Ugarit 2 - Mito do Palácio de Baal

 

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Mitos de Ugarit 2

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UGARIT Mito do Palácio de Baal J. Franclim Pacheco

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O mito do Palácio de Baal 3 Este hino era provavelmente recitado ou cantado na inauguração de um templo (conforme a narração da dedicação do templo de Jerusalém por Salomão, 1Rs 8), ou quando se realizava a entronização periódica de Baal. A primeira parte que possuímos faz menção dos preparativos para um grande banquete em honra de Baal; a seguir, sua irmã Anat combate e massacra os guerreiros, mergulhando os joelhos no sangue e empilhando as cabeças; terminado o morticínio, Anat recebe uma mensagem de Baal ordenando-lhe que volte a trabalhos mais pacíficos (a virgem guerreira é, também, deusa da vida e da fecundidade). A seguir, certamente, Baal pede que a irmã interceda em seu favor; esta diz a El: O poderoso Baal é nosso rei, nosso juiz, não há ninguém acima dele, e, contudo, não tem casa como os demais deuses, não tem corte como os filhos de Atirat. Seduzido ou ameaçado por Anat, o pai dos deuses concorda e manda buscar no Egipto o divino arquiteto Kothar. Atirat, a mãe dos deuses, reconhece a realeza de Baal e pede a EI que lhe construa um palácio de ouro, de prata e de lápis-lazúli, para que Baal mande chuvas abundantes. Kothar começa a obra e acende as forjas no palácio em construção; Baal fica inquieto com os planos de Kothar, pois este quer pôr janelas no palácio. Baal pensa, então, no sumptuoso banquete que irá oferecer aos deuses e às deusas, e parte para visitar as cidades do reino. No regresso, aceita o plano de Cutar: uma janela será aberta no palácio. Subitamente o tom muda. Baal é consagrado, o seu palácio é o de um deus, mas Mot, que mora numa região subterrânea e fétida, ameaça-o. O palácio de Baal parece ser, ao mesmo tempo, a residência celeste do deus e o seu reflexo terrestre, o templo de Baal em Ugarit.

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4 Banquete celestial ... (Lacuna) O servidor de Baal,1 o Vitorioso, o mestre-sala do Príncipe, Senhor da terra, levantando-se, preparou a mesa e deu-lhe de comer, pôs de parte crias na sua presença com uma faca cortou filetes de leitão. Apressou-se a convidá-lo e ofereceu-lhe de beber, pôs uma taça na sua mão um cálix entre ambos: a taça dum grande potentado, a píxide dum herói celeste; uma taça santa que jamais mulher pôde ver, um cálix que nem sequer Asherah2 pôde contemplar. 1 Baal era o filho de El, o deus principal, e de Asherah, a deusa do mar. Era considerado o mais poderoso de todos os deuses, eclipsando El, que era visto como bastante fraco e ineficaz. Em várias batalhas, Baal derrotou Yam, o deus do mar, e Mot, o deus da morte e do submundo. As irmãs/consortes de Baal foram Ashtoreth, uma deusa da fertilidade associada com as estrelas, e Anat, a deusa do amor e da guerra. Os cananeus adoravam Baal como o deus do sol e como o deus da tempestade - ele geralmente é representado segurando um relâmpago - que derrotava inimigos e estimulava a colheita. Eles também o adoraram como um deus da fertilidade que providenciava crianças. O culto a Baal estava enraizado na sensualidade e envolvia prostituição ritualista. 2 Asherah: Esposa de El, Deus Touro das Tormentas e do Tempo de Ugarit (costa Síria), citado no Génesis. Mãe de Baal Alayan, «Senhor dos Sulcos do Campo» e herdeira, pela esterilidade de El, dos atributos paternos. Na mitologia semita é uma deusa mãe cananeia da fertilidade, do amor e da guerra.

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Mil quartilhos colhia de vinho, dez mil combinava da sua mistura. Levantando-se, entoou e cantou – os címbalos nas mãos do aedo3 –, cantou o mancebo de suave voz diante de Baal nos cumes de Safon4. Contemplava Baal suas filhas, olhava para Pidray,5 filha da luz, também para Talay,6 filha do orvalho. Sabia de certeza Pidray que era a noiva gloriosa e Talay...?... (Lacuna de umas 12-14 linhas) Combate real de Anat (Lacuna de umas 25 linhas) Puseram-lhe a hena7 de sete donzelas aroma de coentro e essência de ostras. Fechou as portas de sua casa Anat e encontrou-se com os mancebos ao pé do monte. E então Anat pelejou no vale, bateu-se entre as duas cidades. Esmagou o povo da costa do mar, destruiu a gente do sol nascente. A seus pés como bolas rolavam cabeças, por cima como lagostas voavam mãos, como gafanhotos em enxame as palmas dos guerreiros. 5 3 Poeta ou cantor de poemas épicos. 4 Safon: palavra hebraica comum para designar norte, setentrião, mas que depende do seu sentido primeiro. Safon era o nome duma montanha da costa mediterrânica, a 10 km de Ugarit. Como um pico proeminente na zona, o seu nome era usado como sinónimo da direcção norte, assim como uma das palavras para designar o oeste significa literalmente o mar (Mediterrâneo). O pico é identificado com Baal, tal como indicam as referências comuns a Baal-Safon. 5 Pidray: filha de Ba'al, deusa da névoa. 6 Talay: deusa do orvalho. 7 Hena: Arbusto de flores brancas e odorosas.

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6 Atou cabeças ao dorso, cingiu-se de palmas à cintura: os joelhos submergiu no sangue dos guerreiros, as coxas nas tripas dos combatentes. Com o seu chicote desalojou os anciãos, com o nervo do seu arco a população. Combate ritual de Anat E logo Anat8 a sua casa veio, desceu a deusa ao seu palácio. Mas não estava saciada da sua peleja no vale, do seu combate entre as duas cidades. Dispôs cadeiras como guerreiros, preparou mesas como soldados, bancos como chefes. Sem medida pelejou e contemplou-o, bateu-se e o esteve a olhar Anat. Inchou o seu fígado de riso, encheu-se o seu coração de alegria, o fígado de Anat de satisfação de triunfo, enquanto os joelhos afundava no sangue dos guerreiros dos bezerros nas tripas dos combatentes. Até à saciedade pelejou em sua casa, bateu-se entre as mesas. Purificação ritual Limpou a seguir da sua casa o sangue dos guerreiros, verteu óleo de paz num prato. Lavou suas mãos a Virgem Anat, seus dedos a Pretendida dos povos. Lavou suas mãos da sangue dos guerreiros, seus dedos das tripas dos combatentes. 8 Anat: deusa do amor e da guerra, a irmã e companheira do deus Baal. Considerada uma bela jovem, ela foi muitas vezes designada «a Virgem» em textos antigos. Provavelmente uma dos mais conhecida das divindades cananeus, ela era famosa pelo seu vigor juvenil e ferocidade em batalha. Era conhecida principalmente por seu papel no mito da morte de Baal..

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Dispôs as cadeiras como cadeiras, as mesas como mesas, os bancos preparou como bancos. Tiraram água e lavaram-na com orvalho do céu, azeite da terra, com orvalho do Auriga das nuvens; com orvalho que os céus verteram, com orvalho que derramaram as estrelas. Maquilhou-se com essências de ostras, cuja exalação chega a mil acres no mar. (Lacuna de umas 20 linhas) Mensagem de Baal a Anat «Que verta óleo de paz num prato, que lave suas mãos a Virgem Anat, seus dedos a Pretendida dos povos. Que leve a lira em suas mãos, que coloque a cítara ao seu peito e cante o amor de Baal, o Todo-poderoso, o carinho de Pidray, filha da luz, o afecto de Talay, filha do orvalho, o amor de Arsay, filha da inundação. Como jovens serventes haveis de entrar, aos pés de Anat inclinai-vos e caí, prostrai-vos e rendei-lhe honras. E dizei à Virgem Anat, repeti à Pretendida dos povos: «Mensagem de Baal, o Todo-poderoso, palavra do mais potente dos heróis: Sai à passagem da guerra na terra, põe nas estepes concórdia, derrama paz no seio da terra, repouso nas entranhas do campo. Empunha o chifre e a tua maça, até mim os teus pés se dêem pressa, até mim se apressem os teus passos. Pois tenho um assunto que vou comunicar-te, uma palavra que quero repetir-te. É o provérbio da árvore e a conversa da pedra: 7

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8 o cochichar dos céus com a terra, dos abismos com as estrelas: a "pedra" do raio, que não compreendem os céus, a voz que não compreendem os homens, nem entendem as multidões da terra. Vem e eu te revelarei na minha montanha divina, Safon, no meu santuário, no monte do meu domínio, no lugar de delícia, no cume do triunfo. Reacção de Anat Mal Anat observou os dois deuses, a ela os pés tremeram, por detrás o lombo se dobrou, por cima o seu rosto pôs-se a suar; contraíram-se as junções do seu lombo, os músculos das costas. Ergueu a voz e exclamou: «Como é que chegam Gapan e Ugar?9 Que inimigo saiu a Baal, adversário ao Auriga das nuvens? Não esmaguei eu o Amado de El,10 Yam,11 não acabei com Nahar, deus grande? Não amordacei o Dragão, fechei a sua boca? Esmaguei a Serpente tortuosa, o Tirano de sete cabeças. Esmaguei o Amado de El, Arish, aniquilei o Novilho divino, Atik12. Esmaguei a Cadela divina, Ishat,13 acabei com a filha de El, Dubub. 9 Mensageiros de Baal. 10 El era o deus supremo, o pai da humanidade e de todas as criaturas e o marido da Deusa Asherah. Governava todos a partir do monte Safon e foi sob a sua égide que Baal/Hadad casou com Anat e derrotou o deus do mar Yam e o deus da morte Mot, tornando-se rei dos deuses. 11 Yam era uma antiga palavra semítica para «mar», sendo o nome do deus cananeu dos rios e do mar. Yam também era o deus do caos primordial. Representava o poder do mar furioso e selvagem. Também chamado Nahar («rio»), controlava as inundações e desastres relacionados. A vitória de Baal sobre Yam é similar à lenda mesopotâmica da vitória de Marduk sobre a deusa primordial do mar, Tiamat. Há numerosos mitos paralelos, interpretados como o triunfo da ordem divina sobre o caos primitivo. 12 Atik ou Atik Iomim (Ancião de dias) é um dos títulos do deus El. 13 Deus fenícia do Fogo.

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Pelejarei pela prata, apoderar-me-ei do ouro, do quem quiser tirar Baal das alturas de Safon, expulsando-o como um pássaro dos seus domínios, atirá-lo do seu trono real, do divã, do sólio do seu poder. Que inimigo saiu a Baal, adversário ao Auriga das nuvens? Transmissão da mensagem Responderam-lhe os mancebos, isto lhe responderam: «Nenhum inimigo saiu a Baal, nem adversário ao Auriga das nuvens. Mensagem de Baal o Todo-poderoso, palavra do mais potente dos heróis: «Sai ao passo da guerra na terra, põe nas estepes concórdia, derrama paz no seio da terra, repouso nas entranhas do campo. Empunha o chifre e a tua maça, até mim os teus pés se dêem pressa, até mim se apressem os teus passos. Pois tenho um assunto que vou comunicar-te, uma palavra que quero repetir-te, a voz que não compreendem os homens, nem entendem as multidões da terra, o cochichar dos céus com a terra, dos abismos com as estrelas: a "pedra" do raio, que não compreendem os céus. Vem e eu to revelarei na minha montanha divina, Safon, no meu santuário, no monte do meu domínio. Resposta de Anat E respondeu a Virgem Anat, replicou a Pretendida dos povos: «Eu sairei ao passo da guerra na terra, porei nas estepes concórdia, derramarei paz no seio da terra, repouso nas entranhas do campo. 9

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10 Ponha nos céus Baal suas nuvens, acenda o Auriga das nuvens os seus relâmpagos; que eu sairei ao passo da guerra na terra, porei nas estepes concórdia, derramarei paz no seio da terra, repouso nas entranhas do campo. E outra coisa vou dizer-vos: ide, ide, arautos divinos; vós podeis ir devagar, mas eu hei-de deixar Ughar pelo deus mais longínquo, Inbub pela divindade mais distante, a duas camadas debaixo das fontes da terra, a três medidas das profundidades. Chegada perante Baal Assim, pus a face para Baal nas alturas de Safon. Desde mil acres, dez mil alqueires a marcha de sua irmã Baal viu, o passo ligeiro, sim, da filha de seu pai. Afastou as mulheres da sua presença, pôs uma rês de gado bovino diante dela, um leitão directamente diante da sua vista. Tiraram água e lavaram-na com orvalho que os céus verteram, com orvalho que derramaram as estrelas. Ungiu-se com essência de ostras cuja exalação chega a mil acres no mar. ... (Lacuna de 15 linhas). Situação de Baal e resposta de Anat «Não tem casa Baal, não, como os deuses, nem mansão como os filhos de Asherah, a morada de El é o refúgio de seu filho. A morada da Grande Dama, Asherah do Mar, é a morada de Pidray, filha da luz, o refúgio de Talay, filha do orvalho, a morada de Arsay, filha da inundação, a morada das noivas gloriosas.

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11 E respondeu a Virgem Anat: «Vai atender-me a mim o Touro El, meu pai, vai atender-me e a ele eu vou atender, pois posso arrastá-lo como um cordeiro por terra, fazer correr pela sua canície sangue, pela canície da sua barba humores, no caso de não dar uma casa a Baal como aos outros deuses, uma mansão como aos filhos de Asherah. Partida de Anat para El e sua resposta Apoiou os pés e saltou para terra, pôs então a cara para El que mora na fonte das duas torrentes, no seio da origem dos dois oceanos. Dirigiu-se à gruta de El e entrou na morada do Rei, Pai dos anos. Soluçando entrou na gruta do criador e pai dos deuses. Sua voz escutou o Touro El, seu pai. Respondeu El a partir das sete estâncias, a partir dos oito vestíbulos: .... A Lâmpada dos deuses, Shapash,14 abrasando está o vigor dos céus nas mãos do filho de El, Mot15. Diálogo entre El e Anat E respondeu a Virgem Anat: «Na estrutura de tua casa, ó El, na estrutura de tua casa não te comprazas, não te alegres na excelsitude de teu palácio. De certeza que eu posso alcançá-los com a minha direita, desfazê-los com a potência do meu longo braço. 14 Shapash , Shapsh , Shapshu ou às vezes Shemesh era a deusa cananeia do sol , filha de El e Asherah. Ela é conhecida como «lâmpada dos deuses» e é considerada uma divindade importante no panteão cananeu e entre os fenícios. 15 Mot, Môtu: Deus da Morte, Morte Por Calor e da Esterilidade. A sua boca é a boca que devora na sepultura. Os cananeus não faziam oferendas à Motu.

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12 Posso esmagar-te a cabeça, fazer correr pela sua canície sangue, pela canície da sua barba humores. Respondeu El a partir das sete estâncias, a partir dos oito vestíbulos: «Já sei, filha, que és irascível, que não há entre as deusas oposição como a tua. Que desejas, ó Virgem Anat?». E respondeu a Virgem Anat: A tua mensagem, El, é sábia, sábio és tu pela eternidade! Ditosa vida a da tua mensagem! O nosso rei da Baal, o Todo-Poderoso, nosso Juiz, que não tem quem o supere!». Todos à uma o seu cálix levaremos, todos à uma levaremos a sua taça. Suspirando exclamou assim o Touro El, seu pai, El, o rei que o estabeleceu, exclamaram Asherah e seus filhos, a deusa (mãe) e o clã dos seus parentes: «Não tem casa Baal, não, como os deuses, nem mansão como os filhos de Asherah, a morada de El é o refúgio de seu filho. A morada da Grande Dama, Asherah do Mar, é a morada de Pidray, filha da luz, o refúgio de Talay, filha do orvalho, a morada de Arsay, filha da inundação, a morada das noivas gloriosas. (Lacuna de 15 linhas) Encargo da mensagem (Lacuna de 10 linhas) Levai a minha mensagem na vossa cabeça, as minhas palavras na vossa fronte e passai através de mil acres pelos mar, dez mil alqueires pelos duas torrentes.

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Passai cumes, passai alturas, passai a zona do horizonte celeste; apressai-vos, ó tritões de Asherah, parti, ó Qadesh-Amrar! Assim, portanto, voltai a face para Mênfis, que de um deus é todo ele: Creta é a sede do seu trono, Mênfis, a terra de sua propriedade. Através de mil acres, dez mil alqueires, aos pés de Kothar16 inclinai-vos e caí, prostrai-vos e rende-lhe honras. E dizei a Kothar-Hasis,17 repeti a Hayan, o artesão ambidestro: Mensagem de Baal, o Todo-poderoso, palavra do mais potente dos heróis ... (Lacuna de 20 linhas) Encargo a Kothar (Lacuna de 20 linhas) Suspirando, exclamou assim a Touro El, seu pai, El, o rei que o estabeleceu; exclamaram Asherah e seus filhos, a odiosa mãe e o clã de seus filhos parentes: «Não tem casa Baal, não, como os deuses, nem mansão como os filhos de Asherah, a morada de El é o refúgio de seu filho. A morada da Grande Dama, Asherah do Mar, é a morada das noivas gloriosas; a morada de Pidray, filha da luz, o refúgio de Talay, filha do orvalho, a morada de Arsay, filha da inundação. E outra coisa vou dizer-te: Cuida, por favor, do agasalho da Grande Dama, Asherah do Mar, do presente à Progenitora dos deuses. 16 Kothar, deus dos arquitectos. 17 O deus artesão Kothar-wa-Hasis. 13

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14 Execução do encargo Hayan subiu aos foles da forja, nas mãos Hasis agarrou as suas pegas. Fundiu prata, derreteu ouro, fundiu prata de milhares de siclos, ouro fundiu de miríades. Fundiu um dossel e um leito, um estrado divino de vinte mil siclos. Um estrado divino vazado em prata, coberto com banho de ouro. Um sólio divino, um divã de metal precioso, um escabelo divino esmaltado em electro. Umas andas divinas com abraçadeiras sobre as suas varas de ouro. Uma mesa divina que estava incrustada com espécies de animais, com bestas dos fundamentos da terra. Uma fonte divina de elaboração ao estilo de Amurru, de forma ao estilo da terra de Yaman, na qual havia touros selvagens às miríades. (Lacuna de 16 linhas) Cena de conjuro Apanhou ela o seu fuso na mão, o uso do conjuro na sua direita. A sua túnica, que cobria a sua carne tirou, o seu vestido junto ao mar, a sua dupla túnica junto das duas torrentes. Pôs uma panela ao fogo, uma caçarola em cima das brasas. Conjurou o Touro El, o carinhoso, conduziu-o ao Criador das criaturas. Reacção de Asherah Ao erguer os seus olhos viu-a, a partida de Baal Asherah contemplou, a partida da Virgem Anat, o passo ligeiro da Pretendida dos povos.

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15 A ela os pés tremeram, por detrás o dorso dobrou-se, por cima o seu rosto pôs-se a suar; contraíram-se as junturas do seu dorso, os músculos das suas costas. Ergueu a sua voz e exclamou: «Como é que chega Baal, o Todo-poderoso, como é que chega a Virgem Anat? Os meus assassinos são eles, os assassinos dos meus filhos, eles os destruidores do clã dos meus parentes!» Mas o reflexo da prata viu Asherah, o reflexo da prata e o brilho do ouro. Alegrou-se a Grande Dama, Asherah do Mar, e em voz alta aos jovens assim gritou: «Vêde os bem forjados objetos e detende Yam, tritões da Grande Dama Asherah do Mar! Agarra uma rede em tuas mãos, Qadesh,18 uma varredoura com ambas as mãos, Ammrar. Sobre o amado de El, Yam, lançai-a, sobre Yam, o deus que pode rebelar-se, sobre Nahar, o deus que pode atacar a Baal, o Todo-poderoso ... à virgem Anat... (Texto não reconstruível de umas 10 linhas) Queixa de Baal (Lacuna e texto não reconstruível de umas 17 linhas) «Ele te assegurará para sempre, de geração em geração o vigor da tua vida e o alento que em ti mora, ó deus detentor da realeza!». Replicou Baal, o Todo-poderoso, pronunciou-se o Auriga das nuvens: 18 Qadesh ou Qadeshtu, a «iluminada» ou «Santa», a deusa do amor putativo.

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