Doroteias, nº129

 

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Boletim Informativo da Provincia Portuguesa das Irmãs Doroteias

Popular Pages


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Al. Linhas de Torres, 2 1750-146 LISBOA doroteiasnoticias@gmail.com Santa Paula em Viseu com as Irmãs mais idosas O Colégio do Sardão fez 138 anos! Irmã Fernanda Santos Troféu Português de Voluntariado Oração ecuménica na Figueira Feira do Coração no Colégio da Paz Instituto de S. José Vila do Conde fez 139 anos! Noite de Fados no Colégio do Parque Girassóis no Carnaval da Covilhã

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Dar Vida ao Cuidar… Foi o mote para os dois encontros de cuidadores realizados na Casa do Monte Moro, em Fátima, respetivamente a 8 e 15 de Fevereiro de 2017. No primeiro encontro estiveram 35 participantes e no segundo 37, sempre muito atentos e interessados às várias técnicas de comunicação utilizadas ao longo do dia. O tema, tratado pela psicóloga Dra. Diana Sousa, tinha um duplo atrativo: refletir sobre a maneira como acompanhamos as nossas Irmãs idosas e doentes, mas também refletir sobre o nosso próprio inevitável envelhecimento. Começámos por comentar um belíssimo quadro de Picasso intitulado “Ciência e Caridade” que retrata um doente acamado muito bem acompanhado pelo médico, os familiares e uma Irmã da Caridade. E até aprendemos nomes bonitos que são dados ao envelhecimento: idade crepuscular, entardecer, poente, cair do sol, Outono da vida, rio que chega ao mar, cume da montanha, idade da colheita… e porque não “antecâmara do Céu”… “abraço definitivo do Pai”… “nascimento para a Vida Eterna”… Também descobrimos imensas qualidades que deve ter um cuidador: carinho, amor, atenção, respeito, paciência, boa disposição, calma, domínio próprio, tempo e disponibilidade, sensibilidade para o sofrimento do outro, boa apresentação, tom de voz afável, firmeza e suavidade, tratamento personalizado, gostar do que faz, saber ouvir, ser positivo e ajudar, ter conhecimentos básicos e atualizados, ser próximo sem se aproximar demais, ajudar sem fazer, orientar sem conduzir, ser autêntico na relação com o outro… A terminar com “chave de ouro” tivemos um Power Point sobre os DEZ MANDAMENTOS DA PESSOA IDOSA, elaborados por uma conceituada médica, Juana Ódar de Núñes, e completados pela nossa Irmã Paula Agostinho com fotografias de Irmãs idosas “nossas” e pensamentos de Santa Paula. 1. Cuidarás da tua apresentação todos os dias. 2. Não te fecharás na tua casa nem no teu quarto. 3. Amarás o exercício físico como a ti mesma. 4. Evitarás atitudes e gestos de velha derrotada. 5. Não falarás da tua velhice nem te queixarás dos teus achaques. 6. Cultivarás o otimismo sobre todas as coisas. 7. Serás útil a ti mesma e aos outros. 8. Trabalharás com as tuas mãos e a tua mente. 9. Manterás vivas e cordiais as relações humanas. 10. Não pensarás que todo o tempo passado foi melhor. Ainda os Votos Perpétuos da Irmã Francisca “Antigamente, quando uma jovem queria dedicar a sua vida aos outros, tornava-se religiosa. Hoje, uma jovem que pretenda o mesmo vai à paróquia, integra-se no grupo de jovens, faz voluntariado... Mas haverá ainda espaço para a vocação consagrada? Claro, que sim. Na dimensão da oração e da profecia da vida religiosa. É esta dimensão que continua a atrair. Continuamos a ver mulheres, sozinhas, mas felizes. Abertas aos outros e a fazer o bem.” Foi com alegria que ouvi estas palavras ao professor Andrea Riccardi, durante o Capítulo Geral das Irmãs Doroteias, em Roma, em 2015, e por isso aqui as transcrevo. Estou, de facto, convencida de que é mesmo assim porque convivo diariamente com as Irmãs, em particular com a Irmã Francisca, e vejo que a dimensão da oração e da profecia é muito forte na vocação consagrada. Foi também com imensa alegria que assisti ao seu entusiasmo, durante quatro semanas, a passar em todas as turmas, do 5.º ao 12.º ano, para falar aos alunos da sua vocação e do passo importante que ia dar. Sempre pronta a dar o seu testemunho, a servir com simplicidade e muita energia! Os vários ensaios de cânticos também foram importantes para envolver a comunidade escolar, sendo que a eucaristia foi o ponto alto… um momento de grande beleza e serenidade na alegria profunda de testemunhar a “nossa” Francisca a confiar para sempre a sua vida ao Senhor. Obrigada, Irmã Francisca, por continuares a dar de graça o que recebeste de graça! Ana Isabel Santos

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Notícias da Casa Paula - Lisboa As últimas notícias que demos são de há dois meses, mas nestes que se seguiram, apesar de ser inverno com chuva e frio, não ficámos paradas. A vida continua e o desejo de a entregar é sempre grande. Visitámos a exposição dos avós na Obra Social Paulo VI em que foram elaboradas as árvores genealógicas das crianças desde os avós até elas. Uma beleza... E não foi menos beleza ver as crianças a empurrarem os carrinhos das Irmãs e a explicarem o que se ia vendo. Uma ternura; a criança e o adulto feito criança... Tomámos parte na campanha de Natal vivida pelas crianças do Paulo VI, elaborando e costurando saquinhos de pano para a recolha do "pão" que se há-de distribuir no Cuamato-Angola. Também tomámos parte na audição de fados realizada pelo Colégio do Parque com o mesmo objectivo. Ainda do Paulo VI recebemos com muita alegria e com o encanto do nosso capelão, que se preparava para o início da Missa, a surpresa dos meninos com as suas educadoras a virem cantar e oferecer filhós nas vésperas de Natal. São sempre uma ternura estes encontros... Na festa de Cristo-Rei, unimo-nos, num tempo de oração, à comunidade da Casa Provincial, que realizou uma celebração linda com o REIZINHO vestido a preceito e colocado no altar. Que saudades do tempo de noviciado!... A nossa casa, sempre aberta a todos, acolheu também as crianças da primeira comunhão da nossa Paróquia, com o pároco, numa preparação para a sua festa, e também os jovens do grupo do crisma do Colégio de Santa Doroteia, que vieram rezar connosco e cantar as Janeiras. Faziam-se acompanhar do seu professor de Religião e Moral. Recebemos ainda uma professora com alguns alunos do mesmo Colégio que nos vieram dar uma visão das dificuldades e anseios dos alunos. Preparámos uma mensagem de Advento para os que nos visitavam. "Carta de Jesus para ti" que na entrada da casa se pôs à disposição de todos. Não acabava a necessidade de mais fotocópias!… Os dias de anos das Irmãs são sempre dias de grande festa, pois a vida é o grande presente de Deus. Procuramos celebrá-la com encanto. Mas não nos limitámos a ações dentro de casa ou nos arredores. Fomos também ver a ornamentação das ruas de Lisboa na altura do Natal e visitámos o galo de Barcelos da escultora Joana Vasconcelos aproveitando para conhecer e reconhecer outros aspectos de Lisboa. Preparámos o Natal com a vivência da nossa amiga secreta, tendo-a presente na nossa oração e com pequenos gestos de presença escondida. Já depois do Natal, cantámos as Janeiras, em versão muito própria, à Casa Provincial, com os três Reis Magos vestidos a rigor, dois sentados nos seus carrinhos e o outro caminhando com as suas muletas. Convivemos e visitámos as comunidades vizinhas numa relação de amizade irmã. Tivemos dias de Deus com a visita da nossa Provincial a esta Comunidade. Tudo foi muito bom, e na hora da sua saída animou-nos com a avaliação que nos fez. Vivemos a alegria da vinda do Noviciado para Portugal e agradecemos ao Senhor tão grande graça. Colaborou-se na ornamentação da festa dos Votos da Irmã Francisca, e em matéria de ornamentação a nossa casa é sempre uma beleza em arranjos lindos e vistosos. Nos dias de retiro do mês temos vivido com alegria tudo o que a Província nos propõe e, na felicidade de dar a vida, vamo-la entregando na oração, no perdão e na amizade. Tivemos há poucos dias a recepção do Sacramento da Santa Unção para a qual o sacerdote fez uma preparação bonita e recolhida. Saímos a Fátima para tomar parte na acção de Formação preparada pela Província para os cuidadores das nossas Irmãs da terceira idade. Acompanharam-nos as nossas enfermeiras e empregadas. Vivemos com alegria na festa de Santa Doroteia, o regresso da nossa Irmã Nazaré à Comunidade de Vila do Conde e acompanhamo-la com a nossa oração. Agradecemos a Santa Paula esta presença de vida na nossa Província. Empenhámo-nos no Sínodo que o nosso Patriarcado está a viver e não deixámos passar em vão a Semana da Unidade em que tivemos um lindo Power Point sobre os seminários. Unindo-nos assim à Congregação, à Igreja e ao Mundo, vamos procurando dar a Vida até ao fim, querendo "viver felizes e fazer os outros felizes" como temos assinalado na nossa programação comunitária.

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Instituto de S. José – Vila do Conde 139º Aniversário No dia 15 de janeiro completaram-se 139 anos da fundação do Instituto de São José! A celebração desta data aconteceu na passada sexta-feira, dia 13. A comemoração iniciou-se pela manhã com um momento de oração na capela da Instituição. Com todas as Valências presentes, agradecemos a Jesus, a Maria, a José, a Santa Paula Frassinetti e aos nossos amigos com a seguinte oração cantada: Obrigado, JESUS, porque és meu amigo. Porque sempre comigo Tu estás a falar… Nas palavras amigas e nos gestos bondosos No abraço de paz, o amor estou a dar. Obrigado, MARIA, porque és minha amiga. Porque sempre comigo Tu estás a falar… Nas palavras amigas e nos gestos bondosos No abraço de paz, o amor estou a dar. Obrigado, JOSÉ, porque és meu amigo. Porque sempre comigo Tu estás a falar… Nas palavras amigas e nos gestos bondosos No abraço de paz, o amor estou a dar. Obrigado, PAULA, porque és minha amiga. Porque sempre comigo Tu estás a falar… Nas palavras amigas e nos gestos bondosos No abraço de paz, o amor estou a dar. Obrigado, AMIGOS, p’la vossa amizade. Porque sempre comigo vós estais a falar… Nas palavras amigas e nos gestos bondosos No abraço de paz, o amor estou a dar No final da oração, todos cantámos o hino do Instituto São José para este ano letivo: Pára, escuta, alegra… avança Sempre e em tudo, dá vida, dá esperança! Nesta escola o sonho é Aplaudir a vida com nossas ações Passo a passo vamos acreditar! Que unir corações tudo pode mudar! Dêmos vida às palavras A luz do mundo está a caminhar! Na natureza encontraremos paz E na amizade tudo se faz! Nos encontros vamos partilhar Escutar a voz que nos quer falar Toda a força está no nosso amar! A seguir, no espaço exterior, aconteceu um momento simbólico - a plantação de um freixo no jardim da Instituição. Todos sabemos do simbolismo que esta árvore representa para a missão das Irmãs Doroteias. Muitas Irmãs, Colaboradores e Crianças assistiram com enorme entusiasmo e felicidade. Após este momento, cantaram-se os parabéns e apagaram-se as velas pelos seus 139 anos! Todos os adultos presentes viveram este momento animados pelo desejo de continuar a educar ao modo de Santa Paula. Durante a tarde, também no espaço relvado da Instituição, demos vida a uma “escultura” com as iniciais do Instituto de São José. Convidámos toda a comunidade educativa (crianças, educadores/as, pais, mães e

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encarregados/as de educação) a preencher cada letra, colorindo-a com a cor que caracteriza a respetiva Valência da Instituição, usando para o efeito centenas de fitas em forma de laço, simbolizando a impor- tância da união de toda a comunidade educativa na missão educativa. Foi mais um Dia de Festa para nós, que marcou um percurso já longo desta Família Doroteia, em Vila do Conde, ao serviço da educação. Tiago Pinto Covilhã – Fundação Imaculada Conceição Festa dos Reis No dia 6 de janeiro comemorámos o Dia dos Reis com uma encenação: as crianças de várias salas representaram o Presépio e a chegada dos Reis Magos. Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. A sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade. Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. O seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza. A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para a preparação de medicamentos. Com esta Festa, as crianças conhecem melhor todo este bonito acontecimento que encerra as comemorações natalinas em todo o mundo. Dia do Elogio Celebrámos o Dia do Elogio, a 24 de janeiro. O elogio é uma ferramenta simples e, no entanto, poderosa para fortalecer relações! E para além de fazer a outra pessoa sentir-se bem, também é benéfico para quem elogia! Mas tem que ser um elogio sincero! Tudo isso porque acreditamos que um elogio sincero pode mudar o dia de alguém. E, assim, vai atrair a felicidade, que, por sua vez, vai ser distribuída com muito mais facilidade e naturalidade para todo mundo. Neste dia os pais e as crianças elogiaram a nossa instituição, demos elogios uns aos outros e aos pais e fizemos a árvore dos elogios. Esperamos que este dia se repita sempre, todos os dias! E você, já elogiou alguém hoje? Formação sobre o Tema do ano letivo Nos dias 7 e 8 de fevereiro, a Irmã Francisca Dias deslocou-se à Fundação Imaculada Conceição para iniciar uma das formações alusivas ao tema do ano letivo. Assim, divididas em dois grupos, as colaboradoras da Instituição puderam explorar e aprofundar o conceito de Amizade segundo Santa Paula Frassinetti e a força evangelicamente transformadora da Amizade. Agradecemos à Irmã Francisca a formação inspiradora que nos proporcionou e que nos ajuda a crescer e a viver o verdadeiro espírito da nossa Fundadora. Em Março a formação continuará com o Padre Henrique Rios e o sentido teológico/bíblico da Amizade. 5

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Carnaval Como já é tradição participámos no Corso de Carnaval da nossa cidade da Covilhã que todos os anos é organizado pelo Clube Nacional de Montanhismo. Este ano o tema escolhido foi a “Biodiversidade”. Sendo um tema bastante vasto, resolvemos vestir as nossas crianças com um símbolo muito nosso, o girassol. Com a ajuda preciosa dos pais, fizemos belo disfarce para mostrarmos a toda a cidade. É sempre um dia muito divertido dentro da Instituição. Todas as outras crianças, que não participaram no desfile, por serem muito pequeninas, tiveram um dia de folia com as mais diversas máscaras de carnaval. As crianças do A.T.L. tiveram o desfile delas na parte da manhã na escola, mas a diversão continuou durante a tarde, já aqui na Instituição. Lisboa – Externato do Parque No Externato do Parque, a Campanha de Advento a favor de Cuamato foi acarinhada por todos. Queremos que haja pão em Cuamato para saciar a fome dos meninos e jovens que ali vivem; por isso, vamos dar continuidade a este Projeto ao longo do ano. Tendo presente o que nos diz Santa Paula: “A caridade não faz empobrecer”. Com os mealheiros, quermesse e noite de fados conseguimos angariar 5 820,00€ (cinco mil oitocentos e vinte euros) dos quais 3 000,00€ já chegaram a Angola pela mão da Irmã São Ribeiro, pois, foi por ela que nos chegou este grito: “Aqui não há pão”. Com este gesto procuramos viver e lembrar o que Jesus nos diz: “Tive fome e deste-me de comer”; e “Tudo o que fizeres ao mais pequenino dos meus irmãos é a mim que o fazes”. Ecos da Noite de Fados no Externato do Parque, no dia 6 de janeiro Foi uma noite linda! Vivo há muitos anos no colégio e posso dizer que foi uma noite única. Jesus manifesta-se nestes gestos solidários. Foi EPIFANIA. Outras noites se vão seguir. O CUAMATO vai ter sempre farinha… Estes ecos vêm dos pais dos nossos meninos: …. Na noite de Reis, graças ao empenho e dedicação cuidadosa dos que ali trabalham e vivem, aconteceu uma verdadeira Festa de Amor. Revelou-se uma Noite de Fados, feita de muitos detalhes, de muitas aten- ções, um tempo feliz para todos. Todos estavam de coração cheio, com o propósito único de cuidar do outro, que necessita do nosso carinho e atenção. Estão de parabéns as Irmãs Doroteias, toda a comunidade educativa, os fadistas e todos os que possibilita- ram esta noite solidária. Em Cuamato poderão dizer agora: Aqui há pão! Ana Alves O Externato do Parque está de parabéns pela iniciativa de organizar uma noite de fados solidária em favor do projeto “Aqui não há pão!”. Durante as cerca de duas horas de espetáculo, além do calor das palmas (e que noite fria estava!) que ecoaram pelo ginásio, repleto de pais, avós, crianças e dos próprios colaboradores da Instituição, o que mais se sentiu foi a amizade entre os próprios fadistas e a alegria de quem está a dar o melhor que tem – o seu talento. Começando nas palavras lidas da carta da Irmã Conceição Ribeiro, passando à voz serena da apresentadora e terminando nos guitarristas e fadistas (amadores e profissionais), tudo contribuiu para que Cuamato tenha pão e a familiar plateia desfrutasse de uma noite extraordinária. Dizia António Pinto Bastos que estas iniciativas nos fazem “subir mais um degrau no caminho para a eternidade”. E é verdade! 6

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E, como festa com as Irmãs Doroteias é festa mesmo, concluímos a nossa noite, degustando uma deliciosa fatia de Bolo-Rei, acompanhada de um Porto, aos quais Santa Paula teria dito, se os tivesse saboreado: “BRAVO!”. Ana Isabel Santos A Amizade - o nosso começo... A Comunidade Educativa do Colégio teve um dia de formação sobre o início da fundação das Irmãs Doroteias. Tudo nasceu num clima de grande AMIZADE, Paula Frassinetti e um grupo de amigas. O Capítulo Geral das Irmãs veio fazer memória deste lindo começar. É neste espírito que queremos continuar a missão que nos é confiada, e assim transmitirmos este valor da Amizade aos nossos alunos. Ajudaram-nos nesta reflexão a Irmã Guida Ribeirinha e o P. Luís Onofre. Foi um dia vivido em clima de família e boa disposição com o propósito de construirmos entre todos uma sólida Amizade. Obrigada, Santa Paula, por tão lindo começo... Sábado, 21 de Janeiro - Festa da Palavra Celebrámos com muita alegria a Festa da Palavra. A Eucaristia foi presidida pelo P. Jorge Sena, S.J. Os alunos das três turmas do terceiro ano encenaram três passagens bíblicas: o chamamento de Mateus, Zaqueu e a Ovelha perdida. Foi um momento muito bonito e de grande interioridade. De seguida, a homília foi uma síntese do que tínhamos vivido e um apelo aos pais para caminharem com os filhos neste conhecer melhor Jesus para podermos viver co- mo Ele nos ensinou. Seguiu-se a outra parte da missa, que os meninos abrilhantaram com os cânticos, e antes da bênção final os pais foram entregar o Novo Testamento aos filhos. O sacerdote deu a bênção final, e todos saímos mais ricos com a interpelação da Palavra que queremos fazer vida. Todos estávamos muito felizes com esta linda Festa da Palavra. Colégio do Sardão Notícias breves Há notícias que já passaram e seria muito importante partilhá-las, mas o tempo voa, voa e não dá espaço para parar… Foi o caso da manta para aconchegar um amigo. Uma atividade muito vivida por pais e filhos. Chegaram-nos mantas trazidas de todas as famílias para levar aos sem-abrigo. Alguns alunos, sensibilizados pelos que nada têm, trouxeram mais do que uma manta. Saímos na noite de 19 de dezembro a entregá-las em Gaia e Porto e ainda sobraram algumas que enviámos para Lisboa. Foi uma campanha muito bem-sucedida. Vimos sorrisos nos lábios e no olhar pelos gestos tão simples, feitos por pequeninos que não tinham medo de se aproximar e entregar o seu presente. 7

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19 de Janeiro de 2017 – dia de anos do Colégio e já são muitos – 138! O dia iniciou com música na portaria, uma pequena oração da manhã feita nas respetivas turmas e a celebração da Eucaristia no fim da manhã, a agradecer a Deus por Santa Paula ter aceitado abrir este Colégio, onde tantas gerações de alunos já passaram e apreenderam, recebendo valores e educação esmerada. No final das aulas, fomos para o refeitório. Um grande bolo enchia a mesa. Depois de estarmos todos juntos, mais uma vez um pouco de silêncio e uma pequena oração a agradecer todo o bem realizado por todos quantos se têm empenhado em levar por diante obra tão sublime. No fim todos saíram a cantar o nosso hino. “Somos crianças felizes, somos uma vida em botão”. E este dia não poderia terminar sem um momento cultural onde se refletiu sobre a importância da música no desenvolvimento integral da criança. Dia 06 de fevereiro – dia “da apresentação” Como vem sendo habitual, fizemos a celebração da apresentação dos nossos pequeninos de 3 anos ao Senhor. Foi no fim da Eucaristia das 18.30h. Os pequeninos iam entrando pela mão dos pais e estavam presentes também os avós. Todos os meninos entravam com um ar de festa, porque a festa era deles e foi pensada para eles. Depois de uma breve saudação de boas-vindas a todos os presentes, feita pela Irmã Maria da Conceição, foi a vez de o Sacerdote fazer o acolhimento aos meninos. Estes reagiam com simplicidade e alegria como lhes é próprio. De seguida houve a leitura da Palavra de Deus, uma breve explicação da mesma, a imposição das mãos do sacerdote sobre a cabeça de cada um em sinal de bênção, uma oração de entrega a Maria, feita pelos Pais, e a entrega de uma vela, como sinal de acolhimento da luz que foi depois levada por cada um para sua casa para lembrar que ali deve ser dado um lugar especial a Jesus. Foi um momento de oração muito breve, mas muito cheio de sentido. Dia 23 de fevereiro – os pequenos agentes O Colégio virou esquadra de Polícia durante algum tempo. Os alunos do primeiro ano, numa atividade feita no âmbito da educação rodoviária, tornaram-se pequenos agentes. Foi muito bonito vê-los a interiorizar as palavras que haviam de dizer aos pais dos alunos, que iam chegando e a quem faziam auto-stop. Todos os Encarregados de Educação colaboraram, com gosto. Via-se espelhada, no rosto dos alunos, pais, e Agentes que vieram fazer a atividade com os alunos, a alegria de estarem a colaborar connosco nesta forma de educar para a vida futura. Colégio da Imaculada Conceição – Viseu No dia 15 de Janeiro, tivemos no Colégio mais um encontro da CIRP para os Religiosos de Viseu. Aproveitou-se a presença da Irmã Ângela de Fátima Coelho, da Congregação da Aliança de Santa Maria e Postuladora da Causa da Canonização dos Pastorinhos, que veio falar aos Sacerdotes da Diocese a 8

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propósito do Centenário das Aparições e também nos quis motivar para o "Acontecimento Fátima". Quase todas as nossas Irmãs participaram com muito interesse. No dia 21 de Janeiro, tivemos uma Ação de Formação para todo o Colégio, Irmãs e Leigos, emanada da Província sobre: “A Força Evangelicamente Transformadora da Amizade desde as Origens”. Foi dinamizada pela nossa Diretora Geral – Irmã Margarida Ribeirinha e por um Padre Vicentino de Viseu – Padre Álvaro Cunha. Foi um dia muito rico que nos lançou um grande desafio – sermos verdadeiramente transformadores através da verdadeira Amizade. Estiveram todos os Professores, Funcionários e grande número de Irmãs (todas as que se puderam deslocar ao Pavilhão do Farol!). O almoço foi servido no refeitório das Irmãs, o que levou a uma maior aproximação entre todos. Na Diocese de Viseu, deu-se início às comemorações do Ano Jubilar para a Família Vicentina. no dia 25 de janeiro. O convite dizia: “Completam-se em 2017 quatro séculos após S. Vicente de Paulo, animado de zelo apostólico, ter recebido a inspiração celeste que o chamava a fundar uma comunidade de missionários devotados à evangelização dos pobres e à formação espiritual, doutrinal e pastoral do clero. Graças à fecundidade apostólica dessa intuição fundacional viriam a nascer a Congregação da Missão, a Companhia das Filhas da Caridade e as numerosas instituições de serviço fraterno aos mais pobres e marginalizados, de que as Conferências Vicentinas são hoje uma das expressões sociais mais conhecidas. Celebramos, também, neste ano de 2017, os 300 anos da entrada em Portugal da Congregação da Missão (Padres Vicentinos)”. Várias Irmãs foram ao Convento de Orgens, a uma Eucaristia concelebrada pelo Sr. Bispo – D. Ilídio, com vários Sacerdotes Religiosos e Diocesanos e muitos membros da Família Vicentina. No fim houve uma merenda-convívio muito simpática. Ficámos a saber que existem cerca de 200 Instituições ligadas à “Família Vicentina”, oito das quais estão presentes em Portugal. No dia 2 de Fevereiro algumas Irmãs participaram na Eucaristia da Sé, e à noite num jantar convívio dos Consagrados, com a presença do nosso Bispo, na casa dos Missionários Combonianos. Estavam presentes 45 Consagrados. Iniciámos com a oração do Terço, seguindo-se a refeição em que D. Ilídio dirigiu algumas palavras aos Religiosos presentes. Iniciou-se a Reflexão dos nossos Alunos, por turmas. Este ano foi na Residência das Irmãs do Coração de Maria, que funciona como casa de espiritualidade. A primeira turma foi a do quinto ano, orientada pela nossa Irmã Anabela com duas Leigas. A seguir foram os Alunos do 6º ano, com a reflexão orientada pelas nossas Irmãs Paula Martins e Anabela Pereira e um Senhor que veio a acompanhá-las. Estes encontros são muito proveitosos para a formação da nossa gente. As várias turmas dos alunos do Colégio, orientados pela Irmã Alice Simões, que é Professora de Educação Religiosa de todos, já começaram a animar a Eucaristia dominical da nossa Capela. Mostram-se muito empenhados nesta preparação e vivência da Celebração, e os frequentadores da nossa Capela apreciam. Uma vez por semana, vêm duas Educadoras Sociais, a Marta e a Mariana, fazer uma bela terapia ocupacional com as nossas Irmãs idosas e doentes. E o resultado são trabalhos muito interessantes como: um presépio feito de copos de plástico, quebra-luz para candeeiros, mascarilhas de carnaval... e até já estão a recobrir uma fotografia de Santa Paula com bolinhas de papel machucado que ficou mesmo bonita! 9

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Figueira da Foz - Casa de Nossa Senhora do Rosário Semana da Unidade Como todos os anos, a Comunidade participou na oração ecuménica pela Unidade dos Cristãos que este ano teve lugar na Igreja de São Julião. Participaram entre outras, as Igrejas: Presbiteriana, Ortodoxa e Católica. A oração seguiu o esquema proposto, inspirado na queda do Muro de Berlim e dos muros que, dentro de nós, precisamos de derrubar para nos unirmos no essencial e darmos passos significativos rumo à Unidade. A divisão dos cristãos e a reconciliação que buscamos é representada pela construção e derrube de um muro. Isso pode ser um símbolo de esperança para qualquer situação em que a divisão parece insuperável. Assim, a construção de um muro simbólico na confissão dos pecados, a presença visível desse muro durante a proclamação da Palavra e, finalmente, o desmonte desse muro para formar uma cruz como símbolo de esperança, dão-nos coragem de abordar essas terríveis divisões e de superá-las com a ajuda de Deus. Após o Credo, são oferecidas quatro preces de intercessão. Depois de cada pedido, três pessoas acendem as suas velas a partir de uma fonte central de luz (um círio pascal, por exemplo) e permanecem de pé ao redor da cruz. Depois, as pessoas vão passando a luz pela assembleia até que cada participante tenha a sua vela acesa. A oração termina com a bênção e o envio. Comemoração do Dia Mundial do Doente No âmbito da celebração do Dia Mundial do Doente, as crianças do 1.º Ciclo visitaram doentes idosos da comunidade. Com elas levaram mensagens de carinho e amizade que alegraram quantos as receberam. Com esta ação procurámos sensibilizar os mais novos para a necessidade de cuidar e ajudar todas as pessoas doentes e viver um dos objetivos do nosso Projeto Educativo: despertar a atenção dos educandos para a realidade e procurar que, com a nossa colaboração, ela se torne mais digna e a relação humana mais próxima e, portanto, mais rica. Recordámos que a celebração do Dia Mundial do Doente foi instituída a 11 de fevereiro de 1992 pelo Papa João Paulo II. A escritora Ana Luísa Carrola na Casa Nossa Senhora do Rosário Na sequência dos acontecimentos deste mês contámos, sexta-feira, dia de 17 de fevereiro, com a presença da escritora Ana Luísa Carrola, na Casa Nossa Senhora do Rosário. As crianças do pré-escolar e as da escola tiveram a oportunidade de ouvir a autora dramatizar a história “O Feiticeiro das Cores”. Assim, conhecerem as personagens que nela entram: a Mia, o Camaleão e o Feiticeiro das Cores. Todos gostaram de ouvir contar esta história cheia de magia e cor e de descobrir inúmeras curiosidades sobre os camaleões. 10

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Na segunda-feira, dia 20 de Fevereiro, dinamizámos uma atividade em conjunto com a EAPN, que foi assim noticiada no Diário de Coimbra: 11

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Colégio de Nossa Senhora da Paz - Porto Feira do Coração Nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro decorreu, no Colégio da Paz, a já habitual Feira do Coração. A divulgação e dinamização da Feira ficaram a cargo dos alunos do 7.º ano, que procederam aos esclarecimentos sobre esta iniciativa e ao pedido da colaboração de todos, através de exposição às turmas, afixação de cartazes, apresentação no site e Facebook do Colégio. Em bancas montadas na portaria, decoradas a rigor, imensos artigos foram colocados à venda. Compotas, biscoitos, bolos, bijuteria e tantos outros produtos de acordo com os gostos e “talentos” de cada um, foram entregues pelos pais, alunos e funcionários da nossa instituição e contribuíram para o enorme sucesso desta Feira. Para além disso, as turmas do Jardim de Infância e do 1.º ciclo produziram artigos diversificados nas salas de aula para a Feira. A colaboração de toda a Comunidade Educativa não se restringiu apenas à doação de produtos feitos em casa ou à sua aquisição, mas passou também pela sua venda. Pais, alunos e professores estabeleceram uma escala e procederam à venda dos mesmos, criando um ambiente de grande animação, generosidade e solidariedade. Os lucros das vendas efetuadas revertem, todos os anos, para famílias carenciadas e instituições apoiadas pelo grupo de solidariedade do Colégio, Sementes da Paz. Parabéns, Irmã Fernanda Santos No dia 5 de dezembro de 2016, a nossa Irmã Fernanda recebeu o prémio de voluntariado em Carreira. No dia 16 de Janeiro deu uma entrevista à Rádio Renascença e no dia 15 de Janeiro apareceu na TVI num depoimento sobre os Leigos para o Desenvolvimento. Transcrevemos a entrevista da Rádio Renascença com o título: A esclerose lateral amiotrófica não pára a Irmã Fernanda Tem 69 anos e uma doença incapacitante, mas a vontade de ajudar os outros tem falado mais alto. Fazer voluntariado "dá saúde", diz a vencedora do Troféu Português do Voluntariado na categoria Carreira. Há 16 anos que Fernanda da Conceição de Figueiredo dos Santos ajuda, como voluntária, estudantes estrangeiros, dando explicações de Matemática. Uma dedicação reconhecida em Dezembro com o Troféu Português do Voluntariado. Antiga professora de Matemática em escolas públicas e privadas, Fernanda Figueiredo dos Santos, religiosa das Doroteias, teve de interromper a carreira docente por motivos de saúde. Mas não se deixou vencer pela doença: há 16 anos que dá apoio no estudo a estrangeiros, e não só, no Centro S. Pedro Claver, criado pelos Leigos para o Desenvolvimento no Lumiar, em Lisboa. Em entrevista à Renascença, fala da sua paixão pela educação e de como o voluntariado, que exige compromisso e profissionalismo, lhe tem permitido continuar a fazer o que gosta e “sair” de si mesma e dos seus problemas. 12

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Em Dezembro, recebeu o Troféu Português do Voluntariado na categoria Carreira. O que significou para si receber este prémio? O prémio não é o essencial, mas foi como que alguma coisa a dar valor ao meu trabalho, um trabalho gratuito e de voluntariado. Foi um reconhecimento importante do que aqui tem sido feito, nestes anos? Depois de ter saído daqui como professora no Colégio S. João de Brito, professora no Colégio de Santa Doroteia, uma das dificuldades do centro era a falta de voluntários para dar apoio na Matemática, como noutras disciplinas. Tenho a licenciatura em Matemática, então vim para aqui dar apoio na Matemática. Teve de deixar a profissão por motivos de saúde, a educação era a sua grande paixão. Fazer voluntariado nesta área foi também uma forma de não abandonar a docência? Exacto. Havia em mim uma inquietação interior, pois perante uma doença que me sobreveio, uma esclerose lateral amiotrófica, eu não posso estar a dar aulas porque tenho uns aparelhos nas pernas e tenho algumas dificuldades em estar com turmas grandes. Aqui estou com grupos pequeninos, escolho os horários com eles, na disponibilidade que eles têm e que eu tenho… Vem aqui quantas horas por semana? Vem todos os dias? Normalmente, venho de segunda a sexta-feira. Faço também voluntariado no Alto do Lumiar num centro de terceira idade, numa linha mais de dimensão espiritual. Uma vez dou uma hora e meia, outras vezes estou aqui das duas e meia até às 18h00. Não cometemos nenhuma inconfidência se dissermos que a irmã Fernanda tem neste momento 70 anos… Tenho 69… Desde os 50 e poucos que faz este voluntariado. Sim, sim, já estou a fazer voluntariado há uma série de anos. É muito útil, sabe, porque me ajuda a sair de mim mesma, dos meus problemas, das minhas dificuldades físicas e de saúde, e obriga-me a lutar para sair de casa, quer faça sol quer faça chuva, porque sei que tenho gente à espera e tenho gente a quem ajudar, e isso para mim é muito importante. Sente-se um exemplo para quem é mais velho e às vezes sente que não pode dar de si aos outros? [É possível ser voluntário] Seja em que idade for. É preciso uma certa paciência, uma certa amizade, um certo profissionalismo, uma certa capacidade de relação com os outros, sem dúvida. É necessário ir buscar estratégias diferentes conforme os alunos, mas há uma relação pessoal directa com cada um que é muito importante. O voluntário tem que se comprometer ao mesmo tempo e tem que haver um certo profissionalismo. É voluntariado, mas tem de ser encarado como se fosse uma profissão? Uma profissão, porque não é para vir para aqui entreter meninos, é ajudar estes jovens – simplesmente estamos aqui gratuitamente, não temos vencimento. É um trabalho que me dá muita alegria, eu sinto-me feliz aqui, porque estou a dar aquilo de que gosto: gosto de dar Matemática, estou a dar Matemática; como educadora, gosto de me dar e de me entregar, portanto é uma maneira de me sentir feliz. E até como Doroteia, sendo esta uma Congregação ligada ao ensino e aos mais frágeis, é também uma forma de estar como Irmã, como religiosa, na sua missão? Exacto. Eu estou numa missão de Doroteia, num dar a vida até ao fim e numa linha de gratuidade. Mas eles compensam muito mais do que se me fossem pagar em euros! Isto para mim é uma paixão, sinto-me ao serviço da educação integral da pessoa humana, porque com eles muitas vezes quando tenho só um aluno, surgem… “eu não fiz isto, porque lá em casa aconteceu isto”, e aquilo leva-nos numa conversa, numa relação pessoal e numa linha de interajuda. Eu saio daqui muito feliz porque pude ser útil, e isto é muito importante. E penso que toda a gente que faz voluntariado deve procurar um tipo de voluntariado que o satisfaça, que o anime e que o alegre, e que lhe dê sentido de vida. Ainda que isto imponha algum cansaço, obriga-nos sempre a andar em frente. E acho que todas as pessoas que têm dificuldades, ou que se reformaram, se não ficassem em casa, se viessem dar uma hora que fosse por semana era óptimo, porque ajudavam, estavam a ser úteis, sentiam-se muito mais potenciadas em seguida. 13

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Este Centro S. Pedro Claver, que pertence aos Leigos para o Desenvolvimento, foi criado em 1994 para apoiar os estudantes africanos que estavam em Portugal e tinham dificuldades. O leque dos que ajudam já se alargou? Já não são só africanos, nem são só dos PALOP. Outros são daqui, são portugueses e têm dificuldades e não têm hipótese de pagar explicações e nós damos aqui apoios. E há uma outra situação: alunos, por exemplo, aqui do Colégio S. João de Brito que necessitem de apoio, pagam uma mensalidade para que essa mensalidade reverta para os Leigos para o Desenvolvimento nas missões lá fora. Também dão cursos de Português para estrangeiros… Vêm aqui muitos e de todas as nacionalidades, russos, húngaros, tudo. Tudo o que vem, vem aqui ter, porque os Leigos para o Desenvolvimento remetem tudo para aqui, e há pelo menos duas professoras que dão imensos cursos a gente que quer aprender Português. E alguns vão aprendendo. Recordo-me de uma médica que veio para cá sem saber nada, aprendeu Português, depois fez uns exames e neste momento está integrada na saúde. Assinalámos no domingo o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Têm apoiado refugiados aqui? Sim, toda a gente que aparece. Os refugiados necessitam de aprender Português e vêm-se inscrever cá, para facilitar a sua integração no nosso país e conseguir trabalho. Nestes vários anos já ajudaram muitos estudantes. Têm tido muitos voluntários? Já tivemos mais voluntários do que temos hoje. Ajudámos muitos, muita gente já tirou cursos com os nossos apoios aqui. Tenho até uma aluna que está no Técnico ainda e que se veio oferecer aqui também como voluntária, porque diz que aqui a ajudaram muito e ela agora também quer ajudar os outros. Acho que isto é muito bonito. Outros que vão, tiram o seu curso, vão para Angola, vão para ali, comunicam a uns e a outros, “olha, há ali aquele centro em tal sítio”, eles vão comunicando e vão dizendo uns aos outros. Nós temos ainda muita procura de alunos, e precisávamos de muitos voluntários. Neste momento dão apoio a quantos alunos? Cento e tal, 180 e tal alunos. E são quantos voluntários? Vinte e qualquer coisa. Precisávamos de muitos mais. Quer continuar com este trabalho enquanto puder? Sim, enquanto puder, enquanto me puder deslocar, enquanto puder andar, enquanto tiver capacidades para isso, e a minha Congregação me disponibilizar para este trabalho apostólico, porque é um trabalho apostólico, pois com todo o gosto o faço. Dar a vida até ao fim, é o que importa, não é deixar a vida a meio! Como é que gostaria que as pessoas olhassem para este seu exemplo de dedicação? Olhe, como uma entrega, como uma paixão e como um agradecimento a Deus pelos dons que me deu. Desde os meus pais, que me deram um curso, às capacidades, à congregação que me despertou para o ensino integral da pessoa humana, que tudo isto é superior àquilo que nós damos. E a doença não é um obstáculo: quase me atrevo a dizer que este trabalho de voluntariado até dá saúde, na medida em que saímos de nós próprios, em que nos descentramos, estamos muito mais libertos e se estamos mais libertos, automaticamente estamos mais arejados por dentro e por fora, esquecemo-nos da doença. Temos mais saúde, somos mais felizes. Esta entrevista foi transmitida na segunda-feira, 16 de Janeiro, às 12h00, no espaço dedicado às notícias de âmbito social e da vida da Igreja Ângela Roque PORQUÊ?... No decorrer do Colóquio sobre os 150 anos da nossa Província, em Fátima, os conferencistas – ao daremse conta de que, no difícil 3.º quartel do séc. XIX, Paula enviou as suas religiosas para o Brasil e Portugal – quase que nos intimaram a estudar o conhecimento que ela teria da situação política dos referidos países, conhecimento que a teria levado a elegê-los para a expansão missionária do seu Instituto. Porquê elegê-los e não outros? Quanto podemos concluir, a partir da documentação histórica que possuímos, Paula não tinha um conhecimento, pelo menos alargado, da situação política dos mesmos. Teve, sim, o conhecimento do estado de 14

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abandono, da inexistência de acompanhamento espiritual, principalmente para a camada juvenil – através de escolas, catequese, etc. – da sociedade de então, quer no Brasil, quer em Portugal. Conhecimento de Portugal, pelos vários pedidos feitos pelos Padres João e Francisco Grainha, da Covilhã, a partir de 1863, inclusive após um encontro com Paula, em Roma. E ainda pela solicitação do Padre Francisco Fulconis, da Companhia de Jesus, em 1865, para a abertura de um Colégio em Lisboa. Conhecimento do Brasil-Recife, através do Padre Manuel de Medeiros, futuro Bispo de Pernambuco, que, em 1865, tendo lido um opúsculo sobre a Pia Obra de Santa Doroteia, não descansou enquanto não se encontrou com Paula, apresentando-lhe pessoalmente as enormes carências da sua futura Diocese. Todos tinham tocado na ‘mola’ sensível de Paula: o seu imenso ardor apostólico; a sua paixão de educar; o seu imenso amor às crianças, “«almas resgatadas pelo sangue de Cristo… depósito sagrado que nos é confiado» (Const.1851, n.º 278-2.º; 252); o seu amor à juventude, ameaçada, que era preciso salvar «o mais que pudermos» (Carta 302, 4). Ainda relativamente à escolha de Portugal, conforme lhe foi sugerido, pela possibilidade de adquirir ‘boas vocações’ para o Instituto e pela maior facilidade de comunicação com as Irmãs no Brasil: «O bom P. Gil diz-me que uma casa em Lisboa seria muito útil para nós, primeiramente para termos boas vocações, e depois pela fácil comunicação com as de Pernambuco (Carta 244,2). O conhecimento da vontade de Deus – através de todos estes acontecimentos, consulta, oração – eis o motivo que a levou a esta ‘divina aventura’, que foi um verdadeiro mergulho no desconhecido… Irmã Diana Barbosa Ousar permanecer na fraqueza Deus opera e revela-se na nossa história ferida, dizia no artigo anterior, mas a maior parte de nós, ficamos inquietos, mesmo desamparados assim que a nossa fraqueza faz a sua aparição. Alguns optam pela fuga, outros colocam uma máscara de perfeição. Conhecemos a nossa fraqueza, mas desconhecemos como tratá-la. Ela fere, inconscientemente, a imagem ideal de nós mesmos que sempre trazemos connosco. Pensamos, espontaneamente, que a santidade se deve procurar no sentido contrário ao do pecado e contamos com Deus para que o seu amor nos livre da fraqueza e do mal e nos permita, deste modo, alcançar a santidade. Não é assim que Deus age connosco. A santidade não se encontra no oposto à tentação, mas no interior dela, não nos espera fora da fraqueza mas no seu próprio seio. Precisamos, então, de aprender a permanecer na nossa fraqueza, mas armados de uma fé profunda; aceitar ficar expostos à fraqueza ao mesmo tempo que abandonados à misericórdia de Deus. É unicamente na nossa fraqueza que somos vulneráveis ao amor de Deus e ao seu poder. Permanecer na tentação e na fraqueza, é essa a única via para entrar em contacto com a graça e para nos convertermos em milagre da misericórdia de Deus. Paulo experimentou-o quando pediu a Deus que lhe tirasse o “espinho da carne” e teve como resposta: ”Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o poder” (2Cor 12,9). Paulo não é poupado à tentação, porque lhe é mais proveitoso permanecer nela, a fim de aprender que a força de Deus é capaz de atuar no seio da fraqueza. Nem a força de Paulo nem a sua vitória pessoal têm importância neste processo, mas unicamente a sua perseverança na tentação e, ao mesmo tempo, na graça. A escritura não nos diz como sair daqui para amar o nosso Deus, ensina-nos, pelo contrário, a experimentar que Deus nos ama nesta situação. Também a nós, basta a graça. A graça não vem juntar-se à nossa força ou à nossa virtude, mas somente à nossa fraqueza. Ela é o lugar abençoado em que a graça de Jesus pode surpreender-nos e invadir-nos. Podemos aprender a sabedoria do permanecer com as mulheres que estão de pé junto à cruz (cf Jo 19,25), quando tudo está perdido. Porque permanecem lá? Porque teimam em ficar diante de uma situação sem esperança? Será precisamente este “estar” na cena do negativo que permitirá a Maria de Magdala ouvir o anúncio da ressurreição (cf Jo 20,11-18). É justamente a partir daquele terreno de morte que a semente fará germinar a vida. Precisamos de pedir a graça da conversão e converter-se não quer dizer deixar de pecar, mas experimentar o amor de Deus no nosso pecado. (Cfr. Ao ritmo do absoluto, André Louf, ed.A.O. O elogio da imperfeição, Paolo Scquizzato,Paulinas) Irmã Goreti Faneca, ssd 15

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