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Grips Editora – Ano 18 – Nº 123 – maio/junho 2017 brasil A revista de negócios do aço A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA INICIA A RECUPERAÇÃO As verdades sobre a reforma trabalhista O ajuste de máquinas pode se tornar o ladrão da produtividade Eventos empresariais criam um bom ambiente para negócios

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Expediente Editorial Edição 123 - ano 18 Maio/Junho 2017 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Photos.com Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. O Brasil dividido HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL OO enorme país continental que atende pelo nome de Brasil, está dividido entre várias vertentes, várias situações e em diversas interpretações, dependendo do ângulo que se olha. Do lado mais positivo, existem boas novidades no horizonte, como aquela que mostra que, pela primeira vez em anos, o primeiro trimestre de 2017 apresentou um PIB positivo de 1%. Se não é grande notícia, porque a base de comparação é muito pequena, pelo menos invertemos a curva de queda. Enquanto isso, em maio, a indústria automobilística bateu vários recordes, sendo o mais vistoso o que revela que foram exportadas nada menos do que 73,4 mil unidades, a maior marca alcançada desde que se faz esse tipo de registro. A produção de veículos automotores também apresentou subida vertiginosa de 33,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. Por sua vez, a confiança do industrial brasileiro, medida pela CNI, também registrou vários pontos de alta. Nesse âmbito, ainda no rol dos registros pontuais de destaque, a montadora de caminhões e ônibus Mercedes Benz divulgou agora, no final do mês de maio, que fechou o maior contrato para a venda de caminhões dos últimos nove anos. Mas, do outro lado da moeda estão as notícias negativas, que nos preocupam e atrapalham quaisquer planos de estabilizarmos de vez a economia e partirmos para o crescimento consistente. O processo das reformas tão esperadas – a trabalhista, a previdenciária, a fiscal e a política –, continuam sendo “empurradas com a barriga”, e já se passa novamente meio ano sem nenhuma definição palpável. Agora chegam as férias parlamentares e tudo volta a estagnar. Isso para não dizer das confusões políticas e judiciárias que o Brasil inteiro assiste, estarrecido, sobre as quais nem o mais experiente guru ousaria fazer previsões de futuro próximo. Face a esse emaranhado de problemas e de poucas soluções alentadas, a atividade econômica insiste em lutar para conseguir sobressair e nos trazer horizontes mais firmes e com maior segurança. Vivendo em meio a esse turbilhão, na edição deste mês da revista Siderurgia Brasil, apresentamos uma reportagem na qual destacamos, entre outros sinais, a retomada do setor automotivo como ponto forte da retomada da economia. E nos aprofundamos nas questões envolvendo gestão, pois entendemos que, neste momento, todas as “armas” disponíveis para projetarmos nossas empresas para o futuro mais alvissareiro devem ser utilizadas. Na questão técnica também ajudamos diagnosticar o que se faz para fugir da baixa produtividade, aprimorando o processo do ajuste das máquinas de conformação de tubos. Nesta edição, damos também uma repassada pelos vários eventos em que estivemos participando ou dos quais ainda viremos a participar, que têm contribuído para estabelecer ambientes de negócios. Complementarmente, nas próximas páginas, você ainda terá uma visão geral das estatísticas, dos lançamentos e dos principais acontecimentos que movimentaram a importante cadeia do aço brasileira. Boa Leitura! MAIO/JUNHO 2017 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice 4 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017 Depositphotos.com

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3 EDITORIAL O Brasil dividido 6 ATUALIDADES Pé no acelerador 10 ARTIGO TÉCNICO O ladrão da produtividade – O ajuste de máquinas - Parte 1 14 ENTREVISTA Discutindo as relações 18 EMPRESAS Utilização de robôs de demolição na siderurgia 20 ECONOMIA E GESTÃO O papel (fundamental) do especialista 22 RECURSOS HUMANOS Por que Coaching funciona? 24 EVENTOS • Congresso Aço Brasil • Feimafe • Expomafe • AgroBrasília 28 ESTATÍSTICAS 30 TECNOLOGIA É possível usar a tecnologia emergente no Brasil? 32 VITRINE 34 ANUNCIANTES MAIO/JUNHO 2017 SIDERURGIA BRASIL 5

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Pé no acelerador Foto: Depositphotos.com Atualidades 6 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017

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Deixando a crise no retrovisor, a volta do crescimento da indústria automobilística brasileira já é uma realidade. O objetivo, agora, é prepará-la para as rápidas transformações tecnológicas do setor e, com isso, ser competitiva no mercado global. Marcus Frediani EEnquanto o “couro come” – como se diz no popular – na esfera política, a economia parece ter criado um distanciamento prodigioso dos acontecimentos em Brasília, dando significativas mostras de que o país está deixando, realmente, a crise para trás. O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) recuou 0,3% em março/17, descontado os devidos ajustes sazonais. Apesar desta queda, a atividade econômica terminou o primeiro trimestre com expansão de 1%, caracterizando, portanto, o fim da recessão econômica que se estendeu por dois anos, isto é, desde o início de 2015. Ainda de acordo com os economistas da empresa, a retomada da confiança de consumidores e empresários, a melhora na condução da política econômica, os recuos da inflação e da taxa de juros, aliados aos bons resultados da agropecuária e das exportações, contribuíram positivamente para tirar o país da recessão neste início de 2017. Pelo lado da oferta agregada, aponta a pesquisa da Serasa Experian, a agropecuária foi o grande destaque positivo da atividade econômica do primeiro trimestre de 2017, crescendo 10,8% em relação ao último trimestre de 2016. O setor de serviços também teve desempenho positivo no primeiro trimestre de 2017, com alta de 0,3% perante o quarto trimestre de 2016. Já o setor industrial recuou 1,1% no primeiro trimestre de 2017. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, quase todos os componentes da demanda agregada exibiram cres- cimento em relação ao último trimestre de 2016. As exportações foram o destaque com alta de 11,2% neste critério de comparação. Enquanto isso, os investimentos cresceram 1,3% e o consumo das famílias 0,3%. Por outro lado, os gastos do governo recuaram 0,6%. Já as importações, que entram com sinal negativo no PIB, avançaram 5,3% no primeiro trimestre de 2017. Já o Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,31% no mês de maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é a taxa mais baixa para o mês de maio desde 2007, quando o índice foi de 0,28%. No acumulado do ano, o IPCA foi de 1,42% até maio, percentual bem inferior aos 4,05% registrados em igual período de 2016 e o menor acumulado até maio desde o ano 2000 (1,41%). Nos últimos 12 meses, o índice desacelerou para 3,60%, enquanto havia registrado 4,08% no mês anterior, a menor taxa para o período desde maio de 2007, quando ficou em 3,18%. O centro da meta de inflação estabelecido pelo Banco Central é de 4,5% no ano. O melhor resultado da série histórica Tudo isso combinado, também encontra ressonância na atividade Inflação em 12 meses Variação acumulada do IPCA, em % 10 9,32 8,47 8 6,55 6,5 6,37 6 5,58 5,2 5,22 4,99 4 3,18 3,6 2 Variação 0 Fonte: IBGE 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 MAIO/JUNHO 2017 SIDERURGIA BRASIL 7

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Atualidades LICENCIAMENTO DE AUTOVEÍCULOS (JAN. – MAI. 2017) MESES TOTAL AUTOMÓVEIS COMERCIAIS LEVES CAMINHÕES ÔNIBUS (CHASSI) Fonte: Anfavea JAN. 147.219 121.389 22.379 2.947 504 FEV. 135.667 112.344 20.281 2.614 428 MAR. 189.149 158.022 26.166 4.104 857 ABR. 156.894 131.488 21.150 3.469 787 MAI. 195.562 163.297 27.093 4.105 1.067 TOTAL ANO 824.491 686.540 117.060 17.239 3.643 de um dos setores maiores consumidores de aço no Brasil: a indústria automobilística. Por meio de um documento distribuído à Imprensa no dia 6 de junho, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou os resultados do segmento automotivo em maio e no acumulado do ano. Nos cinco primeiros meses de 2017, 1,04 milhão de veículos foram fabricados, alta de 23,4% frente as 840,4 mil de 2016. Somente em maio 237,1 mil unidades deixaram as linhas de montagem, expansão de 25,1% contra as 189,5 mil de abril e de 33,8% ante as 177,2 mil de igual período do ano passado. Já no âmbito do licenciamento de autoveículos novos, maio registrou 195,6 mil unidades, o que significa crescimento de 24,6% na análise com as 156,9 mil de abril e de 16,8% se defrontado com as 167,5 mil de maio do ano passado. No acumulado do ano, as vendas chegaram em 824,5 mil unidades, aumento de 1,6% frente as 811,7 mil de 2016. Antonio Megale, presidente da Anfavea, destaca o resultado positivo dos primeiros cinco meses e reitera a importância da aprovação das reformas para a retomada: “É a primeira vez, desde o primeiro bimestre de 2014, que o acumulado do ano fica positivo sobre o ano anterior”, registra. Cauteloso, o executivo pontua, entretanto, que ainda é necessário aguardar o desempenho da indústria nos próximos meses, mas a sinaliza- ção é de que estamos de fato consolidando a estabilidade. “Porém, se as reformas propostas pelo governo forem aprovadas, o próximo passo é voltar a crescer”, enfatiza. As exportações de veículos também cresceram: as 73,4 mil unidades enviadas para outros países em maio representam elevação de 21% no comparativo com as 60,7 mil de abril e de 51,1% contra as 48,6 mil de maio de 2016. Nos cinco meses já transcorridos do ano, 307,6 mil unidades foram exportadas, uma alta de 61,8% quando analisado com as 190,1 mil do ano passado. O resultado acumulado de 2017 é o melhor da série histórica. Desenvolvimento de longo prazo Todos esses números, por si, já são bastante eloquentes. Mas, embora isso aconteça, os riscos e perigos que orbitam o futuro da indústria automobilística no Brasil continuam presentes e bastante assustadores. Por conta disso, a Anfavea – em conjunto com os presidentes e principais líderes dos fabricantes de veículos no Brasil – se reuniu recentemente em Brasília com o presidente Michel Temer e com os ministros Henrique Meirelles, da Fazenda, e Marcos Pereira, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, além de representantes de outros ministérios. O objetivo específico do encontro foi expor a criticidade da conjuntura setorial, que registra índices elevados de ociosida- de nas fábricas, e apresentou o plano “Agenda Automotiva Brasil”, sua visão sobre os pilares necessários para um desenvolvimento sustentável de longo prazo. “Nosso desejo é preparar o setor automotivo brasileiro para competir no mercado global, considerando as rápidas transformações que a indústria enfrenta no mundo todo. Por isso, trabalhar com um horizonte até 2030 é fundamental para o planejamento das empresas”, destaca Antonio Megale. “Daí, estabelecer um programa com prazo superior a dez anos representa um grande avanço para a indústria e para o Brasil, pois dará previsibilidade ao planejamento e investimento das empresas. Com a formação dos grupos de trabalho, compostos por representantes de vários ministérios e com participação da iniciativa privada, temos a expectativa de que todos os pontos avancem rapidamente e as regulamentações estejam concluídas até o fim deste ano”, continua o presidente da Anfavea. Os pilares da “Agenda Automotiva Brasil” apresentados a Temer envolvem a recuperação da base de fornecedores, localização de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, eficiência energética – que considerará as características do etanol como combustível limpo –, segurança veicular, inspeção técnica veicular, resolução de entraves logísticos, relações trabalhistas e tributação. 8 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017

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Artigo Técnico O ladrão da produtividade – o ajuste de máquinas Um dos grandes causadores de perda de produtividade nas fábricas de tubos é a parada comumente chamada de “Ajustes de Máquina”. Esse ladrão de produtividade chega a roubar mais de 5% do tempo disponível da maioria dos fabricantes no Brasil. Vamos entender o que compõe este item de controle e como os operadores podem reduzi-lo. Condemir Silva Filho* Parte 1 DCONCEITO DE AJUSTES DE MÁQUINA Devemos separar os ajustes decorrentes da montagem de ferramental (setup) dos demais ajustes. Estes são devidos tanto à montagem para uma bitola quanto para mudança de seção que está entrando na formadora. Eles devem estar embutidos no tempo de setup e não serem destacados como paradas depois do setup. Outro conceito que devemos entender é que parte dos ajustes de máquina é realizada com a máquina “rodando” em manual ou em velocidade reduzida. Normalmente os operadores não reportam esse tipo de interferência por não se tratar de parada. Entretanto, a produtividade cai da mesma forma que uma parada (lembrando o conceito de produtividade e OEE). Então tudo que não for decorrente de setup e que tenha interferência do operador com máquina parada é o que consideramos como Ajustes de Máquina. Embora seja apenas uma separação conceitual, os ajustes com máquina parada também geram ajustes com máquina rodando, o mesmo também ocorre como consequência de paradas por manutenção. AJUSTES DE MÁQUINA A necessidade de parar para ajustar uma formadora de tubos provém principalmente de: PARTE I PARTE II • Influência da Programação • Ajuste de Ferramenta de Remoção Interna • Troca de matéria prima • Ajuste de tolerâncias di- (aço) mensionais • Trocas de parte de ferra- • Correções devido a falhas mental na solda • Eliminação de defeitos su- • Correções de sincronismo perficiais dos acionamentos INFLUÊNCIA DA PROGRAMAÇÃO Diz a boa prática de Programação da Produção (PCP) de formadoras de tubo que deve sempre haver uma sequência lógica de espessuras, ascendente ou descendente. Diz-se isso por uma razão óbvia: redução dos ajustes. Na verdade, esses ajustes deveriam ser feitos com máquina rodando, sem perda de produção. Quando há um “degrau” muito grande entre a espessura em máquina e a que está entrando maior que 0,50 mm, deve-se parar a máquina e elevar ou baixar os rolos verticais de formação para acomodá-los à espessura. Degraus de espessura maiores que isso – quando feitos com máquina rodando – podem gerar paradas maiores (tais como travamen- 10 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017

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to ou patinação do ferramental) ou mesmo quebrar eixos formadores (do break-down). Passagem de espessuras com“de- grau”menor que 0,50 mm requerem pequenos ajustes na solda (potência e compressão de solda) que devem ser feitos com a máquina rodando. Ajustes na formação também são necessários (break-down e fin-pass). A Calibração e as passagens de qua- drificação (cabeças turcas) podem re- querer ajuste devido a empenamento e /ou torção. Os rolos formadores (break- -down) são projetados para trabalhar em uma faixa de espessura de maté- ria prima. Normalmente o primeiro rolo superior tem que ser substituído a cada 1/8” de espessura (cerca de 3 mm). Em algumas máquinas sim- plesmente se vira 180° os rolos su- periores que já tem o raio adequado à nova faixa de espessura e largura. Em outras máquinas, esses rolos po- dem ser reposicionados para a nova espessura e largura. Figura 1 Obviamente esta é uma parada para ajuste que requer troca de fer- ramental e deve também ser con- siderada pelo PCP durante o pla- nejamento da produção. A troca de espessura pode requerer também troca de outro insumo: a ferramenta de corte contínuo. Trabalhando-se com serras HSS (aço rápido) que são concebidas para trabalharem numa faixa de parâme- tros de corte que considera a espes- sura e o material a ser cortado. Os passos dos dentes da serra (distância entre um dente e outro) são evidentemente a maior prova disso. Espes- Figura 2 suras menores requerem passos menores. Teoricamente, a cada 1 mm de espessura deve-se trocar a serra sob pena de ocorrer desgaste precoce, rebarbas, trepidações e, não raro, quebra de serras. Mais uma vez entra aqui o PCP: uma programação se- quencial adequada evita troca-troca de serras (o que nem sem- pre ocorre, causando os efeitos indesejados já citados), figura 1. TROCA DE MATÉRIA PRIMA Outro fator importante a considerar é que o comportamento do aço varia de acordo com sua composição e acabamento. É fácil entender que um aço mais resistente tenha um efeito mola maior que um aço menos resistente. Esta é a propriedade“retorno elástico” do aço. Alguns ajustes são necessários nos fin-pass e nos rolos de solda. Nos tubos com alteração de formato (retangulares, por exemplo), pode haver necessidade de corrigir os raios de canto e o empenamento. O efeito do aço pode ser determinante para o tipo de serra que se vai utilizar. Afiações mais adequadas ao aço a ser cortado estão na literatura sobre usinagem. Na prática. Materiais mais resistentes (com LR > 500 Mpa) tais como os aços microligados e os de média resistência, as serras de dentes de Metal Duro são aplicáveis com sucesso. Em outros casos, pode-se substituir a serra HSS normalmente utilizada por serra de fricção. Nesse caso, haverá geração de rebarbas e necessidade de acabamento de pontas posterior (desrebarbação ou biselamento) e o ganho ao evitar trocas de serras pode ser compensado. Outro efeito indesejado a considerar nesse tópico é a variação da espessura na matéria prima. Ocorre na laminação do aço que a espessura não é garantida em 100% da bobina. As usinas não garantem 10 m do início ou do final da bobina. É comum encontrar casos de laminados a quente com variação de mais de 2 mm nesses 10 m (estou falando de espessura de 3 mm que chega a 5 mm!). Do mesmo modo, existe a variação de espessura na largura da fita ou rolo cortado. É o chamado efeito“cunha”gerado na laminação nas usinas. Ele ocorre em todas as bobinas mas de forma mais pronunciada nas espessuras maiores e nas laterais da bobina. Quando se corta a bobina numa tesoura rotativa (slitter) separa-se as seções com essa variação e espessura. Na figura 2 temos na mesma fita as espessuras e1 e e2 de um lado e no outro e2 e e3. Um fator importante é manter um padrão nas ordens de produção (OP). As OPs devem possuir lotes de matéria prima de uma mesma corrida. Isso facilita o ajuste da máquina, tornando-o mantido para as demais fitas da ordem de produção. Ao se programar as fitas, planejar o corte das bobinas de uma MAIO/JUNHO 2017 SIDERURGIA BRASIL 11

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Artigo Técnico mesma área da bobina. Explicando: fitas somente da borda ou somente do meio da bobina mantem o ajuste mais regular. Isso é essencialmente importante quando se está produzindo tubos de diâmetros grandes com espessuras pequenas1. Pouca gente sabe, mas o sentido de desenrolamento pode afetar os ajustes de máquina, especialmente em tubos de espessuras acima de 4,75 mm. Ocorre que, ao desbobinar, a tensão na superfície da fita fica ou tracionando-a para cima ou para baixo, se invertido o sentido de debobinamento. Não estou falando aqui da posição da rebarba de corte do slitter que deve sempre ser posicionada para o lado de cima na alimentação da formadora, mas isso fica para outro artigo... Ainda no campo de corte de bobinas, o PCP deve estar atento a manter a regularidade das larguras de fita. Isso também evita ajustes de máquina desnecessários. Como ilustração deste argumento, imagine uma formadora de tubos que faça uma calibração (redução de diâmetros) em 0,64 mm que é muito comum em formadoras até 3”de diâmetro externo. Se uma fita for cortada com largura 1 mm menor, ela chegará ao rolo de solda com 0,32 mm a menos de material para receber a compressão de solda. O operador experiente irá efetuar os ajustes necessários para dar a compressão necessária, entretanto, o tubo ficará menor em 0,32 mm. Do mesmo modo se a fita vier com largura maior, ou o tubo sairá maior e forçará a calibração ou o excesso será expulso na forma de remoção (interna / externa). De qualquer forma, será necessário compensar através de Ajuste de Máquina e provavelmente terá como consequências por fugir das especificações da máquina: • Falta de tração na máquina (escorregamento) • Sobrecarga nos acionamentos • Variação dimensional • Maior risco de empenamento TROCA DE PARTE DO FERRAMENTAL A boa programação tem que considerar as trocas de fer- ramental sequenciar de forma a aproveitar parte dos ferramentais conforme Plano e Montagem. Como já explicado em Influência da Programação (troca de espessura) em algumas máquinas é necessário trocar (ou girar 180°) o rolo superior do primeiro Break-Down. Muitas vezes o operador dá um jeitinho e não faz essa troca do rolo de entrada (ou de espessura como alguns chamam). Defeitos e marcas passam a surgir, fazendo com que o Operador execute uma sequência de Ajustes de Máquina para tentar elimina-las. Não raro, alguns sacrificam a própria qualidade solda para eliminar a marca. Ora, a principal razão de existência de uma formadora de tubos soldados é a boa solda! Costumo dizer: “primeiro faça uma boa solda depois elimine os defeitos superficiais”. 1 Tubos acima de 2 mm cuja relação Diâmetro/Espessura seja maior que 50 (D/t > 50 ). 12 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017 Muito comum é a parada devido a alguma manutenção em que haja a necessidade de se mexer no ajuste da máquina (exemplo: troca de cardãs, troca de rolamento, etc.) A parada de manutenção nesse caso é reportada, mas necessariamente é seguida de uma parada para Ajuste de Máquina. Vem aqui um lembrete quanto ao uso dos recursos da máquina. Os bons fornecedores de máquina inserem nos seus projetos dos castelos e conjuntos laterais, os“relojinhos”que poucos utilizam. Um plano de montagem bem feito, além de gerenciar o ferramental e indicar os ferramentais utilizados em cada passagem da máquina, têm que trazer os indicadores de ajuste nos “relojinhos”. Dessa forma, após uma manutenção ou da troca de parte de ferramental o Ajuste de Máquina subsequente fica com o tempo bastante reduzido, inclusive reduzindo ou eliminando os citados defeitos e marcas no produto e permitindo que o material chegue na seção de solda adequadamente. AJUSTE DE TOLERÂNCIAS DIMENSIONAIS As campanhas de produção podem ser de uma mesma bitola, mas com tolerâncias distintas. Quando se trata de tubos com tolerâncias mais restritas (diâmetro, lado, posição do cordão de solda), deve-se fazer esse ajuste no tubo menos exigido (com maior tolerância). Isso é normalmente feito com a máquina rodando em baixa velocidade, mas nem sempre isso é possível. Um exemplo é o dos raios dos cantos. Para ajustá-los às exigências de clientes é necessário operar em manual e conferir os ajustes para não perder matéria prima desnecessariamente. Há casos em que se tem que parar a máquina e efetuar os ajustes, por exemplo para verificar o alinhamento ou as dimensões entre as passagens dos castelos para poder processar os ajustes necessários. *Condemir Silva Filho é Consultor da CSF e engenheiro mecânico com grande experiência como gestor em centros de serviços e fábricas de tubos. NOTA DO EDITOR: A segunda parte deste artigo será apresentada na próxima edição da revista Siderurgia Brasil. Foto: Divulgação

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Entrevista Discutindo as relações Face à nova realidade que se desenha, os sindicatos precisarão se transformar, genuinamente, em entidades prestadoras de serviços ao trabalhador. Marcus Frediani “A“A democracia brasileira é lenta e inefi- ciente. Sempre que há necessidade da adoção de providências urgentes, discussões estéreis se multiplicam e consomem preciosos meses e anos. Às voltas com o desemprego, a paralisação da economia, e as reformas da previdência, trabalhista e tributária, conseguirá o presidente Michel Temer aprovar projetos de modernização no curto prazo de que dispõe? O tempo dirá.” Dessa forma o ilustre jurista, ex-ministro do Trabalho do governo José Sarney e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Dr. Almir Pazzianotto encerra o seu editorial do dia 8 de março de 2017 no jornal O Estado de S. Paulo, um dia antes, portanto, de o presidente Michel Temer manter uma conversa a portas fechadas no Palácio do Jaburu com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, cujo ainda suposto conteúdo, armazenado num pequeno gravador/pendrive de menos de R$ 100, acabou sendo divulgado pelo jornal O Globo no dia 17 de maio, como parte de uma delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, mergulhando o país em mais uma crise institucional. A enorme convulsão política desencadeada a partir de então comprometeu 14 SIDERURGIA BRASIL MAIO/JUNHO 2017 e subverteu as pautas que tramitavam no Congresso e no Senado tendo como objeto de candente análise e urgência das tratativas para realização das reformas trabalhista, previdenciária e sindical, que prometem colocar novos pesos nos pratos da balança que mede as sempre delicadas oscilações da relação entre trabalho e emprego no Brasil. Deixando um pouco de lado o escarafunchamento e a perscrutação sobre o que acontecerá no desenrolar dos próximos capítulos do governo Temer e das questões e dúvidas que cercam o seu futuro (impeachment ou mesmo a permanência do homem no posto), a revista Siderurgia Brasil saiu em busca de análises avalizadas e de perspectivas sobre o tema dessas reformas em especial, e, nesse trabalho de reportagem, teve a feliz oportunidade de conseguir entrevistar o Dr. Almir, um dos maiores e melhores analistas e estudiosos no assunto nos dias de hoje. Nesta e nas próximas páginas, você encontra uma síntese do que ele conversou conosco no final de abril, portanto mais de duas semanas antes do atual circo que se montou em Brasília. Confira! Depositphotos.com

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Foto: Divulgação E essa reforma atinge direitos tão fundamentais, que ela precisaria ser coordenada por um governo de grande legitimidade. Mas o jogo já foi começado, não dá para retroceder. Siderurgia Brasil: Como o senhor avalia o quadro atual das propostas das reformas trabalhista e previdenciária que tramitam em Brasília? Almir Pazzianotto: Sem dúvida, as reformas são necessárias. Porém, outra coisa é saber se elas são corretas. Sim, elas são indispensáveis, mas o que está ainda para ser verificado é se elas foram corretamente encaminhadas, quanto ao tempo e ao conteúdo. Parece-me que a reforma previdenciária foi apresentada prematuramente. Quanto à reforma trabalhista, o governo havia anunciado uma pequena reforma. Porém, o relator a transformou em uma reforma numerosa, abrangendo questões de Direito Material do Trabalho, de Direito Coletivo do Trabalho e de Direito Sindical e de Direito Processual. Nós não sabemos como o projeto vai terminar, porque ele ainda passa pelo Senado. De forma que dizer se ele é bom ou se ele é mau, parece um pouco prematuro. Uma lei leva anos para ser analisada e para se perceber quais são os seus resultados práticos. E essa reforma atinge direitos tão fundamentais, que ela precisaria ser coordenada por um governo de grande legitimidade. Mas o jogo já foi começado, não dá para retroceder. Acerca disso, como o senhor analisa o argumento de que somente um governo que não tem compromisso com a reeleição, como se diz o atual, tem condição de realizá-las, em função de mudanças impopulares que fatalmente irão propor? Creio que é um argumento válido, que tem fundamento. Como o Temer diz que não vai concorrer à reeleição, ele pode arriscar uma jogada perigosa. Mas acontece que o Temer pertence a um partido, e o partido não vai durar somente até 2018. E ele vai carregar consigo a responsabilidade do que foi feito. Se der bom resultado será ótimo para ele. Caso contrário, o partido vai pagar o preço. Então, esse argumento tem um fundamento relativo, haja vista que o tumulto dentro do Congresso é grande, com o Temer se esforçando para conseguir a aprovação e manter a unidade do partido e a governabilidade para ele concluir o seu mandato. No seu entender, o que está faltando e o que está sobrando nesse projeto? Não quero, no momento, avançar muito as ideias. Julgo, entretanto, que o que faltou no projeto da reforma trabalhista um dispositivo que reforçasse a validade do recibo final de quitação, que é a grande fonte da indústria da reclamação trabalhista. Já o que sobrou no projeto foi a regularização da representação do trabalhador dentro da fábrica, em matéria de negociação. Nas empresas com mais de 200 empregados, haverá um representante, mas não determina o número de representantes nas empresas com menor ou maior número de colaboradores. Esse conteúdo deveria ser objeto de negociação, a lei não deveria dizer, compreende? Da mesma maneira que o projeto não deveria dizer o que é objeto de negociação coletiva: deveria, apenas, dar ênfase à validade da negociação, reforçando o que está na Constituição, ou seja, que o acordo e as convenções coletivas são válidos. Em outras palavras, a lei não deveria delimitar o âmbito da negociação. Correto. Eu entendo que quem deve delimitar o âmbito da negociação não é a lei, mas os sindicatos. A matéria e o âmbito dela devem ser assuntos da negociação e não da lei, porque a lei pode não satisfazer à necessidade de uma determinada situação. Estabelecer uma receita para isso é que, a meu ver, foi errado. Temos visto alguns comentários na Imprensa e na internet de que os termos dessa reforma não vão gerar cortes significativos nos direitos dos trabalhadores, e que a resistência às mudanças tem a ver com uma questão de poder (ou da perda dele) pelos sindicatos ditos “pelegos”, bem como de uma parte importante da receita des- MAIO/JUNHO 2017 SIDERURGIA BRASIL 15

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