Revista Empresário Digital - Edição 177

 

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Revista Empresário Digital - Edição 177

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carta ao leitor DISCURSO X ATITUDE N ão é de hoje. Já ficou velha a discussão de “online versus offline”. Se você ainda não entendeu que o consumidor é o mesmo, e que tudo é apenas uma questão da comunicação ampliando seus canais, você precisa urgentemente correr para entender o que está acontecendo. E eu verdadeiramente me preocupo quando converso com alguns executivos de marketing que parecem não entender o papel da tecnologia e o poder dessa comunicação. Você já deve ter visto esta cena: um projeto promissor é levado ao departamento de marketing de uma empresa, e tudo o que escutamos é: legal, vamos apresentar para a diretoria e voltamos a falar com você. Ou: legal, mas isso é muito além do que precisamos. Ou ainda: legal, mas nós não temos verba para investimento no momento. Quem investe em tecnologia e inteligência de mercado se prepara para um crescimento exponencial. Não tem como comparar. Até outro dia, tínhamos o desejo de mapear as empresas e suas tecnologias. Hoje avançamos a passos largos e reunimos mais informações em seis meses do que nos últimos 16 anos. Há dois anos, eu fiz um estudo de mercado para uma multinacional japonesa sobre as possibilidades atuais e o cenário futuro. Alertei para o atendimento, a manutenção e a política comercial. Os executivos... não deram a mínima. E já faz alguns meses que eles deixaram de comercializar impressoras de grandes formatos. Ok, a multinacional deixou de ter prejuízo, só que isso provocou um transtorno enorme para as empresas que investiram em sua tecnologia. Opa, cadê o discurso de que “somos os melhores do mundo”? Balela, pois não fizeram a lição de casa. A má notícia é esta: eles não foram os primeiros e não serão os últimos, dado o movimento de mercado e a negligência de algumas marcas. Então o que você acha de definirmos os papéis para alinhar expectativas? O que uma marca espera de seus executivos? E como esses estão “empoderados” para uma tomada de decisão? Querer inovação e ter medo de investir no novo me parece tão contraditório quanto ter dificuldade para enxergar que as coisas mudam, evoluem. Uma mídia programática não precisa necessariamente ser digital, quando a tecnologia por trás tem uma inteligência para entregar conteúdo relevante para um público-alvo que é potencial consumidor. Fazemos uso da tecnologia, mas ela por si só não vai trazer resultados. Somamos o conhecimento de décadas qualificando o uso da informação na distribuição do conteúdo. Contamos histórias de empresários do segmento de comunicação visual e selecionamos o melhor conteúdo para que você tenha ótimos insights a partir de uma leitura prazerosa. Seja qual for o meio pelo qual você está lendo este texto, ele expressa o uso da inteligência a partir da experiência e do uso da tecnologia. E é apenas mais uma das tentativas para aumentar a sua percepção. Para fazer uma indústria cada vez mais forte e significativa, precisamos de atitude, investimento e posicionamento. Cem das maiores empresas de comunicação visual do Brasil representam cerca de 25% do faturamento de outras 19 mil. Quer se destacar? Invista. Se você não fizer isso, alguém vai fazer. Até muito breve. Marco Marcelino, diretor editorial Twitter do editor: @marco_marcelino Twitter da revista: @revista_ESD www.empresariodigital.com.br (notícias todos os dias) CAPA Regras para o sucesso Pág. 24 4 Entrevista 6 Mídias 8 Impressão 10 Têxtil 12 Marketing 16 Out of home 18 Sustentabilidade 20 Mercados e Clientes 22 Marketing 30 Gestão de Pessoas 32 -Conteúdo 34 Relações Públicas 36 Eventos 38 Coaching Avenida Paulista, 1079 • 8º andar Bela Vista • São Paulo/SP • Brasil Fone/Fax: (11) 2787-6386 www.serinews.com.br Publisher: Marco Marcelino {44.446} mmarcelino@serinews.com.br Comercial: Fabio Peres fperes@serinews.com.br Gerente Editorial: Jorge Luiz Mussolin {15.978} jmussolin@serinews.com.br Jornalista: Alexandre Carvalho {44.252} alecarvalho@serinews.com.br Designer: Patricia Barboni patricia@be-erredesign.com.br Foto e Artigo de capa: Estúdio Nós Fotografia As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião da editora. As fotos publicadas têm caráter de informação e ilustração das matérias. Os direitos das marcas são reservados aos seus titulares. As matérias aqui apresentadas podem ser reproduzidas mediante prévia consulta por escrito à Editora. O não cumprimento dessa determinação sujeitará o infrator as penalidades previstas na Lei de Direitos Autorais. (Lei 9.610/98). empresariodigital.com.br • 3

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entrevista Beleza e Padronização Material nobre, além de leve e resistente, o acrílico, tido como a uma opção para PDV’s, tem conquistado cada vez mais espaço nas lojas e pontos de venda franqueados ou de grandes redes. Pedro Milano Grespan Cardozo, gerente comercial da Polimetal, conhece bem algumas das principais demandas desses clientes. A empresa trabalha com as principais redes de franquias do Brasil e do exterior: Mc Donald ’s, Starbucks e O Boticário estão entre elas. Além do segmento de franquias, a empresa ainda atende o segmento de Postos de Combustíveis, Bancos e Concessionárias. “As franquias hoje buscam produtos que entregam qualidade e durabilidade, e o acrílico oferece soluções para comunicação visual interna, expositores, letras caixa e totens, além de muitas alternativas”, afirma. O acrílico, segundo Cardozo, é um produto que apresenta um bom custo benefício, além de ser versátil, permitindo várias aplicações de uso, com adesivos e iluminação em Led. Além disso, é um material que permite o processo de termo-formagem, no qual a chapa adquire formatos de acordo com a necessidade do cliente. Mario Martins, da Acrilplast, empresa com mais de 22 anos de experiência, também associada do Indac, destaca a versatilidade do acrílico como um dos seus grandes atributos, inclusive na hora de produzir as peças: “Esse é um material que pode ser moldado, cortado, desenhado, colorido, iluminado, retroiluminado, translúcido ou transparente. Tudo isso permite a criação de expositores e peças extremamente chamativos”. Ainda segundo Martins, o acrílico admite diversas combinações, inclusive com outras matérias-primas, como a madeira ou o aço, e isso é muito positivo. “As peças, quando executadas com acrílico de boa qualidade e de forma correta, oferecem sempre a mesma aparência e brilho, e isso contribui na tarefa de reproduzir elementos que serão multiplicados em diferentes locais”, comenta. Atributos como esses não poderiam ser deixados de lado quando o assunto é franquia. Tendo que imprimir marcas desejadas e pontos de vendas atraentes, os franqueadores não abrem mão do uso do material, capaz de atender suas demandas mais comuns, como beleza, modernidade, durabilidade e bom custo-benefício, entre outros benefícios: “O acrílico é de fácil manutenção e limpeza. Comparando com vidro, é mais seguro, em caso de quebra, e ainda mais transparente, 92% de transparência contra apenas 84% do vidro. Além disso, é mais leve. Isso, além de facilitar a aplicação, ainda ajuda a reduzir custo de frete”, explica Martins, que atende clientes dos setores alimentício, de bebidas e cosméticos, entre outros. Atrair investidores e clientes não é tarefa das mais fáceis, a Associação Brasileira de Franchising (ABF), estima que existam cerca 3 mil marcas franqueadoras no país. Juntas elas são responsáveis por 142 mil pontos de vendas. Valdir Lopes, da Total Acrílicos, que também conhece bem o setor, conta que o maior objetivo dos itens no ponto de venda é o de chamar a atenção das pessoas para os produtos, mas diz que as marcas têm demandado que esses itens comuniquem também seu estilo. E é, justamente, graças às várias maneiras de se transformar o acrílico e de sua grande variedade de cores, entre outros atributos, o que permite a criação de peças tão diferentes. “Além de todos os processos, a combinação de acrílico com Leds abriu uma infinidade de possibilidades para esse mercado”, destaca Lopes. Entre inúmeros projetos, a empresa, que fica em Caldas Novas, Goiás, destaca os trabalhos desenvolvidos para a CVC. Para a rede de viagens desenvolveu toda comunicação visual interna nas lojas do Centro Oeste. Atualmente é a única empresa de comunicação visual da região homologada pela marca. Também atende lojas de varejo regionais importantes, como a Novomundo, para quem fabrica e instala toda comunicação visual, além de ter desenvolvido o expositor nas ilhas de celulares, que recebeu a marca de Novomundo Mobile. Para projetistas, designers e arquitetos que ainda têm dúvidas sobre o material, o INDAC mantém o programa Acrílico em Ação, por meio do qual, ajuda o cliente a pensar seu projeto e encontrar um transformador de acrílico indicado para cada caso. Tudo isso, gratuitamente. Contato através do site: www.indac.org.br, no link Iniciativas e Publicações e, depois, selecionar Acrílico em Ação – Assessoria Gratuita Especializada. 4 • empresariodigital.com.br

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mídias Vinil Jateado Silver chega aos mercados e promete efeito fiel ao verdadeiro vidro jateado S eguindo tendências de mercado, a Starpac lança em seu portfólio o vinil Jateado Silver, com cor e textura mais próximas ao verdadeiro jateado em vidros. Você se lembra daquela antiga técnica de jatear vidros com areia? Hoje, com a facilidade de aplicação do vinil jateado, acabamos esquecendo que um dia usávamos essa técnica para decorar e permitir maior privacidade em vidros. Porém, até hoje, com os diferentes tons disponíveis no mercado, fica difícil encontrar um vinil que realmente se aproxime ao efeito acinzentado oferecido pela antiga técnica. Pensando nisso e vendo a forte tendência no segmento de comunicação visual e decoração, a Starpac lançou em seu portfólio o novo Vinil Jateado Silver. De efeito prateado e acabamento premium, o produto valoriza a qualidade final do trabalho como um todo. Além deste diferencial de cor, a grande novidade é que o novo vinil também é indicado para a impressão. Diferente do jateado convencional, o jateado silver sustenta impressões sem problemas de manchas ou deslize de tinta como vemos em algumas marcas apresentadas no mercado. Outro grande benefício do produto é que sua cola solvente, garante menos manchas no caso de aplicações molhadas, facilitando a produção. Com espessura de 0,08mm e 50% de opacidade, além da utilização para segurança e privacidade em ambientes internos e externos, o produto oferece um tom cinza glitterizado que permite excelentes aplicações em recorte, principalmente para o ramo de decoração que trabalha com imagens bastante detalhadas. Disponível em dois tamanhos: 1,27m e 1,52m, este produto da Starpac é comercializado em todo o Brasil pela Serilon, que tem praticado preços bastante competitivos no segmento de jateados, trazendo um produto Premium por um preço acessível! Vale à pena conferir! 6 • empresariodigital.com.br

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impressão A tendência da comunicação em Tecidos C om previsão de crescimento de 8% ao ano, até 2020, o segmento de Comunicação Visual ganhou a atenção de empreendedores e investidores da indústria de impressão. Para atender este mercado que passa por expansão sem precedentes, as empresas EFI, fabricante de tecnologia para impressão digital, e IT Strategies, consultoria da indústria de impressão, lançaram um material com dicas para empresários que desejam crescer neste mercado. Com dados sobre estatísticas de demanda, provedores de impressão, números e tendências globais, explicações de impressão direta, transferência, sublimação e muito mais, o material mostra como a Comunicação Visual em tecido representa um diferencial competitivo por oferecer um resultado final refinado, de alto padrão e com cores brilhantes, além de ser reciclável e sustentável. O explosivo crescimento do segmento de Comunicação Visual tem sido impulsionado pelo aumento da demanda dos clientes. Diferente do vinil, a impressão em tecido permite que as marcas se destaquem com um produto leve e de baixo custo. Além da facilidade de manuseio e instalação, os tecidos podem ser lavados, secados, dobrados e reutilizados. Clientes em todo o mundo estão exigindo produtos mais baratos, em um prazo cada vez mais curto. A Comunicação Visual em tecido pode ser utilizada para uma grande gama de aplicações, como bandeiras, banners, artigos decorativos, displays e muito mais, com alta margem de lucro e custo de produção reduzido. Disponível em português, inglês e espanhol, o e-book de “Comunicação Visual em tecido: o mercado. A oportunidade. ” pode ser acessado em www. efi.com/library/efi/documents/1171/efi_inkjet_softsign_oppty_eb_pt_br.pdf 8 • empresariodigital.com.br

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têxtil Por Cesar Augusto Rancura* O que os donos deveriam saber, mas ninguém conta Muitas trocas de ideias nos bastidores viram soluções. Na qualidade de técnico e especialista em variáveis é garantia de lucro, pode ter certeza do que eu estou falando. Outro ponto relevante é o processo de impressão em sua ambiência. A temperatura deve estar de acordo com a desejadas em sua aplicação. Se para a base da prensa, você faz aquele “sanduíche” (Espuma, feltros papel kraft), cuide para que o feltro seja trocado regularmente, ou terá problemas impressão digital recomendação do fabricante. Lembre-se de deformação e qualidade dos trabalhos. sublimática fico inconformado quando de que o equipamento foi desenvolvido Existe um silicone ideal para essa função, o investimento de uma empresa esbarra por engenheiros que estudaram as con- porém tem um custo muito alto, mas no prejuízo. dições para um melhor funcionamento. compensa o investimento. Outro dia, encontrei um amigo e juntos Não deixe que ninguém determine por Se sua pensa também estiver pegando fomos a uma padaria para colocar o papo julgamento algo diferente do que é espe- algum tipo de correte de ar ou vento, em ordem. Quando dois caras técnicos cificação técnica. saiba que isso também está errado e você se encontram o assunto são os problemas Certifique de que a sua impressora não vai ter grandes variações de cores devido enfrentados pelos clientes. O nosso papo está embaixo de um ar condicionado. Acre- a essa “corrente de ar”. me motivou a escrever este artigo e com- dite, não faça isso! No caso de sublimação No caso de uso de calandras 70% são partilhar alguns fatos do cotidiano. é aconselhável que a sua impressora não es- pequenos ajustes. E a grande maioria Quando o comprador de uma empresa teja no mesmo ambiente de temperatura de dos erros ignoram as recomendações dos liga para o fornecedor de papel e do uma calandra e nem tão pouco ao lado da fabricantes. Cuidado com aquele papo tecido, o mote é o acerto de valores, mesa de infesto. O ambiente de impressão da experiência profissional feita “a vida descontos, entrega e forma de pagamento. tem que ser tratado como um laboratório, inteira” assim. As empresas de maior A busca por vantagens nos negócios tem deve estar limpo ao extremo. Fuligens de desempenho investem em processo tanto esmagado o lucro dos bons fornecedores papel e tecidos são vilões do processo de quanto equipamentos e materiais adequa- e se transformado em prejuízo para quem impressão. Bem controlado eles já tendem dos. Um milímetro fora do alinhamento compra materiais, cuja a qualidade con- a formar borras, imagine em um ambiente correto do nível da calandra é o suficiente dena o processo. sem controle. O seu dinheiro pode estar para a cor mude. São os detalhes que Se o seu objetivo é ter lucro precisa dar indo pelo lixo, se você está ignorando na fazem a diferença. atenção aos fatos para saber se isso não prática esses fatores. São muitas variáveis mas vale a pena está acontecendo de fato na sua empresa. Invista num medidor de temperatura cuidar delas para ter resultados positivos. Uma coisa é a teoria e o que consideramos para aferir o calor da prensa no processo Esteiras (Tapetes ou Feltros), não podem certo ou errado. A outra coisa é o que da transferência. Não custa caro e ainda ter folgas. O óleo da calandra precisa estar acontece na prática que coloca todo o te ajuda a fazer um acerto preciso, sem em dia. Use o medidor de temperatura em investimento a perder. tentativas e erros que desperdiçam tempo, toda a extensão do cilindro para identificar Comprar bem é importante, mas cuidar papel, tinta e tecido. É mais comum do eventuais variações. do processo é tão ou mais. Quando os que você imagina o painel marcar uma Uma coisa importante é sempre ter uma materiais chegam numa empresa quase temperatura, mas a resistência promover prensa trabalhando em conjunto com a sempre é acondicionado de forma incor- uma variação por “n” motivos. calandra, para se fazer pequenos testes de reta. Rolos de papel ao chão em áreas Na troca de trabalhos, certifique que cores, encolhimento do tecido e umidade. úmidas, enfim... vemos de tudo e traça- calandra não está contaminada com al- Espero que você tenha gostado dessas mos um relacionamento de cada detalhe gum tipo de resíduo de tinta do trabalho dicas e mesmo já sabendo de tudo isso, com o resultado final. anterior. Geralmente acontece quando são lembre-se de revisar os detalhes. As coisas Estude junto ao fornecedor todo o pro- áreas chapadas com muita concentração só parecem óbvias quando são exaustiva- cesso. Busque ao máximo que o material de tinta. Se a prensa for pneumática não mente praticadas. seja bem cuidado no transporte e dê prioridades ao armazenamento. Eliminar esqueça de tirar a água do compressor, fazendo isto você não terá manchas in- *Cesar Augusto Rancura é técnico e especialista em Impressão Digital - www.thecnicos.com.br 10 • empresariodigital.com.br

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marketing Por Bruno Mello* A difícil missão de correr atrás do prejuízo Fórmula 1 mostra como a falta de inovação é pensamento limitado de gestores é capaz de derrubar a mais tradicional das empresas. Relevância para consumidor deve ser primordial 12 • empresariodigital.com.br

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as transformações ocorridas nos últimos tempos foram tão rápidas que nem a Fórmula 1 foi capaz de acompanhar, literalmente. Assim como muitas empresas ao redor do globo, a categoria máxima do esporte a motor no mundo foi atropelada, perdeu importância, admiradores, audiência e dinheiro. Justo ela, que sempre foi precursora de diversas inovações e se manteve no auge por décadas, mas que nos últimos anos de intensa mudança no comportamento das pessoas foi incapaz de se adaptar e agora busca se reinventar. Assim como em muitos ambientes corporativos, a Fórmula 1, que é uma empresa, não desceu de seu pedestal de líder, ficou deitada em berço esplendido ao mesmo tempo em que a tecnologia encurtou ainda mais as distâncias do mundo, deu poder às pessoas e viu concorrências não tradicionais ganharem espaço. E, num caso clássico de erro de posicionamento, voltou-se ao luxo, enquanto a distância desta marca com seus fãs e com a realidade até em termos de tecnologia só fez aumentar. A arrogância e prepotência de seus dirigentes - seguida de miopia - colocou a categoria em um mundo à parte. Seu último grande acerto remota ainda dos anos 2000, quando se expandiu pelo globo, mas ao mesmo tempo fechou-se em uma bolha autoritária e autocrática. Qualquer semelhança com o mundo corporativo não é mera consciência, pois, lembre-se, a Fórmula 1 é uma empresa - até o ano passado dirigida por um dos homens mais ricos do mundo e, contrassenso do contrassenso, o responsável por todo o seu sucesso e pelo seu declínio: Bernie Ecclestone. Ao se fechar num mundo inacessível a muitos mortais, ela deixou de aprender com o próprio Luxo, que nos anos 2000 viu alguns casos de sucesso, como Armani ao criar submarcas e se aproximar das pessoas que tinham o aspiracional da marca mãe. Parece incrível, mas só no ano passado a Fórmula 1 aderiu às redes sociais de forma oficial, ainda assim, de forma distante. Neste ano, após ser vendida por Ecclestone para a Liberty Media, mesmo grupo que possui participação em empresas de comunicação, mídia e entretenimento como Viacom e Warner, a categoria está dando alguns cavalos de pau. Assim como muitas organizações deveriam fazer, a nova Fórmula 1 deixou de perceber que ela era muito mais do que uma competição de pilotos, equipes e fábricas, mas sim um grande entretenimento. E, sobretudo, quem paga a conta são as pessoas que vão aos autódromos, veem as corridas pela televisão e compram os produtos e subprodutos deste circo. A categoria está fazendo o que muitas empresas ainda relutam: colocando o seu consumidor do centro de tudo. Mesmo percebendo-se como um entretenimento, o campeonato não fica em segundo plano, pelo contrário. O regulamento deste ano criou carros ainda mais potentes e difíceis de serem guiados, dando mais oportunidades para que mais de uma equipe e melhores pilotos possam lutar pela vitória e fazendo da corrida de fato uma atração. Ainda assim, há uma certa previsibilidade, pois, no final, por melhor que a corrida seja - e elas tem sido ótimas como há muito tempo não se via, com duas equipes diferentes lutando pelo título - o enredo se repete. Por isso, ao colocar as pessoas no centro e se assumindo como uma diversão de domingo, é preciso se humanizar, se aproximar das pessoas e criar sempre uma nova estória para engajar e emocionar. O exemplo mais real de tudo isso aconteceu neste domingo, no Grande Prêmio da Espanha. Mesmo tendo vencido a corrida, o personagem principal não foi o inglês Lewis Hamilton, mas sim um menino francês de seis anos chamado Thomas. Fanático pela Ferrari, ele foi às lágrimas logo no começo da competição quando viu o piloto Kimi Raikkonen ficar de fora da disputa ao se envolver em uma batida. Algumas voltas depois, o sorriso voltou a ver o outro ferrarista, Sebastian Vettel, levar a melhor numa disputa com Hamilton. Tudo capturado pela TV. Cenas assim já vimos aos montes na velha Fórmula 1. Porém, depois, do meio para o final da transmissão, aparece um replay das emoções do garoto na arquibancada e logo ele aparece no box da Ferrari recebendo um abraço e um boné de Kimi Raikkonen. No pódio, ele também acompanhou tudo de perto e vibrou com o segundo lugar de Vettel. A corrida? Teve disputas e batidas que poderiam render ótimas imagens para ilustrar o fim de semana, mas o que ficará marcado são as cenas de Thomas e o mundo do automobilismo inteiro comentando sobre a nova Fórmula 1: mais aberta, mais participativa, mais humana e mais próxima. Fica uma bela lição. Se até a Fórmula 1 que já foi sinônimo de inovação e estar sempre na frente ficou para trás e teve enorme dificuldades para voltar a ter importância na vida das pessoas - e esta corrida está apenas no começo -, as empresas também podem se superar. A missão de correr atrás do prejuízo é enorme, mas precisa ser corrida à 300 km/h por hora, literalmente. *Bruno Melo é fundador e editor executivo do portal Mundo do Marketing. Formado em jornalismo pela FACHA e com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ, trabalhou no Jornal de Turismo, na Rádio Carioca cobrindo economia, em sites e revista sobre automobilismo e no site da TVE Brasil, hoje TV Brasil. Fez Planejamento de Comunicação e Assessoria de Imprensa e Marketing para ONGs, piloto de Stock Car e para a Organização Hélio Alonso de Educação e Cultura. empresariodigital.com.br • 13

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marketing Por Leonardo Barci* A ‘carteirada’ da marca Com a estabilização da economia, a decisão de marcas internacionais entrarem no país tem sido cada vez mais frequente. Embora o cenário seja desafiador, mesmo com a crise financeira que atingiu o Brasil nos últimos anos, continuamos longe da hiperinflação que um dia vivenciamos, o que mostra nossa disposição de manter a ‘economia nos eixos’. A despeito de todo quiproquó que temos experimentado na política, as reformas têm buscado seguir seu curso, o que torna o país cada vez mais atrativo a estas marcas entrantes. Por conta dessa estabilidade que vêm perdurando, tenho esbarrado com maior frequência nestas marcas internacionais que já contam com algum reconhecimento pelo público brasileiro, mesmo antes de estarem formalmente estabelecidas. Só quem já esteve envolvido neste tipo de start-up (se assim eu posso chamar) sabe que uma marca internacional não é garantia de sucesso. Sim, há um ativo indiscutível na mesa, mas é o relacionamento diário entre a empresa entrante e os clientes que mostrará se ela será ou não bem aceita. Em um mercado de incerteza, o máximo que o país conseguiu atrair foram gigantes internacionais que tinham ‘bala na agulha’ para construir fábricas e nacionalizar a maior parte de sua produção em um mercado hiper-restritivo. Ao longo dos últimos 50 anos, o Brasil recebeu grandes conglomerados internacionais ligados principalmente à produção de veículos automotores, indústria alimentícia, commodities de produtos de consumo (como barbeadores, produtos de higiene, etc.) e, a reboque, grandes grupos internacionais de propaganda. Com alguma ‘sobra de caixa’ no bolso dos brasileiros, empresas de segunda necessidade, se assim podemos chamar, vêm silenciosamente invadindo o país. Nestes anos recentes, pude acompanhar o desempenho dessas marcas que, embora bem conhecidas e aceitas fora do País, têm decidido arriscar sua entrada com menos dinheiro e menor estrutura do que aconteceu no passado, com outras grandes grifes. Na minha visão, uma das marcas, que embora não seja pequena, marca (desculpe o trocadilho) esta nova onda de empresas, é o Starbucks. Afinal, se há um lugar no mundo em que se toma café, este é o Brasil. Às vezes me pergunto como é que uma rede de cafés internacional teve coragem de entrar no País e acabou por ter tanto sucesso, em tão pouco tempo. Mas afinal, o que estas marcas trazem de diferencial competitivo e onde elas podem estar pecando? Bem, quando você tem em mãos, uma marca forte, alguns bilhões de dólares no bolso e muitos anos para mostrar resultado, o desafio é grande, mas o tempo e o dinheiro trabalham a favor. Esta nova leva de marcas, porém, não têm o luxo de errar. Ou pelo menos não muito. Primeiramente porque já não estamos mais falando de produtos de primeira necessidade. E em segundo lugar, porque são marcas de menor expressão e tamanho do que, por exemplo, montadoras de veículos. Acho que a primeira lição a aprender com estas marcas que têm apresentado algum sucesso é organização e profissionalismo. Sim, embora pareça básico, infelizmente ainda carecemos disso no Brasil. Por outro lado, dos casos de insucesso que tenho acompanhado, a arrogância da ‘carteirada da marca’ tem sido um dos principais fatores de problemas. Afinal, não adianta a marca dizer que é primo-irmão de X ou Y e, no final, ter um atendimento e um pós-venda de baixa qualidade. O diferencial que estas marcas estão nos sinalizando é que o bom relacionamento, a atenção aos detalhes e o respeito ao cliente são fatores fundamentais para se permanecer em um mercado que começa a compreender seus direitos e deveres. O tempo das grandes empresas das décadas de 1970 a 1990 que relegavam a segundo plano a qualidade do produto e principalmente, a atenção ao cliente, já ficou para traz. Mesmo estes gigantes estabelecidos têm ‘apanhado’ muito por conta da baixa qualidade de atendimento. Este, aliás, tem sido um dos fatores de melhor insight e resposta destas novas marcas. Acompanhei dois casos em que a decisão de estabelecimento da marca no país surgiu exatamente por uma representação terceirizada de pouca atenção ao cliente e olho grande nas vendas. Minha compreensão até agora é de que as marcas que vem chegando ao Brasil e têm tido boa aceitação têm sido aquelas que têm como prioridade a qualidade do atendimento dentro de seu propósito como marca. Talvez aí esteja algo para nós, brasileiros, prestarmos atenção! L*eonardo Barci é CEO da youDb, blogueiro da Exame.com, autor do livro “Além do Lucro – Tocando o invisível no Relacionamento Empresa-Cliente” e co-autor do livro “Mind The Gap – Porque o Relacionamento com Clientes vem antes do Marketing” 14 • empresariodigital.com.br

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