A Alma Atada Na Gaita

 

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Songbook de Luiz Carlos Borges

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A ALMA ATADA NA GAITA

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Vinícius Brum songbook luiz carlos borges A ALMA ATADA NA GAITA 2016

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Biografia: Vinícius Brum Partituras - Transcrições: Gerson Antunes, Lucas Araújo e Daniel Castilhos Partituras - Revisões: Lucas Araújo, Daniel Castilhos e Luiz Carlos Borges. Ilustrações: Tadeu Martins Produção: Búfalo Produções Produção Executiva: Elizeu Luiz Ferro / Plus Produtora Direção Geral: Émerson Maicá Coordenação: Andressa Camargo Revisão textual: Luiz Ourique Borges / Luiz Carlos Borges Direção de Arte: Juliano J. Renz e Jairo A. Renz Design Gráfico (Diagramação): Camila Provenzi Fotografias: O arquivo fotográfico de Luiz Carlos Borges conta com fotos de: Estúdio Luconi, Jací, Foto Santa Inês, Foto Líder, Luiz Ávila, Emílio Pedroso, Paulo de Araújo, Juarez Fonseca, Vinícius Brum, SESC São Paulo, Dulce Helfer, Andressa Camargo, Estação Filmes, Mara Abreu/Jornal A Razão Galeria 50 anos de Música: Fotos da Estação Filmes e Paulo de Araújo. Músicas disponíveis no site: Gravadas e mixadas na LCB Produtora, em Porto Alegre, por Yuri Menezes. Sociedade Vicente Pallotti – Gráfica Pallotti de Santa Maria Rua Padre Algiro Roggia, 115 - Santa Maria RS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Biblioteca Pública do Estado do RS, Brasil) B893a Brum, Vinícius. A alma atada na gaita: songbook Luiz Carlos Borges. / Vinícius Brum. -- Porto Alegre : Búfalo produções, 2016. 216 p. ISBN 978-85-93105-00-5 1. Borges, Luiz Carlos : Biografia. 2. Rio Grande do Sul: música. I. Título. CDU: CDU: 929 (BORGES)

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Dedicatória Dedico este trabalho em forma de “livro/Songbook”, aos tantos amigos que dispensaram um pouco do seu tempo e atenção, ao longo desta caminhada. Aos meus filhos Luís Adriano, Naiana, Sibelle, Luizinho e Gregório. Aos meus netos João, Maria, Luís Adriano Filho, Pedro e Mia Flor. Aos meus saudosos pais Cristina e Vergilino, que foram sem dúvida, os maiores aliados que tive durante os primeiros vinte e cinco anos desta trajetória. Finalizando, dedico este trabalho aos meus queridos irmãos Antonio (em memória), Izolete, Ernando, Albino, Irenita e Maria Terezinha (em memória), que sempre apoiaram e seguem fortalecendo meus passos como verdadeiros irmãos, amigos e grandes parceiros. Luiz Carlos Borges Porto Alegre, Junho de 2016.

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Música. O que é isso que nos toca? Não é só uma composição de notas, arranjos, ritmos. É som feito de história, paisagens, pessoas. Captado por todos os cantos, por todos os poros. Misturado e reinventado por todos os sentidos. Essa música que nos toca é universal. É de todos e é de cada um. Aproxima e aquece. Expressa e conecta.Vibra e ecoa.Transforma. Nós, brasileiros, trazemos uma música feita de muitas músicas. De somas, trocas, encontros. Música-diversidade. Música-identidade. Que, quanto mais se mistura, mais se expande. Esse encontro íntimo e universal que a música é capaz de promover revela nossa própria essência. É esta experiência que queremos valorizar e ampliar. natura musical nos encontramos na música O projeto A alma atada na gaita: songbook Luiz Carlos Borges é patrocinado pela Natura, por meio de seu programa cultural Natura Musical. Saiba mais sobre este e outros projetos em: www.naturamusical.com.br

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Agradecimento ӰӰ Agradeço a Deus pelos dons da vida e da música, pela saúde, pelos bons amigos e pessoas de fé que me rodeiam e pela oportunidade concedida de sonhar e realizar. ӰӰ Agradeço a parceria da Búfalo Produções nas pessoas dos amigos Émerson Maicá e Elizeu Ferro que, depois de uma animada conversa comigo e Andressa, levaram adiante a inscrição deste projeto no Edital da Natura. ӰӰ Agradeço a atenção, o esmero, o trabalho e a dedicação da minha querida esposa e amiga Andressa Camargo, não só por acreditar em mim e no meu trabalho, mas por comprometer-se com a obra e com o que propõe e pretende este projeto. ӰӰ Agradeço ao meu amigo do peito, irmão de fé no festival da Barranca, parceiro em muitas canções, companheiro de estrada que sempre soube opinar quer fosse ao tempo das mais acirradas discussões na busca de um caminho, quer seja somando sonhos e rumos dentro dos conceitos que acreditamos. Grande compadre Vinícius Brum, mestre em literatura que aqui não só empresta sua capacidade e conhecimento, mas que também deixa sua alma se atar à minha gaita, para enriquecer esta obra. ӰӰ Agradeço, reconhecido, o trabalho sério e dedicado do amigo Gerson Antunes que encarou ouvir umas quinhentas composições para selecionar e colocar na pauta as canções que aqui estão. ӰӰ Agradeço ao Lucas Araújo, jovem músico, que com muita competência fez a revisão das músicas com letra, escreveu as partituras de mais quatro canções e cifrou uma por uma. ӰӰ Agradeço ao competente Daniel Castilhos que revisou todas as partituras das músicas instrumentais e transcreveu o tema Forrógutti. ӰӰ Agradeço ao Luizinho (Luiz Ourique Borges), pela parceria na revisão geral de todo o texto biográfico do livro.

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ӰӰ Agradeço ao especial amigo Yuri Menezes do Nascimento, grande violonista meu parceiro de muitas horas de música por dia, que aqui empresta sua habilidade como técnico de gravação e mixagem das canções (disponíveis online) que fazem parte deste projeto. ӰӰ Agradeço ao excelente Tadeu Martins que com seus desenhos ilustra o livro e com tela feita, especialmente, para esta oportunidade, dá vida à capa do trabalho. ӰӰ Agradeço a Lei de Incentivo a Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (LIC), que através de renúncia fiscal, apoia e patrocina projetos culturias. Finalizando, agradeço a Natura pela forma com que recebeu este trabalho e também, muito especialmente, pelo que vem fazendo pela cultura brasileira ao longo de vários anos, descobrindo, oportunizando, lançando, apresentando, revitalizando e incentivando artistas para uma caminhada bonita e segura. Luiz Carlos Borges Porto Alegre, Junho de 2016.

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Sumário 11  Dos Gaúchos para o Mundo 15  O Milagre de Dorotéia 21  Muitos Caminhos para a Mesma Estrada 24  Atando a Alma na Gaita 27  Fuga ao Chamamé 35  Os Irmãos Borges 39  A Luz no Osso da Tropa 44  O Nó que Não Desata 69  A Luz se Chama Música 72  50 Anos de Música 78  Discografia

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96 Partituras A Copla de Assoviar Solito  97 Andressa  100 Cadê o Alencar  103 Cavalo Crioulo  108 Coração de Gaiteiro  111 De Véio pra Véio  116 Encontro com a Milonga  123 Era uma vez o que se viu  127 Estórias de Dom Lagarto  130 Florêncio Guerra  133 Fogo Simbólico  137 Forró nas Missões  144 Forrogutti  148 Ingrata  151 Luizinho  154 Mais um Inverno  156 Mi Hijo me há Pedido um Chamamé  158 Missioneira  160 Na Beira do Aguapey  162 Na Chama do Chamamé  164 Noites, Penas e Guitarra  165 O Forasteiro  171 O Mundo Muda  174 Redomona  177 Suite para Ana Terra - Exilado  179 Suite para Ana Terra - Ana Terra  188 Suite para Ana Terra - Solo Livre  195 Tristeza Chamamecera  202 Tropa de Osso  204 Valsa dos Reis  207 Vidro dos Olhos  211 Xucro de Viamão  215

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Dos Gaúchos para o Mundo Ao se traçar uma linha evolutiva de qualquer processo humano, depara-se quase sempre com a dificuldade de demarcação de uma origem, de um instante primordial que deflagre, que inaugure, que descortine a sucessão dos acontecimentos. Tratandose da canção regional gaúcha, tal empreendimento não se mostra mais fácil do que é em qualquer investigação análoga. Portanto qualquer fixação de origem, que permita alguma clareza de abordagem, será sempre provisória. Como relata o pesquisador e jornalista Juarez Fonseca em seu trabalho A música regional gaúcha – apontamentos para uma história: os primeiros registros musicais no território do atual Rio Grande do Sul são os dos jesuítas nas Missões. Há um livro sobre o tema, A Música das Missões Jesuíticas nos Séculos XVII e XVIII, publicado em 1988 pelo músico e pesquisador gaúcho Jorge Hirt Preiss. Ele destaca em especial o trabalho realizado pelo Padre Antônio Sepp nas reduções de São João Batista, São Miguel e São Luiz Gonzaga, entre 1697 e 1710. Para que se chegue, contudo, à produção da canção regional que hoje está consagrada muita água rolou, muito fogo queimou, muito vento ventou... Ainda seguindo as palavras de Juarez Fonseca: Durante a Revolução Farroupilha, primeiro momento de consciência cultural do Rio Grande como ente geopolítico, os acampamentos e frentes de batalha tinham sempre um violeiro ou um trovador cantando glórias, enfatizando feitos ou simplesmente distraindo os combatentes. Entre eles, graças ao extraordinário talento de repentista e criador de quadrinhas, destacou-se Pedro Muniz Fagundes, o Pedro Canga, que mesmo militando nas forças imperiais conseguiu um lugar na História gaúcha: sobre ele, Guilhermino César publicou em 1975 o livro O Embuçado do Erval – Mito e poesia de Pedro Canga. No citado Ensaio Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul, Cezimbra Jacques reproduz umas “rimas” de Pedro Canga, descrito como “um bardo rústico”: 11

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“Pode do mundo a grandeza Reduzir-se toda ao nada, E ver-se toda mudada A ordem da natureza; Esta vasta redondeza Matizada de mil cores, Pode o autor dos autores Mudá-la em céu de repente; E deste modo igualmente Pode o sol produzir flores” Na época da Guerra do Paraguai (1864-1870) começa a crescer em importância um instrumento novo, a gaita, cujos primeiros exemplares chegaram cerca de 20 anos antes. Daí já para ser comercializada, passou a entrar aos poucos pelas fronteiras com Argentina e Uruguai, também pelo porto de Rio Grande, e com mais intensidade a partir da chegada dos imigrantes italianos (1874), passando então a caracterizar os bailes gauchescos – um predomínio que dura até hoje. No final do século 19 já era conhecida uma quadrinha: “A gaita matou a viola O fósforo matou o isqueiro A bombacha, o chiripá, E a moda o uso campeiro” E para fazer acompanhamento à gaita, ressurgiria a guitarra, já com o nome de violão. Paralelamente, se aclimatavam as danças européias. Umas desapareceram, outras se entranharam no gosto do povo e foram sendo adaptadas, transformadas, metabolizadas, caso da valsa, da polca, da mazurca, do chote, da havaneira. Foi naquelas duas guerras, no entrecruzar de soldados e guerrilheiros das cidades e os campos, que as danças rurais e urbanas trocaram informações, como anotou Cezimbra Jacques. Depois de conquistar as residências e salões das cidades, os gêneros europeus ganharam toda a província. (um salto para meados do século XX) [...] Mas quando os estudantes secundaristas Paixão Côrtes, Barbosa Lessa, Glaucus Saraiva e amigos fundaram em 1948 o 35 Centro de Tradições Gaúchas, e começaram a procurar alicerces musicais para seu projeto de revalorização (e reinvenção) das tradições, 12  |  A alma atada na gaita

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olharam em volta e o que viram era desanimador. Lessa com a palavra, em texto do livro Nativismo, um Fenômeno Social Gaúcho (1985), sobre como defender suas idéias então: “O problema maior se apresentou no terreno das canções. Nossos avós sempre haviam sido mais afeiçoados a prosear,a contar causo,do que a abrir o peito numa cantoria.Daí a pobreza do cancioneiro gaúcho–uma“pobreza franciscana”,como dissera no Rio de Janeiro o cronista Henrique Pongetti. Canção folclóric­ a, praticamente só uma conhecida: o Boi Barroso. Com- positores e cantores de música regional, uma raridade. Os poucos discos disponíveis eram lançamentos do Rio de Janeiro. Uma toada folclórica, pouco conhecida no Rio Grande do Sul mas adotada como uma espécie de hino da colônia gaúcha no Rio de Janeiro a partir de um registro do folclorista paulista Mario de Andrade: Prenda Minha. De Pedro Raymundo: Adeus Mariana e Gaúcho Largado. Da cantora Dilu Melo, Fiz a Cama na Varanda, em parceria com Ovídio Chaves. Do compositor erudito Luis Cosme, a toada Gauchinha. E os recentes sucessos do conjunto Quitandinha Serenaders: Xotes da Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, e Minuano, de Arthur Elsner E sse meu jeito de fronteiriço foi o serviço que deu pra mim, jeito de taura que foi tropeiro naqueles cerros lá donde eu vim. e Nei Messias. Só. Quem não quer manda – diz o ditado – e, quem quer, faz. Tivemos de fazer. Para saber o que é que o público entenderia como música do RGS, eu fui tenteando os ritmos na base da tentativa-e-erro: uma toada (Negrinho do Pastoreio), depois duas milongas (Milonga do Casamento e Milonga do Bem-Querer), mais tarde um chamamé (Balseiros do Rio Uruguai). Mas por paus e pedras ia nascendo um cancioneiro do RGS.” Podemos aí, situar então a nossa origem: Luiz Carlos Barbosa Lessa, um autor raro, com composições gravadas já naquele momento por artistas consagrados no cenário nacional como Inezita Barroso, Chico Raymundo (Titulares do Ritmo) e Ana Silva (da dupla Cascatinha e Inhana). Poucos anos depois surgem no Rio Grande do Sul dois grupos que também merecem destaque como pioneiros desse processo de construção deste cancioneiro musical: Os Gaudérios e o Conjunto Farroupilha. A excelência estética desenvolvida por eles até hoje os coloca como referência na linha evolutiva da música gaúcha. A partir daí, surgem nomes como Teixeirinha e Gildo de Freitas, dentro da tradição da trova improvisada; os Irmãos Bertussi, enfatizando a “música de baile”; a raiz missioneira com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça aliados à verve poética de Jayme Caetano Braun; e, no início dos anos 70, o ciclo dos festivais nativistas deflagrado pela Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, revelando nomes como Telmo de Lima Freitas, Apparício Silva Rillo, Luiz Coronel, Marco Aurélio Vasconcelos, Mário Barbará, Elton Saldanha, entre muitos. E seguramente um artista que consegue ser a síntese e ao mesmo tempo a Dos Gaúchos para o Mundo   | 13

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ampliação deste processo: Luiz Carlos Borges. Ele vem da tradição dos grupos de baile, desde muito cedo um virtuose no acordeom, chega aos festivais no final dos anos 70 e constrói uma carreira aplaudida mundo a fora, sempre, apesar dos imensos voos que sua música propõe, ligada a esse cenário regional tão amplo, tão rico e tão identificado com aquilo que vai na alma do povo gaúcho. Borges é reconhecido entre seus pares como um grande aglutinador, um artista que se realiza e se dedica há muito em empreendimentos coletivos, já criou festivais como o Musicanto Sul-americano na cidade de Santa Rosa que até hoje recebe os vários regionalismos brasileiros e platinos, já cruzou as fronteiras do Prata estabelecendo intercâmbios culturais marcantes: gravou e excursionou com Raul Barboza, Antonio Tarragó Ros e Mercedes Sosa, recentemente lançou CD na Argentina com inúmeras participações de artistas importantes daquele país e já liderou projetos coletivos como o Palco do Rio Grande no início dos anos 2000 que visitou a obra do Conjunto Farroupilha e do grupo Os Gaudérios. Luiz Carlos Borges representa para o cenário atual da música feita no sul muito mais do que a sua excelência musical, ele é sem sombra de dúvidas a grande ponte entre todos os gêneros aqui praticados, de inspiração regional ou não. Luiz Carlos Borges: o violão, a voz e a gaita – a música dos gaúchos para o mundo! 14  |  A alma atada na gaita

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