Revista Consciência 127

 

Embed or link this publication

Description

Revista Consciência 127

Popular Pages


p. 1

2017 - Ano 24 - nº 127 Inauguração da Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Simb∴ Raul Sans de Matos nº 38 - GLEMS www.revistaconsciencia.com.br Qualidades para a iniciação maçônica Tolerância maçônica Estando tudo justo e perfeito Loja Raul Sans Matos nº 38 - GLEMS Campo Grande / MS

[close]

p. 2

Acesse www.revistaconsciencia.com.br e veja nossos produtos Ligue (67) 3025-6325 / 3028-3333 EmCampoGrande/MSvisitenossoShowRoom: R.INÁCIOGOMES,119-SÃOLOURENÇO-CEP79041-231 Esq.eComp.VazadoDourado Esq.eComp.Triang. Esq.Comp.Triangular Coraçãoc/Esq.e Ref. BT001 D Azul com Filete Ref. BT007 A Comp. Azul Ref. BT006 A Ref. BT008 A Folha de Acácia Ref. BT012 (Media) AcáciacomPingente AcáciaOval Ref. BT013 Ref. BT014 Esquadro Venerável Ref. BT024 Esquadro Venerável Ref. BT025 Águia Bicéfala 33 Verm. Ref. BT035 V Demolay Caval. e Maçom Ref. BT039 A Bode Ref. BT041 Pomba Ref. BT045 Bandeira Paz Ref. BT048 Band. Brasil x Esq. e Comp. Ref. BT049 EsquadroCompassoStrass AcáciaEsq.eCompasso EsquadroeCompasso DemolayAlumni Esq.eComp.Trabalhado Ref. BT055 A Ref. BT070 V Ref. BT 076V Ref. BT092 Grande -Dourado Ref. BT115 Coração Arco-Íris Ref. BT128 FilhasdeJóLoira Esq.eComp. ComEscrita OvalVermelho Ref.BT133 Ref. BT138 V Conjunto Completo Venerável Mestre para Grande Loja e Grande Oriente Avental Mestre Maçom Gravatas Lisa várias cores com bordado do Esquadro e Compasso Ref. AV 01 Ref. AV 08 Adesivos Diversos Modelos Quant. Mínima 10 Ref. AD 01 Ref. AD 02 Ref. AD 03 Ref. AD 04 Adesivos de Metal Dourado Prateado Chaveiros diversos modelos Prendedores de Gravata Esq. e Comp. Vazado Grande PG002 Esq. e Comp. Liso Vermelho G003 V Cavalaria + Demolay PG008 Esq. e Comp. Trabalhado Azul PG009 A Demolay Esq. e Comp Vermelho PG011 V Canetas Diversos modelos Chav. Malhete Dourado Ref. CH 021 D Esq. e Comp. Azul Giratório Ref. CH 023 A Esq. e Comp Red. Dourado - Verm. Ref. CH 026 V Chav. Acácia Oval -Dourado Ref. CH 028 D Chav. Demolay Recortado - Dourado Ref. CH 043 D Esq. e Comp. Vazado Frat. - Lib. - Iguald. Ref. CH 055

[close]

p. 3

Editorial Vale a pena ter esperança A crença no Grande Arquiteto do Universo, Criador dos Mundos, permite ao Maçom analisar e compreender, primeiramente, que nada ocorre por acaso e que somos fruto de uma causa inteligente e que a todos governa. Premissa posta, o Maçom consegue ir além, e vislumbrar como a Providência Divina rege com humildade, misericórdia, prudência e sabedoria o destino de nosso planeta, dando-nos o frio e o calor, propiciando-nos o lenitivo e permitindo-nos a dor conforme nossa condição moral, espiritual e intelectual. Basta que se observe, na história da humanidade, a árdua trajetória percorrida pelas religiões monoteístas, particularmente a Cristã, a partir da vinda do nosso maior Mestre, o Cristo de Deus. Jesus, dada a ignorância do povo de sua época, foi mal compreendido, processado, julgado e condenado à cruz. Incontáveis cristãos sofreram com a perseguição romana até Roma acolher o Cristianismo como religião oficial três séculos após a crucificação do Messias. Todavia, Roma cai cerca de cem anos depois e o mundo mergulha em mil tenebrosos anos. Escuridão e trevas marcam a terrível Idade Média, longo período marcado por ignorância e violência. Não havia solo fértil para os livre-pensadores, que o diga Galileu. Nesses mil anos prevaleceu a intolerância religiosa, com o braço armado Templário, de um lado, e os sanguinários tribunais do Santo Ofício (Inquisição), de outro. Tudo em nome do Cristo e com o sublime propósito de expandir a fé ocidental aos hereges de todo o mundo. Cessam, enfim, as trevas e eis que ressurgem as luzes, acesas com mais brilho nos céus da França, expargindo-se rapidamente até chegar ao novo continente. Nova esperança renasce, décadas de predomínio da razão despontam entre nós. Eis que o Grande Arquiteto torna a vislumbrar na humanidade o solo fértil a receber sementes renovadas de tolerância, amor, temperança, dentre tantas outras virtudes a tanto tempo adormecidas. A breve cronologia, meus Irmãos, tem apenas o propósito de lembrar a todos que, apesar das turbulências, vivemos período de solo fértil sim, de semeadura. Basta ver que o mais temido braço do Santo Ofício, a Inquisição Espanhola, só encerrou oficialmente suas atividades em 1834, há 183 anos, portanto. Hoje, apesar do fanatismo religioso que ainda sobrevive em certos rincões e assombra o mundo, as fogueiras, torturas, julgamentos infudados e injustos não são mais a regra de conduta nos Estados Democráticos de Direito. Lembremos, ainda, que até 1890 não havia liberdade de culto neste país, o que só foi obtido com a Proclamação da República. Portanto, não nos desesperemos. O Grande Arquiteto do Universo é paciente e soube esperar, em cada fase de nossa história, o momento certo de arar e revolver nossa terra; de semear e de colher bons frutos. Certamente, já aramos muito nos últimos séculos. A semeadura tem sido feita. Vamos aguardar a colheita. O nosso futuro é promissor, requer perseverança, mas também esperança, de que não só nosso país, mas o planeta como um todo vai melhorar. Afinal, se nossa missão, enquanto Maçons, é tornar feliz a humanidade, temos certeza de que estamos no caminho certo, cumprindo nosso dever. Um próspero ano novo para toda a Família Maçônica, repleto de saúde, harmonia, esperança e prosperidade, é o que deseja a direção da Revista Consciência. 3edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 4

3 Vale a pena ter esperança Editorial 5 Modernidade ou tradição? Tradição ou modernidade? Palavra do Grão-Mestre Amilcar Silva Júnior 7 Política maçônica Antônio da Silva Costa 8 Qualidades para a iniciação maçônica Walter Sarmento de Sá Filho 9 A origem dos companheiros Marcos Antonio Cardoso de Moraes 10 Não é preciso religar o ser humano ao Criador Biblioteca Charles Evaldo Boller 12 Apontamentos sobre a tolerância maçônica Antônio Carlos Chagas - M∴M∴ 14 A busca da verdade e a prática da virtude através dos filósofos clássicos Irmão José Simião Gonçalves 15 Estória da câmara de reflexão Hercule Spoladore 16 Melindre maçônico, você tem? Fabricio Zerial de Almeida 18 A Ordem após 709 anos de traição Alfonso Rametta dos Santos Netto 19 A instrução, fator essencial da educação maçônica Davys Sleman de Negreiros 20 Liderança Osni Adres Lopes 22 Estando tudo justo e perfeito João Carlos 24 Qualificações do Venerável-Mestre Alfério Di Giaimo Neto 26 Fraternidade maçônica como instrumento de formação de um corpo Genício Neves e Olavo Figueiredo e Eli de Souza 27 Maçom nato por seus frutos Irmão Tiago Antunes 29 O tempo, a idade e a maçonaria Paulo 31 Separar o joio do trigo Keizo Ogushi 32 O mar de bronze Laurindo Roberto Gutierrez 34 Humildade é força Brahma Kumaris Loja Estrela do Oriente nº 01 Fundada em 27 de maio de 1898 Rua Delamare, 410 - Oriente de Corumbá/MS CNPJ 02.586.377/0001-08 Filiada à ABIM - Assosiação Brasileira de Imprensa Maçônica com Registro N0 06 DEPARTAMENTO DE VENDAS E RECEBIMENTO DE CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 6001 - C. Grande/MS - CEP 79002-971 Fones (67) 3028-3333 / 3025-6325 / 3331-5361 Celular (67) 99984-2819 revistaconsciencia@revistaconsciencia.com.br ademir@revistaconsciencia.com.br www.revistaconsciencia.com.br • R. Inácio Gomes, 119 - São Lourenço - CEP 79041-231 DIRETOR Ademir Batista de Oliveira ademir@revistaconsciencia.com.br PRODUÇÃO EDITORIAL Jornalista Responsável: Marco Aurélio S. do Nascimento marcoasn_73@hotmail.com COLABORADORES A colaboração na Revista Consciência não gera vínculo trabalhista • Campo Grande/MS Juvenal Cordeiro Barbosa (67) 3321-5360 / 99985-0758 Osvaldo Freitas (67) 3028-4695 / 99905-3124 • Aquidauana/MS Arlindo (67) 3241-1779 • Natal/RN Alci Bruno (84) 3234-5909 / 99101-5315 Argemiro Pereira da Cunha (84) 3231-8777 / 99401-5159 • Brasilia/DF Valfredo Melo e Souza (61) 99976-1452 • Divinópolis/MG Gabriel Campos de Oliveira (37) 3216-0808 / 99987-7633 • Santa Maria/RS Hugo Schirner (55) 3222-0536 • Sinop/MT Joel Monteiro Lopes (66) 3531-2650 / 99231-7544 • Rondonópolis/MT Cicero Belarmino da Silva (66) 3422-3006 / 99994-8533 • Porto Velho/RO Francisco Aleixo da Silva (69) 3229-1556 / 99972-1027 • Manaus/AM Janio Pessoa de Araujo (92) 3634-7703 / 99121-6577 • Presidente Prudente/SP Sergio Pereira Cardoso (18) 3221-5941 / 99742-4367 PROJETO GRÁFICO André da Silva Cerqueira (comp&art) 100217 Visite nosso site e veja os vários eventos Maçônicos. Conheça também nossa Loja virtual: www.revistaconsciencia.com.br Visite nosso Show Room em Campo Grande/MS: R.InácioGomes,119-SãoLourenço-CEP 79041-231 Fones(67)3025-6325/3028-3333 A Revista Consciência é um veículo independente, não vinculada a Potências ou Lojas Maçônicas. Os artigos assinados não refletem necessariamente o pensamento da direção da Revista, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.Os trabalhos enviados à redação são analisados pelo Conselho Editorial, podendo ser ou não publicados. Os originais não serão devolvidos aos autores. Atenção: Solicitamos aos nossos colaboradores que enviem seus artigos com o título, o nome completo, Loja e local. EXEMPLO: José da Silva • Loja Perfeita Luz nº 00 (Potência) • Campo Grande/MS ficha técnica www.revistaconsciencia.com.br SEDE PRÓPRIA PROJETO GRÁFICO IMPRESSÃO E ACABAMENTO R. Inácio Gomes, 119 - São Lourenço CEP 79041-231 - Campo Grande/MS (67) 3025-6325 / 3028-3333 comp_art@uol.com.br (67) 9983-6214 www.printexpress.art.br (18) 3642-9001 VEICULAÇÃO NACIONAL Tiragem 5000 Exemplares 4 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 5

Ir∴ Amilcar Silva Júnior Grão-Mestre GOMS/COMAB AMCLA - Academia Maçônica de Ciências, Letras e Artes AMLMS - Acd. Maç. de Letras de MS AMAFLE - Acd. Maç. Fluminense de Letras Modernidade ou tradição? Tradição ou modernidade? D epende sempre da ótica e entendimento de cada indivíduo. Quem vem primeiro, a modernidade ou a tradição? como se estabelece uma tradição? É fato que na Ordem Maçônica deparamos diariamente com a palavra “tradição”. Nada pode ser alterado, nada pode ser mudado, atualizado, contextualizado, adaptado. Tudo tem uma razão de ser e uma data antiga que garante e dá credibilidade ao ritual, procedimentos, constituições e regulamentos. No próximo dia 24 de junho de 2017 a maçonaria estará comemorando uma novidade ou tradição? Serão contados 300 anos da existência da primeira obediência ou potência maçônica, denominada Grande Loja de Londres, com a reunião de quatro lojas, fato que se considera a passagem do período operativo ao período especulativo. Trata-se de uma novidade ou tradição? Para os que fundaram a Grande Loja, denominada “premier grand lodge”, eram apenas quatro entre mais de cem (aproximadamente) da região metropolitana de Londres. Apenas quatro lojas que iniciaram um processo de potência que hoje é usado por cem por cento da maçonaria universal. Para as 96 lojas (aprox.) restantes se tratava de uma novidade. Não concordaram. Ficaram contra. Estava sendo alterado a antiga e tradicional maçonaria, em que a máxima “maçom livre na loja livre” era o usual, a regra aceita e mantida. Que absurdo! Vão acabar com a maçonaria! Pra mim isso não é maçonaria! Sou contra! Sou totalmente contra! Estão infringindo as regras! Tô fora! E por ai vão outras manifestações que certamente ocorreram por toda a Inglaterra. 5edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 6

Afinal se tratava de uma alteração de raiz, que modificava a essência da loja, retirava soberania, mesmo que ainda mantivesse a autonomia! Como toda novidade, com certeza, os antigos de ordem se colocaram terminantemente contra. “Porque não nos consultaram? Não demos nossa aprovação! Se não vieram nos perguntar antes, como podem fazer isso? Absurdo esses jovens que nada entendem de maçonaria.” Penso que algum leitor desta singela peça de arquitetura já ouviu algo neste sentido. Pois é. Não tem jeito de negar. A Grande Loja de Londres hoje tão festejada era uma novidade que causou muitas discórdias entre os maçons ingleses. Era uma ruptura, uma forma de deixar de lado os maçons operativos e dar ênfase aos maçons denominados especulativos. Sayer, Payne, Desagulliers e Montagú, grão-mestres naquele período da “novidade maçônica” não eram operativos. Apoiaram-se numa alteração da tradição centenária da maçonaria em criar uma potência e um cargo de grão-mestre. Apoiaram e confiaram a outro especulativo para realizar a primeira constituição. Anderson em 1710, sete anos antes da Grande Loja, era venerável de uma loja e alterou drasticamente a “zona de conforto” e a tradição, pois levou a loja que se reunia em pátio de igreja para dentro de uma taverna. As reuniões de sábado ao meio-dia passaram para a noite! “Acabou com a tradição”, disseram muitos, sem dúvidas. Pois é. Violaram a tradição trazendo novidades abomináveis na época e hoje muitos maçons falam com toda convicção que a Grande Loja de Londres é pura tradição! Como toda transição é traumática (nem sempre é a regra), o período denominado operativo estava em total declínio desde a queda de Constantinopla, encerrando o período da “idade média” para a “idade moderna”. Trata-se se um evento social, de grande escala, de ampla manifestação histórica para a humanidade. Todas as grandes obras cessaram com a Europa praticamente falida. As grandes catedrais, castelos, mosteiros e abadias estavam já edificadas e não havia mais razões e dinheiro para novas construções de grande porte. Daí que se iniciou um processo em que os operativos foram, lentamente, perdendo mercado de trabalho. Na Inglaterra, especialmente, ainda se edificava, mesmo em baixa escala, e o ano de 1666 foi crucial para o estabelecimento da maçonaria após o grande incêndio de Londres. No ano de 1600 já estava registrada a entrada de especulativo na ordem. Seria o primeiro? O que se sabe é que foi o primeiro registro documental. E a partir de então, iniciou-se o movimento que lentamente levaria a diminuição dos operativos e o acréscimo dos especulativos, até que em 1717 se estabeleceu a mudança definitiva. Os antigos de ordem sempre primando por manter a tradição, mas às vezes se esquecem de que foram eles mesmos, quando jovens, que deram roupagem nova para maçonaria. Um simples exemplo: A tradição da antiguidade era de nada registrar das reuniões (nem papel e tinta eram possíveis adquirir). Depois que se conseguiu papel, quantos poderiam escrever se a maioria dos maçons era analfabeta? Evoluíram com a constituição escrita e, então muitos começaram a aprender a ler. Atas começaram a ser redigida de forma contrária a tradição da oralidade. Depois falaram que era para “registrar a história”. Mais uma novidade contra a tradição. Atas em livros começaram a ser registrados em Cartórios. Que absurdo. Infringem a tradição divulgando o conteúdo! Depois vem a informática e vejam só... as atas agora estão em disquetes, CDs e pen-drives, nos e-mails e até em WhatsApp. Mataram de vez a tradição da oralidade. Pois é. Não vivemos mais nos anos de 1600. Hoje temos a tecnologia a nosso favor e a tradição deve dar lugar a novidades. Usamos no dia-a-dia as novidades, as melhorias da sociedade em geral em todas as áreas. Nosso corpo se altera no passar dos anos, dos meses, dos dias. “Novidades” surgem com o branquear dos cabelos, de sua queda desordenada e constante, da barriga que, não sei porquê, teima em querer chegar primeiro, entrar primeiro pelas portas. Novidades surgem há todos os instantes desde o passado mais remoto. Não temos como controlar isso. Ficar indignado, contrário, receoso, não tem jeito. Elas simplesmente acontecem e não nos pede licença. Então meu irmão! A Grande Loja de Londres de 1717, que vai completar 300 anos, é uma novidade ou uma tradição? Fraternalmente, 6 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 7

Política maçônica Ir\ Antônio da Silva Costa Fonte: Foco Arte Real AMaçonaria, enquanto Instituição iniciática, filosófica, progressista e evolucionista, que pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, está comprometida com o bem-estar das nações e dos povos do mundo e não com partidos e/ou grupos políticos que são transitórios e que precisam modificar-se, de acordo com as circunstâncias e interesses. Em seus Templos, cultua os bons costumes e os elevados ideais da consciência humana; Tem como cerne de seu pensamento a liberdade, a igualdade e a fraternidade universal; é a compreensão do que seja estabelecer a igualdade social entre os homens desiguais; materializa a implantação de um mundo harmônico e justo. Os Maçons como cidadãos podem e devem participar das diversas instâncias decisórias da sociedade, a fim de que, munidos do Ideal Maçônico, possam contribuir para que reine a justiça em todas as suas formas: a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade humanas. A Maçonaria faz e tem uma política que pertence à sua própria essência de sociedade iniciática. Ela concebe as atividades sociais, políticas, culturais, econômicas e religiosas como verdadeiras contribuições para a elevação espiritual dos homens e como instrumentos dialéticos da construção de um novo mundo, onde a fraternidade, a paz e o amor sejam os valores fundamentais. O aperfeiçoamento íntimo do homem é o caminho que a Ordem Maçônica estabeleceu como base para a edificação do novo templo universal (o mundo); a política e a filantropia, a promoção cultural e a divulgação das ciências são atividades que devem refletir um maior grau de transformação dos seus membros. Todos os povos e nações constituem uma só comunidade, este é o princípio que se deduz da própria concepção de que o gênero humano tem sua origem comum em Deus, o Grande Arquiteto do Universo, como se expressam os Maçons. E por se expressarem assim em relação a Deus, por vezes os Maçons são censurados por aqueles não afeitos aos ensinamentos bíblicos. Observem o que diz o Novo Testamento nos Livros Hebreus 11, 10: “[...] Abraão esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus”; ou em Atos dos Apóstolos 10, 30 – 45: “[...] Pedro então começou a falar: de fato estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas. Pelo contrário ele aceita quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença”. A Maçonaria luta para que os homens possam receber todo o seu quinhão de lazer, cultura, educação, habitação, alimentação, saúde, esportes, segurança, etc. O espírito maçônico e, consequentemente, o de sua política é essencialmente de liberdade, de fraternidade, de libertação material, de progresso e de solidariedade. A política maçônica visa garantir a inviolabilidade do foro interno do homem, que é sagrado. O Maçom, quando político, só deve parar diante do Tribunal que o Criador colocou para orientar “nossa consciência”. A consciência humana é o ponto de interseção do humano com o divino, o farol que ilumina nossos passos diante da escravidão. O ex-presidente da República do Brasil, Dr. Nilo Peçanha, dizia que a “Maçonaria é uma escola perpétua de altruísmo. Nessa escola, o homem aprende o que seja a fraternidade no seu mais puro sentido. Como a fraternidade é a pedra angular da democracia, eis que o altruísmo democrático domina todo o ideário maçônico”. Shopping Campo Grande Loja 1103A Av. Afonso Pena, 4009 - C.Gde/MS countryeciashopping (67) 99693-3431 / 98112-2727 Ir Alan Lemes Seja um consultor da Revista Consciência ((6677))33L0i0g22u58e--63332353revistacwonwscwie.rnecviais@tarceovnisstcaieconncisac.iceonmci.ab.crom.br em sua cidade. 7edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 8

Qualidades para a iniciação maçônica Ir\ Walter Sarmento de Sá Filho Fonte: Grupo Memórias e Reflexões Maçônicas As qualidades que se esperam de um profano para que possa ingressar na Maçonaria devem ser as que têm por base as condições morais e a sabedoria, no que diz respeito ao sentimento profundo e altruísta, com relação ao procedimento legítimo de respeito e apreço aos semelhantes. Em evento realizado na cidade de Campina Grande (PB), ouvíamos falatório de profanos, alusivos à nossa Sublime Ordem, da decadência que atravessava a Instituição em função do grande número de Irmãos iniciados em nossos Augustos Mistérios e, atualmente, que se declaravam ex-Maçons. E que, para confirmar tal estado de coisas, bastaria simples pesquisa com os Irmãos adormecidos a fim de indagar sobre quais os motivos que os levaram a abandonar a Ordem Maçônica. Dentre os motivos alocados suscitaram a falta de cultura dos Maçons, a falta de força moral dos que a dirigem, a realidade de que a Maçonaria é um simples clube de serviço e entretenimento, além de que as bandeiras que defendia na Antiguidade, tais como liberdade, igualdade e fraternidade, estão fora de época, ultrapassadas, sem serventia para os nossos dias. Assim, após presenciar tantos disparates e arrogância, filhas legítimas da ignorância, respeitosamente, pedi licença e solicitei a palavra para expressar a verdade sobre o significado da filosofia maçônica, tão trágica e covardemente agredida, começando pelos seguintes pontos: 1 - Embora todos os candidatos à iniciação sejam honrados e justos, não perseveram na luta íntima de combate aos vícios e às paixões e fogem para continuarem com esses vícios e paixões nos seus corações. 2 - A finalidade primeira da Ordem é melhorar os que lá se matricularam em seres humanos mais dignos e honrados, por meio de boas ações e de estudos edificantes, para poderem contribuir com um futuro melhor para toda a humanidade. 3 - Salvo as exceções, a grande maioria dos que abandonam a Maçonaria o fazem por fraqueza íntima, pois não conseguem suportar a qualidade de vida que lhes é orientada para construir um homem de ideal, humilde, honesto em todos os aspectos, tanto no profissional, no familiar, no cidadão e perante o que seja bom, belo e justo, no mais fiel entendimento de uma estrita moral. 4 - Percebemos que ao saírem da Maçonaria não aprenderam a dominar as más paixões e, consequentemente, não realizaram nenhum progresso na Sublime Instituição. 5 - Ao ingressar na Ordem, o verdadeiro Maçom lança o olhar para a luz, para o alto, para o GADU; ao contrário, em atitude exatamente oposta, o incauto se compraz em continuar alimentando o seu orgulho, olhando para baixo, persistindo em fomentar os vícios e as paixões que o animalizam. 6 - Todo verdadeiro Maçom goza de boa reputação, ou seja, apresenta um som espiritual de evolução. A partir daí identifica-se em qual degrau da escada evolutiva cada um se encontra, falando e exemplificando aquilo que sai da boca em consonância com seu coração. 7 - O bem está em alta, e é a moeda corrente de nossa INSTITUIÇÃO, a qual, em hipótese alguma, está decadente. Ao contrário, decadente está o mal, cabendo aos Maçons a responsabilidade de extirpá-lo definitivamente da face da Terra, a fim de cumprir o seu o objetivo maior que é o de tornar feliz a humanidade. 8 - Não obstante, serve de alerta para todos nós Maçons, que, peremptoriamente, inadvertidamente, muitas vezes, descuidamo-nos de beber da fonte fecunda de nossa Respeitável Ordem. 9 - Percebe-se que a ignorância anda solta a todo vapor. Prudência e cautela nos competem assumir. Enfim, quando Buda foi indagado por um discípulo para que resumisse todos os seus ensinamentos, depois de pensar um momento, respondeu: “cessa de praticar o mal; aprende a praticar o bem; limpa teu coração”. Tal é a religião dos Budas. Nós somos um só. 8 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 9

A origem dos companheiros Ir\ Marcos Antonio Cardoso de Moraes Loja Márcio Dutra nº 455 - Oriente de Assis/SP Omais genuíno de todos os Graus Maçônicos é o de Companheiro, por ser uma síntese histórica e doutrinária na qual se basearam todas as fases da ascensão do Obreiro ao mais alto Grau de qualquer Rito. Não é um Grau intermediário, é o ciclo principal de todas as Doutrinas Maçônicas, razão pela qual não pode ser considerado perfeito Maçom o Obreiro que não o conhecer de modo satisfatório. Na Maçonaria Operativa o Mestre não passava de um Companheiro mais experimentado e mais indicado para dirigir as construções e contratar as empreitadas. As cinco viagens simbolicamente representadas nos Rituais especulativos posteriores e as respectivas passagens de uso de vários instrumentos, como se demonstra na Iniciação do Grau, constituem uma sugestiva reminiscência dos tempos da Maçonaria profissional e, principalmente, da época medieval das Corporações e respectivas Fraternidades. As “franquias”somente eram concedidas a Obreiros formados e a direção de obras, ou melhor, o mestrado cabia exclusivamente àqueles que houvessem viajado e participado de edificações levantadas em várias cidades. ORIGEM DO GRAU DE COMPANHEIRO Até os anos de 1670, não existe um único documento registrado, que cite o Grau de Companheiro. O Grau de Companheiro Maçom nasceu então por volta da década de 1670. Desde o ano de 1356, onde nasceu a Maçonaria Documentada, registra, até a década de 1670, predominou o grau de Aprendiz. Todos os antigos Catecismos, especialmente os mais confiáveis, só mencionaram Aprendiz e Companheiro trabalhando juntos. A exemplo da palavra Mestre (Masters) que não significava Grau, mas sim, um Cargo, o termo Companheiro também não significava Grau e, sim, um tratamento especial válido para todos os componentes da Associação, que eram chamados de Companheiros desde o Aprendiz até o Mestre da Lojas. Não havia Graus, e a maioria das Lojas dividia seus membros em duas categorias: Aprendizes Juniores (recém-ingressados) e Aprendizes Seniores (os mais antigos). O Grau de Companheiro teve origem nos Aprendizes Seniores que, a partir de 1670, começaram a criar Sinais, Toques e Palavras, diferenciadas das dos Aprendizes Juniores. Todavia, não havia reuniões, nem Cerimônias especiais para esse Grau. Até os Painéis desenhados nos assoalhos das Tavernas era um só, para Aprendizes e Companheiros. Apesar de o Grau de Companheiro ser relativamente recente, ele é o primeiro Grau Organizado, pois o Grau de Aprendiz não era um Grau, era uma condição, um início de Profissão, um trabalhador incompleto, sem o pleno domínio da profissão. Com a criação do Grau de Companheiro pelos poucos Maçons “Aceitos”, até então, houve por bem adotar uma Palavra de Passe, própria, que fosse desconhecida dos Aprendizes. Era uma Palavra válida para os dois Graus –Aprendizes e Companheiros. Mas não havia nenhum segredo entre os Aprendizes e Companheiros, tudo era comum entre eles. Com o ingresso dos “Aceitos”, homens de posses e homens da nobreza, começaram a surgir alguns A Gazeta Maçônica Compromisso com a Verdade Ouça a Rádio "A Gazeta Maçônica" e-mail: contato@agazetamaconica.com.br www.agazetamaconica.com.br Fones (11) 2605-9302 / 3486-4872 9edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 10

preconceitos. Nos Banquetes de Iniciação, por exemplo, os Aprendizes comiam na cozinha e os Companheiros comiam na sala. Essa questão aparece em cinco dos dezessete Documentos mais antigos, os quais contêm essa questão da diferença entre o Grau de Cozinha e o Grau de Sala. Outra questão que merece algumas palavras é a adoção pelos Maçons “Aceitos”, de uma Palavra de Passe de Companheiros. Algum Irmão bem versado em Bíblia, buscou nesta, na Guerra dos Efraimitas, a palavra utilizada, palavra essa que tem sua história dentro do Velho Testamento, e a partir daí passou a ter também grande significação dentro da Maçonaria. O Ritualismo especulativo do Grau de Companheiro não se definiu senão no século XVIII e anos depois da data de São João de 1717, marco da fundação oficial da primeira Grande Loja do mundo, a de Londres. O sentimento de solidariedade, que nasce da sincera e íntima comunhão entre os Irmãos, deve ser a constante preocupação do Companheiro.Se a Liberdade é o ideal do Aprendiz, que aspira a Luz, a Igualdade é o do Companheiro, para que possa solidificar os sentimentos de Fraternidade. Às qualidades e aspirações do Aprendiz, deve o Companheiro, acrescentar a capacidade de rea­ lizar, praticamente, em atividade construtiva, os conhecimentos adquirido. Não é preciso religar o ser humano ao Criador Biblioteca Charles Evaldo Boller AMaçonaria fomenta o desenvolvimento de bons conceitos de vida em sociedade quando constrói a sensibilidade para com a dimensão mística que tira o homem de sua condição de simples predador da natureza. Ao abraçar a alimentação metafísica do homem no Deísmo, filosofia naturalista que crê na criação do universo por inteligência, a Maçonaria Especulativa cria meios ao homem de religar-se diretamente, sem intermediários, ao Criador dos Mundos. O objetivo das religiões é intermediar a religação do homem com o divino, através do que obtém poder sobre os povos. O objetivo da Maçonaria não é acabar com as religiões, mas livrar o homem do obscurantismo e fanatismo de modo que possa evoluir em liberdade. O universo e sua crescente complexidade é a definitiva prova de que existe um Princípio Criador inteligente que dota as criaturas de livre-arbítrio. Isso é suficiente à busca do Maçom na religação com o divino. Tal posição é humilde e destituída do raciocínio de a Terra ser o centro do universo e do Antropocentrismo, de o homem ser a única criatura eleita, predileta e exclusiva da divindade. O Princípio Criador revela-se nas leis da natureza e não se intromete na sequência de fatos da natureza nem na vida da criatura. O tempo e seus eventos correm por conta de leis fixas no princípio. O ato criativo leva em conta a mais ampla liberdade de cada criatura tomar suas próprias decisões e responder pelas consequências. O Princípio Criador apenas deu partida e regulamentou os processos naturais e a correspondente evolução em graus de complexidade crescente. No respaldo da Filosofia Deísta, define-se que o homem que acredita numa divindade que interfere nos assuntos da natureza ou da criatura não é livre. Para promover a liberdade, a Grande Loja Unida da Inglaterra se declara Deísta. Todo Maçom se alinha com esta filosofia quando na iniciação vê a Luz, a capacidade de usar o próprio entendimento sem a direção de outro (do alemão Aufklärung, em português, Iluminação: Kant). A Iluminação significa deixar de se arrastar submisso na confusão dos doces e fáceis dogmas revelados pela religião, onde Voltaire declara que na incapacidade “é mais fácil simplesmente aceitar as declarações oficiais”. A postura isenta do Maçom com respeito à prova científica da existência de deuses o leva a não ser qualificado adepto da Teologia 10 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 11

Natural, parte da filosofia da religião que tenta provar a existência de deuses e seus atributos. A Maçonaria não discute ou debate a este respeito porque não é de seu interesse ou competência. A vantagem disso é de o Maçom não ser qualificado “ateu natural”. Ele simplesmente não discute com teístas. É Deísta por opção até que se manifeste a Luz espiritual que revele a verdade neste aspecto. Fugir destas elucubrações de tentar explicar deuses pela razão ou em resultado de experiência é assunto que fica a cargo das religiões teístas com sua Teologia da Revelação. O Maçom também não segue a Teologia Transcendental que exige a concepção racional a priori (Kant) ou a Filosofia Vedanta, que mergulha na comprovação científica de deuses e conceitos. A especulação maçônica normalmente não envereda no Eruditismo, ostentação ou mania de erudição tão comum nos meios intelectuais. O Maçom deixa de ser escravo do ego. Pratica a especulação filosófica maçônica e busca alcançar a verdade. O Eruditismo esconde a religação em meio a complexos pensamentos e verbosidade ardilosa que mais confundem que esclarecem. O erudito religioso, em razão da crescente necessidade prosélita de domínio político, descarrega seu fardo teológico carregado de dogmas inexplicáveis, complicados e recheados de Eruditismo proposital, de modo a definir exclusividade sobre as coisas divinas existentes naturalmente dentro de cada indivíduo. A viagem do Maçom para dentro de si mesmo Depara-se com a assinatura do Criador dos Mundos ao descobrir lá dentro um universo microscópico semelhante ao grande universo de fora. A manifestação divina está dentro da criatura e nunca teve necessidade de religação. A religação das religiões é geradora de massas de manobra para o vil sistema humano de domínio e exploração que esmaga o homem que não aprendeu a andar sem o entendimento de outro. Aprender a andar com os próprios recursos exige aporte de imensa responsabilidade: primeiro para si mesmo e depois para aqueles que ainda não sabem caminhar pelo universo sem a direção de outros. Libertar o homem, em sentido lato, é a linha mestra da Filosofia Maçônica. A atividade religiosa implica a religação consigo mesmo, o que é absurdo: não há necessidade de religação. Desligar o homem do Criador pelo pecado, gerando culpa, é interesse de poder das religiões. A manifestação divina está em todo lugar. Principalmente naquilo que se encontra presente dentro de toda criatura do universo, o sopro de vida, o ato de amor que permite a percepção do universo pela inteligência. Tudo está interligado e dispensa religação. O Grande Arquiteto do Universo está em permanente ligação com suas criaturas. É só aprender a andar e deslocar-se livremente pelo universo e modificar aquilo que as leis naturais permitem. Adquira seu livro visitando nosso Show Room em Campo Grande/MS R. INÁCIO GOMES,119 - SÃO LOURENÇO - CEP 79041-231 Fone (67) 3025-6325 / 99600-3636 11edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 12

Apontamentos sobre a tolerância maçônica Ir∴ Antônio Carlos Chagas - M∴M∴ Enviado pelo Ir∴ Luiz Thadeu - Loja Ordem e Progresso nº 25 GLEMS Quando admitidos na Ordem, aprendemos e apreendemos a nos devotar à causa da tolerância e da liberdade contra o fanatismo e a perseguição; e à causa da educação, instrução e esclarecimento contra o erro, a barbárie e a ignorância. A estes objetivos dedicamos nossas mãos, corações e intelectos. Cada vez que as nossas Lojas sejam abertas deveremos, solenemente, relembrar nossos votos tomados nos seus altares. Desta feita vamos divagar um pouco sobre TOLERÂNCIA. Tolerância, com a convicção de que os outros possuem o mesmo direito da fé em suas próprias opiniões, tal como temos nas nossas. Nenhum ser humano pode dizer, com certeza, o que é a grande verdade, ou que, seguramente, esteja na sua posse. Claro que é possível que outra pessoa igualmente sincera e honesta, ainda que sustentando uma opinião contrária, possa estar de posse da verdade e, que seja lá o que for que ela sustente firme e consciente é, para ela, verdade. Nenhum Maçom verdadeiro deve, ou pode, desmerecer ou escarnecer, convictamente em honestidade e zelo, da causa ou da opinião que alguém sustente ser verdade e justiça. Ao contrario, deve, esse Maçom, negar veementemente o direito de alguém assumir prerrogativa de divindade e condenar a fé e as opiniões dos outros como merecedoras de punição. O homem nunca teve o direito ou a prerrogativa de condenar e punir outros por suas crenças e opiniões. O que é verdade para mim, não é verdade para outrem. Respeitemo-nos! Toleremo-nos! Aceitemo-nos! Ninguém tem, efetivamente, o direito de asseverar que é o único certo, onde outros, igualmente inteligentes e bem informados afirmam, com veemência, a opinião contrária. O QUE É VERDADE? Questão profunda, talvez a mais difícil de ser respondida. Muitas crenças, muitos conceitos de tempos passados e até mesmo do presente nos parecem incompreensíveis. Elas nos surpreendem a cada novo olhar sobre nossa alma, essa coisa misteriosa e que se torna mais e mais misteriosa, à medida que a estudamos e notamos os sentimentos. Eis, aqui, um homem superior a mim em sabedoria, inteligência, intelecto e aprendizagem; todavia, ele acredita com sinceridade naquilo que a mim me parece um absurdo; não posso, em sã consciência, conceber e nem acreditar que ele seja tanto mentalmente são, quanto honesto. E, ainda assim ele o é, ambos, são e honesto! Sua razão é tão perfeita quanto a minha, e ele é tão honesto quanto eu próprio! Quando pessoas são diametralmente opostas umas às outras, e cada qual delas é honesta, quem decidirá qual possui a VERDADE? E, de que modo qualquer, uma delas pode dizer, com certeza, que está certa? NÃO SABEMOS O QUE É A VERDADE!!! Nenhum homem é responsável pela certeza que tem; ele é responsável, sim, mas apenas pela sinceridade da certeza que tem. Nenhum homem, mesmo e principalmente o Maçom, que verdadeiramente obedece à Lei Maçônica, simplesmente, meramente, tolera aqueles cujas opiniões e concepções são contrárias às dele. Pelo contrário, para o verdadeiro Maçom, toda opinião de uma pessoa é sua propriedade particular e, o direito de todos manterem, cada um, opiniões, é perfeitamente igual. Simplesmente, ou meramente, tolerarmos, ou sermos pacientes com opinião oposta, é assumir que ela seja equivocada, errada, irreal. E ao mesmo tempo nós é que estamos em confronto, pois que a tolerância e a paciência exercidas, nós a tomamos como méritos nossos, pois não? A nossa filosofia, a nossa consciência, como Maçons, obrigam-nos a ir mais longe que isso. Não acreditemos que alguém tenha 12 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 13

qualquer direito, de forma alguma, de intervir nas crenças ou concepções de quem quer que seja. Que cada homem seja absolutamente soberano em suas opiniões, suas crenças e suas concepções. Essa questão a Maçonaria deixa e envia para o Grande Juiz, DEUS. E então a Maçonaria abre suas portas e convida para lá entrar e viver em paz, harmonia e concórdia cada homem que pretenda levar uma vida verdadeiramente moral e virtuosa; que queira ajudar seus Irmãos, socorrer os necessitados, acreditando no Único, Onipotente, Onisciente e Onipresente Deus. Aquele cujas bênçãos, derramadas sobre nós, fazem-nos sentir a mais sincera gratidão hoje, amanhã e sempre. Grande Loja do Estado de Mato Grosso do Sul Campo Grande Loja Raul Sans Matos nº 38 inaugura Templo Em noite memorável para a família maçônica, a respeitável Loja Raul Sans Matos nº 38, filiada à GLEMS, inaugurou seu próprio Templo. Após vários anos de intenso labor, os Obreiros da Oficina se despedem do antigo endereço, não sem antes agradecer ao convívio harmônico e à hospitalidade da Loja Ordem e Progresso nº 25, da qual, até então, locava as instalações. Certamente que o mérito de mais esta conquista é compartilhado entre todos os Irmãos da Raul Sans Matos, mas não se pode deixar de registrar, para fins históricos, a conclusão do processo de transferência conduzida pelo Venerável-Mestre, Irmão Sílvio Elabras Haddad. Registre-se, ainda, a presença à Sessão do Obreiro mais antigo da Loja, Irmão Felipe Jorge Saab, o qual se fez acompanhar de seu Irmão, consanguíneo e maçônico, CláudioWanderlei Luiz Saab. Parabéns à Oficina pela nova sede. 13edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 14

A busca da verdade e a prática da virtude através dos filósofos clássicos Ir∴ Irmão José Simião Gonçalves Filósofo e V∴M∴ da G∴B∴L∴S∴ Nilo Peçanha nº 12 Or∴ Alta Floresta D’Oeste/RO “É sábio o homem que pôs em si tudo o que leva à felicidade ou dela se aproxima”. Sócrates (469 – 799 a. C.) Opondo-se ao relativismo de muitos pensadores de sua época, principalmente aos sofistas, que afirmavam que a verdade e a prática da virtude dependem das circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes – fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento, o saber verdadeiro, conduz à prática da virtude em si mesma, que tem caráter uno e indivisível. Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida. Para ele a busca da verdade tem que passar necessariamente pelo caminho do autoconhecimento. Inspirado no aforismo “Conhece-te a ti mesmo”, julgava mais importante os princípios universais porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas. Platão foi o segundo da tríade dos grandes filósofos clássicos, e, como Sócrates, rejeitava a posição dos sofistas, que “afirmavam que podiam defender igualmente teses contrárias, dependendo dos interesses em jogo”. “Platão, ao contrário, pensava em uma busca continuada da virtude, da justiça e da verdade”. Para ele “toda virtude é conhecimento”. Ao homem virtuoso, segundo ele, é dado conhecer o bem e o belo. A busca da virtude deve prosseguir pela vida inteira. A busca do conhecimento verdadeiro é condição si ne qua non para a prática da virtude e a busca da verdade. Por isso, para Platão, a educação não pode se restringir aos anos de juventude. Educar-se é um processo que dura toda uma vida. E quem se esquece desse princípio, acaba se perdendo no caminho. Platão rejeitava os métodos de ensino autoritários de seu tempo. Ele acreditava que a melhor forma de educar seria levar o aluno a descobrir as coisas por conta própria, para que pudesse se desenvolver livremente. Nesse ponto, a pedagogia de Platão se aproxima de sua filosofia, em que a busca da verdade é mais importante do que a imposição de dogmas incontestáveis. O último, e não menos importante, da tríade dos filósofos clássicos foi Aristóteles. Segundo ele, “A educação é um caminho para a vida pública”. Cabe à educação formar o caráter do homem. Perseguir a virtude significaria, em todas as atitudes, buscar o “Justo Meio”. A prudência e a sensatez se encontrariam no “meio termo” ou na “justa medida”, no equilíbrio – “O que não é demais nem muito pouco”; nas palavras do filósofo. A virtude, para Aristóteles, é uma prática e não um dado da natureza de cada um, tampouco o mero conhecimento do que é virtuoso. Para ser praticada constantemente, a virtude precisa se tornar um hábito. E esse hábito deve ser adquirido por meio da educação. Ou seja, para o filósofo, não basta o conhecimento para o homem se tornar virtuoso. O saber é importante, mas, por si só, não leva à prática da virtude. Esta deve ser adquirida pelo hábito, pela prática. O conhecimento sem a prática é estéril. Aristóteles define o homem como ser racional e considera a atividade da razão, o ato de pensar, como a essência humana. Assim, para ser feliz, o ser humano deve viver de acordo com sua essência, isto é, de acordo com a sua racionalidade. Orientando seus atos, através de sua consciência reflexiva, a razão o conduzirá à pratica da virtude. Segundo o filosofo, a única 14 edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

p. 15

faculdade que o homem possui exclusivamente e que o distingue dos demais seres é a razão, o pensar de forma racional. Essa seria, portanto, sua virtude essencial. Assim, o ser humano só alcançará seu fim e bem supremo (a felicidade) se atuar conforme sua virtude, que é a razão. Tomando como princípio esta premissa aristotélica de que o uso da razão e a prática da virtude são o caminho para a felicidade, não é difícil deduzir o porquê de tanta infelicidade no mundo atual!!! Pensem nisso meus Irmãos... Estória da câmara de reflexão Conto-Ficção Ir∴ Hercule Spoladore Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil” - Londrina/PR Sessão Magna de Iniciação linda! Durara quase quatro longas horas. Todos satisfeitos, apertos de mãos, abraços tríplices, elogios sem fim, alguns exagerados por parte de alguns Irmãos, mas é assim mesmo nestas ocasiões. A emoção toma conta de todos, mas com maior intensidade especialmente por parte de alguns. Ele estava satisfeito e feliz, havia se tornado Maçom, e agora um antigo sonho seu estava realizado. Seu Pai, grau 33, seu grande modelo de vida, agora no Oriente Eterno, ou onde quer que esteja estará orgulhoso do seu amado filho. Ele fora o único candidato que se apresentou naquela Iniciação. Por ironia os outros dois não compareceram não puderam ser iniciados naquela noite. Aliás, ele havia pensado muito neste aspecto quando ele estava na mofada Câmara de Reflexão, situada no velho porão do templo antigo. Quanta coisa lhe passou pela mente naqueles momentos e depois seguindo-se a cerimônia, até lhe tirarem a venda, quanta surpresa. Jamais pensou que ser iniciado na Maçonaria era daquela forma. Ainda estava em estado de graça, em estado alterado da mente, raciocinando normalmente, mas sem poder julgar friamente tudo o que estava se passando consigo. Será que todos os iniciados que passam por aquele lugar cheio de mofo e ácaros, ar impuro, sentem as mesmas emoções? Foi encaminhado após a Sessão ao salão de banquete, alegre, um pouco cansado, mas muito tranquilo e feliz, admirou todos os maçons presentes todos bem vestidos ternos escuros engravatados, achou bonito estes costume, um pouco inusitado atualmente, mas sabendo que era tradicional, achou bonito. Durante o banquete quando iniciaram os discursos, achou que estes destoaram muito de toda aquela festa, porque três ou quatro Irmãos proferiram longas e repetitivas falas, algum trecho sem nexo, estando um deles embriagado. Ele pensou: será que maçom tem também este costume? Mas tudo bem. Hoje é dia de festa. Terminado o banquete o seu Padrinho, seu velho amigo que o havia acompanhado até a porta do templo e o deixado lá horas antes para ser preparado para a iniciação, também o levou para casa. No caminho, o carro sendo dirigido em baixa velocidade, ambos conversando trocando ideias e impressões sobre a cerimônia que acabava de ser realizada. O afilhado todo entusiasmado começou a fazer perguntas. E o Padrinho respondendo-as em detalhes, com aquele ar de superior solenemente tentava explicar todo o simbolismo da Iniciação. Conversa vai conversa vem ele começou a citar o que mais lhe havia impressionado durante a Iniciação. Disse que em primeiro lugar foi quando lhe tiraram a venda, não imaginava que havia tantos Maçons dentro do Templo, alguns com espadas voltadas para si, ficou tomado de forte emoção. Achou até que os Irmãos deveriam estar ao seu lado empunhando as espadas não contra si, mas contra um provável inimigo oculto talvez representado por algum símbolo. Apesar da fala do Venerável Mestre explicando o simbolismo daquele procedimento, as espadas em realidade estavam voltadas para ele. O Padrinho sempre explicando que todos estes procedimentos são simbólicos, que as espadas eram para defendê-lo e não agredi-lo. 15edição 127 • 2017 • www.revistaconsciencia.com.br

[close]

Comments

no comments yet