Gazeta Valeparaibana

 

Embed or link this publication

Description

Dezembro 2016

Popular Pages


p. 1

Ano X - Edição 109 - Dezembro 2016 Distribuição Gratuita RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Na primeira década do novo milênio, uma onda de mudança espraiou-se pela América Latina, como reação à crise do neoliberalismo. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico voltou ao Continente, impulsionado pelo mercado interno em expansão e pelo mercado mundial aquecido para as exportações de bens primários. Ao final dessa década, algumas transformações eram visíveis na maior parte dos países latino-americanos: à recuperação econômica e ao aquecimento do mercado de trabalho somaram-se transformações sociais, redução da pobreza e melhora na distribuição da renda, além de transformações políticas que introduziram na agenda política o até então interdito tema da equidade e o propósito de resgatar os direitos políticos e econômicos às classes sociais marginalizadas. A redução da desigualdade é a maior conquista desse movimento e só foi atingida nos países cujos governos puseram em ação políticas sociais voltadas aos interesses das classes populares, com vistas a realizar transferência de renda e elevação de salários. EDITORIAL CRÔNICA DO MÊS REFORMA DO ENSINO MÉDIO Na vida, o planejamento da nossa jornada é fundamen- Caros leitores, amigos e colaboradores. A Falta de diálogo tal para que tudo se realize da melhor forma possível e Certa vez uma mãe levou seu filho até Gandhi e lhe Novamente pretendo discutir outro ponto sobre a refor- estar preparado para as adversidades e mudanças de pediu: ma do Ensino Médio. Ao longo desses meses, aproveitei rota é o que nos torna diferentes. - Por favor mestre, fale para meu filho para de comer meu espaço na Gazeta Valeparaibana para discutir so- Nas “tempestades”, sobretudo na pressão dos aconteci- doces, ele o respeita e de certo o ouvirá. bre a questão da falta de estrutura das escolas no Brasil mentos, muitas vezes, precisamos agir rapidamente, Gandhi então lhe pediu que trouxesse seu filho na próxi- e, mais recentemente, sobre a questão do notório saber. mas, para as decisões terem maior probabilidade de ma semana e, assim, na semana seguinte ela o levou Agora, pretendo discutir um pouco sobre a falta de diá- acertos, é necessário escolher bons aliados, compa- até ele. Logo que chegou, Gandhi lhe disse: logo que o MEC tem com os professores e com a socie- nheiros de lutas, condições de trajetória e isenção de - Esta semana ainda não, volte na próxima semana. dade. ânimos. Por: Genha Auga - Página 02 Por: Filipe de Sousa - Página 03 Por: Ivan Claudio Guedes - Página 9 CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu www.culturaonlinebr.org Baixe o aplicativo IOS NO SITE Nem Fidel resistiu a esse tene- A formação de uma Sociedade Capitalismo e democracia broso 2016... do medo através da influencia na Europa Seus inimigos dizem que foi da mídia. PARTE XII rei sem coroa e que confun- A Mídia tem um papel importante no dia a unidade com a unani- campo político, social e econômico de Por: Michael Löwy - Página 15 midade. E nisso seus inimigos têm razão. toda sociedade. Através desse mecanismo essa instituição incute na população A Justiça dos homens Da redação - Página 4 Histórias que a vida conta uma consciência, uma cultura, uma forma de agir e de pensar. Segundo o Direito Justiça é um o que é seu por direito. dar a cada O menino achou um celular. Esfregou o aparelho no calção removendo as incrustações mais densas. Apareceram alguns nomes e números desbotados e uma pequena rachadura num cantinho. Ficou feliz, acenou com o seu troféu para a mãe. Por: Raquel do Rosário e Diego A. Bayer Página 8 O Povo Brasileiro Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos dá nome O Dia da Justiça é comemorado no dia 8 de dezembro, em todo o território nacional. Mas o que seria isso? Será que o sentido de justiça é igual para todos? Não existe aí uma grande variação no que entendo por justiça daquilo que você entende? Por: Fernando Soares Campos a cada rio... Páginas 6 Por: Darcy Ribeiro - Página 14 Por: Mariene Hildebrando - Página 16 Dez anos a serviço da educação, da cidadania e valorização das culturas e tradições brasileiras

[close]

p. 2

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial MUDANÇA DE VENTOS Na vida, o planejamento da nossa jornada é fundamental para que tudo se realize da melhor forma possível e estar preparado para as adversidades e mudanças de rota é o que nos torna diferentes. Nas “tempestades”, sobretudo na pressão dos acontecimentos, muitas vezes, precisamos agir rapidamente, mas, para as decisões terem maior probabilidade de acertos, é necessário escolher bons aliados, companheiros de lutas, condições de trajetória e isenção de ânimos. Nesse momento de incertezas e pessimismo pelo qual estamos passando em nosso país, devemos tomar esses cuidados para não perder o controle e o discernimento, perceber as variáveis para que nada nos impeça da aproximação do alvo desejado. O que vem acontecendo em nosso momento político e com as mudanças significativas que estamos sofrendo principalmente economicamente, a população tem abandonado a visão daquilo que realmente nos serve como prioridades e focando nas tempestades que nos assombram sem muita previsão de calmaria e, “remando” umas vezes contra outras a favor, tentando superar a crise dia a dia. Nessa época de pouca prosperidade e fatos que nos levam a incertezas de um futuro melhor, a constatação da falta de moral e dignidade por atos que nos são apresentados diariamente, o estímulo ao consumo e embriaguez por tudo que possa confundir nossos sentimentos e tirando o foco da busca pela evolução, devemos então, ficar atentos e não nos render a essa luta partidária a qual estamos presos porque isso só nos levará ao colapso. Nesse momento de transição, dentro desse “mar revolto”, busquemos os melhores “navegantes” para que pela união, juntemos forças para reinventar essa nação e realizar coisas que nos tempos de inércia e procrastinação deixamos de lado e entregues a pequenos golpes que nossos governantes foram sorrateiramente aplicando até o “Golpe” fatal. Isso poderá passar e, mesmo que temerosos com a crise; com iniciativas, criatividade e direcionamento para novas rotas, atentos como capitães do futuro, ouvindo, pensando, e agindo sem permitir a intervenção da corrupção, poderemos ainda, tomar o leme desse país e principalmente de nossas vidas e salvar nossos jovens do pior que pode estar vindo por aí... As mudanças dependem de nossos atos, de todo esforço e empenho que pudermos manifestar e colocar em prática, mas, de forma inteligente e solidária para que não haja mais espaço a quem tanto nos tem feito mal. Só assim os ventos poderão voltar a soprar a nosso favor, afinal, os ventos seguem sempre em constantes mudanças! “Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados”! Mahatman Gandhi Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 A profecia de Nostradamus que prevê Francisco como último papa e que ficará 17 anos como papa (até 2029) “Depois da germinação da nova Babel filha miserável que virá juntar sua abominação à do primeiro holocausto e cuja duração não passará de 73 anos e 7 meses.” “Depois dela (esse período de 73 anos da Igreja no Vaticano), sairá do ramo que tinha ficado durante tanto tempo estéril, um príncipe, que virá do paralelo 50º para renovar toda a Igreja cristã” “E uma grande paz será feita; a união e a concórdia voltarão para reinar entre os irmãos, cujas idéias se tinham afastado e separado. Em diversos reinos será estabelecida uma tal paz, que o suscitador e promotor da revolta belicosa, que tinha nascido da diversidade das místicas será preso no mais profundo do Inferno. E o reino do Raivoso, que se disfarçará em Justo, será unido." A volta do medo “Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor”. Marquês de Maricá *** “O medo é a arma dos fracos, como a bravura a dos fortes”. Marquês de Maricá *** “Nada é mais depreciável que o respeito baseado no medo”. Albert Camus *** “A treva gera o medo; o medo gera os deuses e os diabos, que por sua vez geram as religiões”. Monteiro Lobato *** “O medo é o mais antigo e fiel companheiro do homem e é o medo que nos faz conhecer nossas limitações e nos torna humildes”. Raquel de Queiroz *** “O medo dos poderes invisíveis, inventa- dos ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião”. Thomas Hobbes *** “Depois da onça morta, até cachorro mija nela”. Ditado popular *** “Muitos, por medo, não hesitam em beneficiar aqueles que os odeiam”. Esopo *** “O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado”. “Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir”. Clarice Lispector *** Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente Todas as matérias, reportagens, fo- para download na web tos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, poden- Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J do seus conteúdos não corresponde- rem à opinião deste projeto nem Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal deste Jornal. Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

[close]

p. 3

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês Caros leitores, amigos e colaboradores. Calendário Certa vez uma mãe levou seu filho até Gandhi e lhe pediu: - Por favor mestre, fale para meu filho para de comer doces, ele o respeita e de certo o ouvirá. Gandhi então lhe pediu que trouxesse seu filho na próxima semana e, assim, na semana seguinte ela o levou até ele. Logo que chegou, Gandhi lhe disse: - Esta semana ainda não, volte na próxima semana. Então, novamente na semana seguinte, lá estavam Mãe e Filho e, desta vez, o menino ouviu: - Seria interessante se você pensasse em diminuir a quantidade de doces que come. O garoto, de acordo, e respondeu: - O Senhor tem razão. Vou pensar no que me diz e diminuirei os doces que como. No entanto, a mulher intrigada perguntou a Gandhi: - Por que o Senhor não lhe disse isso logo na primeira vez que viemos aqui? E Gandhi lhe disse: - Eu sempre adorei doces, não achei justo pedir ao menino algo que um homem como eu não consegue fazer. Na primeira semana, eu não consegui e, assim, não me senti preparado para conversar com seu filho. Somente quando consegui controlar a quantidade dos doces que comia é que me senti forte para falar com ele. Caros leitores, o líder sabe que tem de ter coerência entre suas palavras e suas ações. sabe que a força de seu caráter vai se espalhar por todos os da equipe. Ele aceita a responsabilidade de ser exigido por sua equipe e, assim, procura evoluir sempre, afim de estar à altura de todos e, receber o respeito que deve merecer. Claro, caros leitores, que ninguém é perfeito. Cada um de nós tem as suas limitações. As pessoas vão saber aceitá-las se nos dispusermos a ser humildes de aceitá-las também. Não precisamos saber tudo, mas devemos estar dispostos a aprender se realmente quisermos o respeito dos outros. Lembremo-nos também que todos nós podemos realizar nossos sonhos, desde que ajudemos também a maior parte das pessoas a realizar os delas. Sabe aquela parábola da boa sementeira? Está chegando o natal e espero realmente que a vossa colheita durante todo o ano de 2016 tenha sido proveitosa, para vós e para os seus e, que neste novo ano que se aproxima novas e profícuas sementeiras sejam plantadas. Um maravilhoso Natal a todos os leitores (as) colaboradores (as) bem como um Feliz e Próspero Ano Novo. Em 2017 se O pai nos der essa chance, estaremos por aqui de novo cumprindo a nossa missão. Abraço-vos! Filipe de Sousa Algumas datas comemorativas 01- Dia Internacional da Luta contra a AIDS 02- Dia Nacional das Relações Públicas 02- Dia Nacional do Samba 02- Dia Panamericano da Saúde 03- Dia Internacional do Portador de Deficiência 08- Dia da Família 08- Dia da Justiça 09- Dia do Fonoaudiólogo 10- Dia da Declaração Universal Direitos Humanos 14- Dia Nacional do Ministério Público 15- Dia Nacional da Economia Solidária 21- Início do Verão 25- Natal 31- Dia de São Silvestre (Réveillon) Natal é a festa de Jesus. Papai Noel é o papel do teu pai que o comércio criou pra lucrar com os presentes! Carolina Roma FELIZ NATAL ás vezes parece um pouco vago, mas se este desejo significar mais humanidade, paz de espírito, solidariedade e a busca por relações mais puras e respeitosas... desejo-o a todos e a todas Queridos leitores e leitoras! Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 4

Dezembro 2016 El comandante! Gazeta Valeparaibana Página 4 “E por esta revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, estamos dispostos a dar a vida”. Fidel Castro nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver Nem Fidel resistiu a esse tenebroso 2016... a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guarda- “E seus inimigos não dizem que apesar de todos os pesares, das napo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo. agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compe- sofrida, mas obstinadamente alegre gerou a sociedade te na Copa Mundial do Capacho. latino-americana menos injusta”. E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde Tradução: Eric Nepomuceno ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao com a unanimidade. bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la E nisso seus inimigos têm razão. cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que ne- Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o cessitava para se justificar e perpetuar. Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões E nisso seus inimigos têm razão. de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstina- Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando damente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta. pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de E nisso seus inimigos têm razão. seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdeMas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História dores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou de batalha. os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga (Do livro “Espelhos, uma história quase universal”) ALGUMAS MÁXIMAS DE FIDEL “Uma revolução não é um mar de rosas. É uma luta de morte entre o futuro e o passado.” (Discurso pronunciado por Fidel Castro em 2 de janeiro de 1961, por ocasião do segundo aniversário da revolução cubana) “Chega já dessa ilusão de que os problemas do mundo podem ser resolvidos com armas nucleares! As bombas poderão até matar os famintos, os enfermos e os ignorantes, mas não podem matar a fome, as enfermidades e a ignorância.” (Discurso pronunciado por Fidel na ONU www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 5

Dezembro 2016 Cidadania Gazeta Valeparaibana Página 5 Sou a favor de aproveitar a estrutura da C- ca e a Ásia, o que daria aos países-membros PLP para criar um megabloco comercial in- grande poder comercial. tercontinental. Não chego a ser a favor de Uma proposta para iniciar o processo é a fazer da CPLP uma “União Europeia” lusófo- criação de uma área de livre-comércio dentro na porque entendo que propor algo assim é da CPLP. Depois, facilidades para turismo e sonhar muito alto, e a própria UE está com empenho para identificação cultural, como dificuldade de se integrar. Muito menos uma por exemplo, canais de televisão conjuntos, moeda única, porque na UE alguns países coproduções cinematográficas e televisivas tiveram problemas com o Euro. com mais frequência. Oportunidade a ser considerada Acho preferível, por um bom tempo, deixar É necessário conceder um tempo longo para cada país com a sua própria moeda. Talvez que os povos se familiarizem entre si, princi- os Palop (Países Africanos de Língua Oficial palmente o povo brasileiro se familiarizar Portuguesa) possam fazer uma experiência com os demais povos lusófonos. O estímulo de moeda única entre eles, se desejarem. cultural deve ser muito bem trabalhado, mas Sou a favor da cooperação científica e aca- os estímulos comercial, financeiro e econômi- dêmica entre os países, assim como um ali- co também influenciam muito na aceitação nhamento geopolítico e diplomático. dos povos a uma união entre países. Eu tenho ideias e propostas para tentar O megabloco lusófono seria uma “ponte” co- ajudar o Brasil a se destacar mais entre as nectando a América do Sul, a Europa, a Áfrinações, e ainda ajudar outros países. João Paulo E. Barros Cidadania 2 "Ser cidadão hoje significa estar atento aos grandes problemas do mundo e aos pequenos problemas do quotidiano e dar o nosso contributo" como tratamos os cidadãos mais vulneráveis. ção seja ela qual for. O papel do governo, sociedade civil e uni- Exemplos de uma sociedade ideal? versidades? Infelizmente, não há exemplos de sociedades O que significa ser cidadão hoje? O papel da sociedade civil e destas institui- ideais, mas respeito muito todas as socieda- ções é, antes de mais, o de serem modestas des que não “institucionalizam” os seus cida- Ser cidadão hoje significa estar atento aos e respeitarem os direitos das pessoas; em dãos, isto é, cuja sociedade civil se auto- grandes problemas do mundo e aos peque- seguida, é o de melhorarem a qualidade do organiza para tomar em suas próprias mãos nos problemas do quotidiano e dar o nosso espaço público propondo iniciativas que me- o cuidado pelo seu familiar, vizinho ou seme- contributo, à nossa medida, para a sua reso- lhorem efetivamente a qualidade de vida das lhante. A sociedade ideal será aquela em que lução, sobretudo, dos problemas quotidianos pessoas, sobretudo as mais vulneráveis. As os mais idosos e os mais vulneráveis são os do nosso concidadão. formações associativas e cooperativas po- únicos cidadãos privilegiados. Quais os direitos e obrigações do cidadão dem ajudar a sociedade civil nesse desidera- hoje? to. As universidades devem abrir totalmente Os direitos humanos, políticos, sociais e cul- as suas portas e deixar entrar o ar puro da Autor: António Covas turais são fundamentais porque integram o liberdade e do serviço público. António Manuel Alhinho Covas ADN da nossa constituição como pessoa hu- O essencial para uma cidadania exem- é doutorado em Assuntos Euro- mana e definem o que de melhor podemos plar? peus pela Universidade de Bruxelas e é des- obter do espaço público. A qualidade do espaço público é o local onde se encontram os direitos e obrigações do cidadão de hoje. As obrigações são o respeito e a boa educação que devemos para com os nossos semelhantes, sobretudo para com os mais frágeis. A qualidade da cidadania mede-se pela forma O essencial para uma cidadania exemplar é, acima de tudo, o respeito pela fragilidade da pessoa humana e o cuidado e a prioridade que atribuímos aos mais vulneráveis. A sociedade exemplar será sempre aquela que trata os mais desfavorecidos com inteira dignidade e respeito independentemente da sua condi- de 2000 professor catedrático da Universidade do Algarve (Portugal). Foi Pró-Reitor e Vice-Reitor da Universidade de Évora e Assessor ministerial. Atualmente, a sua investigação centra-se na construção social de territórios-rede e na concepção e implementação de redes colaborativas Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 6

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Histórias que a vida conta DUAS PIZZAS PARA SEIS FOMES dólares. Aprendeu que se trata de dinheiro estran- Tragédia em Dor Maior geiro, de valor impressionante. Pelo visto, um dinheiro bastante cobiçado. Mesmo assim, Leonardo prefere encontrar uma grande quantia do bom e O menino achou um celular. Esfregou o aparelho no calção removendo as incrustações mais densas. Apareceram alguns nomes e números desbotados e uma pequena rachadura num cantinho. Ficou feliz, acenou com o seu troféu para a mãe. Ela também encontrara alguma coisa de certa importância que guardara no bolso do vestido. Os trastes de menor valor foram jogados no saco surrado. Mais adiante, a menina parecia ter menos sorte. Entre seus achados contabilizava apenas algumas latinhas de alumínio e alguns pedaços de arame retorcido. “Se pelo menos fosse cobre!” conhecido real, notas graúdas, umas cem notas de cem — para ele, esse é o referencial de uma verdadeira fortuna. Acredita ser o bastante para comprar uma casa fora da favela. Sonha em tirar sua mãe e irmãos daquele ambiente. O barraco é um único cômodo de uns trinta metros quadrados. Ali todos se acomodam para comer, conversar e dormir. Nos fundos há um pequeno espaço improvisado para o banho sobre uma tábua escorregadia. Tem um vaso sanitário encardido no qual um tubo de material plástico acoplado serve de escoadouro até a vala que passa no meio da favela. Os caminhões da limpeza urbana chegavam a todo momento carregados de esperança. Em marcha a ré, aproximavam-se do barranco e despejavam a matéria-prima daquela indústria dos catadores. Os operários do lixão reviravam tudo, e em tudo sempre havia algumas coisas que poderiam significar um dia menos magro. No lixão de Gramacho, na Baixada Fluminense, ao meio-dia, quando a tem- Todos pareciam satisfeitos após tomarem o sopão de legumes que a mãe preparara. Verônica penteava Babi, a sua boneca de um só braço. Leonardo, sentado a um canto, observava o celular. Tuca e os dois menores pareciam interessados no aparelho, enquanto o menino apertava as suas teclas, encostava-o no ouvido, aguardava, mexia, aplicava -lhe leves pancadas e novamente tentava escutar. peratura aproxima-se dos quarenta graus, um mau — Tá ouvindo o quê, Leo? — perguntou Tuca, a cheiro nauseante impregna a atmosfera. Urubus e menininha de fala arrastada. seres humanos disputam a sobrevivência. Nada é Leonardo fingiu que falava com alguém: exatamente o que parece ser nas telas de tevê. Ao vivo, a realidade é outra. Sim, pode mandar. Leonardo, o menino do celular, já viveu doze escal- Mandar o quê, Leo? — quis saber sua irmã. dantes verões. Sua irmã, Verônica, a menina que — Das grande, duas das grande — completou ele gostaria de achar cobre em vez de arame, já pas- e logo fingiu que desligou o aparelho. sou dez sofridas primaveras. Eles têm ainda três irmãos menores. Tuca, sete anos, fica em casa to- Os dois mais novos apenas observavam. Tuca não mando conta dos outros dois. A mãe, Cimara... acreditou que o irmão houvesse falado com alquer dizer, Mara do Lixão, como todos a conhe- guém. cem, não teve apenas os cinco rebentos que lhe — Esse celular tá quebrado — disse ela. fazem companhia no barraco misto de madeira e alvenaria. Foram sete. Dois deles morreram antes de passar pelas quatro primeiras estações. Uma mãe, cinco pais e sete partos. Dois dos seus mari- — Quebrado?! Quebrado, é?! Quebrado, nada! Tá falando sim, tá falando. Pedi duas pizza. Das grande. dos morreram, ambos assassinados: um, por cau- — Então deixa eu falar. sa de dívida com o tráfico de drogas, o outro, numa briga com um vizinho — doze facadas. Dos outros três, sabe-se apenas do que está na cadeia. Flagrado pela vigilância, roubando comida de um mer- — Eu também quero falar — disse Caco, de quatro anos, com sua fala embolada devido à chupeta que não tirava da boca. cadinho do bairro, pegou seis anos. Supostamente, — Falar com quem? Vocês não conhecem nin- Leonardo é filho do primeiro marido, e Verônica, do guém! segundo. Eu conheço sim, conheço muita gente — protestou Naquele dia os três conseguiram transformar a co- Tuca. leta conjunta em pouco mais de cinco reais. Há di- Mas não sabe o número de nenhum telefone — as em que obtêm melhores rendimentos, entretan- afirmou Leonardo. to também ocorrem resultados ainda mais minguados. Estão acostumados àqueles parcos apurados. A menina ficou pensativa. Verônica entrou na disSabem até quais os melhores dias no lixão. Basea- cussão: dos no tipo de material despejado reconhecem a — Tuca não sabe, mas eu sei. origem da coleta: lixo “de primeira”, “de bacana”, “coisa fina”, “filé”, é como definem os bons despe- — De quem? Tu sabe o número do telefone de jos. Não gostam de perder tempo com “favelão”, quem? — quis saber Leonardo. “lixo do lixo”, como designam as descargas oriun- — Do pai do Caco. das de áreas pobres. Caco ficou eufórico: No barraco onde moram, quase tudo foi encontrado no lixo, inclusive a maior parte das roupas que — Eu quero falar com meu pai! vestem. Calçados, bijuterias, bolsas, talheres, pra- — Ah! que mentira! O pai do Caco até já morreu — tos, canecas, quadros, enfeites, jarros, brinquedos, afirmou Leonardo. panelas, frigideiras, cinzeiros, bibelôs, tudo veio do — Mas, quando ele tava vivo, a mãe telefonava de lixão. Vez ou outra, dinheiro vivo, quase sempre vez em quando pro trabalho dele, e eu me lembro moedas de pequeno valor. Mas também, não muito do número do telefone. raro, acham cédulas, geralmente de um real. Leonardo já ouviu um catador antigo dizer que um Caco insistia: companheiro encontrara um pacote com muitos CONTINUA PÁGINA 10 Carl Jung .***** “Até que você tornar o inconsciente consciente, ele irá direcionar a sua vida e você vai chamá-lo de sorte.” ***** “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreen- são de nós mesmos.” ***** “O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas são transformadas.” ***** “Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas de outras pessoas.” ***** “Não se prenda a alguém que está indo embora, caso contrário, você não vai encontrar a pessoa que está por vir.” ***** “Suas visões só se tornarão claras quando você puder olhar para o seu próprio coração. Quem olha para fora, sonha. Que olha para dentro, desperta.” ***** “Os erros são, no fim das contas, os fundamentos da verdade.” ***** “As pessoas vão fazer qualquer coisa, não importa o quão absurda, para evitarem enfrentar suas próprias almas.” ***** “A solidão não vem de não ter pessoas ao redor, mas de ser incapaz de comunicar as coisas que parecem importantes para si mesmo, ou de manter certos pontos de vista que outros acham inadmissíveis.” ***** “Um homem que não passou pelo inferno de suas paixões nunca as superou.” ***** www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 7

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia Página 7 SÓ A LUA ME FAZIA COMPANHIA DE ANO VELHO PARA ANO NOVO - Olá, boa noite, Ano Novo! Sou o Natal e “Nosso Senhor”, marcou esse encontro entre nós para conversarmos sobre nossos propósitos e ver a possibilidade de rever alguns anseios. - Boa noite Natal, pois bem, já que fomos designados a esse importante diálogo, vamos apresentar nossas intenções. - Bem, eu como Natal, me proponho a reunir famílias, amigos, amores e comemorar e celebrar tudo que fizeram durante o ano. Fazendo um “balanço” de suas ações, conquistas, dedicações... E você Ano Novo? - Eu me proponho a testemunhar os anseios para o próximo ano, os votos de melhores atitudes, a vontade de melhorar o mundo, aceitarem o perdão, almejar novas metas, mudanças de hábitos e, principalmente, promessas de amor. - Você, Natal, tem tido êxito nos seus encontros natalinos? - Ah! Infelizmente não! Vejo muito festejo, porém, baseado em falsas alegrias... Pessoas tristes, desoladas, desvalorizadas em suas próprias vidas e tudo por não terem praticado as coisas mais simples como a humildade, solidariedade, compreensão. Passam todos os anos soberbos, bem pouco intencionados no propósito principal que é o amor a Deus e ao próximo. Vou ficando preocupada e desolada quando sinto que está chegando o dia de assistir tanta falta de comprometimento com a própria vida e que a cada noite de natal vejo somente o valor na troca de presentes, a importância do comer e beber, o isolamento cada vez maior por conta da tecnologia o que nada tem a ver com o verdadeiro sentimento daquele que nasceu para presenteá-los nessa noite e que deu sua própria vida para os livrarem do mal e, essa data, deveria ser o marco dessa intenção que parece ter sido em vão a tentativa de salvar os homens na Terra. - E eu, comenta o Ano Novo, chego feliz todo primeiro dia do ano e me deparo com tudo que sobrou da “sua festa” e sinto já de antemão que perdi a minha característica de esperança e sempre que chego trazendo um novo ano, já me previno que todos os desejos, anseios e promessas não serão cumpridos, pois é o rastro do natal que me faz perceber que não tenho mais êxito no que tenho a oferecer. Eis então, que chega o velho e experiente Ano Velho, se junta nessa conversa e diz: - O que não foi feito com consciência, dedicação e bons sentimentos, nunca será recompensado no Ano Novo e eu, Ano Velho, é que tenho a missão de mostrar isso e, então, digo a todos: - Tenham um bom Ano Velho para celebrarem um verdadeiro Natal e aí sim, o Ano vindouro será realmente Novo e Bom... DUETO GENHA AUGA E EDUARDO SAMUEL PELA RUA SEGUIA ANDANDO SÓ A LUA ME FAZIA COMPANHIA. EM CASA, REPENTINAMENTE, SENTI SEU PERFUME, FOI UMA SENSAÇÃO DE AMOR COM NOSTALGIA. ENROLADO NOS LENÇÓIS, SINTO SEU CHEIRO, É COMO SE VOCÊ ESTIVESSE COMIGO, VIRO-ME NUM ACONCHEGO DE UM SONO SERENO E DURMO SONHANDO CONTIGO. SOMENTE OS NOSSOS LENÇÓIS SÃO TESTEMUNHAS DE TODA A INTENSIDADE DO NOSSO AMOR. A LUA CAPTOU E ENVIOU SEU PERFUME NO EXATO MOMENTO EM QUE O SONO ME ABRAÇOU. O DIA NOS SEPARA, NOSSOS CORPOS JUNTAM-SE NUMA ÚNICA ALMA. NÃO TE ESQUEÇO EM NENHUM MOMENTO, RAZÃO DE MINHA ALEGRIA, SENTIMENTO ETÉREO. A NOITE CHEGA E TE QUERO NUM ABRAÇO ETERNO. NESSE ABRAÇO TUDO SE REVELA, AMOR FORTE E VERDADEIRO. SEM ESPAÇO PRA QUIMERAS. O CALOR DO SEU CORPO ME FAZ DESPERTAR E ENTRE BEIJOS E CARINHOS SEMPRE VOU TE AMAR. Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 O Natal! A própria palavra enche nossos corações de alegria. Não importa quanto temamos as pressas, as listas de presentes natalinos e as felicitações que nos fiquem por fazer. Quando chegue no dia de Natal, vem-nos o mesmo calor que sentíamos quando éramos meninos, o mesmo calor que envolve nosso coração e nosso lar. Joan Winmill Brown MANTENHAS-ME PERTO DO TEU CORAÇÃO. ESSE AMOR QUE SINTO, É TANTO QUE DÓI! APENAS ME AME E VIVEREI PRA TI, TODAS AS HORAS QUE TENHO DE VIDA PARA NÓS "Quem acredita em oh, oh, oh, vive só de snif snif snif" www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 8

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Cultura A formação de uma sociedade do concepções imaginárias que nos assombram tórias de contos e mitos, da imaginação du- medo através da influência da mídia em um quarto escuro, em um sonho, em uma rante reuniões de família, para ser um aglo- PARTE 1 visita ao médico ou dentista, em situações merado de imagens e informações que a tele- Raquel do Rosário e Diego Augusto Bayer que estamos longe de nossos genitores e nos visão transmite todos os dias dentro de cada sentimos ameaçados. No início de nossa e- lar e para todas as famílias. A sociedade dei- A Mídia tem um papel importante no campo xistência tudo é seguro, puro e invisível aos xou de imaginar os contos para viver na reali- político, social e econômico de toda socieda- olhos. À medida que nos tornamos maiores – dade concreta as situações que são transmiti- de. Através desse mecanismo essa instituição criança, adolescentes, jovens, adultos e ido- das através dos telejornais e programas de incute na população uma consciência, uma sos – o medo passa a ser um de nossos prin- entretenimento. cultura, uma forma de agir e de pensar. cipais inimigos e será ele que, em muitos mo- O mundo líquido mostrado por Bauman é uma O crime desperta curiosidade na população por apresentar uma ameaça. A mídia atua explorando essa fragilidade humana estimulando a sensação de insegurança. A televisão tornou-se um fenômeno em massa, assim como, a alta taxa de criminalidade e, com isto, também cresce a sensação de medo e inse- mentos, nos impedirá de seguir nossos sonhos, de arriscar uma tentativa ou de fazer uma mudança radical. O medo passa a ser parte de nossa vida e em tudo que fazemos sempre estará presente de alguma forma e por algum motivo. Assim, aprendemos a temer o medo. espécie de irrealidade dentro da qual estamos mergulhados, um mundo de aparência absoluta, de ameaças que quase nunca se configuram reais, mas que nos são mostradas cotidianamente, principalmente pela mídia. Diante disso, ele expõe o medo como uma forma inconstante. Podemos ter medo de perder o gurança em toda população. Segundo Bauman (2008, p. 8), medo é o no- emprego, medo do terrorismo, da exclusão. O me que damos a nossa incerteza: nossa igno- homem vive numa ansiedade constante, num Por nos encontrarmos em uma crise de credi- rância da ameaça e do que deve ser feito. Vi- cemitério de esperanças frustradas, numa era bilidade política, os telejornais procuram ou- vemos numa era onde o medo é sentimento de temores. tras categorias informativas para traduzir o conhecido de toda criatura viva. interesse da sociedade — geralmente notícias E, assim, passamos a construir inimigos e violentas. Assim, a curiosidade pela narração Tema central do século XXI, o medo se tor- fantasmas, nos deixando levar por todo tipo do crime e suas possíveis consequências a- nou base de aceitação popular de medidas de informação que nos é imposta sem nem ao cabam por ser uma das causas de uma nova repressivas penais inconstitucionais, uma vez menos questionar a real veracidade dos fatos. cultura de violência, em que essa aparece co- que a sensação do medo possibilita a justifi- É inegável que vivemos em uma sociedade mo um fato normal, corriqueiro, que faz parte cação de práticas contrárias aos direitos e li- violenta, com altos índices de barbáries, mas do cotidiano. berdades individuais, desde que mitiguem as o problema não está na prevenção de possí- causas do próprio medo. veis ameaças, mas em considerar que tudo e Não há com um grau de certeza a confirmação de que os meios de comunicação influenciem na opinião pública, o fato é que existe uma influência mútua entre o discurso sobre o crime — atos violentos — e o imaginário que a sociedade tem dele e entre as notícias e o O medo pode surgir das mais variadas maneiras e nascer de qualquer canto de onde vivemos, inclusive, em nossos próprios lares. Temos medo de comida envenenada, de perder o emprego, de utilizar transporte público, de todos possam ser ameaçadores. Ou seja, viver em alerta constante, excluindo pessoas e julgando indivíduos sem nem ao menos conhecer por medo do perigo que esse indivíduo possa lhe trazer. medo do delito. Com isso, pode-se sustentar pessoas desconhecidas que encontramos na O sentimento de insegurança não deriva tanto que existe uma relação sólida entre as ondas rua, de pessoas conhecidas também, de inun- da carência de proteção, mas, sobretudo, da de informação e a sensação de insegurança. dações, de terremotos, de furacões, de desli- falta de clareza dos fatos. Nessa situação di- zamento de terras, da seca. Temos medo de funde-se uma ignorância de que a ameaça A televisão se tornou um eletrodoméstico in- atrocidades terroristas, de crimes violentos, paira sobre as pessoas comuns e do que de- dispensável em qualquer lar e, hoje, informar de agressões sexuais, de água ou ar poluído, ve ser feito diante da incerteza ou do medo. A é fazer assistir. Quando a transmissão é ao de entrar na própria casa e de sair dela, de consequência mais importante é uma crise de vivo, as imagens passam uma veracidade ain- parar no semáforo. Temos medo da velhice e confiança na vida, uma vez que, o mal pode da maior aos telespectadores que deixam de de ficarmos doentes, de sermos ameaçados, estar em qualquer lugar e que todos podem lado as possíveis consequências do fato noti- furtados ou roubados. Temos medo da bolsa estar, de alguma forma, a seu serviço, geran- ciado. de valores e da crise econômica. Temos me- do uma desconfiança de uns com os outros. Em uma sociedade como o Brasil, com altos do de voar de avião. São tantos os nossos A influência da mídia e sua relação com o me- índices de criminalidade, acabam por encon- medos que não caberia aqui relatarmos to- do trar um mecanismo de escape na tela da tele- dos. visão. Conforme relatam Cristiano Luis Moraes e Marlene Inês Spaniol, os medos passam a ser dramatizados em histórias de vingança e de criminosos que são levados aos tribunais e posteriormente à prisão. Isso leva a sociedade a reagir contra o crime como se ele fosse um drama humano, levando-nos a crer que os delinquentes são em maior número e praticam mais delitos do que realmente o são. Para Bauman (2008, p.18), riscos são perigos calculáveis. Uma vez definidos dessa maneira, são o que há de mais próximo da certeza. Ou seja, o futuro é nebuloso e as pessoas não deveriam se preocupar em vencer ou não qualquer situação de risco porque, talvez, nunca se chegue a enfrentá-la. Mas, deve prever e tentar evitar oferecendo a si mesmo um grau de confiança e segurança, ainda que A mídia tem por objetivo atender as expectativas imediatas dos indivíduos. Ela pode ser definida como o conjunto de meios ou ferramentas utilizados para a transmissão de informações ao público assumindo um papel muito importante na formação de uma sociedade menos conflituosa. Porém, em uma realidade complexa como a nossa, a mídia desempenha um papel garantidor da manutenção do sistema capitalista, fomentando o consumo, A origem do Medo sem garantia de sucesso. ditando regras e modas e agindo sobre inte- Desde muito pequeninos aprendemos a temer A mídia pode ser considerada aqui uma cau- resses comerciais. o medo e a confiar em celestiais criaturas e sadora da proliferação do medo na sociedamuitos passam a serem nossos monstros, de, pois o medo deixou de relacionar-se a es- CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 9

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana E agora José? Debatendo a educação Página 9 REFORMA DO ENSINO MÉDIO: do discurso do Ministro e dos outros representantes da “equipe”, várias A FALTA DE DIÁLOGO vezes foi frisado que o diálogo está aberto com as “entidades” do se- tor. Mas bem, quais são essas entidades? A priori, quem participa des- Novamente pretendo discutir outro ponto sobre a reforma do Ensino te “diálogo” é o Conselho Nacional de Secretários de Educação Médio. Ao longo desses meses, aproveitei meu espaço na Gazeta Va- (Consed), o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a União Nacio- leparaibana para discutir sobre a questão da falta de estrutura das es- nal dos Dirigentes Municipais da Educação (Umdime). colas no Brasil e, mais recentemente, sobre a questão do notório sa- ber. Agora, pretendo discutir um pouco sobre a falta de diálogo que o Ainda que as entidades acima possam ser representativas na área da MEC tem com os professores e com a sociedade. educação, elas representam apenas a parcela administrativa da edu- cação. As entidades representativas dos professores (Confederação Para começo de conversa Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE) e dos alunos Não é de hoje que os governos não dialogam com a população. A lógi- (União Nacional dos Estudantes – UNE), dentre muitas outras, não fo- ca da administração pública se coloca como alguém acima de qual- ram convidadas ao debate. quer contestação. Essa forma de governar vem de longa data. É qua- O MEC e até mesmo a página pessoal do Ministro Mendonça Filho se que uma forma monárquica de gerir a república. Boa parte da popu- tem sido utilizadas não para um espaço de discussão, mas sim para lação em si também é conivente com isso. Seja pela cultura da não um espaço de exposição. participação nas decisões públicas, seja pelo medo ou receio de se impor. Por fim... conversar com quem? Porém, com o passar dos tempos, chegamos ao século XXI. Um sécu- Nas últimas semanas, tivemos algumas audiências no Congresso com lo marcado pela difusão da comunicação eletrônica e pelo encurta- a participação das entidades acima elencadas (inclusive agora com a mento do espaço de comunicação. Essa ferramenta virou uma arma participação da CNTE e da UNE). Porém, o que se observa é que há na mão de diversas pessoas que passaram a acompanhar e cobrar uma grande “tropa de choque” que rebate de pronto os argumentos e seus representantes políticos. as posições dessas entidades. Ou seja, não há o debate, não há a a- nálise sobre as críticas. Apenas se impõe o que já está pronto. Vivemos hoje, sobretudo no Brasil, uma reconstrução do que entende- mos como democracia. Basicamente, entendemos que cobrar a trans- Muitos me perguntam sobre a morosidade da reforma do ensino mé- parência das ações públicas e se voltar contra os detentores do poder dio. Este projeto foi publicado em 2013 (como já abordei no primeiro político estão incluídos neste pacote. O grande problema é fazer com artigo) e as discussões estavam frias. Então, hora, se existia desde que nossos políticos entendam que eles trabalham para a sociedade, 2013, por que não houve a discussão para posterior aprovação? Res- e não o inverso. posta: Porque o projeto já no seu lançamento era ruim mesmo. E, tam- bém, porque desde aquela época não houve o debate com a socieda- Assim, a questão do diálogo é fundamental para qualquer tipo de rela- de. ção em sociedade. O poder público precisa aprender a conversar e a negociar com a população. Conversar e negociar são vias de mãos No meio de toda essa turbulência, especulações, falta de transparên- duplas. Há um caminho de ida e de volta. Há a argumentação, a con- cia e diálogo, muitas ações pipocaram no país e desagradou muita testação, a defesa, o confronto, a síntese e a conclusão. É importante gente. Escolas, faculdades, universidades e até casas legislativas mu- destacar que a conclusão deve ser uma equação entre os dois envolvi- nicipais foram ocupadas. Independente da conotação partidária que dos, e não uma imposição de um dos lados. Entendo que assim pos- queiram dizer que motiva tais movimentos de ocupação, na base, samos construir um modelo democrático de diálogo, e não de imposi- quem está lá, são jovens realmente preocupados com o que está a- ção de ideias. contecendo. A falta de transparência, diálogo e os constantes ataques aos movimentos só funcionam como gasolina para apagar incêndio. O MEC e a falta de diálogo Enquanto não houver realmente uma consulta pública, um canal aber- Na audiência pública sobre a PEC 241 (55 no Senado), realizada na to de diálogo e várias discussões regionais, o movimento vai continuar. Comissão de Direitos Humanos do Senado, com a participação de di- Tive a oportunidade de conversar com esses jovens e fazer uma rápi- versas entidades ligadas à educação, para discutir sobre os impactos da leitura do quanto estão apreensivos com toda turbulência que está da PEC sobre o Plano Nacional de Educação, ninguém do Ministério acontecendo. Você pode acompanhar um pouco dessa discussão nes- da Educação Compareceu (https://goo.gl/aqaXuh). te link: https://goo.gl/3yG4uU Não é de hoje que o MEC não abre diálogo com a sociedade. Nem Como eu disse acima, entra governo, sai governo e a estratégia é a mesmo a assessoria de imprensa se dá ao trabalho de responder as mesma. Colocam suas posições de forma verticalizada. Mas como solicitações enviadas. Em vários programas E Agora José? encami- também afirmei acima, a sociedade muda. Hoje já não aceitamos a nhei pautas de solicitações diversas e não foram respondidas. Minha verticalidade das ações. Os governos precisam aprender a dialogar. última solicitação foi sobre o fim do Programa Mais Educação. Fazendo uso da própria página oficial do Ministério da Educação, o Ministro “rebateu mentiras”. Uma das “mentiras” rebatidas foi exatamente sobre o fim do Programa Mais Educação. Ora, se houvesse o diálogo aberto, não haveria espaço para “mentiras” (https://goo.gl/ UMdD7d). Ivan Claudio Guedes, 36 Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com www.icguedes.pro.br No ato de lançamento da Medida Provisória do Ensino Médio, diante www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 10

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Histórias que a vida conta (continuação) CONTINUAÇÃO dos de farofa e batata frita, a preferência dos fi- filho caçula, que o levou à boca vorazmente. Tam- lhos. No entanto aquele não parecia ser um bom bém pegou um para si. — Quero falar com meu pai! fim de semana. Até as duas da tarde, não pintou — Se tivesse guaraná, era melhor — lembrou Tu- — Tá vendo o que você fez?! Agora o moleque tá pensando que o pai tá vivo. — Deixa pra lá, Caquinho — disse Verônica. — um latão farto. Cimara voltou para o barraco com alguns poucos pedaços de pão e uma sacola com uma mistura de macarrão e arroz engordurada por um molho de panela. Almoçaram. ca. — Eu prefiro coca — disse Verônica. — Eu também — concordou Caco. Esse celular num presta mesmo. Leonardo não se desgrudava do celular. A todo Leonardo, com o celular colado ao ouvido, falou: — Meu celular tá na moral. Melhor que tua bone- momento, fingia que atendia alguma chamada: — Uma coca e um guaraná, dos grande, de dois ca aleijada. — Alô, sou eu... o Leo... — fazia pausas e poses litro. Dizendo isso, Leonardo foi para a cama que divi- —, o filho da Cimara... Verônica duvidou: dia com os dois irmãos menores. miam na outra com a mãe. As meninas dor- — Nem tocou! Verônica. Eu sei que tá quebrado — disse — Se vinhé, eu dou minha cara a tapa! Cimara repreendeu a filha: Cimara retornou do barraco da vizinha com quem costumava trocar ideias quase todas as noites. Botou os filhos para dormir e também se acomodou na cama com as duas meninas. Umas frestas no telhado do barraco permitiam a penetração de luz externa, mantendo uma certa — Tá tocando baixinho, você não ouviu porque é surda. — Eu também não ouvi não — confirmou Tuca. — Eu vi, eu vi... — falou Caco. — Agora, Leo, deixa eu falar com meu pai, deixa, deixa... — Que isso, menina?! Isso é lá coisa que se le?! — Eu só tava querendo dizer que é mentira Leo, que esse celular tá quebrado. Leonardo, ainda ao telefone: fado claridade, mesmo com a lâmpada apagada. — Tá bom, Caquinho, eu vou deixar tu falar com — Amanhã nóis vamo dá uma festa, pode mandar Cimara, a julgar pelo barulho do seu ronco, dormi- teu pai. uns vinte litro... a um sono profundo quando Tuca sussurrou no Leonardo apertou algumas teclas e encostou o Tuca e Caco vibraram. ouvido de Verônica: aparelho no ouvido do irmão menor. Sentada na cama, Cimara observava os filhos sa- — Vamo telefoná? — Pronto, pode falar. tisfeitos, comendo pizza e sonhando com refrige- — O quê?! Vai dormir, vai! Tá de bobeira, é?! Se a mãe acordar num vai gostar — advertiu Verônica. — Ah! mais eu queria... — Num tem mais nem menos, cala essa boca e O pequenino ficou radiante, esboçou um sorriso. Com os olhos brilhando, parecia esperar ouvir a voz de alguém. Leonardo insistiu: — Fala, moleque! — dizendo isso, encostou o celular no próprio ouvido e falou: rantes. Ela, ainda mastigando, sentiu um certo azedume. Olhou para o seu pedaço e cheirou-o. Pela sua expressão, devia ter sentido um mau cheiro de comida estragada. “Tem nada não. A gente já comeu muita coisa assim, e nunca passou de umas dor de barriga”, pensou. vai dormir, vai! — O Caco vai falar, seu Renato. Às dez da manhã daquela segunda-feira, Odete, a Já passava da meia-noite, todos dormiam... To- Novamente aproximou o celular do ouvido do ir- vizinha, estranhou: o barraco da amiga estava em dos, não, pois Tuca se mantinha acordada. E não mão. Caco gritou: silêncio; não se ouvia o costumeiro barulho que era por causa dos tiros de fuzil que de vez em — Pai, manda duas das grande, duas bem gran- Tuca e os irmãos menores faziam enquanto Mara quando espocava na área próxima, porque isso de... Bem grande! e os dois mais velhos estavam no lixão. Até aí O- era praticamente rotineiro, e a maioria dos mora- — Pronto, já falou. dete apenas estranhou. Mas, ao meio-dia, não se dores da favela já estava acostumada a eles. Sa- Leonardo recolheu a pequena sucata de telefone. conteve e bateu nas tábuas do barraco chamando be até distingui-los do pipocar dos fogos que anunciam a chegada da polícia. Tuca não desgrudava os olhos do aparelho celu- — Tudo mentira — afirmou Verônica. — Mentira! Tu diz isso porque num tem um desse. pelas crianças. Silêncio. Em pouco tempo, outras pessoas da vizinhança insistiam, agora chamando por todos, pois Alípio, um velho catador, já havia lar que Leonardo segurava enquanto dormia. Ela Quando Cimara chegou em casa, já passava das retornado do lixão e garantia que Mara e seus fi- ergueu a cabeça, olhou em volta e certificou-se de oito da noite. Saíra em busca do jantar. E desta lhos não tinham ido trabalhar naquele dia. que sua mãe e seus irmãos ressonavam. Esgueirando-se, a menina saiu da cama e se aproximou do outro leito. Cuidadosamente apanhou o celular do irmão e levou-o ao ouvido. Certamente não vez tivera melhor sorte. Trazia uma sacola com alguma coisa de forma arredondada. Jogou-a sobre a tosca mesa de tábuas de caixote. As crianças olharam curiosas para a sacola. Quando os vizinhos, depois de forçarem a porta, entraram no barraco, não entenderam bem o que estava acontecendo. Aproximaram-se cautelosamente de Mara e seus filhos, que, estranhamente, escutou nada. Olhou para o aparelho, mexeu em — Mãe, eu falei com meu pai, eu falei com meu pareciam dormir. algumas teclas e novamente tentou ouvir alguma pai... — gritava Caco eufórico. Odete foi a primeira a tentar acordar a amiga. Ini- coisa. Afastou-se dali, foi até o banheiro. Sentou- — Que história é essa, menino?! — perguntou cialmente chamando-a pelo nome e sacudindo o se no vaso encardido. Deu uns tapinhas naquela Cimara. seu braço. Mesmo assim ela não dava sinais de pequena sucata. Mexeu nas teclas, experimentou — Foi o Leo que enganou ele, mãe — informou despertar. Percebendo a gravidade do que estava a escuta, esperou um instante e falou baixinho: Verônica. — Botou ele pra falar no celular quebra- ocorrendo, os demais amigos se aproximaram das — Mande duas das grande. Duas das grande — do que ele achou no lixão. Só pra enganar o me- crianças e chamaram por elas. Em vão. Não de- sorriu. nino. morou muito para entenderem que todos ali dor- Cimara acordou-se e, ainda sonolenta, passou a — Que é isso aí, mãe? — perguntou Tuca apon- miam um sono profundo, distante, sem retorno. mão, como de costume, para verificar se as filhas tando para a mesa. Angústia, um tremor nas mãos, um balbuciar des- estavam na cama. Sentiu a falta de uma. Virou-se Cimara pegou a sacola, abriu-a e mostrou para os conexo, um grito, um gesto de inconformismo, tro- e não viu a mais nova. Chamou-a: filhos. ca de olhares perplexos, muitas perguntas, ne- — Tuca! — Pizza. Encontrei num latão lá no shopping. nhuma resposta, uma lamentação blasfemante, A menina no banheiro ouviu o chamado da mãe. Leonardo apressou-se em pegar a sacola da mão olhos turvando-se de lágrimas, um choro revelan- Respondeu: da mãe e conferir o seu conteúdo. De olhos arre- do profundo pesar, e um providencial desmaio — Tô aqui, mãe. galados, falou: para fugir daquele pesadelo real. Todos estavam — Que é que você tem? Tá passando mal? — Caraca! duas... das grande! Como eu pedi! tomados de assombro diante do cenário. Ninguém Tuca, rapidamente, apareceu ao lado de Cimara. O celular estava escondido sob o vestido, preso pelo elástico da calcinha. Todos se animaram. — O celular do Leo num tá quebrado nada! — garantiu Tuca. — Duas pizza grande, como a gente conseguia entender o que havia acontecido. Afinal, Mara do Lixão, mesmo na miserável condição de vida que levava, sempre se apegara à esperança de ver seus filhos bem criados. Todos sabi- — Não, mãe, só fui no banheiro. pediu. am o quanto ela amava sua prole e do que seria — E por que não me chamou? Tá com dor de bar- — Eu que pedi — corrigiu Leonardo. capaz de fazer para defendê-la. riga? — Não, foi só vontade de fazer xixi. — Eu também pedi — lembrou Caco. Desmaiada, Odete não percebeu que Jorginho, — Tá todo mundo de bobeira. Essas pizza foi a seu filho caçula, já no quinto ano de peraltice, ha- — Então vai dormir. mãe que achou — afirmou Verônica. via se apoderado do bom pedaço de pizza mista Pela manhã, um domingo ensolarado, enquanto Cimara cortou a primeira pizza em quatro grandes que deixaram sobre a tosca mesa de tábuas de as crianças ainda dormiam, Cimara já estava na pedaços. Leonardo, Verônica, Tuca e Caco rece- caixote. Correndo pelos becos da favela, o mole- rua garimpando a alimentação da prole. Aos do- beram essa primeira divisão. Mimo, o mais novo, que devorava a iguaria italiana, borrifada de ratici- mingos e feriados, revirava a lixeira de um restau- ainda não sabia falar; porém, vendo o banquete da. rante na Rodovia Rio-Petrópólis, onde costumava dos irmãos, esticou os braços com as mãos es- encontrar restos de frutas e legumes, além de pe- tendidas e gemeu exigindo sua parte. Cimara cor- Fernando Soares Campos daços de frango assado, geralmente acompanha- tou um pedaço da segunda pizza e deu para o www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 11

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 Música e Músicos Dia dos Músicos Seja ela em composições seja nomeando inúmeras instituições musicais pelo mundo. No dia 22 de novembro é comemorado o Dia dos Músicos. Vamos saber um pouco do porquê que este dia foi escolhido. Dentre as instituições a mais antiga Academia de Música que ainda está em atividade é a Accademia Nazionale di Santa Cecilia, em Roma, Itália (http://www.santacecilia.it/) fundada em 1585, através de uma bula papal. Não precisamos afirmar que talvez essa seja uma A história da data religiosa. Dia 22 de tem origem novembro é das mais importantes formadoras de músicos de todos os Vale uma conferida no site, na sua história e na sua atividade tempos. atual! o dia para muitos católicos de Santa Cecília, que é a padroeira dos músicos. São registradas composições desde a época de Henry Purcell (Inglaterra, 1659-1695), com sua Ode a Santa Cecília (https:// youtu.be/rffC2ZCt18I), sendo esta talvez a mais conhecida homena- A história desta santa é rica em detalhes, muitos deles fictícios, mas, o fato é que tudo indica gem, de um compositor que viveu tão pouco, nos deixou obras belíssimas como a ópera youtu.be/_EkjmEFk6uk). 26 anos apenas, e que Dido e Eneas (https:// que historicamente Santa Cecília existiu, provavelmente no sé- Outras obras dedicadas à padroeira dos músicos culo II D.C. George Handel (Alemanha, Inglaterra, 1685-1759) - Ode a Santa Ce- padroeira dos músicos? E porque ela se transformou na cília (https://youtu.be/PwN7_R25P6g) Charles Gounod (França, 1818-1893) - Missa de Santa Cecilia (https://youtu.be/d46U8EXL4m0) No século II os romanos perseguiam os cristãos que estavam começando a se estabelecer na Europa. Muitos romanos já se convertiam às escondidas. Benjamin Britten, inglês que nasceu no dia de Santa Cecília em 1913, morto em 1976, compôs um Hino a Santa Cecília (https://youtu.be/ h7GSygUXlUI) Gustav Mahler (Checoslováquia, 1860-1911) no último movimento de Cecília era de uma família nobre e se converteu ao cristianismo, fazendo voto de virgindade. Sua família a obrigou a casar com outro nobre, Valeriano. Durante a cerimônia de casamento, Cecília teria cantado com toda a força do coração a Deus. Essa maneira enfática de mostrar sua devoção através da música a transformou em padroeira dos músicos. sua 4ª sinfonia menciona Cecília como formadora de bons músicos (https://youtu.be/YnfhInZLmUQ - o 4o movimento começa aos 47m35s) Arvo Pärt, Estoniano nascido em 1935 e ainda vivo, um dos maiores compositores vivos também fez sua homenagem: "Cecilia, vergine romana” para coro e orquestra (https://youtu.be/0RNAYqd1zK4) A harpista classica e pop Timbre Cierpke compôs em 2015 uma ode a A história ainda conta que ela em sua noite de núpcias revelou a Va- Santa Cecília muito bonita (https://youtu.be/4x8ilQbr3PA) leriano que que ela fez ela tinha seu voto um anjo da e que ele o guarda que a acompanhava desde puniria caso ele violasse este voto. Música popular Valeriano pediu que ela lhe mostrasse esse anjo. fosse até a Via Appia e fosse batizado pelo Papa Ela disse que se ele Urbano ele veria es- Na música popular encontramos várias homenagens a Santa Cecília. se anjo. Valeriano fez o que Cecilia pediu e conta que viu um anjo co- A banda de rock norteamericana FooFighters lançou um álbum eletrô- roando sua esposa. Com isso não só se converteu mas também pro- nico em 22 de novembro de 2015 chamado Saint Cecilia meteu respeitar o seu voto. (https://youtu.be/XjBUBFKb5zY) Porém eles foram seguidos a mando de Turcius Almachius e conde- Paul Simon escreveu uma canção chamada Cecília na década de 70. nados à morte. A letra é uma metáfora de Simon pedindo inspiração à padroeira. Diz a lenda que Cecília resistiu a um banho quente com tentativa de asfixia pelos vapores, e finalmente a três tentativas de decapitação quando continuou viva por três dias, tendo ela pedido ao Papa que convertesse sua residência em uma igreja, e não revelou que todos os tesouros da família já estavam em mãos dos pobres, quando foi torturada para que revelasse o paradeiro destes. (https://youtu.be/a5_QV97eYqM) Simon também escreveu The Coast (https://youtu.be/5ad4m-UxTFY) sobre músicos se refugiando na igreja de Santa Cecília. David Byrne e Brian Eno escreveram uma canção chamada “The River” que diz que o rio canta uma canção para ele em todo o dia de Santa Cecília. (https://youtu.be/WkZmTBP2jlI) Na região de Trastevere foi construída no Séc XVI uma va seu nome, e conta-se que quando os restos mortais igreja que lede Cecilia fo- E inúmeras char! outras referências que certamente você conseguirão a- ram retirados de sua tumba original para serem transferidos para a Nesse dia 22 de novembro comemoraremos mais um dia de Santa igreja ele estava intacto, como se ela estivesse dormindo. Cecília, e peço sempre a vocês que quando ouvirem qualquer música, Real ou não é uma história de devoção, e sua ligação com a música, a fez ser representada frequentemente tocando um instrumento, seja um pequeno órgão ou um instrumento de cordas. em qualquer lugar, de qualquer fonte se lembrem desses profissionais que dedicam sua vida a emocionar, a divertir, a mexer com alma de todos nós. Os músicos! Assim na tradição ocidental Santa Cecília se tornou a padroeira dos músicos e em seu dia, 22 de novembro, é comemorado o dia dos Músicos. Santa Cecília na música Santa Cecília foi homenageada de várias maneiras na história da música ocidental. Saudações musicais Maestro Luís Gustavo Petri Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 12

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 + Datas comemorativas 01- Dia Internacional da Luta contra a AIDS ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. O Dia Internacional da Luta contra a AIDS é comemorado anualmente em 1º de dezembro. 08- Dia da Família A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre uma das doenças que mais mata no mundo: a AIDS. O Dia da Família é comemorado todos os anos em8 de Dezembro, no Não apenas informar as pessoas sobre os sintomas, perigos e formas Brasil. de se prevenir da doença, o Dia Mundial de Luta contra a AIDS tam- A data serve para homenagear e lembrar a importância da presença bém tem a função de auxiliar no combate contra o preconceito que os da "instituição" familiar na vida de uma pessoa, ajudando na forma- portadores de HIV - vírus humano de imunodeficiência - sofrem na ção da educação, cultura, da moral e da ética comum a todos. sociedade por causa da doença. Família não é apenas mamãe e papai, mas também todos aqueles A sigla AIDS vem do inglês Acquired immunodefiecience syndrome, que cuidam e protegem. Uma família pode ser formada apenas pelos que em português significa “Síndrome da Imunodeficiência Adquiri- avós/avôs, mãe solteira, pai solteiro, mamãe e mamãe ou papai e pa- da”. pai. O que importa é quem cuida e educa o ser humano e não apenas O vírus da AIDS (HIV) destrói as células brancas do organismo, res- quem "põe no mundo", como se diz popularmente. ponsáveis em proteger e combater doenças no corpo humano. Com a destruição das defesas do organismo, o corpo fica bastante 08- Dia da Justiça fragilizado e propício a ser atacado por inúmeras doenças, como O Dia da Justiça é comemorado anualmente em 8 de dezembro, no pneumonias, infecções, herpes e até mesmo alguns tipos de câncer. Brasil. A AIDS pode ser transmitida através do contato de fluídos corporais A data tem o objetivo de homenagear o Poder Judiciário brasileiro e do infectado com o sangue de uma pessoa saudável, por meio de re- todos os profissionais responsáveis em fazer com que a justiça seja lações sexuais sem preservativo (camisinha), transfusões de sangue cumprida com imparcialidade. ou compartilhamento de seringas e agulhas. O Poder Judiciário é um dos três principais poderes da república no 02- Dia Nacional do Samba . Brasil. Assim como o Legislativo e o Executivo, o Judiciário é essencial para o funcionamento da sociedade de uma nação, julgando a apli- O Dia Nacional do Samba ou Dia do Samba é comemorado anual- cação das leis e garantindo que sejam cumpridas. mente em 2 de dezembro no Brasil. O Poder Judiciário está divido entre os seguintes órgãos: Supremo O Brasil é conhecido internacionalmente pelo samba, um estilo musi- Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunais cal e de dança típico do país. O Carnaval é a festividade em que o Regionais Federais e juízes federais, Tribunais e juízes do Trabalho, samba se torna ainda mais popular, virando o ritmo oficial da festa. Tribunais e juízes Eleitorais, Tribunais e juízes Militares e Tribunais e juízes dos Estados e do Distrito Federal. O samba é apreciado pelos brasileiros em todas as regiões do Brasil, porém, tradicionalmente, o ritmo se tornou “marca registrada” do Rio O Dia da Justiça foi estabelecido através do artigo 5º do Decreto de de Janeiro e da Bahia, principalmente. Lei nº 1.408, de 9 de agosto de 1951. A data é considerada feriado em todo o território nacional, ou seja, no Dia da Justiça todos os Fô- De acordo com a lenda popular, o Dia do Samba foi criado em home- ros e ofícios de justiça não funcionarão. nagem ao sambista Ary Barroso, compositor da música "Na Baixa do Sapateiro", uma ode à Salvador, capital da Bahia. Mesmo sendo oficializado apenas em 1951, o Dia da Justiça é cele- brado desde 1940 em referência a imagem da Imaculada Conceição. 03- Dia Internacional Portador de Deficiência 10- Dia Decl. Universal Direitos Humanos O Dia Internacional do Portador de Deficiência é comemorado anual- mente em 3 de dezembro. O Dia Internacional dos Direitos Humanos é celebrado anualmente a 10 de dezembro. Também conhecido como o Dia Mundial das Pessoas com Deficiên- cia, esta data tem o objetivo de informar a população sobre todos os A data visa homenagear o empenho e dedicação de todos os cida- assuntos relacionados a deficiência, seja ela física ou mental. dãos defensores dos direitos humanos e colocar um ponto final a to- dos os tipos de discriminação, promovendo a igualdade entre todos Além disso, busca também conscientizar as pessoas sobre a impor- os cidadãos. tância de inserir os portadores de deficiência em diferentes aspectos da vida social, como a política, a econômica e a cultural. 15- Dia Nacional da Economia Solidária De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, aproxima- damente 10% da população mundial é portadora de alguma deficiên- O Dia Nacional da Economia Solidária é comemorado anualmente cia. em 15 de dezembro, no Brasil. A principal ideia desta data é refletir (e pôr em prática) os melhores A data tem o objetivo de incentivar a defesa do trabalho associado e métodos para garantir uma boa qualidade de vida e dignidade para voluntário, a partir do desenvolvimento sustentável, respeito à vida e todas as pessoas que sofrem com algum tipo de deficiência. com justiça social. O Decreto de Lei nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, define a deficiência humana como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura Com informações da página: Calendarr www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 13

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Américas A SEMELHANÇA CULTURAL E A INDUMENTÁRIA DOS INCAS, MAIAS E ASTECAS vam calças coloridas e bordadas e deixavam o tronco nu. A nobreza trajava peças decoradas com pedras preciosas e plumas, combinando com grandes cintos e sandálias. Todos, independentemente da classe social, usa- A Era pré-colombiana diz respeito à história das Américas antes do aparecimento dos europeus, abrangendo os povos do Paleolítico Superior até a colonização que ocorreu na Idade Moderna (ou seja, o termo inclui a história das culturas indígenas americanas até sua conquista de fato). Vamos focar aqui em três famosos povos pré-colombianos (maias, incas e astecas), comparando suas semelhanças. vam acessórios como lenços e chapéus. Os incas aceitavam peças de vestuário como moeda de troca. Os tributos podiam, inclusive, ser pagos com roupas. Também tinham criação de alpacas - lã que era usada para produzir roupas para toda a população. Havia também a vicunha, lã de excelente qualidade, reservada para o vestuário de seus superiores. As fibras eram tingidas com corantes naturais e os incas já usavam uma versão primária de teares, existentes até os dias Breves introduções a esses povos Semelhanças atuais nos Andes. A roupa servia como uma espécie de Os maias habitavam onde hoje fica a região central do México e destacaram-se por sua escrita hieroglífica, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Eles já entendiam o conceito do número zero como o usamos hoje. Foram uma das primeiras civilizações mesoamericanas da História (junto com os olmecas), come- Embora nunca tenham tido contato entre si, os três povos possuíam muitas semelhanças curiosas. A primeira delas é a religião. Todos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. E todos esses deuses eram o que hoje chamamos de fenômenos da natureza: sol, trovão, arco-íris, chuva, lua, etc. Em comum, também medalha para esse povo: como mérito de sua sujeição ao seu soberano, podia receber dele, além de algum título de honra, o direito de usar trajes específicos, separando-os assim em um determinado grupo com mesma honraria. O poncho andino tem design e cores bem definidas, isso o difere de outros ponchos e demarca bem çando por volta de 2.600 antes de Cristo. Das civiliza- tinham os sacrifícios humanos como oferenda. Os mai- seu local de origem. ções que veremos aqui, essa é a única que não foi ex- as, ofereciam seus inimigos em sacrifício. Já os astecas Dizem que o imperador inca Atahualpa, com a chegada terminada, ainda hoje existem cerca de 4 milhões de eram talvez os mais cruéis, pois ofereciam, além dos dos espanhóis, antes de virar prisioneiro, demonstrou descendentes dos maias na América Central. prisioneiros de guerra, crianças. Eles acreditavam que a maior raiva por causa das vestes sagradas de seu povo, terra devia ser alimentada com sangue humano. En- acima de todas as outras preocupações provenientes da quanto os incas preferiam oferecer animais e recorriam guerra. A atividade têxtil era tão importante para os in- ao sacrifício humano apenas em situações muito graves cas, que dentro do Templo do Sol funcionava uma espé- ou no início de um novo reinado. cie de oficina têxtil. Outro ponto em comum entre os três era a economia Os astecas trajavam roupas com muitas cores, de prefebaseada na agropecuária, com foco na plantação de rência mais vibrantes, enfeitadas com figuras geométrimilho e de feijão. Os maias já possuíam em sua época cas. Para incrementar, usavam pedras preciosas. Os algumas técnicas para o plantio, como o uso de adubo e homens usavam tangas com túnicas ou camisas por a construção de canais de irrigação. Uma curiosidade baixo, enquanto as mulheres trajavam uma espécie de aqui: os maias achavam que a matéria-prima do ser hu- corpete em conjunto com saia. Seus guerreiros tinham mano era o milho. Esse povo também plantava mandio- uma túnica ajustada ao corpo e estofada com algodão, ca, abóbora, batata, tomate, cacau, algodão e frutas com calças compridas. O interessante desses guerreicomo abacaxi, maracujá, banana e caju. Já os astecas ros, era o uso de capacetes feitos de madeira, com pluOs incas viveram aproximadamente de 3.000 a.C a plantavam em pedaços de terras drenados, conhecidos mas e papel, representando águia, jaguar ou serpente – 1.533 d.C, com seu maior território no Peru, englobando como chinampas. Também cultivavam tomate, melão, figuras de seus animais-padroeiros. Esse povo também partes do Chile, Bolívia e Equador. Seu soberano era baunilha, algodão, agave, tabaco, mandioca, pimenta e comercializavam tecidos, além de cordas e sandálias, considerado o “filho do Sol”. A cidade de Machu Picchu cacau. É deles o primeiro chocolate que se tem notícia, pluma, peles e pedras preciosas. A curiosidade aqui é reúne famosas construções incas e é ponto turístico no que era uma bebida quente à base do cacau. Peru (embora boa parte tenha sido reconstruída). O As semelhanças não param por aí. Os três povos alcan- principal destaque desse povo foi a criação de um com- çaram um elevado nível no artesanato, nas esculturas e plexo sistema para cálculo de números, onde distribuí- em suas arquiteturas. Todos podem ser destacados por am nós em uma corda e não foi totalmente decifrado até suas roupas coloridas e seus bordados. Seus templos eram muito bem arquitetados. Eles também tinham em comum centros políticos e religiosos: para os incas era Cuzco e Machu Picchu; para os astecas era Tenochti- tlán e os maias possuíam Chichén Itzá, Tikal, Copán e Palenque. Os três tinham hierarquias: soberanos dominavam, se- guidos por sacerdotes, altos funcionários e a classe de guerreiros, que eram sustentados pelo trabalho de arte- sãos, camponeses e escravos. Além disso, não se pode negar a grande inteligência e conhecimento desses po- vos, em áreas como matemática e astronomia. A vestimenta dos incas, astecas e maias Os maias tinham até uma deusa, chamada Ixchel, que hoje pelos pesquisadores. além de ser considerada responsável pela gravidez e Os astecas vinham de uma tribo pequena que assumiu fertilidade, era também a protetora das tecelãs. Tinham o poder, também no México, depois de 1.200. Eram se- um intenso comércio de tecelagem, sendo seu principal parados em classes sociais (nobres, sacerdotes, guer- produto o tecido feito de algodão, muitas vezes borda- reiros, comerciantes e escravos). Uma curiosidade sobre esse povo: eles preferiam apenas ferir em vez de matar seus inimigos em batalhas, para poder usar seus corpos em sacrifício aos deuses. Criaram um calendário do ano solar (com 365 dias, mas diferente do que usamos hoje) e um sistema de contagem tendo como base o número 20. Sua medicina tratava ossos quebrados e dos. Vendiam também conchas, pérolas e plumas de pássaros tropicais como a arara e o colibri. Na hora das batalhas, os guerreiros vestiam capacetes em forma de cabeça de animal, composto de escamas e penas, colar de conchas, tanga e um disco com grandes plumas. As mulheres usavam saias longas e camisas largas confeccionadas de algodão, que podiam ou não serem borda- que nas batalhas uma de suas armas eram atiradeiras feitas com lã de lhama. Tanto os maias, quanto os astecas, estampavam imagens divinas nos escudos de guerra e seus soldados fantasiavam-se de divindades, cobertos com peles e capacetes para intimidar seus inimigos. seus dentes já eram obturados . das. Cobriam-se com lenços coloridos. Os homens usa- Autora: GRAZIELE LIMA www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 14

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grandes mestres O Povo Brasileiro - Darci Ribeiro "Meu nome é Olívio Zeferino. Não sou índio "A importância dele é que a gente, por exem- Continuação da edição anterior puro, sou mestiço guarani.... porque o que plo, planta, depois colhe, depois leva para lá causa essa questão de ser ou não ser é essa para ceifar farinha pra gente gastar. A gente O Povo Brasileiro identidade em que você é metade. Então, por cria galinha pra gastar... Dá um pouco pra cri- exemplo, você é um mestiço. ação, pro gado, pro porco..." Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos dá nome a cada rio... Eles aprenderam, dominaram parcialmente uma sabedoria copiosa, que os índios tinham composto em dez mil anos. Em dez mil anos os índios aprenderam a viver na floresta tropical, identificaram 64 tipos de árvores frutíferas, domesticaram muitas plantas, essas que a gente usa: mandioca, milho, amendoim... Quarenta e tantas que nós demos ao mundo... A mandioca faz parte do cardápio do brasileiro. Ela é cultivada e preparada em todo o país do mesmo modo que os indígenas ensinaram no começo da colonização. É uma planta preciosa porque não precisa ser colhida nem estocada. Mantém-se viva na terra por meses. Tem uns que assumem a cultura indígena. Tem uns que são mestiços e assumem a cultura do branco. Então uma pessoa que nasceu com fisionomia de índio não adianta querer falar que é branca, porque todo mundo vê. Agora, o importante é você assumir, porque mesmo sendo mestiço você pode lutar pelo seu povo. " Depoimento de Olívio Zeferino, estudante de Filosofia na USP Há duas contribuições fundamentais nesse encontro: uma mestiçagem do corpo e uma mestiçagem da cultura. Em nós vivem milhões de índios, índios que foram esmagados porque a brutalidade do branco com o índio foi terrível. Esmagados porque o europeu ti- Depoimento do Sr. Vicente Era uma sociedade que, por ser mais pobre, era também mais igualitária. A miscigenação era livre, porque quase não havia entre eles quem não fosse mestiço. Até meados do século XVIII essa gente falava uma língua aprendida com os índios, o " nheengatu " . Um jeito de falar tupi com boca de português, inventado pelos padres jesuítas. Em suas andanças, os paulistas foram aumentando o tamanho do Brasil. Na esperança de encontrar minérios, eles buscavam no fundo das matas a única mercadoria que estava ao seu alcance: os indígenas. As bandeiras partiam de São Paulo levando mais de duas mil pessoas. Eram homens e Herança indígena: canoa feita de tronco Nas comunidades caiçaras, isoladas dos centros urbanos, é possível reviver um pouco da atmosfera do Brasil dos primeiros tempos. Os ancestrais dessa gente provavelmente descendem dos primeiros mestiços que habitaram o litoral. A canoa, feita a partir do tronco de árvore, se parece com as usadas pelos índios. Ela é o único meio de transporte e garante a sobrevivência. Em alguns lugares o recuo na história é ainda maior. Quinhentos anos após a chegada dos portugueses, é possível encontrar indígenas vivendo no litoral, próximo do Rio de Janeiro. São guaranis, um povo nômade, de origem tupi, que hoje habita a Serra do Mar. Eles conseguiram resistir ao processo de extermínio de sua gente e à ocupação de suas terras. Mesmo depois de séculos de contato eles conseguiram preservar boa parte de sua cultura. "Antigamente a terra era do índio guarani...” Guarani passava com fruta do mato. A mistura era palmito. Hoje nós estamos que nem branco. Os brancos terminaram com a natureza. Nosso trabalho a maioria é de lavoura; comemos numa panela só. A gente sente o guarani como puro brasileiro, porque muitos brancos dizem: 'esses bugres aí, índio não vale nada'. Não é isso não. O puro guarani é o brasileiro puro... " nha muita doença. Os índios não tinham cárie dentária, nem gripe, nem tuberculose... Cada enfermidade dessas era uma espécie de guerra biológica, matou índios em quantidade... Estima-se em cinco milhões o número de indígenas que habitavam as terras brasileiras na ocasião da chegada dos portugueses. Dois séculos depois, eles não chegavam a dois milhões. Hoje, os sobreviventes somam duzentos e setenta mil habitantes, menos de meio por cento da população brasileira. Em cinco séculos desapareceram para sempre cerca de oitocentas etnias. Eram povos de diferentes culturas, que ocupavam vastos territórios de características geográficas distintas. Mas esses índios que morriam sobreviviam naqueles mestiços que nasciam. Somos nós que carregamos no peito esses índios, os genes deles para reprodução e a sabedoria deles da mata. O Brasil só é explicável assim, é uma coisa diferente do mundo... A população paulista dos primeiros tempos vivia numa economia de subsistência. Não podia contar com a riqueza gerada pela exportação de açúcar. O regime de trabalho, voltado para o sustento, e não para o comércio, era quase o mesmo da aldeia tribal. A base da agricultura era indígena, enriquecida pela contribuição dos europeus, que trouxeram os animais domésticos. As casas passaram a ser de taipa, cobertas por telhas. E equipamentos como o monjolo vieram para mulheres, famílias inteiras de mestiços que iam fazendo roça de milho e feijão pelo caminho, fundando vilarejos, caçando e pescando pra comer. Eles ignoraram as fronteiras portuguesas para aprisionar os habitantes da terra e depois vendê-los como escravos aos engenhos do nordeste. E não pouparam sequer os índios convertidos à fé católica que habitavam as missões jesuíticas do sul do país e do Paraguai. O modelo jesuítico procurava assegurar a eles uma existência própria dentro das Missões, ao contrário dos colonos, que tratavam o indígena como mão-de-obra escrava. Desde o princípio houve um partido de jesuítas que tinha uma utopia para os índios. Era fazer dos índios pios seráficos, religiosos, gente tão boa que era a melhor gente do mundo. Eles achavam que era a maneira de fazer o Paraíso na Terra. A religião pegou mesmo foi com as filhas das índias e das negras, as mestiças, que, não podendo satisfazer-se com a religião dos índios e dos negros, aceitavam e gostavam das novenas, das ladainhas, das missas, das procissões... E assim surgiu esse catolicismo santeiro e festeiro, que foi um belo catolicismo do Brasil até pouco tempo. "Minas foi o nó que atou o Brasil e fez dele uma coisa só." Depoimento de Cacique Miguel ficar. Até hoje facilitam o trabalho de beneficiar o milho. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

p. 15

Dezembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de Na Espanha, dois anos de recessão haviam deixado o país com uma taxa oficial de desemprego de 21,3% – a mais alta entre as nações integrantes da zona do euro – e com Mas as políticas europeias não se sobrepuseram às políticas nacionais. Para Jürgen Habermas, o filósofo alemão teórico mor da “Constituição Europeia”, o momento pesquisas do Centre National de la Recherche uma dívida soberana enorme. O desemprego chave foi em 2010, quando a chanceler Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, chegava a 35%, quando considerados só os alemã, Angela Merkel, adiou uma decisão com a medalha de prata do CNRS em Ciências espanhóis situados entre os 16 e os 29 anos sobre o primeiro resgate para a Grécia até Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de de idade. Os “mercados emergentes” dos depois das eleições regionais na Alemanha: incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do “Foi quando pela primeira vez dei-me conta da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin Sul) anunciaram que aumentariam suas de que o fracasso do projeto europeu, sim, carteiras de títulos em euros, “em uma era um risco real”. A dívida da Grécia era a tentativa de ajudar os países europeus que m a is e le va d a n a h i s t ó r i a d e u m p a í s sofrem uma crise de dívida soberana”. Os responsável por só 2% do PIB da Eurozona, e Capitalismo e democracia na Europa pobres ajudando os ricos, os colonizados por pouco mais de 1% do PIB da UE, capaz, emprestando aos colonizadores. Na Europa, porém, de deflagrar uma crise continental. O nos países em que a dívida e o desemprego país foi cobrado pelo Banco Central Europeu PARTE XII eram maiores, e os salários os mais baixos, o para que tomasse medidas para reduzir o índice de horas trabalhadas (o grau ou taxa déficit orçamentário, cujos valores equivaliam O “pacote de austeridade” grego incluiu 6,4 de exploração do trabalho assalariado) era a quatro vezes a porcentagem permitida pela bilhões de euros em reduções de custos no também o maior. Populismo? Bem… União Europeia, 3% do PIB. orçamento de 2011, incluindo uma “taxa de solidariedade” (redução salarial) para os Países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Foi imposto um novo pacote de medidas de empregados (do setor privado ou do setor Espanha ficaram com suas economias com austeridade, economizando 4,8 bilhões de público). Esse plano era condição para os insuportável grau de endividamento. A “crise euros (menos de 2% da dívida pública) como novos empréstimos da troïka (Comissão grega”, na verdade, fora tão anunciada quanto condição para receber a ajuda de 140 bilhões Europeia, Banco Central Europeu e Fundo a crise do subprime nos EUA: com uma de euros de quinze países europeus: Monetário Internacional). Em troca da e conom ia d éb il, um déf icit púb lico de congelamento e até redução de salários dos liberação de uma nova parcela de 12 bilhões aproximadamente 3,5% do PIB, um déficit de funcionários públicos, cortes nos fundos de de euros, Grécia deveria reduzir seu déficit pagamentos superior a 15% do PIB e uma pensão e aumento dos impostos, aumento do fiscal em € 28 bilhões, com cortes na despesa dívida total, pública e privada, de meio trilhão preço da gasolina. Deputados alemães e aumento dos impostos, e um vasto plano de de dólares, tinha seu sistema bancário chegaram a sugerir que a Grécia leiloasse privatizações, no valor de € 50 bilhões. superexposto nos Bálcãs, particularmente na suas ilhas no Mar Egeu. O governo grego Bulgária e na Romênia. aumentou a idade para a aposentadoria, Finalmente, o calote grego fora aparentemente “encaminhado”. Após os bancos ganharem dinheiro pegando empréstimos baratos junto ao Banco Central Europeu para ganhar juros altos emprestando à Grécia e outros países, os mesmos bancos concordaram com uma redução na dívida grega. Ao mesmo tempo, os bancos seriam “capitalizados” (ou seja, salvos) para enfrentar essas perdas, uma capitalização bancada pelos próprios Estados, ao custo de mais dívida pública. A Europa aumentaria o “fundo de resgate”, os A crise começara com a difusão de rumores sobre o verdadeiro nível da dívida pública da Grécia e o risco de suspensão de pagamentos pelo governo. A crise da sua dívida se tornou pública em 2010: resultou tanto da crise econômica mundial como de fatores internos ao próprio país – forte endividamento (cerca de 120% do PIB) e déficit orçamentário superior a 13% do PIB, que quando publicamente reconhecidos, detonaram a crise. A situação foi agravada pela “falta de transparência” (contas nacionais maquiadas) na divulgação dos números da “economizando” dinheiro no sistema de pensões. Bastou que fosse conhecido o resgate da Grécia para que fosse evidente que seu default seria inevitável: o aumento da soma prevista para o resgate, de 60 para 140 bilhões de euros, demonstrava a insolvência do Estado grego. Grécia entrou em recessão aguda. A repercussão internacional foi imediata. O pacote de austeridade provocou uma recessão econômica que só agravou a incapacidade do Estado para pagar a dívida pública, que estava longe, por outro lado, de ser a pior da Europa. r e c u r s o s p a r a p a í s e s e n d i v i d a d o s , sua dívida e do seu déficit público. A diferença No país, houve protestos massivos por causa condicionados à implementação de políticas média entre o déficit orçamentário real e a das medidas de austeridade, nos quais se de ajuste antipopulares. Diante da violência cifra notificada pela Grécia à Comissão registraram mortes de jovens manifestantes; (social e de classe) dos ajustes propostos, Europeia era de 2,2% do PIB. houve os primeiros suicídios de aposentados houve propostas (moratória) da dívida de não pública, pagamento de criação de O Conselho Europeu também declarou que a gregos deixados em situação de miséria. eurobônus (títulos públicos europeus, com os UE realizaria uma operação de bailout do O objetivo do pacote governamental era que os países “centrais” da UE assumiriam país, se fosse necessário, pela ameaça de reduzir o orçamento da Grécia em 30 bilhões parte da dívida dos “periféricos”) e até de e x t e n s ã o d a c r i s e a o u t r o s p a í s e s , de euros. Ora, a Grécia não era o único país retirada (da UE ou da “zona euro”: 12 dos 27 nomeadamente Portugal e Espanha. Em da zona do euro a violar a regra de que o países da UE não adotaram o euro) dos última instância, essa crise poderia significar déficit orçamentário não ultrapassasse 3% do países mais endividados, que assim poderiam rebaixamento das dívidas de todos os países PIB. Na Grã-Bretanha, não incluída na zona d e s v a l o r i z a r s u a s m o e d a s , t o r n a d a s da Europa. do euro, esse déficit chegava a 13%; na novamente “nacionais”, e no mercado internacional. recuperar posições Os ataques especulativos à Grécia foram considerados por alguns, inclusive pelo Espanha a 11,2%, Itália a 5,3%. na Irlanda a 14,3% e na Analistas da UBS (União de Bancos da Suíça) governo grego, como ataques à Zona Euro – A Grécia, além do tamanho pequeno de sua calcularam que a ruptura com o euro custaria através do seu elo mais fraco, a Grécia. e c o n o m i a , n ã o e r a o p a í s c o m p i o r a um país periférico entre 40% e 50% do seu Todos os países da Zona Euro foram afetados desempenho nesse quesito dentro da UE. PIB (desvalorizado), e a um país central de pelo impacto que teve a crise sobre a moeda Porque penaliza-la mais do que aos outros? 20% a 25%, só no primeiro ano. Índices dignos de uma catástrofe bélica. Depois dos “periféricos” (Europa do Leste) e dos “pequenos” (Grécia, Irlanda Portugal) eram os “latinos” (Espanha e Itália, com seus títulos comum europeia. Houve receios de que os problemas gregos nos mercados financeiros internacionais deflagrassem um efeito de contágio que fizesse tremer os países mais fracos, como Portugal, Irlanda, Itália e Essa simples constatação jogou lenha na fogueira da mobilização popular: em finais do ano, a gigantesca árvore de Natal da Praça Syntagma ardeu, acesa pelos manifestantes. [dívida] públicos “rebaixados”) os próximos Espanha que, tal como a Grécia, tiveram de candidatos da fila da falência. adotar planos de austeridade para reajustar CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO suas contas públicas. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

[close]

Comments

no comments yet