Gazeta de Alagoas - Alagoas Memorável - Fascículo 7

 

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Gazeta de Alagoas - Alagoas Memorável - Fascículo 7

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presidente de honra jornalista ana luísa collor de mello presidente do conselho estratégico carlos alberto mendonça diretor executivo luis amorim coordenador editorial Ênio lins presidente de honra jornalista ana luísa collor de mello alagoas memorável pat r i m Ô n i o arquitetÔnico núcleo de projetos especiais coordenação geral leonardo simões coordenação editorial farol editora e marketing ltda textos cármen lúcia dantas douglas apratto tenório josé luiz mota menezes revisão ivone dos santos fotografia ricardo lêdo direção de arte diagramação e desenhos wellington charles tratamento de fotos victor josé santana paiva impressão gráfica moura ramos tiragem 15.000 exemplares instituto arnon de mello 82 3326-1604 capa conjunto arquitetônico da cidade de penedo capital barroca do são francisco 07 setimo fascículo 21x23.indd 3 15/08/2011 15:17:06

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ria são francisco com igreja nossa senhora da corrente e paço imperial 172 alagoas memorável patrimônio arquitetônico 07 setimo fascículo 21x23.indd 5 15/08/2011 15:17:08

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arquitetura e arte igrejas e sobrados seculares cármen lúcia dantas museóloga q uem chega a penedo pelo rio são francisco se depara com a beleza típica das cidades encravadas entre água e rocha a arquitetura monumental espalhada pela topografia acidentada da margem revela a dimensão da religiosidade que impregna o lugar tomado por igrejas e sobrados seculares impossível negar a força dessa atmosfera na perpetuação da tradição e das memórias urbana e afetiva da cidade de origem remota os registros dão conta de que no século xvi quando os portugueses exploraram o são francisco fora cria da a feitoria que oficialmente situa o núcleo em 1560 outras fontes no entanto consideram a existência de um povoado anterior por volta de 1535 divergências à parte o certo é que o rochedo nomeou o lugar que foi dos primeiros pontos povoados pelos colonizadores não resta dúvida de que a posição geográfica às margens do rio foi fator decisivo na escolha pois oferecia as condições ideais para a instalação de um núcleo cujo propósito era defender a posse da terra e ao mesmo tempo servir de apoio ao desbravamento que se espalhava pelo são francisco no sentido foz/nascente são francisco de assis igreja franciscana alagoas memorável patrimônio arquitetônico 173 15/08/2011 15:17:11 07 setimo fascículo 21x23.indd 6

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no século seguinte a área foi objeto de interesse dos holandeses que encantados com a potencialidade da vila cuidaram de levantar um forte após expulsar os portugueses que fugiram pelo rio buscando proteção nas terras de sergipe d el rei nesse período o são francisco dividiu as nacionalidades a margem esquerda esteve sob o comando holandês enquanto a direita fortalecida pela proximidade da bahia permanecia sob domínio português penedo então vila de são francisco esteve sob o jugo do invasor de 1637 a 1645 quando a fuga novamente pelo rio alterou a ordem de poder desta feita fugiam os holandeses deixando em chamas a matriz primitiva e a casa da câmara com seus preciosos arquivos enquanto os portugueses ciosos da vitória atearam fogo ao forte maurício apagando os vestígios da presença holandesa em penedo a retomada pelo colonizador recompôs a feição lusitana da vila restabelecendo a presença dos religiosos principalmente dos franciscanos que tiveram uma participação significativa no nordeste construindo conventos e atuando como mestres educadores imbuídos dos propósitos da contrarreforma e em se tratando do estilo franciscano o que entra em pauta é o barroco na mais arrojada concepção e fartura ornamental atingindo o ponto máximo das tendências da época século xviii no processo legítimo de renovação e de afirmação estilística chaminé do convento franciscano 174 alagoas memorável patrimônio arquitetônico 07 setimo fascículo 21x23.indd 7 15/08/2011 15:17:19

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fachada do conjunto franciscano igreja convento e capela da ordem terceira alagoas memorável patrimônio arquitetônico 175 15/08/2011 15:17:19 07 setimo fascículo 21x23.indd 8

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complexo franciscano séculos xvii e xviii o complexo franciscano construído pelos frades entre os séculos xvii e xviii sob a devoção de nossa senhora dos anjos ou da porciúncula foi o primeiro monumento alagoano a receber a guarda oficial do iphan em 1941 cartão postal da cidade a área ocupa quase um quarteirão no centro histórico compreendendo espaço construído e pomar a primeira iniciativa de construção ocorreu com a doação do terreno aos franciscanos pela câmara em julho de 1660 e pelo começo da edificação do recolhimento no mesmo ano onde os frades se instalaram para levar à frente as obras do convento a pedra fundamental foi colocada em 1682 e a capela-mor inaugurada solenemente em 1689 o programa construtivo setecentista português prolongou-se por anos com inúmeras interrupções a igreja foi concluída apenas em 1759 data gravada em seu frontispício a casa de são francisco espaço destinado a apresentações cênicas voltadas para a catequese e a educação foi incorporada ao conjunto no início do século xx ao lado uma área do pomar foi adquirida por particulares que levantaram uma série de casas residenciais e comerciais 176 alagoas memorável patrimônio arquitetônico 07 setimo fascículo 21x23.indd 9 15/08/2011 15:17:26

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igreja joia do barroco brasileiro o frontispício da igreja abre-se ao interior por três portas iguais em arcos com bandeiras fixas e folhas almofadadas sobre as portas três janelas de guilhotinas emolduradas por cantaria preenchem a área do coro tendo sobre a soleira decoração em concha e sobre a verga uma particularidade rostos de anjos com feições caboclas e farto cocar em lugar da tradicional auréola esse detalhe leva a crer que o trabalho foi executado por mestres locais a cimalha sequenciada serve de aparente base ao frontão um dos mais originais do barroco brasileiro com volutas pronunciadas tendo ao centro um óculo vazado e emoldurado no alto um escudo guarnecido por dois anjos contém em seu campo a inscrição santa maria dos anjos a padroeira da igreja cingindo o frontão uma cruz latina em pedra sobre uma coroa que faz as vezes de peanha todos os elementos são em cantaria de primorosa talha onde o erudito e o popular se conjugam em perfeita afinidade sobre essa fusão escreveram fernando borba e josé luiz mota menezes o desenho do ornato é magnífico misto de talha erudita e improvisação ingênua em que a decoração fitomórfica se une a figuras humanas de proporções atarracadas infantis constituindo uma fantasia barroca de grandiosa criatividade a pedra usada é o arenito de rio encontrado com fartura em penedo a torre única e recuada é fiel à horizontalidade do conjunto embora singela para a composição geral da fachada um ambiente de pequeno porte ocupando o espaço do recuo da torre parece ser acréscimo posterior à época da construção por destoar da linha arquitetônica original o cruzeiro em frente ao monumento foi esculpido pelo irmão terceiro valdemar oliveira na década de 1970 substituindo o original retirado em 1942 equívoco ocorrido por ocasião da urbanização da praça detalhe de voluta da fachada da igreja alagoas memorável patrimônio arquitetônico 177 15/08/2011 15:17:31 07 setimo fascículo 21x23.indd 10

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detalhe da decoração em talha dourada riqueza e ilusionismo interior na nave única destaca-se pela elegância da feitura magnífico púlpito ao lado das tribunas com sanefas e varandas o teto abobadado é coberto por pintura ilusionista assinada por libório lazdro lial afes em 1784 a técnica trabalha a perspectiva que à distância dá a impressão de se ter o céu à vista com santa maria dos anjos esplendorosa no centro entre nuvens e anjos em espaço com colunas pilastras e arcadas o piso não é mais o original na reforma de 1912 foi feita a substituição por ladrilho hidráulico as grades da comunhão e da capela dos irmãos terceiros em jacarandá com excelente trabalho de talha permanecem as mesmas bem conservadas e em pleno uso no centro do transepto o arco cruzeiro traz no topo o escudo da ordem franciscana e nas paredes laterais revestidas de ornatos dourados os altares detêm a imagem de nossa senhora da conceição de um lado e a de santo antônio do outro em 1940 o escultor penedense cesário procópio dos mártires substituiu os nichos desses altares destruídos pelo cupim por dois sacrários mantidos ainda hoje 178 alagoas memorável patrimônio arquitetônico 07 setimo fascículo 21x23.indd 11 15/08/2011 15:17:37

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em 1962 a igreja passou novamente por reparos e recebeu douramento e pintura executados por outro escultor sacro da cidade antônio pedro dos santos também irmão terceiro a capela-mor com uma profusão de talha dourada entremeada de marmoreado azul e rosa ostenta uma riqueza de motivos que se multiplicam em volutas colunas anjos e elementos fitomórficos do apogeu do barroco o retábulo perdeu o trono eucarístico embora conserve o dossel no coroamento do camarim que mantém desde 1919 o calvário com imagens do crucificado de nossa senhora e de são joão evangelista em tamanho natural são francisco de assis nossa senhora dos anjos são bernardino de sena e são josé completam o conjunto de imaginária do retábulo o teto da capela-mor com pintura de autoria desconhecida foi prejudicado com a abertura de uma claraboia na mesma reforma de 1919 embora conserve o revestimento cromático interior da igreja franciscana alagoas memorável patrimônio arquitetônico 179 15/08/2011 15:17:46 07 setimo fascículo 21x23.indd 12

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sobriedade do convento a ala conventual é uma construção horizontal e sóbria com janelas pequenas e sequenciadas na composição da fachada a chaminé da cozinha se destaca pelo inusitado de sua posição normalmente esse elemento está inserido na parte posterior da construção formando a área de serviço no caso de penedo a chaminé embelezou a fachada enriquecendo sua volumetria como de costume o convento é a ala mais simples do conjunto em conformidade com os princípios de humildade e pobreza da ordem essa característica perpetua a atmosfera mística de recolhimento com ambientes amplos de poucas aberturas e comedidos na ornamentação na portaria existe um altar no estilo dom joão v de engenhosa constituição com figuras antropomorfas que retratam o índio o branco e o negro tendo no coroamento um sol radioso de fisionomia humana o altar é em devoção a nossa senhora dos humildes e está entre os elementos raros que integram o convento o claustro na forma tradicional cercado por galerias tem no centro um mausoléu com um anjo esculpido em mármore e preserva ainda hoje o sossego necessário à reflexão e ao isolamento fachada do convento e igreja alagoas memorável patrimônio arquitetônico 181 15/08/2011 15:17:52 07 setimo fascículo 21x23.indd 14

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a sacristia mantém o acervo do próprio convento em exposição com cômoda em jacarandá do século xviii e lavabo em pedra tendo na base representação da águia bicéfala símbolo máximo da nobreza heráldica germain bazin encontrou na igreja da sé em coimbra portugal um símbolo idêntico ao do lavabo de penedo a escada que dá acesso ao pavimento superior tem na base um arranque de corrimão em pedra de erudito trabalho semelhante ao do convento de marechal deodoro ao lado da sacristia totalmente modificado encontra-se o cemitério dos frades e benfeitores com a inscrição talhada na pedra cemiterium fratrum corre na cidade a história de que existe um túnel subterrâneo ligando o convento ao porto do rochedo e que ele serviria para fuga dos frades em momento de perseguição por parte de povos invasores dizem também que o lugar estaria apinhado de joias de pedras preciosas e de moedas de ouro reunindo uma riqueza incalculável embora tenha havido na década de 1950 pesquisa de campo na área do rochedo e várias restaurações e reformas tenham ocorrido no interior do convento nenhuma referência ao assunto foi levantada independente da confirmação dos fatos a oralidade do ouvir dizer eterniza a lenda do subterrâneo mantendo-a viva no imaginário coletivo penedense a identificação do local onde teria funcionado a oficina de santeiros também é incerta o que não exclui a certeza de que em penedo tenha se iniciado uma linhagem de mestres escultores de arte sacra conhecidos a partir dos irmãos phídias dioclécio e júlio que por sua vez foram seguidos por cesário procópio dos mártires e antônio pedro dos santos este último falecido em 1990 deixou o discípulo claudeonor teixeira higínio ainda em atividade fiéis ao traço comum às oficinas franciscanas eles criaram imagens sacras para as igrejas da cidade e da redondeza claustro do convento 182 alagoas memorável patrimônio arquitetônico 07 setimo fascículo 21x23.indd 15 15/08/2011 15:17:53

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