Confrades da Poesia86

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Mensal Nº 86 | Julho 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2017 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9 Confrades: 10,11,12 / Tribuna do Vate: 13 / Cantinho Poético: 14 / Links Amigáveis: 15 Rádio Confrades da Poesia: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 13 Rádio Confrades da Poesia página 16 Nesta edição colaboraram 54 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «A Voz do Poeta» Trago o xaile da amizade No corpo duma sextilha Vou cantando hospitalidade Aos que são fora da ilha Num leque de sinceridade Vou deixando a partilha. Todos os que aqui vierem Rondar minha cronologia E cedo não me avistarem Não percam a alegria Digam lá o que disserem A resposta virá a seu dia. Trabalho no meu casebre Trabalho no meu serviço Nem tartaruga nem lebre Faço muito mais que isso Que o FB não quebre O meu canto por causa disso. De S. Miguel para a Terceira Vem amigos que eu sei Pensam que sou cantadeira Até isso já tentei Mesmo assim tenho a cadeira E na escrita me assentei. Rosa Silva ("Azoriana") Angra do Heroísmo Encantamento Qual almo do meu dia, assim te vejo Imagem de uma Erato, amante e bela Tal doce madrigal, assim te almejo Quando te assomas, linda, na janela O teu nome não sei, mas gostaria de o conhecer, oh musa que me inspiras E est'alma do Poeta então estaria mais cheia do sossego que lhe tiras Chamar-te pela graça, amada minha conhecer-te o rubor e a casta chama que o porte trai e isso se adivinha quando da face tua se derrama E desse fogo tu nem te apercebes quando em mim se propaga ao coração que plo teu se debate em tantas sedes tremendo à míngua da tua afeição Mas neste dia, a todas consagrado; às mulheres que nos mandam na ventura, Vou arriscar que mandes no meu fado; Vou confessar-te toda esta ternura! Eugénio de Sá - Sintra Quis fugir da minha vida Quis fugir da minha vida dei meia volta e voltei voltei para a triste ermida tão só e desprotegida como quando comecei No cansaço da jornada o sonho me levou longe numa longa caminhada palmilhando cada estrada até aos dias de hoje e hoje estou comigo tal como parti, tão só nos sonhos que eu persigo entre rainha e mendigo antes do corpo ser pó. Maria Graça Melo - Lisboa SANTA E RAINHA Qu’ria ter-te toda a vida Oh minha mãezinha qu’rida Com toda a tua candura, E qu’ria ser pequenino P’ra ser de novo o menino Que beijavas com ternura. Nos meus medos de criança, Para me dares segurança No teu peito me abraçavas, E nessa afeição tão pura, Quanto amor, quanta doçura Nos beijos que então me davas. Mil vezes me abraçaste E tudo tu me ensinaste Com peso, conta e medida, O exemplo que deixaste Tem tido força que baste P’ra dar paz à minha vida. Recordação que me encanta, Oh quanta saudade, quanta, Sinto de ti oh mãezinha, Tua paciência foi tanta, Sem ter altar foste santa, Sem trono foste rainha. Isidoro Cavaco - Loulé QUADRAS DE SÃO JOÃO. Aquele vaso de manjericos, Que me destes de presente Trazia seu amor em fanicos, Com perfume bem potente! Achei enfim o trevo da sorte Posso contar com coisas boas, Arranja breve um consorte, Forte, que tenha muitas ”c’roas” Nas quadras de S. João, A sorte é deveras estranha, O trevo sortudo com função, Talvez se pise, não s’apanha! A má língua faz história, Nas noites de S. João, Pode mostrar com vangloria, Vejo o anel na minha mão! S. João por Deus mantém, Tua noite em divertimento, Esta folia do meu noivo tem A promessa de casamento! S. António meu santinho, de joelhos ouve meu fervor, meu coração deu um saltinho, na fogueira alta do amor! O anel dado no S. António, Era muito largo, no dedo, Que por cargas do demónio Perdi tudo…tudo bem cedo! S.João, a noite já é finda Da fogueira resta o calor, Em mim resta força ainda Pra curtir com meu amor! S. João, quem me dera agora Meu primeiro namorico, que me prometeu a aurora, Nas folhas d’um manjerico! S. João! S. António! Padroeiros De todas moças de meu lugar, Todas querem os solteiros, Só com dinheiro pra casar! Nelson Carvalho / Belverde/Amora (sobre a PAZ) Este mundo assaz De guerra é um ás Há que voltar atrás Para conquistar a paz Vítor Costa - Oliveira do Hospital

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Mundo Novo Deste meu poema faço O mais fraternal abraço Que vos dou com amizade E na mesma sintonia Sem qualquer hipocrisia Abraço a humanidade. Quero abraçar toda a terra Pedindo a quem faz a guerra P’ra a tal afronta pôr fim Quero abraçar quem mendiga Dar-lhe a minha mão amiga E o melhor que há em mim. Quero abraçar os doentes Infelizes e carentes E quem vive em solidão Abraçar o injustiçado Que sofre sem ter pecado E sem saber a razão... No mundo qualquer governo Dê como abraço fraterno Justo direito ao seu povo Para que então os países Sejam as fortes raízes A abraçar um Mundo Novo !... Euclides Cavaco - Canadá GUERRA… Vagueiam crianças apáticas Na dor que as envelheceu! Deambulam tétricas, vazias … Na esperança que já morreu! ** Gritam as ruas, escombros, Monturos, sangue inocente… Impiedosa, espreita a morte, Na ceifa da vida, inclemente! ** Gemem as ruas subterradas Pelo peso! Pedaços de tudo… Agonizando o céu e a terra Pelo silêncio quedo e mudo!... ** Soçobram, tristes, hediondos… Os parques fúnebres, calados… Choram o luto pelas crianças… Os lares vazios, abandonados… ** Filomena Gomes Camacho Londres Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Ecos Poéticos» 3 O POETA O poeta cava sonhos com vogais e consoantes… planta versos faz canteiros com a terra das palavras… rega o tempo com as cores do arco-íris da vida e a cada primavera vê e revê-se nas flores ou numa folha caída no outono da quimera O poeta borda rimas com linhas finas de versos no linho do sentimento... pinta amores e ternuras na tela do pensamento… grava dores e saudades nas bainhas do momento O poeta faz amor entre a seda das metáforas engravida e dá à luz os poemas que amamenta com o a seiva dos seus seios tugidos, fartos, saudáveis que ao mundo inteiro desnuda com orgulho e sem pudor O poeta é uma ave que voando ganha o espaço e conquista a liberdade com asas da fantasia… é o sol ou uma estrela que ilumina a consciência de quem luz não irradia e por mal ou negligencia mata ou fere a poesia que a poeta natureza por amor à humanidade escreveu, leu e cantou! O poeta não é mago nem vidente ou ilusionista mas tem vara de condão que é brilhante e salta à vista por ter alma num extremo e no outro coração. Abgalvão – Fernão Ferro A Compreensão. Filo! Pra compreender os amigos E também para ser compreendido Basta abrir o livro dos antigos P’lo saber, nada fica escondido Conversando e saber escutar Na hora d’aflição e decisiva Entra o amigo, pronto ajudar! Clima lhe apraz! De voz apreensiva Os desabafos ficarão aquém Para não ofender mais alguém Coração!? Entra noutra dimensão Sejamos todos compreensivos Por guardar conselhos apelativos! Flui no ser feliz “A Compreensão” Pinhal Dias (Lahnip) PT Aquele miúdo tão triste Quando eu, ia a passar Bem perto do cemitério O caso pareceu-me sério Vi um miúdo a chamar Parei e pus-me a escutar Naquela manhã tão fria O que o miúdo dizia Dizia sempre a chorar Depois deste relato ouvir A seu lado me ajoelhei Vens comigo, lhe perguntei E vi seu olhar sorrir O tempo lá foi passando E o cemitério ele visitava No duro chão se ajoelhava De mãos no rosto, chorando Refrão Sozinho vivo ao desdém A minha mãe está ali Ó minha mãe venha aqui Que eu não tenho mais ninguém Nem sequer tenho uma avó Que me possa dar carinho Estou triste, pois estou sozinho E de mim ninguém tem dó. Chico Bento - Suíça

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» EU NÃO SEI, MEU AMOR Eu não sei, meu Amor, como agradecer-te Por esta manhã, só d'amor, só de ternura Com tua presença... superior ventura! A suavizar o meu receio de perder-te. Eu não sei, meu Amor, como agradecer-te O alívio p'ra saudade que me tortura! Dor maior de amor que jamais tem cura Pois, nunca mais, senhora, hei de esquecer-te. Eu não sei, meu Amor, mas... muito obrigado Por teres querido estar a meu lado E seres tão carinhosa para mim. Bem- hajas, querida Flor, minha paixão! P'ra sempre ficará tal recordação Desta manhã que quisera sem ter fim. JGRBranquinho -- “Little White” Lisboa 10 de Junho dia de Portugal Desfralda a invicta bandeira À luz viva do teu céu! Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O oceano, a rugir d'amor, E o teu braço vencedor Deu novos mundos ao Mundo! Silvino Potêncio - Natal/BR Se te vejo passar na rua, O meu coração palpita... Teu capricho continua, Estás mesmo mais bonita! Vejo-te como deusa nua, Pareces uma afrodita! Vem mais vezes à minha rua, Tens boa figura, acredita! Jorge Vicente - Suíça UM DIA ESCREVI Que o mais lindo de meus sonhos Em ti começou e ainda não acabou; Que a estrela não cai, só treme, Como o marujo da caravela ao leme; Que tu és o barco, e eu sou o vento Que sopra e murmura um lamento; Que o oceano não é uma simples gota Nem que nele ela se esgota; Que no palco da vida Cada dia é uma estreia Pela qual o público anseia; Que nossa espada é menos forte Que nossa cruz aos ombros de Jesus; Que minha alma é escrava da tua E sem ti vagueia à luz da lua; Que não importa a idade Porque o homem vive para a eternidade; Que não tem mistério o nosso amor Pois lhe basta resistir ao agressor; Que o poente também é belo Quando o sol se esconde No outro lado do castelo; Que quem se apaixona Por Deus não envelhece (mistérios que a fé tece); Que a alma é um núcleo Do divino em nós e nunca estamos sós; Que, com teu gaiato sorriso, Se abriram as portas do paraíso; Que sementes de sonhos lancei, Quando por ti me apaixonei; Que numa cantiga, fizemos vida Quando me deste guarida; Que não te cansas de amar quem amas, Nem nunca desistes do amor, Mesmo que te cause dor; Que renovas todo o sonho que morrer E rejeitas a ignorância dos afetos, Mesmo se dos mais diletos; Que ao mundo deves transmitir alegria e fé Como ensinaram Cristo, Maria e José; Que, como inocente criança, Te deves fazer arauto da esperança E avançar para o interior da vida, Sem acenares qualquer despedida; Que tens de lançar mãos ao leme do destino E sempre acreditares no divino; Que Deus ama o pecador embora deteste o pecado, E que estará sempre a teu lado; Que muitos só descobrem as sombras Que a luz projeta no desfazer da escuridão. Tu, sábio, que também és meu irmão, Sabes quem ordena a rota ao vento E a lógica ao pensamento? Que bem me faz a paz do luar Que vejo em reflexo no mar… João Coelho dos Santos – Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 O CANTE ALENTEJANO Está vivo e bem vivo O nosso cante alentejano Eu toda a vida o revivo Ao ouvir um conterrâneo. Para cantar uma moda Rápido se prepara o cenário Juntam-se numa roda E todos parecem um canário. Uma linguiça assada Do tinto umas garrafas Uma moda bem cantada Bebem um copo às safas. Começa o ensaiador… O ponto pode começar A seguir o alto estimulador Depois todo o coro a cantar. Tantas vozes impressionam Aqueles fortes pulmões Que ao ouvir todos adoram Nas mais variadas ocasiões. Argumentam realidades Que fortalecem a candidatura Cante Património da Humanidade No Alentejo sempre perdura. Agora mais preocupações Apelamos à nossa juventude Transmitam as novas gerações O nosso cante na plenitude. Deodato António Paias - Lagoa O MAIS PURO POEMA O que eu li,aplaudi Mergulhei em cada verso Assimilei este universo Iluminado que vi aqui. São linhas que professam Puro lirismo evolvente Único que processam Rica emoção na gente Ouça meu amigo Peço a Deus que ilumine O caminho da inspiração E que a cada dia Mais poemas construa Alegrando o nosso coração. Angélica Gouvea - Luminárias / BR PRÉ-AVISO Podem pintar os mármores, Grafitar os cimentos, Derrubar as estátuas. Podem rasgar os véus, Alagar os pisos, Entornar os vasos. Podem furar os totens, Partir os lacres Perder os sisos Podem nada. na direta proporção Da pedra inútil. Porque não podem Mesmo que queiram, Derrubar o monumento De uma vontade viva dita em voz livre Que está presa sempre E só à Liberdade. José Jacinto “Django” Casal do Marco/Seixal poetas amigos do sonho e magia que em cada hora em cada dia têm um palavra a dizer têm um sentimento profundo diferente forma de viver de se e estar no mundo mas é esse sonho que os faz escrever poetas têm suas ambições seus amores suas ambições suas venturas momentos de ternuras com outros querem compartilhar e escrevem o que sentem escrevem para si para o mundo demonstrando afecto profundo e um doce bem querer poetas procuram irmãos a quem falar a quem a sua palavra dizer e é longo o caminhar mas tudo pode acontecer Assim, certo dia vão encontra em sua frente , seu monitor uma palavra que os atrai também e então com muito amor se encontram com alguém Poetas aqui mais de cem Rosélia Martins - Loures À CASA DA PIMENTA Tributo à exímia fadista ALICE PIMENTA Nesta CASA DA PIMENTA Onde o FADO tem nobreza Serve-se a mais lauta ementa Da cozinha portuguesa. A Senhora Dona Alice Proprietária e fadista Recebe-nos com meiguice E seu desvelo altruísta. A sua dedicação Ao FADO é genial Fazendo desta canção A alma de Portugal. O FADO aqui ganhou fama Para além do Tejo azul Já causa ciúme a Alfama Em terras da margem Sul. Uma casa requintada Onde o prazer não se esconde Que está bem localizada Perto da Quinta do Conde. Se quer ouvir o bom FADO Com refeição suculenta E ser muito bem tratado Só na CASA DA PIMENTA. Euclides Cavaco - Canadá Sensatez Não seremos assim tantos A concorrer para o bem, Pois devia-mos ser santos P’ra ninguém tramar ninguém, Nem andar por quaisquer cantos A ferrar o pé de alguém. Tenho pena que ande alguém A hipocrisia exibindo, Fingindo estar tudo bem Sabendo estar desavindo; Na “bola” tento não tem Precisa luz do Divino! Retiremos os escolhos Que nos toldam a razão, Depois, sim, olhos nos olhos E amor no coração, As graças virão aos molhos Com o mútuo perdão. Casimiro Soares - Amora

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» RECORDAÇÕES DESTINO ESCOLHIDO Batalha Povo Recordações numa gaveta, cheia de pó Ilusão velhinha que há tanto guardei E hoje ao vê-las pensei Que agora sou digna de dó Naquela gaveta fechada Uma vida de ilusão Pedaços de coração Tantas coisas já passadas Uma flor, murcha, mas tão guardada Naquele livro, que me ofereceste Como o primeiro beijo que me deste E eu tenho naquela folha marcada E um lenço, dobrado, velhinho Com umas madeixas do teu cabelo Que hoje ao reve-lo Volto a sentir o teu carinho E aquele retrato que tu me ofereceste Já tão sumido pelo passado Mas que eu tenho tão guardado Porque em mim tu não morreste E as tuas cartas, lidas e relidas Palavras da tua boca Que eu agora como louca Mancho de lágrimas caídas Escolhi, ou penso que escolhi O caminho que conduzia ao futuro Aprendi, sim, eu aprendi Que o caminho, por vezes, era duro Na vida, sempre há consequência Dos meus gestos, das ações e dos meus feitos Se me falta algumas vezes a paciência Vejo em tudo o que me rodeia, só defeitos É aí que me serve o que aprendi É aí que dou asas à fantasia Me escudando no refúgio que escolhi Nestas linhas a verterem poesia E vens tu, meu amor, em meu auxílio Dizendo que a vida pode ser um doce exílio Basta crer que o futuro só é certo Quando anda o amor rondando perto E nós dois, acertando nosso passo Aceitamos o destino que vier Nas escolhas que selamos em abraço Se é assim, só será, porque Deus quer! Maria Graça Melo - Lisboa RECORDAR O PASSADO Eu hoje sou barco Subindo manhãs Sou remo lançado No rio de amanhã Sou campo e cidade Sou mão que esqueceu De acenar saudades E dizer adeus Eu sou a maré nova Na praia velha Trago de liberdade duas mãos-cheias Sou força do trabalho que se semeia Sou o estandarte novo Desta muralha Sou a batalha-povo Que em mim se ganha Pão que por mim se ceifa E em mim se espalha Sou campo desperto Que encara de frente Sou um sol do tamanho Do corpo da gente Sou gesto e palavra Poeta, soldado Sou terra lavrada Por fúrias e arados Paco Bandeira - Montemor Vivo da recordação Tanta relíquia guardada E está na gaveta fechada O meu próprio coração Recordando o passado Tão lindo como o presente Por ti fui enamorado Estando sempre apaixonado Mesmo nas horas ausente. Há línguas que não se enrolam Quando falam mal de alguém Porque as mentes que as controlam É do mal que vivem bem Sara da Costa - Corroios No Estio Enchia de luz todo o Universo! De manhã bem cedo gritava redondo Espalhando raios que encandeavam, Pra lá da “Ventosa”, aonde o recordo… Era uma bola, imensa, de fogo! Caía impetuoso, sobre o restolho Daquele campo que criou o pão! Trazia sorrisos ao meu rosto jovem, Que o desafiava. Exalava essências de palha madura. Um cheiro forte a ouro e magarça… Uma mistura de vários aromas, Que a madrugada e a noite libertavam, E que eu aspirava em tempo de canícula Naquela planura de longes e silêncio… Que me criava! A primeira vez que te olhei E fiquei atrapalhado Eu nunca imaginei Ir ficar como fiquei Nessa luz encandeado Hera outra a intenção, Quando te fui conhecer Só tenho que pedir perdão O meu pobre coração Se apaixonou mesmo sem querer Foi uma paixão duradoura Paixão com muito prazer Ainda não eras madura Toda a tua formosura O meu amor fez crescer. Hoje já estamos velhinhos A recordar esse momento Com todos os nossos carinhos Vamos contando aos netinhos Como foi o casamento. Abgalvão – Fernão Ferro O poder do dinheiro Na rua passa uma linda mulher e o rico que o amor não mitiga ele pode comprar o que quer e a ela aluga a barriga Pergunta-lhe o sr.doutor senhor. quantos filhos quer? pode ser dois se faz favor mas não diga isto á mulher. Vitalino Pinhal – Sesimbra Felismina mealha - Lisboa Mário Pão-Mole - Sesimbra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 7 «Bocage - O Nosso Patrono» DE BRAÇOS ABERTOS Mote Nasci c’ os braços abertos Para abraçar minha mãe Por os meus filhos e netos Vou morrer assim também (Glosas) * Dar à luz, cuidar da cria É uma bênção divina Não se aprende, não se ensina Acontece por magia! Senti desde o primeiro dia De vida, muitos afectos, Com gestos muitos discretos Surpreendi toda a gente, Muito feliz e contente NASCI C'OS BRAÇOS ABERTOS! * O sol sorriu para mim No auge da Primavera Cheguei, não estava à espera De ver este mundo assim! Minha casa era um jardim A rua, um jardim também, Só nunca disse a ninguém Que o sol me encandeava, Enquanto rejubilava PARA ABRAÇAR MINHA MÃE * Passados sessenta anos Dou à vida, mais valor Já conheço em bom rigor Que é feita de desenganos. Já sofri perdas e danos De familiares directos Deitei mão aos meus projectos Sou na vida, um lutador. Eu faço seja o que for POR OS MEUS FILHOS E NETOS * Eu quero amor e partilha No meu seio familiar Quero sentir o pulsar Do esplendor quando brilha. Tive um filho e uma filha E hoje um neto também Na ‘nha vida o maior bem Amanhã é uma certeza Com tão sublime riqueza VOU MORRER ASSIM TAMBÉM! José Chilra - Évora Fui passear pela Costa E vi o Sol a piscar Será que veio de volta, E prestes a cá ficar? Arménio Domingues Foros de Amora Melodias do pensamento Queria apenas bailar E em teus braços ... Sentir o teu corpo E te Amar ... Como se fosses O Destino ... O Sonho ... A doçura ... Para as noites de ternura ! Queria apenas ... Ter-te !... Seres o Eleito ... Aquele que me arrasa ... E me deleita Em braços Impulsivos ... Cheios de amor ... E eterna Juventude ... És a lágrima que corre !... Cheia de saudade ... E bailas no meu pensar !... E peco ao te lembrar ... São toques de amor Melodias !... Que eternizo !.. Por TI ... Meu amor !... MAGUI - Seixal MANIPULAÇÃO Sei que a vês muitas vezes, dia a dia Disfarçada, de aspecto natural Que te parece até que tem poesia E que não pode ser algo de mal Se um ministro falar com simpatia Num discurso que diz que o ideal É o que o povo quer. Ahh..Desconfia O que os dois querem não será igual Na fala do patrão que te elogia Mas te pede que sejas seu espia Subtil, está a lançar-te forte arpão Sei que a vemos em todos os lugares Quando tantos e tantos se dão ares De contritos e te falam de paixão MEA - Lisboa Quadras Soltas Já puseste no penhor, A tua amizade antiga? Só com saldo devedor Dizias ser boa amiga? Já tudo foi esquecido Daquilo que por ti fiz Com saldo a fundo perdido... Como vai este país? Entre gente importante Procuras nessa subida E assim ficas distante De quem te ajudou na vida! Se já tens amigos novos Guarda bem esse tesouro A galinha põe os ovos... Mas não são ovos de ouro! Eu tenho marés de prata Pois na mina - o meu minério A minha alma se dilata... No Amor - um vasto Império! Na doença e na desgraça Se conhecem os amigos Na vida que por nós passa Surgem por vezes castigos O destino tudo traz Devolvendo a injustiça Daquele que só bem faz Na mão de Deus a Justiça! O teu silêncio revela O esquecimento de quem Esqueceu uma parcela De quem lhe deseja Bem. Maria José Fraqueza - Fuseta Sou homem, não sou ladrão Mete lá na tua mente Tantas vezes ladra o cão E nem sempre lá vem gente *** Alentejo és uma paixão E o teu povo a minha gente Levar-te-ei p’ro caixão P’ra te amar eternamente *** Vida Noite escura, vida fria Onde a amizade é pouco Sem amor e alegria Morre de ódio gente louca Poeta Silvais - Évora

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» Luz que te ilumina É hora de olhar a transparência Do espelho que jamais te fantasia, E rebuscar na própria consciência, A essência da vivência de outro dia. É hora do resgate da alegria Que ainda existe no teu coração E celebrar na tua alma vazia A alegria em forma de oração. É hora de notar no teu irmão Que ele é feito à tua semelhança... Que chora, ri, que sente emoção, Que pode se sentir como criança. É hora de traçar o itinerário Feliz que há de mudar a tua vida E desprezar o medo arbitrário Que faz a dor lembrar cada ferida. É hora de elevar teu pensamento A quem é bem maior que toda dor: O Deus que existe em cada movimento Da vida... o nosso Deus... teu Criador ! É hora, meu irmão, de levantares Teu canto ao novo ano e declarar Que tudo aquilo que tu desejares Na certa haverás de realizar... Teu Deus te deu a graça e o poder De aprimorar teus dons com teu talento E o tempo há de mostrar que hás de fazer Do amor teu poderoso sentimento. Levanta, agiganta tua fé, Confia nessa luz que vem de cima... Se a dor está na planta do teu pé O amor está na força que te anima. Confia em cada dom que recebeste, Confia em cada sonho, em cada plano Se a dor está no amor que tu perdeste, Há mais que um novo amor no novo ano. Tu és uma pessoa abençoada ! Confia na vitória ! Determina ! Se a vida até aqui não te deu nada, Jesus te dá a luz que te ilumina ! Luiz Poeta - RJ / Brasil Ainda há esperança A nossa vida não acaba assim… Porque Deus nos deu O Salvador, Que na Cruz, com Seu sangue remidor, Do pecado nos lavou, a ti… a mim. Faz da esperança e fé, um trampolim, Sobe os degraus p’ro Céu. Pátria d’amor, És importante para o Criador: Não emudeças pois, ao Seu clarim. Somente crê, o milagre acontece, Pois aquele que crê, nunca perece, E em Cristo Jesus terá vitória. Aceita-O, louva-O, pois na Cruz Te transladou das trevas para a Luz, E à tua espera está, com o pai na Glória. Anabela Dias – Paivas / Amora Um olhar de Deus Deus na sua infinita bondade, Ao olhar um dia para a Terra, Viu quão grande era a sua calamidade, Como perdida andava a humanidade Por caminhos ensombrados pela guerra. Para nos dizer que o amor, a paz e a harmonia, Eram os caminhos certos para a felicidade, Onde o ódio e a maldade, não cabia, Fez de Jesus Cristo a Sua voz, Que se fez homem para viver entre nós E transmitir-nos os Seus ensinamentos. Mas, os homens de torpes pensamentos, Preferiram os caminhos da iniquidade, Na vã procura da imortalidade. De geração em geração, Vamos vagueando pela face da Terra, Sem sabermos ao certo a sua idade, Nem as eras que ainda advirão… A Terra que é mãe, mas não pertence a ninguém: Apenas nos serve de passagem, desta vida para o além. O resto é efémero, é pura ilusão! Conceição Tomé (São Tomé) - Laranjeiro A salvação é, pois, de Deus, Feita pelo Senhor Jesus. Não sejas como os Fariseus, Rejeitando a única Luz. CMO – Qtª do Conde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Contos / Poemas» 9 O poder pelo poder A humanidade mergulhou em um contexto de corrupção que influiu todas as estruturas sociais. Os homens fizeram da política um circo de ego e poder. A falta de "conhecimento" dos candidatos ao cargo legislativo os deixam de pés e mãos atadas diante da responsabilidade com relação à fiscalização e promoção de leis que objectivam a manutenção e progresso da comunidade. O "povo" deveria promover a revolução, mas prefere a "bestialização", e a maioria vota em candidatos que visa status sociais, não tendo comprometimento com os interesses do povo. É lamentável, mas o "cidadão" ainda não tem consciência do seu poder enquanto agente social, vivenciando e difundido discursos alienantes que favorecem a guerra do poder pelo poder. Aqueles eleitos pelo "povo" constroem mecanismos de manobras fazendo dos seus "eleitores" marionetes. E o ciclo continua, a política tornou-se a dama da corrupção nas mãos de fomentos pelo poder. Nas ruas a campanha eleitoral de "candidatos" que querem mudar a sua condição social, utilizando-se de discursos fragmentados e estruturados na necessidade do eleitor, apoiando em projectos que destacam o interesse do eleitor e não da comunidade. Um movimento de egoísmo para indivíduos egoístas. A comunidade não está nos planos de governo do "candidato" ou do "eleitorado", o que prevalece são objectivos particulares e isolados. Finalidade que não será viabilizada, e mais uma vez o cidadão se pronunciará enganado. O ser humano vem se corrompendo ao longo da sua evolução moral e cultural, o que importa é o eu, o meu. E o nosso, o todo está obsoleto. Analisemos os nossos candidatos não pelo seu arquétipo social e sim pelo seu ideal em prol da manutenção e distribuição coerente dos impostos pagos por nós. A corrupção que corrói as estruturas da vida humana não é fruto das políticas e sim das nossas acções egoicas. Só transformaremos a nossa realidade com a renovação das nossas práticas e acções enquanto indivíduos inseridos na comunidade. As manifestações precisam ecoar o grito de libertação do "povo", um movimento altruísta que objectiva a reforma dos paradigmas que engendram as nossas políticas, deixando de lado a luta partidarista, o discurso pelo discurso, a disputa de egos, proclamando com vozes ativas a ordem social e o progresso da sociedade para todos. Dhiogo J. Caetano - Professor, jornalista. - Uruana, Go / BR A BAILARINA Ela é do sonho a maga fada, a Melusina, a que requebra, se contorce, a que se esgarça, p’ra ser no palco a fulgurante serpentina que sobe aos cumes e de arco-íris se disfarça. Nela há silêncios, paz serena, olhar de garça, surdos rumores de algodão e musselina, quiçá de um vate a suavidade de uma esparsa, ou de Pierrot segredo e beijo a Columbina. Oculta mora em toda a diva bailarina uma alma eleita pelos céus encomendada de neste chão terreno alçar aura divina. Trouxe do Além as asas de anjo e de vestal, na fronte a luz da divindade reencarnada, e nos alados pés, a sina de imortal!~ Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Eu não vi, mas houve quem visse. O meu bisavô, casou com a minha bisavó... Eu não vi! Mas houve quem visse! ... Jesus Cristo ressuscitou ao 3º Dia... Eu não vi, mas ouve quem visse... Os seus discípulos! Tudo isto foi escrito... O primeiro evento foi no Cartório e o segundo evento na Bíblia Sagrada! ... Assim registo no meu Banner: - "Nunca Digas "Eu li, sem ler" ... Pinhal Dias (Lahnip) PT UM IDEAL Não sei qual o ideal Que só leva p’ra o mal, Fruto da infância De uma ignorância!... Instinto traiçoeiro, Até matreiro Vai e vem, como sonhar, Sem tempo para finar!... Vida em devaneio Esperança, que não veio, E tudo é um sonho D’aparência tristonho, Numa noite, bem escura, O Mal e o Bem se mistura, Em triste Vida, de solidão!... Tudo fica ou não, Tudo se medita Na Bondade infinita Do Nascer ao morrer E o Amor e a dor!...A florescer. Carlos Alberto Sequeira Varela (CASV) – Paços de Brandão Vimieiro/Viseu/Portugal

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ OS COMPANHEIROS CÁ DO MANEL. Os companheiros cá do Manel Encontram-se aí no caminho Do Chico para o Samuel E do centro p´ro cantinho I Frequentam estes locais Onde a pinga não é má Uns para lá outros para cá Outro copo não é de mais Os que cantam nos corais Tem que fazer o seu papel Como o vinho sabe a mel E precisam da voz afinada Bebem mais uma copada Os companheiros cá do Manel II Vem o mestre Zé Sequeira Que sabe cantar o fado Nunca pára calado Tem uma vos de primeira O Matos na brincadeira Não sabe beber sozinho Pede sempre um copinho Para o Rodrigues pára quieto Vem o Lascas muito selecto Encontram-se aí no caminho III Vem o Mira, o Chá e o Broa Ás vezes ali a tardinha Também vem o Sardinha Todos bebem pinga boa Nunca fazem nada a toa Bebem com o tí Miguel E bebem com o Daniel Estão sempre brincando Mesmo quando vão andando Do Chico para o Samuel IV Também vem o Bação O mais velho e o mais novo Fazem parte deste povo Do grupo do meu irmão Quando uns vêm outros vão Andam sempre devagarinho Procurando o melhor vinho Já lá vem o Eurico E também vem o Chico E do centro p’ro cantinho Manuel Martins Nobre Paivas Amora Seixal Ode a mim mesma!!! No dia 24 de junho de 1927 Eu cheguei a este mundo Era dia de São João e nasci festeira Por isso danço com sanfona viola e bumbo. Fui criança e muito arteira Brincar de boneca eu não queria Pulava corda e jogava bola sem chuteira Meu pai me chamava de soldado e isso era alegria. Fui uma adolescente terrível Subia em arvores e quebrava a vidraça do vizinho Me divertia e achava tudo incrível, Mas a chinela de minha mãe me fazia um carinho. Cresci e me tornei uma senhorita De vestido branco com fita nos cabelos Ia a missa nos domingos bem contrita Com meu pai vigiando cheio de zelos, Tive pai mãe irmão e um marido Que agora não tenho mais Tenho filhos netos e bisnetos muito queridos E sobrinhos e primos...sozinha não fico jamais. Trabalhar eu trabalhei minha família criei Fazendo doces e vendendo roupas e perfumes Adocei vesti e perfumei o mundo pelo que sei Agora envelheci e escrevo coisas ao pé do lume. Vivi exatos 32.650 dias E isso representa noventa anos Tive tristezas e muitas alegrias Porque a vida não é feita só de desenganos. Meus parentes e amigos estão partindo antes de mim Não sei porque Deus me quer aqui...mas Ele sabe Enquanto Deus quiser que eu fique eu digo sim E quando ele me chamar irei voando como uma ave. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia } Nepomuceno Minas Gerais Brasil NADA QUERO COM A TRISTEZA! Não gosto do triste fado, Pois prá alegria eu estou mais inclinado! Minha vida, de mau grado, Tem lembranças más, de monta. Mas o passado está passado, Já não conta! Hermilo Rogério - Paivas/Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 11 Eu te nomeio, mágoa Não vás, Amiga! Eu te nomeio mágoa, que não sabes ver neste porto o cais de uma saída quisera dar-te a ordem de partida pois tu recusas ver que aqui não cabes Nesta tristonha nau da minha vida que tenta enfunar velas e lograr Ganhar destreza e fazer-se ao mar Encontrar noutras águas melhor lida Sigo a ternura nova de uma esperança que me traga venturas e bonança Eu te renego mágoa, vai-te embora! Que os ventos estão hoje de feição Eu te maldigo mágoa, vai-te agora! Já se enche de maresia o coração Eugénio de Sá - Sintra Se te vejo passar na rua, O meu coração palpita... Teu capricho continua, Estás mesmo mais bonita! Vejo-te como deusa nua, Pareces uma afrodita! Vem mais vezes à minha rua, Tens boa figura, acredita! Jorge Vicente - Suíça Mensageiro da Poesia O Mensageiro da Poesia Deu muita força e alento E fez despertar o talento Iluminando os sentidos Dos poetas adormecidos, E por encanto ou magia Deu mais prestígio à poesia, Onde a cultura e a arte Como dizer-te adeus, minha querida amiga, Sem que a dor de não mais estarmos juntos (Às minhas queixas ou na mui felicidade até agora tida Amiga fiel que me trouxe novos mundos aos mundos) Faça de mim cosa triste que não entendo? Entre o sol e a escuridão outras coisas inda virão. Mas sem a tua presença que de mim se vai escondendo O que restará senão o medo e um mui triste coração? Menina bonita irradiando mil constelações Sempre apelando àqueles que mais sofriam Fazes de tua mui nobre profissão tuas reais razões Pra que cada dia se manifeste como eu bem vi Quando aos demais davas atenção e a ti ocorriam. Não vás! Eu sou aquele quem sempre mais necessitou de ti. Jorge Humberto – P.Stº Adrião À NOITE NA CAMA! Sei que não sou perfeita tenho os meus defeitos. Quisera eu agora estar aconchegada no teu peito. Saber ter alguém que me ama e diz que sou importante. Não importa a ingrata distância e sim o amor abundante! Talvez não saibas ou não acreditas que fazes falta na minha vida. No meu quarto sozinha em ti penso agradecida. Adormeço pensando em ti sentindo o calor teu corpo quente. Creia, tu já fazes parte de mim do meu amor lindo e transparente... ZzCouto – RJ A ESSÊNCIA DA AMIZADE A amizade… É a palavra mais terna, Que todos devemos soletrar. A amizade… É o gesto mais doce, Que todos devemos partilhar. A amizade… É a semente mais rica, Que todos devemos cultivar. A amizade… É o tesouro mais valioso, Que todos devemos procurar. A amizade… É a jóia mais preciosa, Que todos devemos preservar. A amizade… É o sentimento mais puro, Que todos devemos guardar. Luís da Mota Filipe (Anços-Montelavar-Sintra-Portugal) Luís F. N. Fernandes - Amora Pensamento Percorri o areal pensando em ti...deitei-me nele julgando sentir que ali havia algo que me falasse dos momentos que ali vivi...estremeci pensando ver a tua sombra num desconhecido que tinha os contornos do corpo iguais aos teus. Mas não eras tu. Fiquei sozinha amargurada, desesperada, embrenhada nos sonhos que eram só meus. Natália Parelho Fernandes – Portalegre

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ TEMPO DE AMIZADE Quando analiso a palavra " irmão ", É inevitável: a fisionomia De quem movimenta minha emoção, Pois vem, na solidão, me fazer companhia. Noto que a palavra " amigo ", é um degrau Das escadarias dos meus sentimentos; Onde o meu amor navega a mesma nau Dos que fazem parte dos meus pensamentos. Quando cada imagem de cada pessoa Que me compreende, paira silenciosa, No meu pensamento, Deus sempre abençoa Sua alma boa, doce e amorosa. Num mundo tão triste, de tantos rancores, Dores, dissabores e incompreensão, Há sempre um irmão que nos oferta flores E só pede em troca nossa inspiração. Por sermos iguais e assim...tão previsíveis, Somos tão passíveis de chorar baixinho, Que as nossas almas tornam-se visíveis Por nossas sensíveis mostras de carinho. Tanta gente inventa em nós tanto defeito, Mas nossos amigos mais especiais Fazem com que a dor que bate em nosso peito Bata de outro jeito, nos tornando iguais. Amigos são anjos que Deus nos envia... Para nos mostrar que o tempo da amizade Pode ser bem curto, mas a alegria Transforma em poesia o tempo da saudade. Luiz Gilberto de Barros (Luiz Poeta – RJ/BR Quatro Estações O sol já brilha mais! Campos verdes a florir, ouve-se o cântico dos pardais; o mundo em forma de esfera, parece estar a sorrir anunciando a primavera. Era verde, agora é dourado; O campo já tem espigas! Sementes por todo o lado, Para guardar no celeiro. Trabalham as formigas Felizes no seu carreiro Já lá vai o verão… O Outono está a chegar; Folhas caducas no chão. As arvores estão despidas; Ao ver o vento soprar; Choram nuvens comovidas. A serra vestiu o seu manto, Ao ver o inverno chegar; Todo branco, tal encanto! Parece mandar um sinal. Do alto do monte anunciar: - Nasceu Jesus, É NATAL! Maria de Jesus Procópio Seixal Ao Basta, Porra, Basta! De Graça Chamorro O que é demais enfarta Mudem as agulhetas Deixem-se de tretas! Deixem os pobrezinhos em paz! Todas as tertúlias zás, zás, zás! Basta Porra basta! Com tantas coisas maravilhosas no país E ninguém aqui, Se a levanta e diz: Não há não pode haver, País melhor para viver! Bom pão, melhor vinho, boa sardinha Para não falar na açordinha, Na sopa de cação, Nas migas com as carnes de alguidar, No cozido de grão, no ensopado, Na bela sopa da pedra, Nas caldeiradas de Peniche, Nas tripas à moda do Porto, Nas alheiras de Mirandela No queijos, nos chouriços nas morcelas, E de mais e tão belas iguarias. E o fado E as festas Os arraiais Os bailaricos Do Santo António de Lisboa Do São João do Porto Que é como quem diz De todo o país. Deixem a pobreza em paz! Com tantas coisas boas Com tantas coisas lindas Com tantas coisas belas E ninguém aqui fala delas! Basta Porra, Basta! Meus Versos Versos permeiam a minha mente Com tamanha veracidade, Que chego a ter medo que um dia... Eu venha a morrer de saudade... Saudade de viver totalmente sem você E de tanto chorar eu venha desfalecer. Você foi embora sem a menor razão Enganou-me entristecendo o meu coração. Coração que não vê passar o tempo. Sempre à espera de algum milagre... Conta os dias como se fossem anos Vive sorrindo com a alma em prantos. Prantos secretos, sem soltar um ai É chuva caída na alma pesarosa Que só deságua quando a noite cai Trazendo à tona os meus tristes ais. Rita Rocha - Santo António de Pádua POEMA Letras que forma palavras Que cantam versos Que enfeitam donzelas. Contam histórias, Amenizam a dor, Inventam pecados, Entrelaçam amores De mentira ou de verdade E, seja como for Trazem alegria para quem lê, Conforto para quem escreve Paz para os amantes da palavra. Isabel C S Vargas Pelotas/RS/ Brasil Aires Plácido - Amadora TENHO MEDO Tenho medo de ter medo, Deste medo que me faz medo. Tenho medo do medo que tenho. Tenho medo que tanto medo, Me faça perder o medo, De perder o que não tenho. Tenho medo... Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 13 «Tribuna do Vate» Quem Sou Sou a pobre... a pequena cantareja De desejos e amor sobrepujantes Sou começo do que há, a que flameja Dos acenos que saúdam visitantes. Pergunto-me: sou encontro ou partida? Se poema, se um conto ou uma prosa Quando escrevo o meu nome com a rosa Do perfume que te trago à minha vida. Compreender-me é fugir do igual conceito Das métricas do soneto quando eleito Que proíbem o verso à compaixão. E tu que me lês... sou como escrevo Um sonho que liberto no relevo Das letras como bolhas de sabão. Eliane Triska - Canoas/BR Sobre a glória Num faz de conta louco finjo ser, Como se a mim coubesse toda a glória, Igual a mim... Sou toda o meu querer E a minoria dessa triste história. Febril, minha razão a tudo inclui. Um dia desses, sei que o mundo finda, Na minha voz de letras onde fui O caos de mim mesma... Sou ainda! Ah, manhãs, cada dia nova vida! Para a outra, eu reservo o rito fúnebre. Ai que loucura é essa indefinida: Mentirem ser a glória uma ilusão, Pois de nós, quem de todas é a mais célebre? A dor!!! A dor!!! Virei-me. Ergui a mão! Eliane Triska – Canoas / BR Segredos (De: Eliane Triska) Os enterrados para além dos muros, Das cidadelas e dos vozerios, Oh! Estão vivos! Ouçam! São murmúrios! Também a noite fala assim aos rios... Velhos madeiros, duros de abater! A noite os sela por temer visitas. Será desastre tudo se romper E abrirem-se as clausuras carmelitas? Ó vida, diga a mim tudo o que sabes! Que pedra sobre si aceita outra, Mais outra, sem que um dia tudo acabe? Prometo te entregar tudo o que é meu. Mas ao final se vai gerar a conta De tu me responderes: que é Deus? Sem Fim Quanto tenho andado... Quanto tenho buscado... Não sei responder! Onde te escondes? Onde te mostras? São outonos? Verões? Vidas, Sem fim ou Um simples .............fim? Anna Paes – Brasília Desculpe Ah! Desculpe este ar de amar Este dom de doar. Desculpe quando te ligo. E te falo de prazer Quando te encho de afago Desculpe este ar inocente Este jeito demente. Esta volúpia em amar. Desculpe quando te chamo Te beijo Te abraço Te aperto. (É, que meu amor é tanto que não posso viver sem dizer: Te amo.) Desculpe se te sufoco, Se te toco. Se te deixo em foco. Desculpe se te amo tanto assim. Anna Paes - Brasília Cavalgada Solitária Teus passos Encantados Não te trazem Te levam A canto algum Sem nenhum encanto E quando a noite cai E cavalgas perdido A Lua é tua companheira E te basta sonhar Te basta acreditar que será Mas será apenas um sonho E mais uma vez sonho encontrar-te Mas que passo largo! De onde vem e para onde segue Se o destino te atraiçoa e o Amor, De ti corre? Parece nunca satisfazer-te em tempo algum te sentes preenchido Falta-te a esperança firme Não te bastam tantas ilusões! Anna Paes - Brasília - DF - Br Cântico Como resposta a teu sonho (meu sonho) Intuído. Entre(linhas), Soa Entoa. Cântico de meu cântico, Encante-me! Anna Paes – Brasília Basta-me Hoje, não preciso de mar, nem barco Basta-me um trapicho jogado sobre a água Como aquele à beira do lago, E todas as minhas lembranças! Anna Paes – Brasília / BR

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Cantinho Poético» O SANGUE ESCORRE EM PARIS ENTRE TANTOS Paris. Viagem calma pelo Sena Por onde voam andorinhas A aragem é suave, amena As nuvens vão cinzentas, baixinhas. Com Notre – Dame, Gótico antigo Tenho o cântico-chão como abrigo. Paris. Nos três gritos, fronte erguida Liberdade, igualdade, fraternidade Revolução de furores tão destemida Tão viril, tão gentil, de tanta idade. Solene Arco do Triunfo, erguido e forte Contra o nazismo, vencendo a morte. Paris. Coração a bater pela Europa Charles de Gaulle, feito vitória Vaga que se ergue na popa A banhar França com sua História. Avanços hábeis na modernidade Berço de emigrados a gritar saudade. Paris. Do cume mais alto, a tocar estrelas Torre Eiffel no ferro emaranhado Campos Elisios, suas coisas belas Paz feita no apogeu do Mundo alterado. Na cultura assenta fórmulas de poetas Baudelaire. em flores do mal, é rei de profetas. Paris. De Charlie Hebdo, reduto caricatural Expressão em desenhos feita liberdade Sem mancha de prosa, sem texto formal Vê mensagens bramidas p’la religiosidade. Jihadismo pressegue, mata atrozmente Em no nome de Alá, ceifando inocentes. Paris. Cidade bela tão violentada Por terrorismo louco, em sangue desfeito Com gente de máscara e arma apontada Magoada a Europa, chora no seu peito. Numa falsa Fé, num atraiçoado Islão Faz escorrer sangue p’lo Mundo Cristão! MÁRIO MATTA E SILVA - Benfica Versos Tatuados Na tua velha Remington, Em linhas sincopadas, Escreveste os versos Que o teu sonho criou. Deixaste que eles voassem E delicadamente pousaram Na minha pele. Onde ficaram gravados Como macio pergaminho. Assim os levarei, tatuados, Para onde quer que for. Eles serão para mim, Sempre, Um sinal do teu amor. Hoje! Vi um menino mau cortando as asas de um pássaro Em suas mãos, o pássaro se debatia chorava... Sofria. Hoje! Em uma gaiola, existe um pássaro ferido que canta: "Jamais te pedirei que me ensines a voar não confio em suas mãos. Não preciso que me toques. ENTRE TANTO Saibas, mesmo preso sou livre para amar... Aceitar e pedir: .....não cortes minhas asas..... .....pois quanto mais alto eu voar..... .....mais elevado será meu canto..... .....de gratidão por ti....." Maria Inês Simões - Bauru/SP/BR O Sol. Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada Portugal...Nosso Avozinho!!! Dez de Junho é o dia de Portugal E com os portugueses vamos festejar Portugal eles lá e a gente cá Com a mesma alegria vamos comemorar. Acendam as luzes e cantem um fado Sirvam o vinho e as sardinhas Brasil e Portugal lado a lado Cantam juntos as mesmas linhas. Parabéns Portugal amigo Nosso avozinho descobridor Alegres estamos contigo Receba nosso carinho e nosso amor. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil Poema masculino Quero a força masculina E a leveza feminina para me acalentar Naquelas horas que o Senhor nos testa No jardim da vida. Edson GFerreira Divinópolis Efigênia Coutinho Balneário Camboriú Quem promove a inveja agonizante!? Tem falta de amor! ... (Lahnip)

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 86 - Julho 2017 «Links Amigáveis Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. - (Sócrates) 15 Feitura do Boletim O Boletim Nr 86 e seguintes passarão a mensais para o ano corrente de 2017: Futuramente os Confrades enviarão os seus trabalhos em word até ao dia 30 do corrente mês. A feitura do Boletim será a partir do dia 1 até ao dia 3, que corresponderá à data de saída... Os seus poemas devem vir sempre identificados com o seu nome ou pseudónimo e localidade de onde escreve seu poema. O Tema continua a ser Livre! Para sua orientação sugerimos que consulte as páginas das Efemérides e Normas no site dos Confrades... Durante o ano corrente, é acrescido de mais três Edições Especiais - TRIBUNA DO VATE 5/6 ; 3/12 e ESPECIAL NATAL http://www.confradesdapoesia.pt/normas.htm Amigos que nos apoiam ADMINISTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE Rua Seixal Futebol Clube N.º 1—1º D 2840-523 Seixal Telf. 210 991 683 - Tlm. 969 856 802 www.fadotv.pt As fotos deste Boletim são dos autores e outras da Internet «A Direcção agradece a todos os que contribuíram para a feitura deste Boletim». Voltamos a 5/8/17

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