O Campo - 17ª edição

 

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Revista O Campo - publicação do departamento de comunicação da Coopermota.

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Edição 17 • novembro | dezembro • 2016 CAPELA RURAL MUDANÇA E FÉ Produtor adota método orgânico para o cultivo de uvas Niágara Proposta sugere o registro de Reserva Legal por meio de servidão ambiental o campo 1novembro | dezembro 2016

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Responsabilidades herdadas, fé conservada Elas estão em meio às plantações, algumas em ruínas, outras ainda em atividade, mesmo que esporádica, nos espaços das comunidades rurais de diferentes municípios do interior. Povoados de trabalhadores e fazendeiros nos tempos remotos, as propriedades rurais já foram propícias para a reunião de pessoas que, em grande medida, tinham a fé alimentada por orações realizadas nas capelas entre as suas atividades do dia a dia ou de finais de semana. Embora pouco habitadas, as capelas ainda são apreciadas por historiadores e católicos, praticantes ou não. Normalmente mantidas e ainda construídas pessoalmente por famílias das comunidades rurais, a responsabilidade pelo seu zelo se configura, muitas vezes, como algo herdado de pai para filho. A realidade de mudança do quadro social das propriedades rurais, que registraram um grande êxodo das famílias ali residentes para os centros urbanos, afetou também a frequência dos fiéis nestes espaços. Hoje, muitos deles já estão fechados e outros abertos somente nos finais de semanas para alguns poucos frequentadores. Nesta última edição do ano, período natalino em que as pessoas ampliam suas emoções aliadas à religião, vamos abordar a realidade destas capelas, local que já recebeu muitas orações neste momento de crença e renovação de votos religiosos. As capelas são sinônimo de fé e de tradição para famílias que se formaram a partir da iniciativa de católicos por volta da década de 1930 e hoje as paredes de muitas delas resistem às ruínas. São histórias de emoção e lembranças de vida. Abordamos também as análises de híbridos utilizados no Vale Paranapanema e seu desenvolvimento no solo e clima da região. Pesquisadores do Médio Paranapanema indicam a necessidade de variação no uso de híbridos com ciclos precoce e superprecoce para a redução de riscos inerentes desta safra de inverno. Trazemos também a proposta de averbação de Reservas Legais por meio de servidões ambientais realizadas entre proprietários de terras localizadas em regiões mais férteis e outras de solo mais frágeis. Um projeto do CDVale propõe esta integração para que as terras de maior fertilidade continuem sendo utilizadas para a produção agrícola. Nos espaços sociais e culturais da revista O Campo, abordamos as realizações de eventos que tiveram o objetivo de fortalecer a parceria da Coopermota com outras empresas do setor; já entre as ações culturais, a performance do grupo argentino em Paraguaçu Paulista e a produção de terrários entre estudantes do Centro Frei Paulino, em Cândido Mota, ganham destaque na revista O Campo. Boa leitura! Vanessa Zandonade Expediente novembro | dezembro 2016 o cammppo 3

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olhar Cooperativo sumário Final de ano, início de novos planos 05 Chegamos no momento em que as plantações nos campos do Médio e Pontal do Paranapanema, Sudoeste de São Paulo e Alta Paulista, locais onde a Coopermota atua, já estão em desenvolvimento vegetativo. Estamos colocando em prática o planejamento da safra verão que se inicia ainda em setembro. As perspectivas para 2017 são de mudanças econômicas, caminhando para uma recuperação de crédito nos âmbitos nacional e mundial, seguindo a previsão defendida pelo atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que crê em uma “melhora na confiança dos investidores, possível redução da trajetória de queda da economia e consequente crescimento a partir do início de 2017”. Reiteramos, neste sentido, a importância do cooperativismo como um modelo de negócio capaz de impulsionar, ainda mais, projetos de desenvolvimento a partir de ações que se apoiem em iniciativas conjuntas para a obtenção de lucros de maneira mais justa e sustentável. Para a Coopermota, é cada vez mais imprescindível que tenhamos uma cooperativa forte para que os cooperados possam prosperar, crescer com sustentabilidade e obter soluções para seus negócios, com excelência. Diante disso, a nossa perspectiva para 2017 é de avanços para a nossa região. Nesta proposta de buscarmos o crescimento a partir de avanços tecnológicos e de manejo no campo, já estamos nos preparando para a 11ª edição da Coopershow, que será realizada entre 25 e 27 de janeiro de 2017. Será mais uma vez a união de esforços de empresas, parceiros de diferentes setores em geral e dos cooperados em busca de uma agricultura forte e competitiva. Compareça!!!! Bom 2017!!! 08 12 15 18 22 27 30 Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota 32 36 Capelas rurais: paredes que resistem às mudanças sociais Análises do milho de segunda safra pela Apta. Safra de verão teve início com temperaturas baixas Projeto sugere Reserva Legal via Servidão Ambiental Eventos selam parceria da Coopermota com a empresa do setor Produção de uva segue métodos orgânicos de manejo Espaço dá ênfase ao uso de madeiramento na construção civil Ações de prevenção de acidentes são evidenciadas em Sipat Estudantes aprendem sobre o ecossistema a partir de oficinas de terrário Apresentação circense encanta público em Paraguaçu Paulista 4 o cammppo novembro | dezembro 2016

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Capelas rurais Paredes que resistem às mudanças sociais As capelas são sinônimo de fé e de tradição para famílias que se formaram a partir da iniciativa de católicos por volta da década de 1930 Capa C ada vez mais envolvidas às plantações de soja e milho, elas resistem à ação do tempo tendo sido erguidas tijolo a tijolo, movidas pela fé de pioneiros da região, há tempos atrás. Pequeninas e simples, as capelas em quase todo o interior paulista ainda atraem o olhar daqueles que passam por suas redondezas e fazem lembrar momentos de um período em que a vida no campo era repleta de atividades e envolvia dezenas de famílias em torno destes imóveis de fé. Nas áreas de abrangência da Coopermota, este símbolo religioso está disperso em diferentes municípios. Em alguns casos, ainda reúne famílias para as orações nos finais de semana e em outros, as suas portas já não são abertas há mais de cinco anos e resistem à ação do tempo e das mudanças sociais. As capelas são sinônimo de fé e de tradição para famílias que se formaram a partir da iniciativa de católicos por volta da década de 1930. Lembrar a histórias destes locais de devoção significa trazer à tona a emoção de seu Alcindo Rosa e de tantos outros que se envolveram na manutenção destes “altares”. Tratam-se de lembranças de vida! Em períodos natalinos como o que nos aproximamos as pessoas ampliam suas emoções aliadas à religião. Nas fases áureas das capelas, era momento de se preparar para a realização de homenagens e de ações natalinas, orações, crenças e renovação de votos religiosos. Contudo, esta realidade não é mais presenciada na maioria dos casos. Por volta da década de 1930, Salvino Luiz da Rosa encontrou na construção de uma capela em sua propriedade, a forma de cumprir a promessa feita à Nossa Senhora Aparecida. Com dívidas adquiridas para a construção de um engenho, o devoto recorreu à sua fé para conseguir sanar o problema que vivia. O local era a Água do Pavão, em Assis. Este bairro recebeu muitos imigrantes italianos e tinha os mutirões como forma de produção para o trabalho nas lavouras. Consequentemente, essa mesma reunião de famílias se repetia nos encontros em finais de tarde, sábados e domingos. Com a pequena capela de madeira erguida pelo devoto, as pessoas se aglomeravam em torno deste bem, situado próximo à casa onde residia Salvino. Alcindo Rosa, sentado em frente à capela como ficava à espera dos fieis da comunidade. novembro | dezembro 2016 o cammppo 5

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Passados cerca de 30 anos, aquela capela de madeira já não atendia às demandas da população local, o que levou Salvino a fazer uma nova construção, desta vez mais ampla, chegando a ter aproximadamente 60 metros quadrados. No local eram realizadas as missas e reuniões de comunidade. Salvino buscava o padre à cavalo ou charrete, quando necessário. Eram as formas mais comuns de locomoção da época, entre os anos das décadas de 1950 e 1960. A tradição de manter o espaço com dedicação absoluta foi então herdada do avô, por Alcindo Rosa, que desde então assumiu a responsabilidade de conduzir as atividades religiosas do local. Nascido ainda antes da construção da segunda capela, em 1942, Rosa acompanhou as atividades do avô, após se instalar no Sítio Rosa, como passou a ser chamado o local a partir de 1968. “Desde que entrei aqui recebi a incumbência de cuidar da capela e assim fiz até quando pude”, afirma. O bairro era repleto de famílias, reunindo mais de 60 pessoas dos arredores em ações da capela. Isso fazia com que as missas e atividades religiosas reunissem um grande contingente de moradores. Naquele período, as peladas no campinho de futebol e as brincadeiras no quintal da propriedade eram as ocupações mais comuns entre os jovens. A vida não era atrelada às rotinas urbanas e a região assumia o perfil rural no cotidiano dos habitantes daquele período, como lembra Alcindo. Por volta dos anos da década de 1980, no entanto, ele conta que a capela construída por seu avô possuía uma frente muito alta, porém sem estrutura adequada, o que fez com que o material cedesse e permanecesse apoiado sobre a porta. Mesmo com uso restrito, as crianças brincavam no local, estando entre eles os seus próprios filhos e também os dos vizinhos. Tal fato levou Alcindo a desmanchar a capela antiga e construir uma nova, desta vez mais distante da sua casa. “O lugar onde meu avô tinha feito a capela era muito próximo da nossa casa. Eu queria que ela não fosse minha e sim da comunidade, então fiz a nova um pouco mais distante”, diz. Em dias de missa na capela, o devoto engatava o tanque no trator que possuía e se deslocava até o prédio religioso para a limpeza do espaço. Tais momentos são lembrados por ele como fases de muitas dificuldades. Com o trator sem partida, sempre tinha que se preocupar em deixa-lo em um local propício para Capela São João Batista, bairro Água do Pavão, em Assis. 6 o cammppo novembro | dezembro 2016

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o “tranco” que daria a partida na saída. Além disso, como se utilizava da gravidade para a dispersão da água na capela, precisava que a localização do trator também atendesse essa necessidade para conseguir lavar o espaço, o qual nunca teve água encanada. Ele comenta que por muitos anos após a construção, a nova capela continuou sendo iluminada por meio de lampião a gás. Já em Cândido Mota, no bairro da Pinguela, as atividades da capela continuam em andamento. As festas na igreja ainda ocorrem, porém com menos regularidade. Na Fazenda Graciema, os cinemas e bailes nos finais de semana ocupavam as agendas dos moradores do bairro. Atualmente, a vida social sofreu reduções, porém o futebol ainda reúne adeptos e a missa ainda é realizada em finais de semana. Maria Guiomar Zanchetta Zardetto é incumbida dos preparativos das celebrações da capela Santo Antônio realizadas pelos padres que são buscados e levados de volta à matriz. “Hoje as coisas estão diferentes. O pessoal mais novo não comparece. É difícil achar gente que se disponha a assumir as responsabilidades do bairro”, comenta Gilberto Gava, presidente da associação da capela e esposo de Maria Guiomar. } mudanças sociais As mudanças ocorridas no decorrer do período, trouxeram reflexos ao cotidiano religioso rural até então vivido por aquela comunidade. Os jovens que até então se reuniam para atividades religiosas acabaram se dispersando anos depois, tendo a mudança de localização de moradia como principal fator dessa alteração. A maioria dos filhos das famílias ali instaladas se casaram e deixaram os sítios do bairro. “O êxodo rural foi o vilão da história para o fim das atividades na capela”, avalia Alcindo Rosa. Se nos períodos áureos da capela moravam naquela região mais de 60 pessoas, atualmente não passam de dez, os moradores do local. Rosa afirma que o período vivido lhe trouxe muitas coisas boas, inclusive o permitiu que criasse seus filhos com valores religiosos e que, segundo ele, foram referência na educação que receberam. “Agradeço a Deus por tudo o que vivi aqui. Se meu pai e meu avô estivessem vivos teriam ficado feliz por tudo o que fiz com esta capela. Foi tudo muito válido. É claro que em meio a tudo isso a gente vive algumas decepções, mas isso faz parte da vida em comunidade. Foi muito legal quando a gente cantava juntos, tinha aquela vida de mais intimidade um com o outro e as tardes de viola que meu pai tinha com o pessoal por aqui. Foi um tempo bom”, avalia. Fatores como a urbanização e a industrialização, bem como a mecanização do campo, foram influências para a mudança do quadro social do meio rural. Tais circunstâncias trouxeram alterações na composição populacional e um intenso fluxo de migração do campo para as cidades. No Brasil, este êxodo ocorreu entre os anos das décadas de 1960 e 1980. De acordo com dados do IBGE, este movimento de saída do campo para as cidades continua no país, porém em ritmo bastante inferior a estas duas décadas citadas. A capela está fechada há cinco anos. novembro | dezembro 2016 o cammppo 7

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Assis Milho de segunda safra Produtividade e doenças em análise Híbridos com ciclo precoce e superprecoce cultivados em diferentes áreas do Vale Paranapanema são analisados pelo IAC/Apta D e um lado, o custo de produção do milho de segunda safra aumenta em torno de 10% ao ano. Do outro lado, os riscos de geada e seca ampliam as preocupações do produtor que inicia o plantio da safra buscando estratégias para fugir do quadro de riscos existente nesta cultura. A opção por híbridos com ciclo produtivo superprecoce acaba sendo para muitos a opção mais visível. Contudo, pesquisa da Apta Médio Paranapanema, destaca o resultado de análise sobre o potencial produtivo de diferentes materiais e alerta os produtores para a necessidade de diversificação dos híbridos. Conforme dados da “Avaliação Regional de cultivares de milho safrinha no estado de São Paulo”, o milho superprecoce não deve ser utilizado de maneira exclusiva em toda a lavoura, pois se houver variação de características do material os danos em caso de algum fator de estresse hídrico ou de temperatura poderão ser menores. Os resultados apresentados, mostram que os melhores materiais de ciclo precoce estão com produtividade superior aos melhores superprecoces. Conforme afirma o pesquisador Aildson Pereira Duarte, do Programa Milho e Sorgo IAC/Apta, três pontos influenciam na produtividade do milho de segunda safra, tendo entre eles os fatores de época de semeadura, sendo indicado o fracionamento em datas distintas, a escolha do híbrido melhor adaptado à região e a adubação. “É importante que seja utilizado o potássio na soja e não somente na segunda safra. O produtor deve caprichar na soja com aplicação no sulco de plantio para que haja o residual necessário para o milho”, afirma. As avaliações da Apta foram realizadas com a utilização de materiais comercializados por 13 empresas multinacionais que possuem atuação no mercado regional, em um total de 53 híbridos. Toda a iniciativa 8 o cammppo novembro | dezembro 2016

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Variar os ciclos produtivos reduz riscos inerentes da produção do milho de segunda safra. recebeu o apoio do Centro de Desenvolvimento do Médio Vale do Paranapanema (CDVale), Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista, Coopermota Cooperativa Agroindustrial e Fundação de Apoio a Pesquisa Agrícola (FundAgro). Para as análises, foram utilizados híbridos precoces e superprecoces, ambos com cultivares convencionais e transgênicos, em propriedades situadas nas cidades de Cruzália, Maracaí, Pedrinhas Paulista, Ibirarema, Cândido Mota e Capão Bonito. Foram avaliados 42 híbridos precoces e 12 superprecoces, tendo ainda um cultivar padrão, na região do Vale Paranapanema. Os parâmetros adotados levaram em consideração análises conjuntas em um e dois anos de cultivo, considerando a incidência e a severidade de doenças foliares, bem como tolerância e resistência a estresses hídricos e climáticos. Com bom residual de potássio da soja, a produção de milho é beneficiada. novembro | dezembro 2016 o cammppo 9

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As avaliações foram sobre doenças e desenvolvimento de híbridos no Médio Paranapanema. } DOEnças E PRAGAS Para o controle de doenças, os materiais de ciclo precoce foram analisados sem aplicação de fungicida foliar, exceto em Cruzália e Ibirarema, e para os superprecoces foi adotada uma aplicação de fungicida. Neste quesito, 15 ensaios tiveram o seu desenvolvimento acompanhado pelos pesquisadores. Foram registradas algumas adversidades climáticas como temperaturas elevadas no início do ciclo dos híbridos, o que reduziu a incidência de doenças, com alguns casos de Carvão Comum (Ustilago maydis), o qual se desenvolveu sendo favorecido pela seca e o calor registrado no período. Outra doença detectada nos ensaios foi a mancha Bipolaris (Bipolaris maydis), nas regiões baixas das plantas. O evento reuniu agrônomos e agricultores de diferentes municípios da região. 10 o cammppo novembro | dezembro 2016

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Pesquisador Aildson Duarte. Com a mudança climática registrada nos períodos seguintes, havendo a redução de temperatura de maneira considerável, outras doenças como a Mancha Branca, ou Phaeosphaeria surgiram em algumas áreas, sendo esta a principal doença do período. A Cercospora e o Turcicum também foram detectadas, no entanto, com baixa intensidade. A reunião técnica ocorreu na Apta Polo Médio Paranapanema. novembro | dezembro 2016 o cammppo 11

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Assis safra verão Tempos frio em início de safra As sojas da abrangência da Coopermota estão boas e só não estão melhores por conta das oscilações climáticas registradas O período é de safra verão 2016/2017, com plantios de soja realizados desde a primeira quinzena de outubro nas áreas de abrangência da Coopermota. Normalmente é uma fase do ano em que ocorrem altas temperaturas, contudo, o que se registrou no início de safra verão foram períodos de quedas climáticas e ventos gelados que trouxeram reflexos para as lavouras de soja. A condição cultura no início de dezembro foi avaliada visualmente de forma positiva, no entanto, devido aos dias mais frios dos primeiros dias do mês de dezembro, as plantas de soja, que em sua maioria possuem ciclos indeterminados de maturação, já retardaram o seu desenvolvimento em cerca de uma semana. “As lavouras da abrangência da Coopermota estão boas e só não estão melhores por conta das oscilações climáticas que estamos registrando. O frio retardou o desenvolvimento das plantas. No mesmo período da safra no ano passado, já tínhamos as lavouras com ruas fechadas, o que ainda não estamos verificando neste ano”, avaliava o agrônomo da Coopermota, Márcio Pecchio, no início de dezembro. Segundo ele, para um bom desenvolvimento das lavouras é necessário que as culturas de soja tenham temperaturas e luminosidades adequadas, além dos manejos e tratos realizados pelos produtores. A maioria das plantações de soja na área de abrangência da Coopermota foi cultivada entre os dias 15 de outubro, até o início de novembro. Grande parte das lavouras se encontravam em período vegetativo no início de dezembro. A colheita da safra para a região é estimada para a segunda quinzena de fevereiro de 2017. “O clima vem exercendo interferência no desenvolvimento inicial da soja na região, porém ainda é muito cedo para fazer previsões de resultados, no que se refere à sua produção. Ainda há tempo suficiente para que as plantações retomem o desenvolvimento devido, caso haja condições favoráveis para isso no decorrer do ciclo da safra”, explica. 12 o campo novembro | dezembro 2016

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Somado aos fatores de temperatura, a regularidade de chuvas neste ano também apresenta cenários distintos em relação ao ano passado. Na safra 2015/2016, o plantio foi realizado mais cedo, até mesmo porque neste ano a ausência de chuva no momento do cultivo retardou essa iniciativa. Tal situação de melhores regularidades de precipitações pluviométricas diz respeito às interferências do fenômeno climático La Ninã, que provoca chuvas isoladas e não regulares na região. Em meados da primeira quinzena de dezembro, a chuva registrada foi bastante regular no ponto de vista territorial. Tal fato ameniza as alterações de desenvolvimento da soja, mas não define a produtividade final dos materiais cultivados. Contudo, após as chuvas, as condições climáticas favoreceram as aplicações de defensivos. “A perspectiva é que as realidades finais de produtividade sejam variáveis entre uma localidade e outra, devido a estes fatores”, diz. } Erros Ainda em setembro a Embrapa já alertava para a preocupação com algumas pragas e doenças, como a mosca-branca, a mancha alvo e os percevejos, as quais poderiam atacar as lavouras nesta safra. No entanto, a avaliação de uma maneira geral é de bom controle destes fatores na região. O monitoramento constante das lavouras, porém, é orientado como a melhor ação a ser seguida pelos produtores, de forma que não haja aplicações indevidas de produtos químicos de controle, preservando-se assim alguns inimigos naturais que contribuem para o equilíbrio das lavouras. Neste sentido, o pano de batida continua sendo uma boa ação para ser seguida no manejo de pragas. Outro problema são as plantas daninhas a serem controladas nestas lavouras. O milho voluntário se tornou recorrente em muitas propriedades, controladas com herbicidas e outros métodos. “O que acompanhamos foi a adoção da primeira apli- Propriedade da região de Cândido Mota no início de dezembro. novembro | dezembro 2016 o cammppo 13

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cação de herbicidas para o controle do mato na segunda quinzena de novembro, nas localidades onde as chuvas foram mais regulares como em Santa Cruz do Rio Pardo, Cândido Mota e Campos Novos Paulista”, comenta Pecchio. Área com melhor desenvolvimento, em Assis. 14 o cammppo novembro | dezembro 2016

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Médio Paranapanema REGULARIZAÇÃO Reserva legal via servidão ambiental Projeto do CDVale propõe a compensação da Reserva Legal de propriedades de baixa fragilidade, em regiões com perfil de alta fragilidade Quais as propriedades que estão com sobra de Reserva Legal averbadas? Quais, quantas são e onde estão as áreas de florestas do Médio Paranapanema que precisam ser recuperadas? Estas e outras perguntas fazem parte do projeto que vem sendo desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento do Médio Vale do Paranapanema (CDVale). A proposta é que os proprietários de terras com maior fertilidade realizem a compensação de suas reservas legais em regiões com solos mais frágeis do ponto de vista de sua composição e potencial de produtividade. “A ideia é que as regiões mais aptas à produção agrícola ajudem a proteger as áreas mais frágeis, desde que estejam dentro do mesmo bioma”, afirma Hugo Souza Dias, integrante do CDVale e um dos idealizadores da iniciativa. O projeto prevê o desenvolvimento de um cenário detalhado do Médio Paranapanema e o dimensionamento exato das condições de fragilidade da terra desta região. Para a viabilidade dessa medida ainda será preciso criar a segurança jurídica de viabilizar a transferência de recursos e de responsabilidades sobre o florestamento de uma condição para outra, entre os proprietários envolvidos no acordo, além de garantir ainda a remuneração de longo prazo dos proprietários das terras a serem reflorestadas, encontrando ainda alternativas mais rentáveis que lenha. Entre as metas do CDVale para essa ação estão a tentativa de diminuir o custo da compensação da Reserva Legal entre as propriedades para tornar a proposta atrativa aos proprietários das terras de alta aptidão agrícola, conseguir recursos complementares novembro | dezembro 2016 o cammppo 15

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