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CARTA DO EDITOR Asituação na República Democratica do Congo inspira cuidados não obstante as forças politicas do Pais terem assinado um acordo para conduzir a RDC em regime de transição de pouco mais de um ano, em virtude de se ter de adiar a realização das eleições presidenciais por alegados problemas organizativos. Para já, garantiu-se a continuidade no poder de Joseph Kabila, actual Presidente da República com a certeza de ele não voltar a concorrer no próximo pleito eleitoral, barrado em função da Constituição que permite apenas dois mandatos consecutivos. Teoricamente, o assunto poderia ser de fácil resolução mas existem forças políticas que estão contra "os arranjos para agradar Kabila" e não acreditam que o governo de unidade criado com um Primeiro Ministro da oposição já nomeado possa ser o antidoto para evitar uma confusão. Este é um assunto que merece o nosso acompanhamento, principalmente por se tratar de um grande país em África mas fundamentalmente por fazer fronteira com a República de Angola e qualquer confusão pode ter consequências negativas para os angolanos. Angolanos que já estão a sentir os efeitos de uma campanha eleitoral que promete ser renhida, atendendo os interesses politicos em jogo onde o MPLA quer continuar a ser a maior força politica do País e os outros partidos, notadamente a UNITA e a Casa CE, a agigantarem-se e prometerem surpresa para as eleições gerais previstas para Agosto do próximo ano. Não se esconde as dificuldades que o Pais hoje conhece, grande parte delas resultantes da difícil conjuntura economica e financeira mas tambem devido a uma deficiente sincronia de governação e efectiva descentralização do poder, hoje excessivamente concentra- do em Luanda, e que permite aumentar as grandes assimetrias. Isto mesmo foi sentido no mês de Novembro em que os angolanos assinalaram sem garra, com pouco entusiasmo, os 41 anos da proclamação da independência Nacional. A CPLP reuniu-se em Brasilia, definiram-se linhas para que a cooperação entre os países que falam português seja mais efectiva mas falta determinação e prioridade na estrategia para um relacionamento que não pode continuar apenas no capitulo das intenções. Hoje se fala muito na necessidade da cooperação entre os povos e países para que o mundo deixe de ser de guerras localizadas mas sim de Paz, e isto acontece quando se trabalha para mudanças na principal potência mundial, os Estados Unidos da América que a partir de Janeiro terão como Presidente o magnata Donald Trump, do partido Republicano, que derrotou nas urnas a democrata Hillary Clinton. Boa Leitura Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016 5

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3. CARTA DO EDITOR 7. PONTO DE ORDEM AUTÁRQUICAS JÁ! 16. LEITORES 20. PAÍS 31. MUNDO REAL 32. FIGURAS DE CÁ 36. POLÍTICA 38. PENA LIVRE ESCREVER A NOSSA HISTÓRIA 41. NA ESPUMA DOS DIAS 42. CULTURA 48. ECONOMIA & NEGÓCIOS ECONOMIA ANGOLANA 41 ANOS DE INDEPENDÊNCIA 68. CONJUNTURA 6 10. PÁGINA ABERTA MAKUTA NKONDO A MINHA DIGNIDADE NÃO TEM PREÇO 86. DESPORTO ELEIÇÕES NA FAF NDALU QUER MAIS COMPETITIVIDADE NO FUTEBOL 91. FIGURAS DE JOGO RESISTÊNCIA DE MADEIRA, SALVAÇÃO DE JESUS 62. REPORTAGEM FIM DE TEMPESTADE SEM BONANÇA DRAMA SOCIAL OFUSCA SONHO METROPOLITANO Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016

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72. ÁFRICA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO ACORDO POLÍTICO NADA RESOLVE 92. MODA & BELEZA 96. VIDA SOCIAL 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 16 - n. º 179, Novembro – 2016 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Domingos Fragoso, Juliana Evangelista, João Marcos, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Capa: Bruno Senna Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Tel: (+244) 937 465 000 Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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PONTO DE ORDEM Victor Aleixo victoraleixo12@gmail.com OAUTÁRQUICAS JÁ!anúncio feito no início deste mês pelo vice-Presidente da República, Manuel Vicente de que as eleições autárquicas em Angola não se realizarão antes de 2011 constituiu como que um balde de agua fria para aqueles que acompanham com bastante interesse o desenvolvimento do País e que tinham na realização daquele acto um aquecer de motores para melhor se delinear o conceito de cidadania e estabelecer-se estratégias mais realistas para o crescimento integral e sustentado do País. A excessiva centralização em que se apoia a governação do Pais não tem permitido um entusiasmo e empenho equitativo na resolução global dos problemas que se vive, haja vista a discrepância de situações regionais e provinciais especificas de cada parte que este pensar centralizado, cultivado desde os tempos em que Angola se apoiava num modelo de desenvolvimento inspirado no sistema monopartidario, não divisava soluções correctas para que o país fosse eliminando as diferentes assimetrias, algumas herdadas e outras enraizadas pelo modelo de governação escolhido que mais facilmente privilegiava o culto de personalidade, o compadrio e outras praticas contrárias à boa governação. O sistema democratico de governação implantado no país desde 1990, com a realização das primeiras eleições permitiu antever a possibilidade de surgimento de uma forma de olhar o Pais mais cidadã, apontandose já na altura a componente das autárquicas como um elemento fundamental desse pensamento porquanto estava saliente que ,com isso, o cidadão consciente elegeria na sua comunidade os melhores para gerirem os destinos do colectivo. Debalde! Se as eleições legislativas e presidenciais já se tornaram realidade, as autárquicas continuam a ferver num forno onde fica evidente falta de leituras objectivas sobre a sua importância quando se quer avançar diferente na forma de pensar a governação do pais, cujos frutos terão de ser necessariamente mais maduros e saborosos em comparação com a realidade que nos é mostrada hoje. À parte a crise financeira que o país hoje atravessa decorrente da falta de dinheiro que o petróleo deixou de dar em demasia porque adormecidamente se tinha pensado que era a única teta para Angola mamar, o certo é que sempre se viu o desenvolvimento de Angola, no seu todo, a partir de gabinetes de Luanda com quadros que, na maioria dos casos, desconheciam a realidade idiossincrática e efectiva de cada canto do país, o que levou a investimentos desajustados numa ou noutra província por exemplo, os municípios e comunas, onde em grande parte delas se concentra a riqueza natural a precisar de ser explorada, a serem completamente ignorados, agravado com o privilegio ainda evidente da nomeação e não eleição de quadros, quantas vezes por compadrio e/ou militantismo exagerado que eliminavam à partida a concorrência. Mais grave, hoje, é que mesmo os integrantes dos poderes constituídos já deram conta que nesta linha que persiste Angola dificilmente conseguirá enveredar para um desenvolvimento sustentado mas teima-se em mudar as regras de jogo. É verdade que a realização das eleições autárquicas não é a panaceia para a resolução imediata de todos os problemas que o país tem no que a governação inclusiva diz respeito mas não podemos ignorar que ela pode ajudar a mudar a forma de se ver e pensar país, reforçar inclusive um maior sentimento de cidadania. Não se justifica por isso que catorze anos de paz, com quatro eleições gerais (legislativas e presidenciais) já realizadas, as autárquicas, onde a eleição dos representantes da comunidade é mais profunda, seja transportada para as calendas gregas por argumentos esfarrapados que não dignificam, antes pelo contrário, mais dissociam os políticos e os seus comportamentos dos cidadãos. Errar é humano, cálculos mal feitos, sobretudo quando carregados de excesso de zelo na análise mais abrangente do que o país precisa também podem e devem ser desculpados, e no caso, desde que os políticos, e ai o MPLA como o Partido no poder tem responsabilidades acrescidas, se vistam de coragem e projectem as eleições autárquicas para um horizonte temporal mais curto que não pode ser, de forma alguma, o 2021. Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016 9

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PÁGINA ABERTA I ENTREVISTA A polémica, a irreverência, o divórcio claro e óbvio diante dos medos e receios constituem marcas da sua personalidade. Neste espaço não se tentou descobrir nada de novo num homem que já foi jornalista no activo na Angop, representante da agência noticiosa France Press, um político que começou na UPAFNLA, causticado pelas aventuras que a própria vida encarna e que sofreu com o assassinato da mãe; enfim, Makuta Nkondo abre o jogo no quintal da sua casa, localizada em Cacuaco, distante dos bairros chiques de Luanda. Mantém o seu gosto: o de viver com uma certa razoabilidade e no conforto da sua família. Ali, fomos encontrá-lo, bem disposto, sem medo de falar a verdade. A sua verdade que, a seguir, revela, no fundo, um homem arrependido por estar ligado à Unita, ao cargo de deputado como independente e que nega, em absoluto, criar um partido político para representar a etnia bacongo, apesar do permanente "assédio" de uma certa franja da sociedade civil angolana, inclusive ligada à religião Texto: Carlos Miranda Fotos: Nsimba George 12 Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016

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ENTREVISTA I PÁGINA ABERTA Fi g u r a s & N e g ó c i o s (F&N) - Senhor Makuta Nkondo; considera-se um político profissional ou um jornalista emprestado à política? Makuta Nkondo (M.N)- Eu não me considero político como tal. Sou um cidadão angolano que intervenho na vida do meu país e do meu povo. Eu gosto de defender Angola e o angolano. Mesmo no tempo do semanário “Comércio Actualidade” (década de 90) eu tive sempre problemas. Antes eu fui procurado pelos gendarmes katangueses, devido a maneira como assassinaram Ambrósio Massiko que era o representante do Movimento de Libertação do Congo aqui. Ele vivia no Hotel Alvalade. Foram convidá-lo para uma reunião do Comité Central, na sede do MPLA. Desapareceu até hoje. Denunciamos o facto. Eu é que fiz o artigo para o jornal “Comércio Actualidade”. Procuraram-me, dia e noite, para me abaterem. Gosto de defender as pessoas. Eu não sou político como tal e posso dizer porquê: cresci na UPA-FNLA (União dos Povos de Angola-Frente Nacional de Libertartação de Angola). Era pioneiro da UPA, eu é que transportava aquele quadro-símbolo de uma pessoa com correntes rebentadas para pô-lo fora do gabinete; cresci no quartel do Luango, que era o mais operacional da UPA, e em casa do comandante João Nguim- be. O dia em que contei isto ao Holden Roberto, ele não sabia… Qual era o meu trabalho? Sempre que havia alguma actividade da UPA eu recitava poemas, inclusive em francês. Participei em muitas actividades da UPA e, mais tarde , recebemos o primeiro delegado do GRAE no Baixo Congo. O GRAE era um governo dentro do governo do Congo e o seu delegado na altura era Francisco Xavier Lubota. Li uma mensagem de boas-vindas e fui coptado como secretário. Trabalhei com todos delegados do GRAE no Baixo Congo. Está aí a minha esposa que testemunha. F&N - Quando é que aconteceu a sua separação com a UPA-FNLA e porquê? M.N - Depois vim à Angola, exercendo as funções de comissário político no Quissimba. De Angola fomos expulsos para a República do Zaíre, na altura, em 1975. Nunca revelei este segredo: Por que razão abandonei a UPA? Meu caro, a UPA-FNLA, a UNITA e o MPLA (vocês não conhecem…) são movimentos assassinos! Eu, como antigo comissário político no Quissimba, a minha mãe andava doente. A FNLA queimou todas as aldeias. A mãe não queria mais entrar nas matas e ficou na aldeia. Eu estava refugiado no Congo. Comandantes da FNLA e soldados da FNLA e tudo, abateram a minha mãe. Quem matou a minha mãe está em vida. Por ordem su- perior do comando do ELNA. Ela não tem campa certa. Depois as pessoas foram me transmitir: "tu, Makuta; nós entramos nas matas e a tua mãe não entrou. Estava no Congo e a FNLA lhe levou à Angola. Ela tinha de fugir, mas deram-lhe tiros. Ela a correr, a chorar sob as rajadas. Portanto, não havia outra solução. Nenhum filho se pode reconciliar com o assassino do seu pai ou da sua mãe! Esse é o motivo que me fez separar-me da FNLA. É a primeira vez que estou a revelar isto. Quem matou a minha mãe chama-se Joel, com o irmão dele Sambui também naturais da Quissimba e conheciam aquela brutalidade da tropa do ELNA. F&N - Já se sabe que a partir dali procurou outros rumos, o que não terá sido fácil para si... M.N - Pois! A partir daí, tentei aderir ao MPLA. Tentei, mas não fui militante do MPLA. Fui recrutado para ser membro lá no Congo, mas eu tenho o hábito de não responder no local. Logo na entrada em Matadi para o Nóqui, com a minha esposa e os meus filhos, fui agredido na aldeia Minguiengui, a cinco quilómetros. Chamaram-se de "zairense" e porquê? Porque aquela mesma gente do Miguiengue, que no Congo era qualificada como "zairense", foi a mesma que me agrediu. Questionei-me: aqui também na Pátria dos meus antepassados, eu, Makuta Nkondo, sou considerado estrangeiro A MINHAMAKUTANKONDO DIGNIDADE NÃO TEM PREÇO Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016 13

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PÁGINA ABERTA I ENTREVISTA e ser agredido? Ao longo da via, da caminhada, só ouvia "zairense, zairense"… Então, no Congo sou refugiado e em Angola sou "mossorongo", "zairense", sou FNLA, sou UPA e as pessoas que me acusam são exactamente aqueles que recusaram participar na guerra de libertação? Eu sofri e agora sou isto?! Então, essa coisa não é minha… No momento do movimento de rectificação de membros do MPLA, eu trabalhava na Administração Municipal do Nóqui (Comissariado). Eu neguei porque disse que só se rectifica uma cambota da viatura, uma cúpula ou uma árvore torta (risos). Disse-lhes que nunca fui militante do MPLA… Parece-me que foram lá o Lúcio Lara com elementos do Comité Provincial do MPLA, no tempo do Coordenador Jorge Barros Tchimpuaty… Eu recusei. Nunca fui rectificado. Nunca tive nenhum cartão do MPLA, enfim, nenhum papel assinado como membro do MPLA. F&N - E a sua ligação com a UNITA? Como é que aconteceu e em que circunstâncias? Nota-se que aqui existe um paradoxo na sua tomada de posições, e não foi muito pacífica… M.N - Eu, como representante da agência noticiosa France Press, tive simpatias pela UNITA. Quando saí da France Press, foi o Samakuva que me convidou em 2005/6, para ser seu assessor. Não como militante, mas como independente. Sempre recusei. F&N - Então, quais foram os motivos do seu divórcio? M.N - Como assessor, o Samakuva aproximando-se as eleições, convida-me para ser pré-candidato a deputado. Eu disse-lhe que como independente aceito, mas como militante… não! Aceitei, como independente. Bom, fiquei lá. Só que na UNITA comecei a constatar que quando saíssemos com Samakuva, chegávamos a certos sítios como por exemplo, o Soyo eu e o Samakuva na Pensão, estavamos a ouvir choros. O Samakuva mandou ver que confusão era aquela lá fora porque as pessoas estavam a chorar e a bater-se no chão com emoção por verem Makuta Nkondo ao vivo. Aquilo passou. Por exemplo, fui com Samakuva ao Moxico. Eu, no Hotel, muita gente! Mais tarde fui convidado pela Frente das FAA (Forças Armadas Angolanas) porque os militares queriam conhecer Makuta Nkondo ao vivo e se eu queria almoçar com eles… F&N - Está a querer dizer que o senhor criou maior protagonismo em relação ao líder da UNITA criando uma suposta cisão em relação ao vosso futuro? M.N - Sem saber, uma vez começo a notar o seguinte: Samakuva me recebe no gabinete e me diz: “Mano Makuta; eu detesto pessoas populares porque depois apanham a vaidade tornam-se vaidosas por causa da popularidade”. Bom, ao longo da viagem, o sobrinho do Savimbi sempre me repetia a mesma coisa. Um general chamado Vetusi. Ele é um analfabeto. Na Frente Leste não é um ovimbundo, parece-me que é "lutchasi", lá no Moxico. Sempre que ele saísse para a frente de combate, voltava e era recebido com canções e danças. Ele como falava mal o português, dizia: "só se pode cantar para o chefe, o mano mais-velho" Pois é! Eu não sabia que na UNITA os louvores só servem para os chefes!. Outro general, também analfabeto, falava assim: "meus irmãos, meus filhos; a democracia significa que vale a pena andar sozinho do que mal acompanhado" (risos). Tudo isso era piada para mim… Outro dia fui convidado para palestrar na OMUNGA. O Samakuva devia fazer uma digressão. Mais tarde fui chama- 14 Figuras&Negócios - Nº 179 - NOVEMBRO 2016

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