Gazeta Valeparaibana

 

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Abril de 2017

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Ano X - Edição 113 - ABRIL 2017 Distribuição Gratuita RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Dia 09 de Abril Nacional do Aço Para falarmos sobre o aço, teremos obrigatoriamente de falar sobre o Nióbio: a riqueza desprezada pelo Brasil Países ricos gostariam de tê-lo extraído do seu solo, enquanto o Brasil dispensa pouca importância a esse mineral com tão vastas qualidades e de incontáveis aplicações O nióbio, símbolo químico Nb, é muito empregado na produção de ligas de aço destinadas ao fabrico de tubos para condução de líquidos. Como curiosidade, o nome nióbio deriva da deusa grega Níobe que era filha de Tântalo que foi responsável pelo nome de outro elemento químico, tântalo. O nióbio é dotado de elasticidade e flexibilidade que permitem ser moldável. Estas características oferecem inúmeras aplicações em alguns tipos de aços inoxidáveis e ligas de metais não ferrosos destinados à fabricação de tubulações para o transporte de água e petróleo a longas distâncias por ser um poderoso agente anticorrosivo, resistente aos ácidos mais agressivos, como os naftênicos. Inúmeras são as aplicações do nióbio, indo desde as envolvidas com artigos de beleza, como as destinadas à produção de joias, até o emprego em indústrias nucleares. Na indústria aeronáutica, é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes, devido a sua alta resistência a combustão. São tantas as potencialidades do nióbio que a baixas temperaturas se converte em supercondutor. O elemento nióbio recebeu inicialmente o nome de “colúmbio”, dado por seu descobridor Charles Hatchett, em 1801. Não é encontrado livre no ambiente, mas, como niobita (columbita). O Brasil com reserva de mais de 97%, em Catalão e Araxá, é o maior produtor mundial de nióbio, e o consumo mundial é de aproximadamente 37 mil toneladas anuais do minério totalmente brasileiro. Ronaldo Schlichting, administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional, em seu excelente artigo, que jamais deveria ser do desconhecimento do povo brasileiro, chama a atenção sobre a “Questão do Nióbio” e convoca todos os brasileiros para que digam não à doutrina da subjugação nacional. Menciona que a história do Brasil foi pautada pela escravidão das sucessivas gerações de cidadãos submetidos à vergonhosa doutrina de servidão. Schlichting, de forma oportunista, desperta na consciência de todos que “qualquer tipo de riqueza nacional, pública ou privada, de natureza tecnológica, científica, humana, industrial, mineral, agrícola, energética, de comunicação, de transporte, biológica, assim que desponta e se torna importante, é imediatamente destruída, passa por um inexorável processo de transferência para outras mãos ou para seus ‘testas de ferro’ locais”. Identificam-se, nos dizeres do membro da Liga de Defesa Nacional, as estratégias atualmente aplicadas contra o Brasil nesta guerra dissimulada com ataques transversais, característicos dos combates desfechados durante a assimetria de “4ª Geração”. Os brasileiros têm que ser convencidos de que o Brasil está em guerra e que de nada adianta ser um país pacífico. Os inimigos são implacáveis e passivamente o povo brasileiro está assistindo a desmontagem do país. Na guerra assimétrica, de quarta geração de influências sutis, não há inicialmente uso de armas e bombardeios com grande mortandade. O processo ocorre de forma sub-reptícia, com a participação ativa de colaboracionistas, entreguistas, corruptos, lobistas e traidores. O povo na sua esmagadora maioria desconhece o que de gravíssimo está ocorrendo na sua frente e não esboça nenhum tipo de reação. Por trás, os países hegemônicos, mais ricos, colonizadores, injetam volumosas fortunas em suas organizações nacionais e internacionais (ONGs, religiosas, científicas, diplomáticas) para corromperem e corroerem as instituições e autoridades nacionais para consequentemente solaparem a moral do povo e esvaziar a vontade popular. Este tipo de acontecimento é presenciado no momento no Brasil. O Povo brasileiro tem sido entretido com politicagem e se esquece que é com as suas riquezas que podemos passar de subdesenvolvidos e desenvolvidos. Esquecemo-nos disso quando falamos em deixar um País melhor para nossos filhos e netos. Pensem nisso, divulguem, isso. Filipe de Sousa RECLAMAR OU REVOLUCIONAR mas de agressões físicas, morais e verbais, é o A Urgência da Reforma Que os movimentos tornem-se a causa desrespeito a uma classe, mas também ao ser de todos e aqueles que não forem para humano. Mulheres e homens que exercem uma Política as ruas por motivos particulares ou, se profissão que forma outras pessoas, ajuda a O primeiro Poder da República que preferirem ficar confortavelmente “em preparar para a vida e não possuem o reconhe- precisa ser corrigido é o Legislativo, a cima do muro”, pois sabem que mesmo cimento que merecem. Não somos valorizados. instituição do Parlamento. Os vereadores e sem lutar, se beneficiarão sem nenhuma exposição como os que o fizeram. Leia mais: Página 3 deputados são representantes das pessoas, e devem ser acessíveis a elas, devem prestar Mas, já que não revolucionam, então não recla- O NEGÓCIO DO ACORDO contas às elas de seus mandatos. mem. ORTOGRÁFICO Os senadores são representantes dos estados, Leia mais - Página 2 “O projeto, nascido da cabeça do inte- então devem representar os governos estadu- A violência contra os professores lectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi ais ou assembleias legislativas estaduais. Não desde o inicio um empreendimento com fins lucrati- há necessidade de dois parlamentos federais É triste saber que nós professores vos, apoiado por urna poderosa máquina política e para representar a população. não temos a nossa profissão valoriza- comercial com ramificações em Portugal. “ da. É triste ver professores sendo víti- Leia mais: Página 4 Leia mais: Página 5 CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Baixe o aplicativo IOS NO SITE de base para bonificação de pro- Talvez para a gente poder discutir fessores, o fazer docente em sala um pouco melhor o assunto seja de aula tem sido constantemente imprescindível falarmos das dife- enxertado de concepções, achis- renças entre Cultura (Arte) e Entre- mos e métodos para “melhorar” o tenimento (Diversão). nível de aprendizado dos seus aluLeia mais: Página 6 nos. Leia mais: Página 11 AVALIAÇÕES EXTERNAS: Leia mais: Página 9 Comunidade dos Países da DE QUE SERVEM AO PROFESSOR? ARTE X ENTRETENIMENTO O que é Cultura? Há Língua Portuguesa CPLP Desde que as avalia- muita discussão sobre A ideia de criação de uma comuni- ções externas passaram a orientar as políticas públicas edu- essa definição. Para dade de países e povos que partialguns de nós a Cultura lham a Língua Portuguesa ao loné sinônimo de diversão go dos tempos. cacionais e serviram simplesmente. Leia mais: Página 11 Dez anos a serviço da educação, da cidadania e valorização das culturas e tradições brasileiras

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial - Novidades !!! RECLAMAR OU REVOLUCIONAR amedrontado cumpre à risca sua jornada sem pressionar o empregador. Mas, afinal, se todos faltarem ao trabalho o que aconteceria? Todos os empregados seriam demitidos? As mães enviam seus filhos para as escolas saben- do que as portas estarão fechadas e reclamam co- O Brasil inteiro reclama do governo e suas medidas. mo se o professor não estivesse lutando pelos seus Discutem, debatem pelas redes sociais e por aí se direitos e qualidade no ensino. expande a insatisfação da atual situação. Tem gente que vai para as compras sabendo que Unidos pela força e vontade de impedir injustiças muitas portas não se abririam e no meio do tumulto que corrompem nossos direitos e ameaçam nosso de um dia como esse, reclamam, mas, quando es- futuro, promoveu-se um ato público e manifesto nas tão nos supermercados também reclamam dos pre- ruas, aliados a greves dos funcionários dos ônibus e ços e não fazem nada para aqueles que lutam por metrô que, da mesma forma, sentem-se ameaçados um novo rumo de nossas vidas. em seus direitos trabalhistas e garantia de um bem estar. Que os movimentos tornem-se a causa de todos e aqueles que não forem para as ruas por motivos O país propagou e chamou para as ruas o povo pa- particulares ou, se preferirem ficar confortavelmente ra manifestarem seus desejos no intuito de serem “em cima do muro”, pois sabem que mesmo sem ouvidos pelos nossos governantes que tomaram as lutar, se beneficiarão sem nenhuma exposição como rédeas e nos ameaçam duramente a cada dia com os que o fizeram. decisões que só nos escravizam duramente para que continuemos investindo nossas energias au- Mas, já que não revolucionam, então não reclamem. mentando a renda “deles” e diminuindo cada vez Banidos de um ensino de qualidade, de garantias mais as condições do povo varonil, tão cansado do dos benefícios ao trabalhador e ao aposentado que suor derramado que mal o recompensa para ganhar movimentam a economia do país, por todos os altos o pão de cada dia. impostos que se paga por uma vida inteira e pela Pronto! Os brasileiros resolveram agir e sair para as negligência à saúde, desvalorização dos educado- ruas e tudo muito bem divulgado e “combinado”. res, inviabilização da propagação e incentivo à arte e cultura, impunidade dos crimes que nos ameaçam Mas, eis o que me faz escrever essa crônica: diariamente e à corrupção que se assola, prova é de Já que tudo foi combinado e divulgado sobre o movi- que nos castram no âmago de nossas consciências mento e a paralisação dos meios de transportes, no e assim, nossa passagem por essa vida só nos inmeu entender, houve tempo para se pensar e anali- duz a abrirmos mão de construir caminhos e nos sar a situação e decidir em sair para participar, ficar condenando à condição de cidadãos a marionetes em casa, apoiar o movimento, adiar ou antecipar comandados pelos poderosos que tem acesso a tu- compromissos da referida data (médico, reuniões, do que estão nos tirando e ainda com a diferença de pagamento de contas e outros). que o atendimento que precisam com qualidade e que aqui não tem, buscam nos países desenvolviNo entanto, muitos resolveram trabalhar já sabendo dos que lhes garantem isso. das dificuldades que iriam enfrentar alguns, porque não podem arriscar seus empregos ou a remunera- Somente coletivamente poderemos ter uma sociedação do dia e desesperados, por cumprir seus horá- de mais justa, divididos continuaremos como gralhas rios, reclamam da greve como um desrespeito a e- emitindo sons e comendo migalhas. les, mas não do empresário que chega a hora que Ou, embora cansados, vamos correr até alcançar quer e com outros meios de transportes que não se- voos como águias... ja ônibus e metrô e sem se preocuparem em viabili- zar recursos para que esses tenham possibilidades de chegar ao trabalho e flexibilidade nos horários e Genha Auga garantia de não serem descontados. O empregado Jornalista MTB:13.520 Como você já deve ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o ‘GV - Ciência’. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta do Portal Comunique-se pode fazer uso do ‘C-SE Acadêmico’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: csecientifico@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “GV - ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. Tapar o sol com a peneira Peneira é um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é inglória, uma vez que o objecto é permeável à luz. A expressão teria nascido dessa constatação, significando atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência. O pomo da discórdia A lendária Guerra de Troia começou numa festa dos deuses do Olimpo: Éris, a deusa da Discórdia, que naturalmente não tinha sido convidada, resolveu acabar com a alegria reinante e lançou por sobre o muro uma linda maçã, toda de ouro, com a inscrição “à mais bela”. Como as três deusas mais poderosas: Hera, Afrodite e Atena disputavam o troféu, Zeus passou a espinhosa função de julgar para Páris, filho do rei de Troia O príncipe concedeu o título a Afrodite em troca do amor de Helena, casada com o rei de Esparta. A rainha fugiu com Páris para Tróia, os gregos marcharam contra os troianos e a famosa maçã passou a ser conhecida como “o pomo da discórdia” – que hoje indica qualquer coisa que leve as pessoas a brigar entre si. Santa do pau oco Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal. MÊS QUE VEM TEM MAIS Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês A violência contra os professores A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgou uma pesquisa que indica o Brasil como sendo o país que possui o maior número de violência contra professores. Esse estudou focou nas condições de trabalho dos professores e na aprendizagem escolar, com o intuito de servir de base para políticas públicas a respeito do assunto. Foram 34 países envolvidos na pesquisa. É lamentável saber que ocupamos esse ranking. Calendário É triste saber que nós professores não temos a nossa profissão valorizada. É triste ver professores sendo vítimas de agressões físicas, morais e verbais, é o desrespeito a uma classe, mas também ao ser humano. Mulheres e homens que exercem uma profissão que forma outras pessoas, ajuda a preparar para a vida e não possuem o reconhecimento que merecem. Não somos valorizados. Nossas escolas da rede pública não se modernizaram e manter o aluno em sala de aula virou uma tarefa quase impossível. Nada o atrai, porque paramos no tempo. O governo demonstra descaso pela educação. O que temos são professores desmotivados, sem autoridade, alunos desinteressados, rebeldes, pois a sala de aula não é atraente. A escola ficou com a tarefa de educar também, pois esses jovens que desrespeitam o professor estão carentes de um aprendizado básico, que são as regras básicas de convívio em sociedade, tarefa que deveria ser dos pais. Respeito, gentileza, educação se aprende em casa. A grande maioria dos professores já sofreu com algum tipo de agressão. Seja ela física, verbal, algum tipo de assédio moral, preconceito, discriminação, bullying etc. Não dá para achar que isso é normal. NÃO É. Essa rotina de violência não pode se perpetuar, e agir dessa forma não vai resolver os problemas. Acredito que a impunidade seja um agravante dessa situação. É necessário tomar medidas mais severas contra os agressores. Também é necessário trabalhar a prevenção, a educação, o respeito e a tolerância. A violência contra os professores está se agravando e as atitudes agressivas se tornando parte do dia-adia desses profissionais. É necessário que os professores possam exercer sua profissão com segurança, sem medos. Não são só os professores que sofrem com a violência. Esse mal está presente na sociedade em geral, proveniente de diversos fatores. A maioria dos professores gosta do que faz, mas não vemos incentivo, reconhecimento e apoio por parte do governo e da sociedade em geral.. A Rotina de um professor é estafante. Trabalhar com medo e receio de sofrer alguma agressão, sem as condições apropriadas, e ainda se sentir desvalorizado, mal remunerado, sem estímulo para continuar, constitui um agravante nessa rotina. Precisamos acreditar que fazemos a diferença. Precisamos recuperar a dignidade perdida. Reconhecer a importância do nosso papel na sociedade e sermos sabedores que só a educação é capaz de mudar o mundo. Algumas datas comemorativas 01 - Dia da Mentira 02 - Dia Internacional do Livro Infantil 07 - Dia do Jornalista 07 - Dia Mundial da Saúde 09 - Dia Nacional do Aço 11 - Dia da Escola de Samba 13 - Dia do Hino Nacional Brasileiro 13 - Dia da Carta Régia 14 - Dia Mundial do Café 15 - Dia Nacional da Conservação do Solo 18 - Dia de Monteiro Lobato 19 - Dia do Índio 19 - Dia do Exército Brasileiro 21 - Tiradentes 21 - Aniversário de Brasília 22 - Descobrimento do Brasil 22 - Dia da Terra 22 - Dia da Comunidade Luso-Brasileira 28 - Dia da Educação Ver mais sobre na Página 12 Procure descobrir o seu caminho na vida. Ninguém é responsável por nosso destino, a não ser nós mesmos. Chico Xavier Podemos e devemos mudar essa realidade que se apresenta de maneira tão desencorajadora para nós profissionais da educação. Através do diálogo e de debates, podemos chegar a um patamar onde o convívio e o respeito entre alunos e professores seja o normal. Onde todos sejam valorizados. É só não perdermos a consciência da nossa importância no papel da formação do cidadão e de uma sociedade mais consciente justa e digna. Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Culturas e Identidades O NEGÓCIO DO ACORDO ORTOGRÁFICO Nacional de Política Cultural, do Ministério da Cultura (1994-1995). Foi a (parte I) seguir (1996) presidente da Academia Brasileira de Letras. Jocosamente, o humorista brasileiro Millôr Fernandes referia-se-lhe dizendo: "Houaiss co- nhece todas as palavras da Língua Portuguesa, ele só não sabe junta-las". Este mês compartilharei um artigo foi publicado no Jornal O Diabo em 24 de Junho de 2014 que trata da história do Em 1985, Antônio Houaiss era apenas um intelectual de esquerda com uma Acordo Ortográfico de 1990. Este é um tema de estrema ambição: compor um dicionário da Língua Portuguesa que ombreasse com relevância dado que o referido AO aniquila por completo o famoso "Dicionário Aurelio", da autoria de Aurelio Buarque de Holanda a Língua Portuguesa. Em Portugal, o AO está sob júdice e será de bom Ferreira, que desde a sua primeira edição, em 1975, já vendera até então tom que no Brasil as discussões também se iniciem. Sob a premissa do mais de um milhão de exemplares. Mas Houaiss confrontava-se com uma comércio imoral de modo algum se pode matar a Lingua de todos nós. "pequena" dificuldade técnica: para ultrapassar as marcas de Aurelio, o seu dicionário teria de galgar as fronteiras do Brasil e impor-se em todo o mundo “O projecto, nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio lusófono como obra de referencia. E para tanto era preciso "unificara a LínHouaiss, foi desde o inicio um empreendimento com fins lucrativos, apoiado gua" ... por urna poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portu- gal. “ Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde sucedeu a Álvaro Lins (diplomata "progressista" que nos anos 50 provocara uma crise diplo- O português mais distraído talvez pense que um colégio de sábios bons e mática entre Brasília e Lisboa ao conceder asilo político a Humberto Delga- eminentes terá decidido um dia, após longos anos de estudo e investigação, do na embaixada brasileira em Portugal), Houaiss começou a congeminar proceder à reforma do sistema ortográfico da Língua Portuguesa - e que os um projecto de "unificação ortográfica" logo em 1985, com o auxilio do filólo- governos dos países lusófonos, tendo-se debruçado sobre o assunto com o go Mauro de Salles Villar. No inicio de 1986, Houaiss promoveu no Rio de auxilio ponderado de gramáticos e lexicógrafos, terão conscienciosamente Janeiro os primeiros "Encontros para a Unificação Ortográfica da Língua aprovado essa tão bem preparada reforma. Mas o português distraído esta- Portuguesa", que haveriam de arrastar-se ate 1990. O dicionarista obtivera ria redondamente enganado. para isso "carta branca da ABL", segundo referiu José Carlos de Azeredo, professor do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janei- Já se sabia que o acordo ortográfico foi preparado em cima do joelho, longe ro, em entrevista ao jornal digital brasileiro UOL. "O Antônio Houaiss era o do debate público e do escrutínio do povo, dos mestres da Língua e dos es- único representante brasileiro", especificou. pecialistas da Gramática. Mas só agora começa a conhecer-se, em detalhe, todo o processo de de um tratado internacional que, embora já esteja a ser Máquina política e comercial aplicado em alguns países (como Portugal), só entrara plenamente em vi- gor, se algum dia entrar, quando todos os governos lusófonos o assinarem. De inicio, a intelectualidade dos dois lados do Atlântico fez vista grossa a E ainda falta um ... flagrante coincidência entre o autor da ideia de "unificar a Língua" e o poten- cial autor do primeiro grande dicionário da Língua "unificada". Só depois, Em Portugal, no Brasil e em Angola, o acordo suscita enormes polémicas e por fugas de informação, a comunidade cientifica se apercebeu da monstru- tem contra si uma parte considerável do mundo académico e literário. Não osidade do propósito. Mas a maquina política e comercial já estava em mar- obstante, governos e parlamentos dos PALOP terem vindo a ratificar conse- cha ... Em 1990, os representantes dos PALOPs são levados a subscrever cutivamente o tratado, na ilusão "politicamente correcta" (estranhamente um primeiro tratado com vista a "uniformização" da ortografia. E Antônio adoptada em Portugal por Executivos de centro-direita) de que ele repre- Houaiss e Salles Villar embrenham-se na elaboração da sua obra-prima. De senta "progresso" e "igualdade". caminho, Houaiss vinha publicando outros livros, de carácter mais partidá- rio, como "O fracasso do conservadorismo", "Brasil-URSS 40 anos do esta- A ideia, é certo, nasceu na cabeça de um académico esquerdista, o brasilei- belecimento de relações diplomáticas", "Socialismo e liberdade" ou ro Antônio Houaiss, que contou em Portugal com o providencial auxilio do "Socialismo-Vida, morte e ressurreição". Creditava-se, assim, como político, linguista Malaca Casteliro. Viajemos, então, no tempo e procuremos a géne- condição que assumiu plenamente ao integrar o governo socialista de Itase de todo o processo, que nas últimas três décadas tem enchido os bolsos mar Franco, na sequencia do 'impeachment' do presidente Collor de Melo. a um grupo restrito de autores e editores. Por esta altura, tornara-se óbvia a falta de entusiasmo dos intelectuais bra- Segundo o testemunho do escritor português Ernesto Rodrigues, professor sileiros quanto a uma reforma, da ortografia. Um primeiro acordo fora assi- da Faculdade de Letras de Lisboa, publicado no seu 'blog' na internet, nado, é certo, mas previa-se um longo e difícil caminho até à sua promulga- "Antônio Houaiss e Malaca Casteleiro dinamizavam, desde 1986, um pro- ção final no Brasil. Na própria Academia Brasileira de Letras, muitos eram jecto de acordo ortográfico". Este fora sugerido, em primeiro lugar, no ano os académicos que se manifestavam contra o projecto. Um deles, o conhe- anterior, por Houaiss, que até ai fizera carreira como autor de versões brasi- cido gramático Evanildo Bechara, afirmava mesmo: "Deus nos livre desta leiras de dicionários enciclopédicos e dirigira, havia pouco, um ''Vocabulário monstruosidade". Que fazer? A generalidade dos cientistas opunha-se ao Ortográfico da Língua Portuguesa" (1981). acordo, mas este estava assinado e podia, ainda que informalmente, ser "imposto" através da divulgação massiva de um "novo dicionário" usando as Consultor de editoras privadas "novas regras". E se essa divulgação pudesse ser feita pelo próprio Estado, tanto melhor. Foi este o caminho escolhido pelos defensores dessa "nova Quem era Antônio Houaiss? De origem libanesa, nascido no Rio de Janeiro em 1915, Houaiss era docente de Língua Portuguesa e consultor de várias língua" a que em Portugal logo se pós a alcunha de "acordês". “ editoras privadas de livros quando a ideia lhe surgiu. Apoiante de Getúlio Vargas (e depois de Leonel Brizola e do Partido Democrático Trabalhista, Loryel Rocha membro da Internacional Socialista), nunca escondeu as suas ideias políticas. Estas leva-lo-iam mais tarde ao cargo de ministro da Cultura no governo socialista de Itamar Franco, entre 1992 e 1993, e a direcção do Conselho Filósofo, Escritor e Professor Email: culturaseindentidades@gmail.com Mantido o texto original - Português de Portugal - A pedido do Escritor Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania Após a proclamação da república presidenci- presentação é melhor distribuída conforme o alista, o coronelismo dominou absoluto o Bra- tamanho da população de cada estado; sil até Getúlio Vargas em 1930. Eu suspeito, acredito que, se a Monarquia bragantina não tivesse caído no Brasil, o Regime Militar entre 1964-1985 não teria existido. Não tenho como ter certeza, mas creio que não teria havido. Os poderes do Parlamento iriam au- - Proibir o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, permitindo apenas um limite de doações de pessoas físicas (por respeito a ideologia do eleitor) além do financiamento público das campanhas eleitorais; mentar e os do Monarca diminuir, no decorrer - Reduzir os poderes legislativos dos verea- do século XX. O Senado passaria a ser eleti- dores, deputados (e senadores), de forma vo posteriormente, as províncias teriam auto- que não possam mais votar o próprio aumen- nomia ampliada. É o que eu acho. to salarial, regalias e benefícios em geral. Mas, não há como voltar no tempo e corrigir. Já aconteceu e, não acredito que o povo brasileiro vá querer restaurar a Monarquia no século XXI. A República veio para ficar. Mas, dentro da forma republicana de governo, o povo brasileiro deve se empenhar para que haja mudanças no sistema político-eleitoralpartidário. Eu tenho a crença de que o pro- Tais assuntos passariam a ser votados pelo povo em plebiscito e referendo. Durante a vigência do mandato, os políticos e seus dependentes deverão obrigados por lei a usar o SUS como plano de saúde, estudar em escola pública, e pagar INSS, se sujeitando às mesmas regras dos cidadãos de baixo poder financeiro se sujeitam; A Urgência da Reforma Política blema no Brasil é que há um “abismo” de dis- - As casas legislativas passariam a ser audi- tância entre o eleito e o eleitor, principalmen- tadas pelo ministério público eleitoral e outros A Reforma Política é chamada de “a mãe te no Poder Legislativo. Há um problema de órgãos externos; de todas as reformas”. Porque é a reforma mais urgente que o Brasil necessita. É claro que não há um consenso sobre o que deve representatividade da maioria da população. Eu tenho uma diversidade de propostas para os muitos detalhes da Reforma Política, mas - Reduzir o número de 513 para 345; de deputados federais, ser mudado, qual o modelo ideal. Cada pes- se eu mencionar todos os detalhes aqui, o O primeiro Poder da República que precisa soa tem os seus interesses e os seus concei- texto vai ficar muito longo. Para introduzir o ser corrigido é o Legislativo, a instituição do tos. Aqueles que se beneficiam do status quo diálogo sobre o assunto, eu proponho o se- Parlamento. Os vereadores e deputados são vão “mover céus e terra” para mantê-lo. guinte, para começar: representantes das pessoas, e devem ser Compete aos prejudicados pelo status quo “mover céus e terra” para mudá-lo. A minha percepção da realidade política brasileira, considerando a história do país, eu entendo que abolir a Monarquia e proclamar a República da forma como foi feita em 1889 foi um erro desastroso. Considero assim por causa do rumo que a história política brasileira tomou posteriormente. Quem realmente fundou o Estado Brasileiro foi D. João VI e, D. Pedro I apenas formalizou a independência do Brasil. D. Pedro II é quem teve um reinado plenamente brasileiro, e duradouro de forma a servir como modelo de experiência. O monarca ao menos colocava um limite às oligarquias políticas regionais e nacionais. - Voto Distrital (Puro ou Misto) para eleger vereadores e deputados; - Recall Político (Revogação de mandato de parlamentares por eleitores); - Permitir apenas uma reeleição para vereadores, deputados e senadores, no mesmo cargo político. - Quanto ao Senado Federal, o ideal mesmo seria extinguir o Senado e adotar o unicameralismo a nível federal. Mas, se a maioria não concordar, tenho também a sugestão de adotar o modelo alemão e austríaco (Bundesrat), no qual o governo estadual faz o papel de legislador na Câmara Alta do Parlamento Federal no que se refere aos estados, e a re- acessíveis a elas, devem prestar contas às elas de seus mandatos. Os senadores são representantes dos estados, então devem representar os governos estaduais ou assembleias legislativas estaduais. Não há necessidade de dois parlamentos federais para representar a população. Deputados representam pessoas e senadores representam estados. O que eu escrevo aqui é um conjunto de sugestões. Eu não sou dono da verdade e nem da razão, não há problema de alguém discordar de mim. Apenas interpreto que as coisas seriam melhores se fossem como eu proponho. João Paulo E. Barros Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! Entenda como funciona a estrutura do Estado brasileiro Organização A União está divida em três poderes, indepen- O Brasil é uma República Federativa Presidencialista, formada pela União, Estados, Distrito Federal e municípios, em que o exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e independentes, submetidos a um sistema de controle para garan- dentes e harmônicos entre si. São eles o Legislativo, que elabora leis; o Executivo, que atua na execução de programas ou prestação de serviço público; e o Poder Judiciário, que soluciona conflitos entre cidadãos, entidades e o estado. tir o cumprimento das leis e da Constituição. O Brasil tem um sistema pluripartidário, ou seja, O Brasil é uma República porque o Chefe de estado é eleito pelo povo, por período de tempo determinado. É Presidencialista porque o presidente da República é Chefe de Estado e também Chefe admite a formação legal de vários partidos. O partido político é uma associação voluntária de pessoas que compartilham os mesmos ideais, interesses, objetivos e doutrinas políticas, que de governo. É Federativa porque os estados têm tem como objetivo influenciar e fazer parte do po- autonomia política. der político. Fonte: brasil.gov.br www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Politizando cialismo e no parlamentarismo, as chefias de go, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega. Exem- Estado e do governo são separadas. Ou o mo- plos de repúblicas parlamentaristas, a Alema- narca (rei ou rainha, ou imperador...) ou o pre- nha, a Itália, a Grécia, a Índia. Exemplos de sidente é o chefe de Estado e o primeiro- repúblicas presidencialistas hoje, os Estados ministro é o chefe de governo. O primeiro- Unidos, o Brasil, a Argentina, o México e An- ministro é escolhido pelos deputados nacio- gola. Exemplos de repúblicas semipresidenci- nais (no Brasil seriam os deputados federais) alistas, a França, a Rússia, a Argélia, a Coreia Você conhece as formas e sistemas de gover- do partido que tem o maior número de deputa- do Sul e Moçambique. no no mundo atual? Cada nação tem as suas peculiaridades culturais, não há uma isonomia de costumes na humanidade. E isso se reflete também na política, na forma de se governar os diversos países. No decorrer da história, a democracia tomou formato de um jeito diferente em cada local deste mundo, em cada situação, em cada época. dos no parlamento, que é o partido que vai formar o governo. Qual é, afinal, a diferença de uma república parlamentarista para uma república semipresidencialista, já que ambas tem um presidente como chefe de Estado e um primeiro-ministro como chefe de governo? No parlamentarismo, os poderes políticos do chefe de Estado são Sobre o caso do Brasil, não acredito que apenas mudar de sistema de governo vá solucionar os problemas políticos do país. Não é tão simples assim. O Brasil tem um sistema partidário péssimo, e um sistema eleitoral ruim. O sistema partidário brasileiro é muito instável, e se não houver uma ampla e profundo reforma política, não há sistema que vá funcio- Nas democracias, as formas de governo muito limitados, meramente simbólicos na mai- nar neste país. Contudo, o semipresidencialis- são a monarquia e a república. Nas monarqui- oria dos casos, o primeiro-ministro é quem re- mo é mais vantajoso do que o presidencialis- as, uma família ou dinastia é a guardiã das tra- almente governa, tem amplas responsabilida- mo em situações de crise política, tanto o pre- dições culturais e históricas da sociedade civil des, e responde ao parlamento (deputados). sidente pode dissolver o Congresso, convo- do país em questão. E o chefe dessa família No semipresidencialismo, o presidente eleito cando eleições antecipadas, quanto o Con- real ou imperial é o chefe de Estado. O cargo por voto direto, como chefe de Estado, não gresso pode substituir o governo, poupando o é vitalício e, na maioria dos casos, hereditário. tem funções apenas simbólicas. Ele tem al- país de eventuais golpes de Estado como a Nas repúblicas, o próprio Estado é o guardião guns poderes de fato e funções práticas, divi- revolução de 1930 e de 1964, e de processos das tradições culturais e históricas da socieda- de funções de governo com o primeiro-ministro de impeachments como o do Collor e o de Dil- de civil, e o chefe de Estado é alguém eleito, que é o chefe de governo. Por exemplo, o pre- ma. Se um governo ou legislatura não está a- ou diretamente ou indiretamente, e tem man- sidente da república pode cuidar da política gradando por algum motivo, no meu ponto de dato temporário. externa do país, chefiar as forças armadas, vista pessoal, o povo deve ser consultado no- E os sistemas de governo são o presidencialismo, o semipresidencialismo (ambos só com repúblicas), e o parlamentarismo (tanto com monarquias quanto com repúblicas). No presidencialismo, a mesma pessoa é chefe de nomear funcionários, vetar leis, pode demitir o primeiro-ministro por iniciativa própria, e o parlamento também pode derrubar o primeiroministro, enfim, o presidente e o primeiroministro governam juntos. vamente nas urnas para confirmar a legitimidade de tal governo ou substituí-lo por outro, de acordo com o princípio da democracia. Eu já fiz confusão de parlamentarismo com semipresidencialismo, e até recentemen- Estado e de governo, o presidente da repúbli- Exemplos de monarquias parlamentaristas te. Hoje, o que eu sou favorável, é o semipre- ca e, na maioria dos países, o presidente é e- no mundo de hoje são o Reino Unido, o Japão, sidencialismo para o Brasil. leito diretamente pelo povo. No semipresiden- a Espanha, a Holanda, a Bélgica, o Luxembur- João Paulo E. Barros Democracia A democracia No Brasil, a democracia não consegue trazer os eleitores a apoiar o PT, também vou estar ainda é preferível os resultados almejados porque a participação me opondo à democracia e a liberdade indivi- popular é fraca. O eleitor se limita basicamen- dual. Ou o PSDB, ou o PMDB, etc. Para mim, te a votar nas urnas e depois se preocupar é perfeitamente natural que gente de classe Apesar de não ser com a própria vida. A maioria dos brasileiros baixa simpatize com a direita, e gente de clas- perfeita, a democracia é não está preparada para lidar com a democra- se média alta simpatize com a esquerda. A preferível à ditadura ou ao despotismo. Mas cia por ser demasiadamente individualista, não política é mais complexa do que parece ser. A no contexto brasileiro há complicações, por- tem consciência de que integra um todo, uma partir do momento que eu quero impor a mi- que a cultura política do Brasil é de autoritaris- coletividade. A nível municipal, principalmente, nha opinião política às pessoas, passo a ser mo. A história do Brasil tem evidências do au- a comunidade no Brasil precisa aprender a ser autoritário. E a democracia concede às pesso- toritarismo político no país. E, não é só entre mais participativa, a fazer reuniões comunitá- as o direito de discordar de mim. E tenho visto os políticos, entre o eleitorado também há evi- rias, a interagir com os vereadores, e depois que muita gente no Brasil, inclusive entre os dências de autoritarismo, pessoas que mani- fazer o mesmo com os deputados estaduais e eleitores, querendo impor as suas crenças po- festam desejar a volta do Regime Militar é um depois, com os deputados federais. A maioria líticas ao restante da população. Tanto por sintoma desse autoritarismo. das pessoas precisa procurar se informar mais parte de eleitores direitistas quanto por parte sobre as atribuições e competências dos vere- de eleitores esquerdistas. A democracia não é A democracia é o regime que permite li- adores, deputados e senadores. democracia, se houver autoritarismo. E, entre berdade de opinião, liberdade de religião e de crença, inclusive a liberdade para ser ateu e agnóstico. A democracia é que concede ao bem O que faz a democracia não funcionar é a falta de instrução à população. E o os países desenvolvidos atualmente, não ditaduras, são todos eles democracias. há povo a liberdade individual. A democracia é que faz a democracia funcionar bem é a popu- Na minha forma de perceber a realida- fundamental para parcela mais vulnerável da lação ser bem instruída, bem informada. Eu de, interpreto que o futuro da democracia está população, pois permite a esse grupo escolher pessoalmente não gosto muito de discutir so- ameaçado, principalmente em sociedades alguém para representá-los e defender os bre partidos e ideologias, porque reconheço com alto índice de corrupção como a brasilei- seus direitos sociais. Eu pessoalmente não que cada cidadão tem o direito de liberdade de ra. A democracia foi uma conquista do povo acredito que num regime de ditadura haja in- opção ideológica e partidária. A partir do mo- em geral, e compete ao povo em geral manter clusão social, mesmo que seja uma ditadura mento que eu declarar ser a favor de proibir os essa grande conquista. Se o povo não se res- marxista. Acredito que a inclusão social é con- eleitores de serem petistas, por exemplo, vou ponsabilizar pela democracia, corre o risco de sequência da verdadeira democracia, que é a estar me opondo à democracia e a liberdade perdê-la novamente. democracia que permite participação popular. individual. Da mesma forma, a partir do momento que eu declarar ser a favor de obrigar João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia VERDADE OU MITO COLHEITA No dia 1º de abril de 1964, o presidente do Brasil, João Goulart, é derrubado pelo golpe e instaura-se o regime militar. No dia 1º de abril comemora-se o dia da mentira (originariamente pela instituição do calendário gregoriano na França e Inglaterra), no Brasil ocorreu a dura verdade acima citada. Para o brasileiro pode-se comemorar realmente tantas mentiras que temos vivido nas últimas décadas e que emergem a cada dia em nossas vidas a cada noticiário, a cada medida. A mentira tomou uma forma tão descaradamente cotidiana que o povo já acostumado ao “jeitinho brasileiro”, com tantos escândalos e falcatruas acha até que pequenos delitos são normais. Afinal, a própria história do Brasil, desde o seu descobrimento, a inconfidência, a independência, a libertação dos escravos, a intenção na catequização dos índios e outros, possuem versões contadas nas escolas que não condizem à verdade dos fatos. Parece que a mentira sempre envolveu os brasileiros de tal forma que talvez por isso, o “jeitinho brasileiro”, sempre foi simplesmente aceito e, agora que as grandes mentiras vêm à tona, deixam o povo dividido, pois a consciência da verdade parece não ter efeito para que saibam avaliar e responder se tudo que vivemos no passado e o que se vive atualmente é mito ou verdade. O Brasil foi enganado desde sempre pelos colonizadores, padres, políticos e demais interessados nessa terra maravilhosa que foi “conquistada” por homens aventureiros, catequizados por religiosos exploradores, negros escravizados e índios que foram duramente tratados pelos saqueadores da sua cultura. Sempre vivemos num emaranhado de mentiras e individualismo onde a verdade, dificilmente prevalece e o brasileiro tratado como tolo porque crê em tudo que ouve. Continuam nos enganando até hoje e pelas incertezas do que vem pela frente estamos divididos entre o que é falso ou verdadeiro e, enquanto isso: - A aposentadoria do trabalhador está sendo vetada - Não há verbas para as escolas e saúde publica - Não há segurança para o povo por falta de verbas. - O povo está agonizando por todos os cantos da periferia, nas favelas e nas ruas. - A arte e cultura totalmente anulada. Mas o povo feliz é explorado por contínuas mentiras: - Pela exploração das nossas cidades maravilhosas e privilegiadas pela mãe natureza e que foram saqueadas por cada responsável em mantê-las. - O povo brasileiro é considerado o povo mais feliz do planeta por ter tudo isso, mas, o que nos resta é a cerveja gelada, futebol, carnaval, e o não legado das olimpíadas, pelos quais pagamos caro, muito caro... Quando isso tudo vai acabar? Será que nunca? Até quando pessoas normais e que tem Deus no coração poderão suportar tanta hipocrisia. Só nos resta então ‘comemorar”, justamente, o dia da mentira... Genha Auga Jornalista MTB: 15.320 Na rua o povo em tumulto Como em grades de gaiola, O peso do cansaço, Companheiros de exílio e luto. Como o homem torna-se pequeno Quando se entrega à fantasia, Ilude-se com as migalhas Do pão de cada dia. Contudo essa gente Pensa que sabe tudo, Segue em frente sem ver Vai sem saber de nada. Indiferente a tudo Como cépticos suicida Praticamente esbanjando a vida, Olhos melancólicos de outono. Página 7 Sob um céu cinza de cobalto Profetizam seu passado Frágeis com visão de ópio Cirandam num palco de “Guignol”. Com movimentos de fumaça, Seguem sensitivos ao som. Mas ainda lhes resta um alto... Um longo pensamento: Ser glorioso e forte Não uma ave aborrecida que gorjeia na gai- ola, A espera dos golpes do destino. Não vê a beleza da rosa porque tem espi- nhos. A existência de todos tem um porquê. O outono não é em vão Assim como a árvore espera a primavera. Só com luta sonhos serão realizados. Mesmo um grão caído na terra morta, Nela poderá ocorrer o milagre da vida. Quem semeia colherá frutos E sua árvore lhe dará flores. Genha Auga www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 07 - Dia Mundial da Saúde AGROTÓXICOS atuar, em nível estadual, para fiscalizar se os produtos estão sendo usados conforme autorizados para proteger a população, os trabalhadores e o entorno”, explica. Fazer um prato colorido, cheio de frutas, le- Desrespeito à lei gumes e verduras, já não é mais sinônimo de alimentação saudável. Em função do uso in- Além do prolongamento do uso de substâncias banidas e da falta de fiscalização, ou- tensivo e crescente de agrotóxicos, o consu- tro problema é o desrespeito à legislação que dita as regras para a utilização dos a- mo de certos produtos pode representar, em grotóxicos. Um exemplo é a Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e Pecuá- vez de benefícios, a gênese de doenças em ria (Mapa), de 2008, que proíbe a pulverização aérea a 500 metros de córregos, nas- longo prazo. centes de água, criação coletiva de animais e residências. As proibições, porém, ficam só no papel, e a principal consequência é a contaminação do ar. Duas recentes publicações, lançadas no final de abril, apontam os riscos dos agrotóxi- cos. A Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) divul- “Quem mora ao lado de uma grande plantação ou de uma horta que usa muito agrotó- gou, durante o Congresso Mundial de Alimentação e Nutrição em Saúde Pública xico está respirando aquele tipo de agrotóxico”, pontua Wanderlei Pignati. (WNRio 2012), a primeira parte do dossiê Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxi- Foi o que ocorreu em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Em 2006, um avião mono- cos na Saúde. motor despejou, de forma irregular, um herbicida dessecante para apressar a colheita No documento, são listados mais de cem agrotóxicos que podem causar uma série de da soja. A substancia foi lançada sobre áreas residenciais da cidade, e o resultado foi enfermidades como câncer, má formação congênita, alergias respiratórias, diabetes, a destruição de canteiros de plantas medicinais, hortaliças e um surto de intoxicações. distúrbios de tireoide, depressão, aborto e até Mal de Parkinson. Até hoje, ninguém foi responsabilizado pela ação. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um terço dos O município mato-grossense é um dos maiores produtores de grãos do Estado. Em alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado por agrotóxi- 2010, foram produzidos cerca de 420 mil hectares entre soja, milho e algodão, com a cos. O pimentão lidera a lista – quase 92% das amostras analisadas apresentaram utilização de 5,1 milhões de litros de agrotóxicos nessas lavouras. contaminação. Em seguida, aparecem o morango (63,4%), pepino (57,4%), alface E os agrotóxicos continuam gerando impactos contra a população e o meio ambiente (54,2%) e cenoura (49,6%). em Lucas do Rio Verde. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Mato “Não precisa de mais evidências científicas para se tomar decisões políticas para pro- Grosso (UFMT) revelou que o leite materno de mulheres da cidade está contaminado. teger a saúde da população e do ambiente”, diz o chefe do Departamento de Saúde Segundo o estudo, foi encontrado pelo menos um tipo de agrotóxico em todas as aColetiva da UnB e do Grupo de Trabalho de Saúde e Ambiente da Abrasco, Fernando mostras coletadas. Em algumas amostras havia até seis produtos diferentes. Ferreira Carneiro. “Isso mostra que a contaminação está disseminada. E ainda são poucos estudos. Se Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior merca- esses poucos estudos estão indicando isso, pode ser o que a gente chama de a ponta do mundial de agrotóxicos, utilizando 19% desses produtos produzidos no mundo. de um iceberg”, adverte Carneiro. O relatório da Abrasco também destaca o papel dos transgênicos no aumento do con- O mito do uso seguro sumo de agrotóxicos. Só o glifosato, utilizado na cultura da soja transgênica, represen- Os especialistas alertam para os diversos males causados pelos agrotóxicos, mas ta 40% do mercado nacional. chamam atenção, sobretudo, para as intoxicações a longo prazo. Os efeitos dos agro- “A Monsanto alegava que uso dos transgênicos iria resultar na diminuição do uso de tóxicos, explica a médica sanitarista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz Lia agrotóxicos, e o que a gente está vendo é o contrário.”, pontua Carneiro. Giraldo, dividem-se basicamente em intoxicações agudas e crônicas. As primeiras ocorrem quando a pessoa, ao ser diretamente exposta a produtos químicos, apresen- Precaução ta sintomas mais imediatos como tontura, náusea, dor de barriga e diarreia. Já a associação entre câncer e agrotóxicos foi um dos alertas trazidos pelo relató- Já a intoxicação crônica se dá quando a pessoa é exposta a doses pequenas, porém rio Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, lançado pelo Insti- cotidianas, tanto no manuseio como no consumo de alimentos contaminados. De atuto Nacional do Câncer (Inca). Segundo a publicação, dentre os principais grupos de cordo com Lia, é essa exposição gradual a responsável pelos problemas mais sérios. agentes cancerígenos relacionados ao trabalho aparecem os agrotóxicos. Dentre as enfermidades observadas em pessoas expostas a essas substâncias estão os linfo- “Para efeitos agudos a gente pode até ter uma dose de segurança, mas a exposição a mas, leucemias e cânceres de intestino, ovários, pâncreas, rins, estômago e testícu- baixas concentrações e a múltiplos agrotóxicos vai trazer, em longo prazo, câncer, los. doenças endócrinas e do sistema nervoso”, explica. De acordo com a coordenadora da Área de Câncer Ocupacional do Inca, Ubirani Ote- Lia enfatiza que as intoxicações agudas até podem ser evitadas pelo uso correto de ro, ainda faltam estudos e testes para confirmar que tais doenças podem ser causa- equipamentos de segurança por parte de quem lida com os agrotóxicos. Nesse senti- das pelo uso dos agrotóxicos. Entretanto, para ela, as evidências já são suficientes do, garante, não se pode falar em uso seguro de agrotóxicos. “Enquanto as pessoas para que medidas mais fortes sejam tomadas. acreditarem em uso seguro de agrotóxicos, podem prevenir uma intoxicação aguda, mas não podem se prevenir da intoxicação crônica”, destaca. “A gente deve adotar no Brasil, como em outras partes do mundo, o princípio da pre- caução. Se existe uma forte suspeita de que algum agente pode causar câncer, a gen- Cuidados te deve evitar essa exposição”, diz. Para se proteger, os especialistas recomendam à população procurar feiras agroeco- A Anvisa informa que, em 2011, foram registrados mais de oito mil casos de intoxica- lógicas ou mesmo fazer pequenas hortas caseiras para consumir itens sem agrotóxi- ção por agrotóxicos no Brasil. cos. A pressão das empresas que comercializam agrotóxicos e dos setores ruralistas é um “Se lavar o produto, só limpa de contaminação orgânica, não tira o agrotóxico. Desdos principais entraves no trabalho da Anvisa, como explica o gerente- geral de Toxi- cascar também não, porque ele entra pela raiz, está dentro [do alimento]”, alerta Lia. cologia do órgão, Luis Claudio Meirelles. “A reavaliação já enfrentou vários debates e Além disso, para Carneiro, a população precisa se organizar em todos os níveis para inúmeras ações na Justiça. Inclusive quando a gente decide pelo banimento do produ- lutar contra o uso de agrotóxicos e construir alternativas. to tentam derrubar nossa decisão”, argumenta. “Tem que lutar contra esse modelo, aderir à Campanha Nacional contra os Agrotóxi- O gerente da Anvisa admite ainda que falta estrutura para fazer um trabalho mais con- cos, criar seu comitê local na comunidade, isso é fundamental. É nessa perspectiva sistente. Em termos de comparação, ele lembra que a Anvisa possui apenas 5% do que a gente tem chances de mudar as coisas”, assegura total de agentes do órgão estadunidense de vigilância sanitária. Com isso, a fiscalização no campo acaba sendo prejudicada. “Poucos estados têm um efetivo que possa Patrícia Benvenuti Brasil de Fato www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Professor Gazeta Valeparaibana AVALIAÇÕES EXTERNAS: DE QUE SERVEM AO PROFESSOR? Página 9 Desde que as avaliações externas passaram a orientar as políticas pú- blicas educacionais e serviram de base para bonificação de professores, o fazer docente em sala de aula tem sido constantemente enxerta- Exemplo hipotético de gráfico gerado a partir dos níveis de proficiência de uma avaliação externa. do de concepções, achismos prendizado dos seus alunos. e métodos para “melhorar” o nível de a- De posse de gráficos como este acima, o gestor público pode pensar em direcionar políticas públicas específicas para melhorar o nível de As avaliações externas produzem os indicadores de qualidade. Esses aprendizagem das crianças. Ao professor, cabe interpretar os números indicadores, como já discutimos e explicamos em vários outros textos da sua unidade escolar e compreender as principais defasagens da aqui neste espaço, são elaborados a partir da relação existente entre o sua unidade e utilizar os indicadores como uma ferramenta para norte- índice de fluxo (quantidade de alunos promovidos) e o índice de de- ar o seu trabalho, certo? Nem sempre! sempenho (medido a partir de uma prova). Tal relação entre essas duas variáveis resultam no indicador de qualidade do Sistema que é ava- O que fazer com os dados das avaliações externas? liado. Este método, portanto, pode ser aplicado em escala nacional (tal É importante pensar que esses gráficos podem nos oferecer possibili- como o IDEB), regional (IDESP; IDERJ; IDEPE) ou internacional, como dades de pensar didaticamente o “como” trabalhamos em sala de aula. é o caso do PISA. Precisamos pensar e avaliar se nossa prática e se nossas formas de De qualquer forma, a receita é essa. A relação desempenho x fluxo avaliações estão realmente contemplando as necessidades e expecta- gera o resultado esperado. tivas de aprendizagem. Este é um dos fatores positivos que as avalia- ções externas podem nos oferecer, mas, sobre essa e outras possibiliA discussão a que se propõe neste momento é sobre o exame que se dades, pretendo me aprofundar em outros textos. aplica. Sem querer se alongar nesta discussão, já que o Prof. Luckesi Um dos cuidados que devemos tomar, em relação aos resultados que o faz com muito mais propriedade que eu, é preciso diferenciar avalia- esses exames nos apresentam, é sobre as habilidades que foram conção de exame. Via de regra, a avaliação é um conjunto de diferentes templadas no exame aplicado. Lembre-se que este exame é confecinstrumentos que serve ao professor acompanhar sistematicamente e cionado a partir de uma matriz curricular, baseada em competências e metodologicamente a aprendizagem do seu aluno. Já um exame, é habilidades bem específicas e com diversos níveis de dificuldade. Ao (grosso modo) uma prova. Um único instrumento que vai me apresen- tomar a avaliação aplicada como a totalidade da aprendizagem reque- tar um único resultado. rida, você estará reduzindo toda a sua prática docente ao que se pede Indicadores de qualidade: avaliação ou exame? naquele exame específico, ou seja, o “currículo mínimo” se torna o má- Ainda que muitos sistemas educacionais utilizem a palavra ximo. “avaliação”, entendemos que o que se aplicam aos alunos são exames Essa visão (infelizmente muito difundida Brasil adentro) é totalmente pontuais, onde apresentam um retrato daquele momento. É importante diferente da concepção que se deveria ter sobre as avaliações exterdeixar claro, que as “avaliações externas”, ou exames externos, como nas, que é a de que a avaliação externa avalia o conjunto daquilo que eu prefiro, têm como objetivo avaliar o sistema educacional, e não o é ensinado nas escolas, e não o contrário. A escola não deve se arti- aluno em si. Tal exame é confeccionado de acordo com uma matriz cular em torno de uma avaliação para simplesmente gerar um indicacurricular, que reflete parte de um currículo do sistema de ensino, em dor. Ao contrário, é o indicador que deve refletir aquilo que é trabalha- que se aferem habilidades específicas. do na escola. Se a escola desenvolve atividades de leitura e interpretação de texto O exame que é aplicado obedece a Teoria de Resposta ao Item (TRI). (aqui entra todas as disciplinas, sem qualquer forma de distinção), dis- Tal teoria analisa como elemento central uma certa quantidade de cussões coletivas, apresentações orais de trabalhos, pesquisas em questões (chamadas de itens) que analisa especificamente uma habili- diferentes mídias, diferentes produções textuais, comparação, análise, dade, dentro de um certo nível de dificuldade. As habilidades são esti- descrição e construção de tabelas, gráficos, mapas e qualquer outro madas a partir da probabilidade do educando acertar uma determinada tipo de informação imagética, é claro que independentemente de exa- questão dada o seu grau de habilidade. me externo, ou não, os alunos vão saber manipular estes dados, com O interessante desta forma de exame é que permite a comparação en- qualidade. tre diferentes avaliações em um mesmo período de tempo e permite a Por isso, é que se reafirma aqui que as avaliações externas podem ser comparação entre diferentes avaliações em períodos de tempo dife- ótimos instrumentos de análise e reflexão para professores e gestores, rentes. mas também podem se tornar grandes armadilhas que só trarão mais prejuízos aos alunos. A partir da relação existente entre as habilidades e os níveis de dificuldade (proficiências), o sistema de ensino pode apresentar seus resul- No próximo mês vamos retomar essa discussão. tados para todo o sistema ou para a unidade escolar, tais como o e- Ivan Claudio Guedes xemplo a seguir: Geógrafo e Pedagogo ivanclaudioguedes@gmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Dia 19 - Dia do Índio De onde vieram os índios brasileiros? Esse, porém, é apenas o fim da história, ou aquilo que Essa origem asiática dos primeiros habitantes da Améri- se aprende na escola. O problema está em saber como ca e, por consequência, do Brasil, é aceita por quase ela começou. Apesar de todas as diferenças, os povos todos os pesquisadores do assunto. Segundo essa teo- encontrados pelos portugueses tinham algo em comum: ria, eles teriam chegado pelo estreito de Bering há cerca todos estavam ainda na Idade da Pedra. Isso significa de 16 mil anos e depois se espalhado pelo continente. que não conheciam a roda nem a pólvora, e muito me- Há, porém, quem pense diferente. No Brasil, um caso nos a escrita. Ou seja, viviam da caça, da coleta e de notório é a arqueóloga paulista Niède Guidon, que des- E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns uma agricultura incipiente. Seus antepassados, os pri- de 1978 realiza escavações no sul do Piauí. Ela defen- sete ou oito [...]. Pardos, nus, sem coisa alguma que meiros “brasileiros”, estavam num estágio anterior de de a hipótese de que os primeiros seres humanos a pôr lhes cobrisse suas vergonhas.” Escrito por Pero Vaz de desenvolvimento, pois desconheciam completamente o os pés no país vieram diretamente da África, entre 150 Caminha, em sua famosa carta em que comunica ao rei cultivo de alimentos. Eram apenas caçadores coletores. mil e 110 mil anos atrás, “saltando” de ilha em ilha pelo de Portugal, dom Manuel I, a “descoberta” do Brasil, E por serem ágrafas, essas populações não deixaram, meio do oceano Atlântico, que, devido a glaciações, este é o primeiro relato do encontro entre os portugue- evidentemente, documentos escritos sobre sua história, estava cerca de 120 metros mais baixo que hoje. O pro- ses e os povos que aqui viviam. Também é o ponto de de onde vieram e como viviam. blema é que jamais foram encontrados ossos fossiliza- partida da história oficial brasileira. Pouco ou quase nada se aprende na escola do que havia daí para trás no Sem modelo e sem documento dos desses pioneiros, o que coloca em xeque a teoria. tempo. As terras que hoje são o Brasil, contudo, já eram Além disso, como lembra o arqueólogo francês aqui Por isso, é quase consenso entre os especialistas que habitadas havia milênios. Quem eram as pessoas que radicado André Prous, no livro O Brasil antes dos Brasi- os primeiros brasileiros chegaram ao país pelo noroes- viviam nelas, de onde vieram, como e quando chega- leiros – A Pré-História do Nosso País, há outra circuns- te, ou mais precisamente pela Amazônia. A partir dessa ram e como viviam ainda é motivo de controvérsia entre tância que dificulta o conhecimento sobre os primeiros região, eles foram paulatinamente ocupando o resto do os estudiosos do assunto, mas os avanços da arqueolo- habitantes do país. De acordo com ele, os povos ame- território, alguns grupos pelo interior, outros margeando gia brasileira nos últimos anos estão trazendo luz a es- ríndios que sobreviveram até hoje são poucos em rela- a costa. Estes, mais tarde, também podem ter conquis- sa questão. Apesar das lacunas e pontos obscuros, o ção aos que existiram outrora e se modificaram muito tado o interior a partir do litoral, seguindo os cursos dos cenário fica cada vez mais definido. ao longo do tempo. Por isso, não oferecem uma ima- rios. Seja como for, o que os estudos mais recentes têm Com a ajuda de novas ciências, como a bioantropologia e a genética, está sendo desenhado um panorama diferente do ensinado nas escolas, mais rico e diversificado. Hoje há praticamente um consenso entre os estudiosos gem adequada de seus ancestrais. Sem documentos escritos e sem poder usar os indígenas atuais como modelos, o trabalho de descortinar e escrever a história dessa gente do passado remoto é muito mais difícil. revelado é que há 10 mil anos praticamente todo o território brasileiro já era habitado. A prova disso são vários sítios arqueológicos com vestígios ao redor dessa idade encontrados em diversas partes do país. de que a primeira ocupação do território que viria a ser Deixa de ser tarefa de historiadores, que se baseiam Ossos em profusão o Brasil ocorreu há pelo menos 12 mil anos. Na opinião em textos, e de sociólogos e antropólogos, que se am- Entre as regiões mais ricas nesses restos de culturas de alguns, primeiro por uma população diferente da en- param na observação direta das sociedades vivas, para pré-históricas está a do município de Lagoa Santa, na contrada aqui por Cabral. Trata-se do povo de Luzia, o ser obra de arqueólogos, bioantropólogos e, mais re- região metropolitana de Belo Horizonte. Ali, dezenas de fóssil mais antigo de que se tem registro no país, com centemente, geneticistas. sítios arqueológicos vêm sendo escavados e pesquisa- 11,3 mil anos. Eram os chamados paleoíndios ou paleo- Os primeiros, como observa Prous, se valem exclusiva- dos desde 1843, quando o naturalista dinamarquês Pe- americanos, que tinham uma conformação craniana mente dos vestígios materiais que as populações anti- ter Wilhelm Lund (1801-1880), considerado o pai da mais parecida com a dos aborígines australianos e a gas deixaram, quase sempre involuntariamente, e que paleontologia brasileira, descobriu ossadas humanas dos africanos que com a dos índios de traços mongoloi- foram preservados dos processos naturais de degrada- misturadas com as de animais já extintos. Até hoje, de- des que se conhecem. Para outros, os indígenas atuais ção. Ou seja, que se fossilizaram. São elementos diver- zenas de crânios e outros ossos humanos foram desen- ou ameríndios e os primeiros que chegaram à região sos como restos de corpos, instrumentos, ferramentas e terrados do local. Entre eles, o mais famoso de todos é fazem parte de um mesmo tipo, cujas diferenças morfo- moradias. Isso quer dizer que esses profissionais estu- o crânio de Luzia, descoberto em 1974 pela arqueóloga lógicas podem ser explicadas pela variabilidade natural dam o que se chama de “cultura material” dos povos francesa Annette Laming-Emperaire, no sítio chamado que existe dentro de uma população qualquer. antigos, bem como a vida cotidiana e o ambiente que Lapa Vermelha IV. Ninguém sabe ao certo, mas estima-se que quando a habitavam. Os bioantropólogos, por sua vez, se limitam Sítios com vestígios humanos de mais de 10 mil anos frota de 13 embarcações comandada por Pedro Álvares às ossadas humanas fossilizadas, analisando sua mor- também foram encontrados na Amazônia e em Mato Cabral aportou na região da atual cidade de Porto Se- fologia craniana e outras características físicas. Grosso. Neste último caso, foi divulgada em 2002 a guro, no sul da Bahia, o território que hoje é o Brasil era No caso dos geneticistas, que começaram a se interes- descoberta de três fragmentos de ossos de animais, habitado por algo entre 1 e 6 milhões de indígenas. Na sar pelo assunto mais recentemente, os estudos se re- com pelo menos 25 mil anos, nos quais se constatou, visão dos recém-chegados eles eram todos iguais, ou lacionam à análise do DNA de nativos americanos mo- por meio de sofisticadas análises laboratoriais, cortes e melhor, todos faziam parte de um mesmo povo. Essa dernos. “Esse tipo de abordagem tem sido muito usado polimentos que não foram moldados pela natureza e ideia errônea começou a mudar graças ao médico, ex- para desvendar a história evolutiva e demográfica dos que só podem ter sido feitos por humanos. É um dos plorador, etnólogo e antropólogo alemão Karl von den primeiros americanos”, explica Maria Cátira Bortolini, da resultados do trabalho de uma equipe de arqueólogos Steinen (1855-1929), que viajou pelo interior do país em Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). brasileiros e franceses, iniciado em 1985, no sítio arque- 1884 e depois em 1887. Ele constatou que os índios “Isso porque no genoma de populações modernas há ológico de Santa Elina, no município de Jangada, há 82 brasileiros poderiam ser agrupados – ou divididos, como marcas que indicam, por exemplo, se passaram por quilômetros de Cuiabá. Apesar de a datação ter sido se queira – em quatro grandes grupos ou troncos lin- gargalos populacionais, expansões, ou ainda se há sinal feita por métodos confiáveis, o achado ainda não é de guísticos: tupi-guarani, macro-jê, aruaque e caribe. Ca- de adaptação a ambientes diversos.” O método também todo aceito pela comunidade científica, pois é um caso da um desses supergrupos é dividido, por sua vez, em possibilita avaliar onde estão os povos que mais se i- isolado, que necessita de mais estudos. dezenas ou centenas de nações, com sua língua, cultu- dentificam com os nativos americanos. Os estudos mais ra, costumes e modos de vida. recentes apontam para a Ásia, mais especificamente a CONTINUA PÁGINA 13 Sibéria. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Música e Músicos ARTE X ENTRETENIMENTO Aqui no Brasil já houve muito investimento em Cultura por parte do Estado, em todas as suas esferas. Na Semana de Arte Moderna em São Paulo no ano de 1922 capitaneada por Mário de Andrade foram discutidas ações importantes. Na época a repercussão não foi tão grande, porém o tempo fez com que o Brasil despertasse. e manifestações como o Canto Orfeônico (http://www.sambachoro.com.br/debates/1033405862) nas décadas de 30 e 40 mostraram a importância da Cultura na formação do povo. Nas décadas de 50 e 60 começaram a ser fortalecidos os grupos profissionais mantidos pelo poder público. No Rio de Janeiro, capital nacional na primeira metade do séc XX sempre capitaneou o investimento do governo em Cultura. Os chamados corpos estáveis de artistas começaram a se estabelecer. Em São Paulo Capital, o Theatro Municipal possui em seus quadros a Orquestra Sinfônica Municipal bem como o Coral Lírico, o Coral Paulistano, Quarteto de Cordas, Balé da Cidade entre outros grupos. Vamos dar uma pausa nas personalidades da música e falar um pouco de A História do Incentivo à Cultura no Brasil passa por bons e maus Cultura. momentos e merece ser estudada e discutida. O Ministério da Cultura que tem sua origem nos tempos de Getúlio Vargas O que é Cultura? Há muita discussão sobre essa definição. Para alguns de quando ele alterou a pasta de Educação e Saúde para Educação e Cultura nós a Cultura é sinônimo de diversão simplesmente. até a criação do Ministério na gestão Sarney. Talvez para a gente poder discutir um pouco melhor o assunto seja imprescindível falarmos das diferenças entre Cultura (Arte) e A quantidade de recursos públicos carimbadas para a Cultura têm uma Entretenimento (Diversão). média de 1% do orçamento geral, isso nas três esferas, federal, estaduais e municipais. Há uma variação para mais e para menos. Há uma certa confusão compreensível e que está sendo colocada em pauta pelo desmonte que a Cultura vem sofrendo nos últimos anos. A discussão que precisa ser ampla é a direção que esses recursos devem ser aplicados. A visão de que a Arte deve “divertir" é simplista. A Arte é uma expressão do homem e da humanidade em todo o seu ser, seja interno, seja externo. Ela Na minha opinião devem ser aplicados em Cultura e não em deve provocar, denunciar até mesmo incomodar. Entretenimento. Vou reproduzir aqui um trecho de um artigo de Aimar Labaki, dramaturgo, Um evento de entretenimento que é chamado de “popular" que atrai diretor, novelista, tradutor e ensaísta, em seu blog ‘democratização cul- milhares de pessoas simplesmente por diversão não deveriam na minha tural’: http://www.blogacesso.com.br/?p=35 opinião ser abençoado com leis de incentivo fiscal. "A arte faz o homem lembrar-se de si e reinventar-se. O entretenimento Destinar recursos públicos para financiar um evento que por si só já atrairia permite ao homem esquecer sua própria existência e seus problemas ( isto recursos privados não é o caminho de “popularização” de cultura. Isso é é, suas circunstâncias). Arte faz pensar. Entretenimento faz parar de apenas a política de pão e circo "Ofereça aquilo que o povo já conhece e pensar. Ambas funções importantes e necessárias. Mas necessariamente gosta e eles ficam quietos! Para quê oferecer cultura que faz pensar, refletir. antagônicas. Ainda que exista um enorme universo de obras que transitam Isso é um perigo!" simultaneamente pelas duas funções. O mundo não é branco e preto, mas cinza. Já vivi o suficiente para aprender isso. No entanto, quando falamos de democratização da cultura e, pior ainda, de financiamento público, Vamos aprofundar essa discussão em artigos próximos! misturamos sem pudor esses dois conceitos. A arte, por sua própria natureza, implica em risco, incômodo, erro. O Entretenimento, por seu lado, só é arriscado na medida em que tudo que é humano é passível de erro.” Quando a Cultura e a Arte são confundidas com o simples entretenimento ela pode ser entendida como um artigo supérfluo, um luxo, um produto dispensável. A arte de uma maneira geral discute, sensibiliza, desperta, abre a mente de quem a usufrui e isso muitas vezes pode incomodar. O que está acontecendo hoje em dia no país é a discussão se a Cultura deve ou não ser financiada pelo estado, se deve ser levada em conta a seu “retorno" como investimento. Ouvimos hoje afirmações do tipo. “Temos que popularizar a cultura”. Essa afirmação é importantíssima e é óbvio que devemos, mas há interpretações diversas desta frase. Popularizar significa, na minha modesta opinião, oferecer ao povo como um todo a cultura elaborada, a arte-provocação, e não exatamente financiar o entretenimento que eles já têm. Financiar apenas entretenimento é a política de pão e circo. Ou seja alimentemos e entreguemos diversão barata que eles ficam quietinhos e felizes. Há uma peça publicitária feita pela Casa de Cultura Benjamín Carrión (http://casadelacultura.gob.ec/) do Equador que gostaria de dividir com vcs. Está em espanhol, porém o texto está escrito, pode facilitar o entendimento. https://www.facebook.com/gustavopetri/videos/10208340004088669/ Saudações musicais Maestro Luís Gustavo Petri Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 + Sobre Datas comemorativas 01 - Dia da Mentira - 1º de Abril Partes de seu corpo foram expostos nos principais centros urbanos do Rio de Janeiro e Minas Gerais. A sua casa foi queimada e todos os seus bens confiscados. Também conhecido como o Dia dos Bobos, o Dia da Mentira é uma data onde as 21 - Aniversário de Brasília pessoas contam leves mentiras e pregam peças em seus conhecidos por pura diver- são. Brasília é a capital do Brasil, uma cidade que foi planejada, projetada e construída Há muitas explicações para que o dia 1º de abril esteja relacionado com o Dia da com este propósito: ser a sede do governo brasileiro. Mentira, uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. De acordo com esta teori- A cidade de Brasília está localizada no Distrito Federal, e é conhecida como uma das a, por volta do século XVI, o Ano Novo era comemorado dia 25 de março, e as festas mais importantes criações do arquiteto Oscar Niemeyer, em parceria com o urbanista duravam uma semana e iam até dia 1º de abril. Lúcio Costa. No ano de 1564, o Rei Carlos IX adotou oficialmente o calendário gregoriano, pas- O “Plano Piloto”, como foi apelidado o projeto urbanístico da cidade, começou a ser sando o Ano Novo para o dia 1º de janeiro, porém muitos franceses resistiram a mu- criado em 1956, e custou ao todo cerca de 1 bilhão de dólares. dança e continuaram seguindo o calendário antigo. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Ku- Entre os brasileiros, o Dia da Mentira começou a se popularizar em Minas Gerais, bitschek, passando a ser a terceira capital do Brasil, após Salvador e o Rio de Janei- através do periódico “A Mentira”, que tratava de assuntos efêmeros e sensacionalis- ro. tas do começo do século XIX. Uma particularidade da cidade de Brasília é o seu formato similar a um avião, quan- Este periódico teria sido lançado em 1º de abril de 1848 uma matéria que noticiava a do vista de cima. morte do então imperador Dom Pedro II. Dois dias depois o jornal teve que desmentir Graças ao seu estilo urbanístico, a cidade é considerada patrimônio histórico mundial a publicação, visto que muita gente realmente acreditou na notícia. pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a 18 - Dia de Monteiro Lobato Cultura). O Dia de Monteiro Lobato, também conhecido como Dia Nacional do Livro Infantil, é 22 - Dia da Comunidade Luso-Brasileira celebrado no dia 18 de abril., no Brasil. Esta data serve para lembrar o acordo de amizade, reconhecimento e fraternidade O Dia de Monteiro Lobato é comemorado no mesmo dia do aniversário do escritor, entre Portugal e Brasil, através do chamado Tratado de Amizade. 18 de abril. Monteiro Lobato veio a falecer em 4 de julho de 1948. Brasil e Portugal, devido ao contexto histórico, possuem grandes semelhanças cultu- Monteiro Lobato foi um dos maiores escritores brasileiros do século, foi o precursor rais. Muitas tradições e raízes que atualmente marcam o povo brasileiro, nasceram a da literatura infantil no Brasil, e criador dos livros infantis "Coleção Sítio do Pica Pau partir da influência dos portugueses, durante o período da colonização do país. Amarelo" composta por mais de 30 obras. Por esse motivo a data do nascimento de Além do idioma, Brasil e Portugal são “nações irmãs” com diversas outras semelhan- Monteiro Lobato foi escolhida para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil. ças, como a arquitetura, os traços étnicos, o folclore, a religião e etc. O escritor Monteiro Lobato ficou famoso por personagens como Dona Benta, Narizi- O Dia da Comunidade Luso-Brasileira foi criado a partir do projeto de lei do senador nho e Pedrinho, Tia Nastácia, a boneca irreverente Emília, o Visconde de Sabugosa, Vasconcelos Torres, que com a lei nº 5.270, de 22 de abril de 1967, instituiu a data o porco Rabicó e o rinoceronte Quindim. em todo o território nacional. 19 - Dia do Exército Brasileiro O Dia 22 de abril também é conhecido como o Dia do Descobrimento do Brasil, quando a Coroa Portuguesa anunciou oficialmente o descobrimento de terras brasi- Esta data homenageia a força e presença do exército nacional brasileiro como enti- leiras em 22 de abril de 1500. dade de proteção do território e nação brasileira. O Dia do Exército é celebrado em 19 de abril em memória da Batalha dos Guarara- 28 - Dia da Educação pes, que ocorreu em 19 de abril de 1648, no estado de Pernambuco. A data serve para incentivar e conscientizar a população sobre a importância da edu- Neste episódio, um grupo de brasileiros, de diferentes etnias, mas com o mesmo cação, seja escolar, social ou familiar, para a construção de valores essenciais na sentido patriótico, se reuniu pela primeira vez para combater a dominação holande- vida em sociedade e do convívio saudável com outros indivíduos. sa. Oficialmente, o Exército Brasileiro foi criado em 1822, como um órgão subordina- Muitas pessoas associam a palavra "educação" com o ambiente escolar, o que não do ao Ministério da Defesa. deixa de ser correto, porém não deve ser apenas a escola o único instrumento impor- Atualmente o Dia do Exército Brasileiro serve para comemorar essa vitória, enaltecer tante de educação de uma criança ou jovem. o espírito patriótico brasileiro e para divulgar a importância dessa Força Armada. A família é a base da formação educacional de uma pessoa, os pais ou responsáveis O Exército Brasileiro é um dos três braços das Forças Armadas Brasileiras, assim devem estar atentos e participar da formação dos valores sociais, éticos e morais do como a Marinha e a Aeronáutica. indivíduo. 21 - Dia de Tiradentes O dever do Estado é garantir condições para a formação educacional de todos os cidadãos, com qualidade e gratuitamente. O Dia de Tiradentes é comemorado em 21 de abril, e é considerado um feriado na- O Brasil ainda enfrenta graves problemas com a qualidade do ensino e educação, no cional no Brasil. entanto o número de analfabetos caiu bastante nos últimos dez anos, segundo dados Esta data homenageia a figura do herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, po- do Ministério de Educação e Cultura - MEC. pularmente conhecido por “Tiradentes” (referência ao seu ofício de dentista). No Brasil, a educação também é motivo de destaque no dia 25 de agosto, quando se A celebração desta data é importante porque Tiradentes é considerado um dos bra- comemora o Dia Nacional da Educação Infantil, a partir da Lei nº Lei 12.602/12, san- vos brasileiros que lutou pelo desejo de independência do Brasil das explorações e cionada pela presidente Dilma Rousseff. domínio dos portugueses. Atividades para o Dia da Educação Quem foi Tiradentes? Nesta data, instituições de ensino, como escolas e universidades, por exemplo, po- Tiradentes foi um dentista, comerciante, minerador, militar e ativista político brasilei- dem organizar diversas atividades que ajudem a reunir a comunidade e transmitir a ro, e atuava na época do Brasil Colonial nas capitanias de Minas Gerais e Rio de importância dos valores educacionais para a formação da criança e do adolescente. Janeiro. Como morreu Tiradentes? Tiradentes foi enforcado e posteriormente esquartejado, no Rio de Janeiro, em 21 de Com informações da página: Calendarr abril de 1792. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Dia 19 - Dia do Índio De onde vieram os índios brasileiros? descendentes, já que todos os índios de hoje – e os que de bichos grandes e estranhos para os padrões a que Continuação da PAG.10 receberam os portugueses – têm morfologia mongoloi- estamos acostumados. Os donos do pedaço eram pre- Em relação ao sítio amazônico, a descoberta é menos de? Ele explica que quando propôs seu modelo de ocu- guiças e tatus gigantes, tigres-dentes-de-sabre e masto- controversa. No final dos anos 1990, a pesquisadora pação da América, chamado de Dois Componentes Bio- dontes. americana Anna Roosevelt (bisneta do presidente ame- lógicos Principais, porque acreditava que houve duas Um dos maiores e mais impressionantes animais que ricano Theodore Roosevelt) encontrou, na caverna de levas de migração, uma anterior – a do povo de Luzia – viveram nessa época era a preguiça-gigante Pedra Pintada, em Monte Alegre, próximo a Santarém, e uma posterior – a dos mongoloides –, ele defendia a (Megatherium americanum), que media 6 metros da ca- no Pará, milhares de lascas de rocha trabalhada e mais ideia de que houve uma troca populacional dos primei- beça à extremidade da cauda e, quando erguida nas de 20 instrumentos de pedra (pontas de facas, dardos, ros pelos segundos. “Eu acreditava que os ameríndios patas traseiras, chegava a 3 metros de altura. O glipto- lanças e arpões), alguns datados de até 11,3 mil anos. substituíram completamente os grupos paleoamerica- donte (Pampatherium paulacoutoi) era outro gigante das nos”, diz. A descoberta de Anna, que trabalhou na região por qua- savanas, e tinha quase o tamanho de um Fusca. Era se uma década com uma equipe composta também por Com a continuidade de suas pesquisas e as novas des- uma espécie de tatu tamanho família, cuja biologia devia pesquisadores brasileiros, revolucionou o conhecimento cobertas que fez, Neves diz que se viu obrigado a alte- ser como a dos similares modernos, só que em escala da ocupação do Brasil e, por extensão, das Américas. rar suas convicções. “Recentemente tive de dar uma maior. O mastodonte (Haplomastodon waringi) era um Ela demonstrou que, ao contrário da teoria corrente na ajustada em meu modelo”, conta. Isso ocorreu depois animal parecido, em tamanho e hábitos, com os atuais época, a floresta tropical amazônica era capaz de abri- que estudou uma coleção de crânios de índios botocu- elefantes. gar uma sociedade organizada. “Havia um mito de que é dos, que na época do descobrimento habitavam o norte O antropólogo argentino Rolando González-José, do muito difícil sobreviver na Amazônia e que as popula- de Minas Gerais e o sul da Bahia, levando-o a concluir Centro Nacional Patagónico, não concorda com a teoria ções antigas a evitavam”, diz o bioantropólogo Walter que não houve uma substituição total. “Nós medimos e de substituição de Neves. Ele baseia sua discordância Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP), au- comparamos esses crânios com os de ameríndios e de num trabalho, feito junto com pesquisadores brasileiros, tor do livro O Povo de Luzia – Em Busca dos Primeiros paleoamericanos”, explica. “Constatamos que eles têm no qual analisou 10 mil amostras de dados genéticos e Americanos. “Para mim, isso nunca fez sentido. A ama- uma similaridade muito grande com estes últimos. Pode- as características anatômicas de 576 crânios de popula- zônica é como qualquer outra floresta tropical do mundo, se dizer, então, que os botocudos, que sobreviveram até ções extintas e atuais do continente americano. e todas foram ocupadas pelo homem.” o início do século 20, eram descendentes do povo de Luzia. Também estudamos crânios semelhantes encon- De acordo com ele, as linhagens genéticas americanas Traços africanos trados no México e na Flórida.” e dos povos do nordeste asiático são irmãs, ou seja, Apesar de mostrar a antiguidade da ocupação, os sítios arqueológicos raramente dão indicações de como eram esses indígenas pioneiros. Na opinião de Neves, os primeiros habitantes do Brasil eram parentes do povo de Luzia. Sua convicção teve início com o estudo que fez do crânio fossilizado desse indivíduo jovem, do sexo feminino, que, desde sua descoberta em Lagoa Santa, repousou esquecido numa gaveta do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1995, o pesquisador da USP fez medidas antropométricas do crânio. Os dados mostravam que Luzia tinha mais a ver com os africanos que com os índios atuais. Independentemente da aparência que tinham e de onde tenham vindo, o certo é que os primeiros povoadores do Brasil deviam viver em sobressalto. Por pelo menos 2 mil anos é provável que eles saíssem de seus abrigos ou moradias cautelosos e olhando para todos os lados para caçar ou coletar alimentos. Eles sabiam que, em algum lugar, um dos mais perigosos predadores que já viveu no planeta, o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator) – um felídeo do tamanho de um leão, que tinha como marca registrada duas afiadas presas, com até 30 centímetros de comprimento – poderia estar à espreita para fazer deles o seu almoço. compartilham o mesmo ancestral. “Além disso, em minha análise de variância craniofacial dos americanos não detectei a existência de dois componentes, mas sim de um continuum, no qual numa extremidade há uma variação generalizada (incluindo grupos de antigos e modernos) e na outra os grupos mais recentes da América do Norte, como os inuítes (esquimós)”, explica. “Entre esses dois extremos, não existe uma descontinuidade significativa na variação, mas o oposto.” De qualquer forma, na opinião de González-José a hipótese de Neves foi muito importante durante os anos 1990, pois permitiu que especialistas de todo o mundo prestassem atenção aos altos níveis de variação morfológica exis- Por isso, a seu ver esses caçadores coletores, que usa- Não é hipótese. A prova de que seres humanos e a cha- tentes no continente americano. vam cavernas e abrigos sob rochas como acampamentos temporários e para enterrar seus mortos, foram os primeiros a ocupar o território brasileiro, então virgem da presença humana. Uma nova descoberta, feita em 2000 no sítio arqueológico denominado Capelinha I, localizado na bacia do rio Jacupiranga, no vale do Ribeira, em São Paulo, veio reforçar a hipótese de Neves. Trata-se do crânio, de aproximadamente 9 mil anos, de um indivíduo de baixa estatura, com cerca de 1,60 metro, cujas medidas e formato têm características similares às encontradas nos atuais aborígines australianos e africa- mada megafauna do Pleistoceno (período geológico que se estendeu de 2 milhões a 11 mil anos atrás) conviveram no Brasil foi obtida por Neves em 2004. Testes de carbono 14 em fragmentos de ossos do S. populator, encontrados na região de Lagoa Santa (MG), comprovaram que essa espécie de felino viveu há até pelo menos 9,2 mil anos. Como é o mesmo local onde foi descoberto o crânio de Luzia, foi fácil para o pesquisador concluir que as duas espécies conviveram por pelo menos 2 mil anos. O certo é que a partir de 8 mil anos atrás, pouco mais, pouco menos, os ameríndios foram povoando todo o território. Por volta de 3 mil anos atrás descobriram a agricultura e, embora não haja registros, a população deve ter dado um salto – como aconteceu ao longo da história com todas as sociedades que deixaram de apenas caçar e coletar para cultivar parte de seus alimentos. Os grupos devem ter crescido e passado a se dividir em várias nações e tribos, até aquelas que havia na época de Cabral. Entre elas, os tupiniquins, que recebe- nos, e em Luzia. Por isso, foi batizado de Luzio. Terra de gigantes ram os portugueses de forma amistosa. Não sabiam que Um dos questionamentos que é feito à hipótese de Neves é que se essas populações realmente existiram e Na época o clima e a paisagem do Brasil eram diferentes. Não havia o país tropical, habitado por uma fauna era o início da longa trajetória dos brancos em Pindorama. ocuparam o território brasileiro por que não deixaram exuberante e colorida como a de hoje. Era mais frio e Evanildo da Silveira com o território dominado por savanas, a morada ideal ÍNDIOS NO BRASIL DE HOJE Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro 253 povos, falantes de mais de 150 línguas diferentes. Os povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 705 Terras Indígenas, de norte a sul do território.nacional. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grandes mestres O Povo Brasileiro - Darci Ribeiro Os brasileiros se sabem, se sentem e se (Continuação da edição anterior) comportam como uma só gente, pertencen- FINAL Trechos do livro O Povo Brasileiro te a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes. A urbaniza- ção contribuiu para uniformizar os brasilei- ros, sem eliminar suas diferenças. Fala-se em todo o país uma mesma língua, só dife- renciada por sotaques regionais. Mais do que uma simples etnia, o Brasil é um povo nação, assentado num território próprio para nele viver seu destino. COM A PALAVRA, O BRASILEIRO... José Silva: "Ser brasileiro é ser artista." José Rafael: "Vamos aí, na batalha." Francisca: "Não dá nem pra rir, né?" Francisco: "Brasileiro gosta de ter fé." Mara Anastácia: "É um pouquinho de sonho, né?" Mas foi essa gente nossa, feita da carne de índios, alma de índios, de negros, de mula- tos, que fundou esse país. Esse "paisão" formidável. Invejável. A maior faixa de terra fértil do mundo, bombardeada pelo sol, pela energia do sol. É uma área imensa, prepa- rada para lavouras imensas, produtoras de tudo, principalmente de energia. Muitos estrangeiros que chegaram aqui no começo do século XX encontraram condi- A Amazônia devia ser um país, porque é tão ções de ascensão social mais rápida do que diferente. O nordeste, até a Bahia... outro muitos brasileiros gerados aqui. Para Darcy país que é diferente. A Paulistânia e as Mi- Ribeiro, o país pouco mudou desde 1.500. nas Gerais juntas são outra gente... O sul, E dos escravos aos assalariados de hoje, o outra gente... Esse povão que está por aí Brasil se fez como um moinho de gastar pronto pra se assumir como um povo em si gente. e como um povo diferente, como um gênero humano novo dentro da Terra. É muito duro para um negro fazer carreira no Brasil. Eles são a parcela maior da ca- É claro que eu tinha de fazer um livro sobre mada mais pobre que tá lá, no fundo do fun- o Brasil que refletisse de certa forma isso. E do, e é a camada onde pesa mais o analfa- vivi fazendo pesquisa, e vivi muito com ne- betismo, a criminalidade, a enfermidade. E gros, brasileiros, pioneiros de todo o lugar é claro que precisam de uma compensação do Brasil. E li tudo que se falou do Brasil. que nunca tiveram. Então estava preparado pra fazer esse li- vro. Eles fizeram este país, construíram ele intei- ro e sempre foram tratados como se fossem E gosto dele. Tenho orgulho do fundo do o carvão que você joga na fornalha e quan- peito de ter dado ao Brasil esse livro. É o do você precisa mais compra outro. A atitu- melhor que eu podia dar. Gosto muito dis- de para com o negro e o mulato e com o so. pobre é muito bruta. Sobretudo os branqui- Que bela história tem esse povo brasileiro... nhos de merda, que tem uma atitude muito frequentemente de profundo preconceito e FIM nenhum respeito para com essa gente que fez o Brasil. FRASES SOBRE HONESTIDADE “Deve haver honestidade entre os ladrões”. Barão de Itararé *** “A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele”. Barão de Itararé *** “Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados”. Barão de Itararé *** “Eles são honestos: não mentem sem necessidade”. Anton Thekov *** “Todos nós sabemos o que é uma ação desonesta, mas o que é a honestidade nisso, ninguém sabe”. Tchekov *** “A quem torpe nasceu, nenhum defeito adorna”. Bocage *** “O termômetro da dignidade poucos graus vai acima do zero; mas abaixo a graduação não tem fim”. Capistrano de Abreu *** “Que patifes, as pessoas honestas”. Émile Zola *** “A honestidade é própria das classes médias. As de baixo não a ignoram, mas não sabem para que serve. As de cima não as ignoram, mas não sabem para que ainda serve”. Virgílio Ferreira *** “A honestidade é como um trem a seguir seu caminho levando consigo poucas pessoas a cada estação”. Desconhecido *** “Para o comerciante, até a honestidade é uma especulação financeira”. Baudelaire *** “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir -se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Rui Barbosa *** MÊS QUE VEM TEM MAIS Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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ABRIL 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy O movimento operário e a juventude pensador radical, é dever histórico da protagonizaram uma quase insurreição a 29 esquerda, nesta conjuntura particular, Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em de junho de 2011, no final da greve geral de estabilizar o capitalismo; salvar de si o Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e 48 horas, enquanto o parlamento votava o capitalismo europeu próprio e dos ineptos vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pacote de austeridade imposto pela troïka. tratadores da inevitável crise da zona euro pesquisas do Centre National de la Recherche Assim, em 2011-2012, a Europa do Sul ( … ) U m a a n á l i s e m a r x i s t a , t a n t o d o Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no (Grécia, Espanha, Itália) se projetou como a capitalismo europeu como do atual estado da p on te en t re a “p rima ve ra á ra be ” e o s esquerda, nos obriga a trabalhar em prol de trabalhadores, os desempregados e as uma ampla coligação, mesmo com direitistas, massas empobrecidas da Europa. A Europa cujo objetivo deverá ser a resolução da crise jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções começou a apresentar uma forte polarização na Zona Euro e a estabilização da União (2009) e Capitalismo como religião (2013), de política, inclusive no terreno eleitoral, com o Europeia. Os radicais deverão, no contexto da Walter Benjamin avanço da esquerda em quase todas as presente calamidade europeia, trabalhar para eleições de 2011 e 2012, assim como a nova minimizar o sofrimento humano, reforçando as Capitalismo e presença da extrema direita nacionalista, na instituições públicas da Europa, e, deste sua versão tradicional (a Frente Nacional da m o d o , g a n h a r t e m p o e e s p a ç o p a r a democracia França, de Marine Le Pen) ou neonazista desenvolver uma alternativa verdadeiramente na Europa PARTE XVI O governo grego deveria cumprir todas as imposições orçamentárias impostas pela troïka como condição para receber novos aportes financeiros, destinados unicamente para a quitação de parcelas da dívida soberana grega. Ou seja, sem nenhuma perspectiva de melhora social (salários, emprego, previdência social, saúde pública). A 26 de setembro de 2012 foi realizada uma das maiores paralisações gerais desde o início da crise. Foi a primeira contra o governo de Antónis Samaras, da Nova Democracia, eleito nas eleições de junho com estreita margem sobre a coalizão de esquerda Syriza (29,7% contra 26,9%). Samaras venceu as eleições prometendo “flexibilizar” os planos de austeridade. A greve, que atingiu tanto o setor público quanto privado, foi deflagrada contra o plano de cortes negociado pela Nova Democracia e o PASOK, partidos integrantes do governo direitista de coalizão. Cerca de 100 mil pessoas marcharam em Atenas, confluindo num grande protesto na Praça Syntagma, em frente ao parlamento grego. As palavras de ordem e os cartazes denunciavam a troïka, os cortes no orçamento e o cada vez maior abismo social. A greve foi convocada pela ADEDY (central sindical dos trabalhadores públicos) e a GSEE, representante dos trabalhadores do setor privado.[33] Na Praça Syntagma, a polícia reprimiu violentamente os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, prendendo pelo menos cem ativistas e ferindo dezenas de pessoas. O pacote de austeridade da Grécia previa cortes da ordem de 11,5 bilhões de euros (além de mais dois bilhões em aumento dos impostos), condição para o país ter acesso a uma linha de crédito de 31,5 bilhões, parte do resgate de 173 bilhões. Para alcançar essa meta, o governo deveria cortar aposentadorias e salários, além do já mencionado compromisso de demitir 150 mil funcionários públicos até 2015. O ministro das Finanças da Grécia, Yannis Stournaras desabafou com o representante europeu do FMI: “Vocês se dão conta do que estão pedindo? (Grécia, com a “Alvorada Dourada”). Foi na Grécia que se produziu o mais espetacular avanço da esquerda com a enorme votação (27%), em 2012, do Syriza, transformado no árbitro da política do país, ao ponto de conseguir impedir a formação de um governo dos partidos favoráveis aos acordos e ao “Memorando” da troïka.[34] O pleito de 2012 foi vencido por Nia Dimokratia, o velho partido da direita grega, com 29,7% dos votos. Em resposta ao convite para participar de um governo de unidade nacional, Syriza anunciou sua decisão de ficar na oposição, enfatizando as bases do seu “plano de reconstrução nacional” contrário ao memorando de “resgate” que previa cortes orçamentários de todo tipo. O programa do Syriza por “salários decentes e uma vida decente”, e por “uma Grécia realmente europeia” (na UE), era o de uma “esquerda radical” com um programa dentro do marco político-institucional e internacional vigente: “Encontraremos nossa própria justiça. Proporemos obstáculos às medidas [de austeridade] e ao resgate [da troïka]. É a única opção viável para a Europa”: na eleição, Syriza conseguiu quase 27% dos votos, um aumento de 60% em relação à eleição prévia de 6 de maio, obtendo 1,6 milhão de votos e 72 cadeiras no Parlamento, de um total de 300. A filosofia pró-UE de Syriza foi explicada por um de seus principais intelectuais, que depois assumiu o ministério de Finanças e se transformou na coqueluche da esquerda europeia: “A Europa está passando por uma recessão que difere substancialmente de uma recessão capitalista normal, do tipo que é superada através de uma compressão salarial que ajuda a restabelecer a rentabilidade. O presente deslizar de longo prazo em direção a uma depressão assimétrica e à desintegração monetária coloca os radicais perante um terrível dilema: devemos usar esta crise capitalista de rara profundidade como uma oportunidade para fazer campanha pelo desmantelamento da União Europeia, dada a sua aquiescência entusiástica para com o credo e as políticas neoliberais? Ou devemos aceitar que a esquerda não está pronta ainda para uma mudança radical e fazer antes campanha pela estabilização do capitalismo humanista”.[35] O raciocínio político exposto é circular: “a esquerda não está pronta ainda para uma mudança radical”, motivo pelo qual só poderia “salvar de si próprio o capitalismo”, pois este não poderia fazê-lo, nem teria essa intenção. Mas, o que aconteceria se a esquerda for bem sucedida em salvar o capitalismo? Este passaria a funcionar bem, o que tornaria desnecessária qualquer “mudança radical”, e a própria esquerda. Não se trata, portanto, de uma reedição anacrônica da teoria menchevique ou stalinista da “revolução por etapas”, mas de um exemplo de lógica circular: o capitalismo está em crise, mas a esquerda é incapaz de alternativa própria (“mudança radical”), portanto deve esforçar-se para salvá-lo; se assim o conseguir, torna-se ela própria, junto com sua “mudança”, desnecessária. É uma versão política do “ardil 22”, formulada desta vez por um especialista acadêmico em teoria dos jogos.[36] Syriza, no entanto, com seu segundo lugar conquistado nas eleições de junho de 2012, não admitiu nenhum tipo de acordo político que não contemplasse a anulação do “Memorando de Ajuste” assinado pela Grécia com a Comissão Europeia e o FMI. Esse memorando, que acompanhou o refinanciamento da dívida grega, impunha dezenas de milhares de demissões na administração pública, maiores cortes nas aposentadorias e nos gastos sociais, e uma série de arrochos e privatizações. Syriza propôs também um condicionamento para o pagamento da dívida externa: que uma auditoria internacional determinasse sua legitimidade, e propôs inclusive uma nacionalização parcial dos bancos. Syriza, na verdade, não podia fazer um acordo governamental com a direita sem perder sua base popular. A crise pôs objetivamente na agenda política a retirada da Grécia da zona monetária do euro e da União Europeia, mas Syriza manifestou-se a favor de manter a Grécia dentro daquelas, embora a Comissão Europeia insistisse em que a recusa do “Memorando de Ajuste” era incompatível com a continuidade da Grécia na zona do euro e na União Europeia. Vocês querem derrubar o meu governo?”. europeu? Por pouco sedutora que a última proposição possa soar aos ouvidos do CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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