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ANO XVII - Nº 208 www.jornalempresarios.com.br ® do Espírito Santo ABRIL DE 2017 - R$ 4,50 FOTO: ANTÔNIO MOREIRA O fomento da economia Aroldo Natal Silva Filho, presidente do Bandes, destaca programas que geram emprego e renda no campo e nos centros urbanos. Páginas 6 e 7 Fibria investe em modernização O transporte marítmo de madeira entre a Bahia e o Espírito Santo é um dos setores incluídos no programa. Página 11

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2 ABRIL DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EXPEDIENTE Nova Editora – Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda. CNPJ: 09.164.960/0001-61 Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A- Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Diretor Executivo: Marcelo Luiz Rossoni Faria E-mail: rossoni@vitorianews.com.br Jornal Empresários® Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A, Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Telefone: PABX (27) 3224=5198 E-mail: jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Diretor Responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 15 Reportagem Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 14 e 17 Fotos Antonio Moreira Diagramação Liliane Bragatto Colunistas Antônio Delfim Netto Jane Mary de Abreu Eustáquio Palhares Luiz de Almeida Marins Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 11 Circulação Fabrício Costa Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 18 Venda avulsa R$4,50 o exemplar Edições anteriores R$ 9,00 o exemplar Assinatura anual R$ 108,00 Contabilidade Jeanne Martins Site www.jornalempresarios.com.br E-mail jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal. EDITORIAL Viúvos espoliados Os apelos e as exigências do mercado estão sendo atendidas pelo governo de Michel Temer em todas as áreas, formando um cenário preocupante para futuro do Brasil. Reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo, geram imensa satisfação para gestores de capital, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão, atingindo diretamente o núcleo familiar. Ao propor o fim da pensão integral por morte, o governo comprova de forma inequívoca que não está nem um pouco preocupado com o bem estar de uma parcela da população que deveria merecer um tratamento mais adequado. Dependendo de como essa questão for encarada ela poderá gerar problemas, entre elas o equilíbrio familiar no que tange às garantias de sobrevivência, que representam um direito constitucional. A proposta da emenda constitucional 287, defendida com unhas e dentes pelo governo, revela o lado absolutamente pró-mercado e antissocial dos seus autores. Mais grave é que os números e critérios utilizados para apoiar o tão falado déficit são de uma fragilidade escandalosa, que levaram inclusive setores da Justiça a exigir a comprovação desses números e suspender peças publicitárias sob o argumento de propaganda enganosa. O debate público e o grito das ruas fizeram o governo de Temer recuar em alguns pontos, mas em contrapartida, seus agentes endureceram as conversas com o Congresso, tão cheio de políticos apartados dos anseios populares e mais voltados para seus próprios interesses. Um campo fácil de ser lavrado com a antiga prática do toma lá dá cá, cuja importância cresce principalmente em tempos préeleitorais. No caso da pensão por morte, a proposta considera que elas poderão ser menores do que o valor do salário mínimo, conforme informa o secretário de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. "Nas pensões por morte, o valor pago à viúva ou ao viúvo será de 50% da aposentadoria do morto com um adicional de 10% para cada dependente. O valor pago será então igual a 60% no caso de um dependente e de 100% no caso de cinco dependentes. Essa cota não se reverterá para o parente ainda vivo quando o filho completar 18 anos de idade. Também não será possível acumulá-la com outra aposentadoria ou pensão". No geral, os autores da proposta desconsideram as variadas fontes de financiamento do Sistema de Seguridade Social previstas na Constituição Federal. Isso porque ocultam os efeitos da agressiva política de renúncia fiscal ou porque mantêm a condescendência com a sonegação fiscal, entre outros fatores que contribuem para o déficit há anos e que permanecem intocáveis. O presidente se lança à tarefa de, pessoalmente, entrar na campanha para aprovação, acentuando a narrativa de caos caso a proposta não seja aprovada. É o que se observa em declarações repetidas do presidente e do aumento da pressão sobre a sua base parlamentar. Desse modo se vale da propaganda paga nos meios de comunicação, que rendem matérias jornalísticas favoráveis. No entanto, existem as redes sociais para manter a população bem informada. Ao reduzir o valor da pensão por morte, que atualmente não pode ser inferior ao salário mínimo, o governo dá uma bofetada nas famílias brasileiras. Além disso, a proposta visa impedir que os aposentados recebam também a pensão de forma cumulativa, desconhecendo o direito adquirido de homens e mulheres que exerceram suas funções no mercado de trabalho e contribuíram para a Previdência Social durante anos. É bom lembrar que o governo de Michel Temer entrará para a história como destruidor de conquistas sociais, para atender ao mercado que o colocou no poder e o sustenta. A PEC 287/2016 mostra isso muito claramente. De um lado, o mercado, os financiadores da maioria política, destruidores de direitos dos cidadãos e que sugam o orçamento público. De outro, os contribuintes, eleitores que dependem de seus salários e que só dispõem de um único elemento de pressão: a mobilização popular, haja vista que não existe diálogo com o governo. Essa pressão expõe a fragilidade do governo e da proposta. O próprio presidente Temer afirmou, em entrevista divulgada pela imprensa, que o impacto fiscal será feito depois da aprovação das medidas propostas, acrescentando que poderá autorizar a flexibilização da emenda para atender aos reclamos de alguns setores. Acenou para as mulheres, mas manteve o arrocho sobre as pensões por morte e, igualmente, sobre os professores e os trabalhadores no campo. Em se tratando das pensões por morte, o governo poderá voltar atrás e aceitar a exigência de que seus valores não poderão ficar abaixo do salário mínimo, como está na proposta. No entanto, os autores da matéria não abem mão de manter o corte do recebimento da pensão por aposentados, gerando uma garfada significativa na renda familiar, enquanto mantém uma nociva aceitação de altíssimos índices de sonegação, por se tratar de setores que sustentam o seu governo. O embate em torno da proposta previdenciária demonstra que o governo de Michel Temer é, exclusivamente, voltado para o mercado, distante do povo. A proposta se integra a um leque de ações que colocam o Brasil entre os países mais atrasados do mundo em termos de conquistas e desigualdade social. Nesse cenário, vem à tona a prática de uma política chantagista e descompromissada com o futuro do país, hoje dentro de um cenário sombrio de corrupção, de medo e violência, a caminho de uma situação de caos generalizado. ■ LUIZ MARINS Cuidado! O que você plantar, colherá Uma verdade que poucas pessoas parecem compreender é a de que você colherá aquilo que plantar. E há aqui dois sentidos a serem analisados nesta verdade contida até na Bíblia. Um deles é que quem plantar colherá. Ou seja, quem não plantar, não colherá. Isso quer dizer que você deve sempre cuidar do plantio, para poder colher. Outro sentido é o de que você colherá somente aquilo que plantar. Se plantar milho, colherá milho. Se plantar espinheiro, colherá espinheiro. Há um texto escrito em 1957 por um conhecido autor americano chamado Earl Nightingale em que ele compara a mente hu- mana com a terra e diz: “Suponha que um agricultor tem um campo de solo bem fértil. A terra dá ao agricultor a escolha: pode ser plantada naquela terra o que ele desejar. A terra não se importa. Tudo depende da decisão do agricultor. Eu comparo a mente humana com a terra. Para a mente, como para a terra, não importa o que você plantar. Ela sempre devolverá aquilo que plantar”. E outro autor famoso, George Bernard Shaw escreveu: “As pessoas estão sempre culpando suas circunstâncias pelo que elas são. Eu não acredito em circunstâncias. As pessoas que vencem neste mundo são as pessoas que se levantam e procuram as circuns- tâncias que elas querem e se não as encontram tratam de criá-las pelo próprio esforço”. Fico impressionado ao ver que muitas pessoas desejam colher sem plantar ou colher algo diferente do que plantaram. Vejo isso acontecer com empresas que querem colher lealdade de seus clientes e fornecedores, plantando deslealdade. Querem colher fidelidade, quando nunca foram fiéis. Desejam ter sucesso plantando hábitos de fracasso: não falam a verdade; não cumprem o que prometem; não se preocupam com a qualidade do produto ou do atendimento; não prestam assistência após a venda. Querem colher o que jamais plantaram! Essa antiga verdade precisa ser revisitada por cada um de nós de tempos em tempos. Como ter amigos leais? Como ser respeitado? Como ser promovido? Como ter uma vida familiar estável e feliz? Como ter filhos sem problemas? Como ter sucesso? Como ser feliz? Será que a resposta a essas perguntas tão básicas não estará exatamente no que temos plantado? Será que nós, também, acreditamos em poder colher sem plantar ou em ser capazes de colher algo diferente do que plantamos? Pense nisso. Sucesso! ■ Luiz Marins é antropólogo e escritor contato@marins.com.br

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4 ABRIL DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS SERGIO VIEIRA Tabela Price e a taxa Selic em indenizações Recentemente o Superior Tribunal de Justiça retomou a discussão relacionada a aplicação da taxa Selic nas indenizações civis estabelecidas judicialmente. O julgamento do recurso havia sido interrompido por pedido de vista antecipado, formulado pelo ministro João Otávio de Noronha, por entender que a questão deveria ser previamente analisada pela 2ª Seção, especializada em direito privado, e não diretamente pela Corte Especial. A controvérsia afetada à Corte Especial pela 4ª Turma diz respeito a não estipulação de juros moratórios, determinação sem taxa ou quando forem decorrentes de lei, conforme observado no artigo 406 do Código Civil de 2002. Desta forma, em precedentes relatados REsp 830.189 e REsp 814.157, a 1ª Turma do STJ entendeu que a taxa em vigor para o cálculo dos juros moratórios previstos no artigo 406 do CC é de 1% ao mês, nos termos do que dispõe o artigo 161, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, sem prejuízo da incidência da correção monetária. Em outros precedentes relatados REsp 710.385 e REsp 883.114, a mesma 1ª Turma decidiu que a taxa em vigor para o cálculo dos juros moratórios previstos no artigo 406 do Código Civil é a Selic. A opção pela taxa Selic tem prevalecido nas decisões proferidas pelo STJ, como no julgamento do REsp 865.363, quando a 4ª Turma reformou o índice de atualização de indenização por danos morais devida, que inicialmente seria de 1% ao mês, para adotar a correção pela Selic. Também no REsp 938.564, a turma aplicou a Selic à indenização por danos materiais e morais. Oportuno se torna destacar o caso específico do REsp 1.081.149 afetado à Corte Especial e relatado pelo ministro Luis Felipe Salomão, no qual uma mulher ajuizou ação declaratória de inexistência de dívida com pedido de indenização por dano moral, contra uma companhia de seguro de créditos, em vista de ter seus documentos pessoais falsificados, tendo por cautela registrado boletim de ocorrência policial e incluído nos cadastros da Câmara de Dirigentes Lojistas a informação "documento clonado", ao lado de seu nome e, a empresa determinando a inscrição de seu nome em cadastros de inadimplentes, em razão de dívida contraída por terceiros valendo-se da documentação falsificada. O juízo de direito da 14ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre julgou os pedidos procedentes, reconhecendo a inexistência da dívida, determinando o cancelamento da inscrição indevida, bem como condenado a companhia ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 3,8 mil, atualizada pelo IGP-M e juros de 12% ao ano. Não se conformando com decisão, a autora apelou e em grau de apelação, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deu parcial provimento ao recurso elevar a indenização a R$ 7 mil, fazendo incidir correção monetária e juros moratórios somente a partir da data daquele arbitramento. Novamente a autora recorreu ao STJ, sustentando que os juros moratórios e a correção monetária advindos de relação extracontratual devem incidir a partir do evento danoso, citando as Súmulas 43 e 54 do STJ e não do arbitramento da indenização. O julgamento desse processo é a oportunidade para o STJ firmar seus entendimentos sobre a incidência da taxa de juros moratórios em dívidas civis, o momento inicial e a exata delimitação do que seja responsabilidade contratual e extracontratual para efeitos de incidência de juros e correção monetária. Insta salientar que a jurisprudência já pacificada no STJ, conforme súmula 54 definiu a contagem para incidência dos juros moratórios em responsabilidade extracontratual a partir do evento danoso. Em relação à correção monetária na indenização por danos morais, conforme Súmula 362, a correção monetária deve se dar desde a data do arbitramento. Isso significa que os juros moratórios e a correção monetária decorrentes de responsabilidade extracontratual fluem a partir de momentos diversos – os juros moratórios a partir do evento danoso e a correção monetária, em caso de dano moral, a partir do arbitramento do valor da indenização. No caso de responsabilidade civil contratual, a jurisprudência determina a incidência de juros a partir da citação ou do vencimento da dí- vida, conforme inúmeros precedentes julgados pela Corte Superior. A controvérsia que ainda persiste no STJ não envolve o momento, mas o percentual que deve ser aplicado para efeito de correção da dívida. Para o ministro Luis Felipe Salomão, a taxa Selic engloba juros moratórios e correção monetária em sua formação e sua incidência em dívidas civis pressupõe a fluência simultânea de juros e correção, fato que não ocorre em indenizações civis (Súmulas 54 e 362). Assim, defende o ministro, é necessário harmonizar a aplicação da Selic com as Súmulas 54 e 362 do STJ, que estabelecem a contagem de juros e de correção monetária em períodos distintos. Para o relator do recurso afetado à Corte Especial é exatamente pelo fato de englobar em sua formação tanto remuneração quanto correção, que a Selic não reflete, com perfeição e justiça, o somatório de juros moratórios e a real depreciação da moeda — que a correção monetária visa recompor pelos índices de inflação medida em determinado período. “A Selic não é um espelho do mercado; étaxacriada ereconhecidacom forte componente político — e não exclusivamente técnico —, que interfere na inflação para o futuro, ao invés de refleti-la, com vistas na economia de um período anterior e na projeção para os próximos meses, em consonância também com as metas governamentais”, entende Salomão. Para ele, a adoção da Selic para efeitos de pagamento tanto de correção monetária quanto de juros moratórios pode conduzir a situações extremas: por um lado, de enriquecimento sem causa ou, por outro, de incentivo à litigância habitual, recalcitrância recursal e desmotivação para soluções alternativas de conflito, ciente o devedor de que sua mora não acarretará grandes consequências patrimoniais. Para Luis Felipe Salomão, a adoção da Selic na relação de direito público alusiva a créditos tributários ou a dívidas fazendárias é inquestionável, mas não há motivos para transpor esse entendimento para relações puramente privadas, nas quais se faz necessário o cômputo justo e seguro de correção monetária e juros moratórios, “atribuição essa que, efetivamente, a Selic não desempenha bem”. O julgamento foi interrompido por pedido de vista logo após a apresentação do voto do relator, devendo ser retomado neste ano de 2017 e, caso os demais ministros tenham entendimento semelhante, o recurso terá parcial provimento para descartar a incidência da correção monetária a partir da inscrição indevida, sendo que a indenização por danos morais, para efeito de incidência de juros de mora, deve ser considerada sempre responsabilidade extracontratual. ■ Sergio Vieira é especialista em Direito Civil e Processual Civil da Saito Associados

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6 ABRIL DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS FOTOS: DIVULGAÇÃO Os investimentos são direcionados também às empresas de pequeno porte e atingem todo o Espírito Santo, inclusive a zona rural Há 50 anos, Bandes fomenta a economia FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Hoje, o Bandes possui uma carteira de aproximadamente R$ 1 bilhão e 50 mil contratos Aroldo Natal Silva Filho é o presidente do Bandes Aatração de grandes empreendimentos ao Espírito Santo após a década de 1960 e o fomento do setor das médias e pequenas empresas foram possíveis, em grande parte, em decorrência da atuação do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), que neste ano completou 50 anos de história. Com uma carteira de aproximadamente R$ 1 bilhão, o Bandes possui cerca de 50 mil contratos ativos, apoiando os mais diversos setores econômicos, dentre eles, a área do comércio, indústria, agricultura e turismo, além de ter ampliado recentemente o fomento para a economia verde e economia criativa, exportações e inovação. “O Bandes vem desempenhando com louvor a função de desenvolver a economia do Estado, possibilitando a geração de emprego e renda”, afirmou o presidente da instituição, Aroldo Natal Silva Filho. O Bandes possui variedade em linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas, com taxas de juros em torno de 7% ao ano. Entre as principais, estão: Crédito para a Economia Criativa, Crédito para a Economia Verde (foco na eficiência energética), Investimento Fixo (pro- jetos com capital de giro associado), Crédito para Atividades Turísticas, Nosso Crédito (micro e pequeno empreendedor) e Bandes Giro Mercadorias e Insumos. “É impossível um empresário detentor de um bom projeto de empreendimento, em qualquer área que seja, vir aqui e não encontrar uma linha de financiamento que possa atendê-lo. Se ele vier até o Bandes com um bom projeto, vai sair daqui com dinheiro no bolso”, salientou Natal. PLANO DE AÇÃO - O presidente destacou que o Bandes lançou recentemente o Planejamento Estratégico 2017-2021, denominado Bandes Rumo à Excelência. Tratase de um plano de ação que traça os cinco projetos aplicativos e foco de atuação da instituição para os próximos cinco anos. “Esses projetos são para a área de pessoas, comércio exterior, sustentabilidade, meio digital e novas fontes, tudo para que o Bandes possa continuar a seguir um caminho de êxito”. No que diz respeito ao meio digital, o projeto e-bandes implantou a reformulação do site e criou um novo aplicativo do Bandes para os clientes, que vai possibilitar a consulta de movimentações financei- ras e simulações, facilitando, por exemplo, a vida de pessoas que precisavam se deslocar de municípios distantes e ir até o banco pessoalmente para fazer uma simulação de crédito. Conforme o presidente, o aplicativo já está disponível no sistema Android, em fase final de testes, e em breve poderá ser acessado também na plataforma iOS. FUNDOS DE INVESTIMENTO – O Bandes acabou de assinar o Fundo de Competitividade e Inovação para Setores Estratégicos (CISE), que é um Fundo de Investimento em Participação (FIP), criado pela instituição e administrado por uma empresa gestora, que está cuidando da captação de recursos de outras organizações que queiram participar desse Fundo, voltado a empresas fornecedoras na área da mineração, construção civil e agroindústria, com o objeti- vo de capitalizá-las. A diferença entre o financiamen- to e o fundo de investimento é que este possibilita não só o aporte do recurso ao empreendedor, mas também um acompanhamento e qualificação de seu negócio, na medida em que o investidor tem à disposição a expertise do gestor na aplicação dos recursos financeiros. Conforme Natal, a criação do CISE faz parte do novo plano de ação de investir em novas fontes de negócios. “A partir desses fundos de investimento, podemos aumentar a geração de emprego e elevar a qualificação profissional, movimentando, assim, toda a cadeia produtiva”. Outra novidade anunciada por Aroldo Natal é o livro sobre os 50 anos de história do Bandes, previsto para ser lançado ainda neste semestre. DIRETORES E CONSELHEIROS DO BANDES Diretor-presidente Aroldo Natal Silva Filho Diretor de Crédito e Fomento (DICRE) Everaldo Colodetti Diretora de Administração e Finanças (DIRAF) Denise de Moura Cadete Gazzinelli Cruz Presidente do Conselho de Administração José Eduardo Azevedo Presidente do Conselho Fiscal Ana Maria Carvalho Lauff FONTE: Bandes Negócios de sucesso Os resultados da atuação do Bandes são vistos nas empresas que utilizaram seus recursos e se transformaram em negócios de sucesso. Foi o que ocorreu com a fábrica de chocolates Espírito Cacau, de Vitória, inaugurada em 2013 e reconhecida internacionalmente pela qualidade de seu produto, 100% natural e sem lactose. Em janeiro deste ano, a empresa participou do Sirha (Salon Internatio- nal de la Restauration, de l'Hôtellerie et de l'Alimentation), o maior evento gastronômico do mundo. “O Bandes quis investir em nosso produto, resultado de 13 anos de pesquisa, porque sabe que o mercado está crescendo e acredita no potencial da empresa”, declarou o diretor geral da empresa, Paulo Gonçalves. Outro negócio que deu certo foi a Vilux, fabricante de produtos de iluminação à base de LED há mais de 30 anos no mercado. Segundo a engenheira de produção Alana Alves Nunes, a Vilux precisava de recursos para executar um projeto e buscou o apoio do Bandes. “Foi no banco que conhecemos um programa de capacitação voltado ao comércio exterior e hoje temos a expectativa de nos tornarmos exportadores”. A socioproprietária da Terra Viva Produtos Naturais Marina Frisso acredita que o Bandes possibilita o apoio que os pequenos negócios precisam para se estruturarem. A loja, sediada em Jardim Camburi, comercializa produtos naturais e integrais, desde março do ano passado. “Nós optamos pelos recursos do Bandes, pois os juros são mais acessíveis, se comparados a de um banco convencional”. A história do Bandes no Estado A trajetória do Bandes começa em 1967, com a criação da Companhia de Desenvolvimento do Espírito Santo (Codes). De acordo com o presidente do Bandes, Aroldo Natal, a companhia surgiu em prol do desenvolvimento dos setores da indústria e do comércio, já que, nessa época, a economia estava voltada ao setor agrícola. Dois anos depois, a Codes foi transformada em Bandes, com o intuito de atrair grandes empreendimentos e, assim, diversificar e fomentar a economia. “O Bandes financiou recursos para a Real Café, Chocolates Garoto e outras empresas, exemplos de sucesso que tiveram o nosso aporte de recursos. Com o tempo, a economia mudou e o Bandes passou a apoiar os médios e pequenos negócios até atuar fortemente na agricultura familiar”. Segundo o presidente do Bandes, hoje 70 % dos contratos estão no setor rural. “Desde o ano passado, a partir da minha gestão, continuamos atuando com excelência junto à agricultura, buscando retomar a atuação junto aos setores da indústria e do comércio, ampliando o leque para que o Bandes possa caminhar por mais 50 anos”, salientou Natal.

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17 ANOS Foco nos pequenos negócios e no social VITÓRIA/ES ABRIL DE 2017 7 FOTO: ANTÔNIO MOREIRA FOTO: DIVULGAÇÃO Bandes está presente nas 25 comunidades atendidas pelo Programa de Ocupação Social, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) Opapel de um banco de desenvolvimento não é apenas fomentar a economia, possibilitando a geração de empregos e o crescimento de novos empreendimentos. Segundo o presidente do Bandes, Aroldo Natal, a instituição tem uma responsabilidade na área social, tanto que vem investindo em projetos que possibilitem linhas de crédito aos micro e pequenos negócios e à pessoa física que atua na informalidade. O mais recente projeto foi implementado em conjunto com o Programa Ocupação Social, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH), com o objetivo de facilitar o microcrédito aos 25 bairros atendidos pelo programa, mapeados em nove municípios do Estado, em função da alta vulnerabilidade social. Segundo Aroldo Natal, o Bandes treinou e capacitou um cidadão em cada localidade para ser um agente de crédito, ou seja, o intermediário entre o morador e o Bandes. “Nós sabemos que em muitas dessas localidades o acesso é dificultado, o Bandes não conseguia chegar a muitos locais nem o morador vir até o banco. Ter um agente intermediário entre o morador e o Bandes vai ajudar essas pessoas, que vão ter acesso a linhas de crédito a partir de uma liderança local que elas conhecem e já está capacitada para isso”, explicou o presidente. NOSSO CRÉDITO – O Bandes também possui a linha de financiamento Nosso Crédito, com o objetivo de capitalizar o microempreendedor, formal ou informal, que pode ser pessoa física ou jurídica e tenha obtido renda bruta inferior a R$ 240 mil no último ano. Os valores podem variar de R$ 200 a R$ 25 mil, com taxas de juros variáveis de 1,6% a 1,8% ao mês. “Somente no ano passado, foram cerca de nove mil contratos nessa modalidade de crédito, que é importante porque também atende a necessidade da pessoa física que atua no setor da economia informal e precisa de uma quantia mínima de investimento, a exemplo da costureira que precisa de recurso para adquirir uma máquina de costura e não tem o aporte de dinheiro naquele momento”. Ainda de acordo com o presidente, o diferencial de um banco de desenvolvimento para uma entidade bancária comercial é o investimento no papel social, que vai possibilitar que cidadãos de baixo poder aquisitivo e pequenos empreendedores cresçam dentro do seu negócio local. “A nossa missão é também focar nas pessoas e nos projetos que possam ajudá-las a se tornarem microempreendedores de sucesso. Este também é o papel do banco de desenvolvimento, que não foca somente no lucro e nem faz filantropia, mas pensa no social e disponibiliza taxas de juros mais baixas do que as ofe- recidas pelos bancos comerciais”. PEQUENOS NEGÓCIOS – Atualmente, 98% das operações do Bandes estão voltadas para o microempreendedor individual e pessoa física, sobretudo no setor da agricultura, conforme Aroldo Natal. Essa característica do banco, em apoiar os pequenos negócios, faz parte da trajetória histórica do Bandes, que nos últimos anos priorizou o foco de atuação junto aos micro e pequenos empreendimentos. Entretanto, o presidente do Bandes ressaltou que o novo plano de ação da instituição visa a equilibrar o campo de atuação, ampliando o foco de investimento para os setores do comércio e da indústria, atendendo também os negócios de médio e grande porte. “Estivemos um pouco afastados dos grandes e médios empreendimentos. Mas nosso objetivo hoje é continuar prestando um bom serviço na área das micro e pequenas empresas e à pessoa física e, ainda, abraçar a causa dos médios e grandes empresários, o que está em consonância com nossa estratégia”. Aroldo Natal destacou que, desde julho do ano passado, quando assumiu a presidência do Bandes, vem implementando ações com vistas a fornecer um apoio mais sólido aos setores do comércio e da indústria. “Em 2016, nós crescemos 1000% em financiamentos com a indústria e 62% com o comércio”. Marcos Guerra: Findes José Lino Sepulcri: Fecomércio Entidades destacam a importância do Bandes O protagonismo, a capacidade para captar e distribuir recursos e a excelência em apoio técnico e assessoria de planejamento são algumas das características que tornam o Bandes fundamental para o desenvolvimento da economia no Estado, na opinião dos representantes dos setores do comércio, da indústria e da agricultura. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, o Bandes fornece o suporte necessário aos pequenos negócios, não somente ao financiar recursos, mas também no comprometimento e qualidade do atendimento. “Ainda que não possua a expressão de outros bancos que têm maiores cotações para o setor, o Bandes serve de referência quanto às políticas de recursos e ao atendimento”. O presidente do Sistema da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, destacou que o Bandes foi vital para transformação da economia no Estado. “Como captador e distribuidor de recursos, o banco atuou na descentralização dos investimentos, interiorizando a aplicação de recursos, o que possibilitou a criação de grandes centros industriais fora da Grande Vitória, a exemplo de Colatina, Linhares e Cachoeiro de Itapemirim”. Na visão do presidente da Federação de Comércios e Bens (Fe Comércio), José Lino Sepulcri, o Bandes vem se destacando como protagonista no setor econômico em função do leque de linhas de crédito. “A partir da gama de opções de financiamento, o empreendedor tem um grande incentivo para fazer seus planejamentos”. ■ FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Júlio Rocha: Faes

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8 ABRIL DE 2017 VITÓRIA/ES Limpar caixa d’água onera condomínio 17 ANOS FOTO: ANTÔNIO MOREIRA A higienização e limpeza deve ser feita a cada seis meses Alimpeza de caixas d’água e cisternas de edifícios comerciais e residenciais a cada seis meses, sugerida pela Cesan vem contribuindo para aumentar as despesas dos condomínios, geralmente embutidas nos itens “taxas extras” e “fundos de reserva” impressos nos boletos de cobrança. Além disso, servem para constatar que a água oferecida à população não é tão pura como divulgado. Por isso, segundo os médicos, beber água da torneira pode trazer problemas de saúde que vão custar bem mais caro que um filtro. O custo de cada operação de limpeza de caixa d’água varia entre R$ 80 a R$ 350 Teoricamente a água da torneira é 100% limpa, pois ela passa por um processo de pureza na estação de tratamento, porém o que a torna ruim para beber é a sujeira da tubulação, pois se ela for de ferro, com o tempo oxida, de pvc, forma sujeira, e a torneira pode conter várias bactérias prejudiciais à saúde humana. Segundo especialistas em limpeza de caixas d’água, o volume de sujeira encontrado nesses recipientes é muito alto. “Trabalho em limpeza de caixas d’água há muitos anos e tenho notado que a sujeira encontrada hoje é maior. Acredito que isso é resultado do estado de conservação da tubulação”, afirma proprietário de uma empresa especializado nesse serviço. Para não prejudicar seu trabalho, ele prefere não revelar o nome, mas informa que atua principalmente em condomínios localizados na Praia do Canto, Santa Lúcia e Jardim da Penha. É muito comum encontrar no fundo dos reservatórios uma espécie de lama com altura de 10 a 15 centímetros a cada operação de limpeza. “O barro que vem com a água fica acumulado e vai para o fundo da caixa, formando uma lama espessa”, afirma o técnico em limpeza. Médicos gastroenterologistas alertam para o perigo de beber água sem filtrar. Se o volume de barro for Caixa d’água aberta especialmente para o Jornal Empresários mostra a sujeira muito alto o usuário corre o risco de pegar uma verminose, contrair uma gastroenterite ou outra enfermidade. Portanto, não se deve beber água diretamente da torneira, afirmam os especialistas. O custo da limpeza de caixas d’águas varia conforme o tamanho de cada condomínio, mas invariavelmen- te, representa mais despesas, como afirmam síndicos ouvidos pelo Jornal Empresários. A escolha de um profissional especializado se deve ao fato deste saber de que forma a caixa d’água deve ser lavada e quais os cuidados para evitar a contaminação, tanto de quem está limpando quanto do próprio reservatório. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES ABRIL DE 2017 9 Beira Mar tem 36 semáforos O sistema de sinalização eletrônica das avenidas de Vitória, em muitos locais não tem sincronia e prejudica o fluxo de veículos Há excesso de semáforos e isso contribui para tornar o trânsito de Vitória mais confuso. A constatação é de especialistas em engenharia do tráfego, que apontam várias falhas no gerenciamento desse sistema não apenas na capital, mas em toda a Grande Vitória. Somente na avenida Beira Mar estão instalados, nos dois sentidos da via, 36 semáforos. Na avenida Saturnino de Brito, na Praia do Canto, a distância entre os semáforos chega a até 50 metros, e na Reta da Penha, no mesmo bairro, há semáforos de 100 em 100 metros, gerando engarrafamento e tumulto. O critério utilizado para a colocação de semáforos é mais político do que técnico. Por que colocar um semáforo na entrada do Sam’s Club, na avenida Beira Mar? É para facilitar a entrada de clientes do supermercado, porque não existe nenhuma outra utilidade em um local já com muitos semáforos. Além disso, condena-se o mau posicionamento dos semáforos em Vitória e a ausência de monitoramento. Pode-se observar em vários trechos da cidade enormes filas de carros e nenhum pedestre passando na faixa indicada, o que provoca engarrafamento e tumulto sem necessidade alguma. As avenidas Saturnino de FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Avenida Beira Mar bate o recorde de sinais de trânsito Brito e Nossa Senhora da Penha, na Praia do Canto são dois dos locais com o trânsito mais tumultuado de Vitória. Essa constatação é decorrente de análise realizada como matéria de aula por ele ministrada para alunos da Ufes. Existe também a falta de sincronia entre os semáforos e poucos equipamentos automatizados, o que poderia ampliar a fluidez do trânsito. É necessária a adoção de medidas, entre elas a contagem de tráfego e maior investimento para a abertura de novas vias de locomoção. Sobre a reativação do sistema de transporte aquaviário, os técnicos ressalvam que essa iniciativa poderá funcionar se as lanchas forem integradas ao sistema Transcol. Caso contrário, será um desastre, porque os ônibus continuarão a trafegar pela Terceira Ponte. Além de contribuir para tornar o trânsito mais caótico, o excesso de semáforos gera uma despesa significativa para as prefeituras. Cada sistema de sinalização custa entre R$ 40 mil a R$ 110 mil. Sobre esses valores deve ser colocado o custo com a manutenção. ■ FOTO: ANTÔNIO MOREIRA A falta de sincronia entre os semáforos é apontada como um dos grandes problemas do tráfego

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10 ABRIL DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Penedo, um homem de negócios O economista Roberto Penedo aproveita a experiência profissional para consolidar interesses na iniciativa privada Omercado conta com uma nova empresa de prestação de serviços: a PP2 Consultoria, Negócios e Participações, que tem à frente o economista Roberto da Cunha Penedo. A empresa atua focada na assessoria em gestão empresarial, em consultoria nas áreas econômica e financeira e, principalmente, em atividades de reestruturação e intermediação de negócios em geral. A PP2 Consultoria está assentada em sólida base. Penedo tem uma rica folha de serviços prestados ao setor público, tanto na área acadêmica quanto como executivo. Foram 38 anos, divididos entre as atividades de professor, reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), consultor da presidência do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), diretor-presidente do Banestes, secretário de Estado da Fazenda, e, novamente, diretorpresidente do Banestes. É essa bagagem acumulada que o credencia a seguir novos rumos, desta feita no setor privado. “Aproveito minha experiência primeiro como professor das disciplinas Análise Financeira e Elaboração e Análise de Projetos. Depois, como consultor da presidência do Bandes, quando atuei nos processos de negociação de dívidas e de recuperação de empresas. Finalmente, a curta, porém proveitosa passagem pela Secretaria de Estado da Fazenda [Sefaz] e, sobretudo, a riquíssima experiência de participar, durante seis anos, como diretor-presidente do Banestes na gestão do governador Paulo Hartung”, conta Penedo. A partir de observações colhidas de sua vivência profissional, ele acredita que a maioria dos casos que alguns dirigentes de- FOTO: ANTÔNIO MOREIRA O executivo Roberto Penedo recuperou o Banestes, deixando o banco em posição de destaque finem como sendo "problemas financeiros" de suas empresas são, em verdade, questões consequentes de gargalos gerenciais que não serão resolvidos apenas com injeção de capital. “Assim, grande parte da solução desses problemas deve estar atrelada a uma reestruturação do negócio, o que pode indicar a necessidade de se criar uma nova composição acionária, com mudança parcial ou total do controle da empresa. Nasce, dessa forma, um importante nicho de mercado de trabalho, no qual pretendo atuar em parceria com uma ampla rede de consultores especializados nos mais diversos campos da ciência empresarial”, afirma Penedo. O ACADÊMICO - Penedo foi professor do curso de Economia da Ufes entre março de 1974 e maio de 2003. Durante parte de sua fase como docente, foi responsável pela elaboração da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada na Grande Vitória em 1982. Também conduziu a apuração do Índice de Preços ao Consumidor da Região da Grande Vitória por 12 anos (1983 a 1995). Na Ufes, foi também chefe do Departamen- to de Economia e diretor do Centro de Ciências Econômicas e Jurídicas. Como destaque de sua passagem à frente da reitoria da Ufes (1992 a 1996), cita o grande esforço de impulsionar a pós-graduação stricto sensu, com a triplicação do número de cursos de mestrado e a implantação do primeiro curso de doutorado. Foi em sua gestão que se realizou, na Ufes, a 46ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior evento científico e cultural já realizado no Estado. Penedo começou sua trajetória profissional como estagiário da Faculdade de Ciências Econômicas da Ufes e da Vale. Formado em Economia pela Ufes e pelo Colby College (Waterville, Maine, EUA), possui curso de mestrado pela Indiana University (Bloomington, Indiana, EUA). Tem vários trabalhos publicados, na área de consultoria econômica e financeira para empresas privadas e órgãos do poder público. É autor do livro “A Taxa Interna de Retorno na Análise de Investimentos”, publicado em 2005. O executivo Penedo foi presidente do Banestes de outubro de 2004 a 20 de janeiro de 2011. Esses seis anos e três meses tiveram um breve intervalo. Em março de 2009, foi convocado pelo então governador Paulo Hartung para assumir a Sefaz, onde ficou até início de julho de 2009. “Nos poucos meses à frente da Secretaria, tomamos a iniciativa de fechar os postos de fronteira da fiscalização estadual. A medida, por mais paradoxal que possa a princípio parecer, trouxe grande racionalização e maior eficiência para a estrutura de arrecadação do Estado”, ressalta Penedo. Sua passagem pelo Banestes deixou uma marca indelével. O banco experimentou um crescimento exuberante, emergindo como instituição sólida, rentável e eficiente e alcançando, ano após ano, posições de destaque nos mais importantes rankings financeiros nacionais. Penedo dirigiu o Banestes voltado para o alcance de resultados, com a crença de que o que é público pode e deve ser eficiente. Executivo empreendedor e dotado de espírito de liderança, ele logo ganhou o apoio dos empregados. O economista chegou ao banco com as metas de dobrar o Patrimônio Líquido (PL) da instituição (que em outubro de 2004 era de R$ 99,6 milhões) em um ano e triplicá-lo em dois anos. Essas metas, tidas como sonho por muitos, não só foram alcançadas como também em muito ultrapassadas. O PL do Banestes, em dezembro de 2010, chegou à casa dos R$ 790 milhões, um crescimento de 693%. O inicio de sua administração no Banestes foi caracterizado por três fortes linhas de atuação, implantadas para dar impulso aos resultados da instituição: redução de custos e racionalização de despesas, recuperação de créditos e ampliação e crescimento da carteira comercial. Foi sob esse tripé que o banco começou a se mover rumo à prosperidade, tendo gerado um Lucro Líquido acumulado de R$853,6 milhões, e um recorde em 2010 de R$167 milhões. A gestão Penedo foi também um tempo de inovação para o Banestes, que, com o advento do Banescard, tornou-se o primeiro banco comercial do País a dispor de um cartão de débito e crédito com bandeira própria. A reestruturação de produtos, a criação de novos e a abertura das agências empresariais foram de fundamental importância para a ampliação da carteira comercial do banco. Na era Penedo, o banco teve também os seus “testes de estresse”. Um deles foi a crise de 2008/2009, evento com grandes reflexos no sistema financeiro internacional e nacional. “Também vivenciamos a tentativa de realizar um IPO [Initial Public Offering ou oferta inicial de ações], processo cancelado em virtude da crise financeira internacional. Outra experiência foi a tentativa de venda do Banestes para o Banco do Brasil, negociação não concluída por discordância dos valores atribuídos pelo Banco do Brasil ao Banestes”, sublinha Penedo. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES ABRIL DE 2017 11 Fibria, em Aracruz, tem FOTO: DIVULGAÇÃO investimento de R$ 65 milhões Recursos aplicados em atividades realizadas nas fábricas demandaram o trabalho de quase 1.800 pessoas Terminal de Barcaças de Barra do Riacho No decorrer do mês de março, a Fibria realizou atividades de manutenção preventiva em duas de suas três fábricas (Fábricas B e C) no complexo industrial de Aracruz (ES). Os serviços fizeram parte da Parada Geral, ação estratégica de manutenção preventiva que visa assegurar a disponibilidade dos equipamentos da empresa, reconhecida por sua excelência operacional. Realizada entre os dias 5 e 23 de março, a operação demandou investimentos de R$ 65 milhões e envolveu a contratação de 77 empresas, que mobilizaram 1.760 trabalhadores temporários. Cerca de 70% dos recursos envolvidos nas atividades de manutenção foram utilizados na contratação de serviços, contribuindo para movimentar a economia local, principalmente considerando que a maior parte das empresas envolvidas (66%) são do Espírito Santo. Quando se avalia a contratação de trabalhadores locais esse percentual é ainda maior: 81% do efetivo da Parada Geral envolveram trabalhadores locais. Os 30% restantes dos recursos investidos na operação foram para aqui- sição de materiais. Por envolver grande número de empresas e de trabalhadores, a Parada Geral mobiliza serviços como alimentação, hospedagem, transporte e outros, movimentando uma cadeia de negócios. A operação de manutenção preventiva nas fábricas da Fibria ocorre a cada 15 meses, de acordo com a norma que regulamenta a atividade. O gerente de Manutenção da empresa, Aureo Machado Neto, explica que, numa Parada Geral, além dos serviços de manutenção feitos anualmente para garantir o perfeito funcionamento da fábrica, também são implantados projetos de melhoria em equipamentos e instalações. "Nesta última operação, cerca de R$ 15 milhões foram aplicados em 13 projetos de engenharia que introduziram melhorias no processo da empresa", disse ele. Um desses projetos envolveu adaptações na linha de picagem de toras, cujo objetivo foi tornar o processo mais eficiente no aproveitamento da madeira. As atividades realizadas durante a Parada Geral contribuem para aumentar a confiabilidade e a disponibilidade dos equipamentos que integram a linha de produção. FOTO: DIVULGAÇÃO Mais de 5 mil hectares de áreas protegidas no Espírito Santo Uma iniciativa desenvolvida pela Fibria vem contribuindo para ampliar a cobertura florestal nos estados em que atua, entre eles o Espírito Santo. A empresa desenvolve, desde 2010, um dos maiores programas de Restauração Ambiental conduzidos pelo setor privado no Brasil. Nos últimos sete anos, foi realizada a implantação de mais de 20 mil hectares de áreas de restauração no país, sendo 5,6 mil hectares somente no Espírito Santo. A meta da empresa é alcançar o patamar de 40 mil hectares implantados até 2025. No Espírito Santo, até o momento foram contemplados os municípios de Aracruz, Conceição da Barra, Fundão, Jaguaré, Linhares, Montanha, Mucurici, Pinheiros, Rio Bananal, São Mateus, Serra, Sooretama e Vila Valério. O Programa de Restauração Ambiental em terras capixabas emprega diferentes técnicas: plantio de mudas de espécies nativas, plantio consorciado de nativas com eucalipto, condução da regeneração natural, isolamento e controle de espécies exóticas e invasoras. No Espírito Santo, foi priorizada em 2016 a metodologia da condução da regeneração natural e o volume de plantios de nativas foi menor que o previsto. Segundo a analista de Meio Ambiente Florestal da Fibria, Tathiane Sarcinelli, isso se deu em função da seca prolongada na região da Uni- dade Aracruz (ES, BA e MG) nos últimos dois anos. “O alcance da meta de restauração foi possível graças ao mapeamento e à classificação das áreas que precisam ser restauradas com o uso de uma tecnologia óptica de detecção remota denominada LIDAR (Light Detection and Ranging, que significa Sistema de Varredura a Laser, em português). Com isso, pudemos inserir no Programa de Restauração do ano mais áreas com alto potencial de regeneração, onde não há necessidade de atividades de plantio de nativas”, explica Tathiane. A Fibria mantém parcerias com universidades, agências governamentais (BNDES), clientes e ONGs, como a The Nature Conservancy (TNC), buscando sempre o aperfeiçoamento dos métodos de restauração e alternativas para otimização dos recursos. RESULTADOS - Para o gerente de Meio Ambiente Florestal da Fibria, João Augusti, os bons resultados mostram o compromisso da empresa com a conservação da Mata Atlântica e do Cerrado. “Conseguimos superar a meta de restauração em 2016, com 2.808 hectares implantados em 49 municípios de cinco estados brasileiros. Além disso, o programa é um laboratório a céu aberto em função das diferentes metodologias adotadas e ambientes trabalhados”, afirmou. A restauração traz inúmeros benefícios ambientais, sociais e econômicos. Dentre os serviços ambientais destaca-se o controle da erosão, o controle da proliferação de pragas e doenças, a regulação da disponibilidade de água e do microclima regional, a melhoria da qualidade do ar, ganhos de biodiversidade e outros benefícios para a sociedade. A restauração também contribui com a geração de renda e oportunidades. São cerca de 500 empregos diretos e indiretos relacionados às atividades desenvolvidas no programa da empresa no país, o que inclui trabalho de campo, escritório, viveiros de mudas nativas e outros fornecedores. O trabalho também ajuda a fortalecer a economia regional, por meio da aquisição de mudas e insumos (adubo, herbicida, equipamentos e outros), capacitação de prestadores de serviços e equipes de monitoramento. "A Fibria vem aperfeiçoando essa cadeia produtiva para, junto aos desafios dos governos e proprietários rurais, atender aos desafios do atendimento do novo Código Florestal e da meta da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que prevê medidas como a redução das emissões dos gases de efeito estufa e o sequestro e estoque de carbono", complementa João Augusti. Fábricas da Fibria, em Aracruz, receberam investimento para modernização R$ 54,4 milhões na modernização do transporte marítimo de madeira A Fibria está investindo R$ 54,4 milhões na modernização do transporte marítimo de madeira, realizado entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. As obras, iniciadas no mês de dezembro, geram 145 empregos temporários. A primeira fase do projeto tem início de operação previsto para o mês de maio e a segunda e última fase começa a operar no mês de agosto de 2017. A madeira, proveniente de florestas plantadas de eucalipto e com certificados internacionais de manejo florestal, irá abastecer a unidade industrial da Fibria em Aracruz (ES). A modernização consiste na instalação de guindastes de grande porte no Terminal Marítimo de Caravelas (BA), onde a madeira é embarcada, e no Terminal Marítimo de Barra do Riacho (ES), onde é feito o desembarque. São equipamentos com tecnologia de vanguarda, fabricados na Finlândia, que garantirão operações mais seguras e sustentáveis, mais produtivas e com mais conforto ergonômico para os operadores. “Com essas máquinas, vamos reduzir em 42% o tempo de carga e descarga das barcaças que transportam madeira”, disse Luiz Geraldo Micheletti Goessler, gerente de Logística Florestal da Fibria. Atualmente, o ciclo de viagem da barcaça que transporta madeira entre o Terminal de Caravelas (BA) e o de Barra do Riacho (ES) é de 12 horas. Goessler destaca os ganhos em segurança no transporte e os benefícios ambientais, com menor emissão de CO2, menor uso de combustível derivado do petróleo e redução no consumo de pneus. Cada barcaça que atua no sistema de transporte marítimo de madeira da Fibria (quatro no total) comporta carga equivalente a 100 viagens de carreta do tipo tritrem. O gerente geral florestal da Fibria, Carlos Alberto Nassur, destaca que a modernização do transporte marítimo contribui para a estratégia da Fibria de dar mais equilíbrio à sua matriz de transportes. A cabotagem marítima de madeira, iniciada pela empresa como alternativa de transporte há mais de 10 anos, foi uma inovação numa época em que o sistema praticamente não era utilizado no País. “O Brasil ainda concentra no modal rodoviário boa parte do transporte das cargas que circulam por aqui, mas a Fibria vem contribuindo para dar mais equilíbrio a essa equação”, observa Nassur. DESTAQUES DO PROJETO – Dos R$ 54,4 milhões investidos na modernização dos dois Terminais Marítimos, R$ 31,3 milhões são para obras civis e R$ 23,1 milhões nas novas máquinas portuárias (quatro guindastes: dois para o Terminal de Caravelas e dois para o de Barra do Riacho). Eles substituirão a operação de seis máquinas carregadeiras que atualmente fazem a movimentação de madeira nas barcaças. Em maio de 2017 entram em operação os dois primeiros guindastes – um em Barra do Riacho e outro em Caravelas. E no mês de agosto de 2017 entram os outros dois. Os equipamentos que vão operar em Barra do Riacho têm uma particularidade: serão movidos a eletricidade, produzida na própria unidade industrial da Fibria, que é autossuficiente em geração de energia. A empresa está investindo em linhas de transmissão ligando sua fábrica ao Portocel, onde está instalado o Terminal de Barcaças. A alternativa vai representar economia em combustíveis, além de contribuir para a redução da emissão de CO2, o que está em linha com os princípios de sustentabilidade da Fibria. GERAÇÃO DE EMPREGOS – O processo de recrutamento dos trabalhadores mobilizados para o projeto, tanto no Espírito Santo quanto no sul da Bahia, vem sendo feito por intermédio do Sistema Nacional de Empregos (Sine Teixeira de Freitas-BA e Sine AracruzES). São 145 empregos temporários (75 em Caravelas/BA e 70 em Barra do Riacho/ES). Para a fase de operação, a Fibria vai contratar profissionais que passarão por treinamento envolvendo o fabricante do equipamento, a empresa finlandesa Mantsinem. O fabricante trará um simulador do equipamento para o Brasil a fim de treinar os operadores. ■

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