Gazeta Valeparaibana

 

Embed or link this publication

Description

Julho 2017

Popular Pages


p. 1

Ano X - Edição 116 - JULHO 2017 Distribuição Gratuita sas expectativas. Como seres huma- Direitos Humanos ou Qual a relação nos, respeitamos as Direitos dos bandi- entre fogo em hierarquias e nos programamos para comandar ou sermos comandados, portanto, reconhecemos no líder e a ele somos submetidos, nos sentimos protegidos, depositamos nele nos- dos?. Não. Direitos humanos dos? Eis uma pergunta que sempre é feita para quem defende os Direitos Humanos. Direitos humanos só servem para proteger bandi- são direitos fundamentais florestas e o aquecimento global Número de focos de queimadas e incêndios florestais aumentou 64% no período entre janeiro e julho no Brasil comparado com o mesmo intervalo de tempo de 2015 que possuímos e são para todos. JULHO é tempo de alerta! Página 3 Página 5 Página 13 A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Exposição no Tomie Ohtake apela ao direito à defesa de Rafael Braga Rafael Braga é um catador de latas e, assim como o velocista, é jovem e negro. Foi detido nas manifestações de junho de 2013 por portar dois frascos contendo desinfetante e água sanitária. Ele foi o único condenado no contexto das manifestações de 2013, por "portar material incendiário". Depois de cumprir parte da pena, passou para o regime aberto, mas acabou sendo preso novamente, em janeiro do ano passado, porque, segundo a versão da polícia, ele portava 0,6 grama de maconha, 9,3 gramas de cocaína, além de um rojão. Rafael, que nega todas as acusações, alega ter sido vítima de violência e extorsão policial. CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Editorial Página 2 A democracia é considerada como a melhor opção para esta época em que vivemos. Ela protege o conjunto de cidadãos do autoritarismo dos governantes e outras instituições estatais. A intenção ao se optar pela democracia é essa, favorecer quem é governado. Quem é a pessoa que gosta de ser tratada de forma autoritária? Baixe o aplicativo IOS NO SITE www.culturaonlinebr.org MAS TEM MAIS.... Três dimensões da tragédia da esquerda no início do século XXI Página 4 ESCOLA SEM PARTIDO E A CAÇA AS BRUXAS MACAU e GOA duas irmãs Portuguesas Página 6 Está dada a largada a uma verdadeira caça às bruxas. O movimento Escola Sem Partido já escolheu quem são as bruxas do século XXI: Os professores! Os professores nesta quase segunda década do século XXI foram eleitos como os doutrinadores marxistas leninistas, HITÓRIA DE comunistas, blasfemadores, per- UMA MULHER vertidos, esquerditas que vão des- NORDESTINA truir a família tradicional brasileira. Página 7 Página 10 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 2

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial A democracia é considerada como a melhor op- do da sociedade civil. ção para esta época em que vivemos. Ela protege o conjunto de cidadãos do autoritarismo dos governantes e outras instituições estatais. A in- Como leira? corrigir esse defeito na democracia brasi- tenção ao se optar pela democracia é essa, fa- Será que a democracia direta realmente vai fun- vorecer quem é governado. cionar? Quem é a pessoa que gosta de ser tratada de Com a tecnologia disponível hoje em dia, teori- forma autoritária? camente, é possível sim. Mas a questão é, a Entretanto, em sociedades cuja cultura comportamental, cujos costumes não permitem isono- maioria da população está lar diretamente? preparada para legis- mia de usufruto de direitos para diferentes gru- As pessoas têm interesse e compromisso com o pos e classes sociais, devido também à desi- bem-estar alheio? gualdade na distribuição dos recursos, péssima O problema no Brasil é justamente a mentalida- educação escolar para a maioria da população de de privilégios. Que tal uma transição a “conta e outros aspectos, faz a democracia representa- -gotas”? tiva no Brasil parecer democracia “de fachada”, para “inglês ver”. Uma democracia semidireta, representativa e participativa ao mesmo tempo? Um país em que a cristalização das burocracias partidárias tende a sufocar o encaminhamento Começando pelos municípios, os representan- político das reais reivindicações populares, uma tes eleitos compartilharem o poder de legislar cultura política corporativista, clientelista e patri- com os eleitores na forma de plebiscitos e refe- monialista, grupos relativamente homogêneos rendos? de políticos profissionais muito vinculados entre E que tal adotar o voto distrital para eleger vere- si, como compadres cordiais, asseguram posi- adores e deputados? ções e privilégios em detrimento a maioria dos cidadãos e que não autorizam acesso à cidada- O recall político? nia plena por todos. Aproximar mais o eleito do eleitor? Uma situação assim não permite que a demo- Eu aprendi na vida que “em time que está per- cracia funcione da forma como deveria funcio- dendo, se deve mexer sim”. nar. Que tal mudar o método, a forma como as coi- Consequentemente, no Brasil a democracia re- sas funcionam? presentativa acaba por não fazer muita diferença quando comparada a algum regime autoritá- João Paulo E. Barros rio, porque não protege o lado menos privilegia- William Shakespeare: “É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho”. *** George Best: “Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei”. ASSIM DISSE O BARÃO DE ITARARÉ O dinheiro é a causa de todas as desgraças, quando não se lh’o tem. *** O dinheiro é representado na mitologia pelo Minotauro, o monstro que habitava um labirinto da ilha de Creta e, portanto, era um cretino. *** Banqueiro é um cavalheiro que nos empresta o guarda-chuva quando brilha o sol e no-lo pede de volta quando começa a chover. *** Devo tanto que se chamar alguém de meu bem o banco toma. *** A natureza, que, com a idade, nos põe tanta prata nos cabelos, bem que podia ter a gentileza de nos meter algu- mas no bolso. *** Como você já deve ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o ‘GV - Ciência’. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta do Portal Comunique-se pode fazer uso do ‘C-SE Acadêmico’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: csecientifico@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “GV - ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. O avarento não é dono do dinheiro. O dinheiro é dono do avarento. *** O herdeiro universal é um sujeito que come de colher, sozinho, a galinha morta que foi criada, engordada e assada pelos outros. *** Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo. Mês que vem... Tem mais! Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

[close]

p. 3

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês CONDUZIR OU SER CONDUZIDO culpa de que fomos todos errados em cada voto dado. Calendário Mediante tanto comportamento amoral, ouvimos descaradamente depoimentos de falsos pedidos de desculpas, justificativas infundadas, empreendedores culpando o sistema brasileiro de gerar dificuldades que os levaram a pagamentos indevidos, mentiras, acordos e delações que beneficiam os manipuladores, prisões que não representam nada perante o tanto que ainda vivem confortavelmente e com a certeza do perdão, da apelação e a certeza de que suas famílias jamais passarão uma noite de frio ou que irá faltar a eles a comida no prato. Com todo esse comportamento infame seus salários são mantidos, o poder, o investimen- to sujo que lhes garante o bem estar e, cada Como seres humanos, respeitamos as hierar- vez mais, levando o pobre à condição de miquias e nos programamos para comandar ou serável. sermos comandados, portanto, reconhece- mos no líder e a ele somos submetidos, nos sentimos protegidos, depositamos nele nos- É preciso mudar o discurso e parar de repudi- sas expectativas. ar o rico como se somente o menos favoreci- do fosse vítima, pois esse comportamento tem servido apenas para dividir a sociedade No entanto, dentro dessa programação huma- em classes. Ao invés de pequenos grupos de- na não parece estar ativado o alerta para re- veríamos juntar a energia de todos num esfor- conhecer quando o dominante nessa hierar- ço e em ações estratégicas que defendam quia pode ser destrutivo e mal-intencionado. valores e não pessoas ou partidos, ouvir o Por essa admiração quase cega, toleremos que cada um tem para falar sobre isso, pois seus deslizes, os consideramos quase que com tanta corrupção, estamos esquecendo infalíveis como se não fossem simples seres que o que nossos pais nos ensinaram sobre mortais. valores, princípios e moral, ainda poderão ser a salvação agregados a isso o respeito e a O povo brasileiro, como bom animal social, tolerância. por tanto tempo assim se comportou e nos deparamos atualmente com tantos líderes tó- “O circo está pegando fogo”, mas nosso extinxicos que desde há tempos veem destruindo tor pode ser nos conhecermos e nos reconhetudo que todos os trabalhadores, honesta- cermos, não abrir mão do amor e deixarmos mente, tentaram construir suando a camisa dessa psicose que nos cega, desse mau comcom longos anos de trabalho, priorizaram o portamento como se fosse normal e mudar o amor à pátria, cantaram hinos, pagaram fiel- rumo mostrando para a classe política que mente seus impostos, compareceram infali- não queremos mais ser uma boiada conduzivelmente as urnas e transformam a crença da sem saber seu rumo. em seus governantes numa espécie de fé ina- balável. Sem amor a vida está mais difícil e fútil e nos tornando em bonecos de marionetes onde o Num ímpeto de alegria e esperança pela con- coração não pulsa e a vida não faz sentido. quista da democracia, nossos líderes foram colocados em pedestais e, dessa forma, os dominantes dessa nação tornaram-se ho- Esses são por hora, são quesitos necessários mens acima das leis como se fossem infalí- para encarar esse desafio com otimismo e veis, inatingíveis e que trariam a resposta e consciência de que se pudermos aprender solução para tudo que precisássemos. com tudo que está acontecendo nesse mo- mento lamentável, cheio de decepções e a- creditarmos que poderemos romper esse ciclo Submetidos a esses “campeões” idolatrados e construir um novo caminho para decidirmos que foram tomando posições, apoderaram-se onde, como e com quem queremos continuar. de todo bem público até chegarmos ao que hoje nos deparamos. Vemos esse caos de lama onde os heróis do povo que desavergo- Até agora “eles” é que fizeram as regras e denhadamente trataram de tudo que pertencia cidiram por nós, mas com muito esforço, poao povo como se fosse deles, humilhando, deremos reverter o jogo se usarmos aptidão desrespeitando, roubando, desviando comple- para compor outra trajetória dessa história e tamente o futuro de todos que doaram suas não simplesmente tocar a vida como se fizésvidas numa esperança que vemos agora com- semos parte de uma boiada. pletamente em desesperança e ainda com a Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 Algumas datas comemorativas 06 - Dia da criação do IBGE 07 - Dia Mundial do Chocolate 08 - Dia do Panificador 09 - Revolução Constitucionalista 13 - Dia do Cantor 15 - Dia do Homem 17 - Dia de Proteção às Florestas 18 - Dia Internacional de Nelson Mandela 19 - Dia Nacional do Futebol 20 - Dia do Amigo e da Amizade 20 - Dia da 1ª Viagem à Lua 25 - Dia do Escritor 30 - Dia Internacional da Amizade Ver mais sobre na Página 12 Damos início ao segundo semestre do ano com o mês de Julho que nos traz uma energia de reflexão e convite a aprendizagem. Os primeiros 6 meses do ano terão trazido alguma instabilidade, mudanças ou movimentos involuntários, ao mesmo tempo que uma tentativa de reequilíbrio. O mês de Julho, porém, sugere um abrandamento para que haja uma reflexão sobre o que prometemos para o ano e o que já foi feito. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 4

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Política Três dimensões da tragédia a bem da simplificação do debate). senso-comum e a vida cotidiana das maiorias sobre as eventuais saídas, sobre o quê fazer dian- da esquerda no início do século XXI Pode-se dizer que a ação das esquerdas realmente existentes hoje se divide em três as grandes “correntes”. E se, na busca por uma esquerda conectada com os desafios de nosso tempo, conseguíssemos nos pautar pela necessidade de reter as virtudes e descartar os vícios dos? Passadas as venturas e desventuras do longo Parece ser basicamente em torno desses três grandes modelos, mais próximas ou distantes de um ou mais desses tipos (ideais?), que as esquerdas têm se situado em termos de leitura de mundo, comportamento e ação política. Todas elas, grandes forças de gravitação, defendo, carregam vícios e virtudes, sendo importante mapeá-los a fim de uma primeira reflexão sobre o assunto. A reflexão se dará, de passagem, e de modo um tanto arbitrário, dadas as limitações características desse espaço, em três níveis: ideológico, sociais. Por fim, um senso de proporção um tanto distorcido e a pouca abertura para pensar e recriar a realidade a partir de novas categorias a faz escorregar em lamentáveis demonstrações de sectarismo e dogmatismo. Por último, chegamos à esquerda fragmentária, nossa terceira “corrente”. É certo que esta nasce da crise das duas precedentes, e como resposta aos seus problemas supostamente congênitos. Isso se dá em meados do século passado (1968 é, certamente, um marco importante), mas ganha te do quadro acima proposto. Seria uma enorme pretensão dar, de pronto, uma resposta sumária, já que esta será inevitavelmente produto da imprevisível e apaixonante tarefa de invenção política coletiva. No entanto, cabe, como ponto de partida para uma reflexão que seguirá, uma segunda provocação. E se, na busca por uma esquerda conectada com os desafios de nosso tempo, conseguíssemos nos pautar pela necessidade de reter as virtudes e descartar os vícios nos tipos acima descritos? século XX, há muito deixou de representar qual- epistemológico e político. Para efeitos de análise, fôlego renovado a partir do fim do dito ‘socialismo Dito dessa forma, pareceria demasiado simples, quer novidade a já repetida enunciação da crise assumirei, como ponto de partida, que os repre- real’, perpassado pela retórica do “fim das gran- em especial se considerarmos que esses três do marxismo, em particular, e do horizonte de sentantes de todas as frações são bem- des narrativas” em tempos ‘pós-ideológicos’. Na tipos são irremediavelmente interdependentes, e uma política emancipatória de esquerda, em ge- intencionados e que igualmente buscam, por vias dimensão epistemológica, busca na efemeridade que, possivelmente, seus vícios e virtudes são, ao ral. Como é de amplo conhecimento, ao menos distintas, a transformação (radical?) da realidade dos movimentos transitórios, na particularidade fim e ao cabo, inseparáveis entre si; já que cada desde meados do século passado, a esquerda – o que nem sempre é verificável no mundo da como elemento constitutivo, na cognição de corte uma dessas correntes, representa, em última debate-se em questões epistemológicas, teóricas vida (mas isso levaria a discussão para outras e relativista e na desconfiança da razão remédios instância, visão de mundo mais ou menos coeren- e práticas de difícil, ainda que inescapável, en- indesejadas esferas). A eles, pois. contra a fixidez das estruturas e a subsunção da te, com sua própria amarração e lógica interna. É frentamento: as ‘novas’ identidades e sujeitos políticos, a reconfiguração das relações de produção e o consequente descentramento da classe trabalhadora ‘típica-ideal’, a flexível plasticidade novas formas de exploração e acumulação de capital, o peso e materialidade da ideologia, os desafios postos às leituras de conjuntura frente à complexidade da realidade, a autonomia (relativa?) do político, os limites da razão, entre tantos, e intermináveis, problemas. Muitas formulações, em múltiplas direções, algumas mais adequadas do que outras, buscaram decifrar essa esfinge há tempos posta em nossa sala. Debatê-las aqui, no entanto, não é meu objetivo. Se é verdade que longas e celebres análises e sínteses já foram produzidas a respeito, é igualmente certo que os becos do pensamento emancipatório continuam nos assombrando. A relação das forças e movimentos revolucionários com a institucionalidade burguesa e o poder do Estado, as aporias da forma partido, os desafios organizativos postos para os (já não tão) novos movimentos sociais, entre outros pontos, seguem todos ainda na agenda. Uma vez assumida essa necessidade, por onde e de onde (re?)começar o necessário (e trágico, no sentido grego clássico da palavra – já que as consequências não pretendidas da ação parecem sempre nos trazer de volta ao mesmo problema inicial) esforço de renovação teórico-político da esquerda? Penso, como muitos, que convém começarmos pela boa e velha “análise concreta da realidade concreta”. É evidente que nesta há incontáveis aspectos e facetas a serem cobertos, mediados ou condicionados por distintas abordagens. No espaço restrito deste texto, não pretendo ir além de uma primeira e limitada aproximação dessa vasta problemática. Para tal, me detenho a uma dimensão específica: a prática cotidiana das esquerdas nos espaços de luta política em que habita no presente. Partindo desse ponto, classifico em três as grandes “correntes” de ação da esquerda realmente existentes nesta quadra da história – e é evidente que, como tais, estas não são se apresentam em estado ‘puro’, tampouco excludentes entre si: i) uma esquerda institucional -parlamentar ou “estadocêntrica”; ii) a esquerda dita tradicional-radical ou “saudosa”; e, por fim, iii) a esquerda fragmentária ou dita “pósmoderna” (por mais complicada e problemática O primeiro ‘tipo’, institucional-parlamentar, é bastante conhecido, já que carrega alguns séculos de existência nas costas, mesmo que venha reconfigurando-se desde então. No aspecto ideológico (discurso-representação de mundo que orienta suas práticas), corresponde ao pragmatismo de esquerda clássico, que encontra centralmente no Estado a razão e causa maior do poder. Daí, como sabemos, derivam-se a opção pelo reformismo gradualista (com ou sem povo) e a crença na capacidade de alcançar uma sociedade plenamente justa e livre pela via incremental, mais ou menos estável, sem rupturas. Na dimensão epistemológica, o abandono da radicalidade anticapitalista e, dessa forma, de uma leitura orientada para a ruptura sistêmica, funciona como uma grave barreira à imaginação crítica e, desse modo, ao seu pensamento pretensamente transformador – algo que acaba levando-a a alianças quase perpétuas com o pensamento liberal-burguês de “rosto humano”: os proxys do keynesianismo econômico e as teorias liberais da sociedade e da democracia, que prezam pela moderação diante das conquistas da modernidade capitalista. Por último, no aspecto político, essa forma de ver a mudança social acaba encontrando afinidade com o institucionalismo utilitarista e a indefectível paixão pelo poder, produtos de uma grave confusão entre mudança e manutenção da realidade. Em suma, ao tentar civilizar o capital, acaba por ele ‘civilizada’. A esquerda radical tradicional (saudosista, dirão alguns), o segundo tipo, mantém, no que se refere à dimensão ideológica, seu caráter anticapitalista e, por isso, desconfia da cooptação pelo Estado burguês, apostando sua fichas no socialismo e na revolução. No aspecto epistemológico, é certo, isso a possibilita sustentar algum vigor crítico e analítico, bem como certa solidez dos modelos teóricos – ainda que, em alguns casos, em sacrifício da complexidade do real. Na dimensão política, no entanto, e ainda que seja digna de nota sua heroica e valorosa resistência ao longo das décadas, segue, de certo modo, vinculada cognitiva e discursivamente a um mundo pré-queda do Muro de Berlim, como numa grande elegia dos “sobreviventes” da história, presa a questões de outro tempo. Assim articulada, por mais refinada e influente que seja sua crítica anti-sistêmica, tende ao elitismo político e ao nanismo, afastada que parte pelo todo-totalidade, ciosa que é da procura por novas bases para pensar o problema da liberdade (em detrimento da igualdade?). No aspecto ideológico, a crítica ao capitalismo, quando é o caso, dá precedência à dimensão éticocomportamental, descurando de suas tensões sistêmico-estruturais; sobrevalorizando, dessa forma, esferas micropolíticas de atuação em detrimento de sua contraparte macrossocial. Desse modo, assim como no primeiro tipo, termina por colaborar consciente ou inconscientemente com o (neo) liberalismo e o mito moderno do indivíduo autodeterminado, que aqui se torna – implícita ou explicitamente – a unidade fundamental de análise. No aspecto político, ao manter certa desconfiança da busca por unidades em detrimento das diversidades (como se no fundo estas fossem inconciliáveis), acaba jogando água no moinho da fragmentação político-organizativa. Ao apostar as fichas na imanência fluída das redes sem dar devida atenção aos seus constrangimentos e limites, termina refém de conceitos de horizontalidade e autonomia não raro esvaziados de conteúdo material. Tudo somado, a ideia de projeto político-estratégico perde sentido e horizonte, apontando para uma gestão reativa, imediatista e performática da luta social. Estarão certos os que dirão ser esta uma forma por demais simplificada de apresentar o panorama. Poucos são os grupos na esquerda que estariam enquadrados em só um desses tipos e é igualmente certo que, dessa forma categorizados, acabam drenados de sua enorme diversidade, bem como histórias particulares e conjunturas constitutivas. Igualmente corretos estarão em criticar certa arbitrariedade dessa classificação no denso, polissêmico e multifacetado campo da pratica teórica, onde o buraco é, sabemos, ainda mais profundo. Defendo, no entanto, que são essas as três grandes forças de gravitação que atraem a maioria das organizações, movimentos e coletivos políticos de esquerda atualmente, forças que precisam ser superadas naquilo que tem de perniciosas, e, quiçá, canalizadas naquilo que tem de irruptivas. Eis, então, a proposição de um primeiro e ainda precário parâmetro que julgo útil e funcional para nos ajudar a começar a ler as tragédias da esquerda no século XXI, em suas potências e misérias – orientada, naturalmente, para a busca de soluções. igualmente razoável atentar para o fato de que, em geral, o caminho circular que vai de um tipo ao outro acabou por se tornar a via sacra de militantes frustrados e desiludidos com seus próprios espaços de atuação política, sempre em busca de seu próprio (e, por vezes, individual) paraíso organizativo. Como, então, operacionalizar objetivamente tal proposta? Aí reside, certamente, o mais difícil. Sem pretensão de resolução de problema, nos permitamos ao menos imaginar, especular. Há de se começar por algum ponto, afinal. Da esquerda de primeiro tipo, buscaremos manter o necessário pragmatismo da ação: o planejamento, desenho e busca pela concretização de novas de propostas de governo da vida política e social, permeada por valores radicalmente democráticos, e que falem diretamente para as necessidades mais prementes e cotidianas das pessoas, no “agora”. Junto disso, a clareza quanto ao caráter contraditório, nada idílico, da política cotidiana, como campo de guerra que é. Da esquerda de segundo tipo, nos caberá manter o vigor crítico, a tenacidade da resistência abnegada, a radicalidade anti-sistêmica e a orientação para projetos estratégicos que tenham como horizonte a superação do capitalismo. Por fim, da última dessas “correntes”, cumprirá reter, em tempos de crise civilizacional, o compromisso com uma renovação ético-estética da política, a criatividade e irreverência na produção de novos arranjos organizativos, o valor da sustentabilidade, o respeito à diversidade e a desconfiança consequente da razão. Poderia ser um bom começo. Para isso, precisaremos nos livrar do apego ao poder pelo poder e da falência da crítica, do sectarismo dogmático e saudosista e, por fim, da ação fragmentária, individualista e performática de nosso tempo. O necessário e hercúleo esforço de construção de leituras profundas, atualizadas e precisas do capitalismo precisará ser encontrado com a investigação obsessiva e a tentativa prática de novas formas politico-organizativas, compatíveis com as lutas e desafios revolucionários contemporâneos. Eis, assim, a tarefa que a que deve se empreender todo pensamento-ação pretensamente crítico: entender, criticar e transformar o mundo a sua volta. Edemilson Paraná é doutorando em Sociologia que seja a utilização deste termo, convém faze-lo está do universo de questões que governam o Fica posta, no entanto, como sempre, a pergunta ORIGEM DO TERMO - Esquerda e Direita O uso político dos termos esquerda e direita é Os esquerdistas também defendiam o fim dos referenciado na Revolução Francesa, em privilégios para nobreza e clero, mas eram 1789, quando os liberais girondinos e os ex- favoráveis a um regime centralizador. tremistas jacobinos sentaram-se respectivamente à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional. Os personagens da Revolução Francesa estão bem representados na internet em vários idiomas, principalmente em francês. Os direitistas pregavam uma revolução liberal, a abolição dos privilégios da nobreza e esta- beleceram o direito de igualdade perante a lei. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 5

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 E se não houvessem direitos? algo como : Bandido não tem direitos, e qual- tos assuntos e discussões, vemos os direitos quer punição que sofra ainda é pouco. humanos serem violados a todo o momento Direitos humanos ou Direitos naturais, individuais, servem para designar a mesma coisa, os direitos fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna. São princípios que servem para garantir nossa liberdade, em todos os lugares, e, em todos os tipos de sociedade. Portanto discutir o direito dos criminosos é discutir o direito de seres humanos. Bandido, criminoso, tem que ser punido sim! Mas essa punição não cabe a nós cidadãos comuns, e sim ao Estado que tem como função promover o bem comum, zelar pela segurança e bem estar do cidadão. nossa dignidade, o respeito ao ser humano A insatisfação social ocasionada pela inefici- para termos uma sociedade com igualdade ência do Estado em punir, gera a vontade de para todos. fazer justiça com as próprias mãos. Isso se Se são universais subentende-se que são para todos, independente de credo, raça, cor, sexo, posição política, social, econômica etc. inclusive para bandidos. Portanto dizer que os Direitos Humanos se preocupam apenas com bandidos é uma falácia. Não podemos percebe nos linchamentos e casos de vinganças que ocorrem diariamente. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. ser tão ingênuos a ponto de querer isolar o Mas achar que nós mesmos podemos resol- criminoso pensando nele como apenas um ver a situação, cometendo atrocidades, fa- Direitos Humanos ou Direitos dos bandidos? indivíduo mau caráter, de má índole. zendo “justiça” não resolve em nada os pro- Eis uma pergunta que sempre é feita para quem defende os Direitos Humanos. Direitos humanos só servem para proteger bandi- Essa visão simplista não se sustenta. O sujeito é fruto de vários fatores sociais. Como as pessoas viram marginais? Por acaso as pes- blemas. Culpar os defensores dos direitos humanos também não.As leis são para todos, criminosos ou não. dos?. Não. soas nascem bandidos? Prevalece em nossa Os defensores dos direitos humanos lutam Direitos humanos são direitos fundamentais sociedade injustiças e desigualdades profun- pelo respeito e defesa desses direitos. Não que possuímos e são para todos. A defesa das que são a base para a criminalidade. defendem bandidos, mas sim o direito que é dos direitos humanos não é algo individual Não somos a favor do crime, e todos que são de todos a um processo legal, as garantias apenas, garante direitos a todas as pessoas. vítimas têm o direito de ficarem furiosos com constitucionais. Lutamos para que haja justi- Não existem garantias que um cidadão ino- isso, mas não respeitar os direitos humanos ça e punição, mas sem deixar de lado as nor- cente não possa sofrer algum tipo de perse- não vai ajudar a mudar esse quadro que aí mas, as garantias aos direitos sociais e indivi- guição ou constrangimento ilegal, e vir a ser está, pelo contrário, só vai fomentar o ódio e duais, a preservação da dignidade humana. tratado como bandido, e até o engano ser aumentar a criminalidade. Não queremos voltar ao tempo da vingança desfeito ele vai querer alguém lhe defenden- É certo que nada justifica o crime ou qual- privada, ou permitir ao Estado que exerça do e garantindo seus direitos. Esses direitos quer outro tipo de violência. Tudo que fere a seu poder ilimitadamente sobre os cidadãos. não são, portanto, prerrogativas de bandidos dignidade humana deve ser combatido, mas Direitos humanos são para as vítimas e são apenas, e sim da sociedade em geral. dizer que os Direitos Humanos são apenas para os bandidos. Perguntas que demonstram o quanto as pessoas estão preocupadas com o seu umbigo apenas. Minha resposta é simples. Todos para bandidos é não querer encarar a realidade que vivemos que é a da desigualdade social. Se nos sentimos ameaçados e sem liberdade por conta do medo que nos domina, vamos cobrar de quem tem que nos proteger. Va- têm direito ao Direito, e os Direitos Humanos É natural que os defensores dos direitos hu- mos cobrar uma atuação mais rigorosa do são para HUMANOS! Simples assim. Mas manos dediquem mais atenção àqueles que Estado. parece difícil convencer aquele que se acha melhor que o outro porque não cometeu “nenhum crime”, as justificativas são muitas. As críticas são imensas, e a ala mais conservadora da sociedade acha que os direitos humanos servem para privilegiar bandidos, legitimando a conduta transgressora, através de uma punição segundo eles inexistente, pois são mais frágeis e que ocupam uma posição menos privilegiada dentro de uma sociedade. A impunidade tem sido uma das bandeiras dos militantes dos direitos humanos, dizer que bandido bom é bandido morto é menosprezar a vida humana, é dizer que uns são melhores que outros, e se arvorar juiz da vida, determinando quem deve morrer e quem A paz só é possível com a observância dos direitos humanos. Como declarou Martin Luther King, Jr., quando defendia os direitos das pessoas de cor nos Estados Unidos durante a década de 60: “Uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça para a justiça em todos os lugares.” não pune. Nesse sentido o entendimento é é digno de continuar vivendo. que somente uma postura violenta e dura daria resultado e faria a criminalidade diminuir, Quando falamos em Direitos Humanos, muitas ideias passam por nossa cabeça, mui- Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com Por uma Reforma Política democrática e com participação popular Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 6

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Oriente Português Em 1967, como consequência do Motim 1-2-3, Foi também garantido pela RPC a preservação que marcou a revolta dos residentes chineses do seu sistema econômico-financeiro e das pró-comunistas de Macau, em 3 de Dezembro suas especificidades durante pelo menos 50 de 1966, Portugal renunciou à sua ocupação anos, isto é, pelo menos até 2049. perpétua de negociações Macau. Em 1987, entre Portugal e a após intensas República Po- As línguas oficiais são o português e o chinês. pular da China, os dois países acordaram que O cantonês é dominado, em 2006, por cerca Macau voltaria para a soberania chinesa no de 91,9% da população e falado correntemen- dia 20 de Dezembro de 1999. te por cerca de 85,7% da população, tornando- Em outra parte do mundo, na Ásia, os portu- Atualmente, Macau está experimentando um grande e acelerado crescimento econômico, o o a língua, ou mais dialeto chinês, mais falado de precisamente Macau. gueses também tiveram possessões. Duas de- baseado no acentuado desenvolvimento do O português é só dominado por cerca de 2,4% las foram Goa e Macau. setor do jogo e do turismo, as duas atividades da população e falado correntemente por cer- Macau é uma das regiões administrativas es- peciais da República Popular da China desde econômicas vitais especial chinesa. desta região administrativa ca de 0,6% da população. Macau, como um ponto de encontro e de inter- 20 de dezembro de 1999, sendo a outra Hong Situa-se na costa meridional da República Po- câmbio entre o Ocidente e o Oriente, é dotada Kong. Antes desta data, Macau foi colonizada pular da China. Macau tem cerca de 538 mil de uma grande diversidade de religiões, como e administrada por Portugal durante mais de habitantes, sendo a esmagadora maioria de o Budismo, o Confucionismo, o Taoísmo, 400 anos e é considerada o primeiro entrepos- etnia chinesa. o Catolicismo, o Protestantismo, o Islamismo e to, bem na Ásia. como a última colônia europeia Desde 20 de Dezembro de 1999, o nome oficial de Macau é "Região Administrativa Especial a Fé Bahá'í, mente. que se coexistem harmoniosa- A colonização de Macau teve início em mea- de Macau da República Popular da Chi- Porém a esmagadora maioria da população de dos do século 16, com uma ocupação gradu- na" (RAEM). Macau é adepta ao Budismo. al de navegadores portugueses que rapidamente trouxeram prosperidade a este pequeno território, tornando-o numa grande cidade e importante entreposto comercial entre a China, a Europa e o Japão. Macau atingiu o seu auge nos finais do século 16 e nos inícios do século 17, mas só em 1887 a China reconheceu oficialmente a soberania e a ocupação perpétua portuguesa de Macau, através do "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português". Após o estabelecimento da RAEM, Macau atua sob os princípios do Governo Popular Central da RPC de "um país, dois sistemas", da "Administração de Macau pela Gente de Macau" e de "Alto Grau de Autonomia", gozando por isso de um estatuto especial, semelhante ao de Hong-Kong, e possuindo consequentemente um elevado grau de autonomia, limitado apenas no que se refere às suas relações exteriores e à defesa. A moeda oficial usada em Macau é a pataca e encontra-se indexada ao dólar de Hong Kong. Goa e Macau não são países independentes, mas podem ser “porta de entrada” para o Brasil na Índia e na China, “ponte de conexão”, se houver interesse político. João Paulo E. Barros GOA, DAMÃO e DIO mesmo ano, em uma segunda expedição, O hinduísmo (65,8%), o cristianismo (26,7%) e a 25 de Novembro, Afonso de Albuquerque, o Islamismo (6,8%) são as três maiores religi- O Estado da Índia auxiliado pelo corsário hindu Timoja, tomou ões goesas. ou Índia Portugue- Goa dos árabes, que se renderam sem com- O primeiro Vice-Rei foi D. Francisco de Almei- sa foi um Estado ul- bate, por o sultão se achar em guerra com da, que estabeleceu seu governo em Cochim tramarino português, o Decão. (Kochi). fundado em 1505, seis anos depois do descobrimento da rota entre Portugal e o subcontinente indiano, para servir de referência governamental para uma cadeia de fortificações, feitorias e colônias de ultramar. Os governadores portugueses da cidade pretendiam que fosse uma extensão de Lisboa no Oriente e para tal criaram algumas instituições e construíram-se várias Igrejas para expandir o cristianismo e fortificações para a defender de ataques externos. A partir de meados do século XVIII verifica-se um alargamento dos territórios de Goa, que Em 1530 a capital do Estado da Índia foi transferida para Goa e, antes do século XVIII, o governador português ali estabelecido exercia sua autoridade em todas as possessões portuguesas no oceano Índico, desde a monção do Cabo da Boa Esperança, a oeste, passando pelas Ilhas Molucas, Macau e Nagasaki (esta não formalmente parte dos domínios Goa atualmente é um estado da Índia, na cos- passam a integrar as Novas Conquistas. Ape- portugueses) ao leste. ta oeste daquele país. Em termos de renda per capta, é o estado mais rico da Índia. A língua oficial é o concani, mas ainda há falantes do português devido a 4 séculos de domínio lusitano em Goa. sar de, com a chegada da Inquisição (1560– 1812), muitos dos residentes locais terem sido convertidos violentamente ao cristianismo, ameaçados com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades, a maior parte das con- Em 1752, Moçambique passou a ter um governo próprio e em 1844 foi a vez dos territórios de Macau, Solor e Timor, restringindo a autoridade do governador do Estado da Índia às possessões portuguesas na costa de Mala- As suas principais cidades são Vasco da Ga- versões foram voluntárias tendo muitos dos bar, permanecendo assim até 1961. ma, Pangim, Margão e Mapuçá. A primeira referência a Goa data de cerca de 2200 a.C., em escrita cuneiforme da Suméria. missionários que aí pregaram alcançado fama. A decadência do porto no século 17 foi conse- Antes da independência da Índia, ocorrida em 1947, os territórios portugueses se restringiam à Goa, Damão, Diu, e Dadrá e Nagar-Aveli. Formada por povos de diferen- quência das derrotas militares dos portugue- Portugal perdeu o controle efetivo dos encla- tes etnias da Índia, a influência dos sumérios ses para a Companhia Holandesa das Índias ves de Dadrá e Nagar-Aveli em 1954 e, final- aparece no primeiro sistema de medidas da Orientais, tornando o Brasil o centro econômi- mente, o resto dos territórios do subcontinente região. No período védico tardio (1000-500 co de Portugal. Em 1842 foi fundada a Escola indiano em dezembro de 1961, quando foram a.C.) é chamada, em sânscrito, Gomantak, Médico-Cirúrgica de Goa que formou médicos tomados por uma operação militar indiana. A- que significa "terra semelhante ao paraíso, fér- que viriam a exercer em todo o Império Portu- pesar da tomada pela Índia dos territórios por- til e com águas boas". guês. Em 1900 Goa teve seu primei- tugueses no subcontinente, Portugal reconhe- Goa foi cobiçada por ser o melhor ro jornal bilingue gujarati-português. ceu oficialmente o controle indiano somente porto comercial da região. De 18 para 19 de dezembro de 1961 uma for- em 1975, após o Revolução dos Cravos e da A primeira em 1510, de investida portuguesa deu-se 4 de Março a 20 de Maio. Nesse ça indiana de 40.000 soldados conquistou a, encontrando pouca resistência. Go- queda do regime do Estado Novo. João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 7

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 7 Crônicas, Contos e Poesia ARREPENDIMENTO GENHA AUGA QUE O PASSADO NÃO TE CONDENE, QUE TEUS ERROS SEJAM REPARADOS, NÃO NASCEMOS SABENDO, O QUE SE FEZ O TEMPO NÃO APAGA. O ARREPENDIMENTO TE FAZ PERDOADO SE ERRAR DE NOVO NÃO APRENDEU OU NÃO HOUVE APRENDIZADO DE VERDADE. QUEM SE ARREPENDE TERÁ TEMPO DE RECONSTRUIR-SE OU ESTARÁ FADADO, A CEGAR-SE EM TUA PRÓPRIA ARMADILHA E ERRAR PARA O RESTO DA VIDA. NASCEMOS COM ESSA SINA, O QUE NÃO FIZERMOS DIREITO, VOLTAREMOS PARA CUMPRIR O QUE NUNCA APRENDEMOS NESSA VIDA. . HITÓRIA DE UMA MULHER NORDESTINA apresentou seu pretendente aos tios que logo lhe deu um ultimato de noivarem e ca- Aos treze anos seus sarem-se no prazo de nove meses, o que pais separam-se e a foi honradamente cumprido. menina preferiu ir morar com o pai, por pena dele que fora traído pela mãe, mas não pode ser atendida, pois naquela época, anos cinquenta, não era bem visto a separação do cônjuge e muito menos a filha morar com o progenitor. Casaram-se e ela passou a cuidar da casa e do marido saindo-se muito bem. Mas, tanta era sua inocência que nunca pensou que para casar teria que dormir com um homem, por isso e pela paciência e compreensão do esposo, só realmente consumou sua “lua de mel” depois de uns três meses e, consequentemente, engravidou. Outra fase de paciência e aprendizado. Tinha mais dois irmãos que ficaram com seu pai e abandonados pela mãe que se tornara “rapariga” sumindo pelo mundo afora. Visto a circunstância, ela como única menina foi entregue aos cuidados de uma tia que já tinha sete filhos para criar. Viveu com ela até seus dezessete anos e sua vida transformou-se num verdadeiro inferno, embora sua tia lhe fosse muito afetuosa, sentia falta de sua família e muito mais a morte da Quando a barriga cresceu e entendeu que estava esperando um bebê, sentiu-se envergonhada porque todos iriam saber o que ela havia feito e graças à sogra, através de muitas conversas e ensinamentos, entendeu e pode sentir a felicidade de que iria ser mãe e depositou nesse sentimento toda vontade de cuidar da criança com todo amor e carinho que não teve. tia que em vão, sempre foi em busca de sua Essa matuta pela ingenuidade ainda im- mãe que nunca mais apareceu nem para pregnada, por vezes era engraçada, andava visitar a pequena menina, criada com mui- de pernas bem abertas, com medo de ma- tas dificuldades pela situação financeira em chucar a criança e, passava horas sem dor- que viviam e pelos primos que nunca acei- mir sem acreditar que de um lugar tão pe- taram sua presença entre eles. queno sairia esse bebê e, ao mesmo tempo Perdera seus dois irmãos e ao completar dezoito anos veio para São Paulo com uma das primas que juntou suas economias e em que havia a possibilidade, por ter peso muito baixo, ter que fazer uma cesariana e isso a apavorava. com quem teve afinidade e foram morar Passado o tempo da gravidez, essa num quartinho alugado por ela conseguindo “figurinha”, sobreviveu com muita vontade um trabalho como doméstica, e ela, pela de superar as dificuldades e com a certeza dificuldade que teve em adaptar-se à cidade do seu direito de “ser gente” e de viver dig- grande, pois nasceu e criou-se em Belo Jar- namente. Assim o fez! Teve um casal de dim, interior de Pernambuco onde os costu- filhos que foram sempre muito bem cuida- mes e modos eram totalmente diferentes dos e seu marido querido com quem a vida daqui e, com jeito pouco refinados, conse- lhe premiou faleceu já com os filhos criados, guiu estudar até a quinta série e só então deixou-lhes uma boa casa e o exemplo de pode trabalhar como operária em uma fábri- que vale a pena ser um bom homem, pro- ca. porcionando a uma pessoa, como há ainda Sua trajetória sempre foi de truculência por relacionar-se de maneira pouco lapidada o que lhe valera muitas demissões e rejeições nos relacionamentos com as pessoas. No seu último emprego, foi demitida por justa causa visto que, empurrou o patrão escada abaixo por lhe negar um adiantamento do muitas delas cuja sociedade discrimina e para quem o estado sempre virou as costas, esse homem mostrou que a esperança e a certeza de que vale lutar com dignidade e que aprender com humildade sempre proporciona decidir se queremos continuar chorando ou sorrindo. salário. Afinal quem na vida não sofreu a dor da Sua prima trazia da padaria uma “bengala de pão” com mortadela e tubaína que ela comia na janta e guardava a metade para o perda ou a alegria da chegada? Esse é o ciclo da vida e cada um de nós é quem compõe sua sina. dia seguinte de almoço, momentos difíceis, ... Essa pessoa, atualmente com mas, levaram adiante até localizarem seus seus sessenta e sete anos, tem seus filhos tios que moravam em Santos e lhe deram formados e a tratam com todo respeito e abrigo e apoio. carinho, ela aprende todos os dias, faz mú- Com a vida melhorada e melhor ajeitada por essa acolhida dos tios, foram conhecendo outras pessoas, fizeram algumas amizades e até passaram a frequentar “bailinhos” onde teve a sorte de conhecer um rapaz sica, é atriz, ajuda crianças carentes, continua lutando pela intolerância e discriminação, discute com coerência seu ponto de vista e tem sempre uma palavra amiga e um sorriso no rosto. que entendera que suas atitudes poderiam mudar se alguém a ensinasse, pois o caráter dela como pessoa era firme e de uma Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 guerreira. Apaixonaram-se à primeira vista, www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 8

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Política e História O pacifismo hipócrita dos bem-pensantes. Primeiro, massacraram e escravizaram índios. Depois, trouxeram cati- No Brasil basta que um político, um jornalista ou um intelectual seja xingado num aeroporto ou num restaurante para que os bempensantes liberais e de esquerda se condoam com o "insuportável clima" de radicalização e de ódio. Todos derramam letras e erguem vozes para exigir respeito e para deplorar as situações desagradáveis e constrangedoras. Até mesmo a nova presidente do PT e parlamentares do partido entram na cruzada civilista para exigir o respeito universal, mesmo que para inimigos. vos da África, muitos dos quais chegavam mortos nos porões dos navios e foram jogados como um nada nos mares e nas covas e se perderam, sem nomes, nos tempos. Trabalho brutal, açoites e exploração sexual foi o triste destino a que estavam reservados. Essa compulsão violenta ecoa até hoje, no racismo, na exploração e na própria violência contra as mulheres em geral, pois a genética e a cultura brancas trazem as marcas da impiedade machista da vontade de domínio, até pela via da morte. Os bem-pensantes brasileiros, cada um tem seu lado, claro, querem conviver pacificamente nos mesmos aeroportos, nos mesmos restaurantes e, porque não, compartilhar as mesmas mesas. Deve haver um pluralismo de ideias e posições, mas a paz e os modos civilizados devem reinar entre todos e a solidariedade e os desagravos precisam estar de prontidão. As rupturas na democracia e no Estado de Direito não devem abalar este convívio. A hipocrisia do pacifismo bem-pensante não se condói sistematicamente com os 60 mil mortos por ano por meios violentos - prova indesmentível de que aqui não há paz. Mortos, em sua maioria, jovens pobres e negros. Também não se condói com o fato de que as nossas prisões estão apinhadas de presos, em sua maioria, pobres e negros e sem uma sentença definitiva. Presos que vivem nas mais brutais condições de desumanidade. Trata-se de um pacifismo dos hipócritas. O fato é que no Brasil, a paz é uma mentira, a democracia é uma falsidade e a realidade é deplorável, violenta e constrangedora. Deplorável, violenta e constrangedora para os índios, para os negros, para as mulheres, para os pobres, pa- Não se pode exigir paz e civilidade num país que ocupa o quarto lugar dentre os que mais matam mulheres no mundo, sem contar os outros tipos de violência de gênero. E o que dizer da continuada violência contra os camponeses e do recorrente extermínio dos índios? ra os jovens e para a velhice. A paz, a cultura e a ilustração só exis- A paz e a civilidade existem nos restaurantes dos Jardins, nos gabine- tem para uma minoria constituída pelas classes médias e altas que tes e palácios, nas redações da grande mídia, nos intramuros das uni- têm acesso e podem comprar a seguridade social, a educação, a cul- versidades, nos escritórios luxuosos, nos condomínios seguros, nos tura e o lazer. O Estado lhes garante segurança pública. aviões que voam levando os turistas brasileiros para fazer compras no A hipocrisia pacifista pensantes sempre foi das elites econômicas um ardil para acobertar e políticas a violência e dos bemque lhes ga- estrangeiro. Mas elas não existem as, nas favelas, no trabalho. nas ruas, nas praças, nas periferi- rante os privilégios, o poder e a impunidade. Ardil que anda insepara- O Brasil caminha para o abismo, sem destino, tateando no escuro, do de sua irmã siamesa - a democracia racial - e, juntos, constituem a aprisionado pela sua má fundação e de sua má formação. Precisamos ideologia da dominação e da dissimulação da tragédia social e cultural recusar este destino e isto implica em recusar a mentira hipócrita do que é o nosso país. pacifismo e da civilidade dos bem pensantes e falsidade da democra- O pacifismo é um brete, uma jaula, que procura aprisionar e conter a cia racial. combatividade cívica dos movimentos sociais e dos partidos que não Os gritos das dores das crueldades praticadas ao longo dos séculos compartilham com a ideia de ordem vigente. Essa ideologia operante precisam retumbar pelos salões de festa das elites e nos lares e escri- exige que as manifestações de rua sejam sempre tangidas pelas polí- tórios perfumados pela alvura que quer disfarçar uma herança de cias e, quando algo não fica no figurino, a violência e a repressão são mãos manchadas de sangue e de rapina. Os historiadores precisam legitimadas para manter a paz dos de cima. reescrever a história deste país para que possamos entender a bruta- A democracia racial, que sempre foi uma crassa mentira, difundida lidade do passado e do presente e projetar um outro futuro. por bem-pensantes e por representantes do Estado, é uma rede de A doce ternura da paz e da civilidade dos bem-pensantes, dos bem- amarras e de mordaças que visa impedir a explosão de lutas e os gri- educados, dos bem-vestidos, dos bem-viventes, precisa ser confron- tos por direitos e por justiça de negros e pobres, que são pobres por- tada e constrangida pelo fato de que nos tornamos uma nação de in- que são negros. A ideia de democracia racial também não passa de sensíveis e de brutais, praticantes do crime imperdoável de desalmar um ardil para acobertar a violência e a opressão racial e econômica e as vítimas da violência para dar-lhe uma alma (branca) também insen- para escamotear o racismo institucionalizado - herança escravocrata sível e brutal. entranhada como mentalidade e como cultura na alma pecaminosa da Não temos o direito de persistir na mentira hipócrita e na enganação. elite branca. Não temos o direito de interditar caminhos de liberdade e de justiça Uma história violenta pelas nossas ideologias ludibriantes. Se não fomos capazes de cons- O Brasil nasceu e se desenvolveu sob a égide da violência. Não da truir uma nação com direitos, justiça, democracia e liberdade, deixe- violência libertadora, da violência cívica que corta a cabeça dos domi- mos que os deserdados deste país a construam e, se possível, vamos nadores e dos opressores para instituir a liberdade e a justiça. Aqui, ajudá-los com humildade e sem vaidades. A paz efetiva só existirá os malvados, os dominadores e opressores, nunca foram ameaçados quando estes bens se tornarem realidade para todos. e mantêm o controle político a partir de um pacto preliminar do uso Aldo Fornazieri alargado da exploração e da violência como garantia última do modo Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP). de ser deste país sem futuro. O Brasil de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, frente a cada 9 minutos, ou cerca de 160 mortos por dia. r e g i s t r o u 256.124 mortes violentas na Síria, entre março de Foram 28,6 pessoas vítimas a cada grupo de 100 mais mortes 2011 a dezembro de 2015, de acordo com o Ob- mil brasileiros. No entanto, em comparação a violentas de servatório de Direitos Humanos da Síria. 2014 (59.086), o número de mortes violentas so- 2011 a 2015 “Enquanto o mundo está discutindo como evitar a freu redução de 1,2%. “A retração de 1,2% não do que a tragédia que tem ocorrido em Alepo, em Damasco deixa de ser uma retração, mas em um patamar Síria, país e várias outras cidades, no Brasil a gente faz de muito elevado, é uma oscilação natural, de um em guerra, conta que o problema não existe. Ou, no fundo, a número tão elevado assim”, ressaltou Lima. em igual gente acha que é um problema é menor. Estamos Das 58.383 mortes violentas no Brasil em 2015, período. Os revelando que a gente teima em não assumi-lo 52.570 foram causadas por homicídios (queda de dados, divulgados hoje (28), são do Anuário Brasi- como prioridade nacional”, destacou o diretor- 1,7% em relação a 2014); 2.307 por latrocínios leiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pú- (aumento de 7,8%); 761 por lesão corporal segui- de Segurança Pública. blica, Renato Sérgio de Lima. da de morte (diminuição de 20,2%) e 3.345 por Foram 278.839 ocorrências de homicídio doloso, Apenas em 2015, foram mortos violentamente e intervenção policial (elevação de 6,3%). latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mor- intencionalmente 58.383 brasileiros, resultado que tes decorrentes de intervenção policial no Brasil, representa uma pessoa assassinada no país a Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 9

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 9 História do Brasil Dois cavalos que mudaram a História do Brasil altura do Gasômetro, viu as forças sublevadas que vinham na direção contrária. Como ainda se sentia muito debilitado, continuou de char- Momentos importantes que marcaram o país rete o restante da jornada. são repletos de personagens pitorescos e con- Ao chegar próximo do Campo de Santana trovertidos. Curiosamente, dois deles perten- (atual Praça da República, em frente à estação cem ao reino animal. da Central do Brasil), o marechal pediu para A história do Brasil é repleta de personagens Quadro "O Brado do Ipiranga", do pintor Pedro Américo. montar a cavalo, apesar dos protestos dos ofi- pitorescos e controvertidos, nos quais mitos e Foi, portanto, como um simples tropeiro, co- ciais, temerosos de que o velho comandante realidades se misturam para desafiar a com- berto pela lama e a poeira do caminho, às vol- não tivesse forças para se manter sobre o ani- preensão de pesquisadores, estudantes e lei- tas com as dificuldades naturais do corpo e de mal. Por precaução, o alferes Eduardo Barbo- tores da atualidade. Curiosamente, dois deles seu tempo, que D. Pedro proclamou a Inde- sa cedeu-lhe o cavalo baio número 6, conside- pertencem ao reino animal. São cavalos que pendência do Brasil. A cena real é bucólica e rado o menos fogoso na tropa do Primeiro Re- participaram de momentos decisivos na cons- prosaica, mais brasileira e menos épica do que gimento de Cavalaria. E foi com esse cavalo trução do país – a Independência, em 1822, e a retratada no quadro de Pedro Américo. E, que Deodoro depôs o imperador Pedro II. a Proclamação da República, em 1889. ainda assim, importantíssima. Ela marca o iní- A mais conhecida cena da Independência é o cio da história do Brasil como nação indepenquadro “O Brado do Ipiranga”, do pintor parai- dente. bano Pedro Américo. Nele, o então príncipe O segundo cavalo importante da história brasi- regente D. Pedro, futuro imperador Pedro I, leira também é personagem de um quadro fa- aparece no alto de uma colina, de espada em moso, de autoria do pintor Henrique Bernardel- punho e montado em fogoso alazão. li, que celebra a Proclamação da República Na imagem oficial, seria dessa maneira que o em Quinze de Novembro de 1889. E também herdeiro da coroa portuguesa teria pronuncia- nesse caso há controvérsia em torno do persodo a célebre frase “Independência ou Morte”, nagem equino. marca do rompimento definitivo entre a colônia Nas horas que antecederam a queda da mo- e sua antiga metrópole encenada no final da narquia brasileira, o marechal alagoano Mano- tarde de Sete de Setembro de 1822. el Deodoro da Fonseca estava gravemente Depoimentos da época, no entanto, desmen- enfermo. Passava o tempo todo na cama. Ao tem essa visão épica. visitá-lo, o advogado Francisco Glicério, de Campinas, interior de São Paulo, ficou impres- Nas suas memórias, escritas anos mais tarde, sionado com seu aspecto ao vê-lo às voltas o coronel Manuel Marcondes de Oliveira Melo, com uma crise de dispneia, falta crônica de ar subcomandante da guarda de honra e futuro produzida por arteriosclerose. Atirado sobre o Barão de Pindamonhangaba, se refere ao ani- sofá, envolto em um roupão, o marechal se- mal como uma “baia gateada”. quer reunia condições para vestir a farda. O Outra testemunha, o padre mineiro Belchior peito arfava e ele mal conseguia falar. Retrato de Deodoro da Fonseca, do pintor Henrique Pinheiro de Oliveira, cita uma “bela besta baia”. Ou seja, uma égua ou mula de carga sem nenhum charme, porém forte e confiável. Era esta a forma correta e segura de subir a Serra do Mar naquela época de caminhos íngremes, enlameados e esburacados. O mesmo coronel Marcondes também confir- O estado de saúde de Deodoro espalhou o pânico entre as lideranças republicanas. Temia-se que morresse a qualquer momento. Sem o marechal, revolução não teria qualquer chance de sucesso. Naquele momento, era ele o único chefe militar com autoridade suficiente para erguer a espada contra o Império. Bernardelli Herói involuntário de uma escolha casual, o pacato animal seria também o primeiro beneficiário da república brasileira. Aposentado do serviço militar por serviços relevantes prestrados ao novo regime, passaria o resto dos seus dias sem fazer nada, vivendo confortavelmen- ma que, na hora do famoso Grito do Ipiranga, O dia Quinze de Novembro estava amanhe- te no estábulo do seu quartel no Rio de Janei- D. Pedro enfrentava um constrangedor proble- cendo quando Deodoro recebeu a notícia de ro. Anos mais tarde, ao recordar o episódio ma intestinal. Em outras palavras, estava com que, mesmo sem ele, as tropas do exército ha- enquanto posava para o quadro de Henrique dor de barriga. viam se rebelado contra o governo e marcha- Bernardelli em que aparece sobre o animal, de A causa dos distúrbios é desconhecida. Acre- vam do bairro de São Cristóvão para o centro quepe na mão, proclamando a República, De- dita-se que tenha sido algum alimento mal do Rio de Janeiro. Eram comandadas pelo te- odoro diria: conservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista, ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tro- nente-coronel João da Silva Telles, tendo ao lado o tenente coronel e ídolo da mocidade militar Benjamin Constant Botelho de Maga- – Vejam os senhores, quem lucrou tudo aquilo foi o cavalo! no meio de pas de mula na Serra do Mar. lhães. Laurentino Gomes é escritor e jornalista, autor Em suas memórias, Marcondes usou um eufemismo para descrever a situação do príncipe. Segundo ele, a intervalos regulares D. Pedro se via obrigado a apear do animal que o trans- Fraco e cambaleante, Deodoro vestiu a farda, pediu que colocassem o selim de sua montaria dentro de um saco e tomou uma charrete em companhia do alferes Augusto Cincinato de dos livros 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro; 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República. portava para “prover-se” no denso que cobria as margens da estrada. matagal Araújo, seu primo, para ir se encontrar com as tropas do exército. Na Rua Senador Eusébio, Laurentino Gomes é escritor e jornalista

[close]

p. 10

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 E agora José? ESCOLA SEM PARTIDO E A CAÇA ro e impedem que professores levem qual- dade possa vivenciar a escola e realmente AS BRUXAS quer tipo de discussão relacionado a gênero, conhecer a sua estrutura. sexualidade ou questões políticas. Esquecem É óbvio que ninguém quer uma escola político Está dada a largada a uma verdadeira caça que o espaço escolar é o palco onde ocorrem -partidária. Espero que você não esteja pen- às bruxas. O movimento Escola Sem Partido as discussões de todos os tipos, pois é assim sando que eu faço defesa de qualquer partido já escolheu quem são as bruxas do século que adquirimos o conhecimento e aprende- que seja. O que defendo é a pluralidade de XXI: Os professores! Os professores nesta mos a conviver com diferenças. É na dialógica ideias e de concepções. Ou seja, defendo que quase segunda década do século XXI foram que nos fazemos entender e trazemos a luz professores e alunos possam se envolver em eleitos como os doutrinadores marxistas leni- do discernimento e do bom senso. uma grande discussão sobre os problemas da nistas, comunistas, blasfemadores, perverti- Neste momento em que discutimos a Base sociedade, fazendo uso de diferentes conteú- dos, esquerditas que vão destruir a família tra- Nacional Comum Curricular, políticos alinha- dos para desenvolver suas faculdades cogniti- dicional brasileira. dos ideologicamente (inclusive com seus re- vas, o pensamento crítico e as competências Tudo começou com o advogado Miguel Na- presentantes no Ministério da Educação – co- e habilidades que se requer para um cidadão gib. Em 2003 sua filha chegou da escola di- mo o próprio ministro Mendonça Filho) se de- e um trabalhador neste século. zendo que seu professor de História havia bruçam sobre os eixos conceituais de forma Escola Sem Partido e o ponto positivo comparado Che Guevara a São Francisco de Assis. Na oportunidade, o docente discorria sobre abrir mão de tudo por uma ideologia. Havia afirmado que Guevara em 2004, largou tudo em nome da ideologia política. Já São Francisco largou tudo em nome da ideologia religiosa. Eis que, diante desta lógica, Nagib disparou: “As pessoas que querem fazer a ca- com que toda e qualquer forma de indução aos temas elencados acima, sejam excluídos do currículo. Novamente assistimos a escola sendo aparelhada em virtude de uma (falsa) doutrina moral-religiosa, que tem como objetivo preparar o aluno para seguir ordens e ser uma pessoa dita “de bem”. Escola com partido e com ideologia Se você pensa que sou só críticas ao Escola Sem Partido, engano seu. O movimento tem sim um aspecto muito positivo. Ela lança ótica sobre um grande problema da educação: a doutrinação. Infelizmente muitos professores fazem uso da audiência cativa dos seus alunos para imporem as suas concepções ideológicas e calam os alunos que se manifestam beça das crianças associam as duas coisas e Muito se engana aquele que acha que o movi- contra. Eu não saberia quantificar esses pro- acabam dizendo que Che Guevara é um san- mento Escola Sem Partido seja realmente um fessores, mas é sabido que existem, e não se to”1 (SIC). E assim nasceu o movimento Es- movimento sem partido. Não precisa ser mui- faz nada para conter. cola Sem Partido. to inteligente para ligar os pontos acima, ape- Em 23/03/2015, o deputado Izalci (PSDB/DF) apresentou o Projeto de Lei nº 867/2015, que institui o “Programa Escola sem Partido”. A partir daí o Movimento que defende esta ideia ganhou força e se espalhou por diversos Es- nas com os poucos exemplos de nomes e partidos citados. Você pode fazer uma busca rápida e começar a ver quem apresentou este projeto nas diferentes assembleias legislativas e câmaras municipais e ver o partido e a con- Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que a Constituição da República, no artigo 206, III e a LDBEN nº 9.394/1996, artigo 3, II, III e IV, garantem a liberdade de ideias e vetam qualquer forma de proselitismo (Art. 33). tados e Municípios. No site do momento há, dição ideológica desses personagens. Rapi- Porém, várias vezes já presenciei casos explí- inclusive, um modelinho para que vereadores damente você vai entender que eles possuem citos de doutrinação, tais como: e deputados localidades. estaduais apresentem em suas um partido. Voltando a discussão inicial deste texto, o que •Orações antes de iniciar a aula. Porém, desta vez não quero discutir sobre a lei, em si. Isso já tenho feito em vídeo. O ví- se observa é que foi dada a largada à caça às bruxas no século XXI. Aqueles professores •Frases bíblicas a copiarem. na lousa, forçando os alunos deo em que discuto cada um dos pontos do que se propõem a discutir questões étnicas, •Imposição ideológica de que um Estado libe- projeto de lei pode ser acessado neste link: africanidades, políticas ou de gênero são ral é melhor do que um Estado de Bem Estar https://goo.gl/THXzcs. “denunciados” ao movimento Escola Sem Social. Escola Sem Partido e Sem noção Em busca de uma pseudo-neutralidade, pais e alunos que possuem uma tendência mais conservadora, estão aderindo à discursos de políticos religiosos e de liberaisconservadores, perseguindo professores. Políticos ligados a concepções religiosas, tais como Marco Feliciano (PSC-SP), Magno Malta (PR-ES); Políticos liberais-conservadores como Izalci (PSDB/DF), Rogério Marinho Partido. Também se intensificou nos últimos tempos o ataque indiscriminado aos professores, seja por qualquer motivo2. Seguem alguns poucos exemplos extraídos da página do movimento no Facebook: O site do movimento Escola Sem Partido possui, inclusive, uma seção própria para que seus seguidores enviem provas materiais de professores “doutrinando” seus alunos. Por uma escola democrática e livre •Imposição de festas religiosas. Curiosamente, essas formas de doutrinação não são denunciadas no site do movimento Escola Sem Partido. Talvez por que as pessoas não vejam isso como doutrinação (já que é um conceito muito controverso), ou por que talvez seja conveniente. Ou, ainda, por que talvez pimenta nos olhos dos outros seja refresco, não? (PSDB-RN) e os Bolsonaros, bem como o ar- Pode ser que muita gente esteja apoiando es- Há algum tempo venho discutindo a seguinte tista como Alexandre Frota, estão entre os te movimento por pura ingenuidade. Por muito proposição: “o Brasil vai eleger, democratica- que divulgam com muita frequência os precei- tempo a escola se colocou como algo a parte mente, uma ditadura. E não será a militar, tos do movimento Escola Sem Partido, influ- da sociedade. O que acontecia na sociedade mas sim religiosa”. A cada dia que passa, vejo enciando uma grande parte da sociedade a se não se refletia na escola. As opiniões dos este futuro mais próximo. voltarem contra os professores. nossos alunos eram reprimidas, assim como Na sua pauta de seus discursos, reivindicam todo e qualquer conteúdo que tivesse relevân- Ivan Claudio Guedes a neutralidade do professor. Como se de alguma forma fosse possível obter tal neutralidade em qualquer forma de relacionamento social. cia social (a isso damos o nome de escola tecnicista, algo que o movimento Escola Sem Partido defende). Talvez a escola precise a- Geógrafo e Pedagogo ivanclaudioguedes@gmail.com Impõem o que chamam de ideologia de gêne- brir mais os seus portões para que a comuni- Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

[close]

p. 11

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Lutas na história do Brasil Lutas e revoluções no Brasil Cabanada - insurreição popular, Pernambuco e Alagoas (1832-1835) Federação do Guanais - revolta separatista e republicana, Bahia (1832) Século XVI A Rusga - revolta entre conservadores (queriam manter o império) e republi- canos, Mato Grosso (1834) França Antártica - invasão francesa, Rio de Janeiro (1555-1567) Cabanagem - insurreição popular, Pará (1834-1840) Confederação dos Tamoios - revolta indígena, Rio de Janeiro (1556-1567) Revolta dos Malês - insurreição religiosa, Bahia (1835) Guerra dos Aimorés - índios contra luso-brasileiros, Bahia (1555-1673) Revolução Farroupilha - revolta separatista e republicana, Rio Grande do Guerra dos Potiguares - índios contra luso-brasileiros, Paraíba e Rio Grande Sul (1835-1845) do Norte (1586-1599) Sabinada - insurreição popular, Bahia (7 de novembro de 1837-1838) Balaiada - insurreição popular, Maranhão (1838-1841) Século XVII Revoltas Liberais - revoltal liberal, São Paulo e Minas Gerais (1842) Revolta dos Lisos - revolta liberal, Alagoas (1844) Bandeirantes, bugreiros, entradas e bandeiras - expedições civis-militares Motim do Fecha-Fecha - Pernambuco (1844) de exploração e captura de indígenas (séculos XVI e XVII) Motim do Mata-Mata - Pernambuco (1847-1848) Quilombos e Guerra dos Palmares - redutos de escravos africanos fugidos, Insurreição Praieira - revolta liberal e republicana, Pernambuco (1848-1850) Nordeste (séculos XVII e XVIII) Guerra contra Oribe e Rosas - Brasil, Uruguai e rebeldes argentinos contra França Equinocial - invasão francesa, Maranhão (1612) Argentina (1850-1852) Levante dos Tupinambás - índios contra luso-brasileiros, Espírito Santo e Revolta do Ronco de Abelha - Nordeste (1851-1854) Bahia(1617-1621) Levante dos Marimbondos - Pernambuco (1852) Invasão holandesa, Presença neerlandesa no Brasil, Guerra Luso- Revolta da Fazenda Ibicaba - São Paulo (1857) Neerlandesa e Insurreição Pernambucana (Guerra da Luz Divina) - conflito Motim da Carne sem Osso - insurreição popular, Bahia (1858) entre luso-brasileiros e holandeses, Nordeste (principalmente Pernambuco e Guerra contra Aguirre - Brasil e rebeldes uruguaios contra Uruguai (1864- Paraíba) (14 de fevereiro de 1630 a 26 de janeiro de 1654) 1865) Revolta de Amador Bueno - insurreição popular, São Paulo (1641) Guerra do Paraguai - Brasil, Argentina e Uruguai contra Paraguai (1865- Motim do Nosso Pai - Pernambuco (1666) 1870) Revolução de Beckman - revolta de comerciantes, Maranhão (25 de feverei- Revolta dos Muckers - insurreição popular-messiânica, Rio Grande do Sul ro 1684-1685) (1868-1874) Confederação dos Cariris - índios contra luso-brasileiros, Paraíba e Ceará Revolta do Quebra-Quilos - insurreição popular, Nordeste (1874-1875) (1686-1692) Guerra das Mulheres - insurreição popular, Nordeste (1875-1876) Revolta do Vintém - insurreição popular, Rio de Janeiro (1880) e Curitiba Século XVIII (1883) Golpe de 15 de novembro - golpe militar, Rio de Janeiro (1889) Guerrilha dos Muras - índios contra luso-brasileiros (século XVIII) Guerra dos Emboabas - confronto entre bandeirantes e mineiros, São Paulo República e Minas Gerais (início de 1700) Revolta do Sal - Santos (1710) Século XIX Guerra dos Mascates - confronto entre comerciantes e canavieiros, Pernam- buco (1710-1711) Revolução Federalista - guerra civil, Rio Grande do Sul (1893-1894) Motins do Maneta - sublevações ocorridas em Salvador contra o monopólio Revolta da Armada - revolta militar conservadora,Rio de Janeiro, (1894) do sal e aumento de impostos (1711) República de Cunani - insurreição popular-separatista, Amapá (1895-1900) Revolta de Felipe dos Santos - revolta de mineradores contra política fiscal, Guerra de Canudos - insurreição popular-messiânica, Bahia (1896-1897) Minas Gerais (1720) Guerra dos Manaus - índios contra luso-brasileiros, Amazonas (1723-1728) Século XX Resistência Guaicuru - índios contra luso-brasileiros, Mato Grosso do Sul (1725-1744) Revolução Acreana - guerra pela independência e anexação do Acre ao Guerra Guaranítica - Portugal e Espanha contra jesuítas e guaranis catequi- Brasil, contra a Bolívia, Acre (1898-1903) zados, Região Sul (1751-1757) Revolta da Vacina - insurreição popular, Rio de Janeiro (1903) Inconfidência Mineira - conspiração abortada independentista e republicana, Revolta da Chibata - revolta militar, Rio de Janeiro (1910) Minas Gerais (1789) Guerra do Contestado - insurreição popular-messiânica, Santa Catarina e Conjuração Carioca - conspiração abortada independentista, Rio de Janeiro Paraná (1912-1916) (1794-1795) Sedição de Juazeiro - insurreição política, Ceará (1914) Conjuração Baiana/Revolução dos Alfaiates - revolta independentista e abo- Levante Sertanejo - insurreição dos coronéis contra o governo do Estado da licionista, Bahia (1798) Bahia, Bahia (1919-1930) Revolta dos 18 do Forte - primeira revolta do movimento tenentista, Rio de Século XIX Janeiro (1922) Coluna Prestes - insurreição militar (1923-1925) Conspiração dos Suassunas - conspiração abortada independentista, Per- Revolta Paulista de 1924 - revolta contra o comando paulista, teve adesão nambuco (1801) da Coluna Prestes (1924) Invasão da Guiana Francesa - invasão e ocupação da Guiana Francesa ao Revolução de 1930 - golpe de Estado civil-militar (1930) Brasil (1809-1817) Revolta de Princesa - insurreição política local/coronelista, Paraíba (1930) Incorporação da Cisplatina - invasão e anexação do Uruguai ao Brasil Revolução de 1932, Revolução Constitucionalista de 1932 - revolta político- (1816) militar; guerra civil, São Paulo e Estado de Maracaju (atual Mato Grosso do Revolução Pernambucana - revolta independentista e republicana, Pernam- Sul) (1932) buco (1817) Intentona Comunista - insurreição comunista, Rio de Janeiro, Pernambuco e Revolução Liberal de 1821 - revolta independentista, Bahia e Pará (1821) Rio Grande do Norte (1935) Independência da Bahia - revolta independentista, Bahia (1821-1823) A revolta Mineira de 1935 - Movimento separatista, Minas Gerais. (1935- Guerra da independência do Brasil - brasileiros contra militares legalistas 1936) portugueses, Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Uruguai (1822-1823) Caldeirão de Santa Cruz do Deserto - Movimento messiânico que surgiu nas terras no Crato, Ceará (1937). Império Intentona Integralista - insurreição integralista, Rio de Janeiro (1938) Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial - Itália (1943- Século XIX 1945) Revolução de 1964, Golpe militar de 1964 - levedação de Estado político- Confederação do Equador - revolta separatista, Nordeste (1823-1824) militar (1964) Guerra da Cisplatina - Brasil contra Argentina e rebeldes uruguaios (1825- Luta armada - guerrilha urbana e rural (1965-1972) 1828) Guerrilha do Araguaia (1967 -1974) Revolta dos Mercenários - mercenários contra Império do Brasil, Rio de Ja- Impeachment de Fernando Collor (1992) neiro (1828) Noite das Garrafadas - insurreição popular e confronto entre brasileiros e Século XXI portugueses, Rio de Janeiro (abril de 1831) Impeachment de D. Dilma (2016)

[close]

p. 12

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 Datas comemorativas 06 - Dia da criação do IBGE 20 - Dia do Amigo e Internacional da Amizade O dia 6 de julho faz referência ao lançamento do Decreto de lei nº 24.609, de 1934, que institui a criação do IBGE. Porém, oficialmente, O Dia do Amigo e Internacional da Amizade é comemorado em 20 de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística só surgiu em 29 de julho. No entanto, no Brasil, existem várias datas que celebram a amimaio de 1936, com a regulamentação do Instituto Nacional de Estatís- zade. tica (INE). O Dia do Amigo e Dia Internacional da Amizade, celebrado em 20 de O grande incentivador para a criação do IBGE foi o estatístico Mário julho, foi primeiramente adotado em Buenos Aires, na Argentina, atra- Augusto Teixeira de Freitas. vés de um Decreto. Aos poucos passou a ser comemorado em outras O atual formato do IBGE só se configurou a partir do Decreto Lei nº partes do mundo, e hoje quase todos os países festejam esta data. 218, de 26 de janeiro de 1938, com a integração do INE ao Conselho A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro, que consi- Brasileiro de Geografia (CBG). derou a chegada do homem à lua como um símbolo de união entre Antes da criação do IBGE ou do INE, o levantamento estatístico no todos os seres humanos. Brasil era feito através da Diretoria Geral de Estatística, criada em A primeira comemoração pretendia comemorar a chegada do Homem 1871. à Lua, significando que juntos, os povos poderiam conseguir superar desafios quase impossíveis. 07 - Dia Mundial do Chocolate 20 - Dia da 1ª Viagem à Lua Este é o dia do ano de comer chocolate sem qualquer peso na consci- ência. Seja uma barra de chocolate, uma bebida, um gelado, algumas A 1ª viagem à lua foi feita em 20 de julho de 1969, data que passou a bolachas ou bombons, neste dia é obrigatório ingerir uma boa dose de representar um marco histórico para a humanidade em termos de ex- chocolate. Apesar de tudo, recomenda-se alguma moderação: alguns ploração espacial. estudos indicam o cocaína. que o chocolate é mais viciante do que drogas como Em 20 de julho de 1969, três astronautas chamados Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin, viajaram à Lua a bordo da espa- São apontadas várias vantagens ao consumo de chocolate, como o çonave Apolo-XI. aumento da concentração, para os estudos ou no trabalho, por exemplo. Em média, os portugueses comem um quilo e meio de chocolate por ano. Quando Armstrong pisou na Lua, proferiu a famosa frase: "Este é um pequeno passo para um homem; um salto gigantesco para a humanidade". 15 - Dia do Homem Na viagem, os astronautas ficaram durante duas horas e meia caminhando na Lua, coletando pedras e amostras do solo lunar, tirando fotos e fazendo algumas experiências. Esta data foi inspirada no bro), e tem o objetivo de Dia Internacional do Homem (19 de novemconscientizar a população masculina sobre Controvérsias os cuidados que devem tomar com a sua saúde. Existem algumas teorias que contestam o fato aparentemente prova- No Brasil, o Dia do Homem foi criado por iniciativa da Ordem Nacional do de que em 1969 os homens estiveram na lua. dos Escritores e é celebrado no país desde 1992. Diversas controvérsias a respeito da 1ª viagem a lua surgiram desde o início e foram elaboradas teorias dizendo que a viagem à lua foi u- 18 - Dia Internacional de Nelson Mandela ma farsa dos americanos, a chamada “farsa do século”. 25 - Dia do Escritor Esta data celebra e homenageia a vida e o legado de um dos líderes mais corajosos e admiráveis do mundo! Nelson Mandela lutou pela construção de uma vida melhor para o seu O Dia Nacional do Escritor é comemorado em 25 de julho no Brasil. povo, garantindo a igualdade social, política e econômica para todos Esta data celebra as pessoas dedicadas às palavras escritas. Sejam os negros que viviam na África do Sul durante o regime do Apartheid. nos textos científicos ou fictícios, os escritores precisam ter a grande Nelson Mandela dedicou 67 anos da sua vida na luta pela paz na humanidade e pelos direitos humanos, portanto, nesta data, todos os indivíduos são convidados a dedicar 67 minutos do seu dia para aju- habilidade de entreter os leitores e, para isso, é necessário um conhecimento de vocabulários, da gramática e ortografia, além ma boa dose de criatividade e conhecimentos gerais do mundo. vasto de u- dar as pessoas que mais precisam, em homenagem ao líder sul- A nível internacional, os escritores são homenageados em 13 de outu- africano. bro, data conhecida como o Dia Mundial do Escritor. Após passar vários anos preso, Nelson Mandela foi eleito o primeiro Origem do Dia Nacional do Escritor presidente da África do Sul e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, pela A ideia de homenagear todos os escritores no dia 25 de julho surgiu a sua luta contra o Apartheid. partir do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado na década de Mandela morreu em 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos de idade. 1960 pela União Brasileira de Escritores, sob a presidência de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, um dos principais nomes da literatu- 19 - Dia Nacional do Futebol ra nacional. Frases para o Dia do Escritor "Escrever é estar no extremo de si mesmo" (João Cabral de Melo Ne- O futebol é um dos esportes mais populares no Brasil. O país é muito to) conhecido pela qualidade de seus jogadores e times, e frequentemente estão disputando competições mundiais. “Escritor: não somente uma certa maneira senão também uma impossibilidade de as especial de ver as coisas, ver de qualquer outra ma- Esta data foi escolhida e criada pela Confederação Brasileira de Fute- neira.” (Carlos Drummond de Andrade) bol (CBF), em 1976. “Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O objetivo era homenagear um time do Rio Grande do Sul, O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900. O Sport Clube Rio reencarnação.” (Jorge Luis Borges) Grande foi o primeiro time registrado como clube e é o clube há mais tempo em atividade no país. de futebol no Brasil, “O mais belo triunfo do escritor sar.” (Eugène Delacroix). é fazer pensar os que podem pen- www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 13

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 17 - Dia de Proteção às Florestas Qual a relação entre fogo em ca atual, os incêndios e o fenômeno climático. O impacto do aquecimento global florestas e o aquecimento global Eles destacam que a estiagem particularmen- No mesmo artigo, os pesquisadores destacam te forte em 2016 pode ser em parte explicada que a capacidade do homem de controlar o Número de focos de queimadas e incêndios pelo El Niño, o fenômeno atmosférico- fogo pode cair no futuro, à medida que as mu- florestais aumentou 64% no período entre ja- oceânico que aquece as águas do Oceano danças climáticas intensificam queimadas e neiro e julho no Brasil comparado com o mes- Pacífico Equatorial. Ele altera os padrões de incêndios. mo intervalo de tempo de 2015 A LONGO PRAZO, O GÁS CARBÔNICO E METANO LIBERADOS NA ATMOSFERA PE- chuvas e temperatura no mundo inteiro. Mas a seca atual pode ser um prenúncio do que está por vir. “O fogo é obviamente uma das principais consequências das mudanças climáticas, mas ele não é apenas isso, ele retroalimenta o aqueci- LAS QUEIMADAS CONTRIBUEM PARA “É complicado associar diretamente essa seca mento, que alimenta mais fogos”, afirmou na MAIS QUEIMADAS em particular com o aquecimento global, mas época da divulgação da pesquisa Thomas sabemos que as queimadas contribuem para Swetnam, da Universidade do Arizona. Ele é o fenômeno. E com mais mudanças climáticas coautor do trabalho. teremos mais eventos de seca extrema na Amazônia”, afirmou em entrevista ao Nexo Henrique Barbosa, pesquisador do Instituto de Física da USP. Segundo Henrique Barbosa, do Instituto de Física da USP, estudos indicam que a Amazônia está entre os biomas que terão uma incidência maior de secas como consequência do Barbosa colabora com o desenvolvimento de aquecimento global. um modelo brasileiro para danças climáticas globais. o estudo de mu- “Esperamos redução de chuvas na Amazônia, aumento de duração da estação seca e even- Glossário tos de seca de maior magnitude. Em estudos FOTO: Antonio Cruz/Agencia Brasil Queimada é o nome dado para o uso do fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens recentes, vemos que nas últimas duas décadas ocorreram três secas intensas [Uma em 2005, outra em 2010 e a atual]. O intervalo entre cada evento costumava ser de cerca de Impulsionadas pela seca, as queimadas e in- Incêndio florestal é o nome dado para o fogo dez anos” cêndios florestais de 2015 foram as maiores em cinco anos. Em 2016, nem a seca nem o fogo têm dado trégua.O Inpe (Instituto Nacio- sem controle, que pode ser provocado por causas naturais ou pelo homem – queimadas podem se transformar em incêndios florestais Henrique Barbosa do Instituto USP, em entrevista ao Nexo de Física da nal de Pesquisas Espaciais) registrou cerca Publicado em 2013 na prestigiosa revista de 47 mil focos de queimadas e incêndios florestais no Brasil até o fim de julho, um aumen- O impacto no aquecimento global Pnas (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America), to de 64% frente a 2015, com destaque para Atualmente, o Brasil figura entre os maiores o artigo “Aumento da estação seca no sul da Estados do Norte com vegetação amazônica, emissores de gás carbônico, o principal cau- Amazônia em décadas recentes e projeções como Acre e Amazonas. sador do efeito estufa, do mundo. Mas o país para sua implicação para mudanças climáti- São os piores dados para 2004. O país está no início o período desde da temporada de estaria bem atrás no ranking se não lo desmatamento e por queimadas. fosse pe- cas”, afirma que o período de seca na Amazônia tem se tornado mais longo desde 1979. queimadas, que atinge o pico em setembro. Para produzir açúcar e a celulose que fazem O trabalho é cauteloso em dizer de forma defi- Na região Norte, a estiagem é tão intensa que o Rio Madeira está com a navegação limitada de Rondônia a Amazonas. Barcos têm encalhado com mais frequência, e o tempo de viagem dobrou. parte de sua estrutura, árvores capturam carbono. Quando elas são queimadas, liberam esse carbono em gases causadores do efeito estufa. Segundo Henrique Barbosa, do Instituto de nitiva que o fenômeno é causado pelo aquecimento global causado pelo homem, mas ressalta que essa hipótese faz sentido. “Nós não sabemos o que causou a mudança, embora ela lembre os efeitos de mudanças climáticas causadas pelo homem”, afirma o estudo, or- Além do impacto local momentâneo, os dados Física da USP, apenas uma quantidade pe- ganizado pela geofísica Rong Fu, da Universi- sobre incêndios são preocupantes porque quena da madeira desmatada – aquela que dade do Texas. quando as florestas queimam, gás carbônico e metano são liberados na atmosfera. tem maior valor – não é queimada. Das emissões de CO2 do país vêm de des- Caso o ritmo de aumento do período de seca continue na metade do ritmo observado, “a Eles contribuem para o aquecimento global e matamento e queimadas, segundo dados pu- longa estação de seca e fogo que contribuiu podem mudar o clima da Amazônia, criando o blicados em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasilei- para a seca de 2005 se tornará a nova norma ambiente propício para que outros grandes ro de Geografia e Estatística) até o final do século 21”, afirma o trabalho. incêndios ocorram com mais frequência. Trata Publicado em 2009, o artigo “Fogo no Sistema Em 2005, a região sul da Amazônia passou -se de um ciclo vicioso. da Terra” mostrou que a contribuição das pela sua pior seca em um período de 40 anos. Focos de incêndio e queimadas no Brasil queimadas e incêndios para o aquecimento Como o homem impulsiona o fogo global é maior do que se pensava até então. Queimadas ligadas ao desmatamento de á- Fazer uma queimada é o jeito mais barato de reas florestais respondem por 19 % do aque- se limpar uma área para aproveitá-la para fins A- cimento global promovido pela ação do homem desde a era pré-industrial. A revolução agropecuários. mente ruim, se A técnica não é necessariafor feita de forma controlada e industrial ocorreu entre 1760 e 1830. em lugares permitidos. O problema é que, no Brasil, grande parte dos focos acontece em “Essa é uma estimativa conservadora basea- áreas protegidas, onde qualquer tipo de quei- da nas emissões de CO2 relacionadas a fo- mada é ilegal. gos de desflorestamento [ou seja, para a reti- rada de florestas]”, afirma o estudo. É por isso que o problema se repete, com va- pesar de haver indícios de que o aquecimento global está aumentando o período de seca na região amazônica, cientistas são cautelosos em estabelecer uma relação direta entre a se- O trabalho é assinado por um grupo de pesquisadores de várias partes do globo. Entre eles está Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. riações numéricas de acordo com o clima, ano após ano. Os períodos mais secos são os que têm maior número de queimadas. Fonte: NEXO > Notícias www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 14

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Sociedade Intolerância nossa de cada dia: se a sem pensar na prevenção e o porque desse sociedade está doente, é porque nós crescente índice, já que o modelo punitivo que FRASES também estamos. temos atualmente não está resolvendo. E a prevenção depende de cada um de nós. De- Há quem vai pensar que pende da orientação/educação dos pais aos SOBRE HONESTIDADE lá vem mais um discurso filhos, depende do incentivo ao esporte, de- do pessoal dos “direitos pende de políticas públicas de saúde e assis- Não sei quem: “A vantagem da honestidade humanos”. Há quem vai tenciais nas comunidades. é que a concorrência é pequena”. se interessar, ler e gos- Luís Amaral: “Por mais conceituado que se- tar. Ou não. O objetivo não é que concordem Se a sociedade está doente, é porque nós escom minha opinião, mas que minhas palavras tamos doentes. ja, o desonesto sabe-se desonesto, reconhece-se desonesto. E não se pode conceber que um desonesto se julgue um vitorioso”. sirvam, ao menos, como reflexão. Se causar Não podemos continuar sendo essa fábrica de *** inquietude, seja ela qual for, o objetivo foi al- prisão, verdadeira escola da criminalidade. O cançado. Brasil conta atualmente com mais de 700.000 Não são poucas as notícias de linchamentos, presos e isso é preocupante, já que apesar desse número absurdo, a criminalidade cresce torturas (não premeditados, só contra criminosos), crimes corrupção, enfim. Sabemos dia após dia no seio da sociedade. bem os tempos obscuros em que vivemos. A A criança merece atenção sim, o jovem mere- André Breton: “Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa e cuja inocência só encontra um igual em mim”. *** Jean de La Bruyère: “Até mesmo os homens honestos precisam de patifes à sua vida está com muito pouco valor. A política es- ce atenção sim, porque eles são o nosso pretá um caos. A integridade física é desmerecida sente e futuro. Quem deve acolhê-lo não é o a todo instante. O ódio e a intolerância espa- traficante, mas sim a escola, por ser atrativa e lham-se na mídia, nas conversas informais, na não somente obrigação. As buchas que eles volta. Existem coisas que não se pode pedir a pessoas honestas para fazerem”. *** *** Marquês de Maricá: “Ninguém quer passar academia, nos corações. devem ter contato são os golaços que deveri- am fazer no futebol (como chamamos aqui no O ápice disso foi timos dias, onde a tatuagem no rapaz, nos úldizia: “sou ladrão e vacilão”. sul) e não aquelas que eles transportam em Não tem justificativa e aqui eu não estou e busca de dinheiro fácil. Os valores estão invertidos. Não se tem mais conhecimento e conta- nem quero defender o que ele fez ou deixou to com valores relevantes a uma boa forma- de fazer. Todo mundo erra e, digo mais: quem aplaudiu a atitude do tatuador se colocou em ção individual e consequentemente, societária. nível igual, tanto do tatuador, quanto do indiví- Portanto, acredito que podemos repensar nos- duo que teve seu rosto danificado. O que o- sas atitudes, ideias e ideais, uma vez que, corre, antes da falta de amor entre todos nós – conforme dito anteriormente, atirar a primeira por tolo, antes prefere parecer velhaco”. *** Maricá, de novo: “Um velhaco sempre acha outro que o desbanca” *** Joseph Maistre: “Não sei como é a vida de um patife, nunca o fui; mas a de um homem honesto é abominável”. *** Grouxo Marx: “Há uma forma de descobrir se um homem é honesto: pergunte a ele. Se responder que sim, é porque é um patife”. *** e aqui é entre todos, mesmo- é a falta de em- pedra sempre é mais fácil. De ódio e intolerân- patia. cia o mundo está cheio. Não adianta reclamar, sair inseguro e clamar pelo porte de arma, Empatia é o ato de se colocar no lugar do ou- meu caro cidadão de bem, se tu ajudas a es- tro. E é isso que nos falta, pois acusar, rir, aplaudir a desgraça alheia sempre é mais fácil palhar ódio por aí. do que parar e pensar que por vezes a nossa Vamos espalhar amor e respeito. Vamos res- Termino com uma máxima atribuída a Sócrates, que acho que não colou: “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade”. Tem gente que não vale um tostão, não é? atitude se iguala com a do criminoso que a gatar os valores. Pensem no que vocês têm Políticos são muitos assim. No tempo em gente deseja a pena de morte. Ninguém é me- espalhado: amor, respeito, ódio ou intolerânlhor ou superior que ninguém. O que pode a- cia? Reflitam sobre o que gostariam de colher, contecer, é que os ditos cidadãos de bem co- pois como diz aquele velho ditado: se colhe o que o dinheiro brasileiro era o mil-réis, o tostão era uma moeda que valia um décimo de um mil-réis. Com a reforma da moeda em 1942, quando foi criado o cruzeiro, acaba- metem os delitos não perseguidos pelo estado que se planta. E não esqueçamos: o reflexo ram-se os tostões, mas a palavra continuou brasileiro e, consequentemente, dignos de pe- da sociedade somos nós mesmos. sendo usada. E gente que não vale um tos- tão continuou (e continua) existindo também. na, se acham superiores a muita gente. Bruna Andrino de Lima é advogada, atuante no Mas qual é a origem da palavra tostão? Vem O Brasil tem um alto índice de criminalidade e Tribunal do Júri. Graduada em Direito pela UniRitter Laureate International Universities. Pós – Graduanda em Direito Pro- isso é inegável, todavia, não nos cabe ficar cessual Penal e Direito Penal com Ênfase em Segurança Púclamando por mais prisão, por pena de morte, blica pela Uniritter/Canoas. Colaboradora da Rede do Bem. de testone, quer dizer, cabeça grande, em italiano. É que nas moedas de baixo valor, lá, um dos lados dela tinha o carão do governante da época. Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa

[close]

p. 15

JULHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy produtivo. A dívida mundial sob todas suas mais três anos para conseguir fechar as formas atinge US$ 213 trilhões, 313% do PIB contas.[45] Desse montante, pelo menos € 36 Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em mundial; entre 2007 e 2013, o capital total em deveriam vir da UE: “Dada a dinâmica frágil Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e ações retrocedeu US$ 3,86 trilhões, chegando das dívidas, concessões futuras são vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de até US$ 53,8 trilhões, 25% do valor da dívida necessárias para trazer de volta a pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções total, proporções entre capital acionário e sustentabilidade da dívida”, dizia o documento dívida sem precedentes em toda a história do do FMI (que propôs uma moratória de 20 capitalismo. Nos últimos anos, o anos para seu pagamento, e mais dez anos endividamento internacional neto (estatal e de alongamento: os pagamentos finais só privado) se reduziu de 29% para 26% do total; seriam realizados em 2055).[46] O FMI deixou o crescimento maior da dívida se produziu claro que, ainda que fossem cumpridas as (2009) e Capitalismo como religião (2013), de nos mercados locais, o que seria um índice de exigências do Eurogrupo (crescimento de 4% Walter Benjamin retrocesso da integração financeira global,[43] e superávit fiscal de 3,5%, durante 15 anos, anunciador de uma marcha em direção da quase objetivos de guerra [civil]) a dívida Capitalismo e autarquia econômica (queda relativa do grega continuaria estando, em 2022, acima de comércio mundial). 140% do PIB do país. democracia O principal promotor do endividamento na Europa PARTE XIX O referendo funcionou como uma tentativa de arbitragem governamental entre os partidos e frações em disputa. A falsa alternativa proposta foi entre o ajuste (sim), que deveria servir para atenuar o peso da dívida no longo prazo, ou a reestruturação dessa dívida (não), que já havia sido reestruturada há quatro anos, sem resultados. Nos últimos anos, essa dívida cresceu de maneira desproporcional e quase europeu foi a Alemanha, que leva o porrete do ajuste contra a Grécia. Não se trata somente do endividamento público; a Alemanha é o credor por excelência dos bancos privados. Daí o empenho do Banco Central Europeu por resgatar os bancos gregos, que usaram o financiamento para expandir-se nos Bálcãs. Em caso de default, o BCE confiscaria as agências bancárias da Grécia. O fundo criado pela Comissão Europeia para fazer frente a eventuais bancarrotas se financiou com os Tesouros nacionais, mas também no mercado internacional de dívida: o default grego, portanto, arrastaria muitos jogadores, tanto Essa análise foi realizada antes do governo grego entrar em default técnico ao não pagar a parcela da dívida de € 1,6 bilhão a 30 de junho. A Alemanha se opôs ao abatimento e alongamento propostos por não querer pagar a conta: propôs uma reprogramação dos débitos, o que prova o peso das dívidas europeias (Itália, Portugal, Espanha, inclusive França) no sistema bancário alemão. Tudo condicionado por um severo ajuste, que, por um lado, salvasse os bancos da quebra e, por outro, devolvesse às finanças públicas capacidade para financiar a economia. exponencial, porque os Estados assumiram o públicos como privados. O Bundesbank, por As propostas de redução e alongamento da resgate dos bancos e do capital privado. A exemplo, tem uma volumosa carteira de dívida reforçam, na verdade, as saídas crise da dívida, na verdade, não tem a ver só créditos podres contra o Banco Central da capitalistas de exploração e de com as finanças públicas, mas com o capital Grécia, pelos empréstimos concedidos à empobrecimento. Nenhuma delas prevê uma em seu conjunto. Apesar de todos os planos indústria alemã que exporta para a Grécia, saída à crise mundial tomada em seu de ajuste que se implantaram, o cerca de 150 bilhões de euros. conjunto. A questão do salvamento dos desendividamento do setor privado apenas avançou. O endividamento internacional de numerosos países serviu para que os especuladores pudessem enfrentar sua crise de superprodução por meio de vendas altamente financiadas. Mas esses mesmos especuladores tiveram que incrementar sua dívida para poderem emprestar e para financiar seu capital de giro. Os “empréstimos” da EFSF resultaram na recapitalização de bancos privados gregos, De modo geral, Grécia, Islândia, Portugal, Irlanda e Chipre, possuem dívidas públicas e privadas muito superiores à sua capacidade de pagamento, e seus bancos volumes enormes de financiamento. Esses pequenos países funcionaram como plataformas de operações especulativas internacionais, que depois se pretendeu que pagassem seus cidadãos. O ajuste, por isso, não resolveria a crise de dívida da Grécia. Joseph Stiglitz constatou o óbvio ao afirmar: “A troïka exige bancos passou a ser o eixo da política da troïka: chegou-se a propor que o BCE assumisse o comando dos bancos gregos, depurasse a posse de ativos do Tesouro grego e cortasse o financiamento do Estado. A condição principal disso seria um forte ajuste contra os trabalhadores. Quaisquer que sejam os meios financeiros postos em prática, tratava-se de aproveitar a crise para impor uma supremacia férrea do capital sobre o trabalho. além de trocas e reciclagem de instrumentos que a Grécia atinja um excedente orçamental A Comissão Europeia estabeleceu um de dívida. Grécia não recebeu qualquer primário (excluindo os pagamentos de juros) mecanismo de “resolução” de crises empréstimo verdadeiro (dinheiro em caixa) da de 3,5% do PIB até 2018. Economistas em bancárias, que consiste em que os bancos EFSF. Através dos mecanismos inseridos nos todo o mundo já condenaram essa meta como passem ao controle supranacional do BCE; os acordos com a EFSF, dinheiro efetivo nunca punitiva, porque tentar atingi-la levará bancos centrais e os bancos estatais chegou ao Banco da Grécia, mas apenas inevitavelmente a uma recessão ainda maior. perderiam suas funções precípuas. Uma “ativos tóxicos desmaterializados”. O país foi Na verdade, mesmo que a dívida grega seja ruptura grega com o imperialismo europeu e forçado a cortar despesas sociais essenciais reestruturada para além de tudo o que é norte-americano e com o capital financeiro para pagar, em dinheiro, as altas taxas de imaginável, o país permanecerá em internacional supõe uma revolução social, juros e os custos abusivos, e também teria depressão se os eleitores se comprometerem com uma perspectiva internacional. O rechaço que reembolsar o capital que nunca recebeu. com a meta da troïka… Quase nada da a seguir pagando as dívidas capitalistas, a Os contratos já realizados supunham que tal enorme quantidade de dinheiro emprestado à nacionalização dos bancos, o monopólio do pagamento pudesse ser feito também por Grécia chegou lá. Desapareceu para pagar comércio exterior e uma planificação coletiva meio de privatização de patrimônio estatal. aos credores do setor privado, incluindo seriam o ponto de partida de qualquer saída Grécia virou o elo mais fraco da crise capitalista mundial. A crise de sobreprodução mundial se mede em alguns dados: a Reserva Federal é o principal credor do Tesouro norteamericano (4,5 trilhões de dólares); os bancos desse país têm depósitos na Reserva Federal bancos alemães e franceses. A Grécia só conseguiu uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários destes países”.[44] No meio desse impasse, o FMI propôs um abatimento e um alongamento importantes da popular à crise. O retorno às moedas nacionais (o dracma, no caso grego) é uma propaganda nacionalista extorsiva: a moeda reflete os interesses e as perspectivas sociais do Estado que a emite. própria manifestação independente. por cerca de 2,5 trilhões de dólares, por não dívida grega: Grécia necessitaria ao menos € CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO encontrar oportunidades de investimento 50 bilhões em um novo financiamento por www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

Comments

no comments yet