Revista O Biólogo nº 40 | Taxonomia: Apesar de ser uma das áreas mais indispensáveis da Biologia, Brasil conta com número pequeno de especialistas

 

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Revista O Biólogo nº 40 | Taxonomia

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ISSN 1982-5897 Ano X - no 40 - Out/Nov/Dez 2016 o Biólogo Revista do Conselho Regional de Biologia - 1a Região (SP, MT, MS) Taxonomia Apesar de ser uma das áreas mais indispensáveis da Biologia, Brasil conta com número pequeno de especialistas Expoprag Como foi a participação do Sistema CFBio/CRBio no evento Mariana Um ano depois, impactos do desastre ainda são incalculáveis Tundisi Veja a trajetória do maior especialista em limnologia do Brasil

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Tome NoOta Biólogo Revista do Conselho Regional de Biologia 1a Região (SP, MT, MS) Ano X – No 40 – Out/Nov/Dez 2016 ISSN: 1982-5897 Conselho Regional de Biologia - 1a Região (São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) Rua Manoel da Nóbrega, 595 – Conjunto 111 CEP: 04001-083 – São Paulo – SP Tel.: (11) 3884-1489 – Fax: (11) 3887-0163 crbio01@crbio01.gov.br / www.crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso do Sul CRBio-01 Rua 15 de novembro, 310 – 7o Andar – sala 703 CEP: 79002-140 – Campo Grande – MS Tel.: (67) 3044-6661 – delegaciams@crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso - CRBio-01 Em breve novo endereço Diretoria Eliézer José Marques Presidente Celso Luis Marino Secretário Luiz Eloy Pereira Vice-Presidente Edison Kubo Tesoureiro Conselheiros Efetivos (2015-2019) Celso Luis Marino; Edison Kubo; Edison de Souza; Eliézer José Marques; Giuseppe Puorto; Iracema Helena Schoenlein-Crusius; João Alberto Paschoa dos Santos; Luiz Eloy Pereira; Maria Saleti Ferraz Dias Ferreira; Wagner Cotroni Valenti. Conselheiros Suplentes Ana Paula de Arruda Geraldes Kataoka; André Camilli Dias; Horácio Manuel Santana Teles; José Carlos Chaves dos Santos; Maria Teresa de Paiva Azevedo; Marta Condé Lamparelli; Normandes Matos da Silva; Regina Célia Mingroni Neto; Sarah Arana. Comissão de Comunicação e Imprensa do CRBio-01: Giuseppe Puorto (Coordenador) João Alberto Paschoa dos Santos Wagner Cotroni Valenti Jornalista responsável: Jayme Brener (MTb 19.289) Editor: Cláudio Camargo Textos: George Alonso, Ian Pellegrini, Ricardo Café e Carla Italia. Projeto Gráfico, Diagramação e Capa: Regina Beer Periodicidade: Trimestral Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e podem não refletir a opinião desta entidade. O CRBio-01 não responde pela qualidade dos cursos divulgados. A publicação destes visa apenas dar conhecimento aos profissionais das opções disponíveis no mercado. 2 O BIOLOGO Jan/Fev/Mar 2015 ÍNDICE 03 Editorial 04 A taxonomia e o Brasil desconhecido 10 Sistema CFBio/CRBios participa da 11ª Expoprag 12 Grandes Biólogos Brasileiros 14 Um ano de Mariana 17 Ecos da Plenária 18 O que é ser Biólogo 21 Arquivo do Biólogo 22 CFBio Notícias

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Editorial Caros Biólogos, Todos nós conhecemos o papel da Taxonomia para a preservação do meio ambiente. Esse ramo da Biologia se revela ainda mais importante num país como o Brasil, que tem vários biomas e uma diversidade ambiental enorme, mas conhece apenas um terço de sua fauna. Estima-se que o país tenha cerca de 7% do total [1,5 milhão] de espécies já descritas no planeta. De acordo com o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), já foram identificadas 116.659 espécies. Nossa matéria de capa desta edição trata da importância dessa especialidade e discute a escassez de profissionais em nosso país, principalmente em regiões com biomas importantes, como Pantanal, Cerrado, Caatinga e Floresta Amazônica. Você também poderá conferir a reportagem sobre a situação na região de Mariana (MG) um ano depois do trágico rompimento da barragem, onde continuam os efeitos ambientais como extinção de espécies de peixes e alteração da geomorfologia do rio Doce. Outra matéria explica a importância do Biólogo com certificação profissional para um país que tem 20% da biodiversidade do planeta. Finalmente, trazemos o perfil do professor José Galizia Tundisi, pioneiro em limnologia, mestre em oceanografia pela Universidade de Southampton (EUA), Doutor em Ciências, pela USP, e Livre Docente em Ecologia, pela mesma universidade, e uma das maiores autoridades do país em recursos hídricos. Boa leitura! Eliézer José Marques Presidente do CRBio-01 Antes de Emitir a ART Consulte a Resolução CFBio n.º 11/03 e o Manual da ART. Mudou de Endereço? Informe o CRBio-01 quando mudar de endereço, ou quando houver alteração de telefone, CEP ou e-mail. Mantenha o seu endereço atualizado. CFBio Digital O espaço do Biólogo na Internet O CRBio-01 estabeleceu parceria com a empresa Enozes Publicações para implantação do CRBioDigital, espaço exclusivo na Internet para Biólogos registrados divulgarem seus currículos, artigos, notícias, prestação de serviços, além de disponibilizar um Site a cada profissional. O conteúdo é totalmente gerenciado pelo próprio profissional. O CRBioDigital além de ser guia e catálogo eletrônico de profissionais, promove também a interação entre os Biólogos registrados, formando uma comunidade profissional digital.  Para acessar entre no portal do CRBio-01: www.crbio01.gov.br Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 3

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capa A taxonomia e o Brasil desconhecido Apesar de ter variados e ricos biomas, apenas um terço da fauna do Brasil é conhecida. E um dos principais motivos para essa ignorância em relação à sua biodiversidade é a falta de taxonomistas Por George Alonso 4 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016

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capa Estima-se que a fauna do Brasil já tem 111.659 espécies identificadas Taxonomia é o nome [estranho para leigos] da ciência que classifica os seres vivos – uma das mais antigas e importantes para a história do planeta. Ela estabelece critérios para classificar todos os animais e plantas sobre a Terra em grupos, segundo as características fisiológicas, evolutivas, anatômicas e ecológicas. É exatamente isso o que faz um dos ramos da Biologia. Há pessoas que trabalham só para identificar e nomear espécies: os zoólogos (os animais) e os botânicos (as plantas). Sem eles, a ciência seria um enorme quebra-cabeça impossível de ser montado, por falta de peças ou por ser muito incompleto e impreciso. A taxonomia vai ao detalhe, faz a observação cuidadosa, básica. No entanto, o Brasil, apesar de ter variados biomas com uma diversidade ambiental enorme, desconhece o Brasil. Segundo estimativas, o país tem apenas um terço de sua fauna conhecida. Um dos motivos para essa “ignorância” em relação à sua biodiversidade é a falta de taxonomistas. O que fazer para acabar com essa lacuna de profissionais, que provoca esse vazio de conhecimento? É uma questão crucial, difícil de ser respondida. Os números sobre “sistematas” ou “taxonomistas”, como são conheci- dos os pesquisadores dessa ciência no Brasil, são quase uma incógnita. Segundo dados divulgados em 2006 na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o país possuía 542 taxonomistas: 415 em cargos permanentes, publicando em todos os campos da zoologia. Mas foram considerados pesquisadores que diziam ter feito uso da taxonomia em alguma vertente de seu trabalho. Ou seja, esse número podia estar superestimado. Os doutoramentos em taxonomia diminuíram na década de 1990. E a maioria dos pesquisadores da área está concentrada no Sudeste (51,7%) e Sul (21,6%) do Brasil. 6 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016

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Extensas regiões – incluindo biomas importantes, como Pantanal, Cerrado, Caatinga e Floresta Amazônica – têm menos especialistas. E pior, há ainda ecossistemas e biomas pouco conhecidos, como as águas profundas, a plataforma continental, a linha costeira da região norte, a caatinga semi-árida e a floresta amazônica. O mais grave disso é que o ritmo das descobertas de novas espécies é muito lento em relação às necessidades atuais, especialmente porque muitos ambientes naturais estão desaparecendo, e com eles inúmeras espécies, que ainda não foram descobertas e descritas. “O país apresenta a maior riqueza de es- O país tem apenas um terço de sua fauna conhecida. Um dos motivos para essa “ignorância” em relação à sua biodiversidade é a falta de taxonomistas pécies de peixes de água doce e de mamíferos do mundo, tem a segunda maior diversidade de anfíbios, terceira de aves e quinta de répteis. Entretanto, o número exato de espécies de vertebrados do Brasil é desconhecido, basicamente porque ainda há extensas regiões não inventariadas. Mesmo em áreas com maior esforço de coleta, novas espécies são regularmente descritas”, dizia o texto Taxonomia Zoológica no Brasil, apresentado na SBPC por Antonio Carlos Marques e Carlos José Lamas. Historicamente, a cada ano são descritas cerca de 430 novas espécies. O taxonomista Fernando Carvalho, especialista em peixes neotropicais de água doce, é direto: “De fato, frente à enorme diversidade biológica que temos no Brasil, aqueles que são responsáveis por reconhecer, nomear, identificar e entender as histórias, presentes e pretéritas, dos organismos [os taxonomistas] estão cada vez mais escassos, especialmente na América do Norte e Europa. O Brasil talvez seja o país que mais forme taxonomistas no mundo, hoje. Apesar disso, muitos grupos animais e vegetais ainda carecem de taxonomistas. Algumas das razões para a escassez se deve à falta de investimento na área e o reconhecimento da taxono- mia como precursora de todas as outras áreas do conhecimento”. Ele cita um exemplo bem claro da importância da taxonomia entre os milhares que poderia citar. “Como identificar com certeza as espécies de mosquitos (Diptera) responsáveis pela transmissão de vírus capazes de causar epidemias? Como administrar um soro antiofídico específico em um acidentado se não temos certeza da espécie de serpente que o acometeu?” Só em abril de 2015, quase 10 anos depois, começou a ser feita a primeira lista de espécies válidas em território brasileiro: o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB). Já foram identificadas 116.659 espécies, num esforço que reuniu cerca de 500 pesquisadores em zoologia, especialistas nos mais diferentes grupos de animais que habitam as terras brasileiras. Estima-se que o país tenha cerca de 7% do total [1,5 milhão] de espécies já descritas no planeta. Mas calcula-se também que haja um número astronômico de espécies ainda não descritas. Embora o fenômeno de desinteresse pela área não tenha acontecido só no Brasil, o fato é que todos os anos são identificadas e classificadas novas espécies de aves, peixes, plantas e até alguns mamíferos na Amazônia. “A taxonomia é a ciência básica, por trabalhar com a identidade das entidades biológicas”, diz a taxonomista Manuela Marinho Koh, há 10 anos especialista na identificação de peixes de água doce. Para ela, o número de profissionais vem diminuindo por duas razões. Na faculdade, os professores de taxonomia não mostram o “encantamento” de uma ciência tão antiga e fundamental para outras áreas. “Há teses que erram por começar com uma premissa erra- Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 7

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capa da”, afirma ela. “E o professor da área molecular acaba revelando para os alunos um mundo de pesquisa mais sedutor, e que está na moda”, complementa. Mas outro fator tem sido decisivo na escolha dos estudantes: o financiamento das pesquisas. Não têm vindo das entidades governamentais de incentivo à pesquisa tantas bolsas de estudo para os alunos que se interessam pela taxonomia. E todo mundo sabe que a falta de dinheiro prejudica o desenvolvimento de pesquisas. “Mas a ciência não pode depender de uma visão utilitarista. Grandes descobertas foram feitas por acaso. Ou seja, o cientista não tinha intenção prévia de fazer uma determinada descoberta. A taxonomia é a ciência básica, e por isso muito importante. Deve ir a campo, observar, observar e coletar informações. É preciso formar mais gente, mostrando para os estudantes que é uma ciência antiga, mas nem por isso obsoleta. E mais: ela não exige equipamentos de alta tecnologia, como a genética”, diz Laura Rocha, sistemata há sete anos. A falsa impressão de que o taxonomista é um cientista “fora do tempo” decorre de que muito do trabalho se dá nas coleções biológicas, fontes preciosas de informações sobre os organismos atuais e do passado. “Mas muito mais do que guardar “histórias empoeiradas”, as coleções biológicas são partes indissociáveis da formação de um bom taxonomista. “Precisamos cada vez mais de bons taxonomistas de base, aquele que mesmo com pouco recurso, consegue reconhecer a identidade específica dos táxons. O incentivo à formação de novos taxonomistas deve ser continuamente estimulado, pois são profissionais dos quais a grande maioria das outras áreas do conhecimento dependem, direta ou indiretamente. Para isso, o fomento financeiro deve ser tratado como prioridade pelos órgãos de fomento à pesquisa aqui no mundo”, diz Fernando Carvalho. Laura ainda aponta outro dilema para a taxonomia no Brasil: a questão do emprego. “A maioria dos recém-formados sai da faculdade e não consegue trabalho. Eles acabam virando professores ou mudando de profissão”, afirma. Para Laura, não há muito espaço para uma atitude empreendedora. “A profissão depende de verbas públicas. No meu caso, que trabalho com uma espécie de besouro que é considerado uma praga, ainda há a possibilidade e o interesse da iniciativa privada, da indústria química”, explica.“Mas na maioria das vezes não é assim”. A sistemática na identificação das espécies é uma atitude científica tão antiga que nos leva ao século IV a.C., quando o primeiro sistema de classificação dos seres vivos foi 8 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016

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O Biólogo sueco Lineu criado por Aristóteles: ele ordenou os animais pelo tipo de reprodução e por terem ou não sangue vermelho. Teofrasto, discípulo de Aristóteles, optou por classificar as plantas por seu uso e forma de cultivo. Nos séculos XVII e XVIII, botânicos e zoólogos começaram a delinear o atual sistema de categorias. Mas isso era ainda baseado em características anatômicas superficiais. No entanto, como a ancestralidade comum pode ser a causa de tais semelhanças, este sistema demonstrou aproximar-se da natureza, e continua sendo a base da classificação atual. Considerado um dos grandes mestres da história natural, o Biólogo sueco Lineu (veja texto ao lado) fez o primeiro trabalho extenso de categorização em 1758, criando assim a hierarquia atual. A partir de Charles Darwin, a teoria da evolução das espécies passou a ser considerada como paradigma central da Biologia, e com isso as evidências da paleontologia sobre formas ancestrais, e da embriologia sobre semelhanças nos primeiros estágios de vida. Já no século XX, a genética e a fisiologia acabaram se tornando importantes na classificação, com o uso recente da genética molecular para comparar códigos genéticos. Então, programas de com- putador específicos passaram a ser utilizados na análise matemática dos dados das pesquisas. Mas, em 2005, Edward Wilson, que foi professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde cunhou o termo “biodiversidade”, participou da fundação da sociobiologia ao defender um “projeto genoma” da biodiversidade da Terra. Ele propôs a criação de uma base de dados digital com fotografias detalhadas de todas as espécies vivas e a finalização do projeto “Árvore da Vida”. A proposta era uma contraposição a uma sistemática baseada apenas na biologia celular e molecular. Wilson vê a necessidade da sistemática descritiva para preservar a “biodiversidade”. Do ponto de vista econômico, ele defende, assim como outros especialistas, que a sistemática pode trazer conhecimentos úteis na biotecnologia e na contenção de doenças emergentes. Mais da metade das espécies do planeta é parasita, e a maioria delas ainda é desconhecida. “A verdadeira nova economia não será baseada em computadores, mas no uso das informações que as diversas espécies de vida no planeta carregam dentro de si”. ¤ Lineu revolucionou a taxonomia A Taxonomia de Lineu é usada hoje pelas ciências biológicas. Ela foi desenvolvida pelo sueco Carl Nilsson Linnaeus (Carlos Lineu em português, 1707-1778) durante a grande expansão da história natural no século XVIII. Considerado o “pai da taxonomia moderna”, o biólogo sueco colocou as coisas vivas em uma hierarquia, usando o latim como a língua “naturalista”. Botânico mais reconhecido de sua época, Lineu escreveu mais de 300 artigos científicos e 70 livros, entre eles Systema naturae, Fundamenta botanica e Mundus Invisibilis. A classificação básica dos seres vivos é realizada em ordem decrescente: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Porém, em muitos casos, há tantas especificações que essa classificação é insuficiente. Por isso, foram criadas subdivisões dentro de ordem, classe e espécie. Um dos fundadores da Academia Real de Ciências da Suécia, Lineu também é apontado como o criador do formato do termômetro tal como o conhecemos hoje. Em 1745, ele decidiu inverter a escala de Celsius, onde 0° (zero grau) passou a corresponder ao ponto de fusão do gelo e 100° (cem graus centígrados) ao ponto de ebulição da água [Anders Celsius havia inventado a escala, mas de modo invertido, com o ponto de ebulição mais baixo que o de fusão]. Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 9

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acontece Sistema CFBio/CRBios participa da 11ª Expoprag Por Carla Italia 10 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016 OSistema CFBio/CRBios participou da 11ª Expoprag – Congresso de Controle de Vetores e Pragas, em Campos do Jordão (SP), nos dias 21, 22 e 23 de setembro, realizada pela APRAG – Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas. “Dedetizador ou Agente de Saúde: a escolha é sua!” foi o tema do encontro, que contou com a participação de Biólogos de todas as regiões brasileiras. Edison Kubo, tesoureiro e membro da Comissão de Planejamento do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia - 1ª região (SP, MT e MS), considerou “excelente” a participação do Conselho no congresso. “Foi extremamente positiva. Considerando que a atuação do profissional Biólogo nesse segmento vem aumentando significativamente nos últimos anos, a presença do Sistema foi uma forma de acolher e dar um suporte aos nossos profissionais, demonstrando que os Conselhos estão atentos às suas atuações de forma efetiva, responsável e com competência”.

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Fotos: Divulgação APRAG Presidentes do Sistema CFBio/CRBios Wlademir João Tadei, presidente do CFBio Estande do Sistema CFBio/CRBios Sérgio Bocalini, da APRAG Além de oferecer atividades interativas com o público em seu estande, como um quiz sobre controle de pragas, o Conselho atendeu ainda centenas de Biólogos e colegas de profissão para debater temas pertinentes à área. Para o segundo dia, o Sistema CFBio/CRBios promoveu o 1º Workshop de Biólogos no Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas, com palestras sobre a situação atual e as perspectivas do Biólogo nesse mercado, apresentadas por especialistas da própria APRAG, do Instituto Biológico de São Paulo, entre outras instituições. Para o presidente do CFBio - Conselho Federal de Biologia, Wlademir João Tadei, o controle de vetores e pragas sinantrópicas é um campo multiespecialista no qual o Biólogo pode operar em várias linhas de frente. “Sem dúvida alguma, o Biólogo é o profissional melhor capacitado para atuar nessa área por estudar a vida em todas as suas manifestações, inclusive as que são nocivas aos seres humanos. Dentre essas se destacam os vetores, que transmitem doenças, e as pragas, que constituem sérios entraves ao desenvolvimento de uma sociedade harmônica e livre de enfermidades”. Sérgio Bocalini, vice-presidente executivo da APRAG, destacou a importância da participação do Sis- tema CFBio/CRBios na Expoprag: “Principalmente por aproximar os Biólogos que já atuam nessa área com o evento e mostrar, para os que não atuam, uma oportunidade de um novo mercado que vem surgindo. Além disso, com o 1º Workshop de Biólogos no Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas, o Sistema conseguiu mostrar que está antenado e atento aos seus profissionais. E nos trouxe um número enriquecedor de especialistas para a Expoprag”. Eliézer José Marques e Luiz Eloy Pereira, respectivamente presidente e o vice-presidente do CRBio-01, também participaram do evento. ¤ Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 11

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GRANDES BIÓLOGOS BRASILEIROS José Galizia Tundisi Acrise hídrica entrou em nossas vidas. A conservação da água, recurso natural tão precioso e finito, passou a ser tema discutido na imprensa, nas rodas de conversa, em casa. A partir de 2014, o estado de São Paulo enfrentou uma situação inédita: reservatórios abaixo do limite, obras de emergências e incentivos para quem economizasse água. Mas, pelo menos, uma pessoa já havia alertado o governo paulista sobre o problema: o professor José Galizia Tundisi. Ele é pioneiro na limnologia, com pesquisas sobre produção primária do fitoplâncton em rios, reservatórios, lagos naturais e estuários, ciclos biogeoquímicos em ecossistemas aquáticos, interações sistema terrestre/sistema aquático, integração de princípios ecológicos básicos no planejamento regional, recuperação de represas e planejamento regional baseado em recursos hídricos. Bacharel em História Natural, pela Universidade de São Paulo, Por Ricardo Café mestre em Oceanografia, pela Universidade de Southampton, Doutor em Ciências, pela USP, e Livre Docente em Ecologia, pela mesma universidade, Tundisi foi professor da Escola de Engenharia de São Carlos e professor titular da USP. Ele fundou o Instituto Internacional de Ecologia, em São Carlos (SP), e hoje é professor titular da Feevale, em Novo Hamburgo (RS). Nascido em Bariri, interior de São Paulo, em 1938, o professor está entre os 250 cientistas mais citados em 12 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016

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pesquisas científicas no Brasil, com 8.002 citações acadêmicas. E, aos 78 anos, Tundisi ainda pretende aumentar este número. Ele publicou mais de 200 trabalhos em revistas especializadas de 13 países, nas áreas de ecologia e limnologia, planejamento regional e oceanografia biológica e já tem preparado seu 36º livro, uma revisão sobre reservatórios de água. A carreira de Tundisi é impressionante. O ecólogo e limnólogo brasileiro já foi vice-Presidente da Sociedade Internacional de Limnologia Teórica e Aplicada, presidiu o CNPq de 1995 a 1998, é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Também foi membro do Comitê Científico do International Lake Environment Committe, do Comitê da SCOPE, Wetlands e assessor da UNU, Universidade das Nações Unidas. Em 1994 e 1995 presidiu os XXVI e XXVII Congressos da Sociedade Internacional de Limnologia. Ele também fundou a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento de São Carlos. Tundisi já foi vice-presidente da IUBS (International Union of Biological Sciences) e vice-presidente do ICSU (International Council of Science), além de fazer parte do staff do Ecology Institute da Alemanha. Entre suas premiações, ele recebeu a Medalha Augusto Ruschi, da Academia Brasileira de Ciências, o prêmio Moinho Santista de Ecologia, o prêmio Boutros-Ghali (Japão) e o prêmio Anísio Teixeira. Passados dois anos do início da crise hídrica em São Paulo, hoje a situação parece controlada, principalmente por conta do retorno das chuvas. Mas dá pra contar com São Pedro para sempre? Segundo o professor Tundisi, é claro que não. “Eu e outros 14 cientistas da Academia Brasileira de Ciências lançamos uma carta aberta ao governo paulista com sugestões de medidas emergenciais para contornar a crise. Alguns avanços aconteceram na área, mas ainda há trabalho a ser feito. Hoje há um esforço para implantar planos de contingência, redução no consumo e investimentos em medidas de longo prazo. É preciso usar a tecnologia e o conhecimento para melhorar a segurança hídrica”, alerta o professor. Segundo Tundisi, com a crise de 2013/2014, a estimativa é que houve prejuízo financeiro na ordem de R$ 5 bilhões. Foi um alerta rigoroso da natureza para a sociedade, que hoje está mais consciente em relação ao uso da água. Alguns passos são fundamentais para a segurança hídrica: reduzir a demanda, tanto doméstica quanto industrial; investir no reuso da água e melhorar o tratamento de esgoto; reduzir as perdas de água na rede de distribuição (que giram em torno de 30% em São Paulo, mas chegam a 60% em Belém do Pará, por exemplo) e melhorar a “governança da água”. Neste último quesito, Tundisi alerta: “a gestão das bacias hidrográficas precisam ser integradas, tanto as águas superficiais quanto subterrâneas. É preciso fazer a obras de transposição de águas quando necessário e manter um monitoramento avançado da situação e qua- O professor está entre os 250 cientistas mais citados em pesquisas científicas no Brasil, com 8.002 citações acadêmicas. E, aos 78 anos, Tundisi ainda pretende aumentar este número lidade destas águas, usando inclusive sistemas de imagens via satélite”. Experiência para lidar com crises desse tipo não falta a Tundisi. Em 2007, ele foi chamado para encontrar soluções para a maior seca do século na Espanha. “Por lá foi preciso restringir o número de litros de água por família e aplicar multas aos que extrapolavam o limite. Por isso, a Espanha atravessou a estiagem sem grandes traumas”, lembrou o professor. Na área de consultoria e planejamento hídrico regional, Tundisi já ajudou 40 países a gerenciar seus recursos. O professor Tundisi costuma dizer que é um pesquisador até a “raiz do cabelo”, mas que atendeu a todos os chamados para o serviço público. “Fiz isso para ajudar o meu país e minha experiência continua à disposição”, finalizou o ecólogo. ¤ Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 13

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Destaque Mariana, o mar de lama que não terminou Um ano depois da tragédia do rompimento da barragem, continuam os efeitos ambientais como extinção de espécies de peixes e alteração da geomorfologia do rio Doce Por George Alonso Fotos Publicas: Roberto Franco/ UFMG 14 O Biólogo Out/Nov/Dez 2016

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Um ano depois do maior desastre ambiental da história do país e do mais grave do mundo em área de mineração, os efeitos do que ficou conhecido como “a lama de Mariana”, município histórico de Minas Gerais, são ainda incalculáveis e imprevisíveis. Além da morte de 19 pessoas, o rompimento da barragem do Fundão provocou o “soterramento” de muitas espécies de peixes, algas e crustáceos no rio Doce e seus afluentes. O impacto da onda de lama – 60 bilhões de litros de rejeitos de minérios misturados com água – na fauna local é gigantesco. Por quê? Simplesmente o fundo do rio foi “encapado”, alterando sua geomorfologia. E pior: a lama não terminou, continua vazando da barragem, segundo especialistas, mesmo que em pequena quantidade perto da dimensão da onda, de até 15 metros de altura, que devastou bairros de Mariana e contaminou o rio a partir dali em toda a sua extensão, cortando o Espírito Santo, até chegar ao mar, 650 quilômetros adiante. O rio Doce tem ao todo 853 quilômetros de extensão e 16 afluentes. A catástrofe elevou o grau de turbidez da água, impedindo que os feixes de luz solar iluminem o rio até os 5 metros de profundidade, que seria normal mesmo em rios barrentos. “Amostras mais recentes tiradas da área afetada ainda apontam que há partículas finas, tóxicas, em suspensão no rio”, explica o Biólogo Denis Abessa, pesquisador da Unesp – Universidade Estadual Paulista. Embora seja prudente evitar a divulgação de dados de forma alarmista, os pesquisadores não garantem a pureza da água para as populações ribeirinhas rurais, fora das zonas urbanas das cidades que beiram a bacia do rio Doce – ou seja, aqueles moradores que têm poço ou que tiravam água do rio para a vida doméstica. O fato é que a bacia do Doce já estava sob pressão, poluída pelas dezenas de cidades ao longo do rio. Ali, assim como na maioria dos municípios brasileiros, o tratamento do esgoto doméstico e do lixo industrial não é satisfatório, ou simplesmente não existe. Ou pior, muitas das 228 cidades banhadas pelo rio despejam o esgoto in natura na água. Antes mesmo do trágico acidente de Mariana, das 71 espécies de peixes catalogadas no rio, 11 já estavam sob a ameaça de extinção. Depois do desastre provocado pela mineradora Samarco, algumas espécies locais, como o surubim-do-doce (Steindachneridion doceana), Fotos Publicas: Fred Loureiro/Secom ES Out/Nov/Dez 2016 O Biólogo 15

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