Revista O PROFESSOR - Edição de junho/2017 - nº 24

 

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Revista Trabalhadores terão perdas irrestritascomaterceirização! O PROFESSOR Junho de 2017 - Número 24 TEMPOS DIFÍCEIS OS DESAFIOS DAS CENTRAIS SINDICAIS EM DEFESA DOS TRABALHADORES CONTRA OS ATAQUES DO GOVERNO E POR NENHUM DIREITO A MENOS! O PROFESSOR 1 Revista

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nSaINpaPldmReOasuAaBmCão Baixe o novo aplicativo para celular do SINPRO ABC No app você poderá encontrar todas as informações importantes e necessárias para a categoria como: Convenções e Acordos Coletivos do Ensino Básico, Superior, SESI, SENAI, SENAC e notícias do SINPRO ABC. Para baixar o app no celular você deve digitar o link: http://app.vc/nossos_direitos_-_sinpro_abc no navegador do seu celular ou localize "SINPRO" no Play Store, ou ainda ler o código QR abaixo Revista 2 O PROFESSOR SINPRO ABC - Sindicato dos Professores do ABC www.sinpro-abc.org.br

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Revista O PROFESSOR Sindicato dos Professores do ABC - Edição 24 - 2017 Universo trabalhista une centrais sindicais. Onda conservadora ou crise mundial do sistema capitalista? Página 06 Página 34 Trabalhadores terão perdas irrestritas com a terceirização! Página 15 A reforma do Ensino Médio diante do aprofundamento da educação reprodutora no Brasil. Página 19 Desmonte da Previdência vai elevar desemprego, reduzir receitas e criar cidades fantasmas. Página 22 Temer o pior Presidente. Página 26 Entre a inocência e ingenuidade: por que a greve dos professores sempre atrapalha as férias escolares? Página 40 Dívida Pública: conceitos, dinâmica e os argumentos incompletos. Página 42 Violência contra a criança. Página 46 A política de retirada de direitos e os rumos do Brasil. Página 50 Governo Temer: um ano de retrocesso para as mulheres. Buscar o riso para restaurar a afetividade! Página 28 Página 56 Lucros permanecem elevados, mas bancos promovem intensa reestruturação. Página 30 Alfabetizar e educar pela fantasia. Página 60 A presença de Anita. Página 63 Revista O PROFESSOR 3

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EDITORIAL Após denúncias da JBS contra o ilegítimo Michel Temer, a obstinação da base aliada no Congresso em continuar a tramitação das reformas Previdenciária e Trabalhista, merece reflexão. Segundo pesquisa de opinião, Vox Populi / CUT (13/04), Temer tem 5% de aprovação ao seu governo. Aí nos perguntamos: como um chefe de executivo pode propor emendas à constituição com esse índice de popularidade? Vamos tentar responder como isso acontece. O relator da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA) foi eleito com doações de campanha da Bradesco Vida e Previdência (R$ 300 mil), Itaú Unibanco (R$ 100 mil), Santander (R$ 100 mil), Safra (R$ 30 mil) e instituições financeiras que negociam planos de previdência privada, Amil Assistência Médica (R$ 200 mil), além da Contax Mobitel (R$ 300mil), empresa de telemarketing que utiliza a terceirização do trabalho, condenada em mais de R$ 1 milhão por não aceitar atestado médico de seus funcionários. O relator da reforma trabalhista Rogério Marinho (PSDB-RN), defensor da Escola sem Partido, que votou a favor do congelamento de gastos públicos (PEC 241/16), da terceirização (PL 4.330/04), da manutenção do fator previdenciário (MP 475/09), da quebra do monopólio na exploração do pré-sal pela Petrobras (PL 4.567/16), da DRU (Desvinculação das Receitas da União) (PEC 87/15), e da transformação das empresas públicas em sociedades anônimas (PL 4.918/16), teve sua campanha finan- ciada em boa parte por pessoas jurídicas, tendo o Banco BTG Pactual seu maior financiador (R$ 150 mil). O PL da“reforma trabalhista”aprovado na Câmara seguiu para o Senado. Ganhou a relatoria o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), citado nas delações dos executivos da Odebrecht junto a Operação Lava Jato, identificado como “Duro”, é acusado de receber R$ 400 mil de caixa dois para a sua campanha em 2014, além de ter recebido mais de R$ 1,8 milhão de financiamento privado de campanha. Nunca precisou trabalhar. São esses parlamentares, comprometidos com o capital, que estão prestes a mudar nossas vidas, acabando com a Previdência, aniquilando a CLT e fundando uma nova consolidação de leis; a Consolidação da Proteção ao Capital. Eles não devem qualquer satisfação aos seus eleitores, mas têm compromissos firmados Revista 4 O PROFESSOR

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Revista com o capital que os ajudou nas suas campanhas eleitorais enganosas. Agora, chegou o momento de apresentarem a fatura. Então, na verdade, quem governa esse país não é Michel Temer, muito menos seus ministros, quem governa o Brasil, depois do impeachment da presidenta Dilma, são os rentistas, os banqueiros, os empresários, e a elite entreguista que se apoderou da máquina parlamentar. Por isso, a tarefa dos trabalhadores e trabalhadoras e dos movimentos sociais, é empunhar a bandeira das “Diretas Já” com constituinte, para fazermos a reforma política que afaste o poder econômico das eleições, que democratize os meios de comunicação, que amplie as conquistas trabalhistas e mantenha o direito a uma aposentadoria digna e por “nenhum direito a menos”. A Diretoria. O PROFESSOR Publicação do Sindicato dos Professores de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Ano XI - Número 24 - 2017 SINPRO ABC - Gestão 2016/2019 ISSN 1807-7994 Expediente Conselho editorial: Cristiane Gandolfi, Evando Pioli, Marcelo Buzetto, Maria Luiza Padilha, Thiago Boim e Volney Aparecido. Diretoria: Alex Silva Nogueira, Alexandre Cevalhos Linares, Aloísio Alves da Silva, Carlos Ayrton Sodré, Celia Regina Ferrari, Cristiane Gandolfi, Denise Filomena Lopes Marques, Edélcio Plenas Gomes, Edilene Arjoni Moda, Elias José Balbino da Silva, Gladston Alberto Minoto da Silva, Helio Sales Rios, Jorge Gonçalves de Oliveira Junior, José Carlos Oliveira Costa, José Jorge Maggio, José Oliveira dos Santos, Marcelo Buzetto, Maria Aparecida de Donato, Mariana de Melo Rocha, Nelson Valverde Dias, Nelson Bertarello, Paulo Roberto Yamaçake, Rafael Pereira Fieri, Thiago Figueira Boim. Diretor de Comunicação: Nelson Bertarello Produção: Departamento de imprensa Jornalista responsável: Sérgio Corrêa - mtb 19065 Projeto Gráfico e Capa: Israel Barbosa Data de fechamento: 08/06/2017 Foto da Capa: fotospublicas.com Lula Marques - 24/05/2017 - Brasília- DF . Tiragem: 4.000 exemplares SINPRO ABC - Rua Pirituba, 61/65 - B. Casa Branca - Santo André CEP 09015-540 - São Paulo www.sinpro-abc.org.br • imprensa@sinpro-abc.org.br • www.facebook.com/sinproabc Os artigos assinados nesta publicação não expressam, necessariamente, a opinião do Sindicato. www.sinpro-abc.org.br O PROFESSOR 5 Revista

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CAPA Universo trabalhista une centrais sindicais 6 O PROFESSOR Revista

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Foto: Israel Barbosa Ato das Centrais Sindicais na Avenida Paulista contra a Reforma da Previdência, 15/03/2017. Na noite do dia 17 de maio, uma quarta-feira, o Brasil foi surpreendido com uma notícia que abalou o País: os donos do frigorífico JBS (Friboi) gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. Segundo o colunista do jornal ‘O Globo’, Lauro Jardim que publicou a notícia em primeira mão no seu blog, a informação fazia parte da delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que também gravaram o senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG) pedindo R$ 2 milhões, para pagar custos de sua defesa na Lava Jato. A notícia caiu como uma bomba no colo dos brasileiros, principalmente dos trabalhadores e trabalhadoras, que indignados foram às ruas protestar. “É uma vergonha para o País, o presidente propor reformas trabalhista e previdenciária, dizendo que não tem dinheiro para pagar os aposentados e ser conivente com essa bandidagem, para manter seus privilégios”, afirmou o aposentado Armando de Souza Lima (62). Para ele, “qual é a moral que os políticos têm para votar reformas que vão prejudicar somente o povo”, questionou. Já a professora Laudicea Souza (42) disse que o Brasil vive um mo- mento de pesar pela intenção dos políticos em retirar direitos dos trabalhadores e alerta: “temos que varrer esses políticos corruptos de nosso País. É hora do povo acordar e ir para rua defender o que é seu por direito, a CLT e a aposentadoria”. E é nessa linha de raciocínio que as centrais sindicais, os sindicatos e movimentos populares e sociais estão empenhados. Desde o ano passado, com a saída da presidenta Dilma Rousseff do governo, os trabalhadores e trabalhadoras estão unidos no propósito de manter os direitos conquistados na Consolidação das Leis do Trabalho. De acordo com o presidente do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Celso Napolitano, as reformas propostas pelo governo Temer, tanto a trabalhista, quanto a previdenciária, são muito prejudiciais à classe trabalhadora, só retirando direitos . “O que o Temer apresenta não é uma reforma, e sim a demolição de todos os direitos dos trabalhadores e das leis trabalhistas”, afirmou. Para Napolitano, o argumento de que a CLT é ultrapassada, é mentiroso. “Enganosamente, estão dizendo que a lei trabalhista é uma legislação ultrapassada, muito pelo contrário, ela é uma consolidação, ou seja, é um resumo de todas as leis que foram apresentadas ao longo do tempo, que está sendo modificada desde 1943”, concluiu. O PROFESSOR Revista 7

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CAPA Numa demonstração de sabedoria e força na defesa dos direitos trabalhistas, as centrais sindicais se uniram em benefício dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. São elas: Central do Brasil Democrática de Trabalhadores (CBDT); Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB); Central Única dos Trabalhadores (CUT); Força Sindical (FS); Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST); União Geral de Trabalhadores (UGT) e União Sindical dos Trabalhadores (UST). No decorrer de 2016 e 2017 as centrais sindicais realizaram diversas manifestações, paralisações, movimentos e greve geral chamando a atenção da sociedade sobre temas importantes que estavam sendo discutidos na Câmara Federal e no Senado. Assuntos que interferem diretamente na vida da classe trabalhadora e que serão decididos pelos políticos, que em sua maioria, representam apenas interesses particulares e não os interesses de quem os colocou como representantes parlamentares. Nesse biênio, os assuntos mais polêmicos no Congresso Nacional foram: PEC do teto – congelando os gastos do governo com saúde, educação e projetos sociais por 20 anos (aprovada); reforma do Ensino Médio (aprovada); terceirização irrestrita (aprovada), reforma trabalhista (em estudo) e reforma previdenciária (em estudo), entre outros. De acordo com Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional, o que o governo propõe para a classe trabalhadora é a precarização perversa da mão de obra. As propostas atendem somente os interesses dos patrões e do mercado financeiro. “Com o desmonte da aposentadoria, o governo Temer beneficia bancos que vão vender planos de previdência para quem puder pagar. Com a ampliação da terceirização, contrato intermitente, ampliação do trabalho em tempo parcial e facilitação do uso do trabalho autônomo, os golpistas, na verdade, estão dando segurança jurídica para o empresariado ao legalizar o bico”, afirmou. E, para completar, “além de praticamente acabar com a carteira de trabalho assinada, a Câmara dos Deputados ainda criou normas para dificultar Unificação do Divulgação Vagner Freitas - CUT o acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho com o pagamento das despesas por conta do empregado”, criticou Vagner Freitas. Já para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD/SP), o Paulinho, que se diz apoiador arrependido do golpe parlamentar de 2016, favorável ao impeachment da presidenta Dilma, é preciso amenizar os efeitos do pacote de maldades contra a classe trabalhadora. O deputado apresentou algumas modificações ao texto do governo, que preveem idade mínima para aposentadoria menor que a proposta por Temer (65 anos/homens e mulheres), além de regras diferentes para pensão por morte e pagamento de aposentadoria. “A idade mínima definida pelo governo não merece prosperar, já que a expectativa de vida assumida pelo próprio Executivo, de 75 anos, não faz qualquer sentido, pois o brasileiro gozaria somente de 10 anos de aposentadoria após contribuir por tantos anos com a Previdência”, afirmou Paulinho. Na proposta alternativa do deputado, a idade mínima para a aposentadoria seria de 60 anos para homens e 58 para mulheres, com 25 anos de contribuição para o INSS. Revista 8 O PROFESSOR

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os Movimentos Sindicais Divulgação Divulgação Paulo Pereira da Silva - Força Sindical Adilson Araújo - CTB Embora algumas centrais sindicais também sejam divergentes às propostas feitas pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, que em muitas votações no plenário da Câmara tem apoiado o governo, os sindicalistas passaram por cima de divergências políticas e fecharam uma pauta de negociação e um calendário comum de lutas. “As propostas do governo, ao invés de trazer conforto e paz, trazem prejuízos incalculáveis para esta e para as futuras gerações. Um mal que, levado adiante, será irrecuperável. Para que alcancemos nossos objetivos de trabalho decente e uma aposentadoria digna, é preciso que nos unamos e nos mobilizemos ainda mais”, disse o presidente da Força Sindical. Diante do aprofundamento da crise política e após as graves revelações contidas nas delações envolvendo o presidente Temer e outros políticos de expressão nacional, as centrais sindicais se uniram ainda mais para exigir a apuração rigorosa de todas as denúncias de corrupção e desmandos que vêm paralisando o País, criando insegurança e impactando negativamente a economia nacional, que se manifesta na forma de recessão e no crescente e alarmante índice de desemprego que assola mais de 14 milhões de trabalhadores. De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, qualquer solução democrática para a crise política e econômica passa pela construção de um amplo e democrático acordo nacional. “Temos que defender nossa democracia e a construção de um novo projeto de desenvolvimento nacional, tarefa que deve mobilizar a sociedade civil e suas mais importantes representações, os partidos políticos, as centrais sindicais e as demais organizações dos trabalhadores e representações patronais”. Segundo Araújo, na atual conjuntura e devido a gravidade dos fatos de corrupção institucionalizada, a classe trabalhadora exige eleições diretas já. “A legitimidade das instituições políticas da República, o Governo Federal e o Congresso Nacional, devem passar por uma profunda reestruturação no mais curto espaço de tempo exigido pela Constituição, eleições gerais e democráticas”, complementou o presidente da CTB. Revista O PROFESSOR 9

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CAPA Feriado antecipado Um amanhecer diferente marcou o dia 28 de abril de 2017. Quem andou pelas ruas e avenidas das principais cidades brasileiras pode verificar que a movimentação era como num dia de feriado – antecipado de 1º de maio – numa manhã nublada e cinzenta, atípica para uma sexta-feira. Não pelo clima, mas sim pela mobilização das classes trabalhadoras, que nesse dia, aderiram massivamente à greve geral, convocada pelas centrais sindicais. As capitais brasileiras, entre elas a maior cidade da América Latina, São Paulo, amanheceu sem transporte coletivo, com a paralisação de trens, ônibus e metrô. Em todo o País a união dos sindicatos, movimentos populares, sociais e setores significativos da Igreja Católica e outros segmentos marcaram o maior movimento de paralisação registrado no País desde 1917, quando foi realizada a primeira greve geral brasileira. De acordo com avaliação das centrais sindicais, que se uniram para protestar contra a retirada de direitos, cerca de 40 milhões de brasileiros cruzaram os braços nos 26 estados e no Distrito Federal na greve geral do dia 28 de abril. Para os dirigentes da CUT Nacional, essa foi a maior greve dos últimos 100 anos. “Essa foi a maior greve trabalhista já realizada no país e foi superior ao movimento de 1989, quando 35 milhões de trabalhadores paralisaram suas atividades”, disse o presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas. “A população apoiou a greve, a população fez greve! Nós ganhamos a opinião na disputa política. Agora tem que ganhar o que? Os votos dos congressistas. Quer se reeleger em 2018? Não vote com as reformas de Temer!”, disse Freitas. Outro ponto importante destacado pelos dirigentes sindicais foi o trabalho de comunicação realizado pelos sindicatos para contrapor as informações tendenciosas da mídia institucionalizada para desmobilizar o movimento. Segundo José Jorge Maggio, presidente do SINPRO ABC e membro da CUT nacional, “aos poucos os trabalhadores e trabalhadoras são conscientizados, pois cada categoria está informando sua base, através de panfletos, boletins e palestras sobre como a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita e o desmonte da previdência vão afetar suas vidas e também a de seus filhos e netos, já que qualquer mudança aprovada agora deverá atingir ainda o futuro dos mais jovens”. Para Maggio, “temos que trabalhar com os meios de comunicação sindical para esclarecer os trabalhadores sobre como a mídia golpista engana e deturpa as notícias veiculadas diariamente nos jornais, rádios, tevês e revistas”, disse o presidente do SINPRO ABC. No dia 28/03 foram realizadas marchas, piquetes, bloqueios em rodovias e atos culturais. De acordo com o Movimento Sem Terra (MST), no meio rural a paralisação atingiu cidades no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Pernambuco, Pará, Paraíba, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraná, Piauí, Bahia, Tocantins, Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Santa Catarina e Goiás. “A greve geral conseguiu chegar ao conjunto da classe trabalhadora e, acima de tudo, fazer um grande debate sobre a importância da luta e da resistência contra as reformas do governo de Michel Temer”, avaliou o dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues. Revista 10 O PROFESSOR

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Ranking de liderança das Centrais Sindicais no País Certificado de representatividade do Ministério do Trabalho e Emprego – Dados de 2015 33,67% 12,22% 11,67% 9,13% 7,84% 7,43% De acordo com informações do Ministério do Trabalho, as demais Centrais Sindicais não alcançaram índice de representatividade. Internet 60% dos professores das escolas particulares do ABC aderiram à greve geral Nas escolas da região a maioria dos professores, professoras e alunos participou do movimento. A diretoria do Sindicato dos Professores do ABC percorreu diversos bairros de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul e constatou que cerca de 60% das escolas particulares ficaram fechadas no dia 28 de abril, apesar do assédio dos patrões. De acordo com Thiago Boim, diretor do SINPRO ABC, que fez o levantamento junto às escolas, a adesão dos professores ao movimento foi muito boa. “Aqui na re- gião nós tivemos grandes universidades como a Metodista, Fundação Santo André e Universidade de São Caetano do Sul que não funcionaram, devido a grande adesão dos docentes à greve geral”. Segundo ele, colégios como “Anchieta, Externato Santo Antônio, Singular, Pentágono, Xingu, Sagrada Família, entre outros também paralisaram suas atividades e as escolas “Objetivo, ETIP, Jean Piaget, Petrópolis, Vésper, Mobilis, Arbos e Externato Tiradentes funcionaram parcialmente devido a adesão dos docentes ao movimento” lembrou Boim. Revista O PROFESSOR 11

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CAPA | ENTREVISTA “No Brasil os trabalhadores ficam em média sete anos desempregados durante a vida laboral” Vagner Freitas Confira a entrevista completa com o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, a central sindical que tem maior representatividade entre as classes trabalhadoras. ROBERTO PARIZOTTI/CUT Revista “O Professor”: Qual a avaliação que o senhor faz das propostas feitas pelo governo Temer sobre a Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e Terceirização. Vagner Freitas: Não são reformas, são desmontes e significam o fim da aposentadoria, da CLT e precarização perversa da mão de obra. As três propostas atendem interesses dos patrões e do mercado. Com o desmonte da aposentadoria, o governo Temer beneficia bancos que vão vender planos de previdência para quem puder pagar. Com a ampliação da terceirização, contrato intermitente, teletrabalho, ampliação do trabalho em tempo parcial e facilitação do uso do trabalho autônomo, os golpistas, na verdade, estão dando segurança jurídica para o empresariado e legalizando o bico. É o fim da CLT! E, para completar, além de praticamente acabar com a carteira de trabalho assinada, a Câmara dos Deputados ainda criou normas para dificultar o acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho. OP: Qual a mais nociva à classe trabalhadora? VF: Todas são muito prejudiciais. A Previdenciária é cruel porque tem o potencial de aumentar a miséria e a fome no Brasil, pois atinge setores da população que não estão no mercado de trabalho formal. Temer ignorou completamente a realidade do povo brasileiro. Em nosso país, milhões de pessoas morrem antes dos 65 anos de idade e isso não é só no Nordeste, como alguns acham. Segundo estudo da Rede Nossa São Paulo, na capital mais rica do Brasil, o tempo médio de vida da população em 36 bairros da capital paulista é de menos de 65 anos. Em bairros como Cidade Tiradentes a média é de 53,83 anos, Anhanguera (54,9), Jardim Ângela (54,77) e no Grajaú (54,77). Essa medida também ignora uma realidade do mercado de trabalho brasileiro: no Brasil, os trabalhadores ficam em média sete anos desempregados durante a vida laboral. Sem falar na desigualdade de gênero. Aqui, as mulheres trabalham diariamente 7 horas a mais do que os homens, têm ocupações mais precárias e salários menores. E a Trabalhista, que destrói todo o sistema de regulamentação do trabalho, inclusive a própria Justiça do Trabalho, jogando os trabalhadores para a informalidade, legalizando o bico, tirando todos os direitos garantidos na CLT, retrocedendo um século nas conquistas da classe trabalhadora. OP: Qual sua avaliação sobre a atuação das centrais sindicais na luta pelos direitos dos trabalhadores? VF: A CUT sempre protagonizou as lutas Revista 12 O PROFESSOR

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ROBERTO PARIZOTTI/CUT em defesa dos direitos da classe trabalhadora, seja fazendo formação e organização da base, mobilização, pressão sobre o parlamento e greves, quando necessário, contra o capital explorador nos locais de trabalho. A classe trabalhadora, pelos dados que temos, avalia bem a nossa atuação, prova disso são os dados de entidades ligadas a CUT: temos 3.960 entidades filiadas, 7.933.029 trabalhadores(as) associados (as) e uma base de 25.831.443 de trabalhadores(as). OP: Como foi a atuação das centrais sindicais, durante os dois mandatos do governo Lula e um mandato e um ano do governo Dilma, os trabalhadores estavam desmobilizados? VF: Nos governos Lula e Dilma, assim como em todos os outros governos fizemos nosso papel que é defender os direitos da classe trabalhadora. Debatemos, elaboramos propostas, pressionamos, fizemos greves, negociamos e fizemos marchas à Brasília para conquistar políticas fundamentais para o Brasil, como a Política de Valorização do Salário Mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda e isenção do Imposto de Renda na PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Ao contrário do que dizem alguns, fizemos praticamente a mesma quantidade de gre- ves nos governos do PT e nos dois mandatos de Fernando Henrique, do PSDB. Segundo o Sistema de Acompanhamento de Greves do Dieese, foram realizadas 2.951 greves nos dois mandatos de Lula; 3.481 greves nos de Dilma; e nos oito anos do governo de FHC, 6.234 greves. Só entre os servidores públicos, a CUT realizou nos oito anos de Lula 248 greves para pressionar o governo a abrir negociações, aumentar salários e iniciar reestruturação de planos de cargos e carreiras. Já entre 1995 e 2002, foram 133 greves. A diferença de atuação entre os governos do PT e os de direita é que nos governos do PT havia negociação, diálogo, respeito à negociação sindical. Não se criminalizava as organizações sindicais como se tenta fazer atualmente. E o presidente Lula, todos sabem, é um grande negociador. No governo Lula, fizemos várias negociações em defesa dos interesses da classe trabalhadora, uma delas, beneficiou trabalhadores e aposentados. Foi a política de valorização do salário mínimo, proposta da CUT e encampada por outras centrais. Essa política assegura o aumento real do salário mínimo e valoriza os pisos de todas as categorias profissionais. Isso sem falar dos aposentados que recebem o salário mínimo. Segundo o DIEESE, do total de benefícios pagos pelo INSS, 69% é de até um salário mínimo. Revista O PROFESSOR 13

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CAPA OP: Atualmente, qual tem sido a maior dificuldade em reorganizar os movimentos trabalhistas? VF: Além do desemprego de mais de 14 milhões de brasileiros e da falta de perspectivas futuras, típicas de recessões prolongadas como as que vivemos nos últimos anos, enfrentamos a guerra da comunicação distorcida e manipulada que confunde e assusta a maioria dos trabalhadores que ouvem recados ameaçadores do governo via imprensa, do tipo, “se a reforma da Previdência não for aprovada, o INSS vai falir, a economia não vai se recuperar”. Além disso, tem medidas complexas mais difíceis de serem entendidas pela população, como a do congelamento dos gastos com saúde e educação. O que o povo entende são medidas como a da Reforma da Previdência que pode acabar com suas chances de se aposentar. A greve geral do dia 28 de abril contra o fim da aposentadoria e da CLT foi mais fácil de ser convocada do que os atos contra o congelamento dos gastos com saúde e educação por 20 anos. Essa segunda é uma medida que não parece concreta para as pessoas. Já perder a aposentadoria mexe no bolso de cada cidadão. OP: Mesmo com as mobilizações trabalhistas, o governo Temer e os políticos, parecem estar insensíveis aos apelos dos trabalhadores. Falta credibilidade por parte dos políticos com relação aos movimentos trabalhistas? VF: Políticos reacionários são insensíveis aos direitos dos trabalhadores em todo o mundo. O Brasil, infelizmente, elegeu em 2014 o Congresso Nacional mais conservador e neoliberal desde a redemocratização do país. As maiores bancadas são formadas por empresários, milionários ou grupos de deputados subordinados as ordens de alguns setores da economia. A bancada dos trabalhadores ou a bancada progressista, vamos assim denominar, é uma das menores. Isso não tem nada a ver com a credibilidade por parte dos políticos em relação aos movimentos de trabalhadores e não trabalhistas. Quem carece de credibilidade são os políticos que nunca cumprem as promessas que fazem para se elegerem, que são financiados por empresas e entregam seus mandatos aos interesses de grupos empresariais, na maioria das vezes, contrários aos interesses da classe trabalhadora. OP: Os trabalhadores estão desacreditados no movimento sindical? VF: A greve geral do dia 28 de abril, que atingiu todos os setores da economia, e os vários atos que fizemos contra os desmontes de Temer, como no dia 8 de março, quando realizamos em todo o País o maior dia da mulher de todos os tempos, e o dia 15 de março realizamos paralisações e mobilizações em todo o País também, mostram que os trabalhadores sabem que o movimento sindical é a única alternativa que eles têm para não perder direitos, para lutar por avanços e conquistas. No embate capital-trabalho, o trabalhador tem pouquíssimas chances de vitória se enfrentar o patrão sozinho, sem o apoio do seu sindicato. As conquistas das últimas décadas também provam isso. OP: Considerações Finais. VF: Eu quero agradecer aos professores da rede particular de ensino do ABC por mais esta oportunidade de esclarecermos aos trabalhadores e trabalhadoras sobre a perversidade das reformas propostas por esse governo ilegítimo e agora desmoralizado de Michel Temer. Aproveito também a oportunidade para continuar convocando os trabalhadores de todo o País a nos unirmos cada vez mais para defendermos nossos direitos e também os direitos de nossos filhos e netos. Lembro que somos responsáveis pelo futuro que vamos deixar aos nossos familiares e amigos. A CUT continuará lutando para que não haja “nenhum direito a menos”. Revista 14 O PROFESSOR

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TERCEIRIZAÇÃO Israel Barbosa Tirrraebstarilthaasdcoomresatteerrãceoirpizearçdãaos! Além de diminuir os salários, a entrada em vigor da Lei das Terceirizações, aprovada pelo Congresso e sancionada por Michel Temer em 31 de março, pode trazer prejuízos extras para a educação pública no Brasil. Isso porque agora, a legislação permite a terceirização de mão de obra em qualquer atividade (meio e fim) nas empresas privadas e no serviço público. Dessa forma, uma escola pode funcionar sem ter professores e professoras concursados e contratados diretamente pela instituição em seu quadro de funcionários. Polêmica, a lei da terceirização irrestrita é alvo de crítica das centrais sindicais e deputados da oposição que afirmam que essa regulamentação fragiliza e precariza as relações de trabalho. A legislação, no entanto, é ampla- mente defendida pelos empresários, que afirmam que a existência de uma regulamentação sobre o assunto é fundamental para garantir a segurança jurídica dos gestores. De acordo com Jorge Cavalcanti Boucinhas filho, doutor em direito do trabalho e professor de direito privado e trabalhista na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, “o principal prejuízo aos trabalhadores é a possibilidade de empregados de grandes empresas passarem a exercer o mesmo tipo de serviço por meio de empresas menores que pertencem à categorias com menos força para obter conquistas e adquirir direitos”. O docente de direito do trabalho, em entrevista exclusiva à revista O Professor, falou ainda sobre os impactos que a terceirização irrestrita trará aos trabalhadores, acompanhe: Revista O PROFESSOR 15

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