Gazeta Valeparaibana

 

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Janeiro 2017

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Ano X - Edição 110 - Janeiro 2017 Distribuição Gratuita RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! A ONU no Mundo É constatada a diminuição da incidência de guerras declaradas nos últimos anos, processo que ganhou força principalmente após o término da Guerra Fria, essa alterou e fez surgir um novo tipo de conflito, os de níveis regionais que são mais fáceis de serem percebidos. A instituição supranacional, ONU (Organização das Nações Unidas), tem como objetivo várias ações internacionais que são flexíveis em diversos assuntos (fome, mortalidade infantil e muitos outros), e dentre essas temáticas tem como finalidade conter ou intermediar, de forma diplomática, possíveis conflitos entre as nações mundiais. Quando a ONU é acionada para realizar algum tipo de trabalho, um grupo é enviado para o local de conflito, são as “forças de paz”, essas forças têm como função primordial a execução de acordos firmados entre os adversários, além disso, se comprometem a proteger a população civil, que em geral são as mais afetadas, as missões não permitem massacres por parte do grupo mais bem armado e equipado, e nem um tipo de revanche. A face mais obscura dos conflitos corresponde às agressões e hostilidades que deixam a população civil exposta ao sofrimento que sempre é resultado das guerras, as missões da ONU levam para as pessoas de áreas conflituosas auxílio humanitário. A ONU é dirigida, em geral, por potências mundiais que possuem poder político para desempenhar decisões no Conselho de Segurança da instituição. Apesar da ONU ter como essência a imparcialidade e neutralidade nas discussões e negociações em relação aos conflitos em nível planetário e regionalizado, no entanto, quase sempre os interesses das nações centrais prevalecem. Os Estados Unidos, no decorrer da década de 90, atuaram de forma autônoma e agiram como dirigente do mundo, essas ações colocaram em questão a qualidade crível da ONU. A evidente não credibilidade da ONU por parte dos Estados Unidos e Inglaterra veio à tona em 1998, quando esses resolveram lançar várias bombas sobre o território iraquiano, sem antes ter recebido a permissão do Conselho de Segurança. Em 1999, novamente a OTAN, liderada pelos norte-americanos, realizou vários bombardeios na Iugoslávia, essa foi uma atitude tomada para sanar os interesses puramente norteamericanos, sem uma discussão prévia no plenário da ONU. As instituições supranacionais de uma forma geral quase sempre tendem a se deixar levar pelos interesses de nações ricas, essas detêm uma grande influência geopolítica no cenário mundial, até porque são eles os responsáveis pelas decisões e que dirigem todo o processo. Aos poucos as instituições como a ONU podem perder sua principal finalidade que é de servir de forma neutra os mais necessitados, passando a atender as vontades apenas dos grandes. Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/ A Saudade e o Ano ...Velho...Novo... Saudade...palavra que dizem que só existe na língua portuguesa. Cabe tanto sentimento ali dentro. Que bom que ela existe. As vezes dói, as vezes nos enche de alegria por tantas lembranças boas que nos traz. Leia mais: Página 3 Que Prioridades na Cooperação A REFORMA DO ENSINO MÉDIO: 1400 Lusófona? horas Esta pergunta é, simultaneamente, um convite e um projeto. Um convite à cooperação inter-povos falantes de língua portuguesa; um projeto, porque fala em prioridades, mas, deixa o projeto em si mesmo por construir, encargo de ... A reforma do Ensino Médio trouxe a ampliação da jornada anual passando de 800 horas para 1400 horas. A princípio parece ser uma boa iniciativa. Mas, vamos detalhar melhor este assunto. Ensino Médio Leia mais: Página 4 Leia mais: Página 9 CULTURAonline BRASIL O Maniqueísmo na Personagens inesquecíveis Inclusão Social - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu www.culturaonlinebr.org Sociedade da Música - I Incluir quer dizer fazer O Maniqueísmo, ou Pensamento Binário, é Beethoven parte, inserir, introduzir. uma forma de pensar sim- Foram muitos eventos e Assim, a inclusão so- plista em que o mundo é circunstâncias que me cial das pessoas com visto como que dividido levaram a abraçar essa deficiências significa em dois: o do Bem e o do profissão de músico e torná-las participantes Mal. A simplificação é uma forma em especial a música de concerto. da vida social, económica e até primária do pensamento que reduz Uma delas foi a descoberta na vas- mesmo política que é o caso do mi- os fenômenos humanos a uma re- ta biblioteca de meu pai alguns li- nistro da finanças alemão, assegu- lação de causa e efeito, certo e er- vros especiais. Uma delas foi a des- rando o respeito aos seus direitos rado, isso ou aquilo, é ou não é. A coberta na vasta biblioteca de meu no âmbito da Sociedade. simplificação é entendida como for- pai alguns livros especiais. Baixe o aplicativo IOS NO SITE ma deficiente de pensar... Leia mais: Página 5 Leia mais: Página 11 Leia mais: Página 8 Dez anos a serviço da educação, da cidadania e valorização das culturas e tradições brasileiras

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Ano Novo: Renovação de Expectativas Mais um ano chega. O ano novo de 2017. O ano de 2016 teve um bocadinho de coisas boas, mas na minha sincera opinião, não foi lá um ano que eu considero agradável. Foi um ano de muita tensão, eu pessoalmente não vou sentir saudades de 2016. Pode ser que para muita gente, 2016 tenha sido um ano bom, para mim não foi. Mas isso não significa que 2017 tenha que ser um ano ruim também. O ano novo de 2017 pode sim, ser melhor. Mudança de ano é renovação de ciclo. Renovação das esperanças, renovação da vida. Convém deixarmos para trás as coisas desagradáveis que ficaram no passado. Se tomamos decisões equivocadas lá trás, vamos conservar apenas o aprendizado que tivemos com tais experiências e que nos permite melhorar. O ser humano é um ser de motivação, que encontra nesta o seu combustível de vida. Uma pessoa sem motivação é uma pessoa sem expectativas e sem alegria para viver e conquistar. Quem vive assim acaba encarando a vida como um peso e como uma longa estrada sem surpresas e sem novidades. Convido à humanidade a começar em 2017 um novo ciclo, um novo período mais agradável. O futuro é consequência do passado e do presente. O passado já passou e não pode ser mudado. Mas o presente pode ser mudado sim. Precisamos renovar os conhecimentos, e aumentar a sabedoria, abrindo a mente para as novidades, tendo o devido entendimento para discernir o bom e o mau. Compete a cada um de nós construir o futuro que queremos. O primeiro passo é acreditar que é possível. O segundo passo é se esforçar, correr atrás, procurar soluções e ideias. Toda causa tem consequência. Quem realmente procura, encontra. Se eu quero que as coisas melhorem para mim, eu tenho que assumir a responsabilidade pela minha própria vida. E, para que eu possa realmente assumir a responsabilidade pela minha própria vida, é necessário que eu conheça a mim mesmo com clareza e, que eu seja sempre sincero comigo mesmo. Em seguida, eu tenho que ter coragem de assumir riscos para que as mudanças ocorram na minha vida. As possibilidades são muitas. Desejo um feliz ano novo de 2017 para todos. João Paulo E. Barros PASSAPORTE PARA ONDE? sofrimentos e nunca saberá quando dela a mor- te o livrará. Por que pararam de fabricar o amor? Mulheres e homens extenuados verão a prole Dizem que os “oficineiros” fraudaram contra se extinguir. Sem fertilidade não mais lançarão Deus quando a humanidade percebeu o custo filhos ao léu em seus destinos mal-afortunados. benefício que lhes renderiam tudo havia por a- O que diria então de nossa terra varonil, Brasil, qui... onde todos sempre se encantaram pelo privilé- E a serpente corrompeu a “Primeira-Dama”, que gio de terras abençoadas, onde seus governan- induziu o homem à sua primeira fraqueza e lhe tes foram escolhidos “a dedo” e onde a cadeia tirou a ilusão da posse sobre ela e, assim, um já foi cárcere de bandidos? ludibriando o outro, continuaram desassossega- Vimo-nos também desenganados e pelas nos- dos e, assim, se iniciou a mentira do amor. sas próprias “cordas e forças” enforcados. Aqui Judas se vendeu por 30 moedas que o levou a não há fadas como o povo brasileiro sonhava e forca. Jesus, por tão pouco, foi parar na Cruz e sim falcatruas, cordeiros em pele de lobos, ca- Maria Madalena foi apedrejada. (Ah! Se eles valheiros e damas mundanos e, crianças mor- soubessem que, nos tempos de hoje, nada dis- rendo de fome, doentes, sem teto e carentes de so teria acontecido). pais e de governo. Tivemos rainhas, princesas e belas senhoras, Então... Perante o mundo estamos e sempre reis, homens fortes. Patéticos seres dotados de fomos iguais. sentimentos soberbos que condenaram seus Que abram as portas das celas para “amparar e próprios semelhantes à morte, desde os primór- proteger” nossos políticos e bandidos, enquanto dios tempos. fechamos as portas de nossos próprios abrigos Os homens reclamam e choram sem memória. para nos proteger desses inimigos. Promoveram guerras, desafetos, atrocidades e Que joguem pedra na Cruz, que Deus continue assim se aprimoraram na discórdia. sendo o culpado, ou, para os mais devotos, que Quantas guerras ainda faltam? Quanto falta pa- culpem o pobre do Diabo! ra alcançarmos o “Reino”? (“Reino” maldito da “Que a humanidade, consiga seu “visto de en- ignorância e desonra, onde não haverá glória e trada”. fama). Para onde? A sórdida geração humana terá como herança a mísera sorte de um estado sombrio de Genha Auga jornalista MTB:15.320 A volta do medo “O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado”. *** “Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal”. John Lennon *** “Deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem”. Sócrates *** “Pessoas vivendo intensamente não têm medo da morte”. Anaïs Nin *** “Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela”. George Bernard Shaw *** “A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira que, por medo de bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação”. Carlos Drummond de Andrade *** “O medo é o pai da moralidade”. Nietzsche *** “O medo é o pai da crença”. Ditado popular *** “A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”. Josué de Castro *** “O medo é, dos sentimentos humanos, o mais dissolvente, porque nos leva a fazer muita coisa que não queremos fazer, e deixar de fazer muita coisa que querí- amos e necessitávamos fazer”. Mais uma de: Josué de Castro *** “Sempre o medo nasceu da culpa”. Ditado popular Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente Todas as matérias, reportagens, fo- para download na web tos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, poden- Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J do seus conteúdos não corresponde- rem à opinião deste projeto nem Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal deste Jornal. Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês A Saudade e o Ano ...Velho...Novo... Calendário Saudade...palavra que dizem que só existe na língua portuguesa. Cabe tanto sentimento ali dentro. Que bom que ela existe. As vezes dói, as vezes nos enche de alegria por tantas lembranças boas que nos traz. Sentimento que dá nó na garganta, ou explode dentro do peito. Faz a gente se perder olhando a linha do horizonte, viajando em palavras, sensações, emoções. Sentimos saudade de uma época boa, de cheiros, sabores, pessoas. Sentimos saudades de lugares. Sentimos saudades de momentos especiais, de coisas, de cores, de choros e risos....e assim vamos andando pela vida, colecionando lembranças...cada uma fazendo parte da nossa história. O ano está findando, será que deixaremos saudades? será que sentiremos saudades? Do que foi, do que podia ter sido , do que ficou na vontade, do que se realizou e foi tão bom, mas tão bom, que vai deixar muita saudade. Será que pessoas sentirão saudades de nós, de atitudes nossas, de impressões que causamos e marcaram a vida de alguém? Muitas perguntas, algumas respostas. Por causa de algumas saudades que tem um sabor mais amargo , vamos tentar não repetir os mesmos erros, outras saudades vão ser tão boas que vamos querer repetir aquilo que nos deixou lembranças boas. A saudade é algo tão marcante, que existe um dia para comemorá-la. No Brasil esse dia é 30 de janeiro. Saudade todo mundo já sentiu. Quando está relacionada a falta de alguém nem sempre é algo bom, saudade é cantada em verso e prosa, é romântica é cruel, meiga, desatinada, louca, suave, alegre e triste, nos inunda completamente....me pergunto se ela durará para sempre. Saudade de um amor, saudade de casa, de um país, de amigos, situações, de uma época, de um lugar muito especial, de um olhar, do cheiro de infância, do bolinho de chuva na casa da avó, das brincadeiras na escola, do primeiro beijo, primeiro namorado, infância, até do nosso jeito meio desengonçado na adolescência enquanto lutamos para descobrir quem somos, o que queremos. Saudade do tempo em que não tínhamos preocupações, a não ser a de brincar. Esse ano não deixará saudades para alguns, politicamente falando, foi um ano cruel. Para nós brasileiros, foi como se o peso do mundo estivesse todo em nossos ombros. 2016 não deixará saudades em muitos sentidos, e deixará em tantos outros... A palavra saudade pode até não existir em algumas línguas, mas o sentimento, esse existe em todas as línguas. Quem nunca sentiu uma saudade “sentida”? Quem viveu um grande amor, quem tem filho e pessoas queridas morando longe, quem tem pessoas que partiram para sempre, esses sabem o que é uma saudade “sentida”. A saudade é a ausência de algo ou de alguém, a melancolia causada por uma situação ou por uma ação que ficou distante no tempo. A vontade de reviver o que passou o que já não existe mais.Esse sentimento que nos invade às vezes pode ser tão grande que não cabe no peito. Transborda. Saudades de coisas que não voltam mais. Do que vamos sentir saudades no ano que passou? O que nos marcou tanto que nos fez ficar chorosos e melancólicos? O que vamos querer relembrar para sempre porque foi bom demais. O que vamos lembrar com tristeza e combinar que deixaremos nesse ano que está acabando? O que vamos projetar para o ano que chega e que deverá fazer parte da saudade boa, aquela que a gente sente um calor bom no peito ao lembrar, que nos coloca um sorriso nos lábios sem sequer percebermos que estamos nesse estado de graça. É dessa saudade que quero lembrar. Espero que muitos momentos e pessoas especiais surjam em 2017 e deixem uma saudade “feliz”, saudade sincera, saudade amorosa e suave, gostosa como um sorvete num dia quente de verão... Pensamentos que passam pelas nossas cabeças quando um ano está encerrando, quando um ciclo está findando e outro está para recomeçar. Rituais que faremos a meia noite do dia 31. Desejos que queremos realizar. Retrospectiva do que passou, do que ficou, do que não volta mais, do que vai deixar saudade e do que não queremos que se repita. Mudanças que prometeremos que vamos realizar, algumas com sucesso, outras vão cair no esquecimento. Enfim, se for pra sentir saudade que seja aquela que não faz doer o coração. Que seja uma saudade que nos faça rir, e querer de novo, de novo, e de novo, a pessoa ou a situação, ou seja lá o que for. Que o ano que se inicia nos traga coisas boas para que a saudade, se houver, seja de bons momentos e de pessoas maravilhosas que cruzaram o nosso caminho. Vamos nos espiritualizar mais, amar mais, sermos mais generosos, ter um olhar mais amoroso, praticar a resiliência, nos colocar no lugar do outro, viver sem medo de sentir a dor da saudade. Começar de novo se for preciso, coração aberto para que a felicidade possa chegar. As mudanças começam por nós. Se for para ter saudade que seja de coisas boas, e para que elas aconteçam, temos que mudar algumas atitudes. Tudo pode mudar sempre. Vamos vibrar na energia do Amor. Feliz Ano Novo... já sentindo saudades de todos vocês! Algumas datas comemorativas 01 - Ano Novo 07 - Dia do Leitor 07 - Dia da Liberdade de Cultos 09 - Dia do Fico 20 - Dia de São Sebastião 24 - Dia dos Aposentados 24 - Dia da Previdência Social 25 - Aniversário de São Paulo 27 - Dia Internacional Vítimas do Holocausto 30 - Dia da Saudade Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Culturas e Identidades Que Prioridades na Cooperação Lusófona? apartheid, a força da Espanha impedindo o português na Galiza, os juros acachapantes dos bancos, as multinacionais transgênicas, os políticos corruptos, os ditadores sem alma, as ditaduras de esquerda Esta pergunta é, simultaneamente, um convite e um projeto. Um con- etc, foram e são condenados injustamente, porque a lei não declara vite à cooperação inter-povos falantes de língua portuguesa; um pro- neles crime algum, antes, os apoia. Tudo o que a lei permite pode- jeto, porque fala em prioridades, mas, deixa o projeto em si mesmo mos fazer, o que não permite, não podemos. Mas, quem faz a lei? por construir, encargo de futuro que recai sobre todos os que aqui es- Esquecemos a advertência de o que há séculos fora dito por Cícero, tão presentes e outros que não puderam estar. em De Legibus: “Se supusermos que todo o direito é o que se expres- sa nas leis, estaremos atribuindo aos legisladores a faculdade de Uma proposta desafiadora, tendo-se em consideração que o modelo transformar o bem em mal, a verdade em mentira, a virtude em vício hoje vigente no mundo é o de um capitalismo transnacional que priori- e assim por diante”. À maneira de Agostinho da Silva, za tudo menos a amizade e a cooperação entre os povos; modelo que, de saída, impede a abertura e o acolhimento ao diferente e às diferenças. Por conseguinte, se queremos de fato pensar e construir projetos em comum, devemos estar verdadeiramente abertos ao diferente, ao outro, com os seus encantos e as suas tristezas. Assim, antes de responder como podem nossas organizações contribuir para cooperar com a lusofonia no Brasil, faço uma breve reflexão sobre o que pensamos que seja a coluna mestra institucional mundial que nos impede de acolher e aceitar a diferença e o diferente. [...] devemos esclarecer aquilo em que verdadeiramente acreditamos, porque é possível que estejamos somente a seguir, que nem carneirinhos, acanhadamente, os caminhos que nos foram abertos (pelos) partidos políticos, [...], ou pelas nossas próprias confusões. [...]. Ou talvez reconheçamos que a Verdade é somente para o silêncio. Devemos acreditar [...] numa ordem do Fulton Sheen, um dos poucos pensadores realmente profundos dos mundo escondida e cheia de significado. EUA, em obra intitulada Angústia e Paz, afirma que “[...] a desordem (SILVA, Agostinho da. Agostinho da Silva – Uma que reina na sociedade reinou primeiro no coração e na mente dos Antologia. Lisbos: Âncora, 2006, p.154). que a compoem”. Stuart Mill em Do Governo Representativo assinala: [...] o que os homens fazem depende do que eles pensam. O que queremos dizer com isso tudo? Nos perguntamos que priori- Duas visões distintas que apontam para uma mesma causa: o interior dades na cooperação lusófona? Com base no acima exposto, nossas da mente humana. A desordem existente no mundo, aqui citada por instituições do Brasil perguntam de volta: o critério para elencar as aqueles homens, não se refere a aspectos circunstanciais entre gru- prioridades para depois cooperar precisará, necessariamente, de leis pos que protestam ou se negam a obedecer as normas legais vigen- que nos autorizem ou precisaremos de vontades humanas? Porque, tes e são reprimidos pelos agentes que estão encarregados de as im- se a lei for o critério e elas não nos autorizarem, como cooperar? Apor. A desordem é fruto do pensamento, do sentimento e da ação firmamos que quando as leis não nos autorizem a praticar a compaihumanas. Ora, é isto, também, uma ponderação de Agostinho da Sil- xão, a amizade, a solidariedade, o compartilhamento, a ética, o bem, va para quem “A vida tornou-se laica e tornou-se feroz, implacável e, o bom e o belo, elas devem ser burladas ou desconsideradas. Utopia o que é pior ainda, sem sentido nenhum que eleve a vida além da vi- ou jeitinho à brasileira? As duas, sim e, lembramos que desde o Parada.” (SILVA, Agostinho da. Agostinho da Silva – Uma Antologia. Lis- íso foram as minorias abraamicas que sonharam um mundo melhor e boa: Âncora, 2006, p.144). Daí a comprovação atual de que “[...] o mais feliz para tudo e para todos e ele veio, pois foi um ato de vontaprogresso técnico se fez à custa do fundo moral da humanidade, de e não de lei. A isto completamos com o pensar de Agostinho: [...].” (Id., Ibdem). De tudo isso resulta que a qualidade do mundo e das formas institucionais vigentes em uma dada época depende diretamente da qualidade dos homens que exercem o poder ou são por ele exercidos e, menos das suas configurações, portanto, podemos ter democracias autoritárias e ditaduras democráticas. Impossível?! Absolutamente, não! Todos felizes, ao que se crê, o que aparecia oferecido pela Natureza se consumia, [...]. Ninguém mandava, embora se ouvisse, como é de se aceitar, a experiência dos mais velhos, [...]. Mulheres e crianças não tinham estatuto algum de subordinação e ninguém aparecia a defender direitos de propriedade. [...] Com a sempre reno- vada abundância ninguém pensava em poupar e Já Leonardo Coimbra, no início do século passado, vaticinava que só bastante mais tarde apareciam os vasos de este seria o século do império da técnica produzindo o vazio das exis- barro ou os trançados cestos, antecessores lon- tências. Um tal vaticínio apontava, entre outros, para a engrenagem gínquos de nosso sistema bancário, agora, co- criada desde a tão decantada revolução francesa. Qual o cerne dessa mo se sabe, ameaçado de falência internacio- engrenagem? Ao observarmos atentamente o art. 6º da Declaração nal: as portas do futuro se abrem às vezes em Universal dos Direitos do Homem e dos Cidadãos, de 1789, notamos alvoradas de catástrofes. (Idem., p.154). o estabelecimento de que “[...] a lei é a expressão da vontade geral, manifestada diretamente, ou por meio de representantes”; e, mais adiante, que “[...] ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, a não ser em virtude de lei.”. Tudo isso passando a constituir a espinha dorsal do que a "engrenagem" nos impinge como de- Portanto, por prioridades, entendemos que sejam todas decidirmos que são prioritárias e não necessariamente estão já aprovadas pelas leis dos nossos países. aquelas aquelas que que mocracia. (1)Texto adaptado da palestra Edificação do Princípio Esquecido: a Fraternidade no II Congresso da Cidadania Lusófona, Lisboa, 2014. Por detrás de princípios aparentemente tão nobres (a lei e a liberda- de), o que a “engrenagem” fez foi desvincular o processo civilizatório de suas bases culturais simbólicas em favor do mercado financeiro: o Autores: Loryel Rocha, Lúcia Helena Alves de Sá deus moderno cujos direitos estão acima dos povos e dos países. Desde este artigo 60, ficou tudo entregue aos que conseguissem formar ou manipular as maiorias legislativas. Têm sido bons os resultados? O mundo vai bem? As maiorias são fontes necessárias de verdade? Se são, Hitler, a invasão do Iraque, as Guerra dos Balcãs, o LORYEL ROCHA Apresenta todos os sábados 20 horas o programa “Culturas e Identidades, na CULTURAonline BRASIL. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania de do outro e da pressa de entender e reagir sabe enxergar a realidade que é de múltiplas ao que lhe apresenta como complexo. possibilidades como realidade de apenas du- Eu tenho observado nas redes sociais forte comportamento maniqueísta em diversos assuntos. Um dos exemplos, no mundo do entretenimento. Fãs da editora norteamericana de histórias em quadrinhos de super-heróis DC hostilizando a editora norteamericana de histórias em quadrinhos de super-heróis Marvel e fãs da Marvel hostilizando a DC também. E não há nenhuma lei ou regra que impeça as pessoas de gostarem das duas editoras ao mesmo tempo ou que obrigue alguém a gostar disso. As duas editoras, embora rivais, se tratam de forma cordial. Na política, eu tenho visto pessoas de ideologia direitista hostilizando partidos e políticos esquerdistas e pessoas de ideologia as possibilidades. Pessoas assim não enxergam meio-termo, não consideram uma terceira opção para tentar encontrar uma solução, porque só sabem reduzir qualquer questão, seja política, religião, futebol ou outra, em dois lados opostos e confrontá-los, criando assim uma falsa dicotomia ou falso dilema. Se uma pessoa acredita em alguma religião ou crença espiritual, ou alguma ideologia política, ou não acredita, essa pessoa não é “burra” e nem ignorante por causa disso, ela certamente tem as razões dela para crer como crê. As pessoas têm origens diferentes, histórias de vida diferentes, experiências de vida diferentes. O natural é que as pessoas tenham opiniões diferentes e divergentes. esquerdista hostilizando partidos e políticos Eu acho, isto é, não tenho certeza, mas direitistas. Tenho visto a política ser tratada acredito que a causa de tanta gente ter men- O Maniqueísmo na Sociedade como se fosse futebol e o futebol ser tratado talidade maniqueísta ou binária é o tipo de como se fosse religião. Eu tenho visto supos- educação (familiar, escolar, mídia...) que tem O Maniqueísmo, ou Pensamento Biná- tos ateus tão, mas tão intolerantes às religi- recebido. E, sendo assim, eu acredito que o rio, é uma forma de pensar simplista em que ões e crenças que parecem fanáticos funda- conjunto que compõe a forma de educar os o mundo é visto como que dividido em dois: o mentalistas. E também, religiosos e supostos indivíduos deve ser mudada, as pessoas pre- do Bem e o do Mal. A simplificação é uma cristãos igualmente muito intolerantes, o que cisam ser estimuladas a terem as suas men- forma primária do pensamento que reduz os já é clássico. Pessoas que não sabem diver- tes mais abertas às diversas possibilidades, fenômenos humanos a uma relação de causa gir de opinião sem se sentir donos da verda- a serem mais compreensivas, mais toleran- e efeito, certo e errado, isso ou aquilo, é ou de e sem levar para o lado pessoal. tes e mais pacientes com as outras pessoas. não é. A simplificação é entendida como forma deficiente de pensar, nasce da intolerância ou desconhecimento em relação a verda- Uma das piores consequências da mentalidade maniqueísta é a petrificação do pensamento, a pessoa maniqueísta ou binária só E o que o leitor ou a leitora acha? João Paulo E. Barros Cidadania PEC que limita gastos públicos por 20 anos Além disso, o novo relatório estabelece que a base de cálculo do piso da saúde em 2017 será de 15% da receita líquida, e não de 13,7%, como previsto inicialmente. Mesmo com o alívio no primeiro ano, é prevista uma perda acumulada de centenas de bilhões de reais ao longo dos 20 anos de vigência. “Essa decisão do Congresso é uma condenação de morte para milhares de brasileiros que terão a saúde impactada por essa medida irresponsável”, afirmou Temporão ex-ministro. . “Estamos falando de fechamento de leitos hospitalares, de encerra- mento de serviços de saúde, de demissões de profissionais, de redu- ção do acesso, de aumento da demora no atendimento.” Subfinanciado desde a sua criação, o Sistema Único de Saúde já tinha a sua sustentabilidade ameaçada pelas transformações que o País passa: um acelerado envelhecimento da população, acompa- Para o ex-ministro, o País renuncia ao seu futuro ao sacrificar a saúde e a educação no ajuste fiscal. nhado do aumento da prevalência de doenças crônicas, a demandar “Se existe um problema macroeconômico a ser enfrentado, do ponto tratamentos prolongados e dispendiosos. de vista dos gastos públicos, há outros caminhos. Mas este governo A PEC da morte, que congela os gastos públicos por nas agrava o problema, com a perspectiva de perda 20 anos, apereal de recur- não parece ma. “ disposto a enfrentar a questão da reforma tributária”, afir- sos, avalia o médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde Temos uma estrutura tributária regressiva no Brasil, que penaliza os do governo Lula. trabalhadores assalariados e a classe média, enquanto os ricos per- O congelamento dos recursos de saúde e educação começaria não manecem com os seus privilégios intocados”. em 2017, como previu a proposta original do governo, mas em 2018. Da redação com informações da CartaCapital Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Histórias que a vida conta (1909-2002) ABC do Nordeste Flagelado A – Ai, como é duro viver nos Estados do Nordeste quando o nosso Pai Celeste não manda a nuvem chover. É bem triste a gente ver findar o mês de janeiro depois findar fevereiro e março também passar, sem o inverno começar no Nordeste brasileiro. B – Berra o gado impaciente reclamando o verde pasto, desfigurado e arrasto, com o olhar de penitente; o fazendeiro, descrente, um jeito não pode dar, o sol ardente a queimar e o vento forte soprando, a gente fica pensando que o mundo vai se acabar. C – Caminhando pelo espaço, como os trapos de um lençol, pras bandas do pôr do sol, as nuvens vão em fracasso: aqui e ali um pedaço vagando… sempre vagando, quem estiver reparando faz logo a comparação de umas pastas de algodão que o vento vai carregando. D – De manhã, bem de manhã, vem da montanha um agouro de gargalhada e de choro da feia e triste cauã: um bando de ribançã pelo espaço a se perder, pra de fome não morrer, vai atrás de outro lugar, e ali só há de voltar, um dia, quando chover. E – Em tudo se vê mudança quem repara vê até que o camaleão que é verde da cor da esperança, com o flagelo que avança, muda logo de feição. O verde camaleão perde a sua cor bonita fica de forma esquisita que causa admiração. F – Foge o prazer da floresta o bonito sabiá, quando flagelo não há cantando se manifesta. Durante o inverno faz festa gorjeando por esporte, mas não chovendo é sem sorte, fica sem graça e calado o cantor mais afamado dos passarinhos do norte. G – Geme de dor, se aquebranta e dali desaparece, o sabiá só parece que com a seca se encanta. Se outro pássaro canta, o coitado não responde; ele vai não sei pra onde, pois quando o inverno não vem com o desgosto que tem o pobrezinho se esconde. H – Horroroso, feio e mau de lá de dentro das grotas, manda suas feias notas o tristonho bacurau. Canta o João corta-pau o seu poema funério, é muito triste o mistério de uma seca no sertão; a gente tem impressão que o mundo é um cemitério. I – Ilusão, prazer, amor, a gente sente fugir, tudo parece carpir tristeza, saudade e dor. Nas horas de mais calor, se escuta pra todo lado o toque desafinado da gaita da seriema acompanhando o cinema no Nordeste flagelado. J – Já falei sobre a desgraça dos animais do Nordeste; com a seca vem a peste e a vida fica sem graça. Quanto mais dia se passa mais a dor se multiplica; a mata que já foi rica, de tristeza geme e chora. Preciso dizer agora o povo como é que fica. L – Lamento desconsolado o coitado camponês porque tanto esforço fez, mas não lucrou seu roçado. Num banco velho, sentado, olhando o filho inocente e a mulher bem paciente, cozinha lá no fogão o derradeiro feijão que ele guardou pra semente. M – Minha boa companheira, diz ele, vamos embora, e depressa, sem demora vende a sua cartucheira. Vende a faca, a roçadeira, machado, foice e facão; vende a pobre habitação, galinha, cabra e suíno e viajam sem destino em cima de um caminhão. N – Naquele duro transporte sai aquela pobre gente, aguentando paciente o rigor da triste sorte. Levando a saudade forte de seu povo e seu lugar, sem um nem outro falar, vão pensando em sua vida, deixando a terra querida, para nunca mais voltar. O – Outro tem opinião de deixar mãe, deixar pai, porém para o Sul não vai, procura outra direção. Vai bater no Maranhão onde nunca falta inverno; outro com grande consterno deixa o casebre e a mobília e leva a sua família pra construção do governo. P – Porém lá na construção, o seu viver é grosseiro trabalhando o dia inteiro de picareta na mão. Pra sua manutenção chegando dia marcado em vez do seu ordenado dentro da repartição, recebe triste ração, farinha e feijão furado. Q – Quem quer ver o sofrimento, quando há seca no sertão, procura uma construção e entra no fornecimento. Pois, dentro dele o alimento que o pobre tem a comer, a barriga pode encher, porém falta a substância, e com esta circunstância, começa o povo a morrer. R – Raquítica, pálida e doente fica a pobre criatura e a boca da sepultura vai engolindo o inocente. Meu Jesus! Meu Pai Clemente, que da humanidade é dono, desça de seu alto trono, da sua corte celeste e venha ver seu Nordeste como ele está no abandono. S – Sofre o casado e o solteiro sofre o velho, sofre o moço, não tem janta, nem almoço, não tem roupa nem dinheiro. Também sofre o fazendeiro que de rico perde o nome, o desgosto lhe consome, vendo o urubu esfomeado, puxando a pele do gado que morreu de sede e fome. T – Tudo sofre e não resiste este fardo tão pesado, no Nordeste flagelado em tudo a tristeza existe. Mas a tristeza mais triste que faz tudo entristecer, é a mãe chorosa, a gemer, lágrimas dos olhos correndo, vendo seu filho dizendo: mamãe, eu quero morrer! U – Um é ver, outro é contar quem for reparar de perto aquele mundo deserto, dá vontade de chorar. Ali só fica a teimar o juazeiro copado, o resto é tudo pelado da chapada ao tabuleiro onde o famoso vaqueiro cantava tangendo o gado. V – Vivendo em grande maltrato, a abelha zumbindo voa, sem direção, sempre à toa, por causa do desacato. À procura de um regato, de um jardim ou de um pomar sem um momento parar, vagando constantemente, sem encontrar, a inocente, uma flor para pousar. X – Xexéu, pássaro que mora na grande árvore copada, vendo a floresta arrasada, bate as asas, vai embora. Somente o saguim demora, pulando a fazer careta; na mata tingida e preta, tudo é aflição e pranto; só por milagre de um santo, se encontra uma borboleta. Z – Zangado contra o sertão dardeja o sol inclemente, cada dia mais ardente tostando a face do chão. E, mostrando compaixão lá do infinito estrelado, pura, limpa, sem pecado de noite a lua derrama um banho de luz no drama do Nordeste flagelado. Posso dizer que cantei aquilo que observei; tenho certeza que dei aprovada relação. Tudo é tristeza e amargura, indigência e desventura. – Veja, leitor, quanto é dura a seca no meu sertão. Patativa do Assaré www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia Página 7 ENFIM SALVOS! As crianças corriam alegremente sob o sol irradiante daquela manhã... Tão pequenos, mas, sabiam reconhecer o encanto de um lindo dia, parecia até que não tinham dificuldades e brincavam em perfeita sintonia uns com os outros. Bem perto dali havia um imenso espaço que já fora uma floresta, um bosque ou até uma cidade e, como eram livres para viver o que o dia lhes oferecia, ficavam assim a correr e gritar o “tempo que o tempo” lhes permitisse desse pequeno e quase único prazer. Entardecia! O sol se despedia e a lua surgia vagarosamente, clareando o corre-corre incansável da trupe daquele cenário. Eis que surge no céu, algo misterioso: a princípio pareciam pássaros barulhentos e espantados, ou, seriam os aviões cortando os céus? Embora com a imaginação aguçada pela esperança de serem apenas estrelas, cometas despontando ou simplesmente fogos de artifícios, também estavam temerosos por um novo bombardeio. Parados e quase sem respirar, assustados, mas sabendo que não era o momento de gritar, deitaram-se no chão, agarradinhos observando e tentando descobrir o que seria aquele mistério que sobressaltava cada um deles. Atentamente perceberam que vários “seres” se aproximavam falando uma língua que não entendiam, mas, foram lentamente se levantando e sentiram que emanava deles algo confortável e bom que há tempos não sentiam. A língua era difícil de decifrar, mas a afetividade que receberam foi indescritível e só então, pularam, gritaram em grande alvoroço dizendo: - Viva! - Estamos salvos, não são humanos. E os pássaros revoaram alegremente e os anjos os levaram. Eram os meninos da Síria brincando por um momento de suas vidas. Genha Auga jornalista MTB: 15.320 A vida é feita de retalhos mágicos, Em cada história, há laços, ou, almas resistindo à memória. Mas, sempre haverá nela, entre versos, a poesia. SOMOS POESIA Passos livres, me guiam numa tarde de céu azul, árvores ao redor balançam com o frescor. Penso que isto, chama-se paz... Sou como música ao longe, suave e sem pressa. Mas, também vulcão em erupção, o que me define como “ser”, é somente o que sinto e o que busco além de mim. Corpo acariciado pelo vento morno, leva pra longe meu cheiro de mulher, visto-me no abraço dessa liberdade, estendo a mão, para alcançar meus próprios sonhos. A fé semeia esperanças no feitiço do meu próprio lamento. E sei que as estrelas, um dia, se recolherão no firmamento. Pergunto! Que há de seguro entre o céu e a terra então... Apenas o milagre de viver no meio de tantos desastres? Foi “Ele” ter me permitido ser ponte e ter gerado vidas. Talvez tenha sido essa, a melhor poesia. Genha Auga PERDI PARA O TEMPO Oh! Tempo, tempo... Passaste-me para trás. Venceste-me. Embebida pelas lágrimas do meu peito, prostrada e já me despedindo, busco em mim o que me negaste; Coragem para brindar sonhos que não realizei, segurar sua mão antes de morrer. Meu coração está quase parando, logo me verá sob luz de velas, entre flores coloridas exalando um cheiro forte. Estarei em toda parte e em lugar nenhum. Seguirei vozes até ouvir a sua, e, enamorada, ainda, encontrarei vestígios de ti. E como a árvore velha na calçada, Sentirei apenas a vertigem da sombra e o último fio da madrugada. As luzes se apagarão, a porta se fechará, não poderei fazer mais nada. Mas sei que para meus braços, o mesmo tempo que perdi, um dia, o trará para mim. Faço-me quieta, me assossego. Sei que me vou, mas, não ficarei só. Nosso tempo, não termina aqui... Genha Auga SOBRE POESIA Genha Auga É preciso ter acesso aos sonhos que os poetas semeiam, pois aquele que não tem poesia em sua vida terá um coração duro... Escrever poesias é como arar a terra e jogar sementes e, se a árvore que nascer não der flores ou frutos, pelo menos uma boa sombra dará... www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Mídias - Cultura A formação de uma sociedade do Através de uma seleção de conteúdos a mídia mente negligenciados pelo Estado, locais em que medo através da influência da mídia tem o poder da construção da realidade, que é um a “elite” busca o distanciamento, diz Silveira poder simbólico. Esse poder simbólico procura (2013). E complementa ainda Silveira (2013, p. reproduzir uma ordem homogeneizada do tempo 300) que “O homem enfrenta grandes dificuldades e do pensamento, com um único objetivo, a domi- em conseguir ver o outro como um semelhante e nação de uns sobre os outros. Com isto, criam não como um concorrente a ser eliminado”. sujeitos incapazes de contestar o que se lhes é Toda essa realidade que se forma na “cultura do apresentado de forma a garantir a ordem, a torná- medo” acaba por contribuir para o reforço dos pre- los submissos e dominados. conceitos na esteira da ignorância e da inseguran- A mídia incute na sociedade uma política de higie- ça. Com isso, cria-se a “Sociedade do Medo” aqui nização e rotulação dos desiguais que devem ser abordada que, além de cruel e preconceituosa, banidos da convivência social. Diante da propaga- passa a ser ignorante e submissa a tudo que lhe é ção dessa política, cada vez mais os cidadãos são apresentado como verdade absoluta. colocados diante de questões criminais que pare- César Vinícius Kogut e Wânia Rezende Silva ex- Parte II - FINAL (continuação da edição anterior) cem nunca se resolver provocando uma sensação põe que o medo é fenômeno de paralisação do de intranquilidade e medo. Esse último, por sua senso normal da vida, altera relações de formas e vez, é agravado pela sensação de vulnerabilidade espaços, traz à tona uma imagem duvidosa, refle- Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer e de impossibilidade de defesa. te insegurança, tristeza e dá noção de fragilidade. A frequente exposição da crescente criminalidade Por isso, uma das missões fundamentais do Esta- A mídia notoriamente tem papel importante na através da mídia cria um sentimento de insegu- do deveria ser realizar ações para minimizar pro- conjuntura social atual, pois exerce influência em rança irreal, sem qualquer fundamento racional. blemas e reduzir o medo proporcionando à popu- todos os campos, seja na família, na política e na Na realidade, o principal objetivo da mídia é cha- lação uma melhor qualidade de vida, libertando os economia, incutindo na população uma forma de mar a atenção do público e obter lucro. Assim, a indivíduos desse sentimento para que vivam em agir e pensar importante para a manutenção da mídia passa a utilizar expedientes sensacionalis- segurança. ordem. tas com fatos negativos como crimes e catástro- Saber que este mundo é assustador não significa A mídia, quando tomou corpo de mercadoria, era fes, disseminando um sentimento de insegurança viver com medo. Nossa vida está longe de ser li- disponibilizada somente para as famílias mais a- no seio social, ocasionando o surgimento da cultu- vre do medo, assim como, livre de ser livre de pe- bastadas. Aos poucos esse público foi sendo am- ra do medo e formando uma “Sociedade do Me- rigos e ameaças, porém, não podemos permitir pliado e o acesso a esse tipo de informação che- do”. Ou seja, nem tudo que vimos nos telejornais que o que vimos na TV influencie nossa vida a gou também à população menos favorecida ocasi- são de extrema veracidade, grande parte desta ponto de pararmos de viver, a ponto de guardar- onando o que temos hoje, um público em massa informação tem uma intenção do porque ser trans- mos sonhos que gostaríamos de realizar ou de dos meios de informação através, principalmente, mitida e, essa intenção, estará sempre relaciona- nos impedir de promover uma mudança. Não de- da televisão. da a um fim lucrativo e dominador social. vemos nos preocupar com o que ainda não acon- Schecaira (apud BAYER, 2013) entende que a mídia é uma fábrica ideológica condicionadora, pois não hesitam em alterar a realidade dos fatos criando um processo permanente de indução criminalizante. Assim, os meios de comunicação De acordo com Silveira (2013), para dar sustentação ao ciclo que por diversas formas fomenta o consumo e acarreta o lucro, a mídia, seguindo os ditames da indústria cultural, interage com o público receptador das informações de uma forma mui- teceu, mas procurar sim evitar situações que possam nos colocar em risco e, até mesmo, nos proteger do perigo. Tudo, porém, sem permitir que o medo e a insegurança tome conta de nosso ser e do que somos. desvirtuam o senso comum através da dominação to particular, visto que consegue se adaptar per- Julga-se importante estabelecer os limites éticos e manipulação popular, através de informações feitamente às mais diversas classes, idades e ti- da atuação da mídia, de forma que, respeitem a que, nem sempre, são totalmente verdadeiras. pos de pessoas, buscando uma relação com o ordem legal, discipline as atividades e defina suas Com isso, propagando o medo do criminoso (identificado como pobre), os meios de comunicação aprofundam as desigualdades e exclusão dessa parcela da sociedade, aumentando as intolerâncias e os preconceitos. Utiliza-se do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, de forma que seja legitimo público médio. Há mais medo do que medo propriamente dito. A televisão tenta retratar os fatos de forma a tornar a informação o mais real possível aproximando os acontecimentos do cotidiano das pessoas e fazendo-as crer que aquela situação de risco poderá acontecer a qualquer momento dentro de suas responsabilidades em relação às pessoas atingidas pela informação que se divulga, sem, é claro, que se perca o direito de informar e de ser informado. É preciso que a mídia banalize menos e instrua mais, sem decidir por si o que as pessoas devem pensar e a forma como elas devem agir em relação ao que foi noticiado. as demandas de pedidos por segurança, tudo em próprias casas, nos seus grupos sociais. Assim, Por vivermos em uma sociedade complexa, onde virtude do espetáculo penal criado pela imprensa. os telejornais propagam informações sensaciona- o Estado já não mais é capaz de cumprir com seu Criam-se normas penais para a solução do problema, porém, o Direito Penal passa a ser apenas um confronto aos medos sociais, ao invés de atuar como instrumento garantidor dos bens juridicamente protegidos. Hoje, vivemos em constante situação de emergência e deixamos de perguntar pelo simples fato de estar provada a barbaridade dos outros. A partir daí, muros são construídos para separar a sociedade. Há muros que separam nações entre pobres e ricos, mas não há muros que separam os que têm medo dos que não têm (COUTO, 2011). A manipulação das notícias através dos meios de comunicação aumentam os medos e induzem ao pânico, reforçando uma falsidade à política criminal e promovendo a criminalização e repressão, ofertando ao sistema penal uma legitimação para uma intervenção cada vez mais repressiva, criando um verdadeiro Estado Penal. A mídia exerce influência sobre a representação do crime e também do delinquente em razão do constante destaque que se dá aos crimes violentos. Assim, a mídia vai colaborando o processo de listas através da exploração da dor alheia, do constrangimento de vítimas desoladas e da violação da privacidade de algumas pessoas. Para chamar a atenção do público, ainda lançam mão de outros recursos semelhantes, como a incitação de brigas entre vizinhos nos bairros populares e os crimes de violências sexuais cometidos por membros de uma mesma família. Desta forma, mesmo que estejamos mais seguros do que em toda história da humanidade, mesmo assim, as pessoas continuam a se sentir ameaçadas, inseguras e apaixonadas por tudo aquilo que se refira à segurança e à proteção. Isso se dá através do que Silveira (2013) chama de “cultura do medo”, ou seja, o que tem levado as pessoas a intensificarem suas próprias medidas visando uma suposta diminuição de vulnerabilidade, como a construção de muros e barreiras, assim como a se isolarem dentro de suas próprias casas, evitando sair a eventos e espaços públicos por medo da violência, o que configura uma mudança radical de comportamento, algo que beira a paranoia. Esta forma de isolamento dos conflitos ocasiona uma espécie de divisão social, onde as pessoas papel de proporcionar segurança à população, facilita ainda mais a instalação do medo inconsciente das pessoas. Assim, resta à sociedade acreditar naquilo que é transmitido pela mídia e esperar por um futuro melhor, com menos violência e crimes hediondos. Até lá, a vida segue com uma completa divisão social, na medida em que a elite escolhe seus inimigos nas camadas mais pobres da população e continuam condenando aqueles que menos recursos têm: os já predestinados ao fracasso no sistema. Como expõe Loïc Wacquant: “tranque-os e jogue fora a chave’ torna-se o leitmotiv dos políticos de última moda, dos criminólogos da corte e das mídias prontas a explorar o medo do crime violento (e a maldição do criminoso) a fim de alargar seus mercados”. Afinal, é esta política que ultimamente tem ganho voto e feito os políticos se elegerem. Agora, quando os seus direitos e suas garantias fundamentais forem tiradas, só lhe restará sentar no meio fio e chorar, afinal, você pode ter legitimado tudo isso. Cuidado, muito cuidado. construção de “imagem do inimigo” – no Brasil quase sempre como dos setores de baixa renda – mas também auxilia na tarefa de eliminá-los, desconsiderando da ética e justificando a opressão punitiva. economicamente privilegiadas passam a ocupar bairros considerados “nobres” e condomínios vigiados continuamente, restando para a camada mais pobre da população, territórios completa- Diego Bayer é Advogado criminalista, Doutorando em Direito Penal, Professor de Penal e Processo Penal da Católica de Santa Catarina e autor de obras jurídicas. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana E agora José? Debatendo a educação Página 9 A REFORMA DO ENSINO MÉDIO: 1400 horas encerram o calendário escolar entre os dias 21 e 23 de Dezembro. Pergunta: quantos alunos você já viu frequentando a escola após o dia 01 de Dezembro? E após o dia 10 de Dezembro e no dia 20 de A reforma do Ensino Médio Dezembro? trouxe a ampliação da jornada anual passando de 800 horas para 1400 horas. A princípio parece ser uma boa iniciativa. Mas, vamos detalhar melhor este assunto. Infelizmente, o jeitinho brasileiro fez com que parte do calendário escolar fosse contemplado do ponto de vista administrativo, mas não efetivo. Considera-se dia de trabalho educacional ou dia letivo, o efetivo cumprimento das propostas pedagógicas-educacionais juntamente com professores e alunos. Obviamente que ninguém aqui está falando em aula do tipo giz, lousa, livro e caderno. O dia letivo pode ser consi- A Medida Provisória 746/- derado também eventos educacionais, saídas de campo, atividades 2016, que trouxe a reforma ao ar livre, enfim, tudo aquilo que envolve o processo de ensino e a- do Ensino Médio tem sido prendizagem e que esteja de acordo com as diretrizes curriculares e amplamente discutida nesta com o planejamento da escola. coluna. Este é o quarto artigo sobre o tema. O primeiro artigo tratou da falta de infraestrutura nas escolas brasileiras. O segundo discutiu sobre o “Notório Saber”. O terceiro tratou da falta de diálogo do MEC Talvez este item fosse necessário rever, já que uma falácia e só serve no papel. os 200 dias letivos é com a sociedade. Este aqui vai discutir a questão da jornada escolar Outro ponto importante para discutir aqui é sobre a ampliação da car- anual. ga horária. Há um ditado popular que diz “quantidade não é qualida- A Medida Provisória 746/2016 alterou 9.394/1996 trazendo a seguinte redação: alguns artigos da Lei n. de”, e com razão. Pensando no processo escolar, o que vale mais: 2 horas lendo com atenção um livro ou 4 horas em sala de aula ouvindo música em fone de ouvido e fazendo cópias? 2 horas em uma roda de “Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será or- discussão sobre um tema específico, com atividades diversificadas, ganizada de acordo com as seguintes regras comuns: I - a carga horá- produção textual e pesquisa ou 4 horas copiando texto da lousa e res- ria mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo pondendo questões objetivas? de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver (...) Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: II carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional (...) Parágrafo único. A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser progressivamente ampliada, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, observadas as normas do respectivo sistema de ensino e de acordo com as diretrizes, os objetivos, as metas e as estratégias de implementação estabelecidos no Plano Nacional de Educação”. Precisamos também discutir a qualidade do tempo que se passa nas escolas. De nada adianta aumentar de 4 horas diárias para 8 horas sem mexer na organização da sala de aula. Também de nada adianta colocar o aluno 8 horas por dia em uma sala de aula assistindo aula (mesmo que seja com qualidade). É preciso pensar em uma escola com jornada ampliada sem a estrutura tradicional das aulas de 50 minutos. É preciso maximizar o tempo útil de estudos coletivos e solitários. Leituras solitárias de livros, pesquisas em diferentes materiais, produção de oficinas direcionadas e outras atividades que, não só ocupem o tempo do aluno, como também contribua efetivamente para o seu processo de desenvolvimento cognitivo e físico. Ao analisarmos o Plano Nacional de Educação, verificamos na meta 6 (Educação Integral) a intenção de ampliar as escolas de Educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, atendendo, pelo menos 25% dos alunos da Educação Básica até 2024. Dados de 2014 do MEC/Inep apontam que 42% das escolas públicas da Educação Básica oferecem matrículas em tempo integral. Neste sentido, a MP 746/16 não prevê nenhuma forma de reorganização estrutural das escolas. As aulas continuarão sendo de 50 minutos, estanques e com conteúdos previamente definidos de acordo com a Base Nacional Comum Curricular. A propósito, não se engane aqueles que acreditam que a base será responsável só por 60% dos currículos e que os 40% restantes ficarão “livres” para a escola. Essa balela já Muita gente erroneamente relaciona tempo de estudos com qualidade existe e, na prática, o currículo mínimo se transforma no máximo, mas na educação. O que é uma relação não verdadeira. É preciso pensar o isso já é outra discussão. que se faz na escola durante este tempo. Por fim, para que não reste dúvida, entendo piamente que essa ques- Quando consideramos a média geral de tempo de estudos no Brasil, tão dos 200 dias letivos seja um engodo. Algo que, como já afirmado observamos o irrisório tempo de 4 horas diárias na escola. Porém, é acima, só funciona no papel. Quando às 1400 horas, vejo com bons preciso lembrar que o Brasil possui 26 Estados (mais o Distrito Fede- olhos. Vejo com bons olhos desde que a escola tenha liberdade para ral) e uma rede de 5570 municípios. Cada caso é um caso e cada rea- reformular sua estrutura de aulas fragmentadas de 50 minutos, com lidade é uma realidade. De qualquer forma, o mínimo proposto são as uma grande rotatividade diária de professores que se desesperam em 800 horas anuais distribuídas pelos 200 dias letivos. cumprir o “currículo mínimo”. Antes da LDBEN 9.394/1996 entrar em vigor, as escolas no Brasil tinham 180 dias letivos. Acrescentar 20 dias letivos, a princípio, foi algo muito positivo. Porém, gostaria de levantar a seguinte questão: será que os 200 dias letivos realmente são cumpridos? Considere que os calendários escolares iniciam-se na primeira semana de Fevereiro e terminam após o dia 20 de Dezembro. Geralmente Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com www.icguedes.pro.br Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Política De novo o fascismo: Um ano após to em que a sociedade foi substituída pelo brasileirinhos”, “em nome do meu filho, de ‘Como conversar com um fascista’ mercado, o mais engraçado é que aqueles Deus”, como vimos na escandalosa votação que foram rebaixados a consumidores pelo do impeachment de Dilma Rousseff em 17 de Se há um ano muitos não entenderam a ironia em Como conversar com um fascista (2015), agora o objetivo é ser direito: ou se desvela e desconstrói o fascismo, ou não haverá mais espaço à construção de um mundo respirável. Há quem negue a existência de neofascis- sistema, deixando de lado o valor da cidadania que caracteriza o ser humano enquanto ser social, entregam-se ao consumismo esperando que a felicidade venha dele e só conseguem se tornar cada vez mais infelizes. Agindo assim, constroem um mundo do qual eles mesmos não gostam de viver. abril desse ano. Ali, cada um podia eleger o seu corrupto preferido. Fato é que a fala do fascista é direcionada à audiência, mas ao que há de autoritário nela. Estimula-se, por meio das palavras, o que pode haver de arcaico e o violento em cada um. Daí também a glorificação da ação e a demo- mos. Para esses, o fascismo se resume ao É o fascismo que permite manifestações po- nização da reflexão. O fascista age em nome fenômeno histórico italiano protagonizado por pulares antidemocráticas, com todas as con- da realização do desejo da audiência enquan- Mussolini. Outros sugerem, desconhecendo tradições daí inerentes, e outras posturas to, ao mesmo tempo, o manipula. O discurso não só a carga simbólica do significante como contrárias aos interesses concretos desses fascista é, sobretudo, um discurso publicitário também as pesquisas sobre a personalidade próprios portadores da personalidade fascista. que visa um receptor despreparado e embru- autoritária (que chegou, por exemplo, à cha- Em outras palavras, há um aspecto psicológi- tecido. É assim, longe do pensamento capaz mada “Escala F”, pensada para medir o “grau co, uma certa manipulação de mecanismos de duvidar e perguntar, que o fascista- de fascismo” de uma sociedade) que ao a- inconscientes, que faz com que a propaganda receptor passa a desejar aquilo que a propa- pontar posturas fascistas de uma pessoa ou fascista não seja identificada nem como anti- ganda fascista o faz desejar, passa a acredi- de um grupo, aquele que identifica os caracte- democrática nem que seus objetivos latentes tar naquilo que a propaganda fascista afirma res da personalidade fascista torna-se fascis- sejam percebidos. ser verdade. ta. Interessante imaginar Adorno, Lowenthal, Gutterman, Fromm, dentre outros, serem chamados de “fascistas” por Mussolini, Hitler, Rocco e Himmler. Além disso, não se pode esquecer aqueles que identificam toda manifestação autoritária como um ato fascista, nem os que acreditam estar imunes ao fascismo. Em resumo: muitos não compreendem o que é o fascismo, ou fazem questão de ignorar algumas facetas do fenômeno. E, por essa razão, muitas vezes desconsideram ou relativizam os riscos dos neofascismos cada vez mais naturalizados entre nós. O fascismo, hoje, adquiriu status de elemento de integração social e se baseia não só na solidariedade afetiva daqueles que negam o outro, baseados em preconceitos, e negam também o conhecimento, num gesto de ódio anti-intelectualista, como também na integração das estruturas mentais. Grupos inteiros partilham estruturas cognitivas e avaliativas que fornecem uma estranha sustentação para o comportamento e a ação. Uma visão de mundo baseada em características tais como a crença no uso da força em detrimento do conhecimento e do diálogo, o ódio à inteligência e à diversidade cultural, a preocupação Note-se que a retórica fascista é vazia, não apresenta ideias ou argumentos, mostra-se alheia a qualquer limite ou reflexão. Ao contrário, os ideólogos fascistas (parlamentares, juízes, jornalistas) se caracterizam por falarem por clichês. Poucos percebem suas contradições. Se lembrarmos de frases tais como “pelo direito de não ter direitos” que já apareceram em cartazes em manifestações teremos um exemplo de contradição explícita totalmente fascista enquanto suprassumo da barbárie autorizada. Mas nem sempre o fascismo se faz de frases feitas. Às vezes ele é melhor disfarçado. No Brasil, por exemplo, a “luta contra a corrupção” que em um primeiro momento parece luta pela honestidade, tornou-se cortina de fumaça que leva a uma corrupção mais grave, a do sistema de direitos e garantias. Nessa linha é que, em nome dos “interesses do Brasil”, destroem-se os setores produtivos brasileiros e entregam-se nossos recursos aos conglomerados internacionais. Não é incomum que fascistas usem a “moralidade” como tapume para seus verdadeiros interesses, daí que muitos defendam até mesmo as mulheres e tenham até tentado engajar-se na crítica à cultura do estupro co- Pense-se, por exemplo, na facilidade com que um juiz conseguiria violar as normas constitucionais se manipulasse a opinião pública (e, para tanto, contasse com o apoio de conglomerados econômicos que exploram os meios de comunicação de massa), com a certeza de que os tribunais superiores, na busca de legitimidade popular, não ousassem julgar em sentido contrário à opinião pública, nesse caso, um auditório manipulado. Como percebeu Adorno, a ação fascista tem natureza intrinsecamente não teórica, desconhece limites, não dá espaço à reflexão, isso porque deve evitar qualquer formulação, em especial porque o fascista nunca pode ter consciência de que seus objetivos declarados nunca serão alcançados e que a propaganda fascista necessariamente faz dele um tolo. Seria insuportável perceber isso. Pense-se nos trabalhadores que “bateram panela”, e se negaram ao diálogo com um governo democraticamente eleito, e que agora, sem fazer barulho, assistem ao desmonte do sistema de direitos individuais, coletivos e difusos. Um fascista cala no lugar em que a personalidade democrática naturalmente se expressaria. com a sexualidade alheia, e muitas outras, mo se eles não a fomentassem. Distanciados Não por acaso, tanto a propaganda fascista autoriza à barbárie na micrologia do cotidiano. da técnica, afirmando barbaridades tais como quanto o discurso do fascista vulgar, é repleto Busca-se com práticas fascistas impor estru- “convicções” no lugar de provas (lembremos de chavões e pensamentos prontos. Tudo de- turas cognitivas e avaliativas idênticas para se dos que ficaram famosos por meio desses ab- ve ser permitido “no combate à corrupção” ou fundar um consenso sobre o sentido do mun- surdos), ou deixando claro que as formas pro- “na defesa da moral e dos bons costumes”. do. A tarefa é facilitada na medida em que o cessuais, que historicamente serviram à redu- Quem não se adequa à ordem fascista “vai “consenso fascista” é funcional aos objetivos ção do arbítrio e da opressão estatal, devem para Cuba”. O Brasil “não tem jeito” e “na é- das grandes corporações econômicas. O agora ser afastadas para permitir mais conde- poca dos militares é que era bom”. mundo fascista é o mundo sobre o qual as pessoas com seus microfascismos se põem de acordo sem sabê-lo. Chavões são repetidos como verdades que garantem o lucro emocional do sujeito dos preconceitos: “bandido bom é bandido morto”, “diretos humanos para humanos direitos”, “homossexualidade é sem-vergonhice”, “mulher que não se comporta merece ser es- nações, os fascistas ganham espaço reduzindo a complexidade dos fenômenos. Assim propõem raciocínios absurdos como se fossem os melhores: “Vamos deixar de investir em pesquisa para comprar armamentos”, num evidente combate ao conhecimento, que deve parecer desnecessário ou não urgente, quando na verdade, acoberta-se seu momento perigoso e o ódio que tem dele. Bom lembrar Enfim, se há um ano muitos não entenderam a ironia no livro Como conversar com um fascista (2015) e não prestaram atenção na necessidade de não se deixar transformar em um, agora o objetivo é ser direito: ou se desvela e desconstrói o fascismo, ou não haverá mais espaço à construção de um mundo respirável. tuprada”, “porrada é o melhor método de educação”, “escola sem partido”, etc. A uniformidade do pensamento que caracteriza o fascis- que o ódio é um afeto compensatório. Odeiase aquilo que não se pode ter ou aquilo que afeta, que faz sentir mal, aquilo que humilha, Marcia mestre Autora: Marcia Tiburi Tiburi é graduada em filosofia e artes e e doutora em filosofia. Publicou diversos mo tem sua realização na linguagem estereo- mas para o fascista de um modo projetivo. livros de filosofia. É professora do programa de tipada, mas também na ação estereotipada Por fim, não podemos deixar de nos lembrar, pós-graduação em Educação, Arte e História da que é o consumismo. Consumismo das ideias os fascistas se especializam em discursos Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da prontas e consumismo das coisas. No contex- pseudoemocionais: “Faço isso em nome dos revista Cult. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Música e Músicos Personagens inesquecíveis da Música - I Legado musical Beethoven Desnecessário dizer aqui que este espaço é minúsculo para descrever o que era a musica antes e depois de Beethoven, mas selecionei Foram muitos eventos e alguns fatos para que vcs possam se divertir ouvindo e procurando circunstâncias que me nesse mestre a inspiração que já “contaminou" muitos artistas e penlevaram a abraçar essa sadores até hoje. profissão de músico e em especial a música de Há três conjuntos de suas obras que merecem ser apreciados. Suas concerto. nove sinfonias, seus dezessete quartetos de cordas, e suas trinta e Uma delas foi a desco- duas sonatas para piano. berta na vasta biblioteca Essa sequencia de obras praticamente fundou o Romantismo na mú- de meu pai alguns livros especiais. Milton era químico de profissão, sica. porém uma das pessoas mais cultas que tive oportunidade de conhe- O incrível de Beethoven é que ele trouxe uma visão nova e revolucio- cer. Era um curioso nato, e, em sua biblioteca havia de tudo, literatura nária para a música sem negar o passado! Ele jamais renegou a his- em geral, brasileira e estrangeira, enciclopédias diversas, livros espe- tória da música que veio antes dele, Haydn e Mozart foram seus mes- cializados ilustrados, quase 2000 volumes. tres. Ele não negou sua influência e trouxe um mundo novo! Simples- Eu passava horas fuçando, e, num tempo onde a tv ficava na sala e mente a ampliou a obra dos mestres em uma revolução sem prece- não havia internet era um paraíso para a imaginação de uma criança. dentes. Já tinha eu meus 7 anos, e com alguma iniciação musical iniciada por minha mãe, cantora, descobri aquele tesouro que iria selar minha es- Curiosidades sobre sua vida e obra. colha de carreira para toda a vida. Achei encadernadas caprichosamente as partituras das 9 sinfonias de Conta-se que após a apresentação de sua nona sinfonia Beethoven Beethoven. não ouviu os aplausos entusiásticos da plateia e um músico teve que Corri para meu pai que me disse que ele tinha em disco quase todas virá-lo para que ele visse a reação da plateia estarrecida e ciente de as sinfonias e que seria muito legal se eu tentasse ouví-las e seguir que estava sendo testemunha da estreia da obra que mudaria a músi- aquelas notinhas naquele livrinho mágico. Com uma persistência que ca do séc XIX. só uma criança tem eu tentei, tentei, tentei até que decifrei parte da- queles “hieróglifos” ouvindo aquela música fantástica. Sua terceira sinfonia, foi escrita em homenagem aos ideais revolucio- Na época eu não tinha ideia do que tinha às mãos. Hoje, aos 55 ani- nários e chegou a ser dedicada a Napoleão Bonaparte. Beethoven nhos, eu vi que esse talvez tenha sido o presente mais lindo que eu chegou a chamar essa sinfonia de Heroica, porém quando Napoleão poderia ter recebido de meu pai. se declarou Imperador, ele se revoltou e riscou de maneira violenta a dedicatória no manuscrito. Beethoven foi uma figura ímpar na história da humanidade. Até hoje não se sabe quem é a Amada Imortal, destinatária de uma Teve uma vida atribulada e cheia de eventos sempre dramáticos, se- carta apaixonada que foi descoberta entre os pertences do mestre. jam eles bons ou ruins. Nada, com ele, era simples e comum. Nasceu de uma família simples. Seu pai era músico mas alcoólatra. Sua mãe Links parece ter sido uma pessoa incrível e a quem ele ficou extremamente Nona Sinfonia ligado até a morte dela. Seu interesse pela música veio desde cedo e https://youtu.be/YgIrf_zTJco?list=PL6D79DDC6E82A235A (trecho) seu pai foi seu primeiro professor, mas o alcoolismo e a própria limita- https://youtu.be/thEJQF8a2-M (completa) ção musical deste fizeram Beethoven sair para a vida cedo. Quinta Sinfonia Ludwig, seu primeiro nome, viveu entre 1770 e 1826, em uma época https://youtu.be/1lHOYvIhLxo politicamente efervescente, a Revolução Francesa e seus ideais fo- Sonata para piano nº 14 (Ao Luar) ram alvo de fascínio e inspiração para ele. https://youtu.be/q5OaSju0qNc Nessa época os músicos eram financiados pela aristocracia, que os Sonata para piano nº 23 (Apassionata) tinham entre os empregados da corte. Os grandes músicos tinham https://youtu.be/0Ak_7tTxZrk algumas regalias e encontraram alguns nobres que fascinados pelo talento destes chegaram a tratá-los diferenciadamente mas sempre Um depoimento de Claudio Abbado sobre Beethoven (infelizmente colocando-os “no lugar deles”. não encontrei as legendas em português, ele fala italiano e as legen- Beethoven não começou diferente, seu talento foi prontamente reco- das estão em inglês, mas vale a pena tentar (https://youtu.be/ nhecido e desde cedo recebeu apoio da nobreza. Porém, seu tempe- kqLP2EcPGzg) ramento e suas ideias políticas não o faziam se sentir à vontade nesse meio. Ainda assim ele conseguiu em vida inúmeros admiradores. Beethoven e sua obra são um mundo enorme que vale a pena ser Em 1809, o Arcebispo Rudolph, o Príncipe Lobkowitz, e o príncipe explorado. Há muito material na Internet sobre ele. Divirtam-se! Ele Kinsky garantiram a ele uma pensão sem que ele precisasse estar na pode mudar sua maneira de ouvir música! corte, o que fez dele talvez o primeiro artista independente na história da música. Com essa pensão Beethoven conseguiu escrever o que Saudações musicais ele quis sem precisar se curvar aos desejos dos nobres. Anos antes, em 1801, Beethoven ainda com 30 anos, ele confessa a Autor: Maestro Luís Gustavo Petri seus amigos que começara a perder a audição. Ao contrário de muitos outros exemplos na história da humanidade, essa doença, que para um músico poderia ser o fim, o deprimiu por muito pouco tempo. Ele não só superou esse problema como sua grande obra foi escrita após o aparecimento da enfermidade que foi piorando até que ficasse completamente surdo, por volta de seus 45 anos. Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 Algumas Datas comemorativas 07 - Dia do Leitor Esta data é destinada a homenagear os profissionais que se dedicaram a vida inteira ao trabalho e agora usufruem dos benefícios da previdência social, recebendo do governo uma gratificação por todos O Dia Nacional das Histórias em Quadrinho é comemorado anual- os anos de serviços prestados ao país. mente em 30 de janeiro, no Brasil. De acordo com a legislação brasileira, existem cinco categorias espe- Também conhecidas como HQ's, as histórias em quadrinho são um cíficas de aposentadoria: a compulsória, a especial, por idade, por modelo de leitura que mistura elementos textuais e visuais, criando a invalidez ou por tempo de contribuição. sensação de sequenciamento das cenas. Mensagem para o Dia dos Aposentados Esta data visa homenagear este gênero literário, um grande respon- Após anos de dedicação e muito trabalho, o dia de hoje é mais do sável por apresentar e incentivar as crianças ao mundo da literatura. que necessário! Parabéns por todo o esforço e obrigado por ter aju- No Brasil, as histórias em quadrinho surgiram em meados do século dado no desenvolvimento do nosso país! XIX, mas apenas se popularizou com o lançamento de clássicos co- Com muito estudo e empenho cumpriste teu objetivo para com a soci- mo “A Turma da Mônica”, “O Menino Maluquinho”, “A Turma do Pere- edade, deste o teu melhor e ajudaste a resolver ou melhorar a vida de rê” e o “Tico-Tico”, que é considerada a primeira revista em quadrinho muitas pessoas ao logo dos anos de carreira… Agora, chegou o tão lançada no Brasil, em 11 de outubro de 1905. merecido descanso! Parabéns pelo seu dia! Origem do Dia Nacional das Histórias em Quadrinho Origem do Dia dos Aposentados A explicação para a escolha desta data está no fato de ter sido em 30 Esta data foi criada em homenagem a instituição da primeira lei braside janeiro de 1869 que foi publicada a primeira história de quadrinho leira destinada à previdência social, em 24 de janeiro de 1923, pelo brasileira: “As Aventuras deNhô-Quim ou Impressões de uma Viagem então presidente Artur Bernardes: a Lei Eloy Chaves. à Corte”, autoria do cartunista Angelo Agostini. O Decreto de Lei nº 6.926/81 determinou o dia 24 de janeiro como o A partir de 1984, ficou instituído, através da “Associação dos Quadri- Dia Nacional dos Aposentados no Brasil. nhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo”, que todo o dia 30 de janeiro se comemoraria o Dia do Quadrinho Nacional, em homena- 25 - Aniversário de São Paulo gem ao trabalho de Agostini. 09 - Dia do Fico O Aniversário de São Paulo é comemorado anualmente em 25 de janeiro. Esta data é um feriado municipal para a capital paulistana. O Dia do Fico é celebrado anualmente em 9 de janeiro. A importância O dia 25 de janeiro foi escolhido em homenagem à fundação do Colé- desta data para o Brasil está no fato de representar um dos mais im- gio dos Jesuítas, considerado o marco zero da maior capital brasilei- portantes passos rumo à independência do país. ra. A famosa frase do Dia do Fico foi proferida por D. Pedro I, em 9 de No dia 25 de janeiro de 1554, os padres Manuel da Nóbrega e José janeiro de 1822, significando a rebeldia do príncipe regente às ordens de Anchieta fundaram o colégio que seria o centro de educação e for- da Corte portuguesa para que regressasse à Portugal. mação dos indígenas para se adequarem ao modo de vida dos jesuí- tas. Ao dizer a frase "se é para o bem de todos e felicidade geral da Na- ção, estou pronto! Digam ao povo que fico", D. Pedro fortalece o mo- A cidade de São Paulo recebeu este nome em homenagem ao após- vimento separatista no Brasil, que até então era considerado uma ex- tolo Paulo, que de acordo com a tradição católica, teria se convertido tensão de Portugal. ao cristianismo no dia 25 de janeiro, ou seja, mesma data em que foi celebrada a missa de fundação do Colégio dos Jesuítas, considerado Frase do Dia do Fico o “marco zero” da cidade. "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! O grande boom econômico e demográfico da região de São Paulo, Digam ao povo que fico". que ajudou a configurar a grande metrópole vista atualmente, aconte- Estas foram as palavras proferidas por D. Pedro de Alcântara no dia 9 ceu graças ao ciclo do café, em meados do século XIX. de janeiro de 1822. Atividades para o Aniversário de São Paulo D. Pedro de Alcântara disse isso depois de ter sido convencido por 8 Todos os anos, a prefeitura da cidade de São Paulo promove várias mil assinaturas que pediam para que ele ficasse no Brasil. Essas as- atrações comemorativas para celebrar o aniversário da cidade, em sinaturas foram recolhidas pelos liberais radicais que, juntamente todas as regiões da metrópole. com o Partido Brasileiro, já vinham tentando manter a autoridade do Brasil. Shows ao vivo, exposições artísticas, circuitos culturais e outras ativi- dades são alguns dos exemplos de programas que os paulistanos e A Corte portuguesa queria reverter o estatuto do Brasil novamente turistas podem experimentar durante os dias festivos do aniversário para colônia e estava exigindo que D. Pedro voltasse imediatamente de São Paulo (normalmente entre os dias 23, 24 e 25 de janeiro). para Portugal. Algumas pessoas aproveitam esta data para fazer atividades de Importância do Dia do Fico conscientização sobre os problemas sociais, ambientais e de infraes- O Dia do Fico (9 de janeiro) é uma data importantíssima na história trutura que a capital paulista enfrenta. A escassez de água potável e do país, porque é o primeiro passo para a Independência do Brasil, a poluição do ar são alguns exemplos dessas crises. que só viria a acontecer no dia 7 de setembro desse mesmo ano, 1822. Com informações da página: Calendarr 24 - Dia dos Aposentados O Dia Nacional dos Aposentados é comemorado anualmente em 24 de janeiro. Janeiro, o mês dos reencontros, alguns bons e outros ruins. Reencontros sempre são bem-vindos para não nos esquecermos de quem somos e de quem fomos um dia. Jacqueline Chagas www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Educação "Avanços democráticos se fazem nada, defendendo a constituição e não agindo Procuradores ameaçam abandonar a defendendo a Constituição, não contra ela. Onde estava o ministério público Lava Jato agindo contra ela" Procurador da Lava Jato propagandeia a "República de Curitiba" para comandar o Brasil quando um deputado quadrilheiro, hoje preso por representar risco à ordem pública, logrou movimentar-se para destituir a presidenta democraticamente eleita? Onde estava o ministério público quando o Sr. Moro divulgou criminosamente interceptações feitas em chamadas da presidenta da república? Onde estava o ministério público quando ministro su- Procuradores ameaçam abandonar a Lava Jato – Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato ameaçaram hoje (30) deixar os trabalhos da operação se a proposta que prevê responsabilização de juízes e de membros do Ministério Público por crimes de abuso de autoridade entrar em vigor. (EBC). O que o ministério premo indisfarçavelmente partidário da então A pergunta que não quer calar: promotores, público federal en- oposição, impediu a entrada em exercício do juízes, desembargadores, ministros do STF tende de "avanço ministro-chefe da casa civil nomeado pela não podem ser responsabilizados por seus democrático"? presidenta da república, utilizando-se como erros? Chega a ser uma "prova" de desvio de finalidade de sua nome- Por acaso, acreditam ser uma espécie de pilhéria ler-se na ação interceptações flagrantemente ilegais? Deuses do Olimpo e, como tal, formarem uma Folha de São Pau- Onde estava o republicanismo do ministério casta humana incapaz de cometer crimes, co- lo, ontem, artigo público quando determinou com bumbo e fan- mo abuso de autoridade, ou até mesmo cor- subscrito pelo Se- farra a instauração de inquérito contra a presi- rupção, que tanto dizem combater? nhor Procurador- denta da republica por fato à toda evidência Procuradores ameaçam abandonar a Lava Geral da República a defender as famigera- fútil às vésperas de seu julgamento pelo Se- Jato das "10 Medidas", difundidas em estrondosa nado? Segundo a Constituição Cidadã de 1988, ne- campanha institucional pelo ministério público A atual administração do ministério público nhum cidadão está acima da Lei. Ao aprovar- federal. Foram as propostas qualificadas por federal não tem o direito de pronunciar a pala- se esse projeto dito popular, por ter consegui- S. Exª como "avanço democrático", pois seri- vra "democracia", porque se associou, com do 2 milhões de assinaturas, pode-se estabe- am "fruto de uma longa e bem-sucedida inici- ações e omissões, às forças do atraso, carre- lecer o Estado de Exceção. ativa que angariou amplo apoio popular, já que mais de 2 milhões de brasileiros o subscreveram”. gando em suas costas o peso de parte decisiva do golpe contra um governo legítimo para permitir se instaurar um regime autoritário de Os deputados aprovaram uma emenda prevendo que juízes, promotores e procuradores que procederem “de modo incompatível com Nunca é demais reafirmar que as chamadas rapina das conquistas sociais, de desprezo a dignidade e decoro de suas funções” podem "10 medidas" são objeto de intensa publicida- aos direitos fundamentais e de cupidez com a ser condenados a penas de seis meses a dois de feita com recursos públicos. Nada têm de pratica de desvio de poder para o atendimen- anos. iniciativa popular, mas, sim de iniciativa corporativa vendida como remédio necessário para o "combate à corrupção" e, em verdade, não passa de um grande engodo para que a to de interesses privados escusos. A inação desse ministério público que fala de democracia foi causa eficiente para sacrifica-la. E agora quer posar de força moral para "combater" Mesma punição pode ser aplicada a quem expressar na imprensa opinião sobre processos ainda em curso, entre outras condutas. sociedade venha a aceitar restrições a garan- a corrupção, como se fosse travar uma guerra Parte das propostas controversas do MPF foi tias fundamentais. em que as convenções de Genebra e da Haia retirada do pacote pelos deputados, como au- Assinaram-na 2 milhões de incautos ou desinformados, havendo, antes, a opinião pública, sido bombardeada com notícias e editoriais que vendiam a corrupção como o maior mal na têm aplicação: tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias, não é, Senhor Procurador-geral? Ninguém nega a importância de ações de torizar uso de prova ilícita e parte de uma série de restrições sugeridas ao uso do habeas corpus (recurso para solicitar liberdade de presos não condenados). do País. Uma autêntica campanha de argu- controle da corrupção. Mas não se pode ven- Ora, não dá para estabelecer uma casta no mentos ad terrorem. der a ideia que um direito penal que distinga funcionalismo público, logo, são sim, puníveis Por detrás de tudo está um projeto de poder corporativo, que torna os órgãos do complexo policial-judicial intangíveis pelos abusos que vêm cometendo em suas ruidosas investiga- entre pessoas de bem e pessoas mais propensas ao crime, ou seja, inimigos, possa validamente fazer esse serviço. Um direito penal dessa espécie é a confissão do fracasso do pelos seus atos, como qualquer cidadão comum. E há de se respeitar a presunção de inocência, assim como o dever de zelar pelo sigilo das investigações em curso. ções por forças-tarefa. Pretendem aproveitar próprio controle, é direito penal simbólico a O que assistimos na grande mídia conserva- provas ilícitas, querem o poder de amplo plea servir de escusa para a incompetência em for- dora é absurdo: reputações abaladas irreme- bargain a condenar cidadãos por acordos que mular e implementar políticas estruturantes diavelmente, ilações, tidas como convicções, dispensem a instrução criminal, sonham em contra a corrupção. Serve apenas para deso- mas desprovidas de provas, insinuações e até poderem armar situações de ofertas ilusórias pilar o fígado de uma sociedade cheia de ó- chantagem, como que querendo passar o tra- de peita para testar integridade de funcioná- dios e fobias, adredemente incutidas em seu tor sobre sua limitação, enquanto poder. rios, gostariam de tornar o habeas corpus seio para se tornar manipulável por esse tipo Não há perigo maior numa República, susten- mais burocrático, impedindo juízes de conce- de campanha que só tem por resultado a ala- tada no pilar dos 3 poderes que a compõe, dê-lo ex officio sem audiência prévia do minis- vancagem do poder corporativo. dar-se dois pesos e duas medidas a um, em tério público e por aí vai. Acorda, Brasil, pois "tem gente que está do detrimento a outro poder. O ministério público não tem se revelado uma mesmo lado que você, mas deveria estar do Além do mais, milhões de empregos escorre- instituição merecedora de tamanha confiança lado de lá! Tem gente que machuca os ou- ram pelo ralo da Lava Jato, assim como o que lhe permita agir sub-repticiamente contra tros, tem gente que não sabe amar! Tem gen- PIB, e sabidamente o foco da operação pare- a cidadania. Tem evoluído, isto sim, a um te enganando a gente: veja a nossa vida co- ce somente voltado a determinado agrupa- monstrengo indomável pelo estado democráti- mo está... Mas eu sei que um dia a gente a- mento político. co de direito, megalomaníaco, a querer sufocar todos outros formadores da vontade política da Nação. Quer-se ungido por indiscutível superioridade moral que, no fundo, não passa prende. Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança!" , para lembrar de rica lição de vida de Renato Russo. Assim, um Poder da República demoveu uma presidenta eleita democraticamente, e o equilíbrio que poderia fazer a grande diferença, o STF, se omitiu, ou ainda se omite de julgar o de arrogância e prepotência. Querer qualificar isso de "avanço democráti- Autor: Eugênio Aragão co" é o cúmulo da falta de auto-crítica. Avan- Ex-ministro da Justiça ços democráticos se fazem, antes de mais mérito da questão. Da redação www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grandes mestres O Povo Brasileiro - Darci Ribeiro A descoberta do ouro mudou totalmente a vi- de e enriquecer. Continuação da edição anterior Trecho do livro O Povo Brasileiro No final do século XVII, a descoberta de ouro pelos paulistas nas da da colônia. A mineração desbancou a indústria açucareira, que era então a principal atividade econômica. A sociedade estava estruturada nos moldes da fazenda – da casagrande e da senzala - vivendo ao redor do senhor de engenho. O país prosperava graças ao trabalho escravo de três milhões de ne- Assim surgiu uma classe intermediária formada de mulatos e negros libertos, que conseguiram melhorar de vida e se dedicar às atividades de ourives, carpinteiros, ferreiros e artistas. Ouro Preto viu florescer a mais alta expressão da civilização brasileira. terras do interior mudou os rumos gros. O açúcar, no entanto, começava a so- Na música, na poesia e na arquitetura o mi- do Brasil Colônia. Em menos de frer concorrência das Antilhas. neiro deixou sua marca. Entre eles um brasi- dez anos, chegaram à região das Minas mais de 30 mil pessoas, vindas de todo o país. Eram paulistas, baianos, senhores de engenho falidos e, principalmente, escravos. A grande contribuição da cultura portuguesa aqui foi fazer o engenho de açúcar... movido por mão-de-obra escrava. Por isso, começaram a trazer milhões de escravos da África. O leiro, mulato de grande talento, que traduziu na pedra tosca a sofisticação do barroco europeu: Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. negócio maior do mercado mundial era a ven- A riqueza com que as igrejas foram construí- No começo da exploração muitos morriam de da de açúcar para adoçar a boca do europeu das no período do ouro deixa transparecer a fome com o ouro nas mãos, já que não havia e depois a remessa de ouro. Mas a despesa importância da religião católica na vida da co- o que comer. Os tropeiros garantiam a sobre- maior era comprar escravos. lônia. Todos iam à missa: brancos, negros li- vivência vendendo comida e panos de algodão. Atraídos pelo ouro, muitos deles acaba- Os europeus sacanas iam à África e faziam bertos, mulatos e escravos. ram se fixando no cruzamento das rotas de grandes expedições de caça de negros que Mas cada um frequentava sua própria igreja, comércio e estabeleceram as primeiras povo- viviam ali uma vida como a dos índios aqui, decorada a seu modo. Nos detalhes da Igreja ações. Desse modo abriram caminho para a com sua cultura, com sua língua, com seu de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, o ocupação do interior do país. modo... Metade morria na travessia, na bruta- catolicismo é temperado com os símbolos reli- lidade da chegada, de tristeza, mas milhões giosos africanos. "No princípio eram principalmente índios nati- deles incorporaram-se ao Brasil. vos e uns poucos brancarrões importados. A mineração de ouro e diamante alterou pro- Depois, principalmente negros, vindos de lon- O CUSTO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS fundamente o aspecto rural e desarticulado ge, africanos. Mas logo, logo, veja só: eram NOS 300 ANOS DE ESCRAVIDÃO FOI DE do país. Até então, os brasileiros viviam isola- multidões de mestiços, crioulos daqui mes- 160 MILHÕES DE LIBRAS-OURO. CERCA dos uns dos outros devido às grandes distân- mo." DE 50% DO LUCRO OBTIDO COM A VEN- cias. Trecho do livro O Povo Brasileiro DA DO OURO E DO AÇÚCAR. Mas a rede de intercâmbio comercial que co- E esses negros não podiam falar um com o meçava a se formar entre as capitanias daria Setenta anos depois, a capitania de Minas outro, veja esse desafio como é tremendo. uma bela base econômica à unidade nacio- Gerais já era a área mais populosa da Améri- Eles vinham de povos diferentes. Então, o ú- nal. O sertão nordestino, que vivia da criação ca, com trezentos mil habitantes. Eram pesso- nico modo de um negro falar com o outro era de gado, fornecia a carne e o couro. as que vinham fazer fortuna, como os peiros que ainda hoje trabalham na das Minas. garimregião aprender a língua do capataz, que nunca quis ensinar português. Milagrosamente, genialmente esses negros aprenderam a falar por- A sede do governo foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, devido à proximidade das Minas. E o Rio Grande do Sul acabou "Aqui se trabalha de segunda a sábado, das tuguês. sendo incorporado ao país através do comér- oito da manhã às 3 tarde, e sábado até 11 ho- Quem difundiu o português foi o negro, que cio de mulas. ras. Aqui mesmo em Antonio Pereira, Ouro Preto, garimpo de topázio imperial. Tudo o que tenho em casa é tirado do garimpo. Não tem um alfinete, em casa, que seja resultado se concentrou na área da costa de produção do açúcar e na área do ouro... Mas preste atenção: com os negros escravos vinham as molecas de 12 anos, bonitinhas. Uma moleca Esse país tomou conta de si pela primeira vez num movimento fantástico – a Inconfidência Mineira... de trabalho em firma, porque firma não dá na- daquelas custava o preço de dois ou três es- O movimento idealizado por uma elite intelec- da, ganhar cem contos não dá. Garimpo custa cravos de trabalho. E os donos de escravos tual previa uma nova organização da socieda- a dar dinheiro, mas quando dá, é muito. queriam muito comprar, e os capatazes tam- de. Entre os planos dos inconfidentes esta- A gente ganha bolada de dólar. Quando eu bém. Comprar uma moleca pra sacanagem. vam a criação de universidades, a instalação acho uma pedra grande eu falo assim: "Eu Mas essas molecas pariam filhos, e quem era de indústrias e a libertação dos escravos. tirei a vaca do atoleiro, tirei uma pedra boa e o filho? Era como o filho da índia. Ele não era A inspiração maior vinha dos ideais da Revo- agora vou descansar, vou comprar o que eu africano, visivelmente. Ele não era índio. lução Francesa e de um novo país da Améri- desejar na vida..." . Todo mundo fica alegre Quem era ele ? Ele também era um "zé nin- ca do Norte, os Estados Unidos. Uma denún- quando tira um topázio bom. Bebe cachaça... guém" procurando saber o que era. Ele só cia acabou levando à forca um dos líderes do atropela carro no asfalto... é isso aí, o garim- encontraria uma identidade no dia em que se movimento: o alferes Joaquim José da Silva po é isso aí." definisse o que é o brasileiro. Xavier, o Tiradentes. Depoimento de Genesco Aparecido de Sou- Nestas terras, ricas em ouro e diamante, mui- za, garimpeiro tos escravos conseguiram comprar a liberda- CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy terço do PIB da zona do euro, deixando a Que garante tudo. Todos os preços são feitos moeda comum europeia diante de uma a partir da qualidade do crédito da Alemanha. Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em “ameaça existencial”. Mas o euro não é só um E a Alemanha, porque joga dentro do sistema Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e “símbolo” da UE. A “soberania partilhada” europeu, está fazendo como se assinasse um vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin entre os Estados Nação e a União Europeia, c o n t r a t o d e s e g u r o , c o m o e m p r e s a consagrada no Tratado de Lisboa, implicava seguradora. Todos sabemos como são as que os governos nacionais prestassem contas empresas seguradoras. Enquanto só recebem de suas políticas domésticas, ao mesmo pagamento pelas apólices que vendem, está tempo em que questões mais amplas tudo bem. Mas, quando os acidentes deveriam ser tratadas em nível europeu. acontecem e chega a hora de pagar, elas fazem de tudo para não pagar. Desde o início de 2009, o que está acontecendo é que Em 2012, Jürgen Habermas questionou a Angela Merkel disse que não garantirá todos estrutura política da União Europeia que, os pagamentos a todos os bancos da Europa. Capitalismo e c r i a d a p a r a g o ve r n a r e s s a so b e r a n ia Cada empresa, cada país, que se defenda. partilhada, estava “carregada de falhas”. Não Assim, Angela Merkel dividiu a Europa. democracia na Europa havia relação simétrica nas funções e Enquanto a Irlanda foi vista como parte do competências dos três principais corpos: o sistema europeu, assumiram riscos bancários Parlamento Europeu, a Comissão da União descomunais relativamente ao seu PIB. PARTE XIII Europeia e o Conselho de Ministros. Não há Agora, foram deixados sozinhos, obrigados a lei eleitoral unificada para o Parlamento responder sozinhos pelas próprias dívidas. Se ... A Grécia, além do tamanho pequeno de Europeu – em alguns países, os deputados dizia que a Irlanda era grande demais para sua economia, não era o país com pior ao Parlamento Europeu são escolhidos em falir. De repente, passou a ser grande demais desempenho nesse quesito dentro da UE. eleições diretas; em outros, são escolhidos a para ser salva”. Durante o pico da crise, as Porque penaliza-la mais do que aos outros? partir de listas partidárias. O Conselho economias padeceram oscilações violentas; Essa simples constatação jogou lenha na fogueira da mobilização popular: em finais do ano, a gigantesca árvore de Natal da Praça Syntagma ardeu, acesa pelos manifestantes. A crise provocou uma nova discussão sobre a coordenação econômica e a integração fiscal da Zona Euro. Em 16 de maio de 2011, os ministros das finanças da Zona Euro aprovaram também um empréstimo de 78 bilhões de euros a Portugal, dividido igualmente entre o “Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira”, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e o Fundo Monetário Internacional, uma parceria públicoprivada. Portugal tornava-se assim no terceiro país da Zona Euro, após a Irlanda e a Grécia, a receber apoio financeiro internacional. Mas em agosto de 2011, novamente, as Bolsas de Valores do mundo todo conheceram uma queda, consecutiva à “degradação” dos títulos públicos norte-americanos (considerados o refúgio de valor mais seguro do mundo) e às repetidas crises europeias, devidas às crises sociais e políticas provocadas pelos planos de austeridade. Retirando-se das Bolsas, os investidores expressavam seu pânico diante do fato, agora comprovado, de que a crise de 2007-2008, que provocara uma catástrofe no setor financeiro do “Primeiro Mundo” não só não tinha concluído, mas tinha se aprofundado. Paradoxalmente, a segurança foi buscada justamente nos títulos da dívida do Tesouro norte-americano, rebaixados pela agência Standard & Poor’s (S&P): não havia mais para onde fugir. Em 2008, afirmara-se que era a última vez que dinheiro público era usado para salvar bancos privados. Em outubro de 2011, porém, o governo belga entrou com € 4 bilhões para manter o Banco Dexia em funcionamento. A crise financeira na Europa não era mais um problema restrito a economias pequenas e periféricas como a Grécia, mas uma corrida em grande escala aos bancos nas economias muito maiores da Espanha e da Itália. Os países em crise respondiam por cerca de um Europeu, o segundo na lista de órgãos, abaixo do Parlamento, nos termos do Tratado de Lisboa, era, segundo Habermas, uma completa anomalia institucional.[27] A “supranacionalidade” europeia não conseguira superar as nacionalidades prévias e suas mútuas contradições. Em vez de se homogeneizar, as desigualdades econômicas na Europa se acentuaram com a “integração europeia”, exatamente por ser esta capitalista, isto é, baseada na concorrência entre capitais de nacionalidades diversas, concorrência que, historicamente, conduziu aos monopólios e ao imperialismo capitalista. A “construção europeia” foi baseada numa potência hegemônica, capaz de impor condições aos outros membros. O euro como moeda comum fora desde o início um projeto proposto pela França que Alemanha aceitou com reservas e sobre a base de sua reunificação, tirando proveito de uma zona de livre comércio necessária para sua economia fundamentalmente exportadora. “Um entendimento tácito conferia a primazia política a França, mesmo que a força econômica maior fosse da Alemanha (mas) o euro foi um cálice envenenado. Concebido para amarrar a Alemanha à Europa, em vez disso amarrou países europeus muito mais fracos à Alemanha”, lhes impondo “uma camisa de força insustentável”.[28] Graças a isso, a taxa de lucro da economia alemã experimentou uma forte recuperação e elevação (embora ficando longe de seus patamares históricos, atingidos durante o boom econômico de pós-guerra) com a concretização da União Europeia e a adoção do euro, isto até a crise de 2007-2008, quando iniciou um movimento descendente, diante do qual Alemanha reagiu com crescente violência política. Para Rob Johnson: “Construiu-se na Europa um sistema que se pode definir como uma bolha política. Todos negociam sob o pressuposto de que a Alemanha garante todos os negócios. A ideia dominante é que a Alemanha está mandando. Que está sólida. depois, algumas levantaram (um pouco) cabeça, enquanto outras literalmente afundaram. A União Europeia aprovou finalmente um pacote econômico anticrise de alcance continental, lançado a 27 de outubro de 2011, prevendo maior participação do FMI e do BCE no enfrentamento da crise; uma ajuda financeira (condicionada) aos países com mais dificuldades econômicas; a definição de um Pacto Fiscal, a ser ratificado em 2012, cujos objetivos seriam garantir o equilíbrio das contas públicas das nações da União Europeia e criar sistemas de punição aos países que desrespeitassem o pacto. O Reino Unido não aceitou o pacto. Do seu lado, os círculos dirigentes da França e Alemanha expressaram abertamente sua preocupação com que a indignação popular na Grécia se transformasse em revolução social, com consequências diretas em toda Europa. O programa de refinanciamento de longo prazo (LTRO)[29] da UE foi posto em marcha em dezembro de 2011; seu objetivo era injetar liquidez no sistema bancário. Os bancos poderiam tomar recursos durante três anos a uma taxa muito baixa (1%) para reinvesti-los como melhor lhes parecesse. Nessa altura, o gigantesco fundo soberano chinês, a Corporação de Investimento da China, cortara grande parte de sua carteira de ações e de sua dívida em euros. Em julho de 2011 foi aprovado um novo pacote multilateral de socorro financeiro para a Grécia de € 159 bilhões, com empréstimos da União Europeia e do FMI, promessas de privatizações e de renegociação de dívida com os bancos privados. A cúpula europeia também prorrogou o vencimento dos empréstimos da Grécia, Irlanda e Portugal e reduziu as taxas de juros cobradas para aliviar o serviço de suas dívidas. . CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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