Onde Moram as Histórias

 

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Oficina de Escrita Criativa - 2016/2017

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Onde Moram as Histórias Oficina de Escrita Criativa Agrupamento de Escolas Águeda Sul

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Onde Moram as Histórias Oficina de Escrita Criativa 2016/2017

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Índice 1 Introdução 2 Aventuras numa gruta Os Monstros da Gruta Misteriosa Mistérios da Vida Uma Gruta no Natal 3 Gigantes e anões O Gigante e o Anão Amizade Improvável 4 Uma Fábula O Cão, o Macaco e o Tigre (reconto)

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Introdução Ao longo do presente ano letivo, a Oficina de Escrita Criativa, Onde Moram as Histórias, desenvolveu a sua atividade procurando atingir os seguintes objetivos: estimular a imaginação dos alunos participantes e dotá-los dos instrumentos necessários, no que diz respeito a técnicas básicas de escrita na área da ficção, para contarem as suas histórias. Os alunos participantes escreveram, ao longo do ano, pequenas histórias ou contos de acordo com os temas e indicações dadas. São alguns desses trabalhos que agora apresentamos à comunidade escolar em forma de pequeno e-book. Não sendo sensato publicar tudo o que foi feito, optámos por uma pequena

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amostra do que melhor se escreveu ao longo do ano, escolha difícil, uma vez que nem todos os participantes têm aqui um trabalho para mostrar. Os contos que apresentamos não estão na sua forma original, isto é, tal e qual como foram escritos pelos seus autores. Passaram por um processo de edição, com cortes e acrescentos, de modo a facilitar a sua leitura. Este trabalho de edição teve também um objetivo de caráter pedagógico. Os autores, depois da revisão dos textos, apercebem-se do grande potencial das suas próprias histórias e compreendem que devem continuar a melhorar as suas técnicas de escrita para aprenderem a contálas o melhor possível. Esperamos que gostem de ler os contos que se seguem. O coordenador da Oficina de Escrita, João Furtado

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Aventuras numa gruta Nesta proposta de conto apresentada aos alunos, as personagens das três histórias desta secção encontram e exploram uma gruta. Inicialmente, entram uma de cada vez e têm experiências diferentes umas das outras, o que as leva a pensar que vivem aventuras bem estranhas.

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Os Monstros da Gruta Misteriosa Numa aldeia situada junto a um bosque muito verde, moravam quatro amigos, a Ana, o Mateus, a Sílvia e o José. Era a época de Natal e cada um dos amigos tinha acordado em pulgas, pois aquela era a época favorita do ano para todos eles. A Ana e o José eram irmãos. Ambos se levantaram da cama de um salto e foram espreitar à janela. Viram muitos habitantes da aldeia a decorar as árvores das ruas e da praça com enfeites de Natal. Todos os anos era habitual os habitantes locais construírem uma árvore de Natal gigante enfeitada com bolas de diferentes cores, fitas, bonecos e muito mais. Era tradição cada aldeão colocar uma estrela com o seu nome na enorme árvore que devia ter mais de seis metros de altura. Na rua, encontrava-se uma equipa da junta de freguesia esticando-se em cima de escadotes de diferentes tamanhos para colocar montes de enfeites diferentes. Os dois irmãos vestiram-se com roupa bem quentinha e saíram de casa para irem colocar na árvore da praça as estrelas com os seus nomes e dos seus pais. Colocaram-nas na parte mais

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baixa da árvore, pois eram pequenos e os funcionários não os deixavam empoleirar nos escadotes. Também não se importavam de não as pôr mais acima como os adultos, pois dessa maneira teriam dificuldade em ler os seus nomes quando as indicassem aos amigos. Ao longe, avistaram o Mateus a ajudar a sua mãe a enfeitar a outra ponta da árvore. Repararam que o Mateus já os tinha visto e que estava a pedir à mãe para ir ter com eles. A Sílvia também se encontrava na outra ponta e juntou-se igualmente ao grupo. – Então, estão ansiosos pela noite de Natal? – perguntou o José. – Claro! – responderam os outros três em coro. – Seria giro se este ano participássemos numa aventura, algo diferente! – desabafou a Ana. – Concordo contigo. – exclamou a Sílvia. – Eu conheço um lugar onde podíamos ir, mas talvez seja demasiado perigoso... – revelou o Mateus. – Nada é demasiado perigoso para nós! – clamou a Ana – Onde é esse lugar? – Contaram-me que existe uma gruta perdida no meio da floresta. Parece que nunca ninguém lá entrou. – esclareceu o Mateus. – Seria espetacular se a explorássemos e contássemos depois a nossa aventura. – exclamou o José sonhando acordado. – Concordo plenamente. – disse a Ana.

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Faltavam ainda quinze dias para o Natal e não havia muito para fazer. Assim, decidiram ir até à floresta naquela tarde e procurar a misteriosa gruta. O caminho até à gruta foi mais difícil do que esperavam. O terreno era traiçoeiro e a vegetação parecia observá-los num silêncio assustador, quando não os fazia cair ou arranhava. Perderam-se duas vezes. Alguns já desesperavam quando, finalmente, descobriram a gruta. Entraram a medo. O espaço era escuro, tinha um cheiro a podre, as paredes escorriam um líquido nojento e o chão estava cheio de lama. Tinham perdido muito tempo a encontrar a gruta e, apesar de estar um céu limpo naquela tarde de inverno, já começava a escurecer. Nenhum deles tinha vontade de entrar. – Vai tu, Mateus! Foste tu que nos trouxeste até cá! – sugeriu o José a tremer de medo. – Que remédio! – suspirou o José encolhendo os ombros. Entrou devagarinho, pé ante pé. Ainda não tinha andado muito, quando ouviu um som estranho, agudo. Aproximou-se, receoso. Do nada, surgiu uma criatura estranha, corcunda e cheia de pelo. Mateus soltou um grito. – Olá, eu sou o Manasekaba. – disse a criatura com um ar nada ameaçador e como se aquela conversa entre um miúdo e um monstro fosse a coisa mais natural do mundo. – O Mana... quê! – perguntou o Mateus espantado. – O Manasekaba! Sou um animal que vive nesta gruta. Nunca nenhum humano me visitou, pois todos acham a gruta

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um espaço assustador no meio da floresta. Eu, pelo contrário, até a acho bastante acolhedora, mas... – Está bem! – interrompeu o Mateus – Mas eu acho que é melhor ir andando... E começou a correr com quantas forças tinha. Chegou à entrada da gruta já sem fôlego. Os outros tiveram de esperar um pouco até ele conseguir falar e contar o que se tinha passado. O José e a Ana, com mais curiosidade do que com medo, resolveram ir espreitar. Durante o caminho, sem se darem conta, perderam-se um do outro, seguindo caminhos diferentes. A Ana a certa altura viu, saída do nada, uma criatura corde-laranja, muito alta e magra, quase sem pelo. – Mim, ser Bingo! Mim gostar de visitas! – apresentou-se a criatura. A Ana fugiu a sete pés e correu tanto que nunca pensou correr tão rápido. O José levava uma lanterna como precaução. Quando menos esperava, deparou-se com uma criatura verde e muito gorda. – Bonjour! Quer provar o meu novo prato? – perguntou a criatura, carregando nos erres. Como se tivessem combinado, o José fugiu tão depressa como a Ana. Corriam os dois a alta velocidade e acabaram por chocar um com o outro e cair no meio da lama que enchia parte do chão da gruta.

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Entretanto, a Sílvia, vendo que eles não regressavam, decidiu também entrar na misteriosa gruta. Quando pensava que já estava perdida, encontrou ela também uma criatura. Um ser muito pequeno e todo azul. O animal limitou-se a ficar calado olhando para ela. A Sílvia era bastante corajosa e não se assustou. Vendo que a criatura não dizia nem fazia nada, foi-se embora. No regresso, encontrou o José a Ana. Foram ter com o Mateus que os aguardava nervoso. Sentaram-se num tronco, a poucos metros da entrada da gruta, e cada um contou a sua história. Espantados com o relato de cada um, encheram-se de coragem e resolveram voltar juntos à gruta. Encontraram as quatro criaturas juntas num espaço bem iluminado da gruta, apesar de não verem lâmpadas, nem fios elétricos. O José deu um paço em frente e perguntou: – Quem são vocês, afinal? – Somos quatro amigos que vivem nesta gruta há muitos anos. – Respondeu a criatura corcunda. – Ah! Então vocês são apenas quatro amigos a viver numa gruta como numa casa. Não são monstros que nos querem fazer mal! – procurou esclarecer a Ana com a voz sumida. – Não! Não fazemos mal a uma mosca! – respondeu a criatura azul e pequena, que até ali ainda não tinha falado. Ficaram surpreendidos com a sua voz doce e afável.

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A Ana, o José, o Mateus e a Sílvia nem queriam acreditar que tinham encontrado monstros tão simpáticos. Tiveram alguma dificuldade em convencê-los a sair da gruta e passar o Natal com eles na aldeia. Para os monstrinhos, como a Sílvia os apelidou carinhosamente, os seres humanos da aldeia pareciam figuras de meter medo. Mas os quatro pequenos amigos disseram-lhes que podiam pôr cada um uma estrela com o seu nome na enorme árvore de Natal no centro da praça. Isso queria dizer que, naquela época de paz e amizade, os monstrinhos seriam bem-vindos e bem tratados. Não tinham de ter medo. Finalmente concordaram, para espanto dos aldeões que, ao vêlos chegar, pensaram ser miúdos muito simpáticos disfarçados de monstrinhos. Todos recordaram aquele Natal durante muitos anos como o melhor que alguma vez viveram. Sara Oliveira – 6.ºA

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