As Aves do Campus

 

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Catálogo de aves do campus do Inmetro

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CLAUDIA DE OLIVEIRA FARIA | LUIZ ROBERTO MAYR AS AVES DO CAMPUS FOTOS POR LUIS ROBERTO MEIRELES DE OLIVEIRA 1

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AS AVES DO CAMPUS Copyright 2017 - Inmetro Todos os direitos reservados. Organização: Claudia de Oliveira Faria e Luiz Roberto Mayr Fotos: Luis Roberto Meireles de Oliveira Projeto gráfico: Petronio Guilherme de Assis Fonseca Revisão: Juliana Coutinho Produção: Equipe de Gestão Ambiental e Divisão de Comunicação Social do Inmetro 4

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AS AVES DO CAMPUS CLAUDIA DE OLIVEIRA FARIA | LUIZ ROBERTO MAYR FOTOS POR LUIS ROBERTO MEIRELES DE OLIVEIRA 5

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O PROJETO As aves exercem um grande fascínio sobre as pessoas: a capacidade de voar, seus cantos, suas cores, seus ninhos. A riqueza desse grupo nos oferece uma vasta oportunidade para estudos, especialmente no Brasil que tem a terceira avifauna mais diversa do mundo. O campus do Inmetro localizado em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, abriga um importante remanescente florestal de Mata Atlântica. É comum que os trabalhadores que frequentam diariamente o campus avistem quero-queros, anus, tucanos, maritacas, gaviões, corujas e pica-paus, só para citar algumas espécies. Uma incursão à trilha ecológica do Inmetro – que atravessa um trecho de mata mais fechada – é uma oportunidade única para se observar espécies mais raras. Durante os anos de 2007 a 2014, o servidor Luis Roberto Meireles de Oliveira tomou a iniciativa de explorar essa trilha quase diariamente, sempre com uma máquina fotográfica em mãos e gerou uma quantidade expressiva de registros que resultaram na identificação de cerca de 150 espécies de aves, um belíssimo acervo à disposição da instituição. Neste primeiro volume foram selecionadas 73 fotos que mostram a riqueza de aves encontradas no campus. A proposta desta publicação é despertar a curiosidade da comunidade para a observação e a contemplação das aves da região, assim como incentivá-la a atuar como sua guardiã. Espera-se que esse trabalho também seja uma ferramenta de Educação Ambiental, ao incentivar o conhecimento das pessoas sobre a natureza que nos cerca. Convidamos você, leitor, a apreciar esta obra e a divulgá-la em seu meio, levando, assim, a beleza da avifauna de Xerém a outros cantos do Brasil. 7

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O CAMPUS DO INMETRO EM XERÉM E A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA Xerém, na Baixada Fluminense, 4° distrito do município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, está em uma paisagem bastante fragmentada, onde as moradias e as atividades agropecuárias, industriais e de serviços se avizinham das florestas e de áreas protegidas em unidades de conservação. Esta região sofre grande pressão devido à urbanização desordenada e à expansão industrial, embora ainda existam alguns remanescentes de Mata Atlântica. A ligação entre estes fragmentos florestais é feita em grande parte pelas Áreas de Preservação Permanente (APPs), que ocorrem junto às nascentes, ao longo dos cursos de água e nas encostas íngremes, e que servem de habitat, refúgio e passagem para a fauna silvestre dispersora de sementes, necessária à própria sobrevivência das florestas. Infelizmente, parte significativa das APPs nesta região está degradada, com águas poluídas, solo contaminado e vastas áreas ocupadas por construções e por atividades econômicas irregulares. As APPs também sofrem por conta de práticas inadequadas de manutenção, a exemplo das roçadas constantes, que impedem a regeneração natural da vegetação. Tudo isso compromete a conectividade entre os remanescentes de Mata Atlântica. A vegetação destas áreas é protegida pela Lei 12.651/2012 e os seus donos e ocupantes são obrigados a recuperá-la e a mantê-la em bom estado para que cumpra com as funções ambientais de dar suporte à vida silvestre, de fixar o solo, de regular o clima, de produzir água e alimentos e de servir como referência cultural na vida e na identidade das pessoas. 8

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Nesta paisagem, o campus do Inmetro em Xerém é um componente importante para conservação da Mata Atlântica: está situado no território de influência do Mosaico Central Fluminense, às margens do rio Saracuruna e bem no encontro entre a Reserva Biológica do Tinguá, a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis, a Área de Proteção Ambiental do Alto Iguaçu e o futuro Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Estrela, em processo de criação. O terreno do campus tem uma área de 186 hectares e fica entre o rio Saracuruna e a rodovia BR-040. Contém APPs ao longo dos três rios que passam pelo terreno (Saracuruna, Santo Antônio e Mato Grosso) e nas encostas de seu relevo acidentado. O terreno contém também um remanescente de Mata Atlântica com área de 24 hectares, como mapeado pela Fundação SOS Mata Atlântica. Por conta da preocupação com a conservação, algumas iniciativas têm sido tomadas pelo Inmetro visando minimizar im- pactos ambientais e recuperar áreas degradadas, por meio de plantios e do estímulo à regeneração natural. Também é de se destacar que estão previstos dois faunodutos a serem construídos sob a nova subida da serra, na rodovia BR-040, que irão promover a ligação entre remanescentes de Mata Atlântica na vizinhança do campus. Esta área, que anteriormente era em grande parte ocupada e explorada por atividades agrícolas, hoje é notável pela ocorrência de espécies silvestres que habitam ou que passam pelas áreas do campus, o que evidencia a sua importância para a manutenção da biodiversidade. 9

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A MATA ATLÂNTICA E A SUA DIVERSIDADE A diversidade da Mata Atlântica revela-se quando percorremos suas múltiplas paisagens, a partir da costa. Ilhas costeiras e manguezais dão lugar às restingas e às matas de baixada. Nas serras, florestas exuberantes de encosta sobem, no sul, até a mata de araucária e os campos de altitude. Mais além, estão a matas semidecíduas dos planaltos interiores e as paisagens do Cerrado (Ridgely et al., 2015). A extensa faixa de abrangência na costa brasileira - do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul - e a variação de altitude entre o nível do mar e as matas serranas de até 2.700m são os grandes responsáveis pela biota tão diversa encontrada na Mata Atlântica. Esse bioma é representado por aproximadamente 20 mil espécies de árvores, 250 espécies de mamíferos, 197 espécies de répteis, 340 espécies de anfíbios e 688 espécies de aves. Sabe-se que o bioma também dispõe de grande pluralidade cultural, constituída por povos indígenas e por populações tradicionais como quilombolas e caiçaras. No contexto de sua importância socioambiental, os ecossistemas da Mata Atlântica desempenham importantes serviços ambientais como a regulação do fluxo e da qualidade dos recursos hídricos, a proteção das encostas, a manutenção da fertilidade do solo, o sequestro de carbono, além de abrigarem um vasto patrimônio histórico (Guedes e Seehusen, 2011). Picapauzinho-de-testa-pintada Veniliornis Maculifrons Todos os ecossistemas que compõem a Mata Atlântica chegaram a cobrir 15% da área do nosso país, ou seja, 1.309.736 km2. Mas desde os anos 1960 a Mata Atlântica tem experimentado uma intensa urbanização gerada pelo êxodo rural de 10

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pessoas em busca de empregos urbanos. Isto coincidiu com o aumento do desmatamento no campo pois a agricultura de subsistência foi sendo substituída por grandes plantações de cana-de-açúcar e de soja (Melo et al., 2013). Em face das mudanças provocadas pela intensa antropização, a paisagem atual da Mata Atlântica é composta por arquipélagos de pequenos fragmentos florestais, restando aproximadamente 11% da cobertura florestal original (Ribeiro et. al, 2009). Apesar do avançado estágio de degradação em que se encontra, ela ainda apresenta uma alta riqueza de espécies e um elevado número de espécies endêmicas, o que a classifica como um hotspot de biodiversidade (Myers et al., 2000). Nas imagens de satélite, a área de domínio do bioma é caracterizada por pontilhados verdes em meio a uma matriz onde predomina a ocupação humana. Isso se reflete no dado divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e INPE (2015) de que apenas 8,5% do bioma têm remanescentes bem preservados com mais de 1 km2. Estes remanescentes estão localizados principalmente em áreas de topografia acentuada, que historicamente dificultaram o acesso humano. O estado do Rio de Janeiro ilustra bem esse padrão: enquanto a faixa litorânea é densamente povoada, a escarpa da Serra do Mar tem ocupação urbana mais incipiente. No caso da Baixada Fluminense, enquanto os assentamentos humanos se concentram na parte baixa, muitas das áreas montanhosas que cercam a região estão protegidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a exemplo da Reserva Biológica do Tinguá. Desse modo, áreas bem preservadas situadas nas áreas baixas, como é o caso do campus do Inmetro em Xerém, têm grande relevância ecológica tanto por funcionarem como pontos de passagem para a fauna que habita as áreas altas quanto por abrigarem espécies típicas de baixada. 11

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A FAUNA DO CAMPUS O contexto apresentado nas seções anteriores ajuda a explicar a rica biodiversidade fotografada no campus do Inmetro em Xerém. Um diagnóstico de campo realizado como parte do Estudo de Impacto Ambiental da Nova Subida da Serra (Céu -Aberto/Concer, 2010) revelou em pontos de amostragem localizados em Xerém e na APA Petrópolis que a região ainda apresenta uma representativa fauna atlântica, com pelo menos 13 espécies de mamíferos, 24 espécies de répteis (serpentes, lagartos), 38 espécies de anfíbios (sapos e rãs) e 177 espécies de aves. Em todos os grupos estudados foram encontradas espécies endêmicas, ou seja, que só existem nesta região. O acervo fotográfico das espécies encontradas durante incursões de campo não-científicas realizadas entre 2007 e 2014 evidenciam o oásis de Mata Atlântica que o campus do Inmetro representa. Há registros de cerca de 180 espécies, entre aves, mamíferos e répteis. Tamanha diversidade revela o imenso potencial para estudo da biodiversidade presente no local. Como existem poucos estudos nesta região e como não há um banco de dados sobre a biodiversidade local, as informações científicas ainda são escassas. Isso só aumenta a importância deste catálogo na medida em que se coloca como um instrumento de incentivo ao trabalho de inventário de fauna, que precisa ser permanente. Periquitão-maracanã Aratinga leucophthalma 12

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AS AVES As aves são um grupo muito diversificado que apresenta uma série de adaptações para todos os ambientes e uma rica variedade de estilos de vida. Elas podem voar, andar, correr, nadar e podem ser encontradas em todos os ambientes, desde os oceanos aos corpos de água doce, das florestas aos desertos e também nas regiões polares. Aves são animais vertebrados de sangue quente que têm penas: é isso que as distingue de todos os outros seres vivos. Algumas espécies de aves são vegetarianas e comem plantas, raízes, ervas, sementes, frutas, pólen, néctar, seiva e algas. Outras espécies comem pequenos animais invertebrados e vertebrados, como insetos e rãs. Outras ainda comem de tudo, até carcaças de animais. As aves possuem papel fundamental tanto no ambiente rural quanto no urbano, sendo importantes para a manutenção do equilíbrio ecológico. Enquanto algumas espécies são fontes de alimento para inúmeros animais, outras agem como predadoras e ajudam no controle biológico de invertebrados e de pequenos vertebrados. Também há espécies que polinizam flores e espalham sementes, o que auxilia a reprodução das plantas. Outro papel muito importante das aves é indicar a qualidade da água, do solo e do ar das regiões onde são encontradas (Tavares e Siciliano, 2011). A avifauna se distribui no ambiente de acordo com a estrutura e a complexidade da vegetação, a altitude em que ocorre, a profundidade do solo, a declividade do terreno e as massas de ar vindas do oceano. Algumas aves são bastante restritas a um tipo de vegetação, a exemplo daquelas que só ocorrem no ambiente de restinga; outras são um pouco mais flexíveis, existin- do em mais de um tipo de habitat – como matas de restinga e matas nas baixas encostas (Althmann e Develey, 2010). As aves também ocupam diferentes níveis dentro de um mesmo tipo de vegetação. Assim, no ambiente de mata temos tucanos vivendo nas copas das árvores, arapaçus escalando troncos no subdossel, tangarás voejando por entre o sub-bosque e tovacas caminhando pelo chão (Ridgely et al., 2015). O melhor horário para observar as aves é nas primeiras horas do dia, do nascer do sol até cerca de 10h, ou no final da tarde, das 16h até o pôr-do-sol. Nesses períodos, as aves estão em maior atividade, o que irá facilitar a observação. Particularmente, as espécies que possuem hábitos noturnos, como é o caso de algumas corujas, só poderão ser observadas ao cair da luz. Na observação de aves é bem mais comum ouvi-las do que vê-las. Espécies parecidas entre si podem só ser identificadas corretamente pelo seu canto. Outros sons, como o bater de asas e de bicos, também costumam ajudar. Existem alguns sites na internet que disponibilizam gravações dos sons das aves, como o Wikiaves (www.wikiaves.com.br). Você pode utilizar um celular para armazenar os sons baixados e ouvi-los. Em geral, as habilidades como observador de pássaros melhoram com o tempo e a experiência, por isso nunca é tarde para começar! 13

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Althmann G e Develey PF. 2010. Guia das aves da Reserva Biológica Tamboré. São Paulo: Instituto Tamboré/Save Brasil. 64p. Ribeiro MC et. al. 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation. Biological conservation, v. 142, n.6, pp.1141-1153. Céu-Aberto/Concer. 2010. Estudo de Impacto Ambiental da Nova Subida da Serra, Rodovia BR-040. Rio de Janeiro: AB Cunha Consultoria, Comunicação e Marketing Ltda. Ridgely RS et al. 2015. Aves do Brasil: Mata Atlântica do Sudeste. São Paulo: Wildlife Conservation Society/Editora Horizonte. 432p. Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 2015. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica período 2013–2014. São Paulo: Fundação SOS Mata Atlântica/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Tavares DC e Siciliano S. 2011. Voo pela Fiocruz: guia de aves do campus. Massarani L. et al. (coord.). Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ. 76p. Guedes FB e Seehusen SE. 2011. Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica: lições aprendidas e desafios. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. Melo FP et al. 2013. Priority setting for scaling-up tropical forest restoration projects: Early lessons from the Atlantic Forest Restoration Pact. Environmental Science and Policy, 33: 395-404. Myers N et al. 2000. Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, v. 403, n. 6772, pp. 853-858. 14

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Coruja buraqueira Athene cunicularia 15

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