Jornal Empresários - Maio - 2017

 

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ANO XVII - Nº 209 www.jornalempresarios.com.br ® do Espírito Santo MAIO DE 2017 - R$ 4,50 FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Orgânicos chegam aos shoppings Com o apoio da Seag, alimentos orgânicos certificados são comercializados na Grande Vitória . Páginas 12 e 13 Sicoob investe R$ 263 milhões em tecnologia Projeto visa o aprimoramento de programas de inovação já implementados na cooperativa. Páginas 8 e 9

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2 MAIO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EXPEDIENTE Nova Editora – Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda. CNPJ: 09.164.960/0001-61 Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A- Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Diretor Executivo: Marcelo Luiz Rossoni Faria E-mail: rossoni@vitorianews.com.br Jornal Empresários® Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A, Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Telefone: PABX (27) 3224=5198 E-mail: jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Diretor Responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 15 Reportagem Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 14 e 17 Fotos Antonio Moreira Diagramação Liliane Bragatto Colunistas Antônio Delfim Netto Jane Mary de Abreu Eustáquio Palhares Luiz de Almeida Marins Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 11 Circulação Fabrício Costa Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 18 Venda avulsa R$4,50 o exemplar Edições anteriores R$ 9,00 o exemplar Assinatura anual R$ 108,00 Contabilidade Jeanne Martins Site www.jornalempresarios.com.br E-mail jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal. EDITORIAL Insatisfação generalizada Com um índice de aprovação de apenas 4%, o mais baixo da recente história brasileira, o presidente Michel Temer sentiu no final de abril os efeitos de uma administração marcada por desacertos. Sua equipe, formada em grande parte por ministros e assessores envolvidos em processos judiciais por corrupção, se caracteriza por promover cortes em programas sociais e benefícios da população mais desassistida do País. A greve geral do dia 28 de abril paralisou setores vitais como transporte público, bancos, escolas, comércio, indústria e o setor portuário, levando às ruas de todo o País mais de 35 milhões de pessoas. A manifestação teve como foco principal a redução de avanços históricos por meio de alterações contidas nas propostas de reforma das relações de trabalho e da Previdência Social, em votação no Congresso Nacional, como forma de vencer a crise econômica. O que se observa, de imediato, é uma série de perdas de direitos, como aponta estudo do Ministério Público do Trabalho (MPT), ao revelar que as mudanças na legislação trabalhista propostas pelo Governo Federal são inconstitucionais. As alterações contrariam a Constituição Federal e as convenções internacionais firmadas pelo Brasil, geram insegurança jurídica, têm impacto negativo na geração de empregos e fragilizam o mercado interno, diz o documento. O levantamento alerta ainda para consequências negativas das medidas, como a possibilidade de contratação sem concurso público, maior permissividade a casos de corrupção e a falta de res- ponsabilização das empresas em caso de acidentes de trabalho. De acordo com o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, o argumento de que a flexibilização das leis trabalhistas incentivaria a criação de empregos é falso. “Todas essas propostas já existiam antes da crise econômica. Nenhuma proposta é 100% inovadora. Quando o Brasil surfava em uma situação altamente favorável, essas propostas já existiam e eram defendidas pelos mesmos grupos econômicos e políticos. Esse argumento cai por terra a partir do momento em que essas propostas idênticas foram apresentadas quando o Brasil tinha uma economia pujante”, argumenta. Segundo ele, para superar a crise é preciso haver uma valorização dos direitos sociais. “Nos momentos de crise é que os trabalhadores precisam de mais proteção. Em todos os países em que houve a flexibilização do Direito do Trabalho, fundada numa crise econômica, não houve a criação de emprego. Ao contrário, houve um decréscimo. De fato, a taxa de desemprego bateu novo recorde no primeiro trimestre de 2017 e chegou a 13,7%, informa o IBGE. Segundo o instituto, o desemprego já atinge 14,2 milhões de brasileiros, com uma alta de 14,9%. No trimestre encerrado em março de 2017, a taxa estava em 10,9%, significando que, em um ano, mais 3,1 milhões de pessoas passaram a procurar trabalho no País. Os sacrifícios impostos à população passam por setores vitais para o futuro do País. Saúde, educação, ciência e tecnologia, por exemplo, sofrem pesados impactos com as medidas adotadas pe- lo governo de Michel Temer. No mês de março, o presidente anunciou a criação de um “Novo Fies”, o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. No entanto, quem esperava ampliação do programa foi surpreendido com cortes significativos. A redução é de 40% das vagas se comparadas com as 250 mil oferecidas no primeiro semestre de 2016. Soma-se a isso, a suspensão do Programa Ciência sem Fronteiras, e fixação de pagamento para cursos de especialização em universidades públicas, entre outros, que contrariam a Constituição Federal. O governo conta com o rolo compressor do Congresso Nacional e prossegue em seus projetos de alteração de estruturas já firmadas entre a população brasileira, o que representa, segundo especialistas nacionais e internacionais, atraso no desenvolvimento do País, gerando insatisfação por conta do aumento do desemprego e da manutenção de privilégios dados à classe política e aos bancos. As reformas, iniciadas com a aprovação da PEC 55, estabelecendo cortes em investimentos públicos por 20 anos, foram adotadas justamente no momento em que uma profunda recessão exige a forte presença do Estado para alavancar a economia. A partir desse evento, o Brasil começou a sentir o retrocesso em vários setores produtivos, ao contrário do que divulgam os meios oficiais do governo, de que a economia está melhorando. Um dos setores mais atingidos e que toca diretamente as camadas mais pobres é o da saúde. O governo vai fechar as unidades próprias do programa “Farmácia Popular”, segundo anunciou o Ministério da Saúde. Esse programa distribui medicamentos e garante descontos de até 90% nos preços de algumas marcas em todo o País. No geral, 393 unidades do programa deixarão de receber verbas federais neste mês de maio e poderão ser fechadas. O programa subsistirá caso as prefeituras aceitem bancar as despesas das unidades com recursos próprios. O programa foi criado há 13 anos, no primeiro governo do ex-presidente Lula, sendo ampliado em 2006 com o “Aqui tem Farmácia Popular”, com a participação das redes privadas, atingindo a marca de 34.583 unidades em 4.487 municípios. Os desacertos são muitos e as análises de especialistas apontam enormes prejuízos, principalmente nas áreas trabalhistas, com a redução de ganhos substanciais para a população. O fato é que muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas, apesar da máquina midiática governamental funcionando a todo vapor em grande parte dos meios de comunicação social brasileiro. A propaganda enganosa chegou a ponto de levar o Supremo Tribunal Federal a suspender peças publicitárias porque as mensagens inseridas não eram verdadeiras. A insatisfação se insere em todas as camadas, como apontam as últimas pesquisas de opinião pública. A exceção, com certeza, fica por conta dos bancos, que mantém suas taxas de lucratividade em níveis altos. Esse setor impõe aos clientes taxas exorbitantes, que vão desde a manutenção de uma simples conta até a taxa de juros absurda cobrada no cartão de crédito, a mais alta do planeta. ■ LUIZ MARINS “Como lidar com pessoas grosseiras?” Apergunta acima me foi enviada por uma telespectadora de meus programas de televisão. Segundo ela, as pessoas perderam a noção e o conceito de polidez e educação no ambiente de trabalho: As pessoas são grosseiras em tudo, afirma ela. São grosseiras no falar, no comer, no sentar, na forma de responder, no reclamar, continua ela. E essa telespectadora não foi a primeira a me fazer o mesmo comentário. O que fazer? A falta de educação e de polidez está tornando difícil ou quase impossível o convívio entre chefes e subordinados, entre colegas de trabalho, entre colaboradores e clientes e for- necedores. A verdade é uma só: ou fazemos um pacto de civilidade em nossas empresas e organizações ou a guerra surda ou declarada só irá piorar. E dentro desse pacto as empresas e organizações precisam, com urgência, realizar treinamentos de civilidade e boas maneiras para seus colaboradores. Conheço empresas que têm vergonha de fazer esse tipo de treinamento acreditando que possa ofender os colaboradores. Puro engano! As pessoas hoje precisam e querem aprender o que seus pais e a escola não ensinaram. A forma de discutir boas maneiras tem que ser bem cuidada para que o tema não vire goza- ção ou afetação exagerada, nem constranger as pessoas. Podem ser utilizados vídeos, trechos de filmes, exercícios, tudo de forma leve e descontraída, explicando-se o conceito de civilidade e de dignidade e sua importância para o convívio saudável entre as pessoas, principalmente no ambiente de trabalho, onde não escolhemos as pessoas com quem convivemos. Pessoas “grosseiras” como descreveu a telespectadora, nem sempre têm culpa de sua grosseria. A maioria delas não recebeu uma educação civilizada. Há pessoas a quem nunca foi ensinado sequer como pegar num garfo e faca, como se comportar numa reunião social ou num ambiente de trabalho e menos ainda como falar sem ofender ou mesmo a consciência de que seus direitos terminam onde começam os direitos das outras pessoas. É preciso fazer a caridade de ensiná-las. Muitos me dirão ser um absurdo que a empresa tenha que educar para a civilidade, o que deveria ser uma atribuição da família e da escola. Concordo! Mas se quisermos ter sucesso e paz em nossas empresas e organizações vamos ter que enfrentar mais esta! Pense nisso. Sucesso! ■ Luiz Marins é antropólogo e escritor contato@marins.com.br

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4 MAIO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EUSTÁQUIO PALHARES Barril de pólvora Quando o homem criou as punições e sanções para as transgressões da vida em comum, na sociedade, objetivamente considerou a privação das duas condições essenciais: a da vida, pela pena de morte; e a da liberdade, pela prisão. São as duas dimensões fundamentais da existência social, já que a pulsão de amor e morte é assunto da psicanálise e da subjetividade. Assim, quando se observa a desestruturação da sociedade pela perda de referências a partir da conduta de suas elites, quando a corrupção campeia desde os escalões mais altos, inspirando a reprodução nas respectivas escalas da hierarquia abaixo, dispara-se um sinal de alerta. O do clamor não explicitado ainda, nem mesmo racionalizado, por um estado de normalidade onde as mais corriqueiras funções se realizem, que começa a pulsar e cogitar de alternativas arriscadas. Começa a se vocalizar o questionamento à democracia no seu modelo representativo, desde que essa adaptação funcional da voz do povo expressa por representantes legitimamente escolhidos revela um constrangimento histórico: os representantes quase sempre falam por si e não pelos representados. Tomam os mandatos como se eles independessem da vontade popular que os instituiu e passam a legislar, conluiar, armar e articularem em causa própria. Vivem mesmo um tipo de esquizofrenia social onde pensam, agem e se portam com total alheamento ao que a sociedade espera ou para o que lhes delegou uma representação. Há quem pondere que a democracia é complicada, chata, até disfuncional por que exige a pluralidade que a legitima mas é o melhor sistema político existente na comparação com as alternativas. A história política recente do Brasil, desde a restauração da democracia vem sendo manchada pela desconfortável coincidência de que a corrupção, um dado cultural da nossa sociedade, lateja há 32 anos de modo mais intenso e, agora, constatada em uma escala assustadora Quando se inteira dos bilhões de reais dissipados em projetos de interesse dos comissionados, apenas, como os investimentos em outros países; ou o balcão de negócios que se tornou o Congresso Nacional com suas vendas de leis e PECS não há conformismo que resista ao custo desse processo dito “democrático”. Ainda assim prevalece a lucidez que a alternativa à democracia – a supressão da liberdade pela tutela militar – seria preço maior porque fere um dos fundamentos da vida o da liberdade. Inclusive a liberdade de sermos regidos por corruptos, pilantras e ladrões. Mas é nossa legítima e soberana escolha. A democracia representativa já está em xeque por causa da sua irresolutividade e a cristalização de práticas que enojam a sociedade. E também porque a tecnologia da informação hoje já dispensa a necessidade da intermediação política, desde que cada brasileiro está conectado. Senão todos, pelo menos parcela majoritária da população que constitui uma amostragem suficiente para decidir pelo conjunto da sociedade, sem a intermediação onerosa do sistema tradicional. E nesse aspecto não se pode descartar mesmo uma outra modalidade de intervenção militar, desta feita não tutelando e controlando a sociedade, mas lhe dando suporte, apoiandoa nos movimentos ordena- dos de implosão do establishment. O muro de Berlim caiu assim, em 1989. Um grupo de soldados foi reprimir alguns contestadores na Romênia e em vez de fazê-lo, aderiram aos protestos contra Nicolau Czescu. Demais soldados que foram designados para abafar o pequeno movimento também o engrossaram até que a insurreição se agigantou, contaminou todo o exército romeno, executou o ditador, varreu o leste europeu e deu no que se viu. Mudou a história. Aqui, precavidos pelos desacertos dos anos de arbítrio, os militares podem se aprestar a esse papel. Ou seja, apoiar a invasão de palácios, câmaras, assembleias e tribunais. Sem a pretensão de comandar o processol. A pólvora parece vazar dos barrís abarrotados... ■ Eustáquio Palhares é jornalista eustaquio@iacomunicacao.com.br

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6 MAIO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS JANE MARY DE ABREU Por que as pessoas gritam? Mahatma Gandhi gostava de contar esta história: um sábio indiano perguntou a um de seus discípulos: por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? Gritamos porque perdemos a calma, respondeu o discípulo. Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao lado, questionou o sábio? Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, esclareceu o discípulo. E o sábio voltou a perguntar: mas não é possível falar em voz baixa? Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma delas convenceu o sábio. Ele então ensinou: “Quando duas pessoas estão aborrecidas, tomadas pelo ódio, seus corações se afastam muito. Para encurtar esta distância, a fim de que possam ouvir uma à outra, precisam gritar muito. Quanto mais aborrecidas, mais forte terão que gritar... a distância entre os corações é enorme”. O sábio prosseguiu: “Por outro lado, o que acontece quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam porque seus corações estão muito próximos, quase não existe distância entre eles. Às vezes seus corações estão tão próximos que nem falam, somente sussur- ram... E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar... apenas se olham e isso basta! O silêncio une as almas, quebra distâncias, aproxima os corações. Amores profundos são cultivados no silêncio”. E Gandhi concluía: Quando vocês discutirem, não permitam que seus corações se afastem muito. Não digam palavras que os distanciem demais, pois chegará o dia em que a distância será tanta que não mais será possível encontrar o caminho de volta. A experiência máxima da vida é a do silêncio. Nenhuma palavra, por mais doce e bem elaborada que seja, consegue ser mais eficiente do que o silêncio na comunicação com nós mesmos e com os outros. E por que algo tão poderoso é tão pouco usado no cotidiano das pessoas? Porque a maioria vive sob o domínio da mente egóica, que é tagarela por excelência. Ela gosta de gastar palavras porque adora se exibir e mostrar conhecimento. Toda pessoa que não se aprecia vive para impressionar os outros. O tagarela é sempre uma pessoa em busca do reconhecimento dos outros, está sempre se submeten- do à avaliação alheia, pronto para atender as solicitações. É como se quisesse dizer: olha, eu sou melhor do que todos, pode me comprar, eu valho o preço que você quer pagar por mim. Tem auto-estima baixa e por isso age como se fosse uma mercadoria. O tagarela também gosta de se sobressair destacando os defeitos dos outros. Neste caso, a Psicanálise recomenda que tenhamos precaução. O psicanalista Carl Jung foi o primeiro a descobrir que o ser humano enxerga no outro aquilo que mais precisa corrigir em si mesmo. Quanto mais uma palavra ou uma ação frequentar o discurso de uma pessoa, mais ela dá sinais de que carece daquilo que condena no outro. O outro é na verdade um espelho, funciona para nos conduzir ao nosso próprio aperfeiçoamento. É por isso que os iluminados batem numa mesma tecla há milhares de anos: nossos adversários são nossos maiores mestres. Somente eles têm a capacidade de nos levar às profundezas do nosso ser, seja nos ferindo ou nos mostrando nossas imperfeições através de sua própria face. Ramana Maharshi é reconheci- do em todo o Oriente como o Mestre do Silêncio. Passou pela terra entre 1879 a 1950. Viveu no sul da Índia, onde ensinava aos seus seguidores que o silêncio é o idioma da espiritualidade universal. Mas é preciso compreender que esse silêncio não é simplesmente exterior, ele ensinava. Não é apenas através das palavras que se fala. Os olhos falam, os ouvidos falam, o tato fala, enfim, cada um de nossos sentidos tem uma linguagem. O verdadeiro silêncio manifesta-se, portanto, interiormente. Por conta da capacidade incrível de Maharshi se manter em silêncio, conta-se na Índia uma história interessante: em certa ocasião, chegou ao Ashram (local onde o mestre se reúne com os devotos para transmitir ensinamentos) a notícia de que Mahatma Gandhi estava a caminho para receber a bênção de Sri Ramana. Todos se alegraram e aguardavam a visita com muita curiosidade, uma vez que Gandhi já era bastante conhecido - o seu trabalho em prol da não-violência ecoava pelo mundo todo. Criou-se a expectativa sobre a conversa entre os dois grandes mestres. Esperava-se que abordassem temas referentes às causas sociais, aos entraves políticos pelos quais o país passava, enfim, assuntos complexos e polêmicos. Quando Mahatma Gandhi chegou ao Ashram, cercado pela multidão curiosa, aproximou-se do mestre, curvou-se diante dele e aguardou silenciosamente. Após algum tempo, Sri Ramana Maharshi disse: Sim! Gandhi levantou-se, agradeceu e se retirou em completo silêncio. Gandhi havia atravessado toda a Índia, viajando de Nova Delhi a Tiruvannamalai para estar com Ramana, a fim de receber dele a orientação para o seu trabalho. Uma vez ouvida a resposta positiva do mestre, não havia mais o que dizer, tudo que precisava fazer era voltar ao trabalho e continuar a missão. Qual a necessidade das palavras? O silêncio é a linguagem do amor, é a fala do buscador espiritual. ■ Jane Mary é jornalista, consultora de Comunicação e Marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é. www.janemary.combr janemaryconsultoria@gmail.com

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8 Sicoob investe R$ 263 milhões em tecnologia 17 ANO FOTO: DIVULGAÇÃO Instituição financeira cooperativa aprimora canais digitais Antigamente, a falta de tempo era um empecilho para se resolver as questões relacionadas às finanças. Hoje, a oferta de serviços e produtos por meio da internet reduz a necessidade de ir à agência, em função das facilidades propiciadas pelos aplicativos para celular e pelo internet banking.E os investimentos nessa área são constantes. O Sicoob, sistema que reúne 3,6 milhões de associados, prevê alocar R$ 263 milhões em tecnologia da informação até o fim deste ano, segundo o diretor de Tecnologia da Informação da instituição, Antônio Vilaça Júnior. “Esses investimentos visam ao aprimoramento das soluções já implementadas, inovações na plataforma digital e expansão da infraestrutura de processamento e armazenamento de dados, permitindo a ampliação do volume de transações”, explica. No Espírito Santo, o total destinado a essas melhorias deverá chegar a R$ 21 milhões. Esses recursos serão aplicados em serviços que abrangem desde o armazenamento de dados até plataformas de atendimento aos clientes e fortalecimento da segurança. EVOLUÇÃO - “O Sicoob vem acompanhando a evolução tecnológica e aderindo de forma crescente ao atendimento pelos meios digitais. Em 2017, vamos desenvolver novas aplicações, como a conta digital, e realizar melhorias nas atuais soluções, o que vai permitir o fornecimento de mais funcionalidades para os associados”, afirma o diretor-executivo do Sicoob ES, Nailson Dalla Bernadina. O SicoobNet, aplicativo móvel da instituição financeira cooperativa, registrou,na avaliação mais recente, em dezembro último,35,8% de todas as operações realizadas no Estado. Quando somado às operações por meio do internet banking e dos caixas eletrônicos, esse índice sobe para 85% das transações totais. Ketilin Florentina, de Aracruz, é usuária assídua dos canais digitais do Sicoob. Atuando em três empresas, ela utiliza o SicoobNet na administração das finanças destes empreendimentos: “As vantagens do Sicoob em si já o tornam melhor do que os bancos para mim e, com a possibilidade de movimentar à distância, me sinto mais confortável para gerir meus negócios e contas pessoais”, afirma. “Se compararmos o mês de março de 2017 com o mesmo mês de 2016, registramos um crescimento de 85,7%transações realizadas por dispositivos móveis, 25,6%nas operações feitas via internet e 17,2% nas movimentações efetivadas nos caixas eletrônicos”, enfatiza Nailson Dalla Bernadina. AMPLIAÇÃO - De acordo com o diretor, o aprimoramento dos canais de atendimento por meio da internet e de caixas eletrônicos resulta do investimento contínuo em tecnologia. Esse esforço do Sicoob, FOTO: JOACIR AZEREDO Nailson Dalla Bernardina, do Sicoob tanto em nível estadual quando nacional facilita o dia a dia dos associados (pessoas físicas e empresas) e propicia que a maioria de suas operações seja feita pelo celular e pelo computador. As inovações, segundo o diretor, geram constantes premiações para a instituição financeira cooperativa. Mesmo com o aumento do atendimento por canais digitais, o Sicoob ES dá prosseguimento ao seu planejamento de ampliação das áreas de atuação, que atualmente contempla 68 dos 78 municípios do Estado. Hoje são 102 agências no Espírito Santo e mais nove no estado do Rio de Janeiro, onde a instituição financeira cooperativa também tem atuação. Neste ano, serão abertos pontos de atendimento no Espírito Santo em Conceição da Barra e Jerônimo Monteiro. FOTO: DIVULGAÇÃO As unidades do Sicoob desenvolvem ações que já contemplam 68 municípios do Estado Aplicativo do Sicoob se destaca pela simplicidade O SicoobNet, mobile banking do Sicoob, oferece grandes vantagens aos usuários. A primeira é a economia de tempo, haja vista a realização de atividades sem precisar ir à agência. A associada Denise Mariano, de Iúna, considera as soluções tecnológicas ideais para a sua rotina intensa. Atuando nas salas de aula e em seu escritório de contabilidade, ela utiliza os aplicativos para gerenciar suas movimentações. “O aplicativo é muito prático, o que permite que eu realize transações de qualquer lugar”, diz. SATISFAÇÃO - Ricardo Romualdo, supervisor de tecnologia da informação do Sicoob ES, explica que atualmente, o aplicativo tem um índice de satisfação de 4,7 de 5 nas lojas virtuais da Apple e Google, nota superior ao das aplicações dos grandes bancos de varejo. O aplicativo foi atualizado no dia 28 de março último. Ele permite o acesso para não correntistas, consulta de informações da conta corrente em relógios inteligentes, acesso pela impressão digital para dispositivos Android, e a integração com mapas. ACESSO - “Um diferencial em relação às outras instituições financeiras é a localização geográfica dos pontos de atendimento mais próximos. A principal mudança é a opção de realizar depósitos de cheques”, destaca Ricardo Romualdo. A solução funciona em celulares e tablets. Atualmente, ela é compatível com as plataformas iOS, Android, Windows Phone, BlackBerry e Firefox OS. O smartphone pode ser usado como ferramenta de controle de gastos Os cooperados ao Sicoob têm à disposição dois aplicativos de controle de finanças. O primeiro, o App Sicoob Minhas Finanças, permite a gestão completa do fluxo financeiro do usuário: cadastrar diversas contas, e coordenar recebimentos e pagamentos, com a opção de anexar comprovantes. O usuário ainda pode definir metas e simular transações, além de dispor de gráficos de orçamento para acompanhar metas e receber avisos de várias situações por meio da funcionalidade Notificações. Para administrar o seu cartão pessoal, está disponível o Sicoobcard Mobile, aplicativo que oferece funcionalidades como definir limites, programando o quanto gastar naquele período por categoria (lazer, combustível, roupas etc), desbloquear e bloquear o cartão e gerar boleto para pagar a fatura, entre outras facilidades. Bethania Moreira, supervisora de produtos e serviços do Sicoob ES, explica outras funcionalidades da ferramenta: “É possível controlar os gastos em tempo real e receber notificações online de compras realizadas. Assim o portador do cartão pode acompanhar todas as transações que estão sendo realizadas com seu cartão”. Outra novidade é a geração de um cartão virtual, por meio do aplicativo, ideal para a realização de compras pela internet: “O cartão virtual, com validade definida, propicia a segurança dos dados do cartão físico do cliente, evitando fraudes e transtornos”, explica Bethania Moreira. Os aplicativos estão disponíveis na Apple Store (iOS) e na Play Store (Android). ■

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OS VITÓRIA/ES MAIO DE 2017 9 Prestação de contas para 53 mil OSicoob ES encerra a atividade de prestação de contas com a distribuição de uma carta de agradecimento aos associados que acompanharam a divulgação dos resultados de 2016. Foram aproximadamente 53 mil pessoas presentes nos 80 encontros em todo em todo o Estado e também no Sul, no Norte e no Noroeste do Rio de Janeiro, onde a instituição administra nove pontos de atendimento. “Esses encontros reforçam a credibilidade da instituição, pois solidificam o conceito de transparência”, ressalta Bento Venturim, presidente estadual do Sicoob, enfatizando que o cooperativismo se consolida por promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Para o produtor rural Giovani Tozi, associado em Brejetuba, a participação na prestação de contas é o momento de maior interação do associado com a instituição: “Por meio da prestação de contas, a cooperativa se mostra aberta, séria e competente em sua atuação”, ressalta. O empresário Jucélio de Freitas, associado em Cariacica, utiliza os resultados apresentados nas pré-assembleias como base para investir e aproveitar melhor os ganhos: “Assim como acompanho o desenvolvimento da minha empresa, também considero necessário estar a par da realidade financeira da minha cooperativa. Afinal, como sócio, sou o mais interessado em saber dos crescimentos, metas e projeções”, destaca. RESULTADOS - Durante o exercício, o volume de depósitos foi o indicador que mais avançou, chegando a R$ 2,9 bilhões, uma elevação de 28,5%. Nos depósitos à vista, houve expansão de 18%, e nos depósitos a prazo, houve crescimento de 32%. A carteira de crédito também obteve destaque, com alta de 7,9% relação ao ano anterior. O período foi encerrado com o montante de R$ 3,5 bilhões, o que representa um aumento de R$ 253,4 FOTO: JOACIR AZEREDO Bento Venturim, presidente do Sicoob, diz que os encontros comprovam mais transparência milhões frente a 2015. A instituição exerceu papel relevante no apoio aos produtores impactados pela situação hídrica e econômica do Esta- do em 2016, encerrando o ano com a carteira de crédito rural em R$ 801,5 milhões. “Nos últimos três anos, a instituição dobrou de tamanho em praticamente todos os indicadores, como ativos e patrimônio líquido”, destaca Nailson Dalla Bernadina, diretor executivo do Sicoob ES. Prefeituras podem trabalhar com cooperativas de crédito O Projeto de Lei Complementar (PLP) 100/11 que permite aos municípios manterem folha de pagamento de servidores, movimentação financeira e outras atividades em cooperativas de crédito ganha fôlego extra na Câmara Federal. Por 345 votos favoráveis, os deputados aprovaram regime de urgência para tramitação do projeto na casa. Para o deputado Federal Evair de Melo (PV/ES), que integra a da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), o cooperativismo de crédito precisa, merece e vai ter essa oportunidade de poder contribuir também, além do setor privado e do rural, com o setor público brasileiro. “O cooperativismo de crédito no Brasil, que tem origem no rural, nos dá orgulho. Trabalha com transparência, participação e envolvimento e merece todo o nosso prestígio. Com certeza é o mecanismo de crédito que mais cresce no Brasil e está presente nos rincões do país”, destaca Evair de Melo. O projeto visa fortalecer a economia localmente, por meio das cooperativas de crédito existentes. Em cerca de 10% dos municípios brasileiros, não há presença dos bancos oficiais (federais e estaduais) e a cooperativa de crédi- to pode ser a única instituição financeira existente na ‘praça’. “Se as cooperativas de crédito estão estruturadas, não é aceitável que uma prefeitura, por exemplo, seja obrigada a manter conta corrente num banco que não tenha agência dentro do município, levando recursos para outra região”, completa o deputado Evair de Melo. Com a alteração na Lei, aqui no Espírito Santo, prefeituras, câmaras municipais e outras empresas e agentes públicos terão permissão para operar com o Sicoob e a Cooperativa Central Base de Serviços com Interação Solidária (Cresol). Outra novidade, proposta por emenda do deputado FOTO: LÚCIO BERNARDO JUNIOR/CÂMARA DOS DEPUTADOS O deputado Evair de Melo integra a Frente Parlamentar de Cooperativismo Evair de Melo ao texto, é permissão para que o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) também possa organizar, administrar e executar movimentações em cooperativas de crédito. ■

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10 MAIO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Lelo garante peixe na rede A ação de Lelo Coimbra, líder da Maioria, foi de fundamental importância para revogação da portaria que limitava a pesca Olíder da Maioria na Câmara, deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), garantiu uma importante vitória para os mais de 16 mil pescadores do Espírito Santo. Em reunião com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, Lelo assegurou que o ministério vai liberar a pesca das principais espécies que garantem o sustento dos pescadores do Espírito Santo, como garoupa, badejo, bodião, cherne, além de vários tipos de cação. Segundo Lelo, a Portaria 445/2014 do Ministério do Meio Ambiente, que proíbe a pesca e a comercialização de 475 espécies de peixes e invertebrados, será flexibilizada para beneficiar os pescadores do Estado. “Essa é uma conquista importante para os pescadores e todo o setor pesqueiro. O ministro publicou, nesta segunda-feira (24), a Portaria 161/2017, liberando a pesca de várias espécies do Pará. Ele se comprometeu em ampliar a lista de espécies que poderão ser pescadas para contemplar os pescadores do Espírito Santo. Estamos construindo uma alternativa para não prejudicar o meio ambiente e nem as famílias que vivem da pesca”, explicou Lelo. De acordo com o deputado, atualmente existem 16 mil pescadores registrados no Estado, mas indiretamente são mais de 20 mil que vivem da pesca. “É um segmento importante da economia local. Os pescadores representam 7% do PIB do Espírito Santo”, informou. Uma minuta com a lista de espécies que devem ser incluídas na portaria 161/2017 será entregue aos técnicos do ministério do Meio Ambiente pelo ex-superintendente da Pesca no Espírito Santo Rafael Castro e o atual coordenador-geral da Pesca no Estado, Júlio César, a pedido de Lelo. Um dia antes de se reunir com o ministro, Lelo já havia conversado com o presidente Michel Temer, na noite de domingo, sobre a necessidade de se rever a Portaria 445/2014. “Essa portaria tem uma lista que não faz sentido, que prejudica e muito o setor pesqueiro. O presidente já tinha garantido o apoio aos pescadores. Ele ficou sensibilizado com a situação, o que viabilizou a construção de uma alternativa junto ao mi- FOTO: DIVULGAÇÃO Lelo Coimbra argumentou com o ministro Sarney Filho a importância da pesca para a economia do Espírito Santo nistro Sarney Filho. Agora é esperar a publicação da complementação à Portaria 161/2017, editada ontem, o que esperamos que possa ocorrer até a próxima sexta-feira. Essa nova portaria garantirá o equilíbrio entre os diferentes Estados prejudicados pela 445”, informou Lelo. De acordo com o líder da Maioria, a Portaria 161/2017 terá vigência por um ano, até 30 de abril de 2018. Durante esse período, o Ministério do Meio Ambiente se comprometeu ainda em aprofundar a análise dos estudos e laudos, promovendo assim uma maior discussão com os pescadores, setor pesqueiro e os órgãos de proteção ambiental, objetivando a revisão da lista de espécies contidas na Portaria 445/2014. “Com isso, vamos garantir o equilíbrio sustentável dos recursos naturais e da atividade profissional”, ponderou Lelo. ■ Vale e Fundação Vale criam prêmios para projetos sociais A Vale e a Fundação Vale lançaram, neste mês, em Governador Valadares (MG), o Edital Reconhecer 2017, iniciativa que irá selecionar e apoiar, com recursos financeiros, instituições interessadas em desenvolver projetos sociais em temas relacionados à Geração de Trabalho e Renda, Educação e Saúde e que estejam localizadas no Espírito Santo e em Minas Gerais. No ES, poderão participar entidades situadas nos municípios de Aracruz, Baixo Guandu, Cariacica, Colatina, Fundão, Ibiraçu e João Neiva. Já em Minas Gerais, nas cidades de Aimorés, Antônio Dias, Barão de Cocais, Belo Oriente, Conselheiro Pena, Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Ipatinga, Itabira, Itueta e João Monlevade, Naque, Nova Era, Periquito, Resplendor, Rio Piracicaba, Sabará, Santa Bárbara, Santana do Paraiso, São Gonçalo do Rio Abaixo, Timóteo, Tumiritinga. É preciso que as instituições participantes estejam localizadas ou tenham atuação comprovada nos municípios mencionados. As ins- crições terão início no dia 29 de maio e se estenderão até o dia 1º de julho. O edital será aberto à participação de projetos inéditos, ou de novas edições de iniciativas já existentes, desde que obedeçam aos critérios previstos no edital e que sejam desenvolvidos por pessoas jurídicas privadas, sem fins lucrativos, legalmente constituídas e que tenham previsto em seu estatuto, ou contrato social, atividades compatíveis com as categorias contempladas pelo edital. Também é necessário que os participantes estejam em dia com as suas obrigações fiscais e trabalhistas. "O edital é uma forma de identificarmos e apoiarmos instituições que estejam engajadas na transformação social nas comunidades. Neste ano, além da comissão avaliadora, também teremos a oportunidade de contar com o voto popular, trazendo a própria comunidade para participar da seleção dos projetos", explica a diretora-presidente da Fundação Vale Isis Pagy. No que diz respeito ao tema Geração de Trabalho e Renda, poderão concorrer projetos relacionados a pequenos negócios coletivos ou à agricultura familiar, que contribuam para a inclusão produtiva e incremento de renda. Além disso, as iniciativas poderão contemplar também melhorias na estrutura produtiva, como equipagem, pequenas reformas e adequações de infraestrutura, por exemplo, bem como nos processos produtivos, de gestão e de comercialização. Na vertente Educação, estão aptos a participar projetos de leitura que envolvam saraus, chás literários, rodas de conversa e de leitura, contação de histórias, leituras dramatizadas, publicações, bibliotecas itinerantes, oficinas de promoção da leitura, entre outras. Poderão participar também projetos que prevejam montagem ou melhoria de espaços de leitura já existentes, incluindo, por exemplo, aquisição ou ampliação de mobiliário, acervo (livros, audiobooks, dvds, cds, entre outros) e equipamentos (televisão, aparelho de dvd, microsystem, ventilador, etc) e mon- tagem de bibliotecas itinerantes para a realização das atividades, dentre outros. Já os projetos ligados à área de Saúde deverão ter foco no fortalecimento da participação social na promoção da saúde, visando à mobilização para ações de autocuidado e de disseminação de conhecimentos técnicos e populares, como educação alimentar, apoio materno infantil, saúde bucal, ações de apoio à vigilância epidemiológica, campanhas de prevenção a doenças, reabilitação para deficientes físicos e horta medicinal, por exemplo. A Vale e sua Fundação formarão uma comissão multidisciplinar para avaliar todas as iniciativas inscritas e pré-selecionar 20 projetos. Dentre eles, serão selecionados os dois que forem mais votados por meio de voto popular e os 10 que mais se adequarem aos pré-requisitos previstos no edital, independentemente da categoria em que foram inscritos. Dessa forma, 12 projetos serão contemplados com aporte financeiro no total. INSCRIÇÕES - Para se ins- crever, é necessário preencher o formulário de inscrição e a planilha de orçamento disponíveis no site www.fundacaovale.org e enviar duas vias de cada, juntamente com a documentação obrigatória, via Correios e aos cuidados da Fundação Vale, para o endereço: Avenida das Américas, 700, bloco 8, loja 318, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22640-100. É obrigatório que a postagem seja feita com aviso de recebimento (AR). Somente serão considerados inscritos no Edital os projetos com comprovação de postagem até o dia 1º de julho de 2017, sendo o carimbo de postagem, ou o Aviso de Recebimento emitido pelos Correios, o comprovante de entrega da inscrição dentro do prazo. Para serem elegíveis, as instituições inscritas deverão estar em atividade há pelo menos 12 meses, a contar regressivamente da data de lançamento do Edital. Uma vez selecionados, os projetos deverão ser executados em até 12 meses a partir da data de recebimento do recurso financeiro. ■

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12 MAIO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS FOTOS: ANTÔNIO MOREIRA Os produtos do meio rural ficam expostos à venda nas praças de alimentação, dando um novo colorido aos ambientes e atraindo mais clientes Alimentos orgânicos chegam aos shoppings Com o apoio da Secretaria de Agricultura, produtores rurais ampliam as oportunidades Os shoppings centers onde estamos acostumados a fazer compras com a família e amigos se tornaram convenientes para encontrar alimentos nutritivos, frescos e saudáveis. O novo espaço de conceito agroecológico e orgânico tem atraído cada vez mais consumidores conscientes com a saúde e o bem-estar. Em ambiente climatizado, com estacionamento e infraestrutura completa os clientes podem adquirir hortaliças e outros itens diretamente das mãos do agricultor. Para quem deseja comprar alimentos cultivados sem agroquímicos existem nove feiras especializadas na Grande Vitória, nesse segmento, coordenadas pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (SEAG), sendo seis delas em shoppings e três em praças e ruas da região metropolitana. Uma das mais movimentadas da cidade de Vitória é a do Centro da Praia Shopping, que ocorre aos sábados, das 9 às 13h. Em sete barracas distribuídas em 80m2 onde são comercializados legumes, verduras, frutas, grãos, mel, flores, pães, geleias e bolos livres de agrotóxicos ou qualquer insumo químico. Octaciano Neto, secretário de agricultura, acredita na importância do consumo de alimentos de origem sustentável. “As pessoas estão cada vez mais procurando produtos saudáveis e os orgânicos são uma boa opção. É um mercado em potencial para o futuro, pois cresce acima de 20% a cada ano”. Segundo Octaciano, a produção vem crescendo no Espírito Santo nas regiões Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Iconha e ganhando força em outros municípios. As feiras apoiadas pela SEAG contemplam mais de 25 grupos de agricultores familiares. “Em todo o estado, temos aproximadamente 300 produtores rurais com certificação orgânica, 1.300 não utilizam produtos químicos nas lavouras e 300 estão em fase de transição deixando o cultivo tradicional e adotando práticas agroecológicas”, destaca. Juntos, estes produtores colhem cerca de 12.800 toneladas por mês entre frutas e olerícolas, principalmente. No cultivo orgânico atuam em conjunto na certificação da cadeia produtiva a Seag, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf ) e a Centrais de Abastecimento do Espírito Santo S.A. (Ceasa). Para a melhoria do sistema produtivo foi adotado um programa de agroecologia que contempla ações de pesquisa desenvolvidas pelo Incaper em que todos os agricultores são assistidos e acreditados. Além disso, as propriedades são certificadas por auditoria ou por organizações de controle social e o estado, através do Idaf, realiza o monitoramento desses alimentos por meio da coleta de produtos nas feiras que são enviados esporadicamente para análise de resíduos de agrotóxicos. “Recentemente o estado lançou um edital público que estimulou outras instituições como universidades e Organizações não governamentais (ONGs) a forma- rem redes de pesquisa para geração de novos conhecimentos aplicados na área de agroecologia”, explica Luciano Fasolo, coordenador de projetos da SEAG. A qualidade técnica do solo – O preparo do solo tem como objetivo preservar as técnicas de manejo e a biodiversidade. Na agricultura orgânica, são priorizadas as fontes de nutrientes e não se faz uso de fertilizantes químicos de alta solubilidade. Os adubos orgânicos de origem animal mais utilizados são o esterco de boi e galinha. O uso adequado do solo e da água permite que o ciclo de vida das plantas seja respeitado. Em média, após o plantio, os agricultores aguardam 90 dias para a colheita dos alimentos. FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Octaciano diz que o cultivo é sustentável FEIRAS COORDENADAS PELA SECRETARIA DE AGRICULTURA (SEAG) CIDADE VITÓRIA VILA VELHA CARIACICA GUARAPARI LOCAL Praia do Canto Centro da Praia Shopping Av. Nossa Senhora da Penha, 570 Enseada do Suá Shopping Vitória Av. Américo Buaiz, 200 Enseada do Suá Praça do Papa Av. Nossa Senhora dos Navegantes Jardim Camburi Av. Isaac Lopes Rubim (próximo à Faculdade Estácio de Sá) Barro Vermelho Rua Arlindo Brás do Nascimento (atrás da Emescam) Mata da Praia Shopping Victoria Mall Rua Aristóbulo Barbosa Leão, 500 Itaparica Boulevard Shopping Rodovia do Sol, 5000 Campo Grande Shopping Moxuara Rodovia BR-262, Km 5, 6555 Muquiçaba Extracenter Rua José Alcântara Bourguignon, 90 HORÁRIO Sábado – 9 às 13 h 2ª feira – 16 às 20h 4ª feira – 15 horas às 20h30 Sábado – 6 horas às 12h Sábado – 6 às 12 h 4ª feira – 16 horas às 20h Domingo – 11 às 16h Domingo – 11 às 16h 3ª feira – 8 às 13h Produto de qualidade para o consumidor Uma parcela considerável da população do estado do Espírito Santo tem buscado adotar hábitos alimentares mais saudáveis. Com o crescimento do consumo os clientes já encontram produtos agroecológicos e orgânicos com preços bem mais acessíveis. O custo de produção chega a ser muitas vezes cerca de 30% mais caro que o tradicional, mas o consumidor final está disposto a pagar pela garantia da qualidade e pela certificação do alimento. Em um estabelecimento convencional o preço da cenoura sai a R$ 3,49 Kg e o da rúcula a R$ 1,99. Na feira de orgânicos a mesma quantidade é vendida a R$ 3,00Kg e R$ 2,00Kg, respectivamente. O preço médio do aipim no supermercado é R$ 4,99 Kg, enquanto na feira é de R$ 6,00Kg. Apesar de mais caro nesse caso o custo benefício é maior, não somente à saúde, mas também ao meio ambiente. Uma das frutas mais apreciadas e nutritivas do país, a banana tem o custo médio de R$ 3,99Kg no mercado. O preço da feira não difere muito saindo a R$ 4,00Kg. De cinco variedades: prata, ouro, maçã, nanica e da terra possuem o sabor puro do fruto é proteção contra doenças. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES MAIO DE 2017 13 Cerfificação garante Aumenta procura a boa procedência por alimentos sem agrotóxicos As técnicas de cultivo utilizadas asseguram alimentos sem contaminação, pela ausência de substâncias nocivas à saúde Cada vez mais em alta os produtos orgânicos conquistam espaço nos corredores dos shoppings e ruas da Grande Vitória. Os alimentos se diferenciam dos convencionais por não utilizarem agrotóxicos em seu cultivo, evitando a contaminação do solo e da água, apresentando ganhos para a saúde da população. A produção de orgânicos movimenta há aproximadamente três anos a propriedade rural de 12 hectares em Santa Leopoldina, do casal agricultor Sueli Lichtenheld e Celestino Müller Thomas. Couve, alface, taioba, agrião, repolho, brócolis, feijão e diversos temperos estão entre os alimentos cultivados de alto valor nutricional sem uso de pesticidas na plantação. Sueli Lichtenheld destaca que a água utilizada na irrigação é de nascente e que o manuseio das sementes na terra é realizado com enxada o que permite um maior cuidado no tratamento de fertilização do solo. Ela conta que aprendeu em um curso há um ano e meio a técnica de Organização de Controle Social (OCS) dos orgânicos. “Com esse curso pude aprimorar todos os conceitos da agricultura orgânica e como aplicá-los na horta”, afirma. Para quem procura uma alimentação balanceada na barraca dos agricultores no Centro da Praia Shopping, também é encontrada uma seleção de frutas saborosas da estação como o abacate e uma variedade de bananas com grandes doses de vitaminas e potássio, além das flores como o antúrio e o ornamental bastão do imperador. Outro alimento com boa procura na feira é o fubá. “Nosso fubá artesanal é moído no moinho de pedra e possui um gosto mais intenso de milho já que os grãos são esmagados sem acréscimo de nenhum conservante”, destaca Celestino Thomas. Produtos e temperos como coentro, salsa, hortelã, alface, cebolinha, rabanete, tomate cereja, rúcula, salsa crespa, mostarda e couve mizuna – hortaliça menos picante que a rúcula, são o carro chefe da barraca do agricultor Alves Schumach. A demanda tem sido grande por hortaliças conta ele, orgulhoso de sua colheita. “Trabalhamos com uma produção primária de vegetais e frutas como limão galego e laranja, olerícolas e grãos no Sítio em Santa Maria de Jetibá de três hectares”, ressalta Schumach. “Nossos alimentos possuem o certificado de Conformidade Orgânica e o selo de qualidade do Instituto Chão Vivo. A cada mês conquistamos mais fregueses, comemora. Já conseguimos fidelizar nossos clientes. Em nosso plantio não adicionamos nada que possa colocar em risco a saúde do produtor, do meio ambiente ou do consumidor em toda a cadeia de produção até a venda final”, esclarece. A família Salomão do Alto de Santa Maria de Jetibá também está a quatro meses presente na feira agroecológica e orgânica. Os irmãos Lindomar e Devany utilizam no processo de produção técnicas que respeitam o meio ambiente e a qualidade dos alimentos na propriedade de 10.000m2. Na feira, eles comercializam repolho roxo e branco, couveflor, batata doce, salsa, couve chinesa, jiló, abóbora, cenoura, alecrim, pimentas e o café orgânico especial da família Rossmann. Na barraca Salomão, o limão doce e a laranja champagne, uma das mais saborosas para consumo in natura e em sucos fazem sucesso e estão entre os preferidos da clientela. Desde 2016 atuando no mercado de alimentos com boa procedência na região rural, em Boa Vista, Cariacica, o produtor Kemisson Geraldo Scalzer e oito integrantes de sua família preparam semanalmente na agroindústria de 2,8 hectares do Sítio Um Sonho a Mais, cerca de 400kg de saborosos produtos como bolo de aipim, bolo de banana orgânico sem açúcar e sem lactose, queijos, pães artesanais, roscas amanteigadas e biscoito de fubá. Na barraca, os consumidores também encontram o delicioso e rico mel do apiário Moxuara que é inspecionado pelo município. Em média, na feira aos sábados, em quatro horas, Scalzer consegue vender de 40 a 50 bolos de banana orgânico e 30 peças de 500g de queijo minas frescal. FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Viviane Lyrio – lojista do Centro da Praia Shopping A empresária Viviane Lyrio adotou a alimentação orgânica há alguns meses por conta da atenção à saúde. Para ela, a durabilidade dos produtos é diferenciada. “Percebo que as vitaminas e os minerais são preservados. A banana, por exemplo, permanece na minha fruteira por uma semana adocicada e o sabor das hortaliças e verduras é mais genuíno. Sinto muita diferença ao ingerir esses produtos. Fico mais leve”. FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Mirtes Rosetti – moradora da Praia do Canto Para quem cozinha diariamente como Dona Mirtes Rosetti, nada melhor que contar com alimentos puros e temperos frescos em suas refeições. “Todos os sábados venho à feira comprar queijo, bolo de aipim, verduras, legumes e a cremosa banana da terra. Levo sempre uma cesta bem diversificada e rica em nutrientes para a família”. FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Fernando Scaramussa empresário O carrinho de feira da família Scaramussa está sempre carregado de produtos orgânicos. Aos sábados, o empresário Fernando e a família curtem uma manhã regada de selecionados e coloridos vegetais para o consumo do dia a dia. “A feira do Centro da Praia Shopping é bem próxima a nossa residência. Trago a minha esposa Glaucia e a minha filha Jade sempre comigo. É prazeroso estar na feira com elas nos finais de semana. Escolhemos juntos os frutos nutritivos que vamos comprar”. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES MAIO DE 2017 15 Inadimplência do consumidor cai 9,1% em abril Os problemas registrados na economia deixaram as famílias cautelosas, levando-as a reduzirem drasticamente o consumo Ainadimplência do consumidor atingiu queda de 9,1% em abril, de acordo com dados nacionais dessazonalizados da Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (maio de 2016 até abril de 2017 frente aos 12 meses antecedentes) houve retração 4,6%. Na avaliação acumulada no ano, a inadimplência caiu 1,7%. Já quando comparado o resultado de abril contra o mesmo mês de 2016 houve diminuição de 11,5% Regionalmente, na análise acumulada em 12 meses, ocorreu crescimento apenas na região Norte (0,4%) e queda nas demais regiões (Nordeste variando -1,5%, Centro-Oeste com -1,4%, Sul variando -5,1% e Sudeste -6,6%). As adversidades ocorridas na economia ao longo dos últimos dois anos geraram grande cautela nas famílias, inibindo o consumo e consequentemente contribuindo para a diminuição do fluxo de inadimplência. Mantendo a perspectiva de pequeno crescimento da economia e renda, juros menores e inflação controlada, esperase uma retomada sustentável da demanda de crédito, expan- dindo a renda disponível das famílias, fatores que colaboram para manter o atual ritmo de queda da inadimplência. METODOLOGIA - O indicador de registro de inadimplência é elaborado a partir da quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas informados à Boa Vista pelas empresas credoras. As séries têm como ano base a média de 2011 = 100 e passam por ajuste sazonal para avaliação da variação mensal. A partir de Fonte: Boa Vista SCPC janeiro de 2014, houve atualização dos fatores sazonais e reelaboração das séries dessazonalizadas, utilizando o filtro sazonal X-12 ARIMA, disponibilizado pelo US Census Bureau. Em virtude da Lei Estadual de São Paulo n° 15.659/2015, a partir de setembro de 2015 passou-se a usar como referência para este estado o número de cartas de notificação enviadas aos consumidores em vez dos números de débitos ativos na base do SCPC. Fonte: Boa Vista SCPC Em Vitória, a queda foi de 3,1% no 1º trimestre A inadimplência do consumidor na cidade de Vitória caiu 3,1% no acumulado do ano (1º trimestre de 2017 contra o mesmo período do ano passado), de acordo com os dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Na comparação interanual, contra o mesmo mês do ano anterior, a queda foi de 7,9%. Contra o mês anterior (março-17 contra fevereiro-17) houve queda de 0,8%. RECUPERAÇÃO - O indi- cador de recuperação de crédito do consumidor na cidade de Vitória – obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplência – apontou queda de 6,4% no acumulado do ano (1º trimestre de 2017 contra o mesmo período do ano passado). Na comparação interanual, contra o mesmo mês do ano anterior, o indicador caiu 12,9%. Contra o mês anterior (março-17 contra fevereiro17) houve queda de 1,9% na recuperação do crédito. ■ FOTO ANTONIO MOREIRA A queda da inadimplência também está ligada à redução do consumo

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