Maceió Século XXI - 2007

 

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Maceió Século XXI, é uma série de dez fascículos com os principais polos econômicos do Estado: saúde, cultura, comércio e serviços, imobiliário, educação, automotivo, turístico-hoteleiro-gastronômico e cloro-alcooquímico e energético.

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2007 MACEIÓ Capa pÿÿg 01 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:30:49 A 100 95 75 25 5 0

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Capa pÿÿg 02 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:31:50 100 95 75 25 5 0

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2007 MACEIÓ Capa pÿÿg 03 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:33:33 A 100 95 75 25 5 0

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Presidente de Honra Jornalista Ana Luísa Collor de Mello Presidente do Conselho Estratégico Carlos Alberto Mendonça Diretor Executivo Luis Amorim Coordenador Editorial Ênio Lins A Presidente Jornalista Ana Luísa Collor de Mello Capa pÿÿg 04 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:34:24 - Coordenação Geral - Leonardo Simões - Coordenação Editorial - Stefani Brito Lins - Coordenador de Economia - Cícero Péricles de Carvalho - Estagiária - Flaviana Costa - Coordenador de Fotografia - José Ronaldo - Direção de Arte - Cícero Rodrigues - Editoração Eletrônica - Daniel de Barros Souza Wellington Charles Cavalcanti - Impressão - Moura Ramos Gráfica Editora - Tiragem - 30.000 Exemplares Endereço - Avenida Aristeu de Andrade, 355 - Farol Maceió /AL - Cep 57051-090 Telefone/Fax - (82) 4009.7777 / 4009.7756 E-mails: gazeta@gazetaweb.com comercialga@gazetaweb.com 100 95 75 25 5 0

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MACEIÓ Século XXI pólosOs deMaceió Como estará nossa cidade ao final deste período? Quais os diversos cenários que podemos projetar para que as futuras gerações possam adentrar suas esperanças em relação ao porvir? O Instituto Arnon de Mello, mais uma vez, de forma pioneira, traz ao público alagoano uma reflexão sobre o que podemos contribuir neste início de milênio, partindo de um diagnóstico do que hoje somos, retratado na análise dos diversos pólos que compõem o meio: Cultural, Educação, Saúde, Turístico-hoteleirogastronômico, Automobilístico, Imobiliário, Comércio e Serviços e Energético. O conceito de pólos vem da economia. Como o nome sugere, quer dizer um conjunto de atividades especializadas, cada uma focada num negócio. Claro que para ser pólo tem que mostrar certo nível de complexidade que, em síntese, quer dizer desenvolvimento tecnológico, capacidade empresarial, capitalização, movimentação de negócios e atendimento às necessidades de uma grande malha de consumidores. A palavra pólo também serve para indicar força de atração, significando no raciocínio econômico uma cidade que gera produtos e serviços capazes de atrair clientes do seu entorno. Não é uma cidade qualquer, é a mais importante. Por diferentes motivos, algumas cidades se destacam em relação a outras, obtendo a primazia de se tornarem centros políticos, administrativos, econômicos e culturais. Entre vários fatores, a geografia costuma influenciar mais fortemente nessa questão. No caso de Maceió, a existência de condições adequadas ao atracamento de embarcações de maior porte foi elemento decisivo para sua elevação à condição de principal cidade de Alagoas. O Porto de Jaraguá decidiu seu destino. Uma cidade é um somatório de coisas. Essas coisas existem em função das pessoas que nela habitam ou por ela transitam. A vida urbana exige um nível de organização cada vez maior. É preciso dar trabalho, alimentar, educar, prover saúde, diversão e transporte para seus moradores. Por isso, as cidades são sistemas complexos formados por partes que interagem de forma permanente e que devem funcionar com a precisão de relógios. Maceió é uma cidade-pólo. Concentra mais de 50% do PIB estadual. Aproxima-se do 1 milhão de habitantes. É possível se fazer diversas leituras de uma cidade: econômica, social ou cultural. Neste trabalho, Maceió é abordada a partir de seus pólos econômicos. A cidade ganhou autonomia, cresceu, desenvolveu um conjunto de atividades que evoluíram e vêm ganhando qualidade através dos anos. Sua construção civil é moderna e oferece produtos competitivos em relação a outros centros iguais ou maiores. Na área automotiva, revendedoras de veículos e prestadores de serviços têm padrão nacional. Na saúde, há pessoal qualificado e equipamentos que eram privilégio dos grandes centros médicos até alguns anos atrás. Isso acontece também em outros segmentos. Num plano mais amplo, está o agronegócio sucroalcooleiro que influencia o conjunto da economia. A leitura dos oito fascículos vai permitir que se forme uma visão de Maceió enquanto conjunto produtor de mercadorias e serviços. Será fascinante para os leitores constatarem que a cultura é um bem econômico. Que em Maceió as atividades ligadas à cultura empregam pessoas e remuneram talentos. Nesta coleção, enfim, será possível a cada um de nós vermos até onde chegamos e o que ainda restar fazer para avançarmos em qualidade de vida, modernidade econômica e cidadania. Stefani Brito Lins Coordenador Editorial, Jornalista, Professor do Departamento de Comunicação da Ufal, com curso de Doutorado em Ciências da Informação pela Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha. Capa pÿÿg 05 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:35:08 100 95 75 25 5 0

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o projeto 25 de Maio 01 de Junho 08 de Junho 15 de Junho Cultural Maceió é o centro de convergência artística e cultural de todo o estado. Este fascículo faz uma visita ao erudito e ao popular dessas manifestações. Uma leitura aberta e crítica traz para os leitores um amplo painel de tudo que se está fazendo no campo das artes. Num tempo em que o setor de serviços ganha abrangência como fomentador de negócios e gerador de renda e salários, é interessante ver como a cidade produz e comercializa valores imateriais, fruto do que chamamos talento. Saúde Em pouco mais de três décadas, a medicina percorreu um caminho mais extenso do que nos dois mil anos anteriores. Profissionais mais qualificados e diagnósticos mais precisos mudaram definitivamente os conceitos tradicionais de tratamento. Comércio e Serviços Foi o comércio que deu origem à Maceió atual. A facilidade propiciada por seu porto, fez com que o antigo núcleo de colonização conquistasse a primazia na disputa com a primitiva capital, Alagoas, atual Marechal Deodoro. No curso dos anos, o comércio foi o elemento aglutinador da vida urbana, permitindo o abastecimento da população, atraindo pessoas do interior em busca de produtos diversificados, gerando negócios e empregos. Do comércio tradicional, Imobiliário Uma indústria que constrói um dos maiores objetos de desejo de todos nós: a moradia. O Pólo Imobiliário de Maceió é um conjunto de atividades distribuídas por uma extensa cadeia produtiva. Nele estão representadas empresas de construção civil, fabricantes de esquadrias, de tijolos e telhas, fornecedores de materiais de acabamento, dentre uma variada gama de insumos desse segmento. O Pólo Cultural de Maceió é uma realidade. Ele gera produtos, incrementa negócios e otimiza outras atividades, como o turismo. A importância deste trabalho é revelar a crescente profissionalização de tudo que chamamos de produção artística. Além disso, mostra como é significativo o papel da cultura nessa economia. Maceió também vem experimentando mudanças importantes nas atividades ligadas à saúde. Apesar das limitações existentes na área pública, existe uma rede de postos de saúde, clínicas, laboratórios e hospitais que permitem atender com mais qualidade a uma massa crescente de usuários. Paralelo a isso, há um segmento empresarial privado dotado dos mais modernos requisitos tecnológicos e profissionais que tornam Maceió um moderno pólo de saúde. A universalização do conhecimento, a informatização e a crescente qualificação profissional criaram uma estrutura moderna, eficiente e de qualidade. Maceió saltou, em duas décadas, para grandes redes de abastecimento no atacado e no varejo, inserindo-se na modernidade do consumo. Hoje, a capital alagoana conta com efervescentes centros comerciais e centros de compra de grandes redes internacionais. Lojas 24 horas e pontos de venda requintados colocam a cidade nos mesmos padrões dos grandes centros consumidores do país. A construção civil emprega milhares de pessoas diretamente nos canteiros-deobras e, indiretamente, num sem-número de atividades. Seus produtos podem ser vistos em vários bairros da cidade e se destacam pela crescente qualidade. Esse pólo é um dinamizador da economia urbana de Maceió, movimentando uma parcela significativa do PIB da capital alagoana. Capa pÿÿg 06 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:37:21 100 95 75 25 5 0

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22 de Junho 29 de Junho 06 de Julho 13 de Julho Educação A instrução, ou melhor, a ausência dela, ainda é um dos piores problemas que enfrentamos. Num mundo em que o conhecimento é a chave para o progresso, Alagoas sofre com a chaga do analfabetismo e ainda nega a milhares de jovens o direito à educação formal. No entanto, há progressos a registrar. O nível geral ainda é sofrível, mas há ganhos em ilhas isoladas como as escolas técnicas, faculdades federais e estaduais. Maceió apresenta uma estrutura de ensino representativa, capaz de atender à demanda de sua Automotivo Maceió apresenta uma qualificada rede de revendas autorizadas contemplando diversas marcas de veículos. Oficinas mecânicas, de pintura, revendedoras de peças, de pneus, retificadoras, revendas de carros usados, seguradoras, empresas de aluguel de veículos, escolas de formação de mecânicos, uma extensa gama de atividades afins formam o Pólo Automobilísticos de Maceió, um negócio que gera milhares de empregos formais e informais e oportunidades. Turístico-hoteleirogastronômico A natureza ofereceu o cenário perfeito para uma das atividades econômicas mais promissoras de todo o mundo: o turismo. Dotada de um dos mais belos litorais do Nordeste, de águas mornas e de beleza incomum, a capital de Alagoas tem o ambiente adequado para converter o turismo em seu principal negócio. Em um espaço de 25 anos, estruturouse em Maceió um pólo turístico, hoteleiro e gastronômico representativo. Hotéis, pousadas, restaurantes, bares, agências de viagens, empresas de receptivo, de aluguel de carros – sem esquecer casas de shows, tendas de artesanato e outros pequenos negócios -, integram esse segmento. Energético Certo determinismo histórico especializou Alagoas no agronegócio da cana e do álcool. Com mais de quatrocentos mil hectares plantados de cana-de-açúcar, Alagoas é o maior produtor do Norte/Nordeste. O último fascículo da coleção Maceió Século XXI mostra como desde a Colonização se constituiu essa atividade marcante, tanto sob o aspecto econômico como sócio-cultural. população. No setor privado, investimentos crescentes no ensino fundamental, médio e superior formaram uma diversificada rede educacional, competitiva e com foco no negócio buscando, portanto, qualidade e eficiência empresarial. Do fundamental à pós-graduação, Maceió oferece alternativas que incluem uma diversificada gama de cursos. Somos um pólo educacional que avança em quantidade e qualidade. A história do automóvel no Brasil e em Alagoas, sua evolução e a formatação desse conjunto de negócios em torno do automóvel e suas variantes – utilitários, caminhões, motocicletas – estão sendo mostradas neste fascículo. Seus personagens são instrutores de escolas especializadas, empresários, comerciantes, executivos, dirigentes de categorias profissionais, gente que se move nesse mundo sobre rodas. Milhares de empregos são gerados por essas atividades. O surgimento e a evolução desse pólo estão sendo mostrados neste fascículo, assim como os entraves que limitam sua expansão. Passado e presente são colocados para que o leitor tire suas próprias conclusões. A instalação dos primeiros engenhos, a ocupação holandesa, a crise que durante séculos afetou o negócio açucareiro, o surgimento das usinas, o período de 1930 a 1990 em que o segmento esteve sob forte controle do Estado e a desregulamentação são mostrados como parte da evolução da atividade. A fase que o setor vive hoje, regida por leis de mercado, sua expansão e o chamado agronegócio do etanol. Mas, além do açúcar e do álcool, Alagoas também é gás, cloro, petróleo e energia elétrica: uma potência energética regional. Capa pÿÿg 07 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:39:30 100 95 75 25 5 0

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MACEIÓ Século XXI Um hoPmA eRmC E dI ReOtrSê:s séculos Dr. Ib Gato O conceito de pólos vem da economia. Como o nome sugere, quer dizer um conjunto de atividades especializadas, cada uma focada num negócio. Claro que para ser pólo tem que mostrar certo nível de complexidade que, em síntese, quer dizer desenvolvimento tecnológico, capacidade empresarial, capitalização, movimentação de negócios e atendimento às necessidades de uma grande malha de consumidores. A palavra pólo também serve para indicar força de atração, significando no raciocínio econômico uma cidade que gera produtos e serviços capazes de atrair clientes do seu entorno. Não é uma cidade qualquer, é a mais importante. Por diferentes motivos, algumas cidades se destacam em relação a outras, obtendo a primazia de se tornarem centros políticos, administrativos, econômicos e culturais. Entre vários fatores, a geografia costuma influenciar mais fortemente nessa questão. No caso de Maceió, a existência de condições adequadas ao atracamento de embarcações de maior porte foi elemento decisivo para sua elevação à condição de principal cidade de Alagoas. O Porto de Jaraguá decidiu seu destino. Um homem de três séculos Dr. Ib Gato O conceito de pólos vem da economia. Como o nome sugere, quer dizer um conjunto de atividades especializadas, cada uma focada num negócio. Claro que para ser pólo tem que mostrar certo nível de complexidade que, em síntese, quer dizer desenvolvimento tecnológico, capacidade empresarial, capitalização, movimentação de negócios e atendimento às necessidades de uma grande malha de consumidores. A palavra pólo também serve para indicar força de atração, significando no raciocínio econômico uma cidade que gera produtos e serviços capazes de atrair clientes do seu entorno. Não é uma cidade qualquer, é a mais importante. Por diferenCteonsstrmuinodotciovmopser,soanlagliduadme as cidades se destacam em relação a outras, obtendo a primazia de se tornarem centros políticos, administrativos, econômicos e culturais. Entre vários fatores, a geografia costuma influenciar mais fortemente nessa questão. No caso de Maceió, a existência de condições adequadas ao atracamento de embarcações de maior porte foi elemento decisivo para sua elevação à condição de principal cidade de Alagoas. O Porto de Jaraguá decidiu seu destino. Capa pÿÿg 08 quarta-feira, 16 de maio de 2007 20:40:15 100 95 75 25 5 0

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MACEIÓ Pólo Cultural Cultura pÿÿg 09 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:01:40 2007 A 100 95 75 25 5 0

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Presidente de Honra Jornalista Ana Luísa Collor de Mello Presidente do Conselho Estratégico Carlos Alberto Mendonça Diretor Executivo Luis Amorim Coordenador Editorial Ênio Lins A Presidente Jornalista Ana Luísa Collor de Mello PARCEIROS: - Coordenação Geral - Leonardo Simões - Coordenação Editorial - Stefani Brito Lins - Coordenador de Economia - Cícero Péricles de Carvalho - Estagiária - Flaviana Costa - Coordenador de Fotografia - José Ronaldo - Direção de Arte - Cícero Rodrigues - Editoração Eletrônica - Daniel de Barros Souza Wellington Charles Cavalcanti - Impressão - Moura Ramos Gráfica Editora - Tiragem - 30.000 Exemplares Endereço - Avenida Aristeu de Andrade, 355 - Farol Maceió /AL - Cep 57051-090 Telefone/Fax - (82) 4009.7777 / 4009.7756 E-mails: gazeta@gazetaweb.com comercialga@gazetaweb.com Cultura pÿÿg 10 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:01:31 Construindo com personalidade 100 95 75 25 5 0

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Pólo Cultura Uma concfululêtnucriaasde A história de Alagoas tem raízes na confluência de saberes, modos de vida, crenças e tradições do índio, do negro africano e do branco europeu. Século a século, essas formas diferentes de fazer e representar, submetidas a um processo de aculturação, vêm acumulando um rico patrimônio de bens materiais e imateriais: a cultura alagoana. Um patrimônio incalculável, no plano histórico, e de grande valor de mercado, no plano econômico. O centro estratégico desse mercado, em plena expansão, é Maceió. A localização geográfica privilegiada – entre os litorais norte e sul - e o fato de concentrar os equipamentos educacionais, culturais e midiáticos, fazem da cidade o principal centro de produção, difusão e distribuição de bens culturais e artísticos. Trata-se do Pólo Cultural de Maceió - uma rede de bens e serviços que movimenta o mercado local, gerando emprego, renda, tributos e novos investimentos. Essa rede também integra a economia criativa, ´´baseada no conhecimento, no talento artístico do povo, nos atributos culturais e na produção de bens intangíveis (digitais) e serviços, como a ciência, a tecnologia, o patrimônio e o entretenimento´´, na afirmação do economista Paulo Miguez. Artes plásticas, artesanato, música, literatura, dança, teatro, cinema, arte circense, enfim, todo esse leque de fazeres abre possibilidades para o desenvolvimento sustentável e includente. No pólo cultural artistas e produtores lançam mão de idéias, produtos e serviços que promovem, por um lado, o crescimento econômico e, por outro, ampliam o acesso das pessoas a uma existência intelectual e afetiva mais adequada. Em alguns casos - em Maceió, temos um excelente exemplo - as atividades culturais podem alterar a paisagem urbana e a realidade social de uma comunidade, como acontece no bairro do Pontal da Barra, onde cômodos de singelas residências se transformaram em vitrines de lojas de artesanato. A associação entre cultura e trabalho, sendo tão estratégica e rentável, levou o governo federal a lançar uma proposta de criação do PIB da cultura, um dispositivo para medir os impactos do setor na Cultura pÿÿg 11 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:01:22 100 95 75 25 5 0

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economia. Mas é preciso atentar para o fato de que o bom desempenho da rede produtiva da cultura depende da articulação com outros setores, entre os quais se destaca o turismo. Muitos especialistas concordam que enquanto o turismo cultural está em alta no Brasil, Alagoas continua repetindo a tática obsoleta de usar como atrativo exclusivo as belezas naturais, deixando de investir numa política cultural eficiente para o segmento. Nos anos 90, a rápida urbanização, a ampliação do sistema de comunicação de massa (rádios, TVs e jornais diários), o crescimento do fluxo turístico e a expansão do ensino universitário contribuíram para o remodelamento da cidade. Lentamente, Maceió vai tentando acompanhar o ritmo frenético das grandes capitais, e inicia um processo de superação da transição rural-urbana (ainda não concluído). Essa mudança vai repercutir no debate sobre mercado cultural, que ganha mais importância nas metas das instituições públicas (Secretaria Estadual de Cultura, Fundação Cultural Cidade de Maceió) e privadas e de organizações nãogovernamentais (Ideário, Anima Alagoana). A idéia de Pólo Cultural surgiu nesse contexto e hoje ocupa um lugar de destaque no PIB da economia alagoana. Para funcionar, o pólo depende de seus equipamentos: bibliotecas, videolocadoras, lojas de discos e CDs, bandas de música, livrarias, emissoras de rádio e TV, teatros, museus, cinemas, casas de shows, shoppings centers, centros de artesanato, galerias, provedores de internet, unidades de ensino superior, corais, orquestras, clubes, associações, estádios e ginásios. O dinamismo que esses pontos de difusão impõem à capital, contrasta com o marasmo decorrente da ausência de movimento e políticas culturais na maioria das cidades do interior. Diversas cadeias produtivas trabalham afinadas com esses equipamentos culturais, que divulgam idéias e informações; comercializam produtos e serviços; e promovem a convivência, a diversão e o bem-estar social. A ausência desses meios levaria a cultura a um completo mutismo, fechando-se em si mesma, sem vias de interlocução. Essas cadeias produtivas - artes plásticas, artesanato, música, literatura, dança, teatro, cinema - são apenas um recorte do Pólo Cultural de Maceió, uma rede bem mais ampla de fazeres, produtos e serviços. A exposição dos principais aspectos do funcionamento dessas cadeias confirmou o potencial econômico da cultura local. Embora faltem indicativos precisos para quantificá-lo, já é possível sentir o peso de sua participação na economia da Capital e do estado. O mercado da cultura representa, hoje, para Maceió e muitas cidades do Nordeste, a oportunidade de superação de graves problemas sociais e econômicos. A consolidação do Pólo Cultural de Maceió e de seus equipamentos contribui para a construção de um sentido de identidade e cidadania. Um simples passeio pelo mercado do artesanato, no Centro, ou uma visita ao Museu da Imagem e do Som, parecem ações banais. Mas um olhar mais atento revela que a participação na vida cultural é uma oportunidade de reconhecimento de um conjunto de fazeres, saberes, crenças e tradições que se deve preservar. Essa identificação contribui para a formação de cidadãos e cidadãs que respeitem o espaço público e sintam-se co-participantes do desenvolvimento da cidade. Cícero Péricles de Carvalho Doutor em Economia pela Universidade de Córdoba, Espanha. Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC) da UFAL. Autor de vários livros sobre a economia alagoana. Cultura pÿÿg 12 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:01:15 100 95 75 25 5 0

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Pólo Cultural A arte do povo: Mestre Djalma, patrimônio vivo da cultura de Alagoas Arte Culturae entretenimento Cultura pÿÿg 13 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:00:47 100 95 75 25 5 0

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Carla Salignac | Jornalista Os setores de arte, cultura e entretenimento tiveram um desenvolvimento extraordinário nos últimos cinco anos em Maceió, movimentando um mercado de milhares de reais e gerando emprego e renda para um enorme contingente de pessoas. Embora seja quase impossível dar índices que comprovem a real participação da cultura e das artes na arrecadação de impostos e no incremento do Produto Interno Bruto da Capital, fatos concretos apontam o momento como o de maior efervescência desse pólo de serviços. Segundo Cristina Pereira de Carvalho Lins, em Indicadores Culturais: Possibilidades e Limites. As bases de dados do IBGE, as análises econômicas do setor cultural têm grandes lacunas, principalmente no que se refere à disponibilidade de informações estatísticas sobre a produção e o consumo de bens e serviços culturais. A pesquisadora salienta que esse problema ocorre em vários países e o Brasil não é exceção. Em Maceió, a situação é mais complexa. Não existe preocupação em atualizar os dados disponíveis. Muitas vezes, as informações estão centralizadas em uma só pessoa, dificultando ainda mais o trabalho de apuração. Por fim, a prática da sistematização está fora dos padrões da realidade local. Quanto aos dados estatísticos, simplesmente inexistem. A dinâmica do movimento cultural ainda não permite registrar as transformações nesse cenário que envolve a atividade febril de produtores, músicos, documentaristas, agentes culturais, artistas populares, coordenadores de casas de espetáculos, operadores de áudio, iluminadores, figurinistas e armadores de estruturas, entre outros personagens mobilizados e irmanados no fazer deste grande momento. Várias razões são apontadas pelos profissionais do setor para o frenesi da produção cultural e artística na cidade. Tamanha euforia pode ter como explicação a popularização da tecnologia da informática; a instalação e adequação de equipamentos culturais; a profissionalização dos segmentos que fazem cultura e a conseqüente formação de público, sem esquecer a atuação do Ministério da Cultura. Esse conjunto de forças promove e alavanca a cultura na cidade, possibilitando a realização de espetáculos de qualquer gênero e capacidade de público. Festivais de música e lançamentos de coletâneas trazem à cena novos trabalhos autorais ou evidenciam a genialidade de quem já tem um longo tempo de estrada. Instituições como o Sesc, tradicional formador de platéias e o Sesi, recémchegado ao panorama cultural de Maceió, ampliam espaços em conjunto com o Sebrae, capaz de organizar pessoas e empresas em torno de bens simbólicos. O Sistema 3S (Sebrae, Sesc e Sesi) e seus técnicos, capacitam, contratam, reformulam as linhas da produção cultural e artística, oferecendo ao alagoano o refinamento indispensável para absorver parcelas dessa produção. Na outra ponta, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) monta novos cursos nas linguagens de teatro e de dança, Jaraguá Cultura, megaevento que traduz o momento de efervescência vivido pela cultura, em Maceió, conjugando talento e negócios 100 95 75 25 5 0 Cultura pÿÿg 14 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:00:29

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e produz conhecimento com seminários, palestras e workshops. Organizações nãogovernamentais e governamentais participam da luta pela inclusão social por meio da cultura. Afinal, a cultura é também responsável pela formação da identidade de indivíduos e povos. Como resultado, pessoas estão sendo profissionalizadas, tanto nas salas de aula quanto na prática, na luta cotidiana do show business, no teatro de rua ou nos estúdios de ensaio e gravação, ou ainda, nos pequenos palcos que compõem cada tela de computador. Todo esse arsenal de conhecimento teórico e prático repercute em aumento da qualidade do produto final na música, no teatro, na dança, na literatura, no cinema e nas artes plásticas. Para melhorar essa situação, o Ministério da Cultura trata das conexões entre cultura e desenvolvimento, ampliando seu papel e somando às políticas compensatórias, outras, capazes de diagnosticar e estimular as empresas e os empreendedores brasileiros que atuam no setor cultural. Pela primeira vez na história do País, a abordagem da cultura é mais completa e integrada. Este trabalho inédito de investigação sobre o panorama da economia da cultura em Maceió, mostra a tendência em vários segmentos das linguagens artísticas em reformular conceitos apreendidos e em reelaborar sua própria compreensão da realidade. Reconhecendo a importância do fazer em sintonia com a própria identidade, indivíduos e grupos organizados utilizam elementos da cultura alagoana para dar vazão à criatividade, mas ao mesmo tempo, para interferir no cotidiano e dar respostas concretas aos problemas da sociedade. Maceió prosa e poesia O olhar de Edilma Bomfim Segundo definição do alagoano Aurélio Buarque de Holanda, literatura é “a arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso”, mas essa arte representa também o registro para a posteridade das idéias de uma época. Para a professora Dra. Edilma Acioli Bomfim, a produção literária, em Maceió, vive uma excelente fase. Nunca se produziu com tão boa qualidade quanto se produz hoje. Um bate-papo com a pesquisadora rendeu o olhar sobre a literatura que se pratica em Maceió: “A crônica cresceu principalmente por causa dos jornais. Os cadernos de cultura publicam com assiduidade. Crônicas e poesias saem todo dia. O Caderno Saber, mensal, da Gazeta de Alagoas, dá destaque a essa produção. Quase não temos romancistas. A poesia, o conto e a crônica têm sido o nosso forte. Antes, na década de 30, o romance era a nossa principal referência. Um pouco pelo boom do regionalismo que levou nomes como Graciliano Ramos a fazer essa prosa mais densa. Na poesia, temos Sidney Wanderley, Solange Chalita, Otávio Cabral, Gonzaga Leão , Newton Rozendo, Fernando Fiúza, Francisco Valois, Lúcia Guiomar e nomes já consagrados como Vera Romariz e Arriete Vilela. O poeta Maurício de Macedo tem uma produção imensa, intensa. Publicou muito e vem aprimorando o texto. O melhor livro de Maurício para mim é o primeiro. Cinzel da Língua é muito bom. E ele vem publicando uma série muito grande, com um trabalho forte. Zé Geraldo Marques é excelente. A Universidade fez o projeto Hora e Vez de Pesquisa Literária, desenvolvido com autores vivos. Fizemos bons artigos com sua obra. Agora temos também Sávio de Almeida. O conto volta com Arriete Vilela, da geração mais antiga, Anilda Leão e Theomirtes de Barros Melo. Também tem muita gente nova publicando. Temos ainda o professor Foto: Antônio Murillo Bomfim Cultura pÿÿg 15 quinta-feira, 17 de maio de 2007 09:00:19 100 95 75 25 5 0

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