A Cama na Varanda

Embed or link this publication

Description

A Cama na Varanda - Regina Navarro Lins

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2

regina navarro lins a cama na varanda arejan do nossasid é ia sarespe it odeamoresexo http groups.google.com.br/group/digitalsource

[close]

p. 3

cip-brasil catalogaÇÃo-na-fonte sindicato nacional dos editores de livro rj l733c lins regina navarro 1948a cama na varanda arejando nossas idéias a respeito de amor e sexo novas tendências regina navarro lins ed rev e ampliada rio de janeiro bestseller 2007 inclui bibliografia isbn 978-85-7684-186-9 1 amor 2 sexo 3 comportamento sexual 4 relações homem-mulher i título 07-0464 cdd 306.7 cdu 392.6 a cama na varanda copyright © 2005 by regina navarro lins publicado inicialmente em 1997 pela editora rocco projeto gráfico de capa e miolo folio design editoração eletrônica kátia regina de a silva todos os direitos reservados proibida a reprodução no todo ou em parte sem autorização prévia por escrito da editora sejam quais forem os meios empregados direitos exclusivos desta edição reservados pela editora best seller ltda rua argentina 171 parte são cristóvão rio de janeiro rj 20921-380 impresso no brasil isbn 978-85-7684-186-9 pedidos pelo reembolso postal caixa postal 23.052 rio de janeiro rj 20922-970

[close]

p. 4

para giovanni de polli amigo sempre presente que possibilitou a realização deste livro victoria issa navarro lins minha mãe que me apoiou incondicionalmente apesar de nunca ter concordado com minhas idéias flávio braga com quem há sete anos divido vida e trabalho taísa e deni meus filhos e diana minha neta todas as declarações apresentadas neste livro são verdadeiras nomes e qualificações dos autores dos depoimentos foram trocados para proteger sua privacidade agradeço aos amigos que me ajudaram e também aos meus clientes alunos e leitores por terem me contado suas histórias.

[close]

p. 5

sumário prefácio introdução primeira parte o passado distante o princípio a paz primitiva culto à deusa a descoberta da paternidade a deusa e a mulher o culto ao falo o pai o único criador o patriarcado o deus único o pai poderoso eva lilith o primeiro conflito sexual da história a mulher um ser maligno vagina o grande perigo maria a chance que as mulheres perderam horror ao sexo segunda parte amor amor cortês começando a falar de amor o mito do amor romântico a invenção da maternidade inaugura-se o amor romântico a mulher feminina a mulher autônoma o homem masculino o homem dependente terceira parte casamento o casamento como solução amor conjugal as expectativas do amor no casamento o sexo no casamento a crise do casamento ciúme fidelidade separação o casamento é necessário?

[close]

p. 6

quarta parte sexo a repressão sexual prostituição homossexualismo virgindade orgasmo dificuldades sexuais práticas sexuais o desempenho sexual quinta parte o futuro que se anuncia amor o amor romântico começa a sair de sena amor virtual poliamor sem medo de ser sozinho casamento ménage à trois swing separação a família sexo sexo grupal sexo virtual sex shops androginia bissexualidade conclusão referências bibliografia

[close]

p. 7

prefácio a primeira edição deste livro é de 1997 decorridos dez anos de sua publicação ainda desperta interesse em leitores de idades variadas agora a cama na varanda troca de casa e com isso tornou-se necessária uma observação atenta na busca de possíveis alterações impostas pelo tempo nada foi desmentido pela realidade mas novos caminhos e tendências surgiram nesta nova edição acrescentou-se uma quinta parte o futuro que se anuncia abordando algumas questões contemporâneas nas três grandes vias em que o texto é conduzido amor casamento e sexo o que chama a atenção é a busca de uma vida mais livre e desvinculada de regras autoritárias o amor na forma como o conhecemos começa a sair de cena levando consigo a idealização do par romântico com sua proposta de os dois se transformarem num só e a idéia de exclusividade essa mudança bem-vinda foi analisada no novo capítulo sobre o amor observamos a tendência de substituir a idealização pela amizade e pelo companheirismo nas relações amorosas assistimos a um novo mundo de possibilidades em que o leque de escolhas diante do amor se amplia a crença na idéia de que se deve encontrar toda a satisfação num único parceiro fica abalada com a hipótese de se amar mais de uma pessoa simultaneamente tempos tão permissivos só poderiam gerar algo como o poliamor uma verdadeira revolução nos relacionamentos que a edição anterior deste livro apenas insinuava desvendamos aqui o que poderá ser a mais importante mudança na vida amorosa das pessoas desde a revolução sexual o casamento experimenta profundas transformações num futuro próximo casais podem estar ligados por laços afetivos profissionais ou mesmo familiares sem que isso impeça sua vida amorosa de se multiplicar com outros parceiros a admissão de uma terceira pessoa ou a troca de afetos e prazeres com outros casais ganha força clubes voltados para esses relacionamentos especiais surgem com sucesso nas grandes cidades.

[close]

p. 8

nesta edição revista são descritas experiências dessas novas formas de casamento o século xxi deverá assistir ao estabelecimento de uma inédita sociedade de solteiros as famílias de um único genitor se tornarão predominantes o mito da necessidade de pai e mãe viverem juntos para a formação sadia do indivíduo caiu quase definitivamente o conceito de família ampliou-se os casais homossexuais são aceitos com mais naturalidade e o número de países que admitem a união estável entre gays cresce a cada ano alguns dão aos cônjuges do mesmo sexo todos os benefícios que têm os casais heterossexuais inclusive os direitos a herança pensão para o viúvo adoção de crianças e divórcio o sexo perde aos poucos a visão moralista que predominou sobre ele ao longo da história da civilização o reconhecimento de que sua prática é fator de equilíbrio e princípio de vida saudável amplamente anunciado por w reich nos primórdios do século xx tornou-se consensual as dificuldades de encontrar parceiros são superadas pelo sexo virtual ninguém sabe quem está do outro lado mas isso não impede que se vivam fortes emoções a rede permite as relações entre estranhos com mais facilidade que em boates bares ou festas os cybergames eróticos devem reproduzir o prazer sexual num futuro que se anuncia próximo os milenares dildos que mulheres usam desde a antigüidade são substituídos por vibradores sofisticados fazendo aflorar intensos orgasmos em uso individual ou durante o sexo com o parceiro as sex shops tornam-se negócios altamente lucrativos e o prazer é acessível a ambos os sexos e a qualquer faixa etária há sinais de que caminhamos para o fim do gênero sexual a androginia refere-se a uma maneira específica de juntar os aspectos masculinos e femininos de um único ser humano É possível que num futuro não muito distante com a dissolução da fronteira entre masculino e feminino as pessoas escolham seus parceiros amorosos e sexuais pelas características de personalidade não mais pela condição de serem homens ou mulheres bem a cama está novamente na varanda recebendo a brisa fresca dos novos tempos.

[close]

p. 9

introdução júlio engenheiro de 54 anos casou-se três vezes após algum tempo sozinho conheceu sônia dentista de 48 anos mãe de dois filhos maiores namorando há um ano sentiu que desejava morar com sônia constituir uma família ter enfim uma vida tranqüila não consigo entender ela diz que me ama quer continuar nosso namoro mas não quer casar e o pior não é isso não durmo há várias noites pensando no que ela me falou com toda a calma explicou que adora fazer sexo comigo mas que também deseja outros homens não sente tesão só por mim e portanto não acha justo se reprimir não sei o que pensar não me conformo afinal sou um homem experiente sei satisfazer uma mulher sempre tive certeza disso suzana é pedagoga e tem 26 anos há quase três mora com fábio mas faz questão de manter o apartamento que divide com duas amigas onde vivia de vez em quando ao menos uma vez por semana dorme no antigo endereço no momento sente-se pressionada a tomar uma decisão fábio quer ter um filho de qualquer maneira este ano É o grande sonho da vida dele e desde que nos conhecemos fala nisso de uns tempos para cá discutimos todos os meses sempre que ele percebe que não parei de tomar pílula não quero ter filho agora aliás nem tenho certeza de querê-lo algum dia a situação está ficando insuportável ele entende isso como falta de amor diz que se tivermos um filho nossa relação ficará mais estável e ele mais tranqüilo mas é justamente essa estabilidade que me apavora parece que alguma coisa nova está ocorrendo nas relações entre homens e mulheres o que sabemos e o que presenciamos na vida nos filmes e nas novelas são as mulheres desejando casar ter uma relação estável e segura além disso só sentiriam desejo sexual pelo homem que amam seja namorado ou marido sempre se acreditou que as diferenças

[close]

p. 10

entre o homem e a mulher incluíam a monogamia natural dela para quem amor e sexo seriam inseparáveis seria da natureza do homem a infidelidade e também o hábito de tentar se esquivar de um compromisso o garanhão enaltecido entretanto em algum momento deixa-se fisgar quase como uma concessão seus direitos de macho todavia continuam intactos as mulheres desde cedo aprendem uma série interminável de normas de conduta cujo objetivo é corresponder à expectativa de um possível pretendente ao casamento estudar e trabalhar tornaram-se atividades comuns para a mulher mas ela deve estar preparada para o papel materno permanecendo o casamento a principal meta a ser alcançada ao ler os relatos anteriores poderíamos supor que se trata de casos isolados de mais um aspecto excêntrico observado nas transformações sofridas nas relações entre homens e mulheres pensamos assim porque estamos habituados à idéia de que os costumes e os comportamentos estão sempre evoluindo modificando-se no início do século xx por exemplo os maios cobriam as pernas foram diminuindo até chegar ao duas-peças uma ousadia no início da década de 1960 hoje a tanga ou o fio dental passam despercebidos da mesma forma o namoro foi evoluindo da troca de olhares na sala de casa e na presença da tia carrancuda aos bailes na companhia de um adulto ou ao cinema à tarde nos anos 50 talvez seja um equívoco imaginar que esses novos anseios e comportamentos que se delineiam nos exemplos façam parte de um simples processo natural de evolução e modificação dos costumes o que vemos hoje é diferente vivemos um momento de ruptura em que aspectos básicos da espécie humana estão sendo reformulados esse processo de mutação da história da humanidade não é facilmente perceptível pois o que ocorre hoje se confunde com a evolução que existe em todas as épocas e decerto só se tornará evidente quando o processo for concluído o novo nos assusta nos faz sentir desprotegidos por isso nos vinculamos ao já conhecido estamos acostumados a usar no presente modelos do passado entretanto isso se torna cada vez menos possível o ser humano começa a se libertar das sujeições que o limitam há cinco mil anos desde o surgimento do patriarcado cuja história se confunde

[close]

p. 11

com a própria história da nossa civilização seu tempo entre nós é tão longo que nossa forma de sentir e pensar foi considerada parte da natureza humana temos informação de outra história anterior muito mais longa mas a ignoramos não é a nossa história a nossa história se define e foi sustentada por dois aspectos fundamentais a divisão sexual das tarefas e o controle da fecundidade da mulher trata-se de uma estrutura social nascida do poder do pai com um rígido controle da sexualidade feminina a ideologia patriarcal colocou em oposição homens e mulheres ao contrário do que se pensa essa divisão permitiu a dominação e dessa forma a submissão de ambos os sexos não só das mulheres a elas coube o status de inferiores e aos homens o de superiores eles pagam um alto preço para manter a adequação social imposta não podem falhar homens e mulheres por milhares de anos abriram mão de sua autonomia e de sua liberdade visto que esse sistema e a liberdade pessoal são antagônicos há cerca de 40 anos o patriarcado começou a perder suas bases o avanço tecnológico eliminou a divisão sexual de tarefas o advento dos anticoncepcionais eficazes e acessíveis desferiu o golpe definitivo nesse sistema que ainda tem no controle da fecundidade da mulher sua principal razão de ser e por estar calcado na natureza biológica sempre foi considerado universal e eterno hoje a mulher pode não só dividir o poder econômico com o homem como ter filhos se quiser ou quando quiser essa transformação radical se distingue do processo de evolução observado até agora a partir daqui não temos como avaliar as conseqüências estamos vivendo um processo de mutação após milênios da única ideologia de que temos registro talvez tenhamos que aguardar várias gerações para vê-lo concluído mas os sinais já começam a se esboçar pressentimos a destruição de valores estabelecidos como inquestionáveis entre os quais o amor o casamento e conseqüentemente a sexualidade os modelos do passado perdem sua utilidade como referência abre-se espaço para novas formas de pensar e viver em todas as áreas da experimentação humana a partir da relação com o mundo e com os outros de forma até agora desconhecida podemos ser afetados por novas sensações uma outra sensibilidade emerge nos novos tipos de arte música filosofia no

[close]

p. 12

momento em que se rompe com a moral que julgou e subjugou durante tanto tempo e através de seus códigos os desejos e o prazer das pessoas as singularidades de cada um encontram novo campo de expressão sem nos darmos conta estamos assistindo ao fim do patriarcado e ao nascimento de uma nova era.

[close]

p. 13

i o passado distante

[close]

p. 14

o princípio a história humana divide-se em dois grandes períodos a idade da pedra e a idade dos metais há registros escritos deste último iniciado por volta do ano 3000 a.c correspondendo à história das nações civilizadas a idade da pedra subdivide-se em paleolítico antiga idade da pedra e neolítico nova idade da pedra o período paleolítico da pré-história é muito longo de 500000 a 10000 a.c vivia-se nos bosques provavelmente nas árvores a maior parte do tempo devido à presença de animais selvagens e a alimentação consistia apenas em raízes e frutos a descoberta do fogo tornou os homens mais independentes do clima e do lugar podiam cozinhar afugentar animais iluminar as cavernas adquiriram maior autonomia o primeiro representante do homo sapiens foi o homem de cromagnon no paleolítico superior isto é nos últimos 35 mil anos na caverna de cro-magnon em les eysies frança foram encontrados em 1868 os primeiros restos desses nossos ancestrais eram fortes e tinham em média 1,80 metro viviam da caça e da coleta de alimentos e para sobreviver dependiam da parceria entre homens e mulheres o temor diante do mistério da vida e da morte era expresso em rituais e mitos associados à crença de que os mortos pudessem renascer desconhecia-se o vínculo entre sexo e procriação os homens não imaginavam que tivessem alguma participação no nascimento de uma criança o que continuou sendo ignorado por milênios a fertilidade era característica exclusivamente feminina estando a mulher associada aos poderes que governam a vida e a morte embora tudo indique que tivesse mais poder do que o homem não havia submissão a idéia de casal era desconhecida cada mulher pertencia igualmente a todos os homens e cada homem a todas as mulheres o matrimônio era por grupos cada criança tinha vários pais e várias mães e só havia a linhagem materna arqueólogos encontraram quase 200 estatuetas que testemunham o culto à fecundação nenhuma representa o ato sexual ou qualquer sinal

[close]

p. 15

de erotismo a maioria foi descoberta na europa central e data de uma época entre 30000 e 25000 a.c eram feitas de marfim de mamute pedra macia ou argila misturada com cinza e depois cozida o rosto nunca era retratado ao que parece o símbolo sexual do período paleolítico foi a mais famosa dessas estatuetas a vênus de willendorf desenterrada nesse local próximo a viena na Áustria tem mais ou menos 12 centímetros de altura e representa uma mulher de nádegas e seios imensos quadris largos barriga muito proeminente e uma grande fenda vaginal seu significado é discutido o mais provável é que seja uma deusa primitiva da fertilidade supõem alguns entretanto ser expressão do erotismo masculino isto é um análogo remoto da atual revista playboy 1 o prazer encontrado nessas figuras sexuais causou indignação em alguns historiadores contemporâneos a vida sexual na era paleolítica deve ter sido sem qualquer erotismo porque essa vênus não passava de um monte de banha 2 afirma um deles talvez a gordura funcionasse como proteção contra o frio mas também nada indica que a estética ocidental moderna se aplique ao paleolítico ao contrário temos de levar em conta que o homem da idade da pedra pudesse vê-la como objeto de seu desejo ansiando por refestelar-se nas banhas de sua vênus após um dia exaustivo dedicado à caça os vestígios paleolíticos de estatuetas femininas assim como as pinturas e os objetos encontrados em mais de 60 cavernas desse período revelam uma forma de religião em que o feminino ocupava um lugar primordial são manifestações do culto a uma deusa-mãe como fonte regeneradora de todas as formas de vida ao longo dos milhares de anos que se seguiram a adoração à deusa intensificou-se em culturas cada vez mais avançadas a paz primitiva no ano 10000 a.c o gelo começou a recuar para o norte modificando o clima e com isso a vegetação no oriente surgiram campos naturais de trigo e cevada na ausência da roda e de animais de 1 2 eisler riane o cálice e a espada imago 1989 p 27 tannahill reay o sexo na história francisco alves 1983 p 36.

[close]

Comments

no comments yet