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Poemas urbanos de Frederico Barbosa

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signicidade frederico barbosa dulcinÉia catadora 2009

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as tramas e as trilhas da cidade um exercício para o olhar o que tramam as trilhas da cidade para o observador das esquinas e das ruas molhadas de luzes e faróis de todos os mapas e rotas de fugas luta fogo fúria faísca viva eis a resposta que num ímpeto o poema como um corpo capaz de revolta nos oferece como uma voz que adverte o leitor da nudez necessária para ver/sentir/ouvir a cidade arquiteta seus planos adentrar os poemas de signicidade de frederico barbosa é tecer a cada verso a arquitextura do olhar daquele que não apenas vê a cidade mas a percebe com um reservatório de eletricidade atuando como um caleidoscópio dotado de consciência que em imagens revela suas descobertas a cada passada a cidade é uma construção humana um habitat de signos e de sentidos uma floresta de símbolos como já nos fazia crer baudelaire em seu poema correspondances e no clássico ensaio o pintor da vida moderna quando ao traçar sua compreensão da modernidade situavanos no movimento do olhar que percorre a forma dos seres e dos lugares num gesto apaixonado como um eu insaciável do não-eu que a cada instante o revela e o exprime em imagens mais vivas do que a própria vida sempre instável e fugidia ao seguirmos as tramas que frederico barbosa tece nesta signicidade um oxímoro máximo se insurge ao nosso olhar como compreender as correspondências e contrastes de uma louca completa de tons segredos como se abismar em seus túneis e viadutos ruelas e becos como habitá-la ainda que de passagem na poesia que emerge no vento que leva a quase saia da beleza citadina cuja jóia surpresa lapidada que desaparece na boca quente do metrô revela-se no olho da flor de farol como um sinal de diferença como romper com a indiferença e revelar na memória da retina da palavra a imagem flagrada a seco pela objetiva da câmera a cidade esse signo que emerge ao nosso olhar nasce para ser destruído e redescoberto em fragmentos de sons-palavras-movimento nos poemas reunidos aqui em mosaicos de fotos e lances de sentido numa poética alheia a qualquer imagem idílica alheia a qualquer homenagem submissa ao ícone construído pelo homem esta signicidade emerge do olhar do poeta que inscreve na paisagem a letra com que rasura a cidade e a transforma em poesia susanna busato 3

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seguir tantas tramas impressas na rua nas bancas nas páginas em cada nova leitura uma antiga descoberta reverbera 5

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nudez 1984 corpo capaz de revolta luta fogo fúria faísca viva a cidade arquiteta seus planos 6

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ep em sp uma traição 1982 a aparição dessas multifaces no metrô não como pétalas de chuva mas como ar bustos molhados de suor 7

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o ano passado na são silvestre 1986 os passos largos já um tanto lentos na avenida paulista traduziam em movimento a agonia final da reta finda círculo sutil fechando um ciclo vento varrendo fermento 8

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esquinas das ruas molhadas 1984 do farol o vermelho se irradia sol os olhos fechando na água iluminada feixes poças poemas nada quase 9

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av brasil sp 1987 flor de farol colhida às pressas entre o tédio maquinal da marcha lenta sinal de diferença em meio à indiferença metálica desses corpos impessoais na agonia da imobilidade densa semáforo signo insano ensaio de abalo sísmico lente de aumento no amor e na impaciência 10

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paralelo enzimático 46o40 nove movimentos pelas ruas de são paulo 1983 11

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i destes todos poetas de dúvidas e baratos exala um jeito de resto a gastronomia do gasto os que empacam e param no ato cortando retocando o indispensável cavam a troca do already made o já era pelo não desfeito 12

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ii noite clara visão subterrânea penetrantemente longo suor os lábios lambem os beijos balas e pavor subvertente corrente paralela corrida veloz ruas cidade rebelde acabar sim como camus e james dean 13

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iii terroristas em tiroteio ferida a faca e bala a fala poesia em oposição não mais frase de efeito sobre o fato mas fincar ferir defeito no flagrante da relação placa de platina faca de alumínio busca de plutão deslocar agravar falsear 14

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iv quase manhã de dia a dentro reinventando nada entre memória e lenda respirando rente ao chão pó por entre todos os poros o mau humor deste mundo todo sujo e lento fumando bogart e godard entrelaçado invento paciência de espera lenta cético opor nada entre um e outro tempo 15

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