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Grips Editora – Ano 17 – Nº 119 – julho/agosto 2016             Caminho para retomada do crescimento ESZIPKEELCII5A0LANOS

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Linha de Corte Transversal fornecida para Águia Sistemas de Armazenagem S/A – Ponta Grossa (PR) Linha de Corte Transversal fornecida para a Dox Brasil Ltda. – São Joaquim de Bicas (MG)

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A Revista de Negócios do Aço 3 ÍNDICE brasil Foto: www.adece.ce.gov.br 6 A PÁTRIA EXPORTADORA Enquanto continua reivindicando a ampliação do regime especial para impulsionar as exportações, o setor siderúrgico brasileiro investe em soluções criativas para melhorar seu desempenho lá fora. 4 EDITORIAL R(E)volução em andamento 5 OPINIÃO Sonegação na Previdência 10 SEGURANÇA A polêmica que não quer calar 14 DESTAQUE SETORIAL Indústria siderúrgica brasileira começa a dar sinais de retomada 17 PROCESSOS Decapagem ecológica de aços pelo sistema EPS® JULHO  AGOSTO/2016 20 ZIKELI 50 ANOS A fórmula do sucesso Foto: Divulgação 26 ENTIDADES Sicetel 28 PERSPECTIVAS Política industrial, precisa-se 30 ESTATÍSTICAS 33 EMPRESAS & NEGÓCIOS 34 ANUNCIANTES SIDERURGIA BRASIL Nº 119 3

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EDITORIAL HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL o fechamento desta edição da revista Siderur- efeitos do excedente mundial de aço, contingente este que, gia Brasil, vivíamos momentos de expectativa hoje, beira as 700 milhões de toneladas. Por isso, temos a nos- relacionados à conclusão do processo de impe- sa reportagem de capa exatamente voltada para a análise das achment da presidente afastada. Nos próximos oportunidades e possibilidades do comércio exterior. dias, deverá acontecer a votação final do pro- Em outra matéria desta edição, nos aprofundamos na cedimento no Senado da República. Nos meios questão da segurança de máquinas e equipamentos, por empresariais, dez entre dez empresários entrevistados aguar- meio da aplicação da NR-12, que discorre sobre as regras e o dam ansiosamente a conclusão do ato, para termos a exata estágio atual da legislação, para a melhor aplicação e enten- dimensão da capacidade de nosso país de dar a volta por cima dimento do assunto. e voltar a crescer. Em nossas páginas, você encontrará, ainda, uma análise do Os números que apresentamos nos vários artigos e estatísticas desta edição são alarmantes. Há queda de produção e de vendas em todas as atividades. E, o pior, é que o chamado “consumo aparente” – que mede a soma de produtos vendidos, mais os importados, ou seja o consumo real e efetivo da R(E)volução em andamento setor siderúrgico brasileiro e mundial, fornecida pelo Bradesco, sob a forma de um trabalho profundo elaborado pelo seu conceituado Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos, o DEPEC-Bradesco. Nelas, comemoramos, também, junto com a família Zikeli, os seus 50 anos de vida da empresa que tem seu nome, população –, vem registrando números ne- período em que se tornou a principal referên- gativos há algum tempo, sem dar sinais de melhora. cia nacional na fabricação de máquinas e equipamentos para a A grande capacidade de consumo que uma população produção e conformação de tubos e perfis especiais. de mais de 200 milhões de pessoas sugere está muito abala- Complementam esta edição, ainda, reportagens especiais da, também, pela constatação preocupante da existência no e textos elaborados por competentes articulistas, bem como Brasil de mais de 12 milhões de desempregados, bem como as sempre atuais e bem cuidadas notícias sobre estatísticas, de mais de 10 milhões de pessoas, vivendo em economia eventos e acontecimentos do setor. informal, com remuneração abaixo ou semelhante a meio A expectativa, é claro, é de esperança nas rápidas medidas salário mínimo por mês. de ajuste, a fim de que possamos retomar, o mais brevemente A única saída visível para o setor siderúrgico tem sido os possível também, a rota do desenvolvimento e da tão sonhada canais de exportação, e estes não estão tão desimpedidos e almejada recuperação da confiança na economia brasileira. assim, uma vez que temos de conviver e tentar amenizar os Boa leitura! EXPEDIENTE Edição 119 - ano 17 - Julho/Agosto 2016 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823755339. Coordenador Geral: Henrique Isliker 1ÈUSJB t Diretora Executiva: Maria da (MØSJB#FSOBSEP*TMJLFStTI: Vicente BerOBSEP t Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP  t Entrevistas e Reportagens: .BSDVT 'SFEJBOJ  .5C t Projeto Editorial: (SJQT &EJUPSB t Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo e André Siqueira Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem com fotos da Shutterstock e fotos de divulgação Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. Este veículo apoia: 4 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 JULHO  AGOSTO/2016

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OPINIÃO www.siderurgiabrasil.com.br Sonegação na Previdência O financiamento da Previdência deve ser custeado por toda a sociedade. Não deveria ser suportado prioritariamente pelo setor produtivo, como ocorre hoje. Marcos Cintra* Sinprofaz (Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional) estimou que em 2014 o total de tributos sonegados no Brasil chegou a R$ 443,8 bilhões, equivalente a 8,6% do PIB naquele ano. Isso significa que para cada quatro reais arrecadados nos três níveis de governo há um real sonegado. Cabe destacar no estudo do Sinprofaz o valor sonegado envolvendo as contribuições previdenciárias. A estimativa de evasão nesse caso é de R$ 103,5 bilhões, segundo maior montante depois do ICMS. Ocorre que no mesmo ano o rombo nas contas da Previdência foi de R$ 56,7 bilhões. Ou seja, a perda de arrecadação do INSS representou em 2014 quase 2 vezes o déficit previdenciário. Conforme declaração do presidente do Sinprofaz, o absurdo montante de tributos sonegado deve-se à complexidade da estrutura tributária brasileira e às brechas existentes na legislação. Segundo ele a compensação dessa perda de arrecadação se dá através do ônus maior sobre a folha de pagamentos das empresas e sobre o consumo, o que onera fortemente a classe média, e que a saída está na simplificação do sistema tributário e no fortalecimento da cobrança. A simplificação deve ser a principal diretriz para a reforma tributária. Esse processo deve começar no âmbito previdenciário, dependente excessivamente das contribuições sobre a folha de salários das empresas. Essa é uma base de cobrança declaratória e de elevado custo para as empresas, o que estimula a sonegação. Além disso, essa forma de financiamento do INSS se caracteriza por ser muito instável, já que sempre que há contração da atividade econômica o desemprego resultante reduz de modo significativo a receita da Previdência. Uma reforma tributária gradual deve começar priorizando mudanças na forma de arrecadação da Previdência. É preciso desonerar a folha de salários das empresas e ao mesmo tempo capturar a receita que hoje é sonegada. É fundamental reduzir o custo do trabalho, o que estimularia a geração de empregos, e obter receita estável para o INSS. O financiamento da Previdência deve ser custeado por toda a sociedade. Não deveria ser suportado prioritariamente pelo setor produtivo, como ocorre hoje com as contribuições sobre a folha salarial. A Constituição de 1988 incorporou essa conceituação ao definir, conforme o caput do art. 195, que o custeio da seguridade, que inclui o sistema previdenciário, compete Foto: Divulgação a “toda sociedade, de forma direta e indireta”. A alternativa para desonerar a folha de salários, combater a sonegação e criar uma forma estável de arrecadação para o INSS, sempre em consonância com o artigo 195 da Constituição, passa pela troca das contribuições sobre a folha de pagamentos das empresas por uma contribuição sobre a movimentação financeira. Uma proposta de longo alcance envolve a substituição dos 20% cobrados sobre a folha de salários das empresas, o mais importante tributo para financiar a Previdência, por uma contribuição sobre a movimentação financeira com alíquota de 0,53%. Tal proposta teria forte impacto no mercado de trabalho e captura o que hoje é sonegado. É uma medida que contribui para a sustentabilidade das contas do INSS. *Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas. JULHO  AGOSTO/2016 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 5

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Foto: www.adece.ce.gov.br Foto: Leonardo Galvani E X P O R TA Ç Õ E S A pátria exportadora Enquanto continua reivindicando a ampliação do regime especial para impulsionar as exportações – aposta viável para espantar a pasmaceira que tomou conta do mercado interno –, setor siderúrgico brasileiro investe em soluções criativas para melhorar seu desempenho lá fora. Marcus Frediani indústria brasileira pode ter recobrado a competitividade ao abrir espaço para nacionalização de alguns produtos antes consumidos no país por meio da importação e também pela exportação, embora isso ainda não esteja refletido significativamente nos resultados da balança comercial. As recentes oscilações de preços dos produtos de aços planos no mercado internacional têm prejudicado muito a leitura de possíveis cenários. Negócios que há pouco tempo eram viabilizados pela relação preços internacionais e dólar hoje mostram-se inviáveis tanto pela queda do câmbio quanto, principalmente, pela queda do preço dos produtos siderúrgicos no cenário internacional.” As observações acima, da lavra do vice-presidente comercial da Usiminas, Ascanio Merrighi, dão a correta dimensão da realidade Ascanio Merrighi, vicepresidente comercial da Usiminas atualmente vivida pela siderurgia brasileira, que, diante da incapacidade e da falta de expectativas de o mercado doméstico alavancar a demanda por aço, lança fichas e procura na atividade exportadora a tábua de salvação do negócio. Contudo, para ganhar competitividade no mercado externo, o setor ainda esbarra em vários obstáculos, entre os quais um dos mais perversamente intransponíveis é o do estabelecimento, junto ao governo federal, do percentual de ressarcimento tributário do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras, o Reintegra, em 5%, muito 6 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 JULHO  AGOSTO/2016

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www.siderurgiabrasil.com.br além dos ridículos 0,1% estipulados para as operações atuais. Alegando não ter recursos para manter o ressarcimento tributário do programa, que era de 3%, o governo federal reduziu a alíquota no final do ano passado, criando muito mais do que uma onda de desestímulo para as usinas nacionais que já vendiam e desejavam vender mais lá fora, numa tentativa de minimizar os efeitos avassaladores da crise política e econômica do país. Foi algo, realmente incompreensível, até mesmo tendo como pano de fundo a dinâmica mundial: na China, responsável por mais da metade da capacidade excedente de aço no mercado mundial, por exemplo, o programa similar ao Reintegra permite um ressarcimento às empresas exportadoras que varia de 10% a 15%. “A exportação é a saída para indústria siderúrgica no curto prazo. Muitas empresas do setor reduziram produção e algumas plantas estão fechadas porque não tem mercado interno e a demanda doméstica não vai progredir do jeito que precisamos. A alternativa é a exportação, mas precisamos de condições de isonomia. Retornar o Reintegra na base dos 3% seria muito bom, mas nosso pleito para o governo é 5%. Outro fator que estamos negociando são linhas de exportações via BNDES para exportar”, reivindica o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes. Segundo os dados mais recentes apresentados pelo IABr, de janeiro a maio deste ano, as exportações nacionais de aço aumentaram 21,1%, em volume, em relação ao mesmo período de 2015. Porém, em receita, houve uma queda de 25,7%, explicada pelas assimetrias comerciais do Brasil com outros países e pelo Foto: Divulgação custo Brasil. “Somente o custo financeiro e com tributos e en- cargos não recuperáveis gera- do pela cumulatividade de im- postos, carga tributária elevada e juros altos no país impõem um custo de US$ 58 a US$ 113 Marco Polo de Mello Lopes, por tonelada de aço produzido presidente do IABr no Brasil”, pontua o executivo- chefe da entidade. Crise cá, crise lá De acordo com o conselheiro do IABr e também presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos América do Sul, Benjamim Baptista Filho, a operacionalização das exportações pelas siderúrgicas brasileiras não seria tão difícil, tendo em vista que o fluxo mundial de negócios com aço é muito grande, além da presença de centenas de tradings, que poderiam facilitar Foto: Divulgação ArcelorMittal o processo de vendas externas. “O reflexo de novos contratos no exterior na produção das usinas seria imediato e colaboraria para aumentar o uso da capacidade instalada do setor”, afirma. Entretanto, existem elementos complicadores do processo, que insistem em se dissipar no horizonte, fazendo com que o setor de produção de aço continue passando por um de seus piores momentos no Brasil e no mundo. A explicação, segundo Benjamin, é que estamos sofrendo atualmente os efeitos de duas crises distintas, que se retroalimentam de maneira sensivelmente perversa. A primeira é uma situação internacional complexa, com processo de deflação de preços de todas as commodities nos mercados globais. Isso faz com que a situação das empresas fique difícil, principalmente aquelas que, como nós, atuam fortemente no mercado internacional. E há ainda uma situação predatória também no cenário doméstico. Quer dizer, com a deflação lá fora, a queda de preços também chega aqui e afeta a situação local, principalmente em razão do excesso de capacidade de produção mundial de aço, sobretudo na China. No Brasil, os produtores de aço estão sofrendo os efeitos desse excedente no mercado. “O país continua importando aço, em condições que prejudicam o equilíbrio do mercado doméstico, devido a praticas predatórias de comércio internacional e à subsídios concedidos pelos países exportadores. Isso seria contornável se o consumo de aço no país estivesse crescendo, mas ocorreu exatamente o contrário em 2015. A recessão vem afetando todos os setores que mais utilizam aço (automotivo, JULHO  AGOSTO/2016 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 7

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E X P O R TA Ç Õ E S Foto: Divulgação máquinas e equipamentos, construção, eletrodomésticos e embalagens metálicas), impactando negativamente o consumo aparente de aço no Brasil”, destaca o presidente da ArcelorMittal Brasil. Já a segunda crise, de natureza interna, é, de acordo com Benjamim, a crise de confiança decorrente das indefinições ainda prevalentes no cenário político-econômico brasileiro. “Estamos vivendo, aqui, um processo inflacionário, enquanto o mundo está deflacionário. O governo enfrenta um déficit fiscal nas suas contas e vem acumulando crescimento negativo nos últimos dois anos. As previsões são muito negativas. Vivemos um fenômeno que traz perda de credibilidade na política econômica. Ou seja, temos uma tempestade perfeita com inúmeros desafios e dificuldades. E é nesse cenário que estamos trabalhando”, explica. Em busca de soluções Face a esse panorama, os negócios das usinas brasileiras no comércio exterior têm oscilado de acordo com a variação dos parâmetros dos negócios internacionais. Ou seja, ora permitem mais volumes, ora menos. “A Usiminas continua posicionando as exportações a clientes industriais que negociam e compram aço no Brasil para plataformas tanto no país quanto em outros países da América Latina. Hoje, nossas exportações são mais voltadas para os mercados da América Latina e Europa. Tínhamos uma forte posição nos Estados Unidos, que foi diretamente afetada pelas barreiras comerciais impostas naquele mercado”, revela Ascanio Merrighi, VP comercial da companhia. Por sua vez, a ArcelorMittal Brasil iniciou, ainda em 2013, um processo que avançou ao longo de 2014 e 2015, para aumentar as exportações, sobretudo no setor de aços planos, que está trazendo bons resultados. Por meio dele, a empresa fornece placas de aço para a planta do grupo localizada em Calvert, no estado do Alabama, nos Estados Unidos, o que vai lhe assegurar uma demanda contínua para os próximos anos. Simultaneamente, da por- Foto: Divulgação ta para dentro, a companhia está fazendo o dever de casa: “Aumentamos a produção e a eficiência operacional, reduzi- mos custos fixos e elevamos a qualidade do mix de produ- tos. Em Tubarão, que é a nossa Benjamin Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal maior unidade produtiva, localizada no Espírito Santo, te- mos uma boa escala de produção e muita facilidade para exportar, já que a planta está próxima do nosso terminal portuário privativo. Além disso, fazemos parte do grupo Ar- celorMittal, com operações em mais de 60 países. Isso significa que temos uma capacidade de expor- tação muito superior à de outros competidores do mercado brasilei- ro. Nossa estratégia é exportar tudo o que não conseguimos vender no mercado doméstico. Hoje, expor- tamos 70% do que é produzido na unidade de Tubarão”, contextualiza Benjamim Baptista Filho. Usando toda a sua capacidade para manter sua produtividade e competitividade no mercado inter- nacional, a ArcelorMittal Brasil diz também não medir esforços para manter sua excelência na produção, o que significa dizer fabricar produ- tos de qualidade com otimização do processo. “Em 2015, tivemos um volume de vendas de aproxima- damente 10 milhões de toneladas. Apesar de esse volume ser quase 15% maior do que o de 2014, os preços caíram. E praticamente a me- tade dele foi destinada ao mercado externo”, revela o executivo-chefe da empresa, que, hoje, vende para mais de 30 países das Américas, Europa, África e Ásia, entre os quais Estados Unidos, Canadá, Bolívia, França, Bélgica, Alemanha, Turquia, Indonésia, Índia e Coreia. 8 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 JULHO  AGOSTO/2016

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SEGURANÇA A polêmica que não quer calar Entre muito vai-e-vem, os esforços para adequação e aplicação integral dos preceitos legais da NR-12 continuam a gerar discussões e dando muito o que falar. Marcus Frediani o dia 25 de junho de 2015, o Ministério do Trabalho publicou a Portaria nº 857/2015, que, em sua redação, alterou alguns dispositivos da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) sobre segurança no trabalho em máquinas e equipamentos e inseriu outros itens. Já em 29 de abril deste ano, o MTPS emitiu a Portaria nº 509, que alterou e incorporou novos itens a ela. Tais fatos, contudo, em vez de jogar luz, parecem apenas dar continuidade à novela sem fim em torno da discussão da aplicabilidade desse dispositivo legal, que tem se revelado uma das mais complicadas da história recente das relações entre indústria e trabalhadores. Como é largamente sabido, a norma em vigor exige níveis de proteção que superam o padrão europeu, considerado referência por tratar a proteção de máquinas e equipamentos de forma eficaz e sob o enfoque da razoabilidade, distinguindo as obrigações de fabricantes e usuários. Só que, na opinião de muitas empresas e especialistas no assunto, a NR-12 extrapola paradigmas internacionais e, em muitos aspectos, revela-se uma norma inviável e inexequível. Isso porque, mais uma vez, as modificações promovidas pela Portaria nº 857 foram discutidas na Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR-12 – criada pela Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) nº 197, de 17 de dezembro de 2010 – e aprovadas pela Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), embora representem um avanço discreto, com ajustes pontuais, não contemplam todas as reivindicações da indústria, no sentido de resolver os principais problemas e impactos no setor, decorrentes da aplicação da norma. E não é por outra razão, que as bancadas empresariais na CNTT e na CTPP têm reiterado ao Ministério do Trabalho, bem como a outros órgãos do governo, a necessidade de promover mudanças mais profundas e significativas na NR-12. Entre os pleitos da negociação em prol de uma nova regulamentação, destacam-se premissas como o estabelecimento de uma linha de corte temporal para preservar o parque industrial existente, sem retroagir para máquinas usadas; a definição de obrigações distintas para fabricantes e usuários, seguindo o padrão das normas europeias; a possibilidade de interdição de máquinas e equipamentos somente se for comprovado grave e iminente risco por laudo técnico circunstanciado e por ato do Superintendente Regional do Trabalho e Emprego; e, ainda, um tratamento diferenciado para as microempre- Foto: MTE (Ministério do Trabalho) 10 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 JULHO  AGOSTO/2016

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www.siderurgiabrasil.com.br sas e empresas de pequeno porte, o qual não fique restrito às obrigações acessórias e aos aspectos burocráticos contemplados pela Portaria nº 857/2015. Algumas dessas reivindicações fizeram parte das pautas apresentadas e reforçadas pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) numa reunião mantida, em maio último, com o senador e ex-titular da pasta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro, bem como numa audiência da entidade com o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira. “A NR-12 está sempre em revisão, assim como todas as demais normas. Houve entendimento em partes do texto do corpo principal e alguns anexos para atender à demanda da indústria. Porém, as revisões andam em ritmo lento, pois a principal revindicação é o corte temporal, isto é, máquinas que atendiam à legislação vigente até 2010, devem responder por essa legislação e as fabricadas após esse período, estas sim devem atender, após o cumprimento dos prazos, à nova versão. Além disso, entendemos que o texto da norma deve ser separado entre fabricantes e usuários”, pondera João Alfredo Delgado, diretor de Tecnologia da Abimaq. Bem-vinda flexibilização Porém, embora os trâmites de adequação da NR-12 caminhem em passo de tartaruga, gerando impasses e indefinições, há quem veja avanços no horizonte: “A Portaria nº 509 flexibiliza um pouco a aplicação da norma NR-12, na medida em que designa para o profissional Claúdio Flor: “Os fabricantes de máquinas do Brasil sofrem um controle muito grande por parte dos investidores brasileiros e do governo” de segurança do trabalho que efetua a análise de risco – que é a base da certificação – uma descrição de como aplicar a norma, de acordo com o equipamento que está sendo avaliado. Isso trará benefícios aos fabricantes de equipamentos e seus clientes sem que a segurança da operação seja prejudicada. A Portaria também define melhor alguns pontos que não estavam muito claros originalmente, e que geravam diversas interpretações”, opina Carlos Eduardo Mader Rodrigues, da VPE Consultoria, empresa que representa no Brasil a Red Bud Industries, gigante norte-americana na fabricação de máquinas para processamento de aço. Ainda segundo Mader, na prática, as novas regras não deverão alterar de maneira muito profunda ou complexa a estrutura de produção de máquinas para processamento de aço da Red Bud em Illinois, nos Estados Unidos, com o objetivo de atender às exigências do mercado brasileiro. “Ainda estamos avaliando os impactos em nossos produtos, mas não penso que teremos que realizar muitas adaptações, uma vez que a Red Bud sempre teve uma grande preocupação com a segurança e seus projetos sempre contemplaram diversas e avançadas soluções para garantir a proteção dos operadores. E, como ainda estamos avaliando os impactos da mais recente Portaria, ainda não fechamos os custos”, pontua o executivo da VPE. Custos altíssimos “Custo”, entretanto, pode ser a palavra mágica – no caso, mais no sentido de magia negra – que permanece como pulga atrás da orelha e entrave para os produtores nacionais. “Os fabricantes de máquinas do Brasil sofrem um controle muito grande por parte dos investidores brasileiros e do governo. Enquanto os primeiros compram equipamentos da China, que não tem nenhuma responsabilidade de segurança e proteções – inclusive no seu próprio país –, e não sofrem quaisquer sanções do segundo”, contrapõe Claudio Flor, diretor presidente da Divimec, uma das líderes no Brasil na fabricação de máquinas Foto: Divulgação Divimec JULHO  AGOSTO/2016 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 11

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SEGURANÇA Foto: Agência Fiesp e equipamentos para processamento de bobinas de aço. Para ele, os fabricantes nacionais estão chegando aos níveis teóricos europeus que, muitas vezes não são observados na sua origem, porém são argumentos de venda “para inglês ver”, como é expressão corrente entre os representantes da indústria brasileira do setor. “Nosso investimento em segurança atinge hoje entre 15% a 20% dos custos de produção, isto porque, além dos sistemas de proteção e segurança, temos que automatizar todas as operações de atuação manual nos equipamentos”, afirma Claudio. A opinião é compartilhada por João Alfredo Delgado, da Abimaq, que acrescenta outro agravante a essa história: “Dado à crise econômica vivida no Brasil, o setor de máquinas absorveu esses custos, sacrificando margens. O grande problema é que com a política cambial na época do lançamento da norma, o dólar estava na faixa entre R$ 1,60 e R$ 1,80, e isso desviou o comércio para outros países. Como não há exigência de verificação no despacho aduaneiro, muitas das máquinas importadas ainda vieram sem atender à norma, fazendo com que o setor internamente perdesse market share”, salienta. Consequência ou não dessa dinâmica, fato é, também, de que os fabricantes de máquinas brasileiras vêm recebendo atualmente um número crescente de pedidos dos clientes por equipamentos com maior automatismo possível, com a finalidade de diminuir o número de operadores e auxiliares. Isenção para exportação Sem dúvida alguma, ao longo de seu processo de implantação, a NR-12 vem cobrando um pedágio altíssimo dos industriais brasileiros, a título de amplos ajustes de projeto e de investimentos adicionais, para adequar sua produção às novas exigências.“Embora não tenhamos os valores fechados, só o setor brasileiro de máquinas e equipamentos já gastou algo em torno de R$ 5 a 8 bilhões nesse processo”, estima João Alfredo, da Abimaq. “Isso, sem falar que os prazos para implantação são muito exíguos, porque, diferentemente de outros setores, o projeto de uma máquina é complexo e cada tipo tem uma 12 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 forma de adequação diferente de outra, incluindo um reprojeto, em alguns casos da própria máquina”, complementa o técnico. Nem mesmo as linhas de crédito conquistadas pelo setor para adequação às novas normas de segurança da NR-12 – tais como o Moderniza BK e o Progeren – obtiveram amplo efeito de refrigério sobre o processo, uma vez que atenderam muito mais ao usuário de máquinas que precisava fazer um retrofitting (reforma). Além disso, o setor teve que se adequar num prazo muito curto, quando essas linhas nem contemplavam essa possibilidade. Uma luz, ainda que tênue, jogada sobre a questão veio em 25 junho de 2015, quando o Ministério do Trabalho emitiu a Portaria nº 857, que alterou e incorporou novos itens à NR-12, sendo que a principal conquista foi a isenção do atendimento dos requisitos técnicos de segurança previstos na norma nas máquinas comprovadamente destinadas à exportação. Foi um passo importante, porque se houvesse a necessidade da incorporação dessas exigências, sem dúvida, as máquinas brasileiras perderiam competitividade no mercado internacional. “Imagine o caso de uma máquina que será montada em outro país, na qual o sistema de segurança terá que ser colocado lá pelo usuário da máquina? Ou, então, que tal país não faça exigência alguma nesse sentido? Perdíamos competitividade, pois não poderíamos nem fabricar a máquina, nem transportá-la sem o atendimento à NR-12. Isso, não fazia sentido algum. A máquina tem que atender à legislação do país a que se destina, não a nossa”, finaliza João Alfredo, da Abimaq. JULHO  AGOSTO/2016

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DESTAQUE SETORIAL Indústria siderúrgica brasileira começa a dar sinais de retomada Crescimento dos produtos siderúrgicos brasileiros deve crescer em 2017. Mas a ociosidade deverá continuar em nível elevado. Regina Helena Couto Silva* pós forte retração, a indústria siderúrgica brasileira começou a apresentar sinais de retomada a partir do segundo trimestre de 2016. Essa recuperação tem se sustentado por uma combinação virtuosa entre avanço das exportações – principalmente para a América Latina (ex-Argentina), Ásia e Turquia – recuo das importações e, ainda, melhora dos principais segmentos demandantes de aço, também alavancados pelas exportações. Nos últimos meses, a indústria de bens de capital, a de linha branca e a automotiva estão registrando avanço da produção, impulsionada pela ampliação das exportações, ainda que o consumo interno nesses segmentos continue enfraquecido. Para o próximo ano, a avaliação do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (DEPEC) do BRADESCO é de que o mercado doméstico deverá começar a reagir, embora ainda em ritmo lento, favorecendo a demanda interna por aço. Nesse contexto, a estimativa dos especialistas do DEPEC para este ano é de que haja um recuo de 15,5% do consumo doméstico de aço, para, em 2017, se observar um crescimento de 4,3%, sustentado pela retomada gradual dos investimentos – num cenário no qual se estima a ampliação de 4,5% da taxa de investi- mentos (FBKF) no ano que vem, após retração de 7% em 2016 –, bem como da atividade econômica. Em função da apreciação do real ante o dólar, as exportações do setor siderúrgico, por sua vez, devem continuar em expansão, porém em ritmo mais moderado, em razão da forte expansão registrada recentemente. Vale registrar que as exportações estão crescendo desde 2014 e alcançaram 42% da produção nacional ante a participação de 28% da média dos anos anteriores. Por outro lado, o câmbio no nível atual deverá continuar inibindo as importações, perfazendo uma participação média de 8% sobre o consumo doméstico, ante os 15% dos últimos anos. Consumo Doméstico X Exportações Em função do fraco desempenho dos principais setores demandantes – indústria de máquinas e equipamentos, indústria automotiva, de linha branca e construção civil –, o consumo aparente de aço no Brasil encolheu de 28 para 18 milhões de toneladas entre 2013 e 2016. Ou seja, cerca de 10 milhões de toneladas deixaram de ser consumidas no País em apenas três anos. Porém, embora registrando retração nos últimos cinco anos, a produção de aço bruto não caiu na mesma proporção que o consumo doméstico. Entre 2011 e Fonte e projeções (*): IABr, Elaboração: Bradesco Fonte : IABr, Elaboração: Bradesco Exportações brasileiras de produtos siderúrgicos - em volume - em mil toneladas 2000 - 2016 14 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 Consumo aparente de aço - média móvel trimestral da série dessazonalizada - em mil toneladas JULHO  AGOSTO/2016

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www.siderurgiabrasil.com.br Fonte : IABr, Elaboração: Bradesco Fonte : IABr, Elaboração e (*) projeção: Bradesco Produção de aço bruto, consumo aparente e exportações de produtos siderúrgicos 2016, deixaram de ser produzidas no País o equivalente a 5 milhões de toneladas, com a produção passando de 35 para 30 milhões de toneladas, sendo que o desempenho das exportações contribuiu para sustentar a produção. De fato, os embarques saltaram de uma média anual de 9 para 13 milhões de toneladas no mesmo período. As exportações seguem em elevação, favorecidas pela demanda na América Latina, Ásia e Turquia e pelo câmbio em nível mais depreciado. Por outro lado, as importações caíram de uma participação média de 15% no consumo aparente durante os últimos cinco anos para 8% em 2016. E foi exatamente isso que propiciou a retomada de mercado pelas usinas brasileiras. Operações internacionais: o carro-chefe Durante o primeiro semestre deste ano, ante o mesmo período do ano passado, as exportações totais de produtos siderúrgicos cresceram 16,6% em volume. Já os produtos semi acabados que têm foco no mercado externo – uma vez que 90% da produção doméstica é exportada – tiveram ampliação de 14,9% dos embarques, enquanto as exportações de aços planos subiram 16,1%, e as de longos, 28,3%. No mesmo período, as importações de produtos de aço se retraíram em 64%, em resposta ao câmbio e às debilidades do mercado doméstico. Analisando mais especificamente o mercado interno, é incontestável que a produção da siderurgia brasileira atingiu seu nível mais baixo. De fato, o consumo aparente de aço no País mostrou sinais de recuperação a partir do início do segundo trimestre de 2016, alavancado pelo incremento da produção das indústrias de bens de capital, de veículos e, ainda, de linha branca. A contração das importações também contribuiu para a melhora do consumo aparente, permitindo a retomada de mercado pelas usinas brasileiras. Neste ponto, os analistas do DEPEC – BRADESCO julgam importante salientar que essa melhora dos JULHO  AGOSTO/2016 Consumo aparente de aço no Brasil, 2000 - 2017 segmentos demandantes está sendo puxada pelas exportações, ao passo que as vendas internas desses bens ainda continuam em patamares muito baixos. Por exemplo, durante o primeiro semestre de 2016, as exportações do complexo automotivo cresceram 14,2% ante o mesmo período do ano passado, enquanto os embarques de bens de capital evoluíram 7,3%. O fato fica ainda mais evidente quando se comparam os dados de produção industrial e de vendas no varejo – Produção Industrial Mensal (PIM) e Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), ambos coletados e apresentados pelo IBGE. No caso específico de linha branca, as exportações continuam enfraquecidas, mas as importações também estão em retração, com recuo de 46% no primeiro semestre do ano. Crescimento X Ociosidade Para 2017, a projeção dos economistas do BRADESCO é que o impulso para o setor siderúrgico virá da demanda doméstica, ao contrário do que estamos observando neste ano. E a estimativa é de melhora, mesmo que gradual, das vendas internas de veículos, de linha branca, de bens de capital e da construção civil, alavancados pela melhora da confiança. E a perspectiva tem número: ampliação de 4,3% do consumo aparente de aço em 2017. Contudo, ainda assim, eles preveem que a ociosidade na siderurgia brasileira continuará em nível elevado, em torno de 36%. Diante desse cenário, é natural, então, não se esperar a realização de investimentos no setor siderúrgico nacional no curto prazo, como resultado da elevada sobreoferta global de aço. Pouco mais de um terço da capacidade total instalada para a produção global de aço está ocioso – o equivalente a 720 milhões de toneladas –, sendo que mais da metade disso está na China. Há no Brasil quase 50 milhões de toneladas de capacidade instalada para produção de aço, sendo que apenas 30 SIDERURGIA BRASIL Nº 119 15

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