma do Planalto pelo menos tentar (se vai conseguir é outra história) reverter a espiral descendente em que se encontra fatalmente vetorizada a economia brasileira. E isso terá que ser feito urgentemente, sem conversa mole e por intermédio de demonstrações contundentes, consistentes e absolutamente inalienáveis aos olhos – e bolsos – dos filhos da Mãe Gentil. “O que precisa mudar é o conceito de governabilidade do país”, afirma, com precisão milimétrica e endereçamento certo, José Adolfo Siqueira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), nesta entrevista exclusiva concedida à revista Siderurgia Brasil. Leia com atenção, e descubra porque o título que demos a esta matéria aí em cima não é um simples exercício de retórica, uma retroparáfrase à fala do nobre deputado Tiririca, ou, muito menos, uma frase vã, de efeito alarmista. Sim, porque se nada 12 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 for feito para evitar, ela pode, infelizmente, se transformar no axioma de uma nova e dura realidade que o Brasil pode vir a enfrentar. Ninguém merece. Siderurgia Brasil: Como você avalia o atual momento da política e da economia brasileiras? José Adolfo Siqueira: Com muita preocupação. O empresário não tem garantia de como a situação vai ficar, não investe, convive com altos níveis de inadimplência e com um grau de incerteza muito grande. E se tem uma coisa que o empresário não gosta é de incerteza – ele até aceita desafios, mas viver com incerteza é complicado. O clima da economia é de descontrole total, com inflação alta, taxas de juros nas alturas, restrição de crédito e paralisação total dos negócios. E aí, embora pudesse começar a fazer alguma coisa, você fica sem saber “o quê” fazer exatamente. E aí começa aquela coisa de “efeito manada”: a coisa vai piorando, todo mundo fica com medo e começa a se retrair naturalmente. Há alguma forma de mudar isso? A única forma seria uma mudança política drástica. O Executivo tem que se entender com o Congresso, principalmente agora, com o rebaixamento da nota de investimento do país, que deve dificultar e encarecer a captação de dinheiro lá fora. Isso vai certamente também dificultar o lançamento de debêntures e ações, deixar os empréstimos muito mais caros e, é claro, afastar os investimentos que poderiam ser feitos aqui, porque os fundos internacionais não podem aplicar seus recursos num país que não tem grau de investimento. Então, tudo indica que as dificuldades vão aumentar. Qual seria o formato desse acordo? Precisamos de um pacto por meio do qual o Executivo e o Legislativo, com apoio do Judiciário, tomem medidas coerentes juntos, para trazer de volta o crescimento e o desenvolvimento ao país, removendo esse entulho burocrático que a gente tem e começando a fazer o ajuste fiscal de verdade, pra poder criar superávit e termos dinheiro para investir, para o Estado se sustentar e voltarmos a ter uma atividade negocial. Esse é o formato do pacto que precisamos, para que o empresariado sinta confiança, que pode voltar a investir, porque o país vai voltar a crescer. A sociedade parece ter-se dado conta da necessidade do ajuste fiscal, o tal “remédio amargo” contra a crise. Mas a dúvida, agora, é se a AGOSTO  SETEMBRO/2015

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www.siderurgiabrasil.com.br atual equipe econômica vai conseguir se segurar para implementação das medidas. Você acredita que ela fica ou cai? Veja bem, o problema não é a equipe econômica, porque simplesmente mudá-la não vai alterar nada. O que precisa ser mudado é o conceito. O cerne do poder, que é o PT, com o PMDB pendurado, é que tem que mudar E isso, partindo de princípios e afirmações muito claras para o país, do tipo “olha, chegou o momento de tomarmos medidas para corrigir o rumo do Brasil”, “temos que diminuir ou acabar com a corrupção”,“precisamos ter agilidade burocrática”, “temos que recuperar a confiança”, “temos que voltar a ter superávit primário” e por aí vai. Em outras palavras, temos que cortar despesas e fazer o ajuste fiscal, de verdade, senão a taxa de juros não vai abaixar, e isso encarece e dificulta o investimento, o produto brasileiro fica caro e o país perde competitividade. Mesmo com o dólar alto existe um custo interno muito alto e você perde competitividade. Claro, apesar de o real ter sido a moeda que mais se desvalorizou, as outras moedas também se desvalorizaram. Então, não existe um grande degrau, uma grande diferença entre elas. E se você não consegue ser competitivo nem dentro do país, esse degrau simplesmente some e você continua sendo ineficiente no mercado externo e não vai conseguir exportar. E o pacto que mencionei há pouco é exatamente para isso. O brasileiro precisa sentir que o governo realmente cortou despesas e está fazendo um esforço danado para corrigir a situação para voltar a ter confiança e a acreditar nele. Mas, não: está todo mundo parado, esperando o governo cair para saber se o PT vai continuar, se vai ter impeachment, se é o PMDB que vai assumir, se vai ter nova eleição, se vai haver impugnação de chapa... Ninguém tem certeza de nada. Por isso, repito, uma eventual troca da equipe econômica não vai resolver nada – o que precisa mudar é o conceito de governabilidade do país. E os reflexos dessa indefinição já estão se fazendo sentir de forma grave na indústria, não é mesmo? Pois é, os negócios pararam. Há empresas demitindo e outras lançando mão de todos os meios e artifícios possíveis para evitar demissões, colocando funcionários de férias, em sistemas de lay-off, investindo, sem poder, em cursos e treinamentos... Elas diminuíram suas estruturas, diminuíram seus estoques, cortaram custos e tudo que é supérfluo, deixaram de participar de feiras e até de assinar jornais e revistas para direcionar o dinheiro para o negócio. Como consequência disso, os investimentos também pararam, porque ninguém vai pensar em aumentar sua capacidade instalada sem a certeza de que aquilo algum dia vai poder ser usado. Assim, o empresário prefere ficar com liquidez em vez de ficar com o dinheiro parado em ativos. A indústria parou e a atividade industrial como um todo caiu. E continua caindo mês a mês: hoje, a participação da indústria no PIB é de 9% ou 10%, quando um dia já chegou a 24%, 25%. Qual a ordem desse impacto no setor de tubos metálicos especificamente? A ordem de queda no mercado de tubos já está entre 20% e AGOSTO  SETEMBRO/2015 25%, no acumulado do 1º semestre de 2015. Com o dólar alto, nem as exportações do setor estão ajudando a minimizar essa queda? Muita gente tem essa percepção. Mas, necessariamente, dólar em alta não se traduz em maior movimento de exportação. Só que isso funciona apenas na teoria. No nosso setor não funciona. O mundo todo está com excesso de produtos siderúrgicos, por tabela, com excesso de oferta de tubos. A China não está importando nada, nem a Europa; a África do Sul muito pouco; e na América Latina todos também estão com problemas. E além de o mercado internacional estar saturado, as exportações brasileiras ainda enfrentam outro problema, que é a falta de competitividade em relação aos fornecedores de outros países. Para vender, os chineses, por exemplo, jogaram o preço do produto lá embaixo. Como eles não conseguem vender tubos para o mercado interno deles, estão competindo de forma desleal e forte em todos os mercados. Em outros setores, incluindo alguns que atendemos, a alta do dólar deu um input muito grande nas exportações. Então, pode ser até que os nossos produtos, dentro dos produtos desses clientes, estejam se beneficiando e sendo exportados. Mas em nossa exportação direta de tubos, não houve forte evolução, não. Creio que até vamos fechar 2015 com um número menor do que no ano passado. Nem nossos habituais parceiros comerciais, como Argentina, Chile e Peru, na América Latina, Estados Unidos e África do Sul SIDERURGIA BRASIL Nº 115 13

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ESPECIAL TUBOS estão ajudando a mudar essa realidade? Olha, a África do Sul continua comprando, mas muito pouco. Já a Argentina não importa praticamente nada de tubos do Brasil. Eles têm uma indústria do segmento muito forte lá, extremamente protecionista – então não entra nada. Chile e Peru, assim como todos os outros países da Costa do Pacífico, estão importando muito tubo da China, porque o frete é muito mais barato do que você mandar de caminhão ou de navio, atravessando o Canal do Panamá, para lá. Nas Américas o grande consumidor de tubos do Brasil eram os Estados Unidos. Mas isso mudou depois de todas aquelas ações protecionistas de antidumping que eles colocaram contra a entrada dos produtos estrangeiros, bem como com a queda da economia norte-americana e a da própria economia mundial. O forte das exportações de tubos metálicos para os Estados Unidos, se não me engano, era para o segmento de Petróleo & Gás, não é? Sim. Vínhamos exportando muito tubo de petróleo para lá, mas a prospecção e exploração de petróleo também mudaram de patamar nos Estados Unidos, muito em função da queda do preço do óleo. Com isso, muitos poços ou blocos de exploração ficaram inviáveis pelo alto custo. Quando o barril de petróleo custava US$ 100, gastar US$ 50 ou US$ 60 na exploração estava bom. Mas agora, com o preço do petróleo abaixo de US$ 50 o barril, bem como com o advento do xisto, muita coisa parou por lá, levando a demanda pelos nossos tubos para baixo. Além disso, eles têm produção local boa, bastante competitiva com os produtos importados. Voltando para o mercado interno, existe algum setor atendido por vocês em cuja atividade e a demanda por tubos continue forte ou, pelo menos, razoável? Não. Estão todos ruins. O setor automotivo está parado. O mercado de caminhões caiu demais, assim como o de ônibus, cuja queda já é de mais de 50%. A construção civil também está estagnada, em função da redução de crédito e do excesso de oferta, principalmente de imóveis comerciais e residenciais. As famílias estão endividadas, o financiamento habitacional ficou mais caro, a entrada aumentou e o valor financiado diminuiu. As construtoras estão terminando os empreendimentos antigos e, ao mesmo tempo, não fazendo o lançamento de novos, O mercado brasileiro de tubos em números (Acumulado entre 1o/1/2015 a 31/8/2015) PRODUÇÃO DE TUBOS = 1.120.377 ton VENDAS AO MERCADO INTERNO = 860.000 ton VENDAS AO MERCADO EXTERNO = 260.377 ton IMPORTAÇÕES = 109.000 ton CONSUMO APARENTE ATUAL DE TUBOS = 969.000 ton Fonte: Abitam 14 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 esperando por melhores oportunidades para fazer isso. E, é claro, os reflexos negativos da operação Lava Jato, também se fazem sentir na atividade delas. Enquanto isso, o setor de máquinas e equipamentos também está em queda, tanto na parte de implementos agrícolas, quanto na de equipamentos mais pesados, como aqueles destinados às indústrias química e petroquímica, tais como grandes caldeiras, evaporadores, torres, resfriadores e trocadores de calor, nos quais são utilizadas grandes quantidades de tubos. Contudo, notícias divulgadas na Imprensa dão conta de que, apesar de todos os problemas relacionados ao Petrolão e à operação Lava Jato, os projetos de Óleo & Gás da Petrobras continuam em andamento e dando retorno para os fornecedores. Não é verdade. O setor de óleo reduziu muito a sua atividade. A Petrobras está revendo todos os seus estoques e parou de comprar. Ela não tem dinheiro para investir, está com um endividamento altíssimo que passa dos R$ 400 bilhões, e não consegue vender os seus ativos. A empresa está numa situação muito difícil, só mantendo algumas coisas, como um pouco do Pré-sal, que vai ter uma nova rodada de negócios agora, para vender alguns blocos de exploração e ver se arruma algum parceiro para tocar o programa. Mas mesmo entre a rodada e início da operação para valer dos blocos, muita coisa pode acontecer. Há aquela parte difícil de levantamento geofísico para delimitar o tamanho do campo, para ver se ele vai ser comercialmente viável para exploração ou não, o que pode, inclusive, ocasionar a devolução do AGOSTO  SETEMBRO/2015

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www.siderurgiabrasil.com.br bloco para a Petrobras... Enfim, depois da rodada, podem se passar de três a quatro anos antes de a empresa passar efetivamente às fases de exploração, desenvolvimento e produção, começando, assim, a consumir nossos tubos. Na última entrevista que você nos concedeu, você falou do sério problema de algumas empresas de tubos metálicos estarem saindo do Brasil em função das dificuldades de se produzir aqui, principalmente em função dos elevados custos? Esta situação se agravou do ano passado para cá? Olha, não houve muita atividade depois disso, não. Quem tinha que sair do país, saiu; e quem tinha que vir para cá, não veio. A coisa parou por aí. O investimento, hoje, no Brasil, está sem horizontes. O país está sem demanda, sem comando político, com uma política econômica totalmente caótica, com o governo tentando fazer ajustes puxando as coisas de um lado para o outro, dizendo uma coisa e fazendo outra ou dizendo uma coisa hoje e fazendo outra no dia seguinte. Então, sem um acerto, uma visão, um norte, os donos do dinheiro lá fora se perguntam e dizem: “Investir no Brasil pra quê? Tudo lá é mais caro, não consigo ter uma plataforma para exportação lá – o que é que eu vou fazer lá? Não vou, não!” Enquanto isso, quem tem fábrica aqui também não investe, porque a capacidade de produção existente já está muito além da demanda. E aí, o empresário brasileiro também se pergunta? “Vou aumentar minha capacidade pra quê?” O cara só investe se for para desenvolver algum material especial, para alguma demanda ou necessidade especial. Foto: Divulgação Mas investimento bruto, para aumentar a capacidade instalada, como foi feito no passado, hoje é sinônimo de suicídio empresarial. Bem, face a tudo que você comentou até aqui, parece legitimo pensar que a previsão da Abitam em termos de fechamento do setor de tubos metálicos para 2015 não está entre as mais favoráveis. Ou há engano nisso? Não, engano nenhum. Até o final do ano a queda dos negócios – que, hoje já está entre 20% e 25%, deve subir até 30%. E 2016, alguma pista de como vai ser para vocês? Triste dizer, mas deverá ser a mesma coisa de 2015, se não for pior. Isso, claro, caso aquela mudança drástica na política do país, que mencionei no início de nossa conversa, não aconteça. Se isso não for feito, 2016 vai ser muito ruim; não vejo nenhuma perspectiva de melhora, não. E, no ano que vem, ainda temos dois fatores, que tanto podem ajudar, quanto atrapalhar a nossa vida, que são as Olimpíadas no Rio de Janeiro e as eleições municipais, que também poderão dar uma ideia e uma direção do que vai acontecer com o país daqui a dois anos, com a nova eleição presidencial e do Congresso. AGOSTO  SETEMBRO/2015 SIDERURGIA BRASIL Nº 115 15

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