Jornal Eco da Tradição 189 Maio 2017

 

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Jornal Eco da Tradição Maio de 2017 189

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ECO DA TRADIÇÃO - ANO XV - Nº 189 - MAIO DE 2017 O Peão Farroupilha do RS é da Sociedade Gaúcha de Lomba Grande TEMÁTICA 2017 EDITORIAL MãesFeliz Dia das Quem será esta pessoa Que nos dá tanto carinho, Traz luz ao nosso caminho, E nos mostra que a vida é boa? Que quando erramos, perdoa, Se reclamamos, escuta Nos traz coragem para a luta Da vivência é o nosso espelho E traz num simples conselho A verdade absoluta? É ela o anjo divino Que de MÃE, Deus batizou A mulher que nos gerou Para cumprir seu destino Que pra o taura mais teatino Traz paz amor e guarida Forte, sábia e tão querida Destrói qualquer empecilho, E pelo bem do seu filho Sacrifica a própria vida Nela germina a semente Que traz vida a um novo ser No infinito poder Do patrão onipotente Por isso digo à minha gente Com alma e grande alegria Amar é fazer poesia Como estes versos que eu faço Pois cada mãe é um pedaço Do coração de Maria Farroupilhas: Idealistas, revolucionários e fazedores de histórias Página 20 MTG acima de tudo Página 02 Versos de: Jadir Oliveira Filho

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2 Rua Guilherme Schell, 60 Porto Alegre / RS CEP: 90640-040 Email para sugestão de pautas: conselhoeditorialeco@mtg.org.br www.mtg.org.br mtg-rs.blogspot.com Contato: 51. 3223-5194 EXPEDIENTE: SUPERVISÃO E DIREÇÃO: Nairioli Callegaro DIREÇÃO DE REDAÇÃO: Rogério Bastos DIAGRAMAÇÃO E DESIGN: Liliane Pappen CONSELHO EDITORIAL: Elenir Winck, Sandra Veroneze, Odila Savaris, Anijane Varela, José Roberto Fischborn, Vitor Pochmann e Bruno Mendonça. JORNALISTAS RESPONSÁVEIS: Rogério Bastos (16.834) Liliane Pappen (16.835) Fúlvio Lopes (16.200) COLABORAÇÃO: Andressa Motter IMPRESSÃO: Zero Hora TIRAGEM: 3 mil exemplares Atendimento 09 às 12 horas e das 13 às 18 horas De segunda a sexta-feira Valores da Anuidade Maio Valor Plena Parcial Especial R$ 1.152,28 R$ 988,43 R$ 606,14 Estudantis R$ 169,23 40% do valor retorna às RTs. MTG: PRESIDENTE: Nairioli Antunes Callegaro VICE-PRESIDENTE DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: Elenir Fátima Dill Winck VICE-PRESIDENTE DE CULTURA: Anijane dos Santos Varela VICE-PRESIDENTE ARTÍSTICO: José Roberto Fischborn VICE-PRESIDENTE CAMPEIRO: José A. Araújo VICE-PRESIDENTE ESPORTES: Martim Guterres Damasco Não nos responsabilizamos pelas opiniões publicadas no jornal Ano XV - Edição 189 EDITORIAL Nairioli Callegaro - Presidente MTG acima de tudo “Mas além dessas comendas E outros terrenos troféus Gravaste sob estes céus Medalhas que ninguém cunha E o Brasil é testemunha, Que por mais que a História ande Nunca haverá outro Rio Grande Nem outro Flores da Cunha” Estes versos do grande poeta Jayme Caetano Braun, do poema o Último Caudilho, nos remete em pensamento a uma inevitável comparação do comportamento social e ético de homens que fizeram nosso tempo. O General Flores da Cunha governou o estado durante sete anos e entre suas inúmeras realizações, de ordem estrutural, econômica e social, a mais relevante foi administrar o Estado sem qualquer aumento de impostos neste período. Faço estas referências históricas iniciais a estes homens governantes de um tempo em que sonhavam e realizavam projetos coletivos sem a motivação e o desejo de vantagens pessoais, e trago aos dias de hoje a todos os que dedicam seu tempo, inteligência e habilidades para contribuírem com a sociedade tradicionalista e nossa federação (MTG e entidades filiadas). Não podemos deixar a poeira dos dias encobrir estes exemplos, não podemos deixar o tempo passar e esquecermos esta forma de gerirmos a coisa social de forma transparente e voltada às pessoas e entidades que as organizam. Neste processo de interação descobrimos muitos que lutam, às vezes de forma desigual, e até contra interesses maiores, pelo bem do Movimento Tradicionalista Gaúcho, e aqui entenda-se também todas as entidades filiadas. Estas sofrem as pressões e a federação, por sua, vez deve ter este entendimento e compreensão para poder dar a devida orientação a todos os seus filiados. Nossa Federação, ao longo dos anos, tem contado com o trabalho de abne- gados tradicionalistas que dedicam-se à construção e preservação desta organização chamada MTG. Por sua vez, as entidades filiadas, da mesma forma, contam também com estes voluntários e o espírito de trabalho coletivo nas bases. Nas entidades começa a formação de novas lideranças, por isto a perenidade do MTG como instituição social que congrega este contingente de filiados. Vivemos um momento de profunda transformação em nossa sociedade, onde estes valores tão caros para os tradicionalistas estão sendo colocados à margem de uma sociedade cada vez mais desumana e menos solidária. Precisamos estabelecer e fazer valer em uma só voz uma ação transformadora, solidária e coletiva. Este é o momento, esta é a hora. O fortalecimento destes propósitos passa pela união de todos e a ação do indivíduo em objetivos coletivos. O medo dará lugar a um novo tempo. É difícil, sim, mas tenho certeza que é plenamente possível mudarmos e construirmos uma sociedade mais justa. Só o passado nos faz entender o presente e preparar o futuro. Vamos fazer sempre valer nossos valores maiores de trabalho, dedicação, preservação, honestidade e ética. Não podemos perder este fio da história que nos conduz a sermos o que somos hoje: MTG acima de tudo. Precisamos estabelecer e fazer valer em uma só voz uma ação transformadora, solidária e coletiva. Este é o momento, esta é a hora! Maio de 2017 OPINIÃO Por: Elenir de Fátima Dill Winck Vice-presidente de Administração e Finanças MTG FAMÍLIA FELIZ A sociedade passa por constantes crises, sejam elas sociais, culturais, morais, éticas, ou outras. E não poderia ser diferente com a família, uma vez que é considerada a base da sociedade, conforme o artigo 226 da Constituição Federal do Brasil. Podemos dizer que é em nosso ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Damos início a nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Muitas são as pressões e as influências que a família sofre diariamente, principalmente, pela mídia, que entra nos lares pela TV, pela internet, etc. É preciso estar atento sobre o que entra nos lares e que quer ditar as regras. Devemos estar sempre atentos, pois a influência da mídia pode facilmente roubar o tempo que os pais poderiam dedicar para conversar com seus filhos, brincar e passear com eles. E mais, ela muitas vezes desvirtua os valores e princípios que deveriam orientar o convívio familiar e o relacionamento com os filhos. Considerando que vivemos numa sociedade que se pauta nos princípios cristãos, entende-se que a família nasceu no coração de Deus, o qual deixou muitas orientações para o convívio em família, visando a sua felicidade. Os pais, devem criar seus filhos com disciplina, respeito e amor. Para os filhos a orientação é que estes respeitem os seus pais. Podemos fazer uma analogia com a construção de uma casa, que é composta de várias partes, ou seja, fundamento, paredes, telhado, etc. Nas famílias também são necessários vários itens, chamados de valores, os quais poderão ajudá-las a viverem felizes! 1. Ouve-se muito a afirmação “Falta Deus na vida das pessoas!”. E, de fato, esta ausência fará toda a diferença, pois Deus é a fonte do amor. E se Deus está presente na família, o amor não irá faltar. Ele é a fonte de todos os demais valores que são necessários para uma vida feliz. 2. No mundo de hoje, que exige muita dedicação no mercado, ao mesmo tempo em que oferece tantas oportunidades de entretenimento e lazer, a compreensão é indispensável. É necessário procurar se colocar no lugar do outro para compreender sua situação. 3. Diante disso, não pode faltar a paciência para orientar os relacionamentos e ajudar pais e filhos se entenderem. Um bom relacionamento familiar é a principal arma de combate às drogas e muitos problemas emocionais que acometem os jovens. 4. Considerando que tanto o pai quanto a mãe estão no mercado de trabalho, é fundamental que haja cooperação nas tarefas domésticas, o que inclui, inclusive, os filhos, quando estes já podem ajudar. 5. Quando há cooperação no lar, há bondade. Ser bom para com aqueles que fazem parte da família, fortalece os vínculos entre todos e o relacionamento se torna mais harmonioso. 6. E por último, mas não menos importante, não pode faltar o perdão, que sempre oferece a possibilidade de um recomeço, de uma nova vida. Para que a família possa ser feliz, é preciso cultivar um bom relacionamento familiar, buscando esta orientação em fonte segura, cultivando valores éticos e morais coerentes e claros. É necessário que pais e filhos estejam sempre unidos, dialogando diariamente.

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Ano XV - Edição 189 EVENTOS Maio de 2017 3 Bagé se prepara para a 47ª Ciranda Cultural de Prendas A 47ª Ciranda Cultura de Prendas é uma realização do Movimento Tradicionalista Gaúcho, em ação conjunta com a Fundação Cultural Gaúcha, e o apoio da Prefeitura de Bagé, 18ª Região Tradicionalista, CTG Prenda Minha, Escola Justino Quintana e Net. Conta, ainda, com o �inanciamento do Pró-Cultura RS, da Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. O Movimento Tradicionalista Gaúcho realiza, de 25 a 27 de maio, em Bagé, a 47ª Ciranda Cultural de Prendas. Trata-se do concurso mais antigo do calendário oficial do MTG, instituído no 15º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado em janeiro de 1970 no município de Santiago. A Ciranda é realizada nas categorias mirim, juvenil e adulta e escolhe anualmente, dentre as candidatas, aquelas que melhor representem as virtudes, a dignidade, a graça, a cultura, os dotes artísticos, a beleza, a desenvoltura e a expressão da mulher gaúcha. Fazem parte da Ciranda avaliações escrita, artística, oral, caracteres pessoais, mostra folclórica ou arte tradicional e relatório de atividades. Segundo o presidente do MTG, Nairo Callegaro, são aguardadas representantes das 30 regiões tradicionalistas. “É um evento muito importante. As novas gerações que assumem responsabilidades no Movimento, como é o caso das gestões de prendas, inspiram, trazem novas perspectivas e fortalecem a tradicionalidade”, afirma. Veja programação ao lado: 25 DE MAIO 2017- Quinta-Feira 14h - Recepção às delegações das regiões tradicionalistas, concorrentes e familiares - Local 1. 16h - Passeio turístico 19h - Missa crioula - Local 1 20h - Despedida da Gestão 2016/2017 -Local 1 21h - Jantar 26 DE MAIO 2017 - Sexta-Feira 08h30 - Provas Escritas - Local 2 09h30 - Acolhida as delegações e visitantes - Local 2 11h às 13h30 – Montagem Mostra Folclórica - Local 2 14h - Início avaliação Mostra Folclórica - Local 2 (Ginásio) 20h30 - Sessão Solene de Instalação da 47º Ciranda Cultural de Prendas do RS - Local 2 (Teatro) 27 DE MAIO DE 2017 - Sábado 08h30 - Início Provas Orais e Artísticas - Locais 2 e 4 (Teatro, Ginásio e Clube) Palco A – Categoria Mirim Palco B – Categoria Juvenil Palco C – Categoria Adulta 12h - Pausa Almoço 13h30 - Reinício das Provas Orais e Artísticas 22h30 - Baile de divulgação dos resultados da 47º Ciranda Cultural de Prendas do RS - Local 3 ENDEREÇOS DOS PALCOS E LOCAIS LOCAL 1: CTG Prenda Minha - Rua Barão do Itaqui, 496. LOCAL 2: Escola Justino Quintana - Rua Barão do Triunfo, 670 LOCAL 3: Centro Cultural Auxiliadora - Rua Marcílio Dias, 1360 LOCAL 4: Clube Os Zíngaros - Rua Dr. Veríssimo, 252 COMISSÃO E INFORMAÇÕES Presidente: Gilberto Bittencourt Silveira Fone: 53 99979 5867 Organização e Alojamentos: Ederson Brito Fone: 53 99998 4468 Secretaria e Baile: Eduardo Gusmão Fone: 53 99928 8474 Recepção e Credenciamento: Lucia Barbosa Fone: 53 99969 0351 1ª Prenda do RS: Roberta Jacinto – 53 99964 7942 CONHEÇA BAGÉ E SEUS PONTOS TURÍSTICOS Centro Administrativo (antiga Estação Férrea) O prédio da antiga estação férrea de Bagé foi inaugurado em 02 de dezembro de 1884. Em 1924, o prédio foi destruído por um incêndio, sendo reconstruído no mesmo ano. Em 1980, através de uma permuta com a viação férrea, no prédio começou a funcionar o Centro Administrativo de Bagé. Centro Histórico Vila de Santa Thereza A Vila de Santa Thereza foi fundada em 1897, em torno da charqueada de Santa Thereza. Em sua origem, abrigava cerca de 840 pessoas que trabalhavam nas charqueadas e nas fábricas da região. Após a sua fundação, em seu entorno cresceu uma vila operária – era uma minicidade dentro de Bagé, com luz elétrica independente. Palacete Pedro Osório Construído no início do século XX, pelo Dr. Pedro Osório, possui um estilo neoclássico, com mármore, vitrais e ferro. Existe junto ao prédio um bosque plantado por Pedro Osório, que era apaixonado por plantas e árvores. Hoje o prédio abriga a Secretaria de Cultura da cidade de Bagé. Cidade Cenográfica “O Tempo e o Vento” A cidade cenográfica de Santa Fé foi erguida no Parque do Gaúcho, a 11 km do centro da cidade. Ela foi montada especialmente para as gravações do filme ‘O Tempo e o Vento’ (2013) e virou uma atração de Bagé. PPrroommooççããooeeRReeaalilzizaaççããoo AAppooioio EEscsocloala JuJustsitninoo QQuuinintatnana a BBagaégé- -RRSS Financiamento

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4 Ano XV - Edição 189 Maio de 2017 PROSEANDOCOMTENÊNCIA Por Rogério Bastos CASOS & ACASOS A ferramenta mal usada Normalmente, quando o homem cria uma nova tecnologia, pensa em usá-la para o bem. Mas sempre tem aqueles que a usam para ações não muito nobres. A rede mundial de computadores é uma ferramenta muito importante, quando bem usada. O “Desafio da Baleia Azul” nos mostra o quão frágil está nossa sociedade e o quanto as pessoas estão distante de seus filhos. Esse “jogo” desafia adolescentes a realizarem tarefas arriscadas e, que, a última etapa, dizem algumas noticias, seria o suicídio. Barbosa Lessa, quando escreveu a tese “O sentido e o valor do tradicionalismo”, nos alertou sobre a perda de controle quando desaparecesse o grupo local. Desta forma perderíamos a referência. Por isso a importância de estarmos em grupo e frequentar um CTG para aumentar o sentimento de “pertencimento”. Pense nisso CTG Vinte de Setembro Acompanhei no final do mês de abril uma comitiva que veio de Curitiba/PR, do CTG Vinte de Setembro, capitaneado pelo patrão José Carlos Pinhatti. Uma gratidão muito grande e uma amizade que não terá fim. Os visitantes foram homenageados pela Comissão Gaúcha de Folclore com uma Moção de Reconhecimento e Aplauso, e pelo músico Renato Borghetti, em sua Fábrica de Gaiteiros, na Barra do Ribeiro. Visitaram a Casa de Gomes Jardim, em Guaíba, os CTGs 35 e Aldeia dos Anjos, e terminaram a noite de domingo no CTG Chaleira Preta. Parabéns ao ‘Vinte’ por seus 55 anos de história na capital paranaense. Curiosidades sobre palestrar Ao chegar à palestra de número 600, em Ponta Porã/ MS, fui questionado pela patronagem do CTG pelo jeito diferente de prender a atenção do público. Expliquei que me coloco no lugar do espectador. Procuro usar uma linguagem simples, sempre de acordo com o que esta sendo dito. Concentro-me apenas naquilo que realmente vai interessar quem assiste. Quando preparo a palestra gero um roteiro que me serve de apoio, dou exemplos do dia a dia, procuro mostrar o quanto estou entusiasmado de estar ali. Procuro não usar expressões muito técnicas, destaco com contundência aspectos positivos e mostro exemplos que não deram certo. Exemplo de união Tive dois exemplos muito claros de união de grupos. A turma que se despede no Rio Grande do Sul, dos “estaduais” e, também, os que se despedem no final do ano, do grupo de prendas e peões da CBTG. Apegados. Amigos. Exemplo muito lindo para a nova geração que se achega para mostrar que nem sempre o número da faixa ou crachá faz alguma diferença. 40ª RT em expansão Depois de fincar bandeira na China, de onde vem o Vice-coordenador regional, Crodoaldo Batista, a 40ª vai a passos largos tentando conquistar (ou reconquistar) os Estados Unidos. Jatir Delazari deve assumir a Confederação Norte Americana da Tradição Gaúcha neste mês de maio e avançaremos junto às entidades de lá. Curso de Folclore Gaúcho A Comissão Gaúcha de Folclore (CGF) depois de homenagear personalidades ligadas às culturas populares com a Medalha do Mérito Cultural Lilian Argentina, está promovendo seu curso anual de folclore. Fique atento às datas, pois a previsão é realizá-lo no mês de junho. A Comissão Gaúcha de Folclore completou, no dia 23 de abril, 69 anos de existência. É ligada à Comissão Nacional de Folclore e reconhecida pela Unesco. MOVIMENTOTRADICIONALISTAGAÚCHO Calendário do MTG - 2017 DATA 6 6 13 25 a 27 24 24 10 24 24 1 25 29 8 11 e 12 26 e 27 EVENTO MAIO DE 2017 3ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS 3ª REUNIÃO DE DIRETORES CULTURAIS 3ª REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR 47ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE ESTADUAL PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 48ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE REGIONAL PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 30º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES - FASE REGIONAL JUNHO DE 2017 4ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DIRETOR (Provas Ciranda e Entrevero Regional) - SEDE MTG 48ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE REGIONAL 30º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES - FASE REGIONAL JULHO DE 2017 4ª REUNIÃO DE COORDENADORES E DIRETORES REGIONAIS PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES ENART 2017 83ª CONVENÇÃO TRADICIONALISTA AGOSTO DE 2017 SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DAS INTER-REGIONAIS DO ENART 2016 ACENDIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DA CHAMA CRIOULA 1ª INTER-REGIONAL DO ENART PROMOÇÃO MTG MTG MTG MTG + 18ª RT MTG MTG MTG MTG MTG MTG MTG MTG + 8ª RT MTG MTG + 23ª RT MTG LOCAL PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE BAGÉ PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE RTs RTs PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE LAGOA VERMELHA PORTO ALEGRE MOSTARDAS Data 6e7 7 20 20 03 e 04 15 08 15 e 16 CURSOS Promoção Cidade MAIO 2017 FORMAÇÃO DE POSTEIROS ARTÍSTICOS - 3ª, 4ª, 5ª, 9ª, 10ª, 13ª, 14ª, 18ª e 21ª RT’s CFOR BÁSICO CAPACITAÇÃO PARA NOVOS INSTRUTORES DE DANÇAS GAÚCHAS DE SALÃO CAPACITAÇÃO PARA NOVOS INSTRUTORES DE DANÇAS TRADICIONAIS GAÚCHAS MTG + 13ª RT MTG + 10ª RT MTG MTG SANTA MARIA S. VICENTE DO SUL PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE JUNHO 2017 CFOR AVANÇADO - MÓDULO I MTG PORTO ALEGRE CURSO DE JUÍZES DE PROVAS CAMPEIRAS MTG PORTO ALEGRE CFOR Básico - MTG JULHO 2017 MTG PORTO ALEGRE FORMAÇÃO DE POSTEIROS ARTÍSTICOS (ENSAIADORES) MTG PORTO ALEGRE OBS: Calendários sujeitos a alterações de acordo com a necessidade. Fique ligado! CFOR Avançado I 03 e 04/06/2017 Sede do MTG _ Porto Alegre Mais informações: 51 3223 5194 “Com o tempo aprendi a distinguir quem merece uma explicação, quem merece apenas uma resposta, e quem não merece absolutamente nada” (Mahatma Gandhi)

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Ano XV - Edição 189 DEPARTAMENTO JOVEM Maio de 2017 CEVANDO O MATE 5 Por Sandra Veroneze Voluntariado: O pilar da Tradição Depois de 70 anos do maior ato realizado pela juventude tradicionalista, em 1947, muita coisa mudou. O mundo, por si, mudou. A evolução da tecnologia, aliada à evolução dos tempos, das pessoas e dos continentes, trouxe outros pensamentos, outras atitudes e até outros pensadores. A frase “Só cuida pra onde vai, quem respeita de onde vem”, citada por Ângelo Franco em sua música “É aqui junto ao chapéu”, define como devemos olhar para o passado para planejar o futuro. Como já afirmou Barbosa Lessa, devemos ter mais cuidado com o homem do campo, pois apesar do Movimento Organizado depender – e muito – da parte artística e cultural, tem raízes firmadas no homem campeiro, tem sementes germinadas na lida bruta do campo, no cuidado com os animais, na vivência rural que nos tempos passados foi motivo de muito orgulho para todos. Com o andar da carruagem, não iríamos muito longe se não estivéssemos em um ano de reflexão e se não tivéssemos momentos e pessoas ap- tas a nos abrir os olhos para a situação e para onde estávamos indo. Na sociedade capitalista na qual vivemos, por vezes somos engolidos pela ganância de pessoas que querem mais e mais dinheiro e no final acabam sugando nossas entidades e nosso Movimento. Com o apoio do presidente, dos conselheiros e coordenadores, iremos direcionar os próximos cinco anos para a retomada de valores, em especial, o do voluntariado, fazendo valer o título de entidade sem fins lucrativos, trabalhando para o Movimento e não para “alter egos” gananciosos. Portanto, devemos trazer novamente, da essência do Movimento Organizado, da essência do homem campeiro e da simplicidade do povo gaúcho, o bem querer pela tradição, trabalhar sendo voluntário, sendo mais um soldado na luta eterna pela perpetuação da nossa cultura para as gerações que irão nos suceder. “Cada consciência é um caminho que pode ou não ir além e só cuida pra onde vai, quem respeita de onde vem”. MTG amplia escopo de conteúdos no Facebook Sandra Veroneze O Movimento Tradicionalista Gaúcho, em seu objetivo de promover conhecimento histórico e cultural, está ampliando a utilização de sua plataforma de mídias sociais. Inicialmente utilizada para divulgação jornalística e comunicados pontuais, a partir de agora a página do MTG no Facebook também abarcará conteúdo formativo. A primeira ação iniciou no dia 11 de abril e se estende ao longo de um mês, dando destaque a cada um dos objetivos da Carta de Princípios. Segundo o presidentrtoeiand.padf e1n0ti7d/0a3/d20e1,7N22a:4ir1o:25Callegaro, o documento é basilar nas ações das entidades e nem sempre amplamente conhecido pelos tradicionalistas e sociedade em geral. “O formato de cards é muito interessante, porque entrega conteúdo de maneira objetiva, visualmente atrativo, e com uma arquitetura de elementos que facilita a absorção e aprendizagem”, afirma Callegaro. Segundo ele, um calendário editorial de médio e longo prazos está sendo elaborado, de forma a contemplar conhecimentos fundamentais principalmente para quem atua no meio tradicionalista. Atualmente a página do Movimento conta com 22 mil seguidores. Como escrever um release Curso de Assessoria de Imprensa - Maio 2017 ‘Release’ é o nome que damos ao texto elaborado pelas assessorias de imprensa e enviado às redações como sugestão de pauta. Como é o ‘cartão de visitas’ da instituição para o veículo de comunicação, convém dar a ele uma atenção toda especial, seguindo critérios jornalísticos e conferindo um caráter profissional. O release deve responder fundamentalmente às questões o que, quem, como, quando, onde e por que. Vejamos um exemplo aqui do MTG... Supomos que queiramos noticiar a realização do Enart. O que: final do Enart. Quem: MTG, 5ª RT e Prefeitura Municipal. Quando: 17 a 19 de novembro. Onde: Santa Cruz do Sul. Por que: valorizar arte relacionada às tradições gaúchas... Como podemos escrever esse release? Minha sugestão é sempre começar pelo Quem. Vejamos: O Movimento Tradicionalista Gaúcho, a 5ª Região Tradicionalista e a Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul realizam, nos dias 17 a 19 de novembro, em Santa Cruz do Sul, mais uma edição do Enart – Encontro de Artes e Tradição. O evento tem por objetivo valorizar a arte relacionada... Na sequência você pode falar de mais detalhes do evento, como regulamento, número de participantes, de onde eles são, como chegaram a essa etapa, valores dos ingressos... Importante: o release é um texto informativo. O assessor de imprensa não deve emitir nele suas próprias opiniões. Se você quiser apresentar a opinião da entidade, use o recurso de ‘segundo’, ‘conforme’ e sempre apresente a opinião das fontes autorizadas (quem está na linha de frente da atividade). Exemplo: ‘Segundo o presidente do MTG, Nairo Callegaro (o cargo sempre na frente do nome), o evento é...”. “O vice-presidente Artístico do MTG, José Roberto Fischborn, considera o evento fun- damental para o cenário cultural gaúcho’. Um cuidado especial você deve dar também ao título do release. Informe, objetivamente, do que se trata. Dizer, por exemplo, ‘Importante evento cultural para o Rio Grande do Sul’ é menos incisivo que ‘MTG realiza o maior evento amador de arte da América Latina neste final de semana’. A fórmula simples e normalmente com ótimos resultados é Quem + O que, podendo também, dependendo do caso, ser importante + Data + Local. Um recurso interessante para chamar a atenção do editor, repórter, jornalista ou blogueiro que receberá seu release é anexar imagem. Cuide para que seja uma fotografia ou vídeo com boa qualidade, tanto em resolução, como de conteúdo. Muitas vezes uma fotografia expressiva gera para a pauta uma chamada de capa em jornal. No caso de entidades tradicionalistas, que produzem sempre imagens muito bonitas, convém explorar esse recurso. Ao final do release você poderá acrescentar o Serviço. Conforme o nosso exemplo seria: - O que: Enart – Encontro de Artes e Tradição Quem: MTG, 5ª RT e Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul Quando: 17 a 19 de novembro de 2017 Onde: Parque da Oktoberfest, Santa Cruz do Sul Informações: (um celular e um email para contato) Uma dúvida muito comum está relacionada ao tamanho do release. Não existe uma regra fixa, porém procure sempre dar o máximo de informações no mínimo de espaço possível. Em caso de dúvida, escreva para mim: imprensa@mtg.org.br. Continua no próximo mês. Um grande abraço! C M Hámaisde 15anosDandovozÀnossa tradição! Y CM MY Entre em contato, temos a estrutura completa para o seu evento. CY CMY K 5499112.1085 troiansonorizacao@gmail.com

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6 ESPAÇO DACBTG Ano XV - Edição 189 FESTIVAIS Maio de 2017 Por Vinicius Brum Encontro Nacional da Juventude Tradicionalista reuniu gerações em Ponta Porã/MS Um encontro de gerações integrou pequeninas crianças, jovens, adultos e idosos na cidade conhecida como Princesinha dos Ervais. “Precisamos incentivar nossos jovens que se dedicam à preservação de uma cultura e são a garantia da preservação da tradição gaúcha. Com alegria retomamos o Encontro da Juventude Tradicionalista neste ano tão importante no qual celebramos os 30 anos da CBTG”. Desta forma, o Presidente da CBTG, João Ermelino de Mello, resumiu a satisfação em realizar o evento nos dias 21 e 22 de abril, no CTG Querência da Saudade, localizado em Ponta Porã/MS. Integrantes dos MTGs do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e Planalto Central participaram do evento, organizado e realizado pelo Departamento Jovem da CBTG, em especial pelo 1° Peão Tradicionalista da CBTG, Farid Molas, e pela 3ª Prenda da CBTG, Daiane Pereira, que residem na cidade. “Precisamos dizer um muito obrigado e parabéns à patronagem e à juventude deste CTG e do MTG-MS em sediar e planejar esse evento, juntamente com a diretoria e juventude da CBTG. Fico emocionado ao falar com vocês porque nós, mais experientes e acima de 60 anos, precisamos apoiar nossos jovens da tradição gaúcha. É preciso enfatizar que Ponta Porã está representada nacionalmente com esse evento, significando também a colheita dos resultados de um trabalho realizado há muitos anos por este CTG, que funciona como um núcleo transmissor de conhecimento. Também é necessário ressaltar a parceria das secretarias municipais com a tradição gaúcha e esse congraçamento com nossos irmãos paraguaios, que nos abraçam pela proximidade com a fronteira, tornando muito grandiosa essa integração para a cultura gaúcha”, destacou João Ermelino de Mello. Com o apoio da diretoria e juventude tradicionalista do MTG-MS e CTG Querência da Saudade, o evento contou com palestras, atividades recreativas, oficinas e viagem ao Parque Nacional Cerro Corá. Temáticas voltadas ao tradicionalismo gaúcho foram ministradas pelo Presidente da CBTG, João Ermelino de Mello, pelo Diretor Geral e de TI da CBTG, Wilson Porto, pelo Diretor de Divulgação da CBTG, Rogério Bastos, pela Presidente do Instituto Escola do Chimarrão, Liliane Pappen, e pela 1ª Prenda do RS, Roberta Jacinto. Para finalizar o Encontro os integrantes viajaram ao Paraguai onde tiveram a oportunidade de conhecer um dos pontos turísticos mais importantes da fronteira: o Parque Nacional Cerro Corá. “Além de conhecermos um cenário natural maravilhoso, tivemos uma aula de história com nosso guia, que nos deu muitas informações históricas acerca da última batalha da Guerra da Tríplice Aliança ou Guerra do Paraguai. Foi em Cerro Corá que a Guerra terminou, com a morte de Solano Lopez”, pontuou o Presidente do MTG-MS, Natal José Marchioro. “Estamos muito felizes em celebrarmos este encontro no momento em que acontecem os 30 Anos da CBTG, integrando aqueles que serão o futuro do tradicionalismo nos próximos anos”, enfatizou a 3ª Prenda da CBTG, Daiane Pereira. “Ficamos emocionados com a vinda das comitivas e agradecemos a presença de todos”, complementou o 1º Peão Tradicionalista da CBTG, Farid Molas. Foto: Rogério Bastos CANÇÃO DOS ARROZAIS “Quando evapora, o suor do peão ao céu levanta, nuvem de chuva, o suor do peão volta pro rio...”. Esses são os versos que abrem a “Canção dos Arrozais” - que teve a interpretação do Grupo Jaros (nome que alude aos indígenas que habitaram as terras onde se encontra o lendário Cerro do Jarau) - a Calhandra de Ouro da quarta edição da Califórnia da Canção Nativa. Seu autor é um dos consagrados poetas rio-grandenses, fundador da Estância da Poesia Crioula, ex-diretor do Instituto Estadual do Livro e membro da Academia Rio-Grandense de Letras: José Hilário Retamozo. O foco cancionista incide sobre o peão trabalhador das lavouras, que, metaforicamente, rega de sal e suor o rio que faz crescer os cachos de arroz. O ouro que dança à luz do sol na espera das lâminas afiadas e das rodas dos caminhões que haverão de levá-lo para as mesas: o pão que vem das várzeas, das águas e do suor do homem. O refrão é contundente: “o arroz é rio, o arroz é sol, o arroz é roda, é suor do peão, é caminhão, roda que roda...”. Entre as canções mais conhecidas de Retamozo estão “Últimas Carretas” em parceria com Elton Saldanha, “Só Restou” em parceria com Marco Aurélio Vasconcelos, “Fogo Morto”, com Juarez Chagas (seu parceiro constante no Festival da Barranca) – sucesso na interpretação de Pedro Ortaça, e “Poncho Molhado” em parceria com Ewerton Ferreira, imortalizado pelo grupo Os Serranos e pela voz de José Cláudio Machado. Nos versos que dedicou ao amigo e poeta Apparício Silva Rillo podemos encontrar um breve exemplo do esmero com que José Hilário trabalha a massa poética: “...por dentro da qual é rio e anda nele onde ele vai: Apparício Silva Rillo, São Borjou Rill’Uruguai. No prefácio do livro “O tesouro dos jesuítas”, Rillo sentencia: “Como todo o artista, Retamozo molda à sua maneira o barro sensível que a inspiração e a sensibilidade lhe colocam às mãos. Retamozo é um poeta e, aos poetas, importa mais o mágico que o lógico, mais a projeção da figura que a figura, mais o desenho da pedra que o seu peso.” MTG participará do 14º Fenart Sandra Veroneze O Movimento Tradicionalista Gaúcho participará do 14º Fenart – Festival Nacional de Arte e Tradição, 18º Rodeio Crioulo Nacional de Campeões e do 8º Jogos Tradicionalistas. Os eventos acontecem de 19 a 23 de julho em Querência, Mato Grosso, realizados pela Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, pelo MTG de Mato Grosso e CTG Pousada do Sul. Segundo Nairo Callegaro, presidente do MTG, no total os organizadores do evento aguardam a participação de 4 mil competidores, representantes de todos os estados brasileiros onde tem MTGs, e em breve a entidade confirmará o número de participantes do Rio Grande do Sul. “É uma oportunidade única de reforçarmos o tradicionalismo gaúcho em nível nacional e também de revermos amigos”, afirma. Recentemente, o vice-presidente campeiro do MTG, José Araújo, esteve no município de Querência para conhecer as instalações onde serão realizadas as provas. Na ocasião, o presidente da CBTG – Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, João Mello, fez o receptivo aos visitantes. Foto: Vanessa Welter Juventude que preserva as tradições gaúchas pelo Brasil promoveu este Encontro no MS João Ermelino Mello, presidente da CBTG (C) recepcionou os MTGs de todo Brasil

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Ano XV - Edição 189 ESPAÇO CGF/FSH Maio de 2017 7 Por: Renata Pletz - Secretária da CGF A ORIGEM SANGRENTA DOS CONTOS DE FADAS Dentre as questões que permeiam o universo do imaginário infantil, recebem, sem dúvida, merecido destaque, os contos de fadas. Eles estão entre as primeiras histórias que conhecemos na infância, que com sua magia, lançam sobre nós um encantamento inesquecível, capaz de durar a vida toda. Todos terminam com a frase “e viveram felizes para sempre”, na qual acreditamos piamente. Seu otimismo, a constante vitória dos bons sobre os maus, o triunfo dos humildes sobre os orgulhosos, nos infundem esperança. No entanto, os contos de fadas são muito mais que a realização das nossas fantasias e vão para muito mais além. Ao cruzar a fronteira do “era uma vez...”, entramos num mundo em que, como nos sonhos, a realidade se transforma. O mundo real raramente é justo, mas nos contos de fadas quase sempre há generosas recompensas para os bons e severos castigos para os maus. Esses clássicos possuem traços que remetem aos primórdios da humanidade, quando os homens sentavam-se ao redor do fogo para contar suas histórias, mas foi com o escritor francês Charles Perrault, no século XVII, que se inauguraram as bases deste novo gênero que faria história entre as histórias, a partir da publicação, em 1697, de Histórias, ou contos de tempos passados. A referida obra compõe-se de oito histórias tradicionais e entre elas figuram “Cinderela”, “A Bela Adormecida”, “Chapeuzinho Vermelho”, “O Gato de Botas” e “Barba Azul” No posfácio de recente edição de Contos e Fábulas de Perrault, seu tradutor Mário Laranjeira ressalta a importância do pioneirismo de Perrault: “[ ...] essas histórias têm origem numa tradição imemorável e são o que se costuma chamar de criação coletiva. Sua matéria é, em grande parte, retirada de velhas histórias orientais ou medievais, e Charles Perrault começou por contá-las a seus filhos. Depois elas serviram de tema a suas publicações. É dele, pois, o mérito de ter dado ao repertório da Mãe Gansa a sua existência literária. Mas faz parte da essência dos contos populares não pertencerem a ninguém em particular.” Jacob e Wilhelm Grimm, que também foram linguistas, filólogos e folcloristas, recolhendo material folclórico diretamente da memória popular, das lendas e sagas germânicas, na intenção de buscar as origens da realidade histórica “nacional”, publicam entre os anos de 1812 e 1822 grande produção, resultando no volume Contos de fadas para crianças e adultos ( Kinder-und Hausmärchen). Algumas destas narrativas constam também na recolha realizada por Perrault, na França, a que prova a existência de uma fonte comum. Diferentemente dos contos de fadas amenizados e edulcorados, adequados às produções cinematográficas que hoje os pequenos conhecem, principalmente a partir dos anos 30 do século XX, com Walt Disney, essas histórias – em sua maioria recolhidas e adaptadas do folclore – tiveram, ao longo dos séculos, modificações no sentido de suavizar a violência e minimizar o substrato sexual das narrativas originais. Nas sucessivas reedições da obra dos irmãos Grimm, a própria dupla tratou de amenizar as passagens que julgavam mais brutais ou até mesmo picantes. Em pelo menos um caso célebre, a dupla suavizou uma história já publicada por Perrault: Chapeuzinho Vermelho. Na versão de Perrault, avó e menina eram devoradas, e o escritor salientava a moral da história, onde as crianças não devem falar com estranhos, para não virar comida de lobo. A dupla acrescentou a inventada figura do caçador, que aparece no final da trama e salva a pele de Chapeuzinho e da vovó, abrindo a barriga do lobo com uma tesoura. Muitos desfechos, com o passar dos anos, acabaram caindo no lugar comum. Como aquele antológico beijo no sapo que, como se em um passe de mágica, faz com que a criatura asquerosa transforme-se em um belo príncipe que até então sofria os encantamentos de uma bruxa malvada. Originalmente, a história não era bem assim. Na versão dos irmãos Grimm, a mimada filha do rei, ao invés de dar-lhe o famoso beijo que o aprisionava na maldição do feitiço, joga-o violentamente na parede a fim de matá-lo e livrar-se dos caprichos do sapo aos quais era submetida como dívida de gratidão, pois tendo sangue azul, jamais poderia deixar de honrar um compromisso assumido. O bicho havia resgatado sua bola de ouro no fundo do poço. Agora, em troca, deveria fazer tudo o que a nojenta criatura determinasse, inclusive levá-la para seu quarto. Na famosa versão de Cinderela, os Grimm trazem à cena mutilações, quando as irmãs invejosas cortam partes dos próprios pés para que o famoso sapatinho de cristal lhes caiba, e a morte dramática da madrasta da borralheira e suas filhas tendo os olhos devorados por pombos. No clássico Branca de Neve, de 1810, aparece o canibalismo, quando a própria mãe, e não a madrasta, enlouquecida de ciúmes diante à beleza da filha de apenas sete anos, ordena ao caçador que mate a própria filha e traga-lhe o fígado e os pulmões como prova. O caçador, com pena da criança, entrega-lhe as vísceras de um javali, que a mãe come, pensando ser da menina. Como a maioria dos contos de fadas surgiu na Idade Média, em rodas de camponeses, onde eram narrados para toda família, a fome e a mortalidade infantil serviam de inspiração, o que nos faz compreender a presença de criaturas horrendas, vindas do imaginário popular, e da temática que envolve violência e morte, o que para nossa concepção contemporânea de infância, pode causar certo estranhamento. À medida que os anos foram passando e a sociedade evoluindo no que se refere ao entendimento das especificidades das crianças, os contos de fadas também foram modificando-se, sendo, inclusive, interpretados sob a ótica da psicanálise, que encontra na Literatura Infantil uma alternativa para senão a solução, ao menos o tratamento de alguns conflitos e até mesmo transtornos dos pequenos. Bruno Bettelheim, partindo do receio dos pais e educadores à cerca da crueldade e falta de verdade dos contos de fadas, que por muitos foram acusados sob a alegação de irreais e selvagens, afirma-nos que “Os contos de fadas, à diferença de qualquer outra forma de literatura, dirigem a criança para a descoberta de sua identidade e comunicação, e também sugerem as experiências que são necessárias para desenvolver ainda mais o seu caráter. Os contos de fadas declaram que uma vida compensadora e boa está ao alcance da pessoa apesar da adversidade _ mas apenas se ela não se intimidar com as lutas do destino, sem as quais nunca se adquire verdadeira identidade. Estas estórias prometem à criança que, se ela ousar se engajar nesta busca atemorizante, os poderes benevolentes virão em sua ajuda e ela os conseguirá. As estórias também advertem que os muito temerosos e de mente medíocre, que não se arriscam a se encontrar, devem se estabelecer numa existência monótona _ se um destino ainda pior não recair sobre eles.” ( Bettelheim, 1980, pág. 32) Podemos constatar, por conseguinte, que os contos de fadas adaptaram-se através das sucessivas gerações e das mudanças dos olhares sob a infância, devendo ser difundidos, quer na literatura oral, quer na impressa, e consagrados sob os mais diversos aspectos no que concerne ao enriquecimento da formação de nossos pequenos e, acima de tudo, lidos e relidos incansavelmente para que continuem entretendo, ensinando e remodelando-se como prova de que acompanham a evolução da sociedade. A importância da literatura oral A literatura oral, aquilo que as pessoas ouviram, contaram e que os instantes imemoriais não afogaram nas águas do esquecimento, sobrevive por sua força própria, pelo seu continuísmo que faz atravessar os espaços cronológicos das idades e que, afinal, muitas ocasiões se perdem na noite da memória. Entretanto, a luta para pinçar este material de profundo caráter filosófico, é uma missão do folclore em si, que os “causos” sem autoria terminam cami- nhando sozinho anos e anos, e até séculos. A Literatura Oral dos gaúchos, não importando que sejam os gaúchos que vivem a inteira atividade pastoril, a fazenda, o gado, o cavalo e as lides rurais, mas os colonos ou alemães ou italianos, na roça, na linha, na picada, e que nos intervalos do trabalho do plantio ou da colheita reúnem-se os colonos para ouvirem estas estórias saborosas, incríveis e originais. Pois, o folclore do Rio Grande atingiu uma nova fase. Vai resguardar, salvar e fa- zer sobreviver sua preciosa Literatura Oral. Os causos dos gaúchos, suas histórias cam- peiras, os acontecimentos narrados nos galpões e os fatos descritos com graça e mentiras, van- tagens pela peonada e os capatazes ou mesmo contadores de acontecimentos incríveis são da- dos da literatura oral, que podem sofrer mudan- ças e adaptações. Dante de Laytano - Folclore do RS

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8 NOTÍCIAS Ano XV - Edição 189 Colaboração: Jeferson Quadros Maio de 2017 Diversas atividades compõem a agenda do Delta do Jacuí 1º Festival Pioneiro do Verso Xucro O pioneiro do Movimento Tradicionalista Organizado, o 35 CTG, da cidade de Porto Alegre, completou 69 anos de sua fundação no dia 24 de abril, e para comemorar promoveu diversas atividades durante a semana de aniversário. O “1º Festival Pioneiro do Verso Xucro” que aconteceu no sábado, dia 22 de abril, teve a participação do Delta do Jacuí. Entre os participantes deste evento estavam as prendas Luiza Quinteiro, Nicole Frigeri e Ana Júlia Guimarães, e o piá Gustavo Gomes, todos do CTG Darci Fagundes. A prendinha Luiza ficou em terceiro lugar na declamação mirim, ganhando o troféu Glaucus Saraiva. Luiz Arthur recebe reconhecimento do 35 Na noite de segunda-feira, 24, Foto: Divulgação na continuação dos eventos de ani- versário do 35 CTG, o jovem talen- to musical guaibense, Luiz Arthur Seidel, recebeu uma homenagem da entidade pelos seus relevantes trabalhos realizados em prol do de- senvolvimento e do fortalecimento da cultura gaúcha e pela partici- pação no ‘The Voice Kids’, da Rede Globo. A homenagem recebeu a intitulação de “Moção de Reconhecimento e Aplauso”. Luis Arthur e a patroa Gleicimary Borges Lanceiros da Zona Sul de patronagem nova Quase chegando aos seus 40 anos, o CTG Lanceiros da Zona Sul, de Belém, em Porto Alegre, deu posse a sua nova patronagem. Fundado em 1º de setembro de 1979, o CTG campeão do Enart nas danças tradicionais em 2002, empossou no dia 15 de abril a sua nova patronagem sob o comando do patrão Ederaldo Pereira. Como capataz geral está Manoel Marcolino e o segundo capataz, Oli Franco. Na secretaria a 1ª Sota Capatazia ficou sob os cuidados de Carla Lusiane Moraes e a 2ª Sota Capataz é Claudia Bragati. A tesouraria tem como primeiro Agregado das Pilchas, Valdecir Muller, e como segundo, Lisandro Ayres. Na invernada artística, Amanda Rochol Farias; na cultural, Aline Ribeiro; na invernada de jovens, Carol Bragatti; no patrimonial e social, Marina Silva; nos esportes, José Altair Correa; e na invernada jurídica a Dra. Yeda Belotto e Dr. Rogério Matos. Como agregado das Falas e Cerimonialista, o radialista Fúlvio Lopes. A patronagem foi empossada pelo subcoordenador zona sul da 1ª RT, Haroldo José Teixeira. Foto: Divulgação ‘Tertúlia de Canto e Verso’ no Cruzeiro do Sul As boas músicas representadas por grandes intérpretes cidade de Guaíba e os versos bem executados por jovens declamadores das entidades movimentaram o galpão do CTG Cruzeiro do Sul. Noite de uma temperatura muito agradável, na qual a comunidade das redondezas do CTG, integrantes de entidades vizinhas e simpatizantes marcaram presença e aproveitaram das várias apresentações artísticas. A patronagem, o departamento cultural e os integrantes da invernada do CTG ofereceram aos que foram assistir o evento, salgados e doces, a um preço bem em conta que não esvaziou a guaiaca de ninguém e ainda ajudou a entidade nas suas despesas. Outro fato importante do evento é que não houve custo para entrar e assistir às apresentações, apenas foi solicitado que quem quisesse poderia contribuir com alimentos e agasalhos para serem doados aos necessitados da cidade. Foto: Divulgação CTG Cruzeiro do Sul, de Guaíba, promoveu tertúlia e tem realizado atividades culturais CTG Lanceiros da Zona Sul empossa sua nova patronagem Acampamento Farroupilha é pauta de reunião entre MTG e Prefeitura Municipal Sandra Veroneze O presidente do MTG, Nairo Callegaro, reuniu-se na quarta-feira, 3 de maio, com o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior. Acompanhado da equipe técnica do Acampamento Farroupilha, entregou documentação relativa ao arquivamento por parte do Ministério Público sobre investigações realizadas por CPI na Câmara de Vereadores relativas ao evento e aprofundou o diálogo sobre parceria. “Nosso objetivo é realizar a festa com o apoio da prefeitura, sem verbas. Temos patrocinadores e já estamos trabalhando para garantir a estrutura do parque”, explicou. Marchezan apoiou as iniciativas do MTG e ordenou um levantamento sobre os conselhos, leis e regulamentos que regem a festa. “Podemos modernizar o acampamento, discutirmos estruturas permanentes, parque temático, estruturar um novo modelo de negócios. A cidade vai ganhar com isso”, disse o prefeito. Foto: Joel Vargas Gomes Jardim tem curso de chula O CTG Gomes Jardim, de Guaíba, esta promovendo, em sua sede social, através do seu Departamento Artístico, aulas gratuitas de chula para meninos a partir dos 07 anos de idade. Está aberta a toda a comunidade guaibense. Este projeto faz parte da comemoração dos 40 anos do CTG. As aulas acontecem todas as quartas-feiras. Projeto: Venha Seu Mestre Chula Quando: Todas as quartas-feiras Local: CTG Gomes Jardim - Estrada Santa Maria, 2050. Ao centro, o prefeito, Nelson Marchezan Júnior e o presidente do MTG, Nairo Callegaro TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 189 ESPECIAL Maio de 2017 NOTÍCIAS 9 Coxilha de Ronda comemora 60 anos MTG realiza com sucesso primeiro Cfor para Músicos A história do Coxilha tem início antes mesmo de sua fundação, quando um grupo de jovens, liderado pelo saudoso Jaime Pinto, sentindo a necessidade de preencher uma lacuna existente no cenário cultural do município, procura formas de valorizar e preservar os costumes tradicionais através de uma convivência pacífica com uma sociedade que vinha a cada ano se modernizando mais e perdendo a essência dos nossos antepassados. Com a ideia determinada, foram em busca de um local e de apoio para concretizarem o seu sonho que em pouco tempo estava em pé no mesmo local que permanece até hoje. Seu nome foi sugerido pelo grande poeta Aureliano de Figueiredo Pinto, referenciando ao local que servia de pouso de tropas, permitindo que no alto da Coxilha os tropeiros podiam fazer a ronda dos animais. De lá para cá, muita coisa mudou, e o pequeno Galpão que outrora foi construído abrigando os adeptos de nossa cultura, precisou ser ampliado tal era o grande número de pessoas que o frequentavam. Em 1970 sediou o 15º Congresso Tradicionalista, onde foi instituído o Concurso Estadual de Prendas, foi palco também de inter-regionais do ENART, Encontros Regionais de Patrões, Peões e Prendas além de inúmeros eventos e projetos culturais que realiza. Com o surgimento dos Rodeios Crioulos, viu-se também a necessidade da construção de uma Sede Campeira, e em 1987 começa a construção daquela que hoje é considerada uma das maiores e mais bem estruturadas Sedes Campeiras de nosso Estado, tendo já sediado três Edições da FECARS, uma Festa Nacional de Campeões e anualmente no mês de dezembro realiza a sua Festa Campeira que já atingiu o maior número de Equipes de 05 laçadores participantes do Estado. Atualmente sob a liderança dos tradicionalistas João Carlos Gripa e Ronaldo Lavarda, procura manter a mesma essência e o autêntico tradicionalismo gaúcho, honrando uma história tão rica de sentimentos, valores e conquistas, sendo que a continuidade ficará a cargo daqueles que virão a perpetuar o desenvolvimento deste Centro de Tradições Gaúchas que foi proposto e planejado há 60 anos atrás. CTG aniversaria, mas quem ganha é o asilo No mês de março, o CTG Coxilha de Ronda, de Santiago, 10ªRT, promoveu um rodeio de trios onde, entre as provas de laço, foi realizada uma específica: a taça Asilo Santa Isabel. Toda a renda arrecadada na prova foi revertida para a instituição e para suas obras de ampliação, cumprindo com o artigo 1º da Carta de Princípios “Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo”. Na segunda semana de abril, o patrão da entidade, João Carlos Gripa e seus companheiros de patronagem foram até a instituição fazer a entrega de R$ 13.720,00 (treze mil setecentos e vinte reais). O presidente, João Nelson Machado, emocionado, agradeceu pela contribuição e lembrou que somente com ações como esta que é possível manter e ampliar os trabalhos no asilo. Os vencedores da Taça foram: -1º lugar Força A: Jacir Jovasque/ Evandro Bonetti Escovar -2º lugar Força A: Claudio dos Santos/Ramiro dos Santos 1º e 2º lugar Força B: Lhoser Brum/ Salvador da Silva e Maurício Franco/ Leonardo Franco Foto: Divulgação Sandra Veroneze O Movimento Tradicionalista Gaúcho realizou, no dia 01 de maio, a primeira edição do Cfor para Músicos. O curso – iniciativa do Departamento de Formação Tradicionalista e Vice-presidência Artística da instituição, recebeu 170 inscritos de todo o Rio Grande do Sul e foi considerado um sucesso pelo presidente do MTG, Nairo Callegaro. O conteúdo programático contemplou temas como estrutura do MTG, indumentária, conduta ética e voluntariado. As palestras foram pro- feridas por Manoelito Savaris, Odila Paese Savaris, Rafael Crippa e pelo presidente do MTG, Nairo Callegaro. Segundo Callegaro, a realização de cursos atende ao objetivo da instituição de ampliar o conhecimento dos tradicionalistas sobre o tradicionalismo gaúcho e a segmentação de público possibilita aprofundamentos pontuais. “Os músicos começaram um movimento de aproximação do MTG, notadamente desde a realização do Congresso Tradicionalista no início do ano, e estamos muito felizes!”, afirma. Foto: Divulgação Presidente Nairo Callegaro palestrando no CFor dedicado aos músicos #VemProMate na 25ª RT O projeto “#vempromate pela Paz Mundial”, tem como finalidade comemorar o ‘Dia do Chimarrão’, em 24 de abril e, além disso, mobilizar todos os gaúchos a compartilharem suas fotos cevando um mate, reafirmando os valores de amizade e hospitalidade que o chimarrão agrega em nossa cultura. Pensando nisso foi realizado um encontro de aprendizado, abordando dois temas. O primeiro deles foi uma reflexão sobre a paz nas enti- dades, orientada pela Coordenadora Cultural da Entidade, Stela Maris Paim Lemos Costa e, em seguida, aconteceu uma conversa sobre as diretrizes atuais da pilcha gaúcha, sendo ministrada por Sílvia Simone dos Santos Soares. A roda de chimarrão abordou também a culinária, tendo presente o bolo de erva-mate e o caputchê. Uma parceria entre o DTG Herança da Tradição e a 25ª RT, com o apoio da erva-mate Ximango. Foto: Divulgação Vista aérea do Parque de Rodeios do CTG Coxilha de Ronda, em Santiago, 10ªRT Um dia dedicado à orientação do uso da erva-mate e das curiosidades do chimarrão TEMA QUINQUENAL: “PROJETO SOCIAL MTG - VOLUNTARIADO”

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10 Ano XV - Edição 189 Maio de 2017 É de Novo Hamburgo, da Sociedade Gaúcha d Grande do Sul. Pela terceira vez na história d Nos anos de 2003 e 2004 o Entrevero de Peões foi realizado em Novo Hamburgo (Marcelo Acker – 2002/2003 e Felipe Toniazzo – 2003/ Fotos: Gabriel Soares A prova de trabalhar com o couro e trançar Peonada aprende desde cedo a arte de fazer um bom churrasco O 29º Entrevero Cultural de Peões, organizado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí e 15ª Região Tradicionalista, escolheu, entre os dias 6 e 8 de abril, sua nova gestão de Peões. Jhonathã Reis Leindecker, da Sociedade Gaúcha Lomba Grande, 30ª RT é o novo Peão. Pedro Ernani Dornelles Lago, do CTG Tropilha Crioula, de São Borja, 3ª RT sagrou-se Guri e Saullo Guilherme dos Santos Dutra, do CTG Lila Alves, de Pinheiro Machado, 21ª RT, é o novo Piá Farroupilha do RS. O coordenador da 30ª RT, Carlos Alberto Moser, destacou que a vitória de Leindecker é também uma conquista coletiva. Afinal, para ser o escolhido, ele teve de passar por diversas provas campeiras, artísticas e também de conhecimentos sobre história do RS e tradicionalismo, de forma que todos puderam dar a sua contribuição e estar ao seu lado. Leindecker vem se preparando há algum tempo. Em 2014 participou do Entrevero representando a 15ªRT, depois foi para a 30ª RT onde voltou a pensar em participar. “Eu vim para a Sociedade Gaúcha de Lomba Grande e, desde o ano passado, projetamos o caminho para chegar até o Entrevero Cultural, nos cercamos de pessoas qualificadas para fazer essa preparação” - conta o peão. Nairo (E), com o Peão Farroupilha, Jhonathã Reis Leindecker (C) Elenir Winck (E), Vice-presidente de Administração e Finanças do MTG A arte de tosar a crina do cavalo Desde bem jovens, peonada pratica o tiro de laço A história do Entrevero A 27ª Convenção Tradicionalista do MTG, realizada em Caxias do Sul, de 28 a 31 de julho de 1988, instituiu o ‘Troféu Farroupilha’, que abrangia a categoria adulta (Peão) e era realizado junto com o concurso de prendas, posteriormente na FECARS, até ser realizado em definitivo na entidade do Peão Farroupilha. O Regulamento sofreu reformulação na 40ª Convenção Tradicionalista Gaúcha, de Canguçu, de 27 a 30 de julho de 1995, quando foi incluída a categoria Guri, e em 2002 foi alterado o nome de Concurso Estadual de Peões para Entrevero Cultural de Peões. A categoria Piá foi inclusa na 77ª Convenção Tradicionalista, no ano de 2012, e regulamentada 78ª Convenção Tradicionalista, no ano de 2013. Na categoria peão, a experiencia de quem já esteve do outro lado Comissão avaliadora composta por ex-prendas e ex-peões estaduais

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Ano XV - Edição 189 Maio de 2017 11 de Lomba Grande, o Peão Farroupilha do Rio do Entrevero de Peões, a 30ª RT leva o título. /2004). Em 2018, a Capital Nacional do Calçado será, mais uma vez, palco deste grande evento. 3º Piá Farroupilha do RS 2º Piá Farroupilha do RS 1º Piá Farroupilha do RS PEÕES FARROUPILHAS DO RS GURIS FARROUPILHAS DO RS PIÁS FARROUPILHAS DO RS Rafael Pereira da Costa DTG Clube Juventude Alegrete 3º Guri Farroupilha do RS Gustavo de Souza Moreira CTG Mata Nativa Canoas 2º Guri Farroupilha do RS Saullo dos Santos Dutra CCTG Lila Alves Pinheiro Machado 1º Guri Farroupilha do RS Gabriel Ferreira CPF Terra de um Povo Venâncio Aires 3º Peão Farroupilha do RS Eduardo Morais Brum CTG Sincero Lemes Vila Nova do Sul 2º Peão Farroupilha do RS Pedro E. Dornelles Lago CTG Tropilha Crioula São Borja 1º Peão Farroupilha do RS Robson Thomas Ribeiro CTG Tropilha Crioula São Borja Sthéfano Marçal Jaques CTG Oswaldo Aranha Alegrete Jhonatã Reis Leindecker Soc. Gaúcha Lomba Grande Novo Hamburgo

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12 NOTÍCIAS Ano XV - Edição 189 Maio de 2017 Notícias de São Gabriel - Colaboração: Blog Caderno Sete Conheça os vencedores da 8ª Querência da Poesia Na madrugada de domingo, dia 30 de abril, foi divulgado o resultado da 8ª Querência da Poesia Gaúcha, realizada em 29 de abril, na cidade de Caxias do Sul. Confiram os destaques do evento: POEMA: 1º Lugar: Apelo de Vida ao Campo Autora: Joseti Gomes 2º Lugar: Vozes Futuras Autor: José Luiz Flores Moró 3º Lugar: Dos Relicários da Alma Autor: Henrique Fernandes DECLAMADOR: 1º Lugar: Erico Padilha - Apelo de Vida ao Campo 2º Lugar: Douglas Dhiel Dias/Guilher- me Marques - Entre Passado e Presente 3º Lugar: Jair Silveira - Sobre a Cruz do Pajador AMADRINHADOR: 1º Lugar: Douglas Mendes e Fernando Graciola - Entre Passado e Presente 2º Lugar: César Furtado - Vozes Futuras 3º Lugar: Jorge Araujo/Luciano Salerno - Orelhador QUERÊNCIA PIÁ: 1º Lugar: Gabriéle Báo Azevedo 2º Lugar: Laura Hahn Schu 3º Lugar: Luiz Felipe da Costa Brock Campeão Geral: Apelo de Vida ao Campo - Joseti Gomes Foto: Marilene Huff Plácido de Castro realiza Penha de Dia das Mães O CTG Plácido de Castro, da cidade Foto: Arquivo Pessoal de Santa Margarida do Sul, 18ª RT, que tem como patrão Eduardo Kenny, ao lado de sua esposa, Paola Faria, rea- lizou uma ‘Penha de Dia das Mães’, na noite de 6 de maio. O evento também serviu para a apresentação da nova patronagem da entidade. Durante o evento, que teve um jantar campeiro completo, teve sorteio de brindes para as mães. “Na penha do CTG inauguramos a Galeria das Invernadas” – conta Paola Patrão Eduardo e sua família CTG Caiboaté e Querência Xucra com intensas atividades O CTG Caiboaté, de São Gabriel, 18ªRT, promove uma penha com jantar e baile alusivo ao Dia das Mães, no sábado, 13 de maio, em sua sede social no centro da cidade. A penha será animada pelo grupo Força do Sul e Katio Medeiros, a partir das 20h. Os convites já estão sendo vendidos na Secretaria da entidade, por R$ 30,00 até dia 12, depois sobe para R$ 35,00. E o CTG Querência Xucra prepara mais uma comemoração do seu aniversário de fundação. As atividades se concentrarão no dia 20 de maio, com início pela manhã, com a tradicional ‘Missa Crioula’ na sede social da entidade, na Rua Bento Gonçalves. O destaque é para o jantar e baile à noite, com a animação de Márcio Correia e Grupo Gauchismo. Os ingressos já estão à venda. A 8ª edição da Querência da Poesia Gaúcha, aconteceu em 29 de abril, em Caxias do Sul Debate filosófico em São Marcos, 25ª RT No dia 02 de abril, o CTG Porteira da Serra promoveu um evento e convidou Stela Maris Paim para falar sobre a importância de todos os membros da entidade conhecerem a Carta de Princípios, mas em um sentido bem mais amplo do que simplesmente lê-la. “Abordamos principalmente a discussão sobre a Filosofia/Ideologia do Tradicionalismo, no sentido de seus valores, princípios e crenças, itens que estão se perdendo dentro de nossas entidades” – conta Stela. O foco foi os jovens dos grupos de danças, fazendo um paralelo entre documentos importantes do tradicionalismo como o “Discurso de Manoelito de Ornellas”, de 1954, a Tese de Barbos Lessa, de Jarbas Lima e a Tese de Manoelito Savaris, aprovada no 65º Congresso, com o objetivo de resgatar o verdadeiro sentido em participar de uma entidade (no sentido do grupo local - citado por Barbosa Lessa). Foto: Arquivo Pessoal Stela Maris Paim Foi uma tarde de muita reflexão, troca de ideias e de perceber o quanto os jovens dançarinos são carentes de conhecimento sobre o tradicionalismo. “Abordamos também a importância do jovem na reflexão de como seguiremos com nosso Movimento nos próximos anos” afirmou. Para finalizar, os participantes foram divididos em cinco grupos para cada um apresentar ações que podem ser desenvolvidas nas entidades, dentro de cada aspecto da Carta de Princípios. CTM apresenta programação dos Festejos Farroupilhas A Coordenadoria Tradicionalista Municipal (CTM) de São Gabriel apresentou, na noite de quarta-feira (3), a programação oficial dos Festejos Farroupilhas do município 2017, que iniciarão em 8 de setembro, no Parque Tradicionalista Rincão das Carretas. A apresentação contou com um bom número de convidados no CTG Querência Xucra, onde teve ainda um jantar e apresentações de talentos locais. A programação terá, antes disso, provas da 31ª Reculuta Municipal, que ocorrerão no Parque Tradicionalista nos dias 10 e 11 de junho, com as modalidades de vaca parada, encilha, tava e declamação. Depois disso, ocorrerá a Cavalgada Municipal, que será de 24 a 27 de agosto, saindo da Fazenda Estrela, em Azevedo Sodré. O patrão da CTM, Júlio Moreira, destaca que mesmo sem o repasse de recursos da Prefeitura, conseguirá fazer um grande evento para a comunidade. A novidade deste ano é a venda de um passaporte para todos os dias de festejos pelo valor de R$45,00. Os pontos de venda serão anunciados em breve. Este ano, quatro grupos farão os bailes de encerramento de cada noite, valorizando os talentos locais. A Prefeitura dará apoio para a realização dos Festejos, conforme garantiu a Secretária de Turismo, Juliana Medeiros, anunciando que será repassada a gestão integral do Parque Tradicionalista à CTM, o que estava sem ser resolvido. Confira os shows da programação dos Festejos Farroupilhas: 08/Set - Ênio Medeiros / baile Humberto Machado e Grupo MDS 09/Set - Cristiano Quevedo / baile Grupo Estradão 10/Set - Baile com Mate Novo 11/Set - Baile com Humberto Machado e Grupo MDS 12/Set - Nilton Ferreira / baile com Grupo Homens de Campo 13/Set - Chico Paim / baile com Eco do Sul 14/Set - André Teixeira / baile com Grupo Estradão 15/Set - Show baile com Irmãos Marques 16/Set - Luiz Marenco / baile com Grupo Homens de Campo 17/Set - Baile com Edson Vargas 18/Set - Show de encerramento com Jorge Guedes e Família e baile com Eco do Sul TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 189 FÓRUMDADANÇA Por: Marcelo Vasconcelos Diretor de Danças Tradicionais do MTG/RS Maio de 2017 SAÚDE EM FOCO 13 Por: Mauro Gimenez Médico O Desafio de ensinar Danças Tradicionais As danças Tradicionais do Rio Grande do Sul são além de atividade física. São a expressão de ideias, a manifestação de costumes e da cultura, e o reconhecimento da identidade do povo gaúcho. Desta forma, a função de instrutor tem uma importância bem significativa, principalmente se tratando das categorias de base nas entidades tradicionalistas, pois além de auxiliar as crianças no seu desenvolvimento motor e subjetivo, existe um resgate dos valores culturais. O instrutor necessita estar atento a vários fatores que não somente a parte técnica em si, mas também poder trabalhar as questões de convivência, valores morais e sociais, a criatividade, a memorização e o trabalho em grupo. Precisa atuar como agente no auxílio das mudanças estimulando seus dançarinos a não serem meros imitadores, podendo desenvolver ao longo do processo sua capacidade crítica. Outros fatores importantes já citados anteriormente neste espaço é poder realizar um bom planejamento do seu trabalho, indo ao encontro das possíveis combinações com a patronagem, coordenadores e com os pais. É preciso ter a sensibilidade de perceber a capacidade dos alunos captarem e assimilarem os passos, não fazendo ensaios extremamente cansativos e repetitivos – pois de certa forma, em termos de desenvolvimento corporal, este tipo de prática pode afetar o desenvolvimento motor dos mesmos. Se perguntado às crianças se elas preferem ensaiar ou apresentar (concorrer), é muito provável que a resposta seja a segunda opção, porque ensaiar cansa. Sendo assim, fica a dica: se querem que estas crianças cheguem até a categoria adulta, tenham claro qual é a sua proposta para acolhê-los e estimulá-los. Uma maneira de amenizar tais fatores é poder realizar antes e após os ensaios um bom alongamento, assim como aproveitar estes momentos iniciais e finais do trabalho (ensaios) para realizar algo de forma lúdica que possa contribuir com o trabalho que está sendo desempenhado. São Vicente do Sul, 10ª RT, sedia o Cfor Básico Realizada com sucesso mais uma edição do Cfor (Curso de Formação Tradicionalista) Básico, pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho. Desta vez, foi na cidade de São Vicente do Sul, 10ª RT, com a participação de mais de 50 participantes. Ao longo do dia, os alunos puderam aprender sobre história do MTG, do Rio Grande do Sul e do tradicionalismo, estrutura do MTG, gestão de pessoas relacionamentos interpessoais, entre outros temas relacionados à boa prática tradicionalista. Na solenidade de abertura, compuseram a mesa: Sthéfano Jaques, 2º Peão Farroupilha do RS, Conselheiro Benemérito, Milton Brum , Carla Moura, Diretora do Departamento de Cursos, Valdevi Maciel, Conselheiro do MTG, representando o presidente Nairo Callegaro na cerimonia, o vice coordenador Aparício Silva, e o Patrão do CTG Cancela da Fronteira, Roberto Serra Pinheiro. O CFor começou no ano de 2003 voltado à orientação de lideranças do Movimento e, atualmente, conta com a certificação de quase dez mil pessoas de todas as partes do Rio Grande do Sul e alguns estados vizinhos. Fotos: Divulgação Valdevi Maciel e os palestrantes Lúcia Andrade, presidente Nairo, Murilo Andrade, com a diretora do DFTA, Carla Moura e Nilton Brum Cuidados com a voz Nesta edição vou falar um pouco com meus colegas músicos e cantores a respeito de alguns cuidados que ajudam a manter a voz. 1. Coma maçã! Esta fruta tem ação adstringente, limpa a garganta trazendo alívio e bem-estar. 2. Evite pigarros! Ao efetuar muitos pigarros com o objetivo de melhorar a secreção presente nas pregas vocais, o efeito é exatamente contrário. 3. Boceje! O lema é relaxar. Aproveite ao acordar para bocejar e espreguiçar, ações que podem diminuir a tensão da região do pescoço e dos ombros. 4. Não fume! Isto não precisa nem de explicação. Os malefícios do cigarro são inúmeros. 5. Bebidas alcoólicas com moderação! O álcool irrita as vias respiratórias e altera a qualidade vocal. 6. Evite café em excesso! Os responsáveis pelos malefícios do café são o teor de cafeína e a temperatura elevada da bebida. Eles desidratam as cordas vocais, assim como o cigarro, e provocam um aumento da acidez no estômago, causando refluxo e ardor na hora de falar. 7. Articule bem as palavras! A leitura labial e a boa dicção são importantes na comunicação. Articular bem a boca ao conversar e cantar facilita para que os outros entendam o que você quer dizer e evita que você tenha que falar mais alto ou gritar para conversar ou cantar. 8. Evite gritos e sussurros! Fale normalmente. Usar a voz em tom mais alto ou mais baixo que o habitual necessita um esforço maior, o que pode provocar a formação de nódulos. 9. Preste atenção na sua respi- ração! Respirar pelo nariz é o ideal. Quando nos vemos obrigados a respirar pela boca, ressecamos as vias respiratórias, o que pode afetar a voz. 10. Tome bastante líquido! Prefira bebidas em temperatura ambiente. A hidratação é a chave para cuidar das pregas vocais. O ideal é ingerir uma média de dois litros de água por dia ou um copo de água a cada duas horas. 11. Cuidado com a azia e má-digestão! Tire do cardápio alimentos que causam azia e má-digestão. O motivo é o refluxo gástrico, que é ácido e pode irritar a garganta. 12. Evite levantar a voz! Procure não gritar, falar muito alto ou cantar durante muito tempo. Alterne períodos de descanso vocal com atividades nas quais você tem que falar muito. Usar a voz seguidamente durante muito tempo pode levar a uma fadiga muscular. 13. Evite o ar condicionado! Evite ficar muito tempo em ambientes com ar condicionado, pois ele compromete a respiração e resseca o aparelho fonador. É preciso fazer um esforço muito maior com as cordas vocais para produzir o mesmo som que seria emitido sem tanta dificuldade em um ambiente livre de ar condicionado. 14. Modere na pimenta! Nada de muitos condimentos na comida. Pimenta e outros temperos podem provocar irritações nas cordas vocais. Dependendo da sensibilidade, nem mesmo um bom gole de água pode aliviar a complicação. Até a próxima, gauchada!!! Porteira da Querência completa 45 anos Fundado em 14 de julho de 1972, o CTG Porteira da Querência, da cidade de Sarandi, a única entidade tradicionalista no município, completa quase meio século de existência com muitas atividades artísticas e culturais. Na década de 60 existia, em Sarandi, o CTG Rincão da Querência e o CTG Porteira Velha. Com dificuldades de manter as entidades funcionando, as patronagens optaram por encerrar as atividades. Na década de 70 iniciou um movimento para a fundação de uma nova entidade que uniu o nome das duas pioneiras: CTG Porteira da Querência, cujo atual patrão é Pablo Mari. O Porteira é uma entidade plena, com grande preocupação no tripé: cultural, artístico e campeiro. Promovem atividades tradicionais como: Integração Regional de Grupos de Danças, reunindo entidades de 8 municípios da região, no mês de março; Acampamento do Agasalho, em abril; Fandango da Prenda Jovem - a cada 2 anos, no mês de maio; Aniversário do CTG, em julho; Semana Farroupilha - com atividades culturais, artísticas e sociais, com a participação de associados, escolas e a comunidade; e o Rodeio ‘Cidade de Sarandi’, em novembro. Classificados no “Desafio Farroupilha” da RBSTV, o Porteira tem levado diversos palestrantes para atividades culturais no CTG. TEMA ANUAL: “RESGATANDO OS LEGADOS DE 47 - 70 ANOS DA CHAMA CRIOULA E DO GRUPO DOS OITO”

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14 Ano XV - Edição 189 TROPEANDOVERSOS Por: Carlinhos Lima Diretor Departamento de Manifestações Poéticas Maio de 2017 AMPLIANDOHORIZONTES Por: Manoelito Carlos Savaris Conselheiro Vaqueano do MTG e da CBTG Conceito O que se declama: um Poema ou uma Poesia? A dúvida é recorrente, por isso vamos tentar ressaltar as suas diferenças e as suas similaridades. Apesar de serem tratados por muitos como sinônimos, o uso dos dois termos apresenta diferenças: - Poesia: Caráter do que emociona, toca a sensibilidade, sugere emoções. Utiliza imagens e, principalmente, metáforas. É a linguagem que se utiliza para escrever poemas. - Poema: É uma obra em que há poesia. Geralmente construídas em versos e estrofes, tem início, desenvolvimento e final. Todo poema possui autor, chamado de poeta. Em outras palavras eu diria que, enquanto o poema é uma obra literária escrita em versos, a poesia é a essência da linguagem nele contida, é a beleza, a criatividade, é o que se pode extrair de mais belo, mais sensível, cujos limites transcendem à lógica e vão em busca do sonho, da utopia. Poema é o “objeto” poético, o texto onde a poesia se realiza. Pode ser rimado ou livre, isto é, sem métrica e rima; ou versos brancos, sem rima mas com métrica. Também pode ter um formato específico como o soneto, a décima, a quadrinha, o haikai, o terceto, a trova... Um texto escrito em prosa, como é conhecida a escrita em linhas corridas, também pode conter poesia, desde que tal texto apresente um mundo mais expressivo, menos referente à realidade, que contenha imagens e metáforas. A distinção se torna por vezes complexa. A poesia pode estar presente tanto no poema, que é feito em versos, como na prosa, em linhas corridas. Exemplo: “Seus olhos, ao se abrirem, me fazem lembrar o sol nascendo; mas anoitece a minha alma quando te ausentas”. Isso é poesia em texto plano. Também encontramos poema sem poesia: “no alto daquele morro passa boi passa boiada eu ouço o som do berrante pensando em minha namorada” Enquanto o poema é um objeto literário com existência material concreta, a poesia tem um caráter imaterial e transcendente. A poesia é um modo de ver o mundo; o poema é a expressão por escrito desse modo. A poesia se encerra no poema e o poema liberta a poesia; A poesia é como um rio, o poema como uma represa; A poesia é o trigo, o poema é o pão; Poesia é eternidade, poema é um grão do tempo; A poesia é inalcançável, os poemas distâncias percorridas; Só quem olha nos olhos da poesia é capaz de fazer um poema; Só escreve poemas quem, mesmo não possuindo a poesia, se deixa por ela possuir; “O poeta utiliza a poesia para fazer poemas”; “O declamador utiliza o poema para fazer poesia”. 20ª RT entra na campanha “Adote um idoso” Entre os dias 18 e 23 de abril foi realizada a Feira de Exposição Industrial e Agropecuária (Feicap) na cidade de Três Passos. Na oportunidade, diversas atividades aconteceram, como o Projeto ‘Adote um Idoso’. O projeto, lançado pelas soberanas da feira, Andriele Battú da Silveira, Vitó- ria Rolim Lampert e Emmanuela Weber Cardozo, tem como objetivo promover atividades motoras de integração, que favoreçam o desenvolvimento mental e físico dos idosos residentes nos asilos da cidade, auxiliando, dessa forma, na melhoria da qualidade de vida Foto: Rogério Bastos destes vovôs e vovós. A 20ª Região Tradiciona- lista abraçou a causa. No dia 22 de abril, a coordenadora Luciana Rolim, visitou alguns lares e convidou a Vovó Iria para conhecer a feira. No final, foi realizada uma grande inte- gração, com baile destinado à terceira idade. O evento acon- teceu nas dependências do CTG Missioneiro dos Pampas. Coordenadora Luciana Rolim e Vitória Lampert CONSTRUTORES DO RIO GRANDE “A História de um povo só poderá ser bem interpretada, conhecendo-se a vida e a obra de seus filhos maiores”. (Walter Spalding) DOMINGOS JOSÉ DE ALMEIDA Filho de Domingos José de Al- meida e Silva e de Escolástica Maria de Abreu, nasceu em Diamantina, Minas Gerais, em 9 de julho de 1797, migrou para o Rio Grande do sul em 1819 com o fim de formar tropas de mulas para reponta-las até a grande feira de animais de Sorocaba, São Paulo, mas acabou se estabelecendo em Pelotas que se constituía no mais importante centro produtor de charque do Brasil. Abriu um escritório de venda de charque para o Brasil e para o exterior obtendo grande sucesso nesse comércio. Montou sua própria charqueada, às margens do canal de São Gonçalo, e instalou a primeira companhia de navegação interna da Província de São Pedro ligando Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre. Além disso possuía, também uma fábrica de sabão, uma olaria e uma fábrica de velas de sebo. Casou-se com Bernardina Barcelos de Lima, com quem teve treze filhos. Homem culto, Domingos José possuía uma das mais vastas bibliotecas da Província. Alem de comerciante era, também major da Guarda Nacional e atuava na área política tendo sido vereador em Pelotas e deputado provincial na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, destacando-se por sua atuação na campanha de alfabetização na Província (até 1835 não havia escolas na província). Domingos teve papel importante na decisão que resultou no início da Revolução Farroupilha. Ele era membro da loja maçônica Philadélfia e Liberdade, tendo lavrado a ata da reunião que resultou na decisão de invadir Porto Alegre e depor o Presidente Braga. Era, com Pedro Boticário, um dos mais convictos republicanos, tendo sido decisivo na influência para que Antônio de Souza Netto proclamasse a República Rio-grandense no ano de 1836. Foi da senzala da sua charqueada que saíram muitos combatentes “lanceiros negros” liderados, durante a Revolução, por Teixeira Nunes. Durante o período revolucionário foi o responsável pela criação da fábrica de arreamento que abasteceu o exército farrapo e foi nomeado Ministro da Fazenda e do Interior na República Rio-grandense. Foi ele que comprou, com recursos próprios, a tipografia com a qual o italiano Luiggi Rosseti imprimiu o destacado jornal “O Povo” durante a Revolução. Domingos foi o responsável pela organização administrativa da República Rio-grandense, mantendo-a inclusive durante as constantes trocas de localização da sede administrativa, o que originou a expressão “República das Carretas”, em virtude de que a documentação e os materiais de arquivo eram transportados em carretas puxadas por bois, de um lugar a outro, até o destino derradeiro em Alegrete. Foi ele, também quem determinou a elaboração da planta para a nova povoação que viria a ser a cidade de Uruguaiana. Concluída a Revolução encontrou-se empobrecido e com seus negócios arruinados, mas graça ao seu espírito empreendedor, em pouco mais de dez anos recompôs seu patrimônio. Entre os anos de 1858 e 1961 fez imprimir o jornal “Brado do Sul”, em Pelotas. No ano de 1885, na comemoração do cinquentenário de início da Revolução Farroupilha, foi homenageado com a construção de um monumento em Pelotas. Faleceu em 6 de maio de 1871 em Pelotas, aos 73 anos de idade. TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 189 ECO ENTREVISTA Maio de 2017 15 Conheça o 2º Peão do Ele venceu obstáculos e Rio Grande do Sul conquistou o Rio Grande Sthéfano Jaques, 21 anos, natural de Alegrete/RS, é acadêmico do último ano do curso de Direito da Universidade da Região da Campanha – Campus Alegrete e representa o CTG Oswaldo Aranha – entidade que seu avô ajudou a fundar e onde deu seus primeiros passos. Eco – Como foi a preparação para o Entrevero de Peões? A preparação para o Entrevero começou há aproximadamente dois anos. Fui Peão Farroupilha da 4ª RT em 2012 e, após algum tempo afastado das atividades do Movimento e me dedicando à minha formação, decidi que era hora de voltar. Foi quando conversei com a pessoa que mais me ajudou nessa caminhada, a Mirian Antunes. Ela disse que seria um longo trabalho, mas que entraria nessa comigo. Foram meses estudando de noite, depois de sair da faculdade, pois durante o dia eu trabalhava e, assim, veio o resultado. Eco – Agnaldo Reis, em 1989, foi o 1º Peão Farroupilha da história, representando a 4ª RT. Teu trabalho teve alguma inspiração nos teus anteces- sores, independente da categoria? Qual o arquétipo para o Peão Farroupilha? Desde quando comecei a preparação para o Entrevero deste ano tive inspiração na determinação do meu amigo Victor Matheus Machado da Conceição - 3º Guri do RS 2015/2016. Esse guri sempre serviu de exemplo pra mim pela determinação, empatia, simplicidade e generosidade. Acredito que não há exatamente um arquétipo para o Peão Farroupilha. No meu ponto de vista o que realmente há é força de vontade e determinação. Acredito que as pessoas devem ser autênticas. Sejas tu mesmo, não o que os outros querem que tu sejas. Se desejares algo, corre atrás e, obviamente, dê prioridade. Eco – Qual o planejamento para a gestão? Ao meu ponto de vista, a Gestão de Peões do RS 2017/2018 está bastante harmônica. Temos tudo para fazer um bom trabalho em prol da Sociedade Tradicionalista. Este é o meu desejo. A união faz a força e certamente trabalharemos unidos. Músicos podem solicitar Cartão Administrativo do MTG Sandra Veroneze O Movimento Tradicionalista Gaúcho abriu as inscrições para músicos que desejam solicitar o Cartão Administrativo da entidade. Segundo o vice-presidente artístico, José Roberto Fishborn, uma das principais vantagens é que o cartão simplifica a participação dos grupos de músicos no Enart – Encontro de Artes e Tradição. Para a solicitação do cartão, existem alguns pré-requisitos a serem cumpridos, como por exemplo ter participado de algum curso Cfor, comprovar habilidades artísticas de canto ou instrumental e anexar currículo. O formulário está disponível no site http://www.artistico.mtg.org.br/. Jhonatã Reis Leindecker, 20 anos, natural de Portão, cursa Administração na Unisinos. “Comecei minha trajetória tradicionalista no CTG Sentinela do Portão/15ª RT em 2012, e atualmente represento a Sociedade Gaúcha de Lomba Grande de Novo Hamburgo/ 30ª RT” – conta o Peão Farroupilha do Rio Grande do Sul. Eco – Como foi a preparação para levar de volta para a 30ª RT o Entrevero de Peões? Não foi nada fácil. Decidi participar do concurso somente em outubro de 2016, o que é tarde, em razão do nível dos peões participantes. Foram muitas as barreiras transpostas. Uma delas, e possivelmente a principal, eram meus pais. Eles ficaram sabendo da minha participação somente no mês do Entrevero. Muitas vezes tive que me esconder para estudar e praticar a campeira ou ainda a artística. Para transpor as barreiras, contei com o auxílio de pessoas fundamentais, que extraíram o meu melhor e que permanecerão ao meu lado nesta caminhada, que visa agora, além de representar minha entidade e minha região com dedicação e esmero, toda a juventude tradicionalista, ao lado dos meus colegas de gestão. Eco – Marcelo Cristiano Acker, em 2002 e Felipe Luís Giovenardi Toniazzo, em 2003, qual o sentimento de repetir o feito deles? Tu tiveste alguma inspiração nos teus antecessores? O sentimento de repetir o feito de peões como o Marcelo e o Felipe é de muito orgulho, pois após 14 anos o Entrevero volta para a 30ª RT. Com certeza me inspirei nos dois, pois eles, até então, eram os únicos a alcançar tal feito na minha região, e acompanharam de perto minha preparação. Mas houve outras inspirações, as quais pude acompanhar durante suas gestões como prendas e peões, seja regional ou estadual, e a estas devo muito da minha preparação, determinação e trabalho árduo na conquista deste que era um sonho de todos que estavam me auxiliando. Eco – Qual o arquétipo para o Peão Farroupilha? Acredito não ter um modelo ideal para ser Peão Farroupilha. Você precisar juntar o melhor de cada espelho que tu tens, mesclar tudo, juntamente com suas características, e conseguirás dar o teu melhor. E o que é mais importante: superar nossas próprias expectativas, assim como foi na preparação, também no trabalho a ser desenvolvido a partir de agora. Eco – Qual o planejamento para a gestão? A responsabilidade é grande de continuar o trabalho que tão bem foi desenvolvido pela gestão do Diego. As expectativas são enormes de termos um belo ano junto com meus colegas de gestão, voltado para a manutenção da nossa herança cultural, no auxílio às regiões no que for preciso e cumprindo nosso papel perante o MTG; para que juntos possamos construir os próximos 50 anos, pautados na simplicidade, tradicionalidade e voluntariado, herdada dos de 47. Quero ao findar o meu ano como Peão do RS, enquanto recebo o RS de braços abertos na 30ª edição do Entrevero Cultural de Peões, na 30ª Região Tradicionalista, na casa da octogenária Sociedade Gaúcha de Lomba Grande, olhar para trás e sentir orgulho da caminhada percorrida, tendo a certeza que ao lado dos meus colegas de gestão fiz tudo que era possível para bem representar o homem do campo, aplicar o escrito em nossos documentos filosóficos e manter a chama da tradição viva no coração de cada um que pudermos contagiar.

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