Jornal empresários Março

 

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ANO XVII - Nº 207 www.jornalempresarios.com.br ® do Espírito Santo MARÇO DE 2017 - R$ 4,50 FOTO: JOACIR AZEREDO Patrimônio Líquido do Sicoob-ES é de R$ 1,2 bilhão O presidente Bento Venturim anunciou também o aumento de R$ 253,4 milhões na carteira de crédito em 2016. Página 15 Programa Cozinha Capixaba resgata a tradição cultural Uma unidade móvel do Sesi, equipada com novidades tecnológicas, vai levar o conhecimento a todo o Estado. Página 14

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2 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EXPEDIENTE Nova Editora – Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda. CNPJ: 09.164.960/0001-61 Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A- Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Diretor Executivo: Marcelo Luiz Rossoni Faria E-mail: rossoni@vitorianews.com.br Jornal Empresários® Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A, Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Telefone: PABX (27) 3224=5198 E-mail: jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Diretor Responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 15 Reportagem Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 14 e 17 Fotos Antonio Moreira Diagramação Liliane Bragatto Colunistas Antônio Delfim Netto Jane Mary de Abreu Eustáquio Palhares Luiz de Almeida Marins Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 11 Circulação Fabrício Costa Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 18 Venda avulsa R$4,50 o exemplar Edições anteriores R$ 9,00 o exemplar Assinatura anual R$ 108,00 Contabilidade Jeanne Martins Site www.jornalempresarios.com.br E-mail jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal. EDITORIAL Mais um escândalo Apopulação brasileira viu-se neste mês no meio de uma onda de pavor, com notícias dando conta de que a carne que consome está podre e poderá provocar enfermidades como câncer e outros males menores. A operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal contra frigoríficos de carne e aves, trouxe á tona práticas nocivas de empresários inescrupulosos e agentes públicos corruptos, que poderão gerar enormes danos não só à saúde da população, mas à já combalida economia do País. Como sempre acontece nos últimos tempos, a operação da Polícia Federal revestiu-se de um show midiático, decorrente de aparentes disputas entre grupos internos dessa instituição. Desse modo, mais uma vez, foi ignorado o chamado interesse nacional, comum na maioria dos outros países, quando se trata de fatos que podem abalar a economia de forma intensa, como neste caso. O Brasil caminha para perder seu status como exportador de carne bovina e aves, com a divulgação sem o devido detalhamento da operação que atinge a aproximadamente 10% do setor. O esquema de propina revelado identifica casos que permitem a comercialização de produtos estragados e maquiados por insumos como papelão e produtos químicos, que inclui centros de exportação. O grupo de fraudadores liderado por fiscais agropecuários federais e cerca de 40 empresas, segundo informam portavozes da operação Carne Fraca, a maior já realizada pela Polícia Federal, cita as gigantes JBS e BRF e outras como Peccin Agro Industrial. Nunca se viu nada parecido antes, sendo a primeira vez que se dá nome a empresas que dominam o setor, afirmam analistas especializados. O crime era praticado mediante o pagamento de propina, como provam escutas telefônicas muitas delas para irrigar os cofres do PMDB, partido do presidente Michel Temer, e do PP. Coincidentemente, o caso acontece poucos meses depois de o Brasil fechar significativos negócios de exportação de carne bovina in natura para os Estados Unidos, consolidando uma pretendida parceria cheia de altos e baixos que já dura 18 anos. Os produtos brasileiros sempre são alvo de minuciosa fiscalização fitossanitária naquele país, a fim de garantir a boa qualidade. Tudo isso pode ir por água abaixo a partir de agora. Quando se trata da Europa, o Brasil começou a exportar carne para alguns países nos ano 2000. A partir da divulgação das investigações da Polícia Federal, algumas baixas já começaram a ser desenhadas, entre elas as vendas para a Alemanha. As exportações de carnes do Brasil subiram de cerca de dois bilhões de dólares em 2000 para aproximadamente 14 bilhões de dólares no ano passado. O escândalo revelado pela Polícia Federal, que envolve até mesmo o ministro da Justiça, Osmar Sarraglio, devidamente grampeado pela Polícia Federal numa “conversa inocente” com um dos envolvidos no esquema. É bastante grave e a constatação de que órgãos federais de fiscalização são corrompidos abre a possibilidade para o Brasil sofrer algum tipo de impacto, destruindo um sistema construído há anos. Além do prejuízo direto que deve ser contabilizado no setor de carnes, a fraude descoberta pela Polícia Federal poderá gerar repercussões nos preços dos grãos, como afirma o presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros, José Augusto Castro. Segundo ele, produtos como milho e soja, com forte presença na pauta exportadora brasileira, devem ter uma redução. Isso porque se o Brasil reduzir a quantidade de carne exportada, principalmente o frango que consome muita ração, os produtores deixarão de transformar soja e milho em farelo e serão obrigados a se voltar para o mercado externo, que certamente irá derrubar os preços dos grãos. As investigações da polícia revelam fraudes muitas vezes grosseiras praticadas por produtores que não levam em conta a saúde do consumidor, sem qualquer traço de ética e responsabilidade. As empresas, especialmente as maiores, que dispõem de grandes recursos para publicidade, se apressaram a minimizar a situação, a fim de reduzir prejuízos. A fraude gigantesca fez as ações de JBS e BRF despencarem na sexta-feira 16 de março e liderarem as perdas do Ibovespa. A JBS afundou 10,59%, maior queda desde outubro de 2016. A BRF desabou 7,25%, pior desempenho desde fevereiro. Também do setor, Marfrig e Minerva, caíram cerca de 2% cada. Em comunicado ao mercado, a BRF informou que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumi- dores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua. Já a JBS afirmou que a empresa e suas subsidiárias "atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e à comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas". Apesar dessas negativas, o fato é que a fraude existe e, assim, o esperado é que os culpados sejam apontados, depois de constatada veracidade da fraude, e mereça o tratamento à altura por parte da Justiça, levando em conta os prejuízos è economia brasileira, mediante embargos a exportações desses produtos. Além disso, o impacto provocado no mercado interno, igualmente significativo, não pode ser esquecido. Há que ser considerada a saúde da população e a atitude de toda a cadeia do setor, desde supermercados, restaurantes, franquias de fast food, enfim todos os consumidores. A situação é grave e se forma em um momento em que o País vive um cenário de desemprego, desconfiança na classe política, impactada com a escalada da violência e o descrédito das instituições. O descaso para com o consumidor, marca de empresas cujo foco é exclusivamente o lucro, como pode ser observado nos levantamentos da Polícia Federal, deve levar as autoridades a estender as ações de forma mais intensa, a fim de atingir a toda a cadeia produtiva do setor. Se nos maiores centros de produção de alimentos ocorrem fraudes na escala descoberta pela polícia, o que não deve acontecer em estabelecimentos menores, que fazem parte do dia-adia de cada brasileiro? ■ LUIZ MARINS Chega de Atalhos! “Até quando eu, você, nós brasileiros vamos buscar atalhos para os problemas em vez de enfrentá-los e resolvê-los? Até quando continuaremos a tentar tapar o sol com a peneira? Até quando iremos no auto enganar e dar voltas em vez de enfrentar os fatos brutais de nossas vidas e da nossa realidade concreta? ” Esse foi o tema da discussão que propusemos a um grupo seleto de empresários, professores e executivos, após a constatação de nossa tendência de sempre buscar um atalho para resolver os graves problemas que temos em nossas vidas seja na esfera pessoal, empresarial e política - e com essa atitude nunca enfrentamos de fato os problemas para resolvêlos, mas apenas os adiamos e os tornamos ainda maiores e mais graves. Independentemente de qualquer conotação político-partidária, temos sérios problemas nacionais, estaduais e municipais na saúde, na educação, na previdência, na excessiva carga tributária, na legislação que incentiva o desemprego que é excessivamente onerado, na cor- rupção pouco enfrentada, na segurança pública, nas rodovias, nos portos e assim por diante. Em nossas empresas sabemos ter problemas de qualidade, produtividade, desengajamento, desunião, desvio de recursos e corrupção, mau atendimento aos clientes, leniência com fornecedores, etc. E cada um de nós sabemos os inúmeros defeitos que temos como pessoa e com os quais convivemos há anos sem coragem e decisão para enfrentálos e resolvê-los. Até quando? Essa foi a discussão! E a conclusão a que chega- mos é que, passado o Carnaval - uma festa que existe exatamente para nos tirar da realidade do dia a dia - talvez seja a hora de começarmos a enxergar o que não queremos ver; de ouvir o que não nos agrada escutar e de fazer o que é difícil mas deve ser feito. Talvez seja a hora de dizer “não” à nossa constante busca de atalhos e finalmente enfrentar e resolver os problemas, sem atalhos, sem rodeios. Pense nisso. Sucesso! ■ Luiz Marins é antropólogo e escritor contato@marins.com.br

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4 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS JANE MARY DE ABREU O mundo das crianças perdidas... Overbo da moda é focar... ele está na boca de quase todo mundo, principalmente dos ansiosos. Todos se dizem focados em alguma coisa, essa é a grande mentira do mundo moderno... Como uma mente ansiosa, que vive freneticamente, pulando de um pensamento para outro, querendo sempre o que não tem, pode focar em alguma coisa? Impossível! Concentração exige em primeiro lugar quietude mental, e quietude mental a gente só consegue após prolongados períodos de silêncio, coisa difícil de acontecer no mundo que elegeu o barulho, a velocidade e a superficialidade como suas principais características. Com a sociedade barulhenta que temos hoje e as pessoas completamente desfocadas, embora afirmem o contrário, os riscos são enormes. Se tudo é feito para ontem, é claro que a produção é de baixa qualidade e o nível de satisfação praticamente zero. É desse jeito que crescem os índices de infelicidade, a depressão e os suicídios. Nós não viemos a este planeta para correr atrás de dinheiro, poder e fama... Nós não nascemos apenas para adquirir e acumular bens. O acordo que fizemos antes de nascer foi bem mais amplo, contemplava o exercício do amor e o desenvolvimento da alma. Viemos a este planeta para deixá-lo melhor do que o encontramos e não para piorar as coisas com a falta de foco. As pessoas compromissadas com o desenvolvimento pessoal são as únicas que estão de fato focadas. São pessoas que se dedicam a uma tarefa e só depois de concluí-la bem, passam para a próxima. São pessoas que olham nos olhos de seus interlocutores, sabem ouvir, respeitam a opinião do outro, estão sempre dispostas a cooperar, e não em disputar. São gentis por natureza, elegantes em todos os seus gestos, não apenas na roupa que vestem. Os focados de verdade respeitam toda a criação divina, já se alimentam adequadamente, não colaboram mais com o assassinato cruel dos animais. Ao invés de comê-los, se dedicam a protegê-los, como está no planejamento divino. Já estabeleceram a meta de se tornarem pessoas melhor. Foco é concentração, é consciência. Uma pessoa consciente está sempre disposta a ajudar o próximo, ela tem sempre uma palavra gentil para oferecer aos seus semelhantes. Esse tipo de gente não está preocupada com a tagarelice da mente e nem com o mundo das aparências, porque está focada na sabedoria do coração. Ela já entendeu que o cérebro sabe muito pouco a respeito das coisas da alma, a lógica está muito aquém da intuição. Uma pessoa focada já faz o caminho da espiritualidade , não se aventura mais pe- los caminhos sedutores do ego, gravita no amor e não no medo. Caminha pela vida em paz com o seu próprio ser, não deseja ser outra pessoa além dela mesma, aceita a vida do jeito como ela chega, não pede mais nada ao Universo, apenas agradece pelas inúmeras graças que recebe diariamente: andar, enxergar, falar, ouvir, respirar... Dificilmente você vai ver uma pessoa focada grudada no celular ou desperdiçando um dia inteiro no computador, porque uma pessoa focada, totalmente desperta, não é escrava de ninguém, muito menos da tecnologia, faz uso dela comedidamente, não se contenta com a superficialidade das relações digitais, quer de fato se desenvolver como ser humano. Os focados são seres cada vez mais raros, isso é fato, eles fazem parte de um seleto grupo de pessoas que realmente estão cumprindo os acordos que fizeram antes de nascer, de tornarem este mundo melhor através do amor, da paciência, da generosidade, da tolerância, da gratidão, da lealdade, valores que a gente só consegue exercitar estando focado nas coisas essenciais da vida. Eu penso que de tanto correr inutilmente, de tanto bater cabeça e experimentar todos os tipos de sofrimento, chegará o dia em que a espécie humana será obrigada a focar no que realmente importa. Enquanto esse dia não chega, tenhamos compaixão da grande legião dos desfocados, que não passam de pobres crianças perdidas, que definitivamente não sabem o que estão fazendo. ■ Jane Mary é jornalista, consultora de Comunicação e Marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é. www.janemary.combr janemaryconsultoria@gmail.com

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6 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EUSTÁQUIO PALHARES Só a carne é fraca? Onovo escândalo que que acentua o dilema “mudar do Brasil ou mudar o Brasil” colocou sob suspeita a integridade da carne comercializada pelos grandes frigoríficos nacionais desmoralizando as grandes marcas que dominam o setor. A sucessão de irregularidades reveladas que, literalmente, embrulham o estômago, não dispensa a advertência de outros profissionais envolvidos com o setor de que tais atos alcançam percentual microscópico dos volumes comercializados e dos frigoríficos que tiveram as práticas criminosas desnudadas. O meio empresarial, em compreensível empatia, pondera sobre a necessidade de discernimento que não atire à vala comum da execração a totalidade do setor. Afinal, embora uma laranja estragada possa contaminar o saco, como dispõe a sabedoria popular, impõe-se critério de isenção para avaliar a situação de per si tratando as exceções como tal, se for o caso. A carne voltada para a exportação é, comprovadamente, submetida a rígidos critérios de higidez. Se a cultura da fraude eventualmente se manifestou em algumas empresas,, é claro que é necessário fazer a devida distinção entre quem optou pela fraude criminosa que teria envolvido os próprios funcionários públicos encarregados da fiscalização, os agentes federais do setor. A lista de práticas criminosas, a começar pela conivência da fiscalização corrompida, sugere capitular tais atos como crime hediondos, agravados pela impossibilidade de defesa das vítimas. Essas são os incautos consumidores que, iludidos pelas substâncias químicas aplicadas sobre os produtos de modo a escamotear os conteúdos noci- vos, vinham fazendo uso sem qualquer suspeição. Fala-se de produtos cancerígenos, alimentos vencidos já contaminados por bactérias, substituição de proteína com o que retirava-se o valor nutritivo desejado, enfim, uma série de atos adequados a uma ficção científica de horror. Mas ainda assim, impõese a clara identificação dos autores e o alcance de suas práticas. Para o produto brasileiro, uma das estrelas da nossa pauta de exportação, o impacto é terrível representando uma contundente avaria na imagem da marca e todo o esforço que vai se requerer para obter um reposicionamento favorável. Afinal, como enfatizou insistentemente o presidente Michel Temer, que se engajou prontamente no posicionamento do Governo a respeito do assunto, irregularidades constatadas em 21 estabelecimentos dos 4837 que constituem o setor não é indicativo de uma prática regular ou majoritária. Talvez já seja a hora de inquirir, mesmo, o posicionamento da mídia convencional e a social que na verdade, excluídos os conteúdos que são meras repostagens, destituídos de qualquer valor jornalístico, se compraz em acentuar detalhes mórbidos e generalizar para o conjunto de um setor o que está por se comprovar como prática restrita. O episódio, aliás, escamoteia uma situação muito mais grave e perversa que se estende sobre o setor de alimentação no Brasil, pelo que implica de restrição a um conjunto de produtos que se destacam como resultados de atividades geradoras de empregos e impostos. Para além da carne bichada, os nutrólogos tem reiterado que sorvetes, batatas fritas, margarina, sucos de caixa, embutidos de qualquer espécie, refrige- rantes na versão original e diet, biscoitos tipo chips, são já identificados como ameaças à saúde potencializando irreversivelmente doenças a longo prazo pela concentração de sódios, sais, humectantes, espessantes, acidulantes, gorduras e açúcares. E desses, o que dizer, então? Prevalece o princípio de que o consumo é voluntário, come quem quiser, assim como o cigarro? E os rebatimentos que envolvem até políticas públicas dispendiosas pela manutenção de atividades que se validam apenas pelos aspectos econômicos envolvidos? É uma jabuticaba, então, típica invenção brasileira. Se faz comprovadamente mal, por que não proibir? O mesmo raciocínio se aplica às drogas ilícitas. ■ Eustáquio Palhares é jornalista eustaquio@iacomunicacao.com.br

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17 ANOS VITÓRIA/ES MARÇO DE 2017 7 A vez da torta capixaba Uma tradição que se repete a cada ano, na Semana Santa, e já faz parte da cultura que ultrapassa as fronteiras do Espírito Santo “Moqueca só capixaba. O resto é peixada”. A frase, de autoria do jornalista Cacau Monjardim, tem vários aspectos interessantes a considerar: inicialmente, fez grande sucesso no Estado, sendo responsável por um incremento na auto-estima do povo do Espírito Santo. Num segundo momento, gerou acirradas polêmicas com chefs, folcloristas e apreciadores da moqueca baiana, iguaria natural de um estado brasileiro que tem na culinária um dos encantos de sua enorme cesta de produtos que atraem, turistas de todo o Brasil e do mundo inteiro. Mas não ficou só nisso. A força da frase, devidamente utilizada em campanhas publicitárias por instituições públicas e empresas privadas voltadas para o incremento do turismo no Espírito Santo, espalhou-se pelo Brasil e começou a também tornar conhecidas expressões como “paneleiras de Goiabeiras” e “desfiadeiras de siri da Ilha das Caieiras”. IGUARIA - E, nesse mix de delícias legitimamente do Espírito Santo, um outro prato nobre da nossa culinária também saltou do ostracismo para as luzes dos grandes salões, para as residências mais nobres e mesmo para as cozinhas dos restaurantes mais sofisticados, a partir das solicitações de moradores e turistas: a FOTO ELIZABETH NADER torta capixaba. Brasileiramente, a iguaria seguia o mesmo caminho trilhado pela feijoada, que, na época da escravatura, era preparada nas senzalas, a partir de refugos dos alimentos preparados na casa grande. Então, diferentemente da famosa máxima do jornalista e frasista brasileiro Aparício Torelli, o “Barão de Itararé” (1895-1971), que dizia que “Pobre, quando come galinha, um dos dois tá doente”, foi justamente nas classes menos favorecidas que a torta capixaba, que hoje reina merecidamente como o produto da nossa Ricos, pobres e padres Começou há mais de 150 anos a tradição de comer a torta capixaba, entre as classes mais pobres, segundo registros dos folcloristas e historiadores Renato Pacheco e Luiz Guilherme Santos Neves. O palmito era abundante nos morros da capital. Antes disso, enquanto os portugueses comiam o bacalhau importado, os pobres colhiam mariscos às vezes no fundo do próprio quintal, voltado para o mar, e os misturavam com ovos. Pouco a pouco, os mais Criada pelos índios, a receita da torta capixaba foi enriquecida pelos imigrantes, principalmente portugueses culinária mais consumido na Semana Santa, teve sua origem. Contudo, é importante lembrar que até à primeira metade do século XX o conceito de pobreza era bastante diferente, na ilha de Vitória, já que a população era pequena e os recursos naturais, notadamente os frutos do mar, eram de tal forma abundantes que, na falta de geladeira, bastava pescar o suficiente para cada refeição. Famoso artesão conta que, menino ainda, ouviu certa vez sua mãe dizer, constrangida, a uma inesperada visitante: “A se- nhora me desculpe, mas hoje eu não tenho nem um chuchuzinho pra colocar no camarão”. Mais precisamente, a torta capixaba começou com os índios, foi adotada e modificada pelos portugueses e encontrou no coração fidelizado dos maratimbas o seu nicho e sua preservação. Pela tradição religiosa ca- tólica, que prega a abstinência de carne durante a Semana Santa, a torta capixaba foi devidamente consolidada como a estrela da mesa do consumidor no período da Páscoa. NO PRINCÍPIO - Inicialmente, a torta era preparada pelos índios com apenas três ingredientes: palmito, camarão e mexilhão. Foram os imigrantes, sobretudo os portugueses, que foram introduzindo outros componentes ao prato original. Assim, pouco a pouco, foram incorporados o bacalhau, a azeitona, a cebola e a cobertura de clara de ovos. Pouco apouco, outros mariscos foram sendo acrescentados. Tradicionalmente, a torta capixaba é servida em panelas de barro, quando quente, mas também podem ser usados tabuleiros favorecidos foram introduzindo o bacalhau. O prato foi se popularizando e o que se chamava fritada de mariscos passou a ser conhecido como torta capixaba. Naquela época, era ainda muito mais forte a ligação entre o Estado e a Igreja Católica, no Brasil. O fato contribuiu para que a torta capixaba se tornasse um prato servido especialmente na Semana Santa, já que a Igreja prega que seus fiéis não devem comer carne durante a quaresma. ou formas, em caso do alimento ser servido frio. O advento da Páscoa provoca aquecimento no mercado dos insumos que integram a torta. No Mercado da Vila Rubim, no centro de Vitória, há grande procura pelo palmito, ingrediente fundamental para o preparo da iguaria e sujeito a normas da legislação, quanto à extração e venda, por tratarse de produto da mata atlântica, portanto sujeito a controle do Estado. Também os catadores de mariscos e as desfiadeiras de siri da Ilha das Caieiras incrementam sua produção, para atender à grande demanda de restaurantes e de consumidores em geral. APRENDA COMO FAZER Mãos à obra ■ INGREDIENTES: Alho, cebola, tomate, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde; 500g de bacalhau desfiado e cozido; 500g de palmito natural cozido; 200g de siri desfiado e cozido; 200g de caranguejo desfiado e cozido; 200g de camarão cozido; 200g de ostra cozida; 200g de sururu cozido; 200g de badejo desfiado e cozido ■ PREPARO: Faça um refogado com cebolas, alho, pimenta, azeite doce, azeitonas e limão. Leve ao fogo com o palmito natural e espere até desaparecer a água e ganhar consistência. Juntam-se, depois de limpos, desfiados, cozidos e espremidos, os ingredientes acima, mexendo até evaporar a água. Retire para esfriar um pouco e misture uma parte da espuma de seis claras em neve com as gemas. Quando se adicionarem os temperos aos mariscos, deve-se colocar o bacalhau para enxugar e dar liga à massa. Cozinham-se, à parte, seis ovos (que servirão apenas para enfeite) junto com as azeitonas e umas rodelas de cebola. Coloca-se a massa em uma panela de barro, leva-se ao forno, retirando-a quando a espuma estiver bem corada. ■

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8 O encanto das pedras preciosas 17 AN FOTO: SAGRILO As mulheres são as maiores apreciadoras das peças produzidas nas mais variadas formas Joias valiosas devem ter certificado de garantia fornecido pelo fabricante. Desde tempos imemoriais, as pedras preciosas, também conhecidas como gemas, exercem enorme fascínio sobre as pessoas. Para além de seu valor monetário, as pedras se revestem também de outros significados que envolvem o poder, como no caso da realeza, com as tradicionais coroas cravejadas de gemas, usadas por reis e rainhas. Na Índia, algumas cores de gemas só podem ser usadas por pessoas de determinada casta. Na Antiguidade, gemas já foram usadas como moedas. E, no Brasil, a saga dos bandeirantes em busca dos tesouros das Minas Gerais alimenta o fascínio. Há também histórias de gemas sobre as quais recaem supostas e antigas maldições; pedras são sugeridas, pela tradição popular, para pessoas nascidas em determinados meses do ano. Também existe a utilização das gemas por seus supostos poderes medicinais, onde a cor da pe- dra é associada a determinado chakra sobre o qual poderia ter efeito curativo. Mas, no geral, as gemas são consideradas o primeiro objeto de luxo da história da Humanidade. E costumam encantar especialmente as mulheres, entre as quais o diamante reina absoluto. A atriz e sexy-simbol norteamericana Marilyn Monroe (1926-1962) dizia que “Um diamante é o melhor amigo que uma garota pode ter”. GEMÓLOGO - Gemas são processos da natureza cuja elaboração pode durar bilhões de anos. E, nesse ponto, a Natureza reinava, absoluta, até os anos 20 do século passado, quando surgiu o rubi artificial, despejado a toneladas no mercado. A novidade foi tão impactante que provocou o surgimento de uma nova e, ainda hoje, pouco conhecida profissão: a de gemólogo. E é justamente um especialista, o gemólogo Luiz Cantarella, há 36 no ramo, quem confirma a predileção das mulheres pelas gemas. “A primeira coisa que a gente aprende num curso de Gemologia é que o destino da pedra é compor uma jóia que será usada por uma mulher”. Luiz sabe do que fala. É formado e pós-graduado em Gemologia pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Mas, afinal, o que faz um gemólogo? O especialista diz que o gemólogo é um profissional que estuda, testa e identifica a gema. Identifica a natureza da pedra e a classifica em função do peso, lapidação, cor, dureza e pureza. É o profissional que controla a qualidade das gemas (o que é fundamental para vendedores, compradores e colecionadores), atuando no controle das necessidades de avaliar muitas variedades do material existente no mercado atual. Também é tarefa do gemólogo, conforme ensina Can- tarella, saber avaliar individualmente uma jóia e colocar nela o valor adequado para cada modelo, baseado em parâmetros como a qualidade do ouro usado, valor da gema e custo de produção (fabricação da peça). É necessário, ainda, fornecer aos clientes um certificado de garantia e autenticidade da gema, o que só pode ser emitido por um profissional gemólogo, após perícia técnica. GARANTIA - É comum que grandes joalherias usem o gemólogo como atrativo. Para o mercado, a presença do profissional significa que as pedras com que a empresa trabalha são de qualidade. O gemólogo trabalha com três vertentes distintas: com as pedras preciosas, o profissional faz a avaliação gemológica, usada normalmente para caução, penhora e custódia em geral, fornecendo um certificado de garantia; faz avaliação de gemas e jóias antigas para leilões, espólios, antiquários, seguradoras e mesmo particulares que queiram avaliar uma jóia para efeito de partilha de bens, por exemplo; e também presta consultoria técnica para leiloeiros, bancos, seguradoras, joalheiros, tribunais, importadores e exportadores. Luiz Cantarella fala com evidente satisfação sobre o trabalho. Conta que o trabalho consiste em avaliar uma jóia, estabelecer valores adequados, com base em parâmetros como qualidade do ouro; o valor da gema; o custo de fabricação, e fornecer certificado de garantia e autenticidade. O gemólogo tem, entre seus principais instrumentos de trabalho, o refratômetro, que mede a refração da gema à luz, e o microscópio, importante para perceber o grau de pureza da pedra. As gemas consideradas mais fascinantes em todo o mundo são o diamante, a esmeralda, a safira, o rubi e a água-marinha. Diamante está no imaginário da humanidade A sedução das gemas, principalmente o diamante, a mais fascinante de todas, está, desde há muito, entronizada no imaginário da humanidade. Aos 52 anos de idade, o rei francês Luís XII ofe- receu a sua pretendida, Mary Tudor, irmã de Henrique VIII, dois cofres abarrotados de gemas e jóias. "Tudo isso é para minha esposa", disse. "Mas ela não vai levar tudo de uma vez, pois eu deverei ganhar muitos beijos e agradecimentos em troca." O rei se casou com a princesa de 18 anos, mas teve pouca sorte: morreu menos de três meses depois. Já numa galeria do Museu de História Natural de Londres, cintilam pedras e metais preciosos do mundo inteiro e até uma lasca de Marte, na forma de meteorito, que despencou no Egito em 1911. ENERGIA - Na área das terapias alternativas, a cristaloterapia, ou gemoterapia, tem como base o princípio de que tudo no Universo é energia em estados diferentes de condensação e vibração, inclusive a matéria. Assim, os cristais elevariam as vibrações corporais e mentais dos pacientes a níveis superiores, desbloqueando os chakras. O cinema também se rendeu ao fascínio das gemas. Em “Os diamantes são eternos” (Diamonds are forever, Inglaterra, 1971), uma fortuna em diamantes roubados faz o ator britânico Sean Connery encarnar James Bond e mergulhar numa eletri- zante aventura. Já “Diamante de Sangue” (Blood Diamond, EUA, 2005) conta a história de Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex- mercenário do Zimbábue. No Brasil, o rei Roberto Carlos também se rendeu ao fascínio das gemas em “Roberto Carlos e o diamante cor de rosa” (1970). Nem o futebol ficou de fora do fascínio. Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, (1913-2004) foi um dos mais importantes jogadores brasileiros de futebol, o inventor da bicicleta.

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NOS VITÓRIA/ES MARÇO DE 2017 9 FOTOS: BRUNO DE MENEZES Pedras FOTO CRÉDITO Diamante O diamante é o mais duro mate- rial de ocorrência natural que se conhece. Is- to significa que não pode ser riscado por nenhum outro mineral ou substância, exceto o próprio diamante. As maiores jazidas do mundo são de África do Sul. Esmeralda É uma variedade do mineral berilo, a mais nobre desse grupo. Sua cor verde é devida à presença de quantidades mínimas de crômio e às vezes de vanádio. Sua transparência é de transparente a opaca, mas apenas as variedades mais preciosas são transparentes. Luiz Cantarella está no ramo há 36 anos e conhece a predileção do sexo feminino pelas pedras preciosas Espírito Santo produz pedra de grande valor FOTO: SAGRILO Uma das melhores águasmarinhas do mundo é produzida no Espírito Santo. As vedetes mundiais entre as pedras brasileiras são a turmalina paraíba e a alexandrita. Cantarella afirma que não se deve dizer pedras preciosas e semipreciosas. É terminologia em desuso, depois da descoberta de pedras como alexandrita, olho-de-gato e turmalina paraíba, que têm a mesma qualidade de gema e adquiriram preço muito mais alto que as ditas preciosas. A gema sintética possui a mesma propriedade física e química da gema natural. A única diferença é que ela é feita em laboratório, e por isso seu valor é menor. O Brasil não produz rubi nem safira. São pedras do Sri Lanka e de Mianmar (antiga Birmânia). A esmeralda só é produzida em Santa Teresinha do Goiás (GO), em Carnaíba (BA) e em Nova Era (MG). O diamante é a pedra mais durável que existe. Cuidado ao guardá-lo. Evite misturá-lo a outras pedras, porque ela pode riscá-las. Quatro fatores dão valor ao diamante: tamanho, cor, pureza e lapidação. O maior centro da lapidação de diamantes do mundo SERVIÇO Luiz Carlos Malta Cantarella ■ ENDEREÇO: Av. N. Sra. da Penha, 570 - LJ 28 - Ed. Centro da Praia - Praia do Canto. ■ TELEFONE: (27) 3225-7805 fica em Antuérpia, na Bélgica. O nome diamante significa indomável, por causa de sua dureza, e é originário do grego adámas. No Brasil, os primeiros foram encontrados em 1725, em Diamantina (MG). Até o século XIX, o Brasil liderou a produção mundial de diamantes, sendo superado depois pela África do Sul. Quilate: O quilate, no ouro (KLT.), significa um grau de pureza. Já na pedra preciosa, o quilate (CT) é uma unidade de peso e corresponde a 1/5 do grama. Diamante e brilhante: a pedra é sempre diamante. O brilhante é apenas um tipo de lapidação, com 58 facetas. A pérola é uma gema orgânica. Dura de 150 a 200 anos. É sensível a suor, ácido e cosméticos. É uma jóia para ser usada à noite. Safira Pode ser incolor (safira branca ou leucossafira), azul (devida, em parte, ao ferro), púrpura, dourada ou rósea, entre outras. As cores devem-se à presença de cobalto, cromo, titânio ou ferro. Quando a cor não é especificada, o termo safira refere-se à variedade azul. Rubi É uma gema vermelha, uma variedade do mineral corindon (óxido de alumínio) cuja cor é causada principalmente pela presença de crômio. Os rubis naturais são excepcionalmente raros. Os artificiais são comparativamente baratos. Água Marinha Água-marinha é uma gema da família do berilo azul. Pode ser encontrada nos EUA (Colorado), no Brasil (MG, ES, BA, RO e RN). A Rai- nha da Inglaterra, Elizabeth II, possui várias águasmarinhas que lhe foram dadas de presente quando esteve em visita ao Brasil. ■

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10 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Governo reconhece 21 novas profissões O pais conta agora com 2.638 ocupações profissionais reconhecidas e constantes da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) OMinistério do Trabalho publicou sexta-feira (17) a nova tabela de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), que incluiu 21 novas ocupações. Na lista entraram as funções de sanitarista, técnico em espirometria (exame que mede velocidade de entrada e saída de ar dos pulmões), estoquista e monitor de ressocialização prisional. Com as novas inclusões, o Brasil conta agora com 2.638 ocupações reconhecidas (veja na coluna em destaque relação completa). A CBO é o documento que reconhece a existência de determinada ocupação e não a sua regulamentação, que deve ser feita por lei e sancionada pela Presidência da República. Os dados da CBO alimentam as bases estatísticas de trabalho e servem de subsídio para a formulação de políticas públicas de emprego. A atualização é feita levando em conta mudanças nos cenários tecnológico, cultural, econômico e social do país, que provocam alterações na dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. “Mais do que reconhecer uma ocupação, o ministério reconhece a atuação dos profissionais das atividades contempladas”, disse o ministro Ronaldo Nogueira. “São eles que dão sentido a essas atividades e contribu9indoi para o progresso do país”, afirmou. Um exemplo de ocupações que surgiram a partir dessas mudanças é o monitor de ressocialização prisional, uma atividade que visa garantir a atenção, defesa e proteção de pessoas em situação de risco pessoal ou social e de adolescentes em conflito com a lei. Os trabalhadores que atuam nesta atividade lidam diariamente com situações de risco, assistindo indivíduos com alterações de comportamento ou em situação de vulnerabilidade. Este é o trabalho de João Alberto Martins Rocha, de 39 anos. Há 11 anos, Rocha é supervisor operacional do Centro de Internação de Menores no município de Serrinha, na Bahia. “Sou responsável por supervisionar desde a acolhida dos menores até a remissão da medida socioeducativa. Sempre digo que a disciplina é essencial para a ressocialização dos jovens”, afirmou. Para ele, um ponto forte da profissão é mostrar ao jovem um novo caminho a partir das oportunidades que são oferecidas. RECONHECIMENTO - O reconhecimento de uma ocupação é feito após um estudo das atividades e do perfil da categoria. São levadas em consideração informações descritas na Relação Anual Informações Sociais (RAIS), demandas geradas pelo Sistema Nacional de Emprego (SINE), pelas associações e sindicatos (trabalhistas e patronais) e por profissionais autônomos. No decorrer do processo, são realizadas entrevistas em imersão com trabalhadores. A chefe de Divisão da CBO, Cláudia Maria Vírgílio de Carvalho, destaca a importância de ouvir todos os envolvidos. “Quem melhor pode falar sobre uma ocupação é quem desempenha a função”, afirma. O MTb incluiu também o sanitarista como a ocupação responsável por atividades voltadas à área de epidemiologia, ciências sociais e políticas públicas de vigilância sanitária. A pesquisadora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB), Maria Catharina Ramos, 25 anos, destaca a amplitude da ocupação. “Eu atuo com pesquisa em saúde pública, na elaboração de políticas, controle e monitoramento de indicadores epidemiológicos. Há ainda profissionais que atuam na área de educação e vigilância sanitária.” Ela explica ainda a importância do reconhecimento da ocupação: “Antes havia a figura do médico sanitarista, do enfermeiro sanitarista, que são profissionais que já contavam com uma profissão de base. E para nós, graduados em saúde coletiva, esse foi um importante passo. A CBO veio para dar um eixo norteador à profissão, demonstrando competências, atribuições da carreira específica de sanitarista”, comemora Catharina. AS NOVAS OCUPAÇÕES 2017 ■ Sanitarista – Planeja, coordena e avalia ações de saúde; define estratégias para unidades e/ou programas de saúde; coordena interfaces com entidades sociais e profissionais. ■ Técnico em espirometria – Realiza exames de diagnóstico ou de tratamento; planeja atendimento; organiza área de trabalho, equipamentos e acessórios; opera equipamentos; prepara paciente para exame de diagnóstico ou de tratamento; atua na orientação de pacientes. ■ Técnicos de sinalização náutica – Administra sinalização náutica e registra os sinais. ■ Técnico em manobras em equipamentos de convés – Administra sinalização náutica e realiza a manutenção dos sinais náuticos. ■ Técnico em sinais navais – Executa os serviços de sinalização náutica. ■ Auxiliar técnico de sinalização náutica – Auxilia na execução dos serviços de sinalização náutica. ■ Analista de desembaraço aduaneiro – Executa atividades burocráticas do processo de desembaraço alfandegário, analisa a viabilidade de importação ou exportação, dá assistência aos clientes, analisa documentação, realiza classificação fiscal da mercadoria, acompanha a carga, recolhe impostos devidos, auxilia despachante na resolução de problemas junto à Receita Federal e outros órgãos governamentais. ■ Supervisor de logística – Supervisiona e controla serviços logísticos, administra processos logísticos e gerencia almoxarifado/estoque; supervisiona equipes, orientando e avaliando desempenho em busca da melhor qualidade no trabalho. ■ Conferente de mercadoria (exceto carga e descarga) – Recebe e confere produtos e materiais em almoxarifados, verificando se está na quantidade correta para distribuição, embarque ou venda. ■ Estoquista – Promove o acondicionamento de qualquer tipo de mercadoria, preservando o estoque limpo e organizado; empacota ou desempacota os produtos e organiza-os no estoque da melhor maneira, para facilitar a movimentação dos itens armazenados e sua constante verificação. ■ Expedidor de mercadorias – Expede materiais e produtos,examinando-os,providenciando os despachos dos mesmos e efetuando os registros necessários, para fazer os encaminhamentos de acordo com as requisições. ■ Auxiliar de logística – Auxilia no processo de logística, realizando lançamento de notas fiscais no sistema e entrada e saída de materiais, monitora entregas aos clientes e controla abastecimento do estoque. ■ Monitor de ressocialização prisional – Controla acesso de pessoas e veículos em unidade penal, distribuem alimentação, conduzem presos ou internados para desenvolvimento de atividades culturais, esportivas, escolares, laborativas, recreativas e ressocializadoras. Não possui nenhum poder de polícia. ■ Trabalhador portuário de capatazia – Prepara cargas e descargas de mercadorias; movimenta e fixa mercadorias e cargas em navios, aeronaves, caminhões, vagões e instalações portuárias; manuseia cargas especiais; opera equipamentos de carga e descarga; estabelece comunicação, emitindo, recebendo e verificando mensagens. ■ Analista de PCP – Planeja processos produtivos e logísticos; acompanha implantação de novos projetos logísticos e controla o desenvolvimento das atividades dos processos produtivos e logísticos com o objetivo de verificar o cumprimento das metas estabelecidas. ■ Analista de planejamento de materiais – Planeja processos produtivos e logísticos definindo os recursos necessários, estabelecendo metas e criando indicadores de produtividade; elabora projetos logísticos dimensionando as necessidades de recursos humanos, materiais e outros que se façam necessários; acompanha implantação de novos projetos logísticos. ■ Analista de logística – Planeja processos produtivos e logísticos; elabora projetos logísticos; acompanha implantação de novos projetos logísticos e controla o desenvolvimento das atividades dos processos produtivos e logísticos com o objetivo de verificar o cumprimento das metas estabelecidas. ■ Analista de projetos logísticos – Planeja processos produtivos e logísticos definindo os recursos necessários, estabelecendo metas e criando indicadores de produtividade; elabora projetos logísticos dimensionando as necessidades de recursos humanos, materiais e outros que se façam necessários; acompanha implantação de novos projetos logísticos e controla o desenvolvimento das atividades dos processos produtivos e logísticos com o objetivo de verificar o cumprimento das metas estabelecidas. ■ Analista de estoques – Elabora projetos logísticos dimensionando as necessidades de recursos humanos, materiais e outros que se façam necessários; acompanha implantação de novos projetos e controla o desenvolvimento das atividades. ■ Coordenador de aplicação de provas (concursos, avaliação, exame) – Aplica provas (concurso, avaliação e exame), seguindo as normas de segurança e sigilo do evento; planeja as ações e prepara o evento; seleciona espaços físicos de acordo com o perfil do evento; gerencia equipe de colaboradores, capacitando-os e alocando-os de acordo com a função e perfil. ■ Aplicador de provas – Aplica provas (concurso, avaliação e exame), seguindo as normas de segurança e sigilo do evento. ■

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12 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES O fim dos cabos e fios 17 ANOS Notebooks, netbooks, tablets, smartphones e os modernos all in one substituem os pesados e espaçosos desktops Design moderno, leveza e nada de fios. Seja por causa de tendências de decoração, seja para aumentar a praticidade no dia a dia, a verdade é que os computadores do estilo all in one, além de notebooks, netbooks e tablets estão substituindo os antigos e pesadões desktops, com suas caixas enormes e muitos fios embolados. Apesar de tablets como o iPad dominarem o mercado na preferência dos mais modernos, para o dia a dia e uso doméstico ele não é tão recomendado. Assim como os notebooks, que ganham em mobilidade, mas perdem em bateria e capacidade. Nessa guerra pela preferência do consumidor quem tem se saído bem é o computador all in one. Mas o que é o all in one? Como o nome em inglês explica, trata-se de um computador com várias funções integradas em um só: o gabinete dos desktops são integrados ao monitor, que, dependendo do modelo, funciona também como TV e tem tela com função touchscreen. A vantagem é um computador com design arrojado e com longa vida útil. A ausência de um espaçoso gabinete não significa um disco rígido menor e quem o procura ganha um gadget moderno e que, de quebra, não ocupa espaço. MOBILIDADE - Apesar dos all in one serem ótimos para o uso doméstico, eles perdem em um ponto fundamental para os demais aparelhos do mercado: nada se compara à mobilidade de notebooks, netbooks e tablets. Nesses três tipos de aparelhos o que se diferencia é o que o usuá- rio quer de seu computador e também qual o perfil da pessoa. Se fosse perguntado aos mais antenados qual a preferência deles, a resposta imediata seria tablet. De fato, modelos como o Samsung Galaxy Tab e a “lousa mágica” da Apple iPad oferecem diversos aplicativos que em muito facilitam a vida. Mas ele tem a desvantagem Equipamentos com a tecnologia wireless dispensam a fiação de ser limitado para quem precisa de um editor de textos. Essa função de editor de textos é assunto para notebooks e netbooks. Os leigos podem dizer que a diferença dos dois está no tamanho: os notes apresentam telas de 14 polegadas e os nets de 10 e há modelos até de serte. Mas nestes casos tamanho é documento e de- termina a capacidade de cada um. Os netbooks são mais leves, mais fáceis de serem carregados de um lado para outro (cabem numa bolsa de mulher, por exemplo), mas contam com processadores menos potentes e capacidade reduzida de armazenagem de dados. É mais indicado para quem precisa de um computador apenas para acessar a internet, armazenar arquivos menos pesados e utilizar editores de textos. Já os notebooks são mesmo indicados para quem quer um computador com toda a capacidade de um desktop, mas com a facilidade de poder ser levado para qualquer lugar. E, diferente dos nets, eles contam com drives de CD, DVD ou Blu-ray. E a briga entre os portáteis deve esquentar com a popularização do tablet pc, um modelo que une em sua configuração as funções de um tablet e de computador. Por enquanto eles têm ainda um custo alto, mas como a medida que a tecnologia avança os preços dos gadgets tendem a cair, em breve a concorrência ganha um competidor de peso. Ou melhor, bem leve. Confira na tabela as vantagens e desvantagens de cada modelo e escolha o que mais se aplicar às suas necessidades. VANTAGENS E DESVANTAGENS Desktops São os computadores que têm estrutura formada por vários componentes: monitor, teclado, CPU (gabinete) e mouse. ■ VANTAGENS: peças e manutenção de baixo custo e facilidade de atualizar os programas e dar um upgrade no desempenho dele à medida que as peças ficam obsoletas. ■ DESVANTAGENS: ocupa espaço físico muito grande, além de ter muitos fios espalhados na parte de trás. O consumo de energia também é alto. All in one All in one são aquelas máquinas com todos os seus componentes montados em uma peça só. ■ VANTAGENS: facilidade de instalação (é só plugar na tomada e usar), número reduzido de cabos, a ausência de um gabinete e a TV integrada. ■ DESVANTAGENS: preço, que ainda é alto, e a dificuldade de se fazer atualizações. Notebooks A versão portátil dos desktops, sendo que hoje em dia a capacidade de armazenamento é quase a mesma. Seus drives de blu ray e DVD permitem assistir filmes em qualquer lugar. ■ VANTAGENS: a mobilidade, rodar todos os programas de umn desktop numa máquina bem menor e menos espaçosa e não precisar ficar ligado na tomada. ■ DESVANTAGENS: poucas, apenas em questões técnicas como capacidade, e ter que recarregar a bateria e esquentar muito. Netbooks São notebooks mais leves e com telas menores. ■ VANTAGENS: baixíssimo peso, portabilidade, duração da bateria e preço baixo. ■ DESVANTAGENS: tela e teclado em tamanhos reduzidos, baixo desempenho, ausência de drive de CD e DVD. Tablet PC Tablet PC nada mais é que um notebook com touchscreen. ■ VANTAGENS: touchscreen e bom desempenho. ■ DESVANTAGENS: preço alto e a dificuldade de encontrar um tablet com boas configurações à venda. Tablets Os tablets são computadores portáteis, sem teclado ou mouse, mas com tela touchscreen. ■ VANTAGENS: há uma série de aplicativos que podem ser instalado, para as mais variadas utilidades. ■ DESVANTAGENS: seu formato não é indicado para quem precisa de um editor de textos. ■

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14 MARÇO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Sesi promove a culinária local Várias delícias da culinária do Espírito Santo ganharão destaque com o programa Cozinha Capixaba Com o programa, o Sesi-ES vai priorizar ingredientes comuns à mesa: peixe, café, banana, mamão, morango, coco, inhame, laticínios e carnes no preparo de receitas tradicionais da região para promover a educação nutricional. “Queremos resgatar a tradição cultural por meio da culinária, toda a miscigenação do nosso povo e como essas diversas influências estão presentes nos nossos pratos”, afirma o superintendente do Sesi-ES, Luis Carlos Vieira. Segundo ele, além de um programa de educação alimentar, o Cozinha Capixaba será também um programa de valorização e divulgação da cultura do Estado. A ideia é que o programa seja ainda um apoio para políticas públicas desenvolvidas nos municípios. Para o presidente do Sistema Findes, Marcos Guerra, o programa reforça as ações de interiorização desenvolvidas pela atual ges- O diretor do Sesi, Luis Carlos Vieira, diz que o objetivo é o resgate cultural O presidente da Findes, Marcos Guerra, destaca a interiorização tão. "Buscamos sempre nos aproximar do setor produtivo, ouvindo suas demandas e desenvolvendo novos projetos. O Cozinha Capixaba é fruto desse diálogo. Estamos fortalecendo a diversidade da cultura local, difundindo o que há de melhor em nossa culinária e criando mais uma ferramenta de desenvolvimento", enfatizou. Programa valoriza “produtos da terra” Como parte do programa, o Sesi pesquisou quais os alimentos mais marcantes na culinária do Espírito Santo. A partir daí um resgate histórico foi realizado para contextualizar a importância de cada um deles na construção da identidade capixaba. Uma equipe multidisciplinar formada por nutricionista, historiador, especialista em economia doméstica e com apoio de alguns dos principais chefs de cozinha do Estado concebeu e construiu o livro Cozinha Capixaba volumes I e II. São receitas simples e de alto valor nutritivo elaboradas pela equipe de nutricionistas do Sesi-ES e pelos chefs Juarez Campos, Júlio Lemos, Cleuza Costa, Francisco Assis e Paulo Gaudio. As publicações servirão de material didático em cursos ministrados pelo Sesi-ES com intuito de formar multiplicadores do conceito de valorização de produtos locais. Os chefs colaboraram na elaboração dos livros CONTEÚDO E TÉCNICAS REVELADAS Com o Cozinha Capixaba o Sesi-ES irá disseminar o conteúdo e as técnicas apresentadas nos livros por meio de atividades de educação nutricional que visam aos seguintes objetivos: ■ Conscientização sobre a importância da utilização de produtos regionais e as boas práticas nutricionais para a saúde e qualidade de vida da população capixaba. ■ Valorização da culinária regional. ■ Estímulo à adoção de hábitos alimentares mais saudáveis com a utilização de receitas tipicamente capixabas, favorecendo a economia do estado. Programa leva conhecimento às cidades do interior Outro braço importante do Cozinha Capixaba, e que reforça seu caráter inovador, é a unidade móvel construída exclusivamente para levar o programa a todas as regiões do Espírito Santo, oferecendo cursos, palestras e oficinas, sempre com o intuito de valorizar os produtos regionais. Com investimento de R$ 1,4 milhão, a unidade consiste em uma cozinha industrial completa, com utensílios modernos e totalmente adaptada, capaz de atender até 20 alunos por turma. A unidade se destaca pelas inovações tecnológicas que irão, entre outros aspectos, torná-la au- tossustentável na questão do consumo de água. Um sistema captará a água do ar-condicionado para que seja utilizada na lavagem dos utensílios, por exemplo. Além disso, possui gerador próprio de energia, permitindo que as aulas aconteçam mesmo em situação de falta de luz. Câmeras de vídeo, instaladas em diversos pontos da unidade móvel, ampliarão o ângulo de visão dos alunos, ajudando no aprendizado e entendimento da execução das receitas. A acessibilidade está garantida na unidade móvel, que possui também cadeiras para canho- tos e obesos. A reposição dos alimentos se dará por porta separada da entrada dos alunos, onde fica a sala de pré-preparo. A unidade poderá ficar estacionada em qualquer tipo de terreno, pois possui um equipamento de auto nivelamento inovador, que se adapta a qualquer condição do solo. A cerimônia de lançamento dos livros Cozinha Capixaba volumes I e II, a apresentação de todo o programa, bem como da unidade móvel aconteceu no dia 22 de fevereiro, às 19h, no Sesi Jardim da Penha, com a presença de diversas autoridades. ■ O Sesi investiu R$ 1,4 milhão na unidade móvel da cozinha industrial

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17 ANOS VITÓRIA/ES MARÇO DE 2017 15 Patrimônio Líquido do Sicoob-ES é de R$ 1,2 bilhão Sicoob ES registra aumento de R$ 253,4 milhões na carteira de crédito em 2016 OSicoobESregistrou,em 2016, alta de 7,9% em sua carteira de crédito em relação ao exercício anterior. O período foi encerrado com o montante de R$ 3,5 bilhões, o que representa um aumento de R$ 253,4 milhões frente a 2015. O patrimônio líquido chegou a R$ 1,2 bilhão. O volume de depósitos foi o indicador que mais avançou durante o ano, chegando a R$ 2,9 bilhões, uma elevação de 28,5%. Nos depósitos à vista, a expansão foi de 18%, e nos depósitos a prazo, houve crescimento de 32%. Para o presidente do Sicoob ES, Bento Venturim, esse dado comprova o aumento do número de pessoas que acreditam na instituição: “A ampliação do volume de recursos que os associados confiam à instituição financeira cooperativa demonstra a consolidação do Sicoob ES como alternativa segura e viável”, destaca. O Sicoob ES conquistou 28,6 mil novos sócios em 2016 e concluiu o exercício com 205,8 mil cooperados. Houve cerca de 2,4 mil adesões por mês, entre pessoas físicas e jurídicas, um aumento de 16,6% em relação a 2015. CRÉDITO RURAL - A instituição exerceu papel relevante no apoio aos produtores impactados pela situação hídrica e econômica do Estado em 2016, encerrando o ano com a carteira de crédito rural em R$ 801,5 milhões. O valor ficou 1,2% menor do que o de 2015 devido às renegociações das dívidas provenientes dessa modalidade, acima da casa dos R$ 151,2 milhões. Bento Venturim enfatiza o em- penho da cooperativa no restabelecimento do agronegócio capixaba: “O Sicoob vem buscando aumentar o volume de recursos para repassar ao setor e para melhorar as condições de pagamento dos empréstimos já realizados”. RECEITA DE SERVIÇOS - Nailson Dalla Bernadina, diretor-executivo do Sicoob ES, afirma que a receita de serviços, incluindo os consórcios e os seguros, teve aumento de 20%. Já as despesas administrativas foram mantidas no mesmo patamar da inflação do período (6,5%). As sobras brutas fecharam o ano em R$ 209,9 milhões, valor 13,6% menor do que no exercício anterior. O ambiente econômico e a crise hídrica influenciaram o resultado, impactando a capacidade de pagamento de muitos associados detentores de operações de crédito. Dos R$ 209,9 milhões em sobras (lucro), R$ 140,5 milhões serão distribuídos aos associados. Desse total, R$ 90,4 milhões são referentes ao pagamento dos juros sobre o capital social, realizado em 30 de dezembro último. Outros R$ 50,1 milhões serão colocados à disposição dos sócios nas assembleias de prestação de contas, realizadas até 26 de abril. O restante é destinado ao fundo de reserva e ao Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates). EFICIÊNCIA - A austeridade nos gastos é outro aspecto a se destacar. O Índice de Eficiência Administrativa (IEA) do Sicoob ES no final de 2016 foi de 31,65%, o que significa uma melhoria de 3,2 pontos percentuais em relação ao exercí- cio de 2015. Ou seja, a cada R$ 100 de receita, o Sicoob gastou R$ 31,65 com custos administrativos. A poupança passou para R$ 531,7 milhões, uma elevação de R$ 50,9 milhões em relação ao resultado de 2015. O patrimônio líquido alcançou a cifra de R$ 1,2 bilhão, registrando uma elevação de R$ 18,1%. O capital social passou para R$ 735,2 milhões, 24,1% a mais do que os R$ 592,2 milhões alcançados no último exercício. O ano foi encerrado com o montante de R$ 5,1 bilhões de ativos (bens e direitos com valor comercial ou de troca), alta de 18,1% sobre 2015. CRESCIMENTO - “Neste ano, pretendemos manter o ritmo de crescimento, sustentando taxas competitivas. Também é nossa meta continuar apoiando, com a liberação de crédito e outros serviços, os empreendimentos que demonstram viabilidade econômica”, ressalta Bernadina. O diretor afirma que o Sicoob ES tem condições de oferecer um custo menor do que o do mercado. A taxa média mensal de juros da carteira de crédito praticada em 2016 foi de 2,09% a. m., contra 3,67% a. m. do Sistema Financeiro no Espírito Santo. EMPREGOS - Em movimento contrário à tendência do País, o Sicoob ES elevou em 7% a sua equipe, contando com 1.151 funcionários no fechamento do exercício. Além disso, a instituição financeira cooperativa aumentou em 10% o seu quadro de empregos indiretos, alcançando 372 estagiários, aprendizes e profissionais terceirizados. FOTO: JOACIR AZEREDO O presidente, Bento Venturim, diz que Sicoob-ES é “alternativa segura” Crédito imobiliário é a nova meta O Sicoob ES vai ingressar no ramo de crédito imobiliário a partir de maio próximo, disponibilizando inicialmente um volume de R$ 30 milhões para financiar imóveis novos ou usados avaliados em até R$ 800 mil. O prazo para pagamento será de até 360 meses (30 anos). Para o presidente da instituição financeira cooperativa, Bento Venturim, além do prazo facilitado, um grande atrativo da linha é o percentual do valor do imóvel que pode ser financiado — que chega a 80% para os novos ou usados. Nailson Dalla Bernadina, diretor-executivo da instituição, destaca a possibilidade de uso do FGTS como entrada ou na amortização do sal- do devedor ou de parcelas. A taxa efetiva de juros ao ano será de 10,86% + TR (Taxa Referencial). Visando a adotar um crédito consciente limite de comprometimento mensal da renda familiar foi estabelecido em até 30%. Segundo Bernadina, o crédito estará disponível para os associados à instituição financeira cooperativa a partir do dia 2 de maio próximo, em todas as agências do Sicoob ES no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Serão contemplados pela nova linha imóveis residenciais ou de lazer localizados em área urbana com infraestrutura (transporte, água, saneamento, comércio e vias urbanas) e com valorização imobiliária. Expansão: 10 novas agências em 2016 Em 2016, na Região Metropolitana da Grande Vitória foram abertas agências em Vila Velha (Centro), na Serra (Jardim Limoeiro), em Cariacica (Itacibá) e em Guarapari (Aeroporto). Além disso, Viana recebeu o primeiro ponto de atendimento do Sicoob no município, no bairro Parque Industrial. No Sul do Estado, foi inaugurada uma agência no distrito de Piaçu, em Muniz Freire. O Sicoob ES ampliou sua operação com mais quatro agências no Rio de Janeiro, em Campos dos Goytacazes, Itaperuna e em São Francisco de Itabapoana (Centro e Travessão da Barra). As cooperativas do Sicoob realizaram obras de modernização e de ampliação nos pontos de atendimento localizados em Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, Ecoporanga, Laginha (distrito de Pancas) e Enseada do Suá (Vitória). Atendimento por meios eletrônicos chega a 85% O investimento constante em soluções tecnológicas propicia a expansão de canais de atendimento eficazes que ajudam os associados (pessoas físicas e empresas) a fazerem a maioria de suas operações pelo celular, pelo computador ou por caixas automáticos. De acordo com o diretor-executivo do Sicoob ES, Nailson Dalla Bernadina, no ano passado 35,8% de todas as transações foram realizadas pelo celular. Quando consideradas as operações feitas nos caixas eletrônicos e pela internet, esse percentual sobe para 85%. A autenticação por meio da impressão digital em vez de senha e o uso do leitor de código de barras para pagamento de contas são algumas das facilidades disponibilizadas para os associados. “Poder imprimir extratos e comprovantes diretamente do celular é outro conforto”, destaca Nailson Dalla Bernadina, ressaltando que o atendimento móvel permite a realização de cem transações, como consulta de saldo e de extrato, transferências, contratação de empréstimos e pagamentos. ■

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