Caleidoscópio nº 78

 

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Caleidoscópio nº 78

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EXPEDIENTE COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www. colsantamaria.com.br Trabalhos de Geometria do Sagrado do 9º ano ACESSE AS MÍDIAS DO COLÉGIO /colsantamaria /colsantamariasp www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana P. da Silva B. de Freitas Adriana Tiziani Ana Cristina P. Imura Beth Costa Muriel Alves Silvio Soares Moreira Freire Sueli A. Gonçalves Gomes Vanini Andolfato Mesquita EDITORA Suze Smaniotto REVISÃO Rita de Cássia Cereser Sógi COLABORADORES Alessandra Nunes Alexandre Oliveira Caroline Mieko Agata Moreira Daniela Caltran Denise Carneiro Ednilson Oliveira Gilberto de Carvalho Soares Gustavo de Almeida Henrique Genereze Karine Ramos Lucas Tadeu Marchezin Maíra Nascimento Roberta Edo Sônia Brandão Suzana Torres Tauany Pazini Thiago Lopes Veronice Leal Wallace Oliveira Marante Tiragem: 5.500 exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. DESENVOLVIMENTO Alpem Soluções e Comunicação Alameda Meyer Joseph Nigri, 513 Cidade Cruzeiro do Sul - 08673-170 - Suzano / SP

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CARTA SUMÁRIO 04 CORPO E ALMA CIDADÃOS Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria Em todas as edições da Caleidoscópio, há relatos de experiências acadêmicas e também de interferência nos ambientes sociais, dentro e fora do Colégio. Às vezes, pessoas perguntam por que não temos concentração absoluta no currículo acadêmico, que muitos acreditam ser o objetivo de uma escola. A resposta é que não se tratam de metas desvinculadas ou paralelas, mas uma é sustentação e consequência da efetivação da outra. Quando o aluno é apresentado a algum tema ou projeto, seja no passado ou no presente, aquilo precisa ter essencialmente a sua aplicação e valor na vida real e não ser sempre uma simulação ou aquele tipo de informação que merece a clássica justificativa: “Você não entende agora, mas um dia vai saber por que está aprendendo isso”. O que o aluno experimenta fazendo visitas ou entrevistando moradores do bairro ou alunos da EJA, levanta outras dúvidas e curiosidades e o entendimento de que há vidas diferentes da dele. Muitas crianças não têm essa noção e estranham aquilo que é de outra cultura. A criança não pode imaginar como é a vida do outro, como é um país com outros valores e circunstâncias, que a eleição de São Paulo é diferente da de Nova York, por exemplo. Ela precisa vivenciar, experimentar, conversar a respeito. Da mesma forma, quando visita uma escola pública ou outras escolas particulares, passa a entender aquilo que aprendeu, que há necessidades essenciais para outra pessoa e que ele pode colaborar para mudar a situação de carência. Apenas o aluno que vê alguém não ter acesso à água vai querer introduzir cisternas ou até mudar seus próprios hábitos de consumo de água. O tempo todo ele está redirecionando o olhar mais amplamente e isso o ajuda a compreender o presente, assim como desejar que o futuro seja diferente. O aluno tem que saber que ele não vai mudar o futuro, afinal não está lá, mas pode mudar as condições atuais para influenciar um futuro melhor para todos. O ex-aluno que compartilha sua vida é um exemplo de pessoa que não fica concentrada no que não pode mais, mas direciona-se para um projeto que diz o que agora pode fazer e não tinha condições antes, ou seja, contar sua experiência e aquilo que precisava aprender. Muitos adultos tentam evitar que seus filhos sofram, então falam: “Eu fiz assim e sofri as consequências” porque querem evitar que o filho tenha experiências desagradáveis na vida, mas até elas são necessárias para que cada um e todos os cidadãos do mundo possam fazer opções melhores para si e para todos. Na leitura dos textos desta edição, fica muito evidente uma crença que os alunos compartilham a partir das suas experiências: tudo é possível e eu posso muita coisa. E eles repetem: “Como cidadão eu tenho responsabilidade para interferir”. Uma escola também é cidadã da sua cidade, uma cidadã planetária e agrega pessoas que são cidadãs potenciais. Os nossos alunos têm e partilham a esperança que o futuro “da nossa casa comum” possa ser melhor porque têm diariamente a experiência da comunidade cidadã e da força de pessoas comprometidas com uma visão de justiça partilhada. NESTA EDIÇÃO COTIDIANO 08 REFLEXÃO MAIS SABER 09 NOSSOS GIGANTES 14 16 SÓNOSANTA 17 DEPOISDOSANTA 18 DEIXACOMIGO 20 SANTA DO BEM 22 NA REDE 23 MOSAICO

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4 COTIDIANO >>> CONTEMPLAÇÃO e arte Tradicionalmente, durante o dia, as árvores do Santa Maria se empenham em oferecer sombra, abrigo aos pássaros e outros animais silvestres, além do prazer da contemplação. No vai e vem das aulas e no espaço que nutre o olhar, foi proposto aos alunos do 2° ano do Fundamental I uma investigação da vegetação, observando tamanhos, proporções, formas, texturas e cores e, num segundo momento, um registro de planos e pontos de vista diferenciados. Com a curiosidade e a percepção aguçadas, os alunos utilizaram uma lupa para redirecionar o olhar e perceber detalhes ocultos a olho nu. Essa abordagem, estabelecendo conexões do macro ao micro e do real com interpretações de artistas que retrataram flores, resultou em telas singulares que qualificam a expressividade do aluno. O grande e esperado dia chegou! Com muito orgulho, diretoras, orientadoras e professores parabenizaram os alunos vitoriosos deste ano na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Lembramos que a OBA não se constitui apenas uma disputa, mas uma oportunidade a mais que os alunos tiveram para testar e desenvolver os conhecimentos de Astronomia que adquiriram durante as aulas de Ciências Naturais e, sem dúvida, esses conhecimentos contribuirão como subsídio para o enfrentamento de outros desafios e de outras vitórias. A cerimônia da entrega das medalhas caracterizou-se como um momento único de celebração e de reconhecimento das habilidades desenvolvidas pelos alunos durante todo o processo de preparação para a prova.

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POR QUE PARTICIPAR DE OLIMPÍADAS? Neste ano, o Fundamental I e II do Santa Maria tiveram um número significativo de alunos em olimpíadas de conhecimento, e a cada ano cresce a conquista de medalhas. O que eles estão buscando? O que estão encontrando? Não faltam motivos para participar desses eventos. São competições muito desafiadoras, uma grande oportunidade para se aprofundar em uma matéria de interesse. A OBA, por exemplo, permite entender como se formaram as estruturas do universo, como é o mundo invisível, como construir foguetes e como funcionam as leis da Física. Outra vantagem em participar de olimpíadas é agregar valor ao currículo escolar. Várias universidades, inclusive internacionais, valorizam muito o currículo dos alunos que participaram desses eventos durante seu processo de formação. De quebra, o estudo ainda melhora o rendimento escolar. Além de tudo isso, é um ótimo caminho para construir novas amizades e partilhar interesses comuns. Sendo assim, exercite sua massa cinzenta, seu cérebro e participe das olimpíadas! CALEIDOSCÓPIO#78 5 Encontro com a EJA No início de outubro, foi realizado o encontro entre os alunos do 7º ano do Fundamental II e os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Partindo do tema “Cidade: nossa casa comum”, buscou-se criar um ambiente propício à troca de experiências e olhares sobre a cidade, espaço comum a todos e que apresenta realidades diferentes, como destaca a aluna Amanda Thays, do 7º ano A: “Tive oportunidade de conhecer pessoas novas e consegui ver uma parte da vida delas, entender o que passam praticamente todo dia, como veem o nosso país, como ele é hoje e qual pode ser o futuro dele”. Por meio de uma dinâmica com bexigas e da apreciação de fotos da cidade, procurou-se exercitar e refletir sobre o ambiente urbano enquanto espaço coletivo. Espaços nos quais indivíduos com diferentes experiências se encontram cotidianamente. Segundo o aluno Eric Figueira, do 7º ano D, esse encontro permitiu “saber da rotina das pessoas; rotina que não tenho. E praticamente ninguém que eu conheço possui uma rotina tão agitada, de chegar à escola à noite, pegar vários ônibus pra poder trabalhar. Eu acho que foi uma experiência muito legal, principalmente porque a gente aprendeu sobre as regiões da cidade, a partir das fotos. Acho que foi inesquecível.” A MAGIA DO ENCONTRO COM O AUTOR Quem nunca leu um livro e ficou curioso para conhecer a pessoa que o escreveu? Para saciar esse desejo e desvendar o mistério que envolve o “ser escritor”, a Biblioteca Pe. Moreau busca promover, todos os anos, encontros entre autores e alunos, por considerar importante que se conheça a história desse escritor, quais os processos de escrita e criação pelos quais o livro passou, e, principalmente, quais as referências e experiências de vida que esse autor traz de si para dentro de suas obras. Os encontros se tornam um momento empolgante. Durante a conversa, eles contam um pouco sobre sua trajetória, quais as inspirações que tiveram para escrever aquele livro, respondem às perguntas dos estudantes e, de acordo com o tempo, autografam os livros para que os alunos levem uma lembrança do encontro. Mui- Luciana Sandroni, autora do livro “Mário que não é de Andrade”, adotado para o 5º ano tos deles ficam motivados para ler outras obras do autor, o que faz com que a Biblioteca cumpra o seu papel de incentivo à leitura e colabore com o trabalho que é feito pelo professor em sala de aula.

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6 COTIDIANO >>> Observar, interagir e refletir Ao longo do ano, o 6º ano do Fundamental II desenvolveu o tema “Criança Cidadã”, cuja finalidade se pauta no desenvolvimento de posturas e processos de conscientização sobre os direitos e deveres das crianças, no Brasil e no mundo. Nesse sentido, foi se construindo a concepção de como vivem as crianças, quais as situações de saneamento básico nas regiões em que moram, como ocorre o tratamento da água e também a discussão sobre consumo e desperdício. O trabalho levou as turmas a realizarem entrevistas com moradores da região do chamado Cinturão Verde, quando perceberam que, embora a distância que separa a capital dessa área seja pequena, a mudança na paisagem e no modo de vida é muito significativo, pois a cidade é o espaço do consumo e o campo o espaço da produção. Ao realizarem o percurso inverso ao curso natural do Rio Tietê, notaram que ele percorre limpo cerca de 100km desde sua nascente em Salesópolis e, a partir da cidade de Mogi das Cruzes, torna-se poluído devido aos defensivos agrícolas e ao esgoto da cidade. Os alunos foram previamente preparados para desenvolverem o olhar atento e sensível ao meio, observarem e registrarem os contrastes e as belezas no entorno visitado. Certamente, o estudo do meio possibilitou novas reflexões sobre a responsabilidade de cada um no respeito ao meio ambiente, uso indiscriminado de agrotóxicos, consumo e desperdício de alimentos. PREVENÇÃO ÀS DROGAS O Projeto Drogas e Prevenção do 8º ano do Fundamental II começou nas aulas de Língua Portuguesa, com a leitura do livro “Pássaro contra a Vidraça”, que retrata a história de um adolescente com problemas de relacionamento com a família e encontra nos amigos não só a acolhida como também a descoberta e o acesso às drogas. Nas aulas de Ciências, a discussão teve início com o livro “Drogas e Prevenção”. Em rodas de conversa, a partir de documentários e filmes sobre o assunto, a cada semana, trabalham-se temas como drogas lícitas e ilícitas, mecanismos da dependência química no cérebro, álcool e maconha. A proposta é esclarecer e propiciar aos jovens a fazer escolhas assertivas em suas vidas a partir de situações reais. “Trabalhar com o tema Drogas e Prevenção está sendo muito importante. Estamos em uma época de escolhas, nesse caso, usar ou não drogas. Com esse projeto, podemos ver as consequências dessa escolha antes de fazê-la”, declaram Estela Tribst, Gabriela Pinho, Amanda Montini, do 8º D.

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CALEIDOSCÓPIO#78 7 Formação permanente e autoformação no Prisma “APRENDER É UMA EXPERIÊNCIA DE ENCONTRO E DE COMUNICAÇÃO, SEM A QUAL NÃO HÁ NEM AUTONOMIA NEM CRESCIMENTO. APRENDER É COLOCAR EM INTERAÇÃO O ESTRANHO E O FAMILIAR E A ESCOLA, UMA FORMA DE SE ENCONTRAR UM MÉTODO PARA APRENDER SOBRE A VIDA. TODO O CONHECIMENTO ACABA, DE ALGUMA FORMA, POR SER AUTOBIOGRÁFICO.” (EDUARDO SÁ) É recorrente e disseminado em nossa sociedade o entendimento quase estático do que significa o decurso da vida. Localizamos que as mudanças mais importantes no processo de desenvolvimento ocorrem na infância e na adolescência, e que a vida adulta seria marcada por períodos de estabilidade, sem contribuir para mudanças igualmente importantes e decisivas. Mesmo experimentando vivências que apontam para outras direções, a intensidade destas representações continuam a nos orientar, restringindo nossas possibilidades e crenças de podermos viver experiências de aprendizagens significativas ao lon- go de toda a vida. E, se é certo que aprender faz parte da vida como respirar ou comer, pode-se dizer que a vida fica bastante diminuída. Entretanto, há esforços no sentido de resgatar e entender que a formação é um processo que ocorre ao longo da vida. No caso do adulto, ele se dá em duas vertentes: a formação contínua provocada pelas demandas do trabalho e a autoformação, definida por Kirst (2016) como o desafio de um saber viver a própria existencialidade. Autoformação não dimensiona um processo que ocorra de modo solitário, mas no espaço de encontro com os outros e com o mundo: “OLHANDO DE PERTO E DE DENTRO, PODEMOS PENSAR QUE NINGUÉM ENSINA NINGUÉM, PORQUE O APRENDER É SEMPRE UM PROCESSO E É UMA AVENTURA INTERIOR E PESSOAL. MAS É VERDADE TAMBÉM QUE NINGUÉM SE EDUCA SOZINHO, POIS O QUE EU APRENDO AO LER OU AO OUVIR, PROVÉM DE SABERES E SENTIDOS DE OUTRAS PESSOAS. CHEGA A MIM ATRAVÉS DE TROCAS, DE RECIPROCIDADES, DE INTERAÇÕES COM OUTRAS PESSOAS.” (BRANDÃO) O PRISMA – Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, há mais de 20 anos, tem trabalhado no sentido de proporcionar formação contínua para os profissionais da educação e proposições que contribuam com a autoformação dos adultos, sobretudo com mais de 50 anos, associando, a um só tempo, qualidade de conteúdos em espaços de trocas que privilegiem interações de qualidade. Cursos para professores A complexidade do fazer educacional traz a necessidade dos profissionais da educação estarem, permanentemente, ampliando sua formação: discutindo a prática à luz das trocas, debates e teorias, buscando fundamentar e transformar suas ações. São centenas de professores, coordenadores, orientadores, vindos das mais diferentes instituições e dos mais diferentes níveis de ensino para participar de cursos, oficinas, seminários ou jornadas promovidas semestralmente pelo Prisma. CURSOS LIVRES Em sintonia com a concepção de autoformação, especialmente para pessoas com mais de 50 anos, o Prisma tem cursos, palestras, vivências, festas, oficinas variadas com o lema: conviver e aprender para o bem viver. Toda a programação procura atender as necessidades de movimento (tai-chi, yoga, pilates etc), estimulação cognitiva/motora (clube de xadrez, café filosófico, escrita, oficina da memória etc), idiomas (mandarim, inglês, francês, italiano, espanhol), dentre outros. Todos abertos à comunidade.

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8 REFLEXÃO >>> Exercitando a cidadania ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA E lá, nesse outro espaço, vão mostrar como lidam com os colegas, que podem errar, por exemplo, num toque de bola no Vôlei, ou não fazer o gol. E é lá que vão mostrar quem são e também aprender como o outro é, passando por uma situação em que estão sendo avaliados na aprendizagem esportiva e nas atitudes, e como acatam as regras dos regulamentos impostos. Nessas situações de competição que ocorrem entre colégios, em meio a tanta ansiedade, euforia, alegria, frustração, decepção, medo entre tantos sentimentos, também surgem a solidariedade, a compreensão da dor do outro, o afeto, a cumplicidade. Numa escola que tem como princípios o respeito, o viver em família, o educar mentes e corações para serem portadores de esperança, podemos dizer que estes valores permeiam todos os nossos momentos, sejam eles de aprendizagens sociais, cognitivas ou emocionais. As crianças e jovens vivenciam situações em que exercitam a sua cidadania, aprendendo a cooperar com o outro, sendo sinceros com suas próprias atitudes, perdoando atitudes inadequadas de colegas, que muitas vezes agem sem pensar nas consequências, e tendo o hábito do respeito para com o outro em qualquer situação. O uniforme revela as matrizes que os orientam, os valores que os mobilizam e que a educação que recebem exige responsabilidade de cada um ao acatarem decisões de juízes, ao se colocarem para checar dúvidas de arbitragem, ao não serem classificados num campeonato. Os instrutores de cursos também se tornam referência como profissionais, mostrando o perfil de educador. Espero que, ao representar nossa escola, os alunos tenham o sentimento de pertença, de orgulho dos saberes que recebem e que têm oportunidade e o desafio de se exporem com suas habilidades, suas limitações e, principalmente, de agirem conscientemente. E, nessa interação social, vão dialogando com seus pares, trocando ideias, ouvindo opiniões e pensamentos diferentes dos seus e, com o sentimento de sinceridade desenvolvido, aprendem a criar vínculos com as pessoas, sejam elas parecidas consigo ou não, gostando delas ou não. Quando crianças passam um final de semana na casa de amigos, os pais que as receberam geralmente comentam: “Como seu filho é educado”. O ser educado está imbuído de valores, sendo na maneira da criança se dirigir às pessoas, deixar suas coisas em ordem e acatar as normas e regras que não são da sua casa, mas que devem ser respeitadas. Quem não viveu isso? Numa disputa sempre temos somente um vencedor, e é muito bom vencer, mas é gratificante sabermos que fizemos o melhor por nós e por nossa “casa”, o Santa Maria. Que estas experiências que proporcionamos às crianças e jovens possam fazê-los compreender e apreender que estamos vivenciando o que é ser cidadão na vida e que estão sendo educados para o mundo. Adriana Tiziani, coordenadora dos cursos extracurriculares Os alunos que participam de atividades esportivas promovidas pelos cursos extracurriculares como Judô, Ginástica Artística, Vôlei, Futsal e Futebol também saem da sua “casa”, o Santa Maria, para mostrar quem são em outras “casas”. E, mais uma vez, colocamos à prova o que exercitamos no dia a dia, só que além dos muros da escola. Através dos relacionamentos interpessoais provocados pelo contato e proposições das atividades, estendem as aprendizagens em diversidade e profundidade, tendo momentos privilegiados nos campeonatos em outras escolas.

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MAIS SABER >>> 9 Escola CIDADÃ UM DOS PILARES DO SANTA MARIA É DESENVOLVER CIDADÃOS CONSCIENTES QUE ATUEM DE FORMA A PROMOVER O BEMESTAR SOCIAL E AMBIENTAL. AQUI ESTÃO EXEMPLOS DE ATIVIDADES QUE TRABALHAM NESSE SENTIDO Crianças aprendem o tempo todo na cidade As formas de entender a cidade na infância variam conforme as experiências de cada criança. Para contribuir com essa compreensão, a Educação Infantil prepara e planeja diferentes ações para que as crianças percebam no cotidiano o lugar em que vivem. Assim, os alunos receberam uma lição de casa diferente: cada criança com sua família deveria visitar praças e espaços de lazer, com o desafio de observar, coletar informações e conversar entre si sobre o que é importante ter em uma praça ou o que gostariam que tivesse. As pesquisas revelaram questões acerca da cidadania e com isso as turmas retomaram o que poderiam fazer com o que descobriram. Qual o nosso papel? Como podemos cuidar da nossa cidade e das nossas praças? Para a falta de árvores, questão levantada por muitas crianças, a conclusão foi que cada um deve ajudar plantando mais árvores e protegendo os pássaros. Para a sujeira, é preciso aprender a colocar lixo no lixo, porém, mais do que isso, comprar somente o necessário, pois não existe colocar “fora”: tudo fica dentro do mundinho da nossa casa comum. Com isso e retomando o projeto “Casa comum nossa responsabilidade”, o pas- so seguinte foi conhecer uma praça perto da Escola para uma vivência coletiva e como forma de cuidar desse espaço, que é responsabilidade de todos. O grupo escolheu ornamentar artisticamente uma árvore para expressar o compromisso de cuidar da sua casa comum, das praças e dos moradores da cidade de São Paulo. Eleição, plataforma e ação Os alunos do 1º ano do Fundamental I aprenderam que o prefeito e os vereadores que seriam eleitos são representantes dos cidadãos de São Paulo e têm responsabilidades para com eles. Num exercício de cidadania no seu ambiente escolar, passaram a observar o que cada um poderia propor para melhorar as condições de convívio no Prédio Menino Jesus. Inicialmente, pensaram em suas classes e fizeram suas propostas. Depois que as apresentaram, ocorreu a eleição dos candidatos a representante de sala. Também houve simulação da eleição para prefeito: com os nomes na tela, munidos do título, todos votaram. Cada classe elegeu seu representante e o vice. A próxima etapa será reunir a todos para que visitem as salas da Educação Infantil e proponham as melhorias sugeridas aos alunos, distribuindo respon- sabilidades. Está incluído o Projeto Lixo Zero no Parque, a organização dos espaços comuns para melhor utilização de todos, o Lanche Saudável de Todos os Dias, a Lição de Classe Solidária, em que os que terminaram primeiro ajudam os demais... e muitos outros. A percepção e a criatividade dos alunos realmente surpreendem!

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10 MAIS SABER >>> Cidadania, música e tabuada Nas aulas de Música do 2º ano do Fundamental I, um trabalho envolvendo Música, Ciências Humanas, Matemática e Português levou à criação de paródias das tabuadas de multiplicação. E o que essa proposta tem a ver com cidadania? “Mostramos o contexto social que envolve cada estilo musical, refletindo sobre os diferentes papéis vividos pelo cidadão, as diferentes intencionalidades das suas criações musicais, ora como música de protesto, ora como expressão de sentimentos, ora como narração da sua história de vida”, explica a professora Alessandra Nunes. A partir do rap, música que surgiu como voz da periferia, os alunos foram apresentados a outros gêneros, diferentes na proposta e na essência: música erudita, rock, xote, axé, sertanejo e MPB. De cada um, conheceram suas características musicais e refletiram sobre os as- pectos sociais e culturais das composições. Agora, é memorizar as tabuadas de forma prazerosa! Política LEVADA AO COTIDIANO O 3º ano do Fundamental I também aproveitou o período eleitoral no município para refletir sobre cidadania. Em grupos, os alunos coletaram informações sobre as propostas dos candidatos à prefeitura de São Paulo, pesquisaram vereadores que representam seus interesses, descobriram quais serviços públicos são papel do governo municipal e aprenderam a diferença entre poder legislativo e executivo, para avaliar se as propostas de seus candidatos eram viáveis. Junto com a família, realizaram uma visita pelo bairro em que moram. Após as eleições, escreveram uma carta para os vereadores mais votados, contando o que viram, e como esperam que o vereador possa ajudar nas necessidades do município. Para vivenciar melhor esse processo, os alunos escolheram seus representantes de classe. Cada candidato apresentou as propostas, sempre pensando no que poderiam de fato realizar. “Hoje os representantes têm ajudado os colegas na resolução de conflitos, ouvido suas solicitações, reivindicando-as junto à professora e à orientação, tentando assim melhorar a rotina da classe”, detalha a professora Maíra Nascimento.

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CALEIDOSCÓPIO#78 11 OLHAR CRÍTICO O 5º ANO DO FUNDAMENTAL I OUVIU POLÍTICOS, ASSISTIU A VÍDEOS, PESQUISOU INFORMAÇÕES E SIMULOU UMA VOTAÇÃO. TUDO PARA EXERCER COM CRITICIDADE A CIDADANIA E A DEMOCRACIA. CONSUMO CONSCIENTE O 4º ano do Fundamental I desenvolveu um amplo trabalho sobre alimentação, tema de vital importância nesse período em que se formam os hábitos nutricionais. Depois de estudarem tópicos como origem dos alimentos, digestão e produção de lixo, chegou o momento de refletirem sobre consumo consciente de alimentos que resultem em saúde, associado ao cuidado com o meio ambiente, a nossa casa comum. Os alunos experimentaram sucos com diferentes sabores, cada um com uma fruta, um legume e um tempero. Também prepararam um lanche natural contendo carboidratos, proteínas e vitaminas com a orientação e supervisão da nutricionista do Colégio. O trabalho ainda foi ampliado em Português (análise de receitas), Matemática (quantidades fracionárias), Ciências Naturais (propriedades dos vegetais), incentivo à leitura (oficina “Cardápio de Informações”, com pesquisa sobre lanche escolar de outros países) e Tecnologia (uso da interface Makey, Makey em jogo com os 10 Rs - Reutilizar, Reduzir, Reciclar, Repensar, Recusar, Respeitar, Reparar, Responsabilizar-se, Repassar, Reintegrar). Os alu- nos ainda produziram desenhos ou dobraduras criativas sobre o tema e esquetes com mensagens de bons hábitos alimentares. Lanche consciente não é só um lanche saudável, porque devemos pensar também no lixo que geramos. Então, em vez de trazer um suco de caixinha que produz lixo, podemos beber um natural, que não produz nenhum lixo e ainda é mais saudável, pois não tem adição de sódio e conservante. Matheus Mattara Colombo O resultado de tudo isso? O lanche consciente agora já é prática e muitas outras atitudes pequenas e essenciais foram incorporadas ao cotidiano das famílias, relativas ao consumo de água e energia e à seleção do lixo. Portanto, o importante é mantermos e ampliarmos nossas ações, dando o exemplo e fazendo o mundo um lugar melhor desde já. A entrevista foi com o vereador Ricardo Nunes, e para se preparem, as turmas saíram em busca de resposta sobre o que podem fazer o prefeito e o vereador para a cidade de São Paulo. Mariana Moreira Paulani, do 5º C, admirou-se ao descobrir que um vereador é eleito para um mandato de quatro anos e que é ele quem fiscaliza a ação do prefeito. “Ah, então o prefeito não está sozinho, daí, é importante escolher um vereador que tenha boas propostas”, complementou Bruno Barros. Já Maria Júlia Santoro fez uma observação interessante: “Não basta saber votar, depois temos de cobrar. Cansei de ouvir adultos dizendo que os políticos só falam; mas quando assumem seus cargos nem se lembram mais do que prometeram.” Gustavo Berna lembrou com entusiasmo o que aprendeu ao entrevistar o vereador: “Todos podem participar das assembleias da Câmara Municipal, mas tem mais gente criticando do que dando opinião ou sugestão”. “Quando não sabem escolher um candidato, costumam votar branco ou nulo. Agora, sei que isso é uma forma de deixar as coisas como estão. Demonstra que a pessoa não se importa com o que vai acontecer; é indiferente. Não achei isso legal!”, finaliza Helena Domene. “Por meio dos argumentos, os alunos demonstraram que ser cidadão é mais do que pertencer a um grupo social, é ser efetivamente alguém que tem direitos e deveres, ser responsável por eles e conscientizar-se de que toda ação tem implicações tanto para a própria pessoa como para os outros”, conclui a professora Veronice Leal.

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12 MAIS SABER >>> Cidadania na prática No horário inverso das aulas, o 7º ano do Fundamental II desenvolve o projeto Ecoestudantil, que tem por objetivo trabalhar o aproveitamento de uma forma energética abundante no país, mas pouco estimulada e por vezes rodeada de mitos: a energia solar. O projeto vem proporcionando discussões que levam à reflexão, não apenas sobre a questão ambiental, mas também sobre o papel social que o acesso à energia desempenha em uma sociedade, além da sua importância econômica. Em novembro, os alunos do projeto fizeram uma oficina para a construção e a doação de uma minicisterna para os alunos da EMEF Laerte Ramos de Carvalho. Eles ensinaram passo a passo, mostrando detalhes, a maneira de executar o equipamento, conscientizando de que é simples, viável e de baixo custo. Sendo assim, abriram a possibilidade de formar novos agentes multiplicadores do conceito de sustentabilidade. “Nas nossas oficinas, os alunos confeccionaram o aquecedor solar, que foi doado à ONG Gotas de Flor com Amor, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco”, resume a professora Caroline Mieko Agata Moreira. No dia da instalação, eles explicaram o funcionamento do aquecedor solar, apresentaram os materiais utilizados em sua produção e ensinaram o público a construir um aquecedor, disseminando e multiplicando o conhecimento adquirido. Participaram também de outras atividades com as crianças da instituição, numa incrível troca de experiências. O Ecoestudantil do 8º ano também produz um efeito prático, igualmente relevante, com a oficina de construção de minicisterna para captação de água da chuva. POUCO QUE REPRESENTA MUITO Como parte do Projeto Ecoestudantil, no final de outubro, o 9º ano realizou uma limpeza simbólica em uma pequena parte da Represa Billings. “É tão pouco diante da poluição em que ela se encontra, mas é muito quando pensamos que o que podemos fazer pelo nosso Planeta se inicia assim, com pequenas ações que, multiplicadas, podem alterar e até reverter situações”, defende a professora Marisa Dimov. O grupo de estudantes limpou uma parte da mata que beira a represa em um braço perto da Estrada do Alvarenga. Foram recolhidos os mais variados tipos de resíduos: garrafas quebradas, garrafas pets, papéis, sacos de lixo, pedaços de louça, embalagens diversas etc. No total, foram recolhidos dez sacos de cem litros cada.

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Integração e alegria No início de outubro, o Santa Maria sediou a 12ª edição da “Copa Adere de Futsal Inclusivo”. Além da própria Adere, que dá nome ao torneio e já tem longo histórico de parceria com o Colégio graças ao trabalho voluntário realizado semanalmente pelos alunos, participaram mais três colégios: Videira Filho, São Sabas e CEB. Neste torneio, os assistidos pela Adere são misturados aos alunos dos quatro colégios participantes e as disputas ocorrem dentro de um espírito de comunhão e integração. Os alunos perceberam que, mesmo com diferentes níveis de comprometimento motor que acompanham as diversas deficiências intelectuais dos participantes da Adere, as dificuldades são transpostas por eles com muita garra, envolvimento, motivação e alegria. Segundo os professores da Adere, este é o evento mais esperado do ano por eles e há uma preparação específica para cada participante poder colaborar dentro de suas possibilidades. “Foi muito gratificante perceber que todas as instituições envolvidas imbuíram-se do sentido maior do evento que foi exatamente a integração de duas realidades diferentes, mas que se uniram através da linguagem do esporte, que é capaz de transpor barreiras e proporcionar momentos únicos”, declara o professor de Educação Física, Wallace Oliveira Marante. CALEIDOSCÓPIO#78 13 DO INDIVIDUAL PARA O coletivo O Reciclasse é um programa de educação ambiental proposto pelo Projeto Sustentabilidade, grupo formado por alunos do 8º ano do Fundamental II e orientado pelo professor de Geografia Haroldo Bueno. O objetivo é promover ações individuais e coletivas que contribuam para a produção de salas de aulas limpas, saudáveis e mais adequadas para a aprendizagem e, ao mesmo tempo, promover o exercício da cidadania por meio da conservação do meio ambiente e uma reflexão sobre mudanças de hábitos, padrões de consumo e desperdício. O programa propõe aos alunos da série a participação em uma gincana ambiental que avalia a organização, limpeza e produção de resíduos pelas turmas. Nas salas de aula, foram afixadas planilhas para anotação diária de pontos feita pelos colaboradores da limpeza. A sala mais comprometida com a qualidade ambiental levará sua pontuação para os jogos Interclasses. Paralelamente, o Reciclasse está implantando um sistema de reciclagem de papel descartado nas salas do 8º ano com equipamentos adquiridos com recursos levantados pelo projeto. Com tudo isso, o Projeto Sustentabilidade vem assegurando ao grupo de alunos participantes pensar em soluções sustentáveis, bem como em mudanças de atitude ambiental na comunidade do Santa Maria, com as ações da Campanha de Prevenção do H1N1 e o Reciclasse. Além disso, tem oportunizado o desenvolvimento de autonomia no planejamento de estratégias de atuação, produção de campanhas (vídeos e cartazes), captação de recursos para financiamento de projetos (compra de equipamento para reciclagem), estabelecimento de cronogramas e discussões sobre temas propostos.

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14 NOSSOS GIGANTES >>> INTEGRAÇÃO nas diferentes linguagens A brincadeira é uma atividade linguística, mais do que simbólica, que foi sendo transferida do teatro, da dança e dos diversos ritos e mitos, vivenciada comunitária e oralmente pelo conjunto das comunidades, como uma linguagem própria da infância. O brincar nas diferentes linguagens e culturas é uma possibilidade de vivência que visa a um corpo que dança, conta histórias, canta e brinca. Essas experiências contribuem para tecer o fio da memória que, pela transmissão da oralidade, projeta os gestos do brincar e a produção de conhecimento. Nesse contexto, a Educação Infantil realizou a Integração nas diferentes linguagens, com o objetivo de proporcionar aos alunos aprendizagens integradas, possibilitando a socialização de conhecimentos e a ampliação de diferentes habilidades. As oficinas realizadas permitiram momentos do brincar nas diferentes culturas e múltiplas linguagens, entre elas canto e cantos, capoeira, ateliê de produção de personagens, brincadeiras de roda e history time.

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Alimentação saudável CALEIDOSCÓPIO#78 15 “QUE A COZINHA SEJA A MAIS DELICIOSA FERRAMENTA PARA DESENVOLVER BOAS PRÁTICAS NUTRICIONAIS, CONSTRUIR RELACIONAMENTOS E PROMOVER UMA CULTURA ALIMENTAR CONSCIENTE E SAUDÁVEL NA NOSSA INFÂNCIA E COMUNIDADE.” ISHA RAMIREZ Os projetos da Educação Infantil têm como objetivo possibilitar vivências e experiências que envolvam os sentidos. O paladar é o foco deste projeto. Aproveitar a hora do lanche, dos piqueniques ou mesmo da aula de culinária para apresentar diferentes alimentos e ampliar as experiências com os diferentes sabores. Observar a horta e aprender a cuidar dos alimentos plantados acompanhando o crescimento e colhê-los, trazem aprendizagens valiosas que favorecem a curiosidade das crianças a experimentar novos alimentos e sabores. Um dos objetivos é que, conhecendo mais opções, participem da escolha do que trarão para o lanche. Outra aprendizagem decorre do preparo dos pratos. Ao elaborar uma receita de pão ou de bolo, os alunos percebem as texturas dos ingredientes, a mistura e a transformação quando levados ao forno, até o momento de repartir entre todos e degustar o alimento pronto. “Não esquecendo da principal aprendizagem que é trabalhar em conjunto, esperar a vez de misturar os ingredientes, dividir as tarefas e colaborar para que tudo dê certo”, explica a orientadora Karine Ramos. Nessa convivencia, as crianças aprendem a escolher, a questionar e a identificar diferenças e semelhanças entre os alimentos, descobrir preferências e ampliá-las. Em grupo, experimentam novos sabores, movidas pela curiosidade e vontade de saber.

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