Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 31

 

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Entrevista José Fernando fala sobre os dez anos do Simineral Novemrbevrois.taDmeEzidneieçmrãabocr3aoo1d..ceoA2mn0o.1b66r Mercado Galvani investe US$ 500 milhões na Serra do Salitre Mercado S11D, da Vale, é inaugurado Comunidade Territórios Sustentáveis estimula o desenvolvimento no Pará MERCADO ILEGAL DA AREIA Estudo aponta que a extração ilícita do agregado movimentou quase R$ 9 bilhões no país somente em 2015

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CLIQUE Paulo Moreira / MMAS Vale SEMEADURA Colaboradores da Vale fazem a semeadura de nativos na beira da rodovia municipal de Canaã dos Carajás, no Pará, onde a mineradora acaba de inaugurar o Complexo S11D Eliezer Batista, maior projeto de extração de minério de ferro da história da Vale e também da indústria da mineração, segundo a empresa. EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor-Geral Daniele Marzano REG. 49.619 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Sara Lira Bruna Nogueira redacao@revistamineracao.com.br Projeto gráfico, ilustração e diagramação Daniel Felipe W. Tourinho Distribuição e assinaturas + 55 (31) 3544 . 0045 atendimento@revistamineracao.com.br Assessoria Jurídica Dias Oliveira Advogados Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida aos setores minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Can Stock Photo Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Cônego Domingos Martins, 26 Centro . Betim . MG - 32.600.202 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. /RevistaMineracao @RevMineracao 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016

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ESTANTE Contenções: Teoria e Aplicações em Obras Denise Gerscovich e outros Editora Oficina de Textos Constituição, Crise Hídrica, Energia e Mineração na América Latina Pedro Curvello e outros Editora Lumen Juris Geologia do Petróleo Richard Selley e Stephen A. Sonnenberg Editora Elsevier O livro apresenta as estruturas de contenção, como muros de arrimo e cortinas, e os fatores presentes no processo de construção, entre cálculos e investigação geotécnica. A obra também mostra o processo de empuxo de terra e como ele deve ser aplicado. Resultado da união de pesquisas feitas por professores da Universidade Federal Fluminense (UFF), a obra mostra um panorama das áreas de energia e de mineração nos países da América Latina em um período de crise hídrica. O livro conta os fundamentos da geologia do petróleo, mostrando as características físicas e químicas do óleo natural, bem como as relativas ao processo de exploração e de produção dele. Além disso, dados econômicos do campo também são apresentados. • Ano: 2016 • 240 páginas • R$ 92 • 16 x 23 cm • Brochura • ISBN: 978-857975-248-3 • Ano: 2016 • 396 páginas • R$ 104 • 16 x 23 cm • Brochura • ISBN: 978-858440-713-2 • Ano: 2016 • 528 páginas • R$ 130 • 16 x 23 cm • Brochura • ISBN: 978-853528-433-1 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 5

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SUMÁRIO revistamineracao.com.br Novembro . Dezembro de 2016 Edição 31 . Ano 6 24 Matéria de Capa Especialista denuncia a atividade ilegal de extração de areia no país 10 Entrevista Presidente do Simineral, José Fernando faz balanço do setor minerário no Pará 38 Cidades Minerárias Conheça Cristalina, em Goiás, uma das maiores reservas de quartzo do mundo 16 Mercado Investimento na Serra do Salitre visa suprir produção de fertilizantes no Brasil Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 13 Mercado 14 Desastre 16 Mercado 19 Política Mineral 20 Equipamentos 22 Política Mineral 24 Matéria de Capa 28 Ceamin 30 Surpreenda-se 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 32 Comunidade 36 Cetem 38 Cidades Minerárias 42 Produto Final 44 Equipamentos 46 Agenda 20 Equipamentos Os fora de estrada da Mercedes-Benz já contam com câmbio automatizado 14 Desastre Samarco aposta na cava Alegria Sul para 2017 22 Política Mineral Entenda a operação Timóteo 32 Comunidade Programa integra poder público, sociedade e mineradora

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ROMPENDO OS DESAFIOS DE 2016 EDITORIAL Apesar da crise que atingiu o Brasil nos últimos anos, sobretudo neste ano, afetando praticamente todos os setores da economia, inclusive o da mineração, temos notícias boas para findarmos mais um ciclo de trabalho com as perspectivas de um futuro mais próspero fortalecidas. Afinal, em janeiro, começa a operar em território brasileiro, no Estado do Pará, um audacioso projeto da Vale: o Complexo S11D Eliezer Batista, o maior de extração de minério de ferro da empresa e também da história da mineração no país. Com uma capacidade anual de produção de 90 milhões de toneladas, o complexo, entrando em plena atividade a partir de 2017, deverá impactar fortemente os mercados nacional e internacional. Portanto, trata-se de um marco na indústria minerária. Fonte rica de minério, o Estado do Pará nos revela também um exemplo de ação de cidadania capaz de transformar vidas. É o programa Territórios Sustentáveis, que promove o desenvolvimento de comunidades, como as dos municípios de Faro, Oriximiná e Terra Santa, e prepara a população dessas localidades para o momento da exaustão do setor minerário. Ainda sobre o Pará, uma entrevista com o presidente do Simineral (Sindicato das Indústrias Minerais do Estado), José Fernando Gomes, traz um balanço dos dez anos de atividades do sindicato e uma avaliação sobre a evolução da mineração no Estado. Em reportagem especial, a jornalista Sara Lira esmiuçou um rico estudo desenvolvido pelo agente da Polícia Federal Luís Fernando Ramadon, que denuncia a extração ilegal de areia no Brasil, atividade que, segundo ele, gera mais lucros do que o tráfico de drogas. Ele escancara o problema, revelando que, por conta da ação ilícita, União, Estados e municípios brasileiros deixaram de arrecadar até R$ 578 milhões da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) entre os anos de 2012 e 2015. O trabalho do agente federal é enriquecedor, uma vez que contribui para coibir esse tipo de ação ilegal, que não só atrasa a economia do país, como degrada seu meio ambiente. As próximas páginas desvendam cantinhos brasileiros com riquezas que muitos ainda desconhecem. É o caso da cidade de Cristalina, localizada no interior de Goiás. Dotado de um solo valioso, por conta da abundância do quartzo, o lugar segue na contramão do ritmo de desaceleração e instabilidade financeira, destacando-se pela pujança econômica, conforme destacou na matéria a repórter Bruna Nogueira. As perspectivas de crescimento estão presentes em muitos outros locais do país. Em Campinas, no Estado de São Paulo, por exemplo, há pouco mais de um mês, a Mercedes-Benz adaptou seus fora de estrada para o câmbio automatizado. A jornalista Sara Lira foi lá conferir o desempenho dos veículos com a novidade. Também contemplando esse e outros mercados, a ThyssenKrupp trouxe para as terras brasileiras, no segundo semestre, uma nova linha de britadores, cuja tecnologia oferece mais agilidade, reduzindo custos nos processos operacionais. Outra notícia relevante desta edição é a que mostra que o país começa a adentrar o fundo do mar para extrair granulados. Como a repórter Bruna Nogueira apurou na reportagem sobre o assunto, a exploração marinha pode fazer com o que o Francisco Stehling Neto Diretor de Relações Institucionais Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais “Folha de S. Paulo” e “O Globo”, além de 17 anos na editoria de política do “Estado de Minas”. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e superintendente de Comunica- ção Empresarial da Cemig. Brasil deixe de importar fertilizantes. Enfim, a despeito de todos os percalços que a retração econômica trouxe para empresários e investidores, o desafio de identificar e preencher lacunas importantes no segmento minerário foi alcançado como forma de superar o complexo cenário econômico que, infelizmente, instalou-se em nosso país. Agora, é torcer para que, no próximo ano, oportunidades de crescimento continuem sendo despertadas e que o mercado retome sua plenitude. Daniele Marzano (interina) Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 7

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PANORAMA Aender M. F. CSN INICIA TRABALHOS NA NOVA FÁBRICA EM ARCOS (MG) Após ter feito investimentos na ordem de R$ 1,6 bilhão, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou suas operações na nova fábrica de cimentos, localizada no município de Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O complexo tem capacidade anual de produção de 2,3 milhões de toneladas de cimento e de 9.300 toneladas de clínquer por dia, um tipo de subproduto na produção de cimento. Esse insumo passará a ser encaminhado para a unidade do grupo em Volta Redonda (RJ). Já a produção de cimentos em Arcos será prioritariamente destinada aos mercados mineiro e paulista. De acordo com a CSN, com a operação da planta, serão gerados 700 empregos diretos e 250 indiretos. Durante a construção da unidade, foram criados aproximadamente 3.500 postos de trabalho diretos e cerca de outros 5.000 indiretos. VALE VENDE RESTANTE DA MINERAÇÃO PARAGOMINAS A Vale anunciou em dezembro a conclusão da venda de sua participação restante de 13,63% na Mineração Paragominas S.A., no Pará, para a Norsk Hydro. De acordo com informações divulgadas pela empresa, a transação totalizou US$ 113 milhões e está relacionada à venda dos ativos de alumínio da Vale, anunciada em 28 de fevereiro de 2011. Segundo a própria empresa, a negociação é condizente com a estratégia da Vale de fortalecer seu balanço e focar ativos core. PAGAMENTO DE DÍVIDA FAZ ARRECADAÇÃO DA CFEM EM MINAS GERAIS CRESCER 39,3% O acidente com o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015, não prejudicou a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no âmbito estadual em 2016. De acordo com dados divulgados pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o recolhimento aumentou 39,9% no acumulado até outubro em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo informações do órgão, a arrecadação dos royalties da mineração somou R$ 742,5 milhões, contra R$ 532,9 milhões nos mesmos meses de 2015. A alta foi resultado do pagamento de uma dívida antiga da Vale com municípios mineradores mineiros, como Barão de Cocais, Belo Vale, Brumadinho, Nova Lima, Congonhas, Itabira, Itabirito, Ouro Preto, Rio Piracicaba e Santa Bárbara. As cidades de Catas Altas e Mariana foram as exceções. Com esse resultado, Minas permanece na primeira posição entre todos os Estados arrecadadores da CFEM no Brasil, com uma participação de 45,19% do total recolhido nos dez primeiros meses deste exercício, um montante de R$ 1,494 bilhão no país. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016

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VENDA DE PRODUTOS SIDERÚRGICOS AO MERCADO BRASILEIRO TEVE QUEDA DE 1,9% EM NOVEMBRO O Instituto Aço Brasil divulgou, na segunda quinzena de dezembro, o balanço do mercado siderúrgico para o mês de novembro, e os dados não são dos melhores. As vendas internas de toneladas de produtos siderúrgicos em novembro de 2016 foram de 1,3 milhão, uma queda de 1,9% em relação a novembro de 2015. No acumulado do período até o mesmo mês, o número ficou em 15,3 milhões de toneladas, o que representa uma diminuição de 10,4% frente ao mesmo período do ano anterior. Já a produção brasileira de aço bruto foi de 2,4 milhões de toneladas em novembro de 2016, o que significa uma queda de 4,8% quando comparada com o ocorrido no mesmo mês de 2015. Em relação aos laminados, a produção de 1,8 milhão de toneladas representa uma redução de 3,4% em novembro frente ao mesmo mês de 2015. Com esses resultados, a produção acumulada de aço bruto entre janeiro e novembro de 2016 ficou em 28,1 milhões de toneladas, e a de laminados, em 19,5 milhões de toneladas, no mesmo período. Os números mostram uma diminuição de, respectivamente, 8,9% e 7,7% sobre o mesmo período de 2015. SIBELCO INVESTE R$ 160 MILHÕES EM NOVA FÁBRICA NO BRASIL A empresa Sibelco, mineradora belga líder global no setor de multimineração, anunciou investimento de R$ 160 milhões em nova fábrica do Brasil. A planta, localizada na cidade de Jarinu, em São Paulo, será a terceira da empresa no país e ocupa uma área total de 255 mil metros quadrados, contando com 7.300 metros quadrados de área construída. O investimento está sendo feito com o apoio da agência de promoção de investimentos e exportação do governo do Estado de São Paulo, a Investe São Paulo. A empresa irá trabalhar com a produção de carbonatos de cálcio e terá como foco operações de moagem, secagem e preparação da base mineral líquida (slurry) para a indústria de tintas. A fábrica de Jarinu também irá abrigar o 27° Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa em todo o mundo, sendo resultado de um investimento da ordem de R$ 7 milhões. Sebastião Jacinto / Ibram IBRAM PREMIA EMPRESAS POR SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), por meio do Mineração - Programa Especial de Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, coordenado por Cláudia Pellegrinelli (foto) -, realizou, no dia 6 de dezembro, a cerimônia de entrega do prêmio Melhores Práticas em Saúde e Segurança do Trabalho. Na premiação, destacaram-se a Vale, a Anglo American e a AngloGold. A Vale foi a empresa mais contemplada, recebendo cinco prêmios, entre eles o de primeiro lugar em três categorias: Gestão de Emergências em Barragens de Rejeitos, Melhores Práticas em Altura na Mineração e Saúde Ocupacional - Gestão do Absenteísmo. A cerimônia ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, e teve como principal objetivo valorizar ações de destaque em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) desenvolvidas pelas mineradoras e por demais empresas ligadas ao setor em todo o Brasil. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 9

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ENTREVISTA José Fernando Gomes Júnior SiminDeirvaul l/gDaçivãuolg/aMçãRoE SIMINERAL: dez anos de história Em entrevista sobre o balanço das ações já realizadas pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Pará, o presidente da instituição, José Fernando Gomes Júnior, destaca a maior participação da sociedade e prevê um futuro promissor para a mineração no Estado Sara Lira 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016

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Prestes a completar dez anos, o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) faz um balanço, na voz de seu presidente, José Fernando Gomes Júnior, das atividades realizadas nesse período, do comportamento do mercado da mineração em tempos de crise e de suas expectativas para o futuro do setor, que ele vê como muito promissor. À frente da entidade desde 2014, José Fernando destaca o Plano 2030 como uma das ações de maior resultado já executadas pelo Simineral. Conforme ele detalha na entrevista, por meio do planejamento estratégico, estabeleceu-se um elo importante entre a mineração do Estado do Pará e a sociedade. Sobre o S11D, maior projeto de produção de minério de ferro da Vale atualmente no Brasil – inaugurado, em dezembro, na cidade de Canaã dos Carajás, no Pará (veja mais detalhes na matéria sobre a inauguração nesta edição) –, José Fernando tem perspectivas bastante positivas: ele acredita que o boom de sua produção vá acontecer entre 2018 e 2022, podendo ultrapassar Minas Gerais. O presidente da Simineral enfatiza que se trata de uma obra moderna e sustentável e que, quando entrar em operação, será um marco na mineração brasileira. Hoje em dia, de acordo com José Fernando, 85% da exportação no Pará é de minério, e o setor representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, gerando mais de 290 mil empregos diretos e indiretos. A estimativa é que, com a operação do S11D, outros 90 mil colaboradores sejam demandados até 2021. O investimento na planta, segundo ele, será de US$ 29,3 bilhões. Portanto, as expectativas de crescimentodosegmentoe,consequentemente, da economia do Estado Pará são as melhores possíveis. Quem é: José Fernando Gomes preside o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) desde 2014. Sua atuação profissional na área sindical da indústria é extensa, tendo ele já sido diretor de diversas instituições, como a Federação da Indústria do Pará (Fiepa) e o Centro das Indústrias do Pará (CIP), do qual foi vice-presidente. José Fernando também atuou como gerente regional de relações institucionais da Vale Pará/Maranhão. Ele é formado em gestão de negócios, pelo Centro Universitário do Pará (Cesupa), e pós-graduado em gestão de pessoas, pela mesma instituição. Mineração & Sustentabilidade: Em janeiro, o Simineral completará dez anos. Quais os destaques da atuação da entidade nesse período? José Fernando Gomes Júnior: Acho que o maior destaque nesse tempo é justamente o planejamento estratégico que fizemos até 2030, no qual colocamos um elo muito importante. A mineração no Pará sempre fez ações para mineradores e, quando assumimos, nós nos aproximamos da sociedade para mostrar o que a mineração faz. E a sociedade faz parte de tudo o que fazemos, sejam eventos, sejam feiras ou prêmios, sempre com o objetivo de construir um Estado melhor para todos. é realizada no Estado, você tem uma marca muito forte. Os municípios mineradores possuem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pará. Destacam-se também a contribuição das mineradoras, a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a formação e a capacitação de mão de obra local. Nas empresas filiadas ao Simineral, em média 80% da mão de obra é local. Além disso, as compras feitas pelas empresas instaladas no município movimentam a economia. Isso é uma contribuição muito forte do segmento minerário, que vem avançando a cada ano. M&S Quais as expectativas do Simineral para a próxima década? empregos diretos e indiretos e vamos precisar, até 2021, de mais 90 mil colaboradores. Além disso, estão previstos US$ 29,29 bilhões de investimentos até 2020. As perspectivas são as melhores possíveis, pois há várias empresas pequenas e grandes vindo se instalar aqui. O Estado tem um endividamento baixo, e isso atrai o investidor, que busca segurança jurídica. E eu costumo dizer que temos 37 anos de mineração, e Minas Gerais, mais de 350. Queremos aprender com Minas para construir um Pará cada vez melhor. M&S Há possibilidades de o Pará ultrapassar Minas Gerais em produção mineral nos próximos anos? M&S Como foi a evolução da mineração do Pará nos últimos anos? JF A mineração vem numa constante evolução no Brasil, mas, no Pará, o setor tem crescido muito em todos os quatro cantos. Onde a mineração JF Sou um otimista por excelência e com o pé no chão. O futuro é muito promissor, e os dados mostram os motivos: 85% da exportação no Pará é de minério. O setor representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Geramos mais de 290 mil JF Existe essa perspectiva forte com relação ao minério de ferro, mais precisamente entre 2018 e 2020. Mas isso dependerá do ajuste da planta do S11D. Podemos até passar na produção, mas, como disse, queremos sempre aprender com Minas. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 11

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Entrevista com José Fernando Gomes Júnior M&S O que esperar do S11D, inaugurado em dezembro? JF Para nós, o S11D é motivo de muito orgulho porque é tudo de mais moderno que está acontecendo no mundo no ramo de mineração. É um projeto sustentável, que prevê a reutilização da água. Com ele não se usa fora de estrada, o que pode gerar uma produção de 90 milhões de toneladas com alto teor de minério. Além disso, o S11D está abrindo um novo marco na mineração brasileira, que é o turismo mineral. É uma nova janela de oportunidade que se abre para quem quer explorar esse mercado. Na Floresta Nacional de Carajás, são 400 mil hectares de floresta preservada e só 2.500 usados para a mineração. Enfim, o S11D é motivo de muito orgulho para o Pará, por toda sua tecnologia, pelo desenvolvimento de Canaã dos Carajás e por toda a contribuição de impostos para nosso Estado e também para o Brasil. M&S Qual o impacto desse projeto para o Estado, na visão do Simineral, em relação a este período de crise? JF O S11D vem para revolucionar tudo que já se viu de mineração de ferro no mundo. Estamos trabalhando fortemente para que as empresas que passarem por este momento voltem mais fortes. Tivemos um boom do superciclo e, agora, voltamos para a normalidade dos preços. Quem fez o dever de casa, reduziu custos e ajustou a empresa já está colhendo os frutos e vai colher muito mais. M&S Como aproveitar todas essas expansões sem se esquecer da sustentabilidade? JF As empresas que não tiverem em seu DNA a sustentabilidade e o meio ambiente estarão fora do mercado mundial. As empresas filiadas ao Simineral têm respeito ao meio ambiente e às comunidades locais. As pessoas que compram minério do Pará em outros países já começam a analisar a produção industrial da planta, se a produção se deu de forma sustentável, se houve um bom relacionamento com as comunidades locais e respeito ao trabalhador. Temos este diferencial, que é o respeito à Amazônia. O mercado está excluindo as empresas que não respeitam essas questões. M&S O Plano 2030 do Pará chama a atenção para uma exploração sustentável, melhorando a relação empresa x Estado x sociedade. Os primeiros passos já foram dados? JF Um governo planejado é tudo o que a sociedade pode querer. E nosso planejamento não foi fechado, mas, Simineral / Divulgação sim, elaborado com a ajuda da sociedade civil, dos sindicatos, dos trabalhadores. Para seu desenvolvimento, foram discutidos a formação e o planejamento do Pará até 2030. Com isso, a evolução de todas as cadeias ficou bem clara no plano, permitindo que as empresas ligadas ao Simineral tenham cota de minério para se instalar aqui. Nós temos matéria-prima, e o governo dá incentivos para que as empresas venham para o Estado e a utilizem. Nosso plano já se tornou mais do que uma realidade, pois vem atraindo várias empresas dos mais variados setores, como dendê, chocolate e açaí, além da própria mineração. M&S Sobre o Novo Marco da Mineração, quais as expectativas do Simineral? JF Concentramos toda essa discussão no Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) a fim de que alguns Estados não fiquem isolados. Dentro do Ibram há um comitê para tratar especificamente dessa questão, pois o órgão abrange o país inteiro, e ele tem conduzido isso de uma boa forma. M&S Como a crise tem afetado a mineração paraense? JF Qualquer crise preocupa. Devido a uma gestão séria, neste ano o Pará não ficou com as contas no negativo. E isso motiva outros setores. Como eu disse, quem fez o dever de casa, com esse olhar para frente, vai sair bem melhor desta fase. M&S O novo governo parece disposto a dar um novo “gás” ao programa de concessões em infraestrutura. O senhor acredita que, desta vez, haverá um êxito maior na proposta? 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 JF Eu confio muito nesse programa porque é o que vai proporcionar desenvolvimento para o Estado, com a geração de empregos de modo rápido. O uso de matéria-prima causa uma geração direta de emprego. Com isso, a economia se movimenta. E precisamos fazer a economia rodar no país. Dando certo isso, todos vão ganhar: país, sociedade e empresas. É um excelente início.

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Inauguração MERCADO Eny Miranda O GIGANTE ENTRA EM OPERAÇÃO Maior projeto de extração de minério de ferro da Vale e da indústria da mineração, o Complexo S11D Eliezer Batista, no Pará, é inaugurado com capacidade anual de produção de 90 milhões de toneladas Sara Lira Entra em operação comercial no mês de janeiro o maior projeto de extração de minério de ferro na história da mineração, segundo a Vale: o Complexo S11D Eliezer Batista. A obra foi inaugurada, em uma cerimônia especial, no dia 17 de dezembro, na usina localizada no município de Canaã dos Carajás, no Pará. O evento contou com a presença do diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira, do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, de autoridades do Estado, além de executivos da mineração. O projeto tem capacidade anual de produção de 90 milhões de toneladas, devendo impactar os mercados nacional e internacional. Portanto, a inauguração representa um marco na indústria minerária, mesmo no cenário atual, conforme pontuou Ferreira. “Tínhamos o desafio de implantar um dos maiores projetos de mineração do mundo mesmo diante de incertezas. Enfrentamos os altos e baixos do mercado e a volatilidade do preço para levar em diante o S11D com uma inabalável confiança na recuperação e no crescimento da economia”, declarou na inauguração. O ministro de Minas e Energia esteve no local representando o presidente Michel Temer (PMDB). Para ele, o projeto vai contribuir para a reestruturação do Brasil diante do atual momento econômico. “Empresas como a Vale, que acreditam em nosso país, mostram que o futuro há de ser muito melhor”, destacou Fernando Bezerra. A solenidade foi encerrada com o acionamento de um botão (foto) inaugurando, oficialmente, o Complexo S11D. O nome do espaço faz homenagem a Eliezer Batista, engenheiro e presidente da Vale por duas vezes. Ele é pai do empresário Eike Batista. INOVAÇÃO O complexo reúne inovações tecnológicas que, ao mesmo tempo, oferecem sustentabilidade ao projeto e beneficiam a produtividade da mina. Um dos diferenciais é a utilização do sistema tru- ckless, que substitui os tradicionais caminhões fora de estrada por correias transportadoras, gerando uma redução de cerca de 70% do consumo de diesel. O beneficiamento promovido é a umidade natural, diminuindo o gasto de água e dispensando o uso de barragens de rejeitos. “Para além de um empreendimento que agrega tecnologia de ponta, baixo custo e alta produtividade, o S11D expressa a capacidade de realizar de nossa empresa”, ressatou Murilo Ferreira. HISTÓRICO DA OBRA No ano de 2001, foram feitos os primeiros estudos de capacidade técnica e de viabilidade econômica na região onde hoje está o complexo. A Licença Prévia (LP) foi emitida em junho de 2012, e, um ano depois, saiu a Licença de Instalação (LI). Em dezembro de 2016, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a Licença de Operação (LO), válida por dez anos, podendo ser renovada. Foram investidos US$ 14,3 bilhões nas obras do complexo O minério da região apresenta teores de 66,7% de ferro A vida útil da mina do S11D está estimada em 30 anos Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 13

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DESASTRE Cava de rejeitos Léo Drumond / Nitro / Samarco ALEGRIA SUL ESPERANÇA DA SAMARCO PARA 2017 Estrutura para receber rejeitos, localizada em Ouro Preto, está com processo de licenciamento avançado, mas ainda depende da liberação do Complexo de Germano Sara Lira Após 13 meses de inatividade, a Samarco espera retornar com as operações ainda em 2017. Parada desde o rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, uma das maiores tragédias ambientais do país, que causou a morte de 19 pessoas, a empresa continua na busca pelas licenças ambientais para retomar os trabalhos. As apostas da mineradora estão na utilização da cava de Alegria Sul, localizada no município de Ouro Preto, em Minas Gerais, para a disposição de rejeitos do Complexo Industrial Germano-Alegria, que abrange Mariana, no retorno das operações, com 60% da capacidade produtiva. De acordo com informações divulgadas pela empresa, o uso da cava foi aprovado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em nota técnica emitida pelo órgão em 21 de novembro de 2016. A justificativa do departamento é que a forma de disposição do espaço na cava apresenta mais segurança em com- 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 Cava de Alegria Sul é a grande aposta da Samarco para retomar operações com 60% da capacidade produtiva em 2017

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Jefferson Almeida paração com a barragem, já que a primeira permite o confinamento do rejeitos. Além de utilizar uma cavidade já existente, a estrutura contará com um dique de 10 metros de altura feito em solo compactado, oferecendo uma capacidade total de armazenamento de 17 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o que irá garantir um horizonte de cerca de dois anos para as operações da Samarco. Enquanto isso, a empresa pretende intensificar análises em busca de alternativas para médio e longo prazos. As opções contemplam estruturas disponíveis e já ambientalmente impactadas na região do Complexo de Germano, bem como novas tecnologias de tratamento dos rejeitos. DEBATE A utilização da cava de Alegria Sul foi debatida em audiência pública nos municípios de Mariana e Ouro Preto em dezembro. Na ocasião, representantes da Samarco explicaram o plano para moradores das duas cidades e trataram da retomada das atividades. Por meio de nota, o promotor de Justiça Guilherme de Sá Meneghini, da 2ª Promotoria de Justiça de Mariana, comentou a importância de abordar com a população as próximas fases, bem como os trâmites para a obtenção de nova licença. “A regularidade do licenciamento, além de requisito legal, é meio de se evitarem novas tragédias, sendo benéfica ao meio ambiente, à proteção dos direitos humanos e ao próprio desenvolvimento econômico”, afirmou no texto. Além de representantes da empresa e dos moradores, participaram do encontro integrantes do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (Fonasc), da Prefeitura de Mariana, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e da empresa responsável pelo estudo de impacto ambiental. TRÂMITES De acordo com informações divulgadas pela Semad, a utilização da cava de Alegria Sul depende da liberação da licença de operação do Complexo de Germano. Mas, além dela, a empresa dependerá também da Licença Operacional Corretiva (LOC), que irá reunir todas as estruturas existentes no Complexo de Germano. A LOC foi solicitada pela Semad para assegurar a viabilidade ambiental do empreendimento. Segundo a pasta, não há previsão para a liberação do documento, já que seu termo de referência, que vai nortear o estudo de impacto ambiental da área, ainda está sendo elaborado. Já o relativo à cava segue em análise pelos técnicos da Semad e, após a emissão de um parecer técnico, ele será analisado pelo Conselho de Política Ambiental (Copam). PREJUÍZOS Conforme a Samarco informou, atualmente o Complexo de Germano comporta reservas de 2,86 bilhões de toneladas de minério. O volume e a infraestrutura de transporte de três minerodutos mais as quatro usinas pelotizadoras no Espírito Santo garantiriam à mineradora condições de continuar operando com competitividade no mercado internacional. Com a paralisação dos trabalhos desde novembro de 2015, a empresa calcula uma perda de R$ 4,4 bilhões de faturamento direto e indireto na cadeia de produção da companhia em 2017 – valor correspondente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2016 15

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