Confrades da Poesia81

 

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Poemas Lusófonos

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 81 | Jan. / Fevereiro 2017 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO A Voz do Poeta: 2 Bocage: 3,4,5,6,7,8 / Contos e Poemas: 9, 10 Confrades: 11,12,13,14,15,16 ,18,19,20 / Reflexões: 17 / Tribuna do Vate: 21 / Ecos Poéticos: 22 / Trovador: 23 / Ponto Final: 24 Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono" ; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que pr aticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Tribuna do Vate …. página 21 Nesta edição colaboraram 92 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barr oso | Antón io Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «A Voz do Poeta» SOZINHO NA SOLIDÃO ADEUS ANO VELHO! Jesus Desespero no cansaço De seguir-te passo a passo No meu triste caminhar, Ai quem me dera poder Um só momento esquecer Esta sede de te amar. Nas minhas horas mais tristes Na saudade tu persistes Como sonho delirante, Sofro e não compreendo Porque desejo e defendo O teu amor inconstante. Quando estamos frente a frente Sinto que tudo é diferente E até chego a acreditar; Mas depois vejo que afinal Neste qu'rer tão desigual Que apenas eu sei amar. Se este meu sonho acabou Eu não sei o que falhou Nesta nossa relação, Quem foi culpado não sei, Sei apenas que fiquei Sozinho na solidão. Isidoro Cavaco - Loulé Desculpa se de ti não me despeço entre fanfarra e festa em largos actos, com lenços de saudade, acenos gratos, pois deixas triste rasto que nem meço! Haja em teu sucessor nobreza - eu peço que impeça do poder os vis contratos aviltantes do povo que em destratos ensandece humilhado e possesso! Traga o novo reinado, luz e pão, alçada no seu ceptro a mãe justiça... Trabalho ao jovem e honra ao ancião! Às crianças, saúde, educação, respeito ao povo escravo em dura liça, Amor e Paz a cada coração! *** Carmo Vasconcelos – Lisboa Escrevo… Escrevo porque quero e me dá prazer... Escrevo sobre o que vejo, sobre o que oiço Sobre o que sinto, sobre o que gosto… E escrevo, principalmente, (Porque a alma a isso me obriga e porque devo), Sobre o que o mundo me mostra E eu não gosto! Abgalvão - Fernão Ferro Perdoem-me, meus versos Perdoem-me, meus versos, eu não soube Fazer de vós a glória das paixões Falar de amor com a tal exaltação Que arrebata todos os corações Quando se invadem dessa comoção Perdoem-me, meus versos, se eu falhei Ao dar em vós expressão à caridade E ao aduzir-lhe o valor do perdão Quis convincente ser, à saciedade Mas fui parco ao falar de redenção Perdoem-me, meus versos, se a revolta Nem sempre vos marcou no que escrevia Ao querer denunciar tanta vileza Mas fui fraco ao dar voz ao que sentia Porque esta se embargava p’la tristeza Perdoem-me, meus versos, eu quisera Fazer de vós a força da justiça Que mitigasse a fome a que a tem E que a paz transformasse em sã premissa Para o futuro do mundo que aí vem Agora Estou Deslendo... Agora estou deslendo o quanto li — do fim para o começo em transleitura que, vinda do passado, é uma mistura de hoje-amanhã em outro dejá-vi. Sim: estou descomendo o que comi por orifícios de outra contextura que faz tabela com visão futura como o eco do piar do bem-te-vi. É assim, meu amigo, que desleio, ou melhor: que meu tempo desfolheio para colher novas sazões e frutos. Quero chover em chãos secos e enxutos para me germinar no quanto era — já transvestido em nova primavera. Laerte António (LA) – SP/Br Testemunho do Natal Quero deixar aos vindouros Olho teu rostinho oval E os cabelitos louros No presépio costumeiro Que faço com mui carinho O burrinho corriqueiro Aquece bem teu corpinho Nossa Senhora sorri Neste presépio que é meu E S. José plo que vi Adora o menino seu Eu olho a vaquinha mansa Com uma certa ternura Ela exorta-me a esperança De um Natal que perdura Também lá tenho Reis Magos P`ra Belém na estrada estão Olho-os com gestos vagos Imito sua devoção É um presépio que reluz Feito com o coração Para louvar a Jesus E receber sua bênção Como é modesta e singela Esta expressão do Natal Para mim é a mais bela Desta quadra especial Maria V Afonso Cruz de Pau/Amora Saudade, mãe Saudade de uma mãe dói, Ao lembrar que se foi Ultimamente, ao silenciar Dentro do seu quarto Aquele grito de querer ficar Driblando o espectro de um morto Expectante para a levar, mãe! Minha querida mãe Ao lado do meu pai, Entes que Deus vos tenha! Amália Faustino Praia – Cabo Verde Eugénio de Sá - Sintra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 3 «Bocage - O Nosso Patrono» SOLIDÃO Sentado, olhando todo o alcance da visão os pensamentos escorrem lentamente como areia entre os dedos... Uma nostalgia misturada a braços caídos... Uma sensação de não estar realizado, como que uma agonia inquieta que sobe do estômago... Nossa simples existência nada conta... Algo nos perturba, algo indefinido e indefinível... Saltar para outro lugar? Outro país? Onde estarei com meu espírito calmo e repleto? Solidão se junta a insatisfação... A cara que nos é habitual nos enfarta, os pormenores menos agradáveis se juntam como gotas de água pingando em taça... Começa a noite cada vez mais completa no pc, depois, o pretexto para fazer a mala e partir... Para onde? Para onde o sorriso impere, para onde recomece tudo de novo... Uma mulher, uma casa, um outro meio... Solidão é um verme que perfura, se contorce, se averruma... Espírito de conquista? De cruzado? De navegante? De "bolinar" contra ventos e marés? A busca da tempestade do "bojador" para ter o orgulho de sair "são e salvo"?... Nunca se sai! Umas aparas no mínimo lá ficaram, e vão alimentar esse ogre voraz a que chamamos de solidão. Solidão, a dos "malditos"! A dos sempre sem eira nem beira, permanentes ciganos de terras e gentes, dos que fogem para nascerem e se desenvolverem como hera no muro, buscando o sol no ser novamente reconhecido pelo seu valor pessoal... Há sempre um mais além, como cachorro insatisfeito no passeio das redondezas de sua casa... Um próximo minuto a ser gozado, minuto esse de relógio de ponteiros encravados... O tempo pára! olho para o lado: ninguém! Terei força para me levantar e avançar? Travarei minhas idas e vindas lentas e sem sentido ou finalidade? Tudo que havia a observar está visto... O mundo me pertenceu, nada mais há lá longe! o mundo é uniforme e vazio, cinzento, opressivamente húmido como numa sauna sem luz... FICO AQUI! É minha vontade! Eu mando, e tu, cérebro, hás-de obedecer-me! Te renego solidão! Te expulsarei para o mais baixo da inconsciência! E se ganhei outras guerras, sou homem para vencer esta, muito mais insidiosa e destrutiva! Meus punhos se erguerão para o céu neste clamor: Vencerei! Henrique Lacerda Ramalho, Coronel de Infantaria (Ref) Lisboa, Portugal Nas ondas do mar. Nas ondas do mar as embarcações baloiçam Por correntes, ventos, tempestades lá vão Cargueiros; corvetas e cruzeiros que abraçam Marujos, navegantes, em circulação… Óh mar! Tu és o refrescar de nossas almas Tua grandeza perfaz um bálsamo de vida Tu és o nosso preencher, nas marés calmas Num deleite, por uma musa promovida Óleo e nafta, por ti derramado!? Vomitas! Encrespado ficas…nessas ondas que agitas! Um faroleiro te vigia, junto ao mar. E reza a estória, com lenda da sereia Ondas enroladas, que desmaiam na areia Refrescando pés, dos poetas a versar! Pinhal Dias (Lahnip) - PT In: “Bálsamo de Vida” Oculta-te Solidão Porque escolhes, solidão As sombras do meu olhar Recolhe-te ao coração Que é lá o teu lugar. Quero que ali sossegues C’o a batida sincopada Verás a dor que carregues Aquietar-se, mitigada. E espera, ouve este fado Que alguém canta na têvê Escuta o seu tom magoado. Ninguém saberá porquê Qualquer fica aliviado Com a mágoa que não vê! Eugénio de Sá - Sintra

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» ESTE NOSSO ALENTEJO... ESTE MAR DE ESPIGAS ALOIRADAS Meus pés, estes campos de verde vestidos, estão pisando, E meus olhos olham lá ao longe, as loiras espigas ondeando, Entre a névoa quente, que do chão se alevanta... Pois meu coração, que de tristeza se sentia, Segreda p’ra minha alma, ao ver que ela também sorria, Segredos, de quem se sente feliz... com tal beleza que espanta. E olho o casario, qual ilha branca neste mar de espigas aloiradas, Que de branco está vestido, como as velas do navio, enfunadas, Prontas p’ra navegar no calor que do montado já está aproximar... E meu coração, sentidamente, a Deus uma prece fica rezando, Pedindo-Lhe, p’ra que o trigal dourado, Ele esteja abençoando, E este mar de pão, pela brisa agitado, nunca venha a terminar. Depois olho a velhinha com o chapéu, a cabeça protegendo, De xaile negro pelas costas... a tristeza, no coração, escondendo, A caminho da igreja, para aos seus santinhos rezar... Rezar pelo seu amor... que mais cedo, desta vida, já partiu, Por ele, que este lindo mar de espigas aloiradas, já não viu, Para que entre as espigas do céu, se venham de novo a encontrar. José Carlos Primaz (Olhão da Restauração) PÉS NA TERRA Fiquei preso nos aros dum abraço, Na forja dum fogacho sem ter lume. Nem sempre é preciso ir ao cume Pra atar o mundo todo em nosso laço. A vista, lá de cima, perde o traço E o ar da tarde fria tem perfume. Se quero ver se o mar me dá cardume, Não vou subir ao alto, lá no espaço. Pensar, tal como sente o coração, É dar salto sem asas do avião, Que o chão é duro e parte-se o nariz. É bom ter pés na terra e olho aberto E pôr o nosso barco em rumo certo Pra termos fim de vida mais feliz. Tito Olívio - Faro TRÊS VIVAS… Três vivas à lua e ao luar Benfazejo e lindo No seu manto de luz Põe tudo a brilhar Três vivas às estrelas Que brilham no céu Cintilantes e belas Nas noites de breu Três vivas ao sol Que é fonte de vida Forte e prazenteiro Nos dias de verão E no ano inteiro Rosa Branco Cruz de Pau / Amora Amor falso Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Poeta Selvagem – Alentejo Com leveza as dálias brilham na manhã de chuva Explosão de luz. ......... Benedita Azevedo – Magé/BR NAS VOLTAS DA VIDA Uma volta, outra volta Nas voltas que o Mundo dá Vou lutando em cada volta E a volta não pára já. Volta certa, volta e meia Revolta sempre a voltar Vai na volta o tempo anda Na forma de se animar. Anda à volta, volteando Nas voltas deste viver Cada volta que se dá A vida passa a correr. Volta à esquerda e à direita Volteio de carrossel Vai longe a volta que dou No cavalo cor de mel. São voltas que tu me dás Meio loucas, desvairadas Já nada volta pr’a trás Nestas longas caminhadas. Até quando andar à volta Da onda, do sol, da lua Dê eu as voltas que der Volto a ter-te bela e nua. Nas voltas do teu rosário Ando voltando ao pecado Sentindo que em cada volta Eu canto meu triste fado. Vai na volta, vou na volta Destes dias turbulentos Com remoinhos à volta Da pobreza, sofrimentos. Reviravolta sangrenta Ais de choro, gritaria Em cada volta que damos Quero que a Paz nos sorria. Ao voltar à engrenagem Das rodas que o tempo tem Ando à volta na viagem Do tempo que vai e vem. Até quando vou voltar À espera desse futuro Cada dia há-de avançar Do claro para o escuro Até me sentir definhar Toca a rodar, a rodar. Mário Matta e Silva Não faz sentido! Nossas vidas folhas de cetim, amareladas, amarrotadas pelo tempo mesmo em desalinho, desacordo total: continua templo! Anna Paes - Brasília/DF/Br Ler um Poema Ler um POEMA é um Acto de AMOR ! -é um beijo (da Mãe-POESIA!) -é um convite de Flor (em subtil Aroma que inebria !) UM POEMA deve ser bem Saboreado… (é Alimento da ALMA…) UM POEMA deve ser bem Abraçado… (é um SER que Irmana!...) UM POEMA Ilumina (o teu Intelecto…) UM POEMA Aquece (a tua Intuição…) -é um Instrumento de INICIAÇÃO ! -é a Energia da ILUMINAÇÃO ! Santos Zoio Paço de Arcos Uma flor chamada margarida (Para Rute Margarida Rita) Dá-me uma flor Da mais branca De todos os jardins Porque hoje é dia... De amar-te Meu sagrado amor Quero-te como uma flor... Delicada e breve... Pois hoje dia de amar-te Da forma mais voraz... Da forma mais profana Quero-te agora meu amor Samuel da Costa Itajaí/Brasil

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 5 «Bocage - O Nosso Patrono» DOIS IRMÃOS, DUAS IDEIAS! Conheci dois irmãos; um ignaro, outro inteligente, O ignorante eu tipo Cresus, dos tais…tácticos, O letrado, comprava só livros didácticos, Enfim, cada qual tinha seu caminho dif’rente! O “bronco” só pensava na mesa, no excelente, Jantares principescos eram sintomáticos; O sábio, devorava… livros e livros socráticos, Seu desejo de saber era surpreendente! Entre ambos havia sempre “brigas” constantes, Por vezes com consequências, graves, bastantes, A mostrar entre si, qual era afinal mais homem!... Tu irmão: Porque não compras livros d’ensino?... Ah! Ah! Irmão, hoje tudo isso é cretino, Vê, se compreendes, os livros não se comem! Nelson Fontes Carvalho - Belverde/Amora ÂNSIA DE VOAR No primeiro dia, o primeiro olhar sobre o horizonte de um novo destino que a esperança teima em modificar ...como é bom sonhar com os olhos de um menino. No primeiro azul, a ânsia de voar, de sobrevoar o tempo que passou; nova sensação do amor querendo... amar ...como e bom sonhar o que não se sonhou. No primeiro verso, um rio se formando límpido, sereno, jovem...rabiscando um rumo no tempo... em forma de poesia e o primeiro riso livre a construir novas emoções no ato de sorrir e de diluir o amor...na fantasia. Luiz Gilberto de Barros – RJ/BR O tempo O orvalho embranquece o Capim .o tempo Os meus cabelos. pego o Orvalho e molho minha Imaginação, o tempo Deixo passar ,ele é indômito, E incontrolável. O registro Da vida deixo grafado na Textura da alma, Para outras eras. ÁFRICA MÃE África, Mãe do Mundo primeira antepassada De todos os filhos continentais ou não... Os de casa, ou vizinhos, os Com ou os Sem..... Portão. (perdão…pão, tostão… Irmão…gratidão. Coração.) Desconhecimento tal Que tanta dor já te provocou. Realidade passada, fatal, Para os filhos tirados de Ti, a descoberto, na geografia aumentada vista daqui Na atualidade antiga, Autoritária, de pés juntos, que marcharam no teu ventre e te diferiram a surpresa que ficou diluída na dor muda da ferida aberta dos embarcados para longe, há tanto tempo desde antes até hoje. Alguns, não percebendo os caminhos E sem registo de nascimento homologado Atormentaram-te nos séculos históricos, Constando que te descobriram Mas só alguns te encontraram até hoje, Mesmo que Fora ou Dentro, Perto ou Longe. Outros, na tua presença, Espero que não estejam Fora nem ausentes. José Jacinto "Django" Prisioneiro Sinto-me encarcerado na solidão do meu ser por nuvens cobertas de sons na amplidão do Universo É a razão de uma grandiosidade pelo infinito da minha alma que transpõe barreiras no suavizar de um violino É a sonoridade de um Beethoven na alegoria da nona sinfonia são os cânticos celestiais que transpõem o meu ouvido São bocejos alegres da orquestra através do meu jardim onde me encontro perdido no soar das pétalas de uma rosa. Divino Ângelo – MG/BR Pedro Valdoy - Lisboa

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» MENSAGEIRO Vai correndo rua a rua Em cada porta batendo Vai levando, vem trazendo Cada prosa nua e crua. Cavaleiro da esperança Percorre os campos, as serras Anunciando que as terras São de amor não de vingança. Arauto de apaixonados Faz ouvir sua trombeta Assome à nau catrineta Trás novas aos namorados. Dá conta da miséria alheia Que os homens não acabaram Dá ternura aos que sonharam Ter à mesa farta ceia. Vinga o mal e a traição Escritos contra a mentira Percorrem os dedos a lira Ao bater do coração. Proclama a Paz, esse encanto Pelo homem ignorado E ao país mal governado Afasta o mal e o pranto. Passa por luas e estrelas Penetra as nuvens macias Espalha pla terra alegrias Futuros com coisas belas. Mário Matta e Silva - Benfica Roupa Suja As lavadeiras do trapo da Assembleia Pública lavam a língua de serpente com Omo Tide ou Ariel O papagaio canta o rouxinol palreia o homem rosna de adversário para adversário O galo no poleiro chacota: o tempo acabou Em democracia todos ralham O pão do cidadão é escasso a fome aumenta todos chilreiam na Assembleia outros nem dinheiro têm. Pedro Valdoy - Lisboa UM SONHO Pela noite dentro, quando sonho, Bonito ou medonho, Lá se vai o meu sono, Num acordar, sono, que não tem retorno. Sono, que me fez sonhar, Do que, bem me quero lembrar, Foi de mulher, com bonito olhar!... Naquele sonho, deixava-se beijar, Alguém a abraçava com jeito, Podia ser eu, aquele sujeito!... Acordei. O sono lá se foi, Mas fiquei, com alguma coisa, que dói!... Durou até ao amanhecer, Em que a memória, me veio dizer, Aquele sonho, não é de teu viver, Não te é permitido imaginar, Nem tão pouco, pensares, em amar!... Carlos Alberto Sequeira Varela Paços de Brandão Esquecido Criei dez filhos dez crianças inocentes brincavam e estudavam pobres mas contentes. Quantas lágrimas chorei trabalhando com ardor de enxada na mão até o sol se pôr. Todos foram crescendo criados com muito amor hoje vivem nas cidades esqueceram o progenitor. Sei que estou velho esquecido nesta casa tão triste e só está partida a minha asa. Sei que atrapalho não sou como outrora sinto-me doente está a chegar a minha hora. Dez filhos criei com muita devoção agora estou abandonado de bengala na mão. Peço a Deus que me leve vai ouvir…Eu sei que vai pois tenho dez filhos e nenhum cuidou do pai. Letra: Joaquim Maneta Alhinho Música: Rui Machado Interprete: Zaga Carreira SONHOS DESLUMBRADOS Quando eu, contigo, sonhava Tinha mais encanto , a Vida , P` los caminhos que eu trilhava Não me sentia perdida !... Eram trilhos coloridos , Atapetados por flores : Tons variados , garridos E adocicados odores !... Nossas mãos entrelaçadas , Trémulas pela emoção ; Nossas almas enlaçadas P` los laços do coração !... Contigo , hoje , já não sonho Os sonhos que tive outrora , Mas fantasio e componho Os sonhos que tenho agora !... O que a mente imaginou Nos sonhos- ontem- sonhados: O desencanto roubou Aos meus sonhos deslumbrados !... Maria Clarinda D. C. Silva, Palhais / Barreiro Bailarina A moça no palco dança Rodopia salta bate os pés Parece voar e não se cansa Vestida de folhas quem és? Será a deusa de um templo? Um ser da floresta? Não é nenhum desses exemplos É apenas uma bailarina em festa. Da índia onde os dervixes Pareciam voar rodopiando Até agora onde a dança ainda existe A bailarina se eleva dançando. Dançando a bailarina sai do corpo Se torna fluida se transforma em luz Não pensa no momento louco Apenas dança desliza vive e seduz... Maria Aparecida Felicori (Vó Fia) Nepomuceno Minas Gerais/BR

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 7 DOMINGO DE CHUVA Domingo chuvoso, de parda tristeza, Com vento zangado coa mãe natureza. Chapéu todo nuvens, o tempo mudou A roupa vestida no ontem passado. Trocou roupa leve e botas calçou, Vestiu o casaco de pelo forrado. E pôs meias altas tapando as canelas, De lã fabricadas à noite à lareira. As calças são grossas, largas, amarelas, E lenço ao pescoço, atado á maneira. Vestido prà chuva, pró vento e pró frio, Percorre esta rua de língua de fora. A chuva a cair, a valeta é um rio, Ajudam bombeiros, chamados na hora. Os ramos, que dançam nos troncos seguros Me trazem o medo de alguma desgraça. Por sorte, paredes, as telhas e muros Estão no lugar e ninguém aqui passa. O vidro molhado mostra a ventania E encosto à janela a cabeça vazia. Janela fechada, no vidro a chorar, Colei a mudez vã do meu triste olhar. Tito Olívio - Faro AMIZADE Concedeu-me a Internet Um grupo lindo de amigos, Expor as minhas ideias, Suprir silêncios antigos. Amizade, sentimento Devagarinho gerado, Quando logo eu dei por ele, ‘Stava forte, enraizado. A seguir, eu quis regá-lo Para o manter sempre vivo. E que melhor alimento Que um colóquio bem ativo? Assim, todos aceitamos De cada um a postura, Todos nós somos dif’rentes, Unidos pela cultura. Honramos a nossa língua. Cantamos a Natureza, O amor é nosso lema, Procuramos a beleza. Tão bonita esta amizade E as cirandas, um encanto, Que acordo todos os dias A ensaiar novo canto! Maria Fonseca - Lisboa ÉPOCA DE REIS Nasci num palácio sem servos nem trono, não tinha princesas, tão pouco reis magos. Faltavam as mesas causando os estragos que faz a fartura, a quem vive abandono. Mas tinha alicerces cavados p’lo dono. Paredes de taipa emitindo os afagos das gotas de chuva, formando mil lagos, regando o verão e resquícios de outono. Os claustros surgiam dos troncos erguidos. Guardavam jardins, nas encostas, perdidos, na espera a meu pai que, sem ouro, era rei. A mãe, a rainha, que sempre vou vê-la em fachos de luz, a brilhar como estrela, nos vales de incenso, onde sempre brinquei. Amor falso Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Poeta Selvagem – Alentejo Glória Marreiros - Portimão A Paz Descobrimos que é tão escassa a paz pessoal; Que intervém também na paz familiar; Na paz política, económica, social, Que deve haver esforço para a alcançar. Basta olhar á nossa volta para ter noção, Que há pouca paz; pois todos trazemos sementes De desconfiança, ódio e destruição, Medo e violência, também estão presentes. A paz que o mundo nos dá é tão enganosa, Quantos nele buscam prazeres e .... bagatelas... Em vez de buscarem a presença amorosa, D'Aquele que fez os céus, criou as estrelas. Temos dentro de nós buscar serenidade, Não consultando astros nem a astrologia; Pois só nos poderá dar a tranquilidade, Aquele que da sombra da noite faz o dia. É falsa a alegria nesta caminhada; O homem, neste mundo é um peregrino; A paz para todos só será encontrada, Quando nós recebemos o perdão divino. A separação de Deus traz sofrimento; Coloca-nos em guerra com o Criador; Temos paz com Deus, se com arrependimento, Rendermo-nos a Cristo, como Salvador. Ele é a própria paz, p'lo sangue da Cruz! Pelo mesmo sangue somos justificados; Se ao crer, pela fé, recebermos Jesus, Seremos com Deus, o Pai, reconciliados. Que a Paz do Senhor, reine em nossos corações, Nas lutas, provações e pressões da vida; Levando em oração as nossas petições, E em todas as coisas um'alma agradecida. Anabela Dias - Amora ENIGMA A cada novo sol eu peregrino. Entre agonias de estendidas mãos Me prendo ao ninho. Ah, graveto fino! Não tenho asas... Sou jogada ao chão! Que tormento: o que o tempo quer de mim? A noite obra... Me desassossega! Faz tranças de silêncios sem ter fim. Ó vida sou pra ti mais uma entrega! Noite, abre tuas mãos! Surgem estrelas!... O mar vai se acalmando sonolento Ao vê-las refletidas... Sonha tê-las! Que belo!... Mas caminho rumo à foz, Onde o sopro de Deus amansa os ventos, De um eterno ir e vir... Rogai por nós! Eliane Triska – Canoas/RGS/BR

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» MINHA PRECE Suprema Energia que rege o universo Compactua com o bem, desdenhando todo o mal Acolha os homens de boa vontade Anula as nulidades triunfantes Abraça os que não têm o calor vital para manter a vida Descumpra todas as promessas vãs Desmascara e enfraqueça a toda mentira Autoriza a justiça, na verdade, para que seu dever seja cumprido Conscientiza a todos, do perigo extremo pelo desrespeito à natureza Poupa o bem precioso da água , de seu completo extermínio Desperta a verdadeira razão do amor entre os homens Expurga os que provocam guerras Fortaleça os mais fracos, por serem inocentes Ampara as crianças nascidas da irresponsabilidade Alivia a dor e o sofrimento dos que estão perdendo para a morte Assuma os órfãos do desamor Abstenha da força, os que dela covardemente fazem uso Elimina o cansaço dos que não suportam mais o peso que carregam Acrescenta um tanto de fé aos que perderam a esperança Detenha os que malversam a inteligência, em detrimento de toda a humanidade Extermina os daninhos que destroem a paz e a felicidade Mantenha sempre os sonhos, como alimento do espírito Irradia a todos o seu Supremo Amor Contamina o mundo com o vírus da fraternidade Alicerça o caminho de quem segue, com firmes propósitos de acertar Abençoa a quem Vos pede, com o que Vos for pedido, pois:- _ Sois a Suprema Energia _ Sois a Suprema Sabedoria _ Sois Deus ! Maria Luiza Bonini SP/BR OS MEUS AMORES De te dizer não resisto Confesso que não desisto De ser o que sempre fui Mas amada como ninguém Sempre serei também Pelo meu amado Rui! O meu marido adorado Faz parte do meu passado Daquele amor de paixão Do amor à amizade Sempre os dois em idade Vivemos em comunhão! Amor assim não existe Amor que a tudo resiste A grande força motriz Com ele sigo a viagem Que me dá força e coragem E por isso sou feliz! Tenho filhos de valor Os meus netos um amor Neste amor abençoado Dão horas de alegria Na vida de cada dia Com eles sempre a meu lado! Um dia quando partir Os caminhos vão abrir Com um lugar lá no céu Os meus amigos vão chorar Mas no céu irei ganhar O meu maior troféu! ARRUFOS Brigamos, certa vez, e nunca mais nos demos um ao outro qualquer chance; nem um nem outro desejou jamais voltar a folhear velho romance... Nós nos amávamos sinceramente e ainda nos tratamos com meiguice; o lar nós desmanchamos num repente por questões bobas de pueril tolice. Porém das ondas da vida ao marulho, eis que ela quebra a minha noite insone e me pergunta já isenta de orgulho, se inda a amo, a chorar ao telefone. Um tanto irado e pra mostrar meus brios, intento o fone relançar no gancho, mas envolto em remorso e calafrios, lhe digo em pranto, que no olhar desmancho: – Perguntas-me se ao lar podes voltar já não tão jovem e nem tão faceira... Ah... Podes... Podes, sim... É só pegar a chave que ainda está sob a floreira! Humberto Rodrigues Neto - SP/BR Maria Fraqueza - Fuzeta Luar de verão Noite límpida esta brilhando na janela Do quarto onde me deito e tu te deitas É nosso o leito onde tu me rejeitas É minha a dor ou o que resta dela Campeia a indiferença neste espaço Onde te chamei minha e fui o teu senhor Era a festa da vida vivida com amor De tanto que nos demos não permanece traço Nesta noite estival é frio o meu pesar Ao lembrar a doçura experimentada Conhecendo-te a ausência, embora aqui deitada E assumo o travesseiro cansado de lembrar Eugénio de Sá - Sintra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Contos / Poemas» 9 SÓ GENTE INTELIGENTE POEMAS SELECIONADOS EM PORTUGAL Portugal de Edson Gonçalves Ferreira para Pinhal Dias Ao lado de outras aves nobres, muito mais nobres. Não, não existe Portugal, existem Portugais Espalhados por onde "a última flor do Lácio" canta E, feito Pessoa, já se multiplicou, já se desdobrou E, feito Camões, já dominou todos com sua pronúncia doce Encantando gentes doutras terras e doutras línguas Porque quem fala português, fala mais doce Alegra mais os ouvidos de que o escuta Nossa língua é tão bela e tão vasta que seduz O intraduzível da saudade A palavra mais doce que o fado A palavra mais explosiva que o samba Não, não existe Portugal, existem Portugais E, em cada um deles, estou como um Pardal a cantar Divinópolis - BR Entrealcovas Um corredor estreito, dividido em inúmeras celas. Recinto construído para aprisionar seres humanos como animais irracionais. As oportunidades de uma vida melhor se esvaem no infinito corredor do desamor. Todos esperam um abraço, um olhar amigo. Os arquétipos distanciam a humanidade de si mesma. É preciso perdoar, aquele que condena se aliena na sua verdade ou na verdade construída pela consciência coletiva bitolada nos tipos ideais. Consciência adormecida nas profundezas do eu. A verdade é entoada diariamente, mas os nossos ouvidos não querem ouvir, vivenciamos os dias de forma inerte, emitindo opiniões a partir do ideal essencialista. Muitos dos nossos irmãos morrem no chão frio, acolhidos nos braços do preconceito, do ódio, do desamor, do julgamento. O egotismo disfarça-se com a face da justiça. A ficção torna-se realidade no estreito corredor da morte. Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista. Uruana/Go A carta do cisne O teu olhar me renova. Quando estamos juntos o tempo é extinguindo. O belo é o elo que nos faz viver este amor divinal. Um amor além dos sonhos. Uma realidade indescritível. Você me fez anjo, criança, jovem, homem... É inexplicável o que sinto por você. Não existe vocabulário para justificar tamanho amor. Amo você infinitamente. Estar do seu lado harmoniza o meu ser. A minha alma fica mais leve. Tornamo-nos uma só criatura. Versos, músicas, poemas, mimos, aromas, carinhos, sorrisos, lágrimas... Embalam os nossos reencontros. Leda, faz de mim inspiração dos seus versos e reversos. A minha própria vida torna-se resquícios diante de você. Do fundo da alma que habita o meu corpo... Eu te amo! Você me fez e faz o homem mais amado deste planeta. As palavras são superficialidades diante da complexidade do estar com você. O amor humano é pouco perante o amor divinal que desabrocha do íntimo do nosso ser. Na memória guardo em molduras delicadas os recortes de momentos que o tempo não é capaz de apagar. Os nossos afagos foram monumentalizados pela vida. É lindíssimo poder dizer que o amor incondicional nos uniu ao longo da caminhada. Universo, sou eternamente grato pelas possibilidades. As lágrimas jorram dos meus olhos, a saudade infla dentro do meu peito e as lembranças sensibilizam a minha memória. Amada amiga, musa, irmã, mãe, amante, confidente... Entrego-te a chave do meu coração. Você é parte de mim e eu sou parte de você... Eternamente estaremos interligados, a literatura, a arte, os inúmeros intérpretes, nunca serão capazes de descrever a formidável tela que pintamos juntos. Dhiogo J. Caetano - Professor, jornalista. - Uruana, Go / BR

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Contos / Poemas» O EMBONDEIRO Angola é tao inexplicavelmente inebriante que, para comprova-lo, teríamos que mergulhar no seu misticismo: - Em cada por do sol…um arroubo! - Em cada aroma…a embriaguez dos sentidos! - Em cada cor…o êxtase! - Em cada curva de estrada…o fascínio! - Em cada história…a magia de um enredo!... De tanto o que deveríamos recordar fixemos, a nossa memória, para aquele retalhinho de reminiscência onde permanece afivelado o embondeiro: O seu porte é vigoroso podendo, sua altura, atingir 20 metros e seu diâmetro 10 metros! O seu interior é oco. Bastantes vezes utilizado: para armazenamento de cereais, como cisterna de água, como retenção de prisioneiros, usado como sepultura… A singularidade desta árvore está na sua bizarra aparência! A configuração é impar! Corta-la está fora de cogitação! Muitas histórias estão ligadas a ela… Uma lenda antiga narra que, pela sua cobiça pelas outras árvores, fora punida - pelos deuses - e virada de “cabeça” para baixo. A copa tem a aparência de raízes ou de braços retorcidos, erguidos em súplica. Contudo, apesar desta punição, fora-lhe atribuída a simbologia da Humanidade e da Vida, e também a beatitude da coneccão da humanidade com a divindade. Filomena Gomes Camacho. (poetisa Angolana) No Murmúrio dos Ventos... Vem meu amor...escutar a musica da liberdade, a que há na natureza, no murmúrio dos ventos...e nas asas dos tempos...vem de mansinho sentar-te junto ao rio quando o sol se vai deitar e as águas cristalinas, suaves e diamantinas deslizam até ao mar...queda -te olhando o infinito que a musica anda no ar...ou corre p´lo campo fora e num fiapo d`aurora escuta a terra cantar...cerra os olhos e imagina-te a levitar...ser peregrino do mundo, levando na tua mão o canto da natureza em sua leda canção...vem meu amor...escutar a musica da liberdade, a que há na natureza, no murmúrio dos ventos...e nas asas dos tempos... Natália Parelho Fernandes – Ponte de Sor Evolução Na estrada da vida, aprender é preciso, e o aprendizado nem sempre é fácil. No seio da família, aprendemos todas as lições que precisamos para evoluir. Uns aprendem pelo amor, outros pela dor, mas todos, sem exceção, aprendem alguma coisa. O difícil aprendizado da vida, dá-se aqui e agora, somos seres em constante evolução. Ás vezes, é difícil saber se estamos no caminho certo, se estamos agindo com amor ou sendo guiados pela dor, mas o coração, dita as suas regras. Uns aprendem as lições mais facilmente, outros com dificuldade. A vida é uma caixinha de surpresas, nem sempre tão boas como gostaríamos, mas é preciso seguir em frente, dançar conforme a música toca, sentir os pés flutuarem, a brisa acariciar o rosto, os cabelos balançarem ao vento, que sopra suave, entoando sua canção. Há os que acham que o vento uiva, geme, e há também os que ouvem os sons poéticos do vento. Alguns gostariam de ser ricos, alcançar a fama, conhecer o mundo, enquanto outros, querem apenas ser feliz e sabem que a felicidade tem muitos caminhos e é pura ilusão, é passageira, feita de momentos e nada tem a ver com dinheiro ou fama, mas assim é o livre arbítrio das pessoas, cada um tem suas ideias formadas do que é ser feliz, e todos buscam alcançá-la de forma a se sentirem plenos. A paz interior de cada um, tem tudo a ver com ser feliz. Quem está em paz, vê a presença do Criador em tudo a sua volta, e não tem tempo para os sentimentos pequenos da terra, como mesquinhez, ódio e inveja, próprios do ser humano que ainda tem uma longa jornada pela frente, mas quem busca a paz, vai aos poucos eliminando pelo caminho, esses sentimentos tão pequenos. A perfeição não existe, mas estamos sempre em busca da luz, da evolução, porque bons sentimentos alimentados no coração, nos trazem paz, nos tornam seres humanos melhores e nos aproximam de Deus. Na estrada da vida, nem sempre estamos certos, e jamais devemos nos recusar a aprender, a tentar perdoar, pois quem perdoa é quem mais recebe os benefícios do perdão. Assim é a vida, estamos sempre evoluindo, a diferença nessa trajetória, é que uns apreciam o amarelo e outros o azul. Construa você o seu caminho, seja feliz, e fique em paz, viajante do tempo! Simone Borba Pinheiro – Stª Mª /RGS/BR

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 11 Relembrar…sempre Sempre que eu penso, Na minha querida terra! Sinto no meu pensamento O sol que alumia de dia. A lua que alumia de noite, E as estrelas que se soltam, Levam a minha memória Aquilo que falo agora (Agora que falei toquei) No desmantelar de muralhas Do Chalé dos Bicos--Que oiçam para lá do infinito! Só por isso, me contento! Porque a razão da minha pena Está cheia de afecto, E ao mesmo tempo com desgosto Dos factos da História, Que eu, procuro ser sempre ouvido, No que o sol viu caindo Em Armação de Pêra Restam imagens retratadas, dolentes, A ultrapassar todos os limites Do rutilo Chalé dos Bicos, Que no silêncio, se beijava Na avenida a rir e amar… Esquecer … para relembrar ainda O que o tempo não vai apagar! Luís F. N. Fernandes - Amora Um velho coração O meu esforçado coração Avisou-me um dia Que a partir de então Deixaria De fazer horas extraordinárias Tornar-se-ia mais contido Nas suas tarefas diarias Com o sangue forçadamente diluído Hoje restringe os seus batimentos E em alguns momentos Nem o trabalho normal executa Mas de forma arguta Insinua-se à vida a cada instante E com a ajuda da medicina Em uso constante Mantém a ideia peregrina De que uma vivência comedida O manterá a sonhar e a fazer pela vida Não gerei filhos do mar que tenho medo que o mar mos leve desta vida; gerei filhos do mundo e na corrida de viver, eu dei à luz gente que o mundo ama e todo é casa… encho dia a dia o peito em brasa da saudade que me dá vê-los tão longe; e as conchas de ternura e de distância que me traz o mar nesta fragrância das marés mansas são vivo anseio que meu amor tamanho ache o meio de lhes ofertar deste modo estranho o colo que lhes dei quando crianças! Maria Mamede - Porto MÃE... LÊ PRA MIM ! São mãe e filho pelas ruas da cidade, buscando algo de valor em cada porta, como objetos recicláveis, quem se importa ? É um trabalho feito com dignidade. Entre esses tantos utensílios recolhidos, para o menino, um é mais especial: um livro roto que guardou num embornal, que tem palavras e desenhos coloridos. - Mãe, lê pra mim... o livro velho que eu achei ! Ela o olha com ternura, esconde o pranto e lhe sussurra, numa espécie de acalanto: - Eu não sei ler, meu filho, eu nunca estudei. - Então, mãezinha, lê sem ler, inventa a história ! ...olha as figuras, é assim que eu tento ler. Ela procura sua lágrima esconder E busca um flash nas esquinas da memória. Lembra que quando era criança, só dormia, ouvindo os contos infantis que a mãe contava - Como era bom ! – ela relembra – eu adorava Voar nas asas de uma nova fantasia... O filho insiste: - Conta mãe ! – ela se anima e inicia a historinha: - Era uma vez um cavalinho que voava – o português é imperfeito, mas a fala... se sublima. E a exemplo dos que sabem declamar sem ler o texto, essa mãe analfabeta dá ao seu filho, os mesmos olhos de um poeta que se completa quando o sono quer sonhar. ... Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros RJ/BR AS PORTAS DA PERCEPÇÃO Visto, de negro, os meus dias. Reparo o rio, no ir-se pela noite. E os céus, são como as estrelas Pequenininhos pontinhos, “alumiando”; Alumiando casas, embutidas Em nichos, de sombras espalhando Segredos, daqui e de acolá, guardados No Baú, dantes e de agora! Meu corpo, fragilizado, egrégio Mostra-se na tardinha, afastando Todas as suspeitas, abrindo as portas Da Percepção; e ao grito, pressupõe a voz; uma voz que não cala mesmo quando - infiel- me duvido. José Maria Caldeira Gonçalves – F. Ferro Jorge Humberto – P.Stº Adrião

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ A GRINALDA DAS GLICINIAS… DOIS AMORES A recordar sonhos e fulgores, De dois amantes seus cultores. (1) Aqui têm a grinalda, pórtico no DOIS AMORES, Glicínias no auge certo do seu encanto, Que admiro em encantamento tanto, tanto, Que me transportam a momentos sonhadores! Não resisto a ficar dia a dia sob este manto, A exalar este odor; adoçar minhas dores, Porque é a prenda certa dos nossos suores A realçar a casa, sonho que adoramos santo! Todos anos contemplo este belo cenário, Porém é o fascínio obrigatório diário, Que registo carinhosamente com ternura… Chamo a Dolores; vem logo aos meus ensejos, Que amantes nos abraçamos entre mil beijos, Pra que as glicínias perfumam nossa ventura! (2) Estas glicínias têm mesmo cores relevantes, Pra esta casa que foi feita por nós de raiz, N’uma luta, só não falhou porque Deus não quis, Um sonho destes só podia ter amores constantes!... Por isto estas glicínias fazem-me muito, feliz, É o tributo do trabalho digno d’emigrantes, Ornam nosso sonho, meu Deus, como são galantes, Ver, aspirar, este ramalhete que pra muito diz! Mas tudo isto tem um reverso, que amargura Vejo chegar o Inverno que atroz me procura, Saúde e idade tentam serem amargos credores… As glicínias continuam a florir talvez eternas, Eu, murcho de saudade; vão faltando as pernas, Vou deixar a grinalda onde beijo a DOLORES! Nelson Fontes Carvalho – Belverde / Amora RETRATOS Menina sozinha Muito pequenina Descia a rua. As lagrimas Desenhavam dois rios Na cara suja. Os restos do vestido Exibiam sem custo Um corpo franzino. Os pés rasgados Deixavam marcas De sangue Nas pedras da rua. Chorava Mas o choro Não se ouvia. Os braços Pendidos Seguravam duas mãos Descarnadas. O velho parecia Esperá-la Junto ao balde Do lixo. A custo mordeu O naco de pão Que o velho Lhe deu. O homem Sem trabalho E faminto Aproximou-se deles. E o pobre poeta Que na altura Passava Comentou em silêncio: Nada tenho p’ra Vos dar Cantá-los-ei Retratos do meu país. Nogueira Pardal Belverde/Amora Venho de Longe venho de longe, tão longe! nos olhos cansados trago a ânsia e o desamparo mas é crendo que prometo resistir mais do que posso ir além do grande cerco no anseio do meu peito onde em amor me refaço! Só palavras podem julgar palavras Só o silêncio pode julgar o silêncio Só a ausência pode julgar a ausência Só o amor pode dar o amor… Maria Petronilho - Almada Fredy Ngola - Angola cuidados com os estribilhos cuidado com este estribilho mil vezes repetido de falsas bocas sem brilho que não fazem nenhum sentido sou teu amigo verdadeiro de verdade sou teu amigo tu és para mim o primeiro a tua amizade é o meu abrigo é bonita a nossa amizade amigo sou teu amigo mas por de trás desta amizade tu corres um grande perigo desconfia sempre de alguém que se afirma ser teu amigo nenhuma amizade tem que ser afirmada contigo conheço por aí muita gente em Portugal Espanha e França que têm a alma doente convivendo na maior desconfiança Vitalino Pinhal - Sesimbra Respiro poesia Que extraordinária sensação de prazer sinto em todo o meu corpo ao escrever! É como se a minh'alma estivesse a voar procurando ideias para o meu poetar! A inspiração chega assim, tresloucada levando-me a expressar com paixão de uma maneira tão inesperada, a rabiscar poemas de muita emoção! Respiro o ar carregado de poesia, sacio a minha sede de sentir e criar, ao estar com minha alma em harmonia na cumplicidade de um belo versejar! Trago no corpo, na alma e no coração, uma essência de inigualável valor, capaz de curar e fortificar a emoção; a arte de poetar com amor! Poesia é a vida pulsando em mim através dos meus sentidos e da minha sede de viver sempre com amor! Maria do Carmo Costa SJDR - MG

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 13 FEITIÇO DE ANO NOVO A noite estava fria! Fria, mas acariciante, porque tu estavas nela! Meu corpo ardia à tua sombra, os vidros escorriam, e eu humedecia, na ânsia de ti! Falavas de livros, de poetas e poemas... As tuas palavras soavam-me a Liszt e eu dançava “Sonho de Amor” à tua volta. Quieta, escutando, eu era uma criança sentada nos teus joelhos, e neles percorria o mundo! O jantar foi tradicional, o vinho, quente e especial. De entre as guloseimas, tu! A melhor iguaria! O relógio, tranquilo, cadenciava o tempo, inalterável. Quando soaram as doze badaladas, houve fogos de artifício dentro de mim e fogo-preso no teu beijo! Só eu desordenada na ordem natural das coisas... Era o feitiço de um Novo Ano que nascia perante nós! Apagámos as velas e a lareira, deitei-me no teu abraço, e os indícios de um outro fogo começaram a crepitar. Reféns dessa deliciosa constatação, invadiram-nos as labaredas inevitáveis, e somente pela madrugada mergulhámos na paz dos rendidos! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal A Luz Ouça sempre seu coração e não faça nada mais, que pesar com a razão pra poder viver em paz. Não olvide sua razão que é severa, mas perspicaz, prestando muita atenção em tudo o que você faz. Tudo o que você fizer faça sempre com amor, mantendo sempre sua fé nos momentos vis de dor. Se a dor for forte o bastante pra atormentar seu coração, feche os olhos nesse instante e faça uma breve oração. Se bater descompassado implorando por um abrigo, estarei sempre ao seu lado serei sempre seu amigo. Amigo, não tenho nome, mas me chamam de Jesus. Sou o amor, não sou homem, sou seu amigo e sua luz! Ivanildo – Volta Redonda/BR Sopra o Vento Sinto o vento num lamento, A voar pelas devesas; Viaja no pensamento Para esquecer as tristezas. Dores que o vento leva, Vivem no meu pensamento. E aquelas que não descreva, Ficam pra meu sofrimento. Transporta o meu desalento, Pra bem longe e com magia, Servindo de argumento, Pra conter minha alegria. Quero voar nessas asas, Partir, seguir meu destino, Cruzar-me com outras brisas, Planar rumo ao divino. Não posso mudar o vento, Mas posso ajustar as velas. Eu ouço no seu lamento, As suas trovas mais belas! Sopra o vento num lamento, Ouço seu silibar triste, Varrendo meu pensamento, Esqueço que o meu ser existe. Jorge Vicente – Suíça Canta Meu Rio, Canta… Aparição Um sentimento de alegria infinda Invadiu, certo dia, meu pobre ser. Foi no momento em que te pude ver, Quando me surgiu tua imagem linda. Foi ali- à Quinta- perto da tua casa, Quando nos cruzámos a vez primeira. Vinhas de luto, andorinha ligeira… Ali, nesse dia, o meu golpe de asa. Vi-te, encantei-me em teu lindo rosto! Nessa tarde outonal, quase sol-posto, Falei-te nervosamente, loucamente! Sorriste, baixaste teus bonitos olhos Num gesto que aliviou meus escolhos! Senti que te não era indiferente. JGRBranquinho - “Zé do Monte” Monte Carvalho Quando afago teus cabelos Quando afago teus cabelos, Faço isso a sorrir. Quando beijo tua boca, Penso logo no porvir. *** Pois vejo esse porvir! Com muita realidade, Sinto só ter alegria, E nem um pouco de saudade. *** Pois o nosso amor é lindo, E cheio de esperança. Quando estou perto de ti, Vejo-te como criança. *** Mas uma criança grande! E repleta de carinho... E também cheia de sonhos, Envolvendo o meu destino. Vivaldo Terres – Itajaí / BR Canta meu rio... canta.. entre pedras vai rolando, sua voz que me encanta chega ser um acalanto... Corre entre pedras, ligeiro, minhas dores vai levando pra esse mundo inteiro, mas continue cantando... Neste canto, sou o tema, que na vida vou passando, tal qual filme de cinema minha vida vai rodando. No seu canto inebriante a tristeza me espanta, quase que agonizante o choro é preso à garganta. Rita Rocha Sº Antônio de Pádua – RJ/BR

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. A Modéstia que me desculpe, e fiquem de fora. Os ingredientes não podem ser declamados seria profanar o que é sagrado. O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Eu o saboreei numa tarde em São Paulo com um bom vinho do Porto, no cristal mais transparente e o chocolate em toda parte. O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Todo de chocolate sendo a massa e o confeito, tudo no melhor bulício, quisera eu, fosse a vida feita só de chocolate, um vício. O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Bolo com iguaria , duvido que alguém não daria contas desse pecado. E vai querer outro bocado Derretendo-se com vontade. Efigênia Coutinho Balneário Camboriú Sem direção... Ando sem direção Por caminhos tortuosos... Sem saber! Se um dia! Poderei ser de fato feliz. Vago por terras desoladas... Sem conhecer... Os meus próprios limites Mas sei que a negra dor Rasga a carne e dilacera a alma O meu livre versejar Verseja livremente... Voa pelo céu estrelado E sem nuvens E abraça os astros Meus livres versos Alçam as estrelas... E se dispersam pelo cosmo infinito São negros poemas De dor... Sigo pela estrada sem fim Caminho sem destino Sem saber ao certo Se um dia Poderia ser feliz de fato Samuel da Costa - Itajaí /BR FLAGRANTE DELEITE Um poema pra minha Mãe (versão em Mirandês) La Mie Mai!!! Que Dius me lebou i yá alhá ten, Era guapa cumo eilha solo... Que pena tengo de ls mius filhos, - que Nun conhecírun la Abó! Ne ls dies qu'hoije passan!!! Nunca passa nin un solo... Que you nun me lembre deilha. I por esso digo als mius filhos, - qu'eilha era la mais guapa! La Mie Mai!!! Que de mi ELE lebou, yá se fui! Mas me deixou ls mius filhos, La quien you digo to die, - l quanto la suidade me doi! Ye Die de las Mais... Dius,... oura biba! Bamos pus anton comemorar... Á Mie Mai i a la tua, a todas que ne ls dórun la bida, Por esso digo als mius filhos, - l quanto eilha bibeu para amar! L Amor de Mai nun se piede... Nun se ganha, nun se cumpra, nin se amplora. L'amor de mai somos nós mesmos, I anquanto rimos, eilha tantas bezes chora! Ah, Mie Mai, Mie Mai!!!... Que you chorei de delor quando la perdi. Eilha subiu,... fui-se ambora an tiempo ancierto... I zde anton you nunca mais la bi! Mas sinto eiqui ne l miu peito, Esta delor desta suidade, Esta Ánsia d'a ber... eiqui bien acerca... D'a lembrar por to a mie eiternidade! A ti, Mie Mai, you amo de peito abierto!!! Outor: Silbino Poténcio – Natal/Br Se me abandonaste no meu fado com o coração desamparado, declínio dos meus sonhos de menina eu te entrego a tua sorte num tango, E nas mãos da Balança cega e justiceira serás julgado por este flagrante deleite no meu peito e do mel que eras, regressarás e eu abelha compartilharei este ciclo, Quando o tempo der o seu veredicto vou prender-te nas cordas de um violão, lançar-te nas profundezas de uma morna E serás condenado a viver de boca em boca, serás trova, mel sugado com sofreguidão e eterno como Prometeu que à vida torna A Palavra Escrevo-a, pronuncio-a e …saboreio-a. Grata porque com ela me expresso, Me apresento, me digo… Estendo-a no papel, digito-a, repenso-a. Analiso-a, recomponho-a…medito! Medito sobre ela… Introspectivo-a. Quero que seja inteiramente fiel ao que sinto! Tem de ser absolutamente reflexiva Do meu sentir elementar, profundo, total! Só assim a reconheço, a valorizo! Cada letra é uma criação que respeito Q eu enalteço, que vivo! Cada sílaba, uma pré construção da vida!.. Cada Palavra…Uma Avenida! Índia Libriana Mindelo/Cabo Verde Felismina mealha – Agualva

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 81 - Jan. / Fevereiro 2017 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 15 A ARVORE DA NOSSA VIDA Passam dias, passam anos... São tantos os desenganos Que vida por vezes dá... Tantos sonhos e esp'ranças Desejos, gostos, mudanças... Enquanto estamos por cá! Como será o futuro? A árvore e o fruto maduro... Bonita comparação... Como ela dá os seus frutos Uma troca de produtos... Base de sustentação! A árvore da nossa vida Também nos dá por medida Os filhos, a geração... Como um botão em flor Os frutos do nosso amor Plantados no coração! Que a árvore da nossa vida De folhagem revestida... Dá-nos sombra e ar puro Ao ver chegar meu outono Como a folha ao abandono... Ao recear o futuro... O futuro a Deus pertence E por mais que a gente pense Um dia alegre, outro triste Mantendo o amor e a Fé. As árvores morrem de pé E o ser humano resiste! Nessa nossa resistência Com mais fé e persistência Tendo Deus na sua lida... Esta arvore bem regada Cultivada, bem tratada... Será sempre Arvore da Vida Maria Fraqueza - Fuzeta Amor sem “limites” de idade O Amor de minha mãe E o de quem me acarinha É o melhor que a vida tem Seja criança ou velhinha Silvais – Alentejo ÚLTIMO POEMA! Partiste… Calei naquela noite desdita, depois muito mais eu disse e muito mais eu pensei e chorei. Então, já não era mais criança de todos os desejos e sonhos, dos amores e decepções... Ah! Todos os sonhos não estavam em jogo, ora era adulto ou era criança. E foi assim que antes vi tudo nascer em inspirações poéticas. E o que nasce cedo, é prematuro. Do ventre pátrio de tua mãe! Escorraçado pelo vento solar … na quietude dos dias longos. Partiste…! Pela sombra dos caminhos (des)feitos em pó… Partiste…! Em lágrimas vertidas em chão de pedra! Enleado em braços armados ao vento Partiste…! Em socalcos de parábolas… Que para ti inventaram… Versos invertidos na espuma dos dias. Todo dia a mesma flor, mas ela se permite, não morre, se não pela raiz. E assim uma flor me sentia... Me engraço, continuam os sonhos, os mesmos desejos existem ainda. Mas, não são mais de criança e sim de mulher que há dentro de mim que pensa, chora, sonha, deseja e ama. O tempo não é único, o tempo passa e o meu último poema, irá passar... ZzCouto – RJ/BR Manuel Gonçalves da Silva – Fogueteiro O MAIOR NEVÃO (Em 02 de Fevereiro de 1954) Gostava de poder apreciar Àquela tarde tão cinzenta Em que do céu estava a nevar Voltar à tarde da tormenta. Flocos caíam lentamente Tudo de branco veio a ficar Para o Alentejo importante Surpreendidos ficaram a olhar. Velhice a Idade do Pôr do Sol. Dizem que a velhice é a idade do Pôr-do-Sol, e é verdade! Mas há Pores-do-Sol que todos Param para olhar… (Richard Gere) Homem - terra lavrou! Com sol até seu pôr A casa chegou e já cansado! Comeu… O que a terra antes lhe deu com seu suor Os filhos que criou! A DEUS agradeceu! Apraz-lhe uma geração envelhecida! Assiste-se ao maior negócio de lares! Vendo a classe deprimida, imerecida Ficam azimutados, por outros radares Trabalhou e lutou por uma vida a quem dar Filhos desnaturados, metem pais no lar E tudo pára, nesse quadro da velhice A velhice chegou: -Dizem filhos d’amparo! Ter lar abençoado e com sol mais claro Fluindo o amor, diluindo a pieguice… A Península Ibérica atingida Por uma enorme vaga de frio Isso marcou a minha vida Coisa assim ninguém mais viu. O meu pai foi-me buscar Nunca ele tinha ido à escola Tenho isso para recordar Os livros a manta e a sacola. Sem rádios e telefones Ali completamente isolados Sem autocarros e automóveis Nos velhos tempos passados. Acessos foram bloqueados Foi para todos, uma surpresa Desprevenidos e mal enroupados Ao chegar a noite… tristeza. Ninguém sabia como proceder Tudo parecia ficar gelado Quando começou a escurecer A grande preocupação era o gado. Deodato António Paias – Lagoa Pinhal Dias (Lahnip) - PT In: “Bálsamo de Vida”

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