Terra e Cia 220

 

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Terra e Cia 220

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A nova tecnologia para melhorar o desempenho de colhedoras agrícolas Ribeirão Preto SP • Junho 2017 • Ano 18 • nº 220 1

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EXPEDIENTE A VOZ DO AGRONEGÓCIO DIRETOR Plínio César (16) 98242 1177 plinio@canamix.com.br DIRETOR DE MARKETING Marcelo Dias (16) 99111 0291 marcelo@canamix.com.br EDITOR CHEFE Igor Savenhago MTB 40.618/SP (16) 99177-1961 igor@canamix.com.br REDAÇÃO Marcela Falsarella MTB 71.067/SP (16) 99454 5840 redacao@canamix.com.br Parceria de Sucesso CONSULTORIA Luiz Zanon (16) 3620 0555 CONTATO COMERCIAL E PUBLICIDADE Plínio César e Marcelo Dias CIRCULAÇÃO E ASSINATURAS plinio@canamix.com.br redacao@canamix.com.br EVENTOS redacao@canamix.com.br PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Creativo Publicidade (16) 99203 6450 creativopublicidade@email.com OUTRAS PUBLICAÇÕES: Guia de Compras SA PARCEIROS DE MÍDIA 433 AG - larissa@433.ag (41) 3016 0433 ARTÉRIA - mídia@arteria.ag (11) 5185 4587 CALIA - bruna@calia.com.br (11) 2122 8600 DOMÍNIO - marcus.lula@dpbr.com.br (31) 3360 0000 E21 - taila.loureiro@e21.com.br (51) 3092 7400 FILADÉLFIA - pedro@filadelfiacom.com.br (31) 3516 0159 GUERREIRO - glaucia@guerreiro.agr.br (44) 3026 4457 LABCOM - labcom.rp@labcomtotal.com.br (16) 3512 9735 MCGARRY BOWEN - juliana.berro@mcgarrybowen.com.br (11) 2173 0354 OXI henrique.miura@oxicomunicacao.com.br (19) 3305 9040 PUBLICIS cristina.maria@salleschemistri.com.br (11) 4560 9000 TUGARE simone.rosa@tugare.com.br (11) 3594 3124 Envie seus comentários sobre esta edição para redacao@canamix.com.br. Para assinar, esclarescer dúvidas sobre sua assinatura ou adquirir números atrasados ( SAC 16 3620 0555 e 3234 6210) 2º a 6º feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h. Artigos assinados e mensagens publicitárias refletem ponto de vista dos autores e não expressam a opnião da revista. É permitida a reprodução total ou parcial dos textos, desde que citada a fonte. Grupo AgroBrasil R. Genoveva Onofre Barban, 495 - 14056-340 Planalto Verde - Ribeirão Preto - SP 16 3620 0555 / 3234 6210 www.canamix.com.br 4

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• Toneladas de Cana por HeCTare • açúCar ToTal reCuperável A Sulphurtec Fertilizantes, empresa líder no segmento agrícola, possui uma linha de produtos específica para o cultivo da Cana-de-açúcar. Nosso programa nutricional abrange desde o tratamento das mudas até a colheita. Os produtos são potencializados quando aplicados em conjunto e sua utilização garante o aumento da produtividade, estimula enraizamento, proporciona maior ATR e impulsiona o crescimento vegetativo. (16) 2132.2000 www.sulphurtec.com.br 5

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EDITORIAL Sobrevivendo às turbulências Plínio César Diretor do Grupo Agrobrasil 6 Quase ao mesmo tempo, tivemos duas notícias, uma que impacta mais o agronegócio e outra, o País como um todo. A primeira é boa. A segunda, péssima. O otimismo veio com o faturamento da Agrishow, realizada de 1º a 5 de maio em Ribeirão Preto-SP. Após dois anos de resultados bastante ruins, os negócios agora em 2017 tiveram um leve salto e fecharam o evento em R$ 2,2 bilhões, contra R$ 1,9 bi e R$ 1,95 bi em 2015 e 2016, respectivamente. Um dos principais objetivos para este ano era passar, novamente, a marca dos R$ 2 bilhões, o que foi alcançado, sinalizando novos ventos para o setor. Claro que aquela que é considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina e uma das três maiores do mundo tem muito a melhorar, principalmente no que diz respeito a garantir o conforto da imprensa, dos expositores e dos mais de 150 mil visitantes que, todos os anos, percorrem seus corredores. Pelo Brasil, há eventos que ainda oferecem maior comodidade, desde a recepção, passando pelo acesso aos produtos e serviços, até o fechamento dos negócios. A julgar pela pujança da Agrishow, que, em 2018, completa 25 anos, pelo aumento do interesse por ela a cada ano, tanto aqui dentro como no exterior, e pela evolução experimentada sobretudo na última década, há boas perspectivas para novos incrementos na estrutura. Na contrapartida desse princípio de retomada, a situação política no Brasil vai de mal a pior. Novas denúncias, dessa vez envolvendo o Presidente Michel Temer, trazem outra série de incertezas sob como fica o comando do Planalto e, consequentemente, para a nossa economia. Crises éticas como essas têm efeito devastador, reduzindo o ímpeto dos empresários e freando investimentos. Mais uma vez, os setores produtivos nacionais são castigados pelos desmandos de quem compromete os bens públicos com seus próprios interesses. Euclides da Cunha escreveu, em Os Sertões, uma frase que ficou no nosso imaginário popular como sinônimo de resistência: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. A afirmação, feita em 1902, ano do lançamento da obra, continua sendo uma expressão da obstinação do povo brasileiro, mesmo após 115 anos. A gente que trabalha duro, que sofre para pagar impostos, que não mede esforços para garantir seu pão de cada dia, não tem merecido a classe política que a representa. A realidade que estamos vivenciando demonstra que a hora de passar o Brasil a limpo chegou mais uma vez. Não dá para perder mais uma oportunidade e continuar lamentando nossa falta de ação. Se a agropecuária é a fiel da balança, tendo sobrevivido às mais diversas turbulências, que tal começarmos por ela? Boa leitura!

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SUMÁRIO 08 CAPA ENTREVISTA: MÔNIKA BERGAMASCHI 18 INSTITUCIONAL TERRA&CIA NA TV 54 PISCICULTURA O MERCADO ESTÁ PARA PEIXE 27 INFORME PUBLICITÁRIO Sicoob 28 AGROBRASILIA Uma década em grande estilo 34 GIRO PELO AGRO Boas safras e otimismos na economia marcam o mês de maio 58 AGROENERGIA Embrapa em Ribeirão? 60 TECNOLOGIA Agricultura digital 62 TECNOLOGIA Inovar é preciso 66 SUSTENTABILIDADE Plástico de resíduos 69 INFORME PUBLICITÁRIO Guto Figueiredo representa Ribeirão Pretono motociclismo 20 AGRISHOW PARA O ALTO E AVANTE 70 AGRONEGÓCIO E SAÚDE Contra queimaduras 76 EVENTOS ExpoZebu: Para comemorar 78 GIRO DA TERRA As principais notícias do Portal CanaMix 82 MARKETING Gestão com novo design Marcelo Dias CADERNO CANAMIX 40 PRAGAS Controle eficaz 44 INFORME PUBLICITÁRIO VIII Simpósio Tecnologia de Produção de Cana-de-Açúcar 46 OPINIÃO Arnaldo Jardim 50 INFORME PUBLICITÁRIO Nacional Inn 48 EVENTOS ISO DATAGRO NOVA YORK 7

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E NETNRTERVEI VS ITSAT A Fotos: Divulgação “Estamos preocupados com a pulga do elefante, e o elefante tá passando pela porta” A presidente do Conselho Diretor da Abag Ribeirão, Mônika Bergamaschi, acredita que uma nova revolução agrícola está prestes a acontecer. Desde que o Brasil deixe de discutir temas antigos e saiba trabalhar bem a gestão. 8

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E N T R E V I S TA Igor Savenhago Completando, neste ano de 2017, 25 anos de uma carreira totalmente dedicada ao agronegócio – somado o período da faculdade, são 30 –, Mônika Bergamaschi é bastante requisitada. Lideranças do agronegócio nacional e internacional querem ouvir o que ela tem a dizer. E fazem questão de tê-la como convidada em eventos que discutem os rumos da produção de alimentos e energia no País. A nossa entrevista é duran- te um desses eventos, um encontro sobre cana-de-açúcar no hotel em Ribeirão Preto. Generosa, ela acha uma brecha nos compromissos para atender a reportagem da Terra&Cia com exclusividade, num confortável sofá, onde, durante quase uma hora, projeta rumos para o agronegócio nacional e avalia o momento do setor. Para ela, o Brasil não pode desperdiçar a chance de investir na formação de pessoas e em novas tecnologias como estratégias de gestão. Com a propriedade de quem está à frente da Abag Ribeirão desde 2001, foi a única mulher a ocupar a cadeira de secretária da Agricultura do Estado de São Paulo, de meados de 2011 ao final de 2014, e também preside o Instituto Brasileiro para Inovação e Sustentabilidade no Agronegócio (IBISA), Mônika também falou um pouco sobre construção de imagem, reformas e sua relação com a política. Quais são suas expectativas para o agronegó- estabilizar. A boa notícia é que o horizonte parece muito cio neste ano de 2017? mais claro que os últimos anos que a gente vivenciou. Mônika Bergamaschi: Sobre a safra de grãos, Em outros produtos, como proteína, estamos vivendo maravilhosa, não precisa nem falar. É muito fácil ser também um momento muito ruim de preços, em vis- engenheiro de obra pronta. Uma safra muito boa, mas ta do que tínhamos até um pouquinho tempo atrás. A que, por outro lado, evidentemente, vai acarretar pro- Carne Fraca, que já foi explorada em reportagem de blemas, tanto de armazenamento quanto de escoamen- capa da Terra&Cia, também trouxe algum impacto. “to. A gente não tinha tido isso em grau tão elevado como agora. Apesar das expectativas das safras anteriores terem sido boas, elas vinham frustrando em alguma medida. E agora não. Essa mudança nos rumos econômicos do Evidentemente que isso é recuperável, mas, sempre que você tem um problema de imagem, isso acaba atrapalhando a rentabilidade do setor. Por isso, é importante sem- Acho que a segunda safra de milho Brasil, com a volta da pre ter em mente, trabalhar com pode sofrer alguns problemas de armazenamento e, com isso, depreciar ainda mais o preço em relação ao que economia nos trilhos, os juros baixando, traz a necessidade de manter a nossa imagem o mais intocada possível ou até melhorando cada vez mais, a gente tem hoje. Em cana-de-açúcar, de novo uma sensação uma vez que a gente tem hoje um o que a gente vê é que parece que as de confiança, que consumidor cada vez mais exigen- coisas deram uma retomada, a partir do ano passado. Porém, o tempo que atrairá certamente te, cada vez mais educado e cada vez mais interessado em saber a vamos levar para recuperar todos es- mais investimentos no origem dos produtos que consome. ses anos de perda de produtividade, de canaviais desestabilizados e uma próprio setor. De uma maneira geral, diria que outros aspectos não relacionados série de outras coisas, em virtude de diretamente ao agronegócio, mas ”políticas econômicas desastrosas, de problemas am- que nos influenciam bastante, trazem pra mim uma ex- bientais, de crise de oferta, será bastante longo. Temos pectativa bastante positiva. Essa mudança nos rumos um setor que é maravilhoso, espetacular, tecnificado, econômicos do Brasil, com a volta da economia nos tri- mas que vem patinando do ponto de vista da produti- lhos, os juros baixando, traz de novo uma sensação de vidade, por razões muitas vezes alheias a sua própria confiança, que atrairá certamente mais investimentos vontade. Então, todo o potencial futuro ainda demora a no próprio setor. E precisamos fazer as reformas, que 9

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E N T R E V I S TA Com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, na Agrishow deste ano estão aí na agulha, como a trabalhista, que é um dos maiores problemas que existem do ponto de vista do empresariado, daquele que produz, daquele que gera empregos. E outras que estão no conjunto. Enfim, para o Brasil e também para o agronegócio, o que vejo para este ano é o início de uma grande retomada para os próximos anos. Terra&Cia: Você tocou em três pontos nevrálgicos: armazenamento, escoamento e imagem. Já faz tempo que a gente vem falando sobre isso. Quando o Brasil vai resolver essas questões? Mônika: No pé em que nós estamos, aparentemente nunca. Principalmente quando temos, por exemplo, um problema muito sério, como a Previdência defasada. Aí, alguém poderá dizer: “Mas o que tem a ver a Previdência com a minha estrada?” Tem tudo a ver. Quando a gente fala na Previdência, não ficou ninguém sem receber sua aposentadoria. Então, o rombo dela tá sendo pago com outro dinheiro. Que outro dinheiro, já que não existe uma fabriqueta de cédulas na mão do governo? O outro dinheiro é justamente o que não foi investido em estradas, em portos, em aeroportos, em armazéns. Por isso que uma visão holística é fundamental. As pessoas pensam que, porque ninguém deixou de receber a aposentadoria, não tem déficit na Previdência. Tem. É um cofre único e, infelizmente, não tem dinheiro pra tudo. Pensar nas reformas é, então, muito importante. Achei que tivesse tocado até em mais pontos nevrálgicos, porque a questão trabalhista é nevrálgica, a questão de sustentabilidade é nevrálgica, uma série de outros pontos. Agora, quando a gente trata dessas questões relacionadas a Custo Brasil há tanto tempo e não chega num denominador comum, é que chama muito a atenção. Mais até do que isso, a gente tem gasto um tempo enorme e energia discutindo questões muitas vezes de fundamento ideológico que, seguramente, não vamos vencer. Estamos deixando de pensar em outras coisas que já nos afetam de maneira significativa e substancial. Um exemplo disso é o próprio futuro da tecnologia digital, do 4G, quer dizer, estamos preocupados com a pulga do elefante, e o elefante tá passando pela porta. Terra&Cia: Fala-se muito da entrada da agricultura na era tecnológica, mas, para os agriculto- 10

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E N T R E V I S TA res mesmo, essa tecnologia tem chegado de forma pronta para acontecer, e a gente às vezes perde tanto devagar. O agricultor ainda não domina a tecnologia tempo discutindo temas antigos e não se abre pra esse como deveria. Você concorda com isso? Como en- mundo novo. É por isso que repito: estamos preocupa- xerga essa questão? dos com a pulga do elefante e o elefante tá passando Mônika: Temos muita tecnologia disponível, de- a nossa porta. senvolvida e em constante evolução. A questão da adoção dessa tecnologia é que é uma coisa muito dife- Terra&Cia: Ou seja, o caminho é investir em rente. Uma coisa é a tecnologia existir e estar na prate- pessoas? leira, outra é o agricultor chegar lá e adotar. Pra gente Mônika: Sempre isso. Em pessoas e entidades conseguir fazer chegar a ele, depende de uma série associativas. Os pequenos não conseguirão sobreviver de fatores. Primeiro que não temos uma agricultura só caso se considerem ilhas, tentem fazer tudo sozinhos. no Brasil. Esses diversos níveis, a de pequeno porte, a Não há como. Há uma complexidade enorme do pon- grande, a de médio, a da cooperativa, o que não está to de vista tributário, legal, fiscal, em que ele precisa em cooperativa... Isso implica num acesso diferente. trabalhar com grupos que possam orientá-lo melhor. E Não existe um modelo de extensão rural que permita do ponto de vista tecnológico e de gestão, então, nem “levar até o agricultor as soluções para todos os seus se fala. A gente precisa formar pessoas e dar acesso a problemas. Nem todos, prin- esses agricultores ou gru- cipalmente aqueles que estão sozinhos, não organizados em cooperativas, conseguem Até fico feliz que tem uma juventude bacana chegando, pos de agricultores para que entendam que não existe mais a possibilida- ter acesso a tudo aquilo que existe. Isso até para as coisas mais básicas. Por exemplo, a tecnologia de uma calagem de trabalhando com a internet das coisas, com satélite, dados, tecnologia aplicada em taxas de de estar fora de uma agricultura que não seja em bases sustentáveis, que exige o cumprimento solo, que é o básico do básico variáveis, e isso tudo bem feito vai de todos os requisitos e do básico, nem isso é adotado por uma faixa de agricultores ser um avanço extraordinário pra pela qual se esteja rigorosamente dentro da lei. em alguns rincões do país. nossa agricultura convencional. Do contrário, ou ele perde Mas existe outra questão tam- Vamos mudar de patamar. mercado por questão de bém. A tecnologia em si não é imagem ou porque não garantia de retorno e rentabili- atende minimamente as ”dade do investimento. A tecnologia depende de gestão. questões sociais e ambientais. Então, tem aí outro aspecto que precisa ser trabalhado, que é a melhoria da gestão das propriedades. Estamos Terra&Cia: Quando se fala em sustentabilida- falando, nesse caso, de outro ponto, que algumas pes- de, se pensa muito em questões ambientais. É não soas nem notaram que já existe, que é aquilo que a é só isso... gente chama de futuro, mas é um futuro que também já Mônika: Em absoluto. A sustentabilidade é um está presente no nosso dia a dia, e que a gente precisa equilíbrio e, portanto, algo dinâmico, entre aspectos abrir o olho pra isso. Precisa prestar atenção e tentar econômicos, sociais e ambientais. Qual o mais impor- entender. Até fico feliz que tem uma juventude bacana tante? Nenhum deles. É um tripé. Se tirar um, não fica chegando, trabalhando com a internet das coisas, com de pé. satélite, dados, tecnologia aplicada em taxas variáveis, e isso tudo bem feito vai ser um avanço extraordinário Terra&Cia: Falando um pouquinho de imagem, a pra nossa agricultura convencional. Vamos mudar de Abag Ribeirão Preto fez, durante muito tempo, um tra- patamar. Vai ser uma nova revolução agrícola, que está balho de mostrar, principalmente pela TV, um pouco do 11

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E N T R E V I S TA setor. Pensando num futuro próximo, como a entidade pretende continuar contribuindo nesse processo? Mônika: Esse trabalho nunca parou. A Abag Ribeirão foi criada com esse objetivo primeiro: integrar, reunir todos os segmentos do agronegócio regional, para que pudessem trabalhar mais diretamente, inclusive em projetos sociais, de comunicação, visando desvendar, explicar melhor o que é o agronegócio e que as pessoas tomassem conhecimento. Num país democrático como o nosso, todos nós sabemos, está mais do que provado, que, se você quer mudança, você luta, seja lá o ideal que você tenha. Quanto mais popular for o seu pleito, quanto mais conhecido for, maior a chance dele ser aprovado. Então, temos que trabalhar isso. E nunca deixamos de fazer. É abrir, dar transparência, conhecimento. Só valoriza quem conhece. A gente queria, então, que as pessoas conhecessem, valorizassem a importância do setor, de forma que não se deixassem levar pelas críticas sem conhecer. Se você conhece e tem críticas, ótimo. Temos ouvidos para recebê-las e discutir maneiras de melhorar. Tudo sempre tem uma maneira de melhorar. As campanhas em televisão foram uma das nossas ações e que hoje ganharam até um âmbito maior. Tem uma campanha nacional, nos mesmos modelos, e que também traz à população a dimensão, a importância, o envolvimento e o orgulho daquilo que é produzido no nosso agronegócio. Temos também, desde a criação da Abag, em 2001, um programa educacional, o Agronegócio na Escola. Ao longo desses 17 anos, já passaram por ele 195 mil alunos, 2500 professores, com milhares de visitas em nossas empresas associadas, para que possam entender, compreender e, inclusive, almejar um posto de trabalho. Não necessariamente na área do agronegócio ou ligado às ciências agrárias. O que quero dizer com isso? Que uma cooperativa agrícola, uma associação de produtores rurais ou usina emprega médicos, advogados, dentistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais. Existe uma gama enorme de colocações no mercado de trabalho local, sem ser necessariamente um agrônomo, um técnico agrícola ou um engenheiro industrial. Agora, para trabalhar nesses lugares, o que você precisa? Estudar, ter uma boa formação, pessoal e profissional. Para isso é que a gente criou o programa. Este ano, estamos com 22 mil alunos inscritos, de 174 escolas, de 63 cidades de toda a região. Se a gente tivesse um trabalho de educação desses feito há algumas décadas, talvez não fosse preciso ter colocado na televisão aquilo que é pra nós óbvio, mas que ainda precisa ser mostrado, reiterado e re-reiterado. Quando a gente viaja, por exemplo, para países de primeiro mundo, principalmente aqueles que tiveram guerra, vê a importância que a sociedade dá ao agricultor. O Brasil tem a sorte de nunca ter tido guerra, de nunca ter passado fome por falta de alimento. Temos fome por falta de renda, não por falta de alimento. Esses países valorizam seus agricultores, primeiro, pela ocupação territorial. Eles acabam defendendo o território. Depois, pela produção de alimentos, de energia. Porque onde não tem comida não há paz. Não há meios de ter paz. Então, o agronegócio é um setor pujante, enorme, que tem grandes possibilidades, mas nunca soube se comunicar bem. E, em decorrência disso, novas tecnologias ou as próprias necessidades, que são 12

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E N T R E V I S TA legítimas e vitais, não ganham o apego da população e, portanto, a gente não consegue o desenvolvimento de políticas públicas que sejam voltadas para isso. Terra&Cia: Por que ocorrem essas falhas de comunicação? E onde elas estão, principalmente? Mônika: Podemos partir de problemas estruturantes. Por exemplo, o nosso setor sucroenergético, altamente desenvolvido, foi tocado, na colonização, às custas de trabalho escravo. Tem muita gente que ainda acha que essa ainda é a realidade do setor, que são grandes engenhos, com feitores chicoteando os negros pra que façam o trabalho. E não é nada disso mais. Mas isso fica no imaginário. E tem uma série de outras questões que foram sendo imputadas ao produtor rural sem que ele se incomodasse em tentar explicar ou resolver. Temos a própria figura do Jeca Tatu. Você pode ir hoje a qualquer propriedade do agronegócio que você não vai encontrar o Jeca Tatu. A pessoa está com GPS, com agricultura de precisão, um bom gerenciamento, celular, o que mostra que houve desenvolvimento. Para isso, você precisa ter pessoas bem treinadas, formadas, muito ligadas, para desenvolver um agronegócio de ponta mesmo, e não mais aquela questão de jogar uma sementinha e ver no que dá, uma enxadinha nas costas, um dente estragado, uma roupa rasgada e um “paieiro” na cabeça. Hoje, é muito diferente disso. Mas acabou ficando, talvez, pela própria distribuição geográfica. E nunca se organizou muito bem, isso é outro detalhe. Estamos atrasados nesse ponto de vista. Talvez uma fazenda aqui, outra lá, mas nunca se preocupou em fazer um bom trabalho junto, para mostrar o que de fato é o setor. É uma culpa que o próprio setor carrega. E está começando a entender, cada vez mais, a necessidade de se unir, de mostrar, de abrir suas porteiras. Não é um trabalho de convencimento mais. Hoje em dia, é um trabalho das pessoas irem lá e ver o que acontece. É isso que a gente prega aqui e tem tentado difundir Brasil afora. Terra&Cia: Na entrevista que fizemos há duas edições, com o Maurílio Biagi, ele disse que um outro fator que impediu a união, especialmente no setor sucroenergético, foi a vaidade de alguns.Tem um pouco disso também? Mônika: A vaidade é inerente ao ser humano. Tem no agronegócio e imagino ter em todos os outros setores. Acredito que uma das razões pelas quais a Abag conseguiu fazer esse trabalho diferenciado é porque ela não defende um setor em si. Eu não tô falando de grãos, de borracha, de cana, de leite, de café especificamente. Eu tô falando daquilo que pode ser estendido a todos. O que a gente quer dizer é o seguinte: “O nosso setor representa tanto do PIB, tanto na balança comercial, gera tantos empregos, é bom para o Brasil por causa de A, B, C e D e não de um setor específico”. É diferente. E, nesse nosso meio, essa parte de vaidade não interfere. Mas que a vaidade é do ser humano, isso a gente sabe que é. “ Os pequenos não conseguirão sobreviver caso se considerem ilhas, tentem fazer tudo sozinhos. Não há como. Há uma complexidade enorme do ponto de vista tributário, legal, fiscal, em que ele precisa trabalhar ”com grupos que possam orientá-lo melhor. Terra&Cia: Ao falarmos de agricultura do futuro, tem um fenômeno importante acontecendo, que é a inserção, cada vez maior, da mulher no agro. O que isso agrega para o setor? Mônika: Eu escolhi essa profissão já faz bastante tempo. Tô fazendo este ano 25 anos de formada. Se contar do ano que entrei, lá se vão 30 anos que me dedico a este setor. Sempre, evidentemente, com muito mais homens que mulheres em qualquer lugar onde eu vá. Agora, de certa maneira, isso tá mudando. Por exemplo, dei aulas na Unesp por muito tempo, e estudei lá também, no final dos anos 80. Na minha turma, as mulheres eram apenas 10%. Hoje, a porcen- 13

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E N T R E V I S TA tagem já passa dos 50%. O que eu vejo é o seguinte: a mulher viu que pode trabalhar no agronegócio. Ela se interessou e, mais do que isso, está se formando, se especializando, para que possa ocupar mais áreas. Temos, hoje, mulheres em outras entidades, presidentes de outras associações, inclusive as que vêm de outro setor, de pulso muito firme e liderando grupos grandes de homens. Então, se você me perguntar se senti algum tipo de discriminação pelo fato de ser mulher, a resposta é não. Assumi a Abag há 17 anos praticamente. Eu tinha pouco mais de 30. Nunca tive nenhum problema. Pra mim, é normal, natural, não sinto preconceito. Acho que a mulher tem tanta capacidade quanto o homem. Essa questão de gênero, pra mim, é indiferente. E fico feliz que tenha bastante mulher ingressando no setor. Agora, dizer o que é melhor ou pior depende. A gente continua gostando de um dengo, de ser mulher na hora em que tem um homem para cuidar de coisas complicadas. Não é ruim não. Terra&Cia: Essa representatividade da mulher no agronegócio teve um auge quando você assumiu a Secretaria da Agricultura de SP. E, no dia em que você saiu, entregou, durante a cerimônia de transmissão de posse, um relatório de sustentabilidade. Qual foi a importância desse documento para a sua gestão à frente da secretaria? Mônika: A sustentabilidade sempre foi um conceito que esteve nas nossas cabeças e nas nossas ações aqui na Abag Ribeirão Preto. A primeira vez que alguém discutiu o Código Florestal, que se colocou esse assunto na mesa, foi aqui em Ribeirão em 2001. E o projeto foi aprovado no ano de 2012. Doze anos a gente trabalhou nisso, o que ficou muito presente em mim. Assim que assumi a secretaria, e acho que isso independe do fato de ter sido a primeira mulher e a única até agora a ocupar o cargo de secretária da Agricultura do Estado, pensei: “Escuta, esta é uma tendência da qual não temos como escapar”. Eu não via como uma secretaria de Agricultura, de um Estado como São Paulo, num país como o Brasil, fugir disso. Então, desde o começo, procurei nortear essas ações. E, quando foi no final, falei: “O esforço que nós empreendemos foi muito grande”. Fizemos, por exemplo, o Programa Integra São Paulo, para fomentar a ILPF [Integração Lavoura-Pecu- 14 ária-Floresta], buscamos recursos de fundo perdido para controlar a voçoroca, porque parece que não, mas São Paulo, com todo o desenvolvimento que tem, ainda tem um número grande de voçorocas e áreas de erosão. Não é porque o Estado é o que é que não tem nada a fazer. A gente precisa, sim, parar, olhar e atuar naquilo que precisa ser feito. Isso inclui questões sociais. Tínhamos um corpo de mais de cinco mil funcionários, e isso tem uma força. São Paulo é um dos poucos Estados que ainda mantêm extensão rural, nas suas 594 casas de agricultura. Tem também a questão da sanidade, importantíssima, imprescindível, pra que a gente possa oferecer aos consumidores, às indústrias, aos agricultores, produtos de qualidade e garantia. Fizemos um trabalho grande para manter aspectos econômicos, sociais e ambientais. Pensei que nada mais natural do que a gente tentar quantificar, o que é também um desafio, porque é muito difícil o trabalho em governo. As coisas não funcionam num ritmo que eu já vinha acostumada, que é o ritmo do setor privado. O que eu quis foi o seguinte: “Vamos ter coragem e comparar o nosso trabalho ano a ano”. Então, eu comparei o meu trabalho com Com Mario Gandini, da Usina São Martinho, em frente a um pau-brasil; no local, há uma área onde as pessoas consideradas ilustres deixam suas marcas

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E N T R E V I S TA o meu próprio trabalho, ano a ano. Fiz um comparativo ros que eu tinha, num período que achei que seria sufi- de 2011, já que peguei no meio do ano, até dezembro ciente para contribuir. Mais do que aquilo não era meu de 2014, que foi quando deixei o governo. E foi muito desejo pessoal, nem profissional. Não vou dizer que a interessante, porque fizemos dentro do padrão do GRI política não é importante. A política está presente nas (Global Reporting Initiative). Seguimos este selo holan- diversas secretarias, mas ainda acho que nós precisa- dês e fomos a primeira secretaria de governo do Estado mos, de fato, de perfis técnicos. Precisamos ter técni- de São Paulo a apresentar um relatório de sustentabi- cos da saúde na área da saúde, técnico de transporte lidade. Isso, pra mim, e quando eu digo pra mim não no transporte, técnico de agricultura na área agrícola. entenda como coisa pessoal, mas da nossa gestão, foi Mas a política no Brasil tem uma força enorme. Nada até uma forma que encontrei de agradecer e retribuir o contra. O Arnaldo [Jardim, sucessor e atual secretário] trabalho maravilhoso que as quatro coordenadorias se é uma pessoa que transita muito bem, um grande de- dispuseram a fazer com suas equipes, de gente muito fensor do [setor] sucroenergético, da parte ambiental determinada, de gente que veste a camisa e que faz a e faz uma parte política extraordinariamente bem, uma diferença. Não dá pra generalizar e dizer que é 100%, coisa que eu sequer me dispus, porque não tá em mim, mas aqueles que vestem fazem pra valer. Achei que não tenho nada a ver com essa área. eles mereciam deixar um trabalho desse porte lá. E, cla- ro, aquilo serve como guia para qualquer outro gestor Terra&Cia: Você sempre foi entusiasta do agro- que assuma a pasta. Terra&Cia: Você esbarrou em questões políticas? Encontrou conflitos? Questões que precisariam ir pra frente “ O agronegócio é um setor pujante, enorme, que tem grandes possibilidades, mas nunca soube se comunicar bem. E, em decorrência disso, novas tecnologias ou as próprias negócio e uma coisa que a gente sempre comenta é que o Brasil pode ser o fiel da balança na produção de alimentos mundial. Com todos esses gargalos que a gente por serem técnicas, mas não foram por entraves políticos? Isso teria influencia- necessidades, que são legítimas e vitais, não ganham o apego da população e, portanto, a gente não citou, o País vai dar conta? O mundo pode esperar que a gente cumpra esse papel? do na sua saída? consegue o desenvolvimento de Mônika: Se fo- Mônika: De maneira alguma. O meu compromisso políticas públicas que sejam voltadas para isso. rem mantidas as condições que temos hoje, a resposta é não. com o governador foi Por que eu digo isso? ”para uma gestão. Particularmente, não defendo a re- Porque, por mais que o agricultor, dentro da sua pro- eleição, não gosto da ideia da reeleição. Acho que a priedade, tenha feito o possível – e o que o Brasil tem gente perde, seja em nível municipal, estadual ou fede- feito é extraordinário, como o aumento de produtivida- ral. O meu compromisso com ele era ficar até o final do de, invejado em todo o mundo, a bioenergia, invejada primeiro mandato. Agora, nunca fui política. O que eu em todo o mundo, o desenvolvimento tecnológico tam- poderia contribuir com as minhas ideias para o gover- bém –, quando você tem falta de estradas, de arma- nador ou para o Estado de São Paulo, para a agricul- zéns, dificuldades pra embarque, ausência de acordos tura paulista, foi aquilo que coube nesse período. Não comerciais, a coisa fica complicada. Some-se a isso a conseguiria nada além daquilo, pelo tempo que fiquei grande questão trabalhista. Hoje, uma única ação tra- lá. Coloquei, nas várias áreas, o que era possível de balhista pode quebrar uma empresa de maneira arreba- ser feito, com as condições e com os recursos financei- tadora, porque se tem um passivo oculto que é imensu- 15

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