Caleidoscópio nº 79

 

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Caleidoscópio nº 79

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No 79 Colégio Santa Maria Atividades de adaptação, acolhimento e passagem favorecem a convivência e o aprendizado 1

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EXPEDIENTE COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br MOSAICO ACESSE AS MÍDIAS DO COLÉGIO /colsantamaria /colsantamariasp www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Ana Lúcia Parro Beth Costa Karine Ramos Maria Soledad Más Gandini Muriel Alves Silvio Soares Moreira Freire Suzana Torres Vanini Andolfato Mesquita Editora Suze Smaniotto Revisão Rita de Cássia Cereser Sógi COLABORADORES Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriana Pistori Adriano Silva dos Santos Ana Cláudia Florindo Fernandes Anna Paula Dutra Rodrigues Aurea Maria Curti de Mello Cibele Duarte Cleber Teodoro P. Silva Cristiane Paulon Denise Garcia Carneiro Elizabeth Nishiyama Muniz Fabíola Iszlaji de Albuquerque Gustavo Almeida João Neto Lara Pecora Polazzo Luciana Boggi Proença Maíra dos Santos Nascimento Maurício Leite Patrícia Almeida Pedro Moisés Ricardo Borduchi Rita de Cássia Cereser Sógi Roberta Edo Robson Veríssimo Sueli A. Gomes Tatiana Proscholdt Valéria de Oliveira Nunes Wallace Marante Diagramação: Mister White Impressão: Intergraf Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 2

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CARTA AO LEITOR Visão Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Coléfio Santa Maria tridimensional Fui assistir ao filme A Bela e a Fera em terceira dimensão, por isso recebi aqueles óculos especiais logo na entrada. Fiquei curiosa para ver se era muito diferente da projeção normal e vi que é, sim, radicalmente melhor. Na sequência, li os artigos desta edição da Caleidoscópio e senti que estava vendo a Escola em 3D, ou seja, por dentro e com mais nitidez. Para os pais que, em abril, recebem os boletins com conceitos e relatórios sobre as produções dos filhos, a revista complementa sua visão sobre o que aconteceu nesse período. Achei interessante as reações dos alunos. Seus depoimentos expressam momentos de encantamento ou consciência da necessidade do outro, das pessoas ou dos biomas, e o desejo de contribuir, colaborar e se comprometer a transformar situações ameaçadoras. Nas suas ações cotidianas, eles dizem “sim” para o bem-comum. Também gostei dos momentos de troca de experiências, por exemplo, dos alunos do 3º ano que estudaram febre amarela e partilharam o conhecimento com o 2º ano, explorando e treinando os recursos tecnológicos aprendidos. O Ensino Médio apresentou ao Fundamental II seus estudos sobre violência contra a mulher e contra qualquer pessoa, e os alunos do 9º ano também ficaram encantados e desafiados pelas histórias de superação de várias mulheres. Os alunos da EJA que estão no Brasil como refugiados políticos também nos desafiaram com seus testemunhos e estão experimentando o acolhimento do Colégio, após sofrerem rejeição nos seus próprios países e até no Brasil. Lembrando uma novidade desta edição: a possibilidade de ler mais conteúdo no site do Santa Maria, um material que complementa a edição impressa. Há aqui ainda muitos artigos que demonstram como os alunos não só aprendem academicamente novas formas de linguagem, seja inglês, italiano ou na alfabetização, mas também estão vendo que o domínio da língua possibilita ainda mais contribuição e colaboração com a coletividade. São muitas as atividades que começam aqui e têm sequência “lá fora”. Nesse caso, não basta usar óculos 3D para ampliar a visão, é preciso multiplicar esse conhecimento nas visitas de estudo do meio e na observação do céu e da Mata Atlântica, por exemplo. Convido, em especial, à leitura da opinião do diretor e dos professores do Ensino Médio sobre a nova reforma do segmento, que está na contramão do que vinha sendo discutido pelos especialistas pedagógicos do país. É nossa responsabilidade questionar e avaliar se as mudanças podem, de fato, colaborar para a evolução da educação de nossos alunos no século XXI. Por fim, sugiro que o leitor coloque esses óculos 3D para conhecer a fundo uma educação verdadeiramente renovada. SUMÁRIO 4 COTIDIANO 8MAIS SABER 10Depois do Santa 12NOSSOS GIGANTES 1146DEIXA COMIGO 18ENTRELINHAS / ORALIDADE 22SÓ NO SANTA NA REDE 3

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COTIDIANO Dia Internacional da Mulher: reflexões, Reconhecimento e admiração Os alunos do 9º ano do Fundamental II, sob orientação da professora Rita Sógi, de Língua Portuguesa, homenagearam todas as mulheres de uma forma diferente neste ano. Partindo do conhecimento das lutas e conquistas das mulheres de sua família, principalmente mãe e avós, os alunos apresentaram suas heroínas para a turma e, sob olhares emocionados, ouviram histórias incríveis de superação. Cada um trouxe uma cópia em preto e branco da foto da mãe e avós e, após os relatos contagiantes e emocionados, usaram o lápis de cor para destacar suas fotos. Em outro momento, durante as aulas, fizeram uma reflexão com os dados estatísticos das mulheres brasileiras que ainda sofrem agressões e têm seus direitos subtraídos e analisaram que, portanto, ainda há muito para se conquistar. Muitas famílias, no dia da reunião de pais da série, véspera do Dia Internacional da Mulher, puderam observar os painéis montados com os dados estatísticos da violência contra as mulheres no Brasil, as fotos e letras de músicas, também escolhidas pelos alunos, que homenageavam suas mulheres admiráveis. Curso extracurricular de teclado O Colégio Santa Maria deu início ao Os grupos são de seis estudantes e duas curso de Teclado em fevereiro de 2017, professoras, Valéria e Mariana, que ensinam e ampliando seu leque de opções oferecidas acompanham um por um. Em menos de um no Extracurricular. As aulas são totalmente práticas, com fundamentos em leitura mês, os alunos apresentaram resultados acima do esperado: já conseguem ler partituras e de partitura de música popular, além de tocar com os ritmos do teclado. O curso está desenvolver ritmo e trabalhar a concentração. dividido em seis módulos e o seu objetivo, Na aula, cada aluno tem o seu teclado e todos a cada estágio, é desenvolver a leitura mais tocam ao mesmo tempo com fones de ouvido, elaborada de partitura, aprofundar os o que permite o aproveitamento integral. conhecimentos teóricos, tocar músicas de todos os ritmos, como tango, samba, rock, bossa nova, entre outros, e chegar ao final com uma formação completa. “A música é considerada um dos fatores que influenciam na formação e educação cultural de uma criança, fazendo parte dos três quesitos que pode-se acrescentar em sua educação além da escola: um instrumento, um esporte e um idioma , desenvolvendo assim o corpo, a cultura, inteligência e o lazer”, sintetiza a professora Valéria de Oliveira Nunes. 4

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Dia Internacional da Mulher: reflexões e discussões O Dia Internacional da Mulher no 8º ano do Fundamental II foi marcado por atividades interdisciplinares em torno do tema “Não à violência contra a mulher. Sim ao empoderamento das mulheres”. Participaram os componentes de Matemática, Ciências, História, Geografia e Língua Portuguesa. Encerrando três dias de atividades, o coletivo feminista Santa Sororidade, criado por alunas do Ensino Médio do Santa Maria em 2015, conversou com a série contando sobre o grupo. Feminicídio, exclusão e marginalização da mulher, direitos das mulheres, assédio moral, assédio sexual, misoginia, machismo e relações abusivas foram temas que atravessaram as diferentes atividades e marcaram a roda de conversa. Foi a primeira vez que a série recebeu o Ensino Médio em uma atividade preparada para o Fundamental II. A integração dos dois níveis se mostrou muito produtiva, surpreendendo positivamente as alunas do coletivo ao perceberem que xs colegas estavam muito familiarizadxs com o tema, sensibilizadxs e conscientes da necessidade de uma sociedade baseada na equidade de gênero. Para a atividade, os alunos e as alunas assistiram ao filme “Pai, me ajude: nasci menina”, disponível no YouTube. Estão todxs convidadxs a vê-lo também! Missa do 5º ano A missa organizada pelo 5º ano do Fundamental I levou mensagens sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2017 - “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” - e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), cuja proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Os símbolos escolhidos e ofertados carregavam o respeito à diversidade cultural do país e ao compromisso com a manutenção dos elementos naturais que compõem os diferentes biomas brasileiros. Compromisso esse que deve ser assumido por todos, nas pequenas ações do cotidiano. Não é preciso ações grandiosas para valorizar os presentes de Deus, basta fazer o melhor possível. Essa foi também outra mensagem Utilize o QR Code para visualizar o álbum de fotos deste e de outros eventos. transmitida com a “Parábola dos Talentos”, dramatizada pelos alunos, apenas para lembrar que todos receberam talentos, algo precioso e de muito valor, e podem (e devem) fazer esse talento frutificar! 5

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COTIDIANO Incompletude Incompletos, desenhamos percursos, construímos a vida, procuramos e nos colocamos em movimento. Por isso, o Colégio tem o PRISMA, Centro de Estudos que promove cursos para Educadores e para pessoas com mais de 50 anos e que seguem arquitetando suas vidas e destinos, numa constante reinvenção de si. Para os educadores, o Prisma propõe cursos, encontros, oficinas, seminários, grupo de estudos que apoiem as ações do professor em sala de aula, que ampliem seu repertório e promovam as trocas e reflexões. São muitas as proposições de formação, dentre elas Workshop Internacional: como liderar e facilitar comunidades profissionais para aprendizagem; Design Thinking para educadores; 20º Seminário de Educação Infantil: A Natureza das Infâncias. Quem fala sobre o espaço de formação na maturidade são alguns alunos: “O Prisma é um lugar onde se dá adeus à solidão” Lucila “Tomei o gosto pela escrita no Prisma. Antes não me interessava em escrever e foi aqui que tudo aconteceu” Wanda “O Prisma é um espaço de acolhimento que permite troca de olhares, gentilezas e afeto” Cris “O Prisma é um centro de excelência para pessoas da terceira idade, onde conseguimos encontrar colegas que podem discutir assuntos variados em um nível interessante e descontraído” Valéria “É um espaço para além do aprendizado formal, em que se aprende algo... É um espaço para a realização da felicidade, da alegria. É onde a terceira idade vale a pena” Mariana A criança em ação realiza o bem-comum A Santa Missa é um encontro com Deus, a mais poderosa e completa oração. É preciso ter a inocência natural das crianças para participar bem e receber todas as bênçãos que provêm dos céus. E são elas, as crianças, as grandes protagonistas da celebração do 6º ano. São elas que, ao dizerem “sim” à presença de Deus em suas vidas, realizam o bem-comum. O projeto da série tem como tema em 2017 “Criança-Ação” e nele trabalhamos conceitos como Autoconhecimento, o lugar onde vivemos - Biomas (CF 2017), Ser uma criança cidadã, Protagonismo, Direitos e Deveres e Desenvolvimento das 6 responsabilidades. “Acreditamos que a solidariedade é um valor que pode ser definido com a tomada de consciência das necessidades dos outros e o desejo de contribuir e colaborar para a sua satisfação. E ter consciência, já na infância, sobre a realidade do mundo, certamente contribuirá para a formação de adultos mais humanos e cientes de suas obrigações diante das mazelas do outro”, esclarece a professora Aurea Maria Curti de Mello. E em 2017 a celebração foi agraciada com a bênção de acontecer no mesmo dia da solenidade da Anunciação do Senhor. “Nossa proposta é, então, festejarmos o anúncio da Encarnação do Filho de Deus e a importância de, a exemplo de Maria, dizermos sim para que se cumpra a vontade de Deus, para que se cumpra o bem-comum”, finaliza.

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Refugiados estudam na EJA O curso de Educação para Jovens e Adultos do Santa Maria, sempre pensando em atender mais e melhor as pessoas vítimas de vulnerabilidade, há um ano se dedica a amenizar o sofrimento e tristeza que abate a população refugiada que busca abrigo em São Paulo. O processo deu-se a partir da parceria com Caritas, um dos órgãos que atendem esse público na capital. Embora o problema pareça estar focado na Europa, o Brasil é uma das principais opções dos refugiados sírios e africanos. O ACNUR, braço da ONU que cuida dessa área, registrou um aumento de 1.200% nas solicitações por refúgio desde 2011. A maior parte delas é de sírios. Existem, atualmente, cerca de oito mil refugiados reconhecidos no Brasil, além dos outros milhares que aguardam a decisão do CONARE, órgão responsável pela concessão do visto de refúgio, para legalizar sua situação em nosso país. O Brasil tem uma avançada e exemplar legislação em relação aos refugiados. Ao contrário de outros países, o refugiado que entra no país e informa à Polícia Federal que vai solicitar refúgio, tem garantido o direito de não extradição enquanto seu processo é analisado, o que pode levar até seis meses. A primeira etapa para a adaptação de um refugiado na nova morada é aprender a língua local. Ao adquirirem esse conhecimento, podem contar com o auxílio de outras entidades para a continuação de sua inserção e obtenção de empregos dignos que garantam seu sustento e direitos trabalhistas. Para facilitar esse processo, o Santa Maria abriu as portas oferecendo cursos de alfabetização e integração social. Atualmente, conta com 11 alunos de diferentes nacionalidades. Alguns deles, por trauma e receio de violência, não permitem a divulgação de seus nomes ou imagens. Para conhecer alguns detalhes de suas histórias e de como está sendo a adaptação em terras brasileiras, clique no QRcode da foto. Você vai conhecer, por exemplo, uma tradição cultural em Benim que envolve irmãos gêmeos, como dois irmãos sírios foram discriminados em uma escola pública em São Paulo e a comovente acolhida que os alunos da EJA estão promovendo com um refugiado do Togo. Viagem ao espaço Estrelas, planetas, satélites... tudo isso faz parte do universo que os alunos do 2º ano do Ensino Fundamental I estão descobrindo. Como o tema desperta interesse, as crianças puderam ampliar seus conhecimentos por meio de leituras, dramatizações dos movimentos de Rotação e Translação da Terra e da órbita dos planetas, coletas de dados para elaboração de slides e a tão esperada visita ao Planetário Aristóteles Orsini, no Parque do Ibirapuera. A ida ao Planetário foi marcante e significativa. Acomodados em cadeiras reclináveis, os alunos acompanharam uma viagem espacial e tiveram a oportunidade de conhecer e observar melhor os astros do Sistema Solar. Vivenciaram simulações comparando o céu da cidade de São Paulo, com poluição atmosférica, nuvens e luminosidade noturna, com o céu sem esses fatores, deslumbrando-se com a quantidade de estrelas. Sem dúvida foi um momento muito especial. Como desfecho de todo o trabalho, os alunos participarão da Olimpíada Brasileira de Astronomia, aplicando os conhecimentos adquiridos sobre o assunto. 7

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MAIS SABER Visão aprofundada A Campanha da Fraternidade 2017, cujo tema é “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, permite o desenvolvimento de valiosos estudos pedagógicos sociais e ambientais. Como bem disse Sister Diane, diretora geral do Santa Maria, na reunião de abertura do ano letivo com a equipe docente, “cada pessoa tem um jeito particular de encarar a vida - cada um é um bioma, vem de um bioma, é atingido por múltiplos biomas. O(s) bioma(s) ‘gera(m)’ o ser humano; seu corpo e alma. Portanto, a Campanha nos desafia a ter uma nova concepção de ‘vida fraterna’ para defendê-la”. E é com informação e visão crítica que nossos alunos terão as ferramentas necessárias para encarar esse desafio. Conheça alguns projetos diretamente relacionados a esse tema. Nós somos o ambiente: pequenas ações, muitas transformações O que aconteceu com a Mata Atlântica na nossa cidade? É o que perguntamos aos alunos do 3º ano partindo do tema da CF2017 e o projeto de educação ambiental. Ao estudar as características atuais do bioma, os alunos investigam a relação entre o ser humano e a natureza, os impactos da exploração dos recursos naturais e a situação atual desse domínio da natureza. Os alunos visitaram o local de fundação da nossa cidade, onde hoje está situado o Museu Anchieta, e a mata do Santa Maria. Realizaram levantamento das espécies nativas que fazem parte da vegetação do Colégio, 8 bem como das espécies que não são da Mata Atlântica. Puderam analisar os recursos naturais que foram e são explorados como o Pau Brasil e a Samambaia Açu. As crianças perceberam que muita coisa mudou desde que a região foi ocupada pelos portugueses. Agora, o desafio será buscar informações em diferentes fontes, considerando as dimensões históricas, econômicas, culturais e políticas, para compreender de que forma ocorreram todas essas mudanças. “Assim, poderão construir a ideia de pertencimento ao meio ambiente local e global, pensar de maneira crítica e agir em favor da conservação do que resta desse importante bioma”, finaliza a professora Maíra dos Santos Nascimento. Biomas: o que eu ten A passagem para uma nova fase da escolaridade em um momento de transição entre a infância e o início da adolescência caracteriza um momento fértil para explorar o (re)conhecimento da própria identidade por meio das relações estabelecidas com a história e com o espaço que marca a vida de cada estudante. As mudanças que marcam o início do Ensino Fundamental II chegam acompanhadas da Campanha da Fraternidade, que inspira boa parte dos temas das atividades desenvolvidas em todas as séries. Neste ano, cabe aos alunos e alunas a tarefa de iniciar as reflexões sobre o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”. Todo indivíduo carrega dentro de si lembranças dos lugares onde cresceu e viveu, e retomá-las é um

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nho a ver com isso? exercício que nos permite investigar nossa própria identidade e assim compreender quem somos. Mas qual é o nosso papel frente às transformações que ocorrem no espaço que nos cerca? De que maneira os diferentes biomas afetam nossa vida e são afetados por ela? Como as crianças e jovens de outras realidades interagem com os lugares em que vivem? Questões como essas norteiam as atividades do projeto de série “Criança Ação”, que ocorrerão ao longo de todo o ano letivo e foram pensadas para trazer à tona a reflexão sobre a própria identidade e sobre o papel de cada um no mundo. Considerando que as escolhas para o aprendizado devem partir de inúmeras possibilidades, o tema será abordado em propostas diversas, tais como a adoção do paradidático “Biomas: Conhecer para Proteger”, cujas atividades serão desenvolvidas por diferentes componentes curriculares e o Estudo do Meio, que possibilitará o contato com crianças, jovens e adultos cujo modo de vida está diretamente ligado ao bioma e aos ecossistemas onde vivem. Também colaborarão com essa temática os projetos interdisciplinares O Jovem no Mundo, Identidade, Nutri-Ser e tantos outros que, além de seus objetivos específicos, possibilitarão a reflexão sobre a própria alimentação, os impactos de nossas escolhas no ambiente e as relações entre nosso modo de vida e o da população de diferentes biomas. Vale ainda destacar as leituras e trabalhos temáticos em língua inglesa, como o paradidático Amazon Rally, as atividades de leitura de imagens que valorizam a diversidade de fauna, flora e cultura nordestina de Sebastião Salgado e Clóvis Jr em Artes, ou ainda as inúmeras discussões e atividades que acontecem em cada componente. “Assim como o conceito de Bioma, que corresponde a uma unidade formada por elementos diversos, a noção de fraternidade depende do desenvolvimento da sensibilidade, que só é possível ao tomar contato com as diferenças e refletir sobre nosso papel no todo”, declara o professor Robson Veríssimo. O desenvolvimento dessa noção é uma das mais ricas expectativas da equipe pedagógica do 6º ano. Biomas brasileiros: espaços onde a vida acontece As atividades do 7º ano do Fundamental II seguirão o tema “O Brasil: rostos, contornos e belezas – Trabalho: cuidado e diversidade”. Mantendo suas especificidades, cada uma das etapas que compõem o projeto busca contribuir para que os alunos sejam convidados a perceber a problemática ambiental e seus impactos na dinâmica de vida dos biomas que configuram a diversificada riqueza natural do país. A natureza precisa ser preservada porque, sobretudo, dela fazemos parte e dependemos para seguir vivendo com equilíbrio e harmonia. A espécie humana é, paradoxalmente, a única capaz de preservar e de destruir seu habitat natural. Embora sejamos reconhecidamente adaptáveis a circunstâncias adversas, estamos chegando a um ponto da história em que talvez já não possamos reverter os processos de extinção em massa que nossa interferência abusiva na natureza está gerando. “Talvez, nós, providos do uso da razão, tenhamos que deixar essa casa para que novos inquilinos cuidem dela pelos próximos milênios. Calma, ainda há tempo. Podemos construir um futuro mais favorável, cuidando dos nossos biomas e da vida que acontece nesses espaços. Vamos à luta!”, pondera o professor Pedro Moisés. 9

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Depois do Santa aDoeqduiceafaçzãsoentido Ex-aluna preside ONG focada na Educação Básica do Brasil; formação adquirida no Santa Maria ajudou a trilhar caminhos O destino profissional de Priscila Cruz era bem previsível - formada em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e em Direito pela Universidade de São Paulo, teria lugar garantido nas grandes corporações ou instituições financeiras. Mas a ex-aluna do Santa Maria subverteu as expectativas e partiu para construir carreira no terceiro setor, algo muito incipiente naquele momento, início dos anos 2000. “Decidi que não queria trabalhar apenas para outros ganharem dinheiro, mas para algo que fizesse sentido para mim”, resume. Com esse pensamento, Priscila deixou a iniciativa privada e coordenou o Ano Internacional do Voluntário no Brasil, projeto que recebeu o destaque das Nações Unidas em 2001. No ano seguinte, ajudou a fundar o Instituto Faça Parte, que incentiva o voluntariado nas escolas. O próximo desafio também estaria ligado a esse setor: a profissional é uma das fundadoras e presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, maior organização não governamental do Brasil dedicada à Educação, que tem como objetivo engajar o poder público e a sociedade brasileira no compromisso pela efetivação do direito das crianças e jovens a uma Educação Básica de qualidade. Se a formação recebida no Santa Maria influenciou suas escolhas profissionais? “Arrisco dizer que não estaria em uma ONG se não tivesse estudado no Santa Maria”, afirma. Priscila ingressou no Colégio na 6ª série (atual 7º ano) e terminou o Ensino Médio com a turma de 1996. Além dos melhores amigos, mantidos até hoje, o período acarretou fortes lembranças: “Trago para o trabalho aprendizagens, habilidades e valores da escola”, explica ela, que é mestre em Administração Pública pela Harvard Kennedy School of Government. As recordações são bem concretas e devidamente decodificadas com a especialização no segmento educacional. “Assim que cheguei ao Colégio, tive uma professora muito marcante, Záira, de Comunicação e Expressão Verbal em Língua Portuguesa, que nos fazia apresentar trabalhos, transformar ideias. Mais do que reconhecer os valores literários, ela nos estimulava a desenvolver empatia, visão crítica e analítica, habilidades cognitivas”, exemplifica. Vinda de outras escolas, com metodologias tradicionais, inicialmente, Priscila resistiu a algumas inovações. “Eu não entendia por que a aula de Ensino Religioso era com um indígena, depois percebi que, mais do que ensino religioso, isso ajudaria a desenvolver e cultivar valores”. A especialista também reconhece os benefícios do estudo por projetos, praticado pelo Santa Maria há muitos anos. “Essa metodologia, que hoje tem comprovação de eficácia, foi muito marcante; estudamos história do Brasil, por exemplo, com um projeto sobre Carnaval e, quando leio Roberto DaMatta, ainda lembro das aulas”, recorda a ex-aluna. Aliás, livros fazem parte do universo de Priscila, e com certa influência dos tempos do Colégio. A profissional sempre lê três títulos ao mesmo tempo, um pouco a cada dia, e sente-se “culpada” se não conseguir finalizar pelo menos quatro em um mês. “Adquiri o hábito no Santa Maria, quando líamos 12 livros por semana, Priscila Cruz 10

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Priscila recebeu o prêmio Jovens Lideranças na categoria Educação em 2012 Carregando a tocha olímpica em Brasília para representar a Educação Professora Záira: recordação e aprendizados Encenação no grupo Palhaços Graças a Deus Priscila (primeira, à direita) com amigas do Santa nas maratonas de leitura; lembro claramente de estar com livros e meus amigos debaixo dos chorões do jardim”, diz. Amigos que continuam por perto e, segundo ela, também carregam uma bagagem especial. “A gente se reconhecia como um grupo diferenciado nas universidades, que pensa no social e coloca-se no lugar do outro”, explica. Priscila também defende a relevância de ter participado do grupo de teatro Palhaços Graças a Deus, citando um trabalho pleno, a criação do espetáculo O Homem da Linha C. “Construímos tudo, as professoras Linei e Záira nos estimulavam a discutir cada detalhe, inclusive o figurino, um colant cor de pele, que gerou muita conversa por ser algo pouco usual na época”, lembra. Assim como as técnicas e habilidades adquiridas no palco do Santa Maria, o trabalho voluntário criou raízes profundas na profissional, que dava aulas de reforço em um centro comunitário do Jardim Varginha aos sábados de manhã, como parte do grupo missionário do Santa Maria. Hoje, suas manhãs de sábado mudaram de endereço – Jardim Miriam – mas ela continua doando seu tempo e conhecimento. Dessa vez, ajuda jovens de 15 a 18 anos no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Em defesa dos professores Priscila Cruz tem uma bandeira clara: professor é o principal profissional do país. Para reverter a situação da Educação Básica no Brasil, ela defende uma política docente vigorosa, que permita uma formação adequada, tanto inicial quanto continuada, e condições de trabalho e de carreira atrativas. “O sonho é que alunos do Santa Maria queiram ser professores”, ilustra. Como presidente do Todos pela Educação, Priscila tem acompanhado os projetos relacionados à Educação Básica no Brasil. Sobre a Base Nacional Comum Curricular [descritivo de conteúdos e saberes necessários para cada ano e segmento da Educação Básica estabelecido pelo Ministério da Educação, em discussão e possível finalização ainda este ano], ela considera importante ter um documento orientador porque alinha e esclarece o que deve ser aprendido em cada etapa. Na prática, as escolas terão que adaptar seus currículos ao que estiver determinado na BNCC. “Facilita muito para o aluno que muda de escola”, pondera. Na sua opinião, com o conteúdo predefinido para cada nível, a produção de livros didáticos também ficará mais clara, assim como a formação dos professores, que deverão estar preparados para aqueles temas previstos. Já sobre a Reforma do Ensino Médio [Medida Provisória publicada em fevereiro de 2017 com diretrizes para o Ensino Médio que deverão ser implantadas nos próximos anos], Priscila acredita não se tratar de uma reforma, mas sim de mudança curricular. “A verdadeira reforma está na carreira docente”, defende. Entretanto, alega tratar-se de um passo para a modernização, tendo em vista o trabalho por projetos, mais atrativo do que aula expositiva. E nesse ponto, volta a chamar atenção para a formação. “Raramente os professores dão conta de trabalhos interdisciplinares”, argumenta. Aos professores, que tanto defende e valoriza, Priscila sugere que eles incentivem a curiosidade, que não se contentem, levem uma educação não opressiva, de peito aberto, que tenham visão crítica e grandes expectativas em relação aos jovens. “É preciso acreditar no potencial deles, valorizá-los incansavelmente, de forma verdadeira”, declara. Ela também considera muito importante o papel dos pais nesse momento em que se discutem pontos fundamentais para a Educação no Brasil, e sugere um questionamento: “Dentro de casa, eu valorizo os professores do meu filho ou estou mais preocupado se ele é popular?”. Ela argumenta ainda que a mobilização para melhorar o segmento também alcança os pais que têm o privilégio de oferecer aos filhos um estudo no Santa Maria. “O governo responde as demandas da sociedade, precisamos desempenhar nosso papel de cidadãos e tentar virar o jogo para termos uma escola pública de qualidade, se não para nossos filhos, para nossos netos, para as pessoas que não conhecemos, para termos um país mais justo. A classe média faz falta nessa luta pelos filhos das outras famílias”. 11

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NOSSOS GIGANTES Encontro com a Mata Atlântica: começo de uma pesquisa Durante um passeio pelo bosque do Colégio, Maria Alice, aos seus três anos de idade, faz ao grupo a seguinte proposta: “A gente tem que pesquisar os bichos!”. Já que vamos seguir a ideia da coleguinha, que tal começar pelo caracol? E como as histórias permeiam os interesses das crianças, vamos ler o livro Superamigos, cujo personagem principal é justamente este ser pequenino, cheio de peculiaridades. “Nesta idade, a imaginação está presente no pensamento das crianças, então por meio das pesquisas, o que antes era fantasioso se transforma em descobertas e aprendizagens”, esclarece a professora Luciana Boggi Proença. Ideias primitivas como “o caracol era uma lesma, foi na praia e encontrou a sua concha” se transformam em conhecimentos concretos como “a concha é a proteção do caracol, é dura e não há nada dentro!”. E assim aproveitamos a mata do nosso Colégio para explorar, encantar-se, conhecer e conviver para aprender! “Olha, falta só assim para todo mundo ganhar a medalha!” aluna do Jardim II levantando dois dedinhos para os outros componentes do grupo “Posso te dar a mão para você subir esse degrau que é muito alto” aluna do Pré estendendo a mão para aluna do Jardim II “Vou te dar uma dica: mira naquele buraco do gol, e não chuta tão forte, tudo bem?” aluno do Pré apontando para a trave e orientando aluno do Jardim I 12 Nem ganhar, nem perder, compartilhar e conviver! Os Jogos da Amizade proporcionaram não apenas uma manhã animada e divertida na Educação Infantil, mas ampliaram a possibilidade de as crianças conviverem e interagirem, estabelecendo um vínculo afetivo, respeitoso e cuidadoso entre si. Os jogos e as brincadeiras, tão apreciados na infância, ganharam um significado especial, momento em que os grupos do Jardim I, Jardim II e Pré formaram equipes colaborativas, participando de diversas modalidades, conhecendo mais sobre os esportes e sua influência em nossas vidas. Mais do que isso: vivenciaram situações em que o corpo e o coração estiveram conectados o tempo todo. “Entre chutes, lançamentos, corridas e arremessos, as crianças puderam dar um ‘salto’ rumo ao processo de autonomia e cooperação moral, que deve ser desenvolvida desde a mais tenra idade. Afinal, é campeão quem tem a força do coração!”, defende a professora Cibele Duarte. “Propor atividades colaborativas fortalece atitudes de participação, cuidado com o outro e persistência. Acreditamos que a linguagem corporal dos nossos alunos, ou seja, o corpo como forma de movimento e expressão é de extrema importância para o desenvolvimento infantil”, explica a orientadora da Educação Infantil, Karine Ramos.

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Roda do coração: sentir, olhar, cuidar, perceber, expressar O período de adaptação às atividades iniciais na Educação Infantil revelou crianças que apreciam ouvir histórias, montam cantos com brinquedos e materiais não estruturados, cantam músicas, mostram curiosidade pelos assuntos abordados e também gostam de brincar com os colegas. Nesses momentos, há muitas explorações, vivências, sensações. As crianças aprendem a conviver, sentir e ser! Conviver com diferentes ideias, gostos e características requer um aprendizado socioemocional. Muitas vezes, ouvimos as crianças dizerem “Não quero mais ser seu amigo!”, ou notamos alguns mais quietos, outros correndo atrás de um colega. As crianças necessitam de tempo, caminhos e possibilidades para olhar, ouvir e perceber o outro. Significa considerar os seus sentimentos e também os das pessoas envolvidas. “Pensando em trabalhar com todas essas questões, criamos a Roda do Coração, que acontece no final do dia e envolve diferentes propostas, desde relatar espontaneamente acontecimentos que deixaram o coração feliz ou triste, até momentos para fazer ‘carinhos quentes’ nos colegas com tecidos, bolas, talco e creme”, revela a professora Elizabeth Nishiyama Muniz. Há também um espaço na sala com uma caixa de livros e almofadas para as crianças terem privacidade quando assim desejarem. Nesse canto estão disponíveis a caixa do coração com expressões diversas, livros e papéis com canetinhas para as crianças expressarem-se por meio de desenhos narrativos as suas sensações. Essas situações são ricas para refletir, perceber e acalmar. O objetivo é desenvolver habilidades socioemocionais, construir vínculo, pertencimento, escolher alternativas positivas, regulação, escuta, diálogo. Dessa forma, as crianças conhecerão os colegas, desenvolvendo a percepção de si e do outro; demonstrarão em situações do cotidiano, atitudes de amizade, respeito, cooperação; utilizarão o diálogo para resolver situações de conflito. É natural falar do que gosta e do que faz bem. Expressar-se sobre o que nos deixa tristes também é necessário. O autor Antonio R. Damasio diz que “os sentimentos têm a última palavra no que se refere à maneira como o resto do cérebro e a cognição se ocupam de suas tarefas”. Portanto, falar sobre os sentimentos de alegria, tristeza, raiva e medo, é fundamental para que essas percepções sejam interpretadas pelo corpo e pela mente. No Jardim II as crianças vivenciam situações coletivas das quais precisam desenvolver saberes emocionais para que aprendam a esperar sua vez, antecipar consequências, encontrar soluções coletivas e lidar com desejos diferentes dos seus. Por isso, acreditamos que os carinhos quentes, as atitudes de amizade e a roda do coração são caminhos certeiros! 13

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DEIXA COMIGO Contrarreforma do Ensino Médio: a disposição de retroceder As últimas grandes mudanças ocorridas na Educação brasileira foram gestadas nos debates e discussões da Constituição Cidadã de 1988, se consolidaram na aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei 9394/1996) e nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica elaboradas até o ano de 2013. Agora em 2017 está prevista a conclusão do ciclo de reformas com a aprovação da Base Nacional Curricular Comum que definirá os conhecimentos e habilidades essenciais que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender, ano a ano, durante sua trajetória na Educação Básica. No entanto, segundo o governo Temer, dois grandes problemas se desenvolveram durante a implantação destas mudanças: o fato de os jovens concluintes do Ensino Médio apresentarem um desempenho insatisfatório em avaliações nacionais padronizadas e o baixo interesse dos mesmos em continuar seus estudos. Diante disso, o governo impôs a Medida Provisória 746, que rapidamente virou a Lei 13.415/2017, que exclui a participação dos educadores e transfere para o parlamento as discussões, interrompendo os debates e reflexões que se desenvolviam há vários anos. Desta forma, o governo realiza na realidade uma contrarreforma que busca alterar os rumos da educação nacional dos últimos 30 anos. Ao analisar as propostas contidas nesta contrarreforma do Ensino Médio, o governo atual diz avançar, pois dará ao estudante a oportunidade de optar entre cinco áreas: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. No entanto, nada disso garantirá a ampliação de itinerários formativos aos jovens, pois não há na lei nenhuma disposição que obrigue à oferta simultânea de diversos itinerários pelas escolas. Aliás, é possível prever que a maioria das escolas acabe optando por um único itinerário formativo, ou seja, aquele que, ao mesmo tempo, tenha menores custos permanentes e corresponda às qualificações dos professores já existentes. Nesse momento, teremos um grande retrocesso, pois o aluno deixará de ter uma formação mais integral para um processo ensino-aprendizagem mais fragmentado e parcial. Outra questão é que a contrarreforma trata a Educação Física, Sociologia, Filosofia e Arte como “estudos e práticas”, sendo seus conteúdos ensinados e diluídos em outras disciplinas e não mais como componentes curriculares, o que empobrecerá a formação crítica dos jovens. A lei propõe também a possibilidade de pessoas não formadas nas licenciaturas assumirem funções docentes, ou seja, qualquer profissional graduado poderá, com uma complementação pedagógica, dar aulas no Ensino Médio. Isto possibilitará que a profissão volte a ser um ‘bico” com remunerações cada vez mais baixas. Portanto, observamos que a disposição do atual governo está no desmonte das normatizações, conquistas e práticas consolidadas nos últimos anos, gerando um retrocesso na qualidade da educação brasileira. Diante dessas e outras mudanças, a equipe técnica do Santa Maria (direção, orientação e coordenação) está redesenhando o novo Projeto Político Pedagógico (PPP) que estabelecerá para o período 2018/2022 um conjunto de propostas educacionais (intencionalidades), metas (objetivos) e ações (estratégias). O desafio está em melhorar a qualidade de ensino desenvolvida no Colégio dentro de um contexto de reformas e contrarreformas por vezes contraditórias. Silvio Soares Moreira Freire, diretor do Ensino Médio 14

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Inglês certificado O curso de Língua Inglesa do Colégio Santa Maria possui muitos diferenciais. Além de ministrado por professores altamente qualificados, nossas turmas são divididas em níveis a partir do Ensino Médio, a fim de oferecer aos alunos as melhores soluções para suas necessidades. Neste contexto, um dos nossos principais objetivos é o de preparar bons candidatos para os Exames de Proficiência em Língua Inglesa da Universidade de Cambridge: Preliminary, First e Advanced. As etapas do curso são cuidadosamente planejadas para que os estudantes tenham a oportunidade de concluir seus estudos com até dois desses certificados. A avaliação acontece no próprio espaço do Colégio e em parceria com a Winner - centro autorizado pela Cambridge para aplicação dos exames. Entre setembro e outubro de 2016, todos os alunos da 2ª e 3ª série realizaram estes exames, obtendo excelentes resultados: l 70% de aprovação no CAE (Certificate Advanced English) l 80% de aprovação no FCE (First Certificate in English) l 89% de aprovação no PET (Preliminary English Test) Vale lembrar a importância de nossos alunos obterem um certificado vitalício, já que estes exames são aceitos por universidades como Unicamp, UERJ, UEL, UFSC, UFSM, USP e FGV. Além disso, grandes empresas nacionais e internacionais solicitam a certificação em seu processo seletivo, tais como Banco Central do Brasil, General Motors, IBM, Petrobras, Volvo e HP. Currículo Diversificado: ponte para trajetórias acadêmicas diferenciadas Há mais de 20 anos, o Santa Maria oferece no Ensino Médio a possibilidade de aprofundamento e ampliação de repertório em cursos semestrais de caráter eletivo, incorporados à grade de aulas. Constituem, segundo os estudantes, possibilidades significativas de enriquecer sua bagagem acadêmica. Além de manter os já oferecidos em anos anteriores, ao final de 2016 os estudantes definiram a inclusão de dois novos cursos: Artes Populares: a literatura, a música e a xilogravura na construção da cultura e da subjetividade (1ª série) se propõe a ajudar os estudantes a conceber a arte popular (principalmente a literatura popular) como uma manifestação humana capaz de representar individualidades e coletividades e apontar valores culturais e artísticos. Além disso, permite conhecer e produzir diferentes formas de literatura popular bem como proporcionar o diálogo com outras artes (principalmente xilogravura, música e dança). Já Língua e Cultura Italiana (2ª série) pretende promover o estudo e a compreensão da língua italiana, oferecendo um panorama da gramática básica e situações do cotidiano. Também discute aspectos históricos como as razões da emigração italiana, as regiões de destino, os núcleos de colonização, trabalho e inserção na vida urbana, além da participação política e construção da identidade do imigrante, com destaque para a herança cultural que se revela nos costumes, na música, na gastronomia e nas festas típicas, por exemplo. 15

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