Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 33 Especial

 

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Entrevista Isis Pagy e a atuação da Fundação Vale Mercado Brasil avança na extração de diamantes Meio Ambiente Tecnologia promove mineração sustentável revistamineracao.com.br MarçoEadJiçuãnoh3o3d.eA2n0o167 P rotagonista aos 75 anos A arrojada Cia. Vale do Rio Doce chega ao septuagésimo quinto aniversário como uma das empresas que mais investem em inovação no planeta

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CLIQUE Gilberto Soares / MMA TURISMO LEGAL O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses agora conta com transporte de turismo regularizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). O documento foi assinado pelo ministro Sarney Filho em maio, por meio da Portaria 199, e estabelece critérios para o cadastramento e a autorização desse tipo de serviço. O objetivo é preservar a mão de obra local, que já atua com transporte de turismo na região e é prejudicada por empresários que vão apenas nos períodos de alta temporada. Além disso, a pasta acredita que regularizar o meio de visitação é uma forma de conservar a unidade. De acordo com o MMA, no ano passado 40 mil pessoas visitaram o parque, que é preservado e tem uma área de conservação de mais de 150 mil hectares, abrangendo três municípios: Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro do Maranhão. EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Editor-Geral Daniele Marzano REG. 49.619 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Ana Cláudia Vieira Bruna Nogueira redacao@revistamineracao.com.br Projeto gráfico e diagramação Daniel Felipe W. Tourinho Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e assinaturas + 55 (31) 3544 . 0045 atendimento@revistamineracao.com.br Assessoria Jurídica Dias Oliveira Advogados Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida aos setores minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Agência Vale Novo Portal www.revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Contato: revista@revistamineracao.com.br Rua Cônego Domingos Martins, 26 Centro . Betim . MG - 32.600.202 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a. AJburnihl doed2e0210717 /RevistaMineracao @RevMineracao

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ESTANTE Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2017 5

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SUMÁRIO revistamineracao.com.br Março a Junho de 2017 Edição 33 . Ano 6 14 Matéria de Capa Inovação e arrojo marcam a trajetória dos 75 anos da Vale 10 Entrevista Diretora-presidente da Fundação Vale, Isis Pagy apresenta o trabalho da entidade 20 Meio Ambiente Proteção de nascentes está entre ações de recuperação da bacia do rio Doce 54 Mercado Projeto Diamante Brasil pode alavancar extração de diamantes no país Seções 7 Editorial 26 Infraestrutura 8 Panorama 30 Ceamin 10 Entrevista 32 Meio Ambiente 14 Matéria de Capa 36 Cetem 20 Meio Ambiente 38 Internacional 24 Siderurgia 42 Mercado Final 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 44 Equipamentos 46 Tecnologia 48 Meio Ambiente 50 Mercado 52 Comunidade 54 Mercado 26 Infraestrutura União cria PPI para agilizar resolução de gargalos no transporte ferroviário 32 Meio Ambiente Empresas investem em tecnologia para tornar processos mais eficientes 52 Comunidade Em projeto desenvolvido em Cubatão (SP), jovens viram cineastas 42 Mercado Exploração de ouro na Bahia é aposta do mercado

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EDITORIAL No compasso da inovação -------------- O aniversário de 75 anos da Vale, comemorado no dia 1 de junho, dá o tom desta edição. Afinal, a companhia completa quase oito décadas de existência com um lugar garantido na vanguarda da inovação. Como mostra nossa reportagem de capa, a história da Vale é permeada por vultosos investimentos em modernização. E foram eles que a permitiram protagonizar no segmento minerário ao longo dos anos, indo ao encontro dos esforços públicos e privados no sentido de investir em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Esse tipo de iniciativa vem traçando o cenário contemporâneo de busca por soluções para a área da mineração, uma vez que, é evidente, já não é possível encontrarmos minérios e minerais em abundância na superfície terrestre. A matéria produzida por Ana Cláudia Vieira mostra exatamente os passos dados pela companhia, ao longo de sua história, numa trajetória comprometida com o investimento em inovação a fim de garantir o contínuo crescimento da empresa. E, na esteira disso, a diretora-presidente da Fundação Vale, Isis Pagy, apresenta o trabalho realizado em paralelo pela companhia no sentido de propiciar o desenvolvimento humano nas localidades em que a Vale atua em todo o país. Com 40 anos de existência, a fundação, conforme ela garante, implementa tecnologias sociais de acordo com a realidade das comunidades onde a empresa está instalada, com base nas demandas específicas de cada uma delas, reconhecendo os saberes locais e estimulando o protagonismo deles. Segundo Pagy, somente em 2016, a Vale doou US$ 16 milhões para a fundação, o que demonstra que a empresa se preocupa em contribuir para melhorar os índices de desenvolvimento humano brasileiro. Outro fato comemorativo que incentivou a investigação jornalística nesta edição é o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho. A repórter Bruna Nogueira mostra nas páginas seguintes que, em meio a discussões sobre a importância do cuidado com o meio ambiente, mais uma vez, evidencia-se o papel de elemento-chave da tecnologia em termos de investimento com vistas a um desenvolvimento sustentável no setor minerário. A atividade, por motivos óbvios, vem sendo constantemente desafiada a se manter sustentável, diminuindo o máximo possível os impactos à natureza, vindos sobretudo das etapas de exploração, extração e disposição de rejeitos. Mas, de acordo com a reportagem, ainda que esse segmento seja complexo, é possível encontrar nele exemplos de iniciativas louváveis que primam pela sustentabilidade, como o reflorestamento de áreas afetadas pela atividade e a redução de rejeitos, de energia e de água nos processos. Isso, conforme a repórter salienta, ocorre graças ao emprego de ferramentas tecnológicas, que, cada vez mais, têm cola- Wilian Leles Diretor-Geral Com mais de 14 anos de experiência no jornalismo, é o fundador da Revista Mineração & Sustentabilidade, no mercado nacional desde 2011. Dirige também um jornal da Região Metropolitana de Belo Horizonte desde 2003. borado para a eficiência sustentável da mineração no século atual. Ainda nesta edição, muitos outros assuntos relevantes denotam a preocupação de mineradoras em aliar ao próprio desenvolvimento o da região em que estão inseridas com a implementação de projetos que abraçam as comunidades locais, como o Querô na Escola, implantado em Catalão (SP) com o apoio da CMOC International Brasil e que estimula a formação de jovens cineastas. São iniciativas como essa que reforçam a seriedade e o compromisso que a mineração exige das empresas em relação às pessoas que estão à sua volta. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 7

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PANORAMA Usiminas / Divulgação RETOMADA USIMINAS Acionistas e o mercado não param de receber boas notícias sobre a Usiminas. Em abril, o lucro líquido registrado em R$ 108 milhões no primeiro trimestre de 2017, em comparação ao prejuízo líquido de R$ 195 milhões no trimestre do ano anterior, fez as ações preferenciais classe A da empresa dispararem no Ibovespa. No mesmo mês, a siderúrgica anunciou para daqui um ano a retomada da produção do Alto-Forno 1 da Usina de Ipatinga. Até lá, a empresa trabalha na preparação do equipamento, o que demandará um investimento de R$ 80 milhões. Em seguida, a Usiminas anunciou o acesso a R$ 700 milhões do caixa da Mineração Usiminas (Musa) e a R$ 300 milhões da outra acionista, a japonesa Sumitomo Corporation. Em junho, foi divulgada a retomada da produção em duas de suas instalações de tratamento de minério em Itatiaiuçu (MG). A medida elevará a produção atual da companhia em 800 mil toneladas de concentrado de minério de ferro em 2017, destinadas ao mercado externo, com o volume de embarques, em 2018, na ordem de 3,5 milhões de toneladas. Localmente, na região do Vale do Aço, a companhia trabalha, também, junto aos sistemas Fiemg e Senai, com a retomada do Garimpando Oportunidades, que dará preferência a empresas da região no fornecimento de materiais para a siderúrgica. PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE FERRO E AÇO Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Sinferbase), as exportações de minério de ferro em abril de 2017 somaram 25,234 milhões de toneladas (t), um aumento sobre os 25,090 milhões do mesmo mês de 2016. No primeiro quadrimestre, as vendas externas passaram de 99,860 milhões de toneladas em 2016 para 105,354 milhões neste ano. Já dados preliminares liberados pelo Instituto Aço Brasil mostram alta na produção de aços. Entre janeiro e maio de 2017, foram produzidas 14,1 milhões de toneladas de aço bruto, contra 12,326 milhões do mesmo período do ano anterior, um aumento de 14,2%. INVESTIMENTOS ORIENTAIS NO BRASIL China e Japão estão apostando as fichas no Brasil com investimentos de Norte a Sul. O Rio Grande do Norte e o governo chinês, por exemplo, firmaram uma parceria com o objetivo de investir em diversas áreas, sobretudo na mineração. O governo do Rio Grande do Sul espera receber o apoio japones para construir uma usina térmica de carvão de alta eficiência a fim de gerar energia local. Uma comitiva liderada pelo governador José Ivo Sartori esteve em Tóquio, em abril, participando de uma série de reuniões sobre a exploração sustentável do carvão e o aproveitamento da tecnologia japonesa. O estudo de viabilidade da usina já foi concluído, e a expectativa é que sejam investidos cerca de 2 bilhões de dólares no projeto. Além disso, o Brasil acaba de criar junto à China o fundo Brasil China com o objetivo de financiar projetos de interesse comum para os dois países, em áreas como infraestrutura, logística, tecnologia, energia e recursos minerais. O acordo prevê um aporte de até US$ 20 bilhões, dos quais US$ 15 bilhões serão desembolsados pelos chineses, e o restante, pelas instituições brasileiras. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017

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INVESTIMENTOS EM GOIÁS Goiás deverá receber investimentos privados na ordem de US$ 750 milhões em projetos de exploração, ampliação e pesquisa mineral nos próximos anos. Ao todo, 16 mineradoras têm projetos para o Estado. Entre as maiores investidoras está a Anglogold – Mineração Serra Grande –, que prevê cerca de R$ 560 milhões para a continuidade das atividades e a descoberta de novas jazidas nos próximos três anos. A mineração no Estado deve ser fortalecida ainda com a implantação de um Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para a Mineração (CDTM) na cidade de Catalão. O governo de Goiás vai doar uma área de 15 mil metros quadrados em Catalão à Universidade Federal de Goiás (UFG) para a construção do CDTM. A edificação será realizada pela empresa de mineração Cmoc Brasil. A UFG fará a gestão do centro, e as pesquisas serão desenvolvidas em parceria com o Instituto Tecnológico do Estado de Goiás (Itego) e a Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapemig). RESUMO DOS BALANÇOS DO 1T17 Na dianteira dos resultados positivos divulgados sobre o primeiro trimestre de 2017, a Vale registrou lucro líquido de R$ 7,89 bilhões, numa sequência de cinco balanços positivos. Os números repercutem o impulso da recuperação dos preços e do avanço da produção de minério de ferro, que é a principal commodity da empresa. A Anglo American também apresentou crescimento na produção do período, com 4,3 milhões de toneladas de minério de ferro, um aumento de 30%. Já a ThyssenKrupp amargou os resultados financeiros com a venda da CSA. O grupo registrou um prejuízo líquido de €855 milhões no primeiro trimestre devido à venda da CSA e ao aumento da dívida financeira líquida para €5,8 bilhões. Por fim, a Votorantim registrou o prejuízo líquido de R$ 546 milhões frente ao lucro de R$ 144 milhões obtidos no primeiro trimestre de 2016. Os números negativos são resultado, principalmente, da queda nos preços e do volume de vendas das operações de cimento brasileiras, além da suspensão das operações de níquel. NOVO PRESIDENTE BHP A mineradora e petrolífera anglo-australiana BHP nomeou Ken Mackenzie como o novo presidente do Conselho de Administração da empresa. Mackenzie até então trabalhava como executivo no setor de embalagens da corporação. O novo presidente da BHP, de 53 anos, irá suceder a Jac Nasser no cargo a partir do dia 1° de setembro. A novidade é resultado das exigências de mudanças internas e reformulações na estrutura exigidas pelos acionistas ativistas da companhia com o objetivo de melhorar os resultados financeiros. MacKenzie, especializado em disciplina financeira, faz parte do Conselho da BHP desde o ano passado. Saulo Cruz / Divulgação CNPE APROVA NOVAS POLÍTICAS O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, durante a 34ª Reunião Ordinária, realizada em junho pelo Ministério de Minas e Energia (MME), as diretrizes gerais para a Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural. Entre os pontos de destaque estão a maximização da recuperação dos recursos dos reservatórios; a quantificação do potencial petrolífero nacional; a intensificação das atividades exploratórias no país; e a promoção adequada da monetização das reservas existentes. De acordo com MME, as diretrizes propostas visam à atração e à manutenção de investimentos. Na reunião, também foi criado o Comitê Técnico Integrado para o Desenvolvimento do Mercado de Combustíveis, demais Derivados de Petróleo e Biocombustíveis – CT-CB. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 9

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ENTREVISTA Isis Pagy Fundação DVaivleul/gDaçivãuolg/aMçãRoE Fundação Vale no protagonismo social há quatro décadas Há 40 dos 75 anos da Vale, a empresa conta com um braço social em todas as localidades onde atua no país, a Fundação Vale, cujo trabalho é detalhado nas páginas a seguir por Isis Pagy, diretora-presidente da entidade. 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 Daniele Marzano

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Há mais de quatro décadas, a Fundação Vale atua nos locais onde a Vale opera, contribuindo para o desenvolvimento da região e das comunidades nela inseridas, por meio de ações que se amparam nos pilares da educação, da saúde e da geração de trabalho e renda. Além disso, conforme destaca na entrevista a seguir a diretora-presidente da fundação, Isis Pagy, a instituição implementa tecnologias sociais aderentes às realidades locais com base nas demandas específicas de cada comunidade, reconhecendo os saberes locais e estimu- lando o protagonismo delas. Segundo Pagy, só em 2016, a Vale doou US$ 16 milhões para a fundação. Mas ela salienta que “o investimento anual da empresa varia de acordo com a necessidade dos territórios e, naturalmente, reflete o momento econômico da Vale”. Mineração & Sustentabilidade: A Fundação Vale atua em três áreas, além de desenvolver ações socioculturais. O que se destaca em cada uma delas? Isis Pagy: A atuação da Fundação Vale tem como base a política de atuação social da Vale, cujos pilares são educação, saúde e geração de trabalho e renda. De forma complementar, a fundação desenvolve ações sociais nas áreas de esporte, cultura, promoção e proteção social, temáticas que são consideradas transversais. As iniciativas da Fundação Vale têm como premissas o fortalecimento das políticas públicas e o empoderamento das comunidades e, como objetivo final, o desenvolvimento sustentável dos territórios onde são realizadas. Elas são executadas de modo que as comunidades possam se apropriar das tecnologias sociais implantadas e, depois, de sua continuidade, de maneira independente. Isso possibilita que o ciclo de desenvolvimento gerado pela atividade mineradora e apoiado pela Fundação Vale seja sustentável e se perpetue. Os destaques de cada pilar de atuação: Saúde - Só em 2016, o programa Ciclo Saúde, iniciativa que busca cooperar tecnicamente com o fortalecimento da atenção básica nos municípios por meio da formação continuada de comunidades e equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) em temas relacionados à prevenção e à promoção da saúde, beneficiou 1.449 profissionais de saúde e lideranças comunitárias. Outro programa de saúde que podemos destacar é o Casa Saudável, projeto de promoção da saúde que visa disponibilizar o acesso a fontes de água e de alimentos e a instalações sanitárias por meio da implantação de tecnologias sociais simples e de fácil replicação, construídas pelos próprios moradores após participação em oficinas teóricas e práticas, sob a orientação de educadores sociais. Só em 2016, 250 famílias de quatro municípios maranhenses foram beneficiadas. Educação - O projeto de educação infantil busca ampliar as possibilidades do trabalho educativo e pedagógico ao promover formações para os profissionais e contribuir para a estruturação de espaços educativos, enviando equipamentos e recursos didáticos considerados pressupostos para o desenvolvimento desse segmento. Em Rio Piracicaba (MG), foram contemplados 135 professores, gestores e auxiliares de educação infantil. Além disso, foram estruturados espaços para 81 educadores e 527 crianças. Ao todo, mais de 950 alunos se beneficiaram com a formação de profissionais. Geração de Trabalho e Renda - Só em 2016, o programa de Apoio à Geração e Incremento de Renda (Agir) beneficiou diretamente 1.125 empreendedores, capacitando 663 empreendedores, com a elaboração de 106 planos de negócio e 81 negócios sociais incubados ou acelerados por meio de investimento direto (capital semente) e da mentoria em eixos do negócio, tais como governança, gestão financeira, processo produtivo, comercialização e capital humano. M&S São quatro décadas investindo em tecnologia social. O que esse tempo significa? De qual forma, por meio da fundação, a Vale mudou a realidade das comunidades onde está inserida? Isis O trabalho da Fundação Vale contribui para a melhoria de vida das comunidades por meio do desenvolvimento e da implementação de tecnologias sociais aderentes às realidades locais, com base nas demandas específicas de cada comunidade, reconhecendo os saberes locais e estimulando o protagonismo delas. M&S A Vale completa 75 anos, ao passo que a fundação tem pouco mais de 40. Por que a empresa sentiu a necessidade de criar um braço social para suas atividades? Isis Criada em 1968, a Fundação Vale do Rio Doce de Habitação e Desenvolvimento Social, primeiro nome da Fundação Vale, desenvolvia projetos habitacionais para empregados da Vale nas regiões onde a então Companhia Vale ISIS PAGY Isis Pagy, nascida no Rio de Janeiro, é economista e trabalhou durante 34 anos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tendo atuado como executiva das áreas de inclusão social e cultura. Desde setembro de 2011, é diretora-presidente da Fundação Vale e, também, diretora de direitos humanos e relacionamento com povos indígenas e comunidades tradicionais da Vale. Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 11

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do Rio Doce atuava. Em 1998, portanto, logo após o processo de privatização da empresa, a Fundação Vale foi além, assumindo a tarefa de realizar o investimento social da Vale. Essa mudança foi necessária, pois a Vale reconheceu a necessidade de dar mais efetividade à aplicação dos investimentos sociais da empresa através de projetos estruturantes e com equipe especializada e dedicada a esse desafio. M&S Qual balanço a senhora faz da história da Vale, de sua evolução e de seu relacionamento com a sociedade? Isis Na perspectiva social, a Vale vem num trabalho de constante aprimoramento de sua atuação e, para isso, conta com a Fundação Vale. Na perspectiva do relacionamento com a sociedade, é necessário, primeiramente, reconhecer os contextos locais, bem como a existência de políticas públicas que estabelecem papéis e responsabilidades. A Vale, nesse ambiente, busca contribuir para o desenvolvimento local e valorizar o protagonismo dos demais atores do território. Parte, portanto, da premissa de que o desenvolvimento do território não é tarefa que possa ser realizada de forma isolada, por um único ator, sendo necessários o engajamento dos setores público e privado e a participação social da população local. Assim, considera o diálogo intersetorial e a construção coletiva essenciais para promover um modelo de desenvolvimento que responda às necessidades econômicas, sociais, ambientais e culturais da região. M&S Atualmente, a Vale é uma das maiores mineradoras do mundo e sempre inovou em seus processos produtivos. A inovação também esteve presente na preocupação com ações sociais? Por quê? Isis Sim. Inovação é a atuação embasada no conceito estratégico de Parceria Social Público-Privada (PSPP), na qual a Fundação Vale é pioneira. A PSPP se refere a uma estratégia de investimento social que pressupõe a união de esforços, recursos e conhecimento da sociedade civil, governos e empresas em torno de uma agenda comum. Essa agenda é construída com ações que contribuem para a promoção da qualidade de vida e do desenvolvimento humano; o fortalecimento da intersetorialidade e das políticas públicas; a ampliação da participação democrática na perspectiva da inclusão cidadã; a efetividade dos investimentos sociais do setor privado; a construção coletiva e a figura do cidadão enquanto beneficiário e copartícipe do processo de desenvolvimento territorial simultaneamente. Entendemos que nossa experiência pode inspirar outros setores. Estamos convencidos de que esta estratégia de cooperação construída no território aprimora o planejamento e os resultados dos investimentos sociais privados nos municípios onde a empresa atua à medida que fortalece a articulação com as políticas públicas, facilita o mapeamento mais estratégico de parceiros locais, promove a otimização dos recursos mobilizados e viabiliza o monitoramento dos impactos nos processos socioambientais, econômicos, culturais e políticos da região. Como nosso principal desafio fica a pretensão de extrair dessa experiência a consolidação de um instrumento de inovação e de coordenação, que acreditamos ser vital para potencializar o desenvolvimento do território. M&S A mineração traz um estigma de problema para as comunidades onde está inserida, por conta dos impactos que provoca na região e nos povoados. Como a Fundação Vale atua para vencer essa dificuldade e mudar essa percepção? Isis A presença de um empreendimento da mineração provoca um grande crescimento econômico. Isso atrai a população pelas oportunidades de trabalho. Essa pressão demográfica vai demandar mais serviços e mais infraestrutura, recaindo no poder público e na própria empresa. Isso pode ser um ciclo vicioso ou um ciclo virtuoso - uma oportunidade ou uma ameaça. É muito importante que o investimento social privado, as ações sociais, ambientais e culturais, em prol do bem comum, os tributos e a compensação pela exploração mineral consigam convergir e ser trabalhadas num propósito único de desenvolvimento. É nesse sentido que a mineração pode deixar um legado de desenvolvimento nas cidades. Um exemplo disso é o Projeto de Ferro S11D, o maior da indústria da mineração, desenvolvido pela Vale no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. A cidade nasceu na década de 1990 de um assentamento rural. Em 15 anos, triplicou de tamanho por conta do próprio processo de exploração mineral. Canaã dos Carajás pode ser considerada um caso de sucesso na história da mineração. Em primeiro lugar, porque houve a possibilidade de os setores privado e público trabalharem de forma integrada. Isso foi capaz de promover crescimento econômico e desenvolvimento para a cidade. Essa articulação aconteceu através dos instrumentos de gestão pública, planos municipais de educação, saúde, saneamento, mobilidade urbana e do próprio plano diretor. Dessa união, surgiu a oportunidade de construir metas comuns para se desdobrarem em ações estratégicas complementares, trazendo um investimento social, público e privado, para o desenvolvimento dessa cidade. Os resultados alcançados foram bastante expressivos. Na educação, por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação de Canaã e a Fundação Vale instituíram o Pacto pela Educação no município de Carajás. As metas do plano nacional foram cumpridas, e, além disso, houve um engajamento dos pais para que pudessem participar da rotina escolar. Na saúde, os desafios foram enormes. Canaã saiu de 53% de cobertura da atenção básica em 2009 para 100% de cobertura em 2015. Outro ponto determinante para o desenvolvimento da cidade foi identificar outras vocações além da mineração. Um exemplo é o turismo que a região tem. O próprio projeto S11D é importante para que Canaã consiga se repensar após a mineração. Ele precisou ser visto e ser construído à luz dos aspectos da sustentabilidade e, por isso, faz Canaã a se repensar e fortalecer outras vocações econômicas além da mineração. Um aspecto fundamental para o desenvolvimento da cidade é a participação da comunidade. Nesse sentido, houve um esforço da iniciativa privada e do 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017

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Fundação Vale no protagonismo social há quatro décadas poder público de propiciar, principalmente para os jovens, a oportunidade de se engajarem no processo de desenvolvimento. Uma das atividades consistiu em capacitá-los para que pudessem identificar, através de um diagnóstico, oportunidades e dificuldades daquela localidade. Com isso, houve um intenso diálogo com as comunidades no sentido de identificar soluções a partir da própria capacidade local. Paralelamente, houve um diálogo com as secretarias municipais no sentido de propor soluções e acompanhar esse processo em curto, médio e longo prazos. O resultado foi positivo porque as pessoas começaram a participar, a entender o processo e a tomar ciência do exercício da cidadania. Os setores público e privado entenderam a importância de trazer o cidadão como protagonista. Apesar do grande desafio de deixar o legado nessas cidades, sem dúvida, é um grande aprendizado para todos. Essa bagagem que está sendo adquiri- da é essencial para o desenvolvimento do país e pode inspirar outros setores da economia. É dessa forma que a mineração contribui para um país melhor. M&S Como você define o atual momento da fundação? Isis O ano de 2016 foi desafiador para muitas empresas e também para instituições dedicadas a projetos sociais. Entretanto, a Fundação Vale permaneceu fiel a seu compromisso e, por meio de um trabalho compartilhado com comunidades, a própria Vale e demais atores, promoveu ações estruturantes, otimizando recursos técnicos e financeiros. Chegamos à metade de 2017 mantendo a mesma determinação. M&S O que a fundação espera para o futuro? Isis Nosso compromisso norteador é com a construção do legado positivo que a Vale busca deixar nos territórios onde está presente por meio do investimento social voluntário e da articulação de parcerias para o desenvolvimento local. A Fundação Vale espera ampliar sua capacidade de atuação frente às demandas e de manter um contínuo aperfeiçoamento de suas tecnologias sociais. M&S Atualmente, o poder público não consegue suprir todas as demandas da sociedade, e o terceiro setor desempenha um importante papel nesse quesito, oferecendo projetos culturais, educacionais, de geração de renda, entre outros. Como você avalia a atuação das ONGs em geral? Isis As ONGs têm um papel muito importante de contribuir para aumentarmos o controle social no Brasil. Além disso, temos buscado parceria com diversas organizações para a realização de ações em formato de coautoria, o que se tornou fundamental para a implementação de projetos estruturantes e aderentes às realidades locais. Fundação Vale / Divulgação A Fundação Vale contribui para a melhoria de vida das comunidades por meio do desenvolvimento e da implementação de tecnologias sociais aderentes às realidades locais Isis Pagy Diretora-presidente da Fundação Vale Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017

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MATÉRIA DE CAPA 75 anos da Vale Agência Vale / Divulgação NA VANGUARDA DA INOVACAO História da Vale, que completa 75 anos, é permeada por vultosos investimentos em modernização, os quais permitiram ao grupo ser protagonista na mineração mundial Ana Cláudia Vieira 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017

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IPT / Divulgação Segundo a pesquisadora responsável pelo laboratório de processos metalúrgicos do IPT, Sandra Moraes, o instituto tem capacitação para atuar na cadeia completa da mineração. A Vale é uma das empresas que mais investem em inovação no mundo, com ações que ultrapassam 1% de seu faturamento líquido. Se nos primórdios da mineração no mundo era possível encontrar minérios e minerais em abundância e de qualidade na superfície terrestre, após o esvaziamento das reservas superficiais, o acesso às fontes ficou cada vez mais difícil. Nesse cenário, esforços públicos e privados em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) definiriam o sucesso na busca de soluções para a área da mineração. O estudo Inovação Brasil, desenvolvido pela consultoria Strategy&, em parceria com jornal “Valor Econômico”, mostra que inovação é a prioridade de 21% das empresas brasileiras pesquisadas e está entre as três maiores prioridades de 57% das empresas. Por outro lado, um estudo sobre aplicações em tecnologia da informação (TI), realizado em 2015, pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), destacou que, para cada 1% a mais de investimentos em TI feito por empresas de capital aberto, houve crescimento de 7% nos lucros depois de dois anos. Da mesma forma, o crescimento em inovação também é associado aos maiores índices de desenvolvimento humano dos países. No Brasil, o estudo “Sistemas Setoriais de Inovação e Infraestrutura de Pesquisa do Brasil 2016”, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que a infraestrutura de ciência e tecnologia (C&T) recebeu no país aportes significativos de recursos de várias fontes, especialmente dos fundos setoriais, por meio do Fundo Setorial de Infraestrutura. Segundo o estudo, ocorreu um aumento expressivo nos valores de recursos anuais dedicados ao apoio à infraestrutura necessária para o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias no país. Em 2010, eram cerca R$ 360 milhões, enquanto em 2012 o valor passou para R$ 720 milhões. No fim de 2016, focado em conquistar melhores resultados nessa área, o governo federal atualizou a Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia (Encti) 20162019. O documento possui as bases para que o Brasil avance no investimento financeiro para as atividades de ciência, tecnologia e inovação. A meta estabelecida pela Encti é que, até 2019, o volume destinado a ciência, tecnologia e inovação seja de 2% do PIB nacional. Sinônimo desses investimentos são iniciativas como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, é financiado em 65% pela iniciativa privada e em 35% pelo governo. Atuando em quatro grandes áreas – inovação, pesquisa & desenvolvimento; serviços tecnológicos; desenvolvimento & apoio metrológico, e informação & educação em tecnologia –, desenvolve projetos para segmentos como energia, transportes, petróleo & gás, meio ambiente, construção civil, cidades, saúde e segurança, sob demanda das empresas. Segundo a pesquisadora responsável pelo laboratório de processos metalúrgicos do IPT, Sandra Lucia de Moraes, o instituto tem capacitação para atuar na Revista Mineração & Sustentabilidade | Março a Junho de 2017 15

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