E-book do I Workshop de Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste

 

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E-book do I Workshop de Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste

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E-BOOK DO I WORKSHOP DE GEOMORFOLOGIA E GEOARQUEOLOGIA DO NORDESTE VOL I Copyright© Grupo de Estudos do Quaternário do Nordeste Brasileiro – GEQUA Texto© 2016 diversos autores Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Patrocinadores UFPE; PPGEO; PPGArq; GEQUA; FACEPE; INAPAS; MAP-UFPE; LMRI-DEN/UFPE; CAPES; CNPq Organizadores Fabrizio de Luiz Rosito Listo, Demétrio Mützenberg e Bruno de Azevedo Cavalcanti Tavares Projeto Gráfico Amanda de Azevedo Cavalcanti Tavares Editoração eletrônica Daniela Cisneiros e Larissa Monteiro Rafael Capa Amanda de Azevedo Cavalcanti Tavares E-book do I Workshop de Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste. Volume I. Fabrizio de Luiz Rosito Listo, Demétrio da Silva Mützenberg, Bruno de Azevedo Cavalcanti Tavares (Orgs.). Recife: GEQUA, 2016. 268 f. Vários colaboradores ISBN: 978-85-922143-0-2 1.Geomorfologia. 2.Geoarqueologia. 3.Quaternário. 4.Dinâmicas Superficiais. 5.Geotecnologias. 6.Paleoambientes. 7. Nordeste – Brasil. I.LISTO, Fabrizio. II.MUTZENBERG, Demétrio. III.TAVARES, Bruno.

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I WORKSHOP DE GEOMORFOLOGIA E GEOARQUEOLOGIA DO NORDESTE COMISSÃO ORGANIZADORA Antônio Carlos de Barros Corrêa Coordenador do Evento Departamento de Ciências Geográficas da UFPE Demétrio Mutzenberg Vice-Coordenador do Evento Departamento de Arqueologia da UFPE Bruno de Azevedo Cavalcanti Tavares Comissão Científica do Evento Departamento de Arqueologia da UFPE Daniel Rodrigues de Lira Comissão Científica do Evento Departamento de Geografia da UFS Daniela Cisneiros Comissão Científica do Evento Departamento de Arqueologia da UFPE Danielle Gomes da Silva Comissão Científica do Evento Departamento de Ciências Geográficas da UFPE Fabrizio de Luiz Rosito Listo Comissão Científica do Evento Departamento de Ciências Geográficas da UFPE Jonas Otaviano Praça de Souza Comissão Científica do Evento Departamento de Geografia da UFPB Kleython de Araújo Monteiro Comissão Científica do Evento Departamento de Geografia da UFAL Lucas de Souza Cavalcanti Comissão Científica do Evento Departamento de Ciências Geográficas da UFPE Osvaldo Girão da Silva Comissão Científica do Evento Departamento de Ciências Geográficas da UFPE

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SUMÁRIO A (DES) CONECTIVIDADE DA PAISAGEM EM AMBIENTE SEMIÁRIDO: BACIA DO RIACHO GRANDE, SERTÃO CENTRAL PERNAMBUCANO 13 Joana D’arc Matias de Almeida, Antonio Carlos de Barros Corrêa, Jonas Otaviano Praça de Souza ANÁLISE MULTITEMPORAL DO USO E COBERTURA DO SOLO DA ZONA COSTEIRA DE EXTREMOZ - RN, BRASIL (2006-2016) 23 Ivaniza Sales Batista, Hudson Domingos Teixeira, Zuleide Maria Carvalho Lima, Joyce Clara Vieira Ferreira e Antônia Vilaneide Lopes Costa de Oliveira AS DEFICIÊNCIAS NA ABORDAGEM GEOMORFOLÓGICA NOS ESTUDOS DE IMPACTO AMBIENTAL NO ESTADO DA PARAÍBA E A BUSCA POR METODOLOGIAS APLICADAS AOS EMPREENDIMENTOS DE MINERAÇÃO 37 Henrique Elias Pessoa Gutierres, Camilla Jerssica da Silva Santos, Jessika de Oliveira, Neles Rodrigues e Valdeniza Delmondes Pereira DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS HIDROLÓGICOS, MORFOMÉTRICOS E PROBLEMAS AMBIENTAIS EM SETOR URBANO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO MUNDAÚ – MUNICÍPIO DE RIO LARGO (AL) 49 John W. F. Marques, José H. M. da Silva, Damião S. Cordeiro, Roseildo F. da Silva e Genisson P. da Silva PLANALTOS RESIDUAIS DO RIO GRANDE DO NORTE: ASPECTOS TEÓRICOS E CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA 57 Jacimária Fonseca de Medeiros e Luiz Antonio Cestaro PATRIMÔNIO GEOMORFOLÓGICO DA ÁREA DO PROJETO GEOPARQUE CARIRI PARAIBANO 67 Leonardo Figueiredo de Meneses e Bartolomeu Israel de Sousa ANÁLISE DA VULNERABILIDADE A PROCESSOS EROSIVOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO BEBERIBE 79 José Fabio Gomes da Silva e Manuella Vieira Barbosa Neto ANÁLISE DO SISTEMA FLUVIAL FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO DA TERRA NA BACIA DO RIO TEJIPIÓ – REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE 89 Carla Suelania da Silva, Carlos de Oliveira Bispo, Sérgio Bernardes da Silva e Osvaldo Girão CARACTERIZAÇÃO MORFOMÉTRICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TRAÍRAS COM O APOIO DE SIG 101 Alexandre Herculano de Souza Lima e Ronaldo Missura

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MAPEAMENTO DAS UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS E GEOMORFOLÓGICAS DO MUNICÍPIO DE SERRINHA DOS PINTOS-RN 107 Jacimária Fonseca de Medeiros e Larissa Silva Queiroz DETECCIÓN DE MINERALES CON USO DE IMÁGENES LANDSAT 8 EN LA REGIÓN DE VALPARAÍSO, PROVINCIA DE LOS ANDES, COMUNA DE SAN ESTEBAN, LUGAR CAMPOS AHUMADA ALTO – CHILE 117 Nathaly Grau Perez, Keyla Manuela Alencar da Silva Alves e Juan Toledo Ibarra INVENTÁRIO DE ESCORREGAMENTOS RASOS EM ÁREAS URBANAS E PARÂMETROS TOPOGRÁFICOS: UMA ANÁLISE INICIAL NO BAIRRO DE NOVA DESCOBERTA, RECIFE (PE) 129 John Kennedy Ribeiro de Santana, Ana Márcia Moura da Costa, Victor da Silva Santa Rosa, Maria Rafaela da Silva Cruz e Fabrizio de Luiz Rosito Listo FEIÇÕES COSTEIRAS: ATRATIVOS PARA O GEOTURISMO COMO APLICABILIDADE PARA A GEOCONSERVAÇÃO 137 Brenda Rafaele Viana da Silva e Elisabeth Mary de Carvalho Baptista ANÁLISE FISIOGRÁFICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO DO PONTAL-PE 145 Pedro Barbosa de Souza, Paulo Lucas Cândido Farias, Joaquim Pedro de Santana Xavier; Victor Pina Figueiredo e Arthur Felipe de Melo Teixeira COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA-ESTRUTURAL DE CAMPINA GRANDE- PB: UMA RELAÇÃO ENTRE FEIÇÕES DO MODELADO E PADRÕES DE DRENAGEM ATRAVÉS DA FOTOINTERPRETAÇÃO 153 Jônatas Nascimento da Costa e Sérgio Murilo Santos de Araújo PROPRIEDADES MORFOMÉTRICAS COMO INDICATIVO DE SUBSIDÊNCIA E CRIAÇÃO DE ESPAÇOS DE ACUMULAÇÃO SEDIMENTAR NO OESTE PERNAMBUCANO 163 Drielly Naamma Fonsêca, Bruno Araújo Torres, Daniel Rodrigues de Lira, Rhandysson Barbosa Gonçalves e Antonio Carlos de Barros Corrêa ANÁLISE DOS ÍNDICES RDE NA BACIA DO RIO MAMANGUAPE, PARAÍBA Rhandysson Barbosa Gonçalves, Drielly Naamma Fonsêca eAntônio Carlos de Barros Corrêa 177 ANÁLISE MORFOESTRUTURAL PRELIMINAR DO RELEVO A PARTIR DA APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE HACK: UM ESTUDO DE CASO NO MACIÇO DE JOÃO DO VALE (RN-PB) 189 George Pereira de Oliveira, Bruno de Azevedo Cavalcanti Tavares, Clístenes Teixeira Batista e Marco Túlio Mendonça Diniz ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS LINEAMENTOS NO MACIÇO ESTRUTURAL DE ÁGUA BRANCA/AL UTILIZANDO O SOFTWARE MICRODEM 201 Larissa Furtado Lins dos Santos, Ítalo Rodrigo Paulino de Arruda, Rhaissa Francisca Tavares de Melo e Danielle Gomes da Silva

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EXTRAÇÃO DE LINEAMENTOS DE RELEVO PARA INTERPRETAÇÃO MORFOESTRUTURAL DA BACIA DO RIO PARAÍBA DO MEIO 211 Priscilla Emmanoelle Claudino da Silva, João Paulo da Hora Nascimento, Paulo de Tarso Barbosa Leite, Kadja Monaysa Mendonça de Paula e Kleython de Araújo Monteiro MAPEAMENTO DOS LINEAMENTOS DE DRENAGEM E DE RELEVO COMO CONDICIONANTES NA COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE SALGUEIRO – PE 217 Viviane Trajano da Silva, Ítalo Rodrigo Paulino de Arruda, Débora Albuquerque Meira Coelho Ramos, Danielle Gomes da Silva DINÂMICA COSTEIRA E REGISTRO ARQUEOLÓGICO NA PRAIA DE JERICOACOARA, JIJOCA DE JERICOACOARA – CEARÁ – BRASIL 227 Verônica Viana, Thalison dos Santos, Cristiane Buco e João Moreira Cavalcante GEOFÍSICA APLICADA À ARQUEOLOGIA HISTÓRICA: UM BREVE ESTUDO DE CASO NO ENGENHO INHAMÃ, IGARASSU, PERNAMBUCO, BRASIL 241 Carlos Magnavita, Luiz Severino da Silva Jr, Demétrio Mutzenberg, Bruno Tavares e Cláudia Oliveira RECONSTITUIÇÃO PALEOAMBIENTAL RECENTE (HOLOCENO) DA LAGOA URI DE CIMA (SALGUEIRO, PE): UMA CONTRIBUIÇÃO DA PALEONTOLOGIA 257 Andrea Maria Francesco Valli e Demétrio Mutzenberg

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PREFÁCIO Ao longo de quatro dias do mês de dezembro de 2016, o Grupo de Estudos do Quaternário do Nordeste Brasileiro (GEQUA) conjuntamente com o Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO), o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia e os Departamentos de Ciências Geográficas (DCG) e de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) promoveram o I Workshop de Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste. Embora essa sobreposição temática seja largamente reconhecida pelos acólitos das pesquisas sobre o Quaternário, arqueologia da paisagem e dinâmica dos sistemas de superfície terrestre ainda não ocorrera no Nordeste do Brasil um fórum comum entre essas áreas voltado para a discussão e compartilhamento de pontos de vista teóricos, metodológicos e procedimentais. Desta forma, este volume surge como parte do registro das contribuições apresentadas durante o Evento, no qual se buscou construir pontes entre essas ciências sabidamente afins mediante a promoção de oficinas dialógicas abrangendo um conjunto de áreas tais como a geografia física, a geomorfologia, a geofísica, a geologia, além da geoarqueologia e seus múltiplos enfoques. Os frutos dos trabalhos de pesquisa reunidos neste e-book representam um espelho das práticas acadêmico-científicas contemporâneas dos profissionais do Nordeste brasileiro nas áreas supracitadas. Como em um panóptico ora debruçado sobre a observação dos esforços de investigação de profissionais, acadêmicos e diversos grupos de estudo, compila-se neste volume esforços de pesquisa que transitam entre as abordagens já tradicionais, como as voltadas ao estabelecimento de inventários fisiográficos, àquelas ainda em vias de difusão e preocupadas com a aferição de processos ou testagem de novas narrativas teóricas sobre a paisagem; como o conceito de conectividade para a compreensão das morfologias de estocagem e transmissão de sedimentos em modelados de agradação. Destacam-se dentre as contribuições um resgate sui generis de pontos de vista analíticos sobre a dinâmica dos sistemas físicos de superfície que, ao aparentemente contraporem tempo e dinâmica, clima e tectônica, bacia hidrográfica e paisagem, de fato nos oferecem uma gama de opções de escolha dentre o estado-da-arte dos métodos e técnicas atualmente disponíveis para o tratamento e apresentação da informação geoespacial. Assim, embora sem pretender esgotar o cotejamento das linhas de trabalho correntes na região com aquelas já consolidadas sobretudo pela literatura formativa, livros texto e manuais, esse volume nos serve antes de mais nada como apontamento para a compreensão dos rumos que vêm sendo perseguidos pela pesquisa e eventuais lacunas que ainda se fazem presentes, e cuja confrontação, por parte daqueles que se engajam na pesquisa na interface entre as ciências ditas da terra e as humanidades, seja premente para os avanços futuros. Ainda em uma era na qual o status quo da pesquisa científica reflete uma profissão de fé sobre os paradigmas vigentes e em desuso, a possibilidade de se debruçar sobre a ciência que se pratica em uma região em um dado recorte de tempo constitui um exercício válido para o avanço do conhecimento e sua continuada aferição. Boa leitura. Antonio Carlos de Barros Corrêa Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

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A (DES) CONECTIVIDADE DA PAISAGEM EM AMBIENTE SEMIÁRIDO: BACIA DO RIACHO GRANDE, SERTÃO CENTRAL PERNAMBUCANO Joana D’Arc Matias de Almeida, Antonio Carlos de Barros Corrêa, Jonas Otaviano Praça de Souza INTRODUÇÃO As atividades antrópicas constituem-se elementos de destaque na modificação do caráter e comportamento do sistema fluvial, portanto, intervenções por meio de projetos de gestão fluvial somam esforços para minimizar os seus crescentes impactos. Tais medidas devem considerar a compreensão do comportamento desses sistemas em sua complexidade. Neste âmbito, a geomorfologia fluvial tem se destacado por sua aplicabilidade nos estudos atrelados ao planejamento e gestão ambiental, de modo integrador, considerando as diversas relações e dinâmicas da paisagem através do papel dos rios na sua modelagem, a partir de análises em diferentes escalas espaciais e temporais dentro da perspectiva de sistemas. Assim, utiliza-se a abordagem de sistemas complexos para elucidar a dinâmica dos sistemas fluviais, sobretudo no que se refere à transferência de fluxos e sedimentos dentro de uma bacia (Bracken et al., 2015). Nesta perspectiva, Brunsden & Thornes (1979) inserem a ideia de conectividade na geomorfologia com base na aplicação aos sistemas fluviais a partir da postulação do conceito de sensitividade da paisagem, nesta a ideia de ligação é proposta com base na ideia de resistência do sistema. Assim, o sistema pode permanecer ligado (coupled), quando há livre transmissão de energia e matéria entre os seus compartimentos; desligado (decoupled), quando a transmissão é interrompida temporariamente devido à existência de alguma forma de barramento/impedimento, que pode vir a ser rompido; e não ligado (not coupled), quando não há ligação entre os compartimentos do sistema, em razão de descontinuidades entre os processos (Harvey, 2002; Souza, 2014). Deste modo, a conectividade da paisagem é entendida como a possibilidade de interação de energia e matéria entre os compartimentos que a integram. A conectividade da paisagem como o controle primário entre os fluxos de água e sedimento em bacias fluviais apresentam distintas ligações determinadas por diferentes processos em cada compartimento do sistema. As ligações podem ser trabalhadas em diferentes escalas

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14 espaciais, podendo ser locais, zonais ou regionais. A escala local compreende as ligações dentro de uma ou entre duas zonas adjacentes no sistema fluvial, estando relacionada às interações entre as ligações internas das encostas, entre a encosta e o canal, os tributários e o canal principal e as ligações no próprio canal. Atribuem-se as ligações zonais às relações entre duas zonas do sistema fluvial; e as ligações regionais aos elementos que afetam todo o sistema (Souza, 2014). Portanto, os controles nas ligações locais estão relacionados a mudanças ambientais que afetam a transmissão, enquanto que na escala zonal, o controle é exercido por mudanças climáticas, alterando o nível de base, enquanto na escala regional os controles são de ordem tectônica (Harvey, 2002). Logo, compreendem-se as ligações a partir de três dimensões espaciais: ligações longitudinais (entre a rede de canais), laterais (entre a rede de canais e encosta) e verticais (superfície e sub-superfície). Estas ligações podem ser interrompidas por diferentes bloqueios: os buffers, barriers, blankets; ou impulsionadas através dos boosters, que são feições que podem impulsionar a transmissão de energia e matéria numa bacia fluvial. Estes bloqueios/impedimentos tratam-se de feições geomorfológicas naturais e/ou antrópicas, que dificultam a conexão de fluxo e sedimento entre os compartimentos do sistema fluvial. O entendimento da dinâmica e dos processos fluviais que geram estas formas auxilia na solução de problemas relacionados ao transporte e deposição de sedimentos, contribuindo à gestão de recursos hídricos e ambientais em âmbito local, sobretudo em regiões semiáridas, em que o fluxo de água e sedimentos na rede de canais é influenciado pela conectividade da paisagem. Tal que, Souza (2014) destaca a complexidade de trabalhar a conectividade da paisagem em ambientes semiáridos, devido aos reduzidos eventos chuvosos capazes de fornecer fluxo de escoamento superficial, e por consequência o transporte de água e sedimentos. O autor discorre sobre o modo como os impedimentos determinarão a capacidade de cada compartimento do sistema transmitir o fluxo por determinado intervalo de tempo, considerando que mudanças na distribuição e características dos impedimentos provocam alterações na transmissão de fluxo de sedimentos (Souza, 2014). Em vista disso, a aplicação de estudos que tenham a conectividade da paisagem como foco de análise em regiões de terras secas, como o semiárido nordestino, faz-se necessária para a eficácia do gerenciamento e planejamento dos recursos hídricos, compreendendo a dinâmica e a complexidade do sistema fluvial, sobretudo no que se refere à transmissão de fluxo e sedimentos, e identificação de ambientes de retenção de sedimentos. Neste sentido, estudos têm sido desenvolvidos no semiárido brasileiro por diversos autores, tais como Souza (2011), Souza e Corrêa (2012), Souza (2014), Almeida & Corrêa (2014), Barros et al. (2014) e Almeida, Souza e Corrêa (2016). Pensando nisso, aplicou-se tal abordagem a bacia do Riacho Grande, com área de 316 km², situada na microrregião do Pajeú, Sertão Central Pernambucano, visando dar destaque a aplicação de estudos que tenham a conectividade da paisagem como foco de análise em regiões de terras secas, como o semiárido nordestino, ressaltando a necessidade de tais estudos para a eficácia do gerenciamento e planejamento dos recursos hídricos, compreendendo a dinâmica e a complexidade do sistema fluvial, sobretudo no que se refere à transmissão de fluxo e sedimentos, e identificação de ambientes de retenção de sedimentos. ÁREA DE ESTUDO A Bacia do Riacho Grande, com área de 316 km², situa-se na microrregião do Pajeú, Sertão de Pernambuco, englobando em

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15 partes os municípios de Serra Talhada, Calumbi e Flores (Almeida, Souza & Corrêa, 2016). A bacia do Riacho Grande está inserida entre o contexto das seguintes unidades de paisagem: Depressão Interplanáltica do Pajeú e Horst de Mirandiba (Figura 1). A Depressão Interplanáltica do Pajeú, que se desenvolve como uma depressão alongada para nordeste está confinada entre os Maciços Remobilizados do Domínio da Zona Transversal e a Encosta Ocidental do Planalto da Borborema (Corrêa et al., 2010). Neste compartimento de aspecto aplainado instalou-se a bacia do Rio Pajeú, ao qual se encontra inserida a bacia do Riacho Grande, como um de seus tributários. O aspecto aplainado dá destaque aos maciços residuais, que são distribuídos nesta unidade de paisagem com aspecto de cristas alongadas (plútons Terra Nova, Suíte Intrusiva Tipo Itaporanga, Recanto/Riacho do Forno, Suíte Intrusiva Prata), seguindo os controles estruturais da Zona de Cisalhamento Afogados da Ingazeira de direção NE-SW e falhamentos com sentido E-W (Sampaio, 2005). Nesta unidade desenvolvem-se atividades agropecuárias, sobretudo aquelas voltadas à subsistência, com a distribuição de pequenos sítios, que aproveitam as áreas de plaino aluvial para o cultivo de lavouras de ciclo curto. Diante da semiaridez na região, o desenvolvimento dessas atividades é propiciado pela instalação de pequenas barragens e perfuração de poços rasos. Figura 1: Unidades de Paisagem na Bacia do Rch. Grande. O Horst de Mirandiba é representado na paisagem como um remanescente sedimentar formado por arenitos da Formação Tacaratu – Bacia de Fátima. Portanto, predominantemente arenoso, apresenta um alto potencial hidrogeológico, constituindo o principal sistema aquífero intersticial da bacia. Nesta unidade de paisagem, o uso restringe-se ao desenvolvimento da caatinga arbustiva.

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