Gazeta Valeparaibana

 

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Junho 2017

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Ano X - Edição 115 - JUNHO 2017 Distribuição Gratuita A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Na época da colonização do Brasil, após o ano de 1500, os portugueses introduziram em nosso país muitas características da cultura europeia, como as festas juninas. Mas o surgimento dessas festas foi no período pré-gregoriano, como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas, na época em que denominaram de solstício de verão. Essas comemorações também aconteciam no dia 24 de junho, para nós, dia de São João. Aos poucos, as festas juninas foram sendo difundidas em todo o território do Brasil, mas foi no nordeste que se enraizou, tornando-se forte na nossa cultura. Nessa região, as comemorações são bem acirradas – duram um mês, e são realizados vários concursos para eleger os melhores grupos que dançam a quadrilha. Além disso, proporcionam uma grande movimentação de turistas em seus Estados, aumentando as rendas da região. Editorial Página 2 ACTUALIDADE DA FILOSOFIA ANGOLA uma irmã do Brasil PORTUGUESA Do outro lado do oceano atlântico, no Raríssimos são, hoje, os que, com frontalidade hemisfério sul, há um país que tem o português SEM LENÇO E SEM DOCUMENTO e coragem, revelam compreender que um abis- como um de seus principais idiomas e tem mo sem fundo existe entre o saber parasitário ligações históricas fortes com o Brasil, tanto O povo continua dividido em partidos, das instituições universitárias e o pensamento que milhões de brasileiros descendem de desrespeitando-se no dia a dia para defender o vivo, espontâneo e criador de filósofos portu- pessoas que vieram desse país. Esse país é quê ou quem? gueses. Angola. Leia mais: Página 4 Leia mais: Página 6 CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Por democracia e SOBRE O ENSINO DE Grandes figuras da música direitos, Diretas Já! A depender do desejo e das ações das elites detentoras do capital, AFRICANIDADES: NINGUÉM CONSEGUE ENSINAR O QUE NÃO SABE Dia 25 de maio é celebrado o Dia ocidental V - Mahler O século XIX foi o período onde a música sinfônica mais se desenvolveu. Instrumentos em especial de dos grandes meios de comunica- Internacional da África. Um dia de sopro e percussão foram melhora- ção e de grande parte do parla- reflexão sobre a independência dos e proporcionaram aos compo- mento, a democracia brasileira dos povos africanos. Neste mesmo sitores um leque maior de opções Baixe o aplicativo IOS NO SITE www.culturaonlinebr.org sempre será uma festa de fachada dia, em 1963, foi criada a de timbres e sons. para a qual o povo brasileiro não “Organização da Unidade Africa- Leia mais: Página 11 será convidado, a não ser para pa- na”, chamada hoje “União Africa- A Nossa Língua Portuguesa gar a conta ou fazer a faxina. na”. A data de 10 de junho celebra a Língua Portuguesa. Leia mais: Página 08 Leia mais: Página 09 Leia mais: Página 16

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial SEM LENÇO E SEM esses políticos endinheirados que além de não DOCUMENTO produzir riquezas, vivem dos recursos nacionais que, por direito, deveriam ser aplicados no desenvolvimento do país. O povo continua dividido Essa atitude desprezível gera a degradação, e m p a r t i d o s , ferem, mentem descaradamente nos fazendo desrespeitando-se no de tolos, tratando o trabalhador com migalhas e dia a dia para defender o o afundando cada vez mais nesse lamaçal. quê ou quem? Vivemos num circo onde somos palhaços O caos está instalado pela corrupção sem protagonistas e trapezistas sempre na corda punição justa, pela falta de ideologia, bamba se equilibrando, onde o Congresso manifestações nas ruas que sem convicção rouba a Pátria descaradamente espalhando a promovem só barulho e nenhum resultado. ira pelo Brasil afora gerando a intolerância e Enquanto isso, a corrupção anda a galope bem discórdia. Assusta essa falta de conhecimento como a pobreza, mortes, violência e da maior parte da população que não sabe desesperança. debater com quem pensa adversamente. Mais uma vez a Nação está esquecida e os Transformaram as pessoas em massa de governantes olhando-nos de cima preocupados manobra, pois quando um dedo aponta todos com suas pretensões. Que gente é essa que vai correm para julgar ou defender e, sem isenção para as ruas confrontar-se e que nas redes de ânimo nem sabem de quem é o verdadeiro sociais a posição é sempre de ataque ou, fica dedo que seguem. em casa deixando tudo fluir sem perceber que Estão todos a pensar na próxima eleição, apatia é também uma forma passiva de melhor seria, preocupar-se com o que vai contribuição para que tudo permaneça igual e é sobrar para a próxima geração. tudo que “eles” querem? Enquanto isso, esse sistema político “enobreceu” o esperto, a É preciso mudar a forma como se governa, mas honestidade virou sinal de pobreza, político vira se o povo não mudar de intenção, ficaremos rico da noite para o dia, o lixo virou comida, o todos sem endereço, sem lenço e sem homem que planta e colhe morre de fome e o documento... povo continua sem conhecimento e dividido “Não adianta mais trocar as chaves, é preciso saem por aí a defender partidos enquanto, trocar a fechadura”, pois restou ao país, os gradativamente, unidos e amontoados pelas corruptos e os suspeitos de corrupção. calçadas aumenta cada vez mais moradores de rua e os drogados. É necessária uma reforma nesse Sistema corrupto que administra nossos recursos e para Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320 isso é preciso sair da zona de conforto, deixar de agir sempre dentro do limite, é preciso parar Como você já deve ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o ‘GV - Ciência’. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta do Portal Comunique-se pode fazer uso do ‘C-SE Acadêmico’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: csecientifico@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “GV - ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. *** Anônimo: “Se o dinheiro fala, o meu sempre diz adeus” *** Delfim Netto: “Ponho meu dinheiro em caderneta de poupança. Para quem não entende de economia, é a melhor coisa. Agora, quem entende tem outros lugares para perder”. *** Bob Hope: “Um banco é um lugar que te empresta dinheiro se conseguires provar que não necessitas dele”. *** Karl Marx: “O aumento dos salários não é nada mais do que o pagamento de salários melhores a escravos, e não conquista pra o operário seu destino e sua dignidade humana”. *** Malcolm Forbes: “Se você tem um emprego sem chateações, você não tem um emprego”. *** Grouxo Marx: “Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinhei- ro! Mas custam tanto!”. *** Schopenhauer: “Dinheiro é como água do mar: quanto mais você toma, maior é sua sede. O mesmo se aplica à fama”. *** Don Herold: “O trabalho é a coisa mais importante do mundo. Por isso, devemos sempre deixar um pouco para o dia seguinte”. *** William Shakespeare: “É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho”. Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês Violência virou problema de Estado-Maior Sempre que escrevo sobre a violência me dá uma sensação de inutilidade. Quando vejo os movimentos de solidariedade, bandeiras brancas, pombas da paz, atores nas ruas, burgueses falando em cidadania, me dá uma sensação de perda de tempo. Calendário Nós tratamos os criminosos como se fossem “desviantes” de nossa moral, como gente que se “perdeu” da virtude e caiu no “pecado”, no mundo do crime. Não é nada disso. Eles são os novos empregados de uma multinacional. O único emprego que lhes foi oferecido no último século: a megaempresa da cocaína. Ela trouxe o poder sobre as comunidades que, somado à ignorância e à miséria, criou a crueldade sem limites, à bruta guerra animalesca. Os bandidos violentos são quase uma mutação da “espécie social”, fungos de um grande erro sujo do qual nós somos cúmplices. Hoje, nós é que ficamos caretas diante deste mundo periférico que não se explica, gerando outra ética, funérea, sangrenta. A miséria armada é uma outra nação, no centro do Insolúvel. Essa gente era anônima; estão ganhando notoriedade na mídia. São vazios objetos de uma corrente de pó; nós, pequenos burgueses, é que víamos neles uma vaga consciência “política” de marginais. Achamos até que eles querem calar a imprensa. Nada. Mataram por matar, chamaram o Tim de X-9 e “já era” – disseram eles. Nós é que estamos lhes fornecendo uma “ideologia”. Mas, não quero ficar deitando sociologia barata sobre a violência. Quem sou eu? Mas, vejo com um mínimo de bom senso que os vilões também somos nós. Eles são a prova de nosso despreparo. Os incapazes somos nós, ainda crentes de leis inúteis, coerções superadas, de polícias falidas. Nós não fizemos nada quando as favelas eram pequenas. A miséria era dócil – podia ser ignorada. Agora, se não agirmos, isso vai virar uma endemia eterna. A lei não consegue nem instalar anti-celulares nas cadeias e fica encenando comboios para a mídia, com cem policiais para levar o Beira Mar para outra cadeia. Ninguém consegue resolver nada porque os instrumentos de defesa pública estão engarrafados numa rede de burocracias, fisiologismos, leis antigas, velhos conceitos que são facilmente superados pela eficiência “pós-moderna” dos bandidos, diretamente ligados ao ato, ao fato, à instantaneidade do mal e sem freios éticos. Eles têm a mesma vantagem dos terroristas. Muito lero-lero racionalista ocidental, ciência, democracia e, aí, chega um arabezinho maluco com uma bomba e arrasa o shopping center. Eles são uma empresa moderna. Nós somos o Estado ineficiente. Eles agilizam métodos de gestão, são rápidos e criativos. Nós somos lentos e burocráticos. Eles lutam em terreno próprio. Nós, em terra estranha. Eles não temem a morte. Nós morremos de medo. Eles são bem armados. Nós, de “trêsoitão”. Algumas datas comemorativas 01 - Semana Mundial do Meio Ambiente 01 - Dia da Imprensa 08 - Dia Mundial dos Oceanos 09 - Dia Nacional de Anchieta 13 - Dia de Santo Antônio 19 - Dia do Migrante 20 - Dia do Refugiado 23 - Dia do Lavrador 24 - Dia de São João 24 - Dia do Caboclo 25 - Dia do Imigrante 26 - Dia do Professor de Geografia 29 - Dia de São Pedro e São Paulo Ver mais sobre na Página 12 Eles ganham muita grana. (Um “aviãozinho” de 15 anos ganha mais por semana que um PM por mês.) Eles estão no ataque. Nós, na defesa... Nós nos horrorizamos com eles. Eles riem de nós. Nós os transformamos em superstars do crime. Eles nos transformam em palhaços. Eles são protegidos pela população dos morros, por medo ou vizinhança. Nossas polícias são humilhadas e ofendidas por nós. Ninguém suborna bandido. Eles compram policiais mal pagos. Um que ganha 700 paus por mês não tem ânimo para combater ninguém. Eles não esquecem da gente nunca, pois somos seus fregueses. Nós esquecemos deles logo que passa uma crise de violência. A droga e as armas vêm de fora. Eles são globais. Nós somos regionais. Alguma vitória só poderá vir se desistirmos de defender a “normalidade” de nosso sistema, pois não há mais normalidade nenhuma; precisamos de uma urgente autocrítica de nossa ineficiência. O combate ao crime passa pelo combate ao nosso descaso e incompetência. A luta contra o tráfico, é óbvio, começa lá longe, nas fronteiras. Por lá entram as armas e o pó. Não adianta subir e descer de morros. Temos de fechar as fronteiras. Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. A luta contra o crime não é mais uma luta policial; não é mais a Lei contra o Pecado. Não. O crime cresceu tanto que se tornou um problema de Estado-Maior. Sim. Trata-se uma luta política e, mais que isso, uma luta policial militar. Acho que tem de haver sim uma séria articulação das Forças Armadas com as polícias. Tem de haver generais estudando estratégias e logísticas de cercos e ataques. Meses de estudo, planos secretos, dinheiro, muito dinheiro e milhares de homens com armas modernas. E tudo isso coordenado com campanhas de esclarecimento e de proteção às comunidades que eles “protegem”. Winston Churchill “Ahh... – alguns vão gritar – o Exército não foi treinado para isso!” Pois, que seja treinado. Trata-se de uma guerra. Ou não? Não combateram a guerrilha urbana, com implacável ferocidade e competência? Aposto que outros dirão: “O Exército não é para crimes comuns; é para guerras maiores...” Para quê? A invasão da Argentina? A guerra que se anuncia é subversiva no pior sentido. Não aspira a uma ordem nova. Só quer uma vingança obtusa e a manutenção da miséria como refúgio. No fundo, muitos não admitem a ação das Forças Armadas, porque desejam ocultar a derrota de um sistema legal e policial. Pois que seja. Nosso fracasso tem de ser assumido. Do contrário, continuaremos atrás das grades de nossos condomínios, dizendo: “Que horror!” para sempre. Crime hediondo é que isto não seja uma prioridade nacional. A tragédia das periferias brasileiras me lembra um terremoto ignorado, para o qual ninguém enviou patrulhas de salvamento. Já houve a catástrofe e todos nós tentamos esquecê -la, trêmulos de medo, blindados, com os “socilites” cheirando o pó molhado de otários, perpetuando esse poder paralelo, que tende a crescer. Arnaldo Jabor www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Culturas e Identidades ACTUALIDADE DA FILOSOFIA Ora, a máquina universitária, dominada do supostamente crítico quando são pa- blica -, e a direita abstracta e paradoxal- PORTUGUESA por inúmeros grupos de activistas – os gos para ensinar as mais dogmáticas e mente inexistente, não passa, por sua Miguel Bruno Duarte mesmos que controlam ou tendem a con- dissimuladas ideologias que fazem da vez, de um artificio de engenharia social trolar toda a acção cultural do Estado e corporação universitária o maior foco de que, além do mais, contribui sobremodo Raríssimos são, hoje, os que, com fronta- são, além do mais, os queridinhos da Co- positivismo e materialismo do nosso tem- para o triunfo da Nova Ordem Mundial. lidade e coragem, revelam compreender municação Social – essa, dizíamos nós, po. De nada vale, portanto, a solenidade Também é verdade que a filosofia portu- que um abismo sem fundo existe entre o não pode nem quer reconhecer e perce- dos congressos, dos debates e das con- guesa, entendida nas suas mais distintas saber parasitário das instituições universi- ber tão abissal diferença. Daí que surjam ferências se estas não visarem uma finali- figuras de proa, como Álvaro Ribeiro e tárias e o pensamento vivo, espontâneo e criaturas que, sob os efeitos contraditó- dade superior à mera ruminação do saber José Marinho, não se comprometeram, criador de filósofos portugueses. Uma rios e estonteantes de uma propaganda já feito e vertido em segunda, terceira ou como Orlando Vitorino, a encarar de fren- coisa são apenas duplicados do que no gramsciana, declarem a morte alheia de quarta mão, como, aliás, o reconhece te a táctica gramsciana enquanto via de passado foi o pensamento vivo e especu- tudo o que não compreendem, seja de Afonso Botelho[...]. instauração do comunismo no ensino e lativo de indivíduos espiritualmente supe- Portugal seja da filosofia portuguesa. De facto, a filosofia portuguesa abre-nos na cultura. Nesse sentido, brasileiros co- riores, outra coisa é, na actualização Na verdade, tais criaturas, que nem sem- as portas para a compreensão una e om- mo Olavo de Carvalho estão, em muitos prospectiva da tradição filosófica nacio- pre falam em nome próprio, deixam, por nímoda, como diria o próprio José Mari- aspectos, bem mais preparados do que a nal, o aparecimento de novos e inespera- vezes, ressaltar ainda mais a sua burrice nho, do quanto podem e estão efectiva- massa amorfa e apática dos intelectuais dos pensadores da cultura nacional- vazia sobre o que espiritualmente as mente minadas, sob o ponto de vista do portugueses, que já nem sequer olham de humana. Por outras palavras, todo e qual- transcende: o pensamento autêntico que ideologismo cientista, as instituições jurí- frente para a realidade que os tolhe e ab- quer carreirista universitário pago para não corre pelas vias consagradas da clas- dicas, políticas e culturais da actualidade. sorve num redemoinho de tagarelice oca produzir erudição livresca e quase sem- se política, jornalística e universitária do De resto, essa coisificação saturnina, que e vazia nas academias e nos concentra- pre segundo os ditames ideológicos con- nosso tempo. Um pensamento, para Marinho designara por cisão extrema, dos órgãos de comunicação de massas. formes à cultura dominante – no presente mais, que não é apanágio de técnicas e teve aspectos verdadeiramente precurso- Nisto, até os epígonos da filosofia portu- caso o da cultura socialista -, não é nem metodologias universitárias de pura e re- res no domínio do positivismo invasor, no guesa, alguns deles já em órbita universi- deverá ser confundido com o que a tradi- dutora análise linguística sobre a letra momento em que este, a partir de mea- tária, quedam perdidos por entre auto- ção clássica, baseada no modelo da sa- morta de textos manuscritos ou impres- dos do século XIX, se infiltrara na superfi- elogios, lamúrias e cultos de personalida- bedoria socrática, entendia ou caracteri- sos, brochados ou encadernados. Tal não cialidade cultural de medíocre mas nefas- de. zava por filósofo. significa que a paleografia não seja uma ta aclimação no extremo ocidental ibérico. Felizmente, a sabedoria, simbolicamente A filosofia portuguesa não é a filosofia de actividade auxiliar ou necessária, mas tão Daí, pois, ter Álvaro Ribeiro escrito para considerada, é mulher que prefere antes um «grupo», como dizem os -somente que ela ainda não é pensamen- José Marinho o quanto considerava, não de mais os que a procuram e por ela se seus detractores. Dizê-lo simplesmente to nos termos de um real e profundo mo- os marxistas, mas os positivistas co- batem na melhor tradição socrática. Nós assim significa, uma vez desaparecido o vimento gerador de alta cultura. mo «os maiores inimigos do pensamento nem queremos imaginar, entretanto, o alegado «grupo», poder dar finalmente Pinharanda Gomes é, na filosofia portu- português» [...]. que seja o naufrágio do estudante univer- por finda a filosofia de um povo que já guesa, o exemplo paradigmático do obrei- Presentemente, o Brasil, correndo sob a sitário lançado às turvas águas da filosofi- muitos consideram como tendo «saltado ro paleográfico que, pairando acima das divisa positivista da ordem e do progres- a estrangeira, venha ela na forma de mar- para fora do tempo». Eis então, rigorosa- citações ornamentais e corporativas do so, está sendo, muito para além disso, xismo, pragmatismo, desconstrucionismo, mente, o ponto da questão: o movimento mais insípido academismo, sabe decifrar, uma plataforma de coordenação revolu- ou ainda na forma de kantismo, nietzs- da filosofia portuguesa, no que o distin- comentar e publicar documentos colhidos cionária para a implantação do neocomu- cheanismo, estruturalismo, heideggeria- gue de outros movimentos culturais, cien- e investigados em arquivos e bibliotecas nismo no continente sul-americano. Prova nismo, e todos os demais ismos. Contu- tíficos e literários, está no facto incontor- que nem sempre parecem estar ao servi- disso é a resistência de alguns ilustres do, permanecerá sempre uma bóia de nável de ter assumido a tradição filosófica ço do património científico, artístico e filo- brasileiros que, como Olavo de Carvalho, salvação lançada pela filosofia portugue- pátria contanto que despida de tudo o sófico português. Por isso, de muitos his- se batem heróica e frontalmente por um sa, cujo horizonte superno ora atravessa que, erudita e monograficamente, grassa toriadores e paleógrafos existentes entre Brasil que rejeite, denuncie e combata o as implicações últimas da visão unívoca e nas academias e nas universidades ao nós, ele é, sem dúvida, o primeiro e o terrorismo cubano e certas e bem identifi- mística de José Marinho, ora atende ao sabor do neoglobalismo triunfante, nome- mais abalizado de todos, pois percebe e cadas organizações revolucionárias como aristotelismo modal e teleológico de Álva- adamente sob a forma do positivismo compreende onde mora o valor de um o Foro de São Paulo, as FARC (6) e o ro Ribeiro. francês, alemão e anglo-saxónico. paciente e laborioso trabalho que, como o MIR chileno (7). E tanto mais o fazem Deste modo se explica, aliás, seu, visa o «fundamento» sumológico das quando essa resistência se torna indis- Assim, cabe-nos dizer que o movimento que Orlando Vitorino repudiasse o supos- verdades eternas e principiais de uma pensável contra da filosofia portuguesa, no que verdadeira to carácter «grupal» da filosofia portugue- filosofia da história norteada por e para o establishment esquerdista imposto a e espiritualmente significa, não deve, sa, não obstante a sua manifestação na Portugueses. Como tal, Pinharanda Go- todos os quadrantes da vida político- quanto a nós, ser equiparado a outros concreta e situada tertúlia de Álvaro Ri- mes vale, no mínimo, mil universitários económica, jornalística e académica. movimentos manifestamente cívicos, lite- beiro e José Marinho, irmãos espirituais em Leonardo Coimbra. Ou seja: a filosofia portuguesa não só irradiou a outras personalidades das mais diversas origens, ideários e matizes ideológicos como Almada Negreiros, Jorge de Sena e José Régio, como também lançou raízes mais fundas, singulares e originais que hoje permanecem e prometem doravante constituir a filosofia de todos os portugueses que pensam. Logo, como escrevera Orlando Vitorino, a filosofia portuguesa é um dos acontecimentos mais importantes da história de Portugal, afirmação que só estranhará quem não puder compreender a afirmação de N. Hartman de que os Discursos à Nação Alemã, de Fichte, foram um dos acontecimentos mais importantes da história universal. pela sua obra verdadeiramente monumental, e tanto mais valiosa porquanto inspirada no pensamento de Álvaro Ribeiro e José Marinho que foram, por certo, filósofos que promoveram aulas abertas e gratuitas de filosofia, coisa, aliás, impensável em "profissionais" pagos para dissertar no meio universitário. Na realidade, foram esses mesmos "profissionais" parasitários do pensamento extra-universitário que, por entre as vestes dissimuladas da “Filosofia em Portugal”, jamais admitiram a existência da filosofia portuguesa por a considerarem, como refere Pinharanda Gomes, uma ideologia já feita para então recusá-la liminarmente. E a ironia perpassa pelo facto desses mesmos «profissionais» do intelecto alheio não terem o mesmo senti- Por isso, desde já nos consideramos naturalmente solidários com nossos irmãos de Vera Cruz em nome de uma língua e de uma Pátria que nos é, não obstante a cisão histórica na «coisa pública», bem como na origem e na acção de dois Estados diferentes, efectivamente comum. Na verdade, o abortismo ou a “cultura de morte” - na inequívoca expressão de João Paulo II -, a "liberalização das drogas", o multiculturalismo, o alarmismo ecológico, o feminismo, o “casamento” gay, enfim, tudo o que o socialismo progressista nos quer agora impor, encontrará da nossa parte a mais viva hostilidade. De resto, é um facto indesmentível de que a desproporção entre o esquerdismo - constituído por organizações sectárias e partidárias para destruir a Pátria, a Nação e a Repú- rários, políticos ou outros, como fazem certos universitários que só vêem, em termos lineares, o antes e o depois, histórica ou sociologicamente considerados. Se tudo fosse pautado nos tais termos lineares do antes e depois, permaneceria apenas a imagem temporal do que incessantemente se nega, altera e corrompe, onde nada por si mesmo subsiste ou permanece. Ora, entendida a filosofia portuguesa, não como o pensamento do já pensado, mas como o pensamento em acto, é o que nos permite dizer hoje, como ontem disse Álvaro Ribeiro, e amanhã o dirão outros ainda, que a interpretação portuguesa da filosofia de Aristóteles é superior à interpretação alemã. *Mantido texto original em Português de Portugal. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania Como você imagina o mundo futuro? cas? Os profissionais da construção civil terão exoesqueletos robóticos para facilitar o trabalho? Os carros e as motos vão voar e vão se guiar sozinhos? Será iniciada a colonização da Lua e de Marte? Vão ser construídas cidades submarinas e espaciais, em órbita da Terra? As pessoas vão passar a trabalhar em casa? Os robôs vão trafegar nas ruas das cidades ao lado de humanos? Haverá, finalmente, um contato com extraterrestres? Um contato oficial e exposto ao público. Será? O mundo vai estar mais quente, a temperatura média global? O mapa do globo terrestre, o formato dos continentes vai estar alterado? A maioria dos países vai ter população multicultural? As pessoas vão passar dos 120 anos de idade? A água potável será escassa? A maioria das espécies animais estarão extintas? As doenças terão curas descobertas pela ciência? Surgirão novas doenças hoje desconhecidas? Os empregos como conhecemos hoje vão acabar? O capitalismo vai acabar e ser substituído por outro modo de produção? Ou o capitalismo vai persistir e, vai tomar outra forma? O casamento civil vai ser extinto, devido ao alto índice de divórcios? Ou vai permanecer existindo? Como vai ser a alimentação no futuro? Vão surgir novas religiões? E o Brasil, especificamente? Vai permanecer sendo o eterno pa- Agora estamos em 2017, eu reconheço que, comparado aos pa- ís do futuro que nunca se torna presente? A nação brasileira vai con- râmetros dos anos 80 e 90, a tecnologia avançou muito em algumas seguir se livrar do problema da corrupção? Dos constantes escânda- áreas como informática e telecomunicações e, pouco em outras á- los políticos? A criminalidade vai diminuir? O Brasil vai conseguir en- reas. O mundo hoje está um pouco diferente do mundo que conheci contrar o caminho para o desenvolvimento? A mentalidade predomi- na infância e na adolescência. Percebo diferença até no comporta- nante na sociedade atual vai mudar? O futuro é consequência do mento das pessoas de hoje em dia em comparação com aquelas é- presente e do passado, principalmente do presente. As decisões que pocas. tomarmos hoje vão moldar os acontecimentos do amanhã. Como será o mundo daqui a uns 30, 50,70 ou 100 anos? Os edifícios serão mais altos ainda? Terão tecnologia de limpeza e reparo automáticos, tipo inteligência artificial? As janelas serão holográfi- João Paulo E. Barros História 09 de junho Tenerife, uma das ilhas do arquipélago das se, escreveu Arte da gramática da língua Dia Nacional de Canárias. Em 1548, Anchieta chegou ao Colégio das Artes e com 17 anos ingressou no mais usada na costa do Brasil, primeira gramática da língua tupi-guarani. A poesia escri- Anchieta, Apóstolo noviciado. ta por José Anchieta está impregnada de do Brasil. conceitos morais, espirituais e pedagógicos. Após estudar em Coimbra, Portugal, ingres- Por isso, sua linguagem é simples, apesar de O Dia Nacional de An- sou na Companhia de Jesus em 1551. ser escrita em redondilhas menores (cinco chieta é comemorado sílabas poéticas). em 9 de junho. Essa Em julho de 1553 deixou Portugal e veio para data comemorativa é o Brasil na comitiva de Duarte da Costa, com Em 1563, foi refém, durante cinco meses, uma homenagem a fi- o intuito de catequizar os índios. Em 1554, dos índios tamoios. Nesse período escreveu gura história de José fundou, com Manuel da Nóbrega, um colégio o poema em latim "De Beata Virgine Dei Ma- de Anchieta, um padre em Piratininga. Aos poucos se formou um po- tre Maria" e vários autos religiosos. Já doente jesuíta que viveu du- voado ao redor do colégio, batizado por José muda-se para o Espírito Santo, onde morreu rante o século XVI e chegou ao Brasil com a de Anchieta como São Paulo. Algum tempo aos 63 anos, na cidade de Reritiba, atual An- missão de catequizar os povos indígenas, de depois, é enviado a São Vicente, onde apren- chieta. Em 1980, foi beatificado pelo papa acordo com os princípios do catolicismo. deu a língua tupi. João Paulo II. José de Anchieta nasceu no dia 19 de mar- José de Anchieta escreveu inúmeros autos, ço de 1534, em São Cristóvão de Laguna, cartas e poesias de cunho religioso. Além disso, resultante do seu trabalho de cateque- Da redação Por uma Reforma Política democrática e com participação popular Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Angola A irmã do Brasil Apesar de ambos os países terem sido um Senado. A moeda de Angola é chamada colônias de Portugal, até a independência do Kwanza, o símbolo é Kz. Brasil, as exportações de Angola eram majoritariamente para o Brasil, principalmente Angola é um país multicultural e mão de obra escrava. Os colonos portugueses transcultural. Isto quer dizer que abriga em seu em Angola interagiam mais com os colonos no território diversas culturas, com línguas, Brasil do que com a metrópole. Depois da costumes e origens diferentes, que muitas independência do Brasil, essa relação direta vezes extrapolam as fronteiras políticas foi rompida, Angola e Moçambique passaram estabelecidas pelos europeus no século 19. As a ter maior importância econômica para etnias nativas de Angola são os ovambos, os Lisboa. hereros, os xindongas, os ganguelas, ovimbundus, os nhanecas-humbes, os Nos últimos anos, Angola teve grande ambundus, os bakongos, os chokwes e os crescimento econômico e comercial no mundo, khoisans. Cerca de 71% dos angolanos falam um dos países emergentes na África. É um português. Os principais estilos musicais grande produtor de petróleo. Mas infelizmente, angolanos são o Semba, o Kuduro e o no aspecto político, Angola necessita melhorar Kizomba. As festas tradicionais angolanas são muito. Desde 1979, o mesmo homem tem se a Festa do Mar, o Carnaval e as Festas de perpetuado na presidência daquele país. Mas Nossa Senhora de Muxima. Cerca de metade é um Estado político novo no cenário mundial, da população é católica romana, e cerca de Do outro lado do oceano atlântico, no se tornou independente em 1975, passou por um quarto da população é evangélica. Os hemisfério sul, há um país que tem o uma guerra civil. Os principais partidos principais canais de televisão em Angola são a português como um de seus principais idiomas políticos de Angola são a UNITA, o MPLA e a TPA (Televisão Pública de Angola), a TV e tem ligações históricas fortes com o Brasil, FNLA. Angola também é uma República Zimbo e a AngoTV. tanto que milhões de brasileiros descendem Presidencialista, é dividida em 18 províncias de pessoas que vieram desse país. Esse país cujos governadores são escolhidos e É um país que, no aspecto geopolítico e é Angola. nomeados pelo presidente da República, não geoeconômico, é um aliado muito interessante são eleitos pelo povo como no Brasil. Lá, o para o Brasil, mas a maioria dos brasileiros Você sabia que em Angola o Brasil é visto Estado é unitário, não é federal. Angola não é não percebe. como um irmão mais velho? Mas aqui no dividida em estados. O Parlamento angolano é Brasil pouca gente se interessa por Angola, é unicameral, tem uma Assembleia Nacional João Paulo E. Barros um país desconhecido em terras brasileiras. composta por 220 deputados mas, não tem Moçambique Outro irmão do Brasil sou por guerra civil. Os principais partidos políticos de Moçambique são a FRELIMO e a RENAMO. Moçambique é uma República Semi- presidencialista, é dividido em 10 províncias e capital Maputo, cujos Em outra parte do mundo, na governadores são escolhidos e nomeados pelo presidente da Repúbli- África do lado do Oceano Índico, há ca, não são eleitos pelo povo como no Brasil. Lá, o Estado é unitário, um país que tem o português como não é federal. Moçambique não é dividido em estados. O Parlamento um de seus principais idiomas e tem moçambicano é unicameral, tem uma Assembleia Nacional composta ligações históricas com o Brasil. Es- por 250 deputados mas, não tem um Senado. A moeda de Moçambi- se país é Moçambique. que é chamada Metical. Você sabia que em Moçambique, Moçambique é um país multicultural e transcultural. Isto quer dizer o português do Brasil tem se popula- que abriga em seu território diversas culturas, com línguas, costumes rizado nos últimos anos? Mas aqui e origens diferentes. As etnias nativas de Moçambique são os Macuas no Brasil pouca gente se interessa -Lomués, os Tongas, os Macondes, os Swahilis e os Nhanjas. Cerca por Moçambique, é um país desco- de 71% dos angolanos falam português. O principal estilo musical monhecido em terras brasileiras. Os çambicano é a Marrabenta. As festas tradicionais moçambicanas são portugueses chegaram naquela região no século 15, quando Vasco da a Feima e o Folguedo de Moçambique. Cerca de 24% da população é Gama ia para a Índia. As exportações de Moçambique para o Brasil católica romana, e cerca de 22% da população é evangélica e 20% é eram principalmente mão de obra escrava. Depois da independência muçulmana. Cerca de metade da população segue crenças tradiciodo Brasil, Angola e Moçambique passaram a ter maior importância e- nais africanas. Os principais canais de televisão em Moçambique são conômica para Lisboa. Nos últimos anos, o Brasil foi um dos países a TVM (Televisão de Moçambique) e a TIM (Televisão Independente que mais investiram em Moçambique. E fez alguns investimentos agrí- de Moçambique). colas junto com o Japão, em parceria. É outro país que, no aspecto geopolítico e geoeconômico, é um Nos últimos anos, assim como Angola, Moçambique também teve aliado muito interessante para o Brasil, mas a maioria dos brasileiros grande crescimento econômico e comercial no mundo, e é também um não percebe. dos países emergentes na África. Mas infelizmente, no aspecto políti- co, Moçambique tem tido problemas de instabilidade. É um Estado político novo no cenário mundial, se tornou independente em 1975, pas- João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia MEU JARDIM O QUADRO Página 7 GENHA AUGA Luto pela força da palavra. Na batalha da vida gosto de ser gentil, Mas a vida deixa cicatrizes da maldade humana, Da ganância e da intolerância. Sou guerreira, mas não empunho espada, Minha arma é sempre a fala, Algumas duras, Quando é preciso cortar o mal pela raiz. E quando a tristeza ou dor Vem me avassalar, Encontro no céu meu chão. Semeio flores, Amadureço com os espinhos, Aprendi a gostar de mim E a quem de mim gostar, Cuido do meu jardim, E quando as flores nascem, colore a vida, Enobrece a alma, Vem o gato a espreitar o pássaro Que no meu jardim canta e encanta. Sempre que abro a janela vejo isso tudo De bonito e forte que construí. Parece sonho, mas somente quem aprende Olhar a vida com amor, Terá da sua janela um cenário assim. Se não tem um jardim dentro de ti, Jamais as borboletas te procurarão. Genha Auga - Jornalista - MTB: 15.320 Chegou em casa muito feliz! Estivera num bazar beneficente e adquiriu por uma bagatela algumas prendas, mas, o melhor de tudo foi que ao final foi sorteado um quadro que ficou de lado desprezado que para sua surpresa, ela fora a ganhadora. Escolheu pendurar o mesmo na parede em frente da sua cama para analisar melhor aquela pintura de nuvens pesadas e assustadoras, pensou: “Parece anúncio de mau presságio”. A noite preparou-se para dormir e deitou-se olhando para o quadro e, jurava que as nuvens se movimentavam e quanto mais atentamente olhava se convencia de haver um mistério que a intrigava, até que de tanto pensar adormeceu. Naquela noite chovera tanto que mal conseguia dormir, com calafrios levantou-se e percebeu a janela meio aberta e viu nuvens assustadoras e o pior, foi quando percebeu que a tela do quadro pendurado estava vazia, parecia loucura de sua cabeça. Quase em choque e tentando ter certeza que estava acordada e que não era um pesadelo, foi até a cozinha pegar um copo de leite. Nisso, um trovão bem forte e raios, iluminaram a janela clareando a casa. Suas pernas fraquejaram e sentiu um pavor enorme até que uma ventania escancarou toda janela derrubando o quadro. Relutou muito em pegá-lo para ter certeza do que estava acontecendo, mas assim o fez e foi então que o quadro a engoliu e as luzes se apagaram. Parece que tudo não passou de um pesadelo e foi tudo um sonho essa história de bazar e de quadro. No dia seguinte levantou e não viu mais nada disso. Ufa! Que alívio e de frente ao espelho foi se pentear. Sabem o que aconteceu? Sua imagem não era a dela e sim a de uma nuvem cinza com cara de terror. Naquela noite o quadro realmente a engoliu e deu vida aquele ser das trevas. E ela? Ah! Eu a vi no quadro em outro bazar só que dessa vez, fui eu a sorteada. Não aceitei e fui “saindo de fininho”. Olhei para o quadro com a imagem da moça e ela piscou para mim num tom ameaçador e senti com arrepios que não poderia menosprezá-lo. Fiz isso, levei o quadro. Bem para resolver isso, organizei um bazar para prosseguir com o presságio e vou sortear o quadro. Vocês estão convidados... www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Diretas já! Por democracia e direitos, Diretas Já! Foto: Mariana Raphael/Facebook tas para Presidência da República. Muito ao contrário, o que lhes interessa é substituir o atual fantoche por outro fantoche qualquer que se mostre comprometido e apto a levar a cabo as reformas desejadas pelo capitalismo predatório nacional e estrangeiro. Com esse foco, as regras do jogo democrático são lembradas apenas se servirem a esses interesses. Exemplo disso veio estampado no editorial do jornal O Globo no último dia 19 de maio. Eivado de afetação e de dissimulada surpresa e indignação com as condutas atribuídas a Michel Temer, o texto pediu a renúncia do presidente e somente se recordou de invocar a Constituição para deixar estabelecida a opção por eleições indiretas, a serem realizadas pelo Congresso Nacional: “O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovação ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs”. A depender do desejo e das ações das elites detentoras do capital, dos grandes meios de comunicação e de grande parte do parlamento, Todavia, no ponto em que a Constituição de 1988 determina que a democracia brasileira sempre será uma festa de fachada para a “todo o poder emana do povo” (art. 1º, parágrafo único), ela é solene- qual o povo brasileiro não será convidado, a não ser para pagar a mente ignorada, assim como vem sendo ignorado também o fato de conta ou fazer a faxina. pesar sobre importante parte dos integrantes do Congresso Nacional pesadas acusações de prática de crimes. Em meio à grave crise econômica que atingiu o país, os verdadeiros donos do poder, visando manter seus privilégios, sem qualquer ceri- O fato de Henrique Meirelles ter ocupado entre 2012 e 2016 o cargo mônia ou traço de acanhamento, não tiveram nenhuma dúvida: orga- de presidente do conselho de administração da empresa controladora nizaram suas tropas na mídia e no Congresso Nacional, levaram a da JBS e permanecer como Ministro da Fazenda, não é motivo de cabo um processo de impeachment sem prova alguma da prática de consternação para os porta-vozes do novo golpe. Ao contrário, sem crime de responsabilidade e destituíram do Poder a presidenta eleita nenhum pudor, seu nome chegou a ser cogitado para ser indiretamen- pela soberania do voto popular. te eleito para a Presidência da República. Uma vez violado um dos pilares centrais da Constituição de 1988, sob Mais uma vez, como é corriqueiro na história do Brasil, as peças do a batuta de Michel Temer, os mais sinistros personagens do teatro jogo político são movimentadas para impedir a interferência do perso- político brasileiro voltaram à cena e não têm medido esforços para nagem principal nos processos decisórios. Para atingir esse objetivo, promover um violento e extenso ataque aos direitos da classe traba- a manipulação e a violência são as armas preferidas dos donos do lhadora, aos programas sociais e ao patrimônio nacional. poder. Nesta altura, no entanto, as forças econômicas, políticas e jurídicas A importante manifestação popular realizada em Brasília no último dia que deram sustentação ao golpe já não estão atuando de modo hege- 24 de maio foi duramente reprimida pelas forças de segurança e Mimônico e, nos dias que se seguem ao terremoto político causado pela chel Temer chegou a editar um decreto, depois revogado, autorizando divulgação das delações dos proprietários da JBS, o que se vê no ho- o emprego das Forças Armadas para garantia da lei e da ordem durizonte do país é a possibilidade concreta de os momentos de Michel rante os protestos na Esplanada dos Ministérios. Temer ocupando a Presidência da República estarem contados. No mesmo dia, enquanto em São Paulo, por ordem do governo esta- Com baixíssima aprovação, sem resultados reais na economia, com dual e municipal, desenrolavam-se cenas de terror com a prisão e ex- uma crescente insurgência popular contra seu governo e envolvido pulsão de moradores da região da Cracolândia, na cidade de Reden- diretamente em graves acusações de prática de crimes, Michel Te- ção, no estado do Pará, no cumprimento de um mandado de reinte- mer, agora fustigado pelo poderoso arsenal da Rede Globo, está gração de posse, onze trabalhadores rurais foram barbaramente as- pronto para ser devorado. sassinados pela polícia. Neste cenário, a dúvida que paira no ar refere-se ao modo pelo qual Diante deste momento crucial da história do Brasil, para evitar retro- se dará a sua retirada do Poder – se pela renúncia, cassação da cha- cessos ainda mais profundos e para reconquistar a democracia, o que pa eleitoral pelo TSE ou impeachment – e a grande luta a ser travada nosso tempo exige das forças progressistas é a unidade e a capacida- é pela forma como se dará a escolha de seu sucessor – se pela via de de de agir, nas ruas e nos corações, exigindo a realização de eleições eleições diretas ou indiretas. Diretas Já! Não parece muito complicado compreender que quem se atreveu a Giane Ambrósio Álvares é advogada, mestre em Processo Penal colocar a cavalaria em campo para desrespeitar a Constituição de pela PUC/SP e membro da Rede Nacional de Advogados e Advoga1988, a soberania do voto popular e extinguir direitos com a voracida- das Populares. de que temos acompanhado, não está interessado em eleições dire- www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 9 Política da educação SOBRE O ENSINO DE AFRICANIDADES: NINGUÉM CONSEGUE ENSINAR O QUE NÃO SABE da África e dos africanos, a luta dos negros e nhecer mais sobre o tema. Dessa conversa, dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra então, surgiu a lista a seguir: e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil”. Pois bem. Diante dessa breve introdução e da legislação pertinente, questiona-se: “como é possível ensinar o que se estabelece nos artigos acima, sem ter conhecimento sobre seus conteúdos”? Dia 25 de maio é celebrado o Dia Interna- Sabemos que a formação de professores de cional da África. Um dia de reflexão sobre a História, Geografia, Sociologia, Filosofia e de independência dos povos africanos. Neste Pedagogos pouco abordam as questões indí- Atualmente temos já disponibilizados os temas mesmo dia, em 1963, foi criada a genas e o ensino de africanidades. Quanto que estão em vermelho e ticados. Nosso pla- “Organização da Unidade Africana”, chamada muito, estudam algumas passagens e algumas nejamento é que até o final de 2017 todos os hoje “União Africana”. Na época, essa organi- “pinceladas” sobre aspectos bem gerais. vídeos estarão contemplados. Com essa série zação tinha como objetivo tornar oficial a luta Quando este professor cai em sala de aula, completa, pretendemos ofertar gratuitamente contra o colonialismo europeu e o apartheid. acaba se apoiando muito mais na mídia do aos colegas professores e alunos, uma grande Em 1972 a Organização das Nações Unidas que em estudos acadêmicos. diversidade de vídeos sobre a História e a Ge- reconheceu tal movimento e criou, então, o Apoiando-se em matérias jornalísticas da ografia do continente africano. “Dia da África”. grande mídia, os professores acabam refor- Pensando em um modelo de aula invertida ou Que o continente africano tem uma rica diver- çando os estereótipos sobre o continente afri- de ensino híbrido, acreditamos que esses ví- sidade natural e cultural, isso pouca gente du- cano (isso quando não o tratam como um úni- deos podem ajudar alunos e professores a vida. O problema é que geralmente nos reme- co país). A escassez de material didático so- compreenderem um pouco mais o continente temos ao continente enquanto um exportador bre as questões africanas e indígenas faz com africano. No futuro, quem sabem, podemos de escravos e enquanto um país miserável que recorremos aos materiais de baixa quali- fazer o mesmo movimento com as questões (sim, muitos imaginam que o continente africa- dade que existem. indígenas. no é um país). Recentemente realizei uma pesquisa sobre o Para isso, é importante que nossos colegas e Historicamente o berço da humanidade se en- material disponível para o ensino de africani- nossos alunos acessem nossos materiais e contra neste continente. A matemática, a filo- dades e questões indígenas. Pouco material critique nosso trabalho. Precisamos saber se sofia, os estudos sobre a natureza, a desco- de qualidade foi encontrado. No Youtube, o estamos ajudando, ou não. berta do fogo, a evolução da espécie humana, que se encontra, geralmente, são documentá- Também precisamos destacar que a Gazeta enfim, a nossa história começa no continente rios que reforçam o estereótipo de subdesen- Valeparaibana também contribui com muitos africano. volvimento e pobreza extrema ou alguns ou- artigos e informações sobre diferentes países Infelizmente este continente foi palco de diver- tros documentários que tratam de culturas africanos de influência portuguesa. Os chamasas formas de colonização e exploração mo- muito específicas do continente (sobretudo de dos países lusófonos (Portugal, Guiné-Bissau, derna (considerando pós século XV). O conti- bosquímanos – que, por consequência refor- Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Ti- nente serviu de exportação de escravos para o çam os estereótipos). mor Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné E- continente americano e foi saqueado por dife- Há diversos filmes espalhados pela internet quatorial). Todos esses materiais que contribu- rentes países europeus. que podem nos ajudar. Atualmente em vários em com um melhor entendimento das nossas As migrações (ainda que forçadas) contribuí- países africanos há produtoras de filmes e di- matrizes precisam ser divulgados. ram para a transformação dos povos america- versos jovens que utilizam a plataforma do Reafirmo a condição de que ninguém conse- nos. Hoje, nossa comida, vestimenta, religião Youtube para apresentar seu país. Neste ca- gue ensinar o que não sabe. E, obviamente e dialeto (dentre outras características) possu- so, precisamos conhecer este material e trans- isso se aplica a mim, uma vez que preciso es- em forte influência africana. formá-los em aula. tudar muito, para poder ensinar meus alunos e Para que possamos conhecer melhor este Atualmente é possível verificar algumas edito- contribuir com os colegas. Precisamos unir continente, a Lei 9.394/1996, no seu artigo 26, ras que, muito timidamente, começam produzir nossas forças e objetivos de forma com que §4º diz que “O ensino da História do Brasil le- livros de contação de histórias, introduzindo o possamos estudar mais e conhecer mais so- vará em conta as contribuições das diferentes interesse pelas africanidades aos pequenos. bre a nossa própria história. Reafirmo, tam- culturas e etnias para a formação do povo bra- Porém, como dito, ainda é muito tímido. Para bém, meu respeito aos povos africanos e indí- sileiro, especialmente das matrizes indígena, os jovens, então, é mais escasso ainda. Con- genas que sustentaram as bases da nossa so- africana e europeia”. Adiante, no artigo 26-A tudo, é possível afirmar que a situação na últi- ciedade e que foram massacrados ao longo da se lê, que “Nos estabelecimentos de ensino ma década melhorou razoavelmente. história. fundamental e de ensino médio, públicos e pri- Pensando nessa problemática, e longe de Neste momento, muito mais importante do que vados, torna-se obrigatório o estudo da história querer sanar o problema, o Prof. Fábio Luiz ensinar meu aluno a fazer “X” no lugar certo e cultura afro-brasileira e indígena”. Segue (diretor do Canal Nossa História) e eu pensa- para passar em um vestibular, fica aqui o pro- §1º: “O conteúdo programático a que se refere mos em uma sequência de vídeos explicando testo para que, primeiro, meu aluno seja um este artigo incluirá diversos aspectos da histó- diferentes conteúdos do continente africano. cidadão. ria e da cultura que caracterizam a formação Pensamos em um material que possa servir da população brasileira, a partir desses dois tanto aos professores que não dominam o grupos étnicos, tais como o estudo da história conteúdo, quanto ao aluno que pretende co- Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo ivanclaudioguedes@gmail.com

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Dia Mundial dos Oceanos A importância dos gerando os ventos, frente frias e outros fenômenos atmosféricos e cli- Oceanos para a Biosfera e para o humano. máticos. E também provoca, anualmente, a evaporação de uma camada de 91 centímetros de água de todos os oceanos. Estima-se que da energia solar que incide sobre as camadas superiores da atmosfera, apenas de 1 a 2% é utilizada na fotossíntese e passa a entrar nos ecossistemas. Os oceanos e mares Como a capacidade da água de absorver calor é muito maior do que exercem uma grande relevância para a bios- a da atmosfera, isso torna o oceano um grande reservatório de calor. Apenas os três primeiro metros de camada de água dos oceanos é fera. Do ponto de vista capaz de armazenar tanto calor quanto toda a atmosfera. Calor esse ambiental contribuem que resulta, em boa parte, na maior contribuição do mar para a atna composição e equilíbrio climático, uma vez que os fitoplânctons abrigam as cianobacté- mosfera: a formação de nuvens. rias responsáveis pela produção de grande parte do oxigênio do pla- As nuvens são formadas pelo vapor da água que se condensa em tor- neta juntamente com algumas espécies de algas marinhas. São o ver- no de algumas substâncias químicas presentes na atmosfera, conhe- dadeiro pulmão do mundo, uma vez que produzem mais oxigênio pela cidas como aerossóis de sulfato, que constituem os núcleos formado- fotossíntese do que precisam na respiração, e o excesso é liberado res de nuvens. A maior fonte natural destas substâncias é o dimetil- para o ambiente. sulfeto, um gás produzido pelas algas do fitoplâncton que é liberado para a atmosfera. Outra importante fonte são os gases poluentes exa- lados pelos navios que ao queimarem combustíveis fósseis liberam sulfetos. As nuvens têm um papel importante no controle climático da Terra, aumentando ou diminuindo a capacidade de reflexão da energia solar e interferindo no equilíbrio térmico do planeta. E as interações entre o mar e o ar não param por aí. A energia do sol atinge a superfície da Terra com mais intensidade na faixa tropical do que nas regiões polares. Esse aquecimento diferenciado produz massas de ar com temperaturas diferentes. Para que exista um equilíbrio, essas massas de ar se movimentam e provocam os ventos, que por sua vez atuam na superfície dos oceanos gerando as ondas. As ondas ajudam a manter homogênea a temperatura da água nos primeiros dez metros do mar, que é a região em que mais de 60% da energia do sol é absorvida. O ambiente marinho, apesar de suas características e comportamento muito peculiar, não está isolado do restante do planeta. Ao contrário, forma com os continentes e com a atmosfera uma complexa unidade vital: a Biosfera. O oceano e a atmosfera são dois fluidos em permanente interação e disso depende, e muito, o clima e as condições de vida na Terra. O Sol, como fonte primeira de energia, é o grande motor dessa intera- ção. Cerca de 40% da energia que chega à Terra é devolvida para o espaço. Dos 60% que ficam, cerca de um terço é absorvido pelas nu- vens, vapores de água e outros gases presentes na atmosfera, como o gás carbônico e o ozônio. Os outros dois terços atravessam a at- mosfera e são aproveitados pelos oceanos e continentes. Como os oceanos ocupam mais de 70% da superfície do planeta, eles recebem a maior parte da energia solar Enfim, o oceano é um grande regulador térmico da atmosfera, ceden- A energia solar refletida é responsável pela luminosidade da Terra, do e retirando calor quando é necessário. para quem a vê do espaço. A energia absorvida, principalmente sob a forma de calor, promove o aquecimento e a circulação da atmosfera, Da redação Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Música e Músicos Grandes figuras da música ocidental V - Mahler deixa devastado. Antes desse fato, a perseguição por causa do anti- semitismo aliado ao seu sucesso que incomodava muita gente já co- O século XIX foi o período onde a música sinfônica meçou a deixá-lo mais deprimido. Escreve 3 sinfonias, sem a utiliza- mais se desenvolveu. Instrumentos em especial de ção da voz. Parece que ele estava em um momento interior sem exa- sopro e percussão foram melhorados e proporciona- tamente a necessidade de se expressar em palavras mas com muito ram aos compositores um leque maior de opções de sofrimento para ser exprimido em arte. timbres e sons. Sua quinta sinfonia é densa, tem cinco movimentos, já espelha essa As orquestras foram crescendo de tamanho. No início do século XIX tristeza mas tem momentos de alegria. Seu movimento mais famoso, elas tinham por volta de 40 músicos, na entrada do século XX chega- o quarto, um Adagietto que é muitas vezes tocado sozinho em um vam a ter 110 a 120. concerto, ficou famoso quando foi utilizado quase integralmente em um filme, Morte em Veneza, um filme polêmico de Luchino Visconti, Um dos compositores que viveram nessa época que mais aproveita- de 1971. ram esse crescimento foi Gustav Mahler. Sinfonia nº 5 https://youtu.be/vOvXhyldUko o Adagietto começa em 45min20s Mahler, que viveu entre 1860 e 1911, nasceu na Bohemia, na época A sexta sinfonia é onde a gente conhece sua dor extrema. O primeiro do Império Austro- Húngaro, hoje, república Checa. Era de origem ju- movimento começa com uma espécie de marcha fúnebre que explode daica, o que lhe trouxe problemas de aceitação por causa do anti- em um choro sofrido e desesperado. Com certeza ouvir esse primeiro semitismo que já corria na Europa, especialmente nos países de lín- movimento com a imagem da perda de uma filha dispensa explicação. gua germânica. Sinfonia nº 6 https://youtu.be/YsEo1PsSmbg. Ouça o início dela, a marcha fúnebre e a explosão de angústia. Mesmo em sua terra de origem, uma família judia que falava alemão, Sua sétima já é bem mais cerebral, mais madura, mais doída. Uma ele já se sentia sempre um “desterrado”, por suas próprias palavras. música mais complexa e dura. Mas também muito linda. Ela tem uma Na cidade onde ele passou a infância ele teve contato com a rica mú- cara de século XX, mais escura. Linda, forte, mas difícil. sica folclórica da região, além de músicas de bandas militares. Sinfonia n.º 7 https://youtu.be/QdxvC7NNSLQ um Scherzo Apoiado pela família, Mahler foi para Viena, capital do Império Austro- (Brincadeira) delicioso começa em 35min53s Húngaro para tentar uma vaga no conservatório. Mahler conseguiu prontamente e logo foi construindo sua carreira. Sua oitava sinfonia inaugura uma fase mais espiritual, a última fase Mahler sempre gostou de compor mas foi como regente que ele aca- de criação bou ficando conhecido. Além da tragédia da perda da filha e da perseguição ele descobre u- Ocupou o posto de diretor da Ópera de Viena, e também do Metropo- ma traição de sua mulher. e percebe que seus dias podem estar che- litan de Nova York. gando pois os médicos lhe disseram que seu coração estava com Ele teve que se converter ao Cristianismo para tentar não ser perse- problemas. guido e criticado, o que parcialmente ajudou, mas nunca evitou. Ape- A oitava se torna seu projeto mais ambicioso. Ele escolhe dois textos sar de ser considerado um dos melhores regentes de ópera na sua que teoricamente seriam antagônicos mas que têm um ponto em co- época nunca se interessou em escrever uma, mas escreveu 9 sinfoni- mum: a Redenção pelo amor. O primeiro movimento é retirado de um as enormes, muitas delas usando a voz humana. hino cristão Veni creator spiritus (venha espírito criador) do século XIX e o segundo da cena final do Fausto de Goethe, que lida com pactos Costuma-se dividir sua obra em três fases. com o diabo. O resultado é maravilhoso. Muito difícil de ser executado. Ele usa dois coros enormes, oito solistas vocais e uma orquestra Numa primeira, ainda jovem com energia, ele compôs 4 sinfonias exu- gigantesca. Por causa desse número de executantes ela é feita rara- berantes, poderosas, triunfais. mente. A primeira delas é apenas instrumental, mas poderosa. Sinfonia nº 8 https://youtu.be/NSYEOLwVfU8 Chamada por muitos de Titã, posso destacar dois movimentos: A nona sinfonia é quase uma despedida. Como se ele estivesse di- O terceiro, onde a gente pode ouvir toda a infância do compositor: re- zendo, ok… tenho que ir agora. O último movimento dela é lento e ferência à música folclórica, a bandinhas e música judaica. O quarto, meditativo, e termina quase num silêncio, como se ele soubesse que é uma explosão de alegria, de juventude. Muito heróica inspirou muita era o fim. música atual de cinema. Sinfonia nº 9 https://youtu.be/RlGe8bsdpB8 . Navegue até os últimos Sinfonia nº 1 https://youtu.be/4XbHLFkg_Mw , O 3º movimento come- 10 minutos e veja como ela termina quase silenciosa como se ele dis- ça em 24min55s, o 4º em 36min20s sesse, “estou indo”, “até breve”. A segunda e a terceira são gigantescas, a segunda chega a durar u- Ele chegou a escrever parte de uma décima sinfonia. Só existe com- ma hora e meia. Fala da Ressureição. Usa uma orquestra enorme, pleto um adágio. Um provável segundo movimento. Extremamente coro e solistas vocais. Apesar de ser longa é talvez a mais executada dramático e espiritual, ele é apontado por muitos estudiosos como u- de suas 9. Ela é inteira linda. Mas ouça o final dela que é absoluta- ma profecia da música do século XX. Há um momento em que a or- mente empolgante. questra toca todas as notas possíveis ao mesmo tempo. Um prenún- Sinfonia nº 2 https://youtu.be/4MPuoOj5TIw o final começa em cio do caos que se aproximava. 48min40s Sinfonia nº 10 - Adagio https://youtu.be/4CGxEkT6-DI. O momento em A terceira é a maior delas em duração, dura quase duas horas e tem que ele se utiliza de todas as notas ao mesmo tempo começa em 6 movimentos. Usa coro adulto, coro infantil, solista e grande orques- 18min08. Ele vai acrescentando blocos até que a orquestra inteira to- tra. Usa textos de Nietzche (Assim Falou Zaratustra) e do Cancioneiro ca esse acorde. Popular (Des Knaben Wunderhorn - A Trompa Mágica do Garoto). O- Mahler inspirou muitos compositores de música de cinema de nossa riginalmente ela tinha até sete, mas até o próprio compositor achou época. John Williams, que compôs para Guerra nas Estrelas e Harry demais. Este sétimo movimento acabou virando o último movimento Potter é um admirador confesso da música de Mahler. de sua quarta sinfonia, que em oposição é a mais curta delas. A última da primeira fase, e a mais delicada de todas. Usa uma orquestra Abraços musicais menor e uma voz no último movimento com texto da Trompa Mágica. Mto. Luís Gustavo Petri Sinfonia nº 3 https://youtu.be/9Yr720ftjaA A participação do coro in- fantil fica em 1h09m14s Sinfonia nº 4 https://youtu.be/YnfhInZLmUQ A canção começa em 47min35s Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e A segunda fase marca uma fase mais dura da vida do compositor. Ele perde uma de suas duas filhas para a difteria. Isso evidentemente o Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais.

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 + Sobre Datas comemorativas 13 - Dia de Santo Antônio 24 - Dia de São João Santo Antônio de Lisboa, ou Santo Antônio de Pádua nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto, provavelmente entre os anos de 1191 e 1195. São João é conhecido como o "Santo Festeiro”, e nesse dia são realizadas muitas festas, conhecidas popularmente como Festas Juninas, comemora- Este é considerado um dos santos mais popula- ções marcadas por danças e pratos típicos. res entre os brasileiros e portugueses. No Brasil, Alguns símbolos bastante conhecidos nas celebra- Santo Antônio é conhecido por ser o "Santo Ca- ções são a fogueira, o mastro, os fogos, a capeli- samenteiro", sendo que o Dia dos Namorados é nha, a palha, o manjericão, entre outros. comemorado no dia 12 de junho no Brasil por ser a véspera do Dia de Santo Antônio. Existem duas possíveis explicações para a origem do termo Festa Junina: pelo fato das comemora- De acordo com a crendice popular brasileira, neste dia as pessoas ções ocorreram durante o mês de junho e, segundo a outra teoria, se- que desejam casar ou conseguir um namorado preparam simpatias ria uma homenagem direta a São João. No princípio, em alguns paí- para Santo Antônio, acompanhadas de orações. ses da Europa, a festividade era chamada de Festa Joanina. Saiba mais sobre o Dia dos Namorados. Origem do Dia de São João O Dia de Santo Antônio faz parte das celebrações da Festa Junina, O Dia de São João é celebrado em 24 de junho por ser a data tradi- assim como o Dia de São João e Dia de São Pedro. cionalmente atribuída ao seu nascimento. Origem do Dia de Santo Antônio São João é considerado o santo mais próximo de Cristo, pois além de O Dia de Santo Antônio é comemorado a 13 de junho por ser a data ser seu parente de sangue, Jesus foi batizado por João nas margens de sua morte. Santo Antônio morreu em Pádua, na Itália, no dia 13 de do rio Jordão. junho do ano de 1231. O São João é uma das principais figuras das festas juninas. O Dia de Santo Antônio foi inicialmente um frade agostiniano, tendo mais tarde São João também marcado pela culinária, com várias comidas e do- entrado na ordem Franciscana (1220). ces típicos, como: Foi muito conhecido pela sua vida despojada de riquezas, apesar de - rapaduras ter nascido em uma família afluente. O seu trabalho com os pobres foi - amendoim essencial para que fosse rapidamente reconhecido como santo após - bolo de milho sua morte. - cocada A canonização de Santo Antônio morte, e muitos consideram que aconteceu poucos anos após sua terá sido uma das canonizações - curau mais rápidas da história. - canjica Oração de Santo Antônio - bolo de macaxeira / mandioca Existem muitas orações a Santo Antônio, a maior parte delas ligadas - paçoca ao fato de Santo Antônio ser conhecido como o "Santo Casamentei- - pé de moleque ro". Existem outros pratos que variam de acordo com a região brasileira "Meu grande amigo Santo Antônio, em que é celebrado o São João. tu que és o protetor dos namorados, olha para mim, para a minha vida, 29 - Dia de São Pedro e São Paulo para os meus anseios. Defende-me dos perigos, afasta de mim os fracassos, as desilusões, os desencantos. Faz que eu seja realista, confiante, digna(a) e alegre. Que eu encontre um(a) namorado(a) que me agrade, seja trabalhador, virtuoso e responsável. Que eu saiba caminhar para o futuro e para a vida a dois com as disposições de quem recebeu de Deus uma vocação sagrada e um dever social. Que meu namoro seja feliz O Dia de São Pedro e São Paulo é celebrado em 29 de junho. Estas são festividades típicas da Igreja Católica, em honra ao martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo. A festa de São Pedro é uma das mais comemoradas entre as chamadas “festas juninas”. Normalmente, nestas celebrações são feitas muitas quermesses, arraias e grandes fogueiras, assim como acontece no Dia de São João. e meu amor sem medidas. Saiba mais sobre o Dia de São Jo- Que todos os namorados ão. busquem a mútua compreensão, a comunhão de vida e o crescimento na fé. Assim seja". Origem do Dia de São Pedro e São Paulo A origem desta celebração é muito antiga e, supostamente, ocorre em 29 de junho pois teria sido a data do aniversário de morte e do translado das relíquias de ambos os santos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Meio Ambiente O Meio Ambiente e a Sustentabilidade ser a ideia principal e a meta a ser alcançada ções simples para fomentar a sustentabilidade para qualquer governante. e a conservação do meio ambiente. Em paralelo as ações governamentais, todos Uma medida bem interessante é ensinar cada os cidadãos devem ser constantemente ins- família a calcular sua influência negativa so- truídos e chamados à razão para os perigos bre o meio ambiente (suas emissões) e orien- ocultos nas intervenções mais inocentes que tá-las a proceder de forma a neutralizá-las; realizam no meio ambiente a sua volta; e para garantindo a sustentabilidade da família e a adoção de práticas que garantam a susten- contribuindo enormemente para a conserva- tabilidade de todos os seus atos e ações. ção do meio ambiente em que vivem. Mas, Destinar corretamente os resíduos domésti- como se faz par calcular essas emissões? Na cos; a proteção dos mananciais que se encon- verdade é uma conta bem simples; basta cal- Nunca antes se debateu tanto sobre o meio trem em áreas urbanas e a prática de medi- cular a energia elétrica consumida pela famí- ambiente e sustentabilidade. As graves altera- das simples que estabeleçam a cultura da lia; o número de carros e outros veículos que ções climáticas, as crises no fornecimento de sustentabilidade em cada família. ela utilize e a forma como o faz e os resíduos água devido a falta de chuva e da destruição Assim, reduzindo-se os desperdícios, os des- que ela produza. A partir daí; cada família po- dos mananciais e a constatação clara e crista- pejos de esgoto doméstico nos rios e as de- derá dar a sua contribuição para promover lina de que, se não fizermos nada para mudar, mais práticas ambientais irresponsáveis; os práticas e procedimentos que garantam a de- o planeta será alterado de tal forma que a vida danos causados ao meio ambiente serão volução à natureza de tudo o que usaram e, como a conhecemos deixará de existir. drasticamente minimizados e a sustentabilida- com essa ação, gerar novas oportunidades de Cientistas, pesquisadores bros de organizações não amadores e memgovernamentais se de dos assentamentos humanos e atividades econômicas de qualquer natureza estará as- redá e de bem comunidade. estar social para sua própria unem, ao redor do planeta, para discutir e le- segurada. O mais importante de tudo é educar e fazer vantar sugestões que possam trazer a solu- Estimular o plantio de árvores, a reciclagem com que o cidadão comum entenda que tudo ção definitiva ou, pelo menos, encontrar um de lixo, a coleta seletiva, o aproveitamento de o que ele faz ou fará; gerará um impacto no ponto de equilíbrio que desacelere a destrui- partes normalmente descartadas dos alimen- meio ambiente que o cerca. E que só com ção que experimentamos nos dias atuais. A tos como cascas, folhas e talos; assim como o práticas e ações que visem a sustentabilidade conclusão, praticamente unânime, é de que desenvolvimento de cursos, palestras e estu- dessas práticas; estará garantindo uma vida políticas que visem a conservação do meio dos que informem e orientem todos os cida- melhor e mais satisfatória, para ela mesma, e ambiente e a sustentabilidade de projetos e- dãos para a importância da participação e do para as gerações futuras. conômicos de qualquer natureza deve sempre engajamento nesses projetos e nessas soluFonte: ecologiaurbana.com.br Terra, Ar e Água O planeta Terra possui característica singular desse item favorável acrescido à existência de o terceiro corresponde ao conjunto, principal- em relação aos outros astros do sistema solar. água, oxigênio compõe uma condição propicia mente a partir de rochas e solos, onde encon- ao desenvolvimento e proliferação da vida. tramos diversos tipos de minérios e a fonte de nossa alimentação. Biosfera significa “esfera da vida”, ou seja, on- de existe vida. É justamente na biosfera que Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br acontecem as interações entre os seres vivos e esses com os elementos naturais em dife- A ALeste, associação sem fins lucrativos irá rentes lugares do mundo, dessa forma cada promover uma série de três palestras sobre o região do planeta possui aspectos particulares tema “Terra, Ar e Água - O que comemos o de luminosidade, relevo, clima, vegetação, á- que respiramos e a água que bebemos”. gua entre outros. A biosfera é o agrupamento de todos os elementos naturais que favore- Trata-se de uma ação para que se questione cem e dão condições para a manutenção da o meio ambiente e a sua correlação com a sa- vida no planeta. úde pública questionando o que comemos, o ar que respiramos e a água que bebemos. Uma das principais é a temperatura que no A “esfera da vida” ou biosfera é constituída caso da Terra possui uma média mundial de por três elementos naturais de extrema impor- A primeira das palestras será sobre o Ar que 15ºC, percentual esse que é distinto em rela- tância para a vida na Terra, nesse caso estão respiramos, tendo como palestrantes o Dr. ção a Mercúrio e Vênus. a hidrosfera, atmosfera e litosfera. A primeira Paulo Saldiva e o Professor Julio César de representa a esfera das águas, composta por Araújo. No caso dos dois planetas citados, suas res- toda água existente no planeta em diferentes pectivas temperaturas médias prevalecem lugares como em rios, lagos, geleiras, ocea- Ocorrerá mo dia 08 de Junho ás 18 horas na sempre superiores a 100ºC, nesse caso seria nos e mares. O segundo consiste na esfera sede do Sindipetro sito á Rua das Azaleias, impossível o desenvolvimento de vida humana dos gases, que corresponde ao conjunto de 57, no Jardim Motorama, São José dos Cam- e de outros seres vivos. Em outros casos, al- gases que envolvem a Terra e automatica- pos - SP. guns planetas apresentam temperaturas muito mente a hidrosfera e a litosfera e que tem for- baixas, algo em torno de -40ºC. te influência na composição dos climas devido Filipe de Sousa Na Terra há um equilíbrio climático, a partir à dinâmica da atmosfera e seus fenômenos e

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Dia da Imprensa Acabo de ler o instigante livro de um colega no fas- repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas cinante ofício de análise da mídia: A Imprensa e o avalizam a "seriedade" da reportagem. Mata-se o Dever da Liberdade, de Eugênio Bucci (Editora jornalismo. Cria-se a ideologia. É necessário cobrir Contexto, São Paulo, 2009). Recomendo-o viva- os fatos com uma perspectiva mais profunda. Con- mente a todos os que se preocupam com a ética vém fugir das armadilhas do politicamente correto informativa, o papel da imprensa, a liberdade e as e do contrabando opinativo semeado pelos arautos relações entre o jornalismo e o poder. das ideologias. FRASES SOBRE HONESTIDADE Bucci afirma, com razão, que "os jornalistas e os Bucci, com a precisão de um cirurgião do texto, órgãos de imprensa não têm o direito de não ser lanceta inúmeros tumores e vai ao cerne da corre- livres, não têm o direito de não demarcar a sua ta relação entre imprensa e poder. "Para melhor independência a cada pergunta que fazem, a cada cumprir seu papel de levar informações ao cida- passo que dão, a cada palavra que escrevem. (...) dão, a imprensa precisa fiscalizar o poder - e o Os jornalistas devem recusar qualquer vínculo, direto ou indireto, com instituições, causas ou interesses comerciais que possa acarretar - ou dar a impressão de que venha a acarretar - a captura do modo como veem, relatam e se relacionam com os fatos e as ideias que estão encarregados de cobrir." A independência é, de fato, regra de ouro. Mas não se confunde com o mito da neutralidade jornalística. verbo fiscalizar carrega, aqui, o sentido de vigiar, de limitar poder. Sem ela, não há como se pensar em limites para o exercício do poder na democracia. Portanto, não é saudável nem útil a imprensa que se contente com o papel de apoiar os que governam. Não é saudável, não é útil, nem mesmo imprensa ela é." Um país não se pode apresentar como democrático e livre se pedir à imprensa que não reverbere os seus problemas. O governo Lula, no entanto, manifesta crescente insatisfação com A separação radical entre fatos e interpretações o trabalho da imprensa. Para o presidente da Re- simplesmente não existe. É uma bobagem. Jorna- pública - um político que deve muito à liberdade de lismo não é ciência exata e jornalistas não são au- imprensa e de expressão -, jornalismo bom é o tômatos. Além disso, não se faz bom jornalismo que fala bem. Jornalismo que apura e opina com sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, isenção incomoda, irrita e "provoca azia". antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. Está, na visão de Lula, a serviço da "elite brasileira". Reconheço, no entanto, que Lula não é um crítico solitário da mídia. Políticos, habitualmente, A imprensa honesta e desengajada tem um com- não morrem de amores pelo trabalho dos jornalis- promisso com a verdade. E é isso que conta. Daí tas. A simples leitura dos jornais oferece um qua- decorre o dever da liberdade. Mas a busca da i- dro assustador do cinismo que se instalou na en- senção enfrenta a sabotagem da manipulação deli- tranha do poder. Os criminosos, confiados nos pre- berada, a falta de rigor e o excesso de declarações cedentes da impunidade, já não se preocupam em entre aspas. O jornalista engajado é sempre um apagar as suas impressões digitais. Tudo é feito mau repórter. Militância e jornalismo não combi- às escâncaras. Quando pilhados, tratam de des- nam. Trata-se de uma mescla talvez compreensí- qualificar a importância dos fatos. Atacam a im- vel e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas prensa e lançam cruzadas contra suposto prejulga- que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do mento. Mente-se com o mesmo cinismo do futebo- fundamentalismo sectário. O militante não sabe lista que nega a clamorosa evidência de um pênalti que o importante é saber escutar. Esquece, ofus- redondo. cado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas. O que fazer quando o presidente da República chama senadores de pizzaiolos, faz graça com a corrupção e incinera a ética no forno do pragmatis- A grande surpresa no jornalismo é descobrir que mo e da suposta governabilidade? O que fazer quase nunca uma história corresponde àquilo que quando políticos se lixam para a opinião pública? imaginávamos. O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constrói a história. Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Só há um caminho: informação livre e independente. Não se constrói um grande país com mentira, casuísmos e esperteza. Edifica-se uma grande nação, sim, com o respeito à lei e à ética. A transparência informativa, de que os políticos não gostam, representa o elemento essencial de renovação do Brasil. Mas alguns desvios transformam um princípio irretocável num jogo de cena. A apuração de faz de conta representa uma das maiores agressões à Governos passam, mesmo quando mares de votos, mas as instituições ficam. navegam em democráticas ética informativa. Matérias previamente decididas Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação em bolsões engajados buscam a cumplicidade da pela Universidade de Navarra, professor de Ética, imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o ou- é diretor do Master em Jornalismo tro lado não é sincera, não se apoia na busca da (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - verdade. É um artifício. O assalto à verdade culmi- Consultoria em Estratégia de Mídia na com uma estratégia exemplar: a repercussão (www.consultoradifranco.com) E-mail: difran- seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, co@iics.org.br pretensos especialistas para declararem o que o Clarice Lispector: “Eu amo a minha liberdade, amo a honestidade das pessoas, não a considero uma virtude, mas sim um compromisso” *** Berilo Neves: “A honestidade costuma dormir cedo. A mulher que tem sono às oito horas da noite, ou é uma santa ou pretende fugir pela madrugada”. *** William Shaekespeare: “Muito embora seja honesto, não é aconselhável trazer más notícias”. *** Shaekespeare de novo: “Do jeito que o mundo anda, ser honesto é como ser es- colhido entre dez mil”. *** Frank Sinatra: “Tudo o que disseram sobre mim não é importante. Quando eu canto, acredito. Sou honesto”. *** Capitão Jack Sparrow (pirata fictício, interpretado pelo ator Johnny Depp): “Eu sou um desonesto. E nos desonestos pode-se sempre confiar, porque se sabe que sempre serão desonestos. Honestamente, é nos honestos que temos que ficar de olho, porque nunca se sabe quando vão fazer alguma coisa realmente estúpida”. *** Não sei quem: “Honestidade não se pro- mete, se pratica!”. *** George Carlin: “A honestidade pode ser a melhor política, mas é importante lembrar que aparentemente, por eliminação, a de- sonestidade é a segunda melhor política”. *** Júlio Dantas: “Ser honesto é vestir uma roupa de estrelas”. *** Ditado popular: “Segue sempre direito e deixar ladrar os cães”. *** Não sei quem: “Sei que ser honesto é algo prazeroso para quem pensa assim; porém, aqueles que vivem de esperteza chamam isso de idiotice”. *** Não sei quem: “A vantagem da honestidade é que a concorrência é pequena”. Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa

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JUNHO 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy entre a Grécia e a União Europeia, depois de indenizações por crimes de guerra três semanas de negociações animadas, é relacionados com a ocupação nazista de 1941 Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em um compromisso alcançado sob coação -44, pois uma parte das requisições do Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e econômica. Seu único mérito para a Grécia é ocupante alemão foi formalizada como vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de que manteve o governo Syriza vivo e capaz empréstimos forçados, a pagar pela pesquisas do Centre National de la Recherche de lutar num outro dia. Esse dia não está Alemanha no final da guerra, o que nunca Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, muito longe. A Grécia terá de negociar um aconteceu. com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin Capitalismo e democracia na Europa PARTE XVIII A 4 de fevereiro, o BCE anunciou a suspensão da principal fonte de liquidez para os bancos gregos. A saída de capitais, que já tinha começado, tomou dimensões incontroláveis, enquanto as autoridades gregas não tomaram nenhuma medida (como a imposição de controles de capitais). Nessas condições, Grécia assinou com o Eurogrupo um acordo para financiamento, que prolongou o contrato de empréstimo, dando à Grécia quatro meses de financiamento garantido, sujeito a revisões periódicas pelas agora chamadas “instituições”, a Comissão Europeia, o BCE e acordo de financiamento de longo prazo, em junho, e tem pagamentos da dívida substanciais para fazer em julho e agosto. Nos próximos quatro meses, o governo terá que montar a sua estratégia para abordar esses obstáculos e implementar seu programa radical. A esquerda europeia tem muito em jogo no sucesso dos gregos, se pretender efetivamente derrotar as forças de austeridade que estão a estrangular o continente. Em fevereiro, a equipe de negociação grega caiu numa armadilha em duas partes. A primeira foi a dependência dos bancos gregos em relação ao Banco Central Europeu para sua liquidez, sem a qual teriam de parar de funcionar. Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, aumentou a pressão, apertando os termos…. A segunda foi a necessidade premente do Estado grego de dinheiro para pagamento de dívidas e de salários. Enquanto as negociações prosseguiam, os fundos se tornaram mais exigentes…. Na noite de sextafeira, 20 de fevereiro, o governo do Syriza teve que aceitar um acordo ou enfrentar condições financeiras caóticas na semana seguinte, para as quais não estava preparado de todo”.[40] Estava preparado só em parte? Descobriu-se que o único elemento “inegociável” para a troïka era manter os memorandos e sua supervisão sobre a economia grega. A subsecretária de Estado norte-americana para os assuntos euroasiáticos, Victoria Nuland – famosa pela expressão fuck the EU captada em conversa telefônica sobre a Ucrânia – entrou em campo, visitando (e vigiando) Atenas, Roma e Bruxelas entre 16 e 20 de março. Nenhum país europeu apoiou as posições gregas, para além de algumas cortesias diplomáticas dos que queriam que o governo grego pudesse, apesar de tudo, salvar sua cara. As condições impostas pela troïka se transformaram, no entanto, no motto de um vasto movimento popular, exigindo que os termos do acordo fossem submetidos a referendo popular. A mobilização pelo referendo, e pelo não (OXI), manteve em tensão à Grécia, à Europa e o mundo durante o mês de junho e inícios de julho de 2015.[42] A crise grega assumiu abertamente um caráter político, não só para a Grécia, mas para o conjunto da UE. Os termos do resgate financeiro passaram ao segundo plano. Independentemente da fórmula submetida ao voto, o referendo queimou as etapas, constituindo-se em um o FMI. Stathis Kouvelakis foi mais realista: “O acordo desafio político à UE e ao conjunto do sistema Alguns observadores de esquerda falaram de um recuo só parcial do Syriza: “O que o governo grego se comprometeu é a continuar a gerir um excedente orçamental primário, por oposição a um déficit. Isto só por si não é austeridade. Austeridade é a prática de equilibrar orçamentos através de cortes na despesa pública. Ora, o acordo, como disse Tsipras, cancelou os cortes previstos pelo anterior governo nas pensões, bem como afastou os aumentos do IVA nos alimentos e medicamentos. As reformas que o Syriza vai apresentar como a sua parte neste acordo incluem uma enorme perseguição à fuga ao fisco e corrupção – o que significa um do Eurogrupo para que o governo grego foi arrastado, na sexta-feira, equivale a uma retirada precipitada. O regime do memorando deverá ser prorrogado, o contrato de empréstimo e a totalidade da dívida reconhecida, a “supervisão”, outra palavra para o domínio da troïka, deverá manter-se sob outro nome, havendo agora poucas hipóteses de o programa do Syriza poder ser implementado. Uma falência tão completa não é, não pode ser, uma questão de sorte, ou o produto de uma manobra tática mal concebida. Ela representa a derrota de uma linha política específica, em que se tem apoiado a abordagem atual do governo”.[41] político imperialista. O propósito do governo de Syriza de manter as possibilidades de um compromisso com a UE – revelado pelos termos do não que se propôs à votação no referendo – foi superado pelos acontecimentos. Para salvar um acordo com a UE, a Grécia teria que trocar de governo: um governo que respondesse ao movimento das massas deveria romper com ela e tomar a direção de uma revolução social. O referendo foi uma saída improvisada que inventou o Syriza, com seus aliados da direita clerical (os “Gregos Independentes”), quando comprovou que o pedido de aprovação dos pacotes da troïka no afastamento dos cortes de despesa através O Referendo e o Não parlamento grego a levaria a uma divisão da do aumento da receita através dos impostos”. [39] Para Paul Krugman, também, “A Grécia se saiu bem [em fevereiro], não aconteceu nada que justificasse a retórica do fracasso”. Sucede que o controle externo do orçamento é exatamente a via para impor a austeridade, além de ser uma renúncia à soberania estatalnacional. Para a fração majoritária da esquerda europeia, outra política, anticapitalista e de ruptura com a UE, baseada num chamado à mobilização do povo e dos trabalhadores europeus (houve grandes mobilizações pró-Grécia em diversos países, inclusive França e Alemanha) está descartada. Simultaneamente, o parlamento grego, presidido por Zoe Konstantopoulou, empossou a “Comissão de Auditoria da Dívida Pública Grega” (coordenada por Eric Toussaint, do CADTM, Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo), com trinta especialistas, que deveria determinar até junho de 2015 que parte da dívida poderia ser considerada ilegítima. Na mira da comissão: a parte da dívida contraída pela ditadura dos coronéis (1967-1974), os custos sobrefaturados dos Jogos Olímpicos de 2004, a compra de seis submarinos alemães defeituosos, todos os contratos com a Siemens alemã, comprovadamente obtidos coalizão governante: a esquerda de Syriza teria votado contra, a direita a favor e, por fora da aliança oficialista, o acordo teria contado com o apoio dos partidos da burguesia próajuste. Syriza não assumiu a responsabilidade que lhe deu o mandato popular eleitoral de fevereiro de rechaçar o ajuste, porque teria quebrado sua aliança com a direita. de Syriza era elevado. O referendo funcionou como uma tentativa de arbitragem governamental entre os partidos e frações em disputa. O dirigente da fração de esquerda e antigo com propinas, e a maquiagem das contas porta-voz de Syriza, o greco-argentino Costas públicas gregas feita pela Goldman Sachs. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Lapavitsas, caracterizou: “ O acordo assinado Finalmente, há a questão das dívidas e www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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