Jornal Empresários - Fevereiro - 2017

 

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FOTO: ARQUIVO JE Estágio amplia as oportunidades para o primeiro emprego Especialistas aconselham os jovens a se preocupar desde cedo com treinamentos específicos na área que desejam atuar. Página 10 FOTO: ARQUIVO JE Sebrae aponta saídas para dificuldades geradas pela crise Até o mês de março, o órgão estará orientando sobre dívidas tributárias e bancárias às micro e pequenas empresas. Página 11 ANO XVII - Nº 206 www.jornalempresarios.com.br ® do Espírito Santo FEVEREIRO DE 2017 - R$ 4,50 FOTO: BETO MORAIS / ARQUIVO SECOM O resgate dos jovens O programa de Ocupação Social alcança jovens de bairros com elevada vulnerabilidade social . Páginas 14 e 15 Carnaval movimenta mais de R$ 18 milhões Em Vitória, o Carnaval gera empregos diretos e indiretos e aquece o comércio. Página 13

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2 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS EXPEDIENTE Nova Editora – Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda. CNPJ: 09.164.960/0001-61 Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A- Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Diretor Executivo: Marcelo Luiz Rossoni Faria E-mail: rossoni@vitorianews.com.br Jornal Empresários® Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A, Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Telefone: PABX (27) 3224=5198 E-mail: jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Diretor Responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 15 Reportagem Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 14 e 17 Fotos Antonio Moreira Diagramação Liliane Bragatto Colunistas Antônio Delfim Netto Jane Mary de Abreu Eustáquio Palhares Luiz de Almeida Marins Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 11 Circulação Fabrício Costa Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 18 Venda avulsa R$4,50 o exemplar Edições anteriores R$ 9,00 o exemplar Assinatura anual R$ 108,00 Contabilidade Jeanne Martins Site www.jornalempresarios.com.br E-mail jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal. EDITORIAL Por que temer o desemprego? Odesempenho do Brasil no Fórum Econômico Mundial deste ano, realizado em janeiro em Davos, na Suíça, serve de exemplo para demonstrar que a situação do País vai mal. Os representantes brasileiros tiveram papel secundário na maior vitrine do mundo capitalista, essencial para o fechamento de parcerias comerciais que garantam o chamado desenvolvimento econômico, ao contrário de anos anteriores. Além da insegurança gerada pela situação política do País, os investidores estrangeiros focam no contingente de 22,9 milhões de brasileiros que ficaram sem trabalho, equivalente a 21,2% da população em idade produtiva no Brasil, ao longo do terceiro trimestre, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo analistas, os acordos firmados com grandes corporações, especialmente na área petrolífera, não serão capazes de mudar o quadro, que necessita de ferramentas com conteúdo local. Segundo o IBGE, o desemprego subiu em todas as regiões do Brasil, com exceção da Região Sul, que passou de 8% para 7,9%. No Norte, o avanço do desemprego passou de 11,2% para 11,4%, Sudeste o de 11,7% para 12,3%, no Nordeste, avanço foi de 13,2% para 14,1% e no Centro-Oeste o índice passou de 9,7% para 10%. De acordo com a pesquisa, a taxa de subutilização da força de trabalho, que engloba a taxa de desemprego, a taxa de desemprego por insuficiência de horas trabalhadas e a força de trabalho potencial, já havia sido elevada e no segundo semestre de 2016, alcançando 20,9% da força de trabalho Por sua vez, a Organização Internacional do Trabalho, a OIT, divulgou relatório em janeiro deste ano apontando o Brasil como o país do desemprego em 2017. Em termos absolutos, o Brasil terá a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo, superado apenas pela China e Índia. Na China, a OIT prevê que o número subirá de 37,3 milhões para 37,6 milhões em 2016. Já na Índia, de 17,7 milhões para 17,8 milhões. As mesmas previsões negativas são feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os analistas encaram a situação como resultante da crise política iniciada no final de 2015, com a eleição da presidente Dilma Rousseff, que se transformou em crise econômica em consequência do fechamento de empresas de porte, responsáveis por grandes obras que se encontram paralisadas. Os reflexos são imensos e atingem um número bastante elevado de forne- cedores, consumidores de seus produtos e a população em geral. Os dados da pesquisa do IBGE são assustadores e se referem ao mandato do presidente Temer. Eles complementam a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-Contínua), que já havia apontado que a taxa de desemprego aberto bateu em 11,8% da População Economicamente Ativa, totalizando 12 milhões de pessoas. Mais dramática é a situação dos desempregados que deixaram de procurar emprego e mergulham em um conformismo preocupante. Segundo o estudo, muitas pessoas têm deixado de procurar emprego porque a busca diária não compensa os gastos com transporte, alimentação fora de casa e outros custos. A situação atinge, em cheio, a Previdência Social, em vias de sofrer significativas e aguardadas alterações, que poderão pelo menos diminuir o anunciado rombo em suas finanças. Como o desemprego reduz a folha de salários, o setor previdenciário deixa de arrecadar por ano, segundo analistas, mais de R$ 270 bilhões. Acrescente-se a esse dado a soma das sonegações, que alcança somas estratosféricas. Um dado chama a atenção nesse cenário sombrio: o aumento de desemprego afeta principalmente a camada mais jovem de trabalhado- res. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de análise em cima de dados do IBGE e do Ministério do Trabalho, o desemprego de brasileiros com idades entre 14 e 24 anos passou de 16,8% para 26,7%. Na faixa entre 25 e 59 anos, a fatia de desocupados subiu de 5,2% para 9,1% entre o primeiro trimestre de 2014 e o segundo de 2016. Entre as pessoas com mais de 59 anos, ela cresceu de 2% para 4,7%. O maior número de vagas perdidas foi levantado no Nordeste, entre as mulheres, as pessoas que não são chefes de família, com ensino médio incompleto, e nas regiões metropolitanas. As taxas recordes de desempregados geram descrédito sobre as medidas adotadas até agora pela equipe econômica do presidente Temer, apesar do tom otimista do noticiário. Na realidade, o cenário é de apreensão, especialmente quando se observa uma elevação das tensões sociais, que poderá resultar em movimentos populares reivindicatórios. Com os novos comandos do Congresso Nacional, alinhados com o governo central, espera-se que a situação possa ser normalizada ao longo deste ano, Por enquanto, o País sofre e perde a capacidade de gerar emprego e renda e para de seguir em frente. ■ LUIZ MARINS Dos efeitos não-lineares da valorização estética Um dos mais importantes estudos da antropologia é o da “estética”. Os valores estéticos são considerados de suma importância para o ser humano. Assim, uma guerra só tem início depois que todos os guerreiros da tribo fizeram todas as cerimônias e pinturas corporais e colocaram os adereços próprios da arte plumária. Sem a cerimônia estética da dança, da arte rupestre, da pintura corporal, da arte plumária a guerra não pode começar. Modernamente vimos também os chamados “caras-pintadas” – jovens protestando – com pinturas nos rostos simbolizando sua condição guerreira, tal qual os indígenas norte-americanos. Transpondo esses estudos para o mundo empresarial temos uma realidade semelhante, com efeitos similares. Uma empresa malcuidada, suja, escura, com pessoas mal vestidas, terá baixa qualidade de produtos e serviços. As pessoas “respondem” ao meio-ambiente. Da mesma forma, uma empresa limpa, bonita, clara, iluminada, com mobiliário adequado, ar condicionado, plantas, etc. produz colaboradores preocupados com qualidade. O medíocre considera a valorização estética uma perda de dinheiro, uma perfumaria desnecessária. A ignorância só consegue enxergar o conteúdo e não compreende o valor do continente. O metrô de São Paulo é um exemplo emblemático dos efeitos nãolineares da valorização estética. No metrô nada pode ficar quebrado por muito tempo. Qualquer aparelho ou equipamento danificado é consertado ou é retirado do local dentro do menor tempo possível. O resultado é que o mesmo povo que destrói os orelhões, quebra os bancos das praças e emporcalha as ruas de São Paulo, protege o metrô que é considerado um dos mais bem cuidados, limpos e eficientes do mundo. Como explicar? São milhares de usuários que diariamente “conservam” o metrô, porque dele sentem orgulho. Depredam os ônibus e protegem o metrô! A valorização estética aumenta a autoestima das pessoas. Trabalhar num ambiente bonito, limpo, climatizado, com pessoas bem vestidas, perfumadas, etc., faz o homem sentir-se mais humano. Todos estamos buscando desesperadamente melhor qualidade de vida. E não há nenhuma dúvida de que a qualidade de vida para o ser humano passa necessariamente pela valorização estética. Um dos maiores exemplos dos efeitos não-lineares da valorização estética em urbanismo é a cidade de Curitiba. A partir da valorização es- tética da cidade, o então prefeito Jaime Lerner conseguiu fazer de Curitiba uma outra cidade. Atraiu um novo polo automobilístico, fez da cidade uma das mais belas e admiradas cidades da América Latina por sua qualidade de vida e equipamentos urbanos de qualidade. E tudo começou pela valorização estética. Como nas cidades, a mesma realidade precisa ser compreendida para a empresa. E a valorização estética na empresa ultrapassa os limites do ambiente físico e deve abranger a ética, as boas maneiras, a polidez, atingindo aspectos de valorização da cultura, da educação, das artes, da música. Um dos grandes exemplos mundiais da valorização estética e sua importância para o sucesso empresarial é a Disney. A atenção aos detalhes na valorização estética em tudo é um dos pontos fundamentais da fórmula do sucesso Disney. É preciso compreender que a valorização estética não é dinheiro jogado fora. É investimento! Ela traz – e somente ela poderá trazer de volta – a autoestima necessária para nossos funcionários, nossos clientes e trazer até efeitos incrivelmente benéficos para a nossa marca. E belo não significa necessariamente caro. Belo não significa supérfluo. Pelo contrário, a valorização estética aumentando a nossa autoestima, au- menta o nosso comprometimento com a empresa, aumenta o nosso prazer em trabalhar e viver e o nosso orgulho em representar uma marca e pertencer a uma empresa que compreende a importância da valorização estética, do belo, do bom e do que nos faz seres humanos. Você empresário, pense nos detalhes estéticos da sua empresa. Não estará a sua empresa embrutecida pelo descuido dos detalhes estéticos? Como estão os jardins? Como está a pintura? As cores são alegres, induzem limpeza? O ambiente interno é agradável? Os veículos são limpos e cuidados? Como é a iluminação interna e externa? Os ambientes são claros, bem iluminados? O café é bom? As xícaras são bonitas? Os móveis são confortáveis e de qualidade? Como é o refeitório dos funcionários? E como são os banheiros? Os luminosos da fachada estão com todas as lâmpadas acesas? Estão limpos? Como as pessoas se trajam? Existe um “dress-code”? Faça você mesmo o seu check list e lembre-se da importância dos efeitos não-lineares da valorização estética para o ser humano, para as cidades e para as empresas. Pense nisso. Sucesso! ■ Luiz Marins é antropólogo e escritor contato@marins.com.br

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4 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS JANE MARY DE ABREU Bom dia seu Germano! Você já reparou uma coisa? Quando uma pessoa está muito feliz, naturalmente ela é mais compassiva, tolerante e bem humorada. Dificilmente a gente vê uma pessoa feliz falando mal de alguém, depreciando um trabalho... Pelo contrário, uma pessoa feliz está sempre vendo o lado bom das pessoas e das situações, está ocupada demais com as coisas boas da vida, sem tempo para a infelicidade. Uma pessoa infeliz fala muito pouco, ela já sempre mais disposta a ouvir. Já uma pessoa infeliz age exatamente no sentido contrário, é tagarela por natureza e vive reclamando, está sempre insatisfeita... Se é dia, ela anseia pela noite; se é noite, ela sonha com o dia, está sempre criticando e reduzindo as pessoas ao seu redor. Vê defeito em tudo e sempre tem a melhor solução para qualquer problema. É aquele tipo de gente que é incapaz de elogiar alguém e está sempre pronta para julgar e condenar todas as ações humanas. O foco exagerado no que não está dando certo esconde uma imensa infelicidade pessoal. É como se ela dissesse para si mesma: “bem, já que não tenho o que desejo, já que não consigo ser feliz, não permitirei que os outros sejam felizes. Sofreremos juntos então.” O problema é que quanto mais infeliz uma pessoa é, mais infelicidade ela atrai para a sua vida. Pior do que não ser amada, é não ter amor próprio – esse é o maior drama das pessoas infelizes. Nem elas mesmas se suportam, por isso vivem destilando veneno por onde passam. Se você desligar por alguns instantes o celular e parar para observar a dinâmica do mundo, vai perceber com muita facilidade que está crescendo assustadoramente o contingente dos infelizes... Já é difícil encontrar pessoas alegres e bem humoradas por aí, a maioria vive de cara amarrada e pronta para dar um bote, parecem cobras na espreita. Tolerância zero. Eu tive um vizinho que de tão mal humorado que era, causava até risos. Quando eu entrava no elevador e o cumprimentava com um alegre bom dia, seu Germano respondia sem ao menos olhar em meus olhos: “bom dia na sua opinião, eu não acho.” Eu nem ligava para a reação dele. Toda vez que o avistava, eu só me preocupava em aumentar a minha dose de alegria para cumprimentá-lo com mais entusiasmo ainda. Pensava comigo: água mole em pedra dura tanto bate até que fura... é isso que a gente aprende na roça. Um dia, por obra e graça de Deus, seu Germano, abriu um lindo sorriso e me disse: “você é mesmo insistente, menina, só rindo...” A mim não importa qual foi a motivação que ele teve para se desarmar e abrir um sorriso. Se foi a minha insistência ou a vontade do seu coração, que importância isso tem? Importante é que sorriu. E dalí para frente não parou mais... Morreu logo depois... tomara que tenha partido com um sorriso no rosto... Um sorriso não custa nada, não é mesmo? Os hospitais dos países mais avançados em desenvolvimento humano já utilizam a força do sorriso para ajudar no restabelecimento de seus pacientes. Grandes pesquisadores estudam o poder das emoções positivas na conservação da saúde e da longevidade. Sabe-se que um simples sorriso movimenta 73 músculos da face e envia para o cérebro um comando de bem-estar e segurança. Ser feliz é bom demais... é tão simples... basta aceitar a vida como ela nos chega... A infelicidade surge quando resistimos ou nos apegamos a alguma coisa, quando achamos que podemos fazer melhor do que o próprio Deus. Quem foi feliz por um dia sequer, já experimentou um pedaço do céu, desejará estar sempre nele para sempre e só retornará ao inferno da infelicidade se assim desejar. O Universo nos dá a cada dia a liberdade para fazer a esco- lha entre a infelicidade e a felicidade, entre o medo e o amor, entre o ego e Deus. Seja feliz hoje e o seu amanhã seguirá o mesmo padrão. São as nossas atitudes no presente que determinam a qualidade do nosso amanhã – a Ciência moderna já comprovou isso. Os felizes têm mais saúde, mais disposição, mais alegria, produzem melhor, amam com mais intensidade e expressam com mais autenticidade a verdade. Ser feliz é a opção dos que já despertaram para o verdadeiro sentido da vida: o amor! Nossa passagem por aqui é muito breve e daqui só levaremos o amor que damos às pessoas, nossos irmãos e irmãs na jornada da vida. ■ Jane Mary é jornalista, consultora de Comunicação e Marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é. www.janemary.combr janemaryconsultoria@gmail.com

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6 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS 2017 veio carregado de feriados Os feriados em dias útéis afetam diretamente o desempenho operacional das empresas, majorando os custos Depois de um ano em que a maioria dos feriados caiu no meio da semana e frustrou os brasileiros, a expectativa é bem mais animadora para 2017. São nove feriados nacionais em dias próximos ao final de semana e têm a possibilidade de 'emenda'. Com os preços de passagens de avião nas alturas e investimentos constantes feitos pelas companhias rodoviárias, viajar confortavelmente em uma poltrona de ônibus parece a melhor opção para curtir algumas dessas datas. No entanto, quanto mais você trabalhar o “antes” da viagem, mais poderá curtir o “durante”. Para te ajudar a se programar com antecedência, o Guichê Virtual, startup líder na venda de passagens de ônibus no Brasil, listou as datas dos feriados prolongados do ano dá cinco dicas valiosas para pensar no momento de se preparar para as viagens. Os feriados ocorrendo nas segundas e sextas-feiras favorecem o turismo interno DICAS 1) Compre passagens com antecedência pela internet, assegurando os horários mais convenientes, os melhores preços e assentos, de forma a que você e sua família viajem juntos. 2) Saia na frente dos seus colegas de trabalho, selecionando o destino o quanto antes e já avise no trabalho as datas que não estará na cidade. Nas semanas anteriores ao feriado prolongado, cho- verão pedidos dos funcionários para 'emendar' 3) Faça cópias autenticadas dos documentos (título de eleitor, carteira de identidade, CPF, entre outros), caso ocorra algum imprevisto no meio da viagem. Organize tudo em uma pasta, com comprovantes de compras, estadias, passagens de ônibus, etc. 4) Reserve o hotel com meses de an- tecedência, época em que a procura é quase nula e os preços bem mais em conta. 5) Pesquisar é a melhor forma de se programar para uma viagem. Acessar o site da prefeitura para saber das programações gratuitas e eventos culturais que vão acontecer ou até mesmo descobrir uma trilha para uma cachoeira incrível por perto pode ser uma boa. ■ FOTO: ANTÔNIO MOREIRA FERIADOS ■ Carnaval (Segunda e terça, 27 e 28/2) ■ Semana Santa (Sexta 14/4) ■ Tiradentes (Segunda, dia 21/4) ■ Dia do Trabalho (Segunda, dia 1º/5) ■ Corpus Christi (Quinta, 15/6) ■ 7 de Setembro (Quinta) ■ Nossa Senhora Aparecida (Quinta, dia 12 de outubro) ■ Finados (Quinta, dia 2 de novembro) ■ Natal (Segunda) EUSTÁQUIO PALHARES Das avestruzes OSindicato dos Comerciários adquiriu o Hotel Praia Grande, em Nova Almeida, por R$ 6 milhões. O ato sugere várias ilações. Primeiro, uma diligente gestão que permitiu à entidade amealhar poupança desse calibre para investimento; segundo, o questionamento que se coloca tanto para a contribuição sindical compulsória de patrões e trabalhadores se reacende com esse fato; terceiro, se a iniciativa visa proporcionar oportunidades de entretenimento e lazer para a base de associados, certamente vai demandar uma gestão profissional que compatibilize os custos de manutenção, a provisão para investimentos e um preço acessível, mesmo subsidiado, para essa clientela de perfil bem definido. A estratégia do Sindicomerciários, aliás, não é inédita. Entidades patronais já há alguns anos vem investindo na constituição de um patrimônio que lhes assegure um fluxo de receita estável em caso da extinção da contribuição compulsória. Trata-se de medida que encontra defensores entre os que entendem a ne- cessidade da entidade assegurar sua sustentabilidade em um panorama de incerteza. Os sindicatos laborais tem grande poder de barganha com os programas de assistência de alta escala, como planos de saúde e companhias seguradoras, dos quais se tornam exigentes interlocutores cacifados por uma base de associados que se constitui em uma vasta clientela. Os termos desses entendimentos certamente tem merecido a aprovação das auditorias que devem ser cumpridas por todas as entidades que se beneficiam de contribuições compulsórias, a exemplo do que o TCU faz com as contas do Sistema S patronal, Sesi, Senai, Sesc, Sesi, etc. A modernização das relações produtivas aponta para rumos que mereciam já estar na pauta de ocupações das partes que protagonizam a relação capital-trabalho. Vê-se agora os estertores e esperneio dos taxis contra o advento da plataforma de locação de carro particulares que é o Uber, de certo modo antecipando o inevitável advento da economia compartilhada. Em algu- mas cidades do mundo, o carro já é disponibilizado para locação diária em uma operação de extrema simplicidade. Outros ativos passam a ser alcançados por essa modalidade de atendimento. Alguns alcaides temerosos da erosão política ainda tentam refrear a modernidade, com o que não fazem mais do que encenarem um demagogismo estéril. Agora taxistas x Uber; vamos esperar para ver os carros autônomos e toda a extensão da categoria profissional dos motoristas, inclusive os de ônibus. O uber já se constitui adjetivo para mencionar a generalização da economia de compartilhamento que passa a ser a nova lógica de uso e consumo. Em vez de ajustarmo-nos e nos adequar a esse novo contexto, ainda perseveramos no apego a tradições, costumes e hábitos que se esvaem celeremente. A construção civil, no Primeiro Mundo, já esboça novo modelo de habitação em que o dormitório e privado e as demais dependências são compartilhadas, instaurando mesmo um novo conceito de vizinhança. Nos Estados Unidos já se considera como inevitável a extinção de pelo menos 65% das categorias profissionais listadas pelo sistema norteamericano. Apegar-se ao velho e ainda prevalente não previne o advento do novo mas parece que as pessoas preferem a postura clássica da avestruz, com a cabeça no buraco imaginando-se escondida. O sistema bancário tenta neutralizar o terremoto que o sacudirá migrando para as agências virtuais. Segue operando com o dinheiro virtualmente, porque há décadas a moeda já se virtualizou, mas se apegam ainda à lógica do cartório financeiro. Até as moedas digitais vigorarem circulando entre mobiles e sem necessidade de intermediação. Banco surgiu para guardar dinheiro. Que dinheiro? Um valor escritural? Então, é a inércia do paradigma. As coisas são assim porque sempre foram, mesmo que esteja tudo ruindo fragorosamente à nossa volta, à nossa frente, sobre nossas cabeças. A CDV deve implementar o projeto Cidade Inteligente, hiperconectada, com interação de seus serviços a partir de um big data. E na contramão disso vemos o lobby da Construção Civil tentando restringir o espaço que se reserva ao Centro Tecnológico de Vitória, aguardado há décadas e prometendo ser o grande trunfo da capital para afirmação de sua economia, a economia 4.0, porque o pessoal da construção acha que a tradição deve se cumprir: identifica-se uma área, erguese a edificação que impacta todo o entorno com a demanda dos serviços urbanos que as novas moradias irão requerer – e que caberá à municipalidade prover – e depois de entregue, receita realizada, parte-se para encontrar novos espaço para repetir a receita. Como se fosse isso, mesmo, que Vitória necessitasse. Subjacente a isso, a legitimidade do interesse setorial que só se mantém legítimo quando não colide com o interesse maior, coletivo. A soma das partes não é maior que o todo. ■ Eustáquio Palhares é jornalista eustaquio@iacomunicacao.com.br

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8 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Outra versão sobre a Previdência Social Embora o Governo Federal encontre apoio na divulgação de suposto déficit previdenciário, especialistas têm opinião diferente Com o debate sobre a reforma da Previdência, uma corrente de economistas e especialistas rebate o argumento de que a Previdência Social esteja quebrada e que o envelhecimento da população brasileira inviabilizará o pagamento de aposentadorias e pensões. Para eles, há opções à reforma proposta pelo governo federal, entre elas o fim da política de desonerações fiscais e a cobrança das dívidas previdenciárias de grandes empresas. Essa corrente também defende que governo e sociedade tenham claro que a Previdência Social integra o conjunto de ações de seguridade social, destinadas a assegurar também os direitos relativos à saúde e à assistência social. E, portanto, tem outras fontes de custeio além das contribuições de trabalhadores e empregadores a partir dos salários. O governo argumenta que o déficit da Previdência continuará a crescer se as regras atuais de concessão do benefício permanecerem. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que, em 2016, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegará a R$ 149,2 bi. Em 2017, a expectativa é que atinja R$ 181,2 bi. Segundo o governo, este quadro tende a piorar, pois com o aumento da expectativa de vida do brasileiro e a diminuição da fecundidade, as regras atuais são insustentáveis. Citando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Secretaria da Previdência Social, ligada ao Ministério da Fazenda, aponta que, hoje, o número de brasileiros em idade ativa chega a 140,9 milhões. Em 2060, a expectativa é que esse número caia para 131,4 milhões. Já o total de idosos pode crescer mais de 260% no período. Isso significaria mais beneficiários, recebendo por mais tempo. Daí a proposta do governo de elevar para 65 anos a idade mínima para aposentadoria e pelo menos 25 anos de contribuição. Pela reforma, o trabalhador deverá contribuir por mais 24 anos (totalizando 49 anos de contribuição) para receber 100% do valor da aposentadoria a que tem direito. Com a reforma, o governo espera economizar R$ 678 bilhões entre 2018 e 2027. No entanto, para o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Vilson Antonio Romério, a Previdência não é uma mera questão matemática. “Considerando a Previdência como parte do sistema de seguridade social, não há déficit. Pelo contrário. O total de recursos que a União arrecada para custear toda a seguridade social é superior aos gastos. Só em 2014, sobraram no caixa R$ 54 bilhões. Em 2015, sobraram mais R$ 11 bilhões. Mas esses recursos têm sido empregados para outros fins, como o pagamento da dívida pública”. Vilson Romério concorda que o “fluxo de caixa do INSS” precisa de alguns ajustes, mas defende que, antes de se exigir mais anos de contribuição dos trabalhadores, o governo deveria rever as políticas de desoneração e de renúncias previdenciárias; impedir a desvinculação das receitas destinadas aos programas sociais e à Previdência; cobrar a dívida bilionária que várias empresas têm com o INSS, entre outras opções que ele espera que sejam debatidas no Congresso Nacional. “Pode-se, por exemplo, revisar a alíquota da contribuição paga pelos empresários do agronegócio. Sabemos da importância econômica do setor, mas temos que chamar esses empresários a contribuir um pouco mais. Hoje, a Previdência rural arrecada cerca de R$ 7 bilhões e paga algo como R$ 90 bilhões em aposentadorias e pensões”, exemplificou o presidente da Anfip. “Só em 2016, o governo renunciou a R$ 70 bilhões”, acrescentou. Doutor em Ciência Econômica e professor da Unicamp, Eduardo Fagnani é taxativo: “A ideia de déficit na Previdência foi fruto de uma contabilidade criativa. O orçamento da seguridade social prevê que o trabalhador, o empregador e o governo contribuam para a manutenção do sistema. A parte do governo vem de duas contribuições criadas para isso: a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL)”. Em 2015, ano em que a arrecadação da Receita Federal caiu devido à crise econômica, as empresas pagaram menos tributos. Contabilizadas indiscriminadamente, a CSLL e o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) totalizaram R$ 183,5 bilhões (queda real de 13,82% em comparação com 2014). Já a Cofins, somado ao Programa de Integração Social (PIS), alcançou R$ 266,4 milhões (queda de 4,9%). Fagnani reconhece que, na chamada Previdência Rural, o montante recolhido é inferior ao total pago em benefícios, mas chama a atenção para o caráter especial da aposentadoria rural. “Se a Previdência é parte da seguridade so- FOTO: ANTÔNIO MOREIRA A reforma proposta pelo Governo Federal vai comprometer a sobrevivência dos mais idosos cial e o orçamento desta é maior justamente para assegurar o direito de todo trabalhador à saúde, à assistência e à previdência social, o suposto déficit poderia ser coberto com parte dos R$ 202 bilhões arrecadados em 2015 com a Cofins. Ou com parte dos R$ 62 bilhões arrecadados com a Contribuição sobre o Lucro. "Se há fontes de financiamento para cobrir a diferença, não podemos chamar de déficit”, disse. Para o mestre em Economia, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e diretor do sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, Odilon Guedes, diz que não há, atualmente, déficit na Previdência, apesar do aumento do desemprego no país. “Precisamos debater a questão do envelhecimento populacional, da maior longevidade e queda na taxa de fecundidade. Mas esse é um debate que pode ser feito com calma. Precisamos que todas as receitas e despesas do sistema de seguridade social sejam divulgadas e esclarecer o que é da conta da Previdência e o que é da seguridade. Hoje, pelo que se sabe, o governo arrecada mais do que gasta com a seguridade como um todo, mas tira dezenas de bilhões por meio da DRU [Desvinculação das Receitas da União] para pagar juros da dívida pública. Além disso, há a questão das desonerações do pagamento da Previdência para as empresas e da dívida ativa”. A professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, também recusa o argumento de que a Previdência é deficitária. “Essa reforma não é necessária. É dito que os gastos aumentaram descontroladamente, mas não em quanto a arrecadação caiu por meio de renúncias tributárias. Só em 2015, a União deixou de receber mais de R$ 157 bilhões que deveriam ter ido para a Previdência Social. Além da renúncia, sucessivos governos vêm desvinculando as receitas, retirando recursos do sistema de seguridade. Em 2017, isso pode chegar a R$ 120 bilhões. Para não falarmos nas dívidas previdenciárias das empresas, que, já em 2015, ultrapassava os R$ 350 bilhões”. Para Denise Gentil, discutir a reforma da Previdência em meio a uma recessão é sacrificar os trabalhadores e melhor seria estimular a produtividade. “Uma política macroeconômica recessiva que desempregue e derrube salários é mais prejudicial para o sistema previdenciário que as questões demográficas. Neste cenário, a arrecadação da Previdência certamente cai. Ao contrário de um cenário onde, sendo os jovens minoria no mercado de trabalho, haja ganho de produtividade, elevação dos ganhos individuais e, portanto, da arrecadação”. Mais fontes de contribuição Em sua página na internet, a Secretaria da Previdência Social explica que os recursos para o Regime Geral da Previdência Social não provêm só da Cofins e da CSLL, mas também de parte da contribuição sobre a renda líquida dos concursos de prognósticos (sorteios e loterias), além das contribuições sobre a folha de salários dos trabalhadores, pagas pelo empregador e pelo empregado. Ainda segundo a pasta, o chamado déficit no re- gime geral “é a simples diferença entre o que é arrecadado mensalmente e o montante usado para pagar os benefícios previdenciários”. O regime geral é a repartição simples (quem está na ativa sustenta o benefício de quem já cumpriu as exigências para deixar o mercado de trabalho). “A Previdência Social precisa adaptar-se à nova realidade demográfica brasileira para que a atual geração em idade ativa e as próximas que a sucederão tenham a garantia de sua aposentadoria. O perfil da sociedade brasileira vem mudando rapidamente, com o aumento da expectativa de vida e diminuição da fecundidade, o que altera a proporção de ativos e inativos no mercado de trabalho”, argumenta a secretaria. As receitas da Previdência não pagam somente aposentadorias e pensões, mas também benefícios como auxíliodoença e acidente e saláriosmaternidade e família. ■

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10 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS Estágio abre a porta para o primeiro emprego Com essa atividade, o estudante tem a possibilidade de ricas experiências que irão contribuir para o melhor aprendizado Aproveitar as oportunidades do mercado de trabalho e se preparar para conseguir um emprego são desafios que profissionais de diversas áreas enfrentam várias vezes. E ele é ainda maior para recém-formados em busca do primeiro emprego. Por isso, o conselho de muitos recrutadores e responsáveis por processos de seleção e contratação de grandes empresas é que o estudante comece, desde cedo, a se dedicar aos estágios. A gerente de operações do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Valquíria Dadalto, confirma que o estágio é a primeira oportunidade para que o estudante futuramente seja contratado como profissional na empresa em que estagia. “O estágio é a oportunidade do estudante de demonstrar seu interesse. É quando ele coloca em prática todas as teorias aprendidas em sala de aula. O estudante vem com vontade de demonstrar conhecimento e de colocálo em prática. Ele abre a oportunidade de ser efetivado e cria uma relação com os demais colaboradores da empresa”, detalhou. O estágio é, muitas vezes, a primeira experiência profissional de um estudante. Por isso, a recomendação que se dedique ao máximo à experiência, atendendo às solicitações com rapidez e eficiência. É com os colegas do dia a dia e com a rede de contatos dentro da empresa que o estudante buscará a oportunidade de ter seu trabalho visto e ser efetivado futuramente. A importância do primeiro estágio é tão grande que na Católica de Vitória Centro Universitário (UCV) há até simulações para que o aluno saiba como funciona e como se comportar em um processo seletivo. Esse projeto é a chamada Central de Estágios, como explicou o professor e coordenador geral de estágios da UCV, João Ricardo Alves da Silva. "O primeiro passo é a elaboração do currículo do aluno, que deve ser limpo, claro e objetivo para a vaga, sem falar de expe- FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Treinamentos especializados facilitam a vida do estagiário riências que não tem relação nenhuma com a vaga pleiteada. O segundo passo a preparação para a entrevista. Nessa etapa, as entrevistas coletivas, individuais e as dinâmica de grupo são simuladas dentro da própria instituição, para que o aluno tenha uma vivencia do processo que vai encontrar lá fora. Também mantemos um sistema no site da instituição em que o aluno consegue ter acesso às oportunidades do curso, por área de atuação e região", explicou. Manter bons relacionamentos, também conhecidos no mundo corporativo como network, é a dica de ouro da diretora executiva da Curry Coaching, Gisélia Freitas Curry, para quem quer ser contratado depois do estágio. Ela recomenda que o estudante esteja sempre em contato com professores, colegas e com a própria instituição de ensino, que geralmente são as principais pontes para o estágio dos sonhos. “O estudante tem que entender que o setor acadêmico é a principal ferramenta para ajudar a conseguir o estágio. Os professores são a primeira ponte. É necessário reforçar o relacionamento, pedir dicas, se aproximar mais de tutores e coordenadores, estar muito bem relacionado com a instituição de ensino. Depois, reforçar relações com amigos, colegas e seus respectivos pais. Relacionamento é tudo”, enfatizou Curry. “Depois que conseguiu entrar, não tem segredo. É hora de arregaçar as mangas. Não falte, não chegue atrasado e, principalmente, seja carismático e solícito”. Para a empresa, o benefício maior é que esse é um profissional em contato direto com a tecnologia e com novas informações. No setor corporativo, o estagiário é capaz de agregar valor e ser responsável por trazer ideias novas e atualizações à empresa. Além disso, sem vícios de mercado, é um futuro profissional que pode ser moldado pela empresa conforme seus valores, visão e missão. A assistente de diretoria do COEP (Centro de Orientação e Encaminhamento Profissional), Erika de Faria Gusmão, afirma que as empresas buscam profissionais ágeis e sem vícios de outros locais de trabalho, que busquem crescer profissionalmente junto à instituição. “O estagiário está sempre em contato com a faculdade, associada à inovação, e sempre atento às novidades, passando informações novas à equipe. Ele procura novidades e soma à equipe. É um futuro trabalhador que tem interesse no crescimento profissional”, destacou. Estagiários estrangeiros Contratar um estagiário cria uma estrada de via dupla entre o empregador e o jovem colaborador, que acaba por carregar benefícios para ambos. Enquanto um adquire conhecimento e experiência para se desenvolver em seu campo de atuação, outro ganha toda expertise adquirida pelo estudante ainda em formação, mas com conhecimento novo do mercado. Optar por um estrangeiro pode acentuar esses benefícios, e ainda traz o diferencial de acrescentar à empresa uma experiência e visão internacional. Para 2017, algumas empresas se preparam para começar o ano com um estagiário do exterior, agregando à equipe muito valor com baixo custo. A CI Experience Brazil, oferece diversos programas para estudantes estrangeiros interessados em vir ao Brasil e o programa de estágios é o mais cobiçado. " Recebemos cerca de 300 estrangeiros por ano, das mais diversas áreas, de mais de 90 diferentes países. A CI Experience Brazil oferece todo o suporte para aqueles que desejam ter esta experiência - tanto para o estudante como para a empresa que deseja recebe-lo, desde a divulgação da vaga até a preparação da documentação necessária e da acomodação do estagiário”, explica a gerente Nayara Lopes. A CI Experience Brazil atua em parceria com a ABIPE Associação Brasileira de Intercâmbio Profissional e Estudantil, que já conta com muitos anos de experiência no assunto e é responsável por um programa bilateral, em que, a cada brasileiro que vai atuar em uma empresa no exterior, um estrangeiro vem para estagiar no Brasil. A ABIPE acredita que o convívio com pessoas de culturas diferentes é enriquecedor para todos, tanto na esfera pessoal como profissional. “Receber um estagiário estrangeiro coloca à prova a capacidade adaptativa da empresa e coloca na prática a máxima de que é imprescindível, nos dias de hoje, lidar com a diversidade. Conviver e trabalhar com uma pessoa de outro país é desafiador, exige respeito ao próximo, abertura de ideias e muita comunicação. Sabendo encarar ias diferenças culturais como aprendizagem, o ganho em termos de recursos humanos é fenomenal para todos os envolvidos. Estando com a cabeça aberta, não há limites de aprendizado”, comenta Estevam Donnabella, engenheiro da Controllar – Automação Residencial, que participa do programa e já recebeu alguns estagiários estrangeiros em sua empresa - ele adotou esta prática depois de retornar de um estágio no exterior oferecido pela ABIPE. Saber utilizar o conhecimento que vem de outros cantos do mundo pode ser o ponto que faltava para o crescimento da empresa. O estudante intercambista que chega para estagiar traz consigo, além do ponto de vista diferente, ferramentas e técnicas que estão sendo utilizadas em seu país, agregando de forma efetiva no desempenho do grupo. Algumas dúvidas podem aparecer na hora de contratar um estagiário de outro país, se ele é capacitado ou não para o trabalho, se está disposto a realizar a função com empenho, e para superar essas obstáculos a sugestão de Estevam, baseado em suas experiências, é realizar algumas entrevistas por Skype. “Bastou de uma a duas entrevistas via Skype para responder a estas perguntas. Para o quesito técnico, deixar o colaborador responsável pelo projeto fazer as perguntas. Ele saberá se o estudante está apto a enfrentar o desafio”, destaca. Barreiras como o idioma e a cultura podem assustar no começo, mas são facilmente superados. A dica de Estevam, para entender o quão empenhado o estagiário está em aproveitar a imersão em uma nova cultura é questionar, ainda em entrevista, o que ele já buscou aprender sobre o Brasil. “Normalmente o tanto que o estudante pesquisou sobre o nosso país mostra seu interesse em vir para cá. Outro ponto é ver se ele se interessou, pelo menos, em aprender as palavras básicas do português como "olá", "tudo bem", "obrigado", etc””, completa Estevam. Em alguns casos, o fator da língua diferente não é nem percebida, e as vantagens técnicas acabam se sobressaindo diante das dificuldades. “Superada a barreira da língua, a comunicação flui nos aspectos básicos. Para o trabalho, os softwares utilizados são de domínio universal. Isto facilita a integração do estagiário com a empresa”, destaca Gaston Oporto, arquiteto da ACTA - Arquitetos & Consultores. “Nestes anos de experiência com o recebimento de estrangeiros, temos sido muito bem sucedidos neste aspecto, fato pelo qual estamos constantemente renovando nossa participação”, conclui Gaston. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES FEVEREIRO DE 2017 11 Sebrae pode indicar FOTO: ANTÔNIO MOREIRA a saída para a crise Programa de renegociação de dívidas tributárias amplia prazo de pagamento de 60 para 120 meses Benildo Denadai é diretor do Sebrae Até o mês de março, o Sebrae do Espírito Santo está realizando um programa de renegociação de dívidas tributárias para micro e pequenos empresários. A negociação permite que o empresário permaneça no Simples Nacional, consiga emitir certidões, participar de licitações e ampliar sua rede comercial. No Brasil, são cerca de 600 mil empresas devendo R$ 21 bilhões só à Receita Federal. No Espírito Santo, 11.717 empresas estão inadimplentes, o que representa 1,95% do total de devedores nacional. Seguindo a mesma proporção, dessa dívida, cerca de R$ 410 milhões são débitos dos empresários capixabas. Como explicou o diretor Técnico do Sebrae, Benildo Denadai, o órgão buscou uma parceria com o Conselho Regional de Contabilidade para que os contadores dessas empresas sejam orientados a mostrar aos empresários a importância de renegociar essas dívidas. “É fundamental o envolvimento do contador da empresa. No estado, temos mais de 97% de micro e pequenas empresas e quase todas elas tem sua contabilidade feita através de um contador externo. O contador precisa orientar o empresário e mostrar a ele a importância de tomar essa decisão de renegociar. Se o contador não orientar e informar o empresário, ele dificilmente tomará essa decisão por si próprio”, considerou Denadai. O diretor técnico do Sebrae considera que o momento é propício para a renegociação de dívidas tributárias, nas esferas federal, estadual e até municipal, já que o governo está ampliando o prazo de pagamento das dívidas de 60 para 120 meses . Além disso, foi aberta a possibilidade de refinanciar a dívida. A parcela mínima para a renegociação não pode ser inferior a R$ 300 mensais, acrescida de juros equivalentes à taxa Selic + 1%. Por isso, há valores que não compensa parcelar. De acordo com Denadai, a dívida tributária que muitos empresários têm surge a partir do momento em que a empresa tem mais despesas do que recursos. Desse modo, o empresário opta por pagar o que é imediato e que vai influenciar diretamente na sua produção, como os salários e direitos dos empregados. “É como numa casa: quando você tem mais despesa do que recursos, você começa a priorizar as despesas que vão afetar a sua família. Aquelas que teoricamente não afetam de imediato são jogadas para frente. Na empresa, é semelhante: tendo menos receita do que despesa, o empresário prioriza despesas inerentes ao ne- gócio, que são imediatas. O que não é urgente, acabam deixado pra lá. E tributo é uma coisa que, infelizmente, no Brasil, não se tem urgência”, explicou. Os maiores prejuízos, no entanto, não são imediatos. Até por isso, segundo Denadai, os impostos não são considerados despesas de primeira necessidade. “A estrutura de cobrança das três esferas ainda não é muito ágil, demora muito tempo para começar a ter um processo. Muitas vezes os atrasos têm multas elevadas e o empresário espera um mutirão de negociação para tirar multas e ampliar prazos”. Com a renegociação do valor devido, os empresários reconquistam o direito de continuar no Simples Nacional e de fornecer para clientes públicos das três esferas, já que estão com as certidões em dia, além dos privados. “Além disso, tem a certeza de que é um empresário honesto, que só deixou de pagar os tributos porque não tinha condições. Pode dormir tranquilo porque está renegociando”. FOTO: ANTÔNIO MOREIRA As micro e pequenas empresas têm assistência técnica especializada Negociação com bancos O Sebrae também está trabalhando junto aos bancos para a renegociação de dívidas entre os empresários e as instituições bancárias. De acordo com diretor Técnico do Sebrae, Benildo Denadai, o objetivo é fazer um perfil da dívida da empresa, traçar o melhor caminho para a renegociação e criar um novo perfil da dívida para que o empresário possa banca-la. “Temos um convênio com o Banco do Brasil em que ele vai disponibilizar no país inteiro R$ 1,2 bilhões, somados a R$ 7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para pequenos negócios brasileiros. O papel do Sebrae é ir à empresa, fazer o diagnóstico, o plano do financiamento e oferecer esse conjunto de informações para o Banco do Brasil. Temos dois blocos de atuação: de clientes novos e de clientes do banco que já estão inadimplentes e vamos orientar”, detalhou. O diretor técnico do Sebrae disse que o convênio com o Banco do Brasil já foi assinado e que os próximos passos são a parte operacional do projeto. O Sebrae nacional vai contratar pessoas acima de 60 anos que foram gerentes bancários para fazer o diagnóstico das empresas inadimplentes com bancos. Esses profissionais terão a função de consultores seniores, com o objetivo de traçar o plano de financiamento e encaminhar as informações da empresa para o banco. “Os empresários terão a orientação de um profissional que entende tanto o lado do negócio em si, quanto o das condições bancárias. Ele tem condições de propor um plano de financiamento que seja bom para os dois”, explicou Denadai. O programa vai atender, em um primeiro momento, clientes inadimplentes do Banco do Brasil. Já a partir de março, os Senhores Orientadores, como estão sendo chamados esses profissionais, estarão visitando as empresas para propor alternativas para a quitação das dívidas com este banco. ■ SAIBA MAIS ■ O Sebrae está realizando um programa de renegociação de dívidas tributárias federais,estaduais e municipais para micros e pequenos empresários. O programa vai até março. ■ Todos os empresários inscritos no Simples Nacional podem renegociar suas dívidas tributárias. ■ O prazo de pagamento das dívidas foi ampliado de 60 para 120 meses. A parcela mínima para a renegociação não pode ser menor do que R$ 300. Sobre esse valor,incidem juros equivalentes à taxa Selic + 1%. ■ Os empresários interessados em renegociar suas dívidas tributárias devem procurar o contador de sua empresa e entrar em contato com o Sebrae pelo 0800 570 0800 ou pelo site www.sebrae.com.br/renegociação.

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12 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES 17 ANOS FOTOS: BRUNO DE MENEZES Com a nova Lei, houve redução acentuada no consumo da bebida e os fabricantes de cerveja tiveram de adaptar-se a uma nova realidade, produzindo uma bebida livre de resíduos de álcool Lei Seca muda a fórmula da cerveja Grandes fabricantes divulgaram campanha publicitária na TV para estimular o consumo no verão, época de maior procura pela bebida gelada Desde 2008, quando surgiu a Lei Seca, o comportamento de quem saía aos finais de semana para curtir baladas com amigos mudou. Com medo de serem flagradas nas blitzen da Lei Seca, muitas pessoas passaram a adotar o sistema de motorista da rodada ou frequentar bares e restaurantes mais perto de casa. Outra opção foi apelar para as cervejas sem álcool, que tem o sabor bem parecido com a versão original, com álcool. De lá pra cá, muitas marcas de cervejas passaram a produzir versões 0% de álcool de suas bebidas para atender a essa demanda. O que é uma boa escolha para quem quer curtir uma balada com amigos e não abre mão do sabor da cerveja. Hoje a tolerância é considerada zero. Quem é flagrado com índice superior a 0,05 miligramas de álcool por litro de ar no bafômetro paga multa , tem a habilitação recolhida e o direito de dirigir suspenso por um ano, além da retenção do veículo até a apreensão por um condutor habilitado. As regras ficaram ainda mais rígidas há um ano, pois mesmo se o motorista se recusar a fazer o teste, o policial de trânsito pode aplicar uma autuação administrativa, caso perceba e prove que o condutor apresentava sinais de sonolência, olhos vermelhos, odor de álcool, agressividade, fala alterada, entre outros. Os bares têm oferecido mais opções de cerveja sem álcool, mas quem gosta de beber cerveja ainda não aderiu totalmente a essas opções. Muitos preferem nem beber cerveja se estão dirigindo. O que aconteceu de expressivo no setor de bares e restaurantes depois da Lei Seca foi a tendência Cerveja sem álcool é uma boa opção para quem quer beber e dirigir de regionalização dos estabeleci- em torno de residências, porque mentos. Eles passaram a ficar des- as pessoas começaram a sair para centralizados, com crescimentos locais mais perto de casa, como aconteceu o número de estabelecimentos em Jardim Camburi e Mata da Praia, por exemplo. ■

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17 ANOS VITÓRIA/ES FEVEREIRO DE 2017 13 Carnaval em Vitória, uma FOTOS: ANTÔNIO MOREIRA festa de R$ 18 milhões O evento gera empregos diretos e indiretos e somente nas comunidades carnavalescas há uma movimentação financeira que supera os R$ 6 milhões A confecção de adereços oculpa centenas de pessoas OCarnaval é uma época de folia e descanso para alguns, mas também de trabalho e geração de renda para muitos. É a oportunidade da economia criativa, termo que as Nações Unidas dá a um conjunto de atividades baseadas no conhecimento, produzindo bens intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico. Entram nessa vertente econômica todas as atividades relacionadas, principalmente ao desfile das escolas de samba e aos blocos carnavalescos, que têm grande relevância no potencial econômico local do Espírito Santo. De acordo com o Secretário Municipal de Turismo Trabalho e Renda da Prefeitura de Vitória, Leonardo Krohling, o carnaval da capital capixaba movimenta cerca de R$ 18 milhões, contando a relação de empregos diretos e indiretos, ocupação hoteleira, renda em comércios de bairros e serviços como táxi, bares e restaurantes. Somente nas comunidades em que há escolas de samba, há uma movimentação financeira que gira em torno de R$ 6 milhões. Na capital, é possível citar a região de Caratoíra, reduto da escola de samba Novo Império; o bairro de Ju- cutuquara, berço da Unidos de Jucutuquara; e os morros da Piedade e Fonte Grande, no centro de Vitória, onde nasceu a Unidos da Piedade. “Essa movimentação nos bairros se deve ao trabalho das pessoas nas escolas de samba. Esses trabalhadores movimentam o comércio da região com suas compras. Medimos que até a segurança nas comunidades melhora, porque os moradores ficam mais unidos e trazem de volta o movimento comunitário”, ressaltou o secretário. Krohling explica que a contratação de pessoas especializadas para o trabalho nos Escolas de samba e blocos movimentam a folia uma semana antes da data oficial barracões das escolas de samba, onde se produzem as fantasias e os carros alegóricos para os desfiles, começa a partir de novembro. A maior parte das contratações é feita somente em janeiro, quando o Carnaval bate à porta e a proximidade maior do desfile faz com que o trabalho seja acelerado. Além disso, a Prefeitura organiza cursos de qualificação de mão de obra especializada para o trabalho nos barracões das escolas de samba. Os cursos são ministrados no próprio Sambão do Povo, fora do período do Carnaval, e formam profissionais como aderecistas, soldadores, eletricistas, costureiros e escultores, formação que lhes garante um emprego no mercado de trabalho formal posteriormente. “Ao final do primeiro ano do curso de aderecista, 100% dos alunos estavam empregados em lojas de vestidos de noivas e festas. A formação é algo que esse profissional nunca vai perder. O dinheiro que essa pessoa ganha durante o ano gira na cidade e gera empregos nos setores de serviços, nos restaurantes, mercados e padarias, e mantém a economia durante todo o ano”, apontou Krohling. ENTENDA O CARNAVAL DE VITÓRIA ■ Atualmente, o desfile das escolas de samba de Vitória acontece na sexta-feira e no sábado da semana anterior ao Carnaval oficial. Dias antes, as escolas realizam ensaios técnicos, uma espécie de treino para o desfile oficial. ■ Desfiles e ensaios técnicos acontecem tradicionalmente no Complexo Cultural Walmor Miranda, popularmente conhecido como Sambão do Povo. A estrutura fica no bairro Mário Cypreste, em Vitória. ■ A estrutura, que conta com arquibancadas e camarotes de alvenaria, além de uma passarela de desfiles e iluminação noturna especial, é mantida pela Prefeitura de Vitória, que também arca com os serviços de limpeza e iluminação dos arredores. ■ Fica a cargo da Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses) o gerenciamento da venda de ingressos e da estrutura do Sambão do Povo durante os dias de desfile. ■ Quatorze escolas compõem os desfiles, sendo elas: Andaraí, Chega Mais, Chegou o Que Faltava, Imperatriz do Forte, Independente de Boa Vista, Independentes de São Torquato, Mocidade Unida da Glória (MUG), Novo Império, Pega no Samba, Rosas de Ouro, Tradição Serrana, Unidos da Piedade, Unidos de Barreiros e Unidos de Jucutuquara. ■ As escolas são divididas entre o Grupo A, que desfila na sexta-feira e conta com oito agremiações integrantes, e o Grupo Especial, que desfila no sábado e é composto por seis escolas. ■ As agremiações concorrem entre si, dentro de seus respectivos grupos, de modo que a campeã do Grupo A, no desfile do próximo carnaval, passará a integrar o Grupo Especial, sendo a primeira a desfilar no sábado; e a última colocada do Grupo Especial passa a desfilar no Grupo A, na sexta-feira. A escola que conquista o primeiro lugar do Grupo Especial é consagrada campeã do Carnaval de Vitória. Investimento de R$ 2,5 milhões em 2017 Em 2017, os investimentos da Prefeitura no Carnaval de Vitória somaram mais de R$ 2 milhões, de acordo com o Secretário Municipal de Turismo Trabalho e Renda da Prefeitura de Vitória, Leonardo Krohling. O secretário enfatizou que é durante os dias do desfile das escolas de samba que a movimentação financeira aumenta na Capital. “Os desfiles são a cereja do bolo. É nesses dias que atingimos em torno de 70% de ocupação hoteleira, geramos cerca de dois mil empregos somente diretos. Calculamos que nos dias de desfile sejam em torno de 12 milhões circulando em serviços pela Capital”, estimou. Além da arrecadação durante os desfiles, Krohling lembra que o Carnaval oficial também movimenta e contribui para a economia da capital. “Temos a oportunidade de ter dois carnavais, dois movimentos de ocupação carnavalesca, que é primeiro o desfile de Vitória, que acontece uma semana antes da folia oficial, e a data do Carnaval nacional, que é quando a ocupação hoteleira em Vitória chega a 96%”, contabilizou. Em perspectiva nacional, o Carnaval do Rio de Janeiro recebeu 977 mil turistas em 2016. A receita gerada por esses turistas ao município foi de cerca de R$ 2,2 bilhões. Nos bairros de Ipanema e Leblon, a ocupação hoteleira chegou a 92%. Em Co- pacabana, foram ocupados 85% dos quartos, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo (Riotur). Em solo capixaba, além dos investimentos da Prefeitura de Vitória, em janeiro deste ano foi assinado um convênio entre o Governo do Estado e a Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses), que disponibilizou R$ 550 mil para as escolas de samba, sendo que R$ 200 mil foram destinados pela Secretaria de Turismo (Setur) e R$ 350 mil pelo Banestes. Os recursos foram repassados para o custeio de fantasias das 14 escolas que passarão pelo Sambão do Povo neste Carnaval. Na ocasião, o governador do Estado, Paulo Hartung, lembrou que o desfile das escolas de samba de Vitória promove uma importante mobilização turística e socioeconômica e considerou que o investimento nele é fundamental. Krohling explicou que, desde 2016, a Prefeitura implantou um modelo de gestão em que a iniciativa privada investe no desfile, por intermédio da Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses). “O modelo que implementamos desde o ano passado é muito mais de iniciativa privada. Quando entramos, os desfiles custavam 10 milhões para os cofres públicos. A redução foi significativa. Com esse modelo de gestão, muito mais privada do que pública, o que acontece dentro da arena é por conta da Liga”, enfatizou. Dessa forma, a Lieses ficou responsável pela venda de ingressos, cadastramento de ambulantes e toda infraestrutura interna do Sambão do Povo, onde acontecem os desfiles. Enquanto isso, a limpeza, iluminação e outros serviços referentes ao entorno do sambódromo continuam sob responsabilidade da Prefeitura. “Esse modelo de iniciativa privada para que a Liga possa criar a melhor forma de comercialização foi muito inovador e nos proporcionou uma economia de 80% do que era investido anos atrás”, concluiu o secretário. ■

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14 FEVEREIRO DE 2017 VITÓRIA/ES FOTO: FRED LOUREIRO / SECOM FOTO: BETO MORAIS / ARQUIVO SECOM 17 ANOS FOTO: BETO MORAIS / ARQUIVO SECOM O programa estabelecido alcança várias atividades e visa, principalmente, a população jovem de bairros de alta vunerabilidade social, o que reduz o índice de violência Ocupação social é prioridade Secretaria de Direitos Humanos do Governo do Estado fecha primeiro ano com avanços em áreas de risco ASecretaria de Direitos Humanos (SEDH) do Governo do Estado, criada em julho de 2016, fechou o primeiro ano de existência com avanço nas ações voltadas à proteção, defesa e promoção dos direitos dos moradores do Espírito Santo. O marco deste primeiro ano de existência foi a coordenação do Programa Ocupação Social, um dos projetos estruturantes do Governo do Estado. Durante 2016, mais de quatro mil jovens moradores de 25 bairros de alta vulnerabilidade social foram atendidos com ações de desenvolvimento pessoal, por meio de cursos de qualificação profissional ou de empreendedorismo, atividades culturais, esportivas e de promoção à renda. O Ocupação Social realizou uma ampla pesquisa de rua para entender os jovens e traçar atividades de acordo com seus interesses e oportunidades no próprio bairro em que vivem. Durante esse levantamento, que foi feito por 150 bolsistas contratados, todos moradores dessas comunidades, mais de 3.400 ruas dos 25 bairros incluídos no programa foram mapeadas e com geo-referenciamento de equipamentos públicos (como escolas e unidades de saúde), espaços de convívio (a exemplo de praças) e comércio local, tanto o formal quanto o informal. Mais de 3 mil moradores desses bairros foram entrevistados. Além disso, os jovens aplicaram uma pesquisa inovadora com mais de 6,2 mil crianças, adolescentes e jovens moradores dessas áreas que tinham abandonado os estudos. O resultado saiu em janeiro de 2017 e revelou que esses jovens querem voltar para a sala de aula, fazer cursos de qualificação e ocupar um bom lugar no mercado de trabalho. Entre os jovens entrevistados, 89% pretendem voltar a estudar, com 41% deles buscando alcançar o curso superior; 83% desejam fazer cursos de qualificação profissional, 75% sonham em abrir o próprio negócio e 99% reconhecem que o trabalho é importante para sustentar a família e garantir a educação dos filhos. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em parceria com a SEDH e o Fundo de Amparo à Pesquisa e Inovação no Espírito Santo (FAPES). O secretário de Estado de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, explica que essa pesquisa é fundamental para que o governo entenda do que o jovem precisa para ter um ofício ou voltar a estudar. Além disso, permite que seja traçado o perfil econômico do bairro e quais as oportunidades de crescimento profissional dentro de sua própria comunidade. Com essas informações, são traçadas as estratégias de ensino e geração de renda. “Fazemos ações que permitem que o jovem aprenda um ofício. Apontamos onde esse jovem pode ganhar dinheiro e como ganhar dinheiro pode transformar o lugar em que vive. Esse processo nos coloca em um segundo estabelecimento de diálogo: não mais pesquisa, mas o acompanhamento e o retorno dos jovens. Uma coisa é chegar para um garoto desses e oferecer a oportunidade. Outra é mostrar um jovem que já passou por esse sistema e serve de exemplo para o outro”, completou o secretário. FOTO: COMUNICAÇÃO DA SEDH Parceria importante com o “Sistema S” A partir das informações obtidas com as pesquisas sobre os jovens dos 25 bairros incluídos no programa de Ocupação Social, as ações de geração de emprego e renda nos bairros são iniciadas com o apoio do Sistema S. O secretário de Estado de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, explicou que esses cursos de formação técnica, que já são estruturados, foram adaptados para o público desses bairros, de acordo com as informações descobertas pela pesquisa. “Tivemos uma adequação de cursos para nos aproximar e aproveitar o máximo potencial daqueles jovens. Às vezes, os cursos eram oferecidos em bairros onde essa juventude não mora nem frequenta. Não estavam próximos do público que mais precisa e nem tinham um papel de transformação social em áreas com grande potencial”, explicou o secretário. Além dos cursos de qualificação, há um microcrédito, o Nosso Crédito #maiscomunidade, em parceria com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), para os moradores dos bairros atendidos. Para isso, foi assinado um termo de cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), que garante a oferta de microcrédito. A previsão é de que sejam investidos R$ 8 milhões para financiamento voltado especialmente para os jovens. O limite para crédito em cada projeto é de R$ 10 mil, que podem ser parcelados em até 36 vezes. O crédito pode ser adquirido, por exemplo, por coletivos culturais e por jovens profissionais para a compra de equipamentos relacionados ao ofício aprendido. A previsão é de que 10 mil jovens sejam atendidos pelo Ocupação Social neste ano. “A lógica que temos é oferecer cursos. Aprendendo a profissão, ou o jovem busca emprego, ou empreende. Para quem quer empreender, entra o Sebrae, que dá orientação sobre os primeiros passos e para incrementação e aperfeiçoamento. Estamos colocando um agente de microcrédito em cada bairro de ocupação social. Agora que o jovem já tem um ofício, já sabe como transformar no negócio, falta o recurso, e aí entramos com o microcrédito”, declarou o secretário. FOTO: BETO MORAIS / ARQUIVO SECOM Os projetos são desenvolvidos levando em conta o interesse dos jovens, de acordo com pesquisa específica A área cultural merece especial atenção dos projetos

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17 ANOS VITÓRIA/ES FEVEREIRO DE 2017 15 FOTO: BETO MORAIS / ARQUIVO SECOM O CEET Vasco Coutinho oferece vários cursos dentro do programa, inclusive maquiagem, fotografia e DJ Objetivo é valorizar a educação Um dos objetivos do atual secretário de Direitos Humanos e Ocupação Social, Júlio Pompeu, é fechar a unidade de internação do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) até o final do ano de 2018. Até o final de 2017, o secretário quer que 100% dos jovens que passam por medidas socioeducativas estejam estudando. Ele afirma que esses objetivos serão alcançados com o aumento da estrutura, a maior implementação do regime de semiliberdade e com a ajuda dos municípios. “Quero fechar a unidade de internação do Iases. Oferecemos, hoje, 756 vagas de internação e vamos inclusive aumenta-las. Vamos inaugurar uma unidade feminina e mais uma ala em Xuri. Vamos chegar próximo a 800 vagas. Hoje, temos pouco mais de 1100 internos. A internação não é a única medida socioeducativa, é uma delas, e que deveria ser a última, para casos mais graves e severos. Temos outras medidas pouco exploradas, como a semiliberdade, para a qual o estado oferece apenas 36 vagas, além das medidas municipais, que pretendemos reforçar, e estamos estudando formas de fazer repasse de recursos financeiros”, detalhou o secretário. Para que esse resultado seja alcançado, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Poder Judiciário estão trabalhando de forma integrada para adiantar a solução dos processos que fazem com que os adolescentes fiquem internados. O secretário explicou que o prazo legal é de 45 dias, mas devido ao trabalho do judiciário, a decisão dos processos vem sendo tomada em um só dia. “Quero a internação como último recurso. Quero esse aumento de vagas não como aumento, mas como mudança estrutural. O Iases tem que ser a nossa última trincheira com os jovens. Quando é a primeira, piora a situação”, enfatizou o secretário. “Criar mais unidades de internação é admitir o nosso fracasso. É admitir que todo o resto falhou: politicas sociais, policiamento e repressão. Admitir que o sistema social, a educação falhou. Não queremos admitir derrota. Temos que reforçar as estruturas de educação e emprego para que isso não aconteça. Isso dá resultado. É mais barato e é mais sensato”, concluiu o secretário. ■ Júlio Pompeu é o secretário de Direitos Humanos e Ocupação Social FOTO: DIVULGAÇÃO

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