Gazeta Valeparaibana

 

Embed or link this publication

Description

Fevereiro 2017

Popular Pages


p. 1

Ano X - Edição 111 - Fevereiro 2017 Distribuição Gratuita RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA - 25 de março de 1824 A Constituição Política do Império do Brasil, vulgo Constituição de 1824, foi a primeira e única constituição do Brasil Imperial, bem como a primeira constituição a reger o território brasileiro (Portugal adotou só sua primeira constituição em 1822). Outorgada pelo imperador D. Pedro I e vigente até a declaração da república em 1889, essa Constituição foi a mais longeva e estável do Brasil, sendo marcada por peculiaridades como o Poder Moderador e esforços sinceros de se criar uma sociedade progressista, estabelecendo o voto (indireto e censitário) e direitos civis aos cidadãos. na. Características gerais A Constituição de 1824 diferencia-se da atual (1988) por ter sido outorgada (efetivada sem participação popular) e semirrígida (possibilitava modificações em seu texto). Em todo o resto, as características são idênticas, sendo ela uma Carta formal e escrita (é um documento sistematizado de regras), analítica (ou prolixa, dispondo minuciosamente sobre vários tópicos) e dogmática (elaborada por um órgão constituinte). Contexto histórico Um produto da independência brasileira, a Constituição de 1824 surgiu da necessidade de legitimar o novo império e de formalizar um equilíbrio entre as várias classes sociais que disputavam o poder político após o fim do regime português, especialmente os escravocratas, que temiam revoltas da população majoritariamente escrava, e os imigrantes ainda leais a Portugal ("Partido Português"). Divisão de poderes A Constituição de 1824 é mais conhecida por sua peculiar divisão de poderes, com a inclusão do Poder Moderador entre o executivo, legislativo e judiciário. Com o objetivo declarado de resolver impasses e disputas, o Poder Moderador, na prática, foi uma maneira de assegurar a autoridade do Imperador sobre os demais poderes. Direitos civis e religião Notadamente, o título oitavo da Constituição garantiu alguns direitos inalienáveis a todos os cidadãos brasileiros, considerado "cidadão" qualquer pessoa livre natural ou naturalizada no Brasil: o direito à liberdade, à segurança pessoal e à propriedade. No âmbito religioso, ela estabeleceu o catolicismo como única religião oficial do Estado, havendo liberdade de culto a outras religiões somente no âmbito doméstico, ou seja, sem demonstrações em local público. Apesar desta restrição, a liberdade religiosa era ampla na prática. Direito de voto e eleição O estabelecimento do voto para o poder legislativo (Assembleia Geral) foi a tentativa de conferir um caráter popular à Carta, limitado pelo fato de este ser indireto (cidadãos votavam em Eleitores de Província, que então escolhiam os parlamentares) e censitário (limitado por condições financeiras). Embora as eleições primárias fossem permitidas a qualquer cidadão, os Eleitores de Província deviam ser homens livres, sem antecedentes criminais e com renda anual superior a 200 mil réis. Para candidatos a deputado, o valor subia para 400 mil réis, com a exigência de seguir a religião oficial; para senadores, cujo cargo seria vitalício, o valor era de 800 mil réis, mais idade mínima de quarenta anos. Caros Leitores, Falar sobre o pensamento. Pode ser ção de alguns estudos recentes a esse respei- Como você já devem ter reparado, apresenta- falar sobre o direito à liberdade de pen- to, a história da Maçonaria ainda é muito pouco mos um novo espaço no site da Gazeta Vale- samento, que é um direito fundamental conhecida, não tendo chegado a se constituir paraibana, G-ciencia. garantido constitucionalmente, no artº em tema corrente de pesquisa acadêmica. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. Leia mais - Página 2 5, inc. IV da Constituição Federal. Pode ser falar de um dos direitos básicos assinalado nos Direitos Fundamentais do ser humano, nos tratados internacionais e nas constituições da maioria dos países do mundo. Leia mais: Página 3 Durante o século XIX são várias as referências às ações da Maçonaria no Brasil. Apesar disso, com exce- Leia mais: Página 4 O Problema da Intolerância Hoje em dia, está-se novamente testemunhando bastante um antigo problema humano chamado intolerância. E hoje em dia há um fenômeno aparentemente paradoxal à primeira vista, de intolerância por parte de “tolerantes. Leia mais: Página 5 CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Baixe o aplicativo IOS NO SITE www.culturaonlinebr.org Violência escolar: uma reflexão sobre suas banheiros, uma enorme varanda Beethoven na biblioteca de meu com cadeiras de balanço e redes, pai, e que isso despertou meu na frente, um lindo jardim com vari- interesse pela música sinfônica. causas e o papel do Estado edade de plantas e flores. Ao fun- Devo a meu pai também minha A violência, independente do lugar na do, um enorme terreno com fogão paixão pela ópera. qual é apresentada, deve ser analisa- à lenha onde assavam pães e por da de uma forma cuidadosa, especial- vezes reuniam-se para uma prosa mente quando o assunto é violência praticada por crianças e adolescentes. e com muitas árvores frutíferas onde as crianças adoravam brincar e Leia mais: Página 6 traquinar. Leia mais: Página 11 Insulto, logo existo No momento em que eu apenas uso o rótulo, perco a chance de ver engenho e OVELHA NEGRA Leia mais: Página 8 arte. A crítica e o contradi- Estabelecidos em uma confortável casa com dez quartos, sala de jantar e de estar, copa, cozinha, biblioteca, lavabo, quatro Personagens inesquecíveis da Música - II No mês passado me referi à minha descoberta das partituras das sinfonias de tório são fundamentais. Grande parte do avanço em liberdades individuais e nas ciências nasceu do questionamento de paradigmas. Leia mais: Página 13 Dez anos a serviço da educação, da cidadania e valorização das culturas e tradições brasileiras

[close]

p. 2

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial - Novidades !!! Olá caros Leitores, Como você já devem ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o “G-Ciência”. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta pode prticipar’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: g-ciencia@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “G-Ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. Após a publicação, o trabalho (que pode ser classificado como TCC, artigo científico, dissertação e tese) ganhará espaço na home do SITE e no Jornal DIGITAL, fomentando o debate sobre o tema em questão. Espero que o ‘C-SE Científico’ seja útil para você, afinal ele foi pensado para unir os “amigos da comunicação”. E saiba: estou à disposição para o que for preciso – inclusive para receber críticas e sugestões sobre o projeto. Agradeço desde já pela atenção. Abraços, Filipe de Sousa Editor responsável da Gazeta Valeparaibana A seguir algumas dicas sobre trabalhos e publicações: 1. Leia sobre o que já feito Antes de começar um projeto de pesquisa, é importante checar diversas conteúdos da área para conhecer tudo o que já foi falado sobre o tema. Uma das sugestões apresentadas pelo professor Volpato é ler artigos de boas revistas internacionais. Além disso, é preciso fazer um levantamento de publicações que podem ser utilizadas para dar base ao seu projeto. 2. Pense no nível que a sua pesquisa irá atingir Antes de fazer um projeto é preciso identificar o nível de ciência que se pretende atingir. Identifique algumas publicações científicas que estariam no patamar da sua pesquisa. Você pretende atingir uma Science, com abrangência em diversas áreas de conhecimento, ou deseja focar em uma publicação especializada? Se a sua resposta for publicar em um veículo científico de grande abrangência, será necessário pensar e elaborar a sua pesquisa de forma que ela seja compreensível para o maior número de pessoas possível, incluindo outras áreas de conhecimento. 3. Apresente uma novidade Não existe uma boa pesquisa sem algo novo ou relevante. “Os pesquisadores têm dificuldade de aceitar que o tema da sua pesquisa não apresenta uma novidade”, conta Volpato. Segundo ele, após ler sobre o que já foi desenvolvido dentro do tema, é necessário encontrar uma nova abordagem. Uma pesquisa muito repetitiva não pode apresentar grandes contribuições científicas. 4. Saiba a hora certa para começar a escrever Muitas pessoas começam a escrever o seu artigo na hora errada. Segundo Volpato, para manter a unidade do texto é importante ter uma ideia completa do trabalho. Não comece a adiantar algumas partes do seu artigo sem ter concluído a pesquisa, analisado e interpretado dados. Antes de começar a escrever, o professor afirma que é necessário já ter em mente a resposta para algumas perguntas: 1) Como surgiu a pesquisa? 2) Onde você chegou? 3) Como chegou nesse caminho e o que me faz aceitar a sua história? 4) O que isso muda na ciência? 5) Por que as pessoas se interessariam por isso? 5. Tenha em mente o tipo de revista que você gostaria de publicar Após ter uma visão geral do trabalho, respondendo as perguntas anteriores, comece a pensar na revista que você deseja ter o seu trabalho divulgado. Leia diversos artigos e tente observar o formato que eles seguem. “É bom conhecer o jeitão da revista”, apontou Volpato. Pense nessa estrutura quando estiver escrevendo. 6. Mantenha a lógica no texto Na hora de escrever é preciso observar se as ideias da pesquisa não estão se contradizendo. De acordo com o pesquisador, muitas pessoas acabam cometendo erros nesse item. Introdução, desenvolvimento e conclusão devem estar muito bem alinhados e relacionados. Todas as partes devem apresentar coerência e lógica. Releia o texto e veja se ele consegue manter uma unidade. Não use freses sem sentido. 7. Encontre a medida certa O tamanho do texto não quer dizer qualidade. “Nenhuma palavra a mais, nenhuma palavra a menos. A gente tem que saber sintetizar”, apontou Volpato. Segundo ele, as pessoas tendem a achar que os trabalhos mais longos são os melhores. No entanto, o número de páginas não é sinônimo de qualidade. É importante apresentar todos os argumentos de maneira clara e objetiva. Para o professor e pesquisador, a elaboração de um artigo deve ser semelhante a de um prédio. “Ele precisa ser vistoso, importante, sólido e econômico”, defendeu. 8. Seja claro e evite palavras que dificultam o entendimento Nada de prosopopeia para acalentar bovinos (ou seja, a famosa expressão “conversa para boi dormir”). Tente tornar a sua pesquisa mais acessível e troque as palavras de difícil entendimento. Segundo Volpato, a ciência tem um caráter transdisciplinar, porém, quando você escreve um artigo cheio de termos técnicos e palavras desconhecidas, a sua pesquisa tende a ficar restrita apenas para pessoas da área. “É importante pensar que você está escrevendo um texto para ser lido por diferentes públicos.” 9. Compartilhe o seu conhecimento Após concluir um artigo é importante tentar a sua publicação em revistas de divulgação científica. Segundo o professor Volpato, a divulgação da pesquisa é tão importante quando a redação. É a partir da publicação que você poderá compartilhar o seu conhecimento com outros pesquisadores. Além disso, também terá a oportunidade de submeter o seu trabalho para avaliação de outros especialistas. Antes de enviar um artigo para análise, observe atentamente o formato exigido em cada publicação. Algumas revistas têm normas específicas que devem ser seguidas, incluindo padronização de estilo, quantidade de caracteres e outras referências. 10. Acompanhe os resultados Não pense que a publicação do artigo é o último passo. Após divulgar a sua pesquisa, tente observar a repercussão do seu trabalho no mundo científico. Observe as contribuições acadêmicas da sua pesquisa. Ao visualizar quem está citando o seu artigo, procure entender quais reflexões estão sendo geradas a partir dele. Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

[close]

p. 3

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês Pensamentos e ações Falar sobre o pensamento. Pode ser falar sobre o direito à liberdade de pensamento, que é um direito fundamental garantido constitucionalmente, no artº 5, inc. IV da Constituição Federal. Pode ser falar de um dos direitos básicos assinalado nos Direitos Fundamentais do ser humano, nos tratados internacionais e nas constituições da maioria dos países do mundo. Art.19 DUDHDeclaração Universal dos Direitos Humanos diz: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.” Como pode ser falar daquilo que nos vai à mente. Daquilo que sonhamos e desejamos, do que não queremos, ou queremos muito, do que não dizemos e que é só nosso. “A liberdade de pensamento é um direito fundamental essencial para nosso desenvolvimento pleno como ser humano. Não pode ser ameaçado “, reprimido. É de suma importância para que as divergências apareçam, os contrários surjam e novas ideias possam brotar de toda essa pluralidade. É claro que se tenho liberdade para pensar, vou querer emitir minha opinião, minhas impressões sobre o que vai no meu íntimo. Cada um é livre para refletir sobre o assunto que lhe convém. Somos livres para pensar.” (excerto do meu artigo: A liberdade de pensamento). Assunto vasto, falado de todas as maneiras, cantado, tema de poesia, verso e prosa, de livros e músicas e rimas. Chega-nos através da nossa mente em abstrações, ou algo produzido e planejado por nós, racionalizado e às vezes verbalizado. Precisamente aí é que começam os nossos problemas. A partir do momento em que deixamos as palavras o traduzirem. Um pensamento sobre um amor que só eu sei que sinto, é algo só meu. Quando falo desse amor, posso ser correspondida ou posso sofrer uma decepção por que a recíproca pode não existir. Quando emito uma opinião foi por antes ter pensado sobre o assunto, e a partir daí, estou sujeita a ouvir uma contestação, ou uma crítica, que poderá ser boa ou ruim. Poderei ser confrontada pelo que expressei. Sofrerei consequências, e dependendo do que foi dito, até punições. Aí é que entra o meu direito (de expressar o que penso) e a minha responsabilidade pelo que digo. Pensar para nós é vital. Existimos então pensamos. Não importa o que. Pensamentos bons, maus, tristes, divertidos, horríveis, felizes, não importa, faz parte de nós. Pensar sobre o futuro, passado, presente, o real e o irreal. É algo que trazemos a mente. Podemos controlá-lo, ou podemos deixar fluir, viajar nos devaneios da mente, sem direcioná-lo para algum lugar. Provavelmente quando estamos assim descuidados é que temos as melhores ideias, os melhores insights, num estado de relaxamento da mente. Você já pensou como seria uma vida sem pensamentos? É inimaginável. Definir o que é pensamento é algo complicado, as várias ciências tentaram, mas não se tem um conceito claro, nem no dicionário esse conceito é bom. É algo muito complexo. Existe um limite para nossos pensamentos? Com certeza não, a não ser o que eu mesmo me imponho. Através dos nossos pensamentos conseguimos lidar com o mundo e tudo que isso implica. Somos seres que pensam o tempo todo, de forma consciente ou inconsciente. Vamos ter cuidado com o que pensamos, pois nossos pensamentos podem se tronar realidade. Quando os pensamentos se tornam pessimistas, podem influenciar de forma negativa a nossa existência, virando preocupações às vezes descabidas. Pensar negativamente sobre algo, sobre uma situação nos traz prejuízos a saúde mental e física, Podendo nos levar a estados depressivos. Não podemos não pensar, mas podemos ter mais cuidado com o que pensamos. Vamos pensar positivo. Vamos pensar coisas boas, querer bem, pensar em passar amor, em passar boas energias. Pensar grande, pensar amorosamente. Com certeza esse energia boa vai contagiar as pessoas ao redor, e uma corrente de bons pensamentos irá fluir. Isso torna nossa vida melhor. E quando colocarmos em prática o que pensamos, vamos ter o cuidado para que nossas ações não desrespeitem o outro. Vamos agir respeitando os direitos do próximo. A linha que separa até onde vai o meu direito e onde começa o do outro é tênue. Até onde posso ir sem desrespeitar e sem invadir a o espaço de alguém? Acredito que meu direito vai até onde o meu agir não prejudique ninguém. Que nossos pensamentos nos levem longe, que sejam bons, produtivos, nos façam sonhar, nos impulsionem, que a gente consiga dosar emoção e razão. Que a gente pare para pensar aonde queremos ir. Para onde o mundo está indo. Para onde a humanidade está se encaminhando. Vamos pensar qual a nossa participação nesse caminhar. Estou fazendo a minha parte? Estou pensando em como posso melhorar esse planeta? Estou pensando e agindo coletivamente, preocupado (a) com o outro e o mundo que nos cerca? Pensar. Pensar e agir. Quem sabe aproveitarmos o dia do pensamento ( 22 de fevereiro ) para pensar e repensar nossa existência, nossos caminhos, nossos quereres, nossos sonhos, e incluir nesses pensamentos amor, muito amor, pois só ele é capaz de transformar o mundo. Calendário Algumas datas comemorativas 04 - Dia do Amigo do Facebook 13 - Dia Mundial do Rádio 16 - Dia do Repórter 20 - Dia Mundial da Justiça Social 21 - Dia Internacional da Língua Materna 24 - Promulgação Primeira Constituição Brasileira 25 - Dia da Criação do Ministério das Comunicações 27 - Dia do Livro Didático 28 - CARNAVAL 2017 Ver mais sobre na Página 12 O Brasil é o país da paixão! Os apaixonados pelo futebol. Os apaixonados pelo carnaval. Os apaixonados pela Xuxa, pelo Pelé e pelo Ayrton Senna. Os apaixonados por corrupção! Jônathas Siviero ------------------------------------Não se pode esperar muito de pessoas que vivem de futebol, carnaval e televisão. Que dirá de um país. Renilmar Fernandes Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 4

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Culturas e Identidades Os principais nomes dos maçons vermelhos e azuis foram os homens que trabalha- DOMINGOS VANDELLI, JOSÉ BONIFÁCIO E A ram incansavelmente pelo "FICO". Ambos os maçons faziam parte da mesma INFLUÊNCIA DA MAÇONARIA CARBONÁRIA "loja" e estavam reunidos e unidos na luta contra o absolutismo e a igreja. Vitoriosa a Revolução Liberal eles se "separariam" em "lojas" bem caracterizadas como "vermelha" e "azul". No início de 1822, já se constatam movimentos de reorganiza- Durante o século XIX são várias as referências às ações da Maçonaria no ção das lojas. Em Maio de 1822 no Rio de Janeiro ocorre a criação do órgão cen- Brasil. Apesar disso, com exceção de alguns estudos recentes a esse respei- tral diretor de todas as "lojas" maçônicas vermelhas: o Grande Oriente do Bra- to, a história da Maçonaria ainda é muito pouco conhecida, não tendo chega- sil. Antes dele, todas as "lojas" eram dependentes do Oriente Lusitano com sede do a se constituir em tema corrente de pesquisa acadêmica. O desinteresse em Lisboa. O mesmo movimento acontece com as "lojas" maçônicas azuis: o A- em torno do pertencimento maçônico é, de certa forma, interessante pois, por postolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz. Assim, o projeto de re- um lado, há uma visibilidade dos maçons nas obras produzidas ao longo do organização das lojas" não emana do Brasil. Inclusivamente, de modo ingênuo tem século XIX; por outro, aqueles mesmos personagens históricos foram destitu- -se atribuído a Bonifácio a autoria e criação do Apostolado. Tese bizarra que vai de ídos de sua identidade maçônica nos estudos de caráter acadêmico das últi- na contramão da ligação do Apostolado com o projeto da Santa Aliança no Brasil, mas décadas. Não obstante algumas construções teóricas apontarem para o conforme defende Cipriano Barata. No mesmo sentido defende frei Joaquim do pertencimento maçônico de tal ou qual personagem, “o seu registro se asse- Amor Divino Caneca. As Atas das Assembléias do Apostolado que constam no melha a um daqueles adjetivos inseridos casualmente em uma frase e cuja IHGB dão subsídio que refutam a tese de centralidade das pessoa de JB como retirada não faria a menor falta na medida em que pouco contribui para esta- "autor" do Apostolado. Depreende-se que os persongens Ledo X JB quanto a mim belecer o nexo explicativo de uma questão” (MONTEIRO, F., NEVES DA SIL- são peças importantes dentro de uma engrenagem muito maior. Por conseguinte VA, C., A Cruz e o Compasso: uma intrincada relação histórica, 2011, pp. 19- reduzir a mera disputa entre homens é escamotear um intrincado processo que en- 31). volve Portugal desde séculos antes. Elemento pouco divulgado é o de estas sociedades, por vezes secretas, mas mais Para além disso, há outro problema: o ineditismo do nome composto atribuído por propriamente iniciáticas, serem na origem organizações académicas e mesmo estu- alguns historiadores ao Apostolado da "Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa dantis. Podem elas evoluir a ponto de congregarem membros de todas as idades e Cruz", o qual sai completamente do padrão titular das lojas penetrando na seara estratos sociais, como sucedeu com a Carbonária Portuguesa, nas imediações da que leva à requisição pela maçonaria como herdeira e sucessora legítima implantação da República, em que se diz ter contado com mais de quarenta mil da Ordem de Cristo isso sem considerar a “filiação” carbonária. membros, porém o seu surgimento é em regra universitário e coimbrão. Maria Estela Guedes afirma que entre as várias ordens maçónicas, existe a Maço- 4) Para finalizar, a questão da filiação Carbonária de Bonifácio e Vandelli (ambos naria Florestal ou Maçonaria da Madeira. Integrantes dela, funcionaram em Portu- constam como maçons no Dicionário de Maçonaria Portuguesa, de Oliveira Mar- gal instituições diversas, mencionadas pelos historiadores desde a segunda metade ques: a)) Domingos Vandelli, foi chamado pelo Marquês de Pombal a lecionar His- do século XVIII, pelo menos. A Sociedade dos Jardineiros, por exemplo, atuava em tória Natural e Química na Universidade de Coimbra, reformada sob o seu governo. Coimbra ao tempo em que Almeida Garrett era estudante, uma vez que foi seu fun- Aparecem pela primeira vez em Portugal os estudos e laboratórios de Química e dador ou restaurador. Dentre os personagens famosos da Maçonaria Florestal, Física, dadas por Vandelli, bem como, têm lugar escandalosos ágapes, que teriam encontram-se Domingos Vandelli e José Bonifácio de Andrada e Silva, uma das mais a ver com desafios carbonários do que com o programa da cadeira conforme figura centrais na “Independência” do Brasil. cita ALMEIDA, M. L. (1937) - Documentos da Reforma Pombalina. Coimbra; b) Os Embora consabido que o Império e a República do Brasil são construções maçôni- alunos de Vandelli serão acusados de maçons. Duas acusações merecem ser reti- cas, até o presente a historiografia nacional lida com o assunto de modo tangente. das: naturalistas, pois todos eles deviam frequentar o curso de Filosofia Natural, e Portanto, o próprio “desinteresse” é indicativo e aponta para um cenário de fundo tolerantes. Ambas centrais na maçonaria.; c) Uma parte significativa dos estudan- complexo e escamoteado. Vamos recordar alguns fatos para perceber que essa tes da Universidade de Coimbra, a partir de 1777, era constituída por portugueses imensa lacuna na historiografia brasileira não é mero “desinteresse por falta de do- do Brasil. Os que vieram a notabilizar-se, quase todos foram alunos de Vandel- cumento primário: li: Visconde de Barbacena (primeiro doutor saído da Universidade Reformada, foi 1) Bonifácio era Desembargador da Relação e Casa do Pôrto, cujo cargo ocupou substituto de Vandelli na cadeira de História Natural e Química; governador de Mi- até 1820, ano que veio para o Brasil depois de uma longa "insistência" junto à Cor- nas Gerais, abafou a Inconfidência Mineira). José Bonifácio de Andrada e Sil- te. Nesta qualidade é pouco provável que não tenha conhecido os chefes da maço- va (lente de Mineralogia e Metalurgia, cadeira criada expressamente para ser regi- naria vermelha do Pôrto que fizeram instalar a Revolução Liberal em 24/08/1821: o da por ele, Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ministro de D. Pedro, desembargador Manoel Fernandes Tomás, o advogado José Ferreira Borges, o juíz pilar da independência do Brasil). José Alvares Maciel (iniciador e ideólogo do Ti- de órgãos José da Silva Carvalho, etc. Todos dominaram as Côrtes de Lisboa e radentes). Vicente Coelho de Seabra Silva e Teles (nomeado em 1791 demons- apresentaram no dia 30/10/1821 um projeto de resolução mandando suspender os trador de Química, depois lente substituto de Zoologia e Mineralogia, e de Botânica pagamentos a Bonifácio a menos que ele regressasse a Portugal. Desta maneira e Agricultura). Manuel Joaquim Henriques de Paiva (primeiro demonstrador da pode-se considerar no mínimo factível que tanto a "cidade" do Pôrto quanto a ma- nova cadeira de Química, médico, parte para a Bahia). Constantino António Bote- çonaria vermelha em Portugal conheciam plena e intimamente as ideias políticas de lho de Lacerda Lobo (lente de Química, sucede na Física a Della Bella). Manuel JB. E é quase certo admitir que no ano 1820 ao partir para o Brasil JB já dava co- José Barjona (em 1791 nomeado lente substituto de Física e Química, depois ca- mo certa a irrupção da Revolução Liberal. Igualmente, parece não haver dúvidas tedrático de Zoologia e Mineralogia). Padre Tomé Rodrigues Sobral (sucessor de sobre as divergências de longa data entre JB e os chefes da maçonaria verme- Vandelli em Química, depois Química e Metalurgia, dá aulas de 1789 a 1821, consi- lha. O posterior deslocamento dele pelo Brasil e os "contatos" certeiros com os di- derado o Lavoisier português). Manuel Ferreira da Câmara Betten- ferentes grupos maçônicos nos ajustes da Independência são provas incontestes court (Intendente das Minas de Oiro do Brasil). Bernardino António Gomes (no neste sentido, ainda mais quando se considera que se tratava de "sociedades se- Laboratório da Casa da Moeda descobriu a cinchonina, lendo á Academia Real das cretas", ou seja, o que discute dentro das lojas é ordem para ser cumprida fora de- Ciências de Lisboa, em 7 de Agosto de 1810, o Ensaio sobre o cinchonino e so- la. Ou seja, é pouco provável que JB não seja maçon em Portugal e que sua bre a sua influência na virtude da Quina e doutras cascas, permitindo a Pelletier "vinda" para o Brasil não seja uma das partes do plano da mesma; & Caventou descobrir a quinina dez anos depois). Baltasar da Silva Lisboa, e pro- vavelmente José da Silva Lisboa, Visconde de Cayrú, jurista e maçon da Bahi- 2) A maçonaria esteve diretamente envolvida nas Inconfidências Mineira (1789) e a). Padre Joaquim Veloso de Miranda (lente substituto de História Natural e Quí- Baiana (1798), na Revolução Pernambucana (1817), na Revolução Liberal do Porto mica, parte em 1779 para Minas Gerais). Francisco António Ribeiro de Pai- (1820), Confederação do Equador (1824), Guerra dos Farrapos (1835), Sabinada va (lente de Zoologia e Mineralogia, director da Faculdade de Filosofia). E os via- (1837), Revolução Pernambucana (1861), etc, até o golpe da República. Vê-se ai jantes-naturalistas João da Silva Feijó, Alexandre Rodrigues Ferreira, Manuel os principais nomes da política nacional envolvidos. Os exemplos podem continuar. Galvão da Silva e José António da Silva. Além da maçonaria quais outros agentes históricos de importância revolucionária Igualmente cabe ressalvar os casos de rede familiar + maçonaria que em geral não estão atuando em GRUPO de modo uníssono CONTRA a Coroa Portuguesa nesse são levados em conta pelos historiadores, por questões de metodologia e paradig- período? Será preciso ter apontado esses OUTROS grupos para legitimar o discur- ma, como por exemplo o caso do "naturalista" Alexandre Vandelli, filho de Domin- so que a maçonaria se auto-promove sem legitimidade. gos Vandelli, casado com uma filha de José Bonifácio de Andrada e Silva. A rede de "naturalistas" que casam-se com famílias brasileiras é digno de nota e nunca foi 3) Os irmãos Andradas não tinham uma sociedade ou seja, não eram uma maçona- estudada a sério. Some-se a isso o fato de os “naturalistas” estarem diretamente ria em si mesmos, antes, pertenciam a uma e essa filiação vem da Europa para o envolvidos com as pesquisas e projetos de mineração da Coroa Portuguesa para Brasil (já em Coimbra) e, dado que somente em 30/11/1818 D. João VI expede Al- termos um componente no mínimo intrigante e, apesar disso, “desprezado” pela vará proibindo a existência de sociedades secretas é de se ressaltar que até este historiografia nacional. presente momento, as "filiações" eram subterrâneas. Antes e depois do FICO as Estamos diante de uma teia de circularidade onde o prisma da “Independência me- lojas maçônicas organizam-se de modos distintos em 2 linhas de atuação chamada rece focos mais abrangentes, sem proselitismos. De saída, percebe-se que o papel "vermelha" e "azul" (denominação didática da historiografia moderna. No entanto, isolado que Otávio Tarquínio constrói para a figura de José Bonifácio é um tanto cabe lembrar que essas "divisões" internamente inexistem). VERMELHA- Comér- quanto questionável. Foi um personagem importante e erudito. Mas, a questão é: cio e Artes (já existia no tempo de D. João VI), no início de 1822 subdivide-se em o que está por trás dele? União e Tranquilidade (termos que serão usados em documentos oficiais de D. Pe- dro no dia do FICO) e Esperança de Niterói. AZUL- da Comércio e Artes sai uma Loryel Rocha subdivisão que formará a Distintiva e o Clube da Resistência, futura Nove de Janei- ro. Vermelha terá como expoente J.G. Ledo e a Azul José Bonifácio ou Azevedo Apresenta todos os sábados 20 horas o programa “Culturas e Coutinho. Identidades”, na CULTURAonline BRASIL. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 5

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania “tolerantes”, ou seja, pessoas que declaram amplo. Mas, como vencer o mal da intolerân- lutar por tolerância e se comportam de forma cia? Na minha opinião, com conhecimento. O intolerante com quem diverge das suas idei- ser humano tem a tendência de rejeitar o que as. não conhece, e rejeição não é um sentimento Tolerar significa aceitar pontos de vista longe de outro sentimento, o da hostilidade. diferentes, e mesmo discordando deles, con- Pelo que me parece, as pessoas necessitam viver com eles em paz. Tolerar é aceitar as de expandir as suas consciências sobre a diferenças mesmo não as aprovando. Um realidade, necessitam se informar mais, se exemplo de teoria econômica, uma pessoa é esclarecer mais e generalizar menos. A gea favor do Liberalismo Econômico e contra o neralização é irmã da ignorância e o oposto Estado Social mas, respeita o colega ao lado da especialização. A palavra preconceito sigque é a favor que é contra o Liberalismo e à nifica juízo pré-concebido, conceito formado favor do Estado Social. E vice-versa. Sem antecipadamente à análise adequada. E o querer se impor, sem ofender, sem recorrer que muita gente necessita é justamente a- ao argumentum ad hominem, discordando, prender a analisar corretamente antes de formas respeitando à pessoa de quem se dis- mar opinião definitiva sobre alguém ou algo. corda. A escuridão é a ausência de luz, o frio é a ausência do calor, a ignorância é a ausência O Problema da Intolerância Quando se lê ou se ouve a palavra do conhecimento. A solução para a intolerân- Hoje em dia, está-se novamente testemunhando bastante um antigo problema humano chamado intolerância. E hoje em dia há um fenômeno aparentemente paradoxal à primeira vista, de intolerância por parte de “intolerância”, muitos já associam a palavra com religiões. A intolerância não é algo exclusivo de religiosos radicais, ela também existe nos meios político, científico e nas relações interpessoais cotidianas de modo mais cia está na cada vez maior divulgação do conhecimento às pessoas. É no que eu acredito. João Paulo E. Barros Políticas Vida além do cárcere. E começou a chorar novamente. Eu, diante dela, experimentava mais uma Certo moça dia, ao que me chegar ao fórum, avistei uma aguardava na entrada do gabi- vez o sentimento que tem sido para mim uma constante na Vara de Execuções Penais: a impotência. nete. À medida que me aproximava, ela baixa- Por que conto esse episódio? va os olhos para o chão, acuando-se num can- Conto para que não esqueçamos que o cárcere esconde dramas e histó- to entre a parede e a porta. rias de vida que vão além, muito além daquelas paredes mofadas e mal - Olá! Posso te ajudar em algo? cheirosas, daqueles corpos amarelados e abatidos. Conto para que saiba- - Oi, doutora. Meu marido pediu para que eu falasse com você. mos que existem pais, mães, esposas e filhos que, apesar de não estarem fisicamente presos, encontram-se em intenso sofrimento psíquico. Conto - Quem é seu marido? para dizer que é absolutamente possível ser solidário às vítimas da violên- - É o João (*nome fictício*). Ele está preso. - Ah, sim. O que aconteceu? cia e lutar para que o sistema carcerário não faça mais vítimas; afinal, ser a favor da vida não admite meio-termo. Conto para que lembremos que diariamente pessoas são entulhadas como lixo, muitas delas sem decreto con- Nesse momento, a moça de corpo franzino começou a chorar. Suas lágri- denatório definitivo, a fim de que seja saciada a sede de vingança de uma mas eram acompanhadas por intensos soluços e, por conta disso, não sociedade doente. conseguia falar. Eu, surpresa e sem jeito com a situação, pedia para que Conto para que saibamos que seres humanos "pagam" pelos erros cometi- ela se acalmasse, o que foi acontecendo aos poucos. dos num lugar que, ao invés de ressocializar, é a barbárie na Terra. Conto - O que há? Por que chora tanto? para lembrar que cabe ao Estado, sim, a sua proteção, e que a Constitui- - Eu só queria saber quando meu marido sai da cadeia, doutora. ção Federal prevê a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República, sendo um de seus objetivos a promoção do bem es- Eu, então, me calei. Tendo em vista o estado emocional daquela mulher, tar de todos. TODOS, sem exceção. Conto para dizer que não quero, não que me olhava com tanta tristeza, não podia simplesmente dizer que seu posso e não vou me conformar com a situação dessas pessoas, e que no companheiro ainda enfrentaria mais sete longos anos de prisão. Contudo, dia em que achar natural a morte de 60 seres humanos, no dia em que não enquanto pensava em como dar a notícia, ela se adiantou: enxergar nada além de "bandidos" naqueles corpos atrás das grades, a - Acabei de sair do hospital. Sangrei uma noite inteira sozinha. Pedi ajuda, magistratura já não estará mais viva em mim. Eu já não estarei mais viva. mas os vizinhos não escutaram. Perdi meu filho. Perdi a criança que pre- Fernanda Orsomarzo. encheria a minha solidão. Estou só, doutora. Não tenho ninguém. Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 6

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Escolas x Violência Violência escolar: espaço social onde a escola está inseri- de professores, funcionários, pais, alu- modo que é ali que os alunos irão manida, a situação familiar dos estudantes e a nos, de direção, da sociedade e do Esta- festar o que vive cotidianamente. Os pró- uma reflexão sobre suas atitude do poder público para com a edu- do nas discussões buscando a solução prios alunos da escola estadual de Pal- causas e o papel do Estado cação, entre outros fatores. destes problemas. De acordo com o Es- mas - TO apontaram que a violência está FATORES RELACIONADOS À tatuto da criança e do adolescente no art relacionada à falta de respeito e educa- VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS 4º: ção uns para com os outros, influência de Explanando sobre alguns dos fatores que É dever da família, da comunidade, da amigos e do próprio ambiente familiar refletem na violência dentro das escolas, sociedade em geral e do poder público que vivem e que passa a ser reproduzido pode-se destacar o ambiente onde as assegurar, com absoluta prioridade, a na escola. escolas estão inseridas, que muitas ve- efetivação dos direitos referentes à vida, Há também o reflexo da comunidade em zes tornam os alunos vulneráveis tanto a à saúde, à alimentação, à educação, ao que estão inseridas as escolas. Se a es- sofrerem violências, como a reproduzi-la esporte, ao lazer, à profissionalização, à cola está inserida em um contexto, onde dentro da escola. Vê-se que no entorno cultura, à dignidade, ao respeito, à liber- existe o tráfico e a violência doméstica, de escolas não é incomum a presença de dade e à convivência familiar e comunitá- por exemplo, provavelmente haverá a bares com fácil acesso a bebidas alcoóli- ria. (grifo nosso) manifestação dessa violência na escola. CRIMES CONTRA A VIDA cas por menores, que muitas vezes as Nesse contexto, é importante frisar o pa- Dessa forma, as políticas públicas não levam para dentro até das salas de aula. pel do Estado e das próprias instituições devem apenas focar no ambiente escolar DIREITO ,PENAL (DIREITO DA O entorno das escolas acabam sendo na proteção aos direitos da criança e do interno, mas cuidar do entorno dela, cri- CRIANÇA E DO ADOLESCENTE) lugares de vulnerabilidade, carecendo de adolescente com relação a educação. De ando um ambiente seguro, cuidando de ORDEM, SOCIA, LESÕES CORPORAIS segurança pública e policiamento, sendo os policiais muitas vezes fonte de medo e acordo com o artigo 53, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) manter uma boa iluminação, semáforos e faixas de pedestre, controlar venda de A violência, independente do lugar na qual é apresentada, deve ser analisada de uma forma cuidadosa, especialmente quando o assunto é violência praticada por crianças e adolescen- não de segurança e sem o mínimo de fiscalização no que se refere a venda de bebidas alcoólicas à menores de 18 anos. No entanto, toda essa fragilidade torna a escola mais passível da influência da violência externa. Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-selhes: bebidas alcoólicas em locais próximos, dar segurança aos alunos e membros da comunidade, contando com um policiamento eficiente. Ainda tratando de medidas externas à escola deve haver a integração entre es- tes. INTRODUÇÃO Dentro do próprio ambiente familiar podese citar como forma de violência expressa nesse ambiente, a negligência e o I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; cola família e comunidade, promovendo a socialização das famílias e da comunidade em que se situa a escola, para a A violência, independente do lugar na abandono das crianças por parte dos II - direito de ser respeitado por seus e- redução da violência, além de um projeto qual é apresentada, deve ser analisada seus pais ou responsáveis, pelo descaso ducadores; de conscientização e campanhas de de uma forma cuidadosa, sendo neces- de proporcionar condições necessárias III - direito de contestar critérios avaliati- combate à violência com apoio dos mei- sário observar os elementos em que es- para o desenvolvimento do ser humano, vos, podendo recorrer às instâncias es- os de comunicação de massa e outras tão entrelaçados a ela, especialmente como higiene, alimentação, roupa etc., colares superiores; instituições de mobilização. Somente quando o assunto é violência por crianças e adolescentes. praticada fazendo com que as crianças se sintam cada vez mais rejeitadas, podendo nutrir IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; com um trabalho em conjunto das escolas, familiares, poder público e comunida- As escolas não têm sido mais um ambiente de segurança e proteção. Ao longo dos anos o que se tem visto é um aumento generalizado da violência dentro dos portões das escolas em todo o Brasil. Furtos, agressões físicas e verbais, tráfico e consumo de drogas tem sido parte do cotidiano de diversas instituições de ensino. O presente artigo surgiu a partir de um projeto de extensão realizado por alunos do curso de Direito da Universidade Federal do Tocantins, em uma escola da rede estadual na cidade de Palmas - TO, onde foram recolhidos textos abertos escritos com a perspectiva dos alunos sobre a presença da violência nas escolas, suas causas e os efeitos entre os alunos. Por meio deste artigo objetiva-se apresentar os diversos fatores ligados à violência na escola e demonstrar a função do Estado frente a esse problema. VIOLÊNCIA NA ESCOLA Segundo Elis Palma Priotto (2008) e Lindomar Wessler Boneti (2008), a violência escolar é denominada por todos os atos ou ações de violência, comportamentos agressivos e antissociais, incluindo também conflitos interpessoais (seja entre alunos, alunos e professores ou até entre professores), danos ao patrimônio esco- um sentimento de revolta exteriorizados de forma agressiva dentro das escolas. Muitos pais acabam delegando para a escola uma responsabilidade que era sua, atribuindo à escola todo papel de educar seus filhos, o que acaba sendo um erro, pois a família é a base da educação, onde se aprende o que é ser ético, respeitar as diferenças de cada um, os limites que cada um deve ter e, portanto, viver em sociedade. Porém, vale ressaltar que, em um dado momento histórico, a escola assumiu toda responsabilidade de educar, tendo em vista que os pais teriam que trabalhar e não tinham com quem deixar seus filhos, e posteriormente, a escola vem a perceber que não havia possibilidade de conter para si todo papel educacional. Toda essa questão reflete hoje, tendo em vista que muitos pais atribui todo o seu tempo para trabalhar e continuam a encarregar toda a responsabilidade da educação para a escola. Ainda no âmbito familiar, muitos filhos acabam vivenciando episódios de violências entre os familiares que acaba refletindo no desenvolvimento psicológico e emocional de cada um deles, bem como, afetando o desenvolvimento escolar e social. V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Partindo da perspectiva que para solucionar o problema da violência na escola deve-se ter um trabalho conjunto, se faz necessário a presença do poder público por meio da criação de políticas públicas voltadas para a redução da violência, capacitação dos professores, intermédio entre escola, comunidade e família e ainda o cuidado com o entorno das escolas. Política pública é “ação que nasce do contexto social, mas que passa pela esfera estatal com uma decisão de intervenção pública numa realidade social determinada, que seja ela econômica ou social” (BONETI, 2003, p.19- 20). Dessa forma, visualizando a realidade em que as escolas estão inseridas é papel da administração pública com apoio dos governos federal, estaduais e municipais e da sociedade civil buscar meios de intervir de forma positiva nessa realidade. Para Abramovay (2003), no livro “Violências na Escola”, no que se refere às escolas, é necessário o envolvimento de todo o corpo docente, alunos, pais, funcionários, mídia, polícia etc. Para ela também, as secretarias estaduais e municipais de educação devem acompanhar o processo de implementação de medi- de é que pode amenizar e combater a violência dentro das escolas. CONSIDERAÇÕES FINAIS No que se refere à violência nas escolas, percebe-se que este problema não está relacionado a um único fator, mas envolve questões sociais, abrangendo aspectos familiares, o contexto onde a escola está inserida e a atuação do poder público. Dessa forma, para solucionar esse problema, é preciso, antes de tudo, conhecer as experiências vividas pelo aluno na escola e fora dela, como no seio familiar e na convivência social e deve-se existir um conjunto de ações participativas entre os envolvidos: os familiares, a direção das escolas, os próprios alunos e o Estado. Pelos relatos feitos pelos alunos da escola tomada como referência para o trabalho de extensão, pôde-se notar que a maioria dos fatos narrados se referem às questões familiares, onde muitos deles presenciaram momentos de violência nas suas residências, bem como vivem sem a orientação dos pais no que diz respeito a educação de cada um. Dessa forma, para tentar reverter essa situação de violência e a escola passar a ser um ambiente de uma boa convivência entre seus integrantes, que são alunos, lar, atos criminosos, marginalizações, O Estado, por sua vez, em diversas oca- das contra a violência nas escolas, para professores, diretores e pais, é necessá- discriminações, bem como outros pratica- siões não cumpre seu papel de fiscaliza- que assim possa contribuir com a prepa- rio que haja toda uma participação dos dos entre a comunidade escolar (alunos, ção, de proporcionar condições adequa- ração de pessoal e de material para trei- próprios integrantes, bem como do Esta- professores, funcionários, familiares e das e criar políticas públicas que viabili- namento de funcionários, discutindo ain- do, que proporcione condições suficien- estranhos à escola) dentro do ambiente zem uma escola como centro de aprendi- da políticas de gestão e segurança com tes para que isso aconteça, por meio de escolar. zagem e conhecimento e não como um autoridades escolares e com a comuni- políticas públicas. Os pais devem partici- Através dos relatos percebeu-se que na lugar de medo e violência. dade. par mais da vida escolar de seus filhos, escola estudada a violência se apresenta O PAPEL PARTICIPATIVO DO ESTA- Deve-se ainda sempre considerar as cri- comparecendo reuniões com os profespor meio de agressões físicas e agres- DO NA REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA anças e jovens, alunos, como os protago- sores, como também não atribuir somensões verbais, com constantes xingamen- Ainda que as causas das violências se- nistas das políticas públicas, incluindo-os te à escola um papel que também são tos e intimidações, incluindo ainda, furtos jam variadas não se pode deixar de com- na criação delas e os ouvindo juntamente deles. e a presença das drogas e bebidas alco- batê-las. Os problemas de violências a- com os pais e a comunidade, já que eles ólicas dentro da escola. presentados nas escolas são os mesmos são os maiores interessados e beneficia- Autoras: Pode-se considerar que tal violência tem decorrências históricas e sociais. Portanto, não pode vincular a violência nas es- em sua maioria, e para solucionar tal problema, deve haver a busca coletiva de meios para que isso ocorra. São neces- dos em ter uma escola menos violenta e mais focada na aprendizagem. A escola reflete o cotidiano dos alunos e também Ana Caroline Carvalho Martins Maria Carolinna Bastos Santana Torres colas a um único fator, pois envolve o sárias a presença e a participação efetiva o contexto social em que está inserida de www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 7

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia PROGRESSO Página 7 NOITE Genha Auga – Jornalista – Mtb: 15.320 Embora tanto progresso desde que o Brasil foi descoberto, como pode o brasileiro estar em pleno século XXI, frustrado, infeliz e inseguro? O trem era a vapor, hoje se tem o metrô, morria-se cedo demais, mas em prol do avanço da medicina o idoso está cada vez mais na longevidade, a distância não permitia “matar” a saudade, mas com as redes sociais, fala-se e “vê-se” as pessoas a qualquer momento. Dedicava-se anos ao emprego para manter o salário e ascender na carreira, novos tempos e o empreendedorismo veio e está em alta, Liberdade tinha que ser conquistada, confiança ser merecida, filhos eram planejados. Nos tempos de hoje, tem-se tudo isso com facilidade e então, o que falta? Penso que falta lembrar-se que sabíamos viver o simples... O homem materializou-se e formou uma sociedade corrompida pela prosperidade que, esquecida da parte moral, ensinou que importante é “brilhar”. Já não sabemos lidar com as decepções e dores. Para tudo toma-se remédio, mas, nada se resolve. Bem como, materialmente o que quebra joga-se fora e compra-se outro, não se tem mais paciência para ajudar o próximo e, simplesmente, troca-se o parceiro da mesma forma como também somos substituídos por outro ou, por alguma coisa que nos faça entrar em “estado de graça”. Não há o que se pensar, refletir ou até mesmo do que se arrepender. “Errar”, hoje é normal, seja qual for a gravidade, ninguém é condenado e tudo é perdoado. A “salvação”, agora é regra. Somos parte de uma sociedade movida pelo estresse que nos empurra ao pesadelo, faz parar de sonhar e gerenciar pensamentos. Corre-se diariamente, a lentidão irrita e a cada dia, afundamos para o último nível do mal de um ser humano: a depressão. Quer-se viver com dignidade, pouca condição tem-se para isso, falta-nos a confiança nos relacionamentos. O de melhor posição social quer o dignificante desde que longe do eficiente que faz jus ao pouco que tem, mesmo sem muita chance de escolha. Deveriam andar juntos para gerar a confiança e ambos tornarem-se eficazes. Tem-se uma visão poética e mágica de tudo, sem a necessidade de igualitarismo para todos e, dessa forma, entre a pompa do soberbo e a ignorância, vive-se de ilusão. É preciso educar o olhar para ver, gerenciar seus próprios pensamentos para não silenciar a própria vida. Parece que o futuro é uma ilusão cada vez mais diferente do que imaginamos, afastando as oportunidades de se melhorar tudo e, o progresso que tanto desejamos, depende mais da vontade individual e, divididos em facções: corruptos, miseráveis, criminosos, ignorantes, abastados, cada um, na sua individualidade, segue sua vida, mas, se mesmo assim, garantisse sua dignidade de maneira que não faltasse ao próximo, o progresso aconteceria. O homem valorizou mais o avanço tecnológico e o consumismo do que a si mesmo, atolou-se no apego dos bens possuídos, desprezou os atos morais e patrióticos e quer discutir o que nunca foi construído. Tem-se fome de comida, de educação e justiça, no entanto, para ser livre de verdade, se não se tem essas prioridades básicas, mesmo com liberdade, não se chega a lugar algum. De que serve discutir política e ideologia opondo-se ao que mal se conhece e sem nenhuma alternativa real e que valha à pena? Na verdade, é preciso libertar-se do consumismo, defender-se da exclusão pela falta da educação e ter atitudes que não te condene por atrocidades cometidas por futilidades. Não encontrará respostas na tecnologia se não aprender a usá-la para o trabalho e de maneira dignificante. A rota do progresso, não pode tornar-se um mito que nos convença de ter um destino certo e glorioso nessa história em que somos protagonistas Genha Auga jornalista MTB: 15.320 Genha Auga A NOITE QUIETA CHEGA, TODOS ADORMECEM, MENOS O POETA DE ALMA INQUIETA. NELA SUSPIRO MINHA LIBERDADE OUÇO A MÚSICA SUAVE, TOCO MEU VIOLÃO SÓ PARA AS JANELAS ESCURAS. O LUAR ME COMPROMETE COM LEMBRANÇAS E NOSTALGIA. AS ESTRELAS ME ESPIAM, AS NUVENS TRAPACEIAM-SE RAPIDAMENTE EM RETICÊNCIAS E SUSPIROS ESCREVO ALGUMAS DAS MINHAS LINHAS. NAS NOITES PRATAS ORA CINZENTAS COM SEU MISTÉRIO, BELEZA E MAGIA. OUVIR O SILÊNCIO DA NOITE FAZ BEM, PERMITE-ME CONTEMPLAR O CÉU, O BREU, AS JANELAS, O ALÉM DE MIM. NESSA QUIETUDE TUDO POSSO SENTIR. SUSPIRO E ABRAÇO O QUE DE BEM AGASALHA MEU ENVELHECER, NESSA NA LUZ QUE SÓ O BOÊMIO VÊ. BOA NOITE! É HORA DE IR. VEM A LUZ DO SOL TE SEDUZIR ASSIM COMO EU, FOGES DELE. FECHO A JANELA, JÁ POSSO DORMIR. Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar estou me guardando pra quando o carnaval chegar eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar estou me guardando pra quando o carnaval chegar... Eng.Hawaii www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 8

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Contos que a vida conta A mãe insiste que não e ela sai da me- é quem sempre passava os castigos e sovas. sa. O pai reprovando totalmente a atitude da - Maria Luíza, disse o pai, desde quan- filha dá ordens para que ela não coma nada e do você pode tomar iniciativas dentro da casa somente ao voltar da escola irá se alimentar, e sem minha permissão? Realmente, dessa nem sequer autorizou que levasse merenda vez, você não me escapa. para a escola. - Ora papai, responde ela rapidamente, OVELHA NEGRA Eugênia, a irmã um ano mais nova, es- você diz sempre que sou a mais velha e tamboça um sorrisinho de deboche pela derrota bém dona da casa e como mamãe é tão ata- Genha Auga – jornalista Mtb: 15320 de Maria Luíza e seguem para a escola. No refada, resolvi trocar as cortinas para agradar intervalo, veem Maria Luíza recebendo ofer- vocês. Não fiz tudo certinho? Família tradicional do interior de Minas Gerais, meados de 1940. tas da lancheira dos amigos que se solidariza- O pai entrou nessa conversa e admitiu ram com ela. Acostumados com a petulância que a filha teve bom gosto. de sempre, não ligaram, a não ser Eugênia Os irmãos não acreditaram e, ai se ousas- Estabelecidos em uma confortável ca- que não se conformava com isso, mas que sem, dizer qualquer coisa ao contrário. Eugê- sa com dez quartos, sala de jantar e de estar, torcia contra, por simples inveja de não con- nia, mais uma vez, foi ao delírio com a cora- copa, cozinha, biblioteca, lavabo, quatro ba- seguir agir da mesma forma. gem e dissimulação da irmã e pensou: “Ainda nheiros, uma enorme varanda com cadeiras Voltavam caminhando com os amigos vou ser igual a ela”. de balanço e redes, na frente, um lindo jardim para casa e, Maria Luíza, resolve ficar num Por muitas vezes Maria Luíza, depois que to- com variedade de plantas e flores. Ao fundo, barzinho da pracinha para enturmar-se com o dos dormiam, pulava pela janela, encontrava um enorme terreno com fogão à lenha onde pessoal mais “agitado”. os amigos e sorrateiramente empurravam o assavam pães e por vezes reuniam-se para Aluízio ao chegar para o almoço perce- carro do pai para não fazer barulho e a certa uma prosa e com muitas árvores frutíferas on- be que a filha não estava e indagando os fi- distância ligavam o motor e iam se divertir pe- de as crianças adoravam brincar e traquinar. lhos, que por medo, responderam que não los bares da cidade, voltava sempre à tempo Eram oito; o casal, cinco filhos, a avó e sabiam de nada. Enfurecido já pelo ocorrido e ninguém desconfiava de nada, a não ser além deles, muitos empregados que circula- na manhã, prometeu que naquele dia ela iria Eugênia que ficava sempre de tocaia para sa- vam e atendiam as necessidades da família o apanhar e receber um merecido castigo. To- ber o que a irmã, sua ídola, aprontava e em dia todo. dos com os olhos arregalados esperavam feli- segredo tudo guardava. Dos cinco filhos de Dona Mercedes e zes na sala, pois, eles sempre eram punidos Um dia, Eugênia, pediu para a irmã que a le- Sr. Aluízio, que na ordem, pelo mais velho: nas traquinagens e ela sempre se safava. Eu- vasse junto a ameaçando de contar ao pai o Maria Luíza, Eugênia, Geraldo, Ana Maria, gênia fez questão de sentar-se bem na ponta que ela sabia, caso não a levasse. Maria Luí- Roberto e, sob os cuidados do casal, a avó do sofá para ver mais de perto a surra da ir- za concordou e foram juntas para a próxima materna, Dona Laura. mã. “balada”. (Mas, visto a ameaça, dentro de Ma- Sr. Aluízio era um homem obstinado Entra Maria Luíza soluçando muito e ria Luíza havia a vingança). pelo trabalho, bem estar da família e de uma com os olhos vermelhos, consequência das Foram e então Maria Luíza, na volta, simulou educação rigorosa para com a prole, com to- “biritas” que tomou e dos cigarros que fumara. um problema com o carro e pediu para que tal acato e conivência da esposa. Já a avó - “Ic, Ic”, soluçava e com os dedos es- Eugenia sentasse ao volante e fizesse o que pouco intermediava na educação ou traquina- fregando a vista e chorosa, diz para o pai que ela e os amigos pediriam. Mesmo sem saber gens dos netos. Os empregados eram todos teve um cisco muito grande no olho e parou dirigir, sentiu-se o máximo nessa aventura e bastante comprometidos com a casa e os pa- para alguém ajudá-la e que doía muito e fingi- missão. trões. a soluçar de choro correndo para o quarto. Foi aí que todos correram e a largaram de- Levantavam cedo e reuniam-se para o Safou-se! sesperada no carro e sem ter o que fazer. farto café da manhã servido diariamente à Eugênia admirada e aborrecida por ter Pensou que teriam ido buscar ajuda e ador- mesa. Em seguida, cada um seguia para suas ficado tanto tempo a espera para ver a ira do meceu. Amanheceu o pai logo recebeu notí- atividades: filhos iam para escola, mãe cuida- pai sobre a irmã frustrou-se, mas, no fundo a cias da filha no carro e chamou Maria Luíza va dos empregados e da rotina da casa, o pai admirava e queria ser igual. para ir junto buscá-la e saber o que havia a- seguia para o escritório de sua empresa onde Ás vezes a mãe ralhava com ela quan- contecido. administrava com muita dedicação e rigor pa- do se negava a colaborar com algum serviço Ao chegar ao local, viu a filha com cheiro de ra garantir o futuro da família com boa escola, da casa, embora tantos empregados, uma álcool, roupa de sair e ao lhe perguntar acu- alimentação, roupas, aulas de músicas, lazer mãe deveria educar as meninas para as tare- sou a irmã de tudo que acontecera. O pai o- e o que mais fosse necessário. A avó distraia- fas que cabiam a uma mulher e seu pai sem- lhou bem para Eugênia e ralhou com ela por se por entre as árvores, o lago e sua paixão pre dizia que por ser a mais velha, era tam- tamanha mentira tentando culpar a irmã que era tocar piano. bém dona da casa e os rapazes por vezes estava em seu quarto dormindo tranquilamen- Vamos então conhecer um pouco des- dedicavam-se às tarefas que competiam a te. sa rotina, que exceto pela Maria Luíza, a filha serem aprendidas com o pai. Já na casa, chamou os filhos disse: mais velha, considerada “ovelha negra”, saia Certo dia, Maria Luíza resolveu marcar - Vejam bem o que acontece com filha menti- um pouquinho do convencional. um encontro com as amigas em sua casa e rosa e de maus exemplos: foram muitas cinta- Uma manhã, reunidos para o café: lhe foi permitido esse gosto num final de se- das e lágrimas de dor e de raiva derramadas. - O que aconteceu com essa broa? mana. Outra surpresa: ela foi a uma loja de - Papai! Disse Maria Luíza, eu jamais teria es- Pergunta Maria Luíza à mãe. tecidos, levou as medidas, escolheu o pano e sa descompostura e muito me envergonho da - Nada, responde dona Mercedes, co- encomendou cortinas novas para receber su- irmã que tenho. ma que está boa. as amigas e como o pai tinha conta e muita - Está dura, não quero e diz para a em- credibilidade no mercado, pediu para que a- Conselho: não desdenhe o que não pode pregada que serve o café providenciar outra notasse e que foi a mando de sua mãe. comprar e não saia na chuva porque, vai se coisa para ela. Depois de dois dias, entregam as corti- molhar... nas e a mãe abismada contou para o pai que www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 9

Fevereiro 2017 Comunicação Gazeta Valeparaibana Página 9 FÓRUM MUNDIAL DAS RESISTÊNCIAS: Oficina mostra produzidos e veiculados dentro dos canais comunitários, o que estabelece como fazer TV Comunitária nos Municípios esta como a maior produtora audiovisual televisiva brasileira, isso tudo sem financiamento público. Há várias cidades brasileiras que poderiam ter TVs Comunitárias e não as tem, por falta de informação. Para difundir melhor as informações e também as condições para que um município possa ter uma TV Comunitária, OSCAR PLENTZ e CARLOS CASTRO, da ASL foram convidados a realizar Oficina De qualquer forma, isso tudo pode ser quadruplicado com as instalações de todas TV Comunitárias possíveis. Fazer conteúdo é importantíssimo, como também estar organizado para o próximo passo. no Fórum Social das Resistências. Para incentivar mais gente a buscar in- Desde 2006, com o Decreto 5.820/2006 e a fixação do Sistema Brasileiro de formações e até mesmo constituir uma TV COMUNITÁRIA na sua cidade, o Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T), que reordena o espaço eletromagné- Luiz Müller Blog publica a seguir o conteúdo da Oficina: tico, temos a previsão dos canais locais, o Canal da Cidadania, que busca o “Canal da Cidadania” – nossa organização constrói a TV Popular !!!! exercício da cidadania e da democracia, o diálogo entre as diversas identidades culturais do Brasil e a universalização do direito à informação, comunica- Por ASL.Org – Assembleia Popular – Oscar Plentz e Carlos Castro ção, educação e cultura. A democracia no Brasil não existirá sem a democratização dos meios de co- São esses os principais objetivos a serem atendidos, além de fomentar a municação. produção audiovisual independente, de caráter local e regional e podendo Sequer temos instalado o balaço fixado no art. 223 da Constituição Federal atuar na prestação de serviços de utilidade pública. entre o público, o privado e o estatal nos sistemas de comunicação, que per- Para isso, o Canal da Cidadania faz uso da multiprogramação possibilitada manece controlado por um oligopólio, que age sem qualquer escrúpulo e pela TV digital. São quatro faixas de conteúdo: a primeira para o Poder Pú- controle, dominando a comunicação de massas e exercendo influência exa- blico municipal; a segunda para o Poder Público estadual e as outras duas cerbada na vida nacional e na sociedade brasileira. (2) para associações comunitárias, que ficarão responsáveis por veicular Daniel Herz, companheiros e entidades como a Federação Nacional dos Jor- programação local. nalistas (FENAJ) que preconizaram o Fórum Nacional pela Democratização Os pedidos de outorga podem ser feitos por municípios, estados e funda- da Comunicação (FNDC) atuaram no estabelecimento do Capitulo da Comu- ções e autarquias a eles vinculadas. Emissoras educativas vinculadas a go- nicação na Carta Maior de 1988, onde está, entre outras normas, o art. 223 vernos também podem solicitar autorização para se multiprogramar como antes citado, que seria para democratizá-lo.. um Canal da Cidadania. Neste caso, além das quatro faixas mencionadas, Em 1987 ele lançou o livro, A História Secreta da Rede Globo e fez história poderão veicular uma quinta com sua programação. ao participar de lutas políticas como a concepção do conceito de Radiofusão http://www2.mcti.gov.br/index.php/espaco-do-radiodifusor/canal-da-cidadania Comunitária, a regulamentação da cabodifusão, a reforma da Lei de Imprensa e a criação do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS). Cerca de 390 municípios estão com seus pedidos encaminhados e o de Salvador deferido. No Rio Grande do Sul temos 27 pedidos em andamento, entre os quais de Porto Alegre, por exemplo, e perto nas cidades de Viamão, A lei da Cabodifusão (Lei 8.977 de 1995) foi que estabeleceu a obrigatorie- Cachoeirinha e Novo Hamburgo. dade da presença de emissoras públicas (TVs do Executivo, Judiciário e Legislativo), comunitárias e universitárias nos pacotes de TV por assinatura e estabeleceu uma nova janela no tema, que mesmo pequena, faz podermos assistir outros programas além daqueles dominados pelo setor privado, inclusive podendo se acompanhar o legislativo e o judiciário de forma diferen- Os municípios ao requerer o pedido devem se comprometer em criar o Conselho Municipal de Comunicação, o que é também de importância para o controle social da mídia e das atividades de comunicação (vide - Portaria nº 489, de 18 de dezembro de 2012). te, diretamente nas residências ou nos aparelhos de TV. Mas, o mais importante são estes dois canais digitais e em TV Aberta para a Ao mesmo tempo, nos anos 80, surgira uma TV Livre, também chamada de sociedade administrar via associações civis e sem fins lucrativos. TV de Rua, caracterizada por uma produção de vídeos educativo-culturais Portanto, aí entra a organização social que deve ser incentivada para tomar para exibição em circuito fechado ou em praça pública, como proposta das em suas mãos este desafio de implementar a sua comunicação direta e es- lutas pela redemocratização do Brasil. tabelecer seus conteúdos. Para que isso seja levado adiante, que se acom- Anos depois os canais comunitários foram institucionalizados através da Lei Federal nº 8.977, de 6 de janeiro de 1995 – conhecida como Lei do Cabo –, que deu origem aos chamados Canais Básicos de Utilização Gratuita como forma de contrapartida social dos operadores de cabo. A legislação criou os canais comunitários para serem utilizados por organizações não governamentais, contudo sem prever a viabilidade econômica desse novo veículo de comunicação. A sociedade civil organizada, principal artífice no processo de panhe e encabece o processo já se organizando deste já as TVs Populares e mesmo, experimentalmente, em Webs TVs e nas próprias TV Comunitárias existentes, como na implementação de novas comunitárias onde é possível, que só neste Estado ainda são várias, ou seja, todas as cidades que tenham tv com distribuição por cabo e que ainda não tem a associação comunitária, que administre e coloque em funcionamento a TV Local, ou seja, TV Populares de domínio da sociedade. democratização dos meios de comunicação, passou a ocupar esses canais Assim, se fazem atos práticos para democratizar a comunicação e retirar do previstos em lei e transformar em realidade as letras da legislação, embora domínio de uns as concessões de meios de comunicação, do uso do espaço parcamente. eletromagnético, da fibra ótica, do satélite, da microonda e do acesso à inter- A primeira cidade brasileira a ter uma transmissão de canal comunitário foi net. Isso é um passo importante. Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no dia 15 de agosto de 1996, através do Nestes sentido, propomos e estamos ao dispor para auxiliar o movimento, canal 14 da NET Sul. Em seguida outras cidades também passaram a veicu- lar o Rio de Janeiro (30 de outubro de 1996) São Paulo (27 de julho de 1997) e, ainda neste ano Belo Horizonte, Brasília e Campinas. Oscar José Plentz Neto – advogado - (51) 99984 9519 – o- Pelo último levantamento da Frente Nacional pela Valorização das TVs do plentz@portoweb.com.br Campo Público (Frenavatec), dos 258 municípios brasileiros onde são ofere- Carlos Alberto Jacques de Castro – analista de sistemas cidos os serviços de operadoras de TV a cabo, existem 67 canais comunitá- (51) 99688 6872 castro@softwarelivre.org rios em funcionamento. Também foi feita a pesquisa sobre a produção audi- ovisual comunitária e foram catalogados cerca de 550 programas televisivos, Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 10

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Escola de hoje A ESCOLA NO MUNDO acontecem com tanta rapidez e não conse- A autora ressalta a importância do projeto pe- CONTEMPORÂNEO guem serão acompanhadas pelos educado- dagógico para acompanhar toda essa transres. formação que a escola vem sofrendo na atua- Gema Parenti Araújo Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Bonite- lidade, sendo que o projeto deveria ser revisto Pedagoga Pesquisadora za de um Sonho (2001, p. 14), essas mudan- a cada ano e em alguns casos, reformulado, ças vão além da sala de aula "através da rede pois é através da prática que novas idéias vão O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comuni- de computadores interligados",com isso, informações são passadas velozmente para o mundo todo em qualquer ocasião, sejam elas de qualquer natureza, permitindo que o aluno traga para a sala de aula informações muitas vezes ignoradas pelo professor. surgindo e alimentando o aprendizado. A escola está deixando de ser um espaço para acumular conhecimento, onde o educador é visto apenas como um depositário do saber; hoje, o papel do professor passa a ser o de e facilitador do aprendizado, também o de criar situações de aprendizagem que sirvam para cação.Essas transformações são, ao mesmo Em meio a toda essa corrida ao progresso, toda a vida do aluno, através de metodologias tempo, responsáveis por esse processo e re- podemos dizer que a escola acaba perdendo- que organizem e criem condições para um sultantes desse processo, que é irreversível e se em relação ao ensino e à aprendizagem, ambiente educacional autônomo. tende a avançar rapidamente a cada dia. tanto pela falta de recursos para atender a Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as toda essa demanda de novos conhecimentos e competências, como pela falta de formação dos que precisam acrescentar à sua função de transmissores do conhecimento, a de animadores culturais, assistentes sociais e responsáveis administrativos. Esta concepção multifuncional pode traduzir-se num fator de perturbação e de stress, levando o educador ao desânimo. Para facilitar essa construção mencionada, é fundamental que se crie na escola, um clima agradável entre professor e gestores, pois dessa forma o professor terá mais facilidade de compartilhar seus saberes e as suas ideias. Sentir-se-á apoiado nas suas propostas e nos seus protestos. Terá liberdade para expressar seus sentimentos em relação ao ensino e às aprendizagens e não aprendizagens de seus alunos, estes últimos como um dos conseqüências da modernidade estão se tor- Além da constante formação do educador, motivos já comprovados de intenso mal-estar nando mais radicalizadas e universalizadas para que possa acompanhar as mudanças e dos professores. do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12). assim evitar o mal-estar, acredito na impor- Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13). tância da construção de um bom relacionamento no ambiente escolar, incluindo os momentos de construção e reconstrução dos significados das práticas em sala de aula, como afirma Philippe Meirieu (2006), dizendo que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", pois é trabalhando e investigando que se constrói a motivação (MEIRIEU 2006, p. 51). Colocando-se numa posição de aprendente, disposto a aprender sempre, com certeza será ouvido pelos colegas e pela equipe gestora da escola, tendo assim a liberdade de expressão nas trocas de experiências entre os colegas, tão importantes para o aprimoramento do ensino. Para isso, se faz necessário uma constante reflexão da sua prática docente, para que se torne consciente do que faz, de Alberto Melucci (2001) adota a expressão i- como faz e do que não faz, porque na medida dentização para referir o "caráter processual, O acesso à informação está se tornando cada em que constrói essa consciência, o profes- auto-reflexivo e construído da definição de vez mais um problema com o qual a escola sor, como afirma Jaume Carbonel, "passa a nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A i- tem de lidar. A informação hoje circula em re- se deparar com as suas potencialidades e fra- dentidade é, para este autor, "um processo de vistas, jornais, Internet, TV e outros. À escola gilidades e esse é o ponto de partida de um constante negociação entre as diversas par- cabe redirecionar suas práticas para a viabili- processo de mudanças e de avanços pesso- tes do eu, tempos diversos do eu e ambientes zação e democratização do acesso a essa ais e profissionais". ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditó- informação, visando a criação de condições para que o aluno possa gerenciar de forma coerente este acesso em questão. Os profissionais da educação devem lembrarse continuamente de sua vocação, paixão, compromisso. A vocação é um compromisso rios elementos que lhe compõem em cada Vivemos em uma sociedade rotulada de vá- com a paixão pelas diversas dimensões do momento (MELUCCI, 2004, p. 67). rios nomes, mas que aflui para a mesma ideia conhecimento – psicológicas, epistemológi- O mal-estar docente, fenômeno contemporâ- de avanços tecnológicos. Seja qual for o rótu- cas, sociais, éticas e políticas – e pela curiosi- neo, pode estar relacionado a todas essas lo, incontestavelmente os tempos são outros dade permanente quanto a tudo que acontece mudanças que vêm ocorrendo e que afetam e, portanto, são tempos que pedem uma nova na sala de aula, na escola e na comunidade, também os professores e suas identidades.O escola e que requer uma inovação daqueles no município, no estado, no país e no mundo; professor, em meio a tantas exigências e ne- que dela participam. A gestão pedagógica é porque "a vocação é uma decisão individual cessidades que se transformam continuamen- uma parte importante desse processo, pois a que se projeta no coletivo." (CARBONEL, te, questionando seu papel e suas funções, ela cabe estabelecer objetivos específicos, 2001, p. 110) acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono definir as ações em função dos objetivos e do perfil dos alunos e da comunidade, como afirma Heloisa Lück: "gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo" (LÜCK, 2006, José Manuel Zaragoza (1993) faz referência à acelerada transformação no contexto social em que se desempenha a educação, fazendo novas exigências a cada dia. da própria profissão, visto que as mudanças p. 36). CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 11

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Música e Músicos Personagens inesquecíveis da Música - II algum cantor. Até hoje ao ouvir esse hino um italiano se emociona, talvez até mais do que o próprio hino nacional. Giuseppe Verdi https://youtu.be/2F4G5H_TTvU Em 2011, Ricado Muti, interrompeu uma execução da ópera após Va No mês passado me referi à minha pensiero, houve um aplauso de mais de 5 min do público e Muti fez descoberta das partituras das sinfonias de um discurso contra os cortes na área da cultura, e repetiu o coro Beethoven na biblioteca de meu pai, e que com o teatro inteiro cantando junto numa cena emocionante. isso despertou meu interesse pela música https://youtu.be/G_gmtO6JnRs sinfônica. Devo a meu pai também minha Nabucco trouxe fama a Verdi que investiu seu dinheiro em terras que paixão pela ópera. trouxeram segurança para ele até o final de sua vida. A ópera é o tipo do espetáculo que consegue mexer com muita gente. É um A segunda fase espetáculo de arte total, onde há uma história sendo contada, cenários, figurinos, luz, atores/cantores, bailarinos, e, claro, a música! Com Rigoletto, uma história onde o protagonista é corcunda e Quando se fala em ópera, provavelmente a primeira pessoa que vem humilhado pela aristocracia, Verdi inaugura uma fase onde ele à cabeça em um fã do gênero é de Verdi. modifica a maneira de se fazer ópera, onde o texto e a música passam a ser as prioridades, a ópera perde o caráter de uma Italiano, nascido em 1813 e morto em 1901, Verdi alcançou em vida o sequencia de números musicais e serve ao drama. É dessa época La sucesso e soube aproveitar sua vida produzindo sua arte, e, somente Traviata, obra figura entre as óperas mais executadas no dia de hoje. com a segurança das grandes personalidades, soube provocar a Baseada em A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Fº, sociedade e usufruir dos benefícios que esse reconhecimento pode contando a triste história de uma prostituta que sofre as trazer. consequências do preconceito que a impede de ser feliz. Figura polêmica, foi entusiasta do Rissorgimento, movimento do https://youtu.be/pBtTPjBFOQQ início do séc XIX cujo um dos sonhos era a unificação do estado https://youtu.be/kwaOrpuo84Y Italiano, fato que ocorreu em 1861. Menino prodígio descobriu sua https://youtu.be/8Hc0HOb4Z-w vocação para a música logo cedo e teve a sorte de ser estimulado por seus pais. Interessou-se pela ópera desde cedo e acabou se A terceira fase tornando um dos maiores compositores do gênero, não só do séc XIX mas como de toda a história. Verdi com o sucesso e reconhecimento além da estabilidade financeira aceitou uma encomenda do governo do Egito para que Suas primeiras obras já mostravam sua personalidade forte e escrevesse uma obra que se passasse no antigo Egito. Verdi aceitou inquieta. A ópera italiana no começo do séx XIX tinha como estética o o desafio e escreveu uma das mais monumentais criações do mundo bel canto, que privilegiava a virtuosidade do cantor. Era escrita lírico. Aïda, uma história de amor entre duas pessoas de povos menos por contar uma história e mais para mostrar como se poderia inimigos, fala de preconceito, dominação, e mostra a maturidade do cantar bem passagens difíceis. Já de início ele procurava um compositor. No segundo ato há a famosa marcha triunfal. https:// caminho para se encontrar um espetáculo onde a voz era importante youtu.be/xxgOIwOd_5I claro, mas o drama, a mensagem do texto teria que ser seu foco. Essa obra inaugura a terceira fase da vida do compositor. Ele poderia escolher o que ele quisesse para se deidicar. Nessa época ele A primeira fase estreitou relações com o escritor e também compositor Arrigo Boito. Boito seduziu Verdi que teria dito que não escreveria mais nada com Na primeira fase de sua vida dois librettos baseados em Shakespeare: Otello (https://youtu.be/ musical, jovem e engajado na qjUkN6X5WOI) e Falstaff (https://youtu.be/LvFyDeOwMtY) , que política, Verdi procurou escolher encerraram a lista de sucessos do compositor italiano. Dessa mesma argumentos que mostravam época é seu Requiem (https://youtu.be/KkssNMI_niE) escrito em ambientes onde o pano de fundo homenagem à morte de Alessandro Manzoni, poeta admirado por é alguma situação política Verdi. extrema. Isso acabou mexendo com os brios do povo italiano. Verdi viveu intensamente, é amado pelos italianos. Seja por causa do Suas obras com essa mensagem que ele representa para o país como identidade, forte aliadas a um talento ou pela força de sua obra como um todo. enorme para melodias acabaram Giuseppe Verdi definitivamente é uma das levando Verdi a um sucesso personalidades mais marcantes da história da repentino. Em sua terceira ópera música! Nabucco, que narra a vida de Nabucodonosor, há um coro de Saudações musicais escravos hebreus, Vá, pensiero, Maestro Luís Gustavo Petri onde os escravos cantam a saudade da sua terra. Esse coro Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e imediatamente se tornou hino do pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da nacionalismo italiano. Na história Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É fre- da ópera talvez esse seja o quente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua car- primeiro momento onde o coro vira estrela do espetáculo ao invés de reira além musicais. de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 12

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 Algumas Datas comemorativas 04 - Dia do Amigo do Facebook 20 - Dia Mundial da Justiça Social O Facebook está completando 12 entrar no clima da comemoração, anos nesta quinta-feira (4) e, para a rede social está oferecendo um O Dia Mundial fevereiro. da Justiça Social é comemorado anualmente em 20 de vídeo para o que chamou de “Dia do Amigo”. A ideia é aproveitar o Esta data é de extrema importância para ajudar a fortalecer a luta marco da fundação do The Facebook em 2004, para celebrar a ami- contra a pobreza, exclusão, preconceito e desemprego, em busca do zade com fotos dos membros da rede social com seus amigos. O re- desenvolvimento social dos países. sultado é um vídeo montado com cards, trilha sonora, e que pode ser Alcançar a justiça social significa promover uma convivência pacífica editado e compartilhado na linha do tempo e no feed. e saudável entre as nações, eliminando barreiras do preconceito, seja 13 - Dia Mundial do Rádio por motivos de raça, etnia, religião, idade ou cultura, por exemplo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas – ONU, em 26 O Dia Mundial da Rádio celebra-se anualmente a 13 de fevereiro. de novembro de 2007, sendo comemorada pela primeira vez em A data foi escolhida pois foi neste dia que a United Nations Radio e- 2009. O Dia Mundial da Justiça Social foi criado como um reforço pamitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para ra o estabelecimentos das metas propostas pela ONU na Cimera um grupo de seis países. Mundial do Desenvolvimento Social, em 1995, Cúpula Social de Copenhagen e na Cúpula do Milênio, entre outros fóruns da Organiza- A data foi declarada em 2011 pela UNESCO e o primeiro Dia Mundial ção. da Rádio foi celebrado em 2012. O tema para o Dia Mundial da Rádio 2017 é "A rádio é você", enalte- 21 - Dia Internacional da Língua Materna cendo a participação pública na rádio. Pode juntar-se à celebração do dia no site oficial da data. O Dia Internacional da Língua Materna em 21 de fevereiro em todo o planeta. é celebrado anualmente A rádio continua a ser o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências, continuando a adaptar-se às novas tecnologias e a novos equipamentos, com a transmissão online via streaming, por exemplo. Criada pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 17 de novembro de 1999, o Dia Internacional da Língua Materna tem o objetivo de promover a diversidade linguística e cultura entre as diferentes nações. É um meio bastante útil para a população, seja como ferramenta de apoio ao debate e comunicação, de promoção cultural ou em casos de emergência social. Para os profissionais de comunicação social, a rádio é uma plataforma para se divulgarem fatos e histórias. Além disso, esta data também convida a todos os países membros da UNESCO e suas matrizes a refletirem sobre a preservação das particularidades linguísticas e culturais de cada sociedade. A rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais 24 - Promulgação Primeira Constituição Brasileira e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental. Este meio de comunicação social adaptou-se à era digital e continua a ser A primeira constituição monárquica do país foi outorgada em 1824 um meio fiável para a população, que recebe a informação na hora, por D. Pedro I, que manteve os princípios liberais e fortaleceu ainda sendo esta uma das características mais positivas da rádio. mais o poder do imperador. O Dia Nacional do Repórter é comemorado anualmente em 16 de fe- Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a primeira constituição vereiro no Brasil. republicana brasileira. Ela se baseou nos ideais de liberdade, igualda- A data homenageia os profissionais responsáveis por transmitir atra- de e justiça, instituindo o sufrágio direto para eleição, voto para maior vés dos meios de comunicação fatos e informações de interesse pú- de 21 anos e abolição à exigência de renda como critério do exercício blico. Todo o repórter é jornalista, mas não são todos os jornalistas dos direitos políticos. Por outro lado, excluía os mendigos, analfabe- obrigatoriamente repórteres. tos e religiosos sujeitos a votos de obediência. O repórter é um cargo que pode ser ocupado por um profissional que 27 - Dia do Livro Didático foi habilitado, através do curso de Jornalismo, para desempenhar a comunicação social por meio das mídias. O Dia Nacional do Livro Didático é comemorado anualmente em 27 A principal tarefa do repórter é a cobertura de pautas e notícias, com de fevereiro, no Brasil. investigação profunda dos fatos, entrevistas e produção de um texto Esta data homenageia uma das ferramentas essenciais para a forma- explicativo, imparcial e direto para o leitor ou telespectador. ção educacional dos alunos: o livro didático. O cargo de repórter está presente em todas as áreas da comunicação O livro didático reúne as informações que o aluno necessita para aju- social, seja na televisão, rádio, internet ou jornalismo impresso. A fi- dar a desenvolver o seu conhecimento, em todas as etapas da edu- gura do repórter é imprescindível para a produção de conteúdos apu- cação – desde o ensino fundamental até os superiores. rados e com qualidade profissional. Os livros didáticos também são muito importantes para orientar os Mensagem para o Dia do Repórter educadores (professores), no processo de ensino e aprendizagem. "Um repórter deve trabalhar com ética, buscando sempre a verdade Desde 1985, o Brasil mantém o Programa Nacional do Livro Didático sobre a notícia, sem fazer alarde ou sensacionalismo com a mesma! (PNLD), que fornece todos os livros didáticos para os alunos das re- Parabéns pelo seu dia, repórter!" des públicas de ensino de todo o país. "O repórter é o profissional caçador de notícias que nos informa a ca- No entanto, a trajetória do livro didático no Brasil começou em 1929, da dia de todos os fatos ocorridos no mundo". com a criação do Instituto Nacional do Livro (INL), órgão com a fun- ção específica de legislar esta área no país. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 13

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Educação Insulto, logo existo domino. A segunda é a busca da impessoali- comunistas. Jorge Luis Borges mudou a ma- dade. Critico não por causa da minha dor, da neira de pensar a literatura mundial. Era racis- No momento em que eu ape- minha inveja, do meu espelho. Examino a o- ta e achava a ditadura de Francisco Franco nas uso o rótulo, perco a chan- bra em si, não a obra que eu gostaria de ter muito boa. Oscar Niemeyer mudou a noção ce de ver engenho e arte. feito ou a que me incomoda pelo simples su- de arquitetura do século 20. Era adepto do cesso da sua existência. Critico o defeito e marxismo. Shakespeare, do ponto de vista A crítica e o contraditório são não a luz. Cheguei a essas conclusões por político, era bastante conservador e desconfi- fundamentais. Grande parte do já ter errado. Arrependo-me de críticas pas- ava da participação popular. Descartes e Pasavanço em liberdades individuais e nas ciên- sionais. Tomei consciência de que dois ou cal eram religiosos; Bertrand Russel e Dide- cias nasceu do questionamento de paradig- três temas mexem tanto comigo, que a objeti- rot, ateus. Picasso e Hemingway eram sedu- mas. Sociedades abertas crescem mais do vidade tende a diminuir. Questões ligadas ao tores quase agressivos de mulheres. Nelson que sociedades fechadas. A base da demo- racismo, à violência contra mulheres e à edu- Rodrigues não era, exatamente, um feminista. cracia é a liberdade de expressão. Sem opo- cação implicam uma carga emotiva forte para O pintor Francis Bacon, o músico Schubert e sição, não existe liberdade. Uma crítica bem mim. Hoje, quando vejo que o debate roça o economista J. Keynes tinham vida ou dese- fundamentada destaca dados que um autor nisso, submeto-me a redobrada atenção para jo homoeróticos. O que eu quero dizer: no não percebeu. Um juízo ponderado é excelen- evitar fazer aquilo que estou reclamando em momento em que eu apenas uso o rótulo, per- te. Mais de uma vez percebi que um olhar ex- outros. Reconhecida minha imperfeição, co a chance de ver engenho e arte. Fixar-se terno via melhor do que eu. Inexiste ser hu- reafirmo: assusta-me a virulência da internet. no estereótipo parece ser um recurso de certa mano que não possa ser alvo de questiona- Há pessoas que querem fazer sucesso a estreiteza analítica. Tanto a maestria pode mento. Horácio garantia, com certa indigna- qualquer preço e cimentam a estrada com pa- estar presente num indivíduo detestável como ção, que até o hábil Homero poderia cochilar lavrões. Acreditam que agressões com pala- a mediocridade pode aflorar no mais engaja- (Quandoque bonus dormitat Homerus - Ars vras vulgares e apelidos sejam um grande im- do lutador dos direitos dos filhotes de foca. Poetica, 359). A crítica pode nos despertar. pacto. Estão corretos: causam impacto, mas Respondo raramente a críticos agressivos. Como saber se a avaliação é boa? Primeiro: vulgaridade é simples concussão. Suponho Basicamente por falta de tempo e também por ela mira no aperfeiçoamento do conhecimento que alguns apresentem sintomas ligados à acreditar ser um direito de todos a manifesta- e não em um ataque pessoal. A boa crítica chamada síndrome de Tourette. ção com liberdade, dentro dos limites da lei. indica aperfeiçoamento. Notamos, no arguidor Hyperlink: https://pt.wikipedia/.org/wiki/ Internet funciona como terapia para muitos. sincero, uma diminuição da passionalidade. Georges_Gilles_de_la_Tourette. Sempre recomendei que as pessoas fossem Refulgem argumentos e dados. Mínguam comedidas não por humildade, porém por vai- questões subjetivas. Há mais substantivos e Georges Gilles de la Tourette (1857-1904) dade, já que atacando alguém eu falo tanto menos adjetivos. Não digo o que eu faria ou o descreveu pacientes que tinham compulsão de mim e dos meus medos que a prudência que eu sou. Indico apenas como algo pode de enunciarem palavrões, especialmente refe- impõe certo silêncio obsequioso. Poucas coi- ser melhor e a partir de quais critérios. Que rências a fezes. A coprolalia, este fluxo de te- sas desnudam tanto minha alma como o ata- argumentos estão bem fundamentados e mas fesceninos e agressivos, escapa ao con- que. Podemos sempre evitar o texto de quem quais poderiam ser revistos. Objetividade é trole. Além de uma síndrome generalizada de discordamos. O impossível é evitar a nós um campo complexo em filosofia, mas, certa- Tourette, noto a vontade de classificar mais mesmos. Eis fevereiro entre nós. Hoje, chego mente, alguém babando e adjetivando foge do que entender. Definido se o autor é X ou ao meu verão de número 54. Nunca havia um pouco do perfil objetivo. Y, encerra-se a discussão. Basta dizer que percebido a vida tão fascinante como agora. Duas coisas ajudam na empreitada. A primeira é conhecimento. Há um mínimo de formação. Não me refiro a títulos, mas à energia despendida em absorver conceitos. Nada posso dizer sobre aquilo do qual nada sei. ele é, por exemplo, conservador ou socialista. Nada mais preciso pensar da obra. É preciso reforçar que o talento e a criatividade têm pouca exclusividade política ou biográfica. Portinari e Jorge Amado eram gênios na pintura e na escrita. Também foram devotados Melhorei muito porque tive bons críticos ao longo dos anos. Ajudaram-me a superar mazelas e lacunas. Agradeço a eles. Desejo paz aos outros julgadores. Estou com pouco tempo para odiar. Boa semana a todos. Pouco posso dizer sobre o que escassamente Leandro Karnal Não se deixe contaminar pelos não-éticos. tebrados que querem nos desviar do caminho do sucesso duradouro, da paz de espírito, da credibilidade. É preciso uma força superior para Cuidado! Não faltarão pessoas fingindo-se não se deixar contaminar, para não se deixar abater, pois não é fácil amigas que buscarão tirar você do caminho ver pessoas pouco éticas, desfrutando de grandes riquezas materiais, da ética, da retidão, da honestidade. Afaste- frutos da corrupção, da desonestidade, da esperteza, da traição aos se delas! Não faltarão pessoas chamando vo- valores morais. cê de ingênuo e mesmo de bobo, porque teve Embora não seja fácil, você precisa acreditar que vale a pena ser éti- uma atitude digna, ética, moralmente defensá- co, honesto, limpo, crível, leal e firme na vivência e na defesa dos va- vel e negou-se a cometer um ato de honesti- lores mais elevados. Deixe que o chamem de tolo. Não dê ouvidos dade duvidosa. Afaste-se delas! Não faltarão aos que disserem que você é ingênuo. Não ceda às pressões para pessoas dizendo a você: “todo mundo faz”; “aqui sempre foi assim”; desviar-se do caminho reto, pois só ele poderá nos conduzir ao ver- “não seja tolo”, buscando fazer você duvidar de que vale a pena ser dadeiro sucesso, à verdadeira paz de espírito, ao orgulho de nos ver ético, honesto, limpo, moralmente defensável. Livre-se delas! no espelho e de olhar para os olhos de nossos filhos e amigos. O res- Não se iluda: você encontrará, todos os dias, pessoas falsas, fingindo to a traça come, o governo confisca, o ladrão rouba. Invista no que é -se puras e propondo a você negócios escusos, vantagens ilícitas, duradouro, permanente, definitivo. Não se deixe contaminar. ganhos indevidos. Cuide-se delas! Pense nisso. Sucesso! Sem dúvida, um dos maiores desafios do mundo em que vivemos é o de não nos deixar contaminar pelos não-éticos, pelos espertos inver- Luiz Marins www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 14

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grandes mestres O Povo Brasileiro - Darci Ribeiro herança maldita nos dará forças para, ama- se desenvolveu a partir de uma economia de (Continuação da edição anterior) nhã, conter os possessos e criar aqui, neste base agrícola, voltada para abastecer o mer- país, uma sociedade solidária ". cado europeu. A maioria da população con- Trecho do livro O Povo Brasileiro O Povo Brasileiro centrava-se na zona rural. São Paulo. A terceira cidade do mundo. Uma As cidade e vilas funcionavam como entre- movimento fantástico dência Mineira... – a Inconfi- megalópole com doze milhões de habitantes. Esta cidade, fundada em 1554 é hoje o espelho do Brasil. Olhando com atenção seus bair- postos comerciais, onde o povo vivia da prestação de serviços aos fazendeiros. Somente nas regiões mineradoras é que se implantou O movimento idealizado por uma ros e sua gente é possível perceber todas as uma rede urbana independente da produção elite intelectual previa uma nova contradições do país. agrícola. organização da sociedade. Entre O Brasil rico, moderno, que chega às véspe- Recife enriqueceu com os holandeses e com os planos dos inconfidentes esta- ras do século XXI como a oitava economia do o açúcar. Na Amazônia, Belém e Manaus se vam a criação de universidades, a planeta. Mas também o Brasil que não acom- desenvolveriam como portos de exportação instalação de indústrias e a libertação dos es- panhou o progresso. O país que ainda luta dos recursos naturais extraídos da floresta. O cravos. por melhores condições de vida. Rio de Janeiro cresceu como porto de escoa- A inspiração maior vinha dos ideais da Revolução Francesa e de um novo país da América do Norte, os Estados Unidos. Uma denúncia acabou levando à forca um dos líderes do movimento: o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. As grandes capitais são o retrato do crescimento desordenado das cidades brasileiras no século XX. Para se ter uma idéia, entre 1920 e 1960 a população urbana cresceu dez vezes. Hoje quase 70% dos brasileiros moram em cidades. As maiores transformações foram sentidas mento do ouro. A partir de 1808 tornou-se o principal núcleo urbano do país, com o desembarque do rei de Portugal D. João VI e de sua corte. Muito sabido esse D. João VI. Descrevem-no como um bestão que andava numa carroça, comendo frango com as mãos e jogando os Tiradentes foi esse herói nacional fantástico, nos centros urbanos, mas elas são reflexos ossos para o lado... Ele é descrito popular- um homem sábio, engenheiro que fez o servi- do que ocorreu no campo. Em toda a história mente como uma besta, mas não tem nada ço de águas do Rio de Janeiro, que fez o pla- brasileira, as mudanças de regime pouco afe- de besta. nejamento dos portos do Rio... e que conspi- taram a ordem social. Enquanto os reis de Espanha ficavam queren- rou na Europa, em Portugal e conspirou com Durante o período colonial e depois no Impé- do pedir perdão a Napoleão para continuar os norte-americanos também. rio e na República, o poder na zona rural mandando, ele viu que o bom era o Brasil, Era um intelectual que lia, conhecia a consti- sempre foi baseado no monopólio da terra e não era Portugal. Ele largou aquela velharia e tuição americana e queria fazer uma repúbli- na monocultura. Aqui nenhuma terra foi reser- veio para cá, abriu os portos e começou a or- ca. Era respeitado pelos magistrados, pelos vada para o povo que ia formando o Brasil. ganizar o país. coronéis militares, pelos poetas, por aquele Nos Estados Unidos as pessoas iam para o Trouxe 18 mil pessoas. Essa trasladação grupo atípico de Minas que quis criar uma Re- Oeste (o que corresponderia no Brasil a Goi- trouxe pra cá toda uma classe dominante já pública Brasileira, criar um Brasil e criar brasi- ás, Mato Grosso). Elas iam porque sabiam feita, muitos deles com cursos universitários leiros, dando dignidade. Mas os portugueses que se construíssem uma casa, fizessem uma em Coimbra. É essa gente que organiza o pa- abafaram isto tão bem que continuou soterra- roça ganhavam o direito de demarcar uma ís. da a ideia de liberdade e de autonomia do fazenda de 30 hectares. "A luta mais árdua do negro africano e de Brasil... Aqui isto nunca deu certo porque um pequeno seus descendentes brasileiros foi – e ainda é Trinta anos depois da rebelião dos inconfiden- grupo monopolizou a terra, obrigou o povo a – a conquista de um lugar e de um papel de tes, o Brasil se tornava império autônomo. sair das fazendas. Eles não dividiam e sim participante legítimo na sociedade nacional." Mas levaria quase cem anos para extinguir o expulsavam. Não é que eles usem a terra. E- O Povo Brasileiro trabalho escravo em seu território. Durante les não usam dez por cento da terra que exis- O Brasil só se tornou uma nação com a aboli- trezentos anos o país usou cerca de doze mi- te, mas expulsaram. E essa gente que foi ex- ção da escravatura, que concedeu aos ne- lhões de negros como principal força de tra- pulsa vem viver uma vida miserável na cida- gros, ao menos no papel, a igualdade civil. balho em seu processo de formação. de. Emancipados mas sem a terra que cultivaram Trazidos do Sudão, da Costa do Marfim, da Em 1850 as regras de acesso à propriedade por quase quatro séculos, os ex-escravos Nigéria, de Angola e de Moçambique, essa rural mudaram. A simples ocupação e cultivo abandonaram as fazendas e logo descobri- gente marcaria com sua cor e com sua força já não bastavam para garantir a posse. O re- ram que não podiam ficar em nenhum lugar. a fisionomia e a cultura brasileiras. E, ao final gistro obrigatório acaba expulsando da terra A terra tinha dono. Saindo de uma fazenda do período colonial, era uma das maiores po- os menos favorecidos. caíam em outra, de onde eram, também, fa- pulações do mundo moderno. Na periferia de São Paulo vive gente entregue talmente expulsos. "Todos nós, brasileiros, somos carne da car- a uma pobreza total. É de se perguntar: como Houve quem tivesse melhor sorte. É o caso ne daqueles pretos e índios supliciados”. Co- tão poucos latifundiários fizeram a infelicidade de uma comunidade negra situada no litoral mo descendentes de escravos e de senhores de tantos brasileiros que estão em São Paulo, fluminense. Ali, todos descendem da mesma de escravos seremos sempre marcados pelo no Rio de Janeiro, no Recife, na Bahia, por família. São netos, bisnetos, trinetos e tatara- exercício da brutalidade sobre aqueles ho- toda parte? netos de três mulheres escravas – como o Sr. mens, mulheres e crianças. Esta é a mais ter- Nenhum município estava em condições de Valentim. rível de nossas heranças. absorver o êxodo rural num ritmo tão intenso, “Mas nossa crescente indignação contra esta mas nem sempre foi assim. O país cresceu e CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 15

Fevereiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy não só não houve reativação econômica, mas Em 2012, Martin Wolf resumiu assim a tampouco recapitalização dos bancos. Europa situação: “Com os bancos enfraquecidos, a Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em ficou sob o potente freio da austeridade e, por demanda privada combalida, a demanda Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e outro lado, sob o suposto motor da liquidez governamental em contração e a demanda vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de em aumento, pelas operações do BCE. A exte rna f raca, as economias f rágeis receita de austeridade se pôs na ordem do dia provavelmente sofrerão queda de produção e em toda Europa. Nos planos de ajuda à desemprego mais alto que o atual, dentro de Grécia, Irlanda e Portugal, a ajuda financeira d o is a t rê s a n o s. A re co m pe n sa p e lo veio condicionada à adoção de medidas de sofrimento atual é mais sofrimento no futuro. austeridade fiscal: ora, os fundos de resgate Quer a Grécia seja “salva”, quer não, no da zona do euro, já envolvidos com Grécia, momento é difícil acreditar que a zona do euro Portugal, Irlanda e Espanha, poderiam ser atual poderia sobreviver a isso, especialmente Walter Benjamin insuficientes para lidar também com a Itália. quando o principal argumento em seu favor – Uma parte do sistema bancário francês o da integração econômica e financeira – está Capitalismo e estava e está enterrada na Grécia, enquanto sendo destruído. As empresas, especialmente que a da Itália acumulava uma parte enorme as instituições financeiras, estão tentando democracia da dívida pública italiana, no Leste europeu e cada vez mais equiparar seus ativos e na Europa PARTE XIV Em julho de 2011 foi aprovado um novo pacote multilateral de socorro financeiro para a Grécia de € 159 bilhões, com empréstimos da União Europeia e do FMI, promessas de privatizações e de renegociação de dívida com os bancos privados. A cúpula europeia também prorrogou o vencimento dos empréstimos da Grécia, Irlanda e Portugal e reduziu as taxas de juros cobradas para aliviar o serviço de suas dívidas. . nos Bálcãs. Os bancos da Europa e do Japão, e o Federal Reserve dos EUA, pressionaram à Alemanha para que aceitasse integrar um Fundo de Financiamento, que pudesse ser subscrito (via emissão de ações para angariar os recursos) no mercado internacional, e que superasse largamente o trilhão e meio de dólares. A posição do governo e das autoridades monetárias alemãs foi: nada de títulos unificados da zona do euro; nenhum aumento nos recursos destinados ao Mecanismo de Estabilização Europeu (500 bilhões de euros); nenhum esquema comum passivos de país a país. Da mesma forma, apenas as companhias mais corajosas planejam produção confiando em que os riscos cambiais tenham sido eliminados. Já que parcela crescente do risco transnacional agora cabe ao Banco Central Europeu, o caminho para uma dissolução está mais aberto que nunca”. Um limite histórico foi atingido. A enorme acumulação de capital, real (ou “produtivo”) e fictício, propiciada pela formação da zona do euro, vinculada inicialmente à separação da Europa oriental e dos Bálcãs da União Soviética, chegara à sua estação terminal. A Os meses seguintes se encarregaram de d e s u s t e n t a ç ã o a o s i s t e m a b a n cá r i o ; soma dos títulos do setor financeiro, tanto na colocar lenha na fogueira que se pretendia austeridade fiscal a todo custo, inclusive na Alemanha quanto na França, ficou três vezes e x t i n g u i r . H o u v e r e b a i x a m e n t o s d a s Alemanha; nada de financiamento a governos maior do que seus PIBs. Os bancos europeus classificações de risco dos papéis das dívidas via política monetária; nenhum relaxamento eram importantes investidores em papéis espanhola e italiana, ameaça de fazer o da política monetária da zona do euro; e nada governamentais, detendo um terço do total. mesmo com os papéis da França e dos de boom de crédito forte na Alemanha. O país Apesar de começarem a se desfazer deles, principais bancos franceses e alemães. O credor, em cujas mãos o poder se concentra sua exposição continuou enorme na dívida montante de recursos aprovado para o EFSF, em um momento de crise, declarava sua dos governos, totalizando 2,6 trilhões de € 440 bilhões, ficou pequeno. intenção de transformar à UE em sua própria euros, ou 7,5% de seus ativos totais. Nos Não só a dívida grega era insustentável e em constante crescimento, como também Portugal e Irlanda seguiam os passos da plataforma econômica no mercado mundial. Em 1998, quando os alemães ainda usavam o marco, seu superávit comercial junto às EUA, a exposição dos bancos aos públicos norte-americanos equivale a de seus ativos, seis vezes menos. títulos 1,25% Grécia. Itália e Espanha, a terceira e quarta nações que mais tarde adotariam o euro era Alemanha não deu o mínimo sinal de apoiar m a i o r e s e c o n o m i a s d a E u r o z o n a , de US$ 29 bilhões. Em 2008, já com a divisa as duas propostas que os outros membros da desmoronavam sobre montanhas de dívidas. comum, o saldo favorável atingiu US$ 177 UE consideraram indispensáveis para evitar o O BCE finalmente admitiu recomprar títulos bilhões, um número sete vezes maior. Mais cataclismo na Europa: a monetização da da Itália e da Espanha, cujas dívidas estavam de US$ 1 trilhão entrou na Alemanha desde a dívida soberana pelo Banco Central Europeu sob a ameaça de colapso. França, país do criação da moeda única (em 1999) até 2010 (BCE), e a criação dos eurobônus para núcleo duro da União Europeia, perdeu sua por meio do comércio de bens com seus reduzir o peso dos juros nos países mais qualificação de crédito AAA, enquanto o países colegas do euro, segundo a OCDE vulneráveis aos mercados financeiros. A conjunto da União Europeia, começando pelo (O r ga n i za çã o p a ra a Co o p e ra çã o e o união bancária da Europa, que colocaria o seu motor, a Alemanha, começou a se Desenvolvimento Econômico). A escalada das sistema bancário europeu sob uma proteção e afundar na recessão. O círculo vicioso da exportações alemãs ocorreu principalmente supervisão únicas, faria que o resgate de um austeridade que agrava a recessão e o em cima de países que mais tarde se banco falido corresse por conta das endividamento não se interrompeu, ao tornaram o foco da crise europeia. De 1998 a instituições europeias com independência da contrário, apertou a corda e estrangulou a 2008, o superávit comercial da Alemanha com nacionalidade da entidade falida. Alemanha, chamada “economia real”, a produção, a Espanha aumentou onze vezes; com a Áustria, Finlândia e Holanda se opuseram achatada por uma crise de superprodução de Itália, 8,6 vezes; com Portugal, sete vezes; porque seriam as que deveriam entrar com a capital, sem mercados suficientemente com a Grécia, 3,5. Somente em cima da maior parte de uma fatura que seria “alheia”. rentáveis. Espanha, a Alemanha ganhou US$ 270 Assim, a falência da economia mundial Ao colocar a Grécia na UTI com o segundo resgate (garantia) pretendeu-se evitar as consequências catastróficas de um segundo Lehman Brothers, que causaria uma avalanche de quebras de países e bancos. A economia grega encolhera 16% em cinco anos, o desemprego chegara à estratosfera. E o peso da dívida, em vez de diminuir, só aumentara: dos 130% do PIB no final de 2009, chegou em 2012 aos 160%. Na UE, bilhões no comércio de bens de 1999 a 2010. Sobre a França, os alemães acumularam um saldo de US$ 328 bilhões. A Alemanha, no entanto, não tem os meios militares, políticos ou econômicos para impor uma anexação. Tampouco podia proceder de forma administrativa: devia negociar ou impor sua hegemonia à França, e negociar uma divisão de influências na Europa com os Estados Unidos e a China. nocauteou à Europa unificada, cuja implosão retroalimentava essa mesma falência. A crescente desintegração da União Europeia propôs duas alternativas: sua dissolução ou sua conversão em um regime de protetorados sob a direção de uma potência dominante ou sob a associação desigual de um par dessas mesmas potências (França e Alemanha). CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

Comments

no comments yet