Revista Siderurgia Brasil

 

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A revista de negócios do aço - edição 122 - março/abril

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Expediente Editorial Edição 122 - ano 18 Março/Abril 2017 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Shutterstock e divulgação Voestalpine Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. Precisamos disto, disso e daquilo também... HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL OO Brasil precisa, efetivamente, de muita coi- sa para mudar. Mas isso só será possível se alguns passos, bem simples até, começarem a ser dados agora, sem procrastinação. Estamos tentando sair do momento mais conturbado da economia brasileira dos últimos 100 anos, ou talvez de toda a nossa história. Nunca se viu nada parecido com aquilo que estamos vivendo hoje, com tantas esperanças e boa vontade vicejando de um lado, enquanto uma enorme montanha de dificuldades nos açodando de outro. Na verdade, PRECISAMOS de tudo um pouco. É só parar para pensar e olhar ao nosso redor para nos darmos conta da quantidade de problemas que nos sufoca. Estes são alguns: • A recuperação da economia e do merca- do começou, mas caminha a passos muito lentos. Então, PRECISAMOS acelerar este ritmo e criar novos negócios. • Temos que elevar nossa competitividade, incorporar novas tecnologias, aprimorar nossos controles, sob o risco de não conseguiremos mais competir no mundo. Assim, PRECISAMOS investir em novos modelos industriais e de gestão mais eficiente. • Donald Trump, assinou um memorando que promove uma investigação comercial sobre o aço que entra naquele país, que é o nosso segundo destino das exportações. Por isso, PRECISAMOS rediscutir a questão do protecionismo norte-americano. E a proteção de nosso mercado como vai? • Há um excedente de aço mundial que orbita as 770 milhões de toneladas. E esse número não para de crescer. Cristalino é, portanto, que PRECISAMOS descobrir como não sermos afetados por tal overdose de problemas. • O mercado interno brasileiro caiu pela metade. E essa questão está atrelada ao nosso primeiro tópico. Não há saída: PRECISAMOS ampliar nosso mercado interno e promover um consumo mais intensivo de aço, aqui mesmo, no nosso“quintal”. • No Brasil, as reformas – todas elas – seguem se arrastando, empurradas ora para o lado do Executivo, ora para o do Legislativo, e ora, ainda, para o do Judiciário. Ninguém chega a um termo comum, e, ao que parece, nem querem chegar. Ninguém quer abrir mão daquilo que julga seu“direito adquirido”. Só que, do jeito que está não dá mais para ficar: PRECISAMOS concluir as reformas e destravar o desenvolvimento do país e urgentemente encontrar um meio termo, que possibilite a derrubada dos atuais e absurdos índices de desemprego. E por onde começar? Quando dissemos em nosso Anuário da Siderurgia que conseguíamos ver luz no fim do túnel e sentir que ela existe foi uma percepção real. Já sabemos que a classe média – aquela que tem o poder de consumir e contribuir para mudar as coisas – está minguando e desaparecendo a cada dia. É preciso estancar este processo agora. E o que nós PRECISAMOS para mudar é uma simples combinação de três coisas básicas: bom senso, boa vontade e um pouquinho só de AMOR pelo Brasil. Com isso, certamente o Brasil vencerá a órbita aprisionante do impasse e passará a fluir entre galáxias e constelações de novas e instigantes possibilidades. Não vai ser fácil, e ninguém aqui está dizendo que será. Mas, somos duros na queda: PRECISAMOS e, efetivamente, VAMOS continuar lutando a boa luta, a fim de garantir nosso bilhete de entrada nesse universo, custe o que custar. Boa leitura! MARÇO/ABRIL 2017 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice 4 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017 Depositphotos.com

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3 EDITORIAL Precisamos disto, disso e daquilo também... 6 ARTIGO TÉCNICO Cuidados com o endireitamento das chapas metálicas 12 TECNOLOGIA Remontando o quebra-cabeças 18 INVESTIMENTO E RISCOS Passo de formiga 24 ECONOMIA E GESTÃO Produtividade e Competitividade na Siderurgia Brasileira 26 ENTIDADES O sucesso no comércio exterior exige uma reflexão importante 30 EVENTOS • Expomafe • Feimafe 32 VITRINE 34 ANUNCIANTES MARÇO/ABRIL 2017 SIDERURGIA BRASIL 5

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Artigo Técnico Cuidados com o endireitamento das chapas metálicas Neste artigo são apresentadas as principais diferenças técnicas entre os equipamentos destinados ao endireitamento de chapas metálicas, antes de seu uso para processamento industrial. Eng. Claudio Flor* OO mercado de corte e conformação de metais está cada vez mais exigente em relação à matéria prima recebida que será processada visando a obtenção de produtos acabados ou semi acabados de ótima qualidade.Tais matérias primas irão alimentar processos de solda convencional ou a Laser, plasma ou estamparias em prensas mais rápidas e com menor espaço para desperdícios, contando com tolerâncias cada vez mais apertadas. Por isso necessitam chegar a um produto final de melhor qualidade, com um menor custo, alta produtividade e, por conseguinte com competitividade no disputado mercado atual. Este trabalho apresenta informações básicas de como funciona o processo de endireitar metais planos através de um equipamento usando rolos cilíndricos e as diferenças básicas entre uma endireitadeira, aplainadora e desempenadeira. Para definir um tipo de equipamento a ser usado devemos primeiro ter noções básicas dos defeitos normais que os materiais apresentam quando partimos da forma de bobina. Estamos relacionando abaixo uma lista dos defeitos mais comumente encontrados e sua provável origem: Divulgação Divimec 6 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017

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Defeitos mais comuns apresentados nas chapas Tira Abaulada“Crowned Strip” O centro da tira tem espessura maior do que as laterais. O oposto pode também ocorrer, ou ainda quando houver o corte longitudinal e posterior no processo de endireitamento, aí teremos diferença de espessura nas bordas. Forma Espiralada“Coil Set” Este é o defeito normal de uma bobina resultante do processo de curvamento durante o enrolamento no processo final de produção de bobina. Arqueamento Transversal “Crossbow” Este é outro defeito de uma bobina que também é resultante do curvamento durante o enrolamento no processo final de produção. Pequenas Quebras Superficiais “Minor Coil Breaks” Defeito mais encontrado em bobinas laminadas a quente e oriundo das diferentes tensões ou temperaturas quando passa pelo enrolamento no processo de produção da bobina. Tira Torcida “twisted strip” Este é um defeito mais raro de ser encontrado geralmente advêm da laminação. Enflexamento “Camber or Sweep”. Defeito advindo do processo de laminação conjugado com o enrolamento. Marcas superficiais “Chatter” Outro defeito do processo de laminação. Equipamentos utilizados para correção dos defeitos Utilizamos a Aplainadora “Flattener”, Desempenadeira “Straightener”ou Endireitadeira“Leveler”. Tais equipamentos se confundem, mas têm diferentes finalidades de aliviar ou retirar as tensões de memória do material provocadas durante o enrolamento na laminação. Isto acontece nas bobinas durante o processo porque a superfície interna é submetida a uma tensão de compressão, enquanto a externa a uma pequena tensão de tração. Aplainadora “Flattener” - Características Técnicas • Rolos de Trabalho mancalizados na extremidade por ro- lamentos • Número de Rolos pequenos (3 a 7) • Relativamente de grandes diâmetros para suportar a flexão • Capacidade de 10 a 20% do escoamento plástico do material. - Características operacionais • Possui somente a capacidade de remover a memória do material“Coil-Set”e • talvez reduzir o abaulamento transversal“Cross-Bow”. Usada tipicamente para materiais de espessura grossa ou finos quando sofreram uma estampagem muito grande. Quando usado para materiais duros, induzem ondulações laterais. Bolhas Centrais “Loose Center Buckles” ou Bolhas Esparsas “Quarter Buckles” Defeito oriundo do proces- so de laminação geralmente ocorrido por falha durante o processo final de produção. “Blank” Bobina Bobina “Blank” Bordas Onduladas “Loose or Wavy Edges” Também é um defeito oriundo do processo de laminação. Desempenadeira “Straightener” - Características Técnicas • Os rolos de trabalho são pequenos e suportados por vários rolos mancalizados ao longo de sua superfície transversal. • O espaçamento entre rolos são diminutos. • O número de rolos é relativamente maior (9 . . . 21). • Capacidade de 50 a 70% do escoamento plástico do material. • Normalmente designados para larguras estreitas (menor do que 900mm), entretanto também usa-se em maiores larguras. • Este equipamento “Straightener” possui maior precisão do que a Aplainadora“Flattener”. MARÇO/ABRIL 2017 SIDERURGIA BRASIL 7

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Artigo Técnico - Características operacionais • Remove a memória do material “Coil-Set”, o abau- lamento transversal “Cross-Bow” e talvez um pouco das ondulações laterais “edge wave” e a flambagem central“center buckle”. • Os rolos permanecem paralelos durante o trabalho de materiais próximo do limite do equipamento. • Designado para uso em materiais finos, entretanto tem-se aplicado nos mais grossos também. • Este equipamento requer um operador experiente no assunto -“expertise” Endireitadeira “Leveler” - Características Técnicas • Os rolos de trabalho são pequenos e suportados por vários rolos mancalizados ao longo de sua superfície transversal. • Os rolos de apoio“Backup-Rolls”superiores são ajustáveis verticalmente e individualmente para provocar o abaulamento ou curvamento dos rolos de trabalho “Work-Rolls”. • Normalmente os superiores são ajustáveis manualmente e os inferiores através de um sistema eletromecânico ou eletrohidráulico com monitoramento digital de precisão. • O número de rolos é compatível com a espessura de trabalho (9 . . . 21+) com espaçamento definido em função das características do material processado. • Capacidade de 50 a 80% do escoamento plástico do material processado. • Normalmente designados para larguras maiores de materiais. . • São equipamentos com características construtivas de alta precisão. - Características operacionais • Remove a memória do material“Coil-Set”, o abaula- mento transversal “Cross-Bow” , ondulações laterais “edge wave”, flambagem central “center buckle” e combinações. • São equipamentos construídos com diâmetro de rolos de trabalho específicos para um “range” determinado de espessura de diferentes materiais. Removendo e orientando as tensões internas Resultado do processo de endireitamento: Garantia de Planicidade Remoção Total ou parcial (60 a 80%) dos defeitos advindos da laminação, como: abaulamento, espiralamento, arqueamento, torção, bolhas, ondulamento, enflexamento e redução das tensões residuais. Informações Complementares - Características Técnicas • Os rolos de trabalho são pequenos e suportados por vários rolos mancalizados ao longo de sua superfície transversal. • Normalmente rolos intermediários são montados. • Uma grande amplitude de distância entre rolos, com poucos rolos de trabalho (tipicamente cinco). • Uma secção de tensionamento constituída de rolos “Briddle-Rolls” antes e depois da Endireitadeira imprime uma tensão elevada no material próximo ao limite de escoamento. • São ajustáveis manualmente e os inferiores através de um sistema eletromecânico ou eletrohidráulico com monitoramento digital de precisão. • Este equipamento é de custo elevado de investimento é somente usado para materiais que podem agregar este benefício de qualidade plena e por grandes empresas. Forma Construtiva e Possibilidades de Ajustes 8 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017 - Características operacionais • Remove todos os defeitos do material: a memória do material “Coil-Set”, o abaulamento transversal “Cross-Bow”, ondulações laterais “edge wave”, flambagem central“center buckle”e suas combinações, tensões internas“internal stress”e pode remover o enflechamento “Camber”também. • São aplicados somente para materiais de fina espessura.

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www.divimec.com.br - Linhas de Corte Longitudinal, Transversal e Embalagem - Equipamentos para processamento contínuo de metais DIVIMEC TECNOLOGIA IND. LTDA. Av. Avelino M. Neto, 2201 CEP 94380-000 - Glorinha - RS Tel.: 051 3487-1717 Fax: 051 3487-1773 divimec@divimec.com.br

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Artigo Técnico • Normalmente não requer um operador de muito “ex- definidos em função do diâmetro e distância entre rolos. Isto pertise”. pode ser estudado pela análise estatística de elementos finitos. Medição de Planicidade Para melhor entender um defeito de planicidade necessitamos primeiro entender como medir, e para isto foi estabelecido um Índice de Planicidade /“Flatness Index”. “I Unit”= 247.000 (h / l)² h = altura da onda L = comprimento do ciclo Garantia de eliminação de tensões residuais Objetivos de nivelamento A operação de endireitamento de chapas metálicas tem dois objetivos: a. Formar a superfície plana e livre de ondulações ou marcas • Controle visível e fácil onda senoidal / b. Neutralizar as tensões internas “ou residuais” que aparecem depois das próximas operações como corte (oxicorte, plasma ou laser) ou estampagem. • O controle não é visível e difícil de mensurar (o defeito aparece somente nas operações subsequentes ou mediantes ensaios muito complexos que necessitam de amostras e equipamento de laboratório. Para definir uma qualidade superficial aliada a um parâmetro de poucas chances dos defeitos aparecerem nestas operações subsequentes definiu-se um Índice de Planicidade “I Units”(Norma ASTM ou EN). Obviamente o“Residual de Tensões”nas chapas endireitadas depende da qualidade e propriedades dos materiais processados (módulo de elasticidade, coeficiente de Poisson) e efetivamente diferentes em cada uma das espessuras e do alívio de tensões Exemplo: Uma chapa de 3mm de espessura com tolerância de 12“I Unit”, significa em um comprimento de onda (L) de 457,2mm (18”) não pode ultrapassar uma altura de onda (empeno) de no máximo 3,175mm (1/8”). Observo que embora os “blanks” estejam dentro de uma tolerância usual de Índice de Planicidade“I Unit”as deformidades internas podem estar presentes e somente aparecerão após o corte, puncionamento, tratamentos térmicos ou superfícies ou ainda outros processos de beneficiamento. Para uma orientação, estamos informando uma tabela abaixo do“Índice de Planicidade”usuais e aceitos em diferentes mercados. h = Altura da Onda Wave Height mm (pol) L = comprimento da onda / wave length - mm (pol) 203,2 228,6 254,0 279,4 304,8 330,2 355,6 381 406,4 431,8 457,2 482,6 508 533,4 558,8 584,2 609,6 (8”) (9”) (10”) (11”) (12”) (13”) (14”) (15”) (16”) (17”) (18”) (19”) (20”) (21”) (22”) (23”) (24”) 0,79375 (1/32”) 1,5875 (1/16”) 3,175 (1/8”) 4,7625 (3,16) 6,35 (1/4”) 4 3 2 2 2 1 111 1 1 110 0 0 0 15 12 10 8 7 6 5 4 4 3 3 3 2 2 2 2 2 60 48 39 32 27 23 20 17 15 13 12 11 10 9 8 7 7 136 107 87 72 60 51 44 39 34 30 27 24 22 20 18 16 15 241 190 154 127 107 91 9 69 60 53 48 43 39 35 32 29 27 Tabela 1 - Índice de Planicidade “I Units” conforme as Normas: ASTM A-578 ou EN 485-3 e 4: 2000 10 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017

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Espessura Thikness 0,3 . . . 2,0 0,8 . . . 4,0 2 . . . 8,0 4 . . . 13,0 6 . . . 16,0 8 . . . 20,0 12 . . . 25,4 Índice de Planicidade I Unit 5 . . . 10 8 . . . 15 15 . . . 25 30 . . . 50 40 . . . 80 60 . . . 120 100 . . . 160 Ø Rolo da Endireitadeira *Ø Leveler Roll 36 . . . 45mm 52 . . . 65mm 70 . . .80mm 110 . . . 130mm 145. . . 160mm 160 . . . 180mm 180 . . . 220mm Tabela 2 / Index 2 * Os Diâmetros dos rolos indicados são os usuais dos fabricantes referenciados com o qual as chances de atingir os “Índice de Planicidade” indicados e com menor chance de defeitos internos já mencionados. Resume-se aqui o grande problema, ou seja, como o usuário pode medir e controlar o“Índice de Planicidade”. O método convencional é muito moroso e os medidores óticos com câmera interligados a um computador são os mais usuais, embora também os sistemas com “laser” estão se viabilizando. Embora os custos subirão um pouco, a fixação do “coil shape problem”com exames dos defeitos aumentaram a qua- lidade e os usuários irão aprender que no seu processo eles necessitam de uma planicidade melhor através do controle das especificações de aquisição dos produtos finais “Blanks” ou dos equipamentos“Linhas de Corte Transversais”. *Claudio Flor é engenheiro e diretor presidente da Divimec, empresa especializada na construção de máquinas utilizadas no processamento de metais. Este artigo faz parte do compendio “Manuais de procedimento da Divimec. www.viapapel.com.br Um verdadeiro Centro de Serviços do Aço entre as principais usinas siderúrgicas do país www.centrasa.com.br I centrasa@centrasa.com.br

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Tecnologia Remontando o quebra-cabeças Embora ainda esparsos, sinais de recuperação no horizonte da indústria brasileira se manifestam sistematicamente. Mas, além de boas perspectivas, eles também trazem ventos de mudanças, às quais precisaremos nos adaptar muito rapidamente. Marcus Frediani 12 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017 Depositphotos.com

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EEnquanto os principais países desen- volvidos estão se movendo no sentido de revigorar e aumentar competitividade das suas indústrias via a adoção de novas tecnologias e também na maior agregação de valor, a combalida indústria brasileira dá alguns passos para sair do atoleiro. O crescimento de 2,3% na produção industrial em dezembro, na comparação com o mês anterior, dá novo alento as expectativas em relação à economia em 2017. Foi o segundo crescimento consecutivo na comparação mês a mês. O bom desempenho foi puxado principalmente pelos bens de consumo duráveis, com forte influência do setor automotivo. Observada pelas categorias de uso, a boa notícia foi além dos bens de consumo duráveis, alcançando os bens intermediários e os bens de consumo não duráveis. Mais do que isso, 16 dos 24 ramos industriais pesquisados mostraram aumento da produção em dezembro. O momento atual da indústria soma-se ao bom resultado da balança comercial em 2016, que acumulou um superávit superior a US$ 47 bilhões. Os dados são da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), cuja história está intimamente ligada a movimentos de reação da economia. Ela surgiu no momento de retomada das políticas públicas de incentivo à indústria, em 2004, e se legitimou com órgão articulador dos diversos atores envolvidos na execução da política industrial brasileira. Em mais de uma década de atuação, sob a supervisão do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a ABDI oferece à indústria um centro de inteligência para a construção de agendas de ações setoriais e para os avanços no ambiente institucional, regulatório e de inovação no Brasil, por meio da produção de estudos conjunturais, estratégicos e tecnológicos. Nesta entrevista, Luiz Augusto de Souza Ferreira, mais conhecido como Guto Ferreira, jornalista, presidente da ABDI e presidente licenciado da Confia Microcrédito, uma das principais organizações de microfinanças do país, fala com exclusividade à revista Siderurgia Brasil sobre o que a agência considera um bom momento da indústria, que, somado ao desempenho da balança comercial se traduzem em argumentos que permitem retirar pressão das expectativas para o ano de 2017, marcadamente porque dão ao governo federal maior liberdade para fomentar nova trajetória de recuperação da economia brasileira, um caminho que, contudo, não será nem simples e nem fácil. Siderurgia Brasil: O aquecimento da produção industrial brasileira registrado em dezembro passado foi um fato isolado ou, efetivamente, já delineia uma tendência de crescimento para os próximos meses? Guto Ferreira: Temos sinais tímidos, embora claros (e, por isso, não podem ser ignorados) de uma melhora no cenário da indústria em 2017, que vão ser mais perceptíveis em 2018. Um dos termômetros que a gente tem disso é o setor de embalagens: sempre que esse setor está aquecido – que é o que está acontecendo agora –, isso significa que a indústria está crescendo mais. Outro setor importante, que tem mantido o país em atividade, é o setor de commodities, que tem mantido o país em atividade, crescendo também, principalmente em função da demanda mundial por alimentos, e, ainda, o setor automotivo, que começa a dar alguns sinais de retomada, ainda mais agora, com o novo Inovar-Auto. Outro setor em que notamos boa movimentação é o de máquinas, no qual o empresário ou está fazendo novos investimentos para melhorar sua produção, ou já está, efetivamente, produzindo mais para atender à demanda dos outros setores industriais, que precisam de mais máquinas. Na sua opinião, as reformas e ajustes em diversas áreas que o governo vem ensaiando nos últimos tempos têm se revelado perspectivas positivas para a indústria brasileira, no que tange à recuperação de sua competitividade? Houve uma mudança, em relação ao governo anterior, na forma de incentivar a indústria. O governo anterior tinha uma política de incentivos fiscais, de desoneração de folha, só que isso o deixava, obviamente, com o “cobertor curto”, porque quem cobria esse avanço da indústria era o próprio governo, que acabava se descapitalizando. Hoje, vemos uma troca de política em relação a ela. Você tem, por exemplo, uma reforma trabalhista que está dando sinais à indústria, que vai influenciar em sua obtenção de receita. Então, as reformas têm sido um ponto importante da retomada. E isso não é só uma historinha, não: você passa a acreditar que o governo, fazendo as reformas que anunciou, está substituindo a política anterior por outra mais eficiente. O fato de estarmos vivendo uma espécie de “governo tampão” favorece o advento das reformas? Sem dúvida. Isso porque não só a indústria, mas o setor produtivo enxerga que a manifestação do Temer no sentido de não disputar novas eleições, o deixa com condição, hoje, de assumir o ônus de fazer essas reformas que os outros governos provavelmente não fariam. Isso acaba sendo fundamental, é, indubitavelmente, um ato de coragem, uma vez que essas reformas, como quaisquer outras, trazem sempre um desgaste a reboque. Só que o governo atual está deixando um bom legado para os próximos governos. Contudo, há um movimento no sentido de interromper essa dinâmica, com a impugnação da chapa Dilma-Temer. Como você analisa essa iniciativa e essa possibilidade? Creio que do ponto de vista puramente econômico criaria uma insegurança absurda num momento de dificuldade do país. Partiríamos para uma eleição indireta, que seria uma incógnita atroz, e a indústria seria diretamente afetada. Dessa forma, na minha opinião, o correto seria, pensando na retomada do Brasil, o governo atual permanecer até 2018, por uma questão de previsibilidade e de estabilidade. Hoje, tendo críticas ou não, você sabe a linha que o governo está seguindo, você tem previsibilidade das políticas públicas. Por isso, MARÇO/ABRIL 2017 SIDERURGIA BRASIL 13

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Tecnologia acredito que o Temer seguirá até o fim do mandato. Nesse caldeirão, como fica a questão do desemprego? Haverá melhoria, com geração de novos postos de trabalho, ou o viés de queda ainda maior? Bem, quanto à questão do desemprego no Brasil, primeiro é preciso lembrar que a última estatística divulgada, que fala de 13,5 milhões de desempregados, não leva em consideração o contingente de pessoas que está empreendendo, ainda que por necessidade, para garantir o seu ganha-pão. Isso é importante, porque esse número só leva em consideração a queda no número das carteiras assinadas, a entrada dos pedidos de Seguro Desemprego etc. Assim, nas nossas análises, acreditamos que o número de desempregados atual gire, realmente, por volta de 8 ou 9 milhões, que, sim, é muita gente, mas bem menos do que vem sendo divulgado na Imprensa. Mesmo assim, é muita gente. Quais fatores podem impactar diretamente na retomada da empregabilidade? O primeiro é a retomada da própria indústria, com a recontratação de pessoas, que essa nova legislação do trabalho provavelmente vai facilitar. O segundo ponto é avaliar como essa nova indústria vai se comportar. O conceito de Indústria 4.0 propõe a substituição das pessoas no meio de trabalho por máquinas. Então, teremos trabalhadores ou mais bem qualificados, ou esses trabalhadores produzirão mais. Portanto, temos aí uma discussão grande entre trabalho tradicional e o da Indústria 4.0. De qualquer forma, parte desses trabalhadores não será absorvida na indústria, o que é uma preocupação que hoje eu vejo no governo e no Ministério do Trabalho, no sentido de entender o quanto isso afetará a indústria. Ou seja, a relação do emprego deve passar por uma mudança: é preciso repensar o trabalho face a uma realidade diferente. Sim. E essa mudança vai começar pela redefinição do que é ou vai ser, efetivamente, o trabalho. Atualmente, temos uma discussão muito grande sobre isso, a forma como entendemos o trabalho, que deverá ser muito alterada. Mas, por enquanto, isso é uma incógnita. Na verdade, a gente já sente isso em função da evolução da dinâmica internacional relacionada à Indústria 4.0 – ou indústria da era do Big Data – e, ainda, a prorrogação das incertezas sobre as parcerias externas. Particularmente nesse âmbito, além da China, há uma preocupação em especial com os Estados Unidos na era Trump, cujo governo mantém um discurso fortemente protecionista. De que forma isso pode afetar o Brasil? Basicamente, a discussão sobre o Trump só afeta os Estados Unidos, porque o mundo não vai deixar de ser globalizado por causa da política americana. Temos o entendimento de que esse tipo de política é mais um discurso para dentro de casa, do que, efetivamente, de mudança econômica. Para a gente interfere pouco, e até o contrário, facilita porque permite que o Brasil possa se inserir nas cadeias de valor globais, o que atualmente ele não faz. Então, quando você tem empresas nos Estados Unidos abrindo espaço, o Brasil pode ocupar esse fluxo comercial para atendimento dos mercados internacionais. Em outras palavras, isso pode ser bom para a gente? Claro. A indústria internacional está com a água até o pescoço. Essa política norte-americana pode fazer, por exemplo, com que o Brasil consiga atrair centros de pesquisa e desenvolvimento, o que seria algo notável e muito importante. Isso porque o mundo todo não está querendo atrair puramente indústria, ou seja, montagem de fábricas, simplesmente. Ele está querendo atrair indústria de agregação de valor, o que é feito com pesquisa e desenvolvimento. Então, o Brasil pode ocupar esse espaço com a política do Trump. E o grande problema que se coloca para a gente 14 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2017 aproveitar essa janela de oportunidade é a nossa qualificação de mão de obra. Temos que fazer isso. Então, nós vamos perder os empregos tradicionais, que já estamos perdendo, e vamos ocupar as oportunidades de emprego abertas pela Indústria 4.0. Para isso, entretanto, está mais do que claro que teremos que investir em capacitação para ganhar produtividade e competitividade, porque a propalada “resiliência” da indústria brasileira não será suficiente para aguentar o tranco, não é? Olha, a gente vem discutindo internamente com o governo muita coisa relacionada aos novos processos de capacitação. É óbvio que isso acaba sendo muito menos do que uma política pública e muito mais uma necessidade da própria indústria. Então, cabe ao governo alertar a indústria, o comércio e os serviços sobre o que está acontecendo no mundo. Isso porque o governo tem uma facilidade de obter dados muito rapidamente sobre essa movimentação em outros países. Agora, cabe à indústria a responsabilidade de se atualizar. Se ela efetivamente não entender isso, será, num momento ou outro, substituída. E isso, por vários motivos. Primeiro, porque esse é o caminho natural da solução da inovação: quando não se é competitivo, se é substituído. Segundo, porque o governo não pode ser responsável, exclusivamente, pela inovação da indústria. No mundo inteiro, você tem a fórmula de Pareto, que diz que 80% da inovação da indústria são feitos pela iniciativa privada e 20% pelo governo. No Brasil, é diferente: 80% é feito pelo governo, e 20% pela indústria. Está errado! Agora, a partir do momento em que a indústria começa a fazer mais investimentos em inovação, aí ela tem uma carta na manga muito boa para virar para o governo e dizer assim: “olha, agora eu preciso de você, faça uma reforma tributária decente, porque eu estou fazendo a minha parte.” E será que isso ajudará também a derrubar a balela postulada pelos re-

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Sistemas Avançados de Corte Longitudinal Você está pronto para processar a NNoovvaa GGeerraaççããoo ddee AAççooss ddee AAllttaa RReessiissttêênncciiaa?? CORTE LONGITUDINAL Você está lutando para fazer o set up, carregar, alimentar e manter as tolerâncias que seus clientes exigem, com seu equipamento atual? Os aços de alta resistência podem intensificar esses desafios. A tecnologia da Red Bud, aumenta a segurança, qualidade e produtividade ao cortar esses tipos de aços. . Tecnologia de Precisão em Mandris de Grande Porte confere maior rigidez . Alimentação (desbobinador ao enrolador) sem interferência do operador . Sistema CNC comanda troca dos cabeçotes automaticamente em 2 minutos . Sistema “Camber Trac” evita o camber induzido no corte longitudinal . Atende as Normas de Segurança NR12 . Bobinas até 16,0mm de espessura, 2.400mm de largura, peso até 40 Tons SOLUÇÕES COMPLETAS PARA PROCESSAMENTO DE BOBINAS Contate nosso representante comercial independente no Brasil VPE Consultoria 11 -999860586 mader@vpeconsultoria.com.br redbudindustries.com +1+618 2823801 5 anos de garantia

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