Confrades da Poesia85

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Especial Rádio Nº 85 | Junho / Julho 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2017 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9, 10 / Confrades: 11,12,13,14,15,16 / Tribuna do Vate: 17 / Cantinho Poético: 18 / Links Amigáveis: 19 / Rádio Confrades da Poesia: 20 O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 17 O Nosso Confrade Humberto Neto – SP/BR Partiu dia 4/6/17 - R.I.P. Rádio Confrades da Poesia página 20 Nesta edição colaboraram 58 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «A Voz do Poeta» POBRE HOMEM Se o homem foi do barro concebido, A que reino pertence finalmente? Animal, não será pois, certamente, O barro é mineral bem conhecido! Quis Deus que não ficasse aborrecido. Tirou-lhe uma costela, fez um ente. Adão ficou deveras mais contente, Pois Eva, pôs o Éden divertido! Passou Adão a ser, mero parceiro. Assim nasceu o homem prisioneiro, Dos afazeres da vida, dia a dia. É vê-lo a trabalhar sem ter descanso. Desconhece o que quer dizer remanso, Pobre homem que vive, em agonia! Alfredo dos Santos Mendes - Lagos Preciso viver antes de morrer Não sei o que fazer primeiro mas preciso ser diferente nem sei onde vou buscar coragem para enfrentar os monstros de frente sei que não posso parar tão cedo ainda tenho muito que fazer mesmo tendo falhas e medos eu preciso de viver antes de morrer. Apesar de esquecer às vezes quando falta a disposição quando vejo passar os meses ouço o grito do meu coração nada mais me importa não tenho tempo a perder porque o tempo passa e eu preciso de viver antes de morrer. Tudo aquilo que sonhei enquanto fui criança vem viver essa aventura pensar em algo fugir ao tempo fazer uma loucura vem comigo viver vem comigo sentir pois todos aqui precisam de viver antes de morrer. Joaquim Maneta Alhinho UM DECLAMADOR COM ESPLENDOR Com admiração ao exímio Poeta EUCLIDES CAVACO ao ouvir este Lindíssimo poema : “SE LISBOA FOSSE MINHA” AMIGOS: Euclides não é só poeta, é, bom declamador, Com voz sã, que n’ela algo mágico s’aninha Que nos encanta, prende, vamos lá, “definha” Quando se ouve, as saudades fogem com tal alor! Que é nato, que cá no meu ver, amigos, convinha Que alguém da cultura ouvisse hoje este actor, Fazia tremer de prazer quem fosse bom ouvidor, Ao ouvir este poema: “Se Lisboa fosse minha”… Euclides Cavaco dá uma lição com se declama, Qualquer poema é o seu grande lusismo, em chama, Que nos arrebata e nos faz pequenos tantas vezes!... Os poemas na sua voz têm um encanto, limpo, Que nos transporta lá ao celestial Olimpo, Que orgulha, estou certo, todos nós portugueses! Nelson Fontes Carvalho - AMORA / BELVERDE AMIZADE, NÃO FINGE NEM MENTE Nada há de mais nobre do que ter e manter uma amizade, que de perdurar irá perdurar por todo o sempre – uma vontade que tem querer maior que um querer-bem, a se mostrar. Nunca, numa amizade, a verdade poderá reverter para outra cosa qualquer - com certeza invulgar senão para aquilo que nasceu e aprendeu a crescer ao se ajuntarem duas pessoas, ambas a se ladear. Se houver, dos dois um que faça jura, a mentir seu fado sempre será a pesada consciência o que fará dessa pessoa como que um vidro a se partir Quando, perante outro alguém, se puser a sorrir. É que o que um disser ao outro é permanência a durar, quando um dia a amizade se ajuntou a se unir. Jorge Humberto – P.Stª Iria Azoia TROVAS DE ESTRO EMPIRICO. Ó Portugal... Pátria amada Teus bons filhos te adoram É pena seres abusada Por tantos que te exploram. Euclides Cavaco - Canadá

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Ecos Poéticos» 3 GATINHA O tempo! ... Envoltos na ternura de um lírio Como velhos sempre enamorados Dançamos mais uma longa valsa da vida. Sou eterno aprendiz, Prendo abraços que te não dou, Sinto-te sem te ter. As palavras e emoções do poeta já não são suas São de quem as lê e sente. Quedo-me à espera de uns olhos de veludo, À espera de ti, vestida de anjo, Gatinha de meus olhos! Se me quisesses, seguia-te como monge. João Coelho dos Santos - Lisboa A 77ª VOLTA A PORTUGAL (VOLTA EM BICICLETA) O tempo que eu vivi! O tempo que não vivi… O tempo que passou por mim. Vai passando, passando… Tempo! ... Tempo! ... Tempo que já não tenho! Tenho pouco tempo… Oh! Tempo! Tanto tempo! Que eu perdi… Mas hoje eu sei Que cresci! A isso devo ao tempo! Mas viver ao sabor do tempo! Não é tempo! Que quero para mim… Maria Gonçalves Margarido Amora A volta a Portugal em bicicleta Disputada a 77ª edição Isto é verdade não é treta É a mais antiga competição. A prova mais antiga do Mundo Que em 1927 foi iniciada Sempre num pedalar profundo Em Portugal bem organizada. Gustavo veloso o campeão Da 77ª edição da volta a Portugal Sempre bem atento e em acção A ninguém deu abébias afinal. Venceu duas das etapas Fez três segundos lugares E três terceiros sem aspas Na volta não teve azares. Mostrou ser o mais forte Nunca mostrou limitações Agradeceu a Deus a sua sorte Ser o rei das classificações. Foi uma meia volta a Portugal Norte e centro precisamente Muito bem disputada afinal Para os corredores doravante. A organização protestou Em conjunto com os ciclistas Para mostrar que não gostou Das coisas menos realistas. Deodato António Paias – Lagoa QUISERA EU! Que neste momento estar perto de ti, poder te amar sem nada sofrer e muito viver... Que tu me amasse assim como te amo, poder olhar para o céu sem nada terminar e muito contemplar... Que meus sonhos fossem reais, para contigo seguir sem nada cair e muito sorrir... Que a vida fosse somente tu e eu, dar o melhor de mim sem nada direito e muito amor-perfeito… ZzCouto - Niterói / BR Dia Mundial da Poesia (21-03-2017) Em cada rosto, em cada flor No jardim celeste do sol-pôr Entre purpúreos de nostalgia Há sempre laivos de Poesia. Mesmo que a pura fantasia Tome o lugar à dura razão Todo o humano coração Tem espaço para a Poesia. A vida não teria a mesma cor Nem a música a mesma melodia Se no mundo, entre a paz e o amor Estivesse ausente a Poesia! São Tomé - Laranjeiro Adeus até não sei "Adeus" que me vou embora Por não mais ter manifesto Fica de mim todo o resto À visão de quem adora. "Adeus" confraria linda De confrades da Poesia Com a maior alegria Na escrita que não finda. Fico assim muito grata Ao confrade Pinhal Dias E a sumas fidalguias Cujo laço não desata. Agradeço a quem me lia E continua a ler; Vou pausar até mais ver Outra musa do meu dia. Rosa Silva ("Azoriana") Quando a Primavera chega Perfumada, perfumando Oiço o grasnar das gaivotas À minha volta dançando! Em recortes branco e cinza Desenham-se assim no céu E o meu grito à vida É do tamanho do seu. A luz, incide nas casas, no chão Nas árvores floridas Nas encostas nas planícies Tudo transborda de vida... E eu própria, sei que renasço, Das saudades sentidas Felismina mealha - Lisboa

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» EU QUERIA SER Eu queria ser Saxofone, clarinete, violino, Sinfonia, sintonia, magia, Música em euforia. Música dá ordem ao caos. Eu queria ser Airoso, seráfico, marialva, Inigualável, perspicaz, Transcendente e eterno, Guardião de teus segredos. Eu queria ser Garboso, atraente, invencível, Sentir zumbido indolente de abelha, Usar olhar malicioso e cúmplice, Carinhoso, amável, E voar como Peter Pan. Eu queria ser Lunático, erudito, estoico, E flutuar como nuvem esquecida Cheia de encanto e harmonia. Eu queria ser Paz nas caminhadas para a velhice, Cumprir missão julgada impossível E compreender, não julgar, meu irmão. João Coelho dos Santos - Lisboa JACARANDÁS Pintaram minha rua de lilás, Em pinceladas fortes, curvilíneas, Para ofuscar as pétalas sanguíneas Dos loendros e hibiscos, lá atrás. São os jacarandás, bocas floríneas. Em cada ano, Maio sempre traz Campainhas de perfume pertinaz, Trepando pelas ramas longuilíneas. Juntos vivemos sempre e tão diversos Foram nossos destinos! Florais versos, Que pintam minha rua de beldade; Andámos lado a lado desde a infância E nunca agradeci vossa constância, Mas vou cantar agora essa amizade. Tito Olívio - Faro DESENHA SILÊNCIOS Desenha silêncios que trago no peito, faz traços diversos, mostrando o que sinto! Não temas expor-me num vasto recinto, pois todos me amparam, com muito respeito! Desenha silêncios nas rosas do leito de ferro riscado, porque eu não as pinto! É cama onde durmo com sonho faminto e abraço que aspira ser forte e estreito! Amor, não esqueças sincero pedido! Eu pago com beijo calado e despido de frases, tecendo uma grande palestra. Desenha silêncios com lápis de cor e faz melodias isentas de dor, com notas, sem “Dó”, a formar uma orquestra. Glória Marreiros - Portimão JORGE MEU LOUVOR Só tem justa liça Não sou trovador Faço minha justiça! Amigo JORGE, venho assim com justo preito, Prestar oportuno toda minha homenagem, O prazer de ler seus poemas boa mensagem, Que assino, tudo que diz é culto, com jeito! Que bom ler poemas assim, sem defeito Tenho que prestar-lhe devida linguagem, Permita que lhe diga, transmite sua imagem, Ser poeta verdadeiro, que nasceu bem feito! No mundo dos nossos poetas, noto agem Talvez com zelo, esquecem da fina ramagem De delicadeza da rima certa como enfeito! Um poema tem que ter lírica abordagem, Quem não elogia o JORGE não tem coragem, O que merece um comentário satisfeito! Nelson F. Carvalho - Belverde/Amora Se a gente chora e sofre, O amigo logo descobre. Se a gente perde um amigo Por certo fica mais pobre! Ivanildo Gonçalves - Volta Redonda / BR ALMA LUSITANA Somos Lusitanos Senhores de oceanos E das caravelas. Somos Lusitanos De reis soberanos E mil aguarelas. Somos Lusitanos Da história que em anos Tem mais de oitocentos. Somos Lusitanos Do mar veteranos Nos descobrimentos !… Somos povo somos raça Da Terra que o mar abraça Nessa Europa Ocidental Somos a seiva e a raiz Desse mais belo país Que se chama Portugal... Refrão… Somos dom somos vontade Inventamos a saudade Que é tão nossa e nos ufana Somos gente portuguesa Que mantém viva e acesa Essa chama Lusitana... Refrão... Euclides Cavaco Voo ondulante Voam pedras lisas Voam pedras redondas. Voam pedras Ásperas e esquinudas De mãos maldosas atiradas. Voam palavras Venenosas de línguas Viperinas cuspidas De bocas sujas De mentes mal-intencionadas. Voas tu e voo eu num voo [ ondulante.] Voam votos Voam desejos Voam preces Em cabeça quente. E esse voar É tão somente o mundo a girar Com tudo a circular Cabeça à roda Cabeça perdida. Carmindo de Carvalho - Suíça

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 ESTE POVO QUE NÓS SOMOS Nós somos este Povo Lusitano Descendentes de heróis e heroínas Nós somos de Afonso o soberano Herdeiros da Pátria das cinco quinas. Nós somos dinastias duma história Que encerra oito séculos de epopeias Nós somos das batalhas a glória E “Homeros” de outras tantas odisseias. Nós somos oceanos e as marés Onde ousado navegou o nosso Gama Nós somos marinheiros e as galés Que deram ao Império a grande fama. Nós somos os heróis de mil facetas Descobridores do mar a majestade Nós somos inspiração dos poetas Que rimaram génio Luso com saudade. Nós somos as estrofes de Camões Orgulhosos do presente e do passado Nós somos o eco das gerações Que com alma deram vida e berço ao fado. Nós somos as memórias do Infante De Eanes, Magalhães e de Cabral Nós somos este Povo fascinante Da Pátria que se chama Portugal !… Euclides Cavaco - Canadá GARRAFA DE VIDRO Garrafa de vidro tombada na praia, Que veio na vaga perdida na areia, Chegou pela noite por ser maré cheia, Ficou-se, prostrada, sem palmas nem vaia. Ninguém sabe os anos que errou sem ter baia, Nem donde partiu, nem quem teve a ideia. Continha papel e uma espiga de aveia. Viria de dama, menina ou catraia? Mensagem de amor, desespero ou saudade, Socorro pedido a querer liberdade Ou moça solteira querendo casar. Mistério que era, mistério ficou, Que a letra que tinha ninguém decifrou. Então a garrafa, atirei-a ao mar. Tito Olívio - Faro Quando eu partir, quando eu partir de novo A alma e o corpo unidos, Num último e derradeiro esforço de criação; Quando eu partir... Como se um outro ser nascesse De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril, E sem que o milagre se abrisse As janelas da vida. . . Então pertencer-me-ei. Na minha solidão, as minhas lágrimas Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência, E eu serei o senhor da minha própria liberdade. Nada ficará no lugar que eu ocupei. O último adeus virá daquelas mãos abertas Que hão de abençoar um mundo renegado No silêncio de uma noite em que um navio Me levará para sempre. Mas ali Hei de habitar no coração de certos que me amaram; Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam; Irremediavelmente... Para sempre. Rui Cinatti – Timor DISCURSO Vejam o tamanho da lua, vejam como ela brilha: chegou a hora! Parem! Oiçam o chamamento do mar, sedento de sal! A nova era dos descobrimentos aproxima-se! Vamos, confiança! Treinemos pilotos, estudemos os mares, coragem! Acordemos a nossa forte casta de marinheiros, construamos, sem demora, novas naus, naus feitas da madeira mais resistente que pode haver: o nosso sangue, a nossa carne, a nossa alma! Pois é de alma que Portugal precisa agora! Que só os espiritos podem conquistar os céus! Oh, meus irmãos, vejam como todo o universo brada já pelo derradeiro regresso dos antigos deuses! Tiago D'Almeida - Lisboa Apaixonado As mãos do meu amor são assim Delicadas como borboletas Esvoaçando primavera sobre os jardins do meu corpo. Edson GFerreira – Divinópolis / BR

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» À MINHA ALDEIA E SUA RIBEIRA Aldeia qu'rida, manancial de frescura, São tantos os encantos da tua ribeira! Em sua corrente contínua, ligeira, Se desvanece minha forte amargura. Ó bela ribeira- afago de ternura! Em ti me diverti- salutar brincadeira. Foste e és fonte de beleza primeira. Como te recordo, na custosa lonjura! Irei visitar-te, matar minha saudade, Ver correr tuas águas em liberdade Enchendo, d'encanto, meu pobre coração. Lá fixarei tuas imagens a preceito, Encantado nas pedras lisas do teu leito! Será, pra mim, a mais terna recordação. JGRBranquinho - "Zé do Monte" Lisboa A MEIA LARANJA Senti meu coração alvoraçado, Bater desordenado no meu peito. Impávido fiquei! Fiquei sem jeito! Que raio o pôs assim em tal estado? Olhei em meu redor, desconfiado. Senti-me desolado, contrafeito! Por não compreender, a causa efeito, Que o pusera a bater descontrolado! Tive depois, a estranha sensação. Que me tinham aberto o coração, E dentro dele, alguém se aboletava! Aos poucos o meu ser se aquietou. Pois percebeu, que o ser, que se alojou… Era a meia laranja que faltava! Ai meu amor... Ai meu amor, porque te foste certo dia e me deixarte tão só, desesperada, no jardim já não há mais alegria e as rosas vão chorando á alvorada. Nossos beijos, suave sinfonia p`los anjos docemente era nimbada, nas asas das libelinhas eu sentia que adoravam ver-me assim, ai, tão amada. Á sombra do loendro eu sentada tua terna cabeça já nevada no meu colo serena adormecia, Agora lembro a loucura já passada que se desfez como pó, ficou em nada e olho o poente com saudosa nostalgia. Natália Parelho Fernandes - Portalegre ONDE MINHA VIDA? Sem um alento que minh'alma invada, Vou as cegas carregando minha cruz; Procuro pela existência sonhada, Em meio a sombria noite sem luz. Meu manto de Vesta...Quem mo despojou? Meus olhos puros... Meu peito sem dor? Meu Cetro de glórias..quem o anulou? Só este mórbido pesar e seu horror! Tenho cantado, tenho erguido a voz, Chorando numa lânguida balada, O triste exílio em que vive o nós. E assim, não sei, debaixo destes ais, Se canto a esperança desejada, Se choro os ais dos pobres mortais. Ângela Maria Crespo – Santos/Br Alfredo Mendes - Lagos Cada um, em operação, Contribui para a construção. Cuidado com a inacção, Porque conduz à estagnação. CMO – Qtª do Conde Já é hora de dormir Canção suave Embalou minha infância Nao espere mamãe mandar Um bom sono protegido por Deus E um alegre despertar. Edson Ferreira – Divinópolis/BR III – Trovas Vi nos teus lindos olhos, O amor que tanto me dás. Eu te retribuo aos molhos, Amor que tão feliz te faz! Conta-me os teus segredos, Farei como os comparsas. Partilharei teus degredos, Mas, jamais as tuas farsas. Andas perdida no Mundo, D’amor em amor, sem jeito, Teu proceder é, imundo, Com viver sempre suspeito! Um homem endinheirado, Tem amigos com fartura. Mesmo que seja chanfrado, Tem sempre muita procura. Fomos os dois à romaria, Foi nosso primeiro arranjo, A festa foi boa, Maria, Ser pra ti o melhor anjo! Saudade, é o passado em nós, Mexe dentro do coração, Que transforma a nossa voz E nos deixa sem acção... Os momentos românticos, Que nos fazem orgulhosos São pr’alma suaves cânticos, Que na vida são preciosos! Não me atires com a rosa, Que te dei com mui carinho. Tens de ser mais carinhosa, Se não, ficas p’lo caminho! Lembro-me da minha terra, de quando eu era menino. Andava, como quem erra, descobrindo meu destino. A família é como o Norte com a sua Estrela Polar que ilumina muito forte quantos a queiram amar! Pomba branca leva a rosa, Meus amigos bem merecem. A vida é maravilhosa, Meus versos não os esquecem! Jorge Vicente - Suíça

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 7 Poema sobre o Projecto da MARINA (Rio Arade em Ferragudo/Lagoa) Ferragudo tem um projecto Que mais parece estar parado Com a crise perdeu o afecto Há dúvidas se será concretizado. Dúvidas sobre a concretização Há mais de dez anos anunciado Mas já houve uma reformulação Deste projecto tão desejado. De uma marina a construção Junto à foz do rio Arade Serviria Ferragudo e Portimão Construído hoje, já era tarde. Apresentada essa estrutura Projecto de interesse nacional Que seria uma riqueza futura Para o turismo em Portugal. Das previsões uma marina Para dezenas de embarcações Imobiliário um hotel coisa fina Espero que não sejam ilusões. Há dúvidas sobre a realização Crise económica e austeridade Alteraram certamente a decisão Do projecto que era realidade. Num local tão maravilhoso Estrategicamente muito importante Ferragudo ficaria orgulhoso Se o projecto se inicia-se doravante. Deodato António Paias - Lagoa Fado Maior É lá, nesse recanto da saudade Que mora o fado antigo, marinheiro Aquele fado de sempre, sem idade Que numa voz maruja foi primeiro Do Gama as caravelas foram palco Dessa canção tristonha, perturbada Que brota das gargantas em socalco Com em soluços d’alma esfarrapada Falo de Portugal, emocionado De lá trouxe o meu fado, alegremente Numa esperança de vida, engalanado E inda o escuto ao longe, sobre o mar Como se os ecos seus fossem presentes No luso coração nele a vibrar Eugénio de Sá - Sintra CONFRADES DA POESIA C ompanheiros na arte de criar O nde quer que brinquem com as letras N uma magia estonteada de dar vida ás palavras F reneticamente, esta família de sonhadores R enascem a cada orvalho das madrugadas inspiradoras A mando o mar, o céu, as profundezas e as estrelas D istribuindo rimas de vida nos poemas que inventam E stes irmãos; vão distribuindo Amor e Paz…declamando S inal de seres pertencentes à humanidade universal D o tempo são intemporais, viajantes imortais A braçando novos, velhos, pobres e ricos P ublicam nos boletins O nde a riqueza é maior E cos dos seus queridos membros S ão assim elo de esperança I nsistindo em manter viva A chama da Amizade na maravilha da escrita Luis da Mota Filipe (Sintra) Um sonho, um amor, um poema Um poema, é como sonho, Fazem parte do nosso viver, Pode ser alegre, ou tristonho, Conforme se queira, escrever, Escrevi um, era só de amor, Por alguém, eu estar a amar, Transformou-se todo em dor, Ela de mim, deixou de gostar, Como fui eu, o seu sonhador, Esse sonho, meu tinha de ser, Dediquei:-lhe, carinho e amor, Mas meu sonho, não quis ter, De novo tentei, voltei a sonhar, Era um sonho, só de felicidade, Já cansado, deixei de inventar, Comigo já só tinha a saudade, Agora se escrevo, é só sofrer, Por meu sonho, não alcançar, Mas poemas, eu vou escrever, Um dia, alguém me vai amar, a.guilhermemartins S,Salvador do Campo - Porto Pobreza Um dia eu fui bem pobre muito mais do que o sabia com o corpo todo em cobre mas a alma em agonia. Hoje me vem aos milhares a moeda que eu preciso; Nos rostos familiares a magia de um sorriso! Fecho os olhos e agradeço não só as bênçãos do Senhor, mas também cada tropeço. Tropeçando em pranto e dor assim hoje eu conheço a riqueza do amor. Ivanildo M. Gonçalves Volta Redonda/BR XXIV Coletânea de Contos e Poesias - 2009 EM BARCA DE DOIS Remar em barca de dois, Como quem demanda porto seguro Onde derrubar os medos, No exorcismo final dos fantasmas. É tudo o que pode pedir Quem já julgará mais não merecer, Na vida que falta viver. Dá-me a tua mão, logo partiremos Para donde não haja regresso. Quim d ‘Abreu - Laranjeiro In “A barca dos sonhos”

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» SONHEI COM CRISTO Num sonho, muito distante, voei Para bem longe, no tempo e no espaço. Com bordão de viagem e cabaça de água Peregrinei por essas terras além. Meus passos me levaram até Jerusalém E pude sentir a frescura Dos palmares de Betfagé, Tocar um fresco fio de água Que jorrava da fonte de Siloé. Segui às torres Hípica, Mariana e Farsala, Ao Pátio dos Gentílicos, Ao Hiéron, a casa de Jeová, E olhei ao redor, na Torre Antónia. Mercavam-se brocados da Babilónia E, no Templo, vi o Messias de varapau, Zangado deveras, a escorraçar os vendilhões E vi mercadorias aos trambolhões. Enquanto um vento triste visitava ruínas Ao redor de El- Kurds, da Jerusalém, Vi a Torre das Fornalhas, a Porta de Efrain E mesmo o túmulo de Raquel, perto de mim. Reconheci Osanias, rico saduceu, Membro de sanedrim, de joias finas e véu, E Cláudia, mulher de Poncius, Que costumava subir, envolta em seu manto, Ao terraço dessa Torre para ouvir, com espanto E encanto, pregar o rebelde, O Rabi Jesuchoa Natzarieh. Próximas, vi Magdala, Joana, e outra Maria, Susana e a mulher do poço de Samaria. Uma praça escaldava ao sol. Ouvi o povo eufórico a exultar Porque o Rabi Jesuchoa, Primo de Iokanan, que antes O batizara, Fora preso em Betânia. Vi atarem-Lhe os pulsos com uma corda E Sareias a acusar que O ouvira dizer Descendente da Casa de David, ser, E que destruiria o Templo e a Lei, Embora deste mundo não fosse Rei. Nesse meu sonho ainda vi Que, por ter ficado em silêncio, pasmado, Também às acusações de Hannan, Foi violentamente esbofeteado. O meu reino não é deste Mundo! “Eu sou a verdade e a vida” – ouvi. Vertia tédio o magistrado Poncius Pilatos, Que fora prefeito de Batávia, Disse não Lhe ter achado culpa E que não passava de um simplório primário Cujo crime singelo era o de ser visionário. Escolhei, clamou, quem quereis que liberte, Jesuchoa ou Barr – Abbas Que matou um romano legionário Nas proximidades de Xistus? Vendilhões e prostitutas gritavam Por clemência a Barrabás. O ansião Rabi Robão solene afirmava: Antes sofra um homem que um povo! Pilatos, o sanedrim, as mãos lavou Porque se dizia Rei e os reis são coroados, A ornar-Lhe a cabeça, por escárnio Uma coroa de espinhos do nabka, Instrumento de doloroso martírio, Lhe colocaram até sangue escorrer, Como agravo para tão grande ultraje, E iniciou o longo e sangrento Calvário. Foi de sangue o suor de Cristo e seu sofrer. + Numa fenda da rocha se ergueu A cruz do nazareno. Ladeiam o “perigoso” Jesus, no momento fatal, Outros condenados ao martírio da cruz: Um ladrão de Betebara, estrada de Siquém E um temível assassino de Emath. Saciaram os judeus um ódio sacerdotal. No erguer da cruz mais se rasgaram Suas inocentes e divinas carnes. Terá sido a suprema dor do meu Senhor. + Cristo recusou o vinho de Tharses, O vinho da misericórdia, Que O poria inconsciente, sem dor. Legionários descansaram, ao sol-poente, Lanças de pontas faiscantes. Pareceu-me ver uma mágoa Misericordiosa no olhar de Cristo. + “Pai, porque me abandonaste? Perdoai-lhes, que não sabem o que fazem!” Um cão abriu a goela e ganiu. Um grito varou o ar, tremeram astros no céu! Choros e lágrimas de Maria morriam no pôr-do-sol Palpitaram estrelas e lua… Soltaram-se gemidos de contrição Que fizeram gelar meu coração! Na cruz arrefecia o maior amigo do homem E o povo divertia-se, ria e aplaudia, Enquanto se apagava a mais pura voz do amor. + O Rei dos judeus e de todos os pobres, Morreu no madeiro dos condenados, Enquanto impávidos, os legionários Jogavam as vestes do Santo aos dados! Na hora do desmaio empalidecido das estrelas José de Ramata reclamou o corpo para o sepultar. Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou. + Uns O escutaram e O seguiram, Outros O perseguiram e assassinaram. O Emanuel pagou com a vida a sua rebeldia E o mundo não mais foi igual a partir desse dia. Ateou-se o fogo nas searas servis, Adormecidas e escravas Dividiram-se pai e mãe, filho e filha, Na liberdade de O aceitar ou rejeitar. E, mais do que nunca, não se entendem Saduceus, soforins, escribas e fariseus. + Perdido no tumulto dos meus pensamentos, Estremunhado e cansado, acordei. No meu sonho, testemunhei A Páscoa da Paixão do meu Senhor. Por nos amar de mais, Jesus Foi morto, como ladrão, na cruz E nós, não O sabemos amar Como Ele nos amou! Na clareira luminosa da minha Fé Sonhei e mais um horizonte se projetou. + João Coelho dos Santos - Lisboa Do livro 70 – SETENTA - 70

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Contos / Poemas» 9 Cosmopoética Entre expressões, sonhos, ideais, o surgimento de reflexões e irreflexões dos contextos que fecundam e pragmatizam a arte de viver. A vida é uma roda motriz que se movimenta graças aos comboios de sentimentos que essencialmente promovem os contextos atmosféricos que nos circundam. Feliz aquele que bravamente desperta rumo ao infinito, encontrando no vasto horizonte possibilidades fundamentais para a sua evolução. O grito da intelectualidade já foi entoado pelos nossos mestres. Na posição de discípulos, proclamemos o ato de cultivar a sabedoria. Encontrando na escrita, nos versos, nos textos e intertextos as múltiplas formas de interpretar as entrelinhas, consagrando as quebras de paradigmas e estruturando as rupturas vitais para o progresso. Despertando-nos para um novo momento da história da humanidade, ampliando a nossa visão para o além das fronteiras existenciais; compreendendo o ato de existir a partir de uma perspectiva cosmológica. Dhiogo J. Caetano - Uruana, Goiás, Brasil. NÃO CHORES, POESIA! Querida minha querida Não chores, poesia, minhas ausências, se na tristeza em lágrimas te deixo… Porque breve é meu aparto e meu desleixo na urgência de abraçar outras carências. São desta vida esparsa as contingências, que me afastam de ti, divinal eixo, levando-me a rolar, inquieto seixo, por areias rendilhadas de envolvências. Mas sempre volto, amada flor, e ajoelho com alma de menina arrependida, a pôr-te aos pés meus versos de amor velho. E tu serás, das flores mais dilectas, a eleita que levada na partida, hei-de plantar no azul astral dos poetas! Querida minha querida Como e bom viver a vida Nos gestos e palavras sinceras Que em nós nasceram… Para ver o céu. E tudo que nasceu e cresceu Em paz e harmonia, Diz-me, porém, a maneira? De sentir e conhecer: Tua face ao amanhecer: Porque eu quero-me aproximar Da estrela que me guia, Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal O pensamento novamente Aquilo que eu sito… As “Rimas” do meu versejar, Sem ter que deixar de amar Quer na alegria, quer no sofrimento, As “Rimas” do meu versejar, São veredas por onde a poesia vagueia, Passeia a esmo, sem rumo, sem parar!... És céu aberto no meu sonhar… Tudo passou e há-de passar! Porque eu te amo a cada momento. Elas apenas vão em busca do som, E da sintonia musical de cada palavra do mote. Luís F. N. Fernandes - Amora As “Rimas” do meu versejar, Vão à procura os seus iguais, Voam em sons de fantazias para se acertar, Com harmonia e sincronia do meu pensar. Porque…Rimar é dar harmonia, UMBERTO MEU NETO Dar ao som as palavras que um dia, As escrevemos com amor e nostalgia, De um certo momento fugaz, O de satisfazer o ego e a Alma Deste poeta primaz, --- que vive dentro de nós. Mas há muito ficou pra trás! - Rimar é formatar É fazer frases soltas ao vento, Mas de forma bela e suave! Harmoniosa sintonia em pensamento!... E, sobremaneira, com um eco de fora para dentro. Neste meu epicentro. Por isso vamos rimar! É muito esperto. Nasceu Um Guerreiro. Herói Verdadeiro. DNA Supremo. Carinhoso, Bondoso, Inteligente. Pequenininho e já sabe alegrar toda a gente. Não foram suas primeiras palavras, Mamãe, papai ou vovó. Como o natural. Foram: - A E I O U – as quais não apenas fala. Mas, já as lê em qualquer ordem. Divinal. Umberto meu neto, entendi seu recado... E antes que alguém fique nervoso ou chateado. Não vou gritar ao mundo. Mas, digo num sussurro só. “Ele já nasceu amando as letras... Como a vovó”. Vamos ver o mar e navegar, Sentir o odor do infinito da onda rolar Onde o princípio do fim, é nunca parar... De te amar!...De te amar!... E de te adorar! Maria Inês Simões - Bauru/SP/BR Silvino Potêncio – Natal /BR

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Contos / Poemas» SOLIDÃO Nada é por acaso Sentado, olhando todo o alcance da visão os pensamentos escorrem lentamente como areia entre os dedos... Uma nostalgia misturada a braços caídos... Uma sensação de não estar realizado, como que uma agonia inquieta que sobe do estômago... Nossa simples existência nada conta... Algo nos perturba, algo indefinido e indefinível... Saltar para outro lugar? Outro país? Onde estarei com meu espírito calmo e repleto? Solidão se junta a insatisfação... A cara que nos é habitual nos enfarta, os pormenores menos agradáveis se juntam como gotas de água pingando em taça... Começa a noite cada vez mais completa no pc, depois, o pretexto para fazer a mala e partir... Para onde? Para onde o sorriso impere, para onde recomece tudo de novo... Uma mulher, uma casa, um outro meio... Solidão é um verme que perfura, se contorce, se averruma... Espírito de conquista? De cruzado? De navegante? De "bolinar" contra ventos e marés? A busca da tempestade do "bojador" para ter o orgulho de sair "são e salvo"?... Nunca se sai! Umas aparas no mínimo lá ficaram, e vão alimentar esse ogre voraz a que chamamos de solidão. Solidão, a dos "malditos"! A dos sempre sem eira nem beira, permanentes ciganos de terras e gentes, dos que fogem para nascerem e se desenvolverem como hera no muro, buscando o sol no ser novamente reconhecido pelo seu valor pessoal... Há sempre um mais além, como cachorro insatisfeito no passeio das redondezas de sua casa... Um próximo minuto a ser gozado, minuto esse de relógio de ponteiros encravados... O tempo pára! olho para o lado: ninguém! Terei força para me levantar e avançar? Travarei minhas idas e vindas lentas e sem sentido ou finalidade? Tudo que havia a observar está visto... O mundo me pertenceu, nada mais há lá longe! o mundo é uniforme e vazio, cinzento, opressivamente húmido como numa sauna sem luz... Nada é por acaso Um toque, Um olhar, Um suspiro, Um carinho, Uma lágrima, Uma canção, Um poema. Nada é por acaso O friozinho na barriga, Um temor nas mãos, Um beijo roubado, Um coração disparado, O pensamento voando. Nada é por acaso O amor começando Mesmo que a dúvida apareça Que o medo chegue Que a boca se cale Nada é por acaso Fica a lembrança O olhar molhado Do amor já vivido. A saudade Do beijo molhado Do abraço apertado Da vontade louca de estar junto. Carla Carvalho – Oliv. Azeméis MINHA DOCE NITA Afago carinhosamente o teu pêlo Olhas-me com surpresa e afeição Quedo-me no teu dorso com enlevo Elevas-te com prazer e satisfação És a última resistente Até quando eu não sei Faço com que cada dia Seja uma explosão de alegria À escala do teu mundo Henrique Lacerda Ramalho - Coronel de Infantaria (Ref) Lisboa, Portugal Rosa Maria Bonito Branco Cruz de Pau/Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 11 UMA LÁGRIMA DE SAUDADE Uma lágrima rolou no rosto, Uma saudade que despertou. Folha caída com o desgosto, Na colina, depois do sol-posto, Só a fria solidão ficou. Entrar nas profundezas do só, Aqui, onde mora a desilusão. Jamais se desatará este nó, Caminhando em direcção do pó, Qual autómato em contramão. Vai obediente e sem bagagem, Parece estar tranquilo e feliz. Sente-se um perfume na aragem, Herói em seus feitos de coragem, Aurora Boreal, Flor de Liz. Ao longe brilha uma estrela, No silêncio da noite profunda. Procuro essa esperança, quero vê-la, Invade-me a solidão e vou tê-la, Fico na tristeza que me inunda. Caiu o Arco-Íris da alegria, Do compromisso firmado outrora. Dobram os sinos, chegou a hora, Vai com Deus, minha alma implora, Comigo fica nostalgia. Caminho a teu lado, até à meta, Última caminhada contigo. Apenas tocar-te eu consigo, Já não escutas o que eu te digo, Trespassado eu fui por uma seta. Caiu sobre mim um pano triste, Luto em que a minha alma ficou. Agora tudo em mim findou, Desde que o meu barco naufragou, Já nada mais para mim existe. Telmo Montenegro - Arrentela Coerência. Filo defesa da Palavra Pela consciência luzente Numa vida rural se lavra Raiz! De carácter coerente Pinhal Dias – Amora PT EI-LO, UM POEMA Haverá ainda alguém Que leia meus poemas? E que os perceba - muito além Dos versos e fonemas? Meus olhos, equidistantes Iludem, este dilema! Se longe está, o desdém: É a verdade ou o lema? A cada canto o reverso é o verbo, que é a vida… Assim, o nome do verso Que de si já se anima. Nada! Nada, é só um supor Que as coisas existem Por existir: e conceber A amizade, que resiste. Partindo daqui e de acolá Tudo se transforma em nós. E tudo se mantém diviso. Uma bandeira por hastear. Jorge Humberto P. Stº Adrião SÍMBOLO DA PÁTRIA Que potestade emanada P’la nossa heróica bandeira Quando ao vento desfraldada Representa a Pátria inteira. Vermelha e verde na cor Ao centro a esfera armilar O escudo com primor Cinco quinas a adornar. Verde esperança encerra O vermelho é a acepção Do sangue dos que na guerra Lutaram pela Nação. Esfera designa o globo Das descobertas, vitória Dando ao mundo um mundo novo Qual padrão da nossa glória. Os castelos são tesouros De grande simbologia Das batalhas com os mouros A atestar soberania. Sobressaem genuínas Na Bandeira Nacional O símbolo das cinco quinas As armas de Portugal !... Euclides Cavaco - Canadá MENSALÃO & PETROLÃO Nos recessos de Brasília age autêntica família de escroques e de ladrões! Não há um só que domina sua patogênica sina de praticar infrações! Nem todos têm tais mazelas, mas se concordam com elas bem pouca decência têm! Se com tal não se comprazem, se vêem tudo e nada fazem, são sem vergonhas também! Já se tornou correlato que a operação Lava Jato levou muitos à prisão... E muitos, por seus excessos, respondem a dois processos: Mensalão e Petrolão! Humberto Neto – SP/BR Partiu hoje 5/6/17 - R.I.P. MEU CÂNTICO DE AMOR Fosse eu um rouxinol te cantaria, embevecida, em meus trinados belos, a mais alegre e excelsa melodia que houvera, a festejar os nossos elos. Porém, me falta a voz, pla idolatria à resposta encontrada aos meus apelos, que mágica ou divina se diria, plos dons que nem ousava concebê-los. E é tanta a festa a estrelejar no peito que abafa qualquer hino de emoção, sufocados a voz e o coração. E o meu canto de amor assim calado, explode no teu corpo ao ser beijado plas notas que componho em nosso leito! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Minha Brisa Quem no calor, mesmo da noite não sentiu a doce aragem de uma brisa? Quem, olhando à sua volta, mesmo estando cheio de mundo, não sentiu a suavidade da sua ternura? Nos meus desamores, ventos cortantes, fustigantes, me doeram... Até que no momento propício, por fado ou por destino, me chegou a brisa terna e encantadora das tuas palavras, a brisa quente do teu sorriso. Ah, brisa, brisa, como alguma vez ia pensar que chegarias? Teus lábios sopram letras que minha sede matam, teus olhos muito deixam para eu ler... Tu, minha brisa, és aquele ar fresco e gostoso que me enche o peito, que me dá outro calor... Sem ti, eu estiolava na secura e deserto do dia-a-dia! Brisa que me comove de felicidade, que faz meu coração bater mais rápido, brisa que nada mais é que um nome... E esse nome és TU! Elegância A elegância vem do berço e da alma. Não é questão de roupas maravilhosas, de um andar soberbo, de status, ou de riqueza! É a arte de manter o equilíbrio entre o agir e o falar, com simplicidade, discrição e espontaneidade. É o reflexo na aparência, da beleza do interior! Elegância é sinônimo de educação. É ter delicadeza ao falar, sem monopolizar, e mostrar atenção ao interlocutor, sem interromper. Elegância é o charme de carregar com fina classe as suas imperfeições! Ser elegante, elegante mesmo, não é querer aparecer e chamar a atenção, mas simplesmente, ser como uma moeda , que mostra a cara e também o seu real valor! Maria do Carmo Costa - SJDR - MG Henrique Lacerda Ramalho - Lisboa Mácula (“Toda a palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada.”) Samuel Beckett Vapores de dor fumigam-lhe a alma, Condenada a nutrir-se do ego, Maculada pla consciência da própria finitude. Humilhado a uma temporalidade desagregadora, Resta-lhe a fome da intensidade Posta no verso ávido de vida. Mas a palavra esconde-se do dono Como a peça de roupa que já não lhe serve E se nega a envergar-lhe o corpo. É uma dor irremovível Que se expande, espasmódica, E o varre por dentro, e o corrói. E o olhar pára-lhe, vítreo, Posto num horizonte vazio, inexistente, E as mãos pendem-lhe, esquecidas De desenhar palavras e versos Vagando agora na quietude dos grandes silêncios. HISTÓRIA BREVE DA NOSSA AMORA (Com amizade a todos amorenses Que não conhecem a sua velha AMORA) Conterrâneos: AMORA é hoje cidade com velha fidalguia, Que no séc’lo passado era até de veraneio, Prá aristocracia alfacinha pra seu recreio, Cavalgavam por estas quintas com primazia! A pesca, douradas, robalos era na gastronomia, Grade atracão e, os bons ares tinha galanteio, Coches! Tipoiass, Landós eram o rápido meio, Pra chegar por entre os canaviais à baia! Amora era falada—Dizem—pelo bom vinho, Na Quinta dos Lobatos, ali perto do Talaminho, Onde se pode ver ainda o palácio CHEIRA VEN- TOS… Propriedade do nobre Pedro Eannes Lobato, Oferta de Nuno Alvares Pereira por contrato… Eis a história da velha Amora sem inventos! Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar) AMORA ===Belverde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 13 LÁBIOS QUE SÃO PÉTALAS BELA, BELA, BELA LÍNGUA PORTUGUESA A boca sabe-me a rosas Rosas vermelhas de sangue A sua textura é acetinada São pétalas os lábios carnudos Que em contacto com os meus Me criam ânsia desalmada. Há uma sedução que exalta A forma de estarmos no momento Em que cresce desordenada paixão E se expande em nós desassossego De um instante em desordem Que cresce e excita o coração. Recolho em ti o mosto inebriante Que escorre dos teus lábios E faz crescer tão grata formosura Acolho-me no teu peito arfante Indo os dois pelo desejo adiante Enquanto cada beijo ardente dura. Mário Matta e Silva - Benfica Oh, Língua portuguesa como és bela, Ainda que te critiquem a dureza, Da fala, da gramática…de capela, Mas catedral dos vates És de certeza. Mergulhas num verso de Cesário, Enches o peito de ar com a quadra de Junqueiro, Respiras cá em cima com Fialho O escritor que te disparou mais certeiro. Vais jantar com Eça à Capital, Garrett, contigo ainda, anda em viagem Olha já lá está Antero de Quental, Poeta sonhador e de coragem. Língua portuguesa que nos dás Tanto prazer na tua leitura, Aos que te escreveram não deste paz, Até que ficassem da tua altura. Espalhaste-te porque D-us assim quis, E rejuvenesceste com Mia Couto, Muito antes Machado de Assis, Deitou-te no cruzeiro pouco a pouco, AS CRIANÇAS Se nós conseguisse-mos entrar No lindo pensar das crianças Ia-mos ter mais esperanças E tentava-mos copiar Todo o seu modo de amar Com toda a sua inocência Com pureza na consciência Tudo nos iam ensinar Sem invejas nem maldade Nem ambição de poder Ficava-mos bem, a viver Uma vida sã e pura Não havia criatura Com intenção de mal fazer Ajudar era um prazer O prazer de sermos úteis Banir as coisas inúteis Era dever de nós todos Mas assim, somos uns bobos Cheios de inveja e de mal querer E não chegamos a ver Nem chegamos a ter esperança De um dia proceder Com amor duma criança Mário Pão-Mole - Sesimbra E quase com gula saboreaste a prosa Do maior escritor da tua lavra, Padre António Vieira, onde pousa, A coroa de louros da Nossa palavra. Ah, mas agora ressoa, A trombeta avisando que chegou, Teu filho amado, Fernando Pessoa, Que quase, sem querer, Camões tapou. Mas este, há muito que é intocável, Tal é a majestade do seu canto, Que por via de ti é venerável, Depois de ter passado tempo tanto. Aguentaste as temperaturas africanas, Com bué de surpresa pelo salto, Dançaste com missangas e capulanas E Alda Lara elevou-te ainda mais alto. Os grandes andrades separados Pelas águas por onde navegaste, Por ti unidos e glorificados, Drummond e Eugénio, quanto baste. Há muitos mais, muitos, muitos, mesmo, Que vale muito a pena citar, Valem tanto ou mais que, os a esmo, Me lembrei agora de recordar. António Nobre, Sofia Ari e Pepetela Nunca aqui podiam com Vinícius, faltar, Craveirinha, Agualusa, Florbela, Bocage, Gedeão e …Stau, felizmente há luar. E agora antes do fecho Da minha loja de Língua Portuguesa, O maior, o meu mestre, António Aleixo, Aquele que me deixou mais riqueza. José Jacinto "N'Django" - Casal do Marco

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Persuasão Voei nas asas do vento, Tentando persuadir-me. Dei asas ao pensamento. Era chegado o momento Para tentar redimir-me. Cada momento mudei: Dum sonho fiz um desejo. Ao procurar não achei. Foi sem querer que encontrei Tudo o que de bom almejo. Nesta tão curta viagem Que de mim fez viandante, Bebo nos sons da aragem O elixir da coragem Prà minha alma errante. Ao ver aquilo que sou, Quero ser outro, não eu. Sem saber pra onde vou, O tempo pra mim parou Com tudo o que Deus me deu. São lembranças sonolentas Do tempo por mim passado, Que passam por mim sedentas De caricias ternurentas Qual sonho imaginado. Arménio L. F. Correia Seixal ATENTES AMOR Atentes amor, a minha penosa cruz, Não sentes a morte que me conduz? Não vês que as falenas já se foram? E os sonhos de cetim até rasgaram? Atentes amor, as ilusões ceifadas, As doces fantasias arrebatadas, A um coração aflito, sufocado, Ao gemido brutalmente calado. Atentes amor, sintas o triste final, O escoar do derradeiro fanal, Da vida o pobre e último lamento. Amor... para ti meu eterno pranto, Minha vida em místico encanto, Minha alma em imutável tormento. Ângela Maria Crespo – Santos/Br Crime de amor Nós éramos o casal se beijando na esquina do supermercado O jornal falou que beijo tamanho preencheu a rua e toda a gente reparou que o beijo se prolongou até haver um acidente E agora dois delinquentes escondidos em grutas quentes ouvindo o mar num meigo balouçar quando as suas ondas a rocha vêm tocar Alimentamo-nos de maresias matinais brilhantes como cristais de giestas em flor de beijos e de amor Aqui vamos viver sem ninguém saber sem ser a noite estrelada pela lua iluminada e o mar sempre a murmurar Ficaremos escondidos até alguém notar que nus nos banhamos nas noites de luar e que em esteiras de luz as estrelas cadentes connosco vêm brincar Rogério Pires – Seixal Vida A vida é uma linda poesia! Você acha que é o poeta? O poeta não assina... Não faz questão de aparecer... Ele não nasceu e nem vai morrer... Está imortalizado sem princípio e sem fim. Não somos autores, somos pequeninos poemas não finalizados, em algumas das infinitas páginas, do magnífico poema Universal!!! Ivanildo Gonçalves Volta Redonda /BR Jesus Cristo era pobre, Humildemente trajava. Não tinha o Dom de nobre, Nem num trono se sentava. Dá-se a Deus atenção pouca, Não bastam rezas e loas. Anda o Senhor mais na boca Que na alma das pessoas. Rico cristão? Essa não… Não creio, nisso me fico. Se rico fosse cristão, Nunca ele seria rico! Tradições? Sejamos francos, Há as que dão amargor. E a dos touros de Barrancos É de todas a pior! Rezando, mostrando fé, Lá está o toureador. Mas o touro também é Filho de Nosso Senhor. Apesar da benzedura, O toureiro foi colhido. Certamente, nessa altura. Deus estava distraído. Desiguais só na aparência Os dedos da nossa mão. De entreajuda e convivência Dão-nos tão bela lição. Nosso enlace, hoje te digo, Foi uma desfaçatez. Mas, se concordas comigo, Vamos casar outra vez! O meu peito é um jardim Cheio de flores viçosas. Não há no mundo outro assim, Com tantos cravos e rosas. Teus olhos belos, brejeiros, De tão bonitos que são, Devem ser bem altaneiros, E não tombados no chão. Mesmo de grande mestria, Poeta nenhum alcança Tanta graça e poesia Como o rir duma criança. A maligna falsidade, Ao ser muito repetida, É, com a pura verdade, Muitas vezes, confundida. Hermilo Grave - Paivas Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 85 - Junho / Julho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 15 A Culpa da Crise é uma Bola MOTE A culpa da crise é uma Bola atirada daqui pra lá eu queria ver meu Portugal sair da crise em que está 1 Quando olho quem nos governa agarrado ao seu tacho amigos o que é que eu acho que nos estão a passar a perna a crise que nos inferna ninguém quer ser culpado já há fome em muito lado sem pão o povo quer esmola não posso ficar calado a culpa da crise é uma Bola 2 A culpa é sempre atirada á esquerda e á direita mas ali ninguém se sujeita a assumir a sua jogada a crise é que é a culpada da má organização ouço gente a pedir pão porque em casa não há vejo a culpa da situação atirada daqui para lá 3 Ninguém ata nem desata só pensam na austeridade mas uma coisa é verdade esta crise tudo mata o emprego se desbarata de rastos está a economia é triste este dia a dia com tanta mentira afinal num futuro com alegria eu queria ver meu Portugal 4 Vejo um negro futuro se a politica não mudar pôr o país a avançar para sair deste escuro precisamos de ar puro toda a gente assim o diz ouve-se aqui e acolá eu seria muito feliz se visse o meu querido país sair da crise em que está. Chico Bento (Serafim Ferreira) ( outro dos meus pseudónios ) Dällikon-Zurique-Suíça CONSOLAÇÃO Mês de Agosto, cá estás de novo A encher minha vida de carências Queria um G.P.S. para demandar afectos Alguém com sentimento mo proporcionou. Rumámos ao cerne da ternura; CONSOLAÇÃO Estava quente o coração de Portugal E é mentira o que dizem dos ”Amigos de Peniche” O mar bem azul afaga o ego das pessoas CONSOLAÇÃO: Tens a magia de uma praia para enfermos Não barrei meu corpo de argila Mas enchi minha alma de espiritualidade CONSOLAÇÃO Comendo caldeirada no restaurante à beira mar, que era a surpresa, Onde o safio Pedia meças ao safio do nosso mar do sul CONSOLAÇÃO Confortaste minha alma das mazelas e do vazio. (O velhote – contaram - curou-se e deixou as muletas na praia do reumático) CONSOLAÇÃO Eu deixei resquícios de tédio em que agonizava CONSOLAÇÃO: Consolaste-me, consoladamente. Não há amigos de Peniche. Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau - Amora/PT De fé perdida Cheiros de ti ficaram na almofada Que junto à minha, alva, permanece E enquanto me tarda a alvorada No frio da noite só ela me aquece As saudades são tantas e a dor Da tua ausência nos nossos lençóis Trazem memórias vivas do amor que tal como a minh’alma tu destróis Surgem alvores do dia e dou comigo Remoendo as razões deste abandono Mas mais do que abismar-me não consigo Porque te dei de mim todo o meu sono Se o que investi em ti estava perdido Até a fé, que agora não tem dono! Eugénio de Sá - Sintra A NAU QUE NAVEGUEI Da minha nau restam quilhas na lama E uns quantos madeiros arqueados Das côncavas cavernas dos costados Nada que lembre o que lhe deu a fama. Com ela naveguei tendo a bombordo Toda a costa africana ocidental Depois de haver deixado Portugal Meu adorável reino, que recordo. Fui penejando versos na amurada No coração; a saudade da amada No horizonte; o olhar deslumbrado. Todas as tardes, no castelo da popa Sempre pousava uma branca gaivota Na espera de escutar de novo um fado. Eugénio de Sá – Sintra

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