13ª - Revista Catarinense de Saúde da Família

 

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13ª - Revista Catarinense de Saúde da Família

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ANO VI | Nº 13 | Outubro 2016 Araranguá Chapecó Fraiburgo Garopaba Içara Imbituba Indaial Itaiópolis Jaraguá do Sul Lages Navegantes Peritiba São Bernardino Tigrinhos Vargem Bonita Vidal Ramos Secretaria de Estado da Saúde premia Melhores Práticas na Atenção Básica em Santa Catarina

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João Raimundo Colombo Governador do Estado João Paulo Kleinübing Secretário de Estado da Saúde Murillo Ronald Capella Secretário Adjunto de Estado da Saúde Leandro Adriano de Barros Superintendente de Planejamento e Gestão Lizete Contin Gerente de Coordenação da Atenção Básica Revista Catarinense de Saúde da Família Coordenação, distribuição e informações: Gerência de Coordenação da Atenção Básica – GEABS/SES/SC Rua Esteves Júnior, 390 - 3°. andar - Centro 88.015-130 - Florianópolis/SC (48) 3664-7269 / 3664-7270 / 3664-7282 (à tarde) revistasfsc@saude.sc.gov.br revcatsaudedafamilia@gmail.com portalses.saude.sc.gov.br www.facebook.com/revcatsaudedafamilia Conselho Editorial: Ângela Maria Blatt Ortiga Cássia Magagnin Roczanski Elísia Puel Fabrícia Vasco Janize Luzia Biella Lizete Contin Marcelo Marques de Melo Maria Cristina Calvo Mariana Dal Ri Mari Ângela de Freitas Marly Denise Wuerges de Aquino Mirvaine Panizzi Pio Pereira dos Santos Secretaria Executiva: Lizete Contin Marcelo Marques de Melo Editor: Marcelo Marques de Melo (MTB 5452/SC) Edição e editoração: BECONN | Produção de Conteúdo Jornalista: Daniela Risson (MTB DF4422JP) Projeto gráfico e diagramação: BECONN | Produção de Conteúdo Érika Souza Fotos capa: Acervo das Equipes ESF dos municípios Impressão: Gráfica DIOESC Tiragem de 3 mil exemplares Impresso no Brasil / Printed in Brazil Distribuição dirigida e gratuita. Venda proibida. Revista Catarinense de Saúde da Família / Secretaria de Estado da Saúde / Gerência de Coordenação da Atenção Básica. - Ano 6, n. 13 (out./ 2016). - Florianópolis : Beconn Produção de Conteúdo, 2016. v. Il.; 21 x 27,5 cm ISSN 2357-7088 Disponível em http://portalses.saude.sc.gov.br 1. Saúde da Família – Santa Catarina. 2. Atenção Básica em Saúde – Santa Catarina. 3. Medicina da Família. I. Secretaria de Estado da Saúde – Santa Catarina. II. Gerência de Coordenação da Atenção Básica. III. Título. CDD 613.3098641

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Editorial Mirvaine Panizzi – Coordenadora de Acompanhamento e Avaliação da AB / Telessaúde SC. A Atenção Básica é desenvolvida por equipes multiprofissionais que agregam seus conhecimentos, no esforço de prestar ações e serviços de saúde de qualidade às pessoas, em suas comunidades. Estas equipes, no dia a dia, se deparam com a complexidade de garantir o cuidado adequado e oportuno, com vínculo e corresponsabilização, de forma a resolver os problemas de saúde mais relevantes e frequentes. Precisam cuidar das pessoas, da saúde mais que da doença, prevenir e promover saúde acolhendo-as em suas fragilidades, acompanhá-las, educando e cuidando ao mesmo tempo, de forma solidária e participativa. É necessário ainda, articular ações intersetoriais, que tenham impacto na qualidade e nas condições de vida e trabalho da população, visando a autonomia das pessoas e a ampliação da consciência sanitária e cidadã. Ou seja, constitui-se em grande desafio. Muitas destas equipes atuam reorganizando processos de trabalho de forma criativa e inovadora, produzindo o cuidado em saúde. Estas experiências devem ser publicizadas e compartilhadas, contribuindo para a produção do conhecimento. Da mesma forma, a condução da gestão municipal e organização das Unidades Básicas de Saúde devem ser priorizadas e valorizadas. A viabilização de processos de educação permanente é fundamental para que os profissionais reflitam, discutam, reorganizem e se tornem protagonistas no mundo do trabalho. Desde o ano de 2007, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC), por meio da Gerência de Coordenação da Atenção Básica (GEABS), identifica e premia experiências exitosas desenvolvidas na estratégia Saúde da Família. A apresentação e premiação destas experiências teve destaque durante as seis edições do “Encontro Estadual de Saúde da Família,” realizado nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2013. Também foi destaque a apresentação e premiação dos municípios com melhor desempenho na Avaliação da Atenção Básica e equipes com maior participação no Telessaúde SC. No ano de 2015, embora não realizado o Encontro Estadual, foram certificadas as “Melhores Práticas de Atenção Básica em SC”, dos municípios com melhor desempenho na Avaliação da Atenção Básica e equipes com maior participação nas atividades do Telessaúde SC. Na “Avaliação da Atenção Básica em SC”, que está na sua 6º edição, foram certificados os 28 municípios que obtiveram melhor desempenho. Esta avaliação é realizada pela GEABS/SES/SC, em parceria com a UFSC/NEPAS – Núcleo de Extensão e Pesquisa em Avaliação em Saúde. Foi aplicada nos municípios nos anos de 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e em 2015. Os municípios catarinenses certificados com melhor desempenho na Atenção Básica em 2015, segundo porte populacional, foram: Também receberam certificação, nove equipes de Saúde da Família com “Maior participação em teleconsultoria no Telessaúde SC”. A teleconsultoria é um instrumento para qualificar a Atenção Básica e evitar encaminhamentos desnecessários para atenção secundária. A parceria entre a SES e o Núcleo Telessaúde SC, firmada em 2010, oferta várias atividades aos profissionais do estado. São realizadas webpalestras, fóruns de discussão e minicursos à distância. Teleconsultores respondem a dúvidas por meio de teleconsultorias no formato síncrono e assíncrono, há também disponível um helpdesk para apoio à implantação do e-SUS AB. As equipes certificadas com maior uso do Telessaúde SC foram: ESF Geral do município de Presidente Castelo Branco; ESF I de Vargem Bonita; PSF de São Miguel da Boa Vista; PSF São José de Monte Carlo; ESF Moema de Itaiópolis; PSF de Arroio Trinta; ESF Trinta Reis de Nova Trento; PSF 1 de Armazém e ESF Paquetá de Brusque. As “Melhores Práticas de Atenção Básica em SC” foram avaliadas por uma comissão, obedecendo a um edital. Foram inscritos 182 trabalhos e destes, selecionados um por Região de Saúde, totalizando dezesseis experiências, publicadas nesta edição. 3

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Sumário APRESENTAÇÃO ...................................................... 5 Melhores Práticas 2015 VARGEM BONITA O uso das cores para organização e planejamento das ações na Atenção Básica ................................................................ 6 LAGES Acolhimento à demanda espontânea com estratificação de risco: uma experiência inovadora no município .............. 9 VIDAL RAMOS Programa Roda Materna ................................................. 13 FRAIBURGO Grupo SUPERA DOR: usando a hidroginástica na promoção da saúde ........................................................... 17 NAVEGANTES O BICHO VAI PEGAR: Programa Saúde na Escola ........... 20 CHAPECÓ Grupo Terapêutico Desenvolvimento Humano para Usuários de Psicotrópicos em uma Unidade Básica de Saúde ...... 24 IMBITUBA Fazendo Arte com a Linguagem ....................................... 28 PERITIBA Descarte Consciente e Uso Racional de Medicamentos ..... 33 TIGRINHOS Programa Saúde na Escola: construindo Redes Intersetoriais para desmedicalizar o ambiente escolar .......................... 37 INDAIAL Reabilitação da Musculatura do Assoalho Pélvico em Mulheres com Cistocele grau I .......................................... 42 ITAIÓPOLIS A Interdisciplinaridade do Cuidado através das Práticas Integrativas e Complementares: união das equipes ESF, NASF e Telessaúde ...................................................... 47 GAROPABA Projeto EmagreSER ............................................................ 54 JARAGUÁ DO SUL Grupo Proseando: uma prática de promoção da saúde ...... 59 ARARANGUÁ Projeto “Agita Cidade Alta”: a ação é o movimento .......... 63 SÃO BERNARDINO Programa Sorriso Novo .................................................... 67 IÇARA Corpo em Movimento - grupo terapêutico para pacientes com dor crônica de origem musculoesquelética ........... 70 Relatos de Experiências VIDAL RAMOS Ensinando Saúde - Programa Saúde na Escola ........... 74 SÃO MIGUEL DA BOA VISTA Horto & Saúde: relato de experiência ............................ 78 ITAPEMA Educação em Saúde na sala de espera ............................ 85 CRICIÚMA Equipe de Consultório na Rua em Criciúma .................. 89 VIDAL RAMOS Programa Dente de Leite: o sorriso nas escolas ................ 96 PRESIDENTE CASTELLO BRANCO Programa Farmácia Viva: plantando chás colhendo saúde ... 99 Fortalecendo a Gestão do SUS Integração do Telessaúde no fluxo entre Atenção Básica e Atenção Especializada no Município de Joinville – SC ..... 107 ExperiênciaProjetoQualiSUS-RedenaRegiãoMetropolitana de Florianópolis: Apoio Institucional Estadual ......... 115 Refletindo sobre o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ) .......................................................... 117 Yoga Gestacional na Atenção Básica de Saúde ............ 126

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Apresentação Marcelo Marques de Melo – Editor da Revista Catarinense de Saúde da Família / GEABS / SES / SC Como em algumas publicações anteriores – nº 02, 06 e 10 –, esta edição 13 da revista, traz em destaque as “Melhores Práticas na Atenção Básica em SC”, realizadas em 2015, e mais outros seis relatos de experiências na Estratégia Saúde da Família. Relatos das Melhores Práticas na AB em 2015 Com práticas corporais regulares, Araranguá incentiva a promoção da saúde e leva benefícios à comunidade do território de abrangência da UBS. O NASF de Chapecó atende em grupo, baseado na interação em que participantes buscam reduzir seus sintomas físicos e emocionais. Fraiburgo atua com hidroginástica, promovendo a interação social, prevenindo agravos e reabilitando usuários com distúrbios osteomusculares. Garopaba, com atividades realizadas pelo NASF, sensibiliza usuários para reaprenderem hábitos saudáveis, com vistas ao alcance do peso ideal. Içara amplia a resolutividade da Atenção Básica, quanto aos encaminhamentos para a atenção de fisioterapeutas. Com brincadeira simbólica, Imbituba trabalha na aquisição da linguagem, no repertório lexical, na inteligibilidade da fala, na percepção auditiva e na produção fonológica. Grupo em Indaial, busca melhorar os sintomas da cistocele grau I, com exercícios para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico. Equipes ESF e NASF de Itaiópolis, atuam com Práticas Integrativas e Complementares em tratamento de pacientes crônicos. Jaraguá do Sul traz estratégias de promoção e prevenção na saúde, com ações socializadas de produção manual e artesanal com usuários da ESF. Lages aponta as principais mudanças reconhecidas pela comunidade, ao protocolo de estratificação de risco implantado. Teatro de fantoches em algumas escolas de Navegantes, contribui melhorando a qualidade da saúde das crianças. Peritiba mobiliza a população numa campanha ao uso racional de medicamentos, quanto ao descarte e recolhidos de farmácias caseiras. São Bernardino substitui próteses dentárias, com tempo de uso igual ou maior a 10 anos, reabilitando pessoas na mastigação, fonética e estética. Tigrinhos cria grupo intersetorial para discussão de ações de saúde mental no contexto escolar, em articulação com o GTI-M. Vargem Bonita implementa o cuidado às pessoas com hipertensão e diabetes, reduzindo o risco de complicações pelo uso incorreto de medicamentos. A equipe de Vidal Ramos acolhe a mulher e seus familiares no início da gravidez, assegurando uma assistência adequada até o fim da gestação. Relatos de Experiências O Programa Saúde na Escola implantado em Vidal Ramos tem o diferencial de alcançar todas as escolas e todos os educandos. São Miguel da Boa Vista promove o uso racional de plantas medicinais ou fitoterápicos no SUS e valoriza terapia alternativas e complementares. Na sala de espera em Itapema há trocas de informações em saúde entre profissionais e usuários, acolhimento, assistência humanizada. Criciúma traz ações da equipe de Consultório na Rua, a vulnerabilidade da população em situação de rua, suas necessidades e problemas de saúde. Vidal Ramos promove ações lúdico-educativas de saúde bucal com crianças de 6 a 10 anos, também realiza exames ceo-d e IHOS nesta faixa etária. Presidente Castello Branco relata a articulação intersetorial para estruturar serviços relacionados à fitoterapia na Atenção Básica, de 2010 a 2014. 5

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MELHORES PRÁTICAS 2015 VARGEM BONITA O uso das cores para organização e planejamento das ações na Atenção Básica Fotos: Acervo da ESF do município Enfermeira Micheli Cristina de Oliveira Técnica de enfermagem Andreia Costa Moreira Odontóloga Cristhiane Covolan Picinatto Médico Jair José Gemelli Agentes comunitários de saúde Álide Antoniolli Welter Camila Cristina Mozzer do Prado, Claudete Bortolini Spader Bueno Eva Gonçalves Chiot Ivete Antunes de Oliveira dos Santos Liliane Chester Lins Luciane de Fátima Ottonelli de Moraes Rafaela Patrícia de Abreu Roselei Souza Machado Salete Moreira Leite De Tomin Salete Ribeiro Ulrich Introdução O município de Vargem Bonita conta com uma população de aproximadamente 4.793 habitantes, abrangendo uma área territorial de 298,611 km² e catorze comunidades. Está organizado a partir de duas áreas de abrangências, com duas Equipes de Saúde da Família (ESF). Uma equipe de saúde atende uma população de 3.433 habitantes na Unidade de Saúde Central, com atendimento à população de área urbana e rural. A outra equipe atende na Unidade de Saúde Campina da Alegria. Ambas atendem famílias com indicadores de risco em saúde. Em reuniões realizadas pela equipe da Unidade Central e em visitas domiciliares, os profissionais percebiam baixa adesão ao tratamento medicamentoso e às atividades de educação em saúde oferecidas aos grupos de pessoas portadoras de doenças crônicas. Além disso, havia falta de organização no arquivo das fichas de cadastro e acompanhamento. A utilização de cores sempre foi um recurso utilizado pela equipe para a organização das atividades desenvolvidas. Dentre estas, destaca-se o Calendário Educativo da Saúde que é distribuído anualmente para todas as famílias do município. Neste documento estão descritas as ações de saúde programadas e agendadas para o ano, os temas relacionados à educação em saúde programados mensalmente (grupo de hipertensos, grupo de diabéticos, grupo de reeducação alimentar, grupo de tabagismo, grupo para carteira de saúde, reunião do Conselho Municipal de Saúde, atendimentos no interior, grupo de caminhada, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança (pesagem), calendário vacinal, telefones úteis e as datas de atendimento ofertado pela equipe de saúde, no interior do município). Calendário Educativo da Saúde, com legenda Seguindo esta lógica, foram introduzidas as cores na organização do processo de trabalho da equipe e atendimento de saúde às pessoas com diagnóstico de doenças crônicas (hipertensão e diabetes), no que diz respeito à organização das fichas dos pacientes, das atividades desenvolvidas e na organização da medicação utilizada (sacola inteligente Dose Certa). Neste sentido, pensa-se estar colaborando para a adesão ao tratamento e empoderamento, fortalecendo vínculos e motivando as pessoas para o autocuidado, prevenção de doenças e promoção da saúde. Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 6

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Para facilitar o uso das medicações, a equipe de saúde elaborou a sacola inteligente Dose Certa. Esta sacola apresenta divisórias internas para o armazenamento dos medicamentos específicos e utilização de desenhos e cores nos adesivos nas cartelas de medicação, facilitando a utilização correta (nome do medicamento, dose, posologia). A falta de padronização dos medicamentos é um grande problema verificado, pois os mesmos medicamentos apresentam embalagens diferentes dependendo do laboratório que o produziu. Ficou determinado também que cada área seria designada por uma cor específica que corresponde à data da reunião constante no calendário educativo da saúde. As fichas e a sacola inteligente Dose Certa seguem o mesmo padrão de cores. Justificativa Vários fatores contribuíam para a baixa adesão das pessoas com diagnóstico de hipertensão e diabetes nas atividades de grupo. Dentre os fatores, citam-se: grande número de grupos; elevado número de participantes; vários grupos; várias microáreas; entre outros. Além disso, o município de Vargem Bonita possui catorze comunidades do interior, dificultando a participação das pessoas nos diferentes grupos ofertados. Devido às dificuldades já apontadas (uso de múltiplos medicamentos, diferentes embalagens, analfabetismo, entre outras) os agentes comunitários, durante as visitas domiciliares, identificavam o uso incorreto de medicamentos por uma grande parcela dos pacientes. A desorganização e ou extravio das fichas de cadastro e acompanhamento dos hipertensos e diabéticos era evidente. Objetivo Geral Implementar o cuidado ofertado às pessoas com diagnóstico de hipertensão e diabetes na Unidade de Saúde do município de Vargem Bonita. Objetivos Específicos: ••Garantir e ampliar a participação das pessoas nas atividades educativas; ••Fortalecer o vínculo entre a equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e a população; ••Melhorar a organização de insumos para a oferta das atividades de grupo; ••Aumentar a adesão e o uso correto de medicamentos; ••Diminuir o risco de complicações pelo uso incorreto de medicamentos; ••Facilitar o acesso e participação de todas as pessoas. Desenvolvimento A ESF caracteriza-se como uma estratégia que possibilita a integração e promove a organização das atividades em um território definido, com o propósito de propiciar o enfrentamento e a resolução dos problemas identificados (BRASIL, 1997). A educação em saúde é uma das responsabilidades atribuídas para os profissionais da equipe de saúde da família, cujos pressupostos estão centrados num conjunto de saberes e práticas orientadas para a prevenção de doenças e promoção da saúde (COSTA; LOPES, 1996). A sacola Dose Certa está organizada da seguinte forma: dividida em quatro compartimentos, sendo um transparente, exclusivo para a receita do paciente com as medicações prescritas pelo médico, e os outros três compartimentos com as seguintes escritas e desenhos: café (xícara), almoço (prato e talheres) e jantar (lua). Cada compartimento corresponde a uma determinada cor. Além disso, para evitar a troca das medicações entre os compartimentos, as cartelas dos medicamentos são identificadas com um adesivo da mesma cor do compartimento da sacola correspondente ao horário da utilização do medicamento. Esse mesmo adesivo em formato de círculo indica a quantidade de comprimido de cada fármaco a ser utilizado (círculo inteiro corresponde a um comprimido inteiro, meio círculo corresponde a meio comprimido). Cada compartimento recebe somente uma cartela de cada fármaco para evitar a ingesta repetitiva do mesmo medicamento. Para o estoque de medicamentos há outro compartimento na lateral da sacola para o armazenamento. Nas visitas domiciliares, as agentes comunitárias de saúde repõem e controlam as medicações com maior facilidade. Sacolas Dose Certa e fichas para hipertensos e diabéticos A sacola inteligente Dose Certa é distribuída em cinco cores. Cada cor corresponde a uma data de reunião Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 7

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de grupo e microárea. Por exemplo, se o usuário é hipertenso e reside na microárea 01 ele recebeu a sacola Dose Certa azul ele deve participar da reunião do dia identificado com a cor azul. Além disso, sua ficha de cadastro e acompanhamento arquivada na unidade de saúde também é de cor azul. Resultados ••Aumento do número de participantes nas palestras e atividades de educação em saúde, conforme quadro a seguir: GRUPOS 2007 2014 Hipertensão arterial Diabéticos 37,8% 32% 73% 64% ••Maior motivação da equipe de ESF, em realizar cada vez mais promoção à saúde, abaixo exemplificada, no número de atividades educativas realizadas. ANO 2007 2014 NÚMERO DE ATIVIDADES EDUCATIVAS 34 62 ••Melhor divulgação dos trabalhos e atividades educativas desenvolvidas pela equipe da ESF, atingindo toda a população do município; ••Melhoria dos índices de hipertensão arterial sistêmica e da glicemia capilar; Sacola Convencional Sacola Dose Certa PA e Glicemia Controlada 10% 80% PA e Glicemia Estável 15% 15% PA e Glicemia Descompensada 75% 5% Total 100% 100% A seguir, destacamos algumas falas das pessoas relativas às mudanças realizadas pela equipe para a melhoria da oferta do cuidado: “Assim não tem problema de esquecer também porque os medicamentos estão divididos por horário e assim não tem como não tomar.” (J.L.A.) “Agora ficou bem mais melhor, porque agora até consigo tomar os remédios sozinho, se a mulher não tá eu consigo tomar, porque eu olho nas bolinhas azul se é só uma bolinha eu sei que é só um comprimido se tiver duas bolinhas eu sei que é dois comprimidos.” (V.B.M.) “Sei ler, mais ou menos, daí com essa nova sacolinha não tem problema, por que tem cores diferentes e isso é bem fácil de saber qual medicação que tem que tomar.” (I.P.) “Pra mim ficou mais fácil, porque ficou divulgado, separado o que eu tem que tomar de manhã, de meio dia e de noite, não carece tá misturando. Fica separado, de manhã é amarelo, de meio dia é vermelho e de noite é azul. Então assim fica fácil.” (A.J.C) “Para mim melhorou muito, porque quando abre a sacolinha já tem todos os medicamentos certos, não precisa ficar lendo pra saber qual que é para tomar. Para mim tá mil maravilhas.” (J.L.A.) Considerações finais As equipes da ESF devem operar na lógica do território para atender às variadas necessidades de saúde da população de sua área de abrangência, com fortalecimento de vínculos e oferta de cuidado integral, resolutivo e humanizado. A equipe verificou que após a implantação do Calendário Educativo da Saúde, houve aumento da participação das pessoas nos grupos de prevenção e educação em saúde e valorização da equipe pela comunidade. A implantação da sacola inteligente Dose Certa proporcionou a diminuição do uso incorreto de medicamentos. Além disso, a equipe de ESF sentese motivada a implementar cada vez mais a oferta do cuidado em saúde, apesar de todas as dificuldades que se apresentaram ao longo da trajetória. A utilização das cores, tanto na sacola inteligente Dose Certa, quanto das fichas de cadastro das pessoas com diagnóstico de hipertensão e diabetes possibilitou a melhoria da organização do trabalho da equipe e facilitou o acesso e a participação das pessoas nas variadas atividades propostas, com maior adesão ao tratamento e diminuição de complicações decorrentes do uso incorreto de medicamentos. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial. Brasília: Ministério da Saúde, 1997. COSTA, M.; LÓPEZ, E. Educación para la salud. Madrid: Pirámide, 1996. p.25-58. SOUSA, Ricardo Alex. Técnicas de armazenamento de medicamentos. Disponível em: http://www.ebah.com. br/content/ABAAAAFg4AC/tecnicas-armazenamentomedicamentos. Acesso em: 22 de jul. 2013. STARFIELD, Barbara. ATENÇÃO PRIMÁRIA: Equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO Brasil, Ministério da Saúde, 2004. Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 8

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MELHORES PRÁTICAS 2015 LAGES Acolhimento à demanda espontânea com estratificação de risco: uma experiência inovadora no município Fotos: Acervo da ESF do município Autoria Enfermeira Margarete Verônica Jesse dos Santos Enfermeiros Elenice Perin Flogliari Tiago Santer Auxiliar de enfermagem Patrícia Aparecida de Lima Médico Júlio César Casto Ozório Médico residente Fernando Martinez Agentes comunitários de Saúde Eny Lourenço Costa Fabiana de Oliveira Fernanda Aparecida do Nascimento Jhessica Almeida José Carlos Júnior Nilva Medeiros Introdução A Atenção Primária à Saúde é de natureza complexa, envolvendo um conjunto de saberes e práticas, exigindo respostas de intervenção amplas e variadas para que possa ter efeito positivo sobre a qualidade de vida da população. É definida como o primeiro contato na rede assistencial do sistema de saúde, caracterizando-se, principalmente, pela continuidade e integralidade da atenção, além da coordenação da assistência dentro do próprio sistema, da atenção centrada na família, da orientação e participação comunitária (STARFIELD, 2004). A Estratégia Saúde da Família (ESF), portanto, tem como principal objetivo, a organização e reorganização da Atenção Básica, orientando a mudança de um modelo de atenção voltado para o biomédico/curativo para um modelo de atenção centrada na determinação social da doença. Nesse sentido, um modelo de atenção à saúde não é somente uma forma de organização dos serviços ou um modo de administração do sistema de saúde, ele representa também a forma de organizar as relações entre os sujeitos (profissionais de saúde e usuários) mediadas pelas tecnologias (materiais e não materiais), que são adotadas no processo de trabalho com o objetivo de intervir sobre os problemas (danos e riscos) e as necessidades sociais de saúde. O modelo da ESF envolve três dimensões: a dimensão gerencial (mecanismos de condução do processo de reorganização de ações e serviços); a organizativa (estabelecimento das relações entre as unidades de prestação de serviços); e a dimensão técnico-assistencial, ou também chamada de dimensão operativa, que trata das relações firmadas entre sujeito(s) das práticas em saúde e os objetos de trabalho, mediadas pelo saber e pela tecnologia, nos diferentes planos, como na promoção da saúde, na prevenção de riscos e agravos, e na recuperação e reabilitação. Nesse sentido, a Estratégia de Saúde da Família tem como finalidade a transformação do modelo de trabalho das equipes, da assistência à saúde e das relações entre os profissionais e da comunidade assistida. Tem como foco a família a partir do estabelecimento de vínculos com a equipe multiprofissional. Um dos grandes desafios das equipes da ESF tem sido garantir acessibilidade aos usuários do SUS, seguindo as diretrizes e respeitando os direitos humanos. Acolher a demanda espontânea de forma humanizada tem sido o principal desafio. O acolhimento é definido por Brasil (2010) como: Recepção do usuário, desde sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações, angústias, e ao mesmo tempo, colocando os limites necessários, garantindo atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. A Política Nacional de Humanização – PNH (2010), esclarece que “o acolhimento é uma postura ética que implica na escuta do usuário em suas queixas”. Dessa Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 9

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forma, é necessário que as equipes do município de Lages organizem seus processos de trabalho com elaboração de protocolos e fluxogramas a fim de atender estas demandas. O Ministério da Saúde, a partir das orientações do Caderno de Atenção Básica n°. 28, publicado em 2011, orienta que, a partir da escuta qualificada, as equipes da ESF devem ser capazes de realizar a avaliação de risco e vulnerabilidade quer se apresenta como uma importante ferramenta para o acolhimento das pessoas, orientando a assistência e racionalizando o tempo de atendimento, de forma equânime. A estratificação de risco e a avaliação das vulnerabilidades devem orientar, não só o tipo de intervenção necessário, como também o tempo em que isso deve ocorrer. Sugere classificá-las em “Não Agudo” (intervenções programadas) e “Agudo” (atendimento imediato, prioritário ou no dia). Baseado na proposta deste caderno, o município de Lages, em 2014, elaborou o fluxograma de atendimento e o Protocolo de acolhimento, estratificação de risco e vulnerabilidade. Justificativa Tendo em vista a grande demanda de atribuições das equipes da ESF frente ao cuidado em saúde, focado na família e na avaliação integral, é de suma importância a utilização de fluxogramas de atendimento nas unidades, além da utilização de protocolos, com o objetivo de racionalizar a atenção à saúde, atribuindo responsabilidades e atribuições compatíveis com as especificidades de cada área profissional e em respeito aos preceitos éticos e legais das variadas profissões. O município de Lages, no intuito de garantir ao usuário um espaço adequado de escuta, a partir da organização do processo de trabalho das equipes de saúde, optou por utilizar, na porta de entrada das unidades de saúde, o acolhimento com escuta qualificada e o protocolo de classificação de risco e vulnerabilidade, oportunizando acesso universal, equânime e com qualidade para todos. Espera-se ainda garantir a atenção multiprofissional, centrada na pessoa e não mais no profissional. Além disso, espera-se estar contribuindo para a diminuição de filas, racionalização e resolubilidade da atenção, garantindo direitos humanos previstos na Política Nacional de Humanização e indo ao encontro das recomendações do Programa Nacional de Melhoria e do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), fortalecimento da ESF e do SUS. Objetivo geral Relatar as mudanças verificadas no processo de trabalho da equipe de saúde e na atenção ofertada aos usuários. Objetivos específicos ••Relatar o breve histórico da implantação do protocolo de estratificação de risco; ••Descrever o fluxograma de acesso e atenção na unidade saúde; ••Compartilhar as principais mudanças reconhecidas pela comunidade com a implantação do protocolo de estratificação de risco. Metodologia A metodologia escolhida para o presente trabalho foi o relato de experiência. A relevância de um relato de experiência está na pertinência e importância dos problemas que nele são relatados. Este relato pretende descrever a trajetória da utilização do protocolo de acolhimento com estratificação de risco realizado pela equipe da ESF do bairro Tributo. Para viabilizar o presente relato foram utilizadas anotações e atas das reuniões da equipe, de relatos de usuários e de dados gerados pelo sistema de informação da Secretaria Municipal de Saúde de Lages. Desenvolvimento Durante os últimos três anos o município de Lages tem se empenhado na elaboração de fluxogramas e protocolos, no entendimento da necessidade de implementar o processo de trabalho das equipes e atenção integral aos usuários, de forma humanizada (protocolo de consulta de enfermagem do pré-natal, diabetes e hipertensão, idoso, revisão do protocolo de pré-natal, saúde mental, consulta de enfermagem e o protocolo de acolhimento) e estratificação de risco da demanda espontânea. Em 05 de janeiro de 2015 foi implantado o protocolo de acolhimento e estratificação de risco na unidade de saúde de Tributo. Até este momento a entrega de “fichas” para organizar o acesso das pessoas, era a estratégia utilizada. Para dar início ao novo modelo de acesso foi organizada uma reunião com líderes comunitários para apresentação da proposta, que sugeriram, além da implantação do protocolo, o agendamento semanal de consultas com o objetivo de diminuir as faltas às consultas na unidade. Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 10

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O fluxo de acesso dos usuários na unidade de saúde ficou assim estabelecido: Se o paciente for classificado como verde na consulta de enfermagem, o enfermeiro usará do protocolo de consulta de enfermagem: A partir da implantação deste novo modelo, todas as pessoas que chegam à unidade de saúde, trazendo qualquer queixa ou demanda, são atendidas pelo enfermeiro, que durante o acolhimento realiza a escuta e, ou ele atende este usuário ou o encaminha para atendimento médico. Para a realização da consulta de enfermagem, os enfermeiros da unidade contam com o respaldo do protocolo de consulta de enfermagem, que orienta o cuidado e possibilita encaminhamentos mais seguros e condutas efetivas frente ao usuário, conforme figura abaixo. O exemplo abaixo, de diarreia aguda, é um dos exemplos que constam no protocolo de enfermagem. Resultados Após a implantação do protocolo de acolhimento e estratificação de risco houve diminuição de consultas médicas e aumento do número de consultas de enfermagem. De acordo com o sistema GEMUS, no período de janeiro a abril de 2015 houve diminuição de 9,6 por cento de consultas médicas em relação ao 11 Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016

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mesmo período de 2015. Em relação às consultas de enfermagem, houve aumento de 12,7 por cento das consultas durante este mesmo período. Entende-se que o aumento do número de consultas do enfermeiro deveu-se ao fato de este profissional atender os pacientes com demandas não urgentes (cor verde - não urgente), possibilitando a atenção focada prioritariamente em relação ao autocuidado e de promoção de saúde, liberando o médico para atendimentos das situações clínicas mais graves. Outro importante resultado da implantação do Protocolo de Acolhimento e estratificação de risco foi o aumento de 3,1 por cento do total de atendimentos realizados no mesmo período em relação ao mesmo período anterior, oportunizando mais acesso. Conclusão Na prática diária têm-se observado bons resultados durante os dez meses de mudança de modelo. A comunidade relata satisfação em relação ao acolhimento, principalmente por ter acesso à escuta qualificada do enfermeiro. A equipe percebeu diminuição de filas na porta de entrada oportunizando acesso a todas as pessoas que procuram o serviço, sem necessidade de comparecer à unidade durante o período da madrugada para pegar “fichas”. Os enfermeiros se sentiram valorizados com a implantação da nova proposta, fato este corroborado pelos relatos de muitos usuários, que relatam também um melhor acolhimento na sala destinada especialmente para este fim, com respeito à suas necessidades, garantindo sigilo. cuidado prestado aos usuários. Houve consolidação do processo de trabalho a partir do novo fluxo estabelecido, conferindo responsabilidade para todos. Muitos desafios persistem, tanto relacionados às implementações do próprio protocolo, bem como na necessidade de se manter um processo de educação permanente em serviço. No entanto, a experiência vivida durante este período sugere a importância e certeza da manutenção e implementação da proposta. Referências BRASIL. Ministério da Saúde, Portaria 2488, 21 de outubro de 2011. Brasília 2011. Disponível em: http://www.brasilsus.com. br/legislacoes/gm/110154-2488.html. Acesso em: 12 out. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Basica 28. Acolhimento a demanda espontânea. Brasilia 2011. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/miolo_ CAP_28.pdf. Acesso em: 12 out. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Politica Nacional de Humanização. Brasilia 2010. Disponível em: http://www. saude.sc.gov.br/hijg/gth/Cartilha%20da%20PNH.pdf. Acesso em: 12 out. 2015. Conselho Regional de Enfermagem. Câmara técnica na atenção básica. Minas Gerais 2006. Disponível em: http:// www.corenmg.gov.br/anexos/Apresentacao_Protocolos_ Assistenciais_Rosana_Paes.pdf Acesso em: 12 out. 2015. STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Sistema de Informação de Saúde de Lages. Disponível em: http://www.saudelages.sc.gov.br/. Acesso em: 12 out. 2015. Equipe de Saúde da Família do Bairro Tributo Os enfermeiros relatam se sentirem mais amparados clinicamente e eticamente pelos protocolos, possibilitando maior resolutividade nos atendimentos prestados. A implantação do protocolo fortaleceu o trabalho de equipe, estabelecendo atribuições específicas a cada área profissional com corresponsabilização pelo Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 12

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MELHORES PRÁTICAS 2015 VIDAL RAMOS Programa Roda Materna Fotos: Acervo da ESF do município Introdução Este trabalho é um relato de experiência desenvolvido no município de Vidal Ramos – SC, com gestantes e familiares, coordenado pela Equipe de Saúde da Família - ESF Área III, com o apoio do Núcleo de Apoio a Saúde da Família – NASF e Equipes de Saúde Bucal. Auxilia na troca de experiências, possibilita a socialização de diversas questões envolvidas no período gestacional e esclarece dúvidas acerca da gestação, parto e puerpério. O município de Vidal Ramos possui uma população de 6.372 habitantes, localizado no Alto Vale do Itajaí, interior do Estado de Santa Catarina, colonizado por descendentes de alemães, poloneses e italianos. Possui três equipes da ESF, Programa de Agentes Comunitárias de Saúde (PACS) implantado em 2001, que conta com 20 agentes comunitárias de saúde numa cobertura de 100% da população; duas equipes de Saúde Bucal; e NASF tipo II, implantado em 2012. Dispõe ainda de um Hospital Filantrópico. É cada vez mais frequente a participação do pai no pré-natal, devendo sua presença ser instigada durante as atividades de consulta e de grupo, preparando-o para o parto, como parte do planejamento familiar. A gestação, o parto, o nascimento e o puerpério são eventos carregados de emoções intensas, pois constituem momentos de crises construtivas, com forte potencial positivo para estimular a formação de vínculos e provocar modificações pessoais. (Ministério da Saúde, 2012). A gravidez e o puerpério sofrem influência de múltiplos fatores: biológicos, sociais e econômicos. De acordo com a Lei Orgânica da Saúde, a assistência à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) deve abranger tanto as ações assistenciais, quanto as atividades de promoção à saúde e prevenção de doenças. Sendo assim, a assistência ao pré-natal e puerpério é fundamental para a saúde materna e neonatal. O Programa Roda Materna teve início em 2013, voltado para as gestantes e seus familiares esclarecerem dúvidas e trocarem experiências com outros casais grávidos. São abordados assuntos voltados à gestação, parto e puerpério nos cinco encontros que são realizados. Acontecem dois grupos por ano, um no primeiro e um no segundo semestre, desta forma atingimos todas as gestantes do município, independente do pré-natal ser realizado na Unidade Básica de Saúde - UBS ou privado. Todas as gestantes do município são convidadas juntamente com seus familiares a participarem. Justificativa De acordo com o Ministério da Saúde o objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. (Ministério da Saúde, 2012). 13 Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016

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“Importância do pré-natal”: tema de abertura do Roda Materna A gestação é um período marcado por transformações físicas e emocionais, por isto, tanto a gestante quanto o seu companheiro têm muitas dúvidas durante este período que antecede o nascimento. Todo casal que espera um bebê deve ter respostas às suas indagações. Quanto mais seguros sobre todo o processo que está por vir, melhor e mais tranquilo será o parto. O contexto de cada gestação é decisivo para o seu desenvolvimento, bem como a relação que a mulher e a família estabelecerão com a criança que está a caminho, desde as primeiras horas após o nascimento. Interfere, também, no processo de amamentação e nos cuidados com a criança e com a mulher. Um contexto favorável fortalece os vínculos familiares, condição básica para o desenvolvimento saudável do ser humano. (Ministério da Saúde, 2006). Pensando no bem estar da gestante e da criança, nossa ESF, equipe III, com o apoio do NASF e Saúde Bucal, busca oferecer às gestantes uma oportunidade adicional, além das dúvidas sanadas no consultório, de busca por conhecimento do processo de gestação e modificações que ocorrem no organismo materno, a alimentação, a atividade física na gravidez, a importância do pré-natal, os cuidados com o bebê, os tipos de parto, o aleitamento materno e a saúde bucal são destacados. Em suma, o que se busca é troca de informações, aprendizagem e aproximação da família no processo gestacional. Objetivo geral Acolher a mulher e seus familiares desde o início da gravidez, assegurando assistência adequada até o fim da gestação, para o nascimento de uma criança saudável e garantia de bem estar materno e do neonato. Objetivos específicos ••Fortalecer o vínculo e a participação da família (companheiro, avós, filhos) nos encontros do grupo; ••Prover informações e esclarecer dúvidas relacionadas ao pré-natal, parto e puerpério de forma lúdica; ••Ofertar o curso de gestantes a todas as gestantes do município independente do local onde realizam o pré-natal; ••Garantir adesão de 100% das gestantes ao pré-natal; ••Fornecer apoio emocional e psicológico para as gestantes e familiares envolvidos; ••Orientá-las sobre o autocuidado e cuidados com o bebê; ••Estimular a participação da família nos cuidados com o bebê; ••- Estreitar o vínculo das famílias com a UBS para esclarecimento de dúvidas que possam surgir ao longo do processo; ••Estimular a amamentação exclusiva até os seis meses de idade; ••Prover a gestante de um kit de cuidados básicos para o bebê; Desenvolvimento Este trabalho é um relato de experiência do município de Vidal Ramos, que envolve a equipe III da ESF do município, formada por enfermeiro, técnico de enfermagem e médico, juntamente com os profissionais no NASF e Agentes Comunitárias de Saúde – ACS. O trabalho teve início em fevereiro de 2013. Os grupos de gestantes acontecem semestralmente, um no primeiro e um no segundo semestre do ano. Para cada grupo são realizados cinco encontros semanais, um encontro por semana no período noturno com duração de uma hora. Para divulgação utilizamos convites que são entregues na UBS e pelas ACS. E para as gestantes e familiares que não apresentam condições de deslocamento é oferecido transporte para os encontros. As gestantes quando captadas nas comunidades pelas ACS fazem o cadastro na UBS para adesão ao prénatal e são convidadas a participar do grupo, e as que fazem pré-natal fora do município também recebem o convite. Conforme cronograma quando iniciamos o grupo, entramos em contato com todas as gestantes pessoalmente, via telefone ou através das ACS para informar sobre o início do grupo. Em cada encontro abordamos assuntos distintos, entre os temas destacamos: A Importância do Prénatal; Vacinas da Gestante; Importância e Técnicas de Amamentação, sendo este um tema que merece destaque em todos os grupos, Cuidados com o Bebê; Desenvolvimento da Fala; Uso de Medicamentos na Gestação; Efeitos Emocionais na Gestação (vínculo mamãe-bebê); Postura; Atividade Física e Exercícios na Gestação; Saúde Bucal da Mãe do Bebê; Vacinas do Bebê e Intercorrências; e Acidentes na Primeira Infância. Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016 14

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Com a fisioterapeuta, gestantes aprendem exercícios benéficos Envolvemos assim diversos profissionais que atuam na equipe. Ao final de cada encontro abrimos para discussão com as participantes, sorteamos brindes e, para finalizar, oferecemos um café, momento este de descontração e troca de informações que ocorre de uma maneira informal. Para os pais que já tem filhos, disponibilizamos uma sala anexa com brinquedos e desenhos para colorir, sendo que as crianças ficam sob os cuidados de uma ACS enquanto os pais participam do grupo. Observa-se em nosso município, o interesse cada vez maior dos pais no envolvimento com o processo gestacional através da participação cada vez maior em cada edição do Roda Materna. As participantes são mães de primeira viagem e gestantes que já tem um ou mais filhos, mas que apresentam o mesmo interesse na busca de conhecimento e esclarecimento de dúvidas que surgem durante o processo gestacional e puerpério. Ao final de cada grupo, através das conversas informais, observamos que as gestantes sentem-se preparadas para cuidar de seus bebês. No encerramento do grupo entregamos para cada participante um kit composto por uma bolsa de gestante personalizada que contém: shampoo, sabonete glicerinado, hastes flexíveis, álcool 70%, lenços umedecidos, um pacote de fraldas tamanho RN, absorvente pós-parto, manta, body e um par de meias. As gestantes se sentem valorizadas e agradecidas pela oportunidade de esclarecimento de dúvidas que o grupo traz. Resultados e Discussão Em todas as edições do Programa Roda Materna os resultados foram positivos. O número de participantes varia de acordo com o número de gestantes de cada semestre. Conforme o quadro a seguir, mais de 130 gestantes já recebeu certificado de participação do grupo. Observamos a participação ativa dos companheiros, avós e filhos que algum casal já possua, fortalecendo assim o vínculo familiar. Edições Roda Materna I Roda Materna II Roda Materna III Roda materna IV Roda Materna V Total Período 07/02/2013 a 19/04/2013 05/06/2013 a 28/08/2013 02/04/2014 a 07/05/2014 24/10/2014 a 19/11/2014 10/04/2015 a 06/05/2015 Participantes Gestantes 24 13 29 38 35 139 Os assuntos são abordados com recursos áudio visuais e com bonecos, um do sexo masculino e outro do sexo feminino, sendo que, de uma forma lúdica, conseguimos orientar as famílias quanto aos cuidados com o bebê. Envolvemos nesse processo o pai que tem um papel fundamental no desenvolvimento do bebê que está a caminho. Após último encontro, kits são entregues às gestantes Através do grupo estreitamos os laços da família envolvida com as equipes de saúde, assim após o nascimento através das visitas domiciliares conseguimos acompanhar o desenvolvimento do bebê. Considerações Finais Segundo relatos das gestantes, elas se tornam mais seguras para encarar a gestação, parto e puerpério quando são acompanhadas e orientadas pela equipe e, principalmente, o envolvimento do esposo, avós e a participação dos outros filhos neste processo, fortalecendo tanto o vínculo familiar quanto da equipe de saúde. Desde o início do programa em 2013, observamos 15 Revista Catarinense de Saúde da Família | Outubro 2016

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