Confrades da Poesia83

 

Embed or link this publication

Description

Poesia Lusófona

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 83 | Maio / Junho 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» Neste ano 2017 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9, 10 / Confrades: 11,12,13,14,15,16 / Tribuna do Vate: 17 / Cantinho Poético: 18 / Trovador: 19 / Ponto Final: 20 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 17 Confira Edição Especial Nr 84 Nesta edição colaboraram 83 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Mário Pão-Mole | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

[close]

p. 2

2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «A Voz do Poeta» Que pena, amor! Poetizando Prosaica, a tua forma de me olhares Não mais te reconheço a elevação Que sempre admirei quando ao fitares Teus olhos eram prece em oração. Que se passa contigo, que te ocorre Que o teu desprezo já nem o disfarças? Que esperas nas ameias dessa torre Que tu cercaste das mais duras sarças? Não sei qual possa ser causa maior Desse desassossego em que te moves Nem onde vais buscar tanto rancor. Chamo-te ainda mas já não me ouves E tenho pena que este nosso amor Soçobre a pesos que tu não removes. Eugénio de Sá - Sintra Poetizando podes construir sentimentos, Ser equilibrista artista, Prisioneiro de ninguém Nem da nada, Estares no boiar das nuvens, Abraçares-te a ti mesmo. Saudade tece e embala, poetizando Ausência e silêncio, Verdadeiros fantasmas Saídos de sonhos e utopias. Poetizando, no silêncio do camarim, O ator recupera sua dor E a velha atriz Redescobre antiga cicatriz. Nem sempre são só suas As frias lágrimas que choram. João Coelho dos Santos - Lisboa SAUDADES Eu tive saudades daquela manhã, dos olhos afáveis olhando pra mim, da pele das mãos exibindo o cetim, da boca rosada com ar de pagã, dos passos na areia levando a mais sã promessa, no peito, sem grande motim. Somente o silêncio clamava, em festim, o encontro dos dois, em vislumbre de afã. Por isso, fui ver, novamente, o secreto lugar do refúgio, pintado de afeto, agora, por ondas, virado ao contrário. Olhei a saudade e cobri-a de mimos. Tirei-lhe a presença das algas e limos e vi nosso abraço, na rocha, em sacrário. ILUSÃO CEGA Nesta grande ilusão em que vivemos Uma vida agitada e sem vagar, Para dar atenção e reparar, Um pouco pelos filhos que nós temos. Enquanto sem pensar nos esquecemos, Que precisam de nós para os guiar, E sem o amor que temos p’ra lhes dar, Ficam abandonados,...E o que vemos? Juventude sozinha e perdida, Sem saber encontra-se para a vida, Sem rumo cai na lama onde se afoga. Há cada vez mais jovens a morrer, Porque nada se faz p’ros defender, Das redes que os arrastam para a droga. Glória Marreiros - Portimão Isidoro Cavaco - Loulé Luta contra o cancro Em cruzada mundial Lutamos em todo o mundo Contra o cancro, o grande mal Que o está a deixar moribundo. Numa constante ameaça É na vida atrocidade Sem distinguir cor ou raça Mata em qualquer idade. Espalha entre nós o medo Mais do que a guerra, é terror Pode vir como um torpedo Com garras de predador. Enquanto não houver cura Nosso lema é a labuta Numa empenhada procura Continuarmos a LUTA !... Euclides Cavaco - Canadá CABELO LOURO Se um longo e louro cabelo Coubesse na minha mão, Eu não sabia escrevê-lo Sob tamanha tensão, Pois meus olhos, só de vê-lo, Brilham de pura ilusão. Não há palavra que diga O valor que tem o ouro, Nem há letra de cantiga Que faça lembrar tesouro Na alma de rapariga, Que tem o cabelo louro. Sedoso, puxado ou solto, Se a dançar recebe o vento, Faz lembrar o mar revolto Ou as ondas dum tormento, Mas cobre o meu corpo, envolto Em asas do pensamento. Tito Olívio - Faro Amora hospitaleira. Ser terra hospitaleira Banhada p’lo rio Judeu Canoagem a primeira E com poesia ascendeu Basta-me Hoje, não preciso de mar, nem barco Basta-me um trapicho jogado sobre a água Como aquele à beira do lago, E todas as minhas lembranças! Coerência. Filo defesa da Palavra Pela consciência luzente Numa vida rural se lavra Raiz! De carácter coerente Pinhal Dias - PT Anna Paes – Brasília / BR Lahnip – Amora PT

[close]

p. 3

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Ecos Poéticos» 3 POEMA SOBRE O CURSO DA VIDA PARA VER SE BEM APRENDO TODA A LIÇÃO MINISTRADA QUE NOS JORNAIS VOU LENDO O FIM DA POLÍTICA FALHADA. Estudo na escola da vida Onde estou matriculado Sempre a ela dedicado Com a matéria sabida No desempenho da lida Que vou compreendendo Cada vez mais sofrendo Estou sempre à escuta Por saber que a vida é curta Para ver se bem aprendo. Com bons explicadores Que têm boa memória E que fizeram história Com o valor da humildade O respeito pela verdade Com valor da palavra dada Como a sentença lavrada A vida bem compreendo É assim que mais aprendo Toda a lição ministrada. Pronto para aprender Na escola muito dedicado Como em tudo abnegado Já assim era em Penilhos Nunca arranjava sarilhos Mas à miséria não me rendo Do trabalho honesto vivendo Sem invejar os milhões Como fazem os sabichões Que nos jornais vou lendo. Muitos anos de formação Sem o meu curso acabar Mas não o vou abandonar Sem receber a carta escrita Dos vivos me tira da lista Acaba assim a trapalhada De uma vida subjugada Que julguei compreender Para melhor ficar a saber O fim da política falhada. Deodato António Paias – Lagoa Já gostei de trabalhar, Ao conseguir algum bem; Agora prefiro o descanso, Que não faz mal a ninguém! Arménio Domingues – Melgaço Um país para ter fartura Um país para ter fartura E o seu povo não viver mal Tem que ter agricultura E um bom sector industrial O país que sabe aproveitar Os seus recursos naturais Pode sempre crescer mais Sem o país se endividar Todos nós podemos ficar Com economia sã e pura Sem cair na aventura De um dia andar para trás É com um governo capaz Um país para ter fartura Os países que têm mar As pescas é uma riqueza Para ter comida na mesa E não ter que a importar Os pescadores vão pescar Ganham a sua vida normal Com o seu esforço natural Levam o barco para a frente Dão trabalho a muita gente E o seu povo não vive mal Não temos que ser doutores Para termos esta visão Só pode haver produção Onde há bons produtores Só com bons agricultores Temos economia segura Numa sociedade futura Sermos nós a produzir O que vamos consumir Tem que ter agricultura Nós sabemos que é riqueza A terra o mar e a sabedoria Porque a inteligência é cria Um mundo de amor e beleza Sabemos e temos a certeza Onde não há forças do mal Temos o que é essencial Para um país desenvolvido É ter o seu povo instruído E um bom sector industrial Manuel Martins Nobre Paivas Amora Seixal Retrato do Tempo Vão passando os nossos dias Entre calmas e euforias Desta vida que vivemos Que é feita de conjecturas De alegrias e de agruras Que às vezes não entendemos. Formulamos sempre planos P'ròs dias meses e anos Ai quantas vezes falhados Depois de persuadidos Ficamos desiludidos Quando eles são malogrados. O tempo corre e avança Sem parar para mudança Deixando dele os espelhos Com o seu fugaz poder Vemos o tempo correr Ficando sempre mais velhos. Somos do tempo produto Que é supremo e absoluto Com seu constante aparato Vai medindo a nossa idade Deixando em realidade Do tempo em nós o retrato !... Euclides Cavaco - Canadá Reflexão Quando duas almas se cruzam O rio da via corre... Oração!... Quando dois corpos se enrolam O rio da vida explode... Não, não há dualidade... Não creio Somos pura energia Deus é o canal Orquestra luz. Energia plena para uns Parcial para outros Completude nos assusta Expulsos do Paraíso. Quebrada a inocência Deus Se afastou O canal aberto Quantos caminhos para Ele. Edson Gonçalves Ferreira Divinópolis, Brasil

[close]

p. 4

4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» AS MÃES A alegria, quando se vê a Geração feita ser melhor, o aplauso contido dentro do pensamento lacrimejante e contente, misturado com a vontade de o abraço ser eterno, não desistente, faz com que a gente de antes, embale um sorriso guardado e seja atingido por uma seta de Felicidade disparada pela geração gerada, que durante o caminhar ao longo da sua emancipação, fácil na autorização, difícil na surpresa, se depara com uma montanha que se tem de ultrapassar. E a mesa continua lembrada com a família sentada, contente e zangada como deve ser sempre assim desejada, e na estrada percorrida, as cadeiras não existem, e a caminhada continua sofrida, e é feita enfim. As Mães têm muita responsabilidades nisso, fazer que o que se tem de fazer é mesmo para só parar depois de vencer. As Mães têm sempre razão, desde a sopa à conquista, custa, mas Elas não querem naufrágios. As Mães são a Luz que não há nas velas, são o brilho que não se gasta, são o atilho que não se desata, são o melhor que pode ter o Universo. E disfarçam sempre a sua preciosidade, e os pais, como não chegam à sua Majestade, reclamam com Elas, desde a mais tenra idade. Mas à Mãe não lhe interessa nada disso, quer é sorrir sem ninguém reparar e depois chorar devagarinho de contentamento quando vê os Filhos e Filhas vencer o Sol e Vento. A MÃE, não tem monumento, que se possa fazer da sua altura. A Mãe tem colo, tem ternura que ao longo do tempo que se fez para gastar, além de nuclear, é sempre infinita no Amor que tem para dar. AS Mães são como só Elas sabem ser. Digo eu, filho e pai. José Jacinto.”Django” - Casal do Marco Com versos e rimas Eu sou o que sou… nem sempre o que quis… Umas vezes pauta e outras… canção! Uns dizem ser sina e outros condão Ser o réu de mim e também juiz Já dei e pedi a muitos a mão… Em ciúme e amor eu já me desfiz… Mas fui resistindo e já me refiz Sentindo o sabor do termo…perdão! Já me acusaram de achaques senis Facto que até, por sinal, relevei… Passivo, porém, jamais ficarei Caso me suba a mostarda ao nariz Em álcool jamais a dor afoguei Pois se ela me dói é só na poesia, Quer seja a que faça ou leia, diria Consolo, só nela eu buscarei! Se rezar soubesse a Deus pediria Aquilo que mais estou precisando Mas como não sei, me vou agarrando Ao que a vida me dá… a cada dia! Com versos e rimas eu vou brincando Me achando poeta por breves momentos… Visto-me e dispo-me de sentimentos E enquanto estou nu me vejo voando Esqueço arrepios e sigo planando Lambendo aventura, sorvendo o espaço… Estrofe a estrofe beijo e abraço Letras que vou no papel desenhando A elas me dou, com elas me enlaço Com elas vou o papel emprenhando E se adormeço… eu fico sonhando Ser cada poema um filho que faço Abgalvão - Sesimbra OLHAR MOURO Ah mar profundo, pode ser bem duro navegar-te, se Eolo se enfurece Assim me afundo noutro azul escuro De um olhar mouro que jamais se esquece! Eugénio de Sá - Sintra

[close]

p. 5

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 Poema sobre a Natalidade DE UM PROVÉRBIO ÁRABE Há menos nascimentos Ultimamente em Portugal Culpa da crise e dos tempos Até nisso têm medo afinal. Aquele que não sabe, e que não sabe que nada sabe, mas vive a fingir, é um pobre tolo, e por mais que se gabe às suas falas tu deves fugir. Continuam a diminuir Comparado com o passado Muitos casais a desistir Do que tinham planeado. Aquele que não sabe, porém sabe que nada sabe, mas di-lo a sorrir, esse é humilde, e um dever a ti cabe: com ele o teu saber vai repartir. Consta no rasteio neonatal Como teste do pé conhecido É um rasteio nacional Desde há anos desenvolvido. Uma amostra de sangue Do pé da criança recolhido Será o primeiro exame Feito ao nosso renascido. A diminuição da natalidade Nota-se de ano para ano Esta a grande verdade Não fazer filhos, um engano. Sete mil foram a diferença Uma diminuição acentuada Casais perderam a esperança Nesta política abandalhada. Mas esta grande diminuição Nada se deve á mortalidade Ocupamos a terceira posição Esta uma grande realidade. Deodato António Paias - Lagoa Mas o que sabe e não sabe que sabe, está dormindo. Acorda-o! Quem sabe, tem mais de sábio que um sábio alfarrábio? E segue sempre, até que a vida acabe, a voz do sábio, porque só é sábio todo o que sabe mas sabe que sabe! Humberto Rodrigues Neto SP/BR HOJE MATEI MEU POEMA Na força da minha razão Nasce a vigília de um tema Saído do coração Na ilusão de qualquer lema E feliz lá fui então Caindo no mesmo esquema Ponho a caneta na mão E vou escrevendo o poema Porém, com a mesma paixão Em pleno rio se rema Foi nesse sonho que então Hoje matei meu poema. Mário Matta e Silva - Benfica A BÊNÇÃO MAIOR És o sol nascente a raiar sobre meu ser, Cada novo dia da minha longa vida! Na minha noite, a terna lua querida, A bênção maior que jamais quero perder. Conheci-te na primavera do meu viver, Essa era tão amada, sem dor ou lida! Foi então que naquela terra mais sentida Te encontrei- mulher/flor- bênção do meu ser. Fui tão feliz, meu Amor, minha água viva, Que ainda hoje e por muito que eu viva... Te hei de recordar como a mulher mais qu’rida! De novo ver-te! Dizer-te como te amo! Que a cada instante, longe por ti chamo, Que és, ainda hoje, luz na minha vida. Este espírito do saber, É mais do que só conhecer. É a perícia de viver O que andámos a aprender. É grande capacidade De praticar a verdade. É mostra de idoneidade; É prova de integridade. CMO – Qtª do Conde JGRBranquinho - “Zé do Monte” A CATEDRAL DO MEU MARTÍRIO Aqui, na Catedral do meu martírio, Sofro em silêncio fingindo alegria, Afago as pétalas do roxo lírio, Inventado por mim em cada dia. Apago os castiçais da solidão, Que me impõe beijos a cada momento, Seu hálito gela-me o coração, A minha vida? É puro lamento! Aqui, dia e noite sou imolado, No altar do ciúme e da chantagem, Sem prazer, faço amor contrariado, Desfaleço, invento uma miragem. Mentalmente relembro o meu passado, Venturas, desventuras desventradas, Agora, aqui estou eu engaiolado, Nesta gaiola de portas douradas. Acordo de noite em sobressalto, Ruídos estranhos, fico com medo, Oiço as corujas piando no alto, Da catedral deste meu degredo. Pelas escadarias desço até à cave, Fria, estática, a solidão impera, Há tantas portas e nenhuma chave, Como vou voltar a ser quem eu era? Liberdade, meu amor, onde estás? Rasga a solidão, vem-me libertar! Pelos campos em flor me levarás, Quero de novo aprender a cantar. Recuso os contornos dos pedestais, Da masmorra imposta pela chantagem, Rasguem-se as portas, quebrem-se os vitrais, Haja o que houver, eu sigo viagem. Telmo Montenegro - Seixal In: À Esquina do Tempo Edição: Chiado Editora Pára-quedistas de Portugal Que nunca por vencidos se conheçam, Estes bravos heróis de Portugal. Quando as suas bravuras começam, Nada tem haver com o emocional. Jorge Vicente - Friburgo

[close]

p. 6

6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» Coexistência Sofre este ser humano e imperfeito Com três tiranas que o trazem contrafeito; Nele mandam Vontade, Mente e Emoção E nenhuma delas lhe quer obedecer Se uma o incita a um bem-querer Logo as demais lhe moem a razão! Não penses; faz! - Grita-lhe a Vontade e o nosso pobre Ser como não há-de pôr a cabeça à roda a um qualquer? E nisto entra a Mente muito séria para acabar de vez com a pilhéria Pois já se vê: pensar é o que quer! Mas isto da Emoção é fundamento pra que o agir se porte como o vento E nos faça de novo voar o coração Pois que sem ela nada vale a pena A Vontade se afrouxa, e é pequena E a Mente cede e acaba a abrir mão. Eugénio de Sá - Sintra Natureza flui com admirações Pintar Pintar é fazer do pincel O elo de ligação Entre o sentir do artista E a perícia da mão Pintar é pôr a descoberto As sensações, as paixões Que lhe percorrem a alma Em momentos de ilusões Pintar é dar cheiro e cor Àquilo a que se dá vida A campos que estão em flor Ou mesmo em terra despida. Catarina Malanho Semedo Amora A PERDIDA Sinto-me perdida neste meu mundo, Não consigo decifrar meu existir, Ando as tontas a tatear a fundo, E nem sequer me advêm um porvir. Lembranças repletas de incertezas! entrelaçam os maus e bons momentos, Em meu intimo moram asperezas.... que teimam em sustentar os lamentos. Minha alma paira indecisa e vaga... vai ao encontro de qualquer cismar, Buscando talvez uma hora maga. Impossível este encontro cego, Dificilmente encontramos o amar, Só momentos de quimeras e apego. Ângela Maria Crespo – Santos/BR AMIZADE, NÃO FINGE NEM MENTE Natureza - um livro de emoções A terra tremida e arrefecida E com mar de muitas ondulações Fluem sonhos de vida enriquecida Natureza retratada que aflui Paisagem de tela define o autor Do óleo ao acrílico dilui… Pinceladas luzentes d’um pintor Natureza - musa contemplativa Faz do poeta, a voz apelativa Com sonhos fluídos de emoções Quando a ciência bate no fundo Há que a levantar d’um filo profundo Natureza flui com admirações… Nada há de mais nobre do que ter e manter uma amizade, que de perdurar irá perdurar por todo o sempre – uma vontade que tem querer maior que um querer-bem, a se mostrar. Nunca, numa amizade, a verdade poderá reverter para outra cosa qualquer - com certeza invulgar senão para aquilo que nasceu e aprendeu a crescer ao se ajuntarem duas pessoas, ambas a se ladear. Se houver, dos dois um que faça jura, a mentir seu fado sempre será a pesada consciência o que fará dessa pessoa como que um vidro a se partir Quando, perante outro alguém, se puser a sorrir. É que o que um disser ao outro é permanência a durar, quando um dia a amizade se ajuntou a se unir. Pinhal Dias (Lahnip) PT Jorge Humberto – P.Stª Iria Azoia VER E OLHAR Embora ver e olhar se possam completar, são maneiras que diferem substancialmente. Ver está associado à capacidade fisiológica da visão. Olhar à capacidade sensitiva, emotiva e social. Ver algo pode ser fortuito, rápido e desatento. Ver é ter o objectivo de se estar informado, sem contudo ter-se a intenção de reter a existência do que se relanceia. Olhar é algo reflexivo, vagaroso, profundo… Requer contemplação, subjetividade… No olhar há como que um envolvimento emocional, afetivo… uma introspeção com aquilo que rodeia. Quando se olha alguém ou alguma coisa deve fazer-se com os olhos da alma. Despindo, previamente, quaisquer análises, para que se possa captar todo o magnetismo que existe no que não está evidente nem no que é perceptível. Filomena Gomes Camacho - Londres

[close]

p. 7

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 7 CONTRIÇÃO Vejo o mundo renegar o infinito Vejo seres mergulharem no abismo Vejo o bem que existia, ora é maldito Vejo almas moribundas sucumbindo. Vejo a luz a cada instante mais escura. E que os humanos já não são como eram antes Vejo que cada um cava a sua sepultura. E que de Deus estão cada vez mais distantes. Vejo a humanidade em constante frenesim Vejo o mundo todo inteiro em confusão Como nunca em toda vida fora assim. Vejo sinais dos tempos, já sem terem solução E que o mundo se prepara para o fim. Convidando o ser humano à contrição!... Euclides Cavaco - Canadá O BICHO O vidro da marquise denuncia Um bicho feio, olhando para mim, Na luz fraquinha do nascer do dia… Eu nunca vi um ser tão feio assim!! Desgrenhado, com olhos de anteontem E rugas no focinho macilento, Um olho olhando o hoje, outro o ontem, Os dois olham p’ra mim, por um momento. Aproximei-me dele, fez-me frente!... Então, uma luzinha se acendeu: Eu preciso de um banho, urgentemente, O que vi no reflexo… era eu!!! Carlos Fragata - Sesimbra Orquestra Com minhas singelas palavras Do coração brotadas Tento orquestrar minha vida Afinando as cordas do amor. Edson G Ferreira – Divinópolis / BR Folha seca Durante anos fui folha seca que o vento afastou para longe embatendo em muitas paragens forçadas. Fui perca e ganho principio e fim cantar e amar navegando em mim. Venho do sul do meu povo e trago os ventos roubados à natureza onde vivem os camponeses cansados. Hoje, contigo sinto-me estrada onde tu caminhas sem atalhos onde as manhãs são auroras num percurso sem horas marcadas. A beleza do rio do meu canto a mulher do meu colo a beleza do teu olhar a doçura da tua pele no teu corpo escultural fazem de mim um anjo sem asas. Já não sou folha seca que cai no Outono sou a Primavera onde já repouso descansado onde o vento já não me afasta para longe de ti, amor! Joaquim M. Alhinho - Qtª do Conde Reflexos de sua vida. Carregamos ilusões do passado Aos tempos de hoje que nos assiste Manto que nos cobre o antepassado P’la noite fora o sonho resiste… Horizonte vistoso de paisagens P’lo infinito de quem sabe amar Flui o acrescentar de outras paragens, Mui histórias ficam por contar Gozo de vida, com mais soluções E no Seol, sem mais recordações Ressurreição! É vida prometida! Flui Palavra de Vida de mil fontes Neste quadrante de seus horizontes Prospera nos reflexos de sua vida. Pinhal Dias (Lahnip) PT SETE PALAVRAS Visito, as setes colinas Desta tão bela Lisboa E ao virar das esquinas Já nem um pregão ecoa Sete, as notas musicais Para cantar a saudade Pulo sete, ou talvez mais Os muros desta cidade Conto os dias da semana São sete, que desacato Com toda a força humana Os sete nós, eu desato Não esquecemos a Lagoa Essa das sete cidades C' uma história que magoa E nos enche de saudades Composição ou dilema Registo de sentimentos Fica completo o tema Com sete rosas-dos-ventos. Maria de Lurdes Brás Almada ALZHEIMER. Dá para pensar Como seria Se eu um dia Fosse a passar, E sem me lembrar Por onde voltar O que faria? Se me atrevia A perguntar Onde eu estava, Ou se esperava Se alguém me levava Para o meu destino, Porque eu sozinho Já não me atrevia A pensar onde ia. Mário Pão-Mole Sesimbra

[close]

p. 8

8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» ENCONTRO COM DEUS! Muitas vezes, a ânsia de auto-afirmação faz com que nos enganemos, incutindo na mente sentimentos nocivos... Em cada passar de horas se esvai também o nosso eu, sobre todos os "eus" passados... Mas, é no silêncio da madrugada, que nos chega uma voz, silenciada. É o encontro com Deus! A presença dEle nos faz sentir, acreditar e admitir, que Ela será de utilidade para um novo amanhecer... Então, navego e converso com Ele que está em todas as coisas... No verso de conforto, na melodia pacificadora, na paisagem relaxante, na lembrança sem remorso, na espera sem medo, na doação sem análise e no receber sem orgulho... A mente divaga em cenas agradáveis e o tempo se recicla nos jogos do inconsciente. Então o Amor chega na forma mais pura... e assim nos encontramos com Deus!!! Muito Obrigado Senhor Nesta jornada da vida Peço a Tua direcção, Pois só em Ti eu Confio De todo o meu coração. Quero andar sempre Teu lado, Nesta sinuosa estrada; Pois quando espreita o pecado, Me tiras da encruzilhada. Me levas p'ra verdes pastos, Pois Tu és o meu Pastor; Refrigeras a minh'alma, Me inundas com o Teu amor. Muito obrigado Senhor. Anabela Dias - Amora Um SORRISO genuíno Inspira a paz e a calma É como um dom Divino Que ilumina a nossa alma !... Euclides Cavaco - Canadá O QUE É A VIDA Mote A vida é uma viagem É Deus quem dá o ingresso, A morte of’rece a passagem, Espera o nosso regresso! Quadra de A. Mendes Glosada por: A.M. Glosa Alguns entram neste mundo Apreciando a paisagem. Esquecendo que no fundo, A vida é uma viagem! Seja curta, ou longo curso, Seja fracasso, ou sucesso. P’ra iniciar o percurso, É Deus quem dá o ingresso. Começa nesse momento A decrescente contagem. Vem a dor, o sofrimento, A morte of’rece a passagem! A viagem terminou. Entramos em retrocesso. A terra que nos criou, Espera o nosso regresso. Alfredo Santos Mendes - Lagos ZzCouto - Niterói /Br ENIGMA A cada novo sol eu peregrino. Entre agonias de estendidas mãos Me prendo ao ninho. Ah, graveto fino! Não tenho asas... Sou jogada ao chão! Que tormento: o que o tempo quer de mim? A noite obra... Me desassossega! Faz tranças de silêncios sem ter fim. Ó vida sou pra ti mais uma entrega! Noite, abre tuas mãos! Surgem estrelas!... O mar vai se acalmando sonolento Ao vê-las refletidas... Sonha tê-las! Que belo!... Mas caminho rumo à foz, Onde o sopro de Deus amansa os ventos, De um eterno ir e vir... Rogai por nós! Eliane Triska – Canoas/RGS/BR ABRIGO NA NOITE FRIA Há olhares caídos pela rua Sofridos com o frio penetrante, Glacial, que resfria até a lua E ávidos por sopa fumegante A escura noite não apazigua, Não conforta nem faz aconchegante A luz de quem na rua continua Quando a sua vida é fria e errante Some-se o horizonte a cada hora O sol, apenas morno, vai-se embora E as velas, se as houver, já não aquecem Nas ruínas, nos becos, nos cartões A esperança aquece tristes corações Ao lhe darem o abrigo que merecem MEA - Santarém

[close]

p. 9

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Contos / Poemas» 9 O voo dos pássaros Pouca gente sabe que, antes de voar, um pássaro pega impulso e, antes de pousar, diminui o impulso o que, no movimento musical chamamos de arsis e thesis. Nós, seres humanos também fazemos o mesmo e, nascemos, crescemos e diminuímos até a partida definitiva. Assim, hoje, me lembro de alguns amigos que partiram como Hilda Guimarães Souki, João Hugo de Moraes, Helena Alvim Ameno, Celso Gomes, Iracino Élcio de Assis e outros que tiveram uma vida radiante e bela, mas Deus os chamou como nos espera. Todos alcançaram voo espetacular e nos deslumbraram com suas lições de vida e, portanto, muitas vezes ficamos assombrados com a beleza da ida deles, exemplar para todos nós. Somos, pois, aves de arribação. Algumas mais lindas como o águia, o cisne, o rouxinol e outras mais simples como o pardal, mas todos filhos de um mesmo Deus e de uma mesma mãe Nossa Senhora. Uma das mais felizes doações que Deus nos deu foi a capacidade de esquecer: ”Tudo passa, tudo sempre passará”. Façamos como aconselhou Gregório de Matos de Guerra: Gozemos da flor da mocidade que o tempo trata a toda ligeireza”. Que a lição dos poetas seja ouvida pelos jovens que acreditam que não envelhecerão e nunca morrerão. A grande verdade desta coisa esplendorosa chamada vida: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Cada um busca o seu bem-estar. E, para terminar, citamos Fernando Pessoa: “Acho que só para ouvir passar o vento, vale a pena ter nascido e “A vida dói quanto mais se goza, quanto mais se inventa” e, ainda, que, ao nascer, nascemos só e, ao morrer, morremos só, somos uma ilha de sentimentos que, na verdade, é comungada plenamente só com Deus. Edson Gonçalves Ferreira – Divinópolis / BR CRAVOS ETERNOS ou FILHO DE ABRIL Eram bem negras as grades da cadeia Onde o prenderam só por ter nascido Num país que parecia apodrecido Onde o sol era a luz duma candeia. Morria-se de fome lá na aldeia, Escravidão o futuro prometido, Mas cresceu e depois de ter crescido Partiu atrás da sua Dulcineia. Não era quixotesco mas real, Consciente, muito forte e natural O sonho de lutar por paz e pão. Voltaram a prendê-lo, mas que importa, Aquele Abril de sonho abriu-lhe a porta E anda por aí, cravo na mão. Nogueira Pardal - Verdizela Flores Flores são meu desvelo, carinho… E, com leve e suave movimento, Que mais pareça de ave, adejar, Toco-as suave! Em enlevamento… Filomena Gomes Camacho Londres O Sonho de uma Criança... Sou criança no meu lar abençoado e os meus pais me envolvem de carinhos por tudo aquilo que eles me tem dado, amá-los-ei quando já forem velhinhos. O meu corpo é ainda delicado, e pequeno é o meu narizinho, o cabelo levemente ondulado, adejando, sou traquino passarinho. Os meus olhos se abrem maravilhados e minha boca gosta tanto de sorrir... voam meus sonhos coloridos e alados imaginando como é lindo o porvir... Quero ser grande e de todos ser amigo, viver num tempo de Paz e não de dor, ver as crianças sorrir e ter abrigo, e os velhinhos tratados com calor. Quero ajudar os amigos, toda a gente, talvez um dia ,chegue até a ser Doutor! Ai, como eu sonho um mundo tão diferente sem haver guerra, apenas Paz e muito Amor...! Natália Parelho Fernandes – Portalegre ENCONTRO POETICO Este lugar marca o nosso Ponto de encontro poético Não sei quem ês? Se calhar vai entreter-te E interessar-te Sem queixume a minha alma Ambiciosa e virtuosa Exigente no ato de coragem E na inteligência humilde Deixa-me viver no amor e poesia Nem abuso e nem arrogância Deixa-me respirar na arte escrita Simples natural e clara e belo ainda Cada um é como é!!! Alice Palmira – Lisboa (Brazaville) Quando o Evangelho vais pregar, Nunca deves desanimar. Muita alegria congrega Em todo aquele que o prega. CMO – Qtª do Conde

[close]

p. 10

10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Contos / Poemas» RESSURREIÇÃO Aleluia! Bendito sejas, Senhor Jesus! E que não sejas delírio dos poetas, dos artistas, dos sonhadores e de toda a humanidade! Uma vez que a morte é consequência dos nossos pecados, que se desviaram da luz da verdade... E o Senhor morreu para nos salvar! Com a Tua ressurreição, cantos preenchem o infinito com a mais elevada melodia, como se fossem uma multidão de anjos e gentes, felizes, entoando hinos de louvores... Porque Tu Senhor, sempre te revelas em esplendor, mostrando teu rosto pleno de luz. Uma nova claridade na Tua volta, alegrou os caminhos da humanidade, porque cada cristão é peregrino neste mundo, pois caminha nas trilhas divinas, em comunhão com Deus. Nós Te contemplamos com alegria e amor para levarmos Tua luz aos caminhos escuros dos irmãos... Com a Tua volta Senhor, a natureza ficou repleta de alegria e de sonhos reluzentes... O sopro do vento parece uma sinfonia fascinante e o céu reluz como se infinitas estrelas saudassem a manhã, e todos os povos inebriados nessa luz fulgurante da vida, numa paz e felicidade ficaram! Contemplamos a Tua volta como as flores que reflorescem na primavera e como o sol que nasce depois de um dia triste e nebuloso. Queremos contar contigo Senhor, ajuda-nos na nossa missão de edificar o Reino do Pai... Seja bem vindo Senhor Jesus!!! ZzCouto - Niteró / BR Queria estar lá... Defender o mestre. Abraçá-lo, cobrindo as tuas chagas com muito afago. Estendendo a mão para auxiliá-lo. Ajudando para que ele não tropeçasse nas pedras. Oferecendo-lhe água. Carregando a sua cruz. Morrendo pelo Cristo. Sentindo as tuas dores, resignando a compaixão dos homens. Dando clarividência à justiça tola. Transcendendo o amor. Perdoando como ele perdoou os seus algozes. Perdoa-me, amado mestre! SER PAI Ser pai é ser a ponta da raiz, A que perfura a terra e a engravida, Levando o sémen ao útero aprendiz Que da mera semente gera a vida! É obra que só vinga, partilhada, Em casto amor-natura, soberano, Pois é mister que a terra seja amada Para que dela brote o fruto humano! Pai é força motriz, causa e efeito Da energia que impulsiona, geradora, O milagre divino da existência… Pra conceder à Mãe a excelência De na pura matriz procriadora Gerar o fruto-amor, o filho eleito! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Quis um dia cantar-te um fado Saudade, quis um dia cantar-te um fado, E a cantar, dizer-te o quanto te amava! Porém, da voz saiu-me um som tão embargado Que em vez de sentido canto, chorava! Grande comoção aquela, forte e dura Que ao tomar conta do meu pensamento, Levou com ele a mui doce ternura Que em mim nascia, nesse feliz momento! Momento de lembranças de muito amor, Da nossa primavera e da vida em flor, Cuja beleza adoçou com carinho, O colorido das flores da xara, Da giesta, ou de qualquer espécie rara, E o suave perfume do rosmaninho!... José Maria Caldeira Gonçalves – Fernão Ferro Amor falso Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Dhiogo J. Caetano - Professor e Jornalista Uruana, Go / BR Poeta Selvagem – Alentejo

[close]

p. 11

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 11 Momentos românticos Os momentos românticos, Fazem de nós uns babados. Teus lábios cubro de beijos, Com poemas declamados! - Os momentos românticos, Que nos fazem orgulhosos, São pr’alma suaves cânticos, Que na vida são preciosos! Os momentos românticos, São uma fonte de desejos. São momentos pacíficos, Para darmos nossos beijos. Os momentos românticos, Fazem de nós uns escravos, Ficamos muito mais ricos, Podemos oferecer cravos. Jorge Vicente - Suíça Ainda se a noite te trouxesse e no meu leito te deitasse Se a brisa etérea me envolvesse na força do teu abraço Ainda se uma estrela me enfeitiçasse me levasse ao teu regaço e por lá me deixasse Ainda se o dia, passageiro de mil anos me regasse de sonhos insanos e no teu corpo me guardasse em consolos profanos por outros tantos mil anos Rogério Pires - Arrentela TRÊS VIVAS… Três vivas à lua e ao luar Benfazejo e lindo No seu manto de luz Põe tudo a brilhar Três vivas às estrelas Que brilham no céu Cintilantes e belas Nas noites de breu Três vivas ao sol Que é fonte de vida Forte e prazenteiro Nos dias de verão E no ano inteiro Rosa Branco - Cruz de Pau Querida Donzília Hoje pensei, escrevo pra ti, Estes versos com inspiração, Por tudo que contigo vivi, Envolto de carinho e emoção! Inspirada ouve esta melodia, Que te dedico hoje assim Porque tu és minha poesia, Com poemas lindos sem fim! Contigo passo horas d’amor, Que cioso guardo comigo, Sinto ser sempre trovador, Assim em poesia t’abrigo! Pra te dizer hora a hora, Eu t’amo minh’alma gostosa Isto é d’hoje e d’outrora, Ó minha adorada esposa! Um dia filhas, netos e netas, Vão ver este calendário, Anos! Meses! Horas selectas, A festejar nosso centenário! Luís N Fernandes Amora LEMBRANÇAS DE BOCAGE Boca de língua ferina, Pena de gume tirano, Verve que só teve Elmano Foram de Bocage a sina. Viva à sua obra divina Ao seu criar soberano, Quer no sagrado ou profano, Fez da arte uma doutrina. Grande satirizador! Vate de vero valor E gozador por inteiro. Segundo o epitáfio seu Atestou que amou, comeu E bebeu, sem ter dinheiro. Laerte S. Tavares Florianópolis – SC – Brasil A bela e o trovador Oh, suave flor dos sonhos Em seu olhar me encanto E pros seus olhos risonhos Eu, trovador, faço um canto Na serenata singela Pra encantar a doce flor Que enfeita a janela Fechada pro meu amor! Oh, olhar meigo tão doce Que da fresta se revela Se poeta então, eu fosse Daria um soneto a ela, Pois a trova esgotou-se no olhar da minha bela. Ivanildo M. Gonçalves Volta Redonda/BR SAUDADE DE MIM Mergulhada em meus sentimentos Em uma desnorteada procura Senti-me perdida, por momentos Tentando encontrar respostas na loucura Das insistências vãs e dos lamentos Que provocam esse sabor de agrura Miscigenada de angústia e tormentos Numa sede mortal de beber da água pura Indefinidos pensamentos surgiam Em minha mente já tão inquietada Pelo inegável prognóstico do nada A gerar uma desesperança e a negação Na inércia agonizante da espera do fim Encontrei uma enorme saudade de mim ... Maria Luiza Bonini - São Paulo/Brasil “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo

[close]

p. 12

12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Ouço vozes Ouço vozes...ouço vozes! Vozes trazidas pelo vento soando como lamentos. Ouço vozes que tormento! Ouço vozes, muitas vozes!... Vozes que nem conheço e às quais eu nem respondo porque falsas me parecem. Ouço vozes! Vozes que me enlouquecem e me arrepiam... confesso! Ouço vozes, muitas vozes!... Vozes na noite geradas quando meu quarto escurece e a lua desaparece nos labirintos da vida. Ouço vozes, muitas vozes, caindo de nuvens negras como pedras assassinas lançadas por línguas podres e bocas ensandecidas. Ouço vozes que me bicam como abutres na carniça... vozes esganiçadas como as risadas de hienas. Sinto vozes me atingindo como setas afiadas e pontas envenenadas lançadas de altas janelas... janelas sujas, partidas enegrecidas pelo tempo e assentes em pedras gastas, descoloradas e frias, onde o ódio ganha vida e o sol nem quer entrar. Ouço vozes estridentes! Vozes que vendem e trocam nos palanques enfeitados dos mercados do poder a minha vida e a tua o teu futuro e o meu. Ouço vozes, várias vozes descendo de telhas negras... escorrendo por caleiras, estreitas e sinuosas, e escoarem nas condutas do cinismo e da traição. Vozes prenhes de egoísmo raiva, inveja, despotismo... vozes cruéis e assassinas que violam e esquartejam muitos sonhos à nascença. Ouço vozes, muitas vozes que em ciladas bem urdidas me estrangulam a alma implantam o medo e me furam os ouvidos com farpas bem afiadas e golpes bem desferidos. Ouço vozes...tantas vozes! Ouço-as e me arrepio! Ouço vozes... não respondo! Ouço vozes... tenho medo... e por ter medo me calo e por calar me revolto! Abgalvão - Fernão Ferro OBRA DE DEUS Senhor Deus se esmerou Na obra da Criação, O Universo dotou Com suas leis de missão. Cada árvore diferente E a cor das folhas também, A Natureza é presente Que o nosso olhar detém. 'Stará mudado amanhã O que vejo p'la janela? O Sol virá de manhã, À noite, é a Lua mais bela. O tempo a correr assim! Vivamos todo o momento, Tal como no meu jardim, As aves em movimento. Não há pássaros iguais Mesmo de símil plumagem Deus nos criou e os demai Pra revelar a mensagem. Meu Senhor, misericórdia Traga a todos nossos lares Pela Terra haja concórdia Terminando co'os pesares. E sustenha a Natureza De todas forças hostis, Que destroiem a grandeza Da bela obra de raiz. Maria da Fonseca - Lisboa JORGE HUMBERTO culto poeta Ganhou a MEDALHA DE OURO Mas foi na poesia Que pra cultura portuguesa Não tem valia Nem nobreza! No ano da MEDALHA DE OURO na poesia Concedida ao culto poeta Jorge Humberto, Nem eco luso teve a honrar sua sabedoria, Assim ficou há seis anos d’escuro coberto! Sua estro é de PESSOA, creio, ser seu guia, Mas tem um defeito, é pobre, muito doente, Ajudas! bolsas, sua obra poética mer’cia Que o Ministério da Cultura o visse de perto! Eu, ( sem Nome) gosto de seus cultos poemas, Quadras! Sonetos! Poesia livre, todos temas, Gosto como aborda tudo com linguagem… Sei que tem milhares de poemas na gaveta, É pobre, é doente, a vida pra ele é grilheta, Que se perde um bardo (mais um) de linhagem! NELSON F. CARVALHO – Belverde / PT O ATO DE ESCREVER Escrevo por impulso, Por prazer e necessidade. Conto minhas dores, Revivo alegrias, Aproximo quem está distante. Alivio meu coração. Canto em versos o amor e a dor. Exalto a natureza, tão importante Para nossa sobrevivência. Preencho o vazio, Afasto a solidão. Escrevo desde sempre Mas, em momento por demais doloroso, Tornou-se um puro ato de sobrevivência. Um clamor desesperado à vida. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/Brasil Busca Onde estás, amiga Esqueceste de meu amor filial Como Cristo à Maria Não me deixe só na Cruz, Santa Mulher. Edson GFerreira - Divinópolis / BR

[close]

p. 13

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 13 DIA MUNDIAL DA TERRA " Cuidar do Planeta " Mote Vamos todos em geral Parar com esta “ roleta” E remediar todo o mal Feito ao nosso planeta I Vamos cuidar da natura Dos recursos naturais Dos espaços florestais Dos nossos mares, com lisura Vamos plantar verdura, Árvores, no nosso “Quintal” Uma boa, causa social Não será uma miragem, Aderir à reciclagem VAMOS TODOS EM GERAL II Vamos dar ao ambiente Menos poluição sonora Cuidar da fauna e flora Para bem de toda a gente É preciso literalmente Tirar a leis da gaveta Pró homem da bata preta Castigar o incendiário É urgente e necessário PARAR COM ESTA “ROLETA” III Vamos limpar a floresta, Praias, lagoas e rios Promover mais desafios Restaurando o que não presta A criatividade atesta É de importância vital Lembrar ao mundo real Os excessos de co2, Vamos agora e depois A REMIDIAR TODO O MAL IV Vamos dizer ao progresso Às fabricas, poluidoras Apesar de inovadoras Agridem todo o universo, Tem um efeito perverso A Industria de etiqueta Manda no mundo, é vedeta! Para nós não é mistério, É um desaforo muito sério FEITO AO NOSSO PLANETA! Tiago Neto - Elvas O tempo O orvalho embranquece o Capim .o tempo Os meus cabelos. pego o Orvalho e molho minha Imaginação, o tempo Deixo passar ,ele é indômito, E incontrolável. O registro Da vida deixo grafado na Textura da alma, Para outras eras. Divino Ângelo – MG/BR Divagação Ouvindo o chilrear dos pássaros lá fora… Imaginando ser um deles… Voando pelo mundo fora… Descobrindo novos horizontes… Contemplando a lua e as estrelas cintilantes… Anabela Silvestre - Covilhã LINGUA FAMOSA Língua de Camões; Língua de Bilac! Amo-te, ó rude e doloroso idioma (Bilac) A poesia é a música da alma, e, sobretudo, De almas grandes e sentimentais Voltaire Tudo passei; mas tenho tão presente (Camões) Não há no Universo idioma mais eleito Que o nosso, português, útil, sonante, vernáculo, Que usam Portugal e Brasil n’um elo estreito, Que é por isto que entre nós não há obstáculo! É um legado dos nossos antepassados feito… AMIGO!? AMIZADE!? Não são um espectáculo…? AMOR?! Haverá palavra mais linda no peito, Isto e tudo mais contribuiu pró nosso cenáculo? Foram Abreu! Amado! Bilac que tiveram jeito… Foram Camões! Bocage! Camilo o certo pináculo, Desta língua maravilhosa de tanto respeito! Que se tornou unigénita como um tentáculo, Com esta língua tão fecunda tanto se tem feito, Que se pode, afirmar é mesmo sustentáculo Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar) == DOIS AMORES == AMORA Batalha Povo Eu hoje sou barco Subindo manhãs Sou remo lançado No rio de amanhã Sou campo e cidade Sou mão que esqueceu De acenar saudades E dizer adeus Eu sou a maré nova Na praia velha Trago de liberdade duas mãos-cheias Sou força do trabalho que se semeia Sou o estandarte novo Desta muralha Sou a batalha-povo Que em mim se ganha Pão que por mim se ceifa E em mim se espalha Sou campo desperto Que encara de frente Sou um sol do tamanho Do corpo da gente Sou gesto e palavra Poeta, soldado Sou terra lavrada Por fúrias e arados Paco Bandeira - Montemor AOS CAPITÃES DE ABRIL Olhávamos assim, desconfiados, Quando um desconhecido na tasca entrava. Seria mais um “bufo” que ali chegava Ou apenas mais um dos desgraçados? E ficávamos tristes, atarantados, Até o “Zeca cego” se calava, O cão do “Toino coxo” não ladrava, Cantávamos em silêncio, amargurados. Mas naquela manhã alguém entrou, No meio da tasca os braços levantou, E disse com voz forte e bem timbrada: Amigos, festejemos com verdade, Pois chegou finalmente a liberdade, Uns moços a trouxeram, veio fardada. Nogueira Pardal - Verdizela Cabrito do monte Se gostam de bem manjar Não precisam que vos conte; Tem Melgaço paladar, Com seu cabrito do monte! Arménio Domingues - Melgaço

[close]

p. 14

14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Simplicidade SONHOS DE ABRIL VELHICE A minha poesia é simples. Ainda bem. É com simplicidade Que floresce a mais linda flor. Modesta, Mas erguida E brincalhona. Mas quando é preciso Bate o pé. Bate o pé e diz Senhora do seu nariz: “ A vida é bela! Vivam-na com simplicidade Como se ela seja Loucura que se veja. Aires Plácido - Amadora dançam flocos no branco da manhã... beijos de neve acordam... desnudam a paisagem... os pássaros levam os olhos... voam ao instante absoluto do íntimo... o universo abre-se de futuro e abraça o poema... Jorge Cortez – Suíça UM NOVO MUNDO Erguer um alto muro, de tijolo, Subi-lo pra alcançar certo lugar, Que tivesse a visão mais singular, Mas tendo a segurança em meu controlo. Mirar os horizontes mais distantes, Seria o meu desejo e ambição. Poder vislumbrar, sem ilusão, Um mundo ideal, sem habitantes, Mas tendo o sol e a lua de mão dada, Fazendo o dia todo uma alvorada Tornar a própria noite soalheira. Seria um novo Adão no Paraíso E Deus, verificando ser preciso, Me desse bela Eva, por parceira. Tito Olívio – Faro São sonhos esfarrapados, rotos, gastos Já cansados e velhos, consumidos Sonhos honestos dignos e até castos Que cavalgam nos ventos dos sentidos Ser-se velho é muito triste foi uma curta caminhada foi ter tudo e não ter nada é ir deixando o que existe Sonhos que em nada são maus ou nefastos Omitidos, calados, reprimidos Já que seus horizontes são tão vastos E por serem tão vastos são temidos Foi deixar correr os anos nesta vida que nos lacera é deixar quem mais amamos é deixar de ser quem era Mas os sonhos despertaram nesse dia Daquele sono e medo que os punia E, numa marcha lenta mas febril Tendo por companhia a luz da lua Saíram das masmorras para a rua E encheram-se de cravos em Abril MEA - Santarém SONHO És a única que eu vejo sorrir Entre o Céu e Terra distantes No vazio espaço por medir Caminho dos homens errantes. És a única que me vens falar Lembranças do espaço maternal Neste percurso que tenho de andar Com um destino incerto e infernal. És a única que me queres amar Mesmo sabendo tu que vais sofrer. Vivo a correr e sem nunca parar… Quero estar só até enlouquecer. És a única que me faz pensar Na caminhada certa deste fim. És a única que me irá salvar Da ânsia, neste sonho tão ruim. Jorge Vicente - Suíça Divina Misericórdia Na penumbra da escuridão acende-se uma pequena Luz ... Ó bondade infinita ... Beatífica visão ... Absoluto perdão! Eterna saudade! Sonho de eternidade ... Filipe Papança - Lisboa É deixar nossa existência ao julgamento Divino foi um ganhar de experiência foi caminhar sem destino Ser-se velho é ser criança é ter dores mas também calma mas o que nos mais fere a alma é perder-se toda a esperança A cabeça embranquece e o rosto fica enrugado o nosso sangue arrefece e á bengala encostado Acaba-se a Primavera e o sol já mais aquece deixa-se de ser quem era quando o homem envelhece. Vitalino Pinhal - Sesimbra POEMA: VOZES DE ABRIL Vozes de verdades, Vozes de uniões, Vozes de amizades, Vozes de emoções, Vozes de poetas, Vozes de canções, Vozes de vitórias, Vozes de multidões, Vozes de vontades, Vozes de conquistas, Vozes de liberdades, Vozes de humanistas, Vozes de esperanças, Vozes de madrugadas, Vozes de alianças, Vozes de alvoradas, Para sempre as Vozes de Abril… como na cor, no perfume, na força… de um Cravo do encarnado mais natural, intenso e fortificante. Luis da Mota Filipe (Anços-Montelavar-Sintra-Portugal)

[close]

p. 15

Confrades da Poesia - Boletim Nr 83 - Maio / Junho 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 15 BOM DIA AMOR, BOM DIA Por estares a meu lado eu sinto-me tão feliz foi uma escolha que fiz ó meu amor adorado Nossa vida é um jardim a toda a hora o recordo de manhã quando acordo amor canto-te assim ... refrão Á noite ao regressar quando chego tarde não faço alarde para não te acordar Mas penso para mim espero o amanhecer para te dizer cantando-te assim ... refrão Refrão Bom dia, meu amor bom dia é com muita alegria que isto te digo Bom dia, meu amor bom dia de noite e de dia quero estar contigo. Chico Bento - Suíça Século XXI (d.C.) No Século do LOUCO -os loucos atacam (indiscriminadamente…) -e vidas sacam (barbaramente…) São seres doentes (inimputáveis…) armados até aos dentes (insaciáveis…) Terrorista é célula cancerosa (da Sociedade) -está contra o Organismo… e age sem piedade (pelo domínio do mesmo…) É uma guerra sem quartel (e sem rosto) mergulhada -no ódio -no fel -no mosto… -o que podemos fazer ? -como podemos evitar ? além de : -estupidamente morrer ?… -temerosamente suportar?… Santos Zoio - Paço de Arcos No Toque do Sino Quando se ouvia o sino tocar Duas tristes badaladas somente Todos paravam de trabalhar Porque com certeza morrera gente. Isso era lá longe no passado Quando a cidade ainda era uma vila E o povo solidário chorava irmanado Abraçando e confortando a família. Velório era motivo para reunião Que festiva não era mas era costume Tinha comida e bebida uns comiam outros não Eletricidade não havia o fogão dava seu lume. A noite inteira o povo terços rezava Com fé e tragos de cachaça Hinos eram cantados ao som da catraca Quando o dia chegava no fogão só restava fumaça. hoje é tudo diferente muito moderno O sino não toca anunciando morte O rádio conta que ninguém é eterno O povo pensa a morte deu seu corte. A noite o velório é fechado Porque os ladrões aparecem O falecido fica abandonado De manhã as famílias regressam. Antigamente a morte era respeitada Agora morrer se tornou coisa comum A vida deixou de ser valorizada Viver ou morrer não faz sentido nenhum. Maria Aparecida Felicori { Vó Fia } Nepomuceno Minas Gerais Brasil No ar o teu perfume de jasmim E no céu riscado o teu sorriso Que sorri alegre só para mim... Basta-me isso. É o que mais preciso. Tu e eu somos uma entidade Sem nenhum princípio nem nenhum fim Somos os dois uma única verdade Porque és flor, única do meu jardim... Em nós mora às vezes desunidade Que sem querermos sempre nos aparta O destino faz-nos essa maldade Que a minha vida sempre descarta... Não sei onde já guardo a esperança De o Criador num dia qualquer Nos unir com dourada aliança Nesta, ou noutra vida se houver... Edgar Faustino – Paivas/Amora Um ano tem doze meses e um só para descansar dez milhões de portugueses e tão poucos para o gozar Se aqueles para quem trabalhas tivessem por ti carinho não comerias as migalhas que eles deixam pelos caminhos. Isto foi assim no passado e no presente também operário é um desgraçado perante tanto filho da mãe Vitalino Pinhal - Sesimbra NASCI EM LOULÉ Eu nasci em Loulé No sítio do Areeiro P’ra a escola ia a pé Passava o dia inteiro Aí passava todo o dia A escrever e a estudar Fim de semana ,alegria ‘ó” balhinho” ia “balhar” “balhava” o Xico , o Toino a Bia, a Joana e o Zé e ao som do harmoino se”balhava” em Loulé Em LOULÉ, vila algarvia Terra que me viu nascer P’ra ela canto noite e dia Canções de enternecer Rosélia Martins - Loures

[close]

Comments

no comments yet