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Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 3

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CARTA DO EDITOR OCarnaval foi o acontecimento de realce no mês de Fevereiro porque o momento em que em grande parte do mundo todos-políticos, governantes, artistas, actores, população em geral,-se misturam para dar lugar à criatividade e ironia. No Brasil, que reza a história de ter o maior carnaval do mundo, a crise económica foi nota dominante com ironia evidente mas contenção de gastos. O mesmo aconteceu em Angola onde, mesmo assim, as tradicionais festas em recintos fechados, mais sumptuosas em relação aos bailares da rua, também sentiram os efeitos de bolsos apertados. Mas, enfim, viveu-se o carnaval, em Angola e no Brasil, e damos o destaque devido nesta edição que, por causa mesmo dessa festa que se assinalou em cima do final do mês tivemos de atrasar a circulação da revista. Mas o mundo não para e as noticias do bem e do mal que vão acontecendo um pouco por todo lado circulam à ve- locidade estonteante neste mundo, afinal, cada vez mais globalizado. Josefa Sacko, a angolana que foi eleita para no seio da União Africana, responder pelo pelouro da agricultura e a mulher rural falou para F&N e apresentou as linhas de força do seu mandato manifestando a esperança de poder dar todo o seu esforço para que o panorama da agricultura e da mulher rural possa conhecer um cenário mais satisfatório, e para isso não deixou de indicar a receita: aposta segura no capital humano. A África está em mudanças, não só de pessoas, como é o caso do novo Presidente da Comissão da União Africana, o tchadiano Moussa Faki que substituiu no cargo a sul-africana Dlamini Zuma, mas de estruturas que se aligeiram, de vontades que se manifestam para um melhor aproveitamento das potencialidades naturais que o continente possui. Centra-se muito a preocupação para menos ou nenhum espaço aos regimes tiranos para que se cultive a democracia plural e os que não se adaptam a esses ventos de mudança, como o antigo ditador da Gâmbia, Yaya Djameh, não os reste outra alternativa senão procurarem "exílios dourados", mesmo assim sem garantias de um dia, talvez mais cedo do que tarde, serem incomodados para a prestação de contas da sua gestão governativa danosa. Do nosso País, é certo dominam as noticias da edição. Na Província de Benguela a maka é em torno do lixo, ou melhor, da limpeza da cidade, uma actividade que, em tempos recentes, fez correr muitos escritos sobre a transparência do negócio, dividas acumuladas, empresas falidas mas agora, com outros players, se promete mudanças, ressuscita-se verbas, tudo, afinal, para que a Província fique mais limpa e haja mais saúde para as populações. E no domínio das populações, ou melhor, das criançinhas, a oportuna chamada de atenção sobre os efeitos nefastos da utilização abusiva, por elas dos smartphones e telemóveis em doses exageradas. Boa leitura! Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 5

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66. ÁFRICA UNIÃO AFRICANA NA HORA DE MUDANÇA 3. CARTA DO EDITOR 7. PONTO DE ORDEM A MÉDIA E A COBERTURA ELEITORAL 10. PÁGINA ABERTA JOSEFA SACKO 17. MUNDO REAL 18. SOCIEDADE VAIDADES PERIGOSAS PARA CRIANÇAS! 22. LEITORES 24. FIGURAS DE CÁ 30. POLÍTICA 34. PENA-LIVRE PENSAR NUM "NOVO NORMAL" 39. NA ESPUMA DOS DIAS 48. CONJUNTURA 56. ECONOMIA & NEGÓCIOS 78. MUNDO 85. FIGURAS DE JOGO 90. DESTAQUE 42. REPORTAGEM O NEGÓCIO DO LIXO EM BENGUELA 6 Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017

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80. DESPORTO ANGOLA CHORA PELA TRAGÉDIA NO UÍGE 90. DESTAQUE O CARNAVAL EM ANGOLA E NO BRASIL 86. MODA & BELEZA 100. FIGURAS DE LÁ Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 18- n. º 182, Fevereiro – 2017 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Domingos Fragoso, Juliana Evangelista, João Marcos, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Capa: Bruno Senna Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Tel: (+244) 937 465 000 Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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PONTO DE ORDEM Victor Aleixo victoraleixo12@gmail.com A MÉDIA E A COBERTURA ELEITORAL Em clima eleitoral como o que já se vive no país, é justo que falemos de cobertura eleitoral e olhemos para comunicação social. E, quando se olha para a imprensa actual, constata-se que muita coisa está mal no mundo do jornalismo, há muito desrespeito pela ética, o espírito profissional facilmente é mandado para às calendas gregas pelo que é difícil e complicado exigir-se seriedade e transparência no Todo do jornalismo que hoje se pratica. Faltam as balizas para a regulamentação de uma profissão que tem de actuar com um papel de charneira na educação da sociedade. E quando se fala da cobertura Jornalística eleitoral, temos motivos mil para ficarmos mais preocupados. Que papel vamos fazer nessas eleições? Primeiro, a importância das campanhas eleitorais reside no facto de se tratar do momento privilegiado da relação entre os cidadãos e a política. É a hora em que as diferentes opções políticas informam à sociedade sobre o seu programa de governo, as principais medidas que pretendem impulsionar e as ideias que estão por trás dessas medidas. E quem deve assumir o papel de forma vertical, fazer esse papel de interligação entre os cidadãos e a política, aqui representada através das diferentes forças políticas, sem sombra de dúvidas é a comunicação social, os jornalistas que, nas coberturas informativas, têm de estar centrados em oferecer aos leitores, telespectadores, radiouvintes, e outros meios, as informações que possam ajudá-los a entender melhor o processo. Defendemos para isso uma cobertura transparente e profícua de forma a debelar possíveis conflitos com os políticos e outras instituições envolvidas no processo. No caso concreto de Angola, onde, se olharmos rapidamente para o interior dos diferentes órgãos de comunicação, constatamos que não existe uma governança corporativa – entenda-se conselhos de redacção e/ou outros órgãos de consulta, defendo que a maior e melhor cobertura das eleições deverá ser a concertação de esforços entre as organizações sócio – profissionais existentes e os diferentes órgãos de imprensa, sem distinção entre privado e publico, para a definição de um Código de Conduta para a cobertura eleitoral. Este será, em meu entender, um grande passo para o engajamento melhor estruturado dos jornalistas. Dir-me-ão mais um código de conduta de cobertura eleitoral para engajar quem e como quando andamos todos divididos? É precisamente nesse ambiente que devemos deixar patente à sociedade a nossa vontade de fazer bem e melhor, afastando o risco de amanhã sermos acusados de responsáveis de qualquer actuação que possa manchar o processo eleitoral. A natureza particular dos períodos eleitorais na sociedade angolana, onde o exercício do direito ao sufrágio universal ainda recentemente instituído constituiu momentos catalisadores do debate politico nacional e os ensinamentos do passado aconselham a classe profissional jornalística a adoptar um conjunto de princípios específicos na cobertura de períodos eleitorais, urge ter em mente cinco regras que reputo de fundamentais: a independência dos jornalistas em relação aos partidos políticos, tratamento distanciado de todas as matérias eleitorais; rigor na terminologia e no cálculo de números, notadamente o jornalista deve abster-se do emprego de expressões qualificativas ou de atribuir juízo de valor ao qualificar os acontecimentos; a divulgação de sondagens de opinião aqui entendido com a abstenção de divulgar sondagens, inquéritos ou entrevistas relativas a opinião dos eleitores quanto aos concorrentes; as fontes oficiais de informação do processo eleitoral, quer dizer o jornalista deve recorrer e privilegiar a informação disponibilizada pelos órgãos eleitorais autorizados para a divulgação dos resultados eleitorais. Com esse código de conduta para a cobertura eleitoral mais facilmente se pode cumprir esses princípios bíblicos. Quer dizer, pode-se estabelecer o método de revisão de pares por via do qual os diferentes órgãos de comunicação exercem vigilância e criticas mútuas quando qualquer um deles viola os princípios acordados. Ao agirmos assim, não estaremos a inventar nada de outro mundo. Retenhamo-nos às experiências de outros países, mormente daqueles africanos que têm o português como língua de comunicação como nós: Moçambique, em 2009, fez isso, Cabo-Verde tem um código aprovado, S.Tomé tem e na Guiné Bissau, onde parece não se respeitar o direito à comunicação, também foi aprovado o código de conduta de cobertura eleitoral nas ultimas eleições realizadas. Por isso, aqui em Aangola nada pode ser diferente, razão porque insisto que esse deve ser o nosso primeiro dever de casa a fazer. Vale recordar o cientista político brasileiro, Wanderlei Guilherme Santos, quando chamado a comentar a questão de isenções de coberturas eleitorais: «nas democracias de instituições vulneráveis à extorsões, seria grande o poder da média de gerar instabilidade política. Nos países de democracia estáveis, ao contrário, pouca coisa acontece fora da arena eleitoral, excepto quando o escândalo revela ruptura, por parte do governo, do pacto constitucional do País». Um caso para meditação! Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 9

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Largo 4 de Fevereiro, Palácio de Vidro, 5º andar; Cx. Postal 2223; Telefone +(244) 923047979, email: cnc@cnc-angola.gv.ao Luanda, Angola O Conselho Nacional de Carregadores, abreviadamente designado «CNC», é um Instituto Público do Sector Económico, dotado de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial, criado para exercer as funções de controlo das operações de comércio e transporte marítimo internacionais, bem como a actualização, uniformização e simplificação dos métodos e normas para a sua execução. ATRIBUIÇÕES DO CNC a) Apoiar tecnicamente o Ministério dos Transporte na concepção, h) Promover o aproveitamento racional dos recursos materiais e elaboração, adopção, implementação e controlo de políticas e humanos disponíveis na cadeia do comércio e transporte marítimo metodologias de execução das operações de comércio, transporte internacionais; marítimo e logística, através do acompanhamento, estudos, análises e apresentação de propostas pertinentes. i) Cobrar e receber as comissões legalmente devidas pelos armadores e carregadores que participam na transportação de b) Contribuir, participar e investir na promoção de projectos de mercadorias de e para Angola, para investimento directo no sector desenvolvimento de Marinha Mercante, Portos, Hidrografia, Corrente dos Transportes; de Transportes e do Sector dos Transportes em geral. j) Emitir, a partir da origem, o certificado de embarque em que os c) Acompanhar, velar e assegurar a execução correcta das políticas amadores ou operadores marítimos inscritos no Conselho Nacional de comércio e transportes marítimos internacionais traçadas pelo de Carregadores, que detenham carga de ou para Angola, estão Executivo, em coordenação com os órgãos e instituições compe- obrigados, nos termos da lei, a exigir dos exportadores; tentes; k) Supervisionar e gerir o sistema da Rede Nacional da Plataforma d) Promover a defesa e a harmonização dos interesses fundamentais Logística (RNPL); do Estado com os vários intervenientes nas operações de comércio e transportes marítimos internacionais, tendo como objectivo principal a racionalização e optimização dessas operações; l) Desenvolver estudos e identificar estratégias que potenciem a actividade logística e a integração dos diversos modos de transportes; e) Estudar, analisar, apresentar e controlar as medidas que m) Garantir a adopção de sistema de informação integrados na Rede contribuam para a estabilidade dos fretes e taxas das mercadorias Nacional de Plataforma Logística e destas com o sistema portuários, Y em defesa da economia nacional e do consumidor final; ferroviários, rodoviários e com a rede nacional de produção de f) Acompanhar e analisar o processo de importação e exportação de comércio interno e externo; mercadorias, centralizando a recolha, tratamento, interpretação e difusão da informação e estatísticas relativas às operações de comércio e transportes marítimos internacionais; n) Participar nas reuniões com os organismos internacionais congéneres e armadores, visando a regularização de questões inseridas no âmbito da sua competência, designadamente as convenções g) Recolher, analisar e dar tratamento adequado às informações e internacionais e bilaterais, e as taxas do frete máxima a praticar no dados sobre a situação do mercado interno e internacional relativo transporte marítimo internacional; ao comércio e transporte, com vista ao acompanhamento permanente da sua evolução e dos seus efeitos sobre a economia nacional; o) Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente. OS ESFORÇOS DO CONSELHO NACIONAL DE CARREGADORES VISANDO APOIAR O GOVERNO NO DESENVOLVIMENTO DO PAÍS, REFLECTEM-SE, ENTRE OUTRAS, NAS SEGUNTES ACÇÕES: Implementação da Bolsa Nacional do Frete; Reabilitação da sinalização de toda costa marítima; Reabilitação de faróis e farolins costeiros; Reabilitação da Rádio Costeira (Luanda Rádio); Acção de formação e actualização de marítimos angolanos; Contribuição para a criação do Instituto Hidrográfico de Angola; Construção do Porto Seco de Viana; Construção da Nova Ponte Cais do Porto de Cabinda; Contribuição no estudo de construção do novo Porto de águas profundas em Cabinda; Participação na construção e implementação dos Terminais Marítimos de Passageiros em Luanda. Supervisionar e gerir a Rede Nacional de Plataformas Logísticas (RNPL): Plataforma Logística Intermodal Regional do Lombe 332ha; Plataforma Logística Intermodal Regional do Soyo 25 hectares; Plataforma Logística Intermodal Regional do Menongue 100 hectares; Plataforma Logística Intermodal Transfronteiriça do Luau – Moxico 100 hectares; Plataforma Logística do Luvu - Zaire 100 hectares; Plataforma Logística Transfronteiriça do Yema – Cabinda 100 hectares; Plataforma Logística Transfronteiriça de Massabi – Cabinda 100 hectares; Plataforma Logística Intermodal Regional do Kuito - Bié 100 hectares; Plataforma Logística Intermodal Regional da Arimba - Huíla 81 hectares; Plataforma Logística Intermodal Regional da Matala - Huíla 100 hectares; Plataforma Logística Transfronteiriça de Santa Clara - Cunene 100 Hectares; Plataforma Logística Intermodal Transfronteiriça de Kimbata – Uíge 100 hectares. Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 11

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PÁGINA ABERTA I ENTREVISTA “TEMOSJOSEFASACKO DE MUDAR A VID DE MUITOS AGRICULTOR 12 Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017

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ENTREVISTA I PÁGINA ABERTA A Engenheira angolana Josefa Sacko, eleita Comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura, num complexo e competitivo processo, revelou-nos em entrevista exclusiva as suas prioridades para os quatro anos de mandato realçando que as políticas a implementar devem centrar-se “no homem” ao mesmo tempo que fez uma análise profunda do sector agrícola em África que ela considera ser o “motor” para o desenvolvimento do continente Texto: Suzana Mendes Fotos: George Nsimba Figuras & Negócios (F&N) - Acaba de ser eleita Comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura. Como decorreu o processo de eleição? Josefa Sacko (J.S.) - A direcção cessante terminou o seu mandato e a União precisava de um novo executivo à frente da Comissão, lançou-se o anúncio de vagas e Angola apresentou duas candidaturas, a do Embaixador Teté, para o cargo de Comissário para Assuntos Políticos, e a minha candidatura para o cargo de Economia Rural e Agricultura; o processo passou pela nossa organização sub-regional, a SADC, as candidaturas foram avaliadas e as duas propostas de Angola foram tidas, depois o processo foi para a União Africana e a Comissão de candidaturas validou as nossas candidaturas. A partir daí começamos com o processo de campanha, estratégia sempre sob liderança do Ministério das Relações Exteriores. F&N - Teve um grande apoio do Governo angolano? J.S. - O Ministério das Relações Exteriores fez a proposta, quem aprova é o Chefe do Executivo porque este tipo de candidaturas engaja o País, então, Sua Excelência o Presidente da República validou o nome dos dois candidatos para Angola e foi a partir daí que o Ministério das Relações Exteriores transmitiu as candidaturas à SADC que coordenou as candidaturas do grupo SADC. O processo de eleição foi complexo, muito difícil, são dez postos, daí sai o presidente e o vice-presidente da Comissão e oito departamentos que são os comissários e nesses dez cada região tem direito a dois e na perspectiva do género, por exemplo, na nossa região tínhamos a nossa lista de candidatos, inclusive uma candidata a presidente, caso a presidente passasse, todos os candidatos femininos seriam eliminados. Tivemos a sorte que, no nosso caso, a senhora do Botswana foi eliminada e daí as candidatas femininas da nossa região mantiveram-se e passaram para a outra etapa, depois da eleição do presidente e vice-presidente foi a do Comissário para a Paz e Segurança, aí a SADC não tinha candidato e as nossas candidaturas não correram nenhum risco mas as outras zonas geográficas correram risco, tive também vantagem na eleição do presidente pelo facto de o eleito ser da África Central, o que eliminou um concorrente meu, que era o candidato dos Camarões; ele foi eliminado porque um homem daquela zona foi eleito presidente, também tive vantagem na eleição do vice-presidente porque sendo da Africa Ocidental também tinha um maliano que foi eliminado, nem concorreram porque o sistema eliminou. A eleição do candidato para a Paz e Segurança também estremeceu a candidatura do outro angolano porque se a nigeriana ganhasse eliminava a candidata do Burkina Faso que estava a concorrer com o nosso compatriota, ganhou a argelina e a candidata do Burkina Faso continuou, depois foi a eleição do cargo para o qual concorreu o Embaixador Tete e quem ganhou foi a senhora do Burkina Faso. Se ele passasse, eu seria eliminada por ser angolana porque Angola tinha dois candidatos e só poderia eleger VIDA ORES EM ÁFRICA” Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 13

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PÁGINA ABERTA I ENTREVISTA um Comissário. O meu departamento era o penúltimo, aí comecei a ganhar esperança porque a nossa zona ainda não havia eleito nem um candidato, já havia um consenso à volta da minha eleição aliado ao facto de que o trabalho de diplomacia que Angola fez foi muito forte. Para o posto que concorri haviam três candidatos, fomos à primeira, segunda, eu sempre a liderar o grupo, chegamos até à quinta e foi aí que venci, obtive a maioria dos votos. F&N - Agora eleita, quais são as prioridades que tem para o sector da Agricultura, que é complexo para o continente africano? J.S. - A agricultura é a base do desenvolvimento económico de África e tem uma importância socioeconómica muito grande, os agentes envolvidos nesta área são camadas vulneráveis, com muitos problemas, as zonas de produção não têm desenvolvimento, hoje vimos que a maior parte da juventude emigra, há o êxodo rural, saem daquelas zonas porque não têm vida, se aquelas zonas produtoras fossem atractivas a juventude não emigrava para zonas urbanas. Se criarmos trabalho e oportunidade de emprego, a juventude que vai para o ocidente e morre no mar, se tivesse como sobreviver aqui não arriscaria a vida. Se nós (digo nós porque a União Africana é a sombrinha do continente) trabalharmos no sentido de darmos toda a atenção a essa camada podemos resolver o problema da crise migratória e do êxodo rural. F&N - Mas há muitos outros desafios, por exemplo, o financiamento da agricultura. J.S. - Estou a falar do homem em primeiro lugar, temos políticas mas quem é que implementa? É o homem, não podemos construir uma casa sem ter alicerces. A juventude precisa mudar de consciência, saber que não é só vender computadores na rua, fazer outros trabalhos mas que, através da agricultura, também pode empoderar-se. É nesta pessoa que temos de investir, que temos que educar, consciencializar, capacitar e fazê-lo entender que a agricultura é lucrativa, se conseguirmos incutir 14 Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017

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ENTREVISTA | P¡ GINA ABERTA Figuras&Negócios - Nº 182 - FEVEREIRO 2017 15

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