EuroNoticiArea, Dez'2016

 

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Boletim Informativo da Área Europa das Irmãs Doroteias

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EURONEWSAREAEURONOTICIAREA EURONOTIZIAREA DEZEMBRO/ DECEMBER/ DICIEMBRE/ DICEMBRE – 2016 Natal é tempo de anúncios, de ofertas, de ocasiões a não perder… e também a Palavra de Deus tem ofertas e anúncios a fazer: Do Livro do Profeta Isaías (11,1-9) Um rebento despontará do tronco de Jessé, um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor. E pronunciará os seus decretos no temor do Senhor. Um rebento despontará: uma certeza, algo está para nascer de Jessé, o pai de David. De David a Jesus são cerca de 1000 anos, um tempo imenso que nos dá a dimensão da espera, que nos leva a aprender e a esperar que algo de novo nasça, brote e venha à luz em nós e à nossa volta. Um anúncio contracorrente: em geral as ofertas são limitadas, pelo contrário, a vinda do rebento exige tempo. Precisamos de tempo para nos apercebermos de que algo de novo brotou, frágil como um rebento, mas que da sua fraqueza depende toda a vida que continua e re-começa com uma força de novidade. Não julgará segundo as aparências e não tomará decisões por ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiça e com equidade os humildes da terra. Ferirá os tiranos com os decretos da sua boca, e com o alento dos seus lábios fará morrer o ímpio. A justiça será o cinto dos seus rins, e a lealdade circundará os seus flancos. 1

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O Rebento não julgará segundo as aparências: Aquele que vem tem a capacidade de entrar dentro das coisas e dentro da vida e de compreender; não como um espectador mas como alguém que penetrou nas raízes, até ao miolo, julgará como quem vestiu a sua pele… Aquele que chega conhece a vida por dentro. O Rebento que chega é desconcertante: prefere os pobres e os miseráveis, põe-se ao lado deles; a sua justiça dá a preferência ao pobre, a justiça na fidelidade. O lobo habitará com o cordeiro, o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos e um menino os conduzirá. A vaca pastará com a ursa e as crias repousarão juntas; o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide e o menino desmamado meterá a mão na toca do basilisco. Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, como o fundo do mar, das águas que o cobrem. A presença d’Aquele que vem permitirá que sucedam coisas estranhas: o lobo junto com o cordeiro, o leopardo com o cabrito, o novilho com o leão… tudo o que é vivido não apenas como contradição, mas até como ameaça, poderá estar lado a lado, sem vencidos nem vencedores, nem fortes nem fracos… uma imagem de sonho, viver ao lado daquilo que nos espanta, daquilo que sentimos como um perigo a evitar ou como uma presa a dominar, pode tornar-se como alguém junto de quem podemos estar tranquilos. Quem guia tudo isto, quem garante a segurança? Um menino. O tempo que se abre é o tempo da autonomia. Um tempo em que não é o medo a governar; não se age por medo da punição: esta é uma estratégia dos grandes da terra; um povo amedrontado é mais fácil de conduzir, mas a Palavra de Deus diz que bastará um menino para fazer com que as contradições da nossa vida estejam lado a lado, sabendo que o leão permanecerá leão, que o lobo permanecerá lobo, que o cordeiro permanecerá cordeiro… Uma última oferta deste texto: a criança de peito brincará com a serpente, metendo a mão na sua boca: o que nos parece uma imprudência é apenas o sonho de um olhar capaz de ler a realidade como boa; é a capacidade de acolher a bondade daquilo que está fora de nós, um olhar que não julga segundo as aparências, ou por ter ouvido dizer, mas por experiência. Uma sociedade que antevê lobos que comem cordeiros, que para gerir as contradições produz a eliminação da diversidade… nós festejamos uma criança que não só tem tudo isto, mas ela mesma se torna sinal da explosão desta contradição: Deus que escolhe ser homem. Confiando inteiramente n’Aquele que, sendo capaz de unir diversidades tão grandes, será também capaz de unir as nossas histórias e as histórias das nossas realidades, a todas desejamos uma boa leitura! Francesca e Lúcia 2

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ESPANHA... FESTA SOLIDÁRIA A FAVOR DE MÃOS UNIDAS A MODO DE HISTÓRIA… Esta Festa nasceu no contexto de criar vínculos, de «formar povo», já que os seus habitantes procediam de outros lugares e careciam de aproximação. Com o objectivo de colaborar na Campanha contra a Fome, que promove «Mãos Unidas» e, ao mesmo tempo, desfrutar da Partilha Solidária, criou-se um agradável ambiente de festivo convívio em que estiveram implicadas o maior número de pessoas e famílias. Os começos, como costuma acontecer, são simples… Grandes desejos e poucos recursos, quer humanos, quer materiais. Mas não importa. A parábola do fermento ensina-nos que o pouco e pequeno, se contém o gérmen do Amor, pode produzir a transformação da massa. Confiadas, pois, nesta Palavra do Senhor e na Força do Amor… com três ou quatro famílias totalmente implicadas e muita generosidade nos corações, lançámo-nos nesta aventura de Solidariedade. A princípio contava-se com poucos meios e muita expectativa. Iniciou-se uma jornada festiva na Praça, a partir das 17.00 horas, com uma tômbola, chocolate e massa frita ao estilo daqui. O resultado foi muito positivo, não só pela quantidade de dinheiro arrecadado, mas também porque se celebrou uma Festa, e o povo poucas tinha… As expectativas, as esperanças, a generosidade e os bons resultados cresciam e, a partir deste ano, ficou instituída em Villafranco uma Festa Solidária que se foi consolidando no decorrer dosanos e gerações, com resultados cada vez mais esperançosos a todos os níveis. Em traços gerais, é esta a História, mas a experiência tem um «encanto especial», quando se pesa a quantidade de gestos, palavras e acções que constituem o entrelaçado de um dia que, ano após ano, vai adquirindo mais colorido e mais ambiente de convivência geracional em torno de um sentimento que, pouco a pouco, se vai gravando nos corações com mais força: a alegria de Partilhar. A FESTA, PASSO A PASSO… Já desde as jornadas anteriores, com a Comunicação que chega através da «Carta de Villafranco», se começa a ver um grande movimento: entrega de donativos, grupos a prepararem a sua actuação, os jovens e os menos jovens mais ‘artistas’ preparando a decoração com preciosos cartazes motivadores… Os espaços da Paróquia, normalmente dedicados a catequeses e estudo, ficam totalmente disponíveis para a organização dos objectos. 3

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É muito gratificante ver a colaboração dos vizinhos e um grupo muito significativo de jovens, juntos, colaborando e participando de forma activa nas diferentes actividades da Jornada. É também gratificante e esperançoso ver os vizinhos pela Praça, que se converte, como tantas vezes, em «Sala do Povo»: pessoas de diferentes crenças que se unem, porque todas cremos no ser humano. Na Eucaristia, que celebramos na véspera, à tarde, apresentamos como Oferenda, em antecipação, todos os sentimentos e gestos de Colaboração e Solidariedade que viveremos no dia seguinte. … e chegou o dia da Festa Desde as 9.00 horas da manhã. Os colaboradores mais directos preparam a tômbola, enfeitam o cenário, preparam o palco… A vida começa a ‘aquecer’ na Praça. A música, que muito cedo começa a tocar, ambienta a actividade. É uma Festa especial. Uma FESTA que leva o selo da SOLIDARIEDADE e, como tantas vezes já ouvimos dizer este ano, o selo da MISERICÓRDIA. A nossa casa, desde o primeiro momento, está aberta de par em par. Em qualquer momento do dia podem ver-se as portas abertas, e, dentro, pessoas fazendo os preparativos para o arroz à valenciana, o café, o chocolate…ou pedindo algum utensílio necessário. As pessoas sentem-se como se fosse na própria casa. Às 12 horas inicia-se a Festa, com umas palavras motivadoras, informando sobre o lema da Campanha e sobre o Projecto a que será destinado o resultado obtido. Imediatamente se começa a ver as crianças à volta da tômbola. Rostos de surpresa. São os primeiros sorrisos. Apesar da crise, as pessoas vão chegando à Praça. Iniciam-se as actuações no palco. Grupos de Catequese dão uma nota de colorido com as suas representações, bailes, poemas, canções... Olhando para os sentimentos que exprimem estas crianças, podemos ter a certeza de que “Outro mundo é possível”: Um mundo no qual o Amor, a Amizade, a Compreensão, o Respeito, a Tolerância, a Paz, a Solidariedade… se tornam presentes, porque Deus está no coração do mundo, dando ‘crescimento’ à ‘sementeira’. Também os mais idosos têm a sua participação: Famílias completas, com o seu ‘teatrinho’, fazem-nos passar momentos muito agradáveis e divertidos. Pais e filhos participando juntos e colaborando na causa que este dia nos ocupa. 4

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Um grupo de mulheres alegra-nos com o seu baile. Demonstram que estão dispostas a dar o seu tempo para colaborar em actividades que têm como objectivo semear Solidariedade e União, construir mais “Povo”. Enfim… uma riqueza de actuações que, com a sua mensagem e alegria, fazem que a Festa seja mais Festa, em que a generosidade transborde… Assim vai decorrendo o dia. Come-se a preços populares. Não falta o delicioso arroz à valenciana, nem o chocolate, nem os doces… … e o Final?... O “broche final” é posto pelo Coro Rociero de Maria Auxiliadora, de Villafranco: estamos em Andaluzia, e a graça andaluza é contagiante, como queremos que seja cada vez mais contagiante a colaboração em gestos e Campanhas deste estilo. E … atenção, porque nem tudo culmina aqui. Logo que termine uma festa, começa-se a preparar a seguinte; e, desde já, Irmãs Doroteias de todos os lugares nos fazem chegar os seus presentinhos, e algumas fazem as suas próprias criações artísticas. As «Mãos Unidas» esperam-nos no próximo ano, e os ‘últimos’ também esperam a nossa resposta… por isso ‘Mãos à Obra’! A MODO DE CONCLUSÃO: OBRIGADA! E… CONTINUEMOS A CAMINHAR!… Sentimo-nos felizes por colaborar neste Projecto. É um dos dias mais bonitos do ano. Uma Jornada de “Portas abertas de par em par” para acolher a generosidade, para oferecer um sorriso, para pôr à disposição o que temos, na nossa simplicidade, que nos deve caracterizar como Filhas de Paula: Se tendes pouco, dai muito. Ao fim do dia, do nosso coração brota uma palavra: OBRIGADA! Obrigada por cada gesto silencioso, por tanta colaboração e participação desinteressada, por tanta canseira, por tantas frases cheias de entusiasmo: «Mamã, dá-me um euro para a tômbola». A todos e a cada um…OBRIGADA POR TUDO!... E, como é natural… OBRIGADA A DEUS, que é Quem move e faz vibrar os corações… Como um sussurro silencioso de Paz, o Povo de Villafranco escuta em seu coração: Bem-aventurados os misericordiosos… Porque tive fome e me destes de comer… Não há dúvida de que esta é a voz do próprio Jesus que, enchendo a nossa vida de Gozo e de Alegria, nos convida a continuar a participar nesta grande Festa e neste grande Projecto de Solidariedade. A Comunidade de Villafranco PJ PORTUGAL-ESPANHA, FAZENDO CAMINHO Nem um segundo duvidámos em aceitar a proposta, e começámos a preparar a nossa grande aventura em Portugal. Sabíamos que íamos enfrentar um repto, devido à língua, mas isso nos animava a que chegasse o mês de Julho e pudéssemos ir ao Linhó. Esta história começou quando a nossa professora Sandra nos propôs estes Campus. À chegada a Portugal, fomos recebidos pela Irmã Lisete, que nos perguntou se queríamos participar nos dias que ainda restavam de “Os Freixos”. Uma vez mais, não hesitámos, e unimonos aos animadores desse Campus. Durante esses dois dias tomámos contacto com as crianças e 5

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com a língua. Depois de uma pequenas dificuldades, em breve nos tranquilizámos e começámos a intercalar o espanhol com o português. Durante esses dias aprendemos canções, fomos à praia, participámos na noite do terror e, sobretudo, aprendemos jogos que, no próximo Campus ensinaríamos às crianças, como "atenção, concentração". No Sábado, dia 16, foi a despedida a 'Os freixos' e aos animadores, e demos as boas-vindas aos que seriam os nossos novos companheiros e amigos. Depois de um dia em que procurámos conhecer-nos e ultimando o que faríamos no campus, chegaram os rapazes e raparigas com quem passaríamos uns 7 dias fantásticos. Começava o campus “Tesouromania”! Embora ainda não entendêssemos tudo bem, as nossas sensações eram óptimas e sabíamos que íamos viver um Campus inesquecível. Apesar da barreira da língua, nos primeiros dias o mais importante foi a atitude e a disposição que todos mostrámos para nos entendermos e nos conhecermos cada vez melhor. Graças a isto, todas as actividades que nós, os animadores, propúnhamos, iam saindo na perfeição. Entre pequenos almoços com muito sono, orações, actividades e muitos momentos de riso e de alegria, iam passando os dias em Linhó, onde pouco a pouco se ia criando um clima muito especial. Era um clima que nos era muito familiar, já que se tratava de algo que todos nós partilhávamos, apesar da língua, do colégio ou da origem… era o clima de Santa Paula Frassinetti. Sem nos darmos conta, tínhamos chegado à última noite, a noite da gala final. Nesta, de novo, graças ao trabalho dos acampados e dos animadores, desfrutámos de uma noite de festa, em que pudemos festejar as novas amizades e as belas recordações que levávamos destes 7 dias no Linhó. Antes de finalizar esta noite, pudemos descobrir o verdadeiro tesouro que cada um guardava no seu interior. Finalmente, queríamos destacar e agradecer duas coisas muito importantes para nós neste Campus: Por um lado, foi muito importante o grande grupo de amigos que nós, os animadores, formámos desde o primeiro dia até ao último. Isto foi algo que nos ajudou cada dia a apreciar mais tudo o que fazíamos e a passar momentos inesquecíveis, preparando as actividades, as orações e tudo o que era necessário durante o dia, sempre inter-ajudando-nos. Por outro lado, foi verdadeiramente importante neste Campus a atitude de trabalho e de ajuda que os acampados mostraram durante todos os dias, dispostos sempre a dar uma mão aos outros com o melhor dos sorrisos, em que cada um deles pôs o seu grãozinho de areia para que este Campus decorresse do melhor modo possível. De Avilés (Espanha), nós queremos agradecer às Irmãs Ida, Guida e Lisete por nos terem ajudado nos tanto neste primeiro ano do Campus Doroteu pluricultural, que esperemos seja o primeiro de muitos outros Avilés, 17 de Setembro de 2016 Luis Granda Ayuso e Marcelo Álvarez Gallego UMA NOVIDADE PARA OS NOSSOS PROFESSORES Para os nossos Professores foi uma novidade a informação que lhes demos do Capítulo Geral XXI, porque, além de lhes explicar o que é para nós um Capítulo Geral, e apresentar-lhes dados que 6

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não eram conhecidos de alguns dos Professores, surpreendeu-os que entrássemos no seu conteúdo, na vida que o moveu:  Essa vida, resultado dos temas vividos em toda a Congregação ao longo dos últimos seis anos e que foi apresentada pelas Irmãs dos diferentes países.  O ambiente de família, de acolhimento, de muita oração em que se viveu e se partilhou tudo para se poder acertar com a vontade de Deus e elaborar as linhas de futuro.  E, por outro lado, a novidade da presença dos leigos em certos momentos do Capítulo e serem reconhecidos como parte da nossa identidade carismática e sermos com eles agentes de transformação numa missão comum. Esta comunicação ajudou-os a ver que os aspectos de Identidade, que são trabalhados nos nossos Colégios e que reconhecemos nos nossos Documentos, têm ligação com a vida da Congregação e os leva a aprofundar mais e a traduzi-los na vida. A todos os Professores foi entregue um livrito que recolhe os Aspectos Comuns do Capítulo, e que foi acolhido com agradecimento Colégios de Espanha ITÁLIA... **************** É o tempo oportuno para reconduzir ao centro da nossa missão os jovens, as famílias e os pobres, levando-os a sentir e a reconhecer o amor incondicional e apaixonado de Deus por eles em qualquer situação em que vivam Agosto: tempo de férias e tempo oportuno para acolher os jovens da Área Europa, que viveram o seu Jubileu da Misericórdia (25-28 Agosto 2016). Experiência que permitiu às diversas realidades do condomínio de Santo Onofre saborear a alegria de ser comunidade aberta para sair e deixar entrar… A Comunidade de Santo Onofre, juntamente com espaços, ofereceu o acolhimento familiar da casa de Paula, a Comunidade do Governo Geral literalmente “alimentou e sustentou” com almoços e jantares o caminho dos jovens, e a Comunidade Emaús (Terceira Provação) ocupou-se da proposta e do percurso jubilar. Depois da preparação do manifesto/convite e de um giro de e-mail para chegar a todas as Comunidades e aos diversos agentes de pastoral juvenil na área… eis as primeiras tímidas respostas de participação… mas sabe-se que “um puxa o outro”, e assim, jovens após jovens, ganhava força a esperança de poder dar corpo à experiência. As inscrições, acompanhadas de uma motivação pessoal, falavam-nos de desejos importantes e expectativas altas: ... partilhar e aprofundar a fé com outros jovens como eu… conhecer mais Jesus … encontrar o Senhor da Misericórdia… ...compreender melhor o verdadeiro sentido da missão doroteia… o contributo de Paula no mundo… 7

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... conhecer outros jovens ligados à família doroteia noutros países… que partilham os mesmos valores… e a alegria de sermos cristãos. … estar em Roma, lugar especial para os cristãos... A 24 de Agosto iniciam as chegadas dos nossos jovens: Alda, Kristinë, Xhuana, Marsela e Paskualina, da Albânia; Luis, da Espanha; Federica, Maria Chiara, Alessia e Gioacchino, da Itália; Gwen, Marie Claire, Jessica, Mikela e Sarah, de Malta; José, Beatriz, Catarina, Júlio, Lisete e Raquel, de Portugal, aos quais se juntaram a Irmã Débora, do Brasil, a Irmã Teresa, de Angola, e a Irmã Drane, da Albânia. Na dinâmica inicial de quinta-feira à tarde, cada participante se apresentou ao grupo, a partir de um objecto/símbolo que dissesse algo de si, da sua vida. O clima de acolhimento e profundidade desta primeira partilha pôs logo em campo competências linguísticas e gestuais para favorecer a compreensão de todos. A jornada de sexta-feira foi dedicada ao encontro com Testemunhas especiais da Misericórdia, das quais resta a marca na arte de Roma eterna: Maria Madalena, de tal modo tocada e renovada pelo amor de misericórdia de Jesus, a ponto de se tornar na primeira anunciadora da Ressurreição (Jo 20,11-18). O seu correr para junto dos Apóstolos para referir um túmulo vazio e um mestre vivo, que a chama pelo nome, atravessou a terra e deixou um rasto que a tradição e a fé simples dos cristãos quis recordar no pé conservado na Igreja de S. João dos Florentinos, e que tivemos a sorte de poder ver e tocar. Continuando a nossa peregrinação pelas ruas de Roma, chegámos a S. Pedro in Vincoli, igreja em que, para além de conter o famoso David de Michelangelo, se venera a cadeia da prisão de S. Pedro, sinal daquela liberdade de amar e servir que só o perdão e o olhar acolhedor e amoroso de Jesus soube restituir a Pedro, que O havia renegado, o seu Mestre e amigo (Lc 22, 54-62). Olhar que fez dele um apóstolo da Misericórdia capaz de acompanhar o passo de outros irmãos na fé! Movendo-nos no tráfego romano, chegámos à Basílica de S. Paulo fora dos Muros, onde conhecemos melhor o Apóstolo Paulo (Act 9; Gal 2,20; Rom 8), que abriu a porta da Misericórdia a todas as gentes: a superabundância da graça na experiência do pecado. O último dos nossos encontros conduziu-nos ao Tibre, na Basílica de S. Bartolomeu na Ilha, onde fomos guiados à descoberta dos mártires dos séculos XX e XXI, testemunhos da Misericórdia incarnada e vivida até ao dom da vida. Verdadeiramente, um modo diferente de conhecer Roma: a sua história, a sua arte, a sua fé… Depois dão jantar, uma experiência inesperada: a noite de Roma. Saímos às 21.00 h. com uma cruz na dianteira do grupo, e iniciámos o nosso caminho, feito em silêncio, oração, gestos, canto e muitos passos, sempre mais cansados porque, como todas as vias-sacras da humanidade, sabe-se quando começam mas não quando terminam!... As nossas estações, conjugadas com as obras de misericórdia, conduziram-nos a lugares significativos: calçadas, hospitais, cárceres, locais da cultura e da fé, estradas, casas de acolhimento, centros para refugiados, fontes… onde ainda tanta, tantíssima gente sofre e vive a sua paixão quotidiana. A nossa viagem em companhia da cruz concluiu-se às 2.40 h. com uma flor recebida e deposta sobre a cruz como sinal de ressurreição: a vida que nasce da morte! Desafio e certeza para a nossa fé e vida de cristãos e de jovens! Por sorte, no sábado de manhã o nosso itinerário contemplava ficar em casa, nos locais em que viveu Santa Paula. Ficámos muito tocados pelo seu modo simples e maternal de educar os jovens do seu tempo, para a partilha, de acolher os inimigos, de enfrentar as 8

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dificuldades coma força da oração… porém, acima de tudo, comoveram-nos as suas palavras dirigidas numa carta pessoal a cada um… parecia até que nos conhecia … Após um tempo de oração e releitura pessoal nos espaços do grottone e do jardim vizinho, seguimos para uma partilha em pequenos grupos internacionais. Foi dedicado um tempo para celebrar o sacramento da reconciliação, e depois do almoço, partindo do Castelo Sant’Angelo, rezando ao longo da Rua da Conciliazione, atravessámos a Porta Santa para rezar o Credo, símbolo da nossa fé, sobre o túmulo do Apóstolo S. Pedro. Mas a Porta Santa não é um gesto mágico: ao atravessá-la, convertes-te! A Misericórdia tem necessidade de gestos que transformam a nossa vida, que educam o nosso quotidiano. Por isso, ao regressar de S. Pedro, preparámos um “jantar de saco” para muitas pessoas que vivem nas ruas, e com as quais conversámos no fim do jantar. O nosso dia terminou com a festa da Misericórdia, na Praça, sob o olhar curioso de turistas e transeuntes, atraídos pelos cânticos, pelas danças típicas e pelos jogos, expressão da alegria de quem encontrou a Misericórdia na sua vida. O Domingo começou com uma reflexão por países de origem, dom o duplo objectivo de apresentar criativamente a síntese da própria experiência e olhar, juntos, o futuro, fazendo alguma proposta de Área. A Celebração Eucarística, animada nas diversas línguas, foi uma antecipação do Pentecostes… E, para terminar, fomos todos para a Praça de S. Pedro, a fim de encontrar o Papa Francisco e escutar a sua palavra no Angelus. Terminado o almoço de festa, a partilha final dos grupos, a criação do grupo em what’s app para a troca de fotos e mensagens que ajudem a manterem-se em contacto para além das distâncias! Gratidão e desejo de um reencontro… em Malta, Albânia, Espanha e Portugal… são enormes! Até breve! Trabalhar com os jovens é verdadeiramente um privilégio da missão doroteia! É o tempo oportuno para viver a nossa missão com os leigos... Leigos e Irmãs responsáveis pela coordenação dos Centros Educativos de Itália encontraram-se em Roma-Santo Onofre no dia 17 de Setembro p.p. para partirem motivados para o novo ano de missão educativa. Depois de ter recordado o objectivo e o sentido do caminha Educa.Dor, a nível de Província e Área, Maria Luísa Miggiano e a Irmã Ada Tavilla deram início ao encontro, a partir da síntese do trabalho da Equipa Europeia de Educa.Dor, vivido em Madrid de 27 a 29 de Maio, apresentando uma proposta de programação de Província que, tendo presente o tema unificador da Amizade, envolva e favoreça a comunicação e a partilha entre os Centros Educativos de Itália. 9

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Durante o encontro foi proposta uma releitura das Fontes, ilustrando como a experiência da amizade vivida por Paula com outras jovens foi geradora de vida, e continua a ser hoje para nós – leigos e Irmãs – meio pedagogicamente precioso e força de transformação no estilo do Evangelho para a missão doroteia. CHAMADAS a aprender o estilo de vida pascal do Senhor Jesus, acreditando e descobrindo a vida que nasce das situações de paixão e de morte Quando, durante a transferência do Capítulo Geral, me foi confiado o verbo APRENDER, certamente não estava preparada para esta experiência que, como comunidade doroteia em Albânia, vivemos. Ainda não é fácil partilhar esta dificuldade. O nosso Bispo, pessoa estimada e apreciada por toda a Diocese, pela sua palavra forte e clara, pela sua paixão pelos pobres e pelo seu desejo de promoção do povo… um pastor atento e sorridente, de cuja presença e amizade gozávamos como bons vizinhos! … Os primeiros sintomas da doença imediatamente nos fizeram compreender a gravidade da situação, e a partir daquele momento cada palavra, cada gesto de Mons. Lucjan tornou-se para nós um testamento, um tesouro, um exemplo de abandono ao amor do Pai: «Não lamento por mim, mas pela Diocese de Sapë e pela Albânia». Na Semana Santa, saído do último internamento em Itália, com extrema dificuldade quis celebrar a sua “última ceia”, lavando os pés aos “seus” rapazes, hóspedes da Casa de Caridade, preparando-se para amar “até ao fim”. Durante a doença, confortou-nos a fé. Esperar contra toda a esperança no Deus da vida. Começámos a reunir-nos à tarde, espontaneamente, sob as suas janelas, rezando o Terço juntos: padres, irmãs, voluntários da Caritas e fiéis… até nos transformarmos numa multidão, convocada pelo seu Pastor, numa experiência de Igreja, que jamais poderemos esquecer e que, talvez, de outro modo não teríamos podido viver. Tanta dor e tanta fé de tal modo misturadas que não poderiam separar-se. Durante a doença do nosso Bispo, tocámos com as mãos o que significa ser igreja que caminha junta; cada Congregação deu a ajuda possível: assistência de enfermagem, acolhimento, organização e, sobretudo, sustento e oração. Que nos resta desta passagem? As palavras, o ensino de Mons. Lucjan, o seu acreditar na vida, sempre. 10

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Sofremos a ausência de um Pastor amado, especialmente nesta longa espera de um novo Bispo, mas misteriosamente o sentimos presente, vivo. Tantas vezes procurei um sentido para este acontecimento tão custoso para a nossa ainda jovem comunidade albanesa e para uma Diocese como a nossa, tão precária e pobre de operários do Evangelho. «Senhor, mas porquê? Temos necessidade de mulheres e de homens para o Reino, nesta terra violentada pela ditadura comunista. Senhor, esta morte recorda-nos outras vidas prematuramente chamadas ao céu na nossa missão e comunidade». Juntamente com estes pedidos de sentido, chega-me a graça do Capítulo Geral XXI: aprender o estilo de vida pascal do Senhor Jesus Cristo, que nos chama a acreditar e a descobrir a vida que nasce das situações de paixão e morte… e, relendo as nossas Fontes, sinto dirigidas a nós, comunidade da Albânia, o que Paula escreve às Irmãs do Brasil numa ocasião muito semelhante: «Santa Fé, quanto a ti não deve a criatura racional! Eis aquele ser, do qual parecia depender o futuro da religião no Brasil, jovem, cheio de zelo, no brilhante começo da carreira, ei-lo arrebatado pelo Senhor aos vivos, que subitamente veriam desvanecer as esperanças que ele fizera renascer, se a Fé não elevasse mais acima o nosso pensamento. Eis as pobres Irmãs do Brasil, que estavam tão bem recomendadas, num País tão distante, sem nenhum apoio humano. Minha querida Irmã, o Senhor quer que as pobres Doroteias se apoiem unicamente n’Ele, já que Ele as sabe bem guiar, dando-lhes e tirando-lhes o que para elas é melhor. Confiemos n’Ele, confiemos n’Ele, confiemos n’Ele, e nada nos faltará» (Roma, 29 Ottobre 1866). A história doroteia no Brasil testemunha-nos que a vida ultrapassa a morte, que a semente morre na terra… e o fruto é dom de graça, sinal da ternura de Deus, visível aos nossos olhos. PORTUGAL... **************** ASSEMBLEIA DE PROVÍNCIA Foi no dia 3 de setembro que nos reunimos na Casa do Verbo Divino, em Fátima, a fim de ficarmos a par das programações para o ano que se inicia. Éramos 134 Irmãs Doroteias, de todas as idades e de todas as Comunidades, entusiasmadas com a proposta de continuar a “DAR VIDA… ESCUTANDO… para que a ternura do rosto de Deus se torne presente e visível à humanidade…”, como nos foi proposto pelo Capítulo Geral XXI. Ficámos muito sensibilizadas com a mensagem da Irmã Maria da Conceição Ribeiro para aquele encontro em que a tivemos muito presente. Começámos por louvar e agradecer as maravilhas que Deus tem feito na nossa 11

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Província nos últimos anos, fazendo memória dos acontecimentos mais marcantes. O nosso obrigada foi dirigido em particular à Irmã Lúcia Soares e ao seu serviço de Provincial ao longo de 15 anos, primeiro no Sul e depois na Província reunificada. Foi-lhe oferecida uma pequena lembrança com o ícone do encontro de Maria com Isabel. Em seguida, a nossa nova Provincial, Irmã Maria da Conceição Oliveira, apresentou o Plano da Província para os próximos seis anos e a Programação para 2016-2017. Depois do almoço ainda houve oportunidade para um trabalho de grupo, onde cada uma partilhou os sentimentos daquela hora e muita esperança para o futuro. O dia terminou com a Eucaristia celebrada por D. Augusto César, Bispo emérito de Portalegre e Castelo Branco, que nos falou com muita amizade e apreço pelo trabalho feito na sua Diocese. As nossas Irmãs mais novas animaram o coro, e todas nos sentimos peças importantes no puzzle da nossa Província ao colocar uma flor junto do altar que ficou rico e colorido com a beleza e variedade de todas nós. Finalmente a merenda, as despedidas e o regresso a casa de coração cheio e com um desejo enorme de continuar a DAR VIDA… ESCUTANDO… Irmã Casimira Marques SERVIÇO A UM POVO – Missões de Verão "Senhor, dá-nos a capacidade de vivermos de olhos abertos, de vivermos intensamente". No dia 30 de Julho parti para São Brás de Alportel, no Algarve. Uma semana para o desconhecido... Sabia que ia prestar um serviço concreto e isso motivou-me. Queria pôr o meu tempo a render, ajudar com as minhas próprias mãos, ver outras realidades e superar-me enquanto pessoa, enquanto cristã. Foi neste sentido que saí de casa e decidi abraçar este desafio, proposto pela Irmã Ida. Pouco mais sabia... Ia com as Doroteias, e essa ideia bastava-me. Em princípio estaria bem entregue! Sob a orientação da Irmã Guida e da Irmã Paula, éramos um grupo de vinte e tal jovens de cada canto da Península Ibérica: do Colégio de Nossa Senhora da Paz (Porto), do Colégio de Santa Doroteia (Lisboa), do Colégio Paula Frassinetti (Avilés, Espanha), da paróquia de Arrentela e da paróquia de Loulé, e outros ligados às Doroteias de outros modos... Durante 8 dias residimos na escola da vila. A nossa missão era alegrar a comunidade - crianças, jovens, idosos, qualquer um por quem passássemos! Entre orações diárias para nos encontrarmos, visitas ao centro de dia e ao lar, convívios à noite com a população, momentos de partilha, refeições, limpezas, caminhadas até à Igreja Matriz, ensaios de cânticos e danças, criou-se um ambiente inexplicável por palavras. Desde cedo percebemos que, embora pessoas diferentes e de sítios diferentes, partilhávamos os mesmos valores e prioridades, nomeadamente tratar os outros como nossos irmãos, entregarmo-nos despojadamente. De facto, estávamos todos ligados (cada um à sua maneira) às Doroteias, portanto, o espírito de família em que nos educaram viveuse de forma plena entre nós e fizemos por transmiti-lo aos que viessem ao nosso encontro. 12

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Durante uma semana, acordámos e deitámo-nos, comemos e rezámos, rimos e chorámos, impressionámo-nos e superámo-nos ao lado uns dos outros. Tive, efectivamente, a oportunidade de viver estes dias ao lado de um grupo espetacular. Pessoas simples, dinâmicas, com muita vida, que enfrentam os desafios com garra e boa disposição, sempre prontas a aprender e a ensinar, sem preconceitos, sem superficialidades. Deram-me muita vida e motivaram-me a ir em frente sem medos, a ser simples e servir. Logo num dos primeiros dias, na oração da manhã, ficou lançado um objetivo, um propósito: olharmos para cada pessoa que encontrássemos como se fosse a pessoa mais importante para nós e tratarmo-la como tal. Ou seja, olhar para o outro como se eu fosse Jesus e, simultaneamente, olhar para o outro como se ele fosse Jesus. Isto foi das coisas mais importantes que para mim ficou. É um grande desafio, mas ao mesmo tempo uma grande satisfação. Implica basicamente sair de mim para os outros, quebrando qualquer tipo de barreiras e "comodidades". Pôr de lado preconceitos, aparências, teimosias, constrangimentos... Simplesmente ganhar coragem e ir! Dizer "Bom dia!", "Boa tarde!", sorrir, ouvir, conversar, respeitar, ter paciência... Nestes dias, a minha preocupação central tornou-se olhar para a essência das coisas e não para a aparência. É com este espírito que se consegue aproveitar o tempo para estar atento e ir ao encontro do outro, alegrá-lo e encaminhá-lo, independentemente das circunstâncias. Acreditem que a realização é grande! Faço o outro feliz, e ultimamente eu sou feliz. É isto que verdadeiramente alimenta, é isto que mata a sede. Apercebi-me também da importância da oração, de falar com Jesus e com o Pai, no início e no final do dia. No início do dia, para ir com um foco, com uma orientação, para começar o dia ciente do sentido que lhe quero atribuir. E no final do dia, para pensar sobre o que vivi, o que senti, o que aprendi, o que fui para os outros, se estive em concordância com a vida de Jesus (o meu grande exemplo), ou seja, se fui feliz; finalmente, agradecer, pedir perdão e restabelecer forças, sentindo Jesus a abraçar-me e a lançar-me de novo. Numa semana aprendi a viver autenticamente, a viver para o essencial. Aprendi a viver com pouco, mas com muito Amor, simplicidade, alegria e verdade. Aprendi a aproveitar o tempo. Houve momentos em que me arrepiei - orações, músicas, conversas, abraços. Foste Tu a fazer-Te presente em mim e nas pessoas à minha volta. Em Teu nome e em Ti sustentados, criámos tanto, criámos tanta felicidade. O Amor que nos ensinaste, que a todos comove e liberta, é a maior certeza que eu tenho de que há Algo maior, há um Sentido e há uma Verdade. Teresa Andrade, Lisboa *************** ATENÇÃO... Há mais notícias dos Centros Educativos da Europa na Plataforma que vale a pena visitar na internet no seguinte endereço: http://www.educa-dor.org 13

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