Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

Grips Editora – Ano 17 – Nº 118 – maio/junho 2016                  

[close]

p. 2

usiminas.com INOVAÇÃO COM O OLHAR NO FUTURO Jaqueline Abreu Centro de Pesquisa - Ipatinga/MG A Usiminas não para de desenvolver novos produtos para o mercado. Mas, para nós, o aço é apenas um início. Em torno dele, serviços com alto grau de especialização, logística diferenciada, engenharia de aplicação e o maior Centro de Pesquisa em siderurgia da América Latina mostram a força do nosso negócio. Em 2016, já vencemos dois prêmios internacionais: da John Deere e da Toyota. Prova de que inovação e excelência são a força capaz de nos impulsionar para um futuro de ainda mais conquistas. Usiminas. Fazer melhor sempre.

[close]

p. 3

A Revista de Negócios do Aço 3 ÍNDICE brasil Foto: Divulgação CST/ArcelorMittal 6 PROJEÇÕES INTERNACIONAIS Vale a pena produzir aço a qualquer custo? Analista Internacional alerta para os riscos econômicos do excesso de estoques de aço ao redor do mundo. 4 EDITORIAL Quadro de difícil análise 10 CONGRESSO DO AÇO 14 PESQUISA & DESENVOLVIMENTO 18 GESTÃO Como preservar sua empresa em tempos de crise 20 SEGURANÇA ENERGÉTICA 24 ENTIDADES Sicetel MAIO  JUNHO/2016 28 EVENTOS A Agrobrasília manteve o brilho dos anos anteriores 26 ESTATÍSTICAS 33 EMPRESAS & NEGÓCIOS 34 ANUNCIANTES Foto: Divulgação SIDERURGIA BRASIL Nº 118 3

[close]

p. 4

EDITORIAL HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL stamos às portas de mais um Congresso In- seu core-business é fazer a contratação de seguros de cré- ternacional do Aço promovido e patrocinado dito dos recebíveis destas ao redor do planeta e que acaba pelo IABr, em que se espera a discussão dos de lançar um documento muito interessante denominado. pontos relevantes do setor, além de uma am- “Panorama – Setor de Aço: produzir a todo custo?” pla análise da situação econômica e política Ouvimos também o presidente executivo do IABr, Marco por que passa o Brasil neste momento. Polo de Mello Lopes, que assim como toda a cadeia produ- Todo o povo brasileiro ainda está muito inseguro quan- tiva não acredita em uma retomada nem em 2016 e nem to a situação política, pois temos no momento um presi- em 2017. dente da república interino, uma Câmara dos Deputados De comum os dois entrevistados acreditam que en- com seu presidente afastado e resolvendo quanto não for solucionada a questão da se o vice será efetivado ou se irão encontrar Quadro deuma solução para um mandato tampão, um China que hoje se tornou responsável por mais de 50% da produção de aço mundial processo de “impeachment” em andamento e uma economia totalmente paralisada. As notícias veiculadas nos jornais de hoje dão conta de superestoques de produtos acabados nas montadoras de veículos, e nas difícil análise e que inunda os mercados internacionais, o setor do aço mundial continuará sofrendo e o termômetro será favorável para aqueles países em que reina uma estabilidade política e econômica o que não é o caso do Brasil empresas produtoras de autopeças, um en- no momento. calhe na venda de apartamentos e números negativos no Complementamos a edição com excelentes artigos de comércio varejista. É muita coisa ruim de uma vez só para nossos colaboradores que nos falam de como devemos a cadeia do aço, que tem nestes segmentos seus principais agir em momentos de crise – será que há uma saída? O consumidores. investimento em inovação promovido pela ArcelorMittal, Para tentarmos decifrar ou ajudar nossos leitores no além das tradicionais estatísticas, coberturas de eventos entendimento de algumas questões, entrevistamos com como a Agrishow, Agrobrasília, Feira da Mecânica e princi- exclusividade Patricia Krause, economista-chefe da Coface pais fatos que movimentaram a siderurgia brasileira. para a América Latina. A Coface é uma empresa francesa Vamos manter a chama da esperança, pois esta é a me- que conhece como ninguém o tamanho do calote mundial lhor postura deste momento. das empresas nos mais variados segmentos, uma vez que Boa leitura. EXPEDIENTE Edição 118 - ano 17 - Maio/Junho 2016 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823755339. Coordenador Geral: Henrique IsMJLFS 1ÈUSJB t Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker t TI: 7JDFOUF #FSOBSEP t Editor e Jornalista Responsável: Henrique *TMJLFS 1ÈUSJB  .5C41  t Entrevistas e Reportagens: Marcus 'SFEJBOJ.5CtProjeto Editorial:(SJQT&EJUPSBtEdição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Shutterstock e fotos divulgação Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. 4 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 MAIO  JUNHO/2016

[close]

p. 5

Linha de Corte Transversal Linha de Embalagem

[close]

p. 6

PROJEÇÕES INTERNACIONAIS Enigma chinês, confusão mundial Face à caótica situação da indústria do aço ao redor do mundo, relatório da Coface pergunta: vale a pena produzir a todo custo? Marcus Frediani epois dos inebriantes dias que emblematizaram a virada do século 21, marcados pelo boom de commodities e pelo massivo apetite da China, ao mesmo tempo em que ela se tornava o maior produtor e consumidor de aço do planeta, o setor siderúrgico enfrenta, agora, o difícil rescaldo da festa. Oito anos após a crise de 2008, ele ainda sofre com o significativo excesso de capacidade. A desaceleração estrutural na economia chinesa é, obviamente, uma das razões principais para este movimento. Mas outros fatores também o influenciam, incluindo a contração e a terceirização da atividade no resto do mundo, bem como em função da correlação dos preços do aço com outras matériasprimas não renováveis, que também estão caindo. Contra esse pano de fundo de modorrenta evolução de demanda, a capacidade produção de aço da China cresceu de 660 milhões de toneladas em 2008 para 1,12 bilhões em 2015. O país vem, portanto, inundando o resto do mundo com seu aço excedente, causando tensões bilaterais, uma vez que cresce, também, em cada país, a preocupação de proteger sua indústria nacional. Dado o atual e pífio nível de demanda doméstica e à concorrência externa, os problemas financeiros estão se acumulando para 6 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 as empresas do setor, que estão entre as menos rentáveis do mundo. Após a queda de 2,2% em 2015, a produção siderúrgica global deverá se contrair mais 2,5% em 2016, segundo dados do estudo intitulado “Panorama – Setor de Aço: produzir a todo custo?”, divulgado em abril pela Coface, empresa francesa que conhece como ninguém o tamanho do calote mundial das empresas nos mais variados segmentos, uma vez que seu core-business é fazer a contratação de seguros de crédito dos recebíveis destas ao redor do planeta. “A inadimplência do setor siderúrgico está crescendo em todos os lugares. O nosso relatório prova que este está longe de ser um problema apenas do Brasil”, afirma Patricia Krause, economista-chefe da Coface para a América Latina. Superestocagem incômoda Com efeito, conforme explica a executiva, no começo do século 21, o aumento de demanda por causa da China, principalmente em função dos investimentos em infraestrutura e de urbanização, já se deram num ambiente muito acima da demanda. O mercado, aquecido, acreditou que os problemas oriundos desse superdimensionamento iam passar. Porém, quando a crise de 2008 pegou o mundo de calças curtas, o excesso de produção de aço começou a ter papel preponderante na desaceleração dos negócios do setor. Com isso, vários países foram afetados. Os Estados Unidos, com o agravamento da economia gerado pela crise de petróleo, derrubou sua demanda por aço. E, na América Latina, todos os principais países demandantes da produção siderúrgica entraram em recessão. “Aqui no Brasil, existe um caso muito específico e sério relacionado à inadimplência, que são os distribuidores de aço. E o problema não se deu unicamente pela situação de fraca demanda interna, mas também como resultado do fato de que havia muitos distribuidores que estavam aumentando suas importações nos últimos anos. Aí, de repente, com a forte depreciação do câmbio no ano passado, eles se viram em palpos de aranha: ficaram superestocados, sem conseguir fazer o repasse nos preços, e, como haviam comprado à prazo, na hora de pagar, tinham que desembolsar muito mais dinheiro. Ou seja, ficaram devendo muito mais. E, como as distribuidoras de aço não têm proteção cambial para defendê-las contra prejuízos de oscilação de preços, porque a contratação disso é muito cara, nem proteção‘natural’, porque elas não exportam, o cenário se transformou em tempestade perfeita”, explica Patricia. “Chinese Effect” Voltando ao plano mundial, face à insustentabilidade da situação MAIO  JUNHO/2016 www.rgbstock.com

[close]

p. 7

ocasionada pelo excesso de capacidade “flutuando” pelo planeta, algumas coisas, ainda que lentamente, começaram a mudar. Depois do revestrés de 2008, já a partir do ano seguinte, a China começou a falar em redução de produção e, teoricamente, a se preocupar em realizar um controle de produção. Mas isso só começou efetivamente a ser sentido pelo mercado, muito depois, em 2015, quando se começou a ver uma pequena melhora nessa área. E esse movimento, infelizmente, ainda não surtiu grandes efeitos. Caminhos para solução do problema? Bem, o primeiro ponto é a drástica redução de produção, o que necessariamente pela rota da China, o principal player do setor, com quase 50% do mercado. “Não há nada que se possa fazer sem os chineses se envolverem nesse processo. Com isso, a Coface espera que a demanda global cresça 1% em 2017 e, a partir daí, cerca de 2,5%, em média, ao longo dos anos seguintes. Ou seja, nada parecido ao que se observou na década passada”, pontua Patricia. A demanda por aço deve se manter estática em 2016 (0%), após uma queda de 2,5% em 2015, devido ao “Chinese Effect”. Embora estejam longe de provocar shows pirotécnicos em comemoração à recuperação de mercado, os sinais de esperança no longo prazo também podem contagiar os ditos países emergentes, graças às perspectivas positivas de crescimento da população urbana em seus respectivos territórios. Contudo, após um período de crescimento mais forte, em função de possíveis investimentos na infraestrutura desses locais, a tendência é de que haja uma estabilização no crescimento. “A partir de um certo MAIO  JUNHO/2016 www.siderurgiabrasil.com.br patamar, eles não vão mais demandar tanto aço assim. Assim, a situação dos emergentes num futuro que se espera próximo, se assemelha muito ao que se tinha na China, na década passada, e na Europa e no Japão, nos anos 1970. A tendência é crescer, porém, mais devagar”, assinala a economista da Coface. Economia de mercado: e agora? A primeira redução na capacidade chinesa no ano passado – de cerca de 40 milhões toneladas –, bem como o quadro de dificuldades em que a indústria do aço está plasmada, em termos mundiais, confirmam esse cenário. Mas a boa intenção dos chineses em reduzir sua produção siderúrgica, continua a gerar dúvidas e desconfiança entre os players da comunidade mundial, muitos deles já adotando medidas antidumping contra o aço chinês. “A redução deve acontecer, mas, seguramente, não vai ser drástica, uma vez que, como também mencionamos em nosso relatório, muitos governos locais da China já se manifestaram no sentido de que não têm interesse em fazer isso. Para eles, é melhor continuar produzindo, porque o custo de parar é mais alto. Sim, as medidas restritivas tomadas pelos outros países estão surtindo efeito já há algum tempo. Mas, sabe-se também que a concorrência do aço chinês subsidiado pelo Estado é muito forte. Então, há um certo exagero nisso tudo: não há como o mundo se ‘proteger’ totalmente contra o assédio do aço chinês”, resume Patricia. Outro detalhe importante lembrado por ela é a questão de que, no final de 2016, expira o prazo de 15 anos, dado em 2001 pela Or- ganização Mundial do Comércio (OMC), para que a China passe a ser considerada uma economia de mercado. Com isso, naturalmente, irá se tornar muito mais difícil impor barreiras e medidas antidumping àquele país asiático. “Só que a pergunta é: quem vai aceitar isso? É esperar para ver, mas acredito que as barreiras vão continuar a existir”, aposta Patricia Krause. Ruim na fita... Na esteira desse carrossel, o mercado siderúrgico brasileiro continua sendo duramente afetado. De um lado, a exportação não encontra caminhos. Fala-se muito em vender para os Estados Unidos, com margem menor, mas o fato é que o mercado norte-americano está se fechando muito para o aço. De outro, embora a importação já não se constitua um problema tão sério, porque o câmbio anda muito desfavorável, existe o problema de que muitas empresas brasileiras se bancaram muito lá fora, e, como já foi dito, estão enfrentando vários problemas por conta disso. Fechar o mercado? Bem, para os analistas isso também não é a solução, porque impede que haja desenvolvimento interno, embora, também, o governo brasileiro não ajude e não dê condições para que o aço brasileiro seja efetivamente competitivo. Por conta disso, os efeitos danosos, como o desligamento de fornos e o aumento das demissões no setor siderúrgico nacional, tendem a continuar, embora haja divergências entre os especialistas quanto à duração desse calvário. “Com muita dificuldade, os produtores brasileiros estão conseguindo repassar os preços do aço. Só que, agora, que haveria possibilidade de repassar SIDERURGIA BRASIL Nº 118 7

[close]

p. 8

PROJEÇÕES INTERNACIONAIS um pouco mais por conta do câmbio, a demanda está fraca. Então, na prática, os preços continuam pressionados. E isso, somado à falta de alavancagem das empresas, que estão muito endividadas, vem reduzindo a rentabilidade também. Trata-se de um círculo vicioso bastante desfavorável para elas”, acentua Patricia Krause. Em termos globais, o Brasil, infelizmente, também não tem um quinhão de perspectivas promissoras no médio e muito menos no curto prazos. Segundo o relatório da Coface, as primeiras mudanças positivas no mercado do aço devem acontecer bem longe daqui, lá pelos lados da Ásia, envolvendo projetos de construção e de urbanização, acentuadamente no BRIC indiano, turbinadas também por lá por uma esperada movimentação no setor automobilístico. ... e feio no retrato Até no bloco da América Latina, a siderurgia brasileira está perdendo de lavada para os chamados “Países do Pacífico”, como México, Chile, Colômbia e Peru – este, o melhor deles –, que vem crescendo de maneira muito mais consistente em termos de economia. Até a Argentina, depois da posse de Mauricio Macri, parece melhor posicionada nesse ranking, em função das mudanças que estão sendo implementadas por lá pelo novo presidente, que, embora não estejam sendo vistas com bons olhos pela população, uma vez que estão provocando uma piora inicial na qualidade de vida do povo do país vizinho, encontram amplo apoio e respaldo político da classe empresarial. Mas aqui, vale abrir um parêntese: no quadro geral da recessão para o continente latino- 8 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 americano, entretanto, ainda permanece sombrio: em 2015 a queda foi de 0,4%, e, para este ano, a Coface projeta uma outra de 0,1%, muito em função da situação do Brasil, que representa 40% do PIB da região. Voltando à questão do ranking de economias na América Latina, fato interessante é que, a exemplo do que fazem as agências de classificação de risco de crédito como a Standart & Poor’s e a Moody’s, a Coface também tem um rating dos países, conferindolhe sete notas diferentes – A1, A2, A3, A4, B, C e D –, para determinar a existência (ou ausência) de seus respectivos graus de investimento. Nele, a Venezuela figura de há algum tempo já com um super“D”, enquanto países como a Argentina e o Brasil têm uma nota “C”. A situação igualitária dos brasileiros com os hermanos no rating da Coface pode ser, contudo, enganosa. Isso porque a Argentina na “Era Macri”, além de mais atenção, parece estar ganhando pontos também no quesito “confiança” entre os avaliadores. A expectativa é de que o período de transição por lá traga, de fato, melhoras tangíveis. Um dos indicadores para isso será, sem dúvida, o cumprimento da promessa do governo de que irá pagar suas dívidas atrasadas até julho deste ano. Já com relação à gente aqui, a pegada é outra, conforme explica Patricia Krause: “Até 2015, o Brasil estava com grau de investimento ‘A4’no rating da Coface. Porém, com tudo que aconteceu na economia, tivemos que baixar a nota duas vezes em um ano, para ‘C’, igual à nota da Argentina. E, pelos sinais que estamos tendo, creio que, atualmente, é mais fácil a Argentina voltar a ser um ‘B’ do que o Brasil. Isso porque a Foto: Divulgação gente vê mudanças positivas na Argentina, em que pese o período de transição e as dificuldades que vêm sendo enfrentadas por aquele país, ainda com taxas altas de inflação e desemprego, retirada de subsídios e outras medidas que, embora necessárias, são extremamente impopulares”, pondera a especialista. Sem a intenção declarada de traçar um comparativo com a Argentina, a ideia, entretanto, de que já passou da hora de o Brasil se mexer e fazer alguma coisa para, de verdade, começar a sanar sua economia precisa, além de ganhar corpo, efetivamente acontecer. “Do jeito que está, o mercado brasileiro não têm espaço para crescimento. O país está totalmente paralisado, a economia sangrando, a confiança em baixa. Não existe a mínima chance de acontecer o que aconteceu depois da crise de 2008, quando a gente sofreu os efeitos da crise, sim, mas, depois passou por vários anos de crescimento. Depois dessa crise, havia uma demanda por crédito, o que não é o nosso caso agora. Quem vai tomar crédito hoje, com tudo isso acontecendo? Então, o governo Temer precisa resolver isso com urgência e recuperar a confiança do país, para fazer os investimentos voltarem. Por isso, a expectativa da Coface e de todos os brasileiros é muito grande”, finaliza a economista-chefe da Coface. MAIO  JUNHO/2016

[close]

p. 9



[close]

p. 10

CONGRESSO DO AÇO A luta continua Embora não haja expectativa de melhora imediata no quadro do setor siderúrgico brasileiro, a mudança de governo pode ter reflexos positivos nesse processo. Marcus Frediani oda mudança de governo é traumática, porque inspira o receio da novidade. A par de todas as declarações de benevolência, dedicação e trabalho duro, o estabelecimento da confiança numa equipe econômica que acaba de chegar pode ser um processo demorado, principalmente quando o embate entre as correntes políticas está longe de poder ser considerado como um elemento pacificado. Nesse cenário em que investimentos e intenções dos players se assemelham mais com imagem de um coelho assustado, que foge cor- rendo para sua toca ao menor sinal de ruído no bosque, as (boas) coisas vão demorar muito ainda para efetivamente acontecer no mercado de aço no Brasil. Mas a notícia alentadora é de que as prioridades atuais – embora não sejam muito diferentes daquelas postuladas e reivindicadas há muito tempo pela indústria siderúrgica –, além de já terem atingindo um grau de resolução bastante alto na tela do setor, parecem, agora, mais tangíveis e propícias a se materializar. É que espera e pelo que, efetivamente, continua a trabalhar com afinco o Instituto Aço Brasil. Nesta entrevista exclusiva à revista Siderurgia Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, presidente do IABr, redefine as linhas e fala abertamente quais serão os próximos passos dessa luta. Acompanhe! Siderurgia Brasil: Qual o balanço que o senhor faz da atual situação da indústria siderúrgica no Brasil? Já há alguma projeção para o fechamento de 2016? Marco Polo de Mello Lopes: Infelizmente, nossa previsão anual para 2016 traz a manutenção do mesmo quadro que a gente viu em 2015. Ou seja, não temos nenhum dado novo, que possa ser compreendido como suficiente para superar a trajetória de retração do setor. No ano passado, Foto: Divulgação Usiminas 10 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 MAIO  JUNHO/2016

[close]

p. 11

tivemos queda de produção de 1%, queda de 4,1% nas vendas, e o consumo aparente caindo 8,8%, de 21,2 milhões de toneladas para 19,4 milhões de toneladas. Ou seja, a crise continua batendo forte. Sim, mas não é uma crise qualquer, como outras que já enfrentamos. Em linhas gerais, posso garantir que o setor vive, atualmente, a pior crise de sua história. Uma crise resultante da convergência dos fatores estruturais e conjunturais que temos hoje no país. Os primeiros são por demais conhecidos: taxa de juros extremamente alta, senão a maior, uma das maiores do mundo; cumulatividade de impostos e carga tributária elevadíssimas; energia elétrica num patamar que a coloca entre as mais caras do planeta, apesar de o governo ter feito aquela propaganda toda em torno da redução de 20% no preço; além de um câmbio desfavorável, cujos efeitos, entretanto, precisam ser discutidos com mais profundidade. A esses fatores, devem ser somados os fatores de natureza conjuntural, cujo expoente máximo foi um crescimento pífio do PIB em 2014, seguido por um crescimento negativo em 2015. Mas isso era mais do que esperado, não é? Sim, sabíamos que, pelo andar da carruagem, o PIB iria despencar em 2015. Mas, não sabíamos quanto. Começamos 2015 com uma série de economistas dizendo que o PIB ia crescer 0,4%,o que já era bem ruim. Contudo, o que se viu ao longo do ano foi uma verdadeira montanha russa, com a tendência sempre de baixa. Cada MAIO  JUNHO/2016 www.siderurgiabrasil.com.br dia se fazia uma nova previsão do PIB, chegamos ao final de ano com um a previsão de menos 3,7%, que acabou sendo de menos 3,8%. E tudo isso levou a um travamento da economia como um todo. E aí, a gente olha para os segmentos de consumo do aço – o setor automotivo, o de máquinas e equipamentos e o de construção, que, juntos, representam 80% do consumo da nossa produção siderúrgica –, e vê que todos eles tiveram reduções drásticas no seu nível de atividade. Tudo isso junto, não precisa ser nenhum “einstein” para imaginar o que aconteceu com a cadeia do aço no ano passado. E o aço importado, célebre rival da indústria siderúrgica brasileira? Em que medida elas atrapalharam? Bem, continuaram atrapalhando muito. Mas não apenas o Brasil: continuaram atrapalhando o mundo todo, porque, hoje, em termos globais, vivemos uma turbulência muito grande, gerada pelo excedente da capacidade instalada. Estamos falando aí de uma cifra respeitável 700 milhões de toneladas, das quais, 400 milhões de toneladas são de aço chinês, problema agravado, também, pela queda do crescimento da economia na própria China. Só que, surpreendentemente, em vez de reduzirem a capacidade, os chineses aumentaram o ritmo da exportação: exportaram 90 milhões de toneladas no ano passado, e já estão no ritmo de mais de mais 100 para este ano. Baixo desempenho do mercado interno, somado a fatores conjunturais complicados e bombardeio das exportações de aço chinês... Objetivamente, que efeitos deletérios tudo isso junto teve sobre a indústria siderúrgica brasileira? De saída, essa perversa conjunção de fatores fez com que o setor, no país, operasse com 68% do grau de nossa capacidade instalada, quando deveríamos estar operando acima de 80% pelas características e peculiaridades do nosso equipamento. Hoje, a indústria siderúrgica nacional vive aí com cinco de seus 14 altos fornos paralisados. Tivemos, ao longo do período de 2014 para 2015, cerca de 30 mil colaboradores demitidos, e, talvez, a demissão de mais 11 mil deles ainda em 2016. Complementarmente, mas nem de longe menos importante, tivermos o adiamento de investimentos da ordem de US$ 2,3 bilhões, o que, por si só, também, deixa de gerar 10 mil postos de trabalho. Então, é uma situação realmente muito grave. Qual seriam os “remédios” para esses males? E qual o tempo para o paciente começar a se curar? Não teremos, seguramente, uma retomada de mercado nem em 2016 e nem em 2017. E dentro desse contexto todo que acabei de descrever, resta ao setor siderúrgico, como prioridade absoluta, o encaminhamento de duas alternativas. Em primeiro lugar, temos que encontrar formas de segurar as importações, que são feitas numa condição predatória, por países que não tem nenhum compromisso com resultado. Noventa por cento da siderurgia da China é estatal, por isso, por lá, mesmo que sejam deficitárias, SIDERURGIA BRASIL Nº 118 11

[close]

p. 12

CONGRESSO DO AÇO as empresas não quebram. Mas, no Brasil e no mundo, se não tiverem resultado, elas quebram. Então, quando você disputa com uma empresa chinesa, disputa, na verdade, contra um país, o que é muito mais complicado. Nesse sentido, seria fundamental que a cadeia do aço falasse toda na mesma língua, o que, entretanto, parece que não está acontecendo, em função do conhecido case da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que se manifestou contrária à posição do aumento das alíquotas de importação do aço proposto pelo IABr. O que aconteceu exatamente? Bem, nós vínhamos na linha da tentativa de preservar o mercado interno dessas importações predatórias. Assim, num primeiro momento, estávamos procurando, junto com as demais entidades que compõem a cadeia produtiva, levar um pleito ao governo no sentido de que, em caráter emergencial, elevássemos o imposto de importação pra manter a cadeia funcionando, porque a nossa preocupação também é com o nosso cliente, com o nosso consumidor. Isso porque, quando se tem uma importação exagerada, na prática, isso é aço contido que está entrando no país. E quando se compra uma máquina ou uma peça importada, isso significa que se deixou de produzir, no Brasil, o aço para fabricá-las. Então, eu, pessoalmente, tive conversas com o Sicetel, com o Sindipeças, com a Abimaq, com a ABCEM, com a Abitam, e, juntos, avançamos nessas discussões por mais de seis ou sete 12 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 meses. E aí, por razões que eu não vou discutir aqui, a Abimaq entendeu que não podia estar junto, e resolveu sair desse grande esforço. E aí, ela saiu e vocês continuaram sozinhos o processo? Sim. Só que aí veio aquela reação toda, com a Abimaq dizendo que a elevação das alíquotas de importação seria muito grave se fosse aprovada, que haveria um aumento abrupto nos preços e impostos etc., o que, na nossa visão, é um conceito errado, porque o governo brasileiro jamais permitira que houvesse uma elevação de imposto de importação ao mesmo tempo que um aumento de imposto interno. Só que, curiosamente, neste momento estamos observando um fenômeno interessante: a alta apreciação do dólar, somada à própria queda do mercado interno, que anda muito fragilizado, num patamar muito baixo, fez com que as importações também se reduzissem. Você vai importar para colocar onde? Ou seja, também não há mercado para importação. Retomando a questão das prioridades que o senhor mencionou, qual é a segunda delas? Tem a ver com o que acabei de falar, como atualmente a gente não tem mercado interno, temos que urgentemente trabalhar para fazer subir o grau de utilização de nossa capacidade produtiva. Temos que produzir mais e tentar colocar essa produção adicional para o mercado internacional. Mas, para isso, temos que ter competitividade. Não podemos ficar exportando imposto, não pode transmitir para o produto exportado as mazelas relacionadas às questões estrutu- rais do país, que mencionei ainda há pouco. A chegada de Michel Temer à Presidência da República traz algum alento nesse sentido? Falar que um determinado modelo é melhor que o outro, ou que este novo governo se apresentará mais bem do que o está saindo é tomar uma posição partidária, que é um posicionamento que o IABr não costuma tomar. O que podemos dizer, de uma maneira muito serena, é que a situação atual não atende a ninguém. E aí não falo apenas da indústria do aço, mas de toda indústria de transformação, cuja participação no PIB despencou de 25% para menos de 9%. Essa situação atual de paralisia absoluta, de insegurança, de falta de perspectiva, porque o governo afastado tinha como prioridade absoluta tentar preservar sua posição política tornou essa equação insustentável. Porém, muito mais do que julgar “A” ou “B”, o que não podemos manter é a estagnação é a falta de perspectiva, porque o que faz uma economia andar são as expectativas positivas. Nesse sentido, provavelmente a mudança do governo pode fazer, também, que haja uma mudança do humor do mercado, que resulte na retomada da economia do país. E qual é e, efetivamente, será o nível de interlocução do IABr com o novo governo? Como ele vai tratar suas pautas emergenciais? Nessas conversas, daremos prioridade absoluta para os dois pontos que falei. Primeiro, continuaremos batendo na tecla da questão das importações, porque não MAIO  JUNHO/2016

[close]

p. 13

www.siderurgiabrasil.com.br faz sentido que se permita que a China continue com um grau de participação nelas da forma como vem tendo. Vou passar aos leitores da revista Siderurgia Brasil um dado estarrecedor: em 2000, a China participava com 1,3% nas importações de aço brasileiras; e, em 2014, ela fechou com 52% de participação. Ou seja, saiu de 12 mil toneladas na virada do século 21, para 2,4 milhões de toneladas no ano retrasado. Ora, ninguém cresce assim, de forma exponencial, por obra do espírito santo: é óbvio que esse crescimento vem respaldado em práticas que não são aceitáveis, preços deprimidos e em dinâmicas predatórias. Então, nossa preocupação é que esse tipo de coisa não seja permitido, porque, no final, a China não exporta produto, exporta desemprego para o Brasil e para o mundo. Vamos relembrar que, em 1980, a China tinha uma produção por habitante 34 quilos por habitante, e o Brasil tinha 100 quilos por habitante. De lá para cá, continuamos no nível per capita de 100, 115, 120 quilos, enquanto que a China saltou para mais de 500 quilos por habitante, e, o que é mais grave, com uma base populacional imensamente maior do que a nossa. Quarenta por cento da poupança da China é alocada pra investimentos. E internamente? Internamente, a prioridade é o crescimento do país. Para isso você tem que arrumar a “cozinha”, as contas públicas... Então, o ajuste é necessário. Mas tem que ser um ajuste voltado não ao aumento da receita, do imposto, e, sim, da adequação das despesas, tem que se atentar para a parte de cus- teio, como é que se chega a esse ajuste. Assim, governo e indústria têm que se esforçar para retomar e recompor uma competitividade mínima, que permita que nossa siderurgia exporte efetivamente com resultados, o que não vem acontecendo. Prova disso é que, em 2015, aumentamos nossas exportações em 40% em termos de tonelagem física, mas, quando avaliamos os resultados em dólar, a cifra cai para menos 3,3%. Então, todo esforço do setor para manter equipamento funcionando, para não ter mais desemprego e não agravar mais a situação foi negativo, o que significa que o setor de aço não tem competitividade por conta das assimetrias competitivas na exportação. Assim, essas serão as duas prioridades que continuaremos a enfatizar no diálogo, agora, com o novo governo. Mais do que isso, eu diria que não existe prioridade maior do que trabalhar no sentido de tentar assegurar a retomada do crescimento do país. O Brasil precisa crescer. E ele tem que começar a fazer isso com a retomada do investimento e com as exportações. Assim é que a coisa toda vai começar a rodar e a funcionar novamente. Para terminar, o senhor acredita que toda essa convulsão de ordem política e econômica que estamos atravessando, de alguma forma, arranhou a imagem do Brasil como exportador de aço? Não, não creio que isso aconteceu, porque o que é decisivo aí são as condições vigentes por conta do volume que o Brasil tem de excedente de produção, que leva a um aviltamento desse MAIO  JUNHO/2016 mercado. Mas, em condições normais de temperatura e pressão, o que conta é a qualidade do produto que você esta vendendo, e de que forma você está vendendo também. Então, eu diria que a imagem do Brasil – como país exportador, como economia e como democracia – não foi arranhada. Passei recentemente uma semana na Europa num evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estive em Bruxelas, Londres e Genebra, e percebi que existe, sim, uma preocupação do pessoal lá fora por conta de tudo que está acontecendo aqui no Brasil. Eles estão acompanhando todos os desdobramentos com muita atenção, mas dizem, também, que isso é uma demonstração de que existe um processo democrático estabelecido, algo que está funcionando e avançando para a solução dos nossos problemas. Então, eu me atreveria a dizer que ainda que haja uma preocupação, aos olhos do mundo o Brasil continua sendo um grande país, uma grande nação, que tem um peso estratégico importante no jogo da economia mundial. Por conseguinte, na minha visão, isso não afetou a imagem ou a relação que existe entre o parque industrial brasileiro e seus consumidores e clientes lá fora. Foto: Divulgação SIDERURGIA BRASIL Nº 118 13

[close]

p. 14

PESQUISA & DESENVOLVIMENTO Sem inovação, a indústria não avança Charles Martins, gerente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da ArcelorMittal para a América do Sul, explica porque há tanta verdade por trás da afirmação aí do título. Marcus Frediani onversando com vários empreendedores e líderes de indústria, podemos perceber que ainda é muito grande a confusão que esses profissionais fazem entre os termos/conceitos “novidade” e “inovação”. Novidade é muito mais o resultado de um estudo de melhoria, que, geralmente, surge de maneira mais imediata, enquanto inovação é revolução. Por conta disso, inovação, obrigatoriamente, exige um nível de investimento e de tempo para obtenção de resultados muito maiores, coisa que nem sempre esses players estão dispostos a fazer, até por ques- tões de pressão dos acionistas, que querem sempre resultados mais rápidos. E por conta dessa falta de discernimento quase generalizada na identificação dessa diferença básica, em algumas áreas, apresenta significativos níveis de estagnação e de falta de competitividade. Este e outros temas ligados à inovação são destrinchados com maestria ímpar por Charles Martins, gerente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da ArcelorMittal para a América do Sul, nesta entrevista exclusiva que ele concedeu à revista Siderurgia Brasil. Vale a pena a leitura atenta e, claro, a aplicação dos conceitos e dicas. Siderurgia Brasil: Falando especificamente o setor de aço, e tendo como pano de fundo o momento atual, como é possível identificar as oportunidades de inovação para turbinar a competitividade desse mercado? Em outras palavras, onde estão as principais oportunidades? Charles Martins: As oportunidades estão, principalmente, no desenvolvimento e otimização dos processos produtivos, fundamentados na previsibilidade e na ação pró-ativa. Inclui-se aí a gestão da geração de co-produtos. Além disso, destaco o enobrecimento e maior aplicabilidade do mix de produtos, de forma a assegurar e ampliar uma relação positiva com os clientes. A impressão que se tem é de que, embora envolva operações com o certo grau de complexidade, a produção de aço é encarada como um processo já bastante consolidado no que diz respeito a procedimentos. Ou seja, muita gente ainda acredita que ele não é a principal seara para se implementar práticas inovadoras e inovativas. Até que ponto isso é verdade e o que se pode fazer para derrubar essa percepção que, claramente, tem nuances Foto: Divulgação 14 SIDERURGIA BRASIL Nº 118 MAIO  JUNHO/2016

[close]

p. 15

www.siderurgiabrasil.com.br estranhamente anacrônicas na indústria brasileira? A produção e aplicação do aço apresentam muitas oportunidades de inovação, tanto nos processos como nos procedimentos e produtos. Ao contrário aos que muitos pensam, a indústria do aço está passando por uma grande renovação, com o advento da ampliação das pesquisas e desenvolvimentos da terceira geração de aços avançados, com estruturas obtidas por processos de refino e tratamentos térmicos apurados. Estamos falando de aços que conciliam resistências mecânicas que ultrapassam 1800Mpa e capacidade de deformação (em alongamento) superiores a 15%. Para se atingir essas propriedades, muita capacidade criativa e inovação estão sendo exigidos dos metalurgistas de processo, produto e manutenção, além dos fabricantes de equipamentos. Assim, a potencialização do uso de todas essas características passa pela adoção de práticas inovadoras e inovativas. Na complexa realidade atual, qual o preço cobrado de uma empresa que resiste em aplicar e buscar constantemente a inovação? Ao longo da história da humanidade temos visto diversos casos de empresas e setores que se tornaram obsoletos ou até mesmo faliram, por não acompanharem as tendências e a evolução do mercado. Por outro lado, as empresas que se tornaram mais competitivas e li- deraram seus mercados, têm identificado a possibilidade e necessidade de influenciar ou até conduzir essas tendências. Assim, esse é um caminho inevitável, sendo que no caso do setor siderúrgico, além da competitividade entre os players, há a competição com os sucedâneos, o que exige um contínuo processo de inovação da produção e uso do aço, por uma necessidade de sobrevivência. Mas inovação no setor siderúrgico implica sempre aumento dos custos dos processos, ou, ao contrário, ela pode racionalizálos/simplificá-los e, por conta disso, vir a reduzi-los? Um dos campos mais amplos para inovação no setor siderúrgico H *5.(/ 3»O0AULO $FOUSPEF$POWFO¡ÜFT 'SFJ$BOFDB ,QVFULÂÐHVFRP GHGHVFRQWR &ÎGLJR%) 5HDOL]DÄÀR D(',¤ 2 'LDQWHGDPDLRUFULVHGDKLVWÎULDGRVHWRUGRDÂRQR%UDVLOHQRPXQGRRPRPHQWRÄGHXQL¾RGRVVHWRUHV SURGXWLYRVSDUDTXHDLQGÕVWULDQDFLRQDOUHWRPHRVHXFUHVFLPHQWR1HVVHFRQWH[WRR,QVWLWXWR$ÂR%UDVLOUHFHEHU¼ UHQRPDGRV SDOHVWUDQWHVQDFLRQDLVHLQWHUQDFLRQDLVQR0$,6,03257$17((9(172'$&$'(,$6,'(52 0(7$/µ5*,&$ %5$6,/(,5$ p,QGÕVWULD 1DFLRQDO  UHWRPDGD GR FUHVFLPHQWR s R TXH ID]HU"q p,QGÕVWULD 0XQGLDOGR$ÂRFHQ¼ULRQRVSUÎ[LPRVWUÅVDQRVLPSDFWRVSDUDR%UDVLOqp(FRQRPLD&LUFXODUsWUDQVL¾RSDUD XPQRYRPRGHORqp&KLQDsHFRQRPLDGHPHUFDGRqHp)XWXURGD,QGÕVWULD%UDVLOHLUDGR$ÂRsDYLV¾RGRV&(2Vq VHU¾RRVWHPDVDVHUHPGHEDWLGRV 1"5 3 0 $ · / * 0 %*"."/5& 0630 13"5" #30/;& "10*0 ZZZDFREUDVLORUJEUFRQJUHVVR_HYHQWRV#DFREUDVLORUJEU  

[close]

Comments

no comments yet