Confrades da Poesia82

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 82 | Mar. / Abril 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» CONFRADES DA POESIA - TEM NOVO DOMÍNIO www.confradesdapoesia.pt SUMÁRIO A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9, 10 / Confrades: 11,12,13,14,15,16 / Tribuna do Vate: 17 / Cantinho Poético: 18 / Trovador: 19 / Ponto Final: 20 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 17 Nesta edição colaboraram 78 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Alice Palmira | Ana Santos | Ângela Crespo | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Delmar Gonçalves |Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Franco Lapina | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «A Voz do Poeta» QUEM FOI CAMÕES? Salta-me a mola! Não haverá em todo o mundo um português que não sentiu ferver o peito em emoções ao se inteirar da carismática altivez do vulto pátrio que um dia foi Luiz de Camões! Mais uma vez! Vejo-me irado E nada me fez O estar calado Não foi apenas nos Lusíadas que ele fez brilhar o nome da sua pátria entre as nações, pois foi guerreiro cuja férrea intrepidez menor não foi que a das romanas legiões! E do que vale Eu tentar ouvir Se tudo afinal Era só a fingir Por Ceuta, por Macau, por Moçambique e Goa, seu nome ilustre é uma legenda que ainda soa como um fanal das lusitanas tradições! E hoje a sua pátria já não tem na presidência alguém que ostente dez por cento da decência e da moral com que a serviu Luiz de Camões! Humberto Rodrigues Neto - SP/BR MESA DE CAFÉ A mesa do café tem a magia De um ritual pagão, algo de astral... Mais que beber café, o ritual Resume-se ao prazer da companhia. E já nem vou! Atrás de nada E sempre sou Palavra dada! Pouco me ralo Se devo fazer E quando falo Solto a valer! Já tudo cuspi Da boca fora E nada perdi E foi,na hora! João Franco Lapina Schaffhausen Tomar café sozinho é normal, Mas nunca tem o gosto que teria A festa, o convívio, alegria Do contacto directo, pessoal! Na mesa do café são desfiadas As contas do rosário que nós temos E feridas da alma são saradas... Na mesa do café, o que dizemos Fica dentro das chávenas usadas, Só levamos p’ra casa o que queremos! Carlos Fragata - Sesimbra Fuzilaram a utopia “Este poeta exilado não para de sucumbir. As agruras do tempo dilaceram-no. Voltai-lhe o rosto para o berço natal para que ele exale o seu último suspiro.” Delmar Maia Gonçalves Quelimane/Moçambique Amigo Quantas vezes te vi só e não fui capaz de te amparar. Quantas vezes procuraste um abraço e eu não to soube dar. Perdoa-me meu amigo. Era cego, agora eu sei. Não notei que choravas. Não reparei nas lágrimas nem nos prelúdios de dor. Quando ausentaste as palavras não te soube escutar nos silêncios. Quando infeliz te refugiaste nas sombras da tristeza eu já não te alcancei. A noite desceu sobre ti. Secou os caudais que derramavas, só, nas longas noites de aflição. Encontrei-te então; mas mais não eras que um muro de solidão. E partiste. Partiste naquela viagem da qual não se consegue regressar. De que me servem agora os abraços que nunca te cheguei a dar? As lágrimas que derramo por não ter notado a tua aflição? Perdoa-me amigo. Era cego, agora eu sei. Desculpa-me pelas lágrimas que não te soube enxugar. Por todas as vezes que tu me disseste “fica” e eu abalei. Rogério Pires – Seixal Ontem Ontem, foi apenas mais um dia que passou Sem dar por isso, se dele não há lembrança Mas se dele alguma coisa nos ficou Que ela seja o alimentar duma esperança. Ontem, foi apenas mais uma pétala caída Que mal caiu foi levada pelo vento Dessa flor que retrata a nossa vida No seu mais permanente movimento. Para onde foi cada pétala desfolhada? Da frágil flor que ainda tem perfume Porquê ? O vento as levou sem dizer nada. Bem sei que nada vale o meu queixume Porque cada ontem, é memória mitigada Do breve tempo, a que a vida se resume !… Euclides Cavaco - Canadá FALSO OLHAR Mote Há quem use o seu olhar, Tão sabiamente estudado… Que basta um simples piscar, P’ra que alguém, fique enganado. (Alfredo Mendes) Glosa Já que a vida é traiçoeira Sempre pregando rasteira… Disposta a atrapalhar. P’ra saber o que fazer E se poder defender, Há quem use o seu olhar. Ensinou sua retina, E deu ordens à menina. Para olhar, mas com cuidado. Faz norma, do seu conceito! Por tudo ter sido feito: Tão sabiamente estudado. Não conhece impedimento. Nem tão pouco contratempo, Quando quer alguém tramar. Tem tanta genialidade, E tanta facilidade, Que basta um simples piscar. É um ser que fez carreira. Vivendo de trapaceira, Com o olhar bem afinado. É só um pestanejar, Fingindo cumprimentar P’ra que alguém, fique enganado. Alfredo dos Santos Mendes – Lagos

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Ecos Poéticos» 3 Jorge Humberto (especialmente para o meu irmão português Jorge Humberto) Tu sabes, Jorge Humberto, quando escreves, A verve que tu dás ao que tu crias Transforma-se em verdade e fantasias E quanto mais tu crias, mais te atreves. Diante do que vem da tua alma, As palmas que te dou, vão pr’a nobreza De um homem cuja fibra portuguesa Repousa no teu dom que envolve e acalma. Assim, amado irmão, quando tu voas. Sublimas a poesia que abençoas Pois cruzas a imensidão do mar E pousas no silêncio de um amigo Que faz do que tu dizes um abrigo Que busca, ao te ler, também voar. Luiz Poeta – RJ/BR celebro os anéis de neve que douram os dedos do riso... adormeço com as flores amadurecidas no estrelado desvão do poema..... celebro o canto abençoado dos pássaros vivos da lua.... ergo muros de silencio no palácio mítico das estrelas verdes que me beijam... saúdo o amanhã! Jorge Cortez - Suíça A um AMIGO que partiu.... JORGE SEQUERRA J orge és um amigo e o teu dom a comunicação O utrora nos fazias rir R ecordar-te será sempre um prazer para o coração J á era a tua hora de partir E ncantaste e agora nos encantas com um sorriso S audades que deixas, mas partes em glória E nquanto se escreve no livro da tua história Q uiz o Divino dar por fim a tua missão U m momento que faz parar o tempo E ntre espinhos e pedras és um herói com memória R ecebe estas palavras com o meu carinho R ecordar é viver teu nome Jorge Sequerra A gora mais uma estrela brilha sobre a Terra Joakim Santos - Portugal/Loures A CHEGADA Após muita demora Os minutos retiram Os teus pés nus No meio do barulho Das hélices do avião Imaginei os teus dedos A seguir pensei Por mil vezes pensei Na chegada em Angola Do nosso destino inesperado. Alice Palmira Brazavile/Lisboa ANINHAS E O PROFESSOR Fora chamada à lição, A ANINHAS ao professor, Uma rosa em botão, Já com sentido d’amor! AMAR, o verbo infinito, Foi o tema n’aquele dia, Por ser sempre mais bonito, O tal cheio d’harmonia! AMEI! Que tempo será --AMEI, a menina treme, --é o futuro que virá, Ou passado que tanto geme? --AMEI… Repete a menina --AMEI…apenas segreda… E diz com timidez divina, --AMEI é…coisa “azeda”! Corrige o velho gracioso, Com um sorriso talvez leigo, AMEI…o tempo gostoso, Ao coração fala meigo! AMEI é tempo que passa, E deixa muitas saudade, É cisma louca qu’esvoaça, Pelo tempo da mocidade! AMEI, palavra da sina, Que já vem de nossos pais, AMEI…. foi coisa divina, E que nunca volta mais! A ANINHAS pode jurar, Que viu—anotem por favor— Uma pura lágrima a bailar, Nos olhos do professor”! Nelson Fontes Belverde/Amora Só palavras podem julgar palavras Só o silêncio pode julgar o silêncio Só a ausência pode julgar a ausência Só o amor pode dar o amor… Fredy Ngola - Angola Pensamento Percorri o areal pensando em ti...deitei-me nele julgando sentir que ali havia algo que me falasse dos momentos que ali vivi...estremeci pensando ver a tua sombra num desconhecido que tinha os contornos do corpo iguais aos teus. Mas não eras tu. Fiquei sozinha amargurada, desesperada, embrenhada nos sonhos que eram só meus. Natália Parelho Fernandes – Portalegre

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» PLAGIADORES Há poetas que sabem enganar. Pois nasceram eternos fingidores! E fingem serem grandes escritores, Mas palavras de outros, vão buscar! Já dissera Pessoa, a versejar: Que chegava a fingir que suas dores, Das quais ia sentindo seus horrores, Eram dores, que fingia acreditar! Por isso muita gente anda a fingir, Que escreve nos poemas seu sentir, E orgulhoso os lê, à descarada! O seu fingir é forte, tem poder! Que consegue a si próprio fazer crer, Que não é poesia plagiada! Alfredo Mendes - Lagos SEI Sei de inchaços de satisfação Tão importantes na afirmação do ego. Sei de crostas, carapaças e conchas Tão desejadas na proteção contra o mal. Sei de discursos inflamados Tão retóricos, tão vazios, tão nulos. Sei de silvos agudos e finos Tão incomodativos como desejados. Sei de um contra-baixo desafinado Tão corajoso como desprezado. Sei de rios límpidos e transparentes Tão apreciados como preservados. Sei de mentiras ocas e vãs Tão utilizadas no dia a dia. Sei de traições e de mentiras feias Tão ignóbeis como odiosas. SEI… NÃO SEI… TALVEZ SAIBA… NÃO QUERO SABER… Rosa Branco – Cruz de Pau Quando faz frio Eu desafio O Sol ao amanhecer Para nos aquecer... E se ele não vem Não aquece ninguém Que desilusão Aquece tu meu coração. Senão, morro de frio... Autor Quelhas - Suíça ÍNDIA Vejo bandos garridos em algazarra, Enquanto risos vibram como ondas a crescer Em inconsciente consciente felicidade. Sinto venturas e desventuras Carregadas de destino Na arte de viver contente na fatalidade Do caos organizado, Cláxon, buzina em sinfonia. Insalubridade! Por perto anda mão de morte… Índia Brincas com diabos alojados no peito Num jogo de desespero e sofrimento. Comércio familiar sem impostos, Pimenta, caril, especiarias, muitos gostos. Teus medos são mais imaginados que reais. O destino não te esquece. Índia De dinastias guerreiras, mongóis, Muralhas e palácios de marajás, Eunucos e bailadeiras, Odaliscas, princesas e concubinas, Jardins e espelhos de água, Marajás, cítaras e bandolins. Índia Enorme, burros, carroças, macacos, Camelos, vacas sagradas famintas, Esqueléticas, respeitadas. Trabalho comprado em mercado, Povo apinhado, compactado, Enlatado, assim transportado, Conservas a chave mágica da alegria, Emerges da escuridão dos tempos. Solitário como um fantasma O poeta escreve pensares e sentimentos Enquanto longe, bem longe, Ecoam sinos no silêncio. Índia Profunda. Fantástico contraste, Surpresa de caleidoscópio. O futuro espera por ti! Índia, Índia, Índia. João Coelho dos Santos - Lisboa A salvação é só de Deus. Não há nela méritos meus. Por muito que me esforçasse, Não venceria o impasse. CMO – Qtª do Conde FILOSOFIA DA FELICIDADE Não chores coisas perdidas Preza o que tens p'ra vencer E sem lesares outras vidas Faz o que te dá prazer. Não lamentes o passado Estima o que vai surgindo Sem te mostrares revoltado Desfruta a vida sorrindo. Não revivas a tristeza que outrora te magoou Com a mesma natureza Esquece quem te deixou. Não antecipes as penas Que te possam causar dor Faz grandes, coisas pequenas Que têm p'ra ti valor. Não penses em quem te odeia Ama quem está contigo Não cobices coisa alheia Nem atraiçoes um amigo. Segue esta filosofia Escuta o que o sábio diz Vive em perfeita harmonia Luta para seres feliz !... Euclides Cavaco - Canadá A Criminosa Hierarquia… Os Grandes Criminosos -não sujam as mãos… (dão Ordens… pagam Ordens…) Os pequenos criminosos -são os peões… (cumprem ordens… furtam bens…) E quando as cenas correm mal ? -os pequenos criminosos (enchem as prisões… os hospitais…) -são torturados… -suportam as pressões (dos policiais… dos magistrados…) Santos Zoio - Paço de Arcos

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 5 «Bocage - O Nosso Patrono» TECENDO A POESIA Tecendo um belo manto de luar Qual véu de noivado de rainha Da branca espuma, véus de noivar O mar a murmurar em ladainha! Na dança dessas ondas a bailar.. A força dessas águas me detinha Enrolada nas algas do meu mar Ao meu porto de abrigo se avizinha! Neste porto de mar, os meus faróis Iluminaram como foram sóis Tecendo raios de luz no coração Perante este mar, a maresia… Nas minhas ondas cheias de Poesia O meu mar em constante ondulação! Maria José Fraqueza - Fuzeta Solidão Nos montados de perene folhagem, Triste, deixei um dia meu coração! Ainda hoje, ouço o grito da solidão, Naquela extensa e verde paisagem! Um grito de uma solidão diferente Da que hoje sinto, sem a esperança Que tinha nos caminhos de criança, Quando o sonho ainda era presente! Mas vida, é sucessão de momentos, As fontes de sorrisos e de lamentos Que nos abrem e fecham o coração... Ao abrir, entram o amor e a saudade, Ao fechar, e restringida a liberdade, Nasce então, a mais terrífica solidão! José Maria Caldeira – Fernão Ferro ...MUNDO Me aventurei pelo mundo Um livro aberto encontrei Nele pude na magia entrar Descobri a fonte do saber Onde só nos livros pode conter. Angelica Gouvea - Luminárias / BR O LADRÃO É MEU Estava a D. Luísa A ver a telenovela Quando um intruso Entrou pla sua janela… Destemida e com garra Lançou-se ao ladrão E num golpe de mestria Sentou-o no chão… E num golpe de mestria Sentou-o no chão…. QUERO O MEU LADRÃO QUERO O MEU LADRÃO (BIS) QUERO O MEU LADRÃO PORQUE O LADRÃO É MEU. Entre murros e apertos De enorme confusão A mulher esparregou-se Em cima do ladrão. Quando a polícia chegou Estavam deitados no chão D. Luísa em cuecas E o intruso sem calção. D. Luísa em cuecas E o intruso sem calção. QUERO O MEU LADRÃO QUERO O MEU LADRÃO (BIS) QUERO O MEU LADRÃO PORQUE O LADRÃO É MEU. Ao chegar à esquadra Falou com o comandante Que o ladrão lhe pertencia Pois foi ela a capturante. E até no tribunal D. Luísa ripostava O ladrão só era dela Que fossem todos à fava…. O ladrão só era dela Que fossem todos à fava. QUERO O MEU LADRÃO QUERO O MEU LADRÃO (BIS) QUERO O MEU LADRÃO PORQUE O LADRÃO É MEU. QUERO O MEU LADRÃO QUERO O MEU LADRÃO (BIS) QUERO O MEU LADRÃO PORQUE O LADRÃO É MEU. QUERO O MEU LADRÃO QUERO O MEU LADRÃO (BIS) QUERO O MEU LADRÃO PORQUE O LADRÃO É MEU. Letra: Joaquim Maneta Alhinho Interprete: Grupo Chave D’Ouro O MEU OUTRO EU Não sei quem és, nem sei se existes, O teu perfume me inebria. Vens sobre mim nas horas tristes, És meu alento e alegria, Chegaste e nunca partiste. Onde quer que eu vá, tu estás comigo, Tua presença me acalma, Nas noites frias, meu abrigo, És recanto da minha alma, Junto de ti, tudo consigo. Quando de mim mesmo me afasto, E o abismo se aproxima, Lá estas tu, meu doce emplastro, Qual anjo, pairando por cima, Como um luzeiro, ou um astro. Há dias que quando acordo Não dou por mim, desconheço, Eu penso mas não recordo, Tu lá estás, eu reconheço, Pegas-me ao colo, eu concordo. Não sei qual é o teu nome, Chamo-te força do bem, E se o desejo me consome, Sentir falta, sentir fome, Tua luz sobre mim vem. Passam horas, dias e anos, Amores, desamores, paixões, Quantas vezes nos desenganos, Nas alegrias e emoções, Me livraste de outros danos. Meu outro eu, anjo talvez, Houve um tempo em que eu te via, Desconheço tais porquês, A forte chuva caía, Deixei de te ver de vez. Telmo Montenegro - Arrentela In: À Esquina do Tempo Edição: Chiado Editora SERES ESPERANÇADOS Corpo embebido em cânticos Tornados fruto em noite ardente De silêncios feitos música Num dizer nunca renegado A alturas controlado Fizeram de nós Homens que somos E seres que seremos Infinitamente esperançados Rosa Branco – Cruz de Pau

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» Tu aí A ESSÊNCIA DA AMIZADE Tu aí! Que estás parado aí À espera que o futuro te venha buscar Para te livrar de ti Tu aí! Que andas sempre a pedir Aquilo que devias dar, a Deus Ao mundo aos outros e a ti. Ainda não viste nada e já o olhar te cansa Ainda nem sabes o universo que há em ti Sem movimento não haveria luz nem força Sem movimento nem haver havia aí Tu aí! Levante-te e sorri Olha que o futuro se faz caminhando E não ficando aí Anda lá Levanta-me esse olhar Anda a ver Gaia O Gaia que te espera, mas não espera por ti Ninguém se perde dizes tu tudo é caminho Ninguém se encontra digo eu sem caminhar O futuro não existe meu amigo Faz se futuro quando se começa a andar Paco Bandeira – Montemor-o-Novo A amizade… É a palavra mais terna, Que todos devemos soletrar. A amizade… É o gesto mais doce, Que todos devemos partilhar. A amizade… É a semente mais rica, Que todos devemos cultivar. A amizade… É o tesouro mais valioso, Que todos devemos procurar. A amizade… É a jóia mais preciosa, Que todos devemos preservar. A amizade… É o sentimento mais puro, Que todos devemos guardar. Luís da Mota Filipe Anços-Montelavar-Sintra Um Poema Soneto à Vida! A vida é d’uma tamanha singeleza, De tão simples ela se torna muito bela... Entretanto a nossa humana natureza, Nos pede a vida inteira p’ra aprende-la! E mesmo depois de irmos p’ra lá do Além, Aonde a natureza enfim se mostra e revela... Que a vida parida pela nossa Mãe, Tem no espírito uma saudade p’ra vivê-la! Quando eu me for ao final desta vida, Que Deus me deu de presente e condão... Quero que a minha Alma então perdida, Fique presa aqui na vida como um torrão, Da Terra Mãe que me deu esta guarida... Aonde repousará eternamente o meu coração! Silvino Potêncio – Natal/BR MEA CULPA Ah, se esta contrição tornasse leve As culpas de te haver ignorado Mas sabes tu, mulher, é este o fado De quem despreza o bem, e a quem o deve. Chamas-te tola porque idealizaste O que se pode querer de quem se ama; O fulgor do desejo, aquela chama Que, como é justo, tu sempre sonhaste. Mas nada foi secreto e eu senti Que perdera – imbecil - todos os créditos Ao ler no teu olhar tudo o que li. E se hoje já não ouves os meus éditos Não posso censurar-te, pois eu vi A desistência, nos teus ombros trépidos. Eugénio de Sá - Sintra Aderi ao bom cordel Como forma de poesia Eu não gostava de rimar Mas na nova euforia Aprendi com mestres bons Que me ensinaram os sons De minha nova moradia. Gilberto Nogueira Oliveira Baía / BR Longa caminhada Com os olhos postos no nada Andei ao sabor do vento Nesta longa caminhada Dei largas ao pensamento Com sete anos de idade O destino me marcou Não vivi a mocidade E a minha vida mudou Trabalhei logo em criança Assim foi a minha sina Não brinquei a minha infância Foi assim desde menina Mas nunca desisti Sempre de cabeça erguida Com tudo o que aprendi Fui enfrentando a vida Foi uma vida de dor Mas também de alegria No coração o amor Vivendo dia após dia Momentos que recordei Percorrendo o meu caminho Que por onde eu passei Dei amor e dei carinho O meu corpo á cansado Vai chegando ao fim da estrada Vivi um pouco o passado Com os olhos postos no nada Berta rodrigues - Vale Figueira Ano Novo Um feliz Ano Novo de 2017 Pleno de alegria e afeto!!! Pleno de calor humano, Fé! Espontaneidade... Beleza, Amizade... Poesia, Alegria, Paz, Verdade! Hospitalidade, Misericórdia, Honestidade!!!! O contrário da frieza … Do decreto!!! Filipe Papança - Lisboa Se a salvação é só de Deus, Nada valem recursos teus. O teu melhor é pecado. Deixa o teu meio de lado. CMO – Qtª do Conde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 7 «Bocage - O Nosso Patrono» EU COMIGO Cá estou eu de novo. Eu comigo. Comigo unicamente. Ausente inda que presente. Um querer sentir que me renovo Neste dar-me tão antigo! Cá estou de novo... noutro apertado nó Num diálogo sem inimigo Olho-me, sinto-me... e só Viajo no tempo e louvo O facto de ser eu o meu melhor amigo Mesmo quando me torno em meu próprio estorvo Lá estou eu de novo numa labiríntica encruzilhada Penso no que procuro e ainda não encontrei Tropeço e avanço neste acidentado caminho! Aturo-me, agrido-me, revolto-me... eu sei... Há dias em que o mundo é uma grande laranja vazia... sem nada E nele me refugio, só, comigo... gemendo em verso mas baixinho.. Mário Mata e Silva – Algés Da Precaridade do Tempo Se o tempo existisse, se fosse coisa real assim como a areia que escorre p’los dedos ou como o vento que nos agita os cabelos, se fosse grande como a luz que existe fora e dentro de nós, se o tempo não fosse uma fábula inventada por alguém sem talento p’ra se dar, amar, abraçar, caminhar de mãos dadas sentindo os respingos das ondas... talvez eu sentisse falta de tempo e o admitisse absoluto, verdadeiro e mágico. porém o tempo arde, não como incenso que se exala para o alto e nos eleva mas como fogo fátuo expelido dos gases provindos de esterco em putrefacção não tenho falta de tempo, não! o tempo é este momento em que te abraço e estou contigo em comunhão! Maria Petronilho - Almada Tela O jovem pintava numa tarde De primavera a sua amada, as gotículas que escapavam da tela eram lampejos de felicidades na atmosfera plúmbea. Divino Ângelo – MG/BR SEM INSPIRAÇÃO Quem não tem olhos sensíveis, Sentimento à flor da pele, Alma em comunhão universal E, coração pulsante, Torna-se sem inspiração. Não sente a brisa suave, O murmurar das ondas, A beleza do canto dos pássaros. Não percebe os tons de verde das matas, O colorido das flores, O sorriso inocente da criança, A ternura do olhar materno. O universo é celeiro para o poeta Que vê poesia na folha amarelada no outono, Na chuva que faz brotar a semente, No rio que corre sem jamais voltar ao ponto de partida. Sem inspiração é quem não sente O divino em casa partícula do universo. Isabel C S Vargas - Pelotas /RS/Brasil TEMPOS DOURADOS Tempos de sonho, em que a mente realça minha garota a flutuar na valsa sob os volteios de um amor sincero... E vinha o mambo, um fox caprichado, depois ao meu, seu rostinho colado, curtíamos um romântico bolero! Por sobre a anágua, a saia bem rodada, a cinturinha fina e modelada, como era bom rodopiar com ela... Meu terno justo, na medida exata, no colarinho a estupenda gravata e um perfumado cravo na lapela! Tempo em que haurimos as canções da mídia: “Besame Mucho”, “Dos Almas”, “Perfídia”, em suspirosos tons sentimentais! Hoje estou velho e fico aqui cerzindo rotos farrapos de um passado lindo que foi-se embora e que não volta mais! Humberto Rodrigues Neto - SP/BR Filipenses 1:13 De maneira que AS MINHAS PRISÕES EM CRISTO FORAM MANIFESTAS POR TODA A GUARDA PRETORIANA, e por todos os demais lugares. Manifesta a razão do que és. Isso não é para esconder. Deves ter este palmarés. Há tantos para desprender. CMO – Qtª do Conde

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» Poema sem tema definido Dizem que nascemos e crescemos e morremos Somos comandados por um Senhor Absoluto Ele, então, precisa ser misericordioso Mesmo com o livre arbítrio, não somos livres Desde o nascimento, nossa história vem entrelaçada A minha cruza com as viagens dos meus avós de Portugal para o Brasil Eles já partiram e pairam felizes nos braços da Virgem Mãe Eu e vocês são... ainda estamos na aventura da vida Que ela seja venturosa e possamos inaugurar todos os dias. Edson Gonçalves Ferreira Divinópolis, Brasil, 12.01.2017 Filipenses 1:27 Somente deveis portar-vos dignamente conforme o Evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, OUÇA ACERCA DE VÓS QUE ESTAIS NUM MESMO ESPÍRITO, COMBATENDO JUNTAMENTE COM O MESMO ÂNIMO PELA FÉ DO EVANGELHO. Quando o Evangelho vais pregar, Nunca deves desanimar. Muita alegria congrega Em todo aquele que o prega. CMO – Qtª do Conde Neva na minha rua N eva lentamente em flocos de algodão E ncantando minha incrédula visão V agarosamente pousa sob o alcatrão A foitando-se onde não é hábito, não... N eve, Deus, que presente maravilhoso A camando-se em tapete esplendoroso M acia branqueia a verde erva daninha I nimitável em sua dança sózinha... N amorando telhados, carros e beirais H abitando em espaços inusitados e mais A mando a terra em seus brandos ais.... R omântica debrua qual manto de arminho U ma rua, uma árvore, casa, um caminho A fagos com dedos frios, na face do menino Arlete Piedade - Santarém Ainda há esperança A nossa vida não acaba assim… Porque Deus nos deu O Salvador, Que na Cruz, com Seu sangue remidor, Do pecado nos lavou, a ti… a mim. Faz da esperança e fé, um trampolim, Sobe os degraus p’ro Céu. Pátria d’amor, És importante para o Criador: Não emudeças pois, ao Seu clarim. Somente crê, o milagre acontece, Pois aquele que crê, nunca perece, E em Cristo Jesus terá vitória. Aceita-O, louva-O, pois na Cruz Te transladou das trevas para a Luz, E à tua espera está, com o pai na Glória. Anabela Dias - Amora Pobreza Um dia eu fui bem pobre muito mais do que o sabia com o corpo todo em cobre mas a alma em agonia. Hoje me vem aos milhares a moeda que eu preciso; Nos rostos familiares a magia de um sorriso! Fecho os olhos e agradeço não só as bênçãos do Senhor, mas também cada tropeço. Tropeçando em pranto e dor assim hoje eu conheço a riqueza do amor. Ivanildo M. Gonçalves Volta Redonda/BR Escrever é o alívio d’alma. Lahnip – PT Fanatismo “Que tu és como Deus, Principio e Fim” Reflectindo medito mui silente Desde esse dia que te disse o Sim E a vida foi de brilho reluzente. Nasci de novo; neste mundo advim Tal qual astro maior, incandescente E personifico esse fogo em mim E o derramo em ti mui ternamente. Tudo no mundo é frágil e só tu Submerges com grandeza e muita graça Um ternurento ser, num mundo cru. No percurso do amor és uma luz Sem mal, teu carácter me seduz Como pomba da paz, por mim esvoaça. Maria Vitória Afonso – C. Pau / Amora CONSTRUÇÃO!!! O dia nem amanheceu E eles lá estão Na labuta que Deus lhes deu. São os operários da construção. No lusco fusco da manhã Eles pegam suas ferramentas Começam a trabalhar sem ham... ham... O dia será comprido e todos agüentam. Meio dia chegou que alegria Todos trazem suas marmitas No fogo do chão a comida chia. Depois do almoço Um pequeno descanso E voltam ao trabalho sem alvoroço. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Contos / Poemas» 9 Contracultura Deixemos o narcisismo, eliminemos a egolatria. Coloquemos um ponto final no gene egoísta. Busquemos a felicidade. Cultivemos ideias positivas. Plantemos flores. Pratiquemos a solidariedade, a gentileza, a empatia, a alegria, a boa nova. Pensemos na humanidade com sabedoria, deixando lições de bondade. Façamos dos bons os sobreviventes do tsunami Eu, que inospitamente difunde a desarmonia mundial. Acreditemos na raça humana, apostemos todas as fichas necessárias. Coloquemo-nos de forma consciente no lugar do outro, compartilhando da dor, da alegria, da paz, do medo, da vida e da morte. É chegada a hora, precisamos romper com o etnocentrismo, desenvolvendo uma “única cultura”; a cultura do amor. Ampliemos a nossa audição, a nossa visão; admiremos a beleza que nos circunda. Busquemos através da arte, da literatura, a evolução do ser, da moral, do intelecto. Lutemos em prol de um mundo melhor. Procuremos fazer a diferença. Unidos podemos vencer o sistema. Tenhamos compaixão daqueles que sofrem. Ressuscitemos os vários adágios de um planeta melhor. Proclamemos a arte de fazer o bem sem perguntar até quando. Conectemos espiritualmente com o universo. Utilizemos a telepatia, a espiritualidade para difundir fluídos positivos. Naturalmente façamos deste planeta um ambiente habitado por seres altruísta. Reeduquemos as nossas ações, atitudes e decisões perante a complexidade existencial. Valorizemos as pequenas coisas, pois são nelas que encontramos grandes lições. O equilíbrio do universo é o resultado dos nossos ecos. Dhiogo J. Caetano - Professor, jornalista. - Uruana, Go / BR Sugestão ao ministério da educação: A Inquisição devia ser um tema nuclear do curriculum escolar e constar como substancial nos manuais da História de Portugal. Não aparecer apenas como residual. Decerto se acertava mais na interpretação do passado e se perceberia melhor a continuidade. Os historiadores não podem continuar neste estado que permite ao Estado mandar dizer-lhes o que quer. A Inquisição foi a pior fonte de maldade de onde brotou só sofrimento. José Jacinto "Django" – Casal do Marco ALÉM DE MIM... Existe uma maçã verde caída no telhado. Um cachorro magro tentando viver neste espaço. Existe uma lagartixa comendo um lagarto. Grupos formados entre drogas, maçãs e abandonados. Existe um sonho de fera, fúria e fantasia. Um bolo sem festa caído na esquina. Um menino entre grades, poeiras e amigos. Sem sobrevivência. Sem referência... Quantas vidas perdidas, quanta gente sofrida, entre tantos animais que pastam no pascigo-planeta muitos... Além de mim... Maria Inês Simões - Bauru/SP/BR

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Contos / Poemas» ALGO DE NÓS DEIXAREMOS MAS, O QUE LEVAREMOS? Eis uma dúvida cruel, que com certeza é algo que muitas pessoas se perguntam, e a outros perguntam, ou seja, o que levaremos, e para onde iremos após nossa partida deste mundo. É uma dúvida pertinente. Muitos acreditam em vida após a morte, outros já acham que simplesmente ao pó retornaremos, pois foi dele que viemos. Tem aqueles que acreditam que iremos para o céu, outros temem o inferno ou o purgatório. O certo é que a dúvida existe. E é algo que na realidade depende de nós. De como estamos vivendo esta vida. Contudo, também temos que analisar o que levaremos conosco ainda antes da partida, pois claro que em nossa vida existiram, existem e existirão coisas pequenas e grandes, que levaremos conosco até o fim, e que dependerá do que fizemos durante nossa passagem. Existirão lembranças de fatos que sempre serão inesquecíveis para nós, acontecimentos que nos marcaram, e que mexeram com nossa existência, modificando-a em algum instante. Pode ser um fato corriqueiro, mas que acabou tendo influência em nosso comportamento. Talvez uma ajuda recebida, ou prestada. Enfim, algo cuja lembrança nos acompanhará, razão pela qual jamais deveremos desejar o mal para alguém, pois pensamentos e fatos negativos, serão más recordações. Não é agradável lembrar que fomos responsáveis pelo sofrimento de alguém. Certamente iremos colecionando essas coisas, sempre procurando colocar em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que mexeu com nossa existência, deixando alguma marca. Algumas, mais profundas, outras superficiais. Todas, contudo, significando algo. Meros detalhes que guardaremos conosco, pois apenas para nós serão importantes, embora envolvendo terceiros, já que estes, terão suas lembranças, e nós seremos apenas detalhes. Cada um com suas recordações, com seus erros e acertos, suas culpas e desculpas. Possivelmente o que foi bom para nós, não o foi para alguém. Por exemplo, aquele bom emprego que conseguimos. Para nós foi ótimo, mas para quem conosco competia, foi algo de muito negativo. Nessas recordações muitos fatos nos passarão pela lembrança, uma música, um livro, uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase, algo que lemos, que nos foi dito, ou que simplesmente vivemos num determinado momento que nos foi significativo, e assim, quantas vezes um raiar de sol, ou mesmo uma flor, uma pequena lembrança, ou uma palavra amiga num momento preciso nos trazem doces recordações. Até mesmo um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, aquele encontro casual, ou mesmo quando deliberadamente provocamos um desencontro, representam alguma mudança em nossa vida. São pequenos detalhes que poderão formar uma somatória de fatos a nos acompanhar para semprre. Aquela linda amizade que um dia tivemos, e que por razões diversas terminou, ou aquele sonho que foi realizado após muita luta, ou mesmo aquele que não o foi. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo, pequenos detalhes, "tantas coisinhas miúdas...", e que no momento passam despercebidas, mas depois, quantas recordações... Para sempre teremos na lembrança pessoas que foram muito queridas, ou não, mas ficarão guardadas dentro de nós. Algumas, porque nos dedicaram uma grande amizade, outras porque foram por nós amadas, ou que nos amaram. Outras ainda, por nos terem decepcionado. Mesmo aquelas cuja passagem foi muito rápida, mas que deixaram marcas profundas, porque plantaram dentro de nós algo de bom. Alguém que nos estendeu a mão quando outros nos empurravam. Alguém que modificou positivamente nossa vida. Alguém que soube nos aconselhar num momento difícil. Alguém que conseguiu deixar uma marca com um simples beijo no coração... Quando estivermos próximos ao fim, é que saberemos realmente a qualidade de vida que tivemos, pela quantidade de marcas que estivermos carregando, e o que elas nos representam, e em que sentido modificaram nossa vida. Será quando poderemos realmente avaliar o que fizemos em nossa passagem. Se espalhamos amizade ou inimizade. Se seremos lembrados com amor ou com rancor. Se deixamos alegrias ou tristezas. Se tivemos uma vida de vitórias ou derrotas. Se apenas vivemos de sonhos, ou se os realizamos. Claro que jamais seremos unanimidade. Haverá quem suspire saudoso, ou quem respire aliviado com nossa partida. Contudo, deveremos viver de maneira a deixar pelo menos, um saldo favorável. Que nossa partida deixe mais boas do que más lembranças. Que nossa coluna do "Deve e Haver" não apresente saldo negativo, pois essas serão as marcas que deixaremos neste mundo, ou seja, aquilo que fizemos… Para que isso aconteça, devemos encarar a vida de uma maneira positiva, evitando provocar discórdia, somente interferindo na vida alheia, quando formos solicitados, sempre tendo presente que cada pessoa tem ciúme de seu espaço pessoal, querendo que seja respeitado. Jamais poderemos pensar que apenas nós sabemos o que é o certo ou o errado, pois cada qual tem sua verdade pessoal. Respeitar, para ser respeitado. Amar para ser amado. São os princípios que devem nortear nossa vida. E se notarmos que alguém nos tenta prejudicar, o melhor é procurar se afastar, ao invés de procurar polemizar. Apenas entrando em alguma disputa, quando for inevitável, quando for caso de legítima defesa. L'Inconnu sempre nos deixa citações notáveis, como esta por exemplo: "Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossa vida de certa forma ainda está em nossas mãos. E se algo precisa ser mudado, que mudemos, sem hesitar." E com esse pensamento em mente, vamos viver de forma a que possamos fazer de cada dia, sempre UM LINDO DIA... Marcial Salaverry – SANTOS-SP-BRASIL

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 11 A ARVORE DA NOSSA VIDA Tempo de Fé AO PINHAL POETA GENIAL: Passam dias, passam anos... São tantos os desenganos Que vida por vezes dá... Tantos sonhos e esp'ranças Desejos, gostos, mudanças... Enquanto estamos por cá! Como será o futuro? A arvore e o fruto maduro... Bonita comparação... Como ela dá os seus frutos Uma troca de produtos... Base de sustentação! A arvore da nossa vida Também nos dá por medida Os filhos, a geração... Como um botão em flor Os frutos do nosso amor Plantados no coração! Que a arvore da nossa vida De folhagem revestida... Dá-nos sombra e ar puro Ao ver chegar meu outono Como a folha ao abandono... Ao recear o futuro... O futuro a Deus pertence E por mais que a gente pense Um dia alegre, outro triste Mantendo o amor e a Fè. As arvores morrem de pé E o ser humano resiste! Nessa nossa resistência Com mais fé e persistência Tendo Deus na sua lida... Esta arvore bem regada Cultivada, bem tratada... Será sempre Arvore da Vida De mim, o meu melhor sempre vos dou Amigos meus, de além e de aquém-mar Não sou ninguém, mas no pouco que sou Vós estais sempre em especial lugar E é com esse querer, com esse alento Que ao alcançar no tempo um tempo novo Pra vós guardei um terno pensamento E com ele rejúbilo, e nele eu me renovo; A minha fé, nos versos que vos dou Sem a tristeza que o tempo me deixou Deste ano que passou, tão pouco amado Aqui vos peço que esqueceis a mágoa E que nos olhos se vos seque a água Porque o que já passou é só passado! Eugénio de Sá - Sintra Anoitecer Anoitecer da Vida, não do dia Já que quis crer na eterna juventude Porém são de tristeza e nostalgia Momentos vagos a que a mente alude. Por caminhos rotineiros eu seguia Rumo ao futuro com muita atitude Meu percurso era de sonhos e magia Impulsos com a que a vida nos ilude. Despiciendos foram inócuos intentos Arrastada por não sensatos ventos Caí em mim. Topei minha ilusão. De mãos vazias espero o meu Fim Queria mesmo tão só fugir de mim Ou dar à vida outra construção Maria Fraqueza - Fuzeta Maria Vitória Afonso – C.Pau/Amora Findava Janeiro Janeiro finda com céu azul e de pequenas brancas nuvens decorado! O chão, verdeja e por entre as pedras da calçada. A semente exalta-se… Germina! Há uma ligeira brisa, vinda de Sudoeste, que faz as nuvens moverem-se e dividirem-se em pedaços que se voltam a unir e aparecer com nova configuração, um pouco mais a Sul. O Horizonte, breve, desenha-se para lá das fábricas, por caminhos que vão ter ao mar. As gaivotas vão e voltam e bailam, acalmando com o seu voo suave, a minha ansiedade. Relaxo, olhando o seu bailado, seu desenho doce e belo, seu perfeito visual, cinza e branco, branco e negro, ou todo branco, que exibem, decorando o meu lugar. Breves, muito breves, até fugazes, são muitas vezes as suas visitas, que me encantam. O arvoredo da encosta, desenha sombras que descem, se enlaçam e se confundem numa sombra única, que só a manhã desfaz. Ao lado, os prédios altos, hirtos e assimétricos, quebram seguros o vento de Noroeste, e eu, que mal respiro, mal me oiço, escuto os sons confusos da cidade, neste maravilhoso fim de tarde… É sol-posto! Felismina mealha - Lisboa Eis um acróstico feito Com carinho eleito, É, Pinhal, meu preito! Não sou “fan” dos acrósticos Afinal, este é bem especial Para o amigo PINHAL Aqui tens um acróstico cordial, Pra que recordes ela vida fora, O Nelson, não é só poeta, afinal Vê onde a inteligência mora! PINHAL, este acróstico há-de Lembrar-te esta máxima bonita: Uma longa e sincera amizade, É, cometa de cauda infinita! Pensei dedicar-te esta sextilha, Impregnado n’AMIZADE que brilha, Neste momento com grande afecto, Harmonioso, que reina entre nós, Auguro que seja o porta-voz, Luminoso de poeta completo! Pra que vejas, sintas, sou AMIGO, Intimo, e, vamos lá, já antigo Nosso conhecimento foi um facto, Honesto, que me orgulha, sim senhor, A tua maneira de ser neste teor Lealdade! Visão! Saber e tacto! Por isso este sugestivo acróstico, Insere, este sincero prognóstico: Nossa AMIZADE nasceu, culta Havemos de cultivar este sentimento, Amigo, oxalá que não o leve o vento, Lanço este repto, estou certo, resulta! Porque entre poetas existe isto. Imensa compreensão, nisto insisto Notabilizar sincero nossa poesia, Hábito meu que sabes verdadeiro, Assim, AMIGO, pugna pelo Mensageiro, Louros tens e muita pansofia! Na poesia as surpresas são imensas, Encontramos amigos com dif’renças, Leais, que nos orgulha por inteiro, Saliento isto aqui, com sinceridade, O PINHAL irradia pra todos AMIZADE, Nunca, AMIGO, deixes o Mensageiro! Nelson Fontes Carvalho - AMORA/Belverde OS AMORES DA LUA Lua em quarto crescente, Quem é que te faz crescer? De quarto em quarto andas sempre, Fecundada com a semente, Do Arco-íris ao nascer. Telmo Montenegro - Arrentela Pequeno excerto do poema: “Os Amores da Lua”

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ Antídoto Tardia confissão A Poesia, é a área da literatura menos apoiada. Por uns, é vista de revés, com desdém Por outros simplesmente ignorada. Neste mundo de gente amorfa Pelos escritos cor-de-rosa Pelos ocos e insípidos Programas das Tvs. , alienados Já não pensam. Têm medo de pensar Que devem começar A pensar. A Poesia tem o mesmo prazo de validade da Humanidade. Haverá sempre alguém que resista! Sempre alguém que diga não! Sempre alguém que baterá o pé e levantará a mão A este desprezo aniquilador A este jeito Castrador e exterminador A esta tentativa de destruição. Carmindo de Carvalho - Suíça Mote: Na mentira não me vejo, A falar ou a escrever. Eu sou pão-pão, queijo queijo, E feliz por assim ser. (Hermilo Grave) Glosa: Na mentira não me vejo, Só eu sei qual a razão. Não é por falta de ensejo, É por não ser aldrabão. A falar ou a escrever, A verdade é a bandeira Que ergo, pra convencer Quem mente por brincadeira. Eu sou pão-pão, queijo queijo, Não faço mal a ninguém. Quando morrer logo vejo, Como serei no além. No Estio Enchia de luz todo o Universo! De manhã bem cedo gritava redondo Espalhando raios que encandeavam, Pra lá da “Ventosa”, aonde o recordo… Era uma bola, imensa, de fogo! Caía impetuoso, sobre o restolho Daquele campo que criou o pão! Trazia sorrisos ao meu rosto jovem, Que o desafiava. Exalava essências de palha madura. Um cheiro forte a ouro e magarça… Uma mistura de vários aromas, Que a madrugada e a noite libertavam, E que eu aspirava em tempo de canícula Naquela planura de longes e silêncio… Que me criava! Felismina mealha - Lisboa Perdão, pelas tantas palavras que não disse Pela ternura que em mim sempre calei Mas tive medo que em mim se repetisse; A nímia mágoa que nunca te contei. Perdão, se me contive em verves evasivas Quando trocámos raras confidências Sempre hesitei em tornar mais precisas Confissões feitas de austeras valências, Pois tarde entendi que em nós renascia O sonho adolescente, quiçá uma utopia Que - deslumbrados - nos fez levitar ... E que ambos estremecemos, e calámos Como que confundidos, porque amámos As doces sensações de voltarmos a amar. Eugénio de Sá - Sintra SAUDADE A saudade chegou quando partiste E trouxe a solidão gelada e fria Feita flocos de neve, que persiste Tornando a madrugada tão sombria O luar transportou sentido e triste O silêncio da voz que se queria Mas, no sol que nasceu tu me sorriste Porém de olhos fechados para o dia Deixei teu nome esculpido de cobre Na pedra negra e dura que te encobre E da enorme paixão que te assolou Deixei em bronze um busto de corcel Sendo o teu companheiro mais fiel Na memória feliz que me ficou Maria Encarnação Alexandre (MEA) Santarém E feliz por assim ser, Digo de forma sentida. No escrever e no ler Procuro viver a vida. Enlevam-me as palavras! As palavras têm, para mim, a leveza do sopro de um beijo! É através das palavras que exprimo a linguagem mística de todos os cultos, e faço exaurir, do meu mundo interior, todo o frémito palpitante... Arménio Correia (A. C.) Seixal Filomena Gomes Camacho - Londres

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 13 Países sem amanhã Sob um sol de desejos sem limites. Sob o fogo da esperança que não morre. Vislumbra-se no ácido silêncio que se cala Fugazes exaltações, à descoberta da vida. Lentamente, os dias abrem as pálpebras, Sombras matinais; Desenrolam-se no escuro da indiferença e do medo, Sobre cidades agora desertas, Banhadas por rios de tristeza cor de sangue Numa atonia sem fim, Num universo globalizado na riqueza de poucos, e egoístas. Onde os senhores das guerras Esmagam povos indefesos Com o fogo dos céus. Arrasando cidades moribundas, Sem pétalas sem amanhã, Sem sonhos, e sem futuro. Países espezinhados; Pela gula da ambição iracunda, Onde a verdade secou, Nas cinzas e nos escombros, Algemada que foi a liberdade! Arménio L. F. Correia - Seixal Ave Sonhadora ave sonhadora que moras no meu peito divagas para lá do azul do céu entre as nuvens enoveladas que deixam vislumbrar o arco-íris levas a esperança a teu jeito sobre as árvores que a natureza deu buscas o alimento nas flores coradas no campo florido em tom perfeito ave sonhadora voando nas alturas no teu enlevo procuras abrigo desvias-te das torrentes de amarguras buscas na tua calma um amigo eu sonho contigo nesse espaço vou contigo num sonho irreal sobre as tuas asas atravesso o deserto rumo ao destino onde te enlaço Rosélia M G Martins – P.S. Adrião COINCIDÊNCIAS Vem a mim escultura Que sou escultor Vem a mim pintura Que sou pintor Vem a mim prosa Que sou prosador Vem a mim poesia Que sou poeta. Delmar Maia Gonçalves Quelimane/Moçambique DMG IN “Afrozambeziando Ninfas e Deusas” Menina Tu menina De cara engraçada Corpo de flor Tão pequenina Beleza deslumbrada Em lábios d’amor Como estais serena Como na madrugada Com Sol a despontar Como tenho pena Não conhecer o beijar Com boca cerrada Ficas alegre, ficas triste Penso no que existe Paixão que resiste Coração que persiste Dor mal-aventurada Figura que agrada Passa a cada instante É paixão delirante… Sossego de coisa amada Que se vê numa risada!... Carlos Alberto Varela Paços de Brandão/Viseu AS UVAS Tu lembras as uvas, em cachos, maduras, pendendo no muro pintado de antigo? Passaram-se os anos, mas sinto um abrigo na boca onde tive tamanhas doçuras. O outono bordava, com tons e venturas, o nosso refúgio sem porta ou postigo. Abria-se o tempo se estava contigo e o sol espreitava por entre molduras. Chegaram os ventos, trouxeram granizo, o muro tombou sem folhagem de aviso e as silvas cobriram as vides, depois. O inverno da vida tem dores e graças, mostrando que as uvas são doces, em passas e deixam sabor a saudade, nos dois. Glória Marreiros - Portimão A dor lI A dor, ela nos trás tristezas... No físico e no coração... E muitas vezes na alma também... Deixando-nos sem forças... E sem razão de viver... *** O porquê dessa dor tão frequente... ...no mundo inteiro! Que destrói a vontade E a razão de viver... E a maioria das pessoas... Por isso, só pensam em morrer! *** É a falta de amor, carinho e afeto! É a falta de luz no nosso... ...palmilhar! É falta de Jesus nos nossos corações! Que no ensinou a amar e perdoar. Vivaldo Terres – Itajaí / BR AGARRA 2017! -com toda a tua GARRA! -com toda a tua GENEROSIDADE! -com a tua Guitarra! -com a tua CRIATIVIDADE! AGARRA 2017! -É a tua ESPERANÇA! -É o teu FUTURO! -É a tua CRIANÇA! -É o teu Ser PURO! Santos Zoio - Lisboa

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ COMO ERA BOM! Como foi bom construir Bases para uma vida a dois Ter um ninho pra dividir Emoções do meu sentir Fascinado por dois “sóis” Como era bom dar colo Aos meus filhos adorados Dar-lhe mimos sem controlo E em troca ter o consolo De beijinhos, rebuçados Foi tão bom presenciar A darem os primeiros passos Para os poder amparar E sentir o seu bem-estar Aninhados nos meus braços Era bom vê-los nanar Sem sobressaltos e medos E até com eles brincar E também a partilhar O uso dos seus brinquedos Como era bom levar Os meus filhos ao jardim Era bom socializar Vê-los sorrir e saltar Correndo à volta de mim. Como era o meu dever Queria progressos na escola E ensinar-lhes a viver Com o que podiam ter Dentro da sua sacola Recordar esse passado É retroceder caminho Com os meus filhos ao lado Sinto-me recompensado Com afagos e carinho. (Versos dedicados ao meu filho Renato e à minha filha Lina) José Chilra (Tiago Neto) – Elvas TRAVESSA DA SÉ Meu destino terra longe Encontrei-o no seu escritório Sozinho na travessa da Sé Um homem sensível incapaz De matar alguém É capaz de ensinar O gesto da mão tocando a mesa. Alice Palmira – Brazzaville/Lisboa DESEJOS VÃOS Eu queria ser mar, A água que corre pelo rio... Eu queria ser o vento, O quente, o frio... Eu queria ser o pensamento, A paz, a eternidade… A luz do firmamento, O eco da saudade!... Eu queria ser o conselheiro amigo, Ser o último – não importa, Ou o primeiro! Eu queria ser a Paz Do mundo inteiro, Eu queria ser tudo E não ter nada!... ...Mas queria ser capaz De mudar este mundo cego e mudo Onde tantos nada têm E outros têm tudo!... Fernando Reis Costa - Coimbra MEU SOL, MINHA LUA Meu Sol, minha Lua, minha Ribeira, Ó terra/mãe, que me viste nascer! Distante… ai como sofre meu ser Saudoso de ti, amada primeira. Quisera aqui, o teu perfume, Flor! Desejo-o, ausente, sem cessar. Não tenho maneira de me alegrar Choro-te, cada dia, meu Amor. Voltarei, brevemente, ao teu seio. Viverei para sempre em teu meio, Recebendo teu calor, teu amor. Serei, então, feliz, junto a ti, Esquecendo o que longe senti Na custosa ausência, meu Amor. JGRBranquinho - "Zé do Monte" Lisboa ALÉM- MAR A simplificação da simplicidade é nunca chegar a horas e ir para casa, sem falta, nem reclamação. Mas, sabe que depois da porta, há muita exclusão. Logo, sai outra vez para se misturar com a multidão. E pronto.. as ruas não podem ficar sozinhas… tá no ir, a viagem desespera, as casas resistem, os residentes dormem, O viajante cumpre. Continua… Quando chegar, vai reparar…que o Mar continuou preso ao cais...afinal. Tem tempo, e as ondas sabem bem. José Jacinto “Django”. - Casal do Marco O Sol. Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada A salvação é, pois, de Deus, Feita pelo Senhor Jesus. Não sejas como os Fariseus, Rejeitando a única Luz. CMO – Qtª do Conde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 82 - Mar. / Abril 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 15 O CÉU Do céu escorre a ideia de eternidade O despontar para a eterna felicidade A iludir o momento derradeiro da partida Atenuando o triste ato da despedida Prometendo o que a matéria não aceita Espaço etéreo para toda a alma eleita. Ó céu que guardas mistérios por desvendar Mostra-nos os teus braços de abraçar Diz-nos que és composto de almas puras Que não há, no teu caminho, amarguras Que os anjos te habitam à nossa espera Que em ti, a nossa morte é primavera Não és o fim de tudo, o fim do fim Confirmando o prometido, és jardim! Maria Graça Melo - Lisboa Catorze versos. É um ser que s’afunda no meio dos patetas Desfolhando jornais pelo seu egoísmo E anda à deriva no meio dos poetas Raposa astuta…refina heroísmo Clássico! Satírico! Apraz-lhe soneto Alguém repara…lambendo este contorno Dupla análise e com falhas no carreto Consciências alugadas na dor de corno Escrita desmaia! Levada pela corrente Gozo fotográfico, num olhar demente Esboça no tempo, por sinais controversos Mensagem brilha se for bem condimentada Por uma atmosfera, bem climatizada… Num soneto a rimar de catorze versos A Cigarra e a Formiga Pinhal Dias (Lahnip) PT A Cigarra não trabalhou Ficou muito pobrezinha, Os seus desejos manejou Fez pouco da Formiguinha. Jorge Vicente - Suíça LEVA-ME CONTIGO Leva-me contigo por teus caminhos Onde o sol se põe no horizonte Dando lugar para a lua radiante Convidando-nos a trocar doces carinhos Leva-me contigo em teu aconchego De um terno e suave abraço frenesi Num confundir de mim em ti, Assim... sem culpas e sem medos Leva-me contigo ao teu ninho Onde o destino nos leva de mansinho Para nos aquecermos de todos os invernos Leva-me contigo até o nosso abrigo Onde reside o real paraíso prometido Quando esse tu-comigo, se fará eterno Maria Luiza Bonini - São Paulo/Brasil FERIDA ABERTA No fastio de eternidades há sangue solto no meu corpo a ferida apoquenta-me o pensamento na sua fragilidade de coisa viva em movimento. A marca vinca-se avermelhada na pele branca e suada do esforço por não senti-la. A esperança cativa de medos busca seu porto. Longe, de mãos tentaculares, sem dedos A teia descolorida e baça das minhas palavras procura asilo na vontade que foge. É quando ergo a rubra taça da minha verdade e saúdo os enganados como eu. Liliana Josué - Lisboa LÁGRIMAS DE PALAVRAS Sentada ... Observando o mundo !... Gente que circula ... Alguns sem destino ... Outros procurando ... Um rumo, um destino !.., Um conhecido !.., Talvez até um reencontro !... Um encontro ??? Sei lá !!!!.... Observo ... Reflito sem parar ... Escrevo e torno a pensar ... E as palavras ... Se soltam ... Não só da mente ... Mas do olhos !... Que estranho ... Como pensar tem tanta força !... Como o sentir ... Pode ser dor no momento ... Palavras que se soltam ... Pensamentos que doem ... Só porque a Primavera da Vida !... Foge ... Foge ... Por entre os finos dedos das mãos ... Qual balão nas mãos ... De uma criança !... Ficando apenas ... Lágrimas que se soltam em palavras !... Maria Margarida Moreira (MAGUI) - Sesimbra

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