VetScience Magazine - Número 15 | 2017

 

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ISSN 2358-1018 um benefício para o cliente TECSA MAGAZINE Número 15 ONCOLOGIA VETERINÁRIA UMA CIÊNCIA QUE EVOLUI A CADA DIA www.vetsciencemagazine.com.br

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ÍNDICE 06. ONCOLOGIA 06. TUMORES MAMÁRIOS EM CADELAS 08. A IMPORTÂNCIA DO EXAME DE IMUNOISTOQUÍMICA NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA 10. ASPECTOS PRÁTICOS E TÉCNICAS COMPLEMENTARES DO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS NEOPLASIAS MAMÁRIAS EM CADELAS 13. ELETROQUIMIOTERAPIA COMO MODALIDADE DE TRATAMENTO EM NEOPLASIAS DE CÃES E GATOS 16. COLETA E ENVIO DE EXAME HISTOPATOLÓGICO 19. A CITOLOGIA NO DIAGNÓSTICO DE TUMORES 22. COLORAÇÕES HISTOPATOLÓGICAS ESPECIAIS 25. LEUCEMIA EM CÃES 28. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DAS MARGENS CIRÚRGICAS EM ONCOLOGIA VETERINÁRIA 30. MASTOCITOMA – NEOPLASIA CUTÂNEA MAIS FREQUENTE NO CÃO 32. ALERGOLOGIA 32. DERMATITE ATÓPICA E OS PRINCIPAIS ALÉRGENOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DA ALERGIA EM CÃES 33. DERMATITE ATÓPICA FELINA 36. MED. LAB. DE FELINOS 36. LIPIDOSE HEPÁTICA FELINA 39. PATOLOGIA CLÍNICA 39. ESTUDO COMPARATIVO SOBRE EXAMES LABORATORIAIS REALIZADOS EM AMOSTRAS DE MATERIAIS HUMANOS E DE ANIMAIS Colaboraram neste número: Dr. Eduardo Maia, Dr. Guilherme Stancioli, Dra. Isabela de Oliveira Avelar, Dra. Janete Madalena da Silva, Dr. João Paulo Fernandez Ferreira, Dr. João Paulo Franco, Dr. Luiz Eduardo Ristow, Dra. Marcela Ribeiro Gasparini, Dr. Otávio Valério de Carvalho e Dr. Tiago Luis Santos Gonçalves. Todos membros da Equipe de Médicos Veterinários do TECSA Laboratórios. Além do Médico Patologista Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. Contribuíram também para este número os renomados Colegas: Dra. Carolina Ferreira Plá (ZOOTEC), Dr. Felipe Augusto Ruiz Sueiro (VETPAT), Dr. Guilherme Lages Savassi Rocha (Clínica Veterinária Dr. Guilherme Savassi) e Dra. Mariana Fernandes Cavalcanti (ONCOVIDA SAÚDE ANIMAL). Obs.: os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam necessariamente, a visão e opinião do TECSA Laboratórios. EXPEDIENTE Editores/Publishers: Dr. Luiz Eduardo Ristow . CRMV-SP 5560S . CRMV-MG 3708 . ristow@tecsa.com.br Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. . afonsoperez@tecsa.com.br Equipe de Médicos Veterinários TECSA . tecsa@tecsa.com.br Diagramação: Sê Comunicação . se@secomunicacao.com.br Contatos e Publicidade: comunicacao@tecsa.com.br Av. do Contorno , nº 6226 , B. Funcionários, Belo Horizonte - MG – CEP 30.110-042 PABX-(31) 3281-0500 Tiragem: 5000 revistas . Publicação Bimestral Na Internet: www.vetsciencemagazine.com.br ISSN: 2358-1018 CIRCULAÇÃO DIRIGIDA A revista VetScience® Magazine é uma publicação do Grupo TECSA dirigida somente aos médicos veterinários, como parte do Projeto JORNADA DO CONHECIMENTO, criado pelo mesmo. Este projeto visa a universalização do conhecimento em Medicina Laboratorial Veterinária. A periodicidade é Bimestral, com artigos originais de pesquisa clínica e experimental, artigos de revisão sistemática de literatura, metanálise, artigos de opinião, comunicações, imagens e cartas ao editor. Não é permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista sem a prévia autorização do TECSA. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista VetScience magazine. Grupo TECSA – Referência de precisão, tecnologia e inovação desde 1994!

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ONCOLOGIA TUMORES MAMÁRIOS EM CADELAS Generalidades Em cães, os tumores de pele são os tumores mais freqüentes seguidos das neoplasias mamárias. Em fêmeas, cerca de 50% das biopsias recebidas pelo TECSA são tumores mamários. Comparativamente, a incidência de neoplasias mamárias em cadelas é aproximadamente três vezes mais alta do que na mulher. Neste contexto, a significativa importância dessa enfermidade exige a atenção do clínico quanto ao reconhecimento processo neoplásico e diagnóstico precoce e preciso. Esses tumores ocorrem com maior freqüência em cadelas entre 6 e 12 anos de idade, com maior incidência entre os nove e 11 anos, sem predisposição racial específica. Estudos têm demonstrado que as neoplasias mamárias em cadelas podem estar associadas a desequilíbrios hormonais, sobretudo disfunções ovarianas. Embora haja ampla variação em diferentes trabalhos voltados para determinar a freqüência de tumores benignos e malignos em cadelas, em geral, cerca de 50% das neoplasias são benignas, dentre estas, o tumor misto benigno é o mais freqüente. Considerando apenas os tumores malignos, os adenocarcinomas correspondem a aproximadamente 45% do total. Classificação As neoplasias mamárias são classificadas quanto aos padrões histomorfológicos adotados pela Armed Forces Institute of Pathology – AFIP (Hampe et al., 1999). Tumores benignos Adenomas: Proliferação de células epiteliais dos ácinos e/ou mioepiteliais). Simples: Proliferação de células bem diferenciadas, epiteliais ou mioepiteliais. Complexo: Proliferação de células bem diferenciadas, epiteliais e mioepiteliais. Basalóide: Proliferação de cordões de células basais. Fibroadenoma: Proliferação de células epiteliais e elementos estromais. Tumor misto benigno: Presença de componentes epiteliais, mioepiteliais e tecido mesenquimal, que pode ser estroma mixóide, cartilagem (diferenciação condróide) e/ou tecido ósseo. Papiloma ductal: Proliferação de células epiteliais dos ductos da glândula mamária. Tumores malignos Carcinoma in situ: Neoplasia epitelial com achados histológicos compatíveis com proliferação celular maligna, no entanto, sem invasão da membrana basal. Pode ser focal ou multicênctrico. Adenocarcinoma complexo: Presença de componentes epiteliais e mioepiteliais. As células epiteliais podem ter padrão sólido ou túbulopapilar. Adenocarcinoma simples: Proliferação de células epiteliais em padrão sólido ou túbulo-papilar. Sarcomas: Os fibrossarcomas e osteossarcomas são os tumores de origem mesenquimal mais frequentemente encontrados nas cadelas. Diagnóstico O exame histopatológico de biopsias, a partir da retirada cirúrgica da cadeia mamaria ou de lesões nodulares sugestivas de processos neoplásicos, é o método diagnóstico mais preciso e seguro. Neste contexto o exame 6

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ONCOLOGIA histopatológico pode ser capaz de: Classificar o tumor mamário Detalhar características histomorfológicas importantes no prognóstico como pleomorfismo, grau de diferenciação, índice mitótico, presença ou ausência de necrose e a precisão da excisão cirúrgica; Avaliar a infiltração da pele, tecidos moles e invasão vascular regional; A presença de nodulações múltiplas na cadeia mamária de cadelas é um achado comum na clínica de pequenos animais, podendo comprometer a precisão do diagnóstico histopatológico e deve ser considerada para evitar diagnósticos incorretos. Desta forma, para evitar a possibilidade de não selecionar zonas representativas do tumor, é fundamental retirar amostras de vários pontos, procurando abranger zonas de transição entre as lesões e o tecido aparentemente normal. Tais cuidados durante a coleta são importantes, pois os tumores em cadelas podem atingir grandes dimensões e dificultar o envio integral do material para análise. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 86 - HISTOPATOLÓGICO COM COLORAÇÃO DE ROTINA - HE PRAZO/DIAS 8 650 - HISTOPATOLOGIA COM COLORAÇÃO ESPECIAL 8 838 - IMUNO-HISTOQUIMICA PAINEL PROGNOSTICO DE TUMOR DE MAMA 14 648 - IMUNOISTOQUÍMICA PARA NEOPLASIA - PAINEL GERAL 14 645 - PERFIL BIÓPSIA DE CADEIA MAMÁRIA 8 658 - PERFIL FACILITADOR - CITO E HISTOPATÓLOGICO 752 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROTI. - 2 A 3 PEÇAS 8 8 753 - P. FACILITADOR - HISTOPATÓLOGICO COLORAÇÃO ROTINA - 4 A 5 PECAS C/ 8 Estadiamento (Tabela 1) O estadiamento do câncer é baseado no tamanho da lesão primária (T), na extensão de sua disseminação para linfonodos regionais (N) e na presença e ausência de metástases (M). A classificação de cada caso no sistema TNM é importante para: - Estabelecer prognóstico; - Planejar tratamento, quando for o caso; - Dar indicações precisas ao patologista sobre o material enviado. Tabela 1 – Estadiamento clínico (TNM) dos carcinomas mamários caninos. T – Lesão primária N – Disseminação (linfonodos) M - Metástases T1 Tumor < 3,0 cm N0 Sem evidências de M0 Sem evidências de T1a: não fixo envolvimento de linfonodos metástases distantes. T1b: fixo a pele regionais. T1c: fixo ao músculo T2 Tumor 3,0 a 5,0 cm N1 Linfonodo ipsilateral M1 Metástases distantes T2a: não fixo envolvido. incluindo linfonodos não T2b: fixo a pele N1a: não fixo regionais. T2c: fixo ao músculo N1b: fixo T3 Tumor > 5,0 cm N2 Linfonodos bilaterais T3a: não fixo envolvidos. T3b: fixo a pele N2a: não fixo T3c: fixo ao músculo N2b: fixo T4 Tumor de maiores dimensões 7

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ONCOLOGIA A IMPORTÂNCIA DO EXAME DE IMUNOISTOQUÍMICA NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA Dr. Felipe Augusto Ruiz Sueiro - Coordenador de Diagnósticos VETPAT – Patologia e Biologia Molecular Veterinária Durante muitos anos as análises histológicas foram baseadas unicamente nos aspectos morfológicos das células através do uso da microscopia de luz e de técnicas rotineiras de coloração. Porém com o advento da imunoistoquímica, o estudo meramente morfológico das células pode ser acrescentado de estudos sobre a expressão de marcadores intracelulares e extracelulares. A imunoistoquímica surgiu na década de 1940 com pesquisas em imunopatologia na Medicina. Só a partir de 1974, quando foi possível demonstrar a marcação de alguns antígenos pela técnica de imunoperoxidase em tecidos fixados em formalina e incluídos em parafina, é que a imunoistoquímica foi aceita como um método simples e prático na rotina diagnóstica de patologia cirúrgica. Apesar da técnica de imunoistoquímica ser usada na rotina diagnóstica e na pesquisa em Patologia Humana desde a década de 70, seu uso na Patologia Veterinária é relativamente recente, principalmente com objetivo diagnóstico. A maior dificuldade no uso da imunoistoquímica na Patologia Veterinária tem sido a falta de reagentes, principalmente anticorpos, específicos para os tecidos animais. Na falta destes anticorpos específicos para as espécies domésticas, a Patologia Veterinária frequentemente faz uso de anticorpos que apresentam “reatividade cruzada” entre antígenos humanos e animais. Outra limitação extremamente importante estava no mascaramento dos sítios de ligação específica dos anticorpos causados pelas ligações cruzadas das moléculas devido à fixação em formalina, alterando a estrutura terciária dos antígenos. Porém nas últimas décadas a imunoistoquímica na Veterinária se aperfeiçoou baseada em pesquisas e estudos, padronizando sistemas de “recuperação de epítopos através do calor” e o desenvolvimento de métodos de amplificação mais poderosos, que permitem a detecção de pequenas quantidades de antígenos nos tecidos, conseguindo-se assim um aumento de 30 a 200 vezes no sinal de amplificação da reação. Com isso, anticorpos para uso humano que anteriormente não apresentavam “reatividade cruzada”, passaram a se mostrar reativos também em tecidos animais parafinados. Aliado a isso, a Medicina Veterinária tem sentido a necessidade cada vez maior de aprimorar seus métodos diagnóstico e terapêuticos, principalmente na área da Oncologia Veterinária, onde a imunoistoquímica é uma das maiores ferramentas para esse avanço. As reações imunoistoquímicas podem ser utilizadas nas mais diferentes situações dentro de um laboratório de patologia cirúrgica e rotina oncológica. As mais importantes são: Definição Diagnóstico: Identificação do tecido de origem de uma neoplasia morfologicamente indiferenciada. Alguns tumores apresentam morfologia parecida, porém com características comportamentais e terapêuticas distintas. Exemplo: • Tumor Venéreo Transmissível (T.V.T) x Linfoma • Melanoma amelânico x Plasmocitoma •Histiocitoma cutâneo x Linfoma cutâneo Nesses casos, o painel imunoistoquímico visa estabelecer o diagnóstico histogenético da neoplasia, ou seja, definir a origem correta do tumor, e assim permitindo uma correta conduta terapêutica. Caracterização do sítio de origem de uma neoplásia metastática: 8

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ONCOLOGIA Por vezes a lesão diagnosticada é uma metástase de um tumor não identificado clinicamente. Exemplo: Uma biopsia de linfonodo, revela uma metástase de um Carcinoma que o clínico não consegue localizar pelos exames de rotina. Nesses casos o painel imunoistoquímico tenta identificar de qual tumor ou sítio primário pertencem aquelas células metastáticas, e com isso direcionar a pesquisa para localizar o tumor principal. Imunofenotipagem de linfomas: Sabe-se que um dos principais fatores prognósticos de uma neoplasia linfoide é seu imunofenótipo. Um linfoma pode ser de imunofenótipo B ou T. O exame imunoistoquímico pode estabelecer esse imunofenótipo e ainda correlacionar com a morfologia celular, fornecendo um diagnóstico extremamente preciso, permitindo um planejamento terapêutico mais adequado. Identificação de fatores prognósticos: Marcador prognóstico pode ser definido como qualquer marcador capaz de fornecer informações a respeito da evolução clínica da neoplasia (comportamento tumoral). Esses marcadores variam de acordo com o tipo tumoral estudado. Exemplo: •Oncogene C-Kit para Mastocitomas •Moléculas de Adesão (E-Caderina) para tumores mamários e outros carcinomas •Gene supressor tumoral p53 para alguns sarcomas Identificar fatores prognósticos moleculares de um tumor, capacita o clínico oncologista a elaborar um painel terapêutico personalizado para aquela paciente. Avaliação do índice de proliferação tumoral: A avaliação precisa do índice de proliferação tumoral é um forte indicador do comportamento de um tumor. Quanto mais células em multiplicação, maior o potencial agressivo de um tumor. Para algumas neoplasias esses valores ou “cut off ” de agressividade já estão bem estabelecidos, o que torna muito importante sua avaliação para melhor entendimento do comportamento desse tumor. Exemplo: Índice de proliferação para mastocitomas, melanomas e tumores de mama. Avaliação de marcadores preditivos: Marcador preditivo pode ser definido como qualquer marcador capaz de fornecer informações úteis na seleção de pacientes susceptíveis à determinada terapêutica ou droga específica. Exemplo: A avaliação da expressão da oncoproteína C-Kit em mastocitomas caninos, além de ser um fator prognóstico, também é um fator preditivo, pois tumores com alta expressão de C-Kit podem fazer uso de drogas inibidoras de Tirosina quinase (por exemplo o MasivetR e PalladiaR). Outro exemplo importante é a avaliação da imunoexpressão da proteína COX2. A expressão dessa proteína em tumores permite que o clínico opte ou não pelo uso de inibidores de Ciclooxigenase na terapêutica adjuvante de determinado tumor. Apesar da histopatologia ainda ser o “padrão ouro” no diagnóstico de neoplasias, a imunoistoquímica, e outras técnicas moleculares como o PCR e a Citometria de Fluxo tem se popularizado na rotina oncológica como uma ferramentas capazes de aprimorar o diagnóstico das neoplasias e principalmente fornecer informações sobre comportamento e biologia tumoral que permitem a escolha de terapêuticas mais específicas para cada caso, minimizando efeitos colaterais indesejados, reduzindo custos desnecessários e principalmente salvando vidas. Figura1: Marcação nuclear para Ki67 em Mastocitoma canino. Figura 2: Imunofenotipagem de linfoma por imunoistoquímica. Marcação para CD3 – Linfoma de imunofenótipo T. Figura 3: Marcação de membrana para oncoproteína C-Kit em Mastocitoma canino. O padrão de imunoexpressão do C-Kit em mastocitomas caninos permite escolher a melhor abordagem para o uso de drogas inibidoras de Tirosina quinase. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME PRAZO/DIAS 86 - HISTOPATOLÓGICO COM COLORAÇÃO DE ROTINA - HE 8 644 - HISTOPATOLÓGICO COM MARGEM CIRÚRGICA (BIOPSIA) 8 650 - HISTOPATOLOGIA COM COLORAÇÃO ESPECIAL 8 334 - PERFIL HIPERADRENOCORTICISMO 3 809 - HISTOPATOLÓGICO ÓSSEO 10 648 - IMUNOHISTOQUÍMICA PARA NEOPLASIA - PAINEL GERAL 838 - IMUNO-HISTOQUIMICA PAINEL PROGNOSTICO DE TUMOR DE MAMA 659 - MUNOHISTOQUIMICA - DETECÇÃO DE MICRO - METÁSTASES DE MELANOMA 656 - MUNOHISTOQUIMICA - VALOR PROGNÓSTICO DE MASTOCITOMA 752 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROTI. - 2 A 3 PEÇAS 753 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROT. - 4 A 5 PEÇAS 14 14 14 14 8 8 345 - PERFIL PRÉ-OPERATÓRIO 1 9

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ONCOLOGIA ASPECTOS PRÁTICOS E TÉCNICAS COMPLEMENTARES DO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS NEOPLASIAS MAMÁRIAS EM CADELAS Dr. Guilherme Lages Savassi Rocha Cirurgião Diplomado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária Cirurgião chefe da Clínica Cirúrgica de Cães e Gatos Dr Guilherme Savassi Os tumores mamários são as de acordo com a emissão de calor. neoplasias mais comuns em cadelas Na Medicina, o procedimento e representam 50% de todos os tipos vem começando a ser usado para de neoformações na espécie. Podem o diagnóstico precoce dos tumores acometer animais de qualquer raça e se mamários nas mulheres, apresentando desenvolvem geralmente a partir dos 5 maior acurácia que a mamografia e anos de idade. A única forma conhecida permitindo diagnóstico com cinco anos de prevenção é a ovariohisterectomia de antecedência em relação ao método anterior ao primeiro cio, o que reduz tradicional. A termografia permite a chance do desenvolvimento tumoral detectar uma neoplasia mamária quando para 0,05%. O comportamento dos a mesma possui em torno de 256 células, tumores benignos e malignos difere em um estágio tão inicial, quando o consideravelmente, assim como sua tumor não é nem mesmo palpável. A disposição anatômica. Os benignos mamografia, por sua vez, só consegue são geralmente circunscritos e pouco identificar o câncer mamário quando aderidos, enquanto os malignos são o mesmo atinge a grandeza de mais de difusos e invasivos. Do ponto de vista quatro bilhões de células (Buchanan de evolução, as neoplasias malignas et al., 1983). O exame de termografia apresentam crescimento rápido e estão associadas ao envolvimento de linfonodos regionais e outros órgãos Figura 1 – Carcinoma inflamatório em cadelas (fontes: A - Villalobos AE, Manual Merck ; B – Liptak J, http://www.animalcancersurgeon.com/ skin-tumors-mammary) possui uma série de outras vantagens. Não emite radiação, não é doloroso e nem incômodo, uma vez que o como pulmões, vísceras abdominais, ossos e pele. Em geral, a indicação primária para o tratamento dos tumores mamários é a excisão cirúrgica, mas há exceções. O carcinoma inflamatório, por exemplo, é um tipo de neoplasia de comportamento extremamente agressivo e que apresenta alto índice de recidiva pós-operatória. O tratamento cirúrgico, portanto, pode acarretar consequências desastrosas, como a progressão mais rápida da doença e metastatização com óbito inevitável. A apresentação clínica do carcinoma inflamatório é típica. Ao contrário dos demais tumores mamários, não tem formato nodular, é alongado e a glândula acometida tem aspecto de placa inflamada, quente e dolorida ao toque. Geralmente acomete as glândulas abdominais caudais e inguinais (figura 1). Diagnóstico por imagem – termografia, uma técnica promissora No pré-operatório das mastectomias, é fundamental a realização de exames de imagem, no sentido de detectar a presença de metástases em vísceras e ossos. As radiografias torácicas e a ultrassonografia abdominal devem ser realizadas rotineiramente. Os exames laboratoriais hematológicos também podem apresentar alterações típicas nos casos mais avançados, podendo ser observadas anemia e leucocitose neutrofílica. Além dos métodos de avaliação padrão, a termografia é uma técnica auxiliar que também pode ser usada no diagnóstico dos tumores mamários, através da mensuração da temperatura da superfície corporal equipamento não toca o paciente.Tratase de uma câmera fotográfica especial, que trabalha em associação a um software, o que não gera nenhum custo fixo adicional para a realização do exame. Além da oncologia, utilizamos também a termografia em outras especialidades como a ortopedia (avaliação das lesões osteoarticulares), neurologia (doença do disco intervertebral) e angiologia (doenças isquêmicas como o tromboembolismo aórtico, por exemplo). Há, entretanto, algumas limitações para o uso do método, como a necessidade de tricotomia da região a ser examinada, o controle de temperatura do ambiente, e diagnósticos diferenciais, como as desordens inflamatórias. Para a realização do exame nas glândulas mamárias, deve-se tricotomizar toda a região ventral do abdômen e tórax 10

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ONCOLOGIA cerca de 2 horas antes. A temperatura ambiente deve ser de 22°C, para que não haja interferência de fatores externos. O paciente deve ser mantido na sala de exame com pelo menos uma hora de antecedência para aclimatação. As imagens devem ser obtidas com a câmera a 40 cm de distância da pele, formando um ângulo de 90° entre o plano da lente e a superfície que está sendo examinada. A câmera usada com maior frequência é a FLIR modelo E-40 (figura 2). Em estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (Pavelski et al., 2015), a média de temperatura das glândulas mamárias normais examinadas (grupo controle) foi de 35,07°C contra 37,86°C das glândulas que apresentavam neoplasias palpáveis. Quando se trata da interpretação da termografia, a variação de 1°C já pode ser considerada clinicamente relevante para o diagnóstico da alteração tecidual. A seguir, apresentamos o caso clínico de uma cadela da raça Poodle, de sete anos de idade, portadora de adenocarcinoma mamário (confirmado por histopatologia). O termograma pré-operatório mostra a variação da temperatura da região dos nódulos mamários palpáveis (identificados pelos pontos desenhados em azul com marcador cirúrgico) em glândula abdominal caudal esquerda, quando comparada à temperatura de menor valor da cadeia mamária. A região afetada mostrou 37,2°C (seta vermelha) enquanto a superfície de menor temperatura 35,6°C (seta azul). Na imagem obtida a partir da câmera termográfica, pode-se perceber de forma evidente a diferença na coloração da região tumoral em relação ao restante das mamas (figura 3). Na lateral direita da foto, há uma escala de cores que varia conforme o calor da região. Ou seja, a cor branca representa as áreas mais quentes, geralmente coincidentes com as neoplasias ou inflamação, seguidas pelas regiões avermelhadas, amareladas e assim por diante, no sentido decrescente de temperatura. O software permite a avaliação da temperatura de qualquer ponto ou região da imagem. Figura 2 - Exame de termografia em paciente no pré-operatório imediato de mastectomia radical (C – Realização do exame de termografia , D – Termógrafo FLIR modelo E-40). (fotos: acervo próprio) Figura 3 – Termograma de paciente com neoplasia mamária em glândula abdominal caudal esquerda em cadela (fotos e exame: acervo próprio) 11

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ONCOLOGIA necessários recursos que vão muito além da simples palpação do parênquima mamário. Um desses recursos é a termografia, que tem bastante ainda a contribuir para a Medicina de pequenos animais. Uma vez detectada a neoplasia, é fundamental estabelecer o estadiamento tumoral, que baseia-se na realização de exames de imagem e na avaliação histopatológica do tumor e dos linfonodos sentinela. Para facilitar a identificação desses linfonodos, é de grande valia a utilização de técnicas de coloração dos mesmos, o que torna a intervenção cirúrgica mais fácil e rápida. Estadiamento e prevenção das metástases – identificação e remoção do lifonodo sentinela O desenvolvimento de metástases dos tumores mamários pode acontecer via linfática ou sanguínea. A drenagem linfática ocorre principalmente pelos linfonodos axilar,e inguinal.O linfonodo axilar drena as glândulas torácica cranial e caudal, além da abdominal cranial. O linfonodo inguinal, por sua vez, drena a glândula inguinal, abdominal caudal e abdominal cranial. Considerando o sistema linfático como uma via natural de disseminação das células cancerígenas para outros sítios, a linfadenectomia deve ser realizada em associação à mastectomia. A biópsia do linfonodo sentinela (LS) é cada vez mais utilizada para a determinação do estadiamento clínico tumoral. O acometimento de linfonodos em animais com neoplasias possui forte valor prognóstico no tumor da glândula mamária. A remoção do linfonodo inguinal é tecnicamente fácil, pois o mesmo sai em meio ao tecido glandular. A linfadenectomia axilar, por sua vez, é um procedimento de execução mais difícil, devido à localização do linfonodo, próximo a vasos e nervos, além de estar adjacente à musculatura, o que dificulta sua identificação. Com o objetivo de favorecer a visualização do linfonodo axilar durante sua remoção, utiliza-se um corante, que pode ser azul de metileno 2% ou azul patente, dentre outros. O azul patente V 2,5% é a solução corante mais utilizada e deve ser aplicada em torno do tumor (região superior e inferior), 15 minutos antes da operação, pela via intradérmica, nos seguintes volumes: animais até 8 kg – 0,5 mL, entre 8 e 15 kg – 1 mL e acima de 15 kg – 2 mL (figura 4). A eliminação do contraste acontecerá via biliar e, principalmente, juntamente com a urina, em até 48 horas após a injeção. ' Figura 4 – Sequência esquemática da utilização do corante azul patente na identificação do linfonodo axilar durante mastectomia em cadela (E - injeção do corante , F – visualização do linfonodo na região axilar ipsilateral / seta) (fotos: acervo próprio) Conclusão As neoplasias mamárias são afecções graves, que necessitam de diagnóstico precoce para que se consiga o principal objetivo do tratamento – evitar as metástases à distância. Para tal, se fazem 12 EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 86 - HISTOPATOLÓGICO COM COLORAÇÃO DE ROTINA - HE 644 - HISTOPATOLÓGICO COM MARGEM CIRÚRGICA (BIÓPSIA) 650 - HISTOPATOLOGIA COM COLORAÇÃO ESPECIAL PRAZO/DIAS 8 8 8 87 - CITOLOGIA 5 809 - HISTOPATOLÓGICO ÓSSEO 10 648 - IMUNOISTOQUÍMICA PARA NEOPLASIA - PAINEL GERAL 838 - IMUNOISTOQUIMICA PAINEL PROGNÓSTICO DE TUMOR DE MAMA 659 - IMUNOISTOQUIMICA - DETECÇÃO DE MICRO - METÁSTASES DE MELANOMA 6P5R6OG- NIÓMSUTNICOOHIDSETOMQAUSITMOICCAITO- MVAALOR 752 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROTI. - 2 A 3 PEÇAS 753 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROT. - 4 A 5 PEÇAS 14 14 14 14 8 8 345 - PERFIL PRÉ-OPERATÓRIO 1 Referências Bibliográficas Buchanan JB, et al. Tumor growth, doubling times and inability of the radiologist to diagnose certain cancers. Radiol Clin N Am. 21 : 115-26, 1983. Pavelski M, Silva DM, Leite NC, Junior DA, de Sousa RS, Guérios SD and Dornbusch PT, Infrared Thermography in Dogs with Mammary Tumors and Healthy Dogs. J Vet Intern Med, 29: 1578–1583, 2015. Villalobos AE, Metastatic tumors. The Merck Veterinary Manual, 2012.

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ONCOLOGIA ELETROQUIMIOTERAPIA COMO MODALIDADE DE TRATAMENTO EM NEOPLASIAS DE CÃES E GATOS Dra Mariana Fernandes Cavalcanti | marianafcavalcanti@gmail.com Profissional Autônoma A eletroquimioterapia é uma modalidade de tratamento que consiste na associação de duas técnicas. A primeira é chamada de eletroporação, que é a aplicação de pulsos elétricos breves,de alta intensidade,na membrana citoplasmática, promovendo poros transitórios, seletivos e reversíveis, na região do tumor.A segunda ,é a aplicação de agentes antineolásicos específicos, por via endovenosa ou intralesional. A eletroporação potencializa o efeito da quimioterapia, já que permite a maior penetração dos agentes citotóxicos . A técnica tem vantagens como efeitos colaterais sistêmicos inexpressivos ou ausentes e alta efetividade, quanto á recidivas e metástases á distância1,2. O procedimento é realizado com o paciente submetido á anestesia geral . O equipamento é um gerador de pulsos, com variados modelos de eletrodos, em placas ou agulhas para aplicação dos pulsos elétricos no tecido tumoral. É importante salientar que sua eficácia, depende da indicação adequada para o diagnóstico. E o seu sucesso, está relacionado ao estadiamento desses tumores previamente, pelo oncologista capacitado para tal. Os agentes quimioterápicos utilizados para a eletroquimioterapia na medicina humana, são a bleomicina e a cisplatina, sendo que a última, não recomendamos na medicina veterinária, já que é contra indicada em felinos e em cães causa grande nefrotoxicidade. A bleomicina pode ser usada no procedimento em cães e gatos, por via endovenosa ou intralesional,produzindo melhor eficácia nos tratamentos, e efeitos adversos insignificantes4. Os quimioterápicos são geralmente hidrofílicos, sendo administrados em infusão. Entretanto, são fortemente lipofóbicos, o que dificulta sua penetração nas células. Assim, a dose terapêutica ideal não consegue atingir o alvo, que seria a neoplasia, sendo incapaz de provocar a terapia efetiva, e ao mesmo tempo causando toxicidade ao tecido normal. Com isso, a eletroquimioterapia tornase uma modalidade de tratamento altamente eficaz, quando associa a técnica da eletroporação e a aplicação de antineoplásicos locais ou sistêmicos. O procedimento é capaz de reter o quimioterápico em seu sítio-alvo e reduzir a toxicidade sistêmica3 . Os poros formados pelo campo elétrico, poderão ser reversíveis, mantendo a viabilidade da célula, após a aplicação, a não ser que os valores de amplitude e duração excedam s padrões suportados pela membrana da célula, os mesmos se tornam irreversíveis, desencadeando a morte celular. Os poros formados pela eletroporação, permitem que moléculas de alto peso molecular, inicialmente impermeáveis, se tornem permeáveis e penetrem na célula. A exposição do tecido tumoral ao campo elétrico provoca uma diminuição sisgnicativa do fluxo sanguíeo, possibilitando maior tempo da penetração do quimioterápico pelos poros formados. Este fenômeno, proporciona maior concentração intracelular do fármaco, na região tratada. A citotoxidade da eletroquimioterapia também é capaz de atingir o estroma tumoral, causando ruptura vascular. Além disso, há uma liberação intensa de antígenos tumorais sistêmicos, o que prejudica a resposta em pacientes imunodeficientes5. Em medicina veterinária, a eletroquimioterapia pode ser utilizada como única forma de tratamento, combinada com cirurgia ou associada á quimioterapia sistêmica. Inicialmente sua indicação incluía 13

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ONCOLOGIA o tratamento de tumores malignos cutâneos e subcutâneos, entretanto alguns autores já demonstram sua eficácia na terapia de neoplasias de várias origens em cães e gatos3. Entretanto sua eficácia parece variar de acordo com a classificação histológica da neoplasia 6,7. se mostrado satisfatório em carcinomas de células escamosas em diferentes localizações, como região abdominal e perianal 10. Indicações Existem algumas modalidades de tratamento para os carcinomas de células escamosas em felinos. A cirurgia pode ser uma boa opção em lesões pequenas e isoladas, embora muitas vezes o paciente sofra mutilação para que se obtenha a cura das lesões. A quimioterapia embora possa ser utilizada, não costuma ser tão eficaz. Por isso uma boa opção para controle local de doença, sem danos funcionais ou estéticos é a eletroquimioterapia. Na literatura alguns estudos demonstram a eficácia da técnica, em gatos com carcinoma periocular (89% média de resposta), sendo que o mesmo autor anteriormente obteve 77% de resposta em felinos portadores de carcinomas em região nasal 8,9. Figura 4. Carcinoma de células escamosas em cadela Figura 5. Eletroquimioterapia Figura 6. Aspecto da lesão após a eletroquimioterapia Figura 1. Carcinoma de células escamosas em felino Figura 9. 20 dias após o procedimento Figura 10. 90 dias após o procedimento Outras indicações nesta espécie, incluem o melanoma oral, provocando a dispigmentação da mucosa no local da aplicação. Em um estudo recente, Stupak et al, em 2016, utilizou a eletroquimioterapia associada á quimioterapia venosa, e obteve grande benefício no tratamento do paciente relatado, promovendo remissão do tumor e mantendo a qualidade de vida do mesmo. Figura 2. Após 20 dias de procedimento Figura 7. Aspecto da lesõa após remoção cirúrgica Figura 11. Melanoma oral em rotweiller Figura 3. Após 90 dias de procedimento Figura 8. Carcinoma perianal em cão Em cães o procedimento também tem Figura 8. Carcinoma perianal em cão 14 Figura 12. Remoção cirúrgica de melanoma oral

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ONCOLOGIA células basais, melanomas cutâneos, plasmocitomas e épulis acantomatoso. Figura 13. Aplicação da eletroquimioterapia no trans-operatório Figura 14. Aspecto da lesão após 90 dias do procedimento Além disso existem indicações para os sarcomas de tecidos moles, sarcomas por aplicação em gatos. Em 2007, Spugnini et al., realizaram um estudo comparando a eficácia da eletroquimioterapia no trans-operatório e no pós-operatário, em 72 gatos operados sem obtenção de margens livres ou recidivantes, em comparação com a cirurgia como única modalidade de tratamento. O autor concluiu que o procedimento promoveu o controle significativo e aumento no tempo de sobrevida dos animais, quando comparados ao grupo que foi submetido apenas á cirurgia. Em mastocitomas a eletroquimioterapia também pode trazer benefícios ao tratamento, apesar do risco de degranulação mastocitária e suas possíveis complicações. Paiva et al., em 2011, associou a eletroquimioterapia em um cão portador de um mastocitoma cutâneo, removido cirurgicamente, sem margens livres na avaliação histológica trans-operatória, obtendo bons resultados e diminuindo com a aplicação da técnica, a probabilidade de recidiva da neoplasia 11. Outras indicações de literatura seriam no tratamento do tumor venéreo transmissível, carcinoma de glândulas apócrinas, linfomas cutâneos, hemangiopericitomas, carcinomas de Considerações Finais A eletroquimioterapia tem sido indicada como terapia de escolha no tratamento de carcinomas de células escamosas em felinos e em tumores perianais caninos. Em tumores de origem mesenquimal, pode ser uma técnica adjuvante ou neoadjuvante na associação com cirurgias, quimioterapias sistêmicas com o objetivo de citorredução ou tratamento das bordas cirúrgicas que não foram obtidas satisfatoriamente, com o objetivo de aumentar o tempo livre de doença. È uma técnica segura, com poucos efeitos colaterais e com ótimas perspectivas no tratamento do câncer em pequenos animais. Referências Bibliográficas 1 – Silveira, LMG; Brunner, CHM; Cunha, FM; Futema, F; Calderaro FF; Kozlowski D. Utilização de eletroquimioterapia em neoplasias de origem epitelial ou mesenquimal localizadas em pele ou mucosas de cães. Brazilian Journal veterinary Resaarch and Animal Science. São Paulo, v. 47, n.1, p. 5566. 2010. 2 – Gothelf, A.; MIR,L. M.; Gehl, J. Electrochemotherapy: results of cancer treatment using enhanced delivery of bleomicyn by electoporation. Cancer treatment Reviews, v.29, n.5, p. 371-387, 2003. 3 – Spugnini EP, Porrello A. . Potentiation of chemotherapy in companion animals with spontaneous large neoplasms by application of biphasic electric pulses. Journal of Experimental and Clinical Cancer Research. n 22, p. 571580, 2003. 4 - Mali B, Miklavcic D, Campana LG. Cemazar M, Sersa G, Snoj M, Jarm T, . Tumor size and effectiveness of eletrochemotherapy. Radiology Oncology. v.47, n. 1, p. 32-41, 2013. 5. Rangel M.M.M. Eletroquimioterapia: uma nova promessa para o tratamento de cânceres em animais. Revista Clínica Veterinária. Oncologia. p. 30-36, 2008. 6. Cemazar M., Ambrozic Avgustin J., Pavlin D. Efficacy and safety of electrochemotherapy combined with peritumoral IL-12 gene electrotransfer of canine mast cell tumours. Veterinary and Comparative Oncology, 2008. 7. Anjos D.S., Brunner C.H.M., Calazans S.G. Eletroqumioterapia: uma nova modalidade para o tratamento de neoplasias em cães e gatos. Revista Investigação Veterinária. Revisão de literatura. Clínica de pequenos animais. Sessão especial. v. 15, n.1, p. 1-9, 2016. 8. Spugnini E.P., Vincenzi B., Citro G. Tonini G., Dotsinsky I., Mudrov N., Baldi A. Electrochemoterapy for the treatment of squamous cell carcinoma in cats a preliminary report. Veterinary Journal. v. 179, n.1, p. 117-120, 2009. 9. Spugnini E.P., Pizzuto M., Filipponi M., Romani L., Vincenzi B., Menicagli F., Lanza A., Girolamo R. D., Lomonaco R., Fanciulli M., Spriano G., Baldi A. Elestroporation enhances bleomycin efficacy in cats with periocular carcinoma and advanced squamous cell carcinoma of the head. Journal of Veterinary Internal Medicine. V. 29, n.5, p. 1368-1375, 2015. 10. Spugnini E.P., Baldi A., Vincenzi b., Bongiorni F., Bellelli C., Gennaro C., Porrello A. Intraoperative versus postooperative electrochemotherapy in high grade soft tissue sarcomas: a p-reliminary study in a spontaneous feline model. V. 59, n. 3, p. 375-381, 2007. 11. Paiva C.V.L, Bertolacini L., Parra A.C., Peluso T., Oliveira D.K., Rangel M.M.M., Romano L. Avaliação histopatológica da marge cirúrgica no transoperatório associado á eletroquimioterapia em mastocitoma em cão. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia. V.9, n.2, 2011. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 86 - HISTOPATOLÓGICO COM COLORAÇÃO DE ROTINA - HE PRAZO/DIAS 8 644 - HISTOPATOLÓGICO COM MARGEM CIRÚRGICA (BIOPSIA) 650 - HISTOPATOLOGIA COM COLORAÇÃO ESPECIAL 8 8 87 - CITOLOGIA 5 809 - HISTOPATOLÓGICO ÓSSEO 10 648 - IMUNOHISTOQUÍMICA PARA NEOPLASIA - PAINEL GERAL 14 838 - IMUNO-HISTOQUIMICA PAINEL PROGNOSTICO DE TUMOR DE MAMA 14 659 - MUNOHISTOQUIMICA - DETECÇÃO DE MICRO - METÁSTASES DE MELANOMA 14 656 - MUNOHISTOQUIMICA - VALOR PROGNÓSTICO DE MASTOCITOMA 14 752 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROTI. - 2 A 3 PEÇAS 8 753 - PER. FACILITADOR - HISTOPATOLÓGICO C/ COL. ROT. - 4 A 5 PEÇAS 8 345 - PERFIL PRÉ-OPERATÓRIO 1 15

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