Revista Secovi Rio 107

 

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REVISTA JULHO/AGOSTO 2017 - venda proibida nº107 CURTINHAS pág. 5 » 7 ENTREVISTA pág. 8 » 18 JURÍDICO pág. 22 » 26 CAPA pág. 27 » 36 www.secovirio.com.br Fugindo dos tradicionais prédios corporativos, novos negócios ocupam edifícios históricos

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Garanta o funcionamento seguro das suas instalações de gás 365 dias do ano Contrate o Plano Assistência Gás1. Esse é o plano que a Gas Natural Serviços oferece para você garantir a segurança da família e dos seus vizinhos. Com ele, você conta com: Garantia do funcionamento das instalações e aparelhos a gás de acordo com as normas da ABNT e a Lei Estadual no 6.890/20142 Teste para identi cação de possíveis escapamentos Atendimentos realizados por técnicos especialistas em gás Economia de mais de 50% em comparação com a realização dos mesmos serviços de forma isolada. Não espere precisar: assine agora e que sempre tranquilo. Opções do Plano Assistência Gás Complet1: Com carência de 30 dias para solicitar o primeiro serviço: 20,22mensais de R$ Sem carência de 30 dias para solicitar o primeiro serviço: 23,28mensais de R$ Proteção 365 dias por ano. Ligue 4002 3983e contrate gasnaturalfenosa.com.br/pag gasnaturalservicos@gasnatural.com Gas Natural Serviços. Uma empresa do grupo Gas Natural Fenosa. 1. Oferta válida para as unidades conectadas à rede de gás natural canalizado da Distribuidora local. A oferta de serviços/equipamentos pela GNS não possui qualquer relação com as atividades da Concessionária de distribuição de gás local, não sendo esta responsável por qualquer problema referente a equipamentos ou quanto à instalação/obras realizadas. Consulte os modelos de equipamentos que são cobertos pelo Plano. 2. No ano em que a distribuidora de gás local noti cá-lo quanto à necessidade de realização da Inspeção Periódica de Gás (IPG), prevista em Lei (nº 6.890/2014), a Gas Natural Serviços priorizará a IPG em sua residência e não realizará a Revisão Preventiva Anual (RPA) naquele ano de Contrato.

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SUMÁRIO DIRETORIA/EXPEDIENTE PALAVRA DO PRESIDENTE CURTINHAS JULHO•AGOSTO 2017 / nº 107 ENTREVISTA 2 CONDOMÍNIOS VERDES 4 JURÍDICO 5 8 CONSULTAS JURÍDICAS CAPA 19 22 NOSSOS LUGARES 24 27 38 OUTROS OLHARES INDICADORES HABITACIONAIS MATÉRIA ESPECIAL 50 54 58 ANTIGO SIM, OBSOLETO JAMAIS Um imóvel pode ser um amontoado de argamassa, ferro e tijolos, estruturado à luz de um projeto arquitetônico. Mas um imóvel também pode ser um lar, desde que haja uma história que dê sentido a ele. Uma reflexão similar foi feita há mais de 50 anos em uma canção escrita pelos americanos Burt Bacharach e Hal David. "Uma cadeira é uma cadeira, mesmo quando não há ninguém sentado nela. Mas uma cadeira não é uma casa, e uma casa não é um lar quando não há ninguém para abraçá-lo forte", anuncia a intérprete Dionne Warwick nos versos de "A House Is Not a Home". A mensagem é clara, mas, para além do amor romântico, também é possível pensar a cidade a partir desse conceito poético. No fim das contas, o que faz uma casa, um condomínio, um bairro, uma cidade? Um prédio pode ser um retrato congelado de outra época ou um ambiente de reconexão com nosso processo de desenvolvimento. Nesse sentido, que tal aprender com a história, fugindo de anacronismos, e, quem sabe, perceber o que podemos resgatar dela? Essa é uma das reflexões e provocações que lançamos ao leitor na edição que você tem em mãos. Em nossa matéria principal, você vai conhecer histórias de jovens empreendedores que se propõem a desenvolver seus negócios, muitas vezes altamente conectados à modernidade, em prédios históricos. Ao transformar por dentro, dando um novo significado a casarões que poderiam simplesmente se deteriorar ou, quando muito, se tornar espaços para visitação guiada, essas iniciativas revelam o quanto aquilo que vivemos em outros tempos ainda pode fazer a diferença hoje. Afinal, um lugar cheio de História também pode ser um lugar cheio de (novas) histórias. EQUIPE SECOVI RIO

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DIRETORIA/EXPEDIENTE DIRETORIA SECOVI RIO Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade CONSELHO FISCAL Efetivos Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa Suplentes Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Efetivos Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia Suplentes João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense Av. Governador Roberto Silveira, 470, sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ (Edifício Top Commerce) CEP: 26210-210 Telefone: (21) 2667-3397 E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Regional Lagos Avenida Júlia Kubitschek, 16, loja 19, Bloco B, Parque Rivera, Cabo Frio - RJ (Edifício Premier Center) CEP: 28905-000 Telefone: (22) 2647-6807 E-mail: lagos@secovirio.com.br Regional Litorânea Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334, sala 1.009, Centro, Niterói - RJ CEP: 24009-900 Telefone: (21) 2637-1633 E-mail: litoranea@secovirio.com.br Regional Noroeste Fluminense Praça São Salvador, 21, sala 904, Centro, Campos dos Goytacazes - RJ CEP: 28010-000 Telefone: (22) 2738-1046 E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Regional Norte Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (21) 2772-3714 E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Regional Serra Imperial Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, sala 406, Centro, Petrópolis - RJ CEP: 25680-195 Telefone: (24) 2237-5413 E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Representante: José Roberto Bittencourt Sauer Regional Serra Norte Rua Doutor Ernesto Brasílio, 45, sala 205, Centro, Nova Friburgo - RJ CEP: 28610-120 Telefone: (22) 2523-7513 E-mail: serranorte@secovirio.com.br Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Regional Serra Verde Av. Feliciano Sodré, 460, loja 3, Várzea, Teresópolis - RJ CEP: 25963-082 Telefone: (21) 2742-2102 E-mail: serraverde@secovirio.com.br Representante: Henrique Luiz Rodrigues Regional Sul Fluminense Rua Dezesseis, 109, sala 1.101/A3-cobertura, Vila Sta. Cecília, Volta Redonda - RJ (Edifício Vila Shopping) CEP: 27260-110 Telefone: (24) 3339-2272 E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br Representante: Vanisi de Oliveira Ferreira SEDE Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001 E-mail: secovi@secovirio.com.br A Revista Secovi Rio é uma publicação institucional, bimestral, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o Estado do Rio de Janeiro. EXPEDIENTE Conselho Editorial: Pedro Wähmann e João Augusto Pessôa Gerente de Marketing e Comunicação: Marcos Mantovan REDAÇÃO imprensa@secovirio.com.br Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ) e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO) Redação: Amanda Gama, Carla Neiva, Gustavo Monteiro e Igor Augusto Pereira Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos Revisão: Sandra Paiva Colaboraram nesta edição: Daniel Santos de Abreu e Natália Fuly Foto de capa: Alexandre Macieira/RioTur PUBLICIDADE Elcias Teodoro (21) 2272-8009 - (21) 99789-6454 teodoro@secovirio.com.br parcerias@secovirio.com.br Thiago Bogado (21) 2272-8007 - (21) 97226-8936 revista@secovirio.com.br thiago@secovirio.com.br A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Os anúncios veiculados são de responsabilidade dos anunciantes. Tiragem: 22.000 exemplares. Distribuição gratuita. Auditada pela: BKR Lopes, Machado Auditors, Consultants & Business Advisers. Distribuição nacional: Treelog S.A. Logística e Distribuição. SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 2

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PALAVRA DO PRESIDENTE Julho é mês de férias para muitas famílias, principalmente as que têm crianças e jovens em idade escolar. Mas, para o Secovi Rio, não tem descanso. Um de nossos trabalhos permanentes é acompanhar de perto a atuação legislativa nos âmbitos municipal, estadual e federal, levando sugestões, propondo alterações em leis, se necessário, e intervindo quando considerar que uma determinada proposição relacionada à atividade imobiliária mereça apreciação. Recentemente, por exemplo, o Sindicato se mobilizou contra o Projeto de Lei Municipal nº 1.978/2016, que prevê que os condomínios que oferecem moradia para seus empregados ficarão impedidos de solicitar a desocupação do imóvel caso o funcionário tenha dependente menor de idade em período letivo. Nossa equipe de Coordenação de Relações Político-Institucionais entrou em ação e enviou um parecer considerando a proposição inconstitucional, já que assuntos ligados a Direito do Trabalho são de competência da União. É nosso dever apontar aos legisladores quando estão ultrapassando seu limite e competência de legislar. Este é apenas um exemplo, entre tantos outros, de projetos de lei que podem comprometer a tranquilidade e o equilíbrio financeiro dos condomínios fluminenses. Ao longo de todo o ano, atuamos também junto ao Executivo, participando de conselhos, debatendo e propondo ações para desenvolvimento do segmento imobiliário e da cidade como um todo. Isso sem falar nos entendimentos frequentes com entidades como a Light, a CEG, a Comlurb e o Sindistal (Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro), que têm como objetivo pensar em soluções que gerem economia e facilidades aos moradores de condomínio. Outro assunto que merece a atenção de todos é a pretensão do Executivo municipal de aumentar a arrecadação com o IPTU no Rio, o que deverá ser analisado e votado em breve na Câmara de Vereadores. Há rumores de que o prefeito poderia alterar substancialmente o imposto para os imóveis residenciais, em alguns casos até dobrar, o que comprometeria seriamente a capacidade contributiva da população, mais ainda num momento em que todos sofrem com a crise econômica. O papel do Secovi Rio, como de toda a sociedade civil organizada, é exigir dos poderes constituídos mais austeridade e racionalidade nos gastos públicos. Ninguém aguenta mais aumento de impostos sem contrapartida de serviços públicos eficientes. Convocamos a todos os leitores que fiquem atentos a esta questão. Nós, do Secovi Rio, estamos atentos e participaremos dos debates. Pedro Wähmann Presidente do SECOVI RIO Sua opinião é muito importante Quer mandar um comentário sobre esta edição ou sugerir uma pauta? Envie um e-mail para imprensa@secovirio.com.br SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 4

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CURTINHAS Bom vizinho Nem todo mundo se dá bem com o vizinho. Muita gente tem uma relação apenas protocolar com quem mora ao lado, limitando-se a cumprimentar quando passa pelo corredor ou naqueles segundos em que compartilha o elevador. Outros só dirigem a palavra para reclamar do barulho. Quer um bom pretexto para mudar esse cenário? Que tal se juntar para celebrar o Dia do Vizinho? A data foi criada pela poetisa goiana Cora Coralina. Segundo o cineasta Lázaro Ribeiro de Lima, a ideia surgiu quando um grupo de pessoas próximas tentou organizar uma festa de aniversário para a escritora. Ela não aceitou e disse que preferia aproveitar a data para realizar uma celebração aberta, com a participação de quem morava nos arredores. Assim, o dia 20 de agosto, aniversário de Cora, virou o Dia do Vizinho. Dá para aproveitar esse dia para enviar um mimo ou bilhete ao vizinho, dizendo que está ali para o que ele precisar. Outra opção é organizar um pequeno jantar, em que cada um contribua com um prato. Em alguns estados, o Dia do Vizinho é comemorado em 23 de dezembro. Na dúvida, você pode celebrar nos dois dias. A pessoa homenageada vai estar na porta ao lado. Rio smart Já ouviu falar em smart cities, as cidades inteligentes? São locais em que a tecnologia é utilizada no processo de gestão, conectando cidadãos e o poder público. O Rio de Janeiro será o primeiro município brasileiro a ganhar um laboratório focado especificamente nesse estudo, graças a uma parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e o Inmetro. A ideia é desenvolver soluções que ajudem a garantir a qualidade dos serviços urbanos, como luz e esgoto, a prevenir desastres, entre outros objetivos. Horta fácil Gostaria de cultivar uma pequena horta em casa, mas não sabe por onde começar? O ponto de partida pode estar nos alimentos que você já tem. Basta utilizar alguns conhecimentos básicos em hidroponia, a técnica de plantar na água. O alecrim, a hortelã e o manjericão, por exemplo, podem ser cultivados em um copo d’água. Basta colocar as ramas da hortaliça no recipiente e trocar o líquido a cada dois dias. Quando as raízes tiverem começado a crescer, é só transferir a muda para um vasinho com terra. Shutterstock SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 5

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Descarte adequado Jogar remédios vencidos no lixo comum não é a melhor maneira de se livrar deles. Se descartados no aterro sanitário, eles podem contaminar o solo e o lençol freático. A solução pode ser entregá-los a drogarias que os recebem e encaminham para o incineramento. Estima-se que 1kg de medicamentos fora da validade pode contaminar até 450 mil litros de água. Por isso, na hora de jogar fora aquela cartela de comprimidos, verifique se há algum posto de coleta perto de casa. Consulte uma lista de locais de descarte no endereço eletrônico roche.ecycle.com.br. Flor antidengue Todo mundo sabe a regra de ouro do combate ao Aedes aegypti: evitar a proliferação do mosquito, identificando focos de água parada que sirvam como criadouros. O que nem todo mundo sabe é que há, ainda, uma forma de complementar a guerra ao transmissor da dengue, zika e chikungunya. Um grupo de voluntários ligados à ONG Active Citizens decidiu plantar a flor crotalária (Crotalaria juncea) em canteiros do bairro Trindade, em São Gonçalo. A planta costuma atrair libélulas que são predadoras do mosquito em sua forma de larva, diminuindo a incidência do inseto. É importante dizer que o plantio não substitui os cuidados básicos na luta contra o Aedes aegypti. Intruso digital A conexão de internet da sua casa está muito lenta, você já realizou todos os procedimentos-padrão, entrou em contato com a operadora e o serviço continua ruim? A razão pode ser uma sobrecarga em sua rede doméstica, causada pelo uso indevido de algum desconhecido. O app Wifi Inspector, disponível para os sistemas Android, ajuda a detectar intrusos. Basta fazer o download e verificar que dispositivos estão conectados à sua rede. Caso desconheça algum aparelho, altere a senha do roteador e observe se a velocidade da conexão melhora. Shutterstock SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 6

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De volta à ativa Hotel, cassino e sede de emissora de TV. Um clássico do Rio de Janeiro voltará à vida. O Istituto Europeo di Design (IED) anunciou que, a partir de outubro, iniciará as obras de revitalização do prédio onde funcionava o Cassino da Urca. O lugar passará a abrigar o Centro Latino-Americano de Inovação em Design e deverá ser o primeiro prédio sustentável tombado do Brasil. Rodrigo_Soldon/Flickr Por dentro Um sensor bem simples de usar promete fazer um verdadeiro raio X em paredes, identificando tubulações, fios e outras estruturas internas. A expectativa é que a ferramenta ajude na hora de realizar pequenas obras e reformas domésticas, mostrando os pontos em que é seguro quebrar ou fazer um furo. Para funcionar, o Walabot DIY deve ser acoplado a um celular, que exibirá tudo na tela. O aparelho é importado e custa em média 299 dólares. Na confiança Já ouviu falar sobre aqueles negócios feitos “no fio do bigode”, isto é, baseados na confiança mútua? Para um grupo de estudantes da Unirio, isso não está no passado. Os alunos criaram na universidade o “murinho da honestidade”, uma espécie de lanchonete a céu aberto, em que cada um disponibiliza brownies, brigadeiros e outros quitutes, e... vai embora. Quem se interessar pode pegar o que quiser e deixar o pagamento em uma caixinha ao lado, sem supervisão alguma. Os estudantes dizem que a iniciativa está dando certo e ninguém nunca saiu no prejuízo. SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 7

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ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA Amanda Gama “Não é um show. Nunca foi só um show.” É assim que a produtora Roberta Medina explica o Rock in Rio, um projeto que cresceu, ganhou o mundo – com edições em Lisboa, Madri e Las Vegas – e cada vez mais se aproxima de tornar palpável o sonho do seu criador: um parque temático da música. A dias de retornar à sua cidade natal, o festival se prepara para fazer o carioca sonhar e cantar. Por isso mesmo, encontrar um tempinho na agenda da vice-presidente do Rock in Rio não é uma missão fácil. Mas, no meio da correria, ela abriu espaço para falar com a Revista Secovi Rio sobre sua trajetória, carreira, o evento e as expectativas para a sua 18ª edição (a 7ª no Rio), que está de casa nova: o Parque Olímpico. Aos 39 anos, ela trilha um caminho paralelo ao do pai, Roberto Medina (fundador do festival), já foi chamada de “prefeita da Cidade do Rock” e é uma das mentes por trás da megaestrutura. Não por acaso, chega a mais uma edição do Rock in Rio deixando mais que comprovado que tem talento e habilidade de sobra para superar o peso do sobrenome. SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 8 Divulgação/ Agência Zero

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Roberta Andre Luiz Moreira/Shutterstock ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA Fale um pouquinho sobre como foi a sua trajetória até chegar aonde você está hoje. Na verdade, começou dentro de casa. Tenho um pai muito inspirador, e a conversa dentro de casa não era exatamente sobre o que eu gostava de fazer, o que eu queria fazer... Era sempre sobre comunicação, realização de sonhos – a parte com a qual o Roberto se encanta muito. Tínhamos uma tradição de jantar juntos todos os dias, e cresci ouvindo muitas histórias. Mas, por mais que as pessoas possam se surpreender, não cresci com a realidade do Rock in Rio. Quando o primeiro aconteceu, eu tinha 6, quase 7 anos, e, no segundo, eu ia fazer 12. Então não tinha noção do que era esse mundo. Quando é que você começou a trabalhar de fato? Quando eu já estava com 17 anos, tinha vontade de trabalhar – meus pais começaram a trabalhar cedo, então minha referência sempre foi essa –, e a Artplan (agência de publicidade e eventos) estava fazendo uma promoção de Natal para o BarraShopping. Era um show de fim de ano da Disney, para o qual as pessoas podiam trocar as notas fiscais pelo ingresso. Por uma coincidência, passeando no shopping com meu pai, encontramos o gerente de marketing – na época, o Luís Roberto Marinho –, e eu comecei a participar da conversa. Então ele me convidou para estagiar na área de marketing. É óbvio que estava querendo agradar ao meu pai, então não levei aquilo a sério. Só que uma semana depois ele ligou e perguntou: “Vem ou não vem?” Não fazia ideia do que ia fazer, mas era fascinada pela Disney, então, para mim, qualquer coisa era boa. PUBLICIDADE Não cresci com a realidade do Rock in Rio. Quando o primeiro aconteceu, tinha 6, quase 7 anos. Não tinha noção desse mundo Roberta Av. Presidente Vargas, 583 / Sala 401 - Centro / RJ - CEP: 20.071-003 SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 9

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Roberta A.RICARDO/Shutterstock Roberta ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA O que você fazia lá? Curiosamente, me botaram para fazer a ligação entre a equipe de marketing e a equipe de produção do show, que era externa, e foi aí que passei a conhecer a parte de produção de evento. Comecei a acompanhar planejamento de acesso de público, de organização de palco, som e luz... Eu me apaixonei completamente e não quis mais fazer outra coisa. Dali para a frente, surgiram outros projetos. Participei do primeiro ano da Árvore de Natal da Lagoa. Depois fui convidada para fazer essa coordenação do evento de dentro da agência. Isso foi em 1996, e nunca mais parei. E o Rock in Rio, como surgiu na sua vida? Em 2000, meu irmão e meu pai estavam trabalhando na venda do patrocínio para o Rock in Rio voltar a acontecer, e eu não estava participando desse processo. Quando o patrocínio foi fechado, entrei para ajudar na produção. Aí o Roberto pediu que eu fizesse a coordenação de produção do Rock in Rio, e eu, obviamente, disse “não”. Não fazia a menor ideia do que aquilo significava. Ele insistiu. Na terceira insistência, eu disse “tá bom”. O Rock in Rio 2001 foi minha grande faculdade, mestrado, doutorado... Com o privilégio de trabalhar, certamente, com os melhores profissionais do Brasil. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 10

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Nikola Spasenoski/Shutterstock Roberta ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA Isso não gerava certa apreensão? Eu tinha papel de coordenação, de aprovação de orçamento. Mas, claramente, estava mais aprendendo do que coordenando de verdade. Eu não tinha experiência para fazer aquele evento de forma alguma. Tenho certeza absoluta de que contribuí bastante, mas cada um no seu quadrado... Não tenho a menor ilusão de que era peça central naquele momento. Ali aprendi muitas coisas importantes sobre cuidado com as pessoas, sobre a humildade para aprender e ouvir. Foi muito enriquecedor. Passado isso, abrimos a Dream Factory, e, dois anos depois, o Roberto fecha o Rock in Rio Portugal. Eu fui produzir, e em 2005 decidimos que o evento ficaria lá, acontecendo de dois em dois anos. Então, nesse ano eu decidi me mudar para Portugal, deixar a Dream Factory e ficar focada nisso. Teve Rock in Rio também na Espanha e nos Estados Unidos. Outros projetos apareceram pelo caminho, mas prioritariamente a atenção é voltada para o Rock in Rio. Aliás, hoje você vive em Portugal. Por que tomou essa decisão? Aí foi uma questão muito pessoal mesmo. Descobri que a nossa personalidade pode se identificar com o estilo de uma cidade. Eu me identifiquei com a personalidade de Lisboa, com a frequência de uma cidade menor do que a nossa. Lá tem uma coisa muito construtiva: as pessoas não estão lá para atrapalhar. Infelizmente, no Brasil, a gente está sempre tendo que resolver coisas que aparecem para atrapalhar e não necessariamente ajudar a construir o que você está fazendo. Mas essa característica de lá é muito estimulante porque aumenta a possibilidade e a vontade de fazer. E, para mim, algo importante é o sentimento de que é possível fazer as coisas mudarem para melhor. Eu me identifiquei muito com isso. Mas enfim, com muito trabalho para ser feito, o Rock in Rio sendo realizado lá, as coisas acabaram contribuindo para eu ficar mais por lá. (Ser filha do Roberto Medina) facilitou muito meu acesso ao mercado, mas também trouxe expectativa e um nível de exigência bastante elevado De que maneira ser filha de quem você é interferiu nesse processo? Interferiu 100%. Acho que, obviamente, ele foi um grande cartão de visitas, abriu as portas mais facilmente, facilitou muito meu acesso ao mercado. Ele trouxe uma credibilidade que fez com que as pessoas me dessem atenção. É diferente de chegar lá completamente desconhecida. Mas também trouxe expectativa e um nível de exigência bastante elevado. E o meu próprio nível de exigência também se elevou muito para corresponder a essa facilidade e dar conta do recado. SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 11 Roberta Roberta

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Roberta Matteo Chinellato/Shutterstock ENTREVISTA • RPEOPBEERGTUATIMERERDEINZA Como é trabalhar com o pai? O Roberto é muito exigente. É um homem que não aceita “não”, para quem nada é impossível. Então nosso nível de dedicação é máximo. Tem que ser capaz de realizar. (Ser filha dele) foi, sem dúvida alguma, uma abertura de portas, mas trouxe também o outro lado. Nada é só bonito ou leve. Tem um preço a pagar de exigência e responsabilidade. Mas isso me levou a começar a fazer projetos próprios muito cedo. Eu tinha 22 anos quando a Dream Factory abriu. Ali eu estava gerindo uma empresa. Isso tem um peso. De que forma isso afetou seu amadurecimento profissional? Ocorre um processo de muita dúvida sobre se você tem valor ou se as pessoas estão lhe dando atenção só porque é filha dele, e isso foi uma das alavancas que me fez ter esse nível de exigência elevado. A gente precisa se provar de uma forma diferente. As pessoas que não têm essa expectativa, essa chancela, essa sombra, vão se construindo, se provando sem dever nada a ninguém. Mas, quando você chega com esse cartão de visitas assim, da família, alguém que tem visibilidade, já chega devendo. PUBLICIDADE RT I M O B I L I Á R I A 21 2533 6589 www.rtimob.com.br rt@rtimob.com.br Roberta ADMINISTRAÇÃO DE CONDOMÍNIOS FACILITY COACH PARA SÍNDICOS CHECKLIST | SEU APP PREDIAL RT ONLINE PRESTAÇÃO DE CONTAS NAS NUVENS EXPERIMENTE! ISENÇÃO DA TAXA DE ADMINISTRAÇÃO POR 3 MESES SECOVI RIO / 2017 / nº 107 / 12

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ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA Roberta Notei que você se refere a ele como Roberto... Sempre que eu falo de trabalho, é Roberto. Tem que ser! É muita responsabilidade para a mesma pessoa. Tem que tratar em parte como pai, em parte como presidente. Roberta Qual foi a maior diferença entre realizar o evento aqui e em Lisboa? O que acaba fazendo a maior diferença é a cultura. Você chega a um país, apesar de ser um projeto de linguagem internacional, e tem que se adaptar ao gosto local. Quando chegamos a Portugal, a história do Rock in Rio era importante para dar credibilidade. Mas tivemos que dar uma cara nova para o público português. Ali você começa uma nova história, uma relação de cativar público, e no processo se aprende muito. Você está chegando na casa dos outros. Então a troca é fundamental. A parte mais enriquecedora de um projeto fora (do Brasil) é o crescimento. Você deixa de ser uma cultura só e se torna uma cultura mista, não fica só com as suas verdades nem com as deles. Criam-se novas verdades, novas formas de fazer. (Quando trabalha fora do país de origem) você deixa de ser uma cultura só e se torna uma cultura mista. Não fica só com as suas verdades nem com as deles E quanto ao comportamento do público? Na hora em que começa o show, há uma coisa na qual o Brasil, de fato, é imbatível O público português é muito ordeiro e educado. Por exemplo, você não vê a quantidade de lixo que vê aqui. As pessoas são muito comportadas na utilização daquele espaço. Aqui a coisa é mais bagunçada, o que não quer dizer necessariamente mais feliz ou animada. Cada um tem o seu tom de animação. Obviamente, o tom de animação aqui é um pouco acima. Na hora em que começa o show, há uma coisa na qual o Brasil, de fato, é imbatível – e olha que o público português é absolutamente espetacular e extremamente caloroso... Me refiro à vibração. É bárbara. O que fez com que o Rock in Rio desse tão certo? Acho que existem algumas questões. Uma delas é que ele é um projeto de comunicação, não é um show. Não é uma coisa que acontece – vende ingresso, abre as portas, faz o show e vai embora. Construímos uma relação com o consumidor um ano antes. Ficamos um ano conversando com as pessoas, sabendo do que elas gostam, contando o que pretendemos fazer, criando expectativa do dia da festa... Em “O Pequeno Príncipe” há uma frase que é qualquer coisa dizendo: “Você diz que vem às quatro, às três eu começo a te esperar.” Então você antecipa a alegria daquele momento, vai sonhando com eles e construindo esse sonho junto. Roberta Roberta Divulgação

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