Boletim Bimestral Núcleo de Agroecologia Apêtê Caapuã

 
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Boletim maio/2017

Popular Pages


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Boletim Agroecológico APETIVIDADES DE FÉRIAS OFICINAS DE SISTEMATIZAÇÃO Período letivo tem férias, a agroecologia não.................3 O NAAC foi um dos NEAS escolhidos para ser SEM FEMINISMO, NÃO HÁ AGROECOLOGIA!.......4 sistematizado pelo projeto de Sistematização de Experiências dos NEAS do Brasil. A oficina aconteceu em março. Saiba mais...............................19 PROJETO “DO ORGÂNICO AO BIODINÂMICO”.....8 PROJETO CAPS (SÃO MIGUEL ARCANJO)..............11 HOJE É DIA DE FEIRA!!! Dê preferência pras frutas da época..............................13 Viste nossa feirinha!............................................................14 COM OS PÉS VERMELHOS.............................................15 CELEBRAR É PRECISO! AGROECOLOGIA CULTURAL Juventude agroecológica............................................20 Todo ciclo que se inicia é um recomeço. Assim é com os ABRIL VERMELHO: MÊS DE LUTA!.....................21 anos que iniciam com um propósito. E é preciso sonhar e planejar pra que nossas tarefas sejam realizadas e celebradas. Saiba mais...................................................... 18

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Boletim Agroecológico Nº 01 Primeiro boletim, quanta alegria! É com grande alegria que estreamos o boletim agroecológico do Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã - NAAC! Nossos boletins terão formato digital e serão publicados bimestralmente. Neles, incluiremos as principais atividades realizadas no período e algumas curiosidades e informações atuais sobre agroecologia. Além desses ingredientes, essa receita levará uma pitada de amor e ternura, que preparamos com muito cuidado pra você! Esperamos que essa iniciativa possa contribuir para que todos conheçam a experiência incrível que é trabalhar com agroecologia através das ações do NAAC. Também ansiamos que nossas atividades incentivem experiências similares e instigue todos os interessados a juntar energias conosco nesta caminhada agroecológica! Agradecemos pela leitura e AGROECOLOGIA... ...RESISTÊNCIA E REBELDIA! Equipe Gestão Comunicação Sarah Thaís Marcia Maria NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 Margareth 2

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APETIVIDADES DE FÉRIAS Durante as férias do período letivo, fazemos duas atividades principais: 1 – Mãos na terra! Essa atividade consiste num cronograma para cuidar das nossas áreas também chamadas de UEPA (Unidade de experimentação e Práticas Agroecológicas). Uma escala é feita pra que ela não fique abandonada durante o período não letivo. Também contempla estágios de férias em propriedades com SAF e/ou que contemple nossa missão. Para saber mais sobre as atividades desenvolvidas, acesse nosso website: https://apetecaapua.wordpress.com/agenda/ 2 – Embasamento Teórico Durante as férias, a equipe se divide em grupos de estudo para ler a aprender mais sobre a teoria da agroecologia. Cada grupo é responsável por pesquisar um autor referência e apresentar para o restante do grupo o aprendizado adquirido com a pesquisa. As apresentações estão sendo realizadas durante o semestre, duas apresentações por mês, como atividade do Grupo de Estudos. Participe! Entre em contato conosco. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 3

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SEM FEMINISMO NÃO HÁ AGROECOLOGIA! Essa página é dedicada a ela. Aquela que vem da flor, que cheira perfume, que acalenta. Desta que acorda cedo, faz café, organiza e orienta, vai à campo, pega no facão, na enxada, sol e chuva, chuva e sol, conduz, trata, transforma, e alimenta, de corpo e alma. É aquela que em qualquer lugar são muitas em uma só e na roça, conduz com sensibilidade e amor a família às práticas sustentáveis. A AGROECOLOGIA PARTE DELAS E SEM FEMINISMO NÃO HÁ AGROECOLOGIA! Neste espaço, traremos algumas experiências de mulheres do campo que são exemplos de força e resistência. Pra começar nosso boletim, indicamos que você veja este vídeo, é curtinho, e nos introduz no caminho do nosso papo: NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 4

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SEM FEMINISMO NÃO HÁ AGROECOLOGIA! Dona Maria, mãe de nós e da terra. Ela viveu lá no sertão toda uma vida. Pelas bandas no norte de Minas Gerais onde a quentura perdura quase o ano inteiro, mas que acolhe entre as montanhas de minas, riachos cristalinos com pedrinhas brilhantes no fundo. Numa terra pouco fértil, mas recheada de riquezas minerais e culturais, onde cerrado toma seu espaço. Maria casou-se com quase 20 anos com seu Zeca. Ela era uma mulher linda, tinha muitos pretendentes. Seu Zeca era poucos anos mais velho, não tinha dotes físicos nem materiais que lhe desse vantagem sobre os demais, e talvez nem mesmo Maria fosse apaixonada por ele, mas o contrato foi feito: Maria precisava casar e ele era um bom homem. Trabalhava no sofrimento do garimpo para uma mineradora. Perdia-se nas horas procurando pedras preciosas que alimentassem o mercado das pedras e a boca dos seus 10 filhos com Maria. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 5

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SEM FEMINISMO NÃO HÁ AGROECOLOGIA! Dona Maria, mãe de nós e da terra. Viviam numa casa pequena, de pau apique, com um quintalzão que Maria cuidava: suas PANCs, galinhas e uns porquinhos barganhados na feira. Moravam na roça tão, tão distante da cidade. Pra ir até lá, só de sábado pegando carona na boleia do carro do leite. Geralmente era o seu Zeca quem ia. Eram muitos os filhos, eram muitos os trabalhos em casa. Maria não podia ir. A compra era mensal e o estoque era limitado, tinha um peso máximo por pessoa pra trazer na boleia. Era Maria quem organizava e controlava o estoque de alimento. Assim como usava dos conhecimentos de sua mãe sobre as plantas pra curar feridas e enfermidades. A médica naquele lugar distante era ela e mais ninguém e ninguém tinha medo. Ela sempre curava. Sua casa não tinha água, não havia banheiro nem torneira encanada. Sua fonte era o riacho. Os filhos ajudavam a buscar água e no riacho, encontrava-se com as comadres. Falavam sobre os filhos e sobre o casamento, mas raramente falavam sobre as dificuldades de viver na roça, sobre o isolamento do lugar ou sobre sonhos ocultos. Maria nunca reclamava de seu Zeca. Ele era um bom homem e era seu companheiro. Tudo que Maria pedia pra trazer da cidade, Zeca trazia dentro das possibilidades. Nunca lhe negou nada, e quase nada ela pedia. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 6

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SEM FEMINISMO NÃO HÁ AGROECOLOGIA! Dona Maria, mãe de nós e da terra. Tiveram 5 meninas e 5 meninos e criaram mais três adotivos. Um deles, por desventura das colheitas da vida, nasceu muito doente. Precisava ser tratado. E por ironia do destino, seu Zeca que sempre viveu na pobreza dos bens materiais, achou uma pedra preciosa. Ainda que a pedra valesse muito mais do que ele recebeu por ela, a chance da família mudar de vida foi substituída pela prioridade que era a vida do filho caçula. Ele foi tratado em Belo Horizonte, em dois anos muito difíceis pra Maria, que nunca tinha ficado tanto tempo longe do campo. Mas a criança não resistiu e partiu, assim como o dinheiro da pedra preciosa. A dor de perder um filho pra uma mãe é tão grande quanto a dor de ter que dar seus filhos pra outros criarem por falta de sustento. A pobreza era tamanha, a seca tão severa, que sua hortinha e suas galinhas não davam conta de tantas bocas. Maria foi dando, quando entravam na adolescência, um a um, para os padrinhos criarem na cidade e seus filhos poderem estudar. E assim, na sua roça, no seu lugar precioso, foi ficando cada vez mais sozinha. Os filhos cresceram, cada um tomando um novo caminho. Maria e seu Zeca permaneceram na mesma casa por 30 anos. Quando seus primeiros netos ainda eram crianças, uma luz veio buscar Maria. Ela era nova, não tinha ainda 60 anos. Um câncer a tomou pelos pés e um sopro de morte a tomou pelas mãos, deixando seu companheiro sozinho nesta vida por quase 40 anos mais. Maria era a força. Maria era a garra. Era a estrutura daquela casa. E ainda que cedo, e que ninguém entendesse o porquê, foi embora para um outro sertão, parecido com aquele de onde nunca saiu. Maria morreu em 1996, em Salinas/MG. Saiu da sua roça apenas pra tratar de assuntos de saúde. Neste boletim, abrimos o tema Feminismo com uma homenagem à minha amada vovó. Sarah. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 7

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PROJETO: “DO ORGÂNICO AO BIODINÂMICO” Projeto realizado a partir da parceria entre Associação Biodinâmica, Instituto Terra Viva, UFSCar, Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã e recentemente COATER, sendo apoiado financeiramente pelo instituto Mahle. Visa possibilitar a transição do orgânico ao Biodinâmico no assentamento Horto bela Vista, Iperó, apoiando portanto, os agricultores que estão em certificação para o sistema participativo de garantia da associação Biodinâmica. Foram desenvolvidas de Janeiro a Maio de 2017, cinco oficinas gratuitas, onde tiveram participação livre, contando com a presença de agricultores, estudantes e professores. I Oficina: Prática de Introdução à Agricultura Biodinâmica: Confecção do composto Fladen e preparados 11 de janeiro de 2017 Local: Lote da Maria Assentamento Horto Bela Vista NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 8

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PROJETO: “DO ORGÂNICO AO BIODINÂMICO” III Oficina: Confecção de Biofertilizante biodinâmico e sua aplicação no organismo agrícola (Agroflorestas) 22 de março de 2017 Local: Lote da Sra. Nilda Assentamento Horto Bela Vista II Oficina: Confecção do preparado Fladen e sua aplicação no organismo agrícola (Agroflorestas) 22 de fevereiro de 2017 Local: Lote da família do Sr. Marinau Assentamento Horto Bela Vista IV Oficina: Confecção de preparados biodinâmicos e suas aplicações em Agroflorestas 28 de Abril de 2017 Lote da dona Mariana e do sr Toninho Assentamento Horto Bela Vista NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 9

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PROJETO: “DO ORGÂNICO AO BIODINÂMICO” V Oficina: Manejo de poda de Frutíferas e adubadeiras e uso de pasta biodinâmica para árvores 17 de Maio de 2017 Lote da dona Mariana e do sr Toninho Assentamento Horto Bela Vista NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 10

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PROJETO CAPS (SÃO MIGUEL ARCANJO) Em outubro de 2016 iniciou-se o projeto de implantação de hortas agroecológicas no CAPS(Centro de Atenção Psicossocial) de São Miguel Arcanjo, ele visa se utilizar das práticas da agroecologia como forma de terapia e emancipação dos pacientes. As atividades do NAAC no projeto começaram em janeiro de 2017, no primeiro momento, houve uma necessidade de aproximação e conquista da confiança com os pacientes. Alguns não se interessavam em participar das primeiras atividades, devido a um histórico de constante marginalização que indivíduos com transtornos ou dependência química sofrem. Mas o conhecimento deles sobre tudo, desde o cuidado com a terra e as plantas, até a forma de se enxergarem dentro da sociedade, era surpreendente, o que demonstrou também o nosso preconceito. Após algumas semanas, a participação no projeto dos pacientes se tornou mais efetiva, com a maioria participando constantemente da implantação da horta (e posteriormente da agrofloresta), inclusive sugerindo alterações e formas de implantação. Nas oficinas de biofertilizantes e de biodefensivos, se mostraram muito curiosos e atentos a cada etapa, inclusive perpetuando por eles mesmos tais práticas. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 11

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Projeto CAPS (São Miguel Arcanjo) O projeto teve uma pausa de dois meses por razões financeiras, mas retorna em junho com mais 6 encontros. O objetivo é que nessa reta final sejam realizadas oficinas de processamento de alimentos, de forma a aumentar o valor dos produtos. É importante ressaltar que toda renda gerada pela horta fica no Caps, sendo revertida em materiais e atividades para os pacientes. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 12

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HOJE É DIA DE FEIRA: Junho Esse será um espaço no boletim onde iremos destacar quais são as frutas e legumes da época. Afinal, na agroecologia respeitamos os ciclos naturais das plantas. Ao frequentar a feira, procure produtos que estão em produção na época, favorecendo ao mesmo tempo a Agroecologia e os pequenos produtores. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 13

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E TERÇA É DIA DE FEIRA! Conhece a feira agroecológica da UFSCar? Não? O que está esperando? Alimentos frescos, saudáveis, de transição agroecológica livres de agrotóxicos! Alimente um sistema justo, de produção limpa, que dê soberania ao pequeno produtor rural e fortaleça a agroecologia! Todas às terças-feiras, das 10hs às 16hs, na UFSCar Sorocaba, em frente ao ATLab. NAAC - Boletim n.1 - Maio de 2017 14

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