Revista Siderurgia Brasil

 

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A revista de negócios do aço - edição 120 - setembro/outubro

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Grips Editora – Ano 17 – Nº 120 – setembro/outubro 2016            buscam novos caminhos O Brasil voltará a ser um país de oportunidades?

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A Revista de Negócios do Aço 3 ÍNDICE brasil Foto: Stockfresh.com 6 TUBOS DE AÇO BUSCAM NOVOS CAMINHOS O diretor geral da ABITAM fala do delicado momento atualmente vivido pela indústria nacional e pelo setor siderúrgico brasileiro, e dá valiosas pistas de como vencer a estagnação e a ineficiência que ainda rondam sua evolução. 4 EDITORIAL Qual é o tamanho de nosso desafio? 16 ARTIGO TÉCNICO Como montar corretamente ferramentas no slitter 20 EMPRESAS t Klüber t Red Bud 25 EVENTOS 2º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos - Abimaq SETEMBRO  OUTUBRO/2016 10 ECONOMIA O Brasil voltará a ser um país de oportunidades? Foto: Freeimages.com 29 ENTIDADES Sicetel 31 ESTATÍSTICAS 32 EMPRESAS & NEGÓCIOS 34 ANUNCIANTES SIDERURGIA BRASIL Nº 120 3

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EDITORIAL HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL odos nós que vivemos na cadeia siderúrgica, rando, pois a cada dia sentimos direta e objetivamente que vivemos um imenso desafio. E para nós, que resistir está cada vez mais difícil. Para os industriais, o que além da siderurgia, vivemos no Brasil, esse de- fazer com as máquinas paradas? safio é maior ainda. O governo que recente- Nesta edição da revista Siderurgia Brasil, fomos buscar al- mente assumiu, apresentou uma equipe nova gumas opiniões e temos a oportunidade de apresentar uma e que dá sinais de que sabe o que está fazendo, interessante matéria feita com o Professor Ives Gandra da Silva pois já são vistos os primeiros sinais de volta à normalidade. Martins, o economista Antonio Correa de Lacerda e, por fim, Entretanto, essa equipe continua lutando intensamente a descrição dos cenários possíveis para a economia brasileira para ver aprovado um plano de gastos. Ora, elaborados por José Álvaro Moisés, que além nós – que vivemos com os pés no chão, somos honestos e temos um mínimo de bom senso –, sabemos que não é possível gastar mais do que vamos ganhar. Mas, na democracia, isso não é tão simples assim. Enquanto esse plano não passar pelas incontáveis instâncias, sofrer emendas de todas as naturezas e, finalmente, for colo- Qual é o tamanho de nosso desafio? de jornalista e escritor é professor titular de Ciência Política da Universidade de São Paulo. Também falamos sobre o setor de tubos de aço. O que a Abitam nos apresentou como estatísticas, no âmbito de um relato em que se destaca a capacidade ociosa do setor e o que existe de prognóstico (ou “torcida’) na visão da entidade. cado na mesa para votação, continuamos Trazemos, ainda, um excelente trabalho vivendo essa lentidão na retomada dos ne- técnico sobre a correta operação do ferra- gócios. O interessante é que, lendo as revistas de fim de mental em equipamentos que serão utilizados no corte lon- semana e as colunas econômicas, vemos os articulistas de gitudinal de chapas, os slitters. economia falando em recuperação a partir de 2018. Faço E, como acontece em todas nossas publicações, falamos uma pergunta: e até lá? Temos o resto do ano de 2016 e de eventos, estatísticas e acontecimentos que movimenta- todo o ano de 2017 para viver. Há alguma forma de apagar ram nosso segmento da siderurgia. ou saltar esse período do calendário? Que cada um defina seu desafio e lute a boa luta para Para nós que trabalhamos diretamente com marketing vencê-lo! e comunicação, o desafio é ter fôlego para continuar ope- Boa leitura! EXPEDIENTE Edição 120 - ano 17 - Setembro/Outubro 2016 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823755339. Coordenador Geral: Henrique Isliker 1ÈUSJB t Diretora Executiva: Maria EB (MØSJB #FSOBSEP *TMJLFS t TI: ViDFOUF#FSOBSEPtEditor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker PáUSJB  .5C41  t Entrevistas e Reportagens: Marcus Frediani .5CtProjeto Editorial: Grips &EJUPSBtEdição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem com fotos da Shutterstock Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. 4 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 SETEMBRO  OUTUBRO/2016

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PRODUTOS Tubos de aço buscam novos caminhos O diretor geral da ABITAM fala do delicado momento atualmente vivido pela indústria nacional e pelo setor siderúrgico brasileiro, e dá valiosas pistas de como vencer a estagnação e a ineficiência que ainda rondam sua evolução. Marcus Frediani ara José Adolfo Siqueira, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (ABITAM), o setor nunca passou por uma crise igual a atual. Mas, ainda segundo ele, existem boas perspectivas no horizonte. Na verdade, isso não é nem uma questão de escolha, e, sim, de obrigatoriedade. Ou seja, um dos recados mais incisivos que ele dá nesta sua entrevista exclusiva à revista Siderurgia Brasil, é que essa história de crise “já deu”e, agora, “ou vai, ou vai”. E, para tanto, é preciso, com coragem, encarar e colocar as claras nossas ineficiências, parar de recitar alguns mantras paralisantes e, ainda, derrubar alguns mitos que parecem já ter ganhado status de verdades absolutas, como é o caso da vilanização do Conteúdo Local, como grande culpado pelos atrasos na entrega de muitas obras de importância extremamente vital para o desenvolvimento do Brasil. Confira! Siderurgia Brasil: Qual a avaliação que você faz da mudança de governo? José Adolfo Siqueira: Bem, diante de toda mudança, a gente cria grandes expectativas de que ela venha para melhorar a situação que estava anteriormente vigente. Era uma tendência que você precisava mexer na economia, que estava estagnada e não manifestava sinais de melhora, as reformas sob o comando da ex-presidente Dilma não andavam, nem iam andar. Sem discutir o aspecto política, a gestão dela estava muito ruim. Depois da definição do impeachment, o Temer começou um governo, em que pese o fato de ser “tampão”, com uma proposta de reativar a economia, num cenário com 12 milhões de desempregados, com as indústrias paralisadas – muitas fechando –, assim como está acontecendo com muitos comércios. Mas, face a esse cenário, você acredita que o Temer já está fazendo a diferença? Continuamos com uma atividade econômica abaixo das expectativas, com queda do PIB, queda do PIB industrial constante, embora com algumas oscilações positivas nos últimos meses. Contudo, sinto no governo Temer muita vontade de realizar as mudanças necessárias, a fim de se criar uma base para promover o desenvolvimento eco- 6 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 SETEMBRO  OUTUBRO/2016 Foto: Stockfresh.com

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nômico. Assim, creio que foi uma mudança positiva, e estou confiante de que ele vai conseguir promover essas mudanças. Pelo menos, as tratativas têm evoluindo nessa direção. Ele e sua equipe vêm agindo de maneira correta, tanto internamente – no que tange à intenção de aprovar o teto de gastos do governo, de trabalhar a reforma da Previdência, que é algo inescapável –, quanto internacionalmente, no sentido de fazer novos acordos e de reinserir o Brasil no mercado externo. Um clima favorável, também, para a volta dos investimentos? Sim. Tudo isso tudo junto deve criar incentivo interessante para o pessoal voltar a investir em infraestrutura, as concessões vão ser muito importantes nesse processo, assim como as privatizações, a queda do monopólio da Petrobras, que já aconteceu na Câmara... Enfim, creio que as medidas que precisam ser tomadas estão sendo tomadas, talvez poderiam ter um pouco mais de velocidade. Mas dentro do panorama, do clima político que se tem, está caminhando bem. E como isso deve repercutir, especificamente, no setor de tubos e acessório de metal? Acredito que as mudanças também vão ser positivas, uma vez que o setor foi muito afetado por essa crise. Estamos operando, hoje, com 60% de ociosidade, daí pra mais. Isso, falando no geral, porque talvez para algum tipo específico de tubo, produzido por alguns poucos fabricantes, a ociosidade não seja tão grande. Porém, o setor sempre viveu com um nível de ociosidade avantajado. SETEMBRO  OUTUBRO/2016 www.siderurgiabrasil.com.br É verdade, sempre tivemos uma capacidade instalada muito grande. Mas, nada como estamos vendo atualmente, num cenário em que várias empresas já aboliram o trabalho às sextas-feiras, diminuíram drasticamente a produção e os turnos de trabalho. Tudo reflexo da crise econômica, porque as grandes obras pararam, e as empresas que forneciam tubos para elas deixaram de entregar, criando uma queda muito acentuada das vendas. E isso, se observa em todos os setores que atendemos, do de construção ao automobilístico. Bem, mas temos, efetivamente, melhoras à vista? Ou continuamos com perspectivas sombrias? Trabalhamos com uma expectativa de evolução positiva já a partir de 2017, 2018, turbinada, principalmente, pela perspectiva da volta dos investimentos. Aliás, não tem outro jeito. Essa situação, por exemplo, já está mais do que clara no setor de óleo e gás, porque a Petrobras não tem capital para investir, sozinha, no volume que precisa para desenvolver todos os campos. Então, precisamos pegar forte nas parcerias internacionais para trabalhar o Pré-sal, que é uma fronteira muito interessante e de alta produtividade. Se tivermos as condições de estabilidade regulatória e jurídica, tenho certeza de que as companhias estrangeiras virão explorar petróleo aqui. Uma ideia, contudo, contestada por muitos antagonistas da privatização. Pois é, mas, como eu disse, não tem jeito. Acredito numa combinação entre conteúdo local e injeção de recursos externos para desenvolver a indústria nacional de bens e serviços, para ajudar no crescimento do país. Como vinha caminhando a indústria de tubos antes do acirramento da crise? Antes de a coisa piorar, tínhamos aí, para os tubos de pequeno porte, um mercado que variava entre 125 a 140 mil toneladas/mês, o que daria cerca de 1,5 milhão de toneladas/ano, com uma capacidade instalada para produzir 3,5 mil toneladas/ano – ou seja, mesmo numa época mais confortável de vendas, a gente tinha espaço para muito mais. Acreditando na estabilidade e no crescimento, muitas empresas investiram pesado na ampliação e na construção de fábricas e, aí, ficamos com essa capacidade enorme, cujo principal revés foi a criação de um cenário de disputa muito grande no mercado. E como tudo isso se refletiu nos resultados atuais? Com a crise batendo muito forte, do jeito que a gente nunca viu igual, é óbvio que esse clima de enorme competitividade se acirrou, e os fabricantes continuam sentido seus efeitos diretos na queda das vendas. Hoje, o mercado de tubos de pequeno porte caiu muito: estamos trabalhando numa faixa de 80 a 85 mil toneladas/mês. Igualmente, os tubos de grande diâmetro também enfrentam uma situação bastante difícil, porque não temos novos gasodutos e nem novas redes de abastecimento de água. Como dependem muito do setor de petróleo, as vendas de tubos sem costura despencaram também. Somando tudo isso, acredito que a produção total SIDERURGIA BRASIL Nº 120 7

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PRODUTOS de tubos este ano não passe de 1,3 a 1,35 mil toneladas. Nem as exportações vêm dando uma mãozinha para o desempenho do setor? Olha, até tem tido alguma coisa, mas mesmo assim, o mercado deu uma “segurada”. Vamos exportar em 2016 bem menos do que exportamos no ano passado. Os números atualizados até agosto deste ano dão conta de 166 mil toneladas, contra as 345 mil toneladas de tubos brasileiros vendidas para o exterior em 2015. Acredito, entretanto, que até o final do ano, devamos melhorar um pouco esse desempenho e, talvez, a gente consiga atingir, em 2016, algo em torno de 70% da cota de 2015, aproximadamente. Na última entrevista que você concedeu à revista Siderurgia Brasil, você se mostrou bastante preocupado com o processo de desindustrialização do Brasil, algo que continua muito evidente nos dias atuais. Há chance de reversão? Tem que haver. Temos, hoje, 204 milhões de habitantes no país e uma estatística de 12 milhões de desempregados, num cenário de necessidade contínua de inserção de novos trabalhadores no mercado, com jovens se formando, sem, contudo, encontrar possibilidade de arrumar emprego na sua área. Tem, também, muita gente indo embora do Brasil. Então, não há outra saída: teremos, obrigatoriamente, que reverter esse processo de desindustrialização, a partir de todas as reformas que precisamos e que, realmente, urge serem implantadas. Temos que ter algum crescimento, e não precisa ser uma evolução da magnitude de uma China ou de uma Índia, de 6% a 9%, não. Mas temos que ter um crescimento sustentável de uns 3,5% a 4% ao ano. Se isso acontecer, teremos investimento e aumento de capacidade instalada nos setores que precisam de produtos siderúrgicos como os tubos, para atendimento da infraestrutura, por exemplo. Para isso, também, teremos que ter uma formação bruta de capital fixo da ordem de 24% a 25% do PIB, sendo que, atualmente, estamos com 16%. Ou seja, temos que fazer uma poupança. E se você não tem poupança interna, tem que buscá-la lá fora. Aí, sim, conseguiremos gerar bastante riqueza para o país. Ou seja, o Brasil precisa recuperar a confiança perdida aos olhos do investidor estrangeiro. É isso! Temos que reinstaurar um clima de investimento com retorno certo aqui no Brasil. O país tem que se abrir para o exterior e buscar dinheiro de quem tem di- nheiro, dando a garantia de que quem aplicá-lo aqui vai ter retorno. É claro que não estou falando aqui de vender ou entregar o país para os estrangeiros, mas, sim, de fazer uma coisa inteligente, que é dar uma oportunidade para os investidores de fora investirem aqui, com segurança de retorno do capital. E, ao mesmo tempo, temos que usar esse capital investido para gerar riqueza aqui dentro. Mas isso não pode, em algum momento, ferir a regulamentação do Conteúdo Local, que, cá entre nós, é bem ruinzinho? Bem, tem que haver um equilíbrio. E as nossas ineficiências em fazer tudo sozinhos têm que ser encaradas e colocadas às claras, assim como alguns mantras e mitos precisam parar de ser repetidos e derrubados. Isso tem que mudar. Veja, por exemplo, a área do petróleo: o pessoal costuma criticar muito o Conteúdo Local, dizendo que ele é o vilão da história, que causou atraso nas obras e projetos etcétera e tal, quando, na verdade, a coisa não é bem assim. Na realidade, o que ocasionou todos esses problemas não são as falhas do Conteúdo Local, uma vez que ele não tem culpa pelos atrasos. Os atrasos se deram por conta da falta de competitividade, de produtividade e de competência dos integradores, princi- TUBOS DE AÇO ANO Capacidade instalada Vendas do setor Exportações em toneladas em toneladas em bilhões de USD em toneladas (US$ FOB) Importações em toneladas (US$ FOB) 2014 5.500.000 1.610.000 3,2 406.979 1.168.514.852 173.934 547.978.421 2015 5.500.000 1.232.311 2,5 344.402 815.539.273 144.009 478.838.987 Projeção 2016 5.500.000 1.156.295 2,3 248.989 422.476.764 87.501 263.466 Fonte: Abitam 8 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 SETEMBRO  OUTUBRO/2016

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palmente dos estaleiros, que não conseguiu entregar dentro dos prazos previstos. Em outras palavras, o atraso não foi porque faltou produto nacional, ou porque o produto nacional era de baixa qualidade. A culpa, se assim se pode dizer, foram de decisões erradas e bastante polêmicas no que tange à utilização do Conteúdo Nacional, tomadas por esses integradores. Por exemplo, acaba de sair uma reportagem na Revista “Portos e Navios”, sobre um navio que está sendo feito lá pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que teria que entregar três navios ainda este ano e, até agora, não entregou nenhum. O único que ele está fazendo é esse aí, o “Machado de Assis”, no qual colocou 70% de produto chinês, teve acidente, o www.siderurgiabrasil.com.br produto precisou ser substituído. E aí, o Conteúdo Nacional está sendo estigmatizado, quando, na realidade, ele não tem culpa disso. A chiadeira é geral, até porque esses fornecedores estão sendo duramente penalizados por tais problemas. Pois é. Os responsáveis pela maioria dessas obras importavam muita coisa, tanto que, agora, com os atrasos, estão pagando multa. E isso, repito, não porque foram comprar produto nacional e este não tinha índice de qualidade adequado. Estão pagando multa porque trouxeram produto de fora e acharam que lá na frente iam resolver. Ou, então, ofertaram pra pegar os blocos, com índices de Conteú- Foto: Divulgação do Local muito acima do que eles iam conseguir aqui, achando que iriam, depois, conseguir driblar o problema das multas. Só que estas estão previstas nos contratos e, agora, estão sendo cobradas, razão pela qual está todo mundo desesperado, querendo mudar a política, querendo mudar o contrato assinado e causando enormes problemas em cascata. Só que não vai ter jeito, não.

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ECONOMIA O Brasil voltará a ser um país de oportunidades? A revista Siderurgia Brasil conversou com exclusividade e recolheu opiniões de alguns dos analistas e autoridades de economia do Brasil, para tentar responder a paráfrase conjuntural daquela célebre pergunta, que sempre assombrou a humanidade: “Onde estamos e para onde vamos?” Confira! Marcus Frediani K! Temos um novo governo no Brasil. Michel Temer e a nova equipe econômica continuam tentando dizer a que vieram, com a proposta de que “nada será como antes, amanhã”, como diz aquela música do Milton Nascimento. Só que descolar a imagem de uma nova proposta de gestão daquela do governo anterior – no qual Temer foi “vice-compartilhante” dos mais de 54,5 milhões de votos válidos da eleição de 2014 (e é bom que ninguém esqueça disso) –, vai exigir dele e da sua constelação de técnicos em governança muito mais do que simplesmente uma postura pró-indústria e provas e mais provas de que ele é melhor e mais sensível à busca de soluções reais que reconduzam o Brasil à brilhante estrada dos tijolos amarelos do desenvolvimento. Sim, porque restaurar a confiança vai exigir muito mais do que discurso, estatísticas mágicas e ziriguidum – que alguns podem até chamar de jogo de cintura – para convencer não só os empresários, mas uma nação inteira e alquebrada de que tudo vai dar certo. “Politicamente, trata-se de um governo que sobrevive com a estigma da desconfiança, dadas as circunstâncias da forma como assumiu. Isso sugere um capital político frágil, apesar do amplo apoio midiático e de segmentos importantes da sociedade. Falta combinar com a população”, opina a respeito Antonio Corrêa de Lacerda, economista, doutor em economia, professordoutor da PUC-SP, associado da Fundação Dom Cabral e sóciodiretor da MacroSector Consultores. “Quanto à equipe econômica, a questão não é propriamente de competência, mas de que especialidade. São financistas que assumiram a agenda do setor financeiro. Falta uma estratégia integrada de desenvolvimento. Quem são os ministros da Indústria, Ciência e Tecnologia e outros importantes? Alguém conhece a estratégia proposta para o país? Tem prevalecido uma visão ultra liberal, equivocada de que tudo se resolve a partir da “confiança”, como num passe de mágica, o que obviamente não vai ocorrer”, acrescenta ele. Já o advogado tributarista, professor e jurista brasileiro Ives Gan- dra da Silva Martins tem uma opinião diferente, e diz acreditar nas propostas do governo Temer e na competência daqueles que o cercam: “Vejo esse novo cenário com otimismo. Os resultados não serão, todavia, cinematográficos, pois o desastre da administração Dilma não se corrige com facilidade. As primeiras propostas, que já encontram anticorpos na administração esclerosada e mesmo entre parcela da área política, são necessárias e exigirão muita atenção. A equipe econômica é boa e Michel excelente articulador. Se conseguir passar estes primeiros projetos, creio que o resto virá, com menos obstáculos. “Creio que a pauta que estabelece o teto de vencimentos é crucial. Já as reformas trabalhista, tributária, administrativa, do Judiciário, eleitoral, previdenciária e política deverão vir em decorrência”, complementa Gandra Martins. Na rota do acerto: sim, ou não? Qual seria um, ou alguns dos primeiros sinais de que a “coisa” para o lado da economia brasileira está melhorando? A resposta 10 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 SETEMBRO  OUTUBRO/2016

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www.siderurgiabrasil.com.br para a pergunta de US$ 1 bilhão parece estar atrelada a dissolução de alguns nódulos persistentes no “sistema linfático” da nação, entre eles a diminuição do número de desempregados, os graus de investimento ou, efetivamente, investimentos, de verdade, voltando ao país, o PIB revertendo tendência de quedas ainda mais abissais. “Quanto tempo isso vai demorar? Bem, creio que teremos os cintos apertados ainda durante um bom tempo. O ambiente, todavia, melhorou e o otimismo que é essencial para a retomada de negócios está retornando. Não se deve cobrar resultados de imediato, mas a pavimentação do caminho da reorganização da economia a ser trilhado”, aposta o Dr. Ives Gandra. Assim, para o jurista, dependendo do nível das reformas a serem aprovadas, o tempo para a recuperação poderá ser mais ou menos longo. “De qualquer forma, mesmo que os obstáculos para implementação sejam muitos até meados de 2017, o ‘avião da economia brasileira’ estará na cabeceira da pista para voar como os dos outros países desenvolvidos”. Menos otimista que ele, o Dr. Antônio Corrêa de Lacerda diz que, sim, as medidas atuais podem surtir efeito. “Mas a pergunta é se ‘estaremos vivos’ até lá. Vamos precisar de uma estratégia mais abrangente de política econômica, que vise a algo além do ajuste fiscal e das metas de inflação. Contudo, é preciso mais, como apontei em recente artigo para O Estado de S. Paulo, intitulado ‘A dissintonia fiscal e monetária’”, pontua o economista. Embora acredite que o Brasil tenha um grande potencial – propelido pela demanda reprimida na infraestrutura, um mercado consumidor extraordiná- Foto: Divulgação Ives Gandra da Silva Martins rio, fontes renováveis de energia, abundancia de recursos naturais – ele diz que ainda falta ao país uma política econômica que permita a aprovação desse potencial. “Como falei, a política monetária e a fiscal jogam contra o crescimento. A economia vai cair quase 8% no acumulado 2015 e 2016. Em 2017 pode apresentar um crescimento residual, de até 1%, efeito cíclico. A partir de 2018, se as políticas macroeconômicas ajudarem, poderemos crescer de 2 a 3% ao ano. Isso significa que só retomaremos o nível de 2014 por volta de 2020. E isso ainda vai depender de mudar expressivamente a política econômica”, reflete, com uma visão cautelosa. E assim como no texto do Estadão ao qual se referiu aí em cima, Corrêa de Lacerda enumera quatro etapas dessa estratégia, que considera fundamentais para o nó da economia brasileira começar a se desfazer, sendo que a primeira é reconhecer que o chamado “ajuste fiscal” é inviável com uma economia em recessão como a nossa. Ao contrário, é preciso que o gasto público de qualidade cumpra o seu papel anticíclico tendo em vista a retração da demanda das empresas e das famílias. Como na maioria dos países, o déficit primário é uma consequência por um período de tempo. A segunda, no seu entender, é apresentar um programa de longo prazo para o desempenho dos gastos, atrelados a uma reforma tributária, que vise corrigir disparidades da nossa estrutura, assim como simplificá-la. “Na sequência, é preciso enfrentar a rigidez da dívida pública e o seu custo de financiamento. Não é sustentável continuar a oferecer remuneração real a aplicações em títulos da dívida pública de curto prazo e um juro real incompatível com a média internacional e com o retorno econômico e social das atividades por ela financiados. E a quarta é rever o Regime de Metas de Inflação (RMI). Decorridos quase 17 anos da implantação do RMI, é preciso evoluir na definição da inflação relevante a ser considerada, na desindexação (formal e informal) remanescente em preços e contratos, assim como as metas de inflação e seus prazos de atingimento”, destaca o economista. A celeuma em torno da PEC 241 Com muita coisa pela frente para fazer e mostrar a que veio, entre os assuntos no caldeirão escaldante das pautas emergenciais do governo Temer, está exatamente a PEC 241, que institui o tal teto de gastos em todas as áreas para tentar equilibrar as contas públicas a partir de 2017 – em trâmite acelerado, ela, em síntese, prevê que, pelos próximos 20 anos, esse valor só poderia ser reajustado de acordo com a variação da inflação dos últimos 12 meses –, quem vem, ultimamente, causando um tsunami gigantesco de posicionamentos antagônicos entre os analistas econômicos, como é o caso dos doutores Corrêa de Lacerda e Gandra Martins. Enquanto este último acredita que o estabelecimento do teto de gasto, de imediato, é a pedra angular para que as outras pautas do governo Temer avancem em prol do desenvolvimento do país – sendo que, de acordo com sua interpretação, as demais deverão acontecer no longo prazo, dependendo SETEMBRO  OUTUBRO/2016 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 11

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ECONOMIA de sua maior ou menor extensão, Antônio Corrêa de Lacerda afirma que existe uma fé exagerada na PEC 241, que, segundo ele, comete equívocos crassos de diagnóstico: “A falta de sintonia fina do conjunto das políticas macroeconômicas segue sendo um grande desafio para os decisores. A questão é que muitas vezes objetivos individuais conflitam com o todo. No caso brasileiro, na busca do almejado “equilíbrio fiscal”, tem-se cometido erros claros de escolhas. A dobradinha corte de gastos e tentativa de aumento de receitas via aumento da tributação, esbarra nos efeitos da recessão em curso. Redução de investimentos públicos e de gastos sociais diminui a demanda agregada, portanto, a arrecadação tributária potencial”, argumenta a favor de seu ponto de vista. Enquanto os antagonismos em busca de soluções se adensam – o que é muito bom para o diálogo nacional – uma coisa é mais do que certa: embora a celeridade com que a PEC 241 esteja sendo tratada no Congresso efetivamente surpreenda, é preciso lembrar que o ajuste fiscal não terá seu fim com sua aprovação. Isso porque, os próximos passos da reforma fiscal são igualmente importantes, com destaque para a reforma da Previdência, cuja proposta deve ser divulgada em breve. Juros em baixa? Seja como for, alguns sinais, de alta ou baixa frequência, dependendo de quem os interpreta, surgem no horizonte. Por exemplo, o anúncio da Petrobras, feito no finalzinho da primeira quinzena de outubro, dando conta de uma nova política de preços de combustíveis, 12 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 deu um “up” nos prognósticos da inflação. A defasagem entre os seus preços e os praticados no exterior e a recente perda de mercado pela companhia abriu espaço para a queda dos preços internos. O fato fez com que os analistas do Banco Safra revisassem sua projeção de inflação de outubro de 0,26% para 0,20% e a de novembro de 0,41% para 0,35%, reduzindo a projeção do ano de 6,95% para 6,82%. Com um cenário político mais estável e com queda da inflação, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) acredita que o Banco Central tem todas as condições necessárias para reduzir a taxa Selic e chegar a pelo menos 14% ao ano, em outubro. As dúvidas sobre o ambiente político foram diminuídas ao mesmo tempo em que os indicadores de inflação mostraram um forte recuo em setembro. O Banco Central vinha sendo conservador na espera de argumentos que pudessem possibilitar uma redução de juros sem que houvesse a menor possibilidade de quebra de confiança dos agentes na atuação da autoridade. Num documento que acaba de ser divulgado pela entidade, os analistas da FecomercioSP entendem que o Banco Central já tinha condições de reduzir a taxa de juros no mês passado, mas compreende o excesso de zelo. A autoridade monetária optou por recuperar a confiança dos agentes, depois de tanto tempo sendo paciente com a inflação. Ainda na análise da entidade, a gestão atual do BC pagou um preço excessivo pela gestão temerária anterior, que reduziu juros quando não devia e viu a inflação superar os 10% com passividade. O Banco Central também indicou em vários documentos, pronunciamentos e atas que acreditava na aprovação das reformas, mas queria esperar para ver. A volta da confiança Ainda de acordo com a Federação, a desconfiança do BC não chega a ser sem sentido, mas agora, com a votação expressiva a favor da PEC 241, sobre o teto de gastos, mostra que de fato o novo governo não só está comprometido com o ajuste austero, mas também reúne condições políticas para aprovar essa e outras medidas necessárias ao bom andamento da economia. Já a taxa de câmbio se manteve valorizada, o que também facilita a ação do BC e, mais importante na lógica do Copom, a inflação bastante resistente deu sinais muito claros de que finalmente foi esvaziada por uma crise que já dura mais de dois anos. Demorou, mas a FecomercioSP aponta que os efeitos da recessão chegaram ao IPCA que registrou a menor taxa para setembro desde 1998: 0,08%. Com isso, tudo leva a crer que a resistência inflacionária apesar da crise se devia a uma perda enorme de confiança dos agentes na capacidade do Banco Central em conter os preços. Ou seja, mesmo com forte queda da demanda, os agentes não viam no BC ou no governo anterior condições de implementar ajustes e políticas de equilíbrio macro e, portanto, o país caminhava para recessão e inflação. Esse fenômeno explica o excesso de conservadorismo da administração atual do Banco Central, que visava recuperar a confiança perdida mostrando comprometimento com o con- SETEMBRO  OUTUBRO/2016

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www.siderurgiabrasil.com.br trole do poder de compra do real. Nesse ambiente, a Fecomer- cioSP ainda acredita que o Banco Central pode baixar juros sem colocar em risco a seriedade de seus objetivos de combate à inflação. Isso porque a autoridade financeira sabe que a situação econômica é ruim e percebe que a inflação dá sinais muito claros agora de desaceleração com variação próxima de zero em setembro. Agora, para, a entidade paulista, a Diretoria do BC fez um excelente trabalho em recuperar a confiança, mas também que o banco perderia tempo se tentar ser mais realista do que o rei. Para continuar o bom trabalho, segundo a Federação, agora é necessário colocar em prática aquilo para o que o Banco Central e o governo fizeram grande esforço com a cola- boração e paciência da sociedade e do setor privado: retomar a rota do crescimento. Perdida no espaço Em que pese o fato de sinais positivos, mas longe de definitivos, estarem, aparentemente, querendo se mostrar na complicada teia de interseções da política e da economia nacional, a indústria, pelo menos por enquanto, ainda não foi aquinhoada com a “síndrome de lázaro” e, por isso, ainda não deu sinal de resuscitação iminente. Pelo contrário, a queda da produção industrial em agosto sugere retração dos investimentos no terceiro trimestre. De acordo com o mais recente relatório do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco (DEPEC-BRADESCO), a produção industrial recuou 3,8% na passagem de julho para agosto, excetuada a sazonalidade, conforme divulgado hoje pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O resultado veio em linha com nossa projeção (de queda de 3,7%) e abaixo da expectativa do mercado, que esperava uma retração de 3,1%, de acordo com coleta da Bloomberg. Com esse resultado, foi interrompida a trajetória positiva observada por cinco meses consecutivos da atividade industrial. Na comparação interanual, a produção recuou 5,2%, acumulando declínio de 9,3% nos últimos doze meses. O mesmo estudo revela que 21 dos 24 pesquisados mostraram retração em agosto, com destaque para veículos automotores, Onde vai dar a Lava Jato... Maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil, a Operação Lava Jato veio como uma bola de neve. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários estados e, adensando camadas, descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país. Mas qual será o desenlace que a espera e de que forma isso contribuirá para a chegada do “Novo Brasil”? Para o jurista Ives Gandra Martins, ela deverá encerrar-se quando todo o material apreendido for decantado, e as delações premiadas homologadas, sendo que haverá condenações. “Mas, depois da Lava Jato, o Brasil será diferente. Apesar de louvar o trabalho feito pela PF, MP e Sérgio Moro entendo que a espetacularização foi excessiva, muitas vezes, houve abusos em detenções longas, não poucas vezes o direito de defesa foi atingido e para mim não houve crime de corrupção, mas de concussão”, explica. “Não foram os empresários que impuseram às “vestais” do governo a tentação da corrupção, mas os larápios governamentais que impuseram as regras do jogo. Quem não aceitasse, não negociaria com Ives Gandra da Silva Martins Antônio Corrêa de Lacerda Foto: Divulgação Foto: Divulgação o governo”, complementa, em tom de crítica. Embora reconheça que a Lava Jato tenha “méritos inegáveis”, o economista Antônio Corrêa de Lacerda compartilha a visão de vários juristas, de que a operação tem atropelado a Constituição e o Estado Democrático de Direito, abrindo um precedente perigoso. “Economicamente, há que se buscar uma saída que puna os controladores e executivos, sem inviabilizar a empresa. O mercado de construção pesada travou no Brasil e isso, evidentemente, é mais um obstáculo ao crescimento”, destaca ele. SETEMBRO  OUTUBRO/2016 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 13

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ECONOMIA reboques e carrocerias, com queda de 10,4%, desempenho puxado pelas greves que levaram à paralisação de algumas fábricas. Ao mesmo tempo, a produção da indústria extrativa recuou 1,8% no período. No sentido oposto, o segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos registrou expansão de 8,3% na margem. Entre as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis teve sua tendência positiva interrompida, recuando 9,3% na margem. Também chama atenção o comportamento da fabricação de bens intermediários, com queda de 4,3%, a despeito do aumento das importações no perío- do. Por fim, a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis caiu 0,9% em agosto. A produção de bens de capital avançou 0,4%, retomando o ritmo de expansão que vinha sendo registrado desde o início deste ano. Esse crescimento está alinhado com os sinais positivos vindos da retomada da confiança do empresariado industrial e do crescimento significativo das importações no período. No entanto, a produção dos insumos típicos da construção civil (ITCC) caiu 7,9% ante julho, o que deve levar a nova retração da formação bruta de capital fixo no terceiro trimestre do ano. A contínua e significativa melhora da confiança nos últimos meses (conforme apontado pela FGV e CNI) deve manter, segundo o DEPEC-BRADESCO, o desempenho modesto da atividade industrial no curto prazo, a despeito dessa retração observada em agosto. Dessa maneira, esperamos alta da produção industrial em setembro, especialmente por conta da retomada da produção automotiva. De todo modo, acreditamos que a produção industrial deverá encerrar 2016 em queda, em parte refletindo a contração do início do ano e o carregamento estatístico dos fortes recuos do ano passado. O que vem por aí Em uma interessante análise, o professor titular de Ciência Política da Universidade de São Paulo, jornalista e escritor José Álvaro Moisés descreve alguns cenários possíveis para 2016 a 2018, trazendo a “programação” daquilo que os empresários brasileiros poderão assistir em posições mais ou menos confortáveis, sentados em suas cadeiras, por trás de suas mesas de trabalho. Confira! Cenário 1 – Em primeiro lugar, não se pode descartar a possibilidade de que ocorra a impugnação da chapa (eleita em 2014) da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É um cenário complexo, que não ajuda o esforço que a indústria de máquinas está fazendo para retomar suas atividades – mas que não pode ser totalmente descartado. Cenário 2 – Como a Operação Lava Jato tem sido muito eficiente e rigorosa, será que nós temos uma total garantia de que, em nenhum momento, ninguém do governo vai ser indiciado? Cenário 3 – É a exacerbação dos efeitos da fragmentação partidária. Ou seja, uma certa incapacidade de coordenação do governo diante de sua base de apoio. É uma área sem muita clareza nos seus objetivos políticos programáticos, mas que cobra a sua participação e demanda distribuição de poderes para dar o seu apoio às medidas do governo. Esse não é, portanto, um cenário otimista. José Álvaro Moisés Foto: Divulgação Último cenário – que se pode chamar de “exercício da virtude”, requer, não apenas a habilidade do presidente Michel Temer, mas uma mudança de atitude que leve uma parte importante desses deputados que têm uma posição ambígua a se posicionar a favor das propostas que o governo quer fazer e que são fundamentais para criar as condições para retomar a economia, voltar ao crescimento, ter respostas positivas e criar empregos. Para que esses deputados e senadores se posicionem, será necessário que a opinião pública seja coordenada pelo governo de uma forma clara, justificando as mudanças que pretende fazer. 14 SIDERURGIA BRASIL Nº 120 SETEMBRO  OUTUBRO/2016

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